O projeto recebeu a designação de classe Oberon, apresentando 89,9 metros de comprimento, 8,7 metros de boca e 5,48 metros de calado, receberia novas soluções destinadas a aumentar a resistência estrutural, reduzir a assinatura acústica e aperfeiçoar suas características hidrodinâmicas, tornando-os ainda mais silenciosos e eficientes durante operações submersas. Em substituição ao aço UXW utilizado na classe Porpoise, passou-se a empregar o novo aço de alta resistência QT28, que, oferecendo maior robustez estrutural, e melhor comportamento durante o processo de fabricação e soldagem. Essa evolução permitiu ampliar a profundidade operacional, aumentando sua capacidade de sobrevivência diante das modernas armas antissubmarino. Outra inovação foi a utilização de plástico reforçado com fibra de vidro (GRP) na construção da estrutura externa da seção de proa e de outros componentes não estruturais. Além de reduzir o peso total, apresentava elevada resistência à corrosão e contribuía para minimizar interferências em sensores e equipamentos, favorecendo o desempenho hidrodinâmico e permitindo que operassem em profundidades ainda maiores do que seus antecessores. Seu projeto estabelesceria novos padrões de eficiência operacional entre os submarinos convencionais. Um dos avanços mais significativos foi a introdução do conceito de "one man control", que permitia que um único operador controlasse simultaneamente o rumo e a profundidade da embarcação. Para isso, foi adotado um sistema de comandos inspirado nos controles de aeronaves, reunindo em um único posto as principais funções de navegação submersa. Essa solução reduzia a carga de trabalho da tripulação, aumentava a precisão das manobras e representava um importante salto tecnológico na automação dos submarinos convencionais, tornando a classe uma das mais modernas de seu tempo. A propulsão permanecia baseada no consagrado sistema diesel-elétrico, considerado à época a solução mais eficiente para submarinos convencionais de longo alcance. O conjunto era composto por dois motores diesel Admiralty Standard Range ASR1 16VMS, de 16 cilindros em "V", cada um acionando um gerador elétrico de 1.280 kW, operando a 880 volts. A energia produzida alimentava diretamente dois motores elétricos principais, com potência aproximada de 3.000 shp (2.200 kW) cada, responsáveis por movimentar as duas hélices, ou era utilizada para recarregar o banco de baterias de chumbo-ácido empregado durante a navegação submersa. Como ocorria em todos os submarinos da época, os motores diesel somente podiam operar com suprimento contínuo de ar atmosférico, enquanto a embarcação navegava na superfície quanto em profundidade periscópica, utilizando o sistema de snorkel. Dois mastros retráteis instalados na vela permitiam, simultaneamente, a admissão de ar fresco para alimentar os motores e renovar o ambiente interno, enquanto um segundo duto expelia os gases resultantes da combustão para a atmosfera. Esse sistema permitia prolongar significativamente o tempo de permanência submersa, reduzindo sua vulnerabilidade à detecção.
Projetados para missões de guerra antissubmarino (ASW), receberam 08 tubos lança-torpedos de 533,4 mm, sendo 06 instalados na proa e 02 tubos de menor comprimento posicionados na popa, destinados principalmente à autodefesa contra inimigos que se aproximassem por ré. A dotação previa o transporte de 20 torpedos para os tubos de proa, combinando os modernos torpedos guiados Mark 24 Tigerfish com os tradicionais Mark 8, de trajetória reta, que continuavam sendo empregados em determinadas situações táticas. Os tubos de popa permaneciam carregados com dois torpedos Mark 20S, destinados exclusivamente à defesa imediata da embarcação. Podia ainda ser convertidos para missões de minagem ofensiva, podendo portar até 50 minas, incluindo os modelos Mark 5 Stonefish e Mark 6 Sea Urchin, ampliando consideravelmente sua flexibilidade operacional e sua capacidade de atuar em operações de bloqueio marítimo e negação de áreas. Outro aspecto que distinguia a classe era a incorporação de sistemas eletrônicos mais avançados do que aqueles disponíveis na geração anterior. O sistema de direção de tiro era controlado pelo computador digital Ferranti TIOS 24B, equipamento que integrava as informações provenientes dos sensores de bordo, calculando automaticamente as soluções de tiro e aumentando sensivelmente a precisão dos ataques. A suíte de sensores também representava um importante avanço tecnológico. Na parte superior da proa encontrava-se um grande domo acústico que abrigava o