A Alemanha consolidou, ao longo de mais de um século, uma posição de destaque no desenvolvimento, construção e emprego de submarinos, estabelecendo uma tradição que exerceu profunda influência sobre a guerra naval moderna. Essa supremacia começou a se evidenciar durante a Primeira Guerra Mundial, empregados inicialmente contra navios de guerra e, posteriormente, em uma campanha de guerra irrestrita, passaram a atacar indiscriminadamente navios mercantes e de passageiros, causando graves prejuízos ao esforço logístico da Entente. O êxito da guerra submarina alemã resultou da combinação de novas doutrinas de emprego com importantes avanços tecnológicos, como a propulsão diesel-elétrica, baterias de maior capacidade, periscópios aperfeiçoados, torpedos autopropulsados e modernos sistemas de navegação e detecção. Durante a Primeira Guerra Mundial, afundaram mais de 5.000 embarcações, obrigando os Aliados a desenvolverem sistemas de comboios, escoltas e novas técnicas antissubmarino. Embora o Tratado de Versalhes proibisse o país de construir e operar submarinos, o país preservou clandestinamente seu conhecimento técnico por meio de empresas de fachada e programas de cooperação internacional. Com o início do rearmamento alemão, essas restrições foram gradualmente abandonadas e, em 1935, o Acordo Naval Anglo-Alemão autorizou a reconstrução da força submarina alemã. Quando a Segunda Guerra Mundial teve início, em setembro de 1939, a Alemanha encontrava-se em inferioridade frente às poderosas marinhas de superfície aliadas. Para compensar essa desvantagem, a Marinha Alemã (Kriegsmarine) concentrou seus esforços na guerra submarina, empregando os U-boots para interromper as linhas de suprimento entre a América do Norte e o Reino Unido. Essa campanha deu origem à Batalha do Atlântico, o mais longo confronto naval da história, travado entre 3 de setembro de 1939 e 8 de maio de 1945, totalizando 05 anos, 08 meses e 05 dias de combates contínuos. Neste período, centenas de submarinos, navios de guerra e milhares de embarcações mercantes envolveram-se na disputa pelo controle das linhas de comunicação marítima. Ao longo do conflito, a indústria alemã aperfeiçoou continuamente seus submarinos, introduzindo motores mais eficientes, baterias de maior capacidade, periscópios aprimorados, novos sistemas de comunicações e detecção, torpedos mais confiáveis e cascos hidrodinamicamente mais eficientes, elevando significativamente seu desempenho. Essas inovações tinham como objetivo aumentar a velocidade em imersão, ampliar a autonomia operacional e reduzir as possibilidades de detecção pelos meios antissubmarino aliados. Nesse contexto, destacaram-se principalmente duas famílias, a primeira composta pelos Type VII, de porte médio destinadas às operações no Atlântico Norte e no Mar do Norte, que se tornaram os mais produzidos e bem-sucedidos. A segunda formada pelos Type IX, submarinos oceânicos de longo alcance, capazes de operar em áreas distantes, como o Atlântico Sul, o Oceano Índico e até mesmo a costa leste das Américas.
Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, permaneceria impedida de possuir forças navais ofensivas em decorrência das restrições impostas pelas potências vencedoras. Somente com a criação da República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e o agravamento da Guerra Fria tornou-se possível a reconstrução gradual de sua capacidade militar. Em 1955, foi criada a Bundesmarine, e, no mesmo ano, o país ingressou na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), possibilitando o renascimento de sua indústria naval. Nos primeiros anos, entretanto, a marinha não dispunha de submarinos próprios, concentrando seus esforços na recuperação do conhecimento técnico perdido após o conflito e na formação de uma nova geração de projetistas, engenheiros e tripulações. A experiência acumulada com os revolucionários Type XXI e XXIII serviu como base conceitual para o desenvolvimento dos novos projetos. O primeiro submarino concebido no pós-guerra foi o Type 201, cuja construção teve início em 1959 nos estaleiros Howaldtswerke, em Kiel. O projeto incorporava diversas soluções inovadoras, destacando-se o emprego de aço amagnético, destinado a reduzir sua vulnerabilidade às minas navais de influência magnética. Entretanto, problemas estruturais decorrentes da utilização desse novo material comprometeram sua confiabilidade operacional. Como consequência dos problemas verificados, apenas 03 unidades foram concluídas, levando à reformulação completa do projeto. As lições aprendidas resultaram no Type 205, que incorporava reforços estruturais, novos sistemas eletrônicos e melhorias na propulsão e navegação. Projetado para operar nas águas rasas do Mar Báltico, destacava-se pela elevada manobrabilidade e reduzida assinatura acústica. Entre 1962 e 1969, foram construídos 13 submarinos, que constituíram a espinha dorsal da força submarina da Bundesmarine durante a década de 1960. Sua evolução culminou no Type 206, que manteve as dimensões compactas do antecessor, incorporando sistemas eletrônicos mais modernos, maior confiabilidade mecânica e casco em aço amagnético. Foram construídas 18 unidades, que permaneceram em serviço durante toda a Guerra Fria, sendo duas posteriormente transferidas para a Marinha da Colômbia. No início da década de 1970, muitas marinhas buscavam substituir os submarinos norte-americanos e britânicos herdados do pós-guerra, já tecnologicamente ultrapassados. O mercado oferecia poucas opções de submarinos convencionais modernos, destacando-se as classes francesa Daphné e britânica Oberon, ambas eficientes, porém de elevado custo e complexidade operacional para diversas marinhas. Percebendo essa lacuna no mercado internacional, a indústria naval alemã identificou uma importante oportunidade comercial. A Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW) iniciou então os estudos para desenvolver uma nova geração de submarinos convencionais que combinasse dimensões reduzidas, elevada eficiência operacional, simplicidade de operação, baixo custo de manutenção e grande confiabilidade.
O desenvolvimento foi coordenado pelo Ministério Federal da Defesa da Alemanha e confiado à empresa de engenharia naval Ingenieurkontor Lübeck (IKL), sob a liderança do engenheiro naval Ulrich Gabler. Baseado no Tipo 206, incorporava seus principais conceitos estruturais e hidrodinâmicos, mas foi projetado para poder operar tanto em águas costeiras quanto oceânicas. Sua arquitetura empregava um casco resistente de configuração única (single-hull), solução que proporcionava vantagens operacionais e facilitava a manutenção. O arranjo interno foi cuidadosamente planejado para otimizar a distribuição dos compartimentos, permitindo que o comandante, ao utilizar o periscópio, mantivesse ampla percepção longitudinal da embarcação, desde a proa até a popa, favorecendo o controle das operações durante as diversas fases da missão. A geometria do casco recebeu especial atenção quanto à redução da assinatura acústica, objetivo considerado prioritário em um período marcado pelo intenso desenvolvimento das tecnologias de guerra antissubmarino. O formato hidrodinâmico e o isolamento dos equipamentos reduziam a assinatura acústica e a refletividade aos sonares ativos, ampliando a capacidade do submarino de operar de forma furtiva. A autonomia em imersão era assegurada por quatro bancos de baterias, totalizando 480 células e representando cerca de um quarto do deslocamento da embarcação. A propulsão diesel-elétrica utilizava 04 motores MTU 12V493 TY60 de 800 hp, acoplados a geradores AEG que alimentavam o motor elétrico principal, responsável por acionar um único