História e Desenvolvimento.
A Classe de cruzadores Brooklyn resultou de uma evolução bastante específica da política naval norte-americana durante o período entre-guerras. A sua origem não pode ser compreendida simplesmente como a tentativa de construir um “cruzador ligeiro maior”. Na realidade, o seu desenvolvimento foi consequência da conjugação de vários fatores: as limitações impostas pelos tratados navais internacionais, a experiência adquirida com as classes de cruzadores anteriores, os estudos realizados pelo renomado General Board e pelo Naval War College e, sobretudo, a crescente percepção da ameaça representada pelos cruzadores japoneses. No final da década de 1920, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) encontrava-se perante uma situação particularmente complexa. O Tratado Naval de Washington, assinado em 1922, estabelecia um limite de 10.000 toneladas de deslocamento padrão para os cruzadores, embora permitisse diferentes calibres de armamento. Inicialmente, os Estados Unidos optaram por explorar de forma significativa a categoria dos cruzadores armados com peças de 203 mm, que viria posteriormente a ser classificada como “cruzador pesado” na sequência do Tratado Naval de Londres de 1930. Foi neste contexto que surgiram as classes de cruzadores Pensacola e Northampton. Estes navios procuravam concentrar a maior capacidade de combate possível dentro do limite de 10 000 toneladas. A solução, contudo, revelou importantes compromissos de projeto. A necessidade de acomodar peças de 203 mm, elevada autonomia, grande velocidade e um armamento antiaéreo considerável deixava uma margem relativamente reduzida para a proteção blindada. Como consequência, estes cruzadores acabaram por apresentar uma proteção considerada insuficiente para a sua função. A própria documentação da época regista o uso do termo depreciativo “tin-clad” para caracterizar a vulnerabilidade estrutural de alguns destes navios. Dispunha-se de poucos cruzadores ligeiros modernos, e nesse contexto, a Classe Omaha, desenvolvida durante e após a Primeira Guerra Mundial, representou a primeira geração desses navios. Eram rápidos, tinham grande autonomia e estavam armados com peças de 152 mm, sendo principalmente destinados ao reconhecimento e às operações com a Scouting Force. No início da década de 1930, os cruzadores Omaha já estavam ultrapassados. As mudanças na guerra naval, as novas necessidades operacionais e as limitações dos tratados internacionais exigiam um novo tipo de cruzador ligeiro. Em 1930, o General Board iniciou os estudos para criar um novo cruzador ligeiro equipado com peças de 152 mm. Embora os primeiros projetos se baseassem na experiência dos Omaha, rapidamente se concluiu que era necessária uma solução completamente nova, e não apenas uma modernização.
A questão fundamental passou a ser, portanto, outra, como desenvolver um cruzador armado com peças de 152 mm que fosse significativamente mais poderoso, equilibrado e versátil do que os seus antecessores, mantendo-se, simultaneamente, dentro do limite de 10.000 toneladas estabelecido pelos tratados? A resposta a este desafio conduziria ao desenvolvimento de um navio substancialmente diferente dos Omaha. O futuro cruzador deveria combinar poder de fogo, velocidade, autonomia e proteção de forma mais equilibrada, mas também possuir características que lhe permitissem desempenhar um leque mais amplo de missões. Dessa necessidade de conciliar requisitos aparentemente contraditórios surgiria a filosofia de projeto que acabaria por definir a Classe Brooklyn. O Tratado Naval de Londres de 1930 foi decisivo para seu desenvolvimento ao distinguir oficialmente cruzadores ligeiros, armados com peças de até 155 mm, dos pesados, equipados com calibres maiores, como os de 203 mm. Embora o limite de tonelagem continuasse a restringir os projetos, o calibre de 152 mm oferecia a vantagem de permitir instalar mais canhões e obter uma cadência de tiro superior. Assim, surgiu a ideia central, substituir o poder de cada disparo por um enorme volume de fogo, através de um maior número de peças de 152 mm e da sua elevada cadência de tiro. Esta diferença de filosofia seria decisiva para compreender o que tornaria esta classe tão particular. Inicialmente, esperava-se que um cruzador ligeiro tivesse apenas 7.000 a 8.000 toneladas. Porém, os estudos demonstraram que a elevada cadência de tiro das peças de 152 mm permitia obter um volume de fogo muito superior ao dos canhões de 8 polegadas. Isso levou os projetistas a aproveitar quase todo o limite de 10.000 toneladas para criar um cruzador com uma bateria principal muito poderosa. Assim, o novo conceito deixou de ser simplesmente um cruzador pesado menor e passou a ser uma plataforma especializada em produzir. O novo cruzador foi concebido para ser mais versátil, desempenhando várias funções numa força naval moderna. Destinava-se a combater outros cruzadores, proteger a frota contra contratorpedeiros e torpedos, e realizar missões de reconhecimento, combinando velocidade, autonomia, poder de fogo e elevada cadência de tiro. A crescente capacidade dos cruzadores japoneses, como as classes Furutaka, Aoba, Myōkō e Takao, tornou-se uma preocupação central. Assim, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) precisavam de um cruzador ligeiro capaz não só de cumprir as funções tradicionais, mas também de enfrentar e sobreviver ao confronto com adversários cada vez mais poderosos. Perante a este ameaça, optou-se a explorar ao máximo as vantagens das peças de 152 mm. A ideia era aceitar um menor poder destrutivo por projétil em troca de mais canhões e uma cadência de tiro muito superior, criando uma concentração de fogo capaz de compensar a diferença de calibre.
