História e Desenvolvimento.
Do ponto de vista da engenharia automotiva com aplicação militar, a Segunda Guerra Mundial representaria um período de evolução sem igual. Em um intervalo de seis anos, exércitos que ainda utilizavam a cavalaria de forma literal com cavalos seriam substituídos por divisões blindadas com carros de combate com peso de até 76 toneladas. Na ponta de lança dessa corrida tecnológica estava a Alemanha e sua já prestigiada indústria automotiva, que ao longo do conflito conceberia e produziria em larga escala lendários modelos de carros de combate, os "Panzer ou Panzerkampfwagen" (que em alemão, significa couraça). Estes em maciço conjunto com veículos blindados especializados e de transporte de tropas seriam as ferramentas empregadas na doutrina Blitzkrieg (Guerra Relâmpago), que em combate rompiam rompiam os pontos frágeis das defesas inimigas e os exploravam com velocidade atordoante, garantindo nas fases iniciais da guerra retumbantes vitórias. No entanto apesar de deterem a vantagem tecnológica, os icônicos Panzers seriam superados em números por seus rivais norte americanos no front ocidental ou pelos eficientes T-34 soviéticos no leste europeu. A rendição incondicional seria assinada no dia 7 de maio de 1945, com pais sendo dividido entre os aliados ocidentais e a União Soviética. Neste contexto a Alemanha Ocidental permaneceria completamente desmilitarizada, sendo proibida pela regulamentação dos termos da rendição de constituir instituições militares, mesmo para autodefesa, com sua outrora pujante indústria automotiva passando a focar seus esforços no mercado comercial. No entanto o antigo território alemão seria transformado em uma região de grande tensão, representando a principal linha de frente no conflito da Guerra Fria, entre as forças do Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Este cenário levaria junto ao comando a decisão de se revisionar o conceito da proibição de constituição de forças de defesa da Alemanha Ocidental, tendo em vista a necessidade de se reforçar as defesas da região, para assim fazer frente a constante ameaça representadas pelas forças dos países do bloco soviético. Desta maneira no dia 12 de novembro de 1955 seria promulgada dentro da constituição, as normativas que constituiriam a nova estrutura das forças armadas da República Federal da Alemanha, sendo composta pelo Deutsches Heer (Exército Alemão), Deutsche Marine (Marinha Alemã) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea Alemã). De imediato seria iniciado um vasto programa de rearmamento, sendo fornecidos principalmente, equipamentos, armas, veículos, aeronaves, navios, blindados, e carros de combate de origem norte-americana. Em termos de carros de combate, o recém-criado Exército Alemão (Deutsches Heer) passaria a ser equipado imediatamente, com uma respeitável frota composta pelos modelos M-41 Walker Buldog, M-47 Paton e M-48 Paton. Porém neste mesmo momento, estes carros de combate já se mostravam inadequados frente as ameaças representadas pelos modelos T-44, T-54 e T-55 que equipavam as forças blindadas do Pacto de Varsóvia. A solução para atendimento a esta demanda ainda neste momento não estava disponível para emprego junto aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar de existirem projetos em desenvolvimento como o norte-americano MBT T-95.
Esta realidade motivaria o governo alemão a retomar sua indústria de defesa, sendo iniciados estudos ao final desta década, visando assim o desenvolvimento de projetos nacionais englobando uma variada gama de veículos blindados, desde carros de combate, transporte e versões especializadas de serviço. No que tange a carros de combate, os esforços seriam direcionados ao desenvolvimento de um MBT (Main Battle Tank), com suas especificações de projeto sendo definidas em 1956, sendo baseadas na necessidade de se superar os novos T-54 e T-55. Estas abrangiam um veículo na ordem de mais trinta toneladas, devendo ter alta mobilidade como prioridade em detrimento ao poder de fogo, e por isso sendo dotado com um canhão de 105 mm. Vários norteamentos seriam sugeridos, se destacando o programa “Europa Panzer”, um consórcio formado em 1958 por Alemanha, França e Itália. Diversas propostas seriam apresentadas, com os primeiros protótipos sendo disponibilizados em 1960, com o modelo Porsche 734 sendo declarado vencedor. Esta decisão, no entanto, levaria a repercussões de ordem política e motivado por sentimentos nacionalistas o governo da França decidiu abandonar o consorcio, optando em desenvolver um veículo novo totalmente nacional, com este processo culminando no desenvolvimento e produção carro de combate principal AMX 30. A seguir o modelo a ser produzido pela Dr. Ing. H.C. F. Porsche AG seria batizado como Leopard I, e apresentava o mesmo layout convencional compartilhado com vários outros tanques pós Segunda Guerra Mundial, com o compartimento do motorista localizado na frente (no lado direito, acessado por uma escotilha no teto do casco que se abre para a esquerda) compartimento de combate com uma torre giratória no centro (o comandante e o artilheiro estão sentados na metade direita da torre e acessam suas posições a partir de uma escotilha de peça única no teto da torre, no lado direito), enquanto o carregador pega a metade esquerda (e é fornecido com sua própria escotilha de abertura traseira) e compartimento do motor na parte traseira do casco, separado do compartimento da tripulação com uma antepara à prova de fogo. Seu artilheiro se posicionaria na frente e abaixo do comandante e é fornecido com um único periscópio de observação voltado para a frente e as miras principais; estes consistem em um telêmetro estereoscópico Turmentfernungsmesser (TEM) 1A (comprimento base de 1.720 mm com um modo de coincidência) que tem uma ampliação selecionável de ×8 ou ×16 e está ligado ao canhão principal, bem como uma mira telescópica TZF 1A coaxial (ampliação de ×8) que possui uma retícula móvel para vários tipos de munição. O veículo seria alimentado por um motor diesel superalimentado MTU MB 838 Ca-M500 que desenvolve aprox. 610 quilowatts (820 hp) a 2.200 rpms. Este é um motor de 37,4 litros, dez cilindros e quatro tempos refrigerado a líquido na configuração V-90 com capacidade multicombustível, mas que normalmente funcionava com óleo diesel (designação da OTAN F-54) consumindo aprox. 190 litros por 100 km. O motor, juntamente com seu sistema de refrigeração, é acoplado a um "powerpack" com um sistema de transmissão 4HP-250, construído pela ZF, que possui um conversor de torque hidráulico, embreagem de travamento, caixa de câmbio planetária e mecanismo de giro de pivô (para cada uma das marchas).
Para o atendimento aos parâmetros de mobilidade anteriormente exigidos, o novo carro de combate dispunha de uma blindagem leve, fabricada a partir de placas blindadas soldadas de espessura e geometria variadas, enquanto a torre é um componente complexo totalmente fundido. A proteção da tripulação seria aprimorada com um sistema automático de supressão de incêndio (gatilho manual também disponível) e um sistema de proteção, que produzia uma sobre pressão no compartimento da tripulação e fornece filtragem do ar fornecido. Este sistema garantiria uma relativa capacidade de proteção, podendo resistir a disparos rápidos de armas de 20 mm em qualquer direção. Estas especificações lhe permitiam atingir uma velocidade máxima de 65 km/h no campo de batalha, superando em muito blindados de sua categoria. A fim de proporcionar melhores chances de sobrevivência em um hipotético confronto contra as forças do Pacto de Varsóvia, o novo MBT alemão receberia um completo sistema de proteção NBC (Radiação Nuclear e Química). Este modelo seria ainda equipado com o consagrado canhão inglês, Royal Ordinance L-7 de calibre 105 mm, fazendo uso de munição padrão OTAN, com a maior parte do carregamento (quarenta e dois cartuchos) armazenada em um carregador de munição dentro do casco, à esquerda do posto do motorista, três cartuchos são mantidos em um rack pronto na frente do carregador do casco - para uso imediato e outros quinze cartuchos são empilhados dentro da torre, para um total de 60 cartuchos transportados a bordo. Para autodefesa portaria duas metralhadoras MG 1 (posteriormente substituídas pela MG3): uma é instalada coaxial com a arma principal (1.250 cartuchos são carregados para ela), enquanto uma segunda, metralhadora antiaérea, é montada em um trilho de skate acima da escotilha do artilheiro. Ainda para fins defensivos, o carro dispunha de dois bancos com quatro lançadores de granadas de fumaça disparados eletricamente em ambos os lados da torre, que podem ser disparados individualmente ou em uma salva. Um lote de quatro protótipos, seria empregado em um intenso programa de testes de campo, com seus resultados validando seu processo de aceitação operacional pela comissão de avaliação técnica do Exército Alemão (Deutsches Heer). Em fevereiro de 1963, o ministro da Defesa, Kai-Uwe von Hassel, solicitaria ao comitê de defesa do Parlamento a aprovação da produção deste novo carro de combate, com seu custo unitário sendo estimado na ordem de US $ 250.000,00. Em atendimento a este pleito, em julho do mesmo ano seria celebrado um contrato entre o Ministério da Defesa Alemão (Bundeswehr) e Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG, envolvendo mil e quinhentos carros Leopard 1A1, que seriam produzidos junto as instalações da empresa na cidade Munique. Atendendo ao cronograma contratual os dois lotes iniciais, envolvendo um total de cem carros, seriam entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer) entre setembro de 1965 e junho de 1966. Seu emprego operacional revelaria qualidades de projeto, passando a despertar o interesse de outras nações pelo modelo (além da Itália), gerando assim grandes contratos de exportações para a Bélgica, Holanda, Noruega, Itália, Dinamarca, Austrália, Canada, Turquia e Grécia. Em 1968, logo após que o último veículo das quatro primeiras séries de produção foi entregue, seria deflagrado no início da década de 1970 um programa de atualização que receberia a designação de Leopard 1A1. Este processo envolvia a adoção de um novo sistema de estabilização de canhão da Cadillac Gage (estabilização total em elevação e rotação, bem como elevação motorizada de -9 ° a + 20 °) que permitiu que o tanque disparasse efetivamente em movimento. Passaria a fazer uso de saias de metal-borracha ao longo dos flancos do casco para proteger contra ogivas HEAT, e o cano da arma seria envolto em uma jaqueta para reduzir o desvio das cargas térmicas. A esteira foi alterada para um tipo de pino duplo D640A com almofadas de borracha retangulares destacáveis em vez da esteira Diehl D139E2 de pino duplo anterior com bandas de rodagem vulcanizadas. As almofadas de borracha das novas pistas podem ser facilmente substituídas por garras de metal em forma de X para movimento no gelo e na neve. 20 garras foram fornecidas para cada tanque e armazenadas em suportes no glacis superior do casco dianteiro quando não estavam em uso. Seria desenvolvido um novo snorkel que permitiu a condução subaquática a uma profundidade de 4 metros após selar o tanque com tampões especiais. Os periscópios de visão noturna infravermelhos ativos do motorista e do comandante foram substituídos por miras noturnas passivas de intensificação de imagem. Entre os anos de 1975 e 1977, todos os carros dos primeiros quatro lotes seriam elevados para o padrão Leopard 1A1, e receberiam uma blindagem adicional na torre desenvolvida pela Blohm & Voss, que consistia em placas de aço revestidas de borracha aparafusadas à torre (incluindo a cesta da torre traseira) com espaçadores resistentes a choques. O mantelete do canhão receberia uma tampa blindada em forma de cunha feita de chapas de aço soldadas e o sistema de admissão de ar do motor foi aprimorado. Assim, os veículos atualizados passariam a pesar um total de 42,4 toneladas. Vislumbrando um potencial de mercado para o atendimento de seus clientes de exportação, a Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG, passaria a produzir um kit de atualização, logrando êxito em comercializar centenas destes a diversos países operadores do modelo. Neste processo alguns clientes optariam por incluir uma armadura de torre adicional desenvolvida pela Blohm & Voss, que em termos de design se diferiria do Leopard 1A1 alemão, alterando assim a estética visual do veículo. Uma atualização na década de 1980 adicionaria um sistema híbrido de mira e observação LLLTV / IR passivo, que estava sendo semelhantes aos empregados nos novos Leopard 2 (que sem encontravam em produção) à medida que eram atualizados para termovisores. O sistema de televisão de baixo nível de luz PZB 200 (LLLTV) com scanner infravermelho IRS 100 seria desenvolvido pela AEG-Telefunken e montado em uma gaiola protetora no mantelete, acima da arma principal, criando o modelo Leopard 1A1A2.
Este sistema, combinava uma câmera LLTV, um tipo de dispositivo de intensificação de imagem que produzia uma imagem de TV nos monitores do comandante e do artilheiro, acoplado a um scanner IR (sensível a diferenças térmicas nos comprimentos de onda de 3-5 μm e baseado em um detector PbSe) que sobreporia a imagem IR processada sobre o sinal LLLTV para melhorar a detecção e identificação do alvo, passariam ainda a contar com novo sistema de rádio digital SEM80/90. Os primeiros 232 tanques do quinto lotem de produção foram entregues como Leopard 1A2 entre 1972 e 1974. O A2 incluía uma torre fundida blindada mais pesada e melhor, visualmente difícil de distinguir do tipo anterior. A diferença mais notável foram as caixas blindadas ovais, em oposição às redondas, para a ótica da mira de telêmetro TEM. Os tanques Leopard 1A2 não foram sujeitos a mais atualizações de blindagem, assim como o 1A1, mas receberiam melhorias em seu sistema de proteção NBC. Os próximos 110 veículos pertencentes ao quinto lote de produção foram equipados com um novo tipo de torre soldada projetada pela Blohm & Voss, que foi equipada com blindagem espaçada (consistindo em duas placas de aço com um enchimento de plástico entre elas) e um mantelete de canhão em forma de cunha, resultando no Leopard 1A3. Embora o nível de proteção da blindagem fosse equivalente às torres fundidas do A2 anterior, o volume interno foi aumentado em 1,5 m3 e o nível de proteção efetiva foi aumentado. As atualizações subsequentes foram paralelas aos modelos 1A2: o Leopard 1A3A1 com miras noturnas aprimoradas, o Leopard 1A3A2 com os novos rádios e o Leopard 1A3A3 com ambos. O Leopard 1A4 formou o sexto lote de 250 veículos (215 fabricados pela Krauss-Maffei e 35 pela MaK), começando a ser entregue em 1974. O 1A4 era externamente semelhante ao 1A3, mas incluía um novo sistema integrado de controle de fogo. Isso consistia em uma mira independente PERI R12 estabilizada para o comandante, um novo telêmetro estereoscópico EMES 12A1 acoplado à mira primária do artilheiro, um canhão principal totalmente estabilizado e um computador balístico FLER HG. Muitos desses sistemas foram derivados do programa Leopard 2. Embora o EMES 12A1 ainda fosse apenas um telêmetro óptico (o telêmetro a laser desejado ainda estava em desenvolvimento), ele era usado para aquisição de alvos e conectado ao computador balístico, que produziria automaticamente um ângulo de ataque assim que o alcance fosse medido e várias outras entradas balísticas fossem calculadas. Essa solução reduziu o tempo entre a aquisição do alvo e o engajamento e aumentou a probabilidade de acerto na primeira rodada. As entregas finais do Leopard 1A4 para a Bundeswehr ocorreram em 1976 e marcariam a conclusão da produção do Leopard 1 para a Alemanha. O próximo estágio evolutivo seria representado pelo Leopard 1A5m que foi concebido no intuito de rivalizar novos blindados soviéticos T-64, -72, T-72M1 e T-80. Para cumprir essa nossa missão, o Leopard 1A5 recebeu aperfeiçoamentos na capacidade de combate noturno e sob mau tempo, outro ponto aperfeiçoado foi sua capacidade de efetuar disparos contra alvos em movimento, garantindo assim maior mobilidade e flexibilidade no campo de batalha. As primeiras unidades foram entregues em 1987 com grande parte dos 4.744 veículos construídos anteriormente sendo elevados a este patamar, tornando esta versão o Leopard padrão.
Este sistema, combinava uma câmera LLTV, um tipo de dispositivo de intensificação de imagem que produzia uma imagem de TV nos monitores do comandante e do artilheiro, acoplado a um scanner IR (sensível a diferenças térmicas nos comprimentos de onda de 3-5 μm e baseado em um detector PbSe) que sobreporia a imagem IR processada sobre o sinal LLLTV para melhorar a detecção e identificação do alvo, passariam ainda a contar com novo sistema de rádio digital SEM80/90. Os primeiros 232 tanques do quinto lotem de produção foram entregues como Leopard 1A2 entre 1972 e 1974. O A2 incluía uma torre fundida blindada mais pesada e melhor, visualmente difícil de distinguir do tipo anterior. A diferença mais notável foram as caixas blindadas ovais, em oposição às redondas, para a ótica da mira de telêmetro TEM. Os tanques Leopard 1A2 não foram sujeitos a mais atualizações de blindagem, assim como o 1A1, mas receberiam melhorias em seu sistema de proteção NBC. Os próximos 110 veículos pertencentes ao quinto lote de produção foram equipados com um novo tipo de torre soldada projetada pela Blohm & Voss, que foi equipada com blindagem espaçada (consistindo em duas placas de aço com um enchimento de plástico entre elas) e um mantelete de canhão em forma de cunha, resultando no Leopard 1A3. Embora o nível de proteção da blindagem fosse equivalente às torres fundidas do A2 anterior, o volume interno foi aumentado em 1,5 m3 e o nível de proteção efetiva foi aumentado. As atualizações subsequentes foram paralelas aos modelos 1A2: o Leopard 1A3A1 com miras noturnas aprimoradas, o Leopard 1A3A2 com os novos rádios e o Leopard 1A3A3 com ambos. O Leopard 1A4 formou o sexto lote de 250 veículos (215 fabricados pela Krauss-Maffei e 35 pela MaK), começando a ser entregue em 1974. O 1A4 era externamente semelhante ao 1A3, mas incluía um novo sistema integrado de controle de fogo. Isso consistia em uma mira independente PERI R12 estabilizada para o comandante, um novo telêmetro estereoscópico EMES 12A1 acoplado à mira primária do artilheiro, um canhão principal totalmente estabilizado e um computador balístico FLER HG. Muitos desses sistemas foram derivados do programa Leopard 2. Embora o EMES 12A1 ainda fosse apenas um telêmetro óptico (o telêmetro a laser desejado ainda estava em desenvolvimento), ele era usado para aquisição de alvos e conectado ao computador balístico, que produziria automaticamente um ângulo de ataque assim que o alcance fosse medido e várias outras entradas balísticas fossem calculadas. Essa solução reduziu o tempo entre a aquisição do alvo e o engajamento e aumentou a probabilidade de acerto na primeira rodada. As entregas finais do Leopard 1A4 para a Bundeswehr ocorreram em 1976 e marcariam a conclusão da produção do Leopard 1 para a Alemanha. O próximo estágio evolutivo seria representado pelo Leopard 1A5m que foi concebido no intuito de rivalizar novos blindados soviéticos T-64, -72, T-72M1 e T-80. Para cumprir essa nossa missão, o Leopard 1A5 recebeu aperfeiçoamentos na capacidade de combate noturno e sob mau tempo, outro ponto aperfeiçoado foi sua capacidade de efetuar disparos contra alvos em movimento, garantindo assim maior mobilidade e flexibilidade no campo de batalha. As primeiras unidades foram entregues em 1987 com grande parte dos 4.744 veículos construídos anteriormente sendo elevados a este patamar, tornando esta versão o Leopard padrão. Emprego no Exército Brasileiro.
Durante as décadas de 1970 e 1980, a Arma de Cavalaria Blindada dispunha de uma expressiva frota, considerada uma das mais significativas da América do Sul em termos quantitativos. Seu núcleo era constituído pelos carros de combate leves M-41B/C, complementados pelos X-1 Pioneiro e X-1A2 Carcará, desenvolvidos a partir da experiência adquirida pela indústria brasileira de defesa na modernização de meios blindados. Entretanto, ao final da década de 1980, tornava-se cada vez mais evidente o processo de obsolescência desses carros. Embora ainda apresentassem razoável disponibilidade operacional, seus níveis de proteção, poder de fogo e capacidade de engajamento já não correspondiam às exigências naquele período. Essa situação tornava-se particularmente preocupante diante da incorporação de carros de combate mais avançados pelos exércitos da Argentina e do Chile, países que, dentro do planejamento estratégico à época, figuravam como potenciais adversários em um eventual cenário de conflito regional. Diante desse contexto, tornou-se imperativa a substituição dos blindados então empregados na primeira linha de defesa, que equipavam dois Regimentos de Carros de Combate (RCC). A renovação da força blindada passou, assim, a ser tratada como uma das prioridades do processo de modernização. Essa necessidade foi incorporada aos objetivos do programa Força Terrestre 90 (FT-90), iniciativa que estabelecia as bases para a construção do chamado “Exército do Futuro”. Concebido como um projeto de longo prazo, o FT-90 seria posteriormente complementado pelos programas Força Terrestre 2000 (FT-2000) e Força Terrestre do Século XXI (FT-21), que tinham como objetivo promover a modernização gradual até meados da década de 2010. No âmbito desses estudos, foi prevista a aquisição de uma nova geração de carros de combate, iniciando-se um amplo processo de avaliação de alternativas disponíveis no mercado. Entre os modelos analisados encontravam-se o francês AMX-30, o alemão Leopard 1, o norte-americano M-60 Patton e, de forma bastante singular para a época, o soviético T-80. Este último chegou inclusive a ser avaliado por uma comitiva militar brasileira durante visita à então União Soviética, demonstrando o amplo espectro de opções consideradas naquele período. As avaliações técnicas conduzidas ao longo dos anos indicaram clara confiabilidade mecânica, poder de fogo e custos operacionais. Contudo, a aquisição de mais de uma centena de carros de combate novos de fábrica mostrou-se inviável diante do cenário econômico da época. A prolongada estagnação econômica, associada às restrições orçamentárias impostas ao setor de defesa durante a década de 1990, resultou em sucessivos contingenciamentos de recursos, inviabilizando a concretização dos planos originais. Diante dessa realidade, o programa de reequipamento da Cavalaria Blindada passou a ser orientado pela busca de oportunidades no mercado de material excedente. Diversas propostas foram analisadas, destacando-se a apresentada pelo governo da Bélgica, que oferecia um lote de Leopard 1A1Be fabricados entre 1968 e 1971. Embora se tratassem de veículos usados, os blindados haviam passado por um processo de atualização durante a década de 1980, recebendo melhorias em seus sistemas de pontaria e comunicações elevando significativamente seu potencial operacional.
Após foi formalizada a aquisição de 61 carros, cuja entrega teve início em 1996. Os resultados obtidos com a incorporação desse lote foram considerados extremamente positivos, em consequência, em 1998, aprovou-se a aquisição de mais 67 carros. Dessa forma, passaram a constituir o principal vetor de poder da Arma de Cavalaria Blindada. Entretanto, apesar dos resultados positivos observados nos primeiros anos de operação, a frota passou gradativamente a apresentar índices de disponibilidade considerados preocupantes. Tal cenário podia ser atribuído a diversos fatores, destacando-se a inexistência de um contrato estruturado de suporte logístico junto ao fabricante. Essa lacuna impactava diretamente a obtenção de peças de reposição, componentes críticos e apoio técnico especializado, comprometendo a manutenção dos veículos. A situação era agravada pela própria idade da frota, pois já apresentavam sinais claros de obsolescência diante das exigências operacionais contemporâneas. Embora ainda fossem capazes de cumprir adequadamente diversas missões, tornava-se evidente a necessidade de planejar sua substituição ou modernização, de forma a preservar a capacidade dissuasória. Diante desse contexto, iniciou-se uma série de estudos destinados a identificar alternativas para a implementação de mais um ciclo de modernização da Arma de Cavalaria Blindada. Desde o princípio, a aquisição de carros de combate novos de fábrica foi considerada economicamente inviável, em razão das severas restrições orçamentárias então impostas ao setor de defesa. Consequentemente, as análises passaram a concentrar-se em soluções de menor custo, baseadas principalmente na aquisição de veículos usados, acompanhados por adequados programas de suporte logístico. Nesse período, chegou a ser apresentada pelos Estados Unidos uma proposta para o fornecimento de carros de combate M-1 Abrams, no âmbito do programa Foreign Military Sales (FMS). Embora a oferta fosse considerada bastante atrativa sob os aspectos financeiros e operacionais, sua adoção acabou sendo descartada. Paralelamente, consolidava-se o entendimento de que a solução deveria preservar, a experiência operacional acumulada ao longo de mais de uma década de utilização da família Leopard. Assim, em 2008, passou-se a buscar no mercado internacional oportunidades que permitissem não apenas ampliar a disponibilidade operacional da frota existente, mas também padronizar os meios blindados. A empresa Krauss-Maffei Wegmann apresentou uma proposta envolvendo a aquisição de carros de combate Leopard 1A5, recém retirados das fileiras do Exército Alemão (Deutsches Heer). Nos termos estavam previstos processos de revisão, modernização, recuperação logística e, principalmente, a implementação de um amplo pacote de suporte técnico e fornecimento de peças. As negociações conduzidas entre os governos do Brasil e da Alemanha resultaram em um dos mais ambiciosos programas de reequipamento blindado já implementados pelo Exército Brasileiro. O acordo previa a aquisição de mais de duas centenas de veículos da família Leopard 1A5, incluindo não apenas carros de combate, mas também versões especializadas de apoio baseadas na mesma plataforma. O pacote contemplava 07 Viaturas Blindadas Especializadas de Socorro (VBE Soc), 04 Viaturas Blindadas Especializadas Lança-Pontes (VBE L Pnt), 04 Viaturas Blindadas de Combate de Engenharia (VBC Eng) e 04 Viaturas Blindadas Escola de Motorista.
