LG 1519/1819 MB (VTNE-VTE-VE)


História e Desenvolvimento.
Gottlieb Daimler e Carl Benz foram pioneiros na criação do automóvel moderno. De forma independente, desenvolveram os primeiros carros motorizados funcionais e contribuíram para importantes inovações no transporte, como o primeiro ônibus, caminhão a gasolina e caminhão a diesel, lançando as bases da indústria automobilística do século XX. Em abril de 1900, a introdução do motor “Daimler-Mercedes” representou um salto tecnológico expressivo, projetado para ser eficiente, simples e de custo competitivo, revolucionou a produção  de veículos comerciais e consolidou a reputação da engenharia alemã. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), a empresa desempenhou um papel central no esforço de guerra alemão. Suas fábricas produziram uma ampla variedade de equipamentos, incluindo caminhões, automóveis militares, componentes mecânicos e motores aeronáuticos, contribuindo diretamente para a sustentação logística e operacional das forças armadas do Império Alemão. Com o fim do conflito, entretanto, a Alemanha mergulhou em uma grave crise econômica. A hiperinflação, o desemprego em massa e a queda abrupta no poder de compra da população afetaram profundamente a indústria automotiva, especialmente o mercado de veículos de luxo. A sobrevivência tornou-se um desafio para grande parte das montadoras; muitas foram forçadas à fusão ou à cooperação industrial como forma de enfrentar o ambiente adverso. Nesse contexto, ao longo da década de 1920, a produção automotiva começou a apresentar sinais de recuperação. Para superar dificuldades económicas e fortalecer a sua posição no mercado, a Daimler-Motoren-Gesellschaft e a Benz & Cie. estabeleceram um acordo de cooperação e administração conjunta, unificando áreas como engenharia, produção, compras, vendas e publicidade. Apesar disso, cada empresa continuou, por um breve período, comercializando seus automóveis sob suas marcas tradicionais. A aproximação evoluiu de modo natural para uma integração plena, resultando na formação da Daimler-Benz AG. O símbolo da nova companhia, a célebre estrela de três pontas, concebida originalmente por Gottlieb Daimler, passou a expressar a versatilidade universal dos motores da empresa, pensados para operar em terra, no ar e no mar. Na década de 1930, a Daimler-Benz foi influenciada pela Alemanha Nazista, beneficiando-se do programa de rearmamento de Adolf Hitler, que aumentou as vendas e gerou grandes contratos para a empresa. O portfólio, até então concentrado em automóveis e caminhões, foi expandido para incluir: motores aeronáuticos e navais; componentes mecânicos para veículos militares; embarcações de pequeno porte; equipamentos especializados destinados às Forças Armadas. Com isso, a Daimler-Benz consolidou-se como um dos principais pilares industriais do regime, desempenhando papel estratégico no fortalecimento da máquina de guerra nazista às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A Daimler-Benz produziu diversos caminhões e veículos militares utilizados pela Alemanha durante o conflito, incluindo os modelos Mercedes-Benz L 3000, L 4500, 170 VK e Tipo G5. Após a guerra, suas fábricas ficaram gravemente danificadas, levando a empresa a reconstruir as instalações com apoio britânico e norte-americano. A partir de 1947, o Plano Marshall impulsionou a reconstrução europeia e aumentou a procura por veículos utilitários. Aproveitando esse cenário, a empresa passou a focar no desenvolvimento de caminhões leves e médios, importantes para o transporte, as obras e a recuperação económica da Europa. Para retomar rapidamente as atividades, a empresa reutilizou projetos da década de 1930. Apesar de tecnologicamente ultrapassados, esses modelos tiveram sucesso comercial na Alemanha e em outros países europeus, permitindo economizar recursos durante o período de escassez. Entretanto, somente em meados da década de 1950, lançaria um produto verdadeiramente alinhado às necessidades daquele momento de reconstrução: o MB L-319. Projetado com cabine avançada, o modelo maximizava o espaço destinado à carga sem ampliar o comprimento total do veículo ou a distância entre eixos. Essa solução conferia maior agilidade em ambientes urbanos, além de maior eficiência operacional. O MB L-319 foi oferecido em diversas configurações caminhão de carga, furgão, chassi para ônibus e versões especializadas  o que ampliou significativamente sua aceitação comercial. O êxito alcançado pelo L-319 impulsionou o desenvolvimento da família LP (Lastkraftwagen-Pulmann), composta por modelos com diferentes capacidades e aplicações, como os LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331. Essa linhagem consolidou sua reputação  como fabricante de veículos robustos, eficientes e adaptáveis às demandas de um continente em reconstrução. Nesse mesmo período, a diretoria da Daimler-Benz AG começou a estruturar um ambicioso plano de expansão internacional. A empresa buscava novos mercados que oferecessem potencial de crescimento, condições favoráveis de industrialização e perspectivas de longo prazo. A montadora viu no Brasil uma oportunidade promissora de expansão, devido à industrialização, à rápida urbanização e ao aumento da procura por veículos pesados para o transporte de cargas e para o desenvolvimento das rodovias.  O objetivo da montadora alemã era estabelecer uma linha de produção local de caminhões e, futuramente, de chassis para ônibus, aproveitando o dinamismo econômico brasileiro e a política governamental favorável à substituição de importações. Nesse contexto, destacou-se a atuação de Alfred Jurzykowski, empresário polonês e representante da marca,  foi o responsável por consolidar as vendas de veículos Mercedes-Benz no país, então importados na forma CKD (Completely Knock-Down), montados localmente. 
Em 1951, Jurzykowski desempenhou papel decisivo ao intermediar as negociações entre a montadora e o governo, que buscava atrair investimentos estrangeiros para fortalecer a indústria nacional. As tratativas culminaram em um acordo para a produção de caminhões e ônibus com motores diesel  alinhando-se às metas do Estado brasileiro de modernizar sua frota pesada e reduzir a dependência externa. Assim, em outubro de 1953, foi oficialmente fundada a Mercedes-Benz do Brasil S.A., iniciando-se os trabalhos de implantação da primeira fábrica da empresa fora da Alemanha, localizada no município de São Bernardo do Campo, na Região do ABC Paulista. Paralelamente à construção da planta, foi lançado um programa de nacionalização de componentes, com foco especial nos motores diesel, Em dezembro de 1955, na presença do Presidente Juscelino Kubitschek, ocorreu o marco simbólico da fundição dos primeiros blocos de motores diesel produzidos na América Latina, nas instalações da Sofunge (Sociedade Técnica de Fundições Gerais S/A). No mês seguinte, em janeiro de 1956, iniciava-se a usinagem desses blocos, consolidando o avanço da tecnologia diesel no país, em contraste com o modelo predominante nos Estados Unidos, baseado no uso extensivo de gasolina. A fábrica de São Bernardo do Campo foi oficialmente inaugurada em 28 de setembro de 1956, sob a direção técnica de Ludwig Winkler, que anteriormente comandara a linha de montagem da Mercedes-Benz no Rio de Janeiro e que, anos mais tarde, assumiria papel semelhante na concorrente Magirus. A cerimônia, que contou com a presença do Presidente da República, simbolizou o clima de otimismo e confiança no futuro industrial do Brasil. Em seu discurso, Kubitschek proferiu a célebre frase: “O Brasil acordou!”, ecoando o espírito desenvolvimentista que marcaria sua administração. O modelo, com capacidade de 6 toneladas de carga útil, era equipado com o motor nacional Mercedes-Benz de seis cilindros, 4.580 cm³, 110 cv, transmissão de cinco marchas e freios hidráulicos com assistência pneumática. Conhecido popularmente como “Torpedo”, o L-312 possuía cabine metálica recuada, permanecendo, até os dias atuais, como o único veículo desse tipo produzido pela marca no país. Brasil, a consolidação dessa reputação ganhou novo impulso em meados de 1964, quando foi iniciada a produção do MBL-1111. Alcançaria vendas superiores a 39 mil unidades em apenas seis anos de produção, resultado extraordinário para a realidade do mercado nacional da época, levando a montadora a liderança no mercado. Este modelo conhecido popularmente como “Onze Onze”, representaria  o grande precursor do modelo na configuração de cabine semiavançada, que posteriormente resultaria na linha L-1113 “Onze Treze”, outro grande sucesso no mercado brasileiro.