eixo com hélice de 05 ou 07 pás, configurada de acordo com os requisitos do cliente. Uma das principais inovações do projeto era sua concepção modular, que permitia adaptar às necessidades operacionais e orçamentárias de diferentes marinhas. O projeto previa deslocamento de cerca de 1.000 toneladas, mas sua estrutura possibilitava ampliações de até 50%, oferecendo maior autonomia, profundidade operacional e capacidade para missões prolongadas em mar aberto. O aumento do deslocamento permitia incorporar sistemas eletrônicos mais avançados e maior capacidade de combustível, tornando o projeto especialmente adequado para marinhas com extensas áreas de atuação. No armamento, a configuração previa 08 tubos lança-torpedos de 533 mm na proa, compatíveis com torpedos pesados, podendo transportar até 14 torpedos ou 24 minas. Previa-se a integração de misseis UGM-84 Harpoon, lançado pelos tubos de torpedo. Essa capacidade ampliava significativamente o alcance ofensivo, permitindo atacar navios de superfície a distâncias superiores às dos torpedos. Os sistemas de combate refletiam a filosofia modular , permitindo a integração de diferentes sistemas de comando, controle e direção de tiro, conforme as necessidades de cada operador. Também admitia a instalação de modernos sensores acústicos, como sonares de casco, passivos e de flanco (flank array), proporcionando elevada capacidade de detecção, classificação e acompanhamento de alvos submarinos e de superfície, mesmo em ambientes acústicos complexo
Desta maneira os submarinos Classe 209, foram concebidos para cumprir uma ampla variedade de missões, destacando-se pela capacidade de executar operações de negação e controle do mar, patrulhamento, vigilância, coleta de informações de inteligência e apoio a operações especiais, reunindo em um único projeto elevado poder de combate, grande autonomia em imersão, altas velocidades submersas, reduzidas assinaturas acústica e magnética e excelentes características de manobrabilidade. Um dos principais diferenciais do programa residia na estratégia comercial adotada pelo consórcio alemão, que estruturou o projeto de forma modular e altamente flexível. O primeiro contrato de exportação seria firmado em 1972 com a Marinha Helênica (Polemikó Naftikó), que encomendou 04 submarinos do modelo Type 209/1100, posteriormente incorporados como Classe Glafkos. Dois anos mais tarde, em 1974, a Argentina contrataria duas unidades da variante Type 209/1200, que passaram a integrar a Classe Salta. Os excelentes resultados obtidos durante a operação das primeiras embarcações, aliados à elevada confiabilidade e à favorável relação entre custo e capacidade militar, rapidamente consolidaram a reputação internacional da Classe 209. A partir de 1976, novos contratos de exportação foram celebrados, ampliando significativamente a presença do projeto em diversas regiões do mundo. Entre os novos operadores figuravam a Colômbia, com a Classe Pijao (Type 209/1200); o Peru, com a Classe Islay (Type 209/1100); a Venezuela, com a Classe Sábalo (Type 209/1300); o Equador, com a Classe Shyri (Type 209/1300); o Chile, com a Classe Thomson (Type 209/1400); e a Indonésia, com a Classe Cakra (Type 209/1300). A Turquia também se tornaria um dos principais operadores da família. Inicialmente, foi firmado um contrato para a construção de seis submarinos Type 209/1200, incorporados como Classe Atılay. Posteriormente, entre 1989 e 2007, foram construídas outras oito unidades pertencentes às classes Preveze e Gür, consolidando a Marinha Turca (Türk Donanması) como a maior operadora mundial da família Classe 209 e, consequentemente, a principal usuária de submarinos de projeto alemão. O contínuo aperfeiçoamento do projeto ao longo das décadas manteve a Classe 209 tecnologicamente competitiva e assegurou novos contratos internacionais, ampliando sua presença em marinhas como as de Israel, África do Sul, Brasil, Coreia do Sul e Egito. Essa trajetória consolidou o modelo como um dos maiores sucessos da indústria naval militar alemã no período pós-Segunda Guerra Mundial, tornando-o uma das classes de submarinos convencionais mais exportadas e bem-sucedidas da história. Nem todas as negociações, entretanto, chegaram a ser concretizadas. Em 1977, o governo do Irã formalizou a aquisição de seis submarinos Tipo 209, em um contrato que representaria uma das maiores encomendas da época. Contudo, a Revolução Iraniana de 1979 e a ascensão do Aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder levaram ao cancelamento definitivo do programa, impedindo que aquelas embarcações fossem construídas e incorporadas à Marinha Iraniana.
O único registro oficial de emprego em um conflito de grande intensidade ocorreu durante a Guerra das Falklands/Malvinas, em 1982. Na ocasião, o submarino argentino ARA San Luis (Type 209/1200) realizou patrulhas de combate contra a força-tarefa britânica e efetuou o lançamento de torpedos guiados por fio SST-4. Entretanto, falhas técnicas relacionadas à montagem e à confiabilidade do sistema de armas comprometeram o desempenho dos torpedos, que não seguiram corretamente suas trajetórias nem atingiram os alvos designados. Apesar desse revés, a atuação do ARA San Luis demonstrou a elevada discrição acústica proporcionada pelo projeto, uma vez que o submarino conseguiu permanecer oculto durante toda a campanha, escapando aos intensos esforços da guerra antissubmarino conduzidos pela Marinha Real (Royal Navy). A partir do final da década de 1990, diversos operadores iniciaram amplos programas de modernização com o objetivo de prolongar a vida útil e adequá-las às exigências do ambiente operacional contemporâneo. As atualizações abrangeram sistemas de combate, sensores, eletrônica embarcada, armamentos e conjuntos propulsores, preservando a competitividade da Classe 209 frente às novas ameaças. Entre os programas de maior destaque figurou a modernização da Classe Sábalo, da Marinha da Venezuela, cujos submarinos tiveram o casco ligeiramente alongado para acomodar uma nova cúpula de sonar inspirada na utilizada pelos submarinos alemães Type 206. Na Indonésia, os submarinos Type 209/1300 da Classe Cakra passaram por um extenso processo de revitalização conduzido pelo estaleiro sul-coreano Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME), recebendo novas baterias, motores revisados e modernos sistemas de combate. Outra importante evolução tecnológica foi a possibilidade de incorporar sistemas de Propulsão Independente do Ar (AIP), capazes de ampliar significativamente a permanência submersa dos submarinos. Os primeiros exemplares da família a receber essa capacidade foram os Type 209/1200 da Classe Poseidon, da Marinha Helênica, no âmbito do programa Neptune II. Na Coreia do Sul, os submarinos da Classe Jang Bogo também passaram por uma profunda modernização durante o século XXI, incluindo o aumento do deslocamento de aproximadamente 1.200 para 1.400 toneladas e a integração de sistemas nacionais de contramedidas acústicas contra torpedos (TACM). A extraordinária longevidade da Classe 209 constitui um dos maiores testemunhos do sucesso do projeto alemão. Concebida no início da década de 1970, a plataforma permaneceu tecnologicamente relevante graças à sua arquitetura modular, que permitiu sucessivas modernizações ao longo de mais de cinco décadas de serviço. Ao todo, foram construídos 72 submarinos, dos quais a grande maioria continua em operação em diversas marinhas ao redor do mundo, enquanto outros permanecem preservados em condição de reserva, confirmando como uma das famílias de submarinos convencionais de maior êxito comercial e operacional da história da indústria naval militar.
Emprego na Marinha do Brasil.