O modelo selecionado pelo representava a versão mais avançada da família Leopard 1 até então produzida, incorporando uma série de aperfeiçoamentos tecnológicos desenvolvidos para o mais moderno Leopard 2, proporcionando à Força Terrestre brasileira um significativo salto qualitativo em termos de capacidade operacional, consciência situacional e sobrevivência no campo de batalha. A incorporação desses recursos colocava os meios blindados brasileiros em um patamar tecnológico compatível com aquele observado nas forças da OTAN. Entre os principais aprimoramentos destacava-se o moderno sistema de controle de tiro EMES-18, desenvolvido pela Krupp Atlas Elektronik, considerado um dos mais avançados sistemas instalados em carros de combate da chamada segunda geração. Integrado à mira principal HZF (Hauptzielfernrohr), produzida pela tradicional empresa alemã Carl Zeiss, o conjunto substituía os sistemas ópticos convencionais presentes nas versões anteriores. Incorporava um sofisticado computador balístico digital associado a um telêmetro a laser, permitindo determinar com elevada precisão a distância até o alvo e calcular automaticamente a solução de tiro mais adequada. Essa capacidade possibilitava o engajamento de alvos a distâncias superiores a quatro quilômetros, aumentando significativamente a eficácia do armamento principal. Uma das características mais relevantes era sua capacidade de combate em movimento. Graças à integração entre os sistemas de estabilização da arma principal e o computador de tiro, o veículo podia deslocar-se por terrenos irregulares mantendo o canhão permanentemente alinhado ao alvo. Dessa forma, tornava-se possível realizar disparos precisos durante o deslocamento, com elevada probabilidade de acerto já no primeiro tiro, uma capacidade inexistente nos blindados anteriormente operados. A proteção balística era significativamente reforçada por meio da instalação de módulos adicionais de blindagem na torre e em áreas selecionadas do casco, aumentando a resistência do veículo contra projéteis perfurantes e estilhaços de artilharia. O compartimento da tripulação passou a contar com um moderno sistema de proteção NBQ (Nuclear, Biológica e Química), capaz de manter o ambiente interno pressurizado e protegido contra agentes contaminantes. Diferentemente da aquisição dos Leopard 1A1 realizada na década de 1990, este novo contrato envolvia um amplo pacote de suporte logístico integrado, com o fabricante se comprometendo a estabelecer uma estrutura permanente de apoio no Brasil, destinada à execução de serviços de inspeção, manutenção, recuperação e modernização dos blindados. O acordo previa a revisão completa e a preparação operacional de 220 carros de combate, além do fornecimento de simuladores, equipamentos de apoio e ferramental. Visando garantir a sustentação logística de longo prazo, 30 dos 250 carros de combate Leopard 1A5 seriam destinados à canibalização controlada, servindo como fonte estratégica de componentes e subconjuntos para manutenção da frota principal. Essa solução seria complementada pelo fornecimento contínuo de peças novas por parte do fabricante até o final do ano de 2027, permitindo a constituição de estoques adequados às necessidades operacionais.Em janeiro de 2009, desembarcou no Brasil o primeiro lote de carros de combate Leopard 1A5, composto por 10 veículos, esse lote inicial não tinha como finalidade imediata a incorporação às unidades operacionais, sendo empregado prioritariamente como plataforma de transição tecnológica. Os carros foram distribuídos entre o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGRJ), o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3), o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5) e o Centro de Instrução de Blindados (CIBld). Esses veículos desempenharam papel fundamental no processo de introdução do novo sistema de armas, servindo para o treinamento de equipes de manutenção, capacitação de tripulações, elaboração de procedimentos técnicos e adaptação da infraestrutura logística necessária ao suporte da nova frota. Paralelamente, foram utilizados no desenvolvimento dos processos de nacionalização de componentes e na produção da documentação técnica que passaria a orientar a operação e manutenção do Leopard 1A5 em território nacional. O segundo lote, composto por 70 carros , foi recebido em agosto do mesmo ano, permitindo o início da efetiva substituição dos blindados então em serviço nas unidades de primeira linha. A distribuição contemplou 26 carros para o 1º Regimento de Carros de Combate , 26 para o 4º Regimento de Carros de Combate , 14 para o 3º Regimento de Carros de Combate e 04 destinados ao Centro de Instrução de Blindados. Entre 2010 e 2012 seriam recebidos os lotes subsequentes, possibilitando a reforçar a dotação dos regimentos já contemplados e equipar também o 5º Regimento de Carros de Combate (, promovendo a substituição gradual dos Leopard 1A1 e dos carros de combate M-60A3 TTS então ainda em operação. Outro marco importante desse processo ocorreu em março de 2018, com a inauguração da unidade industrial da Krauss-Maffei Wegmann na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A instalação passou a desempenhar papel fundamental no suporte logístico dos blindados de origem alemã em serviço no país, assegurando a manutenção e recuperação não apenas dos Leopard 1A5 e 1A1, mas também dos carros antiaéreos Gepard 1A2. A presença local do fabricante proporcionou significativa redução nos custos logísticos, maior agilidade na obtenção de peças e serviços especializados, além de contribuir para o aumento da vida útil dos componentes e sistemas embarcados. A estrutura estabelecida pela empresa alemã também passou a facilitar a implementação de programas de recuperação e modernização dos blindados em serviço. Um exemplo relevante foi o Projeto de Recuperação das Viaturas Blindadas de Combate Carro de Combate (VBC CC) Leopard 1A1, conduzido entre os anos de 2013 e 2016, que permitiu preservar a operacionalidade dos veículos remanescentes e ampliar sua disponibilidade para atividades de instrução e apoio. Entretanto, apesar dos resultados positivos, tornava-se evidente a necessidade de planejar o futuro, e ao final da década de 2010, passaram a ser conduzidos estudos destinados a avaliar alternativas para a continuidade da capacidade operacional. Tal preocupação estava diretamente relacionada ao término do contrato de suporte logístico firmado com a Krauss-Maffei Wegmann, previsto para encerrar-se em 2027, marco que, na prática, representaria o início do encerramento do ciclo operacional da família Leopard 1 .

Nesse contexto, surgiu a necessidade de desenvolver uma solução intermediária que permitisse manter a capacidade de combate até a futura introdução de um novo carro modelo, com esta iniciativa alinhada a “Diretriz Estratégica para a Formulação Conceitual dos Meios Blindados do Exército Brasileiro”, inserida no programa estratégico denominado "Nova Couraça", destinado a definir os requisitos e características da próxima geração. Em 17 de setembro de 2020 foi publicada a Portaria EME/C Ex nº 279, divulgada por intermédio do Boletim do Exército nº 52/2020. O documento aprovava oficialmente a Diretriz de Iniciação do Projeto de Modernização da Viatura Blindada de Combate Carro de Combate (VBC CC) Leopard 1A5BR, estabelecendo as bases para a realização dos estudos de viabilidade técnica, operacional e econômica, bem como determinando a criação da equipe responsável pela elaboração da proposta de obtenção e definição dos futuros requisitos do programa. Este processo englobaria 116 estendendo sua vida útil por pelo menos 15 anos, considerando o prazo até 2037, além do planejamento e implantação do Suporte Logístico Integrado (SLI), atendendo ao Subprograma Forças Blindadas (SPrg FBld), do Programa Estratégico do Exército (Prg EE) Obtenção da Capacidade Operacional Plena (OCOP). No entanto o eclodir da Guerra da Ucrânia em abril de 2022 iria impactar diretamente no cronograma, pois levaria a alta demanda de peças, ocasionada pelo fornecimento de centenas de carros de combate Leopard 1 e 2, bem como uma enorme quantidade de peças de reposição, causando escassez no mercado. Em 14 de setembro de 2023, o Comando Logístico, informou que o pedido de propostas (RFP – Request for Proposal) foi postergado. Em agosto de 2024 este processo seria retomado, com o Boletim do Exército tornando publicas as Portarias EMEC/C EX 847 e 848 que aprovariam os requisitos operacionais, técnicos, logísticos e industriais da Viatura Blindada de Combate Corrente (VBC CC Corrente). Anteriormente estava prevista a modernização de 116, com uma extensão de vida útil para 50% da frota, com a implementação de um pacote de Apoio Logístico Integrado (SLI) garantindo a disponibilidade. No entanto este percentual seria reduzido para 25%, com este ajuste sendo orquestrado com o objetivo de se abreviar o tempo de transição até a escolha do vencedor do Projeto VBC CC Futuro. Neste contexto, outro ponto a ser considerado, além da modernização de seus sensores e sistemas, foi o Requisito Operacional Absoluto (ROA) 19, que cita “Possuir, como armamento principal, um canhão com calibre entre 105 mm a 120 mm (cento e cinco milímetros a cento e vinte milímetros)”, o que aponta para a possibilidade de mudança da torre, como as apresentadas pelas empresas Leonardo e Jonh Cockerill . O objetivo era aproximar as capacidades do Leopard 1A5BR dos requisitos operacionais contemporâneos, preservando sua relevância em um ambiente de combate cada vez mais digitalizado. A partir de 2025, o projeto evoluiu para uma fase de revitalização e recuperação estrutural conduzida pelo Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar, em Santa Maria (RS). Os primeiros veículos revitalizados foram entregues em 2026, marcando o início de um programa destinado a assegurar a operacionalidade da frota até a próxima década. Segundo estimativas do próprio Exército Brasileiro, a revitalização poderá garantir a permanência desses blindados em serviço até aproximadamente 2040, funcionando como uma solução de transição até a incorporação de um novo carro de combate principal.
Em Escala.
Para representarmos o Krauss-Maffei Leopard 1A5 "EB 12453", empregamos o excelente kit da Italeri na escala 1/35, não sendo necessária nenhuma alteração para se compor a versão brasileira. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals & Books presentes no set "Forças Armadas Brasileiras".
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático original do Exército Alemão (Deutsches Heer) empregado em todos os veículos Leopard 1A5 recebidos. Este padrão seria mantido, efetuando apenas a retirada das marcações e matriculas originais e aplicação das identificações do Exército Brasileiro.
Bibliografia :
- Leopard 1 - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Leopard_1
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Leopard-1 A5 – Brasil em Defesa - http://www.brasilemdefesa.com/2012/05/leopard-1-a5.html
- Aprovada a modernização dos Leopard 1A5BR - Tecnologia e Defesa Setembro de 2022

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