A versão de teto baixo evoluiu, entre 1970 e 1971, para a configuração de teto alto, que posteriormente foi adotada em diversos modelos das linhas médias e pesadas da Mercedes-Benz. Os modelos iniciais dessa linha tiveram grande importância na história da montadora no Brasil e influenciaram o desenvolvimento de versões produzidas até o final da década de 1980. Os modelos contribuíram para consolidar a montadora no mercado brasileiro, destacando-se pelos avanços técnicos na suspensão e pelo motor diesel OM-321, de seis cilindros com 110 cv de potência. Esse propulsor já havia sido utilizado nos caminhões de cabine avançada, conhecidos como “Cara-Chata”, a exemplo do MB LP-321, bem como nos ônibus de motor dianteiro MB LPO-321 e nos modelos monobloco MB O-321 H e MB HL. O motor OM-321 representava um importante avanço para a época. Dotado de aspiração natural e sistema de injeção indireta, produzido nacionalmente pela Bosch Roberts do Brasil S/A, o motor ganhou grande popularidade entre os transportadores e passou a ser conhecido pelo apelido de “maçarico”. Sua configuração de seis cilindros em linha permitia desenvolver 110 cv de potência, combinando desempenho adequado às condições de operação brasileiras com a reconhecida robustez mecânica dos propulsores Mercedes-Benz. Em seu lançamento, o Mercedes-Benz MB L-1111 foi disponibilizado no mercado nacional nas versões MB L, MB LK e MB LS. Entre elas, a versão MB L destacava-se por oferecer três diferentes opções de distância entre eixos,  3.600 mm, 4.200 mm e 4.823 mm. Essa variedade permitia atender a diferentes necessidades de transporte e contribuía para a versatilidade do modelo no mercado brasileiro. Durante o mesmo período, também foi disponibilizada a versão Mercedes-Benz MB L-1111 Modelo 48, especialmente interessante para os operadores do transporte rodoviário que necessitavam da instalação de um terceiro eixo. O sistema era oferecido como equipamento opcional pelas concessionárias e podia ser instalado em uma ampla rede de oficinas credenciadas pela montadora, ampliando as possibilidades de configuração do caminhão de acordo com as necessidades de cada transportador. Com exceção dos modelos Mercedes-Benz MB L-1111/48 e MB LS-1111/36, equipados com semirreboque e MB CMT, que apresentavam peso bruto total (PBT) de 18.300 kg, determinadas outras versões do MB L-1111 apresentavam PBT de 10.500 kg. Pouco tempo depois, no final de 1965, a Mercedes-Benz do Brasil S/A ampliaria ainda mais a gama de configurações do modelo com o lançamento de uma versão equipada com tração integral. Denominada comercialmente Mercedes-Benz MB LA-1111 (4x4), essa variante ampliava as possibilidades de utilização do caminhão, especialmente em operações que exigiam maior capacidade de tração e desempenho em terrenos de maior dificuldade.
Já o caminhão MB LA-1111 era a único que apresentava ao mercado duas opções de distância entre eixos, constituída pelos modelos  MB LA-1111/42 (4X4) com 4200 mm de distância entre eixos e a MB LA-1111/48 4X4 com distância entre eixos de 4830 mm.   Todos os modelos MB L-1111 com tração integral 4X4 , vinham equipados com o motor Mercedes Benz OM-321 com 110 cv de potência, caixa de mudanças tipo DB modelo G-32 de cinco velocidades à frente e um à ré; embreagem do tipo monodisco a seco; eixo dianteiro e traseiro tipo DB – 322 com engrenagens hipóides; e como item opcional de fábrica a direção do tipo hidráulica.  Seu interior  contava com banco do motorista com acabamento em tecido ou corvin, ajustável em três posições diferentes; banco para dois ou mais acompanhantes; para-brisa de uma só peça; amplas janelas laterais e visores traseiros que proporcionavam excelente visibilidade. Um eficiente sistema de isolamento, estava instalado entre o habitáculo e o compartimento do motor, fazendo uso de revestimentos à prova de calor e som. Exteriormente dois grandes espelhos retrovisores externos asseguravam manobras fáceis e seguras e amplos estribos laterais permitiam entradas e saídas rápidas.  No ano de 1970 seria lançado o MB L-1113, que vinha equipado com o novo motor diesel MB OM-352LA com injeção direta de 5,6 litros de cubagem, 6 cilindros em linha com potência de 130 cv.  Seu motor apresentava um novo sistema no qual o combustível era injetado diretamente na câmara de combustível, proporcionando um consumo bastante moderado, que neste momento em função da crise do petróleo, resultaria em um grande diferencial competitivo no mercado comercial.  Além de apresentar uma excelente relação de custo-benefício operacional, o novo caminhão apresentava mais vantagens perante os concorrentes, como boa acessibilidade aos componentes mecânicos sob o capo, facilitando os processos de manutenção corretiva e preventiva. Além disso seu peso máximo de transporte bruto (PBT) de 11 toneladas, apresentando em um caminhão de porte médios, representava ao mercado uma adequada resposta as necessidades de transporte em curtas distancias e usos leves. Neste contexto a versão MB L-1113/48, resultante da instalação do terceiro eixo, garantiria ao veículo o peso bruto total (PBT) de 18,5 toneladas, proporcionando disputar com facilidade um novo nicho de mercado, garantindo a Mercedes-Benz S/A no Brasil mais conquistas em termos de participação no mercado nacional. Neste momento a subsidiária brasileira começaria a aumentar seu volume de exportações para mercados emergentes. Nos anos seguintes o lançamento de novos modelos básico ou com tração integral (4X4 ou 6X6) ampliariam o leque de versões a serem disponibilizadas no mercado, levando a montadora a conquistar a liderança absoluta no Brasil no mercado de caminhões.  

Emprego no Exército Brasileiro.
O processo de motomecanização do Exército Brasileiro ganhou impulso durante a Segunda Guerra Mundial com o programa  Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que possibilitou o recebimento de mais de 5.000 caminhões militares. Essa frota ampliou significativamente a mobilidade e a capacidade logística da Força Terrestre, reduzindo a dependência da tração animal e dos meios ferroviários criando uma nova realidade operacional. Entretanto, ao longo da década de 1950, o intenso uso, o envelhecimento dos veículos e a dificuldade de obtenção de peças comprometeram sua disponibilidade operacional. A substituição por caminhões modernos, como os REO M-34 e M-35, mostrou-se economicamente inviável em larga escala. Como alternativa, o Exército passou a combinar a recuperação dos veículos existentes com a incorporação gradual de caminhões comerciais nacionalizados e militarizados, reservando os veículos 4×4 e 6×6 para operações fora de estrada. Os projetos de modernização dos GMC CCKW e Studebaker US6G foram abandonados devido aos elevados custos e às limitações da capacidade industrial brasileira. Paralelamente, o Ministério do Exército passou a estimular a indústria nacional, inicialmente com destaque para a FNM. Nesse contexto de renovação da frota, a Mercedes-Benz do Brasil apresentou uma proposta baseada em veículos de produção nacional. Em maio de 1959, foi firmado o primeiro contrato para aquisição dos modelos MB LP-321 e LP-331, ambos 4×2, dispostos em várias configurações de carroceria.  Posteriormente, o Exército Brasileiro incorporaria o LAPK-321, primeiro caminhão de grande porte da Força com tração 4×4, marcando uma nova etapa na modernização de sua frota de transporte. Apesar de representarem um avanço, suas limitações de robustez e desempenho em condições severas evidenciaram a necessidade de uma nova geração de caminhões concebida especificamente para o emprego militar. O ponto de virada ocorreu em 1964, com a introdução dos novos caminhões médios Mercedes-Benz L-1111/L-1112 e, posteriormente, do LA-1111 4×4, cuja robustez, confiabilidade e capacidade de operar em terrenos não pavimentados despertaram o interesse do Exército Brasileiro. No mesmo ano, foi solicitado o desenvolvimento de um protótipo militarizado, apresentado ainda em 1964. O veículo recebeu adaptações específicas, incluindo motor OM-352, transmissão otimizada, reforços estruturais, carroceria e para-choques militares, proteção dos faróis, iluminação de comboio e dispositivos de reboque. Submetido a rigorosos testes de campo em diferentes tipos de terreno, o LA-1111 4×4 demonstrou elevada resistência, mobilidade e confiabilidade, superando as limitações dos caminhões anteriormente empregados e consolidando-se como uma solução mais adequada às necessidades operacionais. 

 As primeiras unidades foram oficialmente incorporadas em fevereiro de 1966, os contratos seguintes contemplaram diferentes configurações, destinadas a atender às diversas necessidades operacionais: L-1111/42, LA-1111/48, LK-1111(chassi curto), LAK-1111/36(chassi curto) e LS-1111(cavalo mecânico).  A confiança nessa família de caminhões fortaleceu a parceria entre o Exército Brasileiro e a Mercedes-Benz do Brasil, que passou de fornecedora de viaturas a importante participante da modernização militar e do fortalecimento da indústria automotiva e da Base Industrial de Defesa nacional. A partir de 1967, iniciou-se um amplo ciclo de aquisições de caminhões Mercedes-Benz, incorporando uma grande diversidade de configurações destinadas ao transporte de cargas, abastecimento de água e combustível, refrigeração, oficinas, engenharia, pontes, manutenção, lubrificação e apoio logístico. Apesar destas aquisições, o  ciclo do da família MB 1111 foi relativamente curto, passando a ser substituído a partir de 1970 pelo novos  MB-1113, sendo adquiridos nas versões básicas LA/LAK-1113, com este se tornando o principal caminhão com tração integral a ser operado pelo Exército Brasileiro. Seriam disponibilizados em diversas aplicações especializadas como VTNE carga geral 2½ t 4×4; VTE Engenharia Cavalete 2½ t / 4×4; VTE Engenharia Corpo Pontão 2½ t / 4×4; VTE Engenharia Embarcação Manobra Ponte M4T6 2½ t / 4×4; VTE Engenharia Meio Pontão 2½ t / 4×4 e por fim VTNE Carga Emprego Geral 2½ t / 4×4. Assim no início de 1969, o Ministério do Exército encaminhou à Mercedes-Benz  uma solicitação para o desenvolvimento de uma nova viatura  equipada com tração 6×6. Em vez de partir do desenvolvimento de um veículo completamente novo  alternativa que naturalmente implicaria maiores custos, prazos e riscos técnicos, a empresa optou por combinar componentes e sistemas que já eram produzidos. Um dos  elementos aproveitados no novo projeto foi o trem dianteiro motriz do LA-1113 4×4, e os bogies dos modelo L-2213, com este processo permitindo  reduzir os riscos associados ao desenvolvimento de novos componentes. O novo veículo recebeu a designação LG-1213, e apresentava reforços estruturais no chassi e na cabine, carroceria militar, para-choques reforçados, faróis especiais protegidos por grades, faróis de comboio e um gancho hidráulico traseiro para reboque, com capacidade de carga de até 21.650 kg na carroceria. Sua produção seria iniciada em meados de 1971, na configuração de viatura de transporte não especializada, sendo incorporados posteriormente versões especializadas como Oficina de Manutenção de Armamento, Oficina de Manutenção de Auto, Oficina de Máquinas e Ferramentas, Posto de Comando, Cozinha, Banho, Plataforma Auto-Socorro, Transporte de Animais de 15 t, Guindaste Quick-Way de 5 t, Cisterna de Combustível e Socorro Leve de Rodas.
O desenvolvimento do MBB LG-1213/36 AT7 demonstrou que a indústria brasileira já havia adquirido capacidade para adaptar plataformas de produção n às necessidades específicas militares. Sua importância , portanto, ultrapassaria os números de unidades produzidas, pois sua adoção ajudaria a consolidar a Mercedes-Benz como uma das principais fornecedoras de caminhões militares do Exército Brasileiro.  No anos seguintes, essa relação de confiança seria renovada, quando um novo desafio seria apresentado a montadora para o desenvolvimento de um caminhão pesado com tração integral 6X6 destinado a promover a gradual substituição dos modelos norte-americanos REO M-34 e REO M-35 que enfrentavam problemas de disponibilidade. Outro fator de interesse se baseava também em substituir parte dos caminhões militarizados, que embora apresentassem boa confiabilidade mecânica e facilidade de manutenção, esses veículos não haviam sido concebidos originalmente para suportar, de forma sistemática, as exigências de operações fora de estrada, transporte de equipamentos de engenharia e tração de peças de artilharia pesadas. O novo projeto, portanto, não poderia ser reduzido simplesmente à obtenção de um caminhão com maior capacidade de carga. Era necessário desenvolver uma plataforma dotada de tração integral 6x6, elevada capacidade de tração, robustez estrutural, maior capacidade de transposição de obstáculos e aptidão para operar em terrenos de baixa capacidade de suporte. Ao mesmo tempo, buscava-se preservar a confiabilidade e a facilidade de manutenção que já haviam se tornado características importantes dos caminhões Mercedes-Benz empregados pelas Forças Armadas.  Apesar da excelente plataforma, as exigências da proposta demandavam um perfil operacional fora de estrada mais robusto, excedendo os padrões dos veículos produzido naquele período. A fim de atender a esta demanda, seria feita uma aproximação a Engesa S/A, que após tratativas passaria a trabalhar na adaptação de um caminhão pesado da linha comercial para o emprego militar. A participação da Engesa representava uma vantagem significativa. Desde a década de 1960, a empresa vinha acumulando experiência no desenvolvimento de soluções destinadas a ampliar a mobilidade de veículos militares, especialmente por meio de sistemas próprios de transmissão, tração e suspensão para veículos 4x4 e 6x6. Esse conhecimento acumulado seria posteriormente incorporado ao processo de militarização dos caminhões Mercedes-Benz, permitindo transformar uma plataforma originalmente concebida para utilização rodoviária e comercial em uma viatura capaz de enfrentar as condições muito mais severas impostas pelo serviço militar. Assim, o desenvolvimento dessa nova geração de caminhões não representava apenas a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos. 

