Mercedes Benz LP 321 / 331 Militar

História e Desenvolvimento.

A origem da empresa ocorreu em 1924 quando as duas maiores rivais no setor de automóveis e caminhões DMG (Daimeler Mercedes) e Benz & Cia, devido a necessidade de impulsionar a economia Alemã após a Primeira Guerra Mundial, selaram uma cooperação mútua, surgindo assim 1926 a empresa Daimler-Benz AG. Esta nova empresa produzira motores, automóveis e caminhões exigindo, segundo o acordo entre as partes, que a união entre as duas empresas perpetuasse até o ano 2000. Além dos automóveis e dos caminhões, fabricavam também barcos e aviões (militares e civis), tendo ampla participação no esforço de guerra alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término do conflito a empresa foi reconstruída em cooperação com os aliados, no intuito de prover a recuperação econômica do país.  Em meados da década de 1950 a Mercedes Benz iniciou sua participação no segmento de caminhões de pequeno porte, sua primeira investida neste novo nicho de mercado se deu com o o L-319, um modelo que apresentava um desenho de cabine avançada, uma solução para alguns problemas que possuía inúmeras vantagens, pois este formato permitia um espaço maior para a carga, sem a necessidade de se modificar o comprimento total do chassi, nem a distância entre eixos.  O êxito alcançado no mercado com este modelo denominado LP ou Pulman originou uma família de caminhões com as versões LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331. 

No inicio da década de 1950 a Mercedes Benz começou a estudar novos mercado, priorizando sua expansão para o continente americano, dentre estes planos planejava-se o estabelecimento de uma linha de produção de caminhões e futuramente chassis para ônibus no Brasil. Este projeto se concretizaria em 1956 com a inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo, tendo como primeiro produto caminhão médio L 312, vulgo “Torpedo”, considerado o primeiro veículo comercial a diesel brasileiro. Em 1960, a marca participou da primeira edição do Salão do Automóvel. Um ano depois, deu-se início às exportações para o mercado latino-americano, com a venda de 550 unidades do ônibus O 321 para a Argentina. A exemplo da matriz os caminhões da família LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331, que também passariam a ser produzidas pela subsidiaria brasileira a partir de 1957,  com aplicações diversas, desde o transporte de carga, combustível, cisterna até versões dotadas de caçambas basculantes.
A simplicidade mecânica da família LP 321 com seu motor OM 321, de 6 cilindros em linha que desenvolvia 120 cv a 3.000 rpm. Esse motor possuía um sistema de combustão de antecâmara em fluxo contínuo que permite o aproveitamento total do combustível. O regime térmico mais baixo e a refrigeração do óleo do cárter eram as tecnologias que asseguravam maior vida útil desse motor. Fazia parte do trem de força a transmissão de 5 velocidades, manual e todas sincronizadas. Este conjunto mecânico resultava ainda em um baixo consumo de combustível, outro fator determinante que gerava uma grande vantagem sobre os principais concorrentes neste período, era sua maior capacidade de carga útil do modelo permitia as empresas utilizar uma frota menor para transportar o mesmo volume de mercadorias. Esta performance superior apresentada o tornaram um grande sucesso no pais atingindo a marca recorde de vendas de 34.142 unidades no período de 1958 a 1970

Outro diferencial deste projeto identificado pelo mercado estava baseado na distância entre seus eixos era de 4,6 metros, o que lhe  permitia uma distribuição uniforme do peso em toda a carroceria. A Mercedes Benz oferecia uma caçamba com 6,5 metros de comprimento, porem cada cliente poderia montá-la de acordo com suas necessidades, esta alternativa de customização fácil catapultou ainda mais as vendas desta linha de modelos no pais.O chassi era do tipo escada, o que propiciava uma alta flexibilidade, necessária para resistir as curvas acentuadas e a integridade das cargas pesadas. Formado por barras de aço reforçado, conseguia superar a rigidez estrutural do veículo, aumentando desta forma a confiabilidade e firmeza do conjunto. A distância entre seus eixos era de 4,6m, o que permitia uma distribuição uniforme do peso em toda a carroceria. A Mercedes Benz oferecia uma caçamba com 6,5 metros de comprimento, porem cada cliente poderia montá-la de acordo com suas necessidades, esta alternativa de customização fácil catapultou ainda mais as vendas desta linha de modelos no país.
Apesar de originalmente ser concebido com tração 4X2, a versão LPK-331 equipada com caçamba basculante era dotada de tração nas quatro rodas e pneus especiais para operação em terrenos fora de estrada, diversas versões foram produzidas ao até o ano de 1965, entre elas a LP-334 foi o modelo de maior sucesso comercial com uma produção de 4.703 unidades. Sua alta confiabilidade e versatilidade provou a adoção em massa por governos municipais pelo pais. Em 1963 o modelo passaria por uma última atualização, passando a ostentar uma nova cabine com formas mais angulares, seguindo as novas tendências aplicadas aos demais veículos da Mercedes Benz, esta nova cabine era menor, amamentado o espaço de transporte de carga da parte posterior do veículo.  

