A North American Aviation Company foi fundada em 6 de dezembro de 1928 por Clement Melville Keys, inicialmente concebida como uma holding empresarial voltada à aquisição, gestão e negociação de participações em companhias aéreas e empresas ligadas ao emergente setor da aviação. Essa estrutura refletia o ambiente econômico e regulatório dos anos finais da década de 1920, quando a aviação comercial norte-americana ainda se organizava de forma incipiente e fortemente dependente de contratos governamentais, em especial os relacionados ao transporte postal aéreo. Entretanto, esse modelo de negócios mostrou-se insustentável a partir de 1934, com a promulgação da chamada Lei Federal do Correio Aéreo (Air Mail Act), que desarticulou o sistema de holdings e impôs severas restrições à integração vertical entre companhias aéreas e fabricantes. Como consequência, diversas empresas estruturadas sob esse formato entraram em colapso ou foram forçadas a se reorganizar. Já então reconhecida como um ator relevante no meio aeronáutico, a North American Aviation promoveu uma profunda reorientação estratégica, abandonando o papel de holding financeira para concentrar-se diretamente na produção de componentes e aeronaves. Nesse processo de transformação, a liderança da empresa passou para as mãos do engenheiro James H. “Dutch” Kindelberger, profissional de sólida reputação técnica, cuja experiência havia sido forjada na Douglas Aircraft Company. Sob sua direção, a North American iniciou uma nova fase, sustentada financeiramente por investimentos oriundos de fundos ligados à Eastern Air Lines, o que assegurou a estabilidade necessária para a consolidação industrial da companhia. Em 1935, um novo e decisivo capítulo foi aberto com a aquisição do controle da empresa pela General Motors Corporation, que promoveu a fusão da North American Aviation com sua subsidiária aeronáutica, a General Aviation Manufacturing Corporation. No mesmo ano, foi tomada a decisão estratégica de transferir a principal planta industrial de Dundalk, Maryland, para Los Angeles, Califórnia, buscando explorar as condições climáticas mais favoráveis da costa oeste, que permitiam a realização contínua de ensaios de voo e aceleravam os ciclos de desenvolvimento e produção. Inserida nesse novo contexto, a North American Aviation direcionou seus esforços iniciais para o segmento de aeronaves de treinamento, considerado menos competitivo e mais acessível do que os mercados de caças e bombardeiros, então dominados por fabricantes já consolidados. Essa escolha revelou-se acertada. Os primeiros frutos dessa estratégia materializaram-se nos modelos GA-16, projetado para o treinamento básico de pilotos, e GA-15, destinado a missões de observação e reconhecimento. Ambos os projetos haviam sido originalmente desenvolvidos pela General Aviation Manufacturing Corporation e realizaram seus voos inaugurais, obtendo certificação, no início de 1936.O North American GA-16, após sua apresentação oficial, recebeu a designação militar NA-18, tendo seus dois protótipos submetidos a um rigoroso programa de ensaios em voo. Ainda em outubro de 1935, foi firmado o primeiro contrato de produção com o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), contemplando a encomenda de 42 aeronaves, cujas entregas iniciais ocorreram já no início do ano seguinte.