Receberiam carrocerias de especificação militar produzidas pela Bernardini S/A, incorporando uma série de recursos destinados a facilitar as operações de transporte, carga e movimentação de materiais. Entre esses equipamentos destacavam-se os sistemas de roletes, destinados a auxiliar o embarque e o desembarque de cargas pesadas, o gancho de reboque traseiro, a cabina equipada com teto de lona e o para-choque dianteiro reforçado. O projeto previa ainda uma expressiva capacidade de transporte, com possibilidade de operar com cargas de até 32 toneladas em condições rodoviárias e aproximadamente 5 toneladas em operações fora de estrada, conforme a configuração e as condições de emprego consideradas. Associadas à configuração 6×6, essas características faziam do novo caminhão uma plataforma particularmente robusta para as necessidades logísticas das Forças Armadas. Suas dimensões avantajadas, a elevada capacidade estrutural e a aparência imponente contribuiriam para que o veículo rapidamente se destacasse dentro da frota militar brasileira. A fase de desenvolvimento avançou para os primeiros ensaios de campo em 1972, quando o protótipo foi submetido a avaliações destinadas a verificar seu comportamento e sua capacidade de operar em diferentes tipos de terreno e condições de utilização. Os resultados obtidos permitiram a continuidade do programa e, posteriormente, levaram à formalização do primeiro contrato de produção, firmado em 1974. A apresentação pública do novo caminhão ocorreria no Salão do Automóvel de São Paulo, em 1976, representando um momento importante na trajetória do projeto. A iniciativa demonstrava a possibilidade de combinar uma plataforma e um conjunto mecânico de origem Mercedes-Benz com soluções de engenharia desenvolvidas pela indústria brasileira de defesa, particularmente pela Engesa, a partir da experiência acumulada em seus programas de veículos militares. Com sua incorporação às unidades operacionais, o caminhão seria inicialmente empregado na configuração VTNE – Viatura de Transporte Não Especializado, Carga de Emprego Geral, 6×6, assumindo funções relacionadas ao transporte de pessoal, equipamentos, suprimentos e diferentes tipos de carga. Seu porte e sua robustez rapidamente chamariam a atenção dos militares, dando origem ao apelido de “Mamute”, denominação informal que acabaria associada de maneira definitiva à família. Entretanto, a importância do projeto não se limitaria à função de carga geral. A robustez do chassi, a configuração 6×6 e a capacidade de operar em terrenos de difícil acesso tornariam a plataforma particularmente adequada para receber equipamentos e carrocerias destinadas a missões especializadas. Dessa forma, à medida que o programa avançava, seriam firmados novos contratos para o fornecimento de diferentes configurações destinadas a atender necessidades específicas da logística e da engenharia militar. 
Entre essas variantes encontravam-se as VTE – Viaturas de Transporte Especializado, incluindo a configuração cisterna de água, com capacidade para 7.000 litros, destinada ao abastecimento e transporte de água em campanha; a cisterna de combustível, com capacidade para 9.000 litros, voltada ao apoio logístico e ao abastecimento de viaturas e equipamentos; além das versões destinadas ao transporte de pontes, empregadas pelas unidades de engenharia. Nesse último campo, destacava-se a configuração VTE Transporte de Ponte 6×6 Tração, desenvolvida para transportar os componentes necessários à instalação de meios de transposição, bem como a versão especializada para o transporte da Ponte M4, destinada ao apoio às operações de engenharia militar. Com capacidade de transportar cargas de aproximadamente 5.000 toneladas em configuração 6×6, esses veículos ampliavam consideravelmente as possibilidades de emprego da plataforma. A versão LG1819 passaria a ser incorporada em 1977, sendo destinada Grupos de Artilharia de Campanha (GAC), onde seriam empregados como trator de artilharia para obuseiros de grande porte como os canhões norte-americanos M-114 de 155 mm. Uma fração seria destinada aos Batalhões de Engenharia de Construção (BEC), sendo responsáveis por transportar e tracionar equipamentos pesados.  Apesar de serem caminhões extremamente robustos de fácil manutenção, seu intenso emprego operacional ao longo do tempo cobraria seu preço, passando a apresentar o peso da idade. Assim a partir do início da década de 1990 começariam a ser registrados preocupantes índices de indisponibilidade de prontidão de frota, como não havia em projeto nenhum substituto principalmente a altura do Mamute, seria decidido estender sua vida útil.  Então a partir do ano de 1994, seriam escolhidos os 220 veículos em melhor estado de conservação ainda carga no Exército Brasileiro, para assim serem submetidos a um programa de manutenção mais abrangente. Curiosamente os VTE Cisterna de Combustível 9000L 6X6 1975 e VTE Cisterna de agua 6x6  não seriam inclusos neste processo. O principal objetivo deste programa era permitir seu emprego operacional até pelo menos a primeira metade da década de 2010, ganhando tempo para o desenvolvimento de um substituto a altura em termos de desempenho e capacidades operacionais em terrenos fora de estrada.  Seu processo de substituição gradual seria iniciado com recebimento dos modelos MB Atego, Axor e Atron (versões 6x6 militarizadas) e, posteriormente, pelo Volkswagen Constellation 31.320 6x6, que assumiu o papel de principal caminhão militar de 10 toneladas a partir de 2014. As últimas viaturas seriam retiradas do serviço ativo no final deste mesmo ano, representando o fim da era dos Mamutes.  

Em escala. 
Para representar o caminhão Mercedes-Benz-Engesa LG-1519 VTNE 6x6, utilizado pelo Exército Brasileiro, tomamos como base um modelo em die-cast da coleção Caminhões de Outros Tempos, publicada pela Editora Altaya, na escala 1/43. Como originalmente o modelo apresenta a versão MB LG1213, foi necessário efetivar diversas mudanças em scracth build, principalmente na cabine, na suspensão e carroceria. Para completar a customização, foram aplicados decais, produzidos pela  Eletric Products, pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1983-2016”. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura tático camuflado em dois tons, empregado em todos os veículos do Exército Brasileiro a partir de meados da década de 1980, substituindo assim a pintura original totalmente em olive drab original de seu período de recebimento a partir do ano de 1970. Atualmente a maioria das viaturas preservadas apresenta o primeiro esquema de pintura. 
Bibliografia : 
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – MB 1213 Militar , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Veículos Militares do Mundo - veiculosmilitaresdomundo.blogspot.com.br/2015/04/mercedes-benzengesa-lg-1519-6x6.html
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976

Duwk 353 GMC / Bisseli (Camanf)

História e Desenvolvimento.
A General Motors Corporation  foi fundada em 16 de setembro de 1908, em Flint, Michigan, por William C. Durant, em um período de expansão da indústria automobilística. Desde o início, adotou-se uma estratégia de crescimento baseada na reunião de diferentes fabricantes sob uma mesma estrutura empresarial. Nesse processo,  incorporou marcas como Buick e Oldsmobile, ampliando rapidamente  sua presença no mercado. Nos anos seguintes, a empresa continuaria sua expansão por meio de novas aquisições, consolidando as bases do grande conglomerado automobilístico que viria a se tornar. A expansão da General Motors prosseguiu com a incorporação da Cadillac e o desenvolvimento da Pontiac, ampliando seu portfólio e sua presença no mercado norte-americano. As dificuldades decorrentes desse crescimento levaram ao afastamento de William C. Durant, que, em 1911, fundou com Louis Chevrolet a Chevrolet Motor Company of Michigan. No mesmo período surgiu a GMC, voltada  à produção de caminhões e veículos comerciais, estabelecendo as bases para a futura atuação no segmento de veículos militares. A partir de 1918, iniciou sua expansão internacional com a abertura de operações no Canadá, dando início à formação de uma estrutura empresarial que posteriormente se estenderia por diversos países. Em 1919,  ampliou sua atuação para além do setor automobilístico com a incorporação da Frigidaire, fabricante de equipamentos de refrigeração. Essa diversificação fortaleceu o conglomerado e ampliou sua capacidade industrial. Paralelamente, a experiência acumulada na produção de veículos comerciais, motores e componentes mecânicos aproximou a GM do setor de defesa norte-americano, preparando a empresa para atender, posteriormente, às crescentes demandas militares. A partir de meados da década de 1920, ampliou sua participação no setor militar, fornecendo caminhões às Forças Armadas dos Estados Unidos.  Durante a década de 1930, seria iniciada um  processo de modernização, impulsionado pela crescente importância da mobilidade operacional e pela necessidade de substituir uma frota diversificada e tecnicamente limitada por caminhões mais padronizados, robustos e eficientes. Tornava-se, portanto, necessária uma nova geração de caminhões militares, padronizados, robustos e com maior capacidade de carga e mobilidade fora de estrada, destinados ao transporte de tropas, munições, combustíveis e suprimentos. Nesse processo, modelos como os Chevrolet G-506 e G-621, além de caminhões Dodge e Ford, representaram uma importante etapa da modernização. Entretanto, as crescentes exigências operacionais demonstraram a necessidade de veículos ainda mais versáteis e capazes, especialmente para operações em terrenos difíceis. A solução seria encontrada no desenvolvimento de uma nova geração de caminhões dotados de tração 6x6, concebidos para operar tanto nas rodovias quanto em terrenos não pavimentados. 

