Classe "F" Foca - Submarino Costeiro

História e Desenvolvimento.
O engenheiro naval italiano Cesare Laurenti (Terracina, 1865 – Roma, 1921) figura entre os mais importantes pioneiros da navegação submarina militar no período de transição entre os séculos XIX e XX. Ao longo de sua carreira, dedicou-se intensamente ao estudo e ao aperfeiçoamento dos submersíveis, contribuindo de forma decisiva para a consolidação do submarino como uma arma estratégica das marinhas modernas. Em 1892, Laurenti assumiu a direção dos trabalhos experimentais relacionados ao desenvolvimento do Delfino, o primeiro submarino operacional da Itália, concebido pelo engenheiro Giacinto Pullino. Originalmente equipado apenas com um sistema de propulsão elétrica alimentado por baterias, o projeto recebeu importantes aperfeiçoamentos idealizados por Laurenti. Entre eles destacava-se a instalação de um pequeno motor a gasolina destinado à navegação em superfície, solução que permitia ampliar significativamente a autonomia da embarcação, ao mesmo tempo em que possibilitava a recarga das baterias durante a operação. Essa combinação representou um dos primeiros exemplos bem-sucedidos de propulsão híbrida aplicada a submarinos, conceito que influenciaria profundamente a evolução dessa classe de navios nas décadas seguintes. O êxito técnico alcançado com o Delfino proporcionou a Laurenti reconhecimento profissional e apoio financeiro para participar da criação e expansão da Cantieri Navali Fiat-San Giorgio, empresa que se tornaria uma das principais construtoras de submarinos da Itália. A partir de 1905, ele liderou o desenvolvimento de diversas classes de submersíveis para a Marinha Real Italiana (Regia Marina), entre as quais se destacam as classes Provana, Glauco, Medusa, Argonauta, Foca e Classe S. Esses projetos incorporavam soluções inovadoras em termos de hidrodinâmica, estabilidade e eficiência operacional, consolidando a reputação internacional da engenharia naval italiana. A notoriedade dos projetos de Laurenti ultrapassou rapidamente as fronteiras da Itália. Em 1909, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) adquiriu os direitos de um de seus projetos para a construção do submarino USS G-4 (SS-26), originalmente conhecido como Thrasher. Essa embarcação destacou-se por introduzir na frota norte-americana o conceito de casco com perfil de “quilha uniforme”, caracterizado por linhas externas mais hidrodinâmicas e melhor distribuição das tensões estruturais. Tal configuração proporcionava maior estabilidade em navegação e melhor desempenho submerso, tornando-se uma importante referência para o desenvolvimento das futuras gerações de submarinos norte-americanos. Embora algumas das embarcações derivadas de seus projetos tenham enfrentado problemas mecânicos e operacionais durante sua vida útil, o legado técnico de Cesare Laurenti permaneceu incontestável. Suas concepções de casco, sistemas de propulsão e soluções construtivas exerceram profunda influência sobre a evolução dos submarinos nas primeiras décadas do século XX, contribuindo para moldar os rumos da guerra submarina moderna e consolidando seu nome entre os mais relevantes engenheiros navais da história.