Emprego no Brasil. 

O plano de nacionalização de parte da frota de caminhões militares, que era composta ainda pelos antigos GMC CCKW, G-506 Corbitt e US6G Studebaker, teve início na década de 1960 com a aquisição de caminhões militarizados produzidos pela General Motors do Brasil e Fabrica Nacional de Motores (FNM), com. A Mercedes Benz passaria a compor o quadro de fornecedor das Forças Armadas Brasileiras a partir de 1960, quando a versão militarizada do modelo MB LP-321/331 com tração 4X2 começou a ser entregue ao Exército Brasileiro. Este processo visava fomentar a indústria e nacional com aquisição de demais veículos produzidos no Brasil e assim racionalizar a necessidade de aquisições de caminhões militares “puros” com tração 6X6 (que se concretizaria a partir de 1958 com recebimentos de veículos Reo M34 e M35).

Os visíveis diferencias observados na família Mercedes Benz LP-321 eram representados por sua robustez estrutural e economia de consumo proporcionada por seu motor a diesel, levaram as autoridades militares a decidir pela aquisição de 480 unidades das versões. O contrato foi firmado em 1959, abrangendo 480 unidades, que passariam a ser entregues a partir do ano de 1960, com a última unidade recebida no ano e 1964. A versão militar do caminhão Mercedes-Benz 321 pouco diferia do modelo civil, seu processo de militarização na versão de transporte de tropas e cargas abrangia a instalação de para-choques reforçados, o guincho mecânico na frente e atrás, grades proteção de lentes para os faróis e lanternas o gancho para reboque e carroceria de aço no padrão militar com desenho similar aos GMC CCKW 353/353, sistema de coberta de lona, além da versão padrão de carga.
Este contrato envolvia também versões com carrocerias especificas destinadas ao transporte de animais, cisterna de água potável, tanque de combustível, furgão fechado na configuração de tração 6X2 e veiculo misto para transporte e de cargas pesadas tipo munk , sendo equipado com um guindaste articulado com capacidade para erguer até 15 toneladas, sendo o primeiro veiculo nacional deste modelo a ser adquirido pelas forças armadas brasileira. As versões 4X2 foram entregues na configuração de 5,5m de comprimento, 1,80m de largura e 2,60m de altura. Apesar da família MB LP 321/331 ser fornecida com diversas opções de motorização, todos os caminhões adquiridos pelo Exército Brasileiro estavam equipados com um motor Mercedes Benz OM-321 a diesel produzido no Brasil gerando 120 hp a 2.800 rpm. Apesar de não contarem com tração nas quatro rodas, os veículos apresentam desempenho aceitável quando operados esporadicamente em missões realizadas no ambiente fora de estrada.

Uma versão policial, destinada ao transporte de tropas do batalhão de choque para reação rápida em distúrbios urbanos também foi criada, sendo fornecida a diversos estados brasileiros, tendo como seu maior utilizador a Policia Militar de São Paulo, que também veio adquirir algumas unidades na versão de transporte de combustível. Até o final de década de 1970 os Mercedes Benz LP-321/331 prestaram excelentes serviços ao Exército Brasileiro até serem gradualmente substituídos por outros caminhões militares nacionais mais modernos entre ele os novos MB L-1111 e L-1113, que passaram a ser dotados exclusivamente de tração nas quatro rodas também podiam operar fora da estrada, em terrenos irregulares sem o mesmo desgaste apresentado por seus antecessores.

Em Escala.

Para representarmos o Mercedes Benz LP-331 na versão de transporte com guinho Munk “EB51-128”, empregamos um modelo em die cast da Altaya na escala 1/32, fizemos uso deste artificio por não existir um kit no mercado deste modelo. Para compormos o veículo empregado pelo Exército Brasileiro, desmontamos todo o veículo retirando o baú de carga, sobre o chassi atual empregamos a carroceria em madeira do CCKW 353 B2 da Italeri na escala 1/48, com o emprego de itens da carga em resina produzidos pela Eletric Products, o guincho Munk foi todo produzido em scratch com uso de peças e outros modelos, na parte frontal aumentamos a distância entre o para choque e a cabine para a inclusão das grades proteção de lentes para os faróis e gancho mecânico de reboque, fizemos a aplicação de decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1942/1982".

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas as cores de camuflagem e padronização de marcações nacionais e seriais.



Bibliografia : 

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos  – MB LP-321/331 , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976