Esses acontecimentos marcaram os passos inaugurais da North American Aviation como fabricante de aeronaves militares, lançando as bases de uma trajetória que, nos anos subsequentes, levaria a empresa a tornar-se um dos mais importantes e influentes fornecedores da aviação militar norte-americana, com papel decisivo no esforço industrial e tecnológico dos Estados Unidos ao longo do século XX. Em 11 de março de 1938, o Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) publicou um conjunto de especificações técnicas destinadas ao desenvolvimento de uma aeronave monoplano bimotora concebida para operar como bombardeiro médio de ataque, refletindo o esforço então em curso para modernizar a aviação militar norte-americana diante das rápidas transformações tecnológicas da década de 1930. Atendendo a esse chamamento, diversas empresas de destaque da indústria aeronáutica — entre elas a Bell Aircraft Company, a Boeing Stearman Company, a Douglas Aircraft Company, a Martin Aircraft Company e a North American Aviation Company apresentaram seus projetos para avaliação. O processo, contudo, revelou-se particularmente conturbado. A fase de ensaios foi marcada por sucessivos acidentes e incidentes envolvendo os protótipos apresentados, evidenciando as dificuldades técnicas inerentes ao desenvolvimento de uma nova geração de bombardeiros médios. Em razão desses reveses, o programa, identificado como CPN 38-385, acabou sendo cancelado, interrompendo temporariamente a iniciativa de dotar o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) de um novo vetor dessa categoria. Entretanto, o rápido agravamento do cenário internacional, com o aumento das tensões geopolíticas tanto na Europa quanto no Pacífico, imprimiu novo senso de urgência à modernização das forças armadas dos Estados Unidos. Assim, já em março de 1939, foi lançado um novo esforço, denominado Projeto ACP 39-640, igualmente voltado ao desenvolvimento de um bombardeiro médio de ataque, mas conduzido sob premissas mais ousadas. Diferentemente da concorrência anterior, a necessidade de acelerar o processo levou o comando militar a adotar uma abordagem excepcionalmente arriscada: a escolha do vencedor seria feita com base nas propostas técnicas apresentadas, dispensando-se a construção prévia de um protótipo funcional, com o objetivo de colocar a aeronave em operação antes do início de 1940. Dentre os projetos submetidos, dois se destacaram e foram selecionados como finalistas: o Martin Model 179 e o North American NA-62, este último concebido pelos engenheiros R. H. Rice e John Leland Atwood. A proposta da North American chamava a atenção por sua configuração de asa alta, dupla deriva e por um robusto armamento defensivo, além da capacidade de transportar até 3.600 libras de bombas a elevadas velocidades características que, ao menos em teoria, superavam as oferecidas pelo projeto concorrente da Martin. Após criteriosa análise, e considerando a necessidade imediata de reequipar seus esquadrões, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) optou por uma solução pragmática, decidindo adotar ambos os modelos. Dessa forma, foram formalizados contratos para a produção de 184 unidades do North American B-25 e 200 unidades do Martin B-26, assegurando uma rápida ampliação da capacidade de bombardeio médio da força.
Embora essas modificações tenham elevado substancialmente a capacidade de sobrevivência da aeronave em combate, elas impactaram negativamente sua autonomia. A capacidade interna de combustível foi reduzida de 912 para 694 galões, sem, contudo, comprometer o perfil operacional do B-25 como bombardeiro diurno de curto e médio alcance. A principal limitação passou a ser a capacidade de translado em longas distâncias, questão parcialmente mitigada pela possibilidade de instalação de um tanque suplementar removível no compartimento de bombas (bomb bay), solução que preservava a flexibilidade operacional do modelo. O sistema defensivo do North American B-25B representou um avanço significativo em relação às versões iniciais, refletindo as lições extraídas das primeiras experiências de combate aéreo na Europa. Essa variante passou a incorporar uma torreta elétrica Bendix do tipo “L”, instalada na seção dorsal traseira da fuselagem e equipada com duas metralhadoras Browning calibre .50. Complementarmente, foi introduzida uma torreta ventral retrátil, de concepção semelhante e dotada do mesmo armamento, posicionada na região inferior da aeronave, nas proximidades do compartimento de bombas (bomb bay). Esse conjunto elevou de forma sensível a capacidade defensiva do bombardeiro contra ataques de caças inimigos provenientes dos setores superior e inferior. A adoção dessa configuração levou à celebração de um contrato para a produção de 120 exemplares do B-25B, cujas entregas tiveram início imediato às diversas unidades do United States Army Air Corps (USAAC), tanto no território continental norte-americano quanto nos teatros de operações ultramarinos, em especial no Pacífico. A conclusão das entregas ocorreu em janeiro de 1942, em um momento em que os Estados Unidos já se encontravam plenamente envolvidos no conflito mundial. Embora produzido em número relativamente modesto quando comparado às variantes subsequentes, o B-25B Mitchell alcançou lugar de destaque na história da aviação militar ao participar da ousada incursão aérea contra o Japão em 18 de abril de 1942, episódio que ficaria conhecido como o Raid Doolittle. Naquela ocasião, dezesseis B-25B decolaram do porta-aviões USS Hornet (CV-8) para atacar alvos estratégicos nas cidades de Tóquio, Yokohama, Kobe e Nagoya. Do ponto de vista material, os danos causados foram limitados; contudo, o impacto psicológico foi profundo, demonstrando à liderança japonesa que o arquipélago não era invulnerável e proporcionando um expressivo incremento no moral das forças armadas e da opinião pública norte-americana. As versões seguintes do modelo incluíram o B-25C, com 1.625 unidades produzidas na fábrica de Inglewood, na Califórnia, e o B-25D, com 2.290 exemplares fabricados em Kansas City. Do ponto de vista técnico, ambas apresentavam características muito semelhantes, diferindo principalmente em aspectos de produção e equipamentos internos. A Royal Air Force (RAF) figurou entre os primeiros usuários estrangeiros do B-25, recebendo inicialmente a versão B-25B, designada localmente Mitchell I. As primeiras aeronaves chegaram em agosto de 1941 e foram alocadas à Unidade de Treinamento Operacional nº 111, sediada nas Bahamas, sendo empregadas exclusivamente para instrução e familiarização, sem utilização operacional em combate.