sonar THORN EMI Type 197CA, um sistema de média frequência capaz de operar nos modos ativo e passivo, destinado tanto à busca quanto ao acompanhamento e ataque de alvos submersos. Complementando esse conjunto, o dispunha do hidrofone lateral de baixa frequência BAC Type 2007AA, especialmente desenvolvido para detecção passiva de contatos a grandes distâncias. O projeto seria aprovado pelo almirantado inglês, levando em setembro de 1957 a celebração de um contrato para a construção de 13 navios, com sua construção distribuída entre os renomados estaleiros britanicos Chatham Dockyard, Cammell Laird, Vickers-Armstrongs e Scotts Shipbuilding & Engineering Company, permitindo acelerar a produção e garantir a rápida incorporação dos novos submarinos à esquadraO primeiro exemplar da nova classe, o HMS Orpheus (S16), entrou em serviço em 1960, sendo seguido pelo HMS Oberon (S09) em 1961, embarcação que daria nome à classe. Nos anos seguintes foram incorporados os submarinos HMS Ocelot, HMS Odin, HMS Olympus, HMS Onslaught, HMS Opossum, HMS Orpheus, HMS Osiris, HMS Otter, HMS Otus e, por fim, o HMS Onyx, comissionado em 1967, completando a formação da força submarina prevista pelo programa. Em serviço operacional, os submarinos da classe Oberon rapidamente conquistaram uma reputação excepcional. Seu elevado grau de silêncio acústico era considerado superior ao de muitos submarinos convencionais contemporâneos, incluindo alguns dos modelos mais modernos operados pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Essa característica, combinada à excelente autonomia e aos modernos sistemas de sensores, transformou-os em plataformas ideais para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Durante o auge da Guerra Fria, foram frequentemente empregados em operações clandestinas ao longo das áreas de interesse estratégico da OTAN. Essas missões incluíam a coleta de informações sobre atividades navais soviéticas, o monitoramento de rotas marítimas sensíveis e a infiltração ou extração de equipes de forças especiais em regiões costeiras. Muitas dessas operações permaneceram classificadas por décadas, evidenciando a importância estratégica que esses submarinos desempenharam no confronto indireto com o bloco soviético. O sucesso operacional da classe despertou o interesse de outras marinhas. Posteriormente, submarinos Oberon operados pelo Canadá e pela Austrália desempenhariam funções semelhantes em áreas de elevada importância geopolítica, incluindo o Oceano Ártico, o Pacífico Ocidental, o Sudeste Asiático e o Mar do Japão, contribuindo para os esforços de vigilância e contenção durante as décadas finais da Guerra Fria. O primeiro cliente internacional da classe foi a Marinha Canadense (Royal Canadian Navy), que formalizou sua aquisição no início da década de 1960 como parte de um programa de modernização de sua força submarina. Os submarinos destinados ao Canadá foram adaptados para atender aos requisitos específicos do país, incorporando melhorias nos sistemas de climatização e habitabilidade, essenciais para operações prolongadas em águas frias. Além disso, buscou-se empregar o maior número possível de componentes produzidos pela indústria canadense, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a base industrial nacional. Outra diferença significativa encontrava-se no armamento. Enquanto os submarinos britânicos utilizavam torpedos desenvolvidos no Reino Unido, os exemplares canadenses foram equipados com armamentos norte-americanos, inicialmente os torpedos guiados Mark 37, posteriormente substituídos pelos mais modernos e eficazes Mark 48, considerados entre os melhores torpedos pesados do mundo em sua época. Os três submarinos construídos para o Canadá receberam os nomes HMCS Ojibwa, HMCS Onondaga e HMCS Okanagan, sendo incorporados à frota canadense em 23 de setembro de 1965, 22 de junho de 1967 e 22 de junho de 1968, respectivamente. Ao longo de suas carreiras, desempenharam papel fundamental na vigilância das águas do Atlântico Norte e na integração das forças navais canadenses aos dispositivos de defesa da OTAN. Em meados da década seguinte, a Marinha Canadense buscou ampliar sua capacidade operacional por meio da aquisição de 02 unidades adicionais provenientes da Marinha Real (Roya Navy). Contudo, nunca chegaram a ser efetivamente incorporadas ao serviço ativo. Uma delas foi destinada ao treinamento estático de tripulações, enquanto a outra foi utilizada como fonte de peças de reposição, contribuindo para a manutenção e prolongamento da vida útil dos submarinos já em operação.
A Marinha Real Australiana (RAN) celebraria em 1965 um contrato para 04 navios, com o primeiro o HMSA Otway comissionado em 1968, e os demais 03 submarinos sendo incorporados até o final do ano de 1978. Seria equipados com sistemas e sonares de origem norte-americana (Sperry Micropuffs) e conjunto e ataque alemão Krupp CSU3-41. Portariam torpedos norte-americanos Mark 48, podendo carregar até 22 destas armas para os tubos da frente e 06 dos quais foram pré-carregadas. Posteriormente seriam atualizados para o emprego de mísseis Harpoon antinavio, com o primeiro lançamento deste sistema ocorrendo em março de 1985, ao largo da ilha de Kauai, no Havaí, com o HMAS Fornos tornando-se o segundo submarino convencional no mundo a operar com sucesso estes misseis, acertando o alvo por cima do horizonte. O Chile se tornaria o terceiro operador da classe Oberon , incorporando entre os anos de 1976 e 1977, dois navios batizados como CNS Obrein e CNS Hyatt. Estes navios diferiam muito pouco dos modelos em uso pela Marinha Real (Roya Navy), e permaneceriam em serviço até 31 de dezembro de 2001 na Marinha do Chile, quando foram substituídos por submarinos franceses da classe Scòrpene (CNS O'Higgins e CNS Carrera). No final da década de 1970, os submarinos da classe Oberon em serviço na Marinha Real Canadense seriam declarados obsoletos, e como ainda se encontravam em bom estado de conservação de cascos e grupo propulsor, seriam conduzidos estudos visando a implementação de um programa de modernização. Esta proposta seria aprovada em fevereiro de 1979, objetivando elevar estes navios a um patamar tecnológico satisfatório que os capacitasse a operar a serviço da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no monitoramento de submarinos soviéticos no Oceano Atlântico. Este processo denominado como Programa de Atualização Operacional de Submarinos (SOUP) seria desenvolvido para lidar com a capacidade operacional dos submarinos juntamente com um Acordo de Apoio Logístico (LSA) para aquisição de mais peças de reposição. Em termos de atualização seriam incorporados os sistemas de controle de fogo norte-americanos Singer Librascope Mark I digital, sonar de alcance passivo Sperry, periscópios, comunicações e sistemas de controle de incêndio, além da customização para operação com torpedos MK-48. Este seria o único programa realizado em todos os 27 navios desta classe, estendendo a vida útil destes navios até o final da década de 1990, quando foram substituídos pelos submarinos da classe Upholder. Cabe o registro de que no ano de 1982 durante a Guerra das Falklands – Malvinas, o HMS Onyx operaria no arquipélago em conflagração, desembarcando membros o Special Boat Service (SBS - Serviço Especial de Barco). Todos os submarinos da classe Oberon da Marinha Real (Royal Navy), seriam retirados da ativa até o final da década de 1980, sendo substituídos pelos navios convencionais de propulsão diesel elétrico das classes Upholder e Collins.
O Humaitá (S-20) teve sua quilha foi batida em 3 de novembro de 1970, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, em Barrow-in-Furness, durante cerimônia que contou com a presença do Ministro da Marinha e autoridades de alto escalão. O lançamento ao mar ocorreu em 5 de outubro de 1971 e após a conclusão dos trabalhos de acabamento, instalação dos sistemas e realização dos ensaios de mar, o submarino foi submetido à Mostra de Armamento e oficialmente incorporado em 18 de junho de 1973, conforme o Aviso nº 0466, de 25 de maio de 1973. Em 16 de outubro de 1973, suspendeu de Barrow-in-Furness, durante a travessia realizou escalas em Portsmouth (Reino Unido), Lisboa (Portugal), Las Palmas (Ilhas Canárias) e Dakar (Senegal), chegando ao porto de Recife, em 30 de novembro de 1973. Essa viagem marcou um feito inédito para a Marinha do Brasil. O trecho entre Dakar e Recife foi percorrido integralmente em imersão, tornando-se a primeira travessia transatlântica realizada submersa por um submarino brasileiro. A navegação permaneceu em imersão durante aproximadamente doze dias e meio, demonstrando, na prática, as elevadas capacidades operacionais da classe e o amadurecimento técnico alcançado. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, participou intensamente dos principais exercícios navais nacionais e multinacionais. Entre eles destacaram-se as operações UNITAS XV, UNITAS XVI, UNITAS XIX, READEX I/77, READEX 78, ASPIRANTEX 88/TROPICALEX I/88 e TEMPEREX I/88, consolidando-se como um dos submarinos mais ativos da esquadra. Em 1987, estabeleceu um novo recorde operacional ao permanecer 23 dias consecutivos em imersão durante uma travessia entre a costa africana e o Brasil, demonstrando a elevada confiabilidade da plataforma e o elevado grau de preparo de sua tripulação. O intenso ritmo operacional manteve-se durante a década de 1990. Ao completar 20 anos de serviço, em 1993, já havia acumulado mais de 14.000 horas de navegação em imersão, sendo agraciado, pela primeira vez, com o Troféu Eficiência, distinção concedida às unidades que mais se destacavam em desempenho operacional e preparo. Em 26 de abril de 1995, participou de um exercício inédito de operações especiais realizado ao sul da Ilha Grande, envolvendo um encontro oceânico com uma aeronave C-115 Búfalo do 1º GTT. Durante a missão, uma equipe de 07 Mergulhadores Especiais de Combate (MEC) foi lançada de paraquedas e recolhida pelo submarino em alto-mar. Após o embarque, os militares executaram, com êxito, um ataque simulado contra o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry (K-11), fundeado em uma enseada na porção norte da Ilha Grande. A operação constituiu um importante marco na integração entre a aviação de transporte e as forças especiais. Após quase vinte e três anos de intenso emprego operacional, o Humaitá (S-20) foi desativado em 8 de abril de 1996. Durante sua carreira na Marinha do Brasil, percorreu 151.258,7 milhas náuticas, acumulou 1.193,5 dias de mar, mais de 14.000 horas de navegação em imersão e realizou o lançamento de 173 torpedos em exercícios e programas de adestramento.
