Classe Oberon - Submarino de Ataque


História e Desenvolvimento.
A experiência adquirida pela Marinha Alemã (Kriegsmarine) durante a Segunda Guerra Mundial transformou profundamente a evolução da guerra submarina. Ao longo do conflito empregariam com eficiência diversas classes de U-Boots, que, em muitos aspectos, apresentavam desempenho e soluções tecnológicas superiores às de seus equivalentes aliados. O ápice foi alcançado com o revolucionário Tipo XXI, considerado o primeiro verdadeiramente concebido para operar submerso durante a maior parte de suas missões. Embora tenha entrado em serviço tardiamente para influenciar o desfecho da guerra, seu projeto estabeleceu os fundamentos da arquitetura  desenvolvidos em todo o mundo nas décadas seguintes. No pós-guerra, as potências navais passaram a estudar detalhadamente as inovações introduzidas pelo Tipo XXI. Entre elas, a Marinha Real (Royal Navy) rapidamente iniciou um amplo programa de modernização de sua força submarina, motivado sobretudo pela crescente expansão da frota submarina soviética. Tornava-se imprescindível desenvolver uma nova geração de submarinos capazes de enfrentar os desafios impostos pelo novo cenário estratégico, caracterizado por operações prolongadas de patrulha, maior discrição acústica e capacidade de permanência submersa. Como resultado surgiu a classe Porpoise, cujo projeto incorporava diversos conceitos derivados do Tipo XXI alemão. Embora maiores em deslocamento, essas embarcações apresentavam um casco mais compacto e hidrodinamicamente refinado do que os submarinos da antiga classe T, refletindo uma nova filosofia de projeto voltada para o desempenho em imersão. Seu casco resistente era construído com a liga especial de aço UXW, significativamente mais resistente que a empregada na geração anterior, permitindo operações em maiores profundidades com elevados padrões de segurança estrutural. O projeto introduziu importantes avanços em habitabilidade e autonomia. Os modernos sistemas de recirculação e purificação do ar possibilitavam longos períodos de permanência submersa, reduzindo a necessidade de emergir ou utilizar o esnorquel, característica de grande importância em um ambiente  cada vez mais dominado por sensores de detecção e aeronaves de patrulha marítima. Os primeiros submarinos da classe Porpoise entraram em serviço a partir de 1956, e embora apenas 8  tenham sido construídas, seu elevado desempenho  proporcionou  uma capacidade submarina moderna e eficaz, contribuindo significativamente para o equilíbrio estratégico nas águas do Atlântico Norte durante a fase inicial da Guerra Fria. Entretanto, a rápida evolução tecnológica observada ao longo da década de 1950 logo evidenciou que seriam necessárias novas melhorias, pois  a classe Porpoise, apesar de seu sucesso, possuía limitações que deveriam ser superadas em uma futura geração. Foi nesse contexto que, em 1955, o Almirantado Britânico iniciou os estudos para uma nova classe com o objetivo de preservar as qualidades operacionais da classe Porpoise, incorporando ao mesmo tempo melhorias estruturais, hidrodinâmicas que aumentassem sua capacidade de sobrevivência e seu desempenho em combate. 

O  projeto recebeu a designação de classe Oberon, apresentando 89,9 metros de comprimento, 8,7 metros de boca e 5,48 metros de calado, receberia novas soluções destinadas a aumentar a resistência estrutural, reduzir a assinatura acústica e aperfeiçoar suas características hidrodinâmicas, tornando-os ainda mais silenciosos e eficientes durante operações submersas. Em substituição ao aço UXW utilizado na classe Porpoise, passou-se a empregar o novo aço de alta resistência QT28, que, oferecendo maior robustez estrutural, e melhor comportamento durante o processo de fabricação e soldagem. Essa evolução permitiu ampliar a profundidade operacional, aumentando sua capacidade de sobrevivência diante das modernas armas antissubmarino. Outra inovação foi a utilização de plástico reforçado com fibra de vidro (GRP) na construção da estrutura externa da seção de proa e de outros componentes não estruturais. Além de reduzir o peso total,  apresentava elevada resistência à corrosão e contribuía para minimizar interferências em sensores e equipamentos, favorecendo o desempenho hidrodinâmico e permitindo que operassem em profundidades ainda maiores do que seus antecessores. Seu projeto estabelesceria novos padrões de eficiência operacional entre os submarinos convencionais. Um dos avanços mais significativos foi a introdução do conceito de "one man control", que permitia que um único operador controlasse simultaneamente o rumo e a profundidade da embarcação. Para isso, foi adotado um sistema de comandos inspirado nos controles de aeronaves, reunindo em um único posto as principais funções de navegação submersa. Essa solução reduzia a carga de trabalho da tripulação, aumentava a precisão das manobras e representava um importante salto tecnológico na automação dos submarinos convencionais, tornando a classe  uma das mais modernas de seu tempo. A propulsão permanecia baseada no consagrado sistema diesel-elétrico, considerado à época a solução mais eficiente para submarinos convencionais de longo alcance. O conjunto era composto por dois motores diesel Admiralty Standard Range ASR1 16VMS, de 16 cilindros em "V", cada um acionando um gerador elétrico de 1.280 kW, operando a 880 volts. A energia produzida alimentava diretamente dois motores elétricos principais, com potência aproximada de 3.000 shp (2.200 kW) cada, responsáveis por movimentar as duas hélices, ou era utilizada para recarregar o banco de baterias de chumbo-ácido empregado durante a navegação submersa. Como ocorria em todos os submarinos  da época, os motores diesel somente podiam operar com suprimento contínuo de ar atmosférico, enquanto a embarcação navegava na superfície quanto em profundidade periscópica, utilizando o sistema de snorkel. Dois mastros retráteis instalados na vela permitiam, simultaneamente, a admissão de ar fresco para alimentar os motores e renovar o ambiente interno, enquanto um segundo duto expelia os gases resultantes da combustão para a atmosfera. Esse sistema permitia prolongar significativamente o tempo de permanência submersa, reduzindo sua vulnerabilidade à detecção.

Projetados para missões de guerra antissubmarino (ASW), receberam  08 tubos lança-torpedos de 533,4 mm, sendo 06 instalados na proa e 02 tubos de menor comprimento posicionados na popa, destinados principalmente à autodefesa contra inimigos que se aproximassem por ré. A dotação  previa o transporte de 20 torpedos para os tubos de proa,  combinando os modernos torpedos guiados Mark 24 Tigerfish com os tradicionais Mark 8, de trajetória reta, que continuavam sendo empregados em determinadas situações táticas. Os tubos de popa permaneciam carregados com dois torpedos Mark 20S, destinados exclusivamente à defesa imediata da embarcação. Podia ainda ser convertidos para missões de minagem ofensiva, podendo portar até 50  minas, incluindo os modelos Mark 5 Stonefish e Mark 6 Sea Urchin, ampliando consideravelmente sua flexibilidade operacional e sua capacidade de atuar em operações de bloqueio marítimo e negação de áreas. Outro aspecto que distinguia a classe  era a incorporação de sistemas eletrônicos mais avançados do que aqueles disponíveis na geração anterior. O sistema de direção de tiro era controlado pelo computador digital Ferranti TIOS 24B, equipamento que integrava as informações provenientes dos sensores de bordo, calculando automaticamente as soluções de tiro e aumentando sensivelmente a precisão dos ataques. A suíte de sensores também representava um importante avanço tecnológico. Na parte superior da proa encontrava-se um grande domo acústico que abrigava o sonar THORN EMI Type 197CA, um sistema de média frequência capaz de operar nos modos ativo e passivo, destinado tanto à busca quanto ao acompanhamento e ataque de alvos submersos. Complementando esse conjunto, o dispunha do hidrofone lateral de baixa frequência BAC Type 2007AA, especialmente desenvolvido para detecção passiva de contatos a grandes distâncias. O projeto seria aprovado pelo almirantado inglês, levando em setembro de 1957 a celebração de um contrato para a construção de 13 navios, com sua construção distribuída entre os renomados estaleiros britanicos Chatham Dockyard, Cammell Laird, Vickers-Armstrongs e Scotts Shipbuilding & Engineering Company, permitindo acelerar a produção e garantir a rápida incorporação dos novos submarinos à esquadraO primeiro exemplar da nova classe, o HMS Orpheus (S16), entrou em serviço em 1960, sendo seguido pelo HMS Oberon (S09) em 1961, embarcação que daria nome à classe. Nos anos seguintes foram incorporados os submarinos HMS Ocelot, HMS Odin, HMS Olympus, HMS Onslaught, HMS Opossum, HMS Orpheus, HMS Osiris, HMS Otter, HMS Otus e, por fim, o HMS Onyx, comissionado em 1967, completando a formação da força submarina prevista pelo programa. Em serviço operacional, os submarinos da classe Oberon rapidamente conquistaram uma reputação excepcional. Seu elevado grau de silêncio acústico era considerado superior ao de muitos submarinos convencionais contemporâneos, incluindo alguns dos modelos mais modernos operados pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). 

Essa característica, combinada à excelente autonomia e aos modernos sistemas de sensores, transformou-os em plataformas ideais para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Durante o auge da Guerra Fria,  foram frequentemente empregados em operações clandestinas ao longo das áreas de interesse estratégico da OTAN. Essas missões incluíam a coleta de informações sobre atividades navais soviéticas, o monitoramento de rotas marítimas sensíveis e a infiltração ou extração de equipes de forças especiais em regiões costeiras. Muitas dessas operações permaneceram classificadas por décadas, evidenciando a importância estratégica que esses submarinos desempenharam no confronto indireto com o bloco soviético. O sucesso operacional da classe despertou o interesse de outras marinhas. Posteriormente, submarinos Oberon operados pelo Canadá e pela Austrália desempenhariam funções semelhantes em áreas de elevada importância geopolítica, incluindo o Oceano Ártico, o Pacífico Ocidental, o Sudeste Asiático e o Mar do Japão, contribuindo para os esforços de vigilância e contenção durante as décadas finais da Guerra Fria. O primeiro cliente internacional da classe foi a Marinha Canadense (Royal Canadian Navy), que formalizou sua aquisição no início da década de 1960 como parte de um programa de modernização de sua força submarina. Os submarinos destinados ao Canadá foram adaptados para atender aos requisitos específicos do país, incorporando melhorias nos sistemas de climatização e habitabilidade, essenciais para operações prolongadas em águas frias. Além disso, buscou-se empregar o maior número possível de componentes produzidos pela indústria canadense, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a base industrial nacional. Outra diferença significativa encontrava-se no armamento. Enquanto os submarinos britânicos utilizavam torpedos desenvolvidos no Reino Unido, os exemplares canadenses foram equipados com armamentos norte-americanos, inicialmente os torpedos guiados Mark 37, posteriormente substituídos pelos mais modernos e eficazes Mark 48, considerados entre os melhores torpedos pesados do mundo em sua época. Os três submarinos construídos para o Canadá receberam os nomes HMCS Ojibwa, HMCS Onondaga e HMCS Okanagan, sendo incorporados à frota canadense em 23 de setembro de 1965, 22 de junho de 1967 e 22 de junho de 1968, respectivamente. Ao longo de suas carreiras, desempenharam papel fundamental na vigilância das águas do Atlântico Norte e na integração das forças navais canadenses aos dispositivos de defesa da OTAN. Em meados da década seguinte, a Marinha Canadense buscou ampliar sua capacidade operacional por meio da aquisição de 02 unidades adicionais provenientes da Marinha Real (Roya Navy). Contudo,  nunca chegaram a ser efetivamente incorporadas ao serviço ativo. Uma delas foi destinada ao treinamento estático de tripulações, enquanto a outra foi utilizada como fonte de peças de reposição, contribuindo para a manutenção e prolongamento da vida útil dos submarinos já em operação.

A Marinha Real Australiana (RAN) celebraria em 1965 um contrato para 04 navios, com o primeiro o HMSA Otway  comissionado em 1968, e os demais 03 submarinos sendo incorporados até o final do ano de 1978.  Seria equipados com sistemas e sonares de origem norte-americana (Sperry Micropuffs) e conjunto e ataque alemão Krupp CSU3-41. Portariam  torpedos norte-americanos Mark 48, podendo carregar até 22 destas armas para os tubos da frente e 06 dos quais foram pré-carregadas. Posteriormente  seriam  atualizados para o emprego de mísseis Harpoon antinavio, com o primeiro lançamento deste sistema ocorrendo  em março de 1985, ao largo da ilha de Kauai, no Havaí, com o HMAS Fornos tornando-se  o segundo submarino convencional no mundo a operar com sucesso estes misseis, acertando o alvo por cima do horizonte.   O Chile se tornaria o terceiro operador da classe Oberon , incorporando entre os anos de 1976 e 1977, dois navios batizados como CNS Obrein e CNS Hyatt. Estes navios diferiam muito pouco dos modelos em uso pela Marinha Real (Roya Navy), e permaneceriam em serviço até 31 de dezembro de 2001 na Marinha do Chile, quando foram substituídos por submarinos franceses da classe Scòrpene (CNS O'Higgins e CNS Carrera). No final da década de 1970, os submarinos da classe Oberon em serviço na Marinha Real Canadense seriam declarados obsoletos, e como ainda se encontravam em bom estado de conservação de cascos e grupo propulsor, seriam conduzidos estudos visando a implementação de um programa de modernização. Esta proposta seria aprovada em fevereiro de 1979, objetivando elevar estes navios a um patamar tecnológico satisfatório que os capacitasse a operar a serviço da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no monitoramento de submarinos soviéticos no Oceano Atlântico. Este processo denominado como Programa de Atualização Operacional de Submarinos (SOUP) seria desenvolvido para lidar com a capacidade operacional dos submarinos juntamente com um Acordo de Apoio Logístico (LSA) para aquisição de mais peças de reposição. Em termos de atualização seriam incorporados os sistemas de controle de fogo norte-americanos Singer Librascope Mark I digital, sonar de alcance passivo Sperry, periscópios, comunicações e sistemas de controle de incêndio, além da customização para operação com torpedos MK-48. Este seria o único programa realizado em todos os 27 navios desta classe, estendendo a vida útil destes navios até o final da década de 1990, quando foram substituídos pelos submarinos da classe Upholder. Cabe o registro de que no ano de 1982 durante a Guerra das Falklands – Malvinas, o HMS Onyx operaria no arquipélago em conflagração, desembarcando membros o Special Boat Service (SBS - Serviço Especial de Barco). Todos os submarinos da classe Oberon da Marinha Real (Royal Navy), seriam retirados da ativa até o final da década de 1980, sendo substituídos pelos navios convencionais de propulsão diesel elétrico das classes  Upholder e  Collins.    

Emprego na Marinha do Brasil.
Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, a Flotilha de Submersíveis  mantinha-se operacional com grande dificuldade, contando apenas com 04  submarinos de origem italiana das classes Balilla e Humaytá, cujas limitações técnicas já os tornavam praticamente incapazes de atender às exigências da moderna guerra submarina. Esse quadro de acentuada defasagem persistiu até meados da década de 1950, quando o governo brasileiro decidiu iniciar um amplo processo de modernização da força, baseado na aquisição de submarinos usados provenientes da reserva da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), por intermédio do Programa de Assistência para Defesa Mútua (MDAP). Como resultado desse esforço, em 1957 foram incorporados os submarinos Humaitá (S-14), ex-USS Muskallunge (SS-262), e Riachuelo (S-15), ex-USS Paddle (SS-263), ambos pertencentes à classe Gato. A chegada dessas embarcações representou um importante marco para a recuperação da capacidade operacional. Dotados do computador eletromecânico de direção de tiro TDC (Target Data Computer) Mk 3 Mod.5 e do moderno sonar passivo JP-1, os novos submarinos proporcionaram um significativo salto tecnológico em relação aos antigos navios italianos, restabelecendo uma capacidade mínima de emprego operacional e permitindo a retomada do adestramento em técnicas contemporâneas de guerra submarina. Em 1963, a tradicional Flotilha de Submersíveis foi reorganizada e passou a denominar-se Força de Submarinos, sendo criada, no mesmo ano, a Escola de Submarinos, responsável pela formação e especialização de oficiais e praças submarinistas. Ainda em 1963, seriam incorporados 02 submarinos da classe Balao, o Rio Grande do Sul (S-11) e o Bahia (S-12). Uma nova etapa de modernização teve início em 1972,  com o recebimento gradual de 07 navios das Classes GUPPY II e III, a saber o  Guanabara (S-10), ex-USS Dogfish (SS-350); Rio Grande do Sul (S-11), ex-USS Grampus (SS-523); Bahia (S-12), ex-USS Sea Leopard (SS-483); Rio de Janeiro (S-13), ex-USS Odax (SS-484); Ceará (S-14), ex-USS Amberjack (SS-522); Goiás (S-15), ex-USS Trumpetfish (SS-425); e Amazonas (S-16), ex-USS Greenfish (SS-351). Esses submarinos representaram um salto qualitativo decisivo, introduzindo novos conceitos táticos e operacionais decorrentes das profundas modernizações realizadas pelo programa Greater Underwater Propulsion Power . Entre as principais inovações destacavam-se a adoção do esnorquel, baterias de maior capacidade, casco hidrodinamicamente aperfeiçoado, sensores mais modernos e melhores características de navegação submersa, aproximando-os do conceito dos submarinos convencionais do pós-guerra. Nesse contexto, o Rio Grande do Sul (S-11) destacou-se por realizar, pela primeira vez , operações empregando o sistema de esnorquel, marco que lhe valeu o título de "O Pioneiro". A introdução desse equipamento revolucionou a doutrina de emprego, permitindo longos períodos de navegação submersa sem a necessidade de emergir para recarregar as baterias, aumentando significativamente a discrição, a autonomia e a capacidade de sobrevivência.

Embora os submarinos das classes Gato, Balao e GUPPY II/III em serviço no pais, ainda apresentassem desempenho satisfatório no cumprimento de suas missões, tratava-se de embarcações concebidas e construídas durante a década de 1940, que já evidenciavam acentuado desgaste estrutural e crescente defasagem tecnológica diante dos modelos de nova geração. Além da fadiga natural do casco, seus sistemas de propulsão, sensores e direção de tiro tornavam-se progressivamente inadequados para enfrentar as exigências impostas pela moderna guerra submarina. A necessidade de renovação  foi incorporada ao Programa de Reaparelhamento, cuja revisão, realizada no final da década de 1960, estabeleceu um ambicioso plano de modernização. Previa a incorporação de dezenas de navios de combate e de apoio e  nesse contexto, a renovação da Força de Submarinos  passou a ocupar posição de destaque.  Diferentemente do programa de construção das novas fragatas, cuja fabricação poderia ser gradualmente absorvida pela indústria naval nacional, a construção de submarinos foi considerada inviável naquele momento, tendo em vista a necessidade de implementar rapidamente uma moderna doutrina operacional. A elevada complexidade tecnológica dessas embarcações, aliada à inexistência de experiência nacional em seu projeto e fabricação, levaria a opção pela aquisição embarcações no mercado internacional. Assim, em 1968,  foram iniciados estudos destinados à seleção de um novo submarino convencional, envolvendo propostas apresentadas por diversos estaleiros internacionais. Após criteriosa avaliação técnica e operacional, a escolha recaiu sobre a proposta da Vickers Limited, do Reino Unido, cuja oferta destacava-se não apenas pelas excelentes características da embarcação, mas também pela disposição do governo britânico em autorizar a exportação de sistemas e equipamentos de tecnologia mais avançada, sem as restrições normalmente impostas por outros fornecedores. A aquisição dessas duas unidades foi oficialmente aprovada durante a revisão do Programa de Construção Naval de 1968, por meio do Aviso nº 1502 (Confidencial), de 16 de maio de 1968, marcando o início de uma nova etapa na evolução da Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Estes seriam  equipados com uma eletrônica embarcada inédita em submersíveis no pais até então, sendo composta principalmente pelo sistema digital de direção de tiro Ferranti TIOS 24B, que fazia uso de computadores eletrônicos dedicados ao cálculo automático de soluções de tiro, representando um significativo salto tecnológico em relação aos sistemas eletromecânicos empregados nas classes anteriores. O conjunto de sensores também representava uma evolução substancial, sendo composto pelo sonar passivo/ativo de média frequência Thorn EMI Type 197CA, instalado em um grande domo na região da proa e destinado às missões de busca, acompanhamento e ataque, complementado pelo hidrofone lateral de baixa frequência BAC Type 2007AA, otimizado para detecção passiva de contatos submarinos a longas distâncias. 
O Humaitá (S-20) teve sua quilha foi batida em 3 de novembro de 1970, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, em Barrow-in-Furness, durante cerimônia que contou com a presença do Ministro da Marinha e autoridades de alto escalão. O lançamento ao mar ocorreu em 5 de outubro de 1971 e após  a conclusão dos trabalhos de acabamento, instalação dos sistemas e realização dos ensaios de mar, o submarino foi submetido à Mostra de Armamento e oficialmente incorporado em 18 de junho de 1973, conforme o Aviso nº 0466, de 25 de maio de 1973. Em 16 de outubro de 1973, suspendeu de Barrow-in-Furness, durante a travessia realizou escalas em Portsmouth (Reino Unido), Lisboa (Portugal), Las Palmas (Ilhas Canárias) e Dakar (Senegal), chegando ao porto de Recife, em 30 de novembro de 1973. Essa viagem marcou um feito inédito para a Marinha do Brasil. O trecho entre Dakar e Recife foi percorrido integralmente em imersão, tornando-se a primeira travessia transatlântica realizada submersa por um submarino brasileiro. A navegação permaneceu em imersão durante aproximadamente doze dias e meio, demonstrando, na prática, as elevadas capacidades operacionais da classe e o amadurecimento técnico alcançado. Ao longo das décadas de 1970 e 1980,  participou intensamente dos principais exercícios navais nacionais e multinacionais. Entre eles destacaram-se as operações UNITAS XV, UNITAS XVI, UNITAS XIX, READEX I/77, READEX 78, ASPIRANTEX 88/TROPICALEX I/88 e TEMPEREX I/88, consolidando-se como um dos submarinos mais ativos da esquadra. Em 1987, estabeleceu um novo recorde operacional ao permanecer 23 dias consecutivos em imersão durante uma travessia entre a costa africana e o Brasil, demonstrando a elevada confiabilidade da plataforma e o elevado grau de preparo de sua tripulação. O intenso ritmo operacional manteve-se durante a década de 1990. Ao completar 20 anos de serviço, em 1993, já havia acumulado mais de 14.000 horas de navegação em imersão, sendo agraciado, pela primeira vez, com o Troféu Eficiência, distinção concedida às unidades que mais se destacavam em desempenho operacional e preparo. Em 26 de abril de 1995, participou de um exercício inédito de operações especiais realizado ao sul da Ilha Grande, envolvendo um encontro oceânico com uma aeronave C-115 Búfalo do 1º GTT. Durante a missão, uma equipe de 07 Mergulhadores Especiais de Combate (MEC) foi lançada de paraquedas e recolhida pelo submarino em alto-mar. Após o embarque, os militares executaram, com êxito, um ataque simulado contra o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry (K-11), fundeado em uma enseada na porção norte da Ilha Grande. A operação constituiu um importante marco na integração entre a aviação de transporte e as forças especiais. Após quase vinte e três anos de intenso emprego operacional, o Humaitá (S-20) foi desativado em 8 de abril de 1996. Durante sua carreira na Marinha do Brasil, percorreu 151.258,7 milhas náuticas, acumulou 1.193,5 dias de mar, mais de 14.000 horas de navegação em imersão e realizou o lançamento de 173 torpedos em exercícios e programas de adestramento.

O  Tonelero (S-21) teve sua quilha batida em 15 de novembro de 1971, e o lançamento ao mar ocorreu em 22 de novembro de 1972, em cerimônia que contou com a presença de representantes da Marinha do Brasil e da indústria naval britânica. Em 2 de outubro de 1973, quando a construção já se encontrava em estágio avançado, um incêndio de grandes proporções atingiu o submarino ainda no estaleiro. O sinistro provocou sérios danos aos compartimentos internos, sistemas elétricos, cabeamento e equipamentos já instalados, exigindo a reconstrução de parte significativa da embarcação. Como consequência, o cronograma original sofreu um atraso de aproximadamente quatro anos. Concluídos os extensos trabalhos de recuperação e os ensaios de aceitação,  foi submetido à Mostra de Armamento e incorporado ao serviço ativo em 10 de dezembro de 1977.  Antes de sua entrega definitiva, em 1º de novembro de 1977, a embarcação foi aceita pelo Presidente do Grupo de Fiscalização e Recebimento de Submarinos na Inglaterra (GFRSI). Na sequência, foi submetida ao programa de avaliação operacional (work-up), durante essa fase, realizou provas completas de desempenho, incluindo testes em raia acústica, procedimentos de desmagnetização (degaussing) e avaliações do sistema de direção de tiro durante os Weapons Sea Trials, certificando plenamente suas capacidades operacionais antes da entrega à Marinha do Brasil. Em 25 de julho de 1978,  suspendeu de Barrow-in-Furness, durante a travessia estabeleceu um novo recorde para  ao permanecer 20 dias e meio em imersão contínua, totalizando 481 horas e 54 minutos e percorrendo 2.675,8 milhas náuticas sem necessidade de emergir. Ao longo das duas décadas seguintes,  participou de praticamente todos os principais exercícios navais promovidos pela Marinha do Brasil e de operações combinadas com marinhas estrangeiras, consolidando-se como uma das unidades mais empregadas contribuindo decisivamente para o aperfeiçoamento da doutrina nacional de guerra submarina. Em 1997, durante um extenso Período de Manutenção Geral, recebeu uma importante modernização de seus sistemas de detecção. O sonar original Thorn EMI Type 187 foi substituído pelo moderno Atlas Elektronik CSU 90-61, integrado ao sistema de direção de tiro Ferranti TIOS, ampliando significativamente a capacidade de detecção, classificação e acompanhamento de contatos submarinos e de superfície. O sonar de busca Type 2004 foi mantido em serviço, preservando a arquitetura original da suíte de sensores. Após 24 anos de intensa atividade operacional,  foi desativado em 21 de junho de 2001, conforme o Aviso Ministerial de 13 de junho de 2001. Ao encerrar sua carreira, havia acumulado 168.368 milhas náuticas navegadas, das quais 80.636 milhas em imersão, totalizando 1.286 dias de mar, 18.468 horas de navegação submersa e o lançamento de 154 torpedos durante exercícios e programas de adestramento. À época de sua baixa, detinha os recordes da Força de Submarinos em horas de imersão e dias de mar, refletindo uma trajetória marcada por elevado índice de emprego operacional e importante contribuição para a consolidação da doutrina submarina.