O reconhecimento internacional alcançado pelos projetos de Cesare Laurenti não se limitou à Itália e aos Estados Unidos. Poucos anos depois, a própria Marinha Real Britânica (Royal Navy) passaria a incorporar conceitos desenvolvidos pelo engenheiro italiano em sua força submarina de patruçha costeira. Essa adoção materializou-se com a construção dos submarinos da Classe S, produzidos sob licença nos estaleiros da Scotts Shipbuilding and Engineering Company, em Greenock, na Escócia, sob licença dos projetos da Fiat-San Giorgio. Três embarcações desta classe com as designações do estaleiro   S1, S2 e S3  foram concluídas e incorporadas à flotilha de submarinos da Marinha Real Britânica (Royal Navy) entre 1912 e 1914. Equipados com dois motores diesel Scott-Fiat de 650 hp cada e dois motores elétricos Fiat de 400 hp, esses submarinos representavam o estado da arte da engenharia submarina europeia naquele período. Após sua incorporação, receberam as designações HMS S1, HMS S2 e HMS S3, sendo destinados principalmente a missões de vigilância e patrulhamento costeiro nas águas estratégicas do Canal da Mancha, uma das mais importantes rotas marítimas do mundo e área vital para a segurança britânica. Com a entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, em maio de 1915, a situação estratégica no Mediterrâneo exigiu o fortalecimento imediato da capacidade submarina da Regia Marina. Nesse contexto, os três submarinos da Classe S foram transferidos para a Marinha Real Italiana no final daquele ano, retornando ao país de origem de seu projeto. Integrados à frota italiana, continuaram a desempenhar missões de patrulha costeira, reconhecimento e defesa de áreas marítimas sensíveis, particularmente nas proximidades dos principais portos e bases navais italianas, contribuindo para o esforço de guerra no teatro mediterrânico. A influência dos projetos de Laurenti também alcançaria a Marinha Portuguesa, que buscava modernizar sua capacidade naval no início do século XX. Portugal operou inicialmente submarinos da Classe Espadarte, igualmente inspirados na engenharia italiana, mas foi com a Classe Foca que essa parceria alcançou sua expressão mais significativa. Construídos nos estaleiros da Cantieri Navali Fiat-San Giorgio, em La Spezia, esses submarinos foram entregues à marinha portuguesa com as denominações NRP Foca, NRP Golfinho e NRP Hidra. Incorporados durante a década de 1910, esses navios desempenharam papel fundamental na consolidação da arma submarina portuguesa. Operando entre 1917 e 1934, demonstraram elevados índices de confiabilidade e eficiência para os padrões da época, sendo empregados em missões de patrulha, treinamento e defesa costeira. O longo período de serviço dessas embarcações constitui um testemunho da qualidade dos projetos concebidos por Cesare Laurenti, cuja influência se estendeu por diversas marinhas e contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da guerra submarina nas primeiras décadas do século XX. O caráter inovador dos projetos desenvolvidos por ele residia não apenas em seus sistemas de propulsão, mas principalmente na concepção hidrodinâmica.

O desenho do casco, considerado avançado para os padrões da época, proporcionava maior estabilidade durante a navegação e a imersão, graças à melhor distribuição das pressões estruturais e à adoção de um formato externo mais hidrodinâmico. Essas características contribuíam para um desempenho operacional superior, aumentando a segurança e a eficiência da embarcação em diferentes condições de emprego. Além das qualidades técnicas, os submarinos projetados por Laurenti apresentavam uma importante vantagem estratégica: custos relativamente reduzidos de construção, operação e manutenção quando comparados aos modelos empregados pelas grandes potências navais do período. Tal característica tornava esses navios particularmente atraentes para países que buscavam modernizar suas forças navais e ingressar na era da guerra submarina, mas que não dispunham dos recursos financeiros necessários para adquirir ou desenvolver projetos mais complexos e dispendiosos. Percebendo o potencial desse nicho de mercado, Cesare Laurenti, em conjunto com o departamento comercial da Cantieri Navali Fiat-San Giorgio, iniciou, a partir de 1905, uma ampla campanha de promoção internacional de seus projetos submarinos. A estratégia consistia em oferecer um modelo básico de submarino de patrulha costeira, concebido para atender às necessidades da maioria das marinhas emergentes, mas que também pudesse receber modificações específicas para satisfazer requisitos operacionais particulares de cada cliente. O projeto-padrão desenvolvido para exportação apresentava dimensões consideradas equilibradas para as missões de defesa costeira e patrulhamento marítimo. A embarcação possuía 45,15 metros de comprimento, boca de 4,20 metros e calado de 3 metros. Seu deslocamento era de aproximadamente 250 toneladas na superfície, alcançando 370 toneladas quando totalmente submersa. Em operação submersa, o submarino podia atingir uma profundidade operacional de até 40 metros, desempenho compatível com os padrões tecnológicos do início do século XX. Nessa condição, desenvolvia velocidade máxima de 8 nós (14,8 km/h) e possuía autonomia de cerca de 100 milhas náuticas (aproximadamente 161 quilômetros). Quando operava em velocidade econômica de 1,5 nó (2,8 km/h), seu alcance submerso podia ser ampliado para até 139 milhas náuticas (257 quilômetros), característica particularmente útil para missões de vigilância e aproximação furtiva. Na navegação de superfície, modalidade em que os submarinos da época realizavam a maior parte de seus deslocamentos, o desempenho era igualmente satisfatório. A velocidade máxima alcançava 12,3 nós (22,8 km/h), enquanto a autonomia atingia aproximadamente 1.200 milhas náuticas (2.222 quilômetros), permitindo operações prolongadas e ampliando significativamente a área de atuação da embarcação. Essa combinação de desempenho, simplicidade operacional, confiabilidade mecânica e custo relativamente acessível transformou os submarinos concebidos por Cesare Laurenti em uma solução extremamente competitiva no mercado internacional. Como resultado, seus projetos seriam adotados por diversas marinhas ao redor do mundo, contribuindo para a difusão da tecnologia submarina.