No final da década de 1970, seria iniciado um amplo processo de modernização de sua Força de Submarinos, com o objetivo de reduzir a dependência externa na aquisição e manutenção desses meios. Até então, a capacidade submarina nacional baseava-se em embarcações de origem norte-americana e britânica, como as classes Guanabara (GUPPY II/III), Humaitá (Gato) e Riachuelo (Oberon). Em 1979, no contexto do programa de reaparelhamento da Esquadra, foi definida como prioridade a substituição desses submarinos por um modelo que pudesse ser construído no Brasil, promovendo a transferência de tecnologia e o fortalecimento da indústria naval. Para esse objetivo, foi criada uma comissão técnica para avaliar os principais projetos disponíveis no mercado internacional. Após os estudos, a escolha recaiu sobre o submarino IKL 209/1400, da alemã Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW), considerado o modelo que melhor combinava desempenho operacional, custos de operação e potencial de transferência de tecnologia para a construção no Brasil. Em dezembro de 1982, foram assinados contratos que marcaram o início do Programa de Construção de Submarinos da Classe Tupi. O primeiro previa a construção de um submarino IKL 209/1400 na Alemanha, enquanto o segundo contemplava o fornecimento de ferramental, materiais, documentação técnica e assistência especializada para viabilizar a construção de uma segunda unidade no país. Designados, respectivamente, como Boat e Package I, esses contratos somavam cerca de 454 milhões de marcos alemães e entraram em vigor em julho de 1984. Em março de 1985, um novo financiamento externo permitiu a assinatura de outro contrato, semelhante ao Package I, destinado à construção de mais duas unidades. Os submarinos da Classe Tupi apresentavam um raio de ação de aproximadamente 10.000 milhas náuticas, navegando a 8 nós na superfície ou utilizando o snorkel, enquanto em imersão podiam percorrer cerca de 25 milhas náuticas a 21,5 nós, 50 milhas a 16 nós, 230 milhas a 8 nós e 400 milhas a 4 nós, empregando exclusivamente seus motores elétricos. A autonomia operacional alcançava aproximadamente 50 dias, e a profundidade máxima de mergulho era estimada em 250 mts, conferindo elevada flexibilidade para operações de patrulha, vigilância e guerra antissubmarino. Outro importante diferencial era sua avançada suíte eletrônica, considerada uma das mais modernas então disponíveis para submarinos convencionais. O conjunto incluía o sistema de medidas de apoio à guerra eletrônica Thomson-CSF DR-4000 (ESM), o sistema de controle de armas Ferranti KAFS-A10, o radar de navegação Thomson-CSF Calypso III, o sonar passivo/ativo Atlas Elektronik CSU-83/1, periscópios Kollmorgen Modelo 76 e o sistema de navegação inercial Sperry Mk 29 Mod.2. Como armamento, optou-se pelos torpedos britânicos guiados por fio Marconi Underwater Systems Mk 24 Tigerfish Mod.1, já empregados com sucesso nos submarinos da Classe Humaitá (Oberon), simplificando a logística e o treinamento das tripulações.
A construção do primeiro submarino desta classe teve início em novembro de 1984, paralelamente, foi implementado um amplo programa de capacitação que enviou engenheiros, técnicos e militares brasileiros à Alemanha para acompanhar sua construção e absorver conhecimentos sobre operação, manutenção e fabricação. Essa iniciativa foi fundamental para viabilizar a nacionalização da construção das demais unidades previstas no contrato. O primeiro submarino batizando como Tupi (S30), teve sua quilha batida em 8 de março de 1985. Após um rigoroso programa de construção, integração de sistemas, provas de cais e extensivos testes de mar realizados no Mar Báltico, o navio foi oficialmente entregue em 20 de dezembro de 1988. Foi incorporado à Esquadra em 6 de maio de 1989. Pouco depois, deixou o porto de Kiel com destino ao Brasil, realizando escalas em Lisboa e Recife, antes de chegar ao Rio de Janeiro em 27 de junho. Sua primeira participação ocorreu na Operação TROPICALEX-II/90, integrando uma força-tarefa liderada pelo então Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, onde executou exercícios de guerra antissubmarino, ataques simulados contra unidades de superfície e treinamento conjunto com navios, aeronaves e helicópteros da Marinha e da Força Aérea Brasileira. Nas décadas seguintes, o submarino tornou-se presença constante nos principais exercícios navais nacionais, entre eles ASPIRANTEX, ADEREX, TEMPEREX, FRATERNO e MISSEX. Nessas comissões desempenhou missões de patrulha, reconhecimento, infiltração de forças especiais, lançamento simulado de torpedos, minagem ofensiva e treinamento de guerra antissubmarino, contribuindo para o adestramento das tripulações da Esquadra e da Aviação Naval. Em diversas oportunidades também participou de exercícios internacionais com marinhas sul-americanas, reforçando a interoperabilidade regional. Ao longo de sua carreira, o Tupi passou por diversos períodos de manutenção e modernização destinados a preservar sua capacidade operacional. Em 2025, concluiu seu 2º Período de Docagem de Rotina (PDR) permitindo estender sua vida útil. O S31 Tamoio possui um lugar de destaque na história naval brasileira por ter sido o primeiro submarino construído integralmente no Brasil. Teve sua quilha batida em 15 de julho de 1986 e foi lançado ao mar e batizado em 18 de novembro de 1993, em 14 de julho de 1994, o Tamoio realizou sua primeira saída ao mar. Concluído o programa de avaliações, o navio foi oficialmente incorporado à Esquadra em 17 de julho de 1995. Ao completar seu primeiro ano de serviço operacional, em dezembro de 1995, o Tamoio já acumulava expressiva experiência, totalizando 118 dias de mar, cerca de 12.500 milhas navegadas e 1.196 horas de imersão, além de participação em importantes exercícios multinacionais, como as Operações UNITAS, FRATERNO e DRAGÃO. Em 1996, durante um exercício de lançamento real de torpedos, o Tamoio afundou o casco do antigo contratorpedeiro D25 Marcílio Dias, utilizado como alvo, empregando um torpedo Mk 24 Tigerfish.

Em maio de 1997, o Tamoio participou da Operação LINKED SEAS 97, exercício da OTAN realizado entre a costa portuguesa e o Estreito de Gibraltar. Durante as simulações, destacou-se ao romper o dispositivo de escolta e realizar um ataque virtual bem-sucedido contra o porta-aviões espanhol Príncipe de Asturias (R11), um dos maiores feitos de sua carreira operacional. Após quase três décadas de relevantes serviços prestados à defesa nacional, teve sua baixa do serviço ativo oficializada pela Portaria nº 224/MB/MD, publicada em 11 de setembro de 2023, atendendo ao planejamento normal de renovação da Força de Submarinos, acompanhando a substituição gradual dos meios mais antigos pelos novos submarinos do PROSUB. O Timbira (S32) teve sua quilha batida em 15 de setembro de 1987, em novembro de 1996, realizou suas primeiras provas de mar e de imersão, seguidas da Mostra de Armamento em dezembro. Entregue pelo AMRJ em 20 de janeiro de 1997, concluiu uma campanha de testes com apoio de técnicos alemães, sendo oficialmente incorporado à Esquadra em 22 de outubro de 1997. Sua estreia operacional ocorreu entre os dias 23 e 31 de março de 1998, durante a Operação ADEREX-I/98, quando integrou um Grupo-Tarefa sob o comando do Comandante da 1ª Divisão da Esquadra, desenvolvendo exercícios na área marítima compreendida entre o Rio de Janeiro e Santos. No início do ano seguinte, participou de um exercício de lançamento real de torpedos, afundando o casco do antigo contratorpedeiro Espírito Santo (D38) com um torpedo Mk 24 Tigerfish, demonstrando a plena capacidade operacional do sistema de armas da Classe Tupi. Ao longo de mais de duas décadas de serviço, o Timbira participou de inúmeros exercícios, operações e missões de adestramento, prestando relevantes serviços ao Comando da Força de Submarinos (ComForS) e contribuindo para a manutenção da capacidade dissuasória da Marinha do Brasil. Sua baixa do serviço ativo foi oficializada em 17 de fevereiro de 2023, por meio da Portaria nº 37/MB/MD, inicialmente, o casco permaneceu sob a guarda enquanto eram avaliadas possíveis destinações. Em 20 de abril de 2026, entretanto, a Marinha do Brasil realizou o afundamento controlado do ex-Timbira durante a Operação ADEREX Sup-Sub / Lançamento de Armas I – 2026, empregando-o como alvo real para treinamento de tiro naval. O Submarino Tapajó (S33) teve sua quilha batida em agosto de 1992, sendo lançado ao mar em 5 de junho de 1998, sendo incorporado em 21 de dezembro de 1999. Durante quase 24 anos de serviço, participou de diversas operações nacionais e internacionais, mantendo elevado grau de prontidão e contribuindo para o adestramento da Força de Submarinos. Sua retirada do Serviço Ativo da Armada foi oficializada em agosto de 2023, por intermédio da Portaria nº 195/MB/MD. Após a desativação, permaneceu atracado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), onde passaram por um processo de desmilitarização. Em março de 2026 foi definido o emprego de seu casco como alvo para exercícios operacionais.
A construção dos submarinos da Classe Tupi representou um marco para a indústria naval militar brasileira, consolidando a transferência de tecnologia e a capacitação nacional nas áreas de projeto, construção, integração de sistemas e manutenção de submarinos convencionais. A experiência acumulada ao longo desse programa criou a base técnica e industrial necessária para o desenvolvimento de uma nova geração de submarinos, destinada a complementar e, futuramente, substituir a Classe Tupi.O ponto de partida para esse novo projeto permaneceu sendo a comprovada plataforma alemã IKL 209, porém profundamente aperfeiçoada para atender às novas exigências operacionais da Marinha do Brasil. O objetivo consistia em desenvolver um submarino com maior deslocamento, autonomia e capacidade de combate, incorporando os avanços tecnológicos que caracterizavam a evolução da guerra submarina no final do século XX. Entre as principais melhorias destacavam-se a adoção de sensores de última geração, sistemas digitais de direção de tiro, radar de superfície mais moderno e a integração de novos armamentos, inicialmente os torpedos pesados Bofors T2000 e, posteriormente, os Mk 48, produzidos pela Westinghouse Naval Systems. O resultado desse processo foi o desenvolvimento de uma versão profundamente modificada do projeto original, denominada IKL 209/1500 Mod., da qual se originou a Classe Tikuna. O novo submarino apresentava deslocamento aproximado de 1.400 toneladas na superfície e 1.550 toneladas em imersão, comprimento de 62,05 metros, boca de 6,20 metros (7,60 metros considerando os hidroplanos de popa) e calado de 5,50 metros. Além das dimensões ampliadas, incorporava refinamentos hidrodinâmicos, maior resistência estrutural, sistemas eletrônicos mais sofisticados e elevado potencial para futuras modernizações. A primeira unidade da nova classe, o Tikuna (S34), foi encomendada ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) em junho de 1996. A fabricação das seções do casco resistente foi confiada à Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP), empresa já reconhecida por sua capacidade na produção de estruturas metálicas de alta complexidade para programas navais brasileiros. Foi batizado e lançado ao mar às 10:30h do dia 9 de março de 2005, tendo como madrinha Ângela Maria de Sousa da Silveira Carvalho, em cerimônia que contou com a presença do Sr. Presidente da República, Luis Ignácio Lula da Silva, do Vice-Presidente e Ministro da Defesa, José Alencar da Silva e do Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, entre outras autoridades civis e militares. Em 16 de dezembro de 2005, realizou-se a cerimônia de Mostra de Armamento e Incorporação à Armada, conforme a Portaria nº 313, de 5 de dezembro de 2005. A partir desse momento, o S34 Tikuna iniciou seu programa de provas de mar e avaliações operacionais, concluindo posteriormente sua entrada em serviço ativo na Esquadra, onde durante anos operaria com extrema proficiência.