O bom desempenho operacional levaria em maio de 1972 a negociações para a construção de uma terceira unidade, conforme estabelecido pelo Memorando nº 0048, de 24 de maio de 1972, da Diretoria-Geral do Material da Marinha (DGMM). As tratativas culminaram na assinatura da Emenda Contratual nº 59, em 18 de agosto de 1972, que autorizou formalmente sua construção. Receberia o nome de Riachuelo (S-22), em homenagem à histórica Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865 durante a Guerra da Tríplice Aliança. Sua quilha foi batida em 26 de maio de 1973, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, com seu lançamento ao mar ocorrendo em 6 de setembro de 1975. Concluídos os ensaios de aceitação, foi submetido à Mostra de Armamento e incorporado em 12 de março de 1977. Logo após sua incorporação, foi submetido ao programa de certificação operacional (work-up), sendo realizadas provas completas de desempenho, incluindo testes em raia acústica, procedimentos de desmagnetização (degaussing) e a verificação do sistema de direção de tiro durante os Weapons Sea Trials, sendo considerado plenamente apto ao serviço operacional. Em 28 de julho de 1978, uspendeu de Barrow-in-Furness, iniciando sua viagem de entrega ao Brasil. Ao longo de mais de duas décadas de serviço, participou dos principais exercícios navais nacionais e internacionais realizados pela Marinha do Brasil, entre os quais se destacam as operações UNITAS XVIII, UNITAS XIX, UNITAS XXI, UNITAS XXII, UNITAS XXVI e UNITAS XXVII, além dos exercícios DRAGÃO XIII, DRAGÃO XVII, Operação Anfíbia PISCES, ATLANTIS, FASEX II, ARRASTÃO X, INOPINEX 81, COSTEIREX-SE I, FRATERNO IX, FRATERNO XII, CARIBE/88, INTERPORTEX e ASPIRANTEX NORTE/94. Durante seu Período de Manutenção Geral (PMG), recebeu importantes aperfeiçoamentos técnicos, destacando-se a substituição do conjunto original de baterias por novas baterias de grande capacidade produzidas no Brasil pela empresa Saturnia Ltda.. O Riachuelo tornou-se, assim, o primeiro submarino da classe e o segundo da Marinha do Brasil a operar com esse novo sistema de acumulação de energia, aumentando sua autonomia em imersão e reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. Em 12 de novembro de 1997, após mais de 20 anos de intensa atividade operacional, o Riachuelo (S-22) foi oficialmente retirado do serviço ativo. Na ocasião, foi submetido à Mostra de Desarmamento e reclassificado durante cerimônia realizada na Base Almirante Castro e Silva (BACS). Ao longo de sua carreira, percorreu 181.924 milhas náuticas, acumulou 1.283,5 dias de mar, 17.699 horas e 41 minutos de navegação em imersão e realizou o lançamento de 172 torpedos durante exercícios e programas de adestramento. Após sua desativação, foi preservado por seu elevado valor histórico e transferido ao Serviço de Documentação da Marinha (SDM), sendo convertido em Submarino-Museu. Atualmente encontra-se atracado no cais do Espaço Cultural da Marinha, nas proximidades da Praça XV de Novembro, no centro da cidade do Rio de Janeiro.