O sistema de propulsão adotado nos submarinos da Classe F seguia o consagrado conceito diesel-elétrico, que começava a se firmar como padrão entre os projetos mais avançados do início do século XX. Durante a navegação em superfície, os navios eram impulsionados por dois motores diesel Fiat de dois tempos e seis cilindros, desenvolvendo 325 cavalos de potência (239 kW) cada. Esses motores acionavam diretamente os dois eixos propulsores, proporcionando uma combinação equilibrada entre velocidade, autonomia e economia operacional. Quando em imersão, os motores a combustão eram desligados e a propulsão passava a ser garantida por um motor elétrico Savigliano de 250 cavalos de potência (184 kW), que atuava sobre os mesmos eixos das hélices. A energia necessária para a navegação submersa era fornecida por um conjunto de baterias composto por 240 acumuladores distribuídos em quatro seções independentes. O sistema possuía capacidade total de 2.000 ampères, com um regime de descarga projetado para aproximadamente dez horas de operação contínua, conferindo uma autonomia submersa compatível com as exigências operacionais da época. Os sistemas de governo e controle refletiam a relativa simplicidade tecnológica característica dos primeiros submarinos militares. A navegação era comandada por um leme vertical duplo, operado manualmente a partir de três estações de controle distintas. Para a manutenção da profundidade e do equilíbrio durante a imersão, a embarcação dispunha de dois pares de lemes horizontais, igualmente acionados, recolhidos e operados de forma manual pela tripulação. O sistema de lastro e compensação era particularmente elaborado para um navio de suas dimensões. A embarcação possuía quilha dotada de lastro de chumbo e bolina, além de quatro tanques principais de lastro com capacidade de 46 toneladas cada. Complementavam esse conjunto um tanque de compensação de 4,8 toneladas, dois tanques de trimagem de 0,8 tonelada cada, dois tanques de combustível com capacidade total de 11 toneladas, dois reservatórios de óleo lubrificante de 0,98 tonelada cada, um tanque de compensação para torpedos de 1,8 tonelada e dois tanques destinados à compensação dos torpedos de reserva, com capacidade de 0,65 tonelada cada. Esse complexo arranjo permitia ao submarino manter sua estabilidade e controle de flutuabilidade em diferentes condições de carga e operação. A tripulação era composta por apenas 26 homens, incluindo dois oficiais e vinte e quatro suboficiais e marinheiros. Embora modesta quando comparada aos padrões posteriores, essa dotação era considerada adequada para a condução das missões de patrulha costeira e vigilância marítima para as quais a Classe F havia sido concebida. Sob a ótica operacional, o desempenho desses submarinos mostrava-se plenamente satisfatório para as necessidades das marinhas de pequeno e médio porte da época. A combinação de autonomia razoável, simplicidade mecânica, custos reduzidos de operação e manutenção, além de boas características de navegabilidade, tornavam estes  projetos particularmente atrativos para países que buscavam modernizar suas forças navais sem comprometer excessivamente seus orçamentos.