Esta enorme concentração de artilharia resultava de uma escolha deliberada, aproveitar a elevada cadência das peças 152 mm através do maior número de canhões possível. Assim, o cruzador Brooklyn foi concebido como uma plataforma de elevado volume de fogo, capaz de lançar rapidamente uma sucessão intensa de projéteis sobre os seus alvos. Esta estratégia aumentava a probabilidade de impactos sucessivos e mantinha o inimigo sob pressão constante. Contudo, o navio não foi concebido para enfrentar diretamente cruzadores pesados em duelos convencionais, mas para compensar parcialmente a inferioridade de calibre através da superioridade em volume e rapidez de fogo. Apesar de ser classificado como cruzador ligeiro, apresentaria dimensões consideráveis, necessárias para acomodar a sua poderosa artilharia, proteção, velocidade, autonomia e estabilidade. O casco foi cuidadosamente otimizado para aproveitar o espaço e o peso disponíveis, permitindo integrar todas as funções do navio, incluindo as instalações aeronáuticas na zona posterior. O projeto seria aprovado, porém a administração Hoover era particularmente cautelosa em relação ao aumento das despesas militares. O próprio General Board defendia uma força naval capaz de proteger os interesses norte-americanos no Pacífico e as linhas de comunicação com territórios como as Filipinas, mas adotava-se uma posição muito mais restritiva à expansão militar. A situação mudou radicalmente em 1933, com a chegada de Franklin D. Roosevelt à presidência. A nova administração estava empenhada em combater os efeitos da Grande Depressão através de grandes programas de investimento público. A construção naval oferecia uma vantagem particularmente interessante, além de reforçar a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), permitia gerar emprego numa indústria altamente especializada. Em 16 de junho de 1933, Roosevelt assinou o National Industrial Recovery Act. A legislação autorizava, entre outras medidas, a construção de navios de guerra dentro dos limites estabelecidos pelo Tratado Naval de Londres de 1930. Seria autorizada a construção de 04 navios, o CL-40 Brooklyn, CL-41 Philadelphia, CL-42 Savannah e CL-43 Nashville, que posteriormente seria elevada para 09 cruzadores, incluindo o CL-46 Phoenix, CL-47 Boise, CL-48 Honolulu, CL-49 St. Louis e CL-50 Helena. Os quatro primeiros navios USS Brooklyn , USS Philadelphia , USS Savannah e USS Nashville foram construídos em diferentes estaleiros da costa leste e incorporados à frota entre setembro de 1937 e junho de 1938. O USS Brooklyn (CL-40) foi o primeiro navio da classe e, naturalmente, aquele que teve a função de servir como referência para os restantes. A quilha havia sido batida no New York Navy Yard em 12 de março de 1935, e o navio foi lançado em 30 de novembro de 1936. Depois de concluída a construção e realizados os trabalhos de equipamento, foi oficialmente comissionado em 30 de setembro de 1937.
Esta enorme concentração de artilharia resultava de uma escolha deliberada, aproveitar a elevada cadência das peças 152 mm através do maior número de canhões possível. Assim, o cruzador Brooklyn foi concebido como uma plataforma de elevado volume de fogo, capaz de lançar rapidamente uma sucessão intensa de projéteis sobre os seus alvos. Esta estratégia aumentava a probabilidade de impactos sucessivos e mantinha o inimigo sob pressão constante. Contudo, o navio não foi concebido para enfrentar diretamente cruzadores pesados em duelos convencionais, mas para compensar parcialmente a inferioridade de calibre através da superioridade em volume e rapidez de fogo. Apesar de ser classificado como cruzador ligeiro, apresentaria dimensões consideráveis, necessárias para acomodar a sua poderosa artilharia, proteção, velocidade, autonomia e estabilidade. O casco foi cuidadosamente otimizado para aproveitar o espaço e o peso disponíveis, permitindo integrar todas as funções do navio, incluindo as instalações aeronáuticas na zona posterior. O projeto seria aprovado, porém a administração Hoover era particularmente cautelosa em relação ao aumento das despesas militares. O próprio General Board defendia uma força naval capaz de proteger os interesses norte-americanos no Pacífico e as linhas de comunicação com territórios como as Filipinas, mas adotava-se uma posição muito mais restritiva à expansão militar. A situação