Aérospatiale SA330L Puma no Brasil

História e Desenvolvimento. 

No início da década de 1960 a França decidiu manter sua política de independência militar, ficando assim fora do alinhamento com OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em detrimento as demais nações da Europa Ocidental que fizeram. No entanto este processo o repensar de sua estratégia militar pois desde o final da Segunda Guerra Mundial, a forças armadas francesas estavam equipadas principalmente com equipamento militar de origem norte americana, e em fins da década de 1950 muitos destes estavam já entrando em um processo grave de obsolescência. Buscando solucionar esta deficiência, rapidamente neste mesmo período o governo francês investiu grandes esforços em um amplo processo de fortalecimento da indústria de defesa do país. No aspecto da aviação de asas rotativas havia a premente necessidade de se substituir os modelos da Sikorsky como os H-19D e  H-34, para emprego principalmente nas tarefas de transporte de carga e tropas. A fins de atender a esta demanda o o comando do Exército Frances no início do ano de 1963 emitiu especificações a Sud Aviation para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte para o transporte de tropas com capacidade para 20 soldados totalmente equipados de uso para qualquer tempo. Após a elaboração dos primeiros projetos conceituais referentes a esta nova aeronave, ainda no mesmo ano foi firmado um grande contrato para o desenvolvimento deste helicóptero. Apesar de contar com considerável experiencia no desenvolvimento e produção de helicópteros equipados com motores turboeixo graças aos programas Alouette II e Alouette III, o conhecimento da Sud Aviation com aeronaves de asas rotativas de maior porte, se limitava essencialmente aos 130 Sikorsky S-58/H-34 montados sob licença em suas instalações em Toulouse que foram destinados a atender a demanda das três armas de aviação daquele pais. Esta deficiência seria suprida pela participação da Aviação do Exército Frances. 

O SA330 inicialmente batizado como Alouette IV,  seria equipado com dois motores Turbomeca Bi Bastan VII e foi projetado para ser capaz de atingir velocidades elevadas, apresentando grande capacidade de manobra, com um bom desempenho hot-and-high; os motores possuem um nível constante de alta de energia de reserva a fim permitir que a aeronave voe efetivamente em peso máximo com apenas um motor de funcionamento para assim poder prosseguir com a sua missão, se as circunstâncias o exigirem. O cockpit possui dois controles convencionais para um piloto e copiloto, um terceiro assento é fornecido no cockpit de um membro da tripulação de reserva ou comandante. A aeronave ainda dispõe de um sistema de piloto automático eletro-hidráulico Tipo SFIM-Newmark 127; sendo capaz de roll e pitch de estabilização, dispõe ainda da possibilidade do operador gancho de carga poder inserir ajustes corretivos da posição do helicóptero a partir de sua estação através do piloto automático. Antes porem de ser assinado o contrato para a produção dos dois primeiros protótipos e cinco células de pré-produção, o projeto havia evoluído consideravelmente graças a disponibilidade do novo motor Turbomeca Turmo, que oferecia mais potência que o Bastan VII. O primeiro protótipo foi completado em 1965, com seu primeiro voo ocorrendo em 15 de abril do mesmo ano, as primeiras avaliações positivas sobre o conceito do projeto levaram o governo francês a  endossar a pré encomendar do lote de células pré-produção. Estas nova aeronaves pré-série teriam como objetivo básico atender a um auspicioso programa de ensaios em voo, com os helicópteros sendo entregues pela Sud Aviation entre janeiro de 12 de janeiro de 1966 e 30 de julho de 1968.
O programa de testes demandou ao fabricante uma série de alterações e melhorias no projeto, com o modelo sendo validado para produção em série a partir de setembro de 1968 pelo comando em meados do mesmo ano. As primeiras aeronaves do agora denominado e batizado pelo fabricante como SA-330 PUMA foram entregues ao comando do Exército Frances em maio de 1969. As qualidades inerentes do projeto não passaram desapercebidas internacionalmente e mesmo durante a fase de ensaios de voo, o modelo despertou o interesse do comando da Força Aérea Real (RAF), que buscava neste mesmo período uma nova aeronave de transporte médio de asas rotativas. Neste mesmo período a empresa também francesa Aeropastiale absorveu o conglomerado de operações da Sud Aviation e assim a fins de atender a uma possível demanda britânica se associou a Westland Helicopters no Reino Unido, assinando assim um acordo de produção conjunta da aeronave. As primeiras unidades britânicas começaram a ser entregues em 29 de janeiro de 1971 , sendo estas pertencentes a uma encomenda inicial de 48 aeronaves do modelo Puma HC Mk 1, neste processo a primeira unidade aérea a ser declarada operacional foi o 33º Esquadron, em 14 de junho do mesmo ano. No esteio do sucesso operacional do modelo se seguiram contratos de produção para Argentina, Líbano, Marrocos, Portugal, Paquistão, África do Sul e Brasil, totalizando até 1987, 697 células entregues.

Novas versões foram produzidas ao longo dos anos, sendo destinadas não só a França e Reino Unido, mas também a diversos países através de contrato de exportações como Argentina, Líbano, Marrocos, Brasil, Paquistão, Portugal, Chile, Camarões, Congo, Equador, Guiné, Indonésia, Costa do Marfim, Kuwait, Nepal, Omã, Romênia Malavi e Espanha. Destacamos ainda o desenvolvimento de versões armadas para suporte de fogo como as Romenas IAR 330 e as Sul Africanas IAR-330 Puma Socat dedicadas ao combate antitanque. Variantes e modernizações foram produzidas sob licença pela Atlas na África do Sul, ICA na Romênia e IPTN na Indonésia. As versões do Aerospatiale Puma foram empregadas em missões reais sob o fogo inimigo pela primeira vez em 1974, quando forças francesas durante a Operação Barracuda para transportar uma equipe de assalto diretamente sobre a sede do governo do Império Central Africano, estiveram presentes também nos conflitos no Líbano, Angola, Paquistão, Marrocos, Falklands Malvinas e Tempestade no Deserto. Vale salientar que em anos recentes, o SA330 Puma foi ativamente empregado em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) como no Haiti (Minustah) e no Sudão (Unamid), entre outras campanhas.
Em 1974, Aérospatiale buscando se antecipar as necessidades do mercado militar de transporte de asas rotativas , iniciou o desenvolvimento de um novo helicóptero de porte médio com base no seu consagrado modelo SA 330 Puma. O projeto conceitual foi apresentado no estande da empresa na edição de 1975 da feira aérea internacional Paris Air Show na França, apesar de lay out e concepção estrutural semelhante ao Puma, a nova aeronave apresentava inúmeros melhoramento e inovações entre eles a adoção dos novos e mais potentes motores Turbomeca Makila , que geravam cada um 1877 hp de potência, para assim propelir um novo rotor principal composto de quatro pás feito de materiais compostos desenvolvido para aumentar a resistência a danos Possuía ainda como diferencial uma maior extensão da fuselagem, construída de forma mais robusta para resistir ao choque e danos de batalha, recebeu a adoção de uma barbatana ventral sob a cauda e um nariz alongado para acomodar um novo radar meteorológico. O primeiro  protótipo de pré-produção, o SA 331, modificado a partir de uma célula SA 330 com motores Makila e uma nova caixa de velocidades, voou em 5 de setembro de 1977, levando assim posteriormente a descontinuação da produção do SA330 Puma.

Emprego no Brasil. 

A operação de aeronaves de asas rotativas para emprego militar teve início no Brasil em 1952 com a aquisição pela Força Aérea Brasileira de quatro células do modelo Bell 47D1, com o passar dos anos a construção da doutrina operacional do emprego de helicópteros militares envolveu a aquisição de aeronaves de maior porte e maior potência. No final da década de 1970, a FAB encontrava-se predominantemente equipada com helicópteros Bell UH-1D e UH-1H , que eram também suas aeronaves de maior porte de asas rotativas. Entre outros trabalhos atribuídos a Aviação e Asas Rotativas da FAB estava o apoio ao Exército Brasileiro em missões como transporte de tropas e operações de helidesembarque. Desta maneira ficava nítida a necessidade de se contar com um helicóptero de maior porte, pois, apesar de dos excelentes serviços prestados até aquele momento pelos modelos UH-1D e UH-1H os mesmos helicópteros se mostravam de tamanho limitado. Eram capazes de acomodar até 11 combatentes equipados, mas uma operação com os Hueys transportando uma companhia de infantes poderia exigir uma expressiva quantidade de surtidas ou de aeronaves. Isto ficou claro durante diversas operações conjuntas realizadas entre a Força Aérea Brasileira e o Exército Brasileiro nos derradeiros anos da década de 1970. Este fato seria ainda catalisado no começo da década seguinte no projeto de ampliação dos esquadrões de asas rotativas, na reorganização e transformação  também dos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque – EMRA, gerando assim o 8º Grupo de Aviação que congregaria todas as unidades operadoras de helicópteros na FAB.

Este novo cenário demandava a aquisição de um helicóptero de maior porte e visando atender esta demanda o Ministério da Aeronáutica iniciou estudos neste período a fim de selecionar para aquisição, uma aeronave de asas rotativas de transporte de médio porte que atendesse a diversos requisitos técnicos e de desempenho. Não se tem informações oficiais sobre quais outros modelos de aeronaves foram envolvidos neste processo de análise, mas a escolha acabou recaindo sobre uma das últimas versões do Aerospatiale Puma, o SA-330L, variante esta, que era uma evolução do SA-330H dedicado a exportação. Esta aeronave estava equipada com os novos motores turboeixo Turbomeca Turmo IVC, que geravam cerca de 1.580 hp  de potência cada, e apresentavam os rotores e pás do rotor principal confeccionados em materiais compostos. Uma das principais características da versão escolhida pela FAB era a otimização do projeto permitindo assim a operação em regiões de alto calor e umidade. Comenta-se ainda que tal decisão tenha sido influenciada pela recente chegada ao Brasil dos primeiros exemplares SA-330J, que haviam sido arrendados pela empresa de transporte Cruzeiro do Sul Taxi Aéreo, que chegaria a operar até nove aeronaves do tipo, criando assim uma linha de suprimento de peças de reposição no país. Seja como for, naquele mesmo ano foram encomendados seis helicópteros SA-330L Puma ao custo unitário de Cr$ 335.849.646,00 . Este contrato previa ainda o treinamento do pessoal aero navegante e técnico, um lote de peças de reposição e apoio logístico e de manutenção. Entre as células brasileiras estarem entre as ultimas produzidas, elas se distinguiam principalmente pela instalação no nariz de um radar meteorológico Bendix RDR-1400, o primeiro a utilizar uma tela em cores empregada em uma aeronave militar brasileira.
Ficou determinado concentrar os novos SA-330L Puma no  3º/8º Grupo de Aviação, unidade esta criada em 9 de setembro de 1980, que até então estava dotado de helicópteros Bell UH-1H Hey herdados do 3º EMRA para o adestramento das equipagens. Nos meses que se seguiram unidade começou a se estruturar para o recebimento das novas aeronaves, com os pilotos e mecânicos sendo enviados em março de 1981  a cidade de Mariganane, na  França, onde foram recebidos nas instalações da Aerospatiale a fim realizar os cursos teóricos e práticos da aeronave, no mês seguinte outra turma foi enviada a Mariganane para o curso no SA-330L . A etapa de instrução foi concluída sem percalços, e em setembro daquele ano todos os pilotos que foram a França já haviam regressado ao esquadrão. Finalmente, em 17 de outubro, chegou ao Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA AF), o primeiro dos seis SA-330L, trazido a bordo de um C-130H Hercules do 1º/1º Grupo de Transporte (1º/1º GT). Sob supervisão de representantes da Aerospatiale, o primeiro helicóptero foi prontamente montado pelo pessoal daquele parque e fez seu primeiro voo no Brasil, no dia 20 daquele mesmo mês. Nas semanas seguintes, quer em aviões do 1º/1º GT ou do 2º Grupo de Transporte de Tropas, foram chegando ao Brasil os demais SA-330L Puma. Assim que foi entregue a primeira aeronave agora designada como CH-33, os pilotos que haviam feito o curso na França passaram a instrução para os demais aviadores do 3º/8º GAv. Tal como ocorreu nas instalações da Aerospatiale, essa fase foi executada de forma fluida e rápida, o que permitiu ao esquadrão dar inicio a etapa de treinamento e adestramento operacional. Já que o Esquadrão Puma e seus CH-33 seriam empregados não somente em missões de transporte de tropa, mas na execução de missões de busca e salvamento, infiltração / exfiltração de forças especiais, transporte aéreo logístico, transporte de cargas externas, entre outras atividades, os helicópteros e o pessoal do 3º/8º GAv. trabalharam nos meses seguintes completamente engajados no esforço de transformar aquele esquadrão em uma unidade plenamente operacional no CH-33.

