História e Desenvolvimento.
A Indústria Aeronáutica Neiva Ltda. constitui um dos marcos mais relevantes da história da aviação brasileira, tendo desempenhado papel fundamental no desenvolvimento e na consolidação da indústria aeronáutica nacional no período do pós-guerra. A empresa foi fundada em 12 de outubro de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, por José Carlos de Barros Neiva, em um contexto marcado pela necessidade de modernização dos meios de instrução aeronáutica do país. À época, a frota de planadores em operação no Brasil era composta majoritariamente por aeronaves de origem alemã, incorporadas aos aeroclubes nacionais ao longo da década de 1930. Com o término da Segunda Guerra Mundial, a manutenção e a reposição dessas aeronaves tornaram-se cada vez mais complexas, o que evidenciou a necessidade de soluções de produção local. Nesse cenário, a criação da Neiva alinhou-se diretamente aos objetivos da Campanha Nacional de Aviação, programa governamental destinado a estimular a formação de pilotos e a fomentar o surgimento de uma indústria aeronáutica genuinamente brasileira. A estratégia adotada por José Carlos de Barros Neiva concentrou-se no desenvolvimento de um planador que reproduzisse, em termos de desempenho e características de voo, as qualidades consagradas do Grunau Baby, amplamente utilizado no Brasil, especialmente em sua configuração biplace. Como resultado desse esforço surgiu o protótipo Neiva B. Monitor, registrado sob a matrícula PP-PCB, que realizou seu primeiro voo em dezembro de 1945. Após a obtenção da certificação oficial no início do ano seguinte, a aeronave foi incorporada ao programa governamental de incentivo, o que viabilizou a celebração de um contrato inicial para a aquisição do protótipo e de mais vinte unidades de produção. Essas aeronaves, após o recebimento pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), foram distribuídas a diversos aeroclubes em todo o território nacional, desempenhando papel decisivo na formação de novos aviadores. O Neiva B. Monitor destacou-se como um instrumento essencial para o treinamento na aviação civil brasileira, contribuindo de maneira significativa para a expansão e o fortalecimento da cultura aeronáutica no país. Ao final da década de 1950, a empresa desenvolveu uma variante aperfeiçoada, denominada Neiva B “Monitor Modificado”, que introduziu o emprego de materiais alternativos em substituição à tradicional estrutura em madeira, refletindo a busca contínua por maior durabilidade e eficiência construtiva. Nos anos subsequentes, novos modelos de planadores foram lançados no mercado; entretanto, um ponto de inflexão na trajetória da empresa ocorreu em 1956, quando a Neiva adquiriu os direitos de fabricação do treinador Paulistinha CAP-4. Esse movimento marcou a ampliação de seu portfólio e levou à transferência de sua linha de produção para a cidade de Botucatu, no interior do estado de São Paulo. Nas novas instalações, a empresa alcançou um expressivo volume produtivo, superando a marca de duzentas e sessenta aeronaves, distribuídas em diversas versões aprimoradas, entre as quais se destacou o Neiva Paulistinha 56.