mudou radicalmente em 1933, com a chegada de Franklin D. Roosevelt à presidência. A nova administração estava empenhada em combater os efeitos da Grande Depressão através de grandes programas de investimento público. A construção naval oferecia uma vantagem particularmente interessante, além de reforçar a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), permitia gerar emprego numa indústria altamente especializada. Em 16 de junho de 1933, Roosevelt assinou o National Industrial Recovery Act. A legislação autorizava, entre outras medidas, a construção de navios de guerra dentro dos limites estabelecidos pelo Tratado Naval de Londres de 1930. Seria autorizada a construção de 04 navios, o CL-40 Brooklyn, CL-41 Philadelphia, CL-42 Savannah e CL-43 Nashville, que posteriormente seria elevada para 09 cruzadores, incluindo o CL-46 Phoenix, CL-47 Boise, CL-48 Honolulu, CL-49 St. Louis e CL-50 Helena. Os quatro primeiros navios USS Brooklyn , USS Philadelphia , USS Savannah e USS Nashville foram construídos em diferentes estaleiros da costa leste e incorporados à frota entre setembro de 1937 e junho de 1938. O USS Brooklyn (CL-40) foi o primeiro navio da classe e, naturalmente, aquele que teve a função de servir como referência para os restantes. A quilha havia sido batida no New York Navy Yard em 12 de março de 1935, e o navio foi lançado em 30 de novembro de 1936. Depois de concluída a construção e realizados os trabalhos de equipamento, foi oficialmente comissionado em 30 de setembro de 1937. O USS Philadelphia foi o segundo a entrar em serviço, construído no Philadelphia Navy Yard, teve a quilha batida em 28 de maio de 1935 e foi lançado em 17 de novembro de 1936. Foi comissionado em 23 de setembro de 1937. O terceiro foi o USS Savannah , foi construído pela New York Shipbuilding Corporation, em Camden, Nova Jérsei, teve a quilha batida em 31 de maio de 1934 significativamente antes dos seus dois irmãos mais próximos e foi lançado em 8 de maio de 1937. O USS Nashville , entrou em serviço alguns meses depois, tendo sua quilha foi batida em 24 de janeiro de 1935, em Camden, pela New York Shipbuilding Corporation. Foi lançado em 2 de outubro de 1937 e finalmente comissionado no Philadelphia Navy Yard em 6 de junho de 1938, sob o comando do capitão William W. Wilson. A entrada em serviço dos primeiros Brooklyn também permitiu começar a concentrar estas novas unidades numa formação própria. A Cruiser Division 8 (CruDiv 8) tornar-se-ia particularmente importante no período anterior à Segunda Guerra Mundial. O USS Brooklyn, USS Philadelphia, USS Savannah e USS Nashville acabariam associados a esta formação, juntamente com o seu respetivo esquadrão de reconhecimento aéreo. Entre 1935 e 1939, mais 05 navios seriam construídos o USS Phoenix (CL-46), USS Boise (CL-47) , USS Honolulu (CL-48), USS St. Louis (CL-49) e USS Helena (CL-49). Nenhum destes 04 primeiros cruzadores desta classe estava em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941. Todos pertenciam então à Frota do Atlântico, embora alguns já tivessem experiência recente no Pacífico. Já o USS Phoenix estava no Havaí quando começou o ataque. Foi um dos navios que conseguiu movimentar-se durante a ofensiva e sair do porto sem sofrer danos diretos. A documentação registra que o cruzador passou por Ford Island durante o ataque e posteriormente juntou-se a outros navios que saíram para procurar as forças japonesas. O USS Honolulu estava atracado no Berth B-21, East Quay, tendo o St. Louis atracado do lado exterior. Quando começou o ataque, as suas baterias antiaéreas entraram em ação. Foi atingido e sofreu danos por bombas, mas não foi afundado. O St. Louis estava atracado no Berth B-17, seu relatório de ação descreve que, por volta das 07:56, os tripulantes observaram os aviões japoneses e imediatamente ocuparam os postos de combate. As baterias do cruzador abriram fogo. Mais tarde, o St. Louis conseguiu sair de Pearl Harbor, tornando-se um dos navios que participaram na tentativa de localizar a força japonesa responsável pelo ataque. O USS Helena encontrava-se no 1010 Dock, no lado oriental do porto, com o USS Oglala atracado junto a ele. Um torpedo o atingiu, provocando uma explosão que abriu as suas zonas de máquinas à água. O impacto foi suficientemente forte para também contribuir para a perda do navio, que estava atracado ao lado.
