M-8 Ford Greyhound (VBR 6x6)


História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Essa movimentação não passaria despercebida pelo comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), que esboçaria grande preocupação, tendo em vista que unidades de cavalaria mecanizadas utilizavam principalmente autometralhadoras e carros blindados leves armados apenas com metralhadoras de calibre .30 e .50. Embora adequados para missões de patrulhamento, ligação e segurança, esses veículos demonstravam limitações crescentes diante da evolução dos blindados e das armas anticarro observadas nos arsenais alemães, italianos e japoneses. Tornava-se evidente a necessidade de um veículo de reconhecimento mais veloz, melhor protegido e dotado de armamento capaz de enfrentar veículos blindados leves e posições fortificadas de oportunidade. Este novo modelo deveria substituir o já obsoleto GMC M-6 Gun Motor Carriage  um blindado sobre rodas derivado do utilitário General Motors WC-5, com tração 4x4. Em julho de 1941, o Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department) emitiu uma especificação para um novo carro blindado de reconhecimento 6x4, posteriormente alterada para uma configuração 6x6, visando melhorar a mobilidade em terrenos difíceis. O novo veículo deveria possuir peso inferior a oito toneladas, velocidade máxima superior a 80 km/h, autonomia adequada para operações de longo alcance e capacidade para transportar uma guarnição de quatro tripulantes. O requisito mais importante, contudo, era a adoção de um armamento principal composto por um canhão de 37 mm instalado em uma torre totalmente giratória. A escolha do canhão  refletia a experiência acumulada pelos militares norte-americanos durante os anos que antecederam sua entrada formal na guerra. Naquele momento, acreditava-se que esse calibre seria suficiente para neutralizar veículos blindados leves, posições defensivas e ameaças encontradas durante missões de reconhecimento, sem impor um aumento excessivo de peso ao veículo. O armamento seria complementado por uma metralhadora coaxial Browning calibre .30 (7,62 mm) e uma metralhadora pesada Browning M2 calibre .50 (12,7 mm) destinada à defesa antiaérea e ao combate contra alvos terrestres.

A concorrência para o desenvolvimento deste novo blindado atraiu algumas das mais importantes empresas do setor automotivo e de defesa dos Estados Unidos.  Para tal, constituiu-se uma comissão técnica no Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), responsável por receber e avaliar as propostas técnicas e comerciais de possíveis fornecedores.  Cada fabricante apresentou projetos distintos, buscando atender às exigências operacionais estabelecidas pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). As análises iniciais resultaram em uma lista final (shortlist) com três empresas concorrentes: a Studebaker Automotive Company, com seu modelo T-21; a Ford Motor Company, com o T-22; e, por fim, a Chrysler Automotive Company, com o T-23. Para viabilizar o desenvolvimento dos projetos, foram disponibilizadas linhas de financiamento governamental para a construção dos protótipos, concluídos entre os meses de outubro e novembro de 1941. Em seguida, iniciou-se um rigoroso programa de testes no campo de provas de Aberdeen Proving Ground, em Maryland, prolongando-se até março do ano seguinte. O projeto T-22, desenvolvido pela Ford, logo chamou a atenção dos avaliadores por combinar simplicidade mecânica, excelente mobilidade e um desenho relativamente compacto. O casco do veículo era composto predominantemente por chapas soldadas, embora alguns painéis externos fossem rebitados à estrutura. Suas seis rodas eram protegidas por escudos laterais removíveis, enquanto a seção traseira possuía uma estrutura alada, permitindo que fossem dobradas e equipadas com correntes para pneus em condições de neve. Estava equipado com um motor Hercules Model JXD, um seis cilindros em linha a gasolina, capaz de gerar 110 hp de potência, proporcionando  uma velocidade média de 48 km/h (30 mph) em terrenos irregulares e 90 km/h (56 mph) em estradas pavimentadas. O consumo médio de combustível era de aproximadamente 7,5 milhas por galão (mpg), e seus tanques tinham capacidade para 59 galões, conferindo-lhe um alcance operacional de 640 km (400 milhas). A posição do motorista estava localizada à esquerda, enquanto o operador de rádio se sentava à direita. Ambos eram acomodados em um compartimento saliente, protegido por painéis blindados dobráveis de duas peças e visores estreitos. A torre do veículo, aberta na parte superior, abrigava o comandante e o artilheiro. Apesar da ausência de um teto fechado, era possível utilizar persianas e tampas de escotilhas para proteção adicional, além de pequenos periscópios para garantir visão periférica. Seu armamento  principal  era composto por um canhão -de 37 mm, apontado por meio de uma mira telescópica M70D, sendo possível transportar 80 munições para o canhão, porém, o espaço interno permitia armazenar apenas 16 projéteis prontos para uso imediato.  Para autodefesa, era equipado com duas metralhadoras, abastecidas com 1.500 cartuchos, além de quatro lançadores de fumaça M1 e M2. Opcionalmente, podia transportar até 06 minas terrestres (antitanque ou explosivas de alto poder destrutivo - HE), montadas externamente, além de carabinas M1 para uso da tripulação. 