Emprego na Força Aérea Brasileira.
No contexto inicial da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a avaliar com crescente preocupação a possibilidade de uma projeção militar das potências do Eixo notadamente a Alemanha Nazista, a Itália Fascista e o Japão Imperial em direção ao continente americano. Essa apreensão intensificou-se de forma decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, evento que abriu a perspectiva de utilização, por parte da Alemanha, de territórios estratégicos sob influência francesa, como as Ilhas Canárias e Dacar, como bases operacionais avançadas no Atlântico. Nesse cenário, o Brasil foi identificado como área de elevado interesse estratégico, tanto por sua posição geográfica quanto por sua proximidade com o continente africano região que também figurava nos planos de expansão do Eixo. A faixa litorânea do Nordeste brasileiro, em especial, representava o ponto de menor distância entre a América do Sul e a África, conferindo-lhe importância singular em termos de defesa hemisférica e projeção de poder. Paralelamente, a expansão do Japão Imperial no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul ampliou a relevância econômica do Brasil no esforço de guerra aliado. O país passou a desempenhar papel central como fornecedor de látex, matéria-prima essencial à produção de borracha insumo crítico para a fabricação de pneus, componentes aeronáuticos e diversos equipamentos militares. Dessa forma, a segurança do território brasileiro e de suas rotas marítimas tornou-se prioridade estratégica para os Aliados. Além de sua importância econômica, o litoral brasileiro oferecia condições altamente favoráveis à instalação de bases aéreas e portos militares. Nesse contexto, a cidade de Recife destacou-se como um dos principais pontos de apoio logístico, funcionando como elo fundamental na ligação entre os continentes americano e africano. A partir dessa posição, tornou-se possível estruturar uma ponte aérea e marítima destinada ao envio de tropas, aeronaves e suprimentos aos teatros de operações na Europa e no norte da África. Diante dessas circunstâncias, verificou-se uma rápida intensificação das relações políticas, econômicas e militares entre o Brasil e os Estados Unidos. Esse processo materializou-se por meio de investimentos estratégicos e acordos de cooperação, entre os quais se destacou a adesão brasileira ao Lend-Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Tal programa tinha como objetivo central fortalecer as nações aliadas mediante o fornecimento de recursos materiais e financeiros, contribuindo para a modernização de suas forças armadas. No caso brasileiro, o acordo assegurou uma linha inicial de crédito da ordem de 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de armamentos modernos, incluindo aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos mostraram-se fundamentais para o incremento da capacidade defensiva nacional, sobretudo diante da crescente ameaça representada pelos submarinos da Alemanha Nazista e da Itália Fascista, cujas ações no Atlântico Sul passaram a comprometer a segurança da navegação mercante e, consequentemente, o fluxo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria de guerra norte-americana.
