FMC LVTP-7A1 Clanf no CFN

História e Desenvolvimento.

A Segunda Guerra Mundial teve suas maiores batalhas dedicas a operações e invasões de territórios por meio anfíbio, nos primeiros estágios a realidade deste conflito descortinou a necessidade de veículos blindados anfíbios para o transporte e desembarque de transporte de tropas. O conceito em se empregar um veículo militar específico para esta missão, nasceu do projeto civil r, conhecido como o "Alligator", criado pelo engenheiro americano Donald Roebling. Ele projetou especificamente como um veículo de resgate, para ser utilizado nas vastas áreas pantanosas da Flórida (como os Everglades), assim sua natureza robusta e as qualidades de barco tornaram-no ideal para este propósito. Após entendimentos das necessitas apresentadas pela Marinha Norte Americana, o projeto começou a tomar forma no início do ano de 1940, com o primeiro protótipo sendo entregue em maio do mesmo ano estando inicialmente equipado com um motor a gasolina Mercury 94K Engine. Os promissores resultados do projeto proveram a liberação de fundos para construção de uma segunda unidade agora equipado com um motor Lincoln-Zephyr, muito mais potente. Após novos testes o modelo foi oficialmente aceito pelo comando do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps). A primeira versão designada como LVT-1 Alligator entrou em produção das linhas da FMC Corporation em março de 1941, envolvendo um contrato inicial para 200 unidades. O batismo de fogo deste novo tipo de veículo ocorreria em 1942 quando carros da 1ª Divisão do USMC foram empregados em reabastecimento em Guadalcanal até o outono de 1943 resultando da conquista total da ilha. Nos combates que se seguiram os LVT-1 tiveram destacada participação nas operações de conquista de “ilha a ilha”, com citação especial na invasão de Tarawa, quando mais de 260 foram comprometidos em ação, na primeira, segunda e terceira ondas de desembarques, e perseguiram o fornecimento contínuo de munição, reforços e transportando de volta os feridos.

Apesar de se provar em combate o conceito deste novo tipo de veículo, ficou notório que o projeto deveria ser melhorado, gerando novas versões durante e no pós guerra que foram designadas como LVT-2 Water Buffalo, LVT-3 Busch Master e LVT-4 Water Buffalo, que passavam a agregar maior capacidade de transporte de tropas, meios para auto defesa e proteção para os soldados. Em 1947 o USMC lançou especificações para o desenvolvimento de um veículo blindado para o transporte de tropas (APC) totalmente fechado, a esta concorrência duas empresas responderam a tempo esta demanda podendo fornecer protótipos, sendo ela a BorgWarner Co. e a FMC Corporation, sagrando esta última vencedora da licitação após um grande processo de ensaios em campo. Assim em 1956 entrava em serviço o LVTP-5 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel) produzido pela empresa FMC Corporation, este novo veículo apresentava dimensões e capacidades superiores aos seus antecessores, e seu batismo de fogo ocorreria nas primeiras fases da Guerra do Vietnã. Os parâmetros almejados no projeto denotavam a necessidade de grande capacidade de transporte de tropas ou carga com alta proteção blindada, objetivos estes atingidos na versão operacional, porém ocasionariam um efeito colateral extremamente grave, pois o veículo carecia de agilidade no deslocamento tanto marinho quanto terrestre. Assim em 1969 o comando do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) iniciaria estudos visando o desenvolvimento de um sucessor para o LVTP-5 que pudesse atender as necessidades de emprego operacional.
A Marinha Americana abriu em 1970 uma concorrência para o desenvolvimento de um novo veículo de desembarque de pessoal rastreado (Landing Vehicle, Tracked, Personnel), várias empresas norte americanas apresentaram suas propostas ao comando da USMC, com o projeto da FMC Corporation sendo declarado vencedor em dezembro do mesmo ano. O primeiro O primeiro protótipo foi apresentado ao Corpo de Fuzileiros Navais em janeiro de 1972 e submetido a diversos programas de ensaios, após a validação o modelo obteve a liberação para produção em série em meados do mesmo ano.  Sua fabricação foi destinada a United Defense, uma antiga divisão da FMC Corporation, com as primeiras entregas ocorrendo em janeiro de 1973. O agora designado LVTP-7 possuía um desing inovador quando comparado ao seu antecessor LVTP-5, possuindo 7,54 mts de comprimento, 3,14 mts de largura, 3,12 mts de altura, com peso vazio de 18 toneladas e carregado com 23,5 toneladas.  Estava equipado com um motor Detroit Diesel 8V-53T, de 400 hp, com transmissão automática com quatro marchas a frente e uma a ré. Podia desenvolver 65,4 km/h em estradas e 13,5 km/h na água, graças a seu novo sistema com dois hidrojatos operando em conjunto com as hélices propulsoras. Além da blindagem apta a resistir a impactos de armas de pequeno e médio calibre contava com uma metralhadora M2HB de calibre.50 (12,7 mm) montada em uma torreta automatizada com acionamento hidráulico.

