Classe Gato - Submarino de Frota

História e Desenvolvimento.
O agravamento das tensões internacionais na Europa e na Ásia durante a década de 1930 levou os Estados Unidos a acelerar a modernização de suas Forças Armadas, preparando-se para um cenário em que o poder naval desempenharia papel decisivo. A experiência obtida com as classes de submarinos Porpoise, Salmon e Sargo evidenciou limitações em velocidade de superfície, autonomia e poder ofensivo, reforçando a necessidade de um novo projeto capaz de acompanhar as forças-tarefa da esquadra em operações de longa duração. Nesse contexto surgiu o conceito do "Submarino de Frota" (Fleet Submarine), concebido para atuar integrado às forças navais de superfície. Sua missão principal consistia em realizar reconhecimento avançado, identificar a composição, velocidade e rumo das formações inimigas, transmitir essas informações ao comando e, quando oportuno, atacar antes do confronto entre as principais forças de superfície. Para atender a esta demanda, precisariam dispor de elevada velocidade em superfície, grande autonomia para operar em longas distâncias, robusto armamento de torpedos e condições adequadas para extensas patrulhas oceânicas. Os estudos para o desenvolvimento da nova classe tiveram início em 1937 sob a coordenação do Bureau of Construction and Repair (BuC&R) e do Bureau of Engineering (BuEng), que trabalharam em estreita cooperação com os principais estaleiros navais do país. O resultado desse esforço foi um projeto completamente novo, cujo casco possuía aproximadamente 93,6 mts de comprimento, deslocando cerca de 1.475 ton na superfície e pouco mais de 2.370 ton. em imersão. O desenho empregava o conceito de casco parcialmente duplo, que proporcionava maior resistência estrutural, ampliava a capacidade de armazenamento de combustível e melhorava a flutuabilidade. A disposição interna dos compartimentos também foi aperfeiçoada, oferecendo melhores condições de habitabilidade para uma tripulação composta por  80  homens.  A construção da nova classe foi autorizada dentro do programa naval do ano fiscal de 1939, sendo contratadas 12 unidades. O primeiro exemplar, o USS Tambor (SS-198), foi lançado ao mar em dezembro de 1939 e incorporado à frota em junho de 1940. Nos meses seguintes, as demais embarcações passaram a entrar em serviço, formando a primeira classe de submarinos norte-americanos plenamente compatível com o conceito operacional de "Submarino de Frota". As primeiras patrulhas de guerra foram realizadas ainda em dezembro de 1941, a partir das bases de Pearl Harbor, Midway e Cavite, nas Filipinas. Entretanto, os resultados iniciais ficaram aquém das expectativas. Além da reduzida experiência de combate das tripulações, enfrentaram-se graves falhas com os torpedos Mark 14, mas a medida que estas deficiências foram sendo corrigidas a eficiência operacional da classe aumentou de forma expressiva. Desta maneira consolidou-se como o verdadeiro marco inicial da linhagem de submarinos oceânicos que conduziria a campanha submarina responsável por estrangular a logística marítima japonesa. 

A deterioração do cenário internacional, aliada à crescente probabilidade de um conflito de grandes proporções no Oceano Pacífico, levou a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) a autorizar o desenvolvimento de uma versão aperfeiçoada de seus submarinos. Essa necessidade resultou na criação da classe Gato, uma evolução natural do conceito de "Submarino de Frota". A experiência obtida durante os ensaios e os primeiros anos de operação dos submarinos da classe anterior demonstrou que o projeto havia alcançado elevado grau de maturidade, mas ainda oferecia margem para aperfeiçoamentos em autonomia, capacidade de sobrevivência, habitabilidade e eficiência durante longas patrulhas oceânicas. Os trabalhos tiveram início em 1940, sob a coordenação do Bureau of Ships (BuShips), cuja filosofia de projeto consistiu em preservar a arquitetura básica da bem-sucedida classe Tambor, incorporando melhorias estruturais, mecânicas e operacionais identificadas durante sua fase de desenvolvimento e nos primeiros exercícios de avaliação. O resultado foi um submarino maior, mais robusto e melhor adaptado às enormes distâncias do teatro de operações do Pacífico. O comprimento do casco foi ampliado para aproximadamente 95 metros, permitindo a reorganização interna dos compartimentos e o aumento da segurança em combate. A principal modificação consistiu na divisão da antiga sala única de máquinas em dois compartimentos estanques, separados por um anteparo resistente à pressão, cada um abrigando dois motores diesel-geradores. Essa configuração aumentava significativamente a capacidade de sobrevivência da embarcação, pois reduzia o risco de perda total da propulsão em caso de avaria provocada por explosões ou alagamentos. A profundidade operacional de teste foi elevada de 250 pés (76 metros) para 300 pés (91 metros), refletindo a maior confiança dos projetistas na resistência estrutural do casco de pressão. Os submarinos da classe Gato, assim como praticamente todos os submarinos norte-americanos, adotavam uma construção de casco parcialmente duplo. Nesse arranjo, o casco resistente à pressão era envolvido por um casco externo de formato hidrodinâmico, formando espaços destinados aos tanques de combustível e de lastro. O casco externo unia-se ao casco resistente apenas nas extremidades, junto aos compartimentos de torpedos da proa e da popa, caracterizando a configuração conhecida como casco duplo parcial. Essa solução proporcionava maior autonomia, melhor reserva de flutuabilidade e maior proteção aos tanques externos, sem impor o aumento de peso e complexidade de um casco duplo integral. A decisão de ampliar a profundidade operacional foi consequência direta da experiência acumulada com as classes anteriores. Os arquitetos navais concluíram que os critérios empregados anteriormente haviam sido excessivamente conservadores e que a estrutura do casco resistente possuía margem suficiente para suportar pressões significativamente maiores. Dessa forma, sem alterar a espessura das chapas de aço, foi possível elevar a profundidade de teste para 300 pés (91 metros), proporcionando melhores condições de sobrevivência durante ataques antissubmarino.
O sistema de propulsão manteve a consagrada configuração diesel-elétrica empregada na classe Tambor, reconhecida por sua elevada confiabilidade e facilidade de manutenção. Dependendo do estaleiro responsável pela construção, os submarinos eram equipados com motores diesel General Motors Cleveland Diesel, Fairbanks-Morse ou Hooven-Owens-Rentschler, todos acoplados a geradores elétricos que alimentavam 04 motores de propulsão. Esse conjunto permitia atingir velocidade máxima de  21 nós na superfície e cerca de 9 nós em imersão, desempenho suficiente para acompanhar forças-tarefa, deslocar-se rapidamente para as áreas de patrulha e interceptar as principais rotas marítimas inimigas. A capacidade ofensiva permaneceu como um dos principais atributos da classe Gato.  Estavam armados com 10 tubos lança-torpedos de 533 mm, sendo 06 instalados na proa e 04 na popa, podendo transportar até 24 torpedos. As primeiras unidades entraram em serviço equipadas com canhões de 76 mm, posteriormente substituídos por peças de 102 mm  e, por fim, pelo eficiente canhão de 127 mm , que se mostrou particularmente eficaz contra navios mercantes, embarcações de pequeno porte e alvos costeiros. O armamento antiaéreo também foi progressivamente reforçado, passando a incluir canhões automáticos Bofors de 40 mm, Oerlikon de 20 mm e metralhadoras Browning calibre .50, ampliando significativamente sua capacidade de autodefesa durante a navegação em superfície. Outro aspecto que distinguiu a classe foi o aprimoramento das condições de habitabilidade. Como essas embarcações deveriam realizar patrulhas de longa duração, frequentemente superiores a dois meses, foram ampliados os alojamentos da tripulação, instalados sistemas mais eficientes de refrigeração e ventilação, equipamentos de dessalinização de água, além do aumento da capacidade de armazenamento de alimentos, combustível, peças de reposição e munições. Essas melhorias contribuíram para reduzir o desgaste físico das equipagens e manter elevados índices de eficiência operacional durante missões prolongadas. Embora as primeiras unidades tenham entrado em serviço equipadas apenas com sonar passivo, periscópios de elevada qualidade óptica e modernos computadores eletromecânicos de direção de tiro, posteriormente passaram a receber radares de busca de superfície e aérea, receptores de alerta radar, equipamentos de navegação mais precisos e sistemas de comunicações criptografadas. Essas incorporações ampliaram significativamente sua capacidade de localizar alvos, operar durante a noite ou sob condições meteorológicas adversas e coordenar ações com outras unidades da frota. Embora apresentassem um tempo de mergulho superior ao dos submarinos alemães e britânicos  consequência direta de seu maior porte e deslocamento , compensariam essa limitação com uma autonomia muito superior. Projetados para patrulhas de até 75 dias, possuíam alcance suficiente para operar continuamente entre Pearl Harbor, no Havaí, e as águas próximas ao arquipélago japonês, realizando missões de reconhecimento, interdição marítima e guerra de corso sem necessidade de reabastecimento. 