Devido ao espaço interno reduzido da viatura, diversos ganchos e suportes foram instalados tanto na torre quanto no casco, permitindo o armazenamento de equipamentos essenciais. Como resultado, a maioria dos itens pessoais da tripulação foi montada externamente sobre os para-lamas dianteiros e traseiros. Entre os acessórios transportados externamente estavam mochilas, ferramentas, cabos e, posteriormente, sacos de areia, adicionados como medida extra de proteção. O M-8 também seria equipado com um avançado sistema de comunicação, essencial para o cumprimento de suas missões de reconhecimento. Inicialmente, utilizava o rádio SCR-506, posteriormente substituído pelos modelos  mais potentes SCR-510, SCR-608 e SCR-610, todos de longo alcance. O sistema de rádio poderia ser operado internamente pelo comandante do veículo, permitindo contato direto com o Quartel-General, com unidades avançadas de comando na linha de frente ou até mesmo com forças atuando em teatros de operações mais distantes. Além dos aspectos técnicos, colaboraria para a decisão de se declarar vencedor o T-22 a facilidade com que o blindado poderia ser rapidamente integrados às linhas industriais do fabricante, um fator de grande importância diante da expansão acelerada das forças armadas norte-americanas após a entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941. Em março de 1942, após uma série de aperfeiçoamentos decorrentes dos ensaios de campo, o projeto T-22E2  foi oficialmente selecionado para produção em série, recebendo a designação padronizada M-8 Light Armored Car. Pouco tempo depois, passaria a ser popularmente conhecido pelo apelido de "Greyhound" (Galgo), uma referência direta à sua elevada velocidade, agilidade e capacidade de percorrer grandes distâncias com rapidez, características consideradas ideais para missões de reconhecimento e exploração. No entanto, nesse momento, já era evidente que o canhão de 37 mm não se mostrava mais eficaz contra as blindagens frontais e laterais dos novos carros de combate alemães e italianos, que estavam equipados com armamentos de maior calibre. Assim, em um hipotético confronto contra forças do Eixo, o M-8 tornar-se-ia um alvo vulnerável, especialmente porque sua blindagem fora projetada para resistir apenas ao impacto de armamentos leves, limitando severamente sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Apesar dessa limitação crítica, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) optou por seguir com a produção em larga escala do veículo, decisão fortemente influenciada pela intensificação das tensões políticas na Europa e no Pacífico, mantendo assim o o cronograma destinado ao reequipamento e modernização das forças armadas norte-americanas.  Neste contexto o M-8 um novo e fundamental papel, diferentemente dos carros de combate, sua missão principal não era travar combates decisivos, mas sim localizar o inimigo, explorar brechas, realizar patrulhamento de longo alcance, manter contato entre unidades e fornecer informações em tempo real aos comandantes. Nessa missão, a velocidade e a agilidade na linha de frente foram priorizadas em detrimento do poder de fogo e da blindagem. 