Após recebimento e aceitação os primeiros LVTP-7 começaram a ser distribuídas aos Batalhões de Anfíbios de Assalto de Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, onde substituíram os LVTP-5. A FMC lograria ainda êxito em contratos de exportação com versões sendo vendidas para as forças armadas da Argentina, Itália, Indonésia, Japão, Taiwan, Filipinas, Brasil, Espanha, Coreia do Sul e Tailândia.  No final da década de 1970 o comando do Corpo de Fuzileiros Navais passou a estudar melhorias no projeto original resultantes do emprego operacional que seriam comprovadas durante seu emprego real no início da década seguinte. Assim a empresa FMC Corporation foi contratada para conduzir o Programa de Extensão de Vida de Serviço LVTP-7, este processo consistia no retrofit estrutural e modificações com o objetivo de obter expressiva melhoria em seu desempenho. O motor original Detroit Diesel 8V-53T foi substituído pelo novo Cummins VT400 de 525 hp, foi adotada uma transmissão mais eficiente a HS-400-3A1 da FMC, a suspensão e amortecedores também foram reforçados. O acionamento hidráulico da estação de armas foi substituído por motores elétricos eliminando assim o risco de incêndios, foram trocados os tanques de combustível por novos modelos mais seguros. Novos painéis de comando e dispositivo de visão noturna foram instalados em conjunto com oito lançadores de granadas de fumaça. Os carros modernizados receberam a designação de LVTP-7A1, sendo em 1984 renomeados como AAV-7A1 (Assault Amphibious Vehicle), atualmente o modelo é  operado por 13  nações e sua produção total em unidades atinge a cifra de 1803 veículos de diferentes versões e modelos.
Curiosamente o primeiro emprego real em combate se daria com veículos exportando, quando no início da Guerra das Falklands – Malvinas em 1982, vinte LVTP-7 da Marinha Argentina foram empregados com sucesso na operação da invasão das ilhas britânicas. Os carros do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos teriam seu batismo de fogo operacional quando passaram a compor a Força Multinacional de Manutenção da Paz em Beirute, no Líbano entre os anos de 1982 e 1984. Seu próximo emprego real ocorreria no dia 25 de outubro de 1983, quando tiveram destacada participação em um desembarque anfíbio bem-sucedido na ilha de Grenada, durante a operação Urgent Fury. Em 1991 seriam postos a prova novamente durante a primeira Guerra do Golfo e em 2003 na operação Restore Hope. Após a invasão do Iraque em 2003, os blindados foram criticados por fornecer pouca proteção para a tripulação e os passageiros em comparação com outros veículos, como o M2 Bradley. Oito foram desativados ou destruídos durante a Batalha de Nasiriyah, onde enfrentaram fogo de RPG, morteiros, tanques e artilharia.