A entrada dos Estados Unidos no conflito, transformou completamente as prioridades, até então, a construção da classe Gato seguia o planejamento estabelecido nos anos fiscais de 1941 e 1942, que previam a substituição  das classes Tambor e Mackerel. Assim o programa assumiu caráter prioritário, com sua produção sendo dividida entre os estaleiros  Electric Boat Company, em Groton (Connecticut); Portsmouth Naval Shipyard, em Kittery (Maine); Mare Island Naval Shipyard, em Vallejo (Califórnia); Manitowoc Shipbuilding Company, em Manitowoc (Wisconsin); e Cramp Shipbuilding Company, na Filadélfia (Pensilvânia). A adoção de um projeto padronizado permitiu racionalizar a fabricação, reduzir prazos de construção e garantir ampla intercambialidade de componentes. A construção do primeiro exemplar, o USS Gato (SS-212), teve início em outubro de 1940,  sendo incorporado em 31 de dezembro. Paralelamente, diversos outros encontravam-se em diferentes estágios, permitindo que, ao longo de 1942, dezenas de unidades fossem sucessivamente incorporadas.  Graças à padronização do projeto, ao emprego de técnicas modernas de fabricação, o tempo médio entre o batimento da quilha e a entrada em serviço foi progressivamente reduzido, e em muitos casos  eram concluídos em menos de 12 meses. Após concluírem o adestramento e os testes operacionais, foram deslocados para Pearl Harbor, Fremantle, na Austrália, e posteriormente para Brisbane e Midway, passando a operar em patrulhas ofensivas nas principais rotas marítimas japonesas. Suas  missões concentraram-se nas Filipinas, no Mar da China Meridional, nas Índias Orientais Holandesas e nas proximidades do arquipélago japonês, realizando reconhecimento, vigilância e ataques contra navios mercantes e embarcações militares. Assim como ocorrera com a classe Tambor, os primeiros combates foram marcados pelas graves deficiências do torpedo Mark 14. Diversos ataques perfeitamente executados resultaram em fracassos, pois os torpedos navegavam abaixo da profundidade programada, explodiam prematuramente ou simplesmente não detonavam ao atingir o alvo. Somente após uma longa série de investigações conduzidas essas deficiências foram definitivamente solucionadas, permitindo que os submarinos passassem a explorar plenamente seu potencial ofensivo. Apesar dos problemas iniciais, rapidamente demonstraram uma capacidade operacional muito superior à das classes que os antecederam, sendo capazes de empreender patrulhas cobrindo as enormes distâncias entre Pearl Harbor e as áreas de operações nas Ilhas Marshall, Marianas, Filipinas, Formosa e até mesmo as águas metropolitanas do Japão. A partir desse momento, tornou-se um dos principais instrumentos da campanha submarina norte-americana no Pacífico, afundando centenas de cargueiros, petroleiros, navios de transporte de tropas e diversas embarcações militares , desempenhando papel decisivo no bloqueio econômico do Japão e na interrupção do fluxo de matérias-primas, combustível e reforços militares provenientes dos territórios conquistados pelo Império do Japão.
