M3 - M3A1 & M5 Half Track no Brasil

Historia e Desenvolvimento. 

As origens dos carros com tração meia lagarta datam do início da década de 1920, quando na Europa começaram a ser lançados vários modelos destes para aplicação civil e militar, sendo rapidamente reconhecidos como de grande valor para a operação em ambiente fora de estrada. O modelo mais marcante era o francês Citroën-Kégresse, que fora criado inicialmente para o mercado civil sendo rapidamente customizado para o emprego militar como transporte o mesmo combate, sendo neste caso armado com metralhadoras ou até um canhão de 37 mm. O desempenho positivo gerou inúmeras exportações para a Citroen, e entre seus clientes estava o Exercito Americano, que solicitaria em 1932 a seus fornecedores de veículos militares o desenvolvimento de um veículo blindado meio lagarta nacional para transporte de tropas e cargas.

Nesse mesmo ano a empresa James Cunninghan & Sons apresentou ao comando do Exército Americano um caminhão blindado denominado T-14, este conceito levaria a empresa White Motor Company em meados de 1938 a desenvolver uma versão com meia tração do seu modelo M3 Scout Car, visando assim participar de uma promissora concorrência aberta pelo US Army, para o fornecimento de veículos blindados fora de estrada, com a finalidade de tracionar peças de artilharia. Este projeto receberia inicialmente a designação de “T9 Half-track Truck”, e posteriormente de “T14 Half-track Scout Car” após receber algumas mudanças demandadas pelo avançar da concorrência, o fato de se basear o projeto em uma plataforma e chassi existente e em serviço pesou na escolha da White Motor Company como vencedora desta concorrência. A produção em série foi autorizada a partir de fins 1940 com os carros sendo montados também nas instalações fabris da Autocar Company e Diamond T Motor Car Company, visando assim poder atender a demanda necessária ao plano de reequipamento emergencial do Exército Americano.
As primeiras unidades começaram a ser entregues no início de 1941. Desenvolvido inicialmente como trator para reboque de obuses de 105 mm, os M2 foram distribuídos a quase todas as unidades de artilharia do US Army, servindo também como transportadores de munição para estas armas, paralelamente o modelo começou a ser empregado para prover a mobilidade dos esquadrões que que operavam metralhadoras .50Bbrowning. O M2 seria provisoriamente empregado com viatura para reconhecimento blindado, desempenhando esta missão até que veículos mais especializados como os M20 e M8 Greyhound e fossem colocados em serviço.

Em meados de 1942 uma nova versão melhorada M3 passaria a ocupar as linhas de produção, e estava equipada com uma carroceira mais longa, apresentando uma porta traseira central, dez assentos para tropas, tanques de combustíveis suplementares e diversos porta fuzis, modificações seriam implementas no modelo  M3A1 como a adoção de um para choque longo com guincho e o mesmo suporte de metralhadora .50 presente na versão M-2A1, recebendo ainda uma estrutura para emprego de capota de lona. O modelo final foi representado pelo M5  que de todas as versões esta apresentava diferenças visuais mais marcantes, possui toda a parte traseira da carroceria arredondada, dispondo de porta central de acesso, sendo retomado neste modelo o rolete frontal ( para auxiliar na transposição de elevações ) presente nas primeira versão M-2.
Porém a exemplo do primeiro M2, este novo modelo e os subsequentes compartilhavam as mesmas falhas de projeto, não oferecendo proteção adequada aos infantes, principalmente pela total ausência de cobertura e blindagem inadequada para suportar fogo de munição de médio calibre. O termino da Segunda Guerra Mundial determinou a retirada de serviço nas forças militares americanas, sendo assim transformados em sucata ou cedidos a nações aliadas, onde muito deles permaneceram em atividade até o início do século vinte um.

Emprego no Brasil. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a ter uma posição estratégica no esforço de guerra aliado, principalmente por representar um grande fornecedor de materiais primas e pela localização privilegiada de sua região nordeste que permitia a instalação de bases aéreas e navais que seriam destinadas ao envio de tropas, suprimentos e armas para os teatros de operações europeu e norte africano. Infelizmente o pais não estava preparado para colaborar em grande intensidade com este esforço, pois as forças armadas brasileiras ainda eram signatárias da doutrina militar francesa, e estavam dotadas com equipamentos obsoletos oriundos da Primeira Guerra Mundial. Esta demanda começou a ser atendidas a partir do fim de 1941 com a celebração do Lend Lease Bill  (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) com o governo americano, criando desta maneira uma linha de crédito ao país da ordem de cem milhões de dólares, para a aquisição de material bélico proporcionando acesso a modernos armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.