A atuação dos nove cruzadores desta classe durante a Segunda Guerra Mundial foi bastante diversificada. Alguns passaram a maior parte do conflito no Mediterrâneo, apoiando as campanhas terrestres aliadas desde a Operação Torch, a invasão aliada do Norte de África, em novembro de 1942, enquanto outros se tornaram importantes unidades de bombardeamento e apoio às campanhas e operações anfíbias no Pacífico, como Aleutas; Saipan; Guam; Guadalcanal; Palau e Leyte. O USS Boise foi uma exceção particularmente interessante, pois combateu tanto no Mediterrâneo como no Pacífico. Embora não fossem cruzadores especializados em defesa antiaérea, possuíam armamento secundário e metralhadoras que lhes permitiam contribuir para a proteção das forças navais. Com a evolução da guerra, vários receberam reforços no armamento antiaéreo. O USS Helena, por exemplo, é considerado pela documentação oficial como um dos primeiros navios a utilizar com sucesso a nova espoleta de proximidade VT em combate, abatendo um bombardeiro japonês ao largo de Guadalcanal em janeiro de 1943 Um ponto importante é que 08 sobreviveram à guerra. A única perda foi o USS Helena (CL-50), afundado na Batalha de Kula Gulf, em julho de 1944, quando foi atingido por três torpedos japoneses, que partiram o navio em várias secções, 168 homens morreram. Em agosto de 1945, quando o Japão capitulou, os 08 sobreviventes encontravam-se espalhados pelos diferentes teatros de operações. Durante a guerra, haviam sido construído enormes quantidades de novos navio, além disso, a tecnologia naval estava a mudar a uma velocidade extraordinária, os aviões a jato começavam a substituir os aviões convencionais; radares tornavam-se muito mais sofisticados; surgiam mísseis antinavio e antiaéreos; os porta-aviões assumiam definitivamente o papel central da guerra naval; os antigos canhões de 152 mm deixavam de ser a principal forma de projetar poder a longa distância. Assim, um cruzador concebido no início dos anos 1930, já não representava uma prioridade, fazendo com que a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) tivesse pouco interesse em mantê-los todos em serviço ativo durante muito tempo. Entre 1946 e 1947, praticamente toda a classe havia sido colocada na reserva, e a solução encontrada, foi bastante interessante. Em vez de simplesmente desmontar todos os navios, Washington aproveitou o enorme excedente de material naval existente depois da guerra para transferir vários cruzadores para países aliados. Isso fazia parte de uma política ampla de reforço das marinhas de países considerados importantes para a segurança ocidental, e neste contexto eram particularmente interessantes para isso, pois eram relativamente modernos e muito bem armados, mas não tão complexos como alguns dos maiores cruzadores norte-americanos. Assim em 1951, 06 destes navios foram transferidos a Argentina, Brasil e Chile.
A atuação dos nove cruzadores desta classe durante a Segunda Guerra Mundial foi bastante diversificada. Alguns passaram a maior parte do conflito no Mediterrâneo, apoiando as campanhas terrestres aliadas desde a Operação Torch, a invasão aliada do Norte de África, em novembro de 1942, enquanto outros se tornaram importantes unidades de bombardeamento e apoio às campanhas e operações anfíbias no Pacífico, como Aleutas; Saipan; Guam; Guadalcanal; Palau e Leyte. O USS Boise foi uma exceção particularmente interessante, pois combateu tanto no Mediterrâneo como no Pacífico. Embora não fossem cruzadores especializados em defesa antiaérea, possuíam armamento secundário e metralhadoras que lhes permitiam contribuir para a proteção das forças navais. Com a evolução da guerra, vários receberam reforços no armamento antiaéreo. O USS Helena, por exemplo, é considerado pela documentação oficial como um dos primeiros navios a utilizar com sucesso a nova espoleta de proximidade VT em combate, abatendo um bombardeiro japonês ao largo de Guadalcanal em janeiro de 1943 Um ponto importante é que 08 sobreviveram à guerra. A única perda foi o USS Helena (CL-50), afundado na Batalha de Kula Gulf, em julho de 1944, quando foi atingido por três torpedos japoneses, que partiram o navio em várias secções, 168 homens morreram. Em agosto de 1945, quando o Japão capitulou, os 08 sobreviventes encontravam-se espalhados pelos diferentes teatros de operações. Durante a guerra, haviam sido construído enormes quantidades de novos navio, além disso, a tecnologia naval estava a mudar a uma velocidade extraordinária, os aviões a jato começavam a substituir os aviões convencionais; radares tornavam-se muito mais sofisticados; surgiam mísseis antinavio e antiaéreos; os porta-aviões assumiam definitivamente o papel central da guerra naval; os antigos canhões de 152 mm deixavam de ser a principal forma de projetar poder a longa distância. Assim, um cruzador concebido no início dos anos 1930, já não representava uma prioridade, fazendo com que a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) tivesse pouco interesse em mantê-los todos em serviço ativo durante muito tempo. Entre 1946 e 1947, praticamente toda a classe havia sido colocada na reserva, e a solução encontrada, foi bastante interessante. Em vez de simplesmente desmontar todos os navios, Washington aproveitou o enorme excedente de material naval existente depois da guerra para transferir vários cruzadores para países aliados. Isso fazia parte de uma política ampla de reforço das marinhas de países considerados importantes para a segurança ocidental, e neste contexto eram particularmente interessantes para isso, pois eram relativamente modernos e muito bem armados, mas não tão complexos como alguns dos maiores cruzadores norte-americanos. Assim em 1951, 06 destes navios foram transferidos a Argentina, Brasil e Chile. Emprego na Marinha do Brasil