O impacto dessa campanha foi tão expressivo que a força submarina  representando menos de 2% do efetivo, foi responsável pela destruição de aproximadamente 55% de toda a tonelagem da marinha mercante japonesa afundada. Navios da classe conquistaram posições de destaque, como o O USS Flasher (SS-249) encerrou o conflito com a maior tonelagem afundada , seguido pelo USS Rasher (SS-269) e pelo USS Barb (SS-220), que ocuparam respectivamente a segunda e a terceira posições nesse ranking.  Foram responsáveis pelo afundamento confirmado de pelo menos 04 submarinos japoneses , um feito relativamente raro em operações deste tipo. Sua atuação não se restringiu à guerra de corso, desempenhando uma ampla variedade de missões estratégicas, incluindo reconhecimento fotográfico de áreas costeiras, coleta de informações de inteligência, inserção e extração de agentes secretos e equipes de comandos, desembarque de grupos de reconhecimento em praias inimigas, resgate de aviadores abatidos e apoio direto às grandes operações anfíbias. Em 1942, 06 unidades foram destacadas para formar o Submarine Squadron 50, baseado em Rosneath, na Escócia, com a missão de patrulhar a Baía da Biscaia e apoiar a Operação Torch. Considerando o elevado valor estratégico desses submarinos no Pacífico, concluiu-se que seu emprego no Atlântico representava um aproveitamento inadequado de recursos, e assim em meados de 1943, retornaram para o Pacífico. Ao longo do conflito, 18 submarinos da classe Gato foram perdidos, o equivalente a cerca de 24% das 77 unidades construídas. A maior parte dessas perdas resultou da ação de navios de escolta japoneses especializados em guerra antissubmarino, seguida por colisões com campos minados defensivos. A aviação japonesa também contribuiu para esse total, destruindo dois submarinos, geralmente durante a navegação em superfície ou na recarga das baterias, momentos em que estavam mais vulneráveis à detecção e ao ataque. Entre as perdas , apenas o USS Corvina (SS-226) foi comprovadamente afundado por outro submarino, sendo destruído pelo japonês I-176 em novembro de 1943. Houve ainda uma perda por acidente operacional, quando o USS Tang (SS-306) foi atingido por um torpedo Mark 18 que, devido a uma falha de guiagem, retornou e atingiu a própria embarcação em outubro de 1944. Ao final da guerra, 56 submarinos da classe Gato permaneciam em serviço, mas os rápidos avanços tecnológicos do conflito fizeram com que já fossem considerados inferiores às mais modernas classes Balao e Tench. Seriam  retirados das missões de primeira linha, sendo destinados à reserva naval, empregados em atividades de treinamento ou transferidos para marinhas de países aliados no âmbito dos programas de assistência militar . Na própria marinha norte-americana, os últimos representantes da classe, o USS Bashaw (SS-241) e o USS Rock (SS-274), foram descomissionados em 13 de setembro de 1969, encerrando definitivamente a carreira operacional daquela que foi uma das mais bem-sucedidas classes de submarinos da Segunda Guerra Mundial.

Emprego na Marinha do Brasil.
A trajetória da força submarina está diretamente relacionada ao processo de modernização pelo qual o país passou nas primeiras décadas do século XX. Naquele período, buscava-se consolidar sua posição no cenário internacional como uma nação em desenvolvimento, capaz de acompanhar os avanços tecnológicos e militares observados nas potências mundiais. Esse movimento envolveu profundas transformações econômicas e institucionais, nas quais o fortalecimento das Forças Armadas ocupava papel estratégico como instrumento de soberania. Dentro dessa perspectiva, a incorporação da arma submarina representava  a entrada do país em uma era marcada  pela modernização da guerra naval. Os submarinos, então uma das mais recentes e revolucionárias plataformas de combate, passaram a ser vistos como meios capazes de ampliar a capacidade de defesa de uma nação com extensa costa e importantes linhas de comunicação marítima. Esse processo teve seu primeiro marco em 1914, quando chegaram os primeiros submersíveis, pertencentes à denominada Classe F, classificados como submarinos costeiros de 370 toneladas, equipados com sistema de propulsão diesel-elétrico e armados com dois tubos lança-torpedos, destinados à defesa das áreas portuárias e do litoral. Sua operação  exigiu em julho de 1914, a criação de uma estrutura especializada, a Flotilha de Submersíveis, sediada na Ilha de Mocanguê Grande, em Niterói, tendo como seu primeiro comandante o Capitão de Fragata Filinto Perry, oficial que se tornaria uma das figuras fundamentais na consolidação da arma submarina . O desenvolvimento da força submarina prosseguiu ao longo das décadas seguintes. Em 1928, a flotilha recebeu um reforço significativo com a incorporação do Submarino-de-Esquadra Humaytá, uma embarcação italiana de maior porte projetada para operações oceânicas. Entretanto, o avanço tecnológico fez com que os submarinos da Classe F rapidamente se tornassem obsoletos. Após quase duas décadas de serviço, essas unidades foram retiradas de operação em 1933, deixando uma lacuna que somente seria preenchida alguns anos depois. Em 1937, foram incorporados 03 modernos navios italianos da classe Perla, que receberam a designação Classe T, em razão dos nomes atribuídos às embarcações: Tupy, Tymbira e Tamoyo. A Segunda Guerra Mundial representou um período de grande importância, embora não tenham realizado ataques contra unidades inimigas, seu emprego no Atlântico Sul esteve diretamente ligado ao esforço aliado de controle das rotas marítimas e combate à ameaça submarina representada pelas forças do Eixo. Durante o conflito,  foram empregados principalmente em missões de adestramento, patrulha, vigilância e treinamento de guerra antissubmarino.  Com o término da guerra, entretanto, tornou-se evidente que a força enfrentava um novo desafio.  A frota permanecia limitada  composta pelos  submarinos da Classe T e pelo antigo Humaytá, já apresentando sinais de desgaste e envelhecimento tecnológico. 

A renovação dessa capacidade ocorreu no contexto do estreitamento das relações  entre Brasil e Estados Unidos, a cooperação militar estabelecida  abriu novas perspectivas para a modernização das Forças Armadas Brasileiras, permitindo o acesso a equipamentos mais modernos e compatíveis com as novas exigências da guerra naval do pós-guerra. Nesse cenário, a partir de 1955, o Ministério da Marinha iniciou negociações, por intermédio de seus adidos navais em Washington, junto ao Departamento de Estado, com o objetivo de obter pelo menos dois submarinos usados, no âmbito do Programa de Assistência Militar Brasil–Estados Unidos. Naquele momento,  mantinha-se na Base Naval de New London, em Connecticut, um expressivo número de submarinos da classe Gato pertencentes à Reserva da Esquadra do Atlântico. Essas embarcações não haviam sido selecionadas para receber o programa de modernização Greater Underwater Propulsion Power (GUPPY) e permaneciam preservadas em condições de serem reativadas, revisadas e preparadas para transferência a nações aliadas. Após a conclusão das negociações foi acordada a cessão de duas dessas unidades , por intermédio do Mutual Defense Assistance Program (MDAP). A transferência foi formalmente autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos por meio da Public Law nº 484. O primeiro deles o Humaitá (S-14), ex-USS Muskallunge (SS-262), foi o quarto navio e o segundo submarino da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, em homenagem à histórica Fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai, cuja passagem foi forçada pela Esquadra Imperial Brasileira em 19 de fevereiro de 1868, durante a Guerra da Tríplice Aliança. A embarcação foi construída pelo estaleiro Electric Boat Company, em Groton, Connecticut, teve sua quilha batida em 7 de abril de 1942, foi lançado ao mar em 13 de dezembro de 1942, passando a operar junto ao 4º Esquadrão de Submarinos (SubRon 4), recebendo 03 Estrelas de Combate pelo seu serviço. Em 1947 passaria para a reserva naval até 31 de agosto de 1956,  quando foi recomissionado  e oficialmente transferido e incorporado à Marinha do Brasil em 18 de janeiro de 1957, durante cerimônia realizada na Base de Submarinos de New London, em Groton, Connecticut, conforme estabelecido pelo Aviso Ministerial nº 0082, de 8 de janeiro de 1957.  Na mesma ocasião, assumiu seu primeiro comando sob pavilhão brasileiro o Capitão-de-Fragata Lourival Monteiro da Cruz, que conduziria o período inicial de adaptação da tripulação e de preparação do submarino para sua travessia rumo ao Brasil.  Em 9 de março de 1957,  deixou a Base de Submarinos de New London, seu roteiro compreendeu escalas em Havana (Cuba), San Juan (Porto Rico) e Port of Spain (Trinidad e Tobago), prosseguindo em seguida para o litoral brasileiro, com chegada ao Recife em 5 de abril de 1957. Após breve permanência, seguiram para Salvador e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde aportaram em 16 de abril , atracando no Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).
Ao longo de sua carreira na Marinha do Brasil, o Submarino Riachuelo (S-15) participou de diversas atividades operacionais que contribuíram para o amadurecimento da doutrina submarina nacional. Um dos eventos de maior destaque ocorreu em 28 de agosto de 1958, quando suspendeu do Rio de Janeiro conduzindo a bordo o Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, o Ministro da Marinha, Almirante de Esquadra Antônio Alves Câmara Júnior, além de outras autoridades civis e militares. Na ocasião, realizou uma imersão ao sul da Ilha Rasa, demonstrando as capacidades operacionais da recém-modernizada Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Durante a década de 1960, o Riachuelo participou regularmente dos principais exercícios navais da esquadra, destacando-se sua presença nas três primeiras edições da Operação UNITAS, realizadas em 1960, 1961 e 1962. Esses exercícios multinacionais proporcionaram valiosa experiência às tripulações brasileiras em operações combinadas de guerra antissubmarino, navegação oceânica e integração com unidades navais e aeronavais de marinhas aliadas. Em 24 de maio de 1966, navegando a oeste da Ilha Grande, o submarino protagonizou outro marco para a Força de Submarinos ao realizar, pela primeira vez no Brasil, uma operação de transferência de carga leve entre submarinos, efetuada em conjunto com o Submarino Bahia (S-12). O exercício demonstrou a capacidade da Marinha do Brasil em executar procedimentos logísticos complexos no mar, ampliando a autonomia operacional de suas unidades submarinas. Entretanto, o desgaste natural da embarcação já começava a limitar sua vida útil. Assim, em 24 de abril de 1967, o Riachuelo suspendeu do Rio de Janeiro com destino à Base de Submarinos de New London, em Connecticut, onde seria submetido a uma inspeção estrutural destinada a avaliar a viabilidade de uma revisão geral e da revalidação de seu ciclo operacional. Após criteriosa análise conduzida pela Electric Boat Company, concluiu-se que os custos necessários para a realização do Período Normal de Reparos (PNR) eram economicamente incompatíveis com o valor militar remanescente da embarcação, tornando inviável sua modernização. Em consequência dessa decisão, o submarino foi oficialmente submetido à Mostra de Desarmamento em 2 de outubro de 1967, na Base de Submarinos de New London, conforme a Ordem do Dia nº 040/67, expedida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra José Moreira Maia. Sua baixa do serviço ativo da Marinha do Brasil foi formalizada por meio do Aviso Ministerial nº 1819, sendo posteriormente devolvido à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), encerrando uma década de serviços prestados sob a bandeira brasileira. Durante seus dez anos de operação na Marinha do Brasil, o Riachuelo (S-15) percorreu aproximadamente 95.320 milhas náuticas, acumulou 679,5 dias de mar, permaneceu 2.090 horas em imersão e realizou 38 disparos de torpedos, números que evidenciam sua intensa utilização operacional. 

O segundo submarino da classe a ser incorporado  o Riachuelo (S-15), ex-USS Paddle (SS-263). Sendo o quinto navio e o primeiro submarino a ostentar esse nome, em homenagem ao Riachuelo, afluente do rio Paraná, nas proximidades do qual foi travada, em 11 de junho de 1865, a célebre Batalha Naval do Riachuelo, um dos episódios decisivos da Guerra da Tríplice Aliança, quando a esquadra brasileira, derrotou a força naval paraguaia. Construído pelo estaleiro Electric Boat Company, em Groton, Connecticut, teve sua quilha batida em 1º de abril de 1942, sendo lançado ao mar em 30 de dezembro do mesmo ano. Incorporado à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), foi designado para operar a partir de Pearl Harbor. Ao longo de suas patrulhas de combate, afundou 05 navios inimigos, totalizando 18.878 toneladas, além de diversas embarcações de pequeno porte, desempenho que lhe valeu a concessão de 08 Estrelas de Combate. Com o término do conflito, foi descomissionado em 1º de fevereiro de 1946 e incorporado à Atlantic Reserve Fleet, permanecendo preservado na Base de Submarinos de New London, em Connecticut. Em 31 de agosto de 1956, foi novamente colocado em serviço para ser submetido aos trabalhos de revisão e preparação destinados à sua transferência para a Marinha do Brasil, no âmbito do Mutual Defense Assistance Program (MDAP). Em 18 de janeiro de 1957, o submarino foi oficialmente descomissionado e transferido, conforme o Aviso Ministerial nº 0082, de 8 de janeiro de 1957 (Boletim nº 04/57/680 do Ministério da Marinha), passando a ostentar a designação Riachuelo (S-15). Na cerimônia de incorporação, realizada na Base de Submarinos de New London, assumiu seu comando o Capitão-de-Fragata Fernando Gonçalves Reis Vianna, responsável por conduzir os preparativos finais para a viagem de translado ao Brasil. Em 9 de março de 1957, o Riachuelo suspendeu de New London em companhia do Humaitá (S-14), iniciando a travessia rumo ao Brasil. Após escalas programadas no Caribe e na costa nordeste brasileira, os dois submarinos chegaram ao Rio de Janeiro em 16 de abril, atracando no Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), onde passaram a integrar oficialmente a recém-renovada Força de Submarinos. Em 1962, quando o conjunto de baterias do Riachuelo atingiu o término de sua vida útil, cogitou-se inicialmente enviá-lo aos Estados Unidos para a substituição desse complexo sistema. Entretanto, a Marinha do Brasil transformou essa intervenção em uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de sua própria capacidade industrial e tecnológica, determinando que todo o serviço fosse executado no AMRJ. O projeto recebeu prioridade máxima do Alto-Comando Naval e, apesar dos elevados investimentos necessários para a capacitação de pessoal especializado e para a importação de equipamentos, ferramentas e materiais específicos, a substituição das baterias foi concluída com pleno êxito e dentro de um prazo considerado bastante satisfatório diante da complexidade da operação.