As primeiras unidades produzidas foram entregues aos centros de treinamento blindado localizados em Fort Knox e Fort Riley, no primeiro semestre de 1943, sendo empregados na elaboração de doutrina, treinamento de tripulações e validação dos procedimentos de manutenção. A entrada em serviço operacional ocorreu oficialmente durante o verão de 1943, quando os primeiros esquadrões de reconhecimento das divisões blindadas começaram a receber seus veículos de dotação. As primeiras unidades contempladas pertenciam principalmente aos grupos de cavalaria mecanizada e aos batalhões de reconhecimento divisionários, organizações responsáveis por missões de exploração, segurança dos flancos, ligação entre unidades e reconhecimento avançado. Com o aumento da produção, um grande número desses blindados foi distribuído às unidades operacionais nos teatros de operações do Pacífico e na Inglaterra, onde foram armazenados em centros logísticos para seu futuro emprego nas operações de reconquista da Europa. Seu batismo de fogo ocorreu no início de julho de 1943, durante a "Operação Husky" na invasão da Sicília, logo após os desembarques iniciais e a subsequente consolidação da cabeça de ponte, centenas de M-8  foram empregados em missões de reconhecimento, e neste cenário caracterizado por extensas redes viárias e grandes deslocamentos, o novo blindado demonstrou excelente mobilidade estratégica, tornando-se rapidamente popular entre suas tripulações. Contudo, também ficaram evidentes algumas limitações. A blindagem relativamente leve mostrava-se vulnerável ao fogo de armas anticarro e mesmo a canhões automáticos de pequeno calibre, enquanto o canhão de 37 mm já começava a revelar insuficiência contra armas anticarro e veículos blindados inimigos, como o Sd.Kfz. 234 Puma.  Durante o avanço das tropas aliadas pela península italiana, outra qualidade seria apresentada, com esta se baseando  na concepção do seu conjunto motriz, cujos sistemas e componentes mecânicos foram projetados para operar de maneira silenciosa. Como resultado, as unidades de reconhecimento do Terceiro Exército dos Estados Unidos receberam dos alemães o apelido de "Fantasmas de Patton", em referência ao General George S. Patton. Um dos episódios mais notáveis envolvendo o M-8 ocorreu durante a Batalha das Ardenas, especificamente na Batalha de St. Vith. Nessa ocasião, um veículo pertencente ao 87º Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria conseguiu destruir um carro de combate Panzerkampfwagen VI Tiger. O êxito da investida deveu-se à habilidade da tripulação, que manobrou estrategicamente, posicionando-se na parte traseira do tanque alemão e disparando três projéteis de 37 mm diretamente contra sua blindagem posterior, relativamente delgada. Os disparos resultaram em um incêndio no compartimento do motor do Tiger, inutilizando o blindado inimigo.  Durante sua utilização na Europa, tornou-se necessária a adoção de kits de blindagem adicional no assoalho do veículo, a fim de minimizar as perdas causadas por minas terrestres alemãs e italianas. No entanto, mesmo com essa modificação, a operação do M-8 em estradas tornou-se menos recomendada, restringindo seu uso a terrenos montanhosos, áreas de lama profunda e regiões cobertas de neve.
Seu emprego na Campanha do Pacífico apresentou características bastante distintas, condicionadas pela geografia, pelo clima e pela natureza das operações conduzidas contra as forças japonesas. Diferentemente da Europa, onde extensas redes rodoviárias favoreciam o uso de veículos blindados sobre rodas, a maior parte das ilhas do Pacífico possuía infraestrutura extremamente limitada, composta por trilhas estreitas, áreas pantanosas, florestas tropicais densas e terrenos vulcânicos, ambientes muito mais adequados aos veículos sobre lagartas. As primeiras unidades equipadas com o M-8 começaram a chegar ao Teatro do Pacífico durante o segundo semestre de 1944. Curiosamente seriam muito eficientes contra os carros de combate Type 95 Ha-Go e Type 97 Chi-Ha, que possuíam blindagem leve, tornando-os vulneráveis ao canhão M6 de 37 mm.  O emprego mais significativo ocorreu durante a libertação das Filipinas, iniciada com os desembarques, em outubro de 1944. Após o término do conflito, seriam foram novamente empregados em missões reais durante a Guerra da Coreia (1950-1953), sendo utilizados também para escolta de prisioneiros de guerra e defesa de bases militares pelo Corpo da Polícia Militar (Military Police). Em 1955, um pequeno contingente do modelo ainda em serviço ativo nos Estados Unidos seria  concentrado em cinco regimentos de cavalaria blindada, enquanto as demais unidades foram armazenadas como "excedente militar", destinadas a nações aliadas por meio do Programa de Assistência Militar (MAP ).  A França tornou-se o maior operador do Ford M-8 no período pós-guerra, recebendo centenas de unidades entre 1945 e 1954. O veículo foi amplamente utilizado na Primeira Guerra da Indochina, permanecendo em serviço até o fim do conflito, quando muitas unidades foram transferidas ao Exército da República do Vietnã (ARVN). Além disso, a Legião Estrangeira Francesa (FFL) empregou o blindado durante a Guerra de Independência da Argélia (1954–1962). Ainda no continente africano, o M-8 Greyhound foi utilizado pelas Forças Armadas da Bélgica, operando em conjunto com as tropas da Force Publique no então Congo Belga.  Entre 1943 e 1945, um total de 8.523 unidades do M-8 foram produzidas pelas fábricas da Ford  em Chicago, Illinois, e Saint Paul, Minnesota. No período pós-guerra, o modelo permaneceu em operação nas forças armadas de diversos países de mais de 40 países.  Durante as décadas de 1960 e 1970, diversas empresas francesas e norte-americanas desenvolveram kits de modernização para o M-8, fornecidos a países como Chipre, Etiópia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, Marrocos, Venezuela e Zaire.  Essas modificações incluíam a substituição do motor original por versões a diesel, além da instalação de novas transmissões. Dentre os processos de modernização, destaca-se aquele realizado pelo Exército Nacional da Colômbia, que não apenas aprimorou as características mecânicas do veículo, mas também o adaptou para servir como plataforma de lançamento dos mísseis antitanque norte-americanos Hughes BGM-71 TOW. Atualmente, algumas centenas de unidades do M-8 ainda permanecem em operação em exércitos da África e da América do Sul.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente preocupação a possibilidade de uma eventual projeção militar das potências do Eixo - Alemanha, Itália e Japão  sobre o continente americano. Essa apreensão intensificou-se após a capitulação da França, em junho de 1940, uma vez que a Alemanha Nazista poderia utilizar bases localizadas nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras possessões coloniais francesas como pontos avançados para operações no Atlântico. Nesse contexto estratégico, o Brasil foi identificado pelos planejadores norte-americanos como uma das áreas mais vulneráveis a uma possível ofensiva, sobretudo em razão de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que figurava entre os objetivos de expansão militar alemã. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul elevaram ainda mais a importância estratégica do Brasil, que passou a desempenhar papel fundamental como fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima indispensável à produção de borracha empregada em larga escala pela indústria bélica. A posição geográfica do litoral brasileiro, particularmente da Região Nordeste, também despertava grande interesse militar. A cidade de Recife destacava-se como o ponto de menor distância entre os continentes americano e africano, oferecendo condições ideais para a instalação de bases aéreas e navais capazes de sustentar uma ponte logística destinada ao transporte de tropas, equipamentos, suprimentos e aeronaves para os teatros de operações do Norte da África e da Europa. Diante desse cenário, observou-se uma rápida aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Essa cooperação materializou-se por meio de investimentos estratégicos e de uma série de acordos bilaterais, entre os quais se destacou a adesão brasileira ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). O principal objetivo dessa iniciativa era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras, assegurando ao país uma linha inicial de crédito de aproximadamente US$ 100 milhões destinada à aquisição de material bélico. Os recursos disponibilizados pelo programa permitiram ao Brasil obter armamentos modernos, aeronaves, veículos militares, embarcações e carros de combate, elevando significativamente sua capacidade defensiva. Tal fortalecimento revelou-se essencial diante da crescente ameaça representada pela campanha submarina alemã no Atlântico Sul, cujos ataques colocavam em risco a navegação mercante e comprometiam o fluxo de matérias-primas estratégicas exportadas para os Estados Unidos e empregadas em seu esforço de guerra. À medida que o conflito evoluía, a participação brasileira no esforço aliado tornava-se cada vez mais relevante. O presidente Getúlio Vargas deixou claro que o Brasil não pretendia limitar sua contribuição ao fornecimento de recursos estratégicos e à concessão de bases militares, passando a considerar a possibilidade de uma participação mais ativa nas operações militares. Essa postura abriria caminho para o posterior envio de tropas brasileiras ao exterior, consolidando o país como um dos principais aliados dos Estados Unidos no continente americano durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos termos deste acordo passou-se a receber uma expressiva quantidade de material bélico, como caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, embarcações, sistemas de armas e equipamentos de apoio começaram a ser incorporados, sendo o Exército Brasileiro o principal beneficiário desse processo de reequipamento. Em termos de  blindados, as primeiras entregas ocorreram no final de 1941, com a incorporação dos carros de combate M-3 Stuart e M-3 Lee. Posteriormente, seriam recebidos os veículos de reconhecimento e transporte de pessoal M-3A1 Scout Car e, a partir de meados de 1943,  carros blindados sobre rodas T-17 Deerhound, ampliando significativamente a capacidade  das unidades mecanizadas. Paralelamente ao recebimento desse material, o governo brasileiro aprofundava seu compromisso com o esforço de guerra aliado. Tal decisão seria formalizada em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês, que determinava a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Caberia ao Exército Brasileiro constituir uma força expedicionária destinada a operar junto aos exércitos aliados no Teatro de Operações do Mediterrâneo. Para seu comando foi designado o General-de-Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes, que passaria a liderar uma força estruturada em torno de três regimentos de infantaria  apoiados por quatro grupos de artilharia de campanha, sendo três equipados com obuseiros de 105 mm e um com peças de 155 mm. A organização  um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, uma companhia de transmissões e uma unidade de reconhecimento mecanizado. Como a estrutura  seguia os padrões organizacionais adotados pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), tornou-se necessária a criação de uma força de reconhecimento móvel capaz de operar à frente dos elementos principais da divisão. Para atender a essa necessidade, o 2º Regimento Motomecanizado,  recebeu a missão de preparar uma unidade especializada, sendo selecionado em fevereiro de 1944 o 3º Esquadrão de Reconhecimento e Descoberta, sendo incorporado à 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), recebendo a denominação de 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec). Sua missão consistia em realizar reconhecimentos avançados, patrulhamento ofensivo, ligação entre unidades e coleta de informações sobre as posições inimigas, fornecendo dados essenciais para o planejamento e execução das operações. Cada pelotão de reconhecimento era organizado em três patrulhas, dispondo de um carro blindado M-8 , duas viaturas Jeep ¼ Ton e diversos veículos de apoio, incluindo transportes meia-lagarta M-3A1, caminhões de carga 2½ Ton 6x6 e diferentes tipos de reboques. Ao todo, cada pelotão contava com aproximadamente 47 viaturas de diferentes categorias, conferindo-lhe elevada mobilidade e autonomia operacional. Cumprindo o cronograma estabelecido, o primeiro contingente brasileiro desembarcou no porto de Nápoles, na Itália, em 16 de julho de 1944. A partir daquele momento, iniciava-se efetivamente a participação do Brasil no teatro de operações europeu, onde as unidades da Força Expedicionária Brasileira (FEB) passariam a atuar ao lado das forças aliadas na campanha pela libertação da Itália.
Após um breve período de adaptação e treinamento,  foram integradas ao V Exército, comandado pelo General Mark Wayne Clark. Durante esta fase, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) recebeu a totalidade de seu armamento, equipamentos e viaturas, oriundos dos estoques estratégicos de recompletamento do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), localizados na cidade de Tarquinia. Entre os diversos meios fornecidos, destacava-se o carro blindado leve de reconhecimento M-8, que se tornaria o principal veículo do 1º Esqd Rec Mec. Ao todo, 15 carros foram disponibilizados,  indicando os números de série e chassis: 6037498 (chassi 5274), 6040812 (7909), 6038186 (5944), 6037154 (4930), 6038516 (6298), 6035334 (3110), 6033240 (1016), 6033208 (0984), 6038296 (5072), 6040811 (7908), 6036650 (4326), 6037280 (5056), 6012577 (9751), 6036894 (4670) e 6038242 (6018). Nas proximidades de Nápoles, os brasileiros designados para operar os M-8 participaram de um programa de instrução, com duração aproximada de uma semana. O treinamento abrangia técnicas de condução, manutenção, comunicações, tiro e emprego tático em missões de reconhecimento e segurança. Sob o comando do 1º Tenente Plínio Pitaluga, os M-8 tiveram seu batismo de fogo em 12 de setembro de 1944, durante as operações de avanço em direção à região de Vecchiano, na Toscana. Naquela ocasião, o pelotão de blindados foi dividido em dois destacamentos: o primeiro avançou pelo eixo Manacuiccoli–Chiese–Massarosa, enquanto o segundo operou ao longo do eixo San Pietro–San Macário–Piano–San Macário do Norte. Durante essas operações, os M-8 prestaram apoio direto às unidades de infantaria, executando missões de reconhecimento avançado, patrulhamento