No que se refere ao armamento, estes apresentavam uma configuração compatível com as doutrinas navais vigentes no início do século XX, quando a principal função dessas embarcações era a defesa costeira, a interdição de rotas marítimas e o ataque a navios de superfície. Seu armamento principal consistia em dois tubos lança-torpedos de 450 mm instalados na proa, para os quais eram transportados 04 torpedos de reserva. As armas empregadas eram produzidas pela tradicional empresa austro-húngara Torpedofabrik Whitehead & Co., pioneira no desenvolvimento do torpedo automóvel moderno, sendo lançadas por meio de sistemas de ar comprimido, tecnologia amplamente utilizada pelas principais marinhas da época. Embora concebidos prioritariamente para operações submersas, esses navios também podiam receber armamento complementar destinado à autodefesa durante a navegação em superfície. Dependendo dos requisitos do operador, era possível instalar um canhão de tiro rápido Armstrong de 76/30 mm, empregado contra pequenas embarcações ou alvos costeiros, ou ainda um reparo equipado com metralhadoras norte-americanas Colt de calibre 6,5 mm, destinadas à proteção contra ameaças de pequeno porte e, posteriormente, contra aeronaves que operassem em baixas altitudes. Os equipamentos de comunicação e navegação refletiam o elevado grau de sofisticação tecnológica incorporado aos projetos da Fiat-San Giorgio. As embarcações podiam ser equipadas com uma estação radiotelegráfica do sistema Marconi, dotada de potência de transmissão de 0,2 kW e alcance aproximado de 30 milhas náuticas, permitindo manter contato com bases navais e outras unidades da frota durante as operações de superfície. Para comunicações e sinalização subaquática, os submarinos dispunham de uma estação de sinais submarinos composta por um sino pneumático transmissor e quatro receptores acústicos, recurso considerado avançado para o período. A observação e aquisição de alvos eram realizadas por meio de dois periscópios retráteis do tipo Galileo, fabricados em Florença. Com aproximadamente um metro de comprimento quando estendidos, esses equipamentos possuíam escalas telemétricas e graduações azimutais, permitindo ao comandante realizar estimativas de distância, rumo e velocidade dos alvos com razoável precisão. A combinação entre armamento eficiente, sistemas de navegação modernos, equipamentos de comunicação avançados e custos relativamente reduzidos de aquisição e operação transformou os submarinos projetados por Cesare Laurenti em uma proposta extremamente competitiva no mercado naval internacional. Como consequência, diversos contratos de exportação foram firmados ao longo das primeiras décadas do século XX, tanto para a aquisição direta dessas embarcações quanto para variantes derivadas de seus projetos originais. Muitos desses submarinos permaneceriam em serviço ativo até meados da década de 1930, evidenciando a solidez de sua concepção e a influência duradoura da engenharia naval italiana no desenvolvimento da arma submarina mundial.

Emprego na Marinha do Brasil.
No alvorecer do século XX, o Brasil atravessava um período de importantes transformações políticas, econômicas e militares. Durante o governo do presidente Campos Sales, foi implementado um amplo programa de saneamento financeiro destinado a restaurar a credibilidade econômica do país após anos de instabilidade fiscal. As medidas adotadas permitiram o gradual restabelecimento da confiança dos mercados internacionais e criaram expectativas favoráveis quanto ao desenvolvimento econômico e à modernização das instituições. Entretanto, apesar da recuperação econômica em curso, o cenário estratégico sul-americano despertava preocupações entre as autoridades brasileiras. As tensões diplomáticas e territoriais envolvendo Argentina e Chile, especialmente em torno das disputadas regiões da Patagônia, do Estreito de Magalhães e da Terra do Fogo, desencadearam uma intensa corrida armamentista naval. Enquanto as marinhas argentina e chilena investiam significativamente na aquisição de modernos navios de guerra, a Marinha do Brasil ainda buscava recuperar-se dos desgastes materiais e institucionais provocados pelos sucessivos conflitos internos e externos enfrentados desde a Independência. Diante desse cenário, tornou-se evidente a necessidade de reconstruir o poder naval. Em 1904, o deputado Laurindo Pita apresentou ao Congresso Nacional uma proposta de amplo reaparelhamento da esquadra. O projeto, concebido sob a orientação do então Ministro da Marinha, Almirante Júlio César de Noronha, refletia uma visão estratégica voltada para a restauração da capacidade de combate da força naval brasileira e para a preservação dos interesses nacionais no Atlântico Sul. O programa previa a construção e aquisição de uma moderna força naval composta por 03 encouraçados, 03 cruzadores encouraçados, 06 contratorpedeiros, 06 torpedeiros de alto-mar, 06 torpedeiros de porto, 03  submersíveis, 01 navio carvoeiro e um novo arsenal terrestre. Tratava-se de um dos mais ambiciosos projetos de modernização militar já concebidos pelo país até então. Contudo, a rápida evolução tecnológica no setor naval levou à revisão dessas diretrizes. Em 1906, com a nomeação do Almirante Alexandrino Faria de Alencar, e contando com o apoio decisivo do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores, o programa foi profundamente reformulado. As novas diretrizes ultrapassavam a simples busca pela supremacia naval regional. O objetivo passou a ser inserir o Brasil entre as nações que lideravam a modernização militar e tecnológica no cenário internacional. Embora nem todas as metas previstas tenham sido integralmente alcançadas, o chamado Programa Naval de 1906 representou um marco na história naval. A incorporação de modernos navios de guerra, incluindo os célebres encouraçados da Classe Minas Gerais, conferiu ao país uma posição de destaque no panorama naval mundial. Em 1910, a esquadra brasileira figurava entre as mais poderosas do mundo em termos de tonelagem e capacidade de combate, atraindo a atenção das principais potências marítimas. Foi nesse ambiente de modernização e renovação doutrinária que surgiu o interesse pela guerra submarina, uma tecnologia ainda recente, mas que já demonstrava enorme potencial estratégico. Como resultado desse processo, em 17 de julho de 1914 foi oficialmente ativada a Flotilha de Submersíveis da Marinha do Brasil, marco histórico que inseriu o país em um restrito grupo de nações capazes de operar submarinos militares. 

A aquisição dos submarinos  começou a se concretizar em meados de 1910, quando o governo brasileiro iniciou negociações com o estaleiro italiano Cantieri Navale Fiat San Giorgio, para a construção de 03 unidades que deveriam ser entregues entre os anos de 1912 e 1914. A incorporação desses colocaria o Brasil entre as poucas nações capazes de operar submarinos, uma tecnologia ainda relativamente recente e considerada estratégica para a defesa. Com o objetivo de acompanhar de perto a execução do contrato, o  Ministro da Marinha, Vice-Almirante Joaquim Marques Baptista de Leão, determinou, por meio dos Avisos nº 6.439 e nº 6.441, de 30 de dezembro de 1911, a designação do Capitão-de-Corveta Felinto Perry, chefe da Subcomissão Naval na Europa, para fiscalizar a construção. O primeiro exemplar da classe designado como  F-1, teve sua quilha batida em 23 de março de 1912. Após pouco mais de um ano de construção, foi lançado ao mar em 11 de junho de 1913, em cerimônia que contou com a presença de autoridades italianas e brasileiras, tendo como madrinha a Sra. Alberto Fialho. Em seguida, o navio foi submetido a um extenso programa de provas de mar e testes de imersão realizados no Golfo de La Spezia, avaliações que se prolongaram até 12 de novembro daquele ano. Com os resultados considerados satisfatórios, foi oficialmente entregue à Comissão de Recebimento em 11 de dezembro de 1913, data que marcou sua incorporação formal à Armada Brasileira. Meses depois, em 4 de junho de 1914, o F-1 deixou La Spezia a bordo do navio-doca Kanguroo, especialmente contratado para transportá-lo até a América do Sul. Chegou ao Rio de Janeiro em 4 de julho do mesmo ano, despertando grande interesse da opinião pública e das autoridades nacionais, representando um marco histórico para a Marinha do Brasil, sendo  visitado pelo Presidente da República e por uma numerosa comitiva de autoridades civis e militares. A incorporação dos submarinos da Classe F coincidiu com um período de profundas transformações no cenário internacional. Poucas semanas após a chegada do F-1 ao Brasil, a Europa mergulharia na Primeira Guerra Mundial, conflito que demonstraria, de forma inédita, a importância estratégica da guerra submarina. Embora o Brasil tenha permanecido neutro nos primeiros anos da guerra, a crescente ameaça