Em termos de veículos blindados e carros de combate os contratos previam o fornecimento de inúmeros modelos, entre eles, 430 carros meia lagarta do modelo Whte Car  M2 e 49 do Whte Car M3 que deveriam ser entregues a partir de 1943. No entanto devido a prioridades de fornecimento a maioria destes veículos só viria no pós-guerra e nunca nestas quantidades originalmente definida entre as versões sendo realmente entregues durante a guerra pelos registros um total de 8 M2, 25 M2A1 além de alguns M3 e M3A1. Destes dois últimos modelos, 5 unidades foram entregues ao contingente da Força Expedicionária Brasileira na Itália, que foram incorporados ao 1º Esquadrão de Reconhecimento, atendo as atividades de transporte de carga e pessoal no teatro de operações italiano, sendo quatro carros transportados ao Brasil depois do termino do conflito. Estes carros tinham como finalidade equipar as recém-criadas unidades blindadas, motorizadas e motomecanizadas e passaram a ser distribuídos assim que disponibilizados, estas unidades, onde passaram a realizar missões de transporte de cargas e tropas além de complementar os M3A1 Scout Car junto as baterias de canhões anti-carro auto rebocados de 37 mm de origem norte americana.
O recebimento de mais veículos M2, M2A1, M3, M3A1 e M5 entre 1945 e 1947 possibilitou aumentar a capacidade de mobilidade blindada do Exército Brasileiro em um patamar jamais alcançado. Passaram a designados como Carro Blindado de Transporte de Tropas ou CBTP equipando os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado ( RCMec)  com a missão primordial de transporte de cargas e tropas no campo de batalha. Curiosamente durante sua carreira também os M2, M2A1, foram empregados veículo porta morteiro armados com equipamento de 81 mm e como carro comando, sendo neste caso equipados com rádios de longo alcance.

Em fins da década de 1960 os altos custos de manutenção e a crônica falta de peças de reposição (principalmente componentes do grupo motriz a gasolina que havia sido descontinuado a mais de 20 anos , praticamente reduziram a frota de M2, M2A1, M3, M3A1 e M5  a pouquíssimas unidades operacionais debilitando gravemente a capacidade de mobilidade do Exército Brasileiro, principalmente tendo em vista que os novos M113 A0APC estavam começando a ser recebidos em pequenas quantidades não solucionando a curto e médio prazo está deficiência. Neste contexto especialistas do Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2) conduziram estudos visando a repontencializacao da frota dos meia lagarta brasileiros, tendo como principal objetivo atingir o maior nível de nacionalização possível. Como o calcanhar de aquiles estava baseado no grupo motriz, escolheu se empregar o motor diesel nacional Perkins 6357 6 cilindros com 142 hp, neste processo também seriam experimentados o uso de novas sapatas de borracha produzidas pela empresa Novatraçao Artefatos de Borracha como também pneus e tanques de combustível a prova de balas.
Desta maneira em 1972 um M2 foi escolhido para ser o protótipo deste projeto e com apoio dos técnicos da Perkins S/A conseguiu efetivar a troca do motor, seguidos pela nacionalização dos componentes descritos anteriormente, após a conclusão o veículo foi a exaustivos testes em campo, tendo como conclusão a viabilidade do projeto, levando a Diretoria de Motomecanização a autorizar a repontencializacao de mais 20 unidades distribuídas entre os modelos M2, M2A1, M3, M3A1 e M5. Todos estes veículos permaneceram em serviço até meados da década de 1980, sendo totalmente substituídos pelos M113 A0APC e EE-11 Urutu.

Em Escala.

Para representarmos o M5  White Motor  Half Track EB10-143 empregamos como base o antigo kit da Tamiya na escala 1/35 realizando conversões em scracth para compor a versão nacional. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products pertencentes ao set  "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982 ".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Americano, com os quais a totalidade dos veículos foram entregues ao Exército Brasileiro a partir de 1943, após o final do conflito foi adotada a sistemática de matricula mantida juntamente com o esquema de pintura até a sua desativação.


Bibliografia:

- Meia Lagartas no Exército Brasileiro por Expedito Carlos S. Bastos - Revista Hobby News Nº 27
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos
- M2 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M2_Half_Track_Car
- M3 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Half-track