Já na década de 1960, em consonância com as diretrizes do Programa de Fortalecimento da Indústria de Defesa Nacional, a Indústria Aeronáutica Neiva foi contratada pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) para desenvolver uma aeronave leve destinada a missões de ligação e observação, com a finalidade de substituir modelos então em uso na Força Aérea Brasileira (FAB), como o Piper L-4 Cub e o Cessna 305 Bird Dog. Esse esforço culminou no desenvolvimento dos modelos U-42 e L-42 Neiva Regente, aeronaves que representaram um marco tecnológico ao se tornarem os primeiros aviões totalmente metálicos projetados e produzidos no Brasil, consolidando definitivamente a Neiva como um dos pilares da indústria aeronáutica nacional. Neste mesmo periodo, o processo de formação e treinamento de novos pilotos militares da Força Aérea Brasileira era conduzido pela Escola de Aeronáutica (EAER), então sediada no Rio de Janeiro. A instrução de voo baseava-se, essencialmente, na utilização das aeronaves Fokker T-21 e North American T-6 Texan, modelos consagrados por sua robustez, confiabilidade e comprovado histórico operacional. Entretanto, apesar dessas qualidades, tais aeronaves já se encontravam tecnologicamente defasadas, revelando-se inadequadas para preparar, de forma plena, cadetes destinados a operar vetores de primeira linha, cada vez mais complexos e sofisticados. A situação era agravada por restrições logísticas e de manutenção, decorrentes da crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição. Esse fator impactava negativamente os índices de disponibilidade operacional da frota, comprometendo a regularidade do treinamento e impondo limitações adicionais à formação dos futuros oficiais aviadores. Diante desse cenário, em janeiro de 1962, o Ministério da Aeronáutica (MAer) estabeleceu um conjunto de especificações técnicas com vistas ao desenvolvimento e à aquisição de novas aeronaves destinadas aos estágios de treinamento primário e avançado. O programa foi classificado como prioritário, estruturado dentro de um cronograma de curto e médio prazo, refletindo a urgência em substituir os vetores obsoletos e em sanar as deficiências operacionais então identificadas. Para o treinamento primário, optou-se por uma solução de origem nacional, o que culminou no desenvolvimento do Aerotec T-23 Uirapuru, aeronave concebida para atender aos requisitos básicos de instrução e cuja incorporação à Força Aérea Brasileira (FAB) se daria a partir de 1969. Já no tocante ao treinamento avançado, a preferência inicial dos oficiais brasileiros recaiu sobre o Beechcraft T-34 Mentor, modelo reconhecido por seu elevado desempenho e ampla utilização em forças aéreas estrangeiras. Todavia, os custos associados à aquisição de um lote significativo dessa aeronave superavam a dotação orçamentária disponível à época, tornando inviável sua adoção imediata. Em face dessas restrições, o Ministério da Aeronáutica (MAer) direcionou seus esforços para o desenvolvimento de uma alternativa nacional destinada ao treinamento avançado.

A nova aeronave deveria apresentar concepção mais simples, custos de aquisição e operação reduzidos e plena adequação às limitações financeiras do programa, sem prejuízo à qualidade da formação dos pilotos. Nesse contexto, a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva Ltda. foi convidada a participar do projeto, apresentando estudos compatíveis com os objetivos estratégicos estabelecidos pelo MAer. Antecipando-se às demandas do mercado e buscando ampliar seu portfólio de produtos, a empresa já conduzia, por iniciativa própria, um programa de desenvolvimento com características semelhantes. Esse esforço era liderado por uma equipe técnica sob a coordenação do engenheiro Joseph Kovacks, profissional húngaro radicado no Brasil, cuja experiência e talento seriam decisivos para o avanço do projeto. Esse movimento conjunto representou um marco relevante na busca por autonomia tecnológica, consolidando a participação da indústria aeronáutica nacional na modernização do sistema de treinamento da Força Aérea Brasileira (FAB) e pavimentando o caminho para uma nova geração de aeronaves de instrução militar no país. Com base nas especificações técnicas estabelecidas pelo Ministério da Aeronáutica (MAer), a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva Ltda. deu início ao desenvolvimento de uma nova aeronave de treinamento avançado, denominada Neiva N-621. O projeto refletia uma clara inspiração nos cânones clássicos do design aeronáutico difundidos pelo consagrado projetista italiano Stelio Frati, notabilizando-se por linhas elegantes, aerodinamicamente eficientes e funcionalmente equilibradas. Nesse contexto, o N-621 consolidou-se como o primeiro monomotor de alto desempenho concebido e produzido em série no Brasil, representando um marco relevante para a indústria aeronáutica nacional. O protótipo da aeronave, registrado com o prefixo experimental PP-ZTW, realizou seu voo inaugural em 9 de abril de 1966, a partir de São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo. A decolagem foi conduzida pelo experiente piloto de ensaios Brasílico Freire Neto, cuja atuação foi decisiva para a avaliação inicial do comportamento da aeronave. Desde os primeiros minutos em voo, o N-621 demonstrou características promissoras, confirmando a solidez conceitual do projeto. Concebido como um monoplano de asa baixa, monomotor e biplace, com assentos dispostos lado a lado, o N-621 apresentava ainda a possibilidade de acomodar um terceiro tripulante na porção traseira da cabine, ampliando sua flexibilidade operacional. Suas principais características técnicas incluíam a Configuração: Monomotor, biplace (com capacidade para um terceiro tripulante na parte traseira da cabine); Trem de pouso: Triciclo retrátil; Dimensões: Envergadura: 11,00 m, Comprimento: 8,60 metros Altura: 3,00 metros e Superfície alar: 17,20 metros²; Pesos: vazio: 1.150 kg - máximo: 1.700 kg; Propulsão: Motor a pistão Lycoming IO-540-G1A5, de 290 HP, com seis cilindros opostos horizontalmente, movido a gasolina, acoplado a uma hélice tripá de velocidade variável, Desempenho: Velocidade máxima: 250 km/h, Razão de ascensão: 300 m/min, Teto operacional: 5.000 m e Autonomia: 1.150 km; Cabine: Ampla, com assentos lado a lado para piloto e instrutor, coberta por um canopy de plexiglass de peça única, deslizante para trás, proporcionando excelente visibilidade externa.
A configuração do N-621 foi projetada para atender às exigências de treinamento avançado, destacando-se pela ampla cabine que facilitava a interação entre piloto e instrutor. O canopy de plexiglass, além de otimizar a visibilidade, contribuía para a experiência de instrução. A aeronave exibia comandos dóceis, alta manobrabilidade e desempenho satisfatório, características que a tornavam ideal para a formação de pilotos militares. As primeiras impressões em voo foram positivas, com o protótipo demonstrando um equilíbrio entre desempenho, manobrabilidade e facilidade de operação. Após os voos iniciais de aceitação e aprovação, o Neiva N-621 PP-ZTW foi encaminhado ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), onde foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo. Esses testes visavam validar a aeronave em diversas condições operacionais, garantindo sua adequação às especificações do Ministério da Aeronáutica (MAer) e sua prontidão para integração ao programa de treinamento da Força Aérea Brasileira (FAB). O programa de desenvolvimento do Neiva N-621 seguiria para a fase de testes, e esta fase revelou que o desempenho inicial da aeronave não atendia integralmente às especificações estabelecidas para uma aeronave de treinamento avançado. A principal deficiência identificada foi a baixa potência do motor Lycoming IO-540-G1A5, originalmente instalado. Para superar essa limitação, a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva Ltda. implementou uma solução técnica que envolveu a substituição do grupo propulsor por um motor radial Lycoming IO-540-K1D5, com 300 HP de potência, acoplado a uma hélice bipá de velocidade constante. O protótipo modificado foi submetido a um novo ciclo de ensaios em voo, conduzido pelo CTA. Os resultados demonstraram melhorias significativas, com a aeronave atingindo: Velocidade máxima: 275 km/h, Razão de ascensão: 320 metros/minito, Teto operacional: 5.000 metros e Autonomia: 1.150 km. Esses novos parâmetros atenderam às exigências, culminando na homologação da aeronave pela diretoria de voo do CTA. Em dezembro de 1967, o Ministério da Aeronáutica (MAer) formalizou um contrato com a Indústria Aeronáutica Neiva Ltda para a aquisição de 150 células do N-621, destinadas ao treinamento avançado de pilotos. A execução do contrato enfrentou desafios significativos devido à capacidade limitada da planta industrial da Neiva em Botucatu, que já estava comprometida com outros projetos, incluindo a produção do Neiva L-42 Regente. Para atender à demanda e ao cronograma estipulado, a empresa decidiu construir uma segunda fábrica em São José dos Campos, estrategicamente localizada próxima ao CTA. Contudo, atrasos burocráticos e problemas nos processos fabris impactaram o planejamento inicial, adiando a entrega do primeiro exemplar de produção em série para 7 de abril de 1971. Nesse ano, apenas quatro aeronaves foram entregues. A Neiva implementou melhorias na engenharia de processos da nova planta, o que resultou em um aumento gradual da capacidade produtiva. Em 1972, a produção alcançou 29 aeronaves, um número ainda insuficiente para atender à urgência na substituição dos obsoletos North American T-6 Texan. No ano seguinte, 1973, a entrega de 45 aeronaves marcou um avanço significativo. Em 1974, foram produzidas 50 unidades, seguidas por 14 em 1975, completando assim o total de 150 células previstas no contrato.
O contrato celebrado em 1967 entre o Ministério da Aeronáutica (MAer) e a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva estabelecia a produção de 150 aeronaves do modelo Neiva N-621, posteriormente designadas T-25 Universal, destinadas à Força Aérea Brasileira (FAB). O programa representava um marco para a indústria aeronáutica nacional, inserindo-se no contexto mais amplo de fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira no setor aeroespacial durante o período de modernização das Forças Armadas. Entretanto, ao longo do processo produtivo, contingenciamentos orçamentários impostos pelo próprio Ministério da Aeronáutica (MAer) levaram à redução do número efetivamente incorporado pela FAB, que recebeu apenas 140 aeronaves. Como as 150 células originalmente contratadas já haviam sido concluídas pela Neiva, dez unidades permaneceram armazenadas, impondo à fabricante a necessidade de buscar alternativas comerciais para esse excedente. Em um movimento alinhado à política de projeção da indústria aeronáutica brasileira no exterior, a Neiva direcionou esforços ao mercado latino-americano de defesa. A iniciativa mostrou-se bem-sucedida em meados de 1976, quando as dez aeronaves remanescentes foram adquiridas pelo governo do Chile para emprego na aviação militar do Exército daquele país. Integradas às atividades operacionais, as células foram utilizadas intensivamente em missões de instrução e ligação até o final da década de 1990, evidenciando a robustez estrutural e a versatilidade do projeto. Pouco depois, a Força Aérea Paraguaia (FAP) tornou-se o terceiro operador militar do T-25 Universal ao adquirir aeronaves excedentes oriundas brasileiras. Esse inventário seria ampliado em 1997, quando o governo chileno doou seis exemplares que haviam sido desativados no início da década de 1990 e mantidos em armazenamento. Tal movimentação refletia não apenas a longevidade do modelo, mas também o dinamismo das relações de cooperação militar na região. Em 2005, inserido em uma política mais ampla de fortalecimento dos laços regionais, o governo brasileiro promoveu a doação de doze aeronaves T-25 Universal, previamente revisadas pelo Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS). Seis unidades foram destinadas à Força Aérea Boliviana (FAB) e outras seis à Força Aérea Paraguaia (FAP). Antes da transferência, as aeronaves passaram por inspeções estruturais e manutenção completa, assegurando plenas condições de aeronavegabilidade. Até o presente, as células transferidas à Bolívia e ao Paraguai permanecem em operação, cumprindo missões de treinamento e apoio, o que atesta não apenas a qualidade do projeto original, mas também a eficácia das revisões técnicas realizadas ao longo de sua vida útil. A durabilidade operacional do T-25 Universal consolidou sua presença como vetor de formação de pilotos militares em diversos países da América do Sul.Em conformidade com o cronograma estabelecido entre a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva e o Ministério da Aeronáutica (MAer), as primeiras unidades do T-25 Universal começaram a ser entregues a partir de maio de 1971 ao Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM), sediado em Natal, no Rio Grande do Norte. A incorporação da aeronave inseria-se em um momento de consolidação do sistema de formação da Força Aérea Brasileira, que buscava estruturar um fluxo pedagógico progressivo e tecnicamente coerente. Nesse arranjo, o T-25 passou a ocupar o estágio intermediário da instrução aérea, operando de forma integrada com o Aerotec T-23 Uirapuru, empregado no treinamento primário, e com o Cessna T-37C Tweet, responsável pela fase avançada. Essa combinação permitia ao aluno aviador evoluir de aeronaves de menor complexidade para vetores mais exigentes, consolidando habilidades técnicas e disciplina operacional. Durante o período em que permaneceu em operação no Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM), o T-25 Universal destacou-se pela regularidade de desempenho e elevada confiabilidade mecânica, acumulando aproximadamente 7.000 horas de voo dedicadas exclusivamente à instrução. Tal desempenho confirmou a adequação do projeto às demandas do ambiente de formação militar, fortalecendo a confiança da Força Aérea Brasileira (FAB) na capacidade da indústria aeronáutica nacional. Em 1973, no âmbito de um processo mais amplo de reorganização administrativa e estrutural conduzido pelo Ministério da Aeronáutica (MAer), o Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM) foi oficialmente desativado. Como consequência, as