Westland WS-55 Whirlwind Series 1

História e Desenvolvimento.
A gênese deste importante fabricante de aeronaves do Reino Unido tem origem em 1915, com a fundação da Westland Aircraft Works, uma divisão das empresas Petters Ltd. em atendimento a uma determinação governamental exigida para a produção de doze hidroaviões Short Type 184, seguido por 20 aeronaves do modelo Short Admiralty Type 166. As ordens se seguiram para a produção de mais aeronave em face da necessidade de atendimento as demandas militares provocada pela Primeira Guerra Mundial, com a empresa passando a produzir em suas linhas, grandes lotes de aeronaves de outras companhias como os Sopwith 11/2 Strutter,  Havilland Airco DH.4, Havilland Airco DH.9, Havilland Airco DH.9A e o Vickers Vimy. O nome fantasia “Westland” foi escolhido pela esposa do fundador o senhor William (Teddy) Petter no momento de aquisição de um terreno para a expansão da planta industrial na região de West Hendford. Como resultado da experiência adquirida na fabricação de aeronaves sob licença durante o conflito a Westland Aircraft Works, começou a projetar e construir sua própria linha de aeronaves, começando com o Westland N.1B em 1917, que foi seguido em 1918 pelos modelos Westland Wagtail e Westland Weasel. Logo Após o fim da guerra, Westland Aircraft Works passo a desenvolver uma linha de aeronaves de transporte de pequeno porte destinados ao mercado civil, como os modelos Limousine e Woodpigeon. Neste mesmo momento a Força Aérea Real (RAF) lançava a o programa de concorrência M 26/27, para a substituição de suas antigas aeronaves de treinamento Airco DH.9A, com o contrato sendo vencido em 1927 pela Westland Aircraft Works com seu modelo Westland Wapiti, com esta aeronave entrando em serviço no ano seguinte. No ano de 1935 William (Teddy) Petter, Limited segmentou seus negócios de fabricação de aeronaves (empresa fundada em 1915) e de motores aeronáuticos (fundada em 1917). Nascia assim a Westland Aircraft Ltd. com sede na cidade de Yeovil, Somerset.

Durante a Segunda Guerra Mundial a companhia fabricou aeronaves de grande importância ao esforço de guerra aliado, entre estes o Westland Whirlwind, que foi o primeiro caça armado com canhão do Reino Unido e mais rápido do que muitos outros aviões britânicos na época, e o Westland Welkin. Além da famosa aeronave de transporte leve e ligação Westland Lysander que teve largo emprego em missões de infiltração de agentes especiais em território inimigo. Porém a exemplo do o ocorrido na Primeira Guerra Mundial, grande parte de seu esforço de guerra se daria na fabricação em larga escala do caça Supermarine Spitfire, depois que a fábrica da Supermarine em Southampton foi bombardeada durante a Batalha da Grã-Bretanha; na verdade Westlands construiu mais Spitfires do que qualquer outro fabricante. Westland, então, seria o principal projetista do Supermarine Seafire, uma conversão navalizada do Spitfire. Logo após o termino da Segunda Guerra Mundial, a Westland Aircraft Ltd., vislumbrando o potencial mercadológico a ser proporcionado pelas novas aeronaves de asas rotativas, assinou um acordo de cooperação e fabricação sob licença junto a empresa norte americana Sikorsky Aircraft Division para a produção do helicóptero Sikorsky S-51 Dragonfly. Com a primeira aeronave produzida em solo britânico alçando voo em maio de 1948, com o modelo recebendo a designação de Westland WS-51 Dragonfly, com esta família de helicópteros passando a dotar a aviação da Real Marinha Britânica (Royal Navy) e a Força Aérea Real (Royal Air Force), a partir de 1950. 
Apesar do sucesso comercial no segmento militar e civil do modelo Westland WS-51 Dragonfly, a diretoria a empresa se ressentia da necessidade de se produzir e inserir no mercado, uma aeronave de asas rotativas de maior porte, visando a atender um novo nicho de mercado militar e civil. Estudos econômicos para o possível desenvolvimento e produção desta nova aeronave novamente derivaram para a produção sob licença, evitando desta maneira o aporte de altos investimentos dedicados a projetos criação de ferramental, fabricação de protótipos e implantação de variados programas de ensaios em voo. Assim desta maneira foram iniciadas novas conversações junto a empresa americana Sikorsky Aircraft Division para produção sob licença em território britânico de seu modelo de helicóptero de médio porte o Sikorsky S-55 (H-19 Chickasaw). Um contrato de licenciamento de fabricação e comercialização com exclusividade na Europa da nova aeronave de asas rotativas, seria celebrado em março de 1951, cabendo ao corpo de engenheiros da empresa britânica customizar os projetos técnicos e conceituais norte-americanos, as especificações de ferramental e confecção de gabaritos. Uma célula original do Sikorsky S-55 seria fornecida para base de fabricação em série, sendo montada nas linhas de produção da Westland Aircraft e alçando voo em novembro de 1951. No entanto o processo de customização do ferramental e gabaritos, para produção real seria mais demorado do que o previsto em projeto, com o primeiro protótipo matriculado como G-AMJT alçando voo somente em agosto de 1953. 