Em meados da década de 1930, o avanço expansionista da Alemanha Nazista e do Japão aumentou as preocupações dos Estados Unidos. Apesar das restrições impostas pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha de Adolf Hitler acelerava seu rearmamento, priorizando a criação de uma força terrestre motomecanizada de alta mobilidade, que posteriormente seria empregada na doutrina da Blitzkrieg, ou “guerra relâmpago”. Essas mudanças no cenário geopolítico reforçaram a necessidade de modernização das Forças Armadas dos Estados Unidos. Nesse contexto, a motorização e mecanização  tornaram-se prioridades estratégicas para ampliar a mobilidade e a capacidade operacional. Assim, em julho de 1939, foi deflagrada uma concorrência para o desenvolvimento de um novo caminhão militar 6x6, dotado de tração integral apresentando uma plataforma de carga com aproximadamente 3,7 metros e capacidade para transportar até 2.268 kg. Diversas montadoras apresentaram propostas, entre elas a Ford Motors, General Motors, Studebaker Corporation, Corbitt Automobile, REO Motors, Federal Motors, Biederman Motors e Kenworth Motors. Após rigorosa avaliação pelo United States Army Ordnance Corps, apenas os projetos da Ford Motors e da General Motors foram considerados promissores.  A concorrência terminou em janeiro de 1940, com a proposta apresentada pela General Motors Company sendo declarada vencedora. O projeto laureado baseava-se no GMC ACKWX 353 6x6, desenvolvido originalmente em 1939 para o Exército Francês (Armée de Terre). No entanto, a nova versão diferia substancialmente do modelo inicial, incorporando a cabine utilizada no caminhão comercial Chevrolet G-506, bem como uma série de melhorias estruturais e mecânicas destinadas a atender plenamente aos requisitos estabelecidos. As  conquistas territoriais do Eixo destacaram a necessidade de operações anfíbias para a retomada de territórios. A logística de suporte às forças invasoras tornou-se essencial, demandando veículos capazes de operar em ambientes aquáticos e terrestres. O caminhão anfíbio foi projetado para ser lançado de navios de desembarque, transportando cargas e pessoal até as praias, eliminando a dependência de portos improvisados. Sua estrutura em forma de barco e tração 6x6 permitiam mobilidade em águas agitadas e terrenos acidentados. Iniciado em 1941, o projeto foi coordenado pelo Comitê de Pesquisa de Defesa Nacional e pelo Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico, com liderança dos engenheiros Roderick Stephens Jr., Dennis Puleston (Sparkman & Stephens, Inc.) e Frank W. Speir (MIT). O veículo foi baseado no chassi do caminhão General Motors AFKWX, um modelo cab-over-engine de 2,5 toneladas com tração 6x6. Um casco estanque.
A concepção  surgiu como resposta direta às exigências de agilidade e eficiência logística impostas pela guerra moderna, especialmente no contexto das operações anfíbias. A necessidade de reabastecer rapidamente as tropas nas linhas de frente e de ampliar a capacidade operacional das forças aliadas durante desembarques em praias expostas levou ao desenvolvimento de um veículo capaz de transitar com eficácia tanto em terra quanto na água. Previa-se instalação de um motor a gasolina GMC M269, de 06 cc em linha e 5,4 litros de deslocamento, associado a uma transmissão de 05 velocidades com overdrive. Esse conjunto acionava uma primeira caixa de transferência responsável pela propulsão da hélice e, em seguida, uma segunda caixa de duas velocidades destinada à transmissão de força aos eixos. Tanto a hélice quanto o eixo dianteiro podiam ser acionados de forma seletiva pelo condutor, conferindo ao veículo notável versatilidade operacional em diferentes ambientes. O primeiro protótipo foi concluído no início do ano seguinte, recebendo a designação militar DUWK. A nomenclatura seguia a padronização adotada, a letra “D” indicava o ano de projeto, 1942; “U” referia-se à categoria utilitária; “K” identificava o veículo sobre rodas; e “W” fazia alusão aos seus dois eixos de hélice. O protótipo foi disponibilizado ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), para avaliações técnicas, e apesar dos resultados iniciais promissores, o conceito encontrou resistência por parte de oficiais, que  rejeitaram sua adoção. Essa oposição, contudo, seria rapidamente superada por um episódio decisivo. Durante uma forte tempestade em Provincetown, Massachusetts, um protótipo do DUWK realizou com sucesso o resgate de sete tripulantes de uma lancha da Guarda Costeira, encalhada em um banco de areia sob ventos de até 60 nós e mar revolto. O sucesso do resgate comprovou a eficácia do veículo em condições extremas e eliminou parte das resistências ao seu uso militar. Com isso, o programa foi formalmente autorizado, e seu projeto definitivo passou a ser aperfeiçoado pela equipe de engenharia da Yellow Truck & Coach, em Pontiac, Michigan. Entre os refinamentos introduzidos destacava-se a incorporação de um sistema de bomba de porão de alta capacidade, capaz de manter o veículo à tona mesmo no caso de o casco sofrer perfurações de até 51 mm de diâmetro. Outro avanço foi a adoção, de forma pioneira, de um sistema centralizado de controle da pressão dos pneus, operado remotamente pelo motorista. Esse recurso permitia a adaptação imediata do veículo a diferentes tipos de terreno, como areia fofa durante desembarques anfíbios, estradas de terra ou vias pavimentadas. Os primeiros contratos foram firmados em caráter emergencial, com a produção concentrada na General Motors, pois as linhas da Yellow Truck & Coach Corporation estavam dedicadas à fabricação dos caminhões GMC CCKW 352 e CCKW 353.

Seu batismo de fogo ocorreria em de agosto de 1942, quando do inicio da Campanha de Guadalcanal.  Durante a invasão de 7 de agosto de 1942, os DUKWs ainda estavam em fase de teste e produção, com um número limitado disponível. No entanto, a partir de setembro de 1942, pequenos contingentes  foram empregados para transportar suprimentos, como munições, alimentos e combustível, das praias para as posições aliadas, especialmente em torno do Campo Henderson. Sua capacidade de operar em águas rasas e praias rochosas foi crucial, dado que as condições do terreno dificultavam o uso de veículos convencionais. Foram usados para manter o fluxo de suprimentos em um ambiente onde os japoneses frequentemente bombardeavam as praias e os navios de apoio. Com capacidade de carga de até 2.268 kg (5.000 libras) ou 25 soldados equipados,  permitia o transporte rápido de recursos essenciais, como suprimentos médicos e peças de artilharia, diretamente dos navios para depósitos improvisados. Além do transporte de carga, ocasionalmente serviram como plataformas improvisadas para evacuação de feridos e até como suporte para operações de reconhecimento costeiro, aproveitando sua mobilidade anfíbia. Sua bomba de porão de alta capacidade, capaz de lidar com perfurações de até 51 mm no casco, garantiu operação mesmo em condições adversas. Neste mesmo teatro de operações, os GMC Duwks seriam empregados em travessias de áreas de recifes de corais como Saipan e Guam, com seus pneus e cascos não sendo afetados por estas formações naturais.  Os  DUKWs, desempenharam um papel crucial durante a invasão da Sicília, codinome Operação Husky, realizada entre 9 de julho e 17 de agosto de 1943. Esta operação marcou a estreia do modelo no teatro de operações europeu, sendo um dos primeiros usos em larga escala de veículos anfíbios. Durante os primeiros três dias da invasão, os DUKWs foram amplamente utilizados para desembarcar tropas, veículos e suprimentos nas praias da Sicília, particularmente nas áreas de Gela, Licata e Scoglitti, onde o 7º Exército concentrou seus esforços. O sucesso dos DUKWs na Sicília foi tão significativo que o General Dwight D. Eisenhower, comandante supremo das forças aliadas, descreveu o veículo como "um dos equipamentos mais valiosos produzidos pelos Estados Unidos durante a guerra". O General George S. Patton empregou cerca de 1.000 DUKWs em missões de reabastecimento. Segundo o General Harold Alexander, o veículo revolucionou a logística nas praias, facilitando o apoio às tropas em avanço. Foram empregados ainda como plataformas de artilharia e veículos de evacuação médica, demonstrando sua versatilidade. Sua capacidade de operar em condições adversas facilitou os desembarques e contribuiu para o avanço do 7º Exército até a cidade de Palermo, dividindo as forças italianas no oeste da ilha.  
No âmbito do programa de assistência militar Lend-Lease Act (Lei de Arrendamento e Empréstimo), foram fornecidos 2.000 caminhões anfíbios GMC DUKW ao Reino Unido e 535 à Austrália. Esses veículos foram amplamente utilizados durante a segunda onda de desembarques nas praias da Normandia, na Operação Overlord, em junho de 1944, e posteriormente na Operação Dragoon, no sul da França, em 15 de agosto do mesmo ano. Nessas operações, demonstrou notável navegabilidade, cruzando o Canal da Mancha com eficiência. Posteriormente, participou de operações cruciais, incluindo a Batalha do Escalda, a Operação Veritable e a Operação Plunder. Nessas campanhas, as cabeças de ponte anfíbias eram extremamente vulneráveis a contra-ataques inimigos, e o risco de esgotamento de munições pelas unidades desembarcadas era iminente. Nesse contexto, o DUKW desempenhou um papel indispensável, transportando suprimentos dos navios para terra e realizando a evacuação médica de feridos das praias para navios-hospital. Próximo ao fim do conflito, os DUKWs foram utilizados pela 10ª Divisão de Montanha do Exército dos Estados Unidos na travessia do Lago de Garda, na Itália. Durante essa operação, um veículo afundou na travessia de Torbole sul Garda para Riva del Garda, na noite de 30 de abril de 1945. Até o final de 1945, as plantas industriais da Yellow Truck and Coach Co. (GMC Truck and Coach Division após 1943), Pontiac West e Chevrolet Division da General Motors Corporation produziram um total de 21.147 unidades do DUKW. Após a Segunda Guerra Mundial, um número reduzido permaneceu em serviço nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Austrália, enquanto a maioria foi armazenada para descarte ou reciclagem de materiais. Em 1946, uma quantidade significativa foi transferida para a França, sendo empregada pelas Troupes de Marine em tarefas de transporte nos territórios ultramarinos franceses. Com o início da Guerra da Coreia (1950-1953), pelo menos 400 DUKWs foram reativados. O 1º Grupo de Treinamento de Substituição de Transporte foi responsável pelo treinamento das tripulações, e os veículos foram extensivamente utilizados para transporte de suprimentos durante a Batalha do Perímetro de Pusan e nos desembarques anfíbios em Incheon. O Reino Unido empregou seus DUKWs durante a Emergência Malaia (1948-1960) e, posteriormente, realocou alguns para Bornéu durante o Confronto Indonésia-Malásia (1962-1966). Na França, foram utilizados durante a Primeira Guerra da Indochina (1946-1954). Na década de 1970, alguns receberam novos cascos, permanecendo em serviço até sua aposentadoria final em 1982. Notavelmente, 05 DUKWs foram mantidos em condições operacionais pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha Real Britânica (Royal Marines) até o ano de 2012.