Além de representar um significativo salto tecnológico em relação à Classe Tupi, tornou-se o primeiro submarino da Marinha do Brasil apto a empregar o moderno torpedo pesado Mk 48 Mod 6AT ADCAP, um dos armamentos mais avançados de sua categoria. Essa capacidade foi demonstrada em 12 de novembro de 2008, quando realizou, com pleno êxito, o lançamento operacional das duas primeiras unidades desse torpedo, ampliando significativamente o poder de combate da Força de Submarinos. Nos anos seguintes, participou intensamente dos principais exercícios navais nacionais e internacionais, destacando-se pelos elevados índices de disponibilidade operacional e por servir como plataforma para o desenvolvimento de novas doutrinas de emprego. Entre suas realizações mais relevantes destaca-se a inédita operação de VERTREP (Vertical Replenishment) realizada em 2 de maio de 2012, durante a qual foram efetuadas transferências de carga entre o submarino e helicópteros SH-60B Seahawk do Esquadrão HSL-42, da Marinha dos Estados Unidos. O exercício evidenciou o elevado grau de interoperabilidade alcançado em operações combinadas. Ao longo dos sucessivos Períodos de Manutenção Geral (PMG), tanto o Tikuna quanto os submarinos remanescentes da Classe Tupi receberam importantes atualizações tecnológicas. Entre elas destacou-se a incorporação do Sistema de Combate Integrado AN/BYG-501 MOD 1D, que possibilitou o emprego dos torpedos pesados Mk 48 Mod 6AT ADCAP também pelos submarinos da Classe Tupi, elevando significativamente sua capacidade operacional. Apesar da excelente folha de serviços, tornou-se evidente que, a médio prazo, a Classe Tupi deveria ser substituída. Esse entendimento levou, em 2008, à criação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), fruto de um acordo firmado entre o Brasil e a França para transferência de tecnologia e construção de quatro submarinos convencionais derivados da Classe Scorpène. A concentração dos investimentos no PROSUB resultou no cancelamento da construção da segunda unidade da Classe Tikuna, o Tapuia (S35). Posteriormente, diante dos atrasos na entrada em serviço dos novos submarinos da Classe Riachuelo, foram conduzidos, em 2019, estudos para remotorização dos submarinos Timbira (S32) e Tapajó (S33), mediante a instalação de motores MTU Série 396, elevando seus sistemas de propulsão ao padrão da classe Tikuna e prolongando sua vida útil operacional. Entretanto, restrições orçamentárias impediram a execução desse programa. Mais do que introduzir uma nova classe de submarinos, o programa Tupi/Tikuna consolidou o domínio nacional sobre o ciclo completo de projeto, construção, manutenção e modernização de submarinos convencionais. Essa experiência constituiu um dos principais alicerces tecnológicos e industriais que tornaram possível o desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e abriram caminho para a futura construção do submarino de propulsão nuclear brasileiro.
Em Escala.
Para representar o submarino IKL-209 1400 Classe Tupi - S30 Tupi, fizemos uso do novo kit em resina na escala 1/350 do fabricante brasileiro Argus Model. Empregamos alguns detalhamentos em scratch e photo etched (estes oriundos de outros modelos). Decais impressos pelo fabricante, presentes no modelo completam o conjunto.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão aplicado aos quatro submarinos da classe IKL-209 Tupi e ao único IKL 209 Mod Tikuna, operados pela Marinha do Brasil. Este esquema com variações na identificação dos navios seria utilizado em todos os submarinos destas classes até ao seu descomissionamento, ou até os dias de hoje dos navios que ainda se mantém na ativa. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia
- Os U-boot na Segunda Guerra Mundial (1939-1942) – Parte 1- https://historiamilitaremdebate.com.br/
- Submarino Tipo 206 - Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Type_206_submarine
- Submarino Tipo 209 - Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Type_209_submarine
- Força da Submarinos 90 Anos - 1914-2004; Niterói; ComFors; 2004.
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil