C/D-60 Chevrolet (VTE-VTNE)

História e Desenvolvimento
A General Motors Corporation (GM) figura entre as maiores e mais influentes fabricantes de veículos do mundo,  a companhia foi fundada em 16 de setembro de 1908, na cidade de Flint, Michigan, nos Estados Unidos, por William Crapo Durant, um próspero empresário do setor de carruagens. Durant concebeu a GM como uma holding industrial destinada a reunir diferentes marcas automotivas sob uma única estrutura, promovendo sinergias produtivas, racionalização administrativa e maior competitividade. Desde seus primeiros anos,  empreendeu um ambicioso programa de aquisições, que rapidamente consolidou sua posição no nascente setor automobilístico norte-americano. A primeira incorporação ocorreu em 1908, com a entrada da Buick Motor Company, marca já reconhecida por sua qualidade técnica, que  havia sido presidida pelo próprio William Durant e tornou-se o pilar inicial da nova corporação. Pouco depois, em 12 de novembro do mesmo ano , a Oldsmobile Motor Vehicle Company,   passou a integrar o grupo, reforçando sua presença  no mercado de veículos de produção em série. Nos anos seguintes, a corporação ampliou ainda mais seu portfólio. A Oakland Motor Car Company foi adquirida e, posteriormente, daria origem à marca Pontiac, destinada a ocupar um segmento intermediário entre os modelos populares e os de maior prestígio. Em 1909, incorporou a Cadillac Automobile Company, por um valor de aproximadamente 5,5 milhões de dólares. Com essa aquisição,  passou a atuar de forma estruturada no segmento de veículos de luxo, associando seu nome a elevados padrões de engenharia, acabamento e prestígio. Essas incorporações iniciais estabeleceram as bases para a diversificação de produtos e para a rápida expansão da General Motors no mercado automotivo. Contudo, o percurso de William Durant à frente da empresa não esteve isento de conflitos. Em 3 de novembro de 1911, após divergências com acionistas e membros do conselho administrativo, Durant deixou temporariamente o controle da GM. Nesse mesmo ano, em parceria com o piloto e mecânico suíço Louis Chevrolet, fundou a Chevrolet Motor Company of Michigan. A nova marca alcançou notável sucesso comercial em curto espaço de tempo e, em 1918, foi reincorporada à General Motors, passando a ocupar um papel central na estratégia da corporação e tornando-se uma de suas marcas mais emblemáticas. Ainda em 1911, a General Motors criou a marca GMC (General Motors Truck Company), a partir da aquisição da Rapid Motor Vehicle Company. Sendo concebida para concentrar a produção de caminhonetes e caminhões leves, segmento que receberia investimentos crescentes e se consolidaria como um dos pilares estratégicos da empresa. Paralelamente ao fortalecimento de suas operações nos Estados Unidos, a GM passou a buscar oportunidades de expansão além do mercado automotivo doméstico. Em 1918, a empresa deu início à sua internacionalização com o estabelecimento de uma operação comercial no Canadá, marco inicial de sua presença global. 

Em 1919, ampliou ainda mais o escopo de suas atividades ao adquirir a Frigidaire Company, fabricante de refrigeradores domésticos. Essa incorporação representou sua primeira incursão  em um setor não automotivo, refletindo o interesse em diversificar suas operações, explorar novos mercados e consolidar sua posição como um conglomerado de alcance internacional. Orientada por uma visão estratégica de longo prazo, a empresa identificou  o potencial de consolidar uma presença global ampla e estruturada. Essa diretriz resultou em um consistente programa de expansão internacional, conduzido de forma gradual e planejada, que marcou profundamente a história da companhia. Em 1923, inaugurou sua primeira fábrica na Europa, localizada em Copenhague, na Dinamarca. Em 1925, a empresa iniciou operações próprias na Argentina, na França e na Alemanha, ao mesmo tempo em que adquiriu a tradicional montadora britânica Vauxhall Motors, fortalecendo de maneira decisiva sua posição no continente europeu. Em 1926, novas unidades foram estabelecidas na Austrália, no Japão e na África do Sul, a expansão prosseguiu em 1928, com a entrada no mercado indiano, e em 1929 com a aquisição da fabricante alemã Opel. Nesse mesmo período, a incorporação da Yellow Coach Company, especializada na produção de ônibus  notadamente os tradicionais ônibus escolares amarelos contribuiu para a diversificação do portfólio da empresa em seu mercado doméstico. O conjunto dessas iniciativas culminou, em 1931, na ascensão da General Motors à condição de maior fabricante de veículos do mundo. Paralelamente,  voltou sua atenção para o promissor mercado latino-americano, estabelecendo a General Motors do Brasil em 26 de janeiro de 1925. As operações iniciais foram instaladas em dependências alugadas no bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo, onde a empresa lançou seu primeiro produto no mercado nacional: um furgão utilitário leve. Esse veículo era montado segundo o sistema Completely Knocked Down (CKD), no qual conjuntos importados  incluindo chassis, motores, transmissões e outros componentes  eram enviados ao país para montagem local. Esse modelo produtivo apresentava características próprias da fase inicial da industrialização automobilística brasileira. A agregação de componentes nacionais era ainda limitada, restringindo-se principalmente a algumas partes não metálicas da carroceria. Ao mesmo tempo, havia grande flexibilidade na comercialização, com veículos oferecidos tanto completos quanto na forma de chassis nus com capô, possibilitando o encarroçamento por empresas especializadas ou clientes institucionais. Essa estratégia permitiu à empresa estabelecer uma base sólida no Brasil, ajustando-se progressivamente às condições econômicas e industriais do mercado local. Em 1940, aproximadamente 75% dos furgões e caminhões comercializados pela GM Brasil já contavam com carrocerias fabricadas no país, alcançando um índice de nacionalização próximo de 90% nos componentes básicos. 
No início da década de 1950, a expansão da indústria automobilística brasileira ainda estava fortemente condicionada à importação de veículos e componentes. Nesse contexto, novos modelos de caminhões leves, como o Opel Blitz II Comercial, passaram a integrar o portfólio  da General Motors do Brasil oferecido ao mercado nacional, ampliando a variedade de veículos disponíveis para o transporte urbano e comercial. Entretanto, essa realidade começou a se modificar a partir de 1953, quando o governo federal adotou uma política industrial voltada à redução da dependência externa e ao fortalecimento da produção nacional. As novas medidas restringiram progressivamente a importação de componentes automotivos, autorizando apenas a entrada de peças sem similares fabricados no Brasil e, de forma mais significativa, proibindo a importação de veículos completos. Essa política representou um marco na história da indústria automobilística brasileira, pois impulsionou o processo de nacionalização da produção e obrigou as montadoras instaladas no país a reestruturarem seus planos industriais, investindo na fabricação local e no desenvolvimento de uma cadeia nacional de fornecedores. Esse movimento ganhou ainda mais força em 1956, com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), órgão responsável por coordenar a implantação da indústria automobilística brasileira. O programa estabeleceu metas de nacionalização e concedeu incentivos fiscais e financeiros às empresas que se comprometessem a produzir veículos no país com elevado conteúdo nacional. Nesse mesmo ano, a General Motors do Brasil teve aprovado seu plano de fabricação de caminhões, alinhando-se às diretrizes do governo para consolidar uma indústria automotiva autossuficiente e reduzir a dependência de importações. Os resultados dessa política tornaram-se rapidamente evidentes. Em junho de 1957, os caminhões Chevrolet produzidos no Brasil já incorporavam aproximadamente 40% de componentes nacionais em peso, refletindo o fortalecimento da indústria de autopeças e a crescente integração entre a montadora e os fornecedores brasileiros. Somente naquele ano foram produzidas 5.370 unidades do Chevrolet 6503, caminhão com capacidade para transportar até seis toneladas, consolidando a presença da General Motors do Brasil  no segmento de veículos comerciais pesados e demonstrando a evolução da capacidade produtiva instalada no país. Um novo passo nesse processo ocorreu em março de 1958, com o lançamento do Chevrolet 6500 Brasil, modelo que se tornou um dos principais símbolos da nacionalização da indústria automobilística brasileira. Desenvolvido dentro das diretrizes estabelecidas pelo Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), o projeto fazia parte de uma família composta por três veículos  um caminhão médio, um furgão comercial e uma picape  concebidos para atingir  naquele momento índices de nacionalização cada vez mais elevados.

O Chevrolet 6500 Brasil destacava-se pela ampla utilização de componentes produzidos no país. A própria General Motors fabricava aproximadamente 22% do veículo, incluindo cabine, painel dianteiro, grade do radiador, capô, para-lamas, molas, vidros e bancos. Os demais componentes eram fornecidos por empresas nacionais que utilizavam, em sua maioria, matérias-primas produzidas no Brasil, fortalecendo toda a cadeia produtiva.  Além do elevado conteúdo nacional, o modelo distinguiu-se por sua robustez e versatilidade. Disponível em versões para carga geral e basculante,  encontrou ampla aplicação nos setores agrícola, industrial, comercial e de infraestrutura, conquistando expressiva aceitação entre transportadores e empresas que buscavam um veículo confiável para as mais diversas condições de operação. O ano de 1958 também marcou importantes avanços, se destacando o lançamento da picape Chevrolet Brasil 3100, destinada a ampliar a linha de utilitários da marca e atender tanto ao mercado civil quanto às necessidades de órgãos governamentais e militares. Paralelamente, entrou em produção, na fábrica de São José dos Campos (SP), o motor Chevrolet Brasil 261, um propulsor de seis cilindros em linha, com 4.278 cm³ de cilindrada, virabrequim apoiado em quatro mancais e potência de 142 cv. A fabricação nacional representou um importante avanço tecnológico, reduzindo significativamente a dependência de componentes importados e consolidando a capacidade  na produção de motores de grande porte. Entre 1958 e 1964, seriam promovidas uma série de aperfeiçoamentos no Chevrolet 6500 Brasil, envolvendo tanto o aumento gradual do índice de nacionalização quanto melhorias mecânicas, estruturais e de acabamento. Essas evoluções acompanharam o amadurecimento da indústria automobilística nacional, consolidando o Chevrolet 6500 Brasil como um dos caminhões mais representativos da primeira fase de industrialização do setor automotivo brasileiro e como um importante símbolo da política de nacionalização implementada pelo governo federal durante as décadas de 1950 e 1960. Entre 1962 e 1964, a montadora promoveu uma importante atualização da linha Chevrolet 6500 Brasil, introduzindo uma série de aperfeiçoamentos mecânicos, estruturais e estéticos que visavam aumentar a confiabilidade, a durabilidade e a competitividade do modelo no mercado nacional. Entre as principais modificações destacaram-se a substituição do carburador importado por um modelo nacional DFV 226, a adoção de um chassi reforçado para suportar maiores cargas e ampliar a vida útil do veículo, além do redesenho da dianteira, que passou a contar com quatro faróis. A cabine também recebeu  melhorias, incluindo um novo teto avançado sobre o para-brisa, vigia dupla na parte traseira, tanque de combustível externo, novas fechaduras, limpadores de para-brisa reposicionados para o lado direito, quebra-sóis redesenhados e a disponibilidade  opcional, do câmbio Fuller de cinco marchas.
Esses aperfeiçoamentos contribuíram para consolidar a liderança da Chevrolet no segmento de caminhões médios movidos a gasolina. Naquele período, a marca detinha 71,7% de participação nesse mercado, muito à frente da Ford, que possuía 24,4%. Considerando o mercado brasileiro de caminhões como um todo, a General Motors ocupava a segunda colocação, com 25,6% de participação, sendo superada apenas pela Mercedes-Benz. Apesar desse desempenho a empresa enfrentava uma limitação estratégica definida pela sua reduzida presença no segmento de caminhões movidos a diesel. À medida que o transporte rodoviário brasileiro se expandia e se profissionalizava, a preferência pelos motores diesel crescia rapidamente em razão de sua maior economia de combustível, maior torque e menor custo operacional. Essa mudança no perfil da demanda levaria a montadora a perder competitividade frente aos concorrentes já consolidados nesse segmento. Buscando responder a essa nova realidade, seria iniciado  amplo processo de renovação de sua linha de caminhões, com o lançamento da nova família C-60, oferecida nas versões com tração 4x2 e 6x6. Embora mantivesse o chassi e grande parte do conjunto mecânico do Chevrolet 6500 Brasil, o C-60 representou o  primeiro caminhão médio da marca projetado e desenvolvido no Brasil para atender às condições específicas de operação do mercado interno.  Ao longo da década de 1960 o diesel consolidou-se como o combustível predominante no transporte de cargas, chegando a equipar mais de 75% da frota nacional de caminhões. Embora a montadora já oferecesse alguns modelos equipados com motores diesel Perkins, esses propulsores baseavam-se em uma concepção técnica desenvolvida ainda na década de 1940. Diante desse cenário, seria decidido investir na implantação de uma fábrica destinada à produção de motores Detroit Diesel. Paralelamente, a empresa optou por encerrar gradualmente a produção de caminhões de carga equipados com motores a gasolina, concentrando seus esforços no desenvolvimento de uma nova geração de veículos movidos a diesel. Como resultado dessa estratégia, foram lançados os modelos D-60 e D-70, inicialmente este movimento se mostrou promissor, com mercado respondendo positivamente, levando a montadora a alcançar um recorde de aproximadamente 23.700 caminhões comercializados. Entretanto, esse crescimento revelou-se temporário, pois problemas de confiabilidade apresentados pelos motores Detroit Diesel afetaram a reputação dos novos veículos, comprometendo a imagem da marca. A produção anual caiu para cerca de 11.300 unidades poucos anos após o lançamento da nova linha, reduzindo-se posteriormente para uma média de aproximadamente 4.300 caminhões por ano durante a década de 1980.  Na década de 1990, a marca Chevrolet, que outrora liderava as vendas, caiu para o último lugar no segmento. Melancolicamente,  anunciou sua retirada definitiva do mercado de caminhões, encerrando uma trajetória significativa na indústria automotiva brasileira.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras
O processo de motomecanização do Exército Brasileiro teve seu efetivo início durante a Segunda Guerra Mundial, período em que o Brasil estreitou sua cooperação militar com os Estados Unidos. Nesse contexto, a adesão brasileira ao Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) possibilitou a obtenção de uma linha de crédito da ordem de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de modernos equipamentos militares. O programa contemplava uma ampla variedade de materiais, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados, carros de combate e meios de transporte logístico, estabelecendo. Como resultado direto , entre 1942 e 1945 o Exército Brasileiro incorporou mais de 5.000 caminhões militares, se destacando os modelos GMC CCKW, Diamond T, White Corbitt Cargo, Ward LaFrance, Chevrolet Série G e Studebaker US6G, veículos que se tornaram a espinha dorsal do sistema logístico da Força Terrestre. A incorporação dessa numerosa frota representou um salto qualitativo sem precedentes na capacidade de transporte militar do país. Pela primeira vez,  passou-se  a dispor de meios motorizados em quantidade suficiente para assegurar o deslocamento rápido de tropas, armamentos, suprimentos e equipamentos em grandes distâncias, reduzindo significativamente a dependência da tração animal e dos limitados recursos ferroviários então disponíveis. Entretanto, ao longo da década de 1950, a frota adquirida durante o conflito começou a apresentar sinais evidentes de desgaste. O uso intensivo ao longo dos anos, associado ao envelhecimento natural dos veículos, comprometeu progressivamente sua disponibilidade operacional. Paralelamente, surgiram crescentes dificuldades de manutenção, uma vez que grande parte desses caminhões já havia sido retirada de produção pelas indústrias norte-americanas, tornando cada vez mais escassa a oferta de peças de reposição no mercado internacional. Essa situação passou a preocupar o Alto Comando do Exército, pois a redução gradual da disponibilidade de caminhões afetava diretamente a capacidade logística da Força Terrestre. A limitação dos meios de transporte comprometia o deslocamento de tropas, a distribuição de suprimentos e o apoio às unidades espalhadas pelo vasto território nacional, evidenciando a necessidade de adoção de medidas que garantissem a continuidade da capacidade operacional dentro das restrições orçamentárias existentes. A substituição integral da frota por caminhões militares de nova geração, como os norte-americanos REO M-34 e  M-35, equipados com sistemas de tração 4x4 e 6x6, era considerada a solução tecnicamente mais adequada. Esses veículos apresentavam maior capacidade de carga, melhor desempenho fora de estrada e elevados índices de confiabilidade. Contudo, os elevados custos de aquisição tornavam inviável sua incorporação em quantidade suficiente para substituir toda a frota herdada, ultrapassando a capacidade financeira  naquele momento.

Diante dessa realidade, passou-se a adotar uma estratégia mais pragmática, estruturada em ações complementares destinadas a preservar sua capacidade logística. A primeira consistiu na aquisição limitada de caminhões militares modernos, como o REO M-34, destinados prioritariamente às unidades que apresentavam maiores necessidades operacionais. A segunda  concentrou-se na repotencialização da frota existente, por meio de programas de recuperação estrutural e remotorização  dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G, estendendo sua vida útil. Paralelamente, uma terceira linha de ação começou a ganhar importância com a crescente nacionalização da produção de caminhões, abrindo assim a perspectiva de incorporar veículos militarizados.  As propostas de repotencialização, apesar de tecnicamente atraentes, acabaram sendo descartadas. Tal decisão fundamentou-se, em dois fatores determinantes: o elevado custo de implementação, incompatível com as possibilidades financeiras do período, e a ausência de expertise técnica nacional para conduzir programas dessa complexidade e escala. O cancelamento dessa iniciativa reforçou a necessidade de ampliar a adoção de caminhões militarizados, que passariam a atuar de forma complementar à frota, composta majoritariamente por veículos 6x6. A lógica operacional por trás dessa decisão consistia em liberar os caminhões 6x6 para missões em terrenos adversos, destinando os veículos comercialmente adaptados a tarefas secundárias, como transporte de pessoal e cargas em áreas urbanas, rodovias pavimentadas e zonas de retaguarda. Esse conceito, longe de ser inédito, já vinha sendo aplicado  desde a década de 1930, quando modelos civis adaptados, como os Chevrolet 112 Tigre, Chevrolet 137 Comercial, Chevrolet Gigante 937 e o Opel Blitz II, haviam sido incorporados. A experiência acumulada ao longo dessas décadas conferiu segurança à retomada e ampliação desse modelo de emprego. A introdução em escala de caminhões  militarizados permitiu uma redistribuição mais racional dos meios logísticos, otimizando o uso da frota disponível, reduzindo o desgaste dos veículos táticos mais valiosos e assegurando a continuidade das operações em um cenário de recursos limitados. A ampliação desse modelo de emprego permitiu uma redistribuição mais racional dos recursos logísticos, otimizando o uso da frota disponível e assegurando a continuidade das atividades operacionais. Paralelamente, em consonância com a política de incentivo à indústria nacional, o Ministério do Exército voltou-se para os produtos da Fábrica Nacional de Motores (FNM), adotando o modelo D-11000  que foi selecionado por apresentar características estruturais mais adequadas ao processo de militarização e às exigências operacionais. Entre seus principais atributos destacavam-se a robustez estrutural, o chassi reforçado com sete travessas em aço de alta resistência e a elevada capacidade para operar em estradas precárias e terrenos irregulares, características que o tornavam particularmente adequado às adaptações para uso militar.
Com a renovação parcial da frota de caminhões médios encaminhada, as atenções voltaram-se para a substituição dos caminhões leves, segmento que ainda era composto por uma grande diversidade de modelos, entre os quais se destacavam os Opel Blitz II Comercial, Chevrolet Gigante, GM G7106, G7107 e G-617M. Embora continuassem desempenhando funções essenciais no transporte de tropas, suprimentos e equipamentos, o intenso desgaste acumulado ao longo de décadas de serviço, aliado à crescente dificuldade de obtenção de peças de reposição, comprometia sua disponibilidade, tornando inevitável a implementação de um programa de renovação. Essa necessidade representou uma importante oportunidade para a General Motors do Brasil, que já havia consolidado sua posição no mercado nacional de veículos comerciais com os caminhões Chevrolet Brasil. Percebendo o potencial desse mercado, a montadora desenvolveu uma proposta baseada na adaptação desses modelos para o emprego militar.  As negociações com o Ministério do Exército evoluíram rapidamente e culminaram na assinatura de um contrato que previa a aquisição inicial de aproximadamente 300 caminhões, destinados ao transporte de tropas e de cargas. Buscando conciliar eficiência operacional e redução de custos, os veículos foram fornecidos em duas configurações distintas de carroceria. A primeira destinava-se ao transporte de pessoal, empregando uma carroceria comercial de madeira adaptada às necessidades militares. A segunda era voltada ao transporte de cargas e utilizava uma carroceria de padrão militar, construída em madeira e metal, inspirada na empregada pelos caminhões GMC G7107. As entregas ocorreram de forma rápida e em quantidade suficiente para permitir a substituição gradual dos caminhões leves mais antigos, restaurando parte da capacidade logística da Força Terrestre e elevando os índices de disponibilidade da frota. Ao longo dos anos seguintes, entretanto, a intensa utilização desses veículos em diferentes regiões do país acelerou seu desgaste natural, tornando necessária uma nova etapa de renovação. Dessa vez, a solução voltou-se definitivamente para a indústria nacional, que já possuía condições de fornecer caminhões produzidos em série e adaptados às necessidades militares. Nesse contexto, o Exército Brasileiro passou a incorporar veículos militarizados fabricados tanto pela Ford quanto pela GM. Desta última foram adquiridos os primeiros Chevrolet C-60, disponibilizados nas versões de tração 4x2 e 6x6, que incorporavam importantes aperfeiçoamentos em relação aos modelos anteriores. A introdução do C-60 marcou uma nova etapa do processo de motomecanização do Exército Brasileiro. Além de substituir progressivamente os caminhões Chevrolet 6500 Brasil em serviço, o novo modelo consolidou a política de padronização da frota com veículos produzidos pela indústria nacional, fortalecendo a autonomia logística da Força Terrestre e acompanhando o desenvolvimento da indústria automobilística brasileira durante a década de 1960.

Os caminhões Chevrolet C-60 , foram incorporados pelo Exército Brasileiro em uma ampla variedade de configurações, evidenciando a versatilidade da plataforma e sua capacidade de atender às mais diversas necessidades logísticas e operacionais da Força Terrestre. A padronização do chassi permitiu o desenvolvimento de diferentes versões especializadas, reduzindo custos de manutenção, simplificando o treinamento de motoristas e mecânicos e facilitando o suprimento de peças de reposição. Entre as principais configurações adotadas destacavam-se as viaturas de Transporte Não Especializado (VTNE) para Carga de Emprego Geral, nas versões de 2½ toneladas com tração 4x4 e 7 toneladas com tração 4x2, equipadas com carrocerias comerciais de madeira para o transporte de pessoal, suprimentos e cargas diversas. Também foram incorporadas versões dotadas de guindaste hidráulico (Munck), destinadas às atividades de manutenção pesada e movimentação de equipamentos. Para apoio às operações de engenharia, o Exército Brasileiro recebeu versões basculantes de emprego geral, produzidas pelas empresas Trivellato e Sanvas, com caçambas de 3,5 m³ e 4 m³, disponíveis nas configurações 4x2 e 4x4, além da versão Engenharia Cavalete, destinada ao transporte de materiais empregados na construção e recuperação de pontes, estradas e outras obras militares. No campo do apoio logístico especializado, foram desenvolvidas versões cisterna para transporte de combustível, com capacidade de 7.000 litros, e cisterna para transporte de água, com capacidade de 5.000 litros, essenciais para o abastecimento de tropas em campanha. A frota militar também passou a contar com Viaturas Especiais (VE) de Lubrificação de Comboio, destinadas a manutenção e apoio técnico durante deslocamentos de grandes formações motorizadas. A seguir seriam firmados novos contratos prevendo a versão D-60 com motorização a diesel, garantindo maior autonomia, economia de combustível. A família C-60/D-60 também serviu de base para diversas viaturas de manutenção. Entre elas destacavam-se o Carro Oficina, equipado com ferramentas e equipamentos destinados aos Batalhões de Engenharia e Construção (BEC), o Furgão Laboratório de Instrumentos Elétricos, produzido pela Marcopolo, destinado à manutenção de sistemas elétricos e eletrônicos, e as viaturas Socorro, projetadas para recuperação e apoio mecânico em campo. Ao longo da carreira operacional desses caminhões, novas versões especializadas continuaram sendo desenvolvidas, ampliando significativamente sua gama de aplicações. Entre elas destacou-se a versão Auto Bomba para Combate a Incêndios, construída sobre o chassi do Chevrolet C-60 e equipada com carroceria produzida pela  empresa carioca Argos Carros de Bombeiros e Veículos Especializados Ltda., de Nova Iguaçu (RJ). Inspirado em projetos norte-americanos, esse modelo foi empregado em organizações militares e aeródromos regionais para atividades de combate a incêndios.
Outra variante de destaque foi a Viatura Especial de Socorro Leve de Rodas (VE Socorro Leve – 4 toneladas), equipada com tração 4x2 e carroceria metálica produzida pela Bisseli Viaturas e Equipamentos Ltda. Destinada à recuperação de veículos avariados, essa configuração desempenhou importante papel no apoio às unidades motorizadas, assegurando a rápida remoção e o reparo de viaturas durante exercícios, operações e deslocamentos de longa distância. A plataforma também deu origem à Viatura de Transporte de Pessoal para Choque (VTP Choque), projetada para o transporte de até 38 militares. Desenvolvida para operações de controle de distúrbios civis e emprego de tropas de reação rápida, essa versão foi adquirida por diversas Polícias Militares estaduais. Embora o Exército  tenha sido o principal operador da família Chevrolet C-60/D-60, a comprovada robustez e versatilidade desses caminhões levaram também à sua incorporação pela Marinha do Brasil e pela Força Aérea Brasileira (FAB). Ambas  adquiriram versões especialmente configuradas para missões de transporte de carga, abastecimento de combustível e água, manutenção, recuperação de viaturas e apoio logístico.  Durante a década de 1970 e o início da década de 1980, as Forças Armadas Brasileiras continuaram adquirindo sucessivos lotes dos caminhões  D-60, distribuídos  nas versões de carga geral, basculante, cisterna, oficina, socorro, combate a incêndios e diversas outras configurações especializadas, esses veículos desempenharam papel fundamental nos programas de renovação da frota logística militar, tornando-se uma das principais plataformas de transporte utilizadas. Entretanto, a partir de 1984, começaram a ser incorporados caminhões militarizados produzidos pela Mercedes-Benz  em especial os modelos MB 1111 e MB 1213, desenvolvidos para atender às crescentes exigências operacionais da Força Terrestre.  A introdução dos caminhões Mercedes-Benz marcou o início de uma importante transição na logística do Exército Brasileiro. À medida que novos lotes  eram incorporados, diminuía gradativamente a necessidade de novas aquisições dos caminhões Chevrolet, reduzindo de forma significativa os contratos celebrados com a GM do Brasil.  Paralelamente à chegada dos novos caminhões, iniciou-se a retirada gradual de serviço dos Chevrolet C-60 e D-60, muitos dos quais já apresentavam elevado desgaste decorrente de décadas de utilização intensiva, resultando em baixos índices de disponibilidade operacional e custos crescentes de manutenção. O processo de desativação ocorreu de forma progressiva ao longo da década de 1980, estendendo-se até meados da década de 1990. As últimas viaturas  a permanecerem em serviço foram justamente as versões especializadas, como os veículos de combate a incêndios, socorro mecânico e oficina, cuja substituição demandava soluções específicas. Empregadas tanto pelo Exército Brasileiro quanto pela Força Aérea Brasileira (FAB), essas viaturas encerraram uma trajetória de quase quatro décadas de serviços prestados.

Em Escala.
Para representar o Chevrolet C-60 4x4 EB22-35164 na configuração de cisterna de combustível, foi selecionado um modelo em die-cast na escala 1/43, produzido pela Axio para a coleção Caminhões de Outros Tempos da Editora Altaya. A versão militar  na configuração de cisterna de combustível apresenta mínimas diferenças em relação ao modelo comercial. Como resultado, não foi necessário realizar customizações ou modificações. Foram utilizados decais do conjunto "Exército Brasileiro 1942–1982", produzido pela Decais Eletric Products. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo, representa o padrão de pintura tático do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial, sendo este somente alterado a partir do ano de 1983. Desta maneira é possível encontrar registros fotográficos envolvendo dois esquemas de pintura, havendo a convivência destes até o final da primeira metade da década de 1990.
Bibliografia :
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – Chevrolet C-60  - Editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Lexicar Brasil – Chevrolet www.lexicar.com.br
- Revista Carga Pesada – Edição 125