Emprego na Marinha do Brasil
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com profunda apreensão a possibilidade de uma incursão da Alemanha,  no continente americano. A capitulação da França, em junho de 1940, intensificou essas preocupações, pois a ocupação nazista de territórios estratégicos, como as Ilhas Canárias, Dacar e outras possessões coloniais francesas, oferecia aos alemães a oportunidade de estabelecer bases avançadas muito próximas às rotas do Atlântico Sul. Nesse novo cenário geopolítico, o Brasil assumiu papel central, tanto pela sua posição geográfica quanto pela extensão de sua costa. A proximidade do Nordeste brasileiro em relação ao continente africano transformava o território nacional no ponto mais vulnerável a uma possível ofensiva inimiga e, simultaneamente, em um dos locais mais estratégicos para o esforço de guerra dos Aliados. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul provocaram um colapso na oferta tradicional de látex, tornando o Brasil o principal fornecedor de borracha natural para os Estados Unidos e demais potências aliadas. A borracha constituía matéria-prima indispensável à indústria bélica, empregada, entre outros usos, na fabricação de pneus, cabos elétricos, revestimentos e equipamentos essenciais ao esforço militar. A convergência desses fatores acelerou um movimento de aproximação política, militar e econômica entre Brasília e Washington. Essa cooperação bilateral materializou-se em uma série de acordos estratégicos, dos quais se destaca a adesão do Brasil ao programa de assistência militar conhecido como Lend-Lease Act (Lei de Arrendamento e Empréstimo). O objetivo do programa era fortalecer militarmente as nações aliadas por meio do fornecimento de materiais modernos, treinamento e créditos de aquisição. O  país recebeu uma linha de crédito inicial de US$ 100 milhões (cerca de US$ 2 bilhões em valores ajustados para 2025), destinada à compra de armamentos modernos e demais equipamentos essenciais para a elevação da capacidade operacional das Forças Armadas. Nesse contexto, a Marinha do Brasil foi contemplada com um expressivo conjunto de meios navais e equipamentos voltados para operações de guerra antissubmarino (ASW) área considerada prioritária diante da intensificação das ações de submarinos alemães no Atlântico Sul. Todavia, essa ênfase nestas operações acabou por restringir o desenvolvimento de outras capacidades, especialmente aquelas relacionadas ao combate anfíbio, tema que havia ganhado destaque estratégico durante a guerra. Embora a ideia de estruturar uma força anfíbia fosse antiga nos círculos de planejamento da Marinha Brasileira, ela não havia recebido a devida prioridade em termos de meios e equipamentos específicos. Com o término da guerra, tornou-se evidente a importância das operações anfíbias demonstradas nos desembarques na Europa, no Norte da África e, principalmente, nas campanhas do Pacífico.

Inspirada pelo êxito das grandes operações anfíbias realizadas durante a Segunda Guerra Mundial e favorecida pela nova conjuntura internacional do pós-guerra, a Marinha do Brasil iniciou, a partir de 1946, os primeiros esforços sistemáticos para estruturar uma verdadeira capacidade de combate anfíbio. O objetivo era desenvolver uma força baseada nos princípios doutrinários e organizacionais do Corpo de Fuzileiros Navais do Estados Unidos (USMC), adaptando à realidade brasileira os conhecimentos adquiridos durante o conflito. As experiências observadas nos desembarques aliados passaram a constituir importante referência para estudos e reformulações internas. Gradualmente, esses conhecimentos contribuíram para a construção de uma doutrina nacional de guerra anfíbia e para a formação de uma força terrestre especializada, que começava então a dar seus primeiros passos dentro da Marinha do Brasil. A adoção desse novo modelo representou um verdadeiro ponto de inflexão na trajetória do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Até então, sua formação militar encontrava-se fortemente vinculada aos referenciais do Exército Brasileiro, inclusive porque muitos de seus oficiais realizavam cursos de aperfeiçoamento em estabelecimentos de ensino do próprio Exército. Embora essa integração proporcionasse uma sólida formação militar, ela não abrangia de maneira específica as particularidades da guerra anfíbia, que exige estreita coordenação entre forças navais e terrestres, técnicas especializadas de desembarque, logística própria e equipamentos adequados. O desafio, entretanto, não era apenas doutrinário. Também se  enfrentava uma significativa carência de meios materiais. Faltavam veículos anfíbios, embarcações e, sobretudo, navios especializados em operações de desembarque, elementos indispensáveis à execução de ações anfíbias de maior escala. A estreita aproximação entre os paises, abriu novas possibilidades de cooperação, sendo estabelecidos programas de intercâmbio que permitiram o envio de oficiais brasileiros aos Estados Unidos para cursos, estágios e treinamentos especializados. Nos Estados Unidos, os oficiais brasileiros conheceram a doutrina e a experiência anfíbia, especialmente no Pacífico. Ao retornarem ao Brasil, atuaram como instrutores e multiplicadores, contribuindo para a modernização doutrinária. A transformação, contudo, encontrava limitações práticas. A escassez de meios especializados obrigava à realização de exercícios de desembarque improvisados, mas essas iniciativas foram fundamentais para desenvolver uma nova mentalidade operacional anfíbia. Ao longo da década de 1950, a consolidação de uma doutrina, organização e estrutura de guerra anfíbia passou gradualmente a ocupar posição de destaque no planejamento estratégico da Marinha do Brasil, estabelecendo as bases para a evolução do Corpo de Fuzileiros Navais como uma força especializada e apta a atuar em operações anfíbias.
Os primeiros avanços ocorreram com a nova regulamentação do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), que rompeu com os modelos anteriores e estabeleceu uma organização moderna, voltada à construção gradual da capacidade anfíbia. Foi criada a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), concebida como núcleo da futura força anfíbia brasileira. Na segunda metade da década, a Marinha também recebeu os primeiros navios especializados no transporte de tropas, veículos e materiais, ampliando sua capacidade expedicionária. Entre os principais meios incorporados estavam os transportes G-20 Custódio de Mello, G-16 Barroso Pereira, G-21 Ary Parreiras e G-22 Soares Dutra, complementados por embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM). Esses recursos inauguraram uma nova fase para a Marinha do Brasil, criando as bases para operações anfíbias em maior escala e para a consolidação de uma doutrina anfíbia brasileira. Foram então incorporados os primeiros veículos concebidos para apoiar operações de desembarque, entre eles os jipes M-38A11C, os Willys CJ-5 de fabricação nacional, bem como os utilitários Dodge M-37. Essas viaturas, robustas e de fácil manutenção, passaram a operar a partir das recém-adquiridas.  Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM), possibilitando os primeiros ciclos de adestramento com foco em desembarques de baixa complexidade envolvendo tropas, veículos leves, peças de artilharia e cargas gerais. Entre as atividades de instrução realizadas nesse período, destacam-se a Operação Brisa, em outubro de 1959, e a Operação Corvina, em novembro do mesmo ano.  A ativação do Destacamento de Praia representou um importante marco operacional, introduzindo um componente essencial das operações anfíbias modernas. Em setembro de 1960, a Operação Arfagem consolidou novos avanços no desenvolvimento da doutrina e das técnicas de desembarque. Paralelamente, unidades da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) passaram a participar de exercícios interaliados, ampliando a experiência técnica e tática do pessoal e fortalecendo a interoperabilidade e o profissionalismo na doutrina anfíbia brasileira. Esse conjunto de esforços preparatórios elevou substancialmente a capacidade de projeção anfíbia do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), criando as condições para a execução de operações de maior envergadura.  Assim, no início de 1964, foi conduzida no litoral do Espírito Santo a primeira edição da série Operações Dragão, marco histórico da evolução anfíbia brasileira. O exercício envolveu o lançamento de uma tropa percussora helitransportada a partir do porta-aviões ligeiro A-11 Minas Gerais, seguida pela projeção terrestre  em um intervalo de apenas dez horas  de 800 militares, 20 viaturas leves M-38A1 e M-37, e quatro obuseiros M-3A3 de 105 mm, empregando-se tanto o transporte por superfície como o movimento navio-terra direto sobre a cabeça de praia. 

A operação evidenciou a necessidade de equipar o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) com veículos anfíbios sobre esteiras, capazes de realizar desembarques em praias não preparadas e transportar tropas e cargas até as áreas avançadas de combate. À época, destacavam-se internacionalmente modelos como o LVTP-5 e o blindado FMC M-113, que embora possuísse mobilidade anfíbia limitada, era amplamente empregado como transporte de tropas.  Diante das restrições orçamentárias, não havia condições de adquirir esses equipamentos. Assim, no final dos anos 1960, passou a buscar alternativas de oportunidade, priorizando meios eficientes, disponíveis e de menor custo. Nesse contexto, ganhou destaque a aquisição dos caminhões anfíbios GMC 353 DUKW,  que ainda estavam disponíveis no mercado internacional. Seu baixo custo, manutenção simples e boa conservação os tornavam uma alternativa adequada às necessidades. Dentre as opções existentes, chamaria a atenção a uma proposta apresentada em 1972, pelo governo francês, para o fornecimento de um lote de caminhões anfíbios deste modelo. A Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale) se tornara o segundo maior operador dos caminhões GMC Duwk, dispondo ainda neste período de uma grande quantidade destes veículos em sua frota. As as tratativas comerciais serem finalizadas, uma comitiva de oficiais brasileiros seria enviada a base naval de Angoulême, sede do 1º Regimento de Infantaria de Fuzileiros Navais (1º RIMa), para proceder a escolha de trinta e quatro caminhões deste modelo, tomando como critério o estado de conservação. Neste meio tempo seria negociado junto a empresa brasileira Novatração Artefatos de Borracha Ltda, um contrato para revitalização e revisão destes veículos, com esta empresa passando a alugar instalações de manutenção no porto de Antuérpia localizado em Flandres na Bélgica. Este processo seria conduzido com pleno êxito, com os trinta e quatro caminhões sendo então despachados por via naval ao Brasil e dezembro do ano de 1973.  Após seu recebimento e incorporação junto a frota do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, os caminhões GMC Dukw, receberiam a designação de Caminhão Anfíbio - CAMANF.  Após a realização do treinamento de seus condutores e equipes de manutenção estes veículos seriam destacados para operação do  Batalhão de Blindados do Corpo de Fuzileiros Navais, sediado no Rio de Janeiro. Com a adoção deste caminhão, seria possível enfim implementar completamente a doutrina de desembarque anfíbio, empregando os GMC Duwk realizando o reabastecimento rápido de suprimentos e munição para as tropas nas cabeças de ponte.  Sua excelente capacidade de transporte de carga (incluindo até um jipe leve) ou de até cinquenta e nove soldados totalmente equipados, seriam de extrema importância na consolidação da doutrina de operações de transporte e desembarque de tropas das forças anfíbias.
Participaram de importantes exercícios, como as Operações Dragão. Apesar do bom desempenho, o envelhecimento dos veículos e as dificuldades para obter peças do motor GMC 270 comprometeram gradualmente sua operação. O envelhecimento da frota e a dificuldade de obtenção de peças elevaram os índices de indisponibilidade. Em 1975,  chegou-se a considerar a revitalização e remotorização dos veículos, seguindo o exemplo adotado pelo Exército Brasileiro com os GMC CCKW e Studebaker. Entretanto, a avaliação revelou que a maioria encontrava-se em estado precário, tornando economicamente inviável sua revitalização. Diante disso, surgiu a proposta de desenvolver um veículo  nacional, inspirado em iniciativas soviéticas da década de 1950. Para atender à demanda, o Ministério da Marinha consultou empresas nacionais. A paulista Biselli Viaturas e Equipamentos Ltda. apresentou uma proposta e firmou contrato para desenvolver uma nova viatura anfíbia. O acordo previa a produção de 25 veículos e a reforma de 04 DUKWs em melhores condições de conservação. O chassi selecionado  do caminhão  Ford F-7000 6x6, que passou por modificações e reforços estruturais. A carroceria, era composta inteiramente de aço laminado a frio, com uma proa reforçada, tração 6X6 e pneus PPB à prova de balas, modelo 900x20 de rodagem simples. Incorporava um sistema de inflação e desinflação dos pneus, adaptável a diferentes terrenos, que armazenava ar em um reservatório de alta pressão e o distribuía por tubos de cobre às laterais do veículo, onde mangueiras com conectores para enchimento dos pneus eram fixadas em suportes próximos à tomada de ar. Estava equipado com um motor nacional Detroit Diesel 4-53N de 145 cv, acoplado a uma transmissão manual Clark Equipment. Um eixo de transmissão adicional conectava a transmissão à caixa de transferência da hélice, atravessando o veículo até a hélice posicionada na traseira, em configuração semelhante à do DUKW. Esse conjunto mecânico e o casco foram projetados para atingir uma velocidade máxima de 72 km/h em terra e 14 km/h na água, com autonomia de 480 km em terra ou 18 horas em água. Possuía um peso de 13.500 kg e capacidade de carga de 5 ton. em terra ou águas calmas, reduzida a 2,5 toneladas em águas agitadas. Para autodefesa, podia ser equipado com uma metralhadora Browning M-2HB calibre .50. Embora tenham apresentado resultados promissores durante os testes, o  Biselli CAMANF (Caminhão Anfíbio), não foi produzido em série. Apenas 05 unidades foram concluídos, que, ainda assim, prestaram serviços relevantes. A decisão foi motivada pela priorização de recursos para a aquisição de veículos mais modernos e com maior proteção blindada, como o  EE-11 Urutu e os M-113A1, cujo recebimento teve início em 1976. Os últimos Biselli CAMANFs foram retirados do serviço  no final de 1988, com um sendo preservado no Quartel do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro.

Em Escala.
Para representarmos o GMC Duwk 353 - CAMANF  "CFN 2343319",  pertencente ao Batalhão de Blindados do Corpo de Fuzileiros Navais, utilizamos a nova edição do kit da Italeri na escala 1/35, sendo este modelo de ótima qualidade e nível de detalhamento. Para completarmos o conjunto fizemos uso de itens de carga em resina produzidos pela Eletric Products. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books, pertencentes ao set "Forças Armadas do Brasil".

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão empregando em todos as viaturas dos modelos GMC Duwk 353 e Bisseli Camanf operadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), desde o seu recebimento até sua desativação em fins da década de 1980. Como principal diferença visual entre os modelos, o  nacional apresentava a logomarca da Biselli em alto relevo aplicada na parte frontal do casco.  


Bibliografia :
- CAMANF – Um americano naturalizado brasileiro - http://nivelandoaengenharia.com.br/
- DUWK Caminhão Anfíbio do CFN - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/DUKW.pdf

L-4H-PI Piper Grasshoper

História e Desenvolvimento.
A Taylor Brothers Aircraft Manufacturing Company figura entre as pioneiras da indústria aeronáutica norte-americana voltada à aviação leve. A empresa foi fundada em setembro de 1927, na cidade de Rochester, pelos irmãos Clarence Gilbert e Gordon A. Taylor. Em um período marcado pelo rápido  interesse  pela aviação, os fundadores adotaram o slogan “Buy Your Airplane Taylor Made”, refletindo a ambição de oferecer aeronaves leves, simples e economicamente acessíveis para um mercado ainda em formação. A iniciativa dos irmãos Taylor inseria-se em um contexto histórico particularmente dinâmico para a aviação. Nas décadas que se seguiram ao histórico dos irmãos Wright , protagonizado por Wilbur e Orville em 1903, os Estados Unidos testemunharam um acelerado desenvolvimento tecnológico e industrial no setor aeronáutico. Esse ambiente estimulou o surgimento de diversas pequenas empresas dedicadas à produção de aeronaves destinadas ao mercado da aviação que buscava tornar o voo uma atividade acessível a proprietários privados e pilotos esportivos. Clarence Taylor, engenheiro aeronáutico autodidata e responsável pelo desenvolvimento técnico dos projetos, uniu esforços com seu irmão Gordon, que atuava principalmente na condução administrativa e comercial da empresa. Ambos compartilhavam a convicção de que o futuro da aviação passaria pela popularização do avião pessoal  uma visão que influenciaria profundamente o desenvolvimento posterior da aviação leve nos Estados Unidos. O primeiro projeto da empresa foi o Taylor Chummy, um monoplano de asa alta com dois assentos, concebido para ser simples de operar e relativamente econômico. Apesar de suas qualidades técnicas, o modelo foi lançado no mercado com preço aproximado de US$ 4.000, valor considerado elevado para o público da época. Essa dificuldade comercial tornou-se ainda mais significativa com o advento da crise econômica que culminaria na Grande Depressão, que reduziu drasticamente a capacidade de investimento de potenciais compradores. A empresa também seria marcada por uma tragédia precoce. Em 24 de abril de 1928, Gordon A. Taylor perdeu a vida em um acidente durante um voo de demonstração do Chummy no Ford Airport, em Dearborn, quando a aeronave caiu enquanto transportava um agente de vendas. O episódio representou um duro golpe para a companhia, que ainda se encontrava em seus estágios iniciais de desenvolvimento. Apesar da perda pessoal e das dificuldades financeiras, Clarence Taylor decidiu prosseguir impulsionado por sua profunda dedicação à aviação. Em busca de  condições de financiamento e infraestrutura , ele transferiu a empresa, para a cidade de Bradford. A mudança foi motivada por uma proposta de investidores locais interessados em diversificar a economia regional, naquele momento fortemente dependente da indústria petrolífera. 

Nessa nova planta seria desenvolvido o E-2 Cub, um monoplano biplace que representava uma evolução conceitual em relação ao Chummy. Estava equipado com um motor Brownback Tiger Kitten de 20 hp, posteriormente substituído peloContinental A-40. Embora  apresentasse avanços importantes em termos de simplicidade construtiva e economia operacional, as vendas permaneceram limitadas, sobretudo em virtude da profunda crise econômica naquele período. Como resultado, a empresa acabou entrando em processo de falência em 1930. A continuidade do projeto aeronáutico dos irmãos Taylor somente se tornaria possível graças à intervenção do empresário petrolífero William T. Piper, um dos investidores da companhia. Neste mesmo seus ativos foram adquiridos  pela modesta quantia de US$ 761, promovendo uma reorganização com a empresa renomeada como Taylor Aircraft Company, mantendo Clarence Taylor como  presidente e responsável técnico pelos projetos. Neste momento seria dado continuidade ao desenvolvimento do conceitual do E-2 Cub, levando a criação do Taylor J-2 Cub. A aeronave se destacou-se pela notável simplicidade de construção, baixo custo de aquisição e elevada confiabilidade operacional. Sua produção teve inicio em 1931, graças à sua proposta de aeronave econômica e de fácil pilotagem,  alcançou ampla aceitação, atingindo a expressiva marca de mais de 4.000 unidades produzidas ao longo dos anos seguintes. A trajetória da empresa, sob a liderança de Taylor, foi marcada por desafios e inovações que culminaram na criação de um dos ícones da aviação geral.  No entanto, divergências entre os sócios, levaram à saída de Clarence em 1935. Assim Willian Piper assumiu o controle total da empresa, que foi reorganizada e renomeada como Piper Aircraft Corporation em 1937. Esse evento marcou o início de uma nova fase, que rapidamente se consolidou como uma referência na produção de aeronaves leves para treinamento e transporte. Sob sua liderança foi lançado seu primeiro grande sucesso comercial, o Piper J-2 Cub. Introduzido em 1935, suas variantes J-2E, J-2F, J-2G e J-2H  conquistaram o mercado, totalizando, até 1938, a impressionante marca de 1.200 aeronaves entregues. Seu sucesso foi impulsionado por sua robustez e baixo custo, características que o tornaram ideal para escolas de aviação e proprietários privados em um período de recuperação econômica após a Grande Depressão. Em 1937, seria lançado o J-3 Cub, uma versão aprimorada que se tornaria um ícone da aviação. Equipado com um motor de 50 hp, mais potente que o do J-2, mantinha a mesma filosofia de design: simplicidade, durabilidade e acessibilidade. Com um preço de venda de apenas US$ 1.000, oferecia uma relação custo-benefício imbatível, permitindo sua operação em aeródromos com infraestrutura mínima e custos operacionais reduzidos. Essas qualidades fizeram do J-3 um sucesso imediato.

Inicialmente, a Piper exportava suas aeronaves em kits para montagem nos países de destino, uma estratégia que reduzia custos logísticos e atendia às necessidades locais. Com o tempo, a empresa começou a negociar acordos de licença para produção local, permitindo a incorporação de componentes fabricados nos países compradores. À medida que a década de 1930 chegava ao fim, as tensões geopolíticas intensificavam-se, prenunciando um novo conflito de grandes proporções. Na Europa, os anseios expansionistas da Alemanha, e no Pacífico Central, as ambições imperialistas do Japão, sinalizavam a iminência de um novo conflito. Esse cenário de crescente instabilidade levou o governo dos Estados Unidos a iniciar um amplo programa de rearmamento, mobilizando setores estratégicos da indústria para atender às demandas de defesa. Entre as empresas envolvidas, a Piper Aircraft Corporation, desempenhou um papel crucial, fornecendo componentes para diversos equipamentos e sistemas de defesa, além de adaptar sua produção para atender às necessidades militares. Nesse contexto, a urgência de formar pilotos qualificados para o exército e marinha tornou-se uma prioridade estratégica. Para suprir essa demanda, foi instituído o Programa Civil de Treinamento de Pilotos (Civilian Pilot Training Program – CPTP), em 1939, com o objetivo de preparar rapidamente um grande número de aviadores para as forças armadas. Na fase de instrução primária, o governo optou por utilizar o Piper J-3 Cub, equipado com o motor Lycoming O-145-B1 de 65 hp, devido à sua simplicidade, robustez e baixo custo operacional. Essas características, aliadas a um preço de aquisição acessível, tornaram o J-3 ideal para o treinamento inicial de pilotos, permitindo sua operação em aeródromos com infraestrutura limitada. Até o encerramento do programa, em 1944, foram formados mais de 400.000 pilotos militares, muitos dos quais desempenharam papéis cruciais em operações aéreas durante a guerra. Paralelamente, o Piper J-3 Cub atraiu a atenção do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), que buscava uma aeronave leve e versátil para missões de ligação, observação no campo de batalha e vigilância de fronteiras. Designado como L-4  nas versões militares, foi amplamente utilizado em diversas funções, incluindo reconhecimento aéreo, evacuação médica, transporte de suprimentos e até ajustes de artilharia. Sua capacidade de operar em pistas curtas e improvisadas, combinada com sua confiabilidade, tornou-o indispensável em teatros de operações variados, desde os campos da Europa até as selvas do Pacífico. Nesse contexto, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) lançou uma concorrência para adquirir uma aeronave leve destinada a missões de observação, ligação e vigilância. Diversas empresas apresentariam propostas, com o projeto do J-3-O59, uma variante militarizada do consagrado J-3 Cub, configurada para cumprir funções de observação e ligação. 

Do ponto de vista estrutural e mecânico,  mantinha praticamente as mesmas características da versão civil, preservando a simplicidade construtiva e a confiabilidade que haviam consagrado o Cub no mercado. Entretanto, a versão militar incorporava algumas modificações importantes destinadas a ampliar sua utilidade operacional. Entre essas adaptações destacavam-se a instalação de uma claraboia de plexiglas em formato de estufa e a ampliação das janelas traseiras da cabine, soluções projetadas para melhorar significativamente o campo de visão do piloto e do observador durante missões de reconhecimento e coordenação tática. Após a avaliação comparativa de diferentes propostas apresentadas ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), o projeto da Piper revelou-se particularmente adequado às exigências militares, sobretudo em razão de sua simplicidade, baixo custo e capacidade de operar a partir de pistas curtas ou improvisadas. Como resultado, foi firmado um contrato inicial para o fornecimento de 04 aeronaves da versão  J-3C-65 Cub, designadas militarmente como YO-59. A boa avaliação operacional dessas levou à formalização de um novo pedido em novembro de 1941, desta vez contemplando 40 aeronaves adicionais. Esse lote já incorporava melhorias específicas,  recebendo a designação L-4-PI. Entre as alterações introduzidas destacavam-se a instalação de painéis transparentes na seção central da asa ampliando ainda mais a visibilidade para observação vertical  e a adoção de equipamentos de rádio que permitiam comunicação direta com unidades terrestres. As primeiras aeronaves operacionais receberam inicialmente a designação O-59, sendo a letra “O” uma referência direta à função de observação.  Nessas missões, era comum a presença de um observador a bordo, equipado com rádio, cuja função consistia em coordenar o ajuste de tiro da artilharia, transmitindo em tempo real informações sobre a posição e os efeitos dos disparos às unidades posicionadas em solo. Esse tipo de operação revelou-se fundamental para aumentar a precisão do apoio de fogo indireto no campo de batalha. Antes mesmo da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra, em dezembro de 1941, o pequeno Cub já havia adquirido também um valor simbólico em iniciativas de apoio internacional. Naquele mesmo ano, a Piper participou de um programa de arrecadação de fundos destinado a auxiliar o RAF Benevolent Fund, entidade beneficente vinculada à Força Aérea Real (RAF) Como parte da campanha, um exemplar especial do J-3 foi batizado de Flitfire, recebendo pintura e insígnias semelhantes às utilizadas pelos caças britânicos da época. A aeronave foi doada por William T. Piper, em parceria com a Franklin Motor Company, para ser sorteada em benefício do fundo. A iniciativa inspirou distribuidores da marca em todo o país, que passaram a doar aeronaves, totalizando 48 unidades destinadas à campanha. No plano internacional, o primeiro cliente  militar  foi o governo do México.

A partir de abril de 1942, em consonância com a nova padronização de designações, o modelo passou a ser oficialmente redesignado como L-4, sendo a letra “L” indicativa de sua função principal como aeronave de ligaçao. Nesse período, recebeu o apelido oficial de Grasshopper (“Gafanhoto”), uma referência direta à sua notável capacidade de decolar e pousar em espaços extremamente curtos. O  pequeno avião não passou despercebido à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que, em 1942, firmou um contrato para a aquisição de 250 unidades destinadas principalmente a missões de treinamento e ligação, recebendo as designações de NE-1 e NE-2. Durante a invasão aliada da França, em junho de 1944, os L-4  consolidaram sua reputação como plataformas ideais para observação no campo de batalha. Sua baixa velocidade de cruzeiro e alta manobrabilidade permitiam orbitar extensas áreas, detectando veículos blindados alemães ocultos em florestas ou terrenos acidentados. Equipados com sistemas de rádio operados por um segundo tripulante, que também atuava como observador, transmitiam informações em tempo real. Em uma adaptação notável, algumas unidades foram equipadas com prateleiras para transportar bazucas, operando em duplas ou quartetos para abastecer tropas de infantaria na linha de frente, permitindo ataques diretos contra tanques alemães. O mais célebre desses L-4 adaptados foi o Rosie The Rocketeer, pilotado pelo Major Charles “Bazooka Charlie” Carpenter. Durante a Batalha de Arracourt, em setembro de 1944, no interior da França, Carpenter e seu Grasshopper foram creditados pela destruição de 06 tanques inimigos e vários carros blindados.  Encerrada apenas em 1947, a linha de produção entregou um total de 19.888 unidades, um feito impressionante que demonstra a escala e a eficiência da indústria aeronáutica americana durante o conflito. Nos momentos mais críticos da guerra, a Piper alcançou uma cadência extraordinária, produzindo uma aeronave a cada 20 minutos, um testemunho da mobilização industrial e da engenhosidade que caracterizaram o esforço de guerra. Durante a Guerra da Coreia (1950–1953), a Força Aérea da Coreia do Sul (Daehanminguk Gong-gun) operou os L-4, aproveitando sua versatilidade para apoiar operações táticas. Centenas de L-4 foram classificados como excedentes de guerra e transferidos para nações aliadas. A França empregou essas aeronaves durante a Guerra da Argélia (1954–1962), em missões de observação e ligação, enquanto a Tailândia integrou os L-4 para vigilância e transporte leve. Até o final da década de 1960, milhares de J-3 Cub permaneciam em serviço, utilizados para treinamento, voos recreativos e tarefas utilitárias. Até hoje, em 2025, centenas de Piper Cubs continuam em condições de voo, preservados por entusiastas e colecionadores.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
No início da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos temiam uma possível invasão do continente americano pelas forças do Eixo. Após a queda da França, a Alemanha poderia utilizar bases estratégicas na África e em outras regiões para apoiar uma ofensiva contra a América. Nesse cenário, o Brasil ganhou importância estratégica devido à sua proximidade com a África e às suas reservas de látex, tornando-se um importante fornecedor de borracha natural para os Aliados, essencial à indústria militar. A localização do litoral brasileiro, especialmente de Recife, era estratégica por facilitar a ligação entre a América e a África. Por isso, a região poderia servir como base para o transporte de tropas, suprimentos e aeronaves. Nesse contexto, Brasil e Estados Unidos aproximaram-se política, económica e militarmente, estabelecendo investimentos e acordos de cooperação. O Brasil aderiu ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) criado para modernizar as Forças Armadas. O acordo concedeu cerca de US$ 100 milhões em crédito para a compra de equipamentos militares. Esses recursos revelaram-se fundamentais para que o Brasil pudesse enfrentar as crescentes ameaças representadas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação mercante no Atlântico Sul. Esses ataques impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte contínuo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria de guerra norte-americana. Com o agravamento da situação internacional, a participação brasileira no esforço de guerra aliado passaria a se ampliar gradualmente,  e logo o país não se limitaria apenas ao fornecimento de recursos estratégicos, sinalizando a possibilidade de uma participação mais ativa no conflito. O Brasil recebeu, por meio desse programa de cooperação militar, uma expressiva quantidade de equipamentos bélicos, incluindo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, navios e diversos tipos de armamentos. Posteriormente, conforme previsto nos acordos firmados com os Aliados, o Brasil ampliaria gradualmente sua participação no esforço de guerra. Esse compromisso seria formalizado em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada no boletim reservado de 13 de agosto do mesmo ano, que estabeleceu oficialmente a estrutura da Força Expedicionária Brasileira (FEB). A missão atribuída ao Exército Brasileiro consistia em participar diretamente das operações de combate no teatro europeu. Para o comando foi designado o General-de-Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes, que lideraria uma força composta por três regimentos de infantaria  o 6º Regimento de Infantaria (Caçapava), o 1º Regimento de Infantaria e o 11º Regimento de Infantaria  além de quatro grupos de artilharia, sendo três equipados com peças de 105 mm e um com peças de 155 mm. A estrutura da divisão incluía ainda um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de transmissões responsável pelas comunicações.

A participação na Campanha da Itália não se limitou às unidades terrestres e ao 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB). Um terceiro componente, desempenharia uma função de extraordinária importância para as operações terrestres: a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). Criada oficialmente em 20 de julho de 1944, foi organizada especificamente para proporcionar apoio aéreo às operações da  Força Expedicionária Brasileira (FEB). Sua estrutura reunia militares  Aeronáutica e do Exército Brasileiro, particularmente observadores ligados à Artilharia Divisionária. A unidade contava com pilotos, mecânicos, pessoal de rádio e apoio terrestre, enquanto os observadores do Exército desempenhavam papel fundamental na identificação de alvos e na condução do tiro de artilharia. A escolha do Piper L-4H não ocorreu por suas características de desempenho, mas justamente por aquilo que o tornava extremamente adequado à missão. Curiosamente, o primeiro exemplar do tipo a ser recebido no Brasil em 1943, foi o segundo protótipo da aeronave, sendo destinado a Escola Técnica de Aviação (ETAv) para instrução em solo.  Entretanto, os futuros integrantes da 1ª ELO não tiveram inicialmente acesso às aeronaves que utilizariam na Itália. O treinamento específico para as missões de observação e regulagem de tiro foi realizado em cooperação com oficiais do Exército Brasileiro, no estande de tiro de Gericinó, no Rio de Janeiro, onde foram conduzidos exercícios de observação aérea durante a execução de tiros de artilharia. Vale destacar um fato curioso: as aeronaves utilizadas nessa fase inicial de treinamento eram os monoplanos asa baixa Fairchild PT-19, que não possuíam cabine fechada nem rádio de bordo. Este último equipamento, no entanto, seria absolutamente essencial para a execução das missões reais no teatro de operações europeu, uma vez que a comunicação por rádio era fundamental para a correção e coordenação do fogo de artilharia em combate.  A esquadrilha era composta por 35 militares  entre pilotos, mecânicos e pessoal de apoio  que embarcaram rumo à Itália em 22 de setembro de 1944, juntamente com o 2º e o 3º escalões . A travessia do Atlântico foi realizada a bordo de navios de transporte de tropas da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). A esquadrilha embarcou para a Itália em setembro de 1944 e chegou a Nápoles em 6 de outubro, seguindo posteriormente para a região de Pisa. Em San Rossore, os brasileiros receberam seus 10 L-4H desmontados, cabendo aos mecânicos brasileiros sua montagem, com as aeronaves recebendo matrículas "FAB 01 a 10". Suas superfícies superiores eram pintadas em verde (olive drab), enquanto as inferiores utilizavam cinza (neutral gray).  Posteriormente, receberam elementos de identificação, incluindo as cores verde e amarela no leme e as estrelas da Força Aérea Brasileira (FAB) nas laterais da fuselagem, mantendoa as marcações originais nas asas, por razões de identificação visual pelas forças aliadas, evitando possíveis incidentes de fogo amigo. 
A partir de novembro de 1944, começaram efetivamente os voos de adaptação e treinamento em território italiano, com sua primeira missão real ocorrendo no dia 13 do mesmo mês . A partir desse momento, a esquadrilha passou a executar voos praticamente diários em apoio direto às unidades de artilharia brasileiras, atuando ao longo da chamada Linha Gótica, um dos principais sistemas defensivos alemães no norte da Itália. A principal missão da 1ª ELO era realizar observação aérea e regulagem do tiro de artilharia. Na prática, o procedimento exigia que o  L-4H voasse sobre ou nas proximidades da linha de frente, enquanto o observador identificava posições inimigas, movimentações de tropas, veículos, depósitos de munição, posições de artilharia e outros alvos de interesse. Uma vez identificado o objetivo, o observador transmitia as informações ao sistema de controle da Artilharia Divisionária. A partir dessas informações, as baterias em terra iniciavam o tiro e o observador acompanhava a queda dos projéteis. Caso os disparos não atingissem o ponto desejado, transmitia correções sucessivas, permitindo deslocar o ponto de impacto até que a artilharia estivesse devidamente ajustada sobre o alvo. Esse procedimento, conhecido como regulagem de tiro, transformava o pequeno Piper L-4H em uma verdadeira extensão dos olhos da artilharia. Seu poder estava na informação que conseguia produzir e transmitir em tempo quase real. A eficiência desse sistema dependia de uma combinação entre o piloto, o observador e as baterias de artilharia. O piloto precisava manter a aeronave em uma posição que permitisse ao observador enxergar o terreno, ao mesmo tempo em que evitava permanecer demasiadamente exposto ao fogo inimigo. O observador, por sua vez, precisava identificar corretamente os alvos e interpretar rapidamente a queda dos projéteis. As informações eram então transmitidas às unidades de artilharia para que os disparos subsequentes fossem corrigidos. A missão era particularmente perigosa porque o L-4H era lento, desarmado e praticamente desprovido de proteção. Ao contrário dos caças e bombardeiros empregados no conflito, o pequeno avião não dispunha de armamento defensivo capaz de enfrentar aeronaves inimigas ou posições antiaéreas. Sua proteção dependia essencialmente de sua pequena dimensão, baixa velocidade, manobrabilidade e capacidade de operar em baixas altitudes. Ainda assim, voar sobre as linhas alemãs significava estar sujeito ao fogo das armas antiaéreas, inclusive da conhecida Flak (Fliegerabwehrkanone). Apesar desses riscos, nenhum dos aviões foi abatido, um resultado notável que refletia tanto a habilidade e a prudência dos pilotos brasileiros. Eventualmente eram operados em missões de ligação, transporte de malas postais entre as unidades e evacuações aeromédicas emergenciais, operando a partir de campos improvisados próximos à linha de frente.

As condições meteorológicas acrescentavam outro fator de risco. Durante o inverno de 1944–1945, a região dos Apeninos apresentou temperaturas extremamente baixas, neve, gelo, neblina e condições de visibilidade bastante difíceis. O pequeno motor Continental de 65 hp também sofria com as baixas temperaturas. Há registros de formação de gelo na região do carburador, ocasionando perda temporária de potência ou mesmo parada do motor durante o voo. Nessas situações, os pilotos precisavam entrar em planeio e procurar altitudes mais baixas, onde o gelo pudesse desaparecer e permitir a retomada do funcionamento do motor. Os L-4H operavam a partir de pequenos campos preparados nas proximidades das unidades apoiadas. Algumas pistas eram pouco mais que áreas niveladas e compactadas, permitindo pousos e decolagens, ainda assim,  manteve-se um elevado nível de eficiência operacional. Essa mobilidade era essencial porque a 1ª ELO precisava acompanhar o avanço da FEB. À medida que as unidades terrestres avançavam, a esquadrilha deslocava seus aviões e sua infraestrutura para campos mais próximos da nova linha de contato. A sequência de bases utilizadas demonstra claramente essa característica. Depois de San Rossore, a unidade operou a partir de San Giorgio, na região de Pistóia; Suviana; Porretta Terme; Montecchio Emilia; Piacenza; Portalbera e Bergamo, acompanhando progressivamente o avanço das forças aliadas para o norte da Itália. Estiveram presentes em praticamente todas as principais operações ofensivas. Seus voos de observação e regulagem de tiro ocorreram durante as operações relacionadas a Monte Castello, Belvedere, Della Torraccia, Montese, Monte Buffone, Montello, La Serra e Collecchio, entre outras ações realizadas durante o avanço brasileiro na Itália. Em Monte Castello, por exemplo, a observação aérea era particularmente importante devido à natureza montanhosa do terreno. As posições alemãs encontravam-se espalhadas por elevações, encostas e áreas de difícil observação a partir do solo. A aeronave permitia ao observador obter uma visão privilegiada do campo de batalha e auxiliar a artilharia na localização e correção dos alvos. Além da regulagem de tiro, os L-4 realizavam reconhecimento e observação das linhas inimigas. Seus tripulantes procuravam identificar deslocamentos de tropas, comboios, concentrações de veículos, posições de artilharia e depósitos de munições. Essas informações eram transmitidas aos centros de controle e contribuíam para a elaboração e execução das operações terrestres. A esquadrilha realizou regulagem de tiro também para unidades de artilharia do V Exército dos Estados Unidos e do 8º Exército Britânico, demonstrando que sua atuação estava integrada ao sistema de apoio aéreo e de artilharia das forças aliadas no Teatro de Operações Italiano. Durante a Campanha da Itália, a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, acumulou aproximadamente 1.654 horas de voo, 682 missões de guerra e mais de 400 regulagens de tiro de artilharia.
Embora as operações de combate tivessem chegado ao fim, ainda havia a necessidade de manter uma estrutura mínima de comunicações, ligação e apoio às unidades que permaneciam em território italiano. Nesse contexto, a 1ª ELO continuou operando, em 4 de maio de 1945, a esquadrilha transferiu suas operações para Piacenza. Na semana seguinte, deslocou-se para Portalbera, nas proximidades de Milão, e, posteriormente, em 12 de junho, estabeleceu-se em Bérgamo. A trajetória da 1ª ELO chegaria ao fim em 14 de junho de 1945, ainda em território italiano, a unidade foi oficialmente desativada por meio de boletim da Artilharia Divisionária. Seus integrantes foram incorporados ao efetivo do 1º Grupo de Aviação de Caça. O retorno dos militares brasileiros ao país teve início em 6 de julho de 1945, quando embarcaram no navio de transporte de tropas USS General M. C. Meigs (AP-116), que deixou o porto de Nápoles com destino ao Rio de Janeiro. Os Piper L-4H utilizados pela esquadrilha, entretanto, seguiram outra rota. Desmontadas, as aeronaves foram posteriormente transportadas para o Brasil a bordo de um navio da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Após sua chegada ao Rio de Janeiro, foram encaminhadas ao Depósito Central de Armamentos do Exército Brasileiro, onde permaneceram armazenadas. Paralelamente, outro exemplar, o Piper L-4-PI, teve trajetória distinta, sendo transferida para a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer), embora  destinada a atividades de instrução em solo, há indícios de que o aparelho tenha sido mantido em condições de voo.  Entre 1954 e 1955, os 10 L-4H  foram redescobertas nos depósitos militares, sendo remontadas e novamente colocadas em condições de voo. Após a recuperação, receberam cocares e matrículas do Exército Brasileiro, voltando a voar , ainda que por um período relativamente curto. Com a reativação da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, em 12 de dezembro de 1955, decidiu-se pela transferência dessas aeronaves para a Força Aérea Brasileira (FAB). Inicialmente, três L-4 foram recuperados e colocados em condições de voo. Posteriormente, outros exemplares foram ativados, ampliando a capacidade operacional. Em abril de 1957, o Piper L-4-PI anteriormente empregado pela Escola de Especialistas da Aeronáutica foi incorporado à frota, completando o núcleo de aeronaves disponíveis. A incorporação do Cessna L-19 Bird Dog, no final da década de 1950, marcou uma mudança significativa nesse processo. Em 1958, as células remanescentes dos L-4 foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PqAerAF) e, no ano seguinte, excluídas da carga do Ministério da Aeronáutica. Nove dessas aeronaves foram posteriormente transferidas ao Departamento de Aviação Civil (DAC), que as destinou a diferentes aeroclubes.  O Piper L-4H FAB 05, destinado à preservação histórica, sendo restaurado nas cores e marcações utilizadas durante sua participação na Campanha da Itália.

Em Escala.
Para representarmos o Piper L-4H "FAB 09", fizemos uso kit do fabricante Hobbycraft (o modelo mais próximo seria o Smer) na escala 1/48, sendo necessário alterar a disposição das janelas laterais traseiras e também o teto, processo este facilmente executável pois as duas metades da fuselagem são injetadas em plástico transparente, bastando conformar as mesmas com fita adesiva. Os decais foram obtidos do set, presente no livro " Força Aérea Brasileira, na Segunda Guerra Mundial " de Luciano B. Monteiro & Sandro Dinarte, Editora Adler.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado e todas as aeronaves Piper L-4H Grasshoper em serviço na Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) a durante a Segunda Guerra Mundial, durante este período as aeronaves operaram com marcações brasileiras e americanas, no pós-guerra este padrão foi acrescido das cores nacionais na cauda tanto na Força Aérea Brasileira (FAB) quanto no Exército Brasileiro sendo este mantido até o final de sua carreira operacional no final da década de 1950.
Bibliografia :
- Piper J-3 Cub   Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Piper_J-3_Cub
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Os Olhos dos Pracinhas, por Ricardo Bonalume Neto - Revista Força Aérea nº 03
- Olho Nele - 2º Ten QOCon His Daniel Evangelista Gonçalves
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  por Jackson Flores Junior