representada pelos submarinos alemães ao comércio marítimo internacional levou o governo brasileiro a rever sua posição. Em 26 de setembro de 1917, após sucessivos ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros, o Presidente Wenceslau Braz declarou estado de guerra contra o Império Alemão. A partir desse momento, os submarinos da Classe F passaram a desempenhar missões de vigilância e patrulhamento nas águas jurisdicionais brasileiras, especialmente na área do porto do Rio de Janeiro. Durante os anos  seguintes, o F-1 permaneceu em intensa atividade junto à Flotilha de Submersíveis, desempenhando papel fundamental na formação das primeiras gerações de submarinistas brasileiros. Ao longo de sua carreira, o submarino participou de inúmeros exercícios, manobras e comissões de instrução, contribuindo decisivamente para a formação da cultura operacional da arma submarina brasileira. Durante seus 19 de serviço ativo, realizou mais de uma centena de imersões e aproximadamente 400 lançamentos de torpedos de exercício, índices expressivos para os padrões da época. Após uma longa e bem-sucedida trajetória, o F-1 foi retirado do serviço ativo em 30 de dezembro de 1933, conforme estabelecido pelo Aviso nº 4.232.
O segundo submarino o F-3 cuja cuja construção teve início com o batimento de quilha em 1º de junho de 1912, foi  lançado ao mar em 9 de novembro de 1913 e submetido a uma série de provas de mar e testes de imersão. Finalizadas as avaliações foi oficialmente entregue à Comissão de Recebimento da Marinha do Brasil em 16 de março de 1914, data que marcou sua incorporação à Armada. Na ocasião, assumiu seu comando o Capitão-Tenente Alberto Lemos Bastos, que seria responsável por conduzir o navio durante sua viagem de transferência e seus primeiros anos de operação. O  F-3 realizou sua travessia do Atlântico rebocado pelo rebocador de alto-mar holandês Donau. A viagem teve início em 15 de maio de 1914, culminando com sua chegada ao Rio de Janeiro em 23 de junho. Atracou no cais do Quartel da Defesa Móvel, localizado na Ilha de Mocanguê Grande. Poucos dias após sua incorporação, em 29 de junho de 1914, realizou uma demonstração para altas autoridades navais, conduzindo a bordo o então Ministro da Marinha, Vice-Almirante Joaquim Marques Baptista de Leão, e o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Gustavo Antônio Garnier. Nessa ocasião, o navio permaneceu em navegação de superfície, realizando apenas o trânsito até a Ilha de Cotunduba, sem executar manobras de imersão. Nova demonstração seria realizada em 6 de julho do mesmo ano, quando o Presidente da República embarcou  acompanhado do Ministro da Marinha e de outras autoridades. Mais uma vez, por razões de segurança e protocolo,  permaneceu navegando na superfície durante toda a comissão. Poucas semanas após a incorporação do F-3, a Europa mergulharia na Primeira Guerra Mundial, conflito que transformaria profundamente o emprego militar dos submarinos. Embora o Brasil permanecesse neutro nos primeiros anos da guerra, a escalada dos ataques alemães à navegação mercante internacional acabaria levando o país a ingressar no conflito em 1917. A partir de setembro daquele ano,  passou a integrar o esforço de guerra brasileiro, realizando missões de vigilância e patrulhamento costeiro destinadas à proteção dos principais portos e rotas marítimas nacionais.  Ao longo da década de 1920, participou de inúmeros exercícios, manobras e missões de adestramento, contribuindo para a formação de sucessivas gerações de submarinistas brasileiros.  Entre os episódios  relevantes de sua carreira destaca-se a operação de socorro realizada em 3 de setembro de 1923, quando auxiliou o hidroavião PLS nº 02 no Canal de São Sebastião. Outro momento marcante ocorreu durante os acontecimentos relacionados ao movimento tenentista de 1924. Nos dias 4 e 11 de novembro ,  participou das operações conduzidas contra o encouraçado São Paulo, que havia sido tomado por militares amotinados. Ao longo de sua vida operacional, permaneceu como uma das principais unidades da Flotilha de Submarinos, participando regularmente de exercícios e atividades de instrução.  Após quase duas décadas de serviço, o submarino foi retirado da ativa em 30 de dezembro de 1933, conforme estabelecido pelo Aviso nº 4.232. Durante sua carreira  acumulou um impressionante total de 762 horas de navegação submersa e realizou 83 lançamentos de torpedos.