Já em novembro de 1981 duas células do CH-33 Puma participaram da 8º Reunião de Aviação de Transporte de Tropa que foi realizada na Base Aérea de Campo Grande (MS), apresentando assim as demais unidades de asas rotativas as capacidades operacionais da nova aeronave. Após somente 20 semanas após o recebimento da primeira aeronave CH-33, o Esquadrão Puma já estava sendo convocado para realizar missões de busca e salvamento (SAR), bem como executar sua primeira surtida de transporte presidencial. De Fato ao longo da vida operacional dos Pumas, como aquele helicóptero era carinhosamente conhecido entre os pilotos e mecânicos brasileiros, os CH-33 realizaram incontáveis missões de SAR . Isso foi uma consequência natural não somente do enorme potencial como vetor de busca e salvamento, mas do fato do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR) ser praticamente “vizinho de porta” do 3º/8º GAv. E esse binômio foi repetidamente empregado com sucesso nas mais variadas missões de SAR, bem como em missões humanitárias como as realizadas em 1983 e 1984 durante as enchentes que varreram o estado de Santa Catarina. A despeito das dificuldades logísticas que assolaram os CH-33 durante toda sua carreira na FAB e que determinavam modestíssimos índices de disponibilidade, aqueles helicópteros proporcionaram uma nova dimensão a aviação de asas rotativas da FAB. Para melhor aproveitar todo o potencial que podiam proporcionar, em 1982, foi realizada por oficiais da Força Aérea Portuguesa uma serie de palestras sobre o emprego do SA-330 em Angola durante o conflito colonial no qual eles haviam se envolvido na década anterior. Em função deste aprendizado, bem como da visível necessidade de ampliar a capacidade de operações especiais da FAB, os CH-33 do 3º/8º GAv. dedicaram considerável esforço ao adestramento de missões de infiltração / exfiltração de pessoal de operações especiais do Exército Brasileiro, alem desta também foram usados em missões de transporte de obuses de artilharia e veículos leves (utilizando seu gancho de carga), em missões de apoio eram armados com duas metralhadoras MAG 7,62mm dispostas na posição lateral.
Em fins de 1985 já se desenha no horizonte o fim da carreira operacional dos CH-33, e a Força Aérea Brasileira já havia iniciado entendimentos para adquirir um lote de helicópteros Aerospatiale AS-332 Super Puma, o sucessor maior e mais moderno do SA-330 PUMA. Este processo resultou em um contrato para o fornecimento de 10 novos AS-332 Super Puma e 30 AS-350B e 10  AS-355F2 Ecureiul (sendo estes últimos fabricados sob licença no Brasil pela Helibras), na sistemática de pagamento deste novo contrato foram contempladas a devolução dos seis SA-330 Puma ao fabricante. A devolução dos  CH-33 ocorreu a partir do inicio do ano de 1986, na candência de uma aeronave por mês , levados por aeronaves C-130 Hércules da FAB para a França. No entanto apenas cinco foram devolvidos, pois o FAB 8701 acabou perdido no pátio do III Comar em um acidente em fevereiro do mesmo, felizmente sem causar vítimas. Os CH-33 encerraram sua carreira na FAB em setembro de 1986 após terem voado 11.116 horas e 25 minutos sendo substituídos pelos novos CH-34 Super Puma.

Em Escala.

Para representarmos o CH-33 Puma  "FAB 8702" empregamos o antigo kit da Heller na escala 1/50, infelizmente esta é a única opção disponível no mercado, sendo muita raro de encontrar. Para configurarmos a versão brasileira tivemos de proceder uma série de alterações em scratch, entre elas a adoção do radar meteorológico no nariz, modificação dos tanques de combustível suplementares laterais, inclusão de antenas de rádio e inclusão de  interior detalhado. Fizemos usos de decais FCM pertencentes a diversos Sets, os numerais e em emblemas do 3º/8º GAV foram impressos por nosso amigo Cesar Hares de Curitiba.

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão tático americano de pintura americano “Southeast Asia” em dois tons de verde, marrom e branco, quer era empregado também nas aeronaves UH-1D. Este esquema foi mantido até sua devolução ao fabricante em 1986.



Bibliografia:

- História da Força Aérea Brasileira, por  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 , por Jackson Flores Jr
- Aerospatiale SA.330L PUMA CH-33 na FAB, por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 57
- Nas Garras do Puma – 3º/8º Grupo de Aviação, por Oswaldo Claro Jr.
- Aerospatiale SA.330L – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/A%C3%A9rospatiale_SA_330_Puma