O sucesso dessa empreitada representou um importante marco para a engenharia naval brasileira, demonstrando a capacidade da indústria militar nacional de executar, pela primeira vez, um serviço de grande porte em um submarino moderno. Pouco tempo após o retorno  ao serviço ativo, surgiram novos desafios técnicos. Inspeções estruturais identificaram trincas e deformações em algumas cavernas do casco resistente, evidenciando a necessidade de conhecimentos especializados em reparos estruturais de submarinos, tecnologia que ainda não existia no país.  Os desafios representados pela substituição das baterias e pelos reparos estruturais do Riachuelo motivaram a  implementação de  um amplo programa de capacitação profissional. Engenheiros e técnicos do AMRJ foram enviados a estaleiros e centros de manutenção especializados nos Estados Unidos, onde realizaram cursos de engenharia, manutenção e recuperação estrutural de submarinos. A experiência adquirida por esses profissionais constituiu o ponto de partida para a criação de uma sólida competência nacional no campo da manutenção de submarinos, estabelecendo as bases técnicas e industriais que, nas décadas seguintes, permitiriam ao Brasil dominar progressivamente as tecnologias de grande reparo, modernização e, posteriormente, de construção  em território nacional. Em 14 de outubro de 1966, na Base Almirante Castro e Silva foi submetido a Mostra de Desarmamento pela OD 0051/66 de 14/10/1966 do CEMA, Almirante-de-Esquadra Sylvio Monteiro Moutinho, sendo sua baixa do serviço ativo da Armada feita pelo Aviso 1276 de 01/07/66 MM/EMA (Bol. 28/66/3702 MM). Em 9 anos e dez meses de serviço na Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 97.833 milhas navegadas, 695.5 dias de mar, 2.279 horas de imersão e lançou 20 torpedos. Permaneceu, inicialmente sob responsabilidade de um Grupo de Manutenção (GruMan). Posteriormente, foi rebocado a fim de ser desmontado. Os equipamentos retirados foram destinados à Força de Submarinos. O grupo destilatório foi adaptado pelo AMRJ, próximo ao galpão de baterias de submarinos, localizados no caís Oeste, onde funcionava pelo menos até 1986. Em março de 1968, concluída a faina de desmontagem, foi o casco entregue à Missão Naval Americana no Brasil, a qual, por sua vez, vendeu-o a um estaleiro particular do Rio de Janeiro, para aproveitamento do material. A incorporação dos submarinos da classe Gato representou um marco de grande relevância, proporcionando um expressivo salto qualitativo na capacidade operacional da então Flotilha de Submarinos. Além de restaurarem a capacidade de emprego de submarinos oceânicos de longo alcance, essas embarcações introduziram tecnologias até então inéditas no serviço naval brasileiro, elevando significativamente o nível de eficiência em navegação, detecção de alvos e condução de ataques submersos.

Em Escala.
Para representar o submarino Classe Gato -"Riachuelo S15, (ex-USS Paddle - SS 263), fizemos uso do novo kit da AFV Club na escala 1/350. Optamos por representar o navio quando do seu recebimento. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models, fizemos uso de tintas produzidas pela Tom Colors.
O esquema de cores descrito a seguir, baseado nos padrões Federal Standard (FS), corresponde à pintura aplicada aos dois submarinos da classe Gato (Humaitá)  recebidos em 1957. Essas embarcações mantiveram, essencialmente, o mesmo padrão de pintura empregado pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) no período pós-Segunda Guerra Mundial, preservando essa configuração cromática até sua desativação definitiva, ocorrida em 1967
Bibliografia : 
- Submarinos Classe Balao Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Balao-class_submarine
- Submarinos Classe Gato Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Gato-class_submarine
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/