O F-5, foi lançado ao mar em 4 de janeiro de 1914, sendo posteriormente submetido a provas de mar, sendo oficialmente entregue em 6 de junho, data que marcou sua incorporação à Armada. Na ocasião, assumiu seu comando o Capitão-Tenente Álvaro Nogueira da Gama, responsável por conduzir o navio durante sua transferência para o Brasil e pelos primeiros anos de operação. Ao ingressar no serviço ativo, o submarino recebeu o distintivo numérico 95, sendo formalmente incorporado à recém-criada Flotilha de Submarinos por meio do Aviso Ministerial nº 3.447, de 17 de julho de 1914. Ainda assim, os procedimentos de aceitação não estavam totalmente concluídos. Em 10 de agosto daquele ano, o navio realizou sua prova final de recepção, tendo a bordo a Comissão Fiscal nomeada pelo Governo Brasileiro. Com a aprovação definitiva dos resultados, foi oficialmente entregue à Esquadra em 20 de agosto de 1914. Ainda em 1914, a Flotilha de Submarinos instituiu uma tradição que perduraria ao longo das décadas seguintes. Por iniciativa do Capitão-Tenente Alberto Lemos Bastos, foi criado o Prêmio Independência, competição destinada a estimular o aperfeiçoamento técnico das tripulações e a precisão dos lançamentos de torpedos. Considerado precursor dos atuais exercícios e competições de adestramento da Força de Submarinos, o prêmio era concedido à unidade que obtivesse o maior índice de acertos nos exercícios de tiro, de acordo com os regulamentos vigentes. O troféu alusivo, confeccionado em prata de lei sob a forma de um brasão, permanece preservado na galeria histórica do Edifício Almirante Felinto Perry, sede do Comando da Força de Submarinos, na Ilha de Mocanguê. Nele encontram-se gravados os nomes dos submarinos vencedores e os respectivos anos da competição. O F-5 destacou-se particularmente nesse certame, tornando-se o maior vencedor da premiação durante o período de operação dos submarinos da Classe F, conquistando o troféu em cinco oportunidades distintas.  Com a entrada do pais na Primeira Guerra Mundial, em setembro de 1917,  passou a integrar o esforço de guerra nacional, realizando missões de vigilância e patrulhamento nas águas costeiras brasileiras. Embora não tenha participado de ações ofensivas contra forças inimigas, desempenhou importante papel na proteção das rotas marítimas e dos principais portos do país, contribuindo para a segurança da navegação em um período marcado pela ameaça dos submarinos alemães no Atlântico.  Entre os episódios mais marcantes de sua carreira destaca-se sua participação nos eventos relacionados à Revolta de 1924. Em 4 de novembro daquele ano, integrando a Esquadra de Exercícios, o F-5 foi mobilizado para participar das operações conduzidas contra o encouraçado São Paulo, que havia sido tomado por militares revoltosos. Após quase vinte anos de serviço ativo, o F-5 aproximava-se do limite de sua vida operacional. Em 30 de dezembro de 1933, foi realizada sua Mostra de Desarmamento, juntamente com os submarinos F-1 e F-3, em cumprimento ao Aviso Ministerial nº 4.232, de 18 de novembro daquele ano, que determinava a baixa das três unidades. O encerramento das atividades desses navios marcou o fim da primeira geração de submarinos da Marinha do Brasil. Durante sua carreira, o F-5 acumulou 681 horas de navegação submersa e realizou 38 lançamentos de torpedos, números expressivos para os padrões tecnológicos da época. 