Emprego no Brasil.

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, começou a estruturar suas operações de desembarque anfíbio a parir de 1973 com a incorporação dos primeiros blindados anfíbios de transporte de tropas de fabricação nacional Engesa EE-11 Urutu, estabelecendo o marco de ser o primeiro cliente deste modelo de veículo blindado, desta maneira esta aquisição geraria os alicerces do Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Porém esta incorporação se mostraria diferenças entre o conceito e aplicação real, pois infelizmente o carro da Engesa se mostraria inadequado para operação e desembarque anfíbio. Apesar da não assertividade na escolha do modelo (que seriam prematuramente retirados de serviço em meados da década seguinte) ele seria imprescindível para a construção da operacional de transporte blindado. Em busca de uma solução para esta deficiência, o Ministério da Marinha elucidou esforços no desenvolvimento de um programa de estudos para a aquisição de um novo blindado de transporte de tropas anfíbio, tendo como requisito primordial ser tracionado por esteiras. Dentre as diversas opções analisadas entre 1975 e início de 1976, destacaria se FMC M113, que apesar de não atender a todas as especificações almejadas poderiam ser adquiridas em condições favoráveis e já era operado pelo Exército Brasileiro em larga escala desde 1967, na versão inicial de produção M113A0.

Com a decisão tomada, este processo se materializaria com a celebração de um contrato com o governo dos Estados Unidos para o fornecimento de um lote de 30 carros da família M113, que foram divididos em quatro modelos, sendo 24 na versão M113A1 ACAV, 02 M125A1 Porta Morteiro ,02 M577A1 Carro Comando e por fim um veículo oficina M113A1G e um carro socorro XM806E1. Os primeiros veículos começaram a ser recebidos em 07 de novembro de 1976, passando a ser incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado, onde com ajuda de instrutores do fabricante em parceria com equipes do Exército Brasileiro de unidades que já operavam os M113, passaram a implementar o processo de introdução e desenvolvimento de doutrina operacional dos novos carros, onde passariam a atuar juntamente com os Engesa EE-11 Urutu que também haviam sido incorporados anteriormente. Em 20 de dezembro de 1977 esta unidade foi extinta sendo criada em seu lugar a Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). O advento deste novo modelo elevaria em muito a doutrina operacional nos processos de desembarques anfíbios, porém limitações do M113 o permitiam ser empregado apenas a partir de navios de desembarque de doca e lanchas de desembarque de tropa. Desta maneira o CFN se ressentia de não dispor da capacidade de lançar as tropas longe das praias, potencial este que já era explorado há anos por outras forças militares, esta necessidade viria a gerar a de incorporação de um novo modelo veículo blindado.
Para se atender a esta nova demanda, estabeleceram se as bases embrionárias para a criação de uma nova unidade que receberia de designação de Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf). A escolha do novo veículo anfíbio seria parametrizada pelos seguintes requisitos: possuir excelente proteção blindada, contar com um eficiente sistema de autodefesa e por fim possuir grande agilidade de deslocamento no mar e terra permitindo assim o transporte e desembarque de tropas de forma rápida e segura. A  escolha obvia recaia sobre o modelo produzido pela empresa norte americana FMC Corporation o LVTP-7 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel), que já era empregado com êxito pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos (USMC), fator este que influenciou na escolha pois os oficiais brasileiros já haviam entrado em contato com este modelo em treinamentos conjuntos com seus pares norte-americanos anteriormente. O agente catalisador desta escolha ainda seria o grande sucesso  no emprego do mesmo pela marinha argentina no processo de invasão das ilhas Falklands Malvinas em 1982. Desta maneira foi contratado junto ao governo dos Estados Unidos em fins de 1985 a aquisição de 12 unidades usadas, dispostas na versão modernizada LVTP-7A1 oriundas dos estoques Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados (USMC), sendo recebidos nas versões de transporte de tropas, carro comando e oficina.