Na fase inicial de suas operações, a Força Aérea Brasileira (FAB) limitou sua atuação a voos de presença ao longo do litoral, empregando, sobretudo, aeronaves monomotoras como o AT-6B Texan e o V-65B Corsair. Essas missões, de caráter essencialmente dissuasório e de vigilância, refletiam tanto as limitações materiais da força quanto o estágio inicial de sua organização doutrinária. Esse panorama começou a se modificar de forma significativa no início de 1942, quando, sob influência de incentivos econômicos e pressões diplomáticas, o governo brasileiro autorizou a utilização de bases aéreas nacionais por unidades de patrulha da Marinha dos Estados Unidos. Tal decisão constituiu um marco na cooperação militar entre o Brasil e os Estados Unidos, permitindo a realização dos primeiros confrontos contra submarinos da Alemanha Nazista e da Itália Fascista no Atlântico Sul. Essas operações iniciais foram acompanhadas de perto por oficiais brasileiros, cuja participação como observadores possibilitou à Força Aérea Brasileira (FAB) assimilar, de maneira progressiva, os fundamentos da guerra aeronaval. Esse processo de aprendizado revelou-se fundamental para a posterior consolidação de uma doutrina própria de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino. Paralelamente à evolução doutrinária, teve início a incorporação de meios aéreos mais modernos. A primeira entrega relevante ocorreu em janeiro de 1942, com a chegada de 06 aeronaves North American B-25B Mitchell, adaptadas para missões de patrulhamento marítimo e guerra antissubmarino. Esses aviões foram destinados ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade criada em 4 de fevereiro de 1942 e sediada em Fortaleza. As primeiras missões operacionais tiveram início em abril daquele ano, sendo conduzidas por tripulações mistas, compostas por militares norte-americanos e brasileiros Nesse contexto, o B-25B destacou-se ao tornar-se a primeira aeronave militar brasileira a entrar em combate na Segunda Guerra Mundial. Em 22 de 1942, um B-25B Mitchell destacou-se ao tornar-se a primeira aeronave militar brasileira a entrar em combate durante a Segunda Guerra Mundial. Tal fato é ainda mais significativo quando se considera que, naquele momento, o Brasil ainda não havia declarado guerra ao Eixo, e o Ministério da Aeronáutica (MAer) contava com apenas 15 meses de existência, encontrando-se em pleno processo de organização e consolidação institucional. Quatro dias antes desse evento, o navio mercante Comandante Lyra fora atacado em águas territoriais brasileiras pelo submarino italiano Barbarigo, a pouco mais de 330 quilômetros de Fernando de Noronha. Tratava-se já da oitava embarcação brasileira atingida pelas forças do Eixo, evidenciando a escalada da guerra submarina no Atlântico Sul. O Comandante Lyra, embarcação de aproximadamente 73 metros de comprimento, capaz de atingir velocidades em torno de 30 km/h e equipada com dois canhões de 100 mm, quatro metralhadoras e oito tubos lançadores de torpedos, sofreu danos significativos em decorrência do impacto de um torpedo, do emprego de bombas incendiárias e de disparos de canhões de 100 mm e metralhadoras. Apesar da violência do ataque, o navio não chegou a afundar, embora tenha sido tomado por incêndios que produziram uma imensa coluna de fumaça, visível a grande distância.
Em situação de emergência, a embarcação conseguiu seguir rebocada até o porto de Fortaleza (CE), episódio que reforçou, de maneira contundente, a urgência da mobilização militar brasileira e a necessidade de ampliar e consolidar as capacidades brasileiras no patrulhamento marítimo e na defesa do litoral nacional. Ainda em 1942, foi estabelecido que a Força Aérea Brasileira (FAB) deveria assumir progressivamente maior responsabilidade nas missões de patrulhamento e guerra antissubmarino em seu mar territorial. Como reforço a esse esforço, foram incorporadas dez aeronaves A-28A Hudson, representando o primeiro modelo especializado nesse tipo de missão a operar na força. Posteriormente, até o término do conflito, a Força Aérea Brasileira (FAB) ampliaria sua capacidade operacional com a incorporação de mais 21 aeronaves nas versões B-25J-15 e B-25J-20, igualmente empregadas em missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino. Esse conjunto de aquisições e experiências operacionais contribuiu decisivamente para a consolidação da aviação de patrulha no Brasil, estabelecendo as bases para o desenvolvimento de uma doutrina nacional alinhada às exigências da guerra moderna. No período pós-guerra, entre julho de 1946 e outubro de 1947, o Brasil recebeu 64 unidades adicionais do North American B-25J Mitchell, por meio de programas de assistência militar norte-americanos, como o denominado American Republic Projects. Esse reforço permitiu à Força Aérea Brasileira (FAB) consolidar uma expressiva frota desse modelo, desenvolvendo elevada especialização nos processos de operação e manutenção em nível de parque. Tais atividades foram conduzidas no Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP) e no Parque de Aeronáutica de Recife (PARF), que se tornaram centros de referência nesse segmento. Em 1949, as duas células remanescentes do North American B-25B Mitchell foram submetidas a um amplo processo de revisão geral. As modificações incluíram a remoção de armamentos e a substituição dos motores originais Wright Cyclone R-2600-9 pelo modelo Wright Cyclone R-2600-13, com o objetivo de adaptá-las a funções logísticas. Como resultado, essas aeronaves foram redesignadas como CB-25B Cargueiro, recebendo as matrículas FAB 5028 e FAB 5031. Em serviço, desempenharam com eficiência missões de transporte e apoio, permanecendo operacionais até o final de 1957, quando foram desativadas em decorrência do avançado desgaste estrutural. Paralelamente, diversas células do North American B-25J Mitchell continuaram em operação nas unidades de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB). Contudo, o acelerado avanço tecnológico observado no pós-guerra marcado pela introdução de aeronaves equipadas com motores a jato relegou os bombardeiros táticos a pistão a funções progressivamente secundárias no cenário internacional. Atento a essa transformação, o Ministério da Aeronáutica (MAer) passou a buscar alternativas para a modernização de sua aviação de bombardeio. Inicialmente, considerou-se a aquisição do bombardeiro a jato English Electric Canberra, nas versões B.8 e T.4. Entretanto, limitações orçamentárias levaram à opção por aeronaves usadas do tipo Douglas A-26B A-26C Invader, que passaram a integrar a frota brasileira.
Com a incorporação desses novos vetores de ataque, iniciou-se um processo gradual de retirada dos North American B-25J Mitchell das funções de treinamento, bombardeio e ataque nas unidades operacionais sediadas em Fortaleza e Natal. Parte dessas aeronaves foi então adaptada para missões de reconhecimento tático, substituindo progressivamente os Douglas R-20K Havoc no âmbito do 1º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação, tradicionalmente conhecido como Esquadrão Poker, contribuindo para a manutenção da capacidade operacional da força em um período de transição tecnológica. Ao final de 1958, a frota de B-25 Mitchell ainda mantida pela Força Aérea Brasileira (FAB) apresentava relevante valor operacional, sobretudo no que se referia às células em melhores condições estruturais. Com a substituição destas aeronaves nas unidades operacionais de Fortaleza e Natal entre os anos de 1956 e 1957, algumas destas células seriam mantidas nessas bases devendo a ser destinadas a atuarem como aeronaves orgânicas. Entre estas se encontravam os últimos B-25B , que receberiam modificações internas dos tanques de combustível sendo convertidos para aeronaves de transporte de passageiro, nascendo assim o modelo CB-25B que quando em operação apresentariam excelentes resultados. Como tal procedimento deu certo e existia na Força Aérea Brasileira (FAB) a necessidade de aeronaves de transporte, ocorreria a opção pela conversão de mais células deste modelo, para assim servirem de apoio a diversas unidades operacionais. Com base nessas diretrizes, o Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP) iniciou os estudos técnicos necessários à viabilização das modificações. Após a aprovação formal do projeto, foi estabelecido um cronograma de execução que previa, em sua fase inicial, a seleção de 04 aeronaves do modelo B-25J-1 (FAB 5079, 5080, 5081 e 5082) que se encontravam em melhores condições de conservação, sendo então transladas em voo para o Campo de Marte em São Paulo. No âmbito das oficinas do parque , estas 04 aeronaves foram submetidas a um conjunto abrangente de modificações estruturais e funcionais, entre as quais se destacaram: Remoção das blindagens, visando à redução de peso e à melhoria do desempenho geral; retirada completa dos sistemas de armamento e equipamentos táticos; adequações nos tanques de combustível; instalação de assentos para passageiros, permitindo o transporte de pessoal e por fim conversão do compartimento de bombas (bomb bay) em área destinada ao transporte de carga. Paralelamente, todas as células passaram por um rigoroso processo de revisão estrutural, com o objetivo de prolongar sua vida útil na nova configuração operacional. Concluídas as modificações, as aeronaves redesignadas como North American CB-25 Mitchell foram submetidas a um completo programa de ensaios em voo, cujos resultados evidenciaram desempenho satisfatório para as missões de transporte previstas. Estas aeronaves seriam colocadas em uso operacional apresentando novamente excelente desempenho como aeronave orgânica. Diante da avaliação positiva, o Comando da Aeronáutica (COMAER) decidiu-se pela ampliação do programa de conversão, incorporando mais 12 aeronaves à linha de modificação.
Nessa segunda fase, foram selecionados por critérios de estado de conservação as células com as matrículas FAB 5064, 5086, 5127, 5131, 5117, 5068, 5137, 5106, 5135, 5071, 5103 e 5113. Adicionalmente, os trabalhos passaram a ser conduzidos não apenas no Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP), mas também nas instalações do Parque de Aeronáutica de Recife (PARF), ampliando a capacidade de execução do programa. Todas as etapas de conversão foram concluídas até o final de 1958, consolidando uma solução eficiente para a extensão da vida operacional do North American B-25J Mitchell no contexto da aviação de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB), em um período marcado pela transição tecnológica e pela busca por maior racionalização dos meios disponíveis. As aeronaves convertidas passaram a ser oficialmente designadas como CB-25J, embora a maioria destas ainda mantivesse em suas fuselagens os indicativos originais de cauda "B-25J". Após a conclusão do processo de adaptação e o treinamento das tripulações, estes cargueiros foram distribuídos para atuação como meios orgânicos em diversas organizações, passando a operar junto aos Parques de Aeronáutica de São Paulo, Recife e Afonsos, bem como nas bases aéreas de Campo Grande, Fortaleza, Base Aérea de Santa Cruz e Natal. Empregadas predominantemente em missões de transporte de carga, deslocamento de pessoal e ligação, essas aeronaves desempenharam papel de grande relevância no suporte logístico da Força Aérea Brasileira (FAB), especialmente em um período marcado por limitações orçamentárias e pela necessidade de maximização dos meios disponíveis. Algumas células tornaram-se particularmente conhecidas no ambiente operacional por receberem denominações informais atribuídas por suas tripulações, refletindo tanto características de desempenho quanto aspectos marcantes de sua operação cotidiana. Entre os exemplos mais emblemáticos figuram o CB-25J FAB 5131, apelidado “Amigo da Onça”, e o CB-25J FAB 5097, conhecido como “Super Maconha”. Este último ganhou notoriedade em razão de seu desempenho excepcional, decorrente da remoção de blindagens e sistemas de armamento, o que lhe proporcionou velocidades superiores às observadas em outras aeronaves de transporte contemporâneas. Embora tais designações não constem em registros oficiais, constituem elemento significativo do folclore aeronáutico, preservando aspectos da cultura e da vivência das tripulações no cotidiano da aviação militar. A notável robustez estrutural da aeronave , aliada à ampla disponibilidade de células e ao estoque de componentes existente no país, assegurou um fluxo contínuo de peças de reposição. Esse fator contribuiu diretamente para elevados índices de disponibilidade operacional, permitindo a manutenção de uma frota ativa por um período prolongado. Como resultado, os CB-25J permaneceram em serviço por um tempo considerável, demonstrando notável longevidade. A última aeronave desse tipo foi desativada apenas em 1974, sendo gradualmente substituída pelos modernos turboélices Embraer C-95 Bandeirante, marcando assim o encerramento de um importante capítulo na história da aviação de transporte brasileira.
Em Escala.
Para a representação em escala do North American CB-25B "FAB 5031", foi utilizado o kit clássico do fabricante Revell, na escala 1/48. As modificações necessárias para a conversão à configuração cargueira incluíram a completa remoção de todo o armamento original da aeronave, bem como o fechamento das escotilhas correspondentes às torretas superior e ventral. Esta adaptação foi realizada com o uso de plasticard, garantindo um acabamento fiel ao padrão visual da versão utilizada pela Força Aérea Brasileira. No que se refere à identificação visual, foram empregados decais genéricos da FCM Decais, provenientes de diferentes conjuntos da marca. Já as marcações específicas do exemplar "FAB 5031" foram confeccionadas de forma artesanal, graças à colaboração do modelista Cesar Hares, a quem registramos nosso agradecimento.

O esquema de cores descrito a seguir, conforme os códigos do sistema Federal Standard (FS), corresponde ao segundo padrão de pintura adotado nas aeronaves North American B-25B/J após suas primeiras revisões realizadas em nível de parque. Durante o período em que atuaram como cargueiros, essas aeronaves apresentaram variações sutis desse padrão básico, refletindo ajustes operacionais ou regionais. A única exceção relevante a esse padrão ocorreu com o FAB 5097, que recebeu, temporariamente, um esquema de pintura totalmente colorido, de caráter provisório, o qual destoava significativamente dos demais exemplares em serviço.
Bibliografia :
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 -2015 - Jackson Flores Jr
- Revista Asas Mº 40 B-25 Mitchell na FAB, por Aparecido Camazano Alamino
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Bombardeiros Bimotores na FAB, por Aparecido Camazano lino Editora C&R
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Bombardeiros Bimotores na FAB, por Aparecido Camazano lino Editora C&R
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