Ao longo de sua vida operacional, os submarinos da Classe F (Foca) desempenharam um papel essencialmente voltado à formação e ao aperfeiçoamento dos primeiros submarinistas brasileiros. Em razão das limitações tecnológicas da época, bem como das características operacionais desses pioneiros submersíveis, suas atividades concentraram-se principalmente no adestramento das tripulações, na experimentação de procedimentos táticos e no desenvolvimento de rotinas de manutenção e operação dos complexos sistemas de bordo. A maior parte das missões era realizada nas águas abrigadas da Baía de Guanabara, que ofereciam condições ideais para exercícios de navegação, imersão e lançamento de torpedos. Periodicamente, os submarinos também participavam de comissões de treinamento em outras áreas do litoral sudeste, destacando-se a Baía da Ilha Grande, a região de Cabo Frio, no litoral fluminense, e as proximidades de São Sebastião, no litoral paulista. Em todas essas operações, os submersíveis atuavam sob o apoio e acompanhamento de navios de superfície, prática comum entre as marinhas que ainda desenvolviam doutrinas para o emprego dessa nova arma naval. Os registros históricos indicam que, fora dessa área de operações, apenas o porto de Santos foi visitado pelos submarinos da classe, evidenciando o caráter predominantemente experimental e de instrução que marcou sua trajetória. Apesar de suas limitações de autonomia e desempenho, essas unidades proporcionaram uma valiosa experiência operacional, permitindo o desenvolvimento gradual de conhecimentos técnicos e doutrinários relacionados à navegação submersa e ao emprego de torpedos. Após quase duas décadas de serviço,  foram retirados de operação em dezembro de 1933. Sua desativação representou o encerramento de um ciclo pioneiro da história naval brasileira e provocou, ainda que temporariamente, a extinção da Flotilha de Submarinos. Mesmo após a baixa, o navio de apoio Ceará e o submarino Humaytá permaneceram em atividade sob a administração do Comando da Defesa Móvel do Porto do Rio de Janeiro, subordinado diretamente ao Estado-Maior da Armada.  Essa estrutura permitiu preservar parte do conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos, evitando a completa descontinuidade da atividade submarina no país. A retomada definitiva dessa capacidade ocorreria em 1937, quando a incorporação dos modernos submarinos italianos da Classe Perla, proporcionou as condições necessárias para a recriação da Flotilha de Submarinos. Mesmo após sua desativação, os veteranos submarinos da Classe F ainda encontrariam uma última utilidade. Seus cascos, já desprovidos de armamentos e equipamentos, foram empregados como estruturas de sustentação dos pilares da ponte de escaleres da Escola Naval. Embora modestos em dimensões, desempenho e capacidade operacional quando comparados aos submarinos que os sucederiam, os navios da Classe F exerceram um papel de importância fundamental na história naval brasileira. Foram eles que introduziram no país os conceitos básicos da guerra submarina, permitindo a formação dos primeiros especialistas, o desenvolvimento das primeiras doutrinas de emprego e a criação de uma cultura operacional própria para esse tipo de arma. O legado deixado por esses pioneiros tornou-se evidente nas décadas seguintes, refletindo-se nas sucessivas aquisições de submarinos realizadas pela Marinha do Brasil e na consolidação da força submarina como um dos pilares estratégicos da defesa marítima nacional.

Em Escala.
Para representarmos o submarino da classe F "Foca" F1, pertencente a Flotilha de Submersíveis, fizemos uso do novo kit em resina na escala 1/400 do fabricante brasileiro Argus Model. Empregamos alguns detalhamentos em scratch e photo etched (estes oriundos de outros modelos). Decais impressos pelo fabricante, presentes no modelo completam o conjunto. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo de acordos com registros históricos representa o segundo padrão aplicado em todos submarinos da Classe F (Foca), infelizmente não existe um documentação oficial que ateste os padrões implementados ao logo de seu emprego operacional. Fotos de época posteriores ao ano de 1920 indicam um pintura do casco totalmente em cinza, padrão com o que foram recebidos originalmente.

Bibliografia : 
- Submarinos Classe Foca - https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Foca_(1913)
- Cesare Laurenti – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Laurenti 
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/