Macchi M.7 e M.9 na Aviação Naval

História e Desenvolvimento. 

O inicio da Primeira Guerra Mundial da Europo provocou a criação de um grande numero de empresas dedicadas a construção aeronáutica, entre elas a Aeronautica Macchi, ocorre, porém, que a falta de experiencia das empresas italianas principalmente na produção de hidroaviões levou o Corpo Aeronautica Militare a decidir pela importação ou produção sob licença dos meios necessários a atender as demandas. Curiosamente a gênese de uma ampla família de hidroaviões da indústria italiana seria baseada em engenharia reversa, quando militares daquele pais capturaram um Loher L40 austríaco, ficando a Macchi encarregada de cópia aquele modelo. Sob supervisão do engenheiro Alessandro Tonini surgiria o Macchi L1 que pouco diferia do L40. As próximas versões M.2 e M.3 mantinham basicamente o mesmo desing austríaco, em 1971 alçaria voo o Macchi M.5 estando este equipado com o novo motor   Isotta Fraschini V.4B, sendo inicialmente adotado pela Regia Marina e Corpo Aeronautico Militare, com exportações registradas também para a Marinha dos Estados Unidos e Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos com sua produção atingindo a cifra de 244 aeronaves. 

Em 1918, tendo o M.5 como base de partida, a empresa sediada em Varese, terminou o desenvolvimento do Macchi M.7, resultando em um hidroavião leve e versátil, equipado com o potente motor  Isota Fraschini V6B de 250 hp que aliado a refinamentos aerodinâmicos tornavam o modelo da Macchi apto a combater, em pé de igualdade, com seus pares terrestres. Até o final da Primeira Guerra Mundial haviam sido entregues aproximadamente 15 células, sua produção total até meados de 1919 atingiu a soma de 110 aeronaves. Apesar de sua modesta produção, o Macchi M.7 conquistou seu lugar na história da aeronáutica a vencer a Schneider Cup em 1921, uma corrida realizada entre hidroaviões de diversos países, os quais representavam literalmente o que havia de mais moderno no meio aeronáutico mundial. Além da Regia Aeronautica Italiana o modelo na versão militar foi empregado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Suécia.
O Macchi M.8 começou a ser desenvolvido em paralelo a versão anterior, e tinha com objetivo introduzir no projeto reforços estruturais significativos e refinamentos no desing, deste modelo somente 57 unidades seriam construídas, pois engenheiro Alessandro Tonini já vislumbrava o novo M.9 no mesmo ano. Esta versão melhorada estava destinada inicialmente a missões de reconhecimento de longo alcance e bombardeio naval. Apesar de se assemelhar em termos de desing a seu antecessor apresentando a  configuração da asa biplano-sequiplana, o M.9 era um hidroavião significadamente maior e por isto estava equipado com o motor mais potente, o  Fiat A12bis de 280 hp , este modelo introduziu o sistema estrutural  Warren Truss struts -style (suportes longitudinais unidos apenas por elementos transversais angulados), que se tornaria característica do design deste fabricante.

Devido ao conflito a construção e voo do primeiro protótipo foram acelerados com o primeiro protótipo alçando voo em junho de 1918, após o programa de aceitação a Regia Aeronautica autorizou a produção em série com os primeiros 16 hidroaviões sendo entregues dias antes do armistício em novembro do mesmo ano, a estes se seguiram outros 14 aviões, o cenário pós guerra reduziria em muito as encomendas do Macchi M.9, a produção para a Marinha Italiana seria encerrada após a entrega de total de  40 exemplares em 1919. Neste mesmo ano foi realizada uma missão de propaganda militar com a finalidade promover os produtos da indústria aeronáutica italiana na América do Sul, com apresentações efetuadas para os governos locais entre eles Argentina que adquiriu dois exemplares para uso em missões de patrulha junto a Aviación Naval Argentina, seguido pela Marinha Brasileira.
Em 1921 a Marinha Polonesa (Morski dywizjon lotniczy,) assinou contrato para a aquisição de 9 células para emprego em sua aviação naval, as aeronaves foram recebidas por via naval desmontadas no porto de Gdansk, sendo transportadas até a base naval de Puck onde operaram e missões de patrulha. Em 1922 a empresa polonesa Centralne Warsztaty Lotnicze (CWL) assumiu a manutenção das aeronaves italianas, obtendo inclusive a autorização para a produção sob licença de mais cinco hidroaviões , que em conjunto com as demais permaneceram em serviço até 1926. Um versão civil denominada M.9bis  com capacidade para quatro lugares foi produzida em uma pequena escala sendo operada por empresas de transporte de passageiros e correio aéreo na Itália e Suíça.

Emprego no Brasil. 

Com o término da I Guerra Mundial, em novembro de 1918, a aquisição de material aeronáutico no exterior, bem como o intercâmbio de profissionais da aviação, ficou mais fácil, principalmente devido ao necessidade das industrias de armamentos em buscar novos mercados tendo em vista que o final da guerra levou ao cancelamento de muitos contratos junto as nações europeias. Nessa época a Aviação Naval, através da Escola de Aviação, buscando compras de oportunidade devido a grande restrição orçamentaria, adquiriu muitas aeronaves e hidroaviões de diferentes procedências. Em 1919 foram adquiridos da Itália cinco aerobotes de emprego tático novos de fábrica do tipo Macchi M.9. Embora estes hidroaviões fossem originalmente destinados a execução de tarefas de reconhecimento, com limitada capacidade para efetuar missões de bombardeiro, não existem registros de que a Marinha do Brasil pretendia formar uma unidade de emprego. A absoluta falta de pessoal adequadamente treinado e a ausência de meios materiais para apoiar as atividades de uma unidade aérea inibiam esta possibilidade, e prova disse é que não existem relatos sob a aquisição de armamento para estas aeronaves.

O primeiro Macchi M.9 foi montado no mês de outubro de 1919, nas instalações da Escola de Aviação Naval (EAvN), então instalada nas Ilhas das Enxadas (RJ). No início do mês de fevereiro de 1920, mais um Macchi M.9 foi posto em serviço, seguido de um terceiro em julho. No transcorrer deste ano, os últimos dois hidroaviões foram montados, sendo essas 5 aeronaves destinadas a EAvN. Nesta instituição os M.9 foram empregados em voo de adestramento do pessoal já diplomado e dos instrutores. Nominalmente esta tarefa carecia de maiores exigências, os voos de adestramento cobravam seu preço, tendo em vista que em média 50% da frota estava sempre indisponível, passando por reparos.
Em novembro de 1920, registrou-se o primeiro acidente com perda total da Aviação Naval, quando o  Macchi M.9 matricula “31” caiu na Baia de Guanabara, vitimando seus dois ocupantes. Reduzida a 4 aviões, a EAvN continuou empregando o M.9 nas tarefas de adestramento, e apesar do esforço do pessoal de manutenção, em 1921 50% da frota estava recolhida as oficinas a fim de passar por reparos e revisões de grande monta, assim desta maneira os voos com os modelos neste e no ano seguinte foram muito limitados. Em 1923, mais uma aeronave foi perdida, reduzindo ainda mais a disponibilidades, neste mesmo ano o recebimento dos novos Curtiss MF decretou a desativação do modelo no mês de setembro.

Dentre os diversos modelos de hidroaviões adquiridos em 1919, encontrava-se uma célula do Macchi M.7 que foi montado nas instalações da EAvN em novembro do mesmo ano e incorporado para ser empregado no treinamento dos alunos e instrutores, sendo assim desprovido de todo o armamento e equipamento de reconhecimento. Nesse mesmo ano a Societá Italiana di Transport Aerei, tentou organizar no Brasil um serviço de transporte aéreo, empregando inicialmente três aeronaves, como a iniciativa não logrou êxito, os aviões foram doados as forças militares brasileiras, sendo um M.7 repassado a Aviação Naval. A frota deste modelo da EAvN foi reforçada em 1921 quando o Capitão-Tenente De Lamare dou uma célula com a qual havia sido presenteado pelo governo italiano em reconhecimento ao seu esforço em realizar um reide Rio de Janeiro – Buenos Aires, que infelizmente fracassou após um acidente no Rio Grande do Sul em outubro de 1920.
Fora as periódicas participações em desfiles aéreos ou eventos oficiais, o trio de hidroaviões Macchi M.7 continuou desempenhando as tarefas de instrução e treinamento. Como outras aeronaves daquela época, a fragilidade do material fez com que estes hidroaviões fossem recolhidos para revisão geral, cada vez com maior frequência. O uso intensivo neste período, resultou em grande desgaste estrutural, e em 1923 duas destas aeronaves encontravam se recolhidas para reparo e revisão. Este quadro foi agravado com um acidente com perda total, no dia 13 abril e 1923. O recebimento de novos hidroaviões de instrução a partir de 1923, acelerou o processo de desativação do Macchi M.7, tendo em vista que o mesmo já se encontrava obsoleto. Desta maneira as duas aeronaves remanescentes foram excluídas da carga da  Escola de Aviação Naval (EAvN) em 4 de setembro de 1923, sendo alienadas e vendidas como sucata para aproveitamento de matéria prima.

Em Escala.

Para representarmos o Macchi M.7  da Aviação Naval matricula "33" empregamos o kit da Fly na escala 1/48, apesar de ser um modelo com baixa qualidade de injeção, possui detalhamento em resina. A versão original representa o M.5, sendo assim necessário a realização de algumas conversões para a versão emprega pela Aviação Naval. Como não há no mercado um set de decais especifico para o modelo, fizemos uso de decais diversos produzidos pela FCM.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura aplicado as aeronaves operacionais da Escola de Aviação Naval (EAvN) em sua primeira fase, sendo este padrão mantido nos Macchi M.7 e Macchi M.9 durante toda a sua carreira na Aviação Naval.




Bibliografia :

- Macchi M.7 Wikipedia  - https://en.wikipedia.org/wiki/Macchi_M.7
- Macchi M.9 Wikipedia  - https://en.wikipedia.org/wiki/Macchi_M.9
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
- Aviação Militar Brasileira 1916 -  1984 - Francisco C. Pereira Netto