aeronaves T-25 foram transferidas para a Academia da Força Aérea (AFA), localizada em Pirassununga, São Paulo. Na nova sede, o T-25 consolidou-se como treinador básico padrão da instituição, função que exerceu de maneira contínua até 1978. Nesse mesmo período, a instrução avançada permaneceu sob responsabilidade do T-37C, que complementava o ciclo de formação dos cadetes aviadores. Entretanto, a partir de 1979, a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou uma avaliação criteriosa quanto à viabilidade do emprego de aeronaves a jato na fase avançada da instrução. A frota de T-37C enfrentava desafios significativos: redução da disponibilidade operacional em decorrência de acidentes graves, indícios de fadiga estrutural acumulada e crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição. Somavam-se a esses fatores os elevados custos operacionais, associados ao consumo de combustível e à complexidade de manutenção inerente aos dois motores a jato. Diante desse quadro, decidiu-se retirar o T-37C do estágio avançado de formação, adotando o T-25 Universal como solução substitutiva de caráter inicialmente transitório. Embora concebido como treinador básico, o T-25 demonstrou notável capacidade de adaptação, desempenhando com eficiência e segurança as atribuições do treinamento avançado. Tal desempenho evidenciou a solidez do projeto, sua versatilidade operacional e a maturidade técnica alcançada pela indústria aeronáutica brasileira naquele período.
O emprego do T-25 Universal no estágio avançado da formação de pilotos manteve-se como solução de caráter provisório até a incorporação do novo treinador turboélice Embraer EMB-312 Tucano, designado na Força Aérea Brasileira (FAB) como T-27. As primeiras entregas dessa aeronave ocorreram no final de 1983, inaugurando uma etapa decisiva na modernização do sistema de instrução aérea militar brasileiro. A entrada em serviço do T-27 representou uma inflexão qualitativa no processo formativo, ao oferecer desempenho superior, maior eficiência pedagógica e sensível redução dos custos operacionais quando comparado aos jatos então empregados. Com isso, encerrava-se o ciclo do T-25 Universal como treinador avançado, ao mesmo tempo em que se consolidava seu legado como um dos principais pilares da instrução aérea nacional nas décadas anteriores. A partir de 1984, o T-25 foi definitivamente retirado das funções de treinamento avançado, passando a atuar exclusivamente no estágio básico no processo de formação . Nesse novo arranjo, a aeronave assumiu progressivamente o espaço antes ocupado pelo Aerotec T-23 Uirapuru, processo formalmente concluído em 1º de outubro de 1984. Essa transição consolidou o T-25 como principal plataforma de instrução básica brasileira, explorando plenamente suas qualidades de manobrabilidade equilibrada, elevada confiabilidade mecânica e características de voo particularmente adequadas à formação inicial de aviadores militares. Paralelamente, desde 1974, o T-25 já vinha desempenhando papel relevante na formação de oficiais da reserva de 2ª categoria, atividade conduzida pelo Centro de Aplicações Táticas e Recomplementação de Equipagens (CATRE), sediado em Natal, no Rio Grande do Norte. No âmbito dessa organização, as aeronaves foram atribuídas ao 2º Esquadrão de Instrução Aérea (2º EIA), onde passaram a cumprir funções amplas e diversificadas, abrangendo instrução primária, básica e avançada, além do treinamento operacional de pilotos em fase final de formação. Essa versatilidade reforçou o valor estratégico do T-25 Universal como plataforma multifuncional, capaz de atender a distintas etapas do processo de ensino e adaptação à atividade aérea militar. Mais do que um simples treinador, o modelo revelou-se instrumento de transição doutrinária e de consolidação de práticas operacionais. Durante sua utilização no Centro de Aplicações Táticas e Recomplementação de Equipagens (CATRE), o T-25 passou ainda a servir como plataforma para ensaios e desenvolvimento de doutrina básica de emprego armado, antecipando eventual aplicação em missões operacionais. Essa iniciativa estava diretamente vinculada à necessidade de substituir os já obsoletos North American AT-6 Texan, que ainda desempenhavam missões de contra-insurgência nos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA). Com o propósito de atender a essa demanda emergente, incluiu-se no contrato original que fora firmado com a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva, a programação de entrega de 25 células do T-25 Universal adaptadas para missões de ataque ao solo.

Tal decisão evidenciava não apenas a flexibilidade do projeto, mas também a busca por soluções nacionais capazes de responder às necessidades operacionais da Força Aérea em um período de transição tecnológica e doutrinária. Essas aeronaves foram concebidas para operar segundo um novo conceito organizacional e doutrinário, estruturado em torno dos Esquadrões Mistos de Operações Aéreas Especiais. Essas unidades tinham como propósito integrar, de maneira coordenada e flexível, aeronaves de ataque ao solo, vetores de ligação e observação, além de helicópteros destinados ao apoio tático. Tratava-se de uma evolução natural das antigas Esquadrilhas de Reconhecimento e Ataque (ERA), agora reformuladas para atender às demandas contemporâneas de mobilidade, versatilidade e resposta rápida. Essa nova concepção operacional refletia as transformações do pensamento militar brasileiro no período, especialmente no que se referia à atuação em cenários de baixa intensidade e em regiões remotas do território nacional, como áreas de fronteira e zonas de difícil acesso logístico. A ênfase deslocava-se para operações combinadas, com maior integração entre meios aéreos e forças terrestres, ampliando a eficácia do emprego do poder aéreo em missões de apoio tático. Nesse contexto, o T-25 Universal ultrapassou sua condição original de aeronave exclusivamente destinada à instrução, consolidando-se como instrumento de transição doutrinária e elemento relevante no processo de modernização operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). Sua adaptação às novas exigências evidenciava não apenas a flexibilidade do projeto, mas também a busca por soluções nacionais compatíveis com as necessidades estratégicas do período. Com o objetivo de atender às especificações estabelecidas pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) para missões de ataque ao solo, a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva desenvolveu uma versão modificada do modelo, designada extraoficialmente como AT-25 Universal. Essa variante representou um avanço significativo na ampliação das capacidades operacionais da aeronave, preservando, contudo, suas características essenciais de robustez estrutural, confiabilidade mecânica e simplicidade de manutenção atributos fundamentais para operações em bases avançadas e ambientes austero. O AT-25 incorporou um conjunto de aprimoramentos técnicos e estruturais, entre os quais se destacavam: Sistemas de mira e disparo – instalação de visor de tiro e dispositivos de acionamento produzidos pela empresa paulista DF Vasconcelos Ltda., posicionados à frente do assento do piloto, no lado esquerdo da cabine. Essa configuração permitia maior precisão no emprego do armamento, adequando a aeronave a missões de apoio aéreo aproximado e ataque leve. Ampliação da capacidade de armamento – inclusão de quatro pontos fixos subalares, possibilitando variadas configurações de carga bélica, tais como: Casulos subalares equipados com metralhadoras calibre 12,7 mm; Cabides para o emprego de bombas de exercício ou de uso geral do tipo MK.76; Casulos lançadores de foguetes não guiados Avibras, nos calibres de 37 mm ou 70 mm.
