P-47D 27/28/30RA Thunderbolt

História e Desenvolvimento.
A Seversky Aircraft Company foi fundada em 1931, em Farmingdale, por Alexander de Seversky, um expatriado russo e veterano piloto da Primeira Guerra Mundial. Naquele momento, Seversky também atuava como assessor técnico do Departamento de Guerra (United States War Department), posição que lhe permitiu acompanhar de perto os rumos da modernização da aviação militar norte-americana e apresentar ideias inovadoras para o desenvolvimento de novas aeronaves. Nos primeiros anos de operação, a empresa reuniu uma equipe de engenheiros aeronáuticos altamente qualificados, em grande parte originários da Rússia e da Geórgia. Entre os principais nomes estavam Michael Gregor e Alexander Kartveli, profissionais que desempenhariam papéis decisivos no desenvolvimento de diversos projetos que marcariam a trajetória da companhia. O caminho até o sucesso, contudo, revelou-se complexo. Após vários projetos experimentais e tentativas iniciais sem grande repercussão comercial, a empresa alcançou um marco importante em 1936 ao vencer uma concorrência promovida pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para o desenvolvimento de um novo caça. O projeto vencedor, designado Seversky SEV-1XP, resultou no primeiro contrato militar relevante da empresa. A versão operacional desse projeto receberia a designação P-35, tornando-se um marco na evolução da aviação militar norte-americana. O P-35 foi o primeiro caça moderno adotado pelo Exército dos Estados Unidos (U.S Army), incorporando diversas características que definiriam a nova geração de aeronaves militares: fuselagem inteiramente metálica, configuração monoplano de asa baixa e trem de pouso retrátil  embora ainda parcialmente exposto. A aeronave era equipada com um motor radial Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp com aproximadamente 850 cavalos de potência. No final da década de 1930, o governo norte-americano iniciou um ambicioso programa de reequipamento de suas forças aéreas, estimulando o desenvolvimento de novas aeronaves de combate, neste momento seria deflagrada  uma nova concorrência destinada à criação de um caça-bombardeiro mais moderno e capaz. Em resposta a essa iniciativa, a empresa apresentou, em 1939, o projeto  XP-41. Essa aeronave incorporava melhorias significativas em relação ao P-35, incluindo uma fuselagem mais aerodinâmica, cuja seção traseira se elevava gradualmente até a deriva configuração que ficaria conhecida posteriormente como perfil “razorback”. O XP-41 também apresentava um trem de pouso totalmente retrátil, duas metralhadoras calibre .30 instaladas sobre o capô do motor e uma versão mais potente do motor Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp, equipada com turbocompressor e capaz de gerar cerca de 1.150 cavalos de potência, permitindo à aeronave atingir aproximadamente 515 km/h a 15.000 pés de altitude. Apesar dessas melhorias, o projeto não atendeu plenamente às expectativas do , sendo considerado insuficiente em termos de desempenho. Como recomendação, os avaliadores sugeriram a adoção de um sistema de turbocompressão semelhante ao utilizado no bombardeiro pesado  B-17 , cuja eficiência em grandes altitudes já havia sido comprovada. Atendendo a essa pleito, este sistema seria instalado na parte traseira da fuselagem, com complexas tubulações conduzindo os gases de escape sob a cabine do piloto. 