A chegada dos cruzadores da Classe Brooklyn no Brasil deve ser entendida dentro das profundas transformações estratégicas ocorridas imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, desenhando um novo cenário geopolítico. A força naval brasileira tinha participado altivamente no esforço de guerra aliado, sobretudo na escolta de comboios no Atlântico Sul, mas que terminara o conflito com uma parte importante dos seus grandes navios já envelhecida. Durante a década de 1940, o Brasil tinha desenvolvido uma relação militar particularmente estreita com os Estados Unidos. Essa aproximação tinha começado antes mesmo da entrada brasileira na guerra e aprofundara-se durante o conflito, através do fornecimento de armamento, treinamento e da cooperação entre as duas marinhas e da utilização de bases brasileiras no Atlântico. Depois de 1945, essa relação não desapareceu. Pelo contrário, passou gradualmente a enquadrar-se na nova lógica da Guerra Fria. Neste período a Marinha do Brasil possuía ainda os seus dois grandes encouraçados (dreadnoughts) britânicos da Classe Minas Gerais, navios que remontavam à corrida naval sul-americana deflagrada no início do século XX e que, apesar das modernizações recebidas, já não correspondiam às necessidades de uma guerra naval moderna. A própria natureza da guerra tinha mudado. A experiência do conflito demonstrara a importância dos cruzadores rápidos, da defesa antiaérea, do radar, da capacidade de operar com forças-tarefa e da integração entre navios, aviação e forças anfíbias. Para uma marinha como a brasileira, que precisava de controlar uma extensa costa e proteger as suas linhas marítimas no Atlântico Sul, possuir alguns navios modernos de grande autonomia e capacidade de fogo continuava a ser importante. Em meados do ano de 1950, o governo norte-americano apresentaria uma interessante proposta de cessão de dois cruzadores desta classe, sendo dispostos nos termos do Mutual Defense Assistance Program (MDAP), um programa criado em 1949, que permitia fornecer ou transferir equipamento militar a países considerados importantes para a defesa do bloco ocidental. Neste momento Brasil, Argentina e Chile eram as três maiores potências navais da América do Sul. Washington procurou, por isso, reforçar as suas capacidades sem criar uma corrida armamentista regional excessivamente desequilibrada. Um documento contemporâneo da Proceedings da U.S. Naval Institute registava precisamente essa preocupação, com o plano norte-americano, prevendo assim a distribuição de dois cruzadores a cada uma das marinhas destes países. Do lado brasileiro, a oportunidade era particularmente atrativa, sua marinha precisava de substituir gradualmente os grandes navios da geração anterior e pretendia manter uma capacidade de superfície compatível com a dimensão do país e com a sua posição estratégica no Atlântico Sul.
O acordo estabelecia que os Estados Unidos transfeririam os dois navios ao Brasil ao abrigo da secção 408(e) do Mutual Defense Assistance Act of 1949, salientando que o país deveria disponibilizar fundos em dólares associados à transferência e aos materiais e serviços fornecidos. Além disso, não poderia transferir posteriormente a propriedade ou a posse dos navios sem autorização norte-americana. O Governo brasileiro também assumia obrigações relativas à segurança das informações e equipamentos fornecidos pelos Estados Unidos. Estavam equipados com 15 canhões de 152 mm em cinco torres Mk-16 triplas, sendo três na proa e duas na popa; 08 canhões de 127 mm em oito reparos singelos Mk-25, sendo quatro em cada bordo; 28 canhões Bofors L/60 de 40 mm em quatro reparos quádruplos Mk 2 e seis duplos Mk 1; 08 metralhadoras Oerlikon de 20 mm em reparos singelos Mk 4 e 02 canhões de salva de 3 lbs. Em termos de sensores dispunham de 01 radar de vigilância aérea tipo SK; 2 radares de vigilância de superfície SG; 2 sistemas de direção de tiro Mk-34, para os canhões de 6 pol.; 2 radares de direção de tiro Mk-25, acoplados a 02 sistemas de direção de tiro Mk-37 para os canhões de 127 mm.; 14 diretoras óticas Mk 51, acopladas ao sistema de direção de tiro Mk 51; 1 conjunto de CME contendo um transmissor de bloqueio e um receptor para interceptação de radar; radiogoniometros, LORAN e ecosonda. Sua tripulação era composta por 1070 homens, sendo 58 oficiais, 35 suboficiais, 168 sargentos 809 cabos e marinheiros. A tripulação incluía um destacamento de Fuzileiros Navais. O primeiro dos dois navios a ser transferido foi o USS Philadelphia (CL-41), sendo construído no Philadelphia Navy Yard, lançado em Novembro de 1936 e incorporado na Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) em Setembro de 1937. Durante a Segunda Guerra Mundial participou em importantes operações no Atlântico e no Mediterrâneo, incluindo a Operação Torch, a campanha da Sicília, Salerno, Anzio e a invasão do sul de França. Depois da guerra, realizou missões de transporte de tropas antes de ser colocado na reserva. Foi descomissionado em 3 de Fevereiro de 1947, em 9 de Janeiro de 1951, precisamente poucos dias depois da formalização do acordo com o Brasil, o Philadelphia foi retirado da lista de navios ativos, passando a ser preparado para a transferência. Seria renomeado como Cruzador Barroso - C 11, sendo o quarto navio a ostentar esse nome em homenagem ao Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, Barão do Amazonas. Seria submetido a Mostra de Armamento em 29 de janeiro de 1951 e incorporado em 21 de agosto de 1951, em cerimônia presidida pelo Dr. Maurício Nabuco, Embaixador do Brasil em Washington, realizada na Base Naval da Philadelphia, e que contou com a presença do Contra-Almirante Gérson de Macedo Soares, presidente da Comissão de Recebimento dos Cruzadores e representantes do Departamento de Estado e da marinha norte-americana.
Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Raul Reis Gonçalves de Sousa. Entre 5 e 22 de abril a tripulação encarregada de receber o navio foi transportada em viagem do Rio de Janeiro para Philadelphia, via Trinidad. Em 14 de novembro, às 10:00 horas, partiu rumo ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 7 de dezembro. Em 1953 realizou a transladação dos restos mortais da Princesa Isabel e do Conde D'Eu, de Portugal para o Brasil. Em janeiro de 1957, realizou viagem do Rio de Janeiro a Santos-SP com o Presidente Juscelino Kubitschek. A partir de 1958, o Barroso passou a ser utilizado como plataforma experimental para determinar se era possível operar helicópteros em um navio que não tinha sido concebido para essa finalidade. A configuração do cruzador apresentava algumas limitações. Não existia, portanto, um convoo especificamente projetado para operações aéreas, sendo necessário adaptar uma área originalmente destinada a outras funções. Para criar uma área suficientemente livre para a aproximação e aterragem, era necessário conteirar a Torre nº 5 de 152 mm para fora, enquanto o guindaste existente na popa tinha de ser colocado numa posição que não interferisse com a operação aérea. O helicóptero podia então utilizar a área correspondente ao antigo sistema de aviação de reconhecimento. Depois da operação, a aeronave podia ser recolhida para o hangar através do guindaste. Em determinadas condições, era possível acomodar dois helicópteros no antigo hangar destinado às aeronaves de reconhecimento, embora essa configuração não constituísse a forma normal de operação. Na prática, a utilização do espaço dependia do tipo de helicóptero, das condições meteorológicas e da necessidade de manter livre a área de manobra. Os testes decorreram aproximadamente entre Junho de 1958 e Maio de 1959. Inicialmente foram utilizados helicópteros Westland Widgeon, posteriormente sendo experimentado o Westland Wasp HAS.1. A experiência adquirida com o Barroso foi posteriormente aplicada também ao Tamandaré. A partir de 1958, este cruzador passou igualmente a receber helicópteros, permitindo à Aviação Naval ampliar a experiência de utilização de aeronaves de asas rotativas em navios de grande porte. As principais tarefas atribuídas aos helicópteros eram a observação e correção do tiro de artilharia, o reconhecimento e as missões de busca e salvamento. Entre os dias 23 de janeiro e 27 de fevereiro de 1967, participou da comissão ASPIRANTEX 67, integrando um Grupo-Tarefa, visitando os portos de Recife (PE) e Luanda (Angola). Além dos oficiais instrutores e do Corpo de Alunos da Escola Naval participaram Cadetes da Escola de Aeronáutica e da Academia Militar das Agulhas Negras. As longas travessias nos trechos Rio-Recife, Recife-Luanda, Luanda-Recife e Recife-Rio proporcionaram um bom período de adaptação a longos cruzeiros a todos os alunos participantes.
Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Raul Reis Gonçalves de Sousa. Entre 5 e 22 de abril a tripulação encarregada de receber o navio foi transportada em viagem do Rio de Janeiro para Philadelphia, via Trinidad. Em 14 de novembro, às 10:00 horas, partiu rumo ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 7 de dezembro. Em 1953 realizou a transladação dos restos mortais da Princesa Isabel e do Conde D'Eu, de Portugal para o Brasil. Em janeiro de 1957, realizou viagem do Rio de Janeiro a Santos-SP com o Presidente Juscelino Kubitschek. A partir de 1958, o Barroso passou a ser utilizado como plataforma experimental para determinar se era possível operar helicópteros em um navio que não tinha sido concebido para essa finalidade. A configuração do cruzador apresentava algumas limitações. Não existia, portanto, um convoo especificamente projetado para operações aéreas, sendo necessário adaptar uma área originalmente destinada a outras funções. Para criar uma área suficientemente livre para a aproximação e aterragem, era necessário conteirar a Torre nº 5 de 152 mm para fora, enquanto o guindaste existente na popa tinha de ser colocado numa posição que não interferisse com a operação aérea. O helicóptero podia então utilizar a área correspondente ao antigo sistema de aviação de reconhecimento. Depois da operação, a aeronave podia ser recolhida para o hangar através do guindaste. Em determinadas condições, era possível acomodar dois helicópteros no antigo hangar destinado às aeronaves de reconhecimento, embora essa configuração não constituísse a forma normal de operação. Na prática, a utilização do espaço dependia do tipo de helicóptero, das condições meteorológicas e da necessidade de manter livre a área de manobra. Os testes decorreram aproximadamente entre Junho de 1958 e Maio de 1959. Inicialmente foram utilizados helicópteros Westland Widgeon, posteriormente sendo experimentado o Westland Wasp HAS.1. A experiência adquirida com o Barroso foi posteriormente aplicada também ao Tamandaré. A partir de 1958, este cruzador passou igualmente a receber helicópteros, permitindo à Aviação Naval ampliar a experiência de utilização de aeronaves de asas rotativas em navios de grande porte. As principais tarefas atribuídas aos helicópteros eram a observação e correção do tiro de artilharia, o reconhecimento e as missões de busca e salvamento. Entre os dias 23 de janeiro e 27 de fevereiro de 1967, participou da comissão ASPIRANTEX 67, integrando um Grupo-Tarefa, visitando os portos de Recife (PE) e Luanda (Angola). Além dos oficiais instrutores e do Corpo de Alunos da Escola Naval participaram Cadetes da Escola de Aeronáutica e da Academia Militar das Agulhas Negras. As longas travessias nos trechos Rio-Recife, Recife-Luanda, Luanda-Recife e Recife-Rio proporcionaram um bom período de adaptação a longos cruzeiros a todos os alunos participantes. Em 14 de agosto, navegando em viagem de adestramento entre Salvador e o Rio de Janeiro, sofreu a explosão de uma de suas caldeiras, ocasionando 11 mortes, entre elas a do Chefe de Máquinas, do Oficial de Serviço na Praça de Máquinas, 1º Ten. Elias Pereira Magalhães, do CB-MA Kerginaldo Cariolano de Freitas, e mais oito praças. Privado da propulsão, teve de ser rebocado para Salvador pela corveta Caboclo (V-19). Depois do acidente, o Barroso foi reparado e voltou a operar, no entanto a recuperação não significava que o navio tivesse recuperado a sua antiga importância operacional, pois seu problema era estrutural. Possuía 08 caldeiras a vapor, turbinas concebidas nos anos 1930 e uma instalação mecânica que exigia uma manutenção cada vez mais pesada. À medida que os anos passavam, tornava-se também mais difícil e dispendioso manter em boas condições equipamentos, e ao mesmo tempo, a ameaça naval tinha mudado. A decisão de retirar o Barroso de serviço também deve ser relacionada com a transformação da própria Esquadra, começara a concentrar maior atenção em navios de escolta, guerra antissubmarina e meios capazes de acompanhar o porta-aviões Minas Gerais (A-11). Esta mudança tornou-se particularmente importante porque precisava-se de distribuir recursos limitados por uma série de novas capacidades. Em 15 de Maio de 1973, determinou-se oficialmente a desativação do C-11 Almirante Barroso através do Aviso nº 0423. Terminava assim a sua carreira depois de aproximadamente 22 anos de serviço brasileiro. O segundo cruzador desta classe seguiria um caminho semelhante, o USS St. Louis (CL-49) era um dos últimos e mais aperfeiçoados da família Brooklyn. A sua construção incorporara algumas alterações em relação aos primeiros navios da classe, nomeadamente melhorias na proteção e na disposição das máquinas. Durante a Segunda Guerra Mundial, combateu principalmente no teatro de operações do Pacífico. Participou ativamente em operações nas Ilhas Salomão, Guadalcanal, Bougainville, Marianas, Filipinas e Okinawa. Terminada a guerra, permaneceu temporariamente no Extremo Oriente antes de regressar aos Estados Unidos e ser colocado na reserva. Seria oficialmente descomissionado em 20 de Junho de 1946, permanecendo na reserva até ser selecionado para transferência, sendo então retirado da lista de ativos da frota norte-americana. Seria renomeado como Cruzador Tamandaré - C 12, terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré. Foi submetido a Mostra de Armamento em 29 de janeiro de 1951 e incorporado 6 de fevereiro de 1952, em cerimônia realizada na Base Naval da Philadelphia. Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Paulo Bosísio. Entre 13 de fevereiro e 13 de março de 1952, foram realizados treinamentos na área de Norfolk (Virginia), retornando depois para Philadelphia.
Em 26 de março, partiu da Philadelphia rumo ao Brasil, escalando em Norfolk (Virginia), Port of Spain (Trinidad e Tobago), Recife-PE, Salvador-BA e Búzios-RJ, chegando ao Rio de Janeiro em 20 de abril. Uma curiosidade, nesse ano o Tamandaré presenteou a Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais com 16 gaitas escocesas, em agradecimento a essa instituição, que ofertara ao navio a Bandeira Nacional. Em abril de 1955, transportou o Presidente Dr. Café Filho e comitiva em visita oficial a Portugal. Permaneceu em Lisboa por nove dias. Escalou em Recife no estado de Pernambuco e Casablanca (Marrocos). Em novembro do mesmo ano ocorreu um levante militar que levou ao afastamento do presidente interino Carlos Luz. Na manhã do dia 11 , o Tamandaré, então sob o comando do capitão-de-mar-e-guerra Sílvio Heck, deixou a Ilha das Cobras levando a bordo Carlos Luz, ministros e outras autoridades. O comandante-em-chefe da Esquadra, almirante Pena Boto, também embarcou. O cruzador tentou deixar a Baía de Guanabara e dirigir-se para Santos. A situação acabou envolvendo as fortificações que controlavam a entrada da baía. O cruzador recebeu ordens de terra para não sair, mas continuou a navegar. Houve inclusive disparos de advertência das fortificações, apesar disto conseguiu atravessar a barra e seguir para o sul. Regressou ao porto do Rio de Janeiro, depois de ter ido até Santos tentar um desembarque do pessoal que estava a bordo. Durante os anos seguintes, procurou-se manter o navio atualizado, em junho de 1958, a repetidora de radar VD foi substituída por uma repetidora tipo AN/SPA-8A, 115 volts, 60 ciclos, Hazeltine Eletronics Corporation. Em janeiro de 1964 , participou da Operação DRAGÃO I, a primeira da serie daquela que seria durante varias décadas o mais importante evento de adestramento das forças anfíbias da nossa Marinha. A DRAGÃO I, foi realizada ao sul de Vitória-ES e contou com a participação do NAeL Minas Gerais - A 11 (capitânia), CL Tamandaré - C 12, CT Paraíba - D 28, Paraná - D 29 e Pernambuco - D 30 e os NTrT Barroso Pereira - G 16 e Ary Parreiras - G 21, além de aeronaves do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral e embarcações do então Grupo Anfíbio, que nos anos 80 era conhecido como GED - Grupo de Embarcações de Desembarque. Em 28 de junho, depois de 24 anos servindo à Marinha do Brasil, onde atingiu a marca 220.000 milhas navegadas, foi realizada a cerimônia de Mostra de Desarmamento e baixa, obedecendo ao Aviso Ministerial de 12 de abril de 1976. Numa rápida cerimônia que durou aproximadamente 15 minutos, presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) Almirante-de-Esquadra Gualter Maria Menezes de Magalhães. Em termos históricos, o C-12 Tamandaré foi provavelmente o mais importante dos dois Brooklyn brasileiros como plataforma operacional: serviu como cruzador, capitânia, escola de oficiais durante quase um quarto de século.