O bom desempenho operacional  levaria em maio de 1972 a  negociações para a construção de uma terceira unidade, conforme estabelecido pelo Memorando nº 0048, de 24 de maio de 1972, da Diretoria-Geral do Material da Marinha (DGMM). As tratativas culminaram na assinatura da Emenda Contratual nº 59, em 18 de agosto de 1972, que autorizou formalmente sua construção. Receberia o nome de Riachuelo (S-22), em homenagem à histórica Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865 durante a Guerra da Tríplice Aliança. Sua quilha foi batida em 26 de maio de 1973, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, com seu lançamento ao mar ocorrendo em 6 de setembro de 1975.  Concluídos os ensaios de aceitação,  foi submetido à Mostra de Armamento e incorporado em 12 de março de 1977. Logo após sua incorporação, foi submetido ao programa de certificação operacional (work-up), sendo realizadas provas completas de desempenho, incluindo testes em raia acústica, procedimentos de desmagnetização (degaussing) e a verificação do sistema de direção de tiro durante os Weapons Sea Trials, sendo considerado plenamente apto ao serviço operacional. Em 28 de julho de 1978, uspendeu de Barrow-in-Furness, iniciando sua viagem de entrega ao Brasil.  Ao longo de mais de duas décadas de serviço, participou dos principais exercícios navais nacionais e internacionais realizados pela Marinha do Brasil, entre os quais se destacam as operações UNITAS XVIII, UNITAS XIX, UNITAS XXI, UNITAS XXII, UNITAS XXVI e UNITAS XXVII, além dos exercícios DRAGÃO XIII, DRAGÃO XVII, Operação Anfíbia PISCES, ATLANTIS, FASEX II, ARRASTÃO X, INOPINEX 81, COSTEIREX-SE I, FRATERNO IX, FRATERNO XII, CARIBE/88, INTERPORTEX e ASPIRANTEX NORTE/94. Durante seu Período de Manutenção Geral (PMG),  recebeu importantes aperfeiçoamentos técnicos, destacando-se a substituição do conjunto original de baterias por novas baterias de grande capacidade produzidas no Brasil pela empresa Saturnia Ltda.. O Riachuelo tornou-se, assim, o primeiro submarino da classe  e o segundo da Marinha do Brasil a operar com esse novo sistema de acumulação de energia, aumentando sua autonomia em imersão e reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. Em 12 de novembro de 1997, após mais de 20 anos de intensa atividade operacional, o Riachuelo (S-22) foi oficialmente retirado do serviço ativo. Na ocasião, foi submetido à Mostra de Desarmamento e reclassificado durante cerimônia realizada na Base Almirante Castro e Silva (BACS). Ao longo de sua carreira,  percorreu 181.924 milhas náuticas, acumulou 1.283,5 dias de mar, 17.699 horas e 41 minutos de navegação em imersão e realizou o lançamento de 172 torpedos durante exercícios e programas de adestramento. Após sua desativação,  foi preservado por seu elevado valor histórico e transferido ao Serviço de Documentação da Marinha (SDM), sendo convertido em Submarino-Museu. Atualmente encontra-se atracado no cais do Espaço Cultural da Marinha, nas proximidades da Praça XV de Novembro, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Em Escala.
Para representarmos o submarino da classe Oberon (Humaitá) S22 Riachuelo pertencente a Força de Submarinos da Marinha do Brasil, fizemos uso do kit em resina na escala 1/350 produzido pela OZ Mods. Não há a necessidade de se implementar qualquer alteração no modelo para se compor a embarcação operada no pais.  Fizemos uso de decais constantes no próprio kit, que permitem representar os três submersíveis brasileiros desta classe.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o único padrão de pintura empregado em todos nos submarinos da classe Oberon (Humaitá). Este esquema com pequena com variações na identificação dos navios seria utilizado em todos os submarinos desta classe até sua retirada do serviço ativo, entre os anos de 1996, 1997 e 2001. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors. 
Bibliografia : 
Submarinos Classe Oberon - https://en.wikipedia.org/wiki/Oberon-class_submarine
- Cesare Laurenti – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Laurenti 
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/