Além disso, o armamento foi reforçado com a adição de duas metralhadoras calibre .50 instaladas nas asas. Esta modificações resultariam no modelo YP-43,  sendo capaz de atingir aproximadamente 563 km/h a uma altitude de 38.000 pés, agradando os militares que aprovariam a contratação de um de um lote de 54 células do agora designado P-43A Lancer. Atenta a rápida  evolução da tecnologia aeronáutica naquele período, a empresa lançaria esforço no desenvolvimento do projeto XP-44, um caça projetado com características avançadas para a época. O modelo apresentava uma cabine mais aerodinâmica e um cubo de hélice que encobria o motor, reduzindo o arrasto aerodinâmico causado pela ampla área frontal dos motores radiais de alta potência. Inicialmente planejado para ser equipado com o motor Pratt & Whitney R-2180 de 1.400 hp. Infelizmente o projeto enfrentou um revés quando o desenvolvimento desse motor foi cancelado, obrigando o fabricante a adotar o mais potente Pratt & Whitney XR-2800 “Double Wasp” de 2.000 hp.  As qualidades promissoras do XP-44 impressionaram o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), que, em um gesto de confiança, encomendou 80 células antes mesmo da construção de um protótipo. Contudo, o cenário global mudou drasticamente com a queda da França em junho de 1940, onde clarificou-se a  superioridade dos caças Messerschmitt Bf-109, face aos parâmetros apresentados pelo XP-44. Essa constatação levou ao cancelamento da encomenda, um golpe significativo para a agora renomeada Republic Aircraft Corporation, que que viu seus planos de produção em larga escala frustrados. Determinado a apoiar a continuidade da empresa, o  Departamento de Guerra (United States War Department), optou por exercer a opção por uma segundo lote do P-43A Lancer, envolvendo 80 aeronaves.  Embora menos avançado que o XP-44, o P-43A oferecia uma solução prática para atender às necessidades imediatas. Em julho de 1941, a Força Aérea da República da China (ROCAF), assinaria um contrato para a compra de 125 aeronaves, das quais 108 seria efetivamente entregues. Com o cancelamento do XP-44, a empresa redirecionou seus esforços para um projeto ainda mais ambicioso: o “Advanced Pursuit Design No. 10” (AP-10), designado pelos militares como XP-47. Inicialmente concebido para ser propulsionado pelo motor em linha Allison V-1710 refrigerado a água, o XP-47 enfrentou exigências crescentes para a inclusão de armamento mais pesado, tanques de combustível auto-selantes, blindagem para o piloto e cabides subalares para cargas externas. Essas demandas impactariam no peso final da  aeronave, comprometendo seu desempenho. Diante desse desafio, a equipe de engenheiros demonstrou notável resiliência, resultando em uma proposta revisada designada como XP-47A, contudo, a nova versão ainda não alcançava os parâmetros necessários para rivalizar com os caças alemães, resultando em sua rejeição.  Correndo contra o tempo e sob pressão para oferecer uma solução competitiva, os engenheiros voltaram às pranchetas e desenvolveram um projeto completamente novo, o XP-47B. A aeronave apresentava uma construção toda em metal (exceto para as superfícies de controle da cauda que eram cobertas de tecido) asas elípticas, e um bordo de ataque direto ligeiramente deslocado para traz.  
A aeronave dispunha de uma cabine ampla, projetada para oferecer razoável conforto ao piloto e equipada com certo nível de proteção blindada. Tanques de combustível auto-vedantes completavam o conjunto de medidas destinadas a aumentar a sobrevivência em combate. O sistema propulsor era baseado no potente motor radial Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp, um propulsor de dezoito cilindros capaz de desenvolver cerca de 2.000 hp (aproximadamente 1.500 kW). Esse motor era combinado com um sistema de turbocompressor, permitindo ao novo caça alcançar velocidades superiores a cerca de 643 km/h e operar a altitudes próximas de 40.000 pés. Na realidade, o protótipo do XP-47B foi concebido praticamente em torno do conjunto motor-turbocompressor. O turbocompressor foi instalado na parte traseira da fuselagem, atrás da cabine do piloto, com um complexo sistema de dutos conduzindo os gases de escape até o conjunto. Essa solução técnica determinou as grandes dimensões da aeronave. Ao observar o projeto final,  Alexander Kartveli teria comentado de forma bem-humorada: “será um dinossauro, mas um dinossauro bem proporcionado.” O primeiro voo ocorreu em 6 de maio de 1941. A aeronave possuía uma cobertura transparente fixa para a cabine, e o acesso do piloto era realizado por meio de uma porta lateral na fuselagem. Após a solução de alguns problemas iniciais de projeto identificados durante os testes de voo, o modelo recebeu autorização para produção em série, passando a adotar a designação oficial P-47B Thunderbolt. As primeiras aeronaves começaram a ser entregues às unidades operacionais em dezembro de 1941. A entrada dos Estados Unidos no conflito evidenciaria rapidamente o potencial do novo caça, que passou a ser considerado um recurso estratégico de grande importância para o esforço de guerra aliado. Nesse contexto surgiu a versão P-47C, que embora  visualmente muito semelhante ao modelo anterior, essa variante incorporava diversas melhorias estruturais e operacionais. Entre as modificações introduzidas estavam reforços nas superfícies metálicas de controle, a adoção de um mastro de rádio vertical mais curto e a instalação de um sistema regulador mais eficiente para o turbocompressor. Com base nessas melhorias, foi firmado um contrato para a produção de mais de 600 aeronaves, cujas primeiras unidades começaram a ser entregues em setembro de 1942. Após a produção das primeiras cinquenta e sete aeronaves, novas melhorias de engenharia foram implementadas, resultando na versão  P-47C-1 , da qual foram produzidas 125  unidades. Em seguida, surgiria a variante  P-47C-2 , cuja produção totalizou cerca de 120 aeronaves. Essa versão introduziu uma modificação importante,  a instalação de um ponto de fixação sob a linha central da fuselagem, permitindo o transporte de bombas ou tanques suplementares de combustível.  Em novembro  a variante, o P-47C-5 que introduziria o novo motor Pratt & Whitney R-2800-59 equipado com sistema de injeção de água-metanol com um aumento na potência final. No final de 1942, a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), concluiu que a maioria dos problemas presentes nas primeiras versões, haviam sido resolvidos, levando a decisão de se enviar para a Inglaterra o 56 º Grupo de Caça com seus novos P-47C-5, para assim se juntar aos efetivos da 8º Oitava Força Aérea. 