Os carros foram recebidos em julho de 1986, sendo desembarcados no píer da Praça Mauá no Rio de Janeiro. Em um breve período de três meses, foram conduzidos programas envolvendo curso de operação e manutenção da nova viatura, e após sua conclusão os mesmos foram oficialmente incorporados junto a Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf). A incorporação dos LVTP-7A1 localmente denominados pela marinha como Clanfs, constituiu um passo significativo na evolução da doutrina da guerra anfíbia no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). O emprego dessas viaturas permitiu que fossem executados desembarques em trechos do litoral, até então impossíveis de se realizar com as embarcações de desembarque de carros, aumentando assim o poder de choque e a impulsão das vagas de assalto, devido às velocidades desenvolvidas, tanto na água como no terreno e sob proteção blindada. Extremamente versáteis os LVTP-7A1 passaram a ser empregados tarefas de transporte de pessoal e carga operando em navios de desembarque de doca como o G-30 Ceará ou navios doca multipropósito como o G-40 Bahia. As viaturas dispõem de capacidade de transporte de até 25 militares totalmente equipados para combate (incluídos os três componentes da guarnição), os Clanfs podem, podem ainda ser operados como como viatura de apoio logístico podendo transportar até 4.536 Kg de carga geral, preferencialmente paletizada. Sua versatilidade pode ainda ser comprovada quando tiveram também destacada participação durante as ações em prol da segurança pública deflagrada pelo governo federal no Rio de Janeiro no ano de 2010, sendo empregados nas ações de invasão e tomada nas comunidades carentes.
O êxito do emprego dos FMC CLANF LVTP-7A1 no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) levou o comando da Marinha do Brasil a adquirir um segundo lote de 14 carros usados provenientes dos estoques Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados (USMC). Estas novas viatura pertenciam agora a versão AAVP-7A1(Assault Amphibious Vehicle) que além de contar com muitas melhorias estavam equipadas com uma torre automatizada para autodefesa, equipada com o lançador de granadas de 20 mm MK19. No mais visualmente os LVTP-7A1 e AAVP-7A1 dos fuzileiros brasileiros diferem em alguns detalhes, como por exemplo a alteração da especificação de diversos parafusos de fixação de componentes. Em fins de 2012 a Marinha do Brasil anunciou a intenção de adquirir mais 26 unidades da nova versão RAM/RS (Reliability, Availability and Maintainability/Rebuild to Standard), atualmente utilizado pelo United States Marine Corps (USMC), além de elevar a este padrão todos os veículos anteriores. Assim desta maneira que os Clanfs se farão presentes ainda nas fileiras dos CFN por muito anos.

Em Escala:

Para representarmos o Clanf LVP-7A1 do Corpo de Fuzileiros Navais, fizemos uso do kit Academy na escala 1/35, modelo muito básico que não apresenta nenhum detalhamento do interior. Para se representar a versão operada pelo CFN deve se alterar o posicionamento dos faróis, pois o modelo original representa a primeira versão de produção. Felizmente o conjunto ótico do modelo LVP-7A1 é fornecido a parte neste kit bastando assim proceder uma rapida alteração. Empregamos decais confeccionados pela  Eletric Produtcs presentes no  Set “Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pelos Clanf do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), substituindo assim os dois padrões de camuflagem originais do United States Marine Corps (USMC)com os quais foram fornecidos. Atualmente um terceiro padrão foi adotado para os veículos blindados da Marinha do Brasil, sendo mantido até os dias atuais.


Bibliografia :

- Assault Amphibious Vehicle - Wikipedia -  http://en.wikipedia.org/wiki/Assault_Amphibious_Vehicle
- Fuzileiros Blindados Parte II - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-ii/
- Tecnologia e Defesa - Mais Clanfs para a Marinha do Brasil - 
http://www.tecnodefesa.com.br/materia.php?materia=363
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos