De Havilland DH-60T Moth Trainer

Historia e Desenvolvimento.

O inglês Geoffrey de Havilland foi um dos pioneiros da aviação britânica e da indústria aeronáutica mundial, ele iniciou seu empreendimento após o recebimento de uma herança familiar, deixando assim seu emprego como projetista de caminhões e ônibus. Seu primeiro projeto denominado DH-1 tomou forma em 1909, e foi construído artesanalmente com a ajuda de um mecânico e de sua esposa, que foi responsável pela costura do revestimento de tela da aeronave. Seu primeiro voo ocorreu em dezembro do mesmo ano, resultando em um acidente com a perda total do avião. Apesar do fracasso, Geofrfrey não desanimou, porém como não dispunha mais de recursos financeiros, passou a trabalhar como projetista na fabrica de balões do exército. Às vésperas do início da 1º Guerra Mundial ele passaria a trabalhar no desenvolvimento de aeronaves junto a Aircraft Manufacturing Company, sendo responsável pela criação dos bombardeiros DH-4 e DH-9. 

Após o encerramento da Primeira Guerra Mundial, Geoffrey de Havilland logrou êxito nas negociações para a aquisição da  Aircraft Manufacturing Company, concluindo este  processo em setembro de 1920.  A partir desta época a  empresa rebatizada como De Havilland Aircraft Company (DHC), neste período a empresa passou a concentrar seus esforços no mercado de aeronaves civis, porém o mercado pós-guerra ainda estava muito debilitado para novos contratos militares, levando a empresa a atravessar um conturbado período de crise financeira. A busca por uma solução começaria a se concretizar com o desenvolvimento de uma aeronave leve voltada ao mercado esportivo, apresentando como principio básico, ser simples de baixo custo de aquisição, partindo do conceito original baseado em seu treinador primário DH-51.
O voo do primeiro protótipo ocorreu no aeródromo de Stag Lane em 22 de fevereiro de 1925. O modelo denominado DH-60 Moth (Traça), apresentava configuração biplano de dois lugares, sendo construído em madeira compensada recoberta com tecido. O programa de ensaios em voo clarificou que o DH-60, não somente satisfazia às exigências do incipiente mercado de proprietários de aeronaves de pequeno porte, como também era talhado a perfeição para atender as necessidades do crescente número de aeroclubes britânicos. Neste primeiro estágio, o modelo foi adotado apenas por operadores civis, pois seu motor original Cirrus, apesar de ser confiável, era baseado no projeto do motor Renault de 8 cilindros, e empregava peças do mesmo, que não tinham uma fonte continua de suprimento, pois as peças eram oriundas de estoque constituídos na primeira guerra mundial

Em 1928 decidiu-se substituir o Cirrus por um novo motor construído em sua própria fábrica, gerando a versão DH-60G Gipsy Moth. Além de apresentar um significativo aumento de potência, a adoção deste novo motor produzido pelo próprio fabricante proporcionou uma significativa redução de custo, chegando uma célula ao custo de aproximadamente 650 libras. Em 1930 visando se adequar aos avanços da tecnologia aeronáutica, a empresa lançaria a versão DH-60M Moth, que passava a contar com a fuselagem recoberta em metal. Originalmente este novo modelo foi desenvolvido originalmente para o de demandas de clientes militares e civis no exterior, particularmente devido a uma solicitação das forças armadas do Canadá. Novamente suas características simplistas e baixo custo de produção atrairiam a atenção de outras nações, sendo produzido sob licença na versão civil em países como Austrália, Canadá, Estados Unidos e Noruega.
Até o final da produção em fins de 1933 seriam produzidas 2.069 células de diversas versões, entre estas 64 aeronaves da versão DH-60T Moth Trainer destinadas ao mercado de aviões de treinamento militar. O maior operador militar foi a RAAF que procedeu a aquisição de 120 unidade da versão DH-60M que foram empregados até 1939, versões do modelo também seriam empregados pela Austrália, Áustria, Bélgica, Birmânia, Canadá, China, Brasil, Chile, Cuba, Dinamarca, Egito, Etiópia, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda, Iraque, Nova Zelândia, Paraguai, Polônia, Portugal, Romênia, África do Sul, República Espanhola, Estado Espanhol, Suécia,  Reino da Jugoslávia, Estados Unidos e Alemanha e Japão que empregaram durante a Segunda Guerra Mundial aeronaves capturadas.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1930 a Escola de Aviação Militar do Exército (EAvM) contava com poucas células dos já obsoletos Morane Saulnier MS.147Ep2 e MS.130ET2 para o emprego na formação de alunos inscritos no curso de aviação militar, a necessidade de substituição por aeronaves mais modernas levou a Diretoria de Aviação Militar a adquirir após um extenso programa de seleção internacional 15 células do De Havilland DH-60T Moth Trainer. As aeronaves foram recebidas desmontadas no Rio de Janeiro em 5 de março de 1932 e após serem transportadas foram montadas sob supervisão do piloto de ensaios em voo da empresa o Capitão Hubert S Broad, sendo que a primeira aeronave finalizada foi oficialmente apresentada no dia 18 do mesmo mês. Até maio do mesmo ano as demais células foram recebidas e montadas, paralelamente o Capitão Broad iniciou o treinamento dos futuros instrutores da EAvM. Do total recebido dois DH-60T foram alocados na Esquadrilha de Treinamento do Grupo Misto de Aviação (GMA) sediado no Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro.

Com o início da Revolução Constitucionalista em 9 de julho de 1932 e estando as forças combatentes subequipadas para as operações áreas que se faziam necessárias e as autoridades da Aviação Militar consideraram empregar todos os meios disponíveis, com os DH-60T sendo empregados em destacamentos aéreos baseados em Resende no Rio de Janeiro e Mogi Mirim em São Paulo, para tarefas de ligação, sendo empregados em missões diárias entre estas bases e o Campo dos Afonsos. Com o encerramento do conflito, os Moth retomaram o foco nas missões de instrução, a partir 1932 ocorreram alguns acidentes que reduziram sensivelmente a disponibilidade da frota, levando a necessidade de aquisição a partir de 1934 de aeronaves Waco RNF, gradualmente os DH-60T passaram a realizar missões administrativas em proveito da EAvM. Em fins de 1935 os Moth foram transferidos para o controle do 4º Divisão da EAvN para serem empregados exclusivamente como aeronaves de adestramento. No início de 1936 estavam disponíveis apenas seis aeronaves, nos anos seguintes a frota fora reduzida e três ou quatro células, levando as autoridades de Aviação do Exército a se decidirem pela desativação do modelo no inicio de 1939, sendo os aviões remanescentes e todo o suprimento de peças de reposição doados a aeroclubes.
A fim de recompor  e renovar seus meios aéreos de instrução, a Aviação Naval encomendou 12 unidades da aeronave de treinamento básico DH-60T em fins de 1931 sendo este contrato, parte do mesmo firmado pela Aviação do Exército com a empresa britânica De Havilland. As as primeiras aeronaves da Marinha foram recebidas desmontadas no Rio de Janeiro em 23 de janeiro de 1932, e as últimas unidades foram recebidas em junho do mesmo ano. Novamente as células foram montadas sob a supervisão do Capitão Hubert S Broad, sendo integrados em 13 de julho de 1932 a 1º Divisão de Instrução da Escola de Aviação Naval, onde imediatamente passaram a realizar a formação de aviadores navais. 

A eclosão da Revolução Constitucionalista em 1932 vislumbrou o emprego dos DH-60T em missões de combate real, pois as células estavam equipadas com metralhadoras fotográficas, equipamento de rádio, porta bombas e visor de bombardeio, sendo empregados durante o conflito em tarefas de ligação, observação e reconhecimento ao longo do litoral paulista. Paralelamente a este conflito a Marinha resolveu reforçar sua dotação, encomendando mais 12 aeronaves que deveriam também ser equipadas com suportes de bombas e metralhadoras fotográficas a fim de serem empregados também pelas forças legalistas, porém os aviões só foram recebidos no último trimestre do corrente ano, sendo tarde demais para participar das operações áreas da revolução. Com a assinatura do armistício no dia 3 de outubro, a Marinha pode retomar seu processo de reorganização da Aviação Naval, determinando que o novo lote de aeronaves fosse direcionado a Base Aérea de Porto Alegre onde passariam a compor a Divisão de Instrução, ocorre porém, que somente quatro DH-60T foram assim alocados, com os demais sendo distribuídos ao Centro Naval de Santa Catarina e ao Centro de Aviação Naval do Galeão.
Em 1933 foram recebidos os primeiros De Havilland DH-82/A Tiger Moth, encerrando assim a carreira dos DH-60T como aeronave de instrução, relegando estes a missões a tarefas utilitárias de ligação entre a EAvN e as bases aéreas da Aviação Naval. A partir de maio de 1935 as aeronaves remanescentes foram transferidas para a 2º Flotilha de Diversos, com as aeronaves repartidas entre os Centros de Aviação Naval de Santa Catarina, Porto Alegre, Ladário, Rio de Janeiro e Santos. Neste momento a frota esta mais reduzida ainda devido a desgastes e acidentes, sendo que em janeiro de 1941 havia somente um DH-60T em condições de voo, sendo o mesmo transferido para a Força Aérea Brasileira, onde operou como aeronave orgânica da Base Aérea de Santos, se mantendo ativa até fins do ano de 1942.

Em Escala.

Para representarmos o De Havilland DH-60T "K-147" da Aviação Militar do Exército Brasileiro, empregamos o kit do fabricante Amodel, na escala 1/48, única opção injetada para esta aeronave nesta escala, que infelizmente baixo nível de detalhamento e qualidade de injeção. Fizemos uso de decais FCM oriundos de diversos sets combinados com decais originais do kit.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa um dos padrões de pintura originais do fabricante De Havilland Aircraft Company, com a aplicação das marcações nacionais da Aviação Militar, sendo mantidas durante toda a sua carreira operacional no Exército Brasileiro.



Bibliografia :

- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015 – Jackson Flores Jr
- De Havilland DH-60 Moth Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/De_Havilland_DH.60_Moth
- O emprego do avião na Revolução Constitucionalista de 1932 - www.reservaer.com.br/