Desde o início de seu desenvolvimento, seria concebido como um caça fortemente armado. Seu armamento padrão consistia em oito metralhadoras Browning M2 calibre .50, distribuídas nas asas e alimentadas por aproximadamente 2.500 cartuchos de munição. Essa poderosa combinação conferia à aeronave um elevado poder de fogo, tornando-a extremamente eficaz tanto em missões de combate aéreo quanto em operações de ataque ao solo. A primeira missão de combate do P-47C ocorreu em 10 de março de 1943, quando um grupo dessas aeronaves realizou uma missão de varredura de caça sobre a França ocupada. Pouco mais de um mês depois, em 15 de abril de 1943, seria registrada a primeira vitória aérea do modelo: o major Don Blakeslee conseguiu abater um caça alemão Focke-Wulf Fw 190.  As experiências acumuladas durante esse período inicial de operações revelaram diversos aspectos passíveis de aprimoramento no projeto da aeronave. Essas observações operacionais levariam a uma série de refinamentos técnicos que culminaram na introdução da versão  P-47D , rapidamente liberada para produção em grande escala. As primeiras células  eram em essência, muito semelhantes ao  P-47C , sendo inicialmente produzidas 10células designadas P-47D-1-RA. O sufixo final utilizado na designação indicava a unidade fabril responsável por sua produção: o código “RE” identificava as aeronaves produzidas na planta de Farmingdale, enquanto o sufixo “RA” era aplicado às aeronaves fabricadas na instalação industrial de Evansville. Na prática, o  P-47D consistiu em uma longa série de blocos de produção progressivamente aperfeiçoados. As primeiras subvariantes  D-1, PD-6, D-10 e P-D-11  incorporaram diversas melhorias estruturais, incluindo a adição de novos flaps de refrigeração do motor ao redor da seção superior do capô. Essas modificações foram introduzidas para reduzir problemas de superaquecimento observados em operações de campo. Posteriormente, a versão P-47D-15  foi desenvolvida em resposta a solicitações de unidades de caça norte-americanas e britânicas, que buscavam ampliar o alcance operacional da aeronave. Para isso, foram introduzidos sistemas de combustível sob pressão, capazes de transferir combustível a partir de tanques subalares externos. As variantes subsequentes  D-16, D-20, D-22 e D-23  mantiveram características semelhantes às do P-47D-15, incorporando principalmente melhorias nos sistemas de combustível e em diversos subsistemas do motor. A partir da versão P-47D-20, passou a ser adotada com novo motor Pratt & Whitney R-2800-59  Double Wasp. As primeiras versões da aeronave  incluindo os modelos  e  as variantes iniciais do P-47D e ainda o  P-47G ( P-47C produzido sob licença pela Curtiss-Wright)  apresentavam a fuselagem traseira elevada conhecida como configuração “razorback”. Esse desenho era acompanhado por uma cobertura deslizante da cabine com molduras estruturais espessas, o que limitava significativamente a visibilidade traseira do piloto e dificultava a detecção antecipada de aeronaves inimigas aproximando-se por esse setor. Para solucionar esse problema a partir do P-47D-25 seria foi adotada uma nova cobertura de cabine em formato de bolha  conhecida como “bubbletop” que proporcionava visibilidade praticamente irrestrita em todas as direções.