ofensivo e ligação entre elementos da linha de frente. Envolveram-se em diversos contatos com forças alemães, algumas delas equipadas com armas anticarro leves e posições defensivas preparadas. A primeira baixa em combate do 1º Esqd Rec Mec ocorreria na região de Camaiore, em 24 de setembro de 1944, o 2º Sargento Pedro Krinski, de apenas 25 anos, foi mortalmente ferido por estilhaços de granada. Ao longo da campanha, apenas um M-8 seria completamente destruído em combate, após ser atingido por um armamento anticarro. Apesar da perda material, sua tripulação conseguiu evacuar o veículo com sucesso, não havendo registro de  feridos. De maneira geral, revelaram-se extremamente valiosos para as operações, proporcionando elevada mobilidade e grande capacidade de reconhecimento. Sua presença permitia ampliar significativamente o alcance das patrulhas, fornecendo informações oportunas ao comando e oferecendo apoio de fogo. Entretanto, as características geográficas do teatro de operações italiano evidenciaram algumas limitações do veículo. Projetado para operar em estradas e terrenos relativamente firmes, o M-8 apresentava dificuldades em regiões montanhosas, cobertas por lama ou neve. Durante os  meses de inverno, sua mobilidade fora de estrada era severamente reduzida, obrigando frequentemente sua utilização apenas nas vias pavimentadas ou estradas secundárias. Nessas circunstâncias, o emprego ornava-se ainda mais delicado devido à constante ameaça representada pelos campos minados e armadilhas explosivas deixados pelas forças alemãs em retirada.

Durante a ofensiva aliada desencadeada na primavera de 1945, os  M-8 Greyhound 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec) foram amplamente empregados em missões de reconhecimento avançado, segurança dos flancos e ligação entre as unidades de infantaria da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Na Batalha de Montese, iniciada em 14 de abril de 1945, esses blindados desempenharam papel decisivo no apoio ao avanço do 11º Regimento de Infantaria, atuando em um ambiente particularmente complexo para os padrões operacionais então conhecidos pelo Exército Brasileiro. O combate urbano travado naquela localidade constituiu uma experiência inédita para as tropas brasileiras, exigindo a rápida adaptação de táticas e procedimentos diante de ruas estreitas, edificações destruídas e intensa resistência alemã. Com o objetivo de melhorar a mobilidade  entre os escombros acumulados nas vias urbanas, algumas viaturas tiveram seus para-lamas removidos, reduzindo o risco de danos durante a progressão. Após a conquista de Montese e o consequente colapso das posições defensivas germânicas no norte da Itália, o esquadrão intensificou suas missões de exploração e perseguição, acompanhando o rápido avanço das forças aliadas. Nessa fase final da campanha, a resistência inimiga tornava-se cada vez mais esporádica, em decorrência da crescente desorganização das forças alemãs e italianas, que iniciavam um movimento generalizado de retirada e rendição. O momento mais marcante da participação dos M-8 Greyhound ocorreu em 29 de abril de 1945, quando elementos do esquadrão participaram das operações que culminaram na rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, comandada pelo General Otto Fretter-Pico, juntamente com remanescentes da Divisão Alpina Monte Rosa. Este episódio representou um dos maiores feitos militares da história do Exército Brasileiro, resultando na captura de milhares de soldados inimigos, além de expressivas quantidades de armamentos, veículos e suprimentos militares. Prosseguindo em suas missões após a capitulação das forças alemãs na região, os M-8 Greyhounds foram também os primeiros veículos brasileiros a estabelecer contato com unidades do Exército da França Livre na cidade de Susa, no Piemonte, consolidando a ligação entre a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária e as demais forças aliadas que avançavam em direção ao norte da Itália. Ao longo da campanha, as viaturas receberam diversas personalizações realizadas por suas próprias tripulações, refletindo o espírito de corpo e a identidade das unidades expedicionárias brasileiras. Entre os nomes registrados destacavam-se "Vira Mundo", "Leão do Norte", "Pérola", "Andrade Neves" e "Viva Brasil", inscrições que se tornariam parte integrante da memória histórica da participação brasileira no conflito. Com o encerramento oficial das hostilidades  iniciou-se o processo de desmobilização da  Força Expedicionária Brasileira (FEB) com todos os equipamentos e veículos foram  entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) nas cercanias da cidade de Roma. Nesta localidade, os veículos, equipamentos e armamentos em melhor estado de conservação foram armazenados e posteriormente despachados ao Brasil por via naval, incluindo os 13 blindados M-8 remanescentes. 
No inicio de 1945, seriam recebidos  mais 20 M-8, com estes sendo distribuídos a unidades operativas baseada nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Este movimento levaria a transferência e concentração de todos  os blindados sobre rodas T-17 Deerhound na região sul.  A partir de 1947 âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP), o Exército Brasileiro recebeu mais de uma centena de viaturas dos modelos Ford M-8 e M-20, retirados dos estoques estratégicos norte-americanos que eram classificadas como excedente militar. Com quase 150 carros em operação   foram distribuídos entre os Regimentos de Reconhecimento Mecanizado (RRec Mec) e os Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (Esqd Rec Mec), organizações criadas para substituir gradualmente as tradicionais unidades hipomóveis.  Designados oficialmente como VBR M-8  (Viatura Blindada de Reconhecimento sobre Rodas) apresentava como missão a  execução de operações de reconhecimento, segurança, cobertura, exploração e ligação, atuando frequentemente à frente das grandes unidades blindadas equipadas com os carros de combate M-3 Stuart, M-3 Lee e M-4 Sherman. Além de suas atribuições operacionais, desempenharam importante função na formação de gerações de oficiais, sargentos e soldados especializados em operações mecanizadas. Durante esse período, a Escola de Motomecanização (EsMM) e os centros de instrução das unidades blindadas empregaram intensivamente essas viaturas em cursos de formação e aperfeiçoamento. Durante as sucessivas crises políticas que marcaram a vida nacional entre as décadas de 1940 e 1960,  também foram empregados em operações de garantia da lei e da ordem. Em outubro de 1945, durante os acontecimentos que culminaram na deposição do presidente Getúlio Vargas, foram deslocados  para pontos estratégicos da então capital federal, o Rio de Janeiro. Situação semelhante ocorreria durante a crise política de novembro de 1955, associada ao Movimento de 11 de Novembro, quando unidades mecanizadas permaneceram em estado de prontidão para assegurar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Seu uso mais intenso em operações internas ocorreria durante os acontecimentos de março e abril de 1964, quando participaram das movimentações militares realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Entretanto, no início da década de 1960, a frota já apresentava claros sinais de desgaste decorrentes de quase 20 anos de uso contínuo. A dificuldade crescente na obtenção de peças de reposição para os motores Hercules JXD e para diversos componentes da transmissão passou a comprometer os índices de disponibilidade operacional. Em resposta a esse problema, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) iniciou estudos para a modernização e remotorização das viaturas. Esses trabalhos resultaram no  M-8B (repontenciado) , equipado com novos motores diesel e diversas melhorias mecânicas. Gradualmente, ao longo da década de 1970, os M-8 começaram a ser substituídos por veículos mais modernos, especialmente os blindados de fabricação nacional. Ainda assim, algumas viaturas permaneceram em serviço por vários anos, sobretudo em funções de treinamento e instrução. Seu legado, contudo, permaneceu duradouro, sendo amplamente reconhecido como o veículo que consolidou a doutrina de reconhecimento mecanizado no Exército Brasileiro e serviu como elo de transição entre os blindados da Segunda Guerra Mundial e a moderna indústria nacional de defesa.

Em Escala.
Para representarmos o Ford M-8 Greyhound FEB 510-6 "Vira Mundo", pertencente ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec) da Força Expedicionária Brasileira, fizemos  uso do excelente kit da Italeri na escala 1/35. Para se representar o modelo empregado pelo Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, não é necessário proceder nenhuma modificação, podendo se montar o modelo diretamente da caixa. Empregamos decais fabricados pela Decal & Books fornecidos juntamente com o livro "FEB na Segunda Guerra Mundial " de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado em todos os veículos usados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial. Deve-se levar em conta ainda, uma grande diversidade de posicionamento das marcações nacionais e numerais de série, com este fato sendo motivado pela ausência de normas de identificação visual naquele momento. Já no período pós-guerra operação no Brasil os Ford M-8 Greyhound seriam padronizados no esquema de pintura e marcações empregadas nos demais veículos blindados em uso no Exército Brasileiro.
Bibliografia : 
- M-8 Greyhound - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M8_Greyhound
- Blindados no Brasil  - Volume I – Expedito Carlos Stephani Bastos
- O 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado da FEB - AMAM por Danilo Tenório Quintino
- Origem do Conceito 6X6 do Veículo Blindado no Exército Brasileiro - http://www.funceb.org.br/images/revista/20_1n8q.pdf