Essas modificações converteram o T-25 em uma plataforma versátil de ataque leve e apoio aéreo aproximado, plenamente adequada às operações de baixa intensidade então previstas no planejamento estratégico. Ao adaptar uma aeronave originalmente concebida para instrução às demandas operacionais emergentes, a Força Aérea Brasileira (FAB) demonstrava capacidade de inovação doutrinária e racionalização de recursos, reforçando a importância do T-25 Universal como vetor multifacetado dentro da evolução histórica do poder aéreo nacional. As primeiras unidades do Neiva AT-25 Universal foram entregues, conforme o cronograma contratual, ao Centro de Aplicações Táticas e Recomplementação de Equipagens (CATRE), sediado na Base Aérea de Natal (BANT). Nesse ambiente, voltado à experimentação e consolidação de conceitos operacionais, a aeronave passou a ser intensamente empregada no desenvolvimento e na validação da doutrina de emprego armado da Força Aérea Brasileira. Os resultados iniciais foram considerados amplamente satisfatórios. Os ensaios operacionais demonstraram que o AT-25 possuía desempenho adequado e confiável em missões de ataque ao solo, especialmente no contexto de operações de baixa intensidade. Diante dessas evidências, a Força Aérea Brasileira passou a planejar a substituição progressiva dos veteranos North American AT-6 Texan (nas versões D e G), ainda em serviço nos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA). Paralelamente, decidiu-se pela adoção do AT-25 também na 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO), onde substituiu aeronaves mais antigas, como o Pilatus L-3 e o North American T-28. Essa medida contribuiu para a padronização do AT-25 como principal aeronave nacional destinada às missões de ataque leve, apoio aéreo aproximado, ligação e observação, racionalizando a cadeia logística e simplificando tanto a instrução quanto a manutenção. A incorporação do AT-25 às unidades operacionais ocorreu de maneira gradual e planejada: 1975 – o 1º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (EMRA) – Esquadrão Falcão, sediado em Belém (PA), tornou-se a primeira unidade a operar o novo vetor; 1976 – o modelo passou a equipar o 2º EMRA – Esquadrão Poti, em Recife (PE), e o 5º EMRA – Esquadrão Pantera, em Santa Maria (RS). Nestes esquadrões, as missões conduzidas pelo AT-25 eram realizadas por uma tripulação composta por dois militares: o piloto, responsável pela condução da aeronave e pelo emprego do armamento, e o observador aéreo, incumbido de auxiliar na navegação, identificação de alvos e coordenação tática com forças terrestres. Essa configuração refletia a doutrina então vigente para operações de apoio aéreo em ambientes de baixa intensidade, reforçando o caráter polivalente do modelo. Para o emprego operacional, foram definidas diversas configurações de armamento, entre as quais se destacavam: Casulos subalares equipados com duas metralhadoras calibre 12,7 mm, utilizadas em ataques rasantes e na supressão de alvos leves; Bombas de emprego geral do tipo MK.76, destinadas a bombardeios em mergulho moderado ou nivelado; Foguetes não guiados SBAT, nos calibres de 37 mm ou 70 mm, eficazes contra alvos de área e posições entrincheiradas.

O emprego dessas armas seguia procedimentos padronizados, com ataques executados preferencialmente em picadas suaves ou voos rasantes, explorando a excelente visibilidade proporcionada pelo canopy em peça única e a boa resposta aos comandos em baixas altitudes características que tornavam o AT-25 particularmente adequado às missões de apoio aéreo aproximado. Durante o período em que estiveram em operação nos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), os Neiva T-25 Universal incluindo sua versão armada, designada AT-25 assumiram papel de destacada relevância no âmbito das missões conduzidas pela Força Aérea Brasileira (FAB). A atuação dessas aeronaves foi particularmente expressiva na região Nordeste do país, onde as características geográficas e as demandas operacionais exigiam vetores leves, versáteis e de fácil manutenção. Entre as atividades de maior projeção estiveram as operações de segurança interna realizadas em cooperação com a Polícia Federal, especialmente no combate e na erradicação de plantações ilícitas de maconha no chamado “Polígono da Maconha”, situado no estado de Pernambuco. Nessas ações, o T-25 demonstrou notável adequação às missões de vigilância, reconhecimento armado e apoio aéreo aproximado, operando em ambientes de baixa intensidade e contribuindo para a presença dissuasória do Estado em áreas de difícil acesso. No campo do adestramento operacional, a aeronave também teve participação relevante nas Manobras Reais, realizadas em 1977 e 1978. Nessas ocasiões, os T-25 e AT-25 atuaram em conjunto com helicópteros Bell UH-1H, integrando cenários de operações combinadas que simulavam situações táticas complexas. Tal emprego evidenciou a flexibilidade do modelo, capaz de transitar entre funções de instrução avançada, ataque leve e coordenação aérea, consolidando-se como plataforma eficaz de apoio às unidades operacionais. A partir de 1980, contudo, a progressiva desativação dos EMRA provocou uma reorganização na distribuição dessas aeronaves. O T-25 Universal passou, então, por um processo de redistribuição interna, sendo incorporado a outras unidades. Destaca-se, nesse contexto, sua reintegração à Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), onde retomou com maior ênfase sua vocação original de treinador básico. Essa transição marcou simbolicamente o encerramento de sua fase mais intensamente operacional e o retorno ao papel formador de gerações de aviadores militares. Na década de 1990, buscando prolongar a vida útil da frota e adequá-la às novas exigências de treinamento, foi introduzida uma versão modernizada, conhecida como T-25C ou AT-25C. Essa variante incorporou aprimoramentos técnicos que garantiram maior confiabilidade e compatibilidade com os padrões operacionais então vigentes. O T-25C foi empregado por diversas unidades, destacando-se o 2º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Poti, onde participou de treinamentos de combate aéreo dissimilar, inclusive em exercícios contra helicópteros Helibras UH-50 Esquilo, prática que se estendeu por vários anos. Também foi utilizado pela 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO), desempenhando missões de ligação e observação até a incorporação dos Embraer AT-27 Tucano, e pelo 3º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Puma, onde permaneceu em serviço até sua desativação em 2008.
Para a representação do Neiva AT-25A Universal, "FAB 1893", foi utilizado o kit em resina produzido pela GIIC Models na escala 1/48. Essa escolha proporcionou uma base detalhada para a construção de um modelo fiel à aeronave armada operada. Com o objetivo de configurar a variante armada (AT-25A), foram acrescidos lançadores de foguetes oriundos de outros kits da mesma escala. Para a finalização do modelo, foi empregada uma combinação de decais de diferentes fontes, assegurando a autenticidade das marcações, incluindo itens extraídos conjunto 48/08, complementando as marcações específicas do Neiva T-25 Universal. Decais Duarte Models: Produzidos originalmente para a escala 1/72, adaptados para representar detalhes adicionais.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tático empregado nas aeronaves AT-25A, onde podemos observar por registros histórico a existência de pelo menos cinco esquemas de camuflagem. Já as aeronaves em serviço na 2º Esquadrilha de Ligação e Observação (2º ELO), empregariam durante toda sua carreira o padrão em amarelo FS 13655. Vale salientar também que no CATRE as primeiras aeronaves empregadas mantiveram o esquema padrão de aeronaves de treinamento. Um ultimo esquema de pintura seria adotado por células do 3º/8º Grupo de Aviação - Esquadrão Puma, representando o padrão atual de camuflagem das aeronaves táticas da Força Aérea Brasileira (FAB).
- Neiva
T-25 Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Neiva_T-25
- História
da Força Aérea Brasileira por : Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- A Flecha
de Poti - Revista Força Aérea - Nº 3 Action Editora
- A Saga
dos Guerreiros Polivalentes – Incaer por
Aparecido Camazano Alamino
- Um Peixe Fora D Agua – Neiva T-25 Universal
- Prof. Rudnei Dias Cunha – Revista Força Aérea N 79
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