Para permitir essa alteração, a seção traseira da fuselagem foi rebaixada e redesenhada, com as primeiras aeronaves passando a ser entregues a partir de maio de 1944 as unidades da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF). Entretanto, essa modificação trouxe consequências aerodinâmicas inesperadas. A redução da área lateral da fuselagem traseira comprometeu a estabilidade direcional da aeronave, gerando tendência à instabilidade em guinada. Para solucionar o problema, foi introduzida  uma pequena quilha dorsal à frente da deriva, recurso que restaurava parte da área lateral perdida e melhorava o controle em voo. Essa solução passou a ser adotada em produção a partir da variante P-47D-40, sendo posteriormente aplicada retroativamente às versões D-25, D-27, D-28 e D-30 por meio de kits de modificação instalados em campo. Paralelamente à evolução das variantes padrão, novas versões especializadas foram desenvolvidas para responder às exigências operacionais do conflito.  Uma delas foi o P-47M  concebido especificamente para enfrentar aeronaves alemãs de alto desempenho que surgiram nos estágios finais da guerra, como o Messerschmitt Me 262 e o Focke-Wulf Fw 190D.  Essa variante empregava um motor mais potente, tendo seu armamento reduzido para seis metralhadoras, buscando melhorar o desempenho e a velocidade máxima. Apesar de suas qualidades, entrou em serviço relativamente tarde e foi utilizado apenas por um grupo de. Outra evolução importante foi o P-47N Thunderbolt, projetado especificamente para operações no vasto teatro de operações do Oceano Pacífico. Essa versão foi otimizada para missões de longo alcance, particularmente aquelas destinadas a escoltar os bombardeiros estratégicos Boeing B-29  em ataques contra o território do Japão. O P-47N possuía asas redesenhadas com maior envergadura e pontas semi-elípticas, maior capacidade de combustível e uma quilha dorsal ampliada, que contribuía para melhorar a estabilidade durante longos voos. Durante o conflito, o P-47 destacou-se particularmente como caça-bombardeiro da , desempenhando papel decisivo em missões de apoio aproximado e interdição. A robusta estrutura da aeronave permitia transportar uma grande variedade de armamentos, incluindo bombas de 230 kg e 450 kg, foguetes M8 rocket de 4,5 polegadas e foguetes de alta velocidade High Velocity Aircraft Rocket (HVAR) de 5 polegadas . Essa combinação transformou o avião em uma plataforma extremamente eficaz para ataques contra colunas blindadas, linhas ferroviárias e infraestruturas logísticas. Entre junho de 1944 e maio de 1945, pilotos reivindicaram a destruição de cerca de 86.000 vagões ferroviários, 9.000 locomotivas, 6.000 veículos blindados e aproximadamente 68.000 caminhões, contribuindo significativamente para o colapso da infraestrutura militar do Eixo. Foi empregado por diversas forças aéreas aliadas, incluindo a Grã-Bretanha, a França, a União Soviética, o México e o Brasil.  Após o término da guerra,  continuou a servir  até a segunda metade da década de 1950, na Bolívia, Chile, China, Colômbia, Equador, Honduras, Irã, Itália, Iugoslávia, Nicarágua, Peru, Portugal, República Dominicana, Turquia e Venezuela. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a avaliar com crescente preocupação a possibilidade de uma eventual expansão das potências do Potências do Eixo  em direção ao continente americano. Esses receios foram intensificados após a capitulação francesa em junho de 1940, levantando preocupações quanto à possibilidade da Alemanha utilizar territórios coloniais franceses como bases operacionais, incluindo regiões como as Ilhas Canárias e Dakar. Paralelamente, os avanços militares japoneses no Sudeste Asiático e no Pacífico incluindo a ocupação da Indochina em 1940 e das Filipinas em 1942  alteraram profundamente as cadeias globais de suprimento de matérias-primas estratégicas. Nesse cenário, o Brasil assumiu papel fundamental como fornecedor de látex natural, matéria-prima essencial para a produção de borracha sintética e natural, amplamente empregada na fabricação de pneus, mangueiras, vedantes e inúmeros componentes utilizados na indústria militar. Diante desse contexto estratégico, o governo brasileiro intensificou a aproximação diplomática, econômica e militar com os Estados Unidos. Essa cooperação resultou na assinatura de diversos acordos bilaterais voltados ao fortalecimento da defesa, ente estes o programa de assistência militar  Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Por meio deste instrumento o Brasil recebeu uma linha de crédito inicial estimada em aproximadamente US$ 100 milhões de dólares.  Esses recursos foram destinados à modernização das capacidades militares brasileiras que até então enfrentavam sérias limitações decorrentes da obsolescência de seus equipamentos, aeronaves, blindados e navios e da defasagem de sua doutrina operacional. Nesse período, a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), instituída oficialmente em 20 de janeiro de 1941, enfrentava desafios significativos relacionados à modernização de sua frota. A aviação militar brasileira era composta majoritariamente por aeronaves consideradas ultrapassadas para os padrões do conflito, o que limitava sua capacidade operacional. Seria decidido também  que o país enviaria um contingente expedicionário para ajudar no esforço aliado no teatro europeu de operações, operando em conjunto com duas unidades áreas, uma de observação e ligação e outra de caça bombardeio. Em cumprimento aos termos estabelecidos nos acordos de cooperação militar firmados entre o Brasil e os Estados Unidos, foi criado, em 18 de dezembro de 1943, o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa). Essa unidade seria integrada operacionalmente ao 350º Grupo de Caça (Fighter Group) da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), passando a operar como unidade de caça-bombardeio equipada com o Republic P-47D Thunderbolt, aeronave que se tornaria o principal vetor de ataque do grupo durante a campanha na Europa. A fase inicial de preparação ocorreu em Aguadulce, onde os pilotos brasileiros realizaram treinamento de adaptação utilizando aeronaves  P-40 Warhawk. Após essa etapa, os integrantes do grupo  incluindo pilotos e equipes de manutenção foram transferidos para a base aérea de Suffolk Army Air Field, onde tiveram o primeiro contato com o P-47D Thunderbolt, aeronave que seria empregada nas operações de combate no teatro europeu. O processo de conversão operacional seguiu os mesmos padrões aplicados aos pilotos de caça norte-americanos naquele período. Em média, cada piloto realizou cerca de setenta horas de treinamento no novo caça, período ao final do qual eram considerados plenamente qualificados para operações de combate. 

Concluída a fase de instrução, o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) foi deslocado por via marítima para a Itália, onde chegou em 6 de outubro de 1944, passando a integrar as forças aéreas aliadas engajadas nas operações da Campanha da Itália.  As primeiras aeronaves destinadas à unidade foram recolhidos pelos próprios pilotos brasileiros e transportados até a base aérea de Tarquínia, que se tornaria o principal ponto de operações do grupo. Essas aeronaves faziam parte do lote fornecido à Força Aérea Brasileira (FAB), composto por 68 exemplares do modelo. No início da campanha, 31 aeronaves foram efetivamente entregues à unidade, com as demais permanecendo armazenadas como reserva estratégica, junto ao  “Army Air Force Storage Center - Mediterranean Theater of Operations”, em Nápoles, um depósito que atendia às unidades da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), baseadas no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Entre essas primeiras aeronaves, 15  pertenciam à versão P-47D-25-RE, as demais 16 células representavam os modelos P-47D 27-RE e 28-RE/Ra. O início efetivo das operações de combate destinadas a missões Apoio aéreo aproximado, Interdição tática e Ataque a Infraestruturas de transporte, se deu em 31 de outubro de 1944.  Durante as primeiras missões, os pilotos brasileiros voavam individualmente, integrados como quarto elemento às esquadrilhas dos três esquadrões norte-americanos que compunham o  350º Grupo de Caça (Fighter Group),  o 345th, 346th e 347th  Esquadrões de Caça (Fighter Squadron). Essa fase inicial de integração operacional permitiu que os pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) adquirissem experiência prática nas condições reais de combate da frente italiana, familiarizando-se com os procedimentos táticos empregados pela pelos norte-americanos antes de iniciar operações plenamente autônomas. As missões a serem realizadas pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (Gp Av Ca), eram basicamente de dois tipos: ataque ao solo e escolta de bombardeiros (com esta última ocorrendo com baixa incidência em virtude do estágio final do conflito). No primeiro tipo de emprego, eram equipados com bombas de emprego geral AN/M43 de 500lb (227 Kg), de fragmentação de 260lb (118 Kg) ou de 90lb (40 Kg), ou ainda as FTI (“Fuel Tank Incendiary”), as quais eram tanques de combustível de 90 galões (340 litros), 110 galões (416 litros) ou 165 galões (624 litros), equipados com espoletas e preenchidos com gasolina de aviação e compostos químicos para tornar gelatinosa a consistência da gasolina. As FTI (“Fuel Tank Incendiary”), eram altamente eficientes contra concentrações veículos e de tropas. Um outro armamento utilizado foram os foguetes anti-tanque M-8A2 de 4,5 polegadas, disparados de tubos M10, instalados em triplas sob as asas; não tiveram sucesso, no entanto, pois os M-8A2 eram altamente imprecisos, além do prejuízo causado às características aerodinâmicas dos P-47D Thunderbolt pela instalação daqueles tubos. Nas missões de escolta, estes caças bombardeiros valiam-se de seu pesado armamento de oito metralhadoras de 12,7mm nas asas, além de levarem tanques alijáveis de combustível sob as asas, a fim de aumentar o seu raio de ação e permitir que acompanhassem os bombardeiros aliados até a fronteira com a Áustria, o Passo de Brenner sendo um dos alvos prediletos. Pelo menos três P-47D brasileiros receberam a instalação de uma câmera fotográfica K-25A, oblíqua, colocada no bordo de ataque do cabide subalar esquerdo. 