Após ser submetido a um complexo programa de ensaios em voo, seria firmado um contrato para a produção de dez células do agora denominado Westland WS-55 Whirlwind, que receberia a designação militar de HAR.1 para uso em missões de busca e salvamento junto a ao 848 Esquadrão Aéreo Naval da Real Marinha Britânica (Royal Navy). Estas aeronaves estavam equipadas com mesmo motor empregado nos Sikorsky H-19 Chickasaw o Pratt & Whitney Wasp R-1340-40 com 600 shp, as operações em ambiente real apontaram a necessidade da aeronave desenvolver maior potência. Assim desta maneira um segundo contrato de mais 35 aeronaves seria assinado sendo composto por aeronaves equipadas com um motor mais potente o Wright R-1300-3 Cyclone 7 de 800 shp de potência, com esta versão recebendo a designação de Whirlwind  HAR.3. e neste contexto um contrato para o fornecimento de 71 aeronaves seria celebrado para a Força Aérea Real (Royal Air Force), a estes dois contratos se somaram mais 45 aeronaves destinadas a diversos operadores civis e governamentais. O próximo cliente militar seria a aviação naval da Marinha Francesa (Aeronávele) que realizou a aquisição de 37 células de uma versão denominada como Whirlwind  HAR.3. Coube ainda aos Westland Whirlwind WS-55 britânicos a escrever uma nova página da história da guerra área, durante a crise do Canal de Suez, em novembro de 1956, quando estas aeronaves participaram do desembarque anfíbio anglo-francês em Port Saind no Egito. 
O desempenho das primeiras versões desta aeronave, foi consideravelmente limitado pelo potência dos motores a pistão norte-americanos, levando a empresa a buscar uma nova solução que seria atendida através de um projeto da empresa Alvis Car and Engineering Company Ltd, que se materializaria no motor a pistão radial de 14 cilindros Major 755/1. A nova versão equipada com motor receberia a designação militar de  Whirlwind HAR.5, em seguida seria desenvolvida nesta mesma plataforma e motorização a versão naval “HAS”, que se tornaria o  primeiro helicóptero britânico projetado para a guerra. Apresentava uma autonomia em patrulha de 334 milhas a 86 mph, estava equipado com sonar de mergulho para detecção de submarinos ou armado com torpedos, não podendo ser configurado simultaneamente para esta duas tarefas, operando então em pares de aeronaves.  Apesar ter obtido relativo sucesso comercial com as aeronaves de asas rotativas desta família, a Westland Aircraft Ltd, vislumbrou que nesta época a tecnologia destinada aos motores a reação de turboeixo já permitia o desenvolvimento de grupos motopropulsores de reduzidas dimensões, mas capazes de gerar considerável potência. Esta possibilidade levaria a empresa a adotar este novo tipo de motor, gerando assim a versão Whirlwind HAR.9, para células antigas modernizadas e Westland Whirlwind Série 3 para aeronaves novas de fábrica.

Emprego na Marinha do Brasil.
A operação de aeronaves de asas rotativas para emprego militar teve início no Brasil na primeira metade da década de 1950 com a aquisição pela Força Aérea Brasileira de quatro células do modelo Bell 47D1. Esta movimentação foi observada de perto pela Marinha do Brasil, que já ambicionava a implementação de sua aviação naval desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Após estudos, alocação de recurso e definição do plano estratégico, a reativação da aviação naval teve início em agosto de 1952, com a criação a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) que teria por missão criar a doutrina de emprego deste novo braço militar aeronaval. Como segundo passo deste processo, em 1955 seria formado o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN) que se localizava no Km 11 da Av. Brasil (Rio de Janeiro/RJ), onde atualmente se encontra o Centro Recreativo da Casa do Marinheiro sendo esta organização focada no treinamento e formação e todo o pessoal aero navegante da marinha. A estes se juntariam logo em seguida em 1956, dois Westland WS-51/2 Widgeon. No final desta mesma década, as altas autoridades militares da Aviação Naval da Marinha do Brasil, prontamente identificaram a necessidade de se dispor de uma aeronave de asas rotativas de maior porte do que até as em uso naquele período. Estudos seriam conduzidos junto ao adido militar naval em Washington nos Estados Unidos, visando a aquisição de aeronaves de asas rotativas junto aquele governo, com preferência aos novos helicópteros Sikorsky S-55, aeronaves que vinham desempenhando um excelente papel como aeronaves navais junto a Marinha Americana (US Navy).

Em face do cenário em que se deu o ressurgimento da Aviaçao Naval, agravado ainda pelo reduzidíssimo orçamento destinado a aquisição de material aeronáutico, as alternativas existentes eram bastantes restritas, eliminando a opção pela aquisição de aeronaves novas de fábrica norte americanas. No entanto, em vista da boa relação existente entre Ministério da Marinha a empresa Westland Aircraft Ltd., bem como o considerável apoio prestado pelo Almirantado Britânico durante as etapas de aquisição e modernização do Navio Aeródromo Ligeiro A-11 Minas Gerais, foi possível á Comissão Fiscal de Construção de Navios na Europa (CFCNE) acertar a compra de três helicópteros Westland WS-55 Whirlwind Série I. Celebrado este contrato ao valor unitário de US$ 141.366,00 doláres, a compra destas aeronaves de asas rotativas britânicas, apresentou uma importante vantagem: a entrega se deu em um brevíssimo espaço de tempo. Assim uma vez assinado o contrato, em julho do ano de 1960, a primeira aeronave foi entregue em outubro do mesmo ano, seguido ainda dos dois restantes já no mês seguinte. Apesar de pertencer a versão civil do modelo Westland WS-55 Séries 1, as três aeronaves apresentavam muitas características presentes nas versões Whirlwind HAR Mk1 e HAR Mk2, respectivamente operadas pela Marinha Real (Royal Navy) e Força Aérea Real (Royal Air Force). Os helicópteros destinados a Marinha do Brasil foram entregues numa configuração que permitia o transporte de 10 soldados ou a instalação de seis macas, dispondo ainda de guincho igual àquele instalado nos seus pares militares no Reino Unido.
Assinado o contrato de encomenda, a Marinha do Brasil prontamente despachou um pequeno grupo de aviadores navais, para as instalações da Westland Aircraft Ltd., na cidade de Yeovil, sendo a fase de instrução no novo helicóptero concluída rapidamente e sem dificuldades. No dia 19 de outubro, o Capitão de Fragata Roberto Mário Monnret e o Capitão Tenente Hercel Ahrends Teixeira executaram o primeiro pouso de uma aeronave brasileira a bordo do Navio Aeródromo Ligeiro A-11 Minas Gerais, que havia acabado de concluir suas provas áreas com um grupo aéreo embarcado da Marinha Real (Royal Navy). Ensaiados e aprovados para o recebimento em 4 de novembro, os dois últimos Whirlwind se juntaram ao primeiro exemplar. No inicio do dezembro os helicópteros seguiram em voo até Rotterdam (Holanda) para lá serem embarcadas no porta aviões brasileiro, que estava as vésperas de partir para o Brasil. Nesse interim, as autoridades da Marinha do Brasil já estavam negociando a aquisição de outros dois Westland Whirlwind WS-55 Séries 1. Entretanto os limitados recursos orçamentários destinados a Aviação Naval impediram a efetivação desse plano, que foi postergado para 1963. As três aeronaves foram transladadas ao Brasil embarcadas do novo navio capitania da Marinha do Brasil, a entrada em operação ampliou consideravelmente o leque de missões que podiam ser cumpridas pela Aviação Naval, muito em função de sua capacidade de transporte e autonomia de voo superior as demais aeronaves de asas rotativas em carga até então.

Transitoriamente subordinados ao Destacamento Aéreo Embarcado do NAel A-11 Minas Gerais, os três Whirlwind, já com a designação de HU2W, foram passados para o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) quando essa unidade foi criada através de aviso datado de junho de 1961. Inicialmente voando das modestas instalações do HU-1 localizadas no km 11 da Avenida Brasil na cidade do Rio de Janeiro – RJ, os Westland  Whirlwind deste esquadrão prontamente passaram a desempenhar os mais variados trabalhos em benefício de distintas organizações da Marinha do Brasil e de entidades civis. Contudo, uma das principais tarefas atribuídas aos HU2W foi prestar apoio as diversas campanhas hidrográficas anualmente organizadas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). A volumosa cabine não somente permitia acomodar 10 passageiros, mas possibilitava o transporte dos mais variados tipos de materiais e equipamentos. Aliado a respeitável a capacidade de carga, o Westland  Whirlwind passou a ser instrumento imprescindível para o sucesso de muitas campanhas hidrográficas executadas durante a década de 1960. Estas mesmas capacidades permitiam ainda a execução de operações aerotransportadas com tropas do Corpo de Fuzileiros Navais, bem como o lançamento de paraquedistas daquela organização naval. Ademais em diversa ocasiões, os HU2W Whirlwind foram convocados a realizar missões de evacuação aeromédica, missões de misericórdia e trabalhos em apoio a flagelados de calamidades públicas, como as chuvas torrenciais que atingiram o Rio de Janeiro no inicio do ano de 1966.
No entanto, a intensa atividade destas aeronaves cobrou um preço alto. Dois destes helicópteros, N-7012 e N-7008, foram perdidos em acidentes ocorridos no litoral do Rio de Janeiro e nas vizinhanças de Nazaré (BA), respectivamente registrados em 4 de novembro de 1963 e 17 de agosto de 1964. A chegada de mais dois Westland  Whirlwind Série 1 em meados de 1963 permitiu que a dotação da frota destes helicópteros se mantivesse no mesmo nível de quando entraram em serviço. A carência de recursos materiais para a execução de serviços de revisão geral, agravada pela falta crônica de recursos financeiros, no entanto, fez com que  os índices de disponibilidade caíssem gradativamente, tendo, em 1966, um dos Whirlwind já sofrido extensa canibalização para permitir que os outros dois continuassem voando. Mais distintas circunstâncias dariam um sopro de vida as duas aeronaves em atividade com o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1). Quando ficou acertada a aquisição de helicópteros Westland Whirlwind Série 3, equipados com motores turboeixo, ficou acertado então em 1968 que as duas células remanescentes fossem despachadas para o Reino Unido. Nas instalações do fabricante estas aeronaves foram submetidas a um intenso programa de modernização, que incluiu a instalação do motor Rolls – Royce Gnome, com estas células retornando ao país no ano seguinte. Já a última aeronave que fora canibalizada, além de qualquer possibilidade de ser economicamente recuperada para voo, foi alienada em 1970 e, posteriormente, transformado em sucata.

Em Escala.
Para representarmos Westland WS-55 Whirlwind Série 1 HU2W matricula “N-7029”, fizemos uso do antigo kit produzido pela Airfix na escala 1/72. Não há necessidade de se promover nenhuma alteração para compormos a versão empregada pela Aviação Naval da Marinha do Brasil. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM decais presentes no antigo set 72/10.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado pelos Westland Whirlwind HU2W, sendo o mesmo esquema aplicado as demais aeronaves de asas rotativas em uso na Aviação Naval da Marinha do Brasil, mantendo esta sistemática até a implementação de seu programa de modernização realizado em 1968.


Bibliografia :
- Westland Whirlwind – Wikipedia  https://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Whirlwind_(helicopter)
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  por  Jackson Flores 
- 100 anos da Aviação Naval – Marinha do Brasil
- Asas sob os Mares Aviação Naval , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br