Em 26 de março, partiu da Philadelphia rumo ao Brasil, escalando em Norfolk (Virginia), Port of Spain (Trinidad e Tobago), Recife-PE, Salvador-BA e Búzios-RJ, chegando ao Rio de Janeiro em 20 de abril. Uma curiosidade, nesse ano o Tamandaré presenteou a Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais com 16 gaitas escocesas, em agradecimento a essa instituição, que ofertara ao navio a Bandeira Nacional. Em abril de 1955, transportou o Presidente Dr. Café Filho e comitiva em visita oficial a Portugal. Permaneceu em Lisboa por nove dias. Escalou em Recife no estado de Pernambuco e Casablanca (Marrocos). Em novembro do mesmo ano ocorreu um levante militar que levou ao afastamento do presidente interino Carlos Luz. Na manhã do dia 11 , o Tamandaré, então sob o comando do capitão-de-mar-e-guerra Sílvio Heck, deixou a Ilha das Cobras levando a bordo Carlos Luz, ministros e outras autoridades. O comandante-em-chefe da Esquadra, almirante Pena Boto, também embarcou. O cruzador tentou deixar a Baía de Guanabara e dirigir-se para Santos. A situação acabou envolvendo as fortificações que controlavam a entrada da baía. O cruzador recebeu ordens de terra para não sair, mas continuou a navegar. Houve inclusive disparos de advertência das fortificações, apesar disto conseguiu atravessar a barra e seguir para o sul. Regressou ao porto do Rio de Janeiro, depois de ter ido até Santos tentar um desembarque do pessoal que estava a bordo. Durante os anos seguintes, procurou-se manter o navio atualizado, em junho de 1958, a repetidora de radar VD foi substituída por uma repetidora tipo AN/SPA-8A, 115 volts, 60 ciclos, Hazeltine Eletronics Corporation. Em janeiro de 1964 , participou da Operação DRAGÃO I, a primeira da serie daquela que seria durante varias décadas o mais importante evento de adestramento das forças anfíbias da nossa Marinha. A DRAGÃO I, foi realizada ao sul de Vitória-ES e contou com a participação do NAeL Minas Gerais - A 11 (capitânia), CL Tamandaré - C 12, CT Paraíba - D 28, Paraná - D 29 e Pernambuco - D 30 e os NTrT Barroso Pereira - G 16 e Ary Parreiras - G 21, além de aeronaves do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral e embarcações do então Grupo Anfíbio, que nos anos 80 era conhecido como GED - Grupo de Embarcações de Desembarque. Em 28 de junho, depois de 24 anos servindo à Marinha do Brasil, onde atingiu a marca 220.000 milhas navegadas, foi realizada a cerimônia de Mostra de Desarmamento e baixa, obedecendo ao Aviso Ministerial de 12 de abril de 1976. Numa rápida cerimônia que durou aproximadamente 15 minutos, presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) Almirante-de-Esquadra Gualter Maria Menezes de Magalhães. Em termos históricos, o C-12 Tamandaré foi provavelmente o mais importante dos dois Brooklyn brasileiros como plataforma operacional: serviu como cruzador, capitânia, escola de oficiais durante quase um quarto de século.Em Escala.
A inexistência no mercado de um kit injetado para representar a classe de cruzadores Brooklyn, nos traz a necessidade de converter um antigo modelo Revell do USS Los Angeles na escala 1/480, fazendo uso de moldes de um modelo de cartolina "Krazownik Helena Kartonowe" na escala 1/400. Foi refeito todo convés no navio, suas ilhas, superestrutura, torres e canhoes e respectivo detalhamento, fazendo uso de peças produzidas em plastcard com base nos moldes. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models. Fizemos uso de tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.
O esquema de cores, identificado pelos respectivos códigos FS (Federal Standard), correspondia ao padrão de pintura empregado pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) em seus navios durante as décadas de 1950 a 1970. Foi nesse padrão que os cruzadores destinados à transferência para a Marinha do Brasil, em 1951, foram recebidos. Esse padrão permaneceu em uso até a retirada do serviço ativo do último representante dessa classe na Marinha do Brasil, ocorrida em 1976, encerrando mais de duas décadas de serviço desses navios sob a bandeira brasileira.
Bibliografia :
- Classe Brooklyn Cruzador Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Brooklyn
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/