Essa modificação foi realizada pelos próprios mecânicos brasileiros da unidade, demonstrando elevado grau de iniciativa técnica e capacidade de adaptação em condições de guerra. A presença desse equipamento permitia a obtenção de fotografias logo após a execução dos ataques, registrando os efeitos do bombardeio sobre os alvos inimigos. Normalmente, essa tarefa era desempenhada pela aeronave que voava na posição número quatro da esquadrilha  a última a mergulhar sobre o alvo  possibilitando a captura de imagens das explosões provocadas pelas bombas lançadas pelas demais aeronaves da formação. Contudo, essa função tornava o avião de reconhecimento particularmente vulnerável, pois permanecia mais tempo sobre a área do alvo e, por essa razão, recebia frequentemente a maior atenção da artilharia antiaérea alemã. Entre os pilotos brasileiros que se destacaram nas operações aéreas na Itália, merece especial menção o Pedro de Lima Mendes, 2º Tenente Aviador integrante da esquadrilha Azul do 1º Grupo de Aviação de Caça, considerado o piloto mais eficiente tanto da unidade brasileira quanto do 350th Grupo de Caça durante a campanha. Igualmente notável foi o desempenho do pessoal de manutenção e apoio em terra. A dedicação e a competência técnica desses profissionais refletiram-se na elevada taxa média de aeronaves disponíveis para operações: cerca de 81%, índice que jamais caiu abaixo de 77% ao longo da campanha. Esse desempenho figurava entre os mais elevados registrados entre as unidades aéreas sob comando norte-americano no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Durante as missões de combate, muitos aviões retornavam às bases com danos estruturais provocados principalmente pela artilharia antiaérea alemã. Ainda assim, graças à eficiência das equipes de manutenção, essas aeronaves eram rapidamente reparadas e preparadas para novas missões, garantindo a continuidade das operações do grupo. Com o encerramento das hostilidades na Itália, em 3 de maio de 1945, foi possível apresentar o balanço de suas atividades operacionais, pois ao  longo de 184 dias de operações, a unidade realizou 445 missões, totalizando 2.546 surtidas ofensivas e quatro surtidas defensivas. Mesmo tendo sido responsável por apenas 5% do total de missões montadas pelo XXII Comando Aéreo Tático, seria responsável pela destruição de 85% dos depósitos de munições, 36% dos depósitos de combustível, 28% das pontes (19% danificadas), 15% dos veículos motorizados (13% danificados) e 10% dos veículos hipomóveis (10% danificados). Devido à escassez de pilotos substitutos, muitos aviadores brasileiros acumularam um número excepcionalmente elevado de missões de combate, com vários deles ultrapassando a marca de 80 surtidas.  Mas o preço pago foi alto e do total , 05 foram mortos em combate, 04 em acidentes aéreos (um deles ainda no Panamá, durante o treinamento), 08 foram abatidos com 05  feitos prisioneiros, 03 abatidos e por fim 07 foram afastados por motivos de saúde.  Em junho de 1945, todos os 26 P-47Ds brasileiros, foram levados em vôo até Capodichino, ao Army Air Force Storage Center - Mediterranean Theater of Operations, onde foram desmontados e enviados por via terrestre para Nápoles, para serem embarcados para o Brasil. No traslado, o P-47D-27-RE n° 42-26788 acidentou-se durante o pouso em Capodichino, sendo considerado perda total.  As 25 aeronaves restantes foram desmontadas, acondicionadas em caixas e enviadas por via terrestre até o porto de Nápoles, onde foram embarcadas no navio de transporte de tropas USS W. S. Jennings, responsável por levá-las de volta ao Brasil. O pessoal de terra e parte dos oficiais aviadores regressaram ao país a bordo do navio de transporte de tropas USS General M. C. Meigs, que também conduzia o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira. 

A embarcação deixou o porto de Nápoles em 6 de julho de 1945, marcando o retorno ao Brasil dos integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça após sua participação na campanha aérea da Segunda Guerra Mundial.Uma equipe de 20 pilotos seria escolhida para se deslocar por via aérea aos Estados Unidos, para receberem 19 P-47D-30-RA novos, equipados com o que de mais avançado existia, como miras K-14B, cabides subalares S-1, radar de alerta traseiro AN/APS-13 (para detecção de aeronaves aproximando-se no quadrante traseiro da aeronave, em um cone de 60° e um alcance de 8Km); equipamento para roupas anti-G e provisão para instalação de cinco foguetes HVAR de 127mm em cabides subalares “zero-length”  (sem trilhos para os foguetes).  Esses P-47D-30 chegaram ao Brasil em julho de 1945, antes mesmo dos  embarcados da Itália, e vieram a equipar o 1º 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) com os P-47D "veteranos da Campanha na Itália" ao  chegaram ao Brasil sendo montados no Galeão, para serem transladados em voo até a Base Aérea de Santa Cruz, para serem alocados junto ao  2º Grupo de Caça (GpCa), unidade criada em 17 de agosto de 1944 na Base Aérea de Natal e transferida em outubro para o Rio de Janeiro, estando inicialmente equipados com aeronaves Curtiss P-40 Warhawk.   Com o reequipamento desta nova unidade com os P-47D, e novas turmas de pilotos necessitando serem treinadas,  decidiu-se que, após passarem por rigoroso treinamento em aeronaves AT-6D no Estágio de Seleção de Pilotos de Caça (ESPC), os pilotos selecionados seriam transferidos ao 2º Grupo de Caça (GpCa) para a conversão operacional para o modelo. Neste momento restavam poucas células ativas ainda do modelo inicial P-47D-RE-25, que conviviam com as versões posteriores.  Em 1947, a fim de recompor a frota, seriam  adquiridas 25 células usadas do  P-47D Thunderbolt, provenientes da reserva estratégica da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), no âmbito do programa de assistência militar conhecido como American Republics Project (Projeto Repúblicas Americanas).  Durante o translado dessas aeronaves para o Brasil, uma delas foi perdida em acidente, sendo as vinte e quatro restantes incorporadas às unidades de caça da Aeronáutica brasileira. Essas aeronaves passaram a equipar o 1º/9º Grupo de Aviação e o 2º/9º Grupo de Aviação, designações recentemente adotadas pelos antigos grupos de aviação de caça da força aérea. Ainda em 1947, três dessas células foram destacadas para o Esquadrão Misto de Instrução do Curso de Tática Aérea (EMI-CTA), unidade responsável pela formação e aperfeiçoamento tático de pilotos militares. Esse esquadrão estava sediado na Base Aérea de São Paulo, localizada em Cumbica, importante centro de instrução e treinamento da aviação militar brasileira no período. Uma dessas aeronaves seria posteriormente perdida em um acidente ocorrido em 1950. As duas restantes permaneceriam em operação até serem devolvidas às unidades de caça operacionais da Força Aérea Brasileira, retornando ao 1º/9º Grupo de Aviação e ao 2º/9º Grupo de Aviação, onde continuaram a integrar a linha de frente da aviação de caça brasileira durante os anos iniciais da década de 1950. Em 1949, os esquadrões de caça sediados na Base Aérea de Santa Cruz (BASC) recuperaram suas designações históricas, passando a ser conhecidos como 1º/1º Grupo de Aviação de Caça e 2º/1º Grupo de Aviação de Caça.  Essas unidades constituíam o núcleo da aviação de caça da Força Aérea Brasileira no período imediato do pós-guerra. 
Em 1951 foi criado o 3º/1º Grupo de Aviação de Caça, unidade que sucedeu o Estágio de Seleção de Pilotos de Caça (ESPC). Inicialmente, essa unidade foi equipada com aeronaves  AT-6D Texan, utilizadas para o treinamento avançado e para a preparação tática de pilotos destinados à aviação de caça. Em 13 de outubro de 1952, os P-47D  em serviço receberam uma nova designação, passando a ser identificados como F-47 Thunderbolt, de acordo com o sistema de nomenclatura adotado pela Aeronáutica brasileira naquele período. Entretanto, no início da década de 1950, o número de aeronaves disponíveis encontrava-se significativamente reduzido. Em 1952 restavam poucos F-47 em condições operacionais, em grande parte devido à escassez de peças de reposição  incluindo itens básicos como pneus  além do desgaste natural decorrente de anos de uso intensivo. Desde o início de sua operação no Brasil, 24 aeronaves haviam sido perdidas em acidentes. Com o objetivo de recompor parcialmente a frota, em 1953 foram adquiridos outros 25 exemplares do Republic P-47D-30-RA, obtidos por meio do Mutual Defense Assistance Program (MDAP), programa de assistência militar. Nesse mesmo período, a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou a transição para a era da aviação a jato com a incorporação dos caças Gloster Meteor F.8 e   T.7, recebidos em 1953. Com a chegada dessas aeronaves, os 1º/1º Grupo de Aviação de Caça e 2º/1º Grupo de Aviação de Caça foram reequipados com o novo caça a reação britânico, marcando o início da substituição dos F-47  nas unidades de primeira linha. Como consequência desse processo, os aviões remanescentes foram transferidos para o 3º/1º Grupo de Aviação de Caça. Contudo, com a extinção dessa unidade ainda em 1953, decidiu-se redistribuir as aeronaves restantes para outras organizações da Aeronáutica. Assim, em novembro daquele mesmo ano, doze F-47  foram deslocados para Natal, no Rio Grande do Norte, com o objetivo de equipar o 2º/5º Grupo de Aviação  conhecido pelo indicativo operacional “Joker”. Essa unidade passou então a assumir a responsabilidade pelo treinamento e pela formação de novos pilotos de caça. Posteriormente, no final de 1956, os F-47 ainda em operação foram transferidos para o 1º/4º Grupo de Aviação, conhecido como “Pacau”, sediado na Base Aérea de Fortaleza. Nessa fase final de sua carreira operacional, as aeronaves já apresentavam elevado índice de panes mecânicas, comprometendo gradualmente a segurança das operações. Diante desse cenário, em 30 de julho de 1957, foram encerradas as operações regulares com o F-47  Força Aérea Brasileira (FAB). Gradualmente, as aeronaves remanescentes foram transferidas em voo para o Parque de Aeronáutica de São Paulo, onde seriam desativadas. Durante um desses voos de traslado, ocorrido em 25 de novembro de 1957, um piloto que conduzia um  desde Fortaleza sofreu um desmaio provocado pela intoxicação causada por vapores de gasolina que infiltravam a cabine da aeronave. Em consequência desse incidente, no dia 26 de novembro de 1957 foi oficialmente determinada a proibição de voos operacionais com os F-47 Thunderbolt no Brasil. Registra-se, contudo, que um último voo teria sido realizado em São Paulo, na primeira semana de dezembro daquele ano, por um jovem piloto do 1º/4º Grupo de Aviação.


Em Escala.
Para representarmos o Republic P-47D-27RA Thunderbolt "B-5 229265” quando em uso pelo 1º/1º Grupo de Aviação de Caça durante a campanha da Itália, empregamos o excelente kit da Academy na escala 1/48 embalado pela HTC Modelismo. Fizemos uso ainda do set de conversão da Commando 5 em resina que apresenta a barbatana dorsal, sendo a mesma facilmente adaptada no modelo original. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals que estão presentes no kit da HTC - Academy.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura padrão presente em algumas das células entregues a Força Aérea Brasileira no teatro de operações da Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Após o regresso ao Brasil, as aeronaves mantiveram este padrão principalmente com as insígnias nacionais “americanizadas”, até passarem pelo processo de revisão em âmbito e parque quando passar a adotar a pintura em metal natural com aplicação de verde oliva para parte superior frontal para evitar reflexos. Este último padrão com algumas alterações como a inclusão de marcações de alta visibilidade seria mantido até a desativação do modelo no ano de 1958.

Bibliografia :
- O Trator Voador por Jackson Flores Junior- Revista Força Aérea Nº 2
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores
- P-47D Thunderbolt - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Republic_P-47_Thunderbolt
- Republic P-47 Thunderbolt na FAB por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 62