Classe IKL209 - Submarino de Ataque

História e Desenvolvimento.
A  Alemanha consolidou, ao longo de mais de um século, uma posição de destaque no desenvolvimento, construção e emprego de submarinos, estabelecendo uma tradição que exerceu profunda influência sobre a guerra naval moderna. Essa supremacia começou a se evidenciar durante a Primeira Guerra Mundial, empregados inicialmente contra navios de guerra e, posteriormente, em uma campanha de guerra  irrestrita, passaram a atacar indiscriminadamente navios mercantes e de passageiros, causando graves prejuízos ao esforço logístico da Entente. O êxito da guerra submarina alemã resultou da combinação de novas doutrinas de emprego com importantes avanços tecnológicos, como a propulsão diesel-elétrica, baterias de maior capacidade, periscópios aperfeiçoados, torpedos autopropulsados e modernos sistemas de navegação e detecção. Durante a Primeira Guerra Mundial,  afundaram mais de 5.000 embarcações, obrigando os Aliados a desenvolverem sistemas de comboios, escoltas e novas técnicas antissubmarino. Embora o Tratado de Versalhes proibisse o país de construir e operar submarinos, o país preservou clandestinamente seu conhecimento técnico por meio de empresas de fachada e programas de cooperação internacional. Com o início do rearmamento alemão, essas restrições foram gradualmente abandonadas e, em 1935, o Acordo Naval Anglo-Alemão autorizou  a reconstrução da força submarina alemã. Quando a Segunda Guerra Mundial teve início, em setembro de 1939, a Alemanha encontrava-se em inferioridade frente às poderosas marinhas de superfície aliadas. Para compensar essa desvantagem, a  Marinha Alemã (Kriegsmarine) concentrou seus esforços na guerra submarina, empregando os U-boots para interromper as linhas de suprimento entre a América do Norte e o Reino Unido. Essa campanha deu origem à  Batalha do Atlântico, o mais longo confronto naval da história, travado entre 3 de setembro de 1939 e 8 de maio de 1945, totalizando 05 anos, 08 meses e 05 dias de combates contínuos. Neste período, centenas de submarinos, navios de guerra e milhares de embarcações mercantes envolveram-se na disputa pelo controle das linhas de comunicação marítima. Ao longo do conflito, a indústria alemã aperfeiçoou continuamente seus submarinos, introduzindo motores mais eficientes, baterias de maior capacidade, periscópios aprimorados, novos sistemas de comunicações e detecção, torpedos mais confiáveis e cascos hidrodinamicamente mais eficientes, elevando significativamente seu desempenho. Essas inovações tinham como objetivo aumentar a velocidade em imersão, ampliar a autonomia operacional e reduzir as possibilidades de detecção pelos meios antissubmarino aliados. Nesse contexto, destacaram-se principalmente duas famílias, a primeira  composta pelos Type VII, de porte médio destinadas às operações no Atlântico Norte e no Mar do Norte, que se tornaram os  mais produzidos e bem-sucedidos. A segunda formada pelos Type IX, submarinos oceânicos de longo alcance,  capazes de operar em áreas distantes, como o Atlântico Sul, o Oceano Índico e até mesmo a costa leste das Américas. 

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, permaneceria impedida de possuir forças navais ofensivas em decorrência das restrições impostas pelas potências vencedoras. Somente com a criação da República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e o agravamento da Guerra Fria tornou-se possível a reconstrução gradual de sua capacidade militar. Em 1955, foi criada a Bundesmarine, e, no mesmo ano, o país ingressou na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN),  possibilitando o renascimento de sua indústria naval. Nos primeiros anos, entretanto, a marinha não dispunha de submarinos próprios, concentrando seus esforços na recuperação do conhecimento técnico perdido após o conflito e na formação de uma nova geração de projetistas, engenheiros e tripulações. A experiência acumulada com os revolucionários Type XXI e XXIII serviu como base conceitual para o desenvolvimento dos novos projetos.  O primeiro submarino  concebido no pós-guerra foi o Type 201, cuja construção teve início em 1959 nos estaleiros Howaldtswerke, em Kiel. O projeto incorporava diversas soluções inovadoras, destacando-se o emprego de aço amagnético, destinado a reduzir sua vulnerabilidade às minas navais de influência magnética. Entretanto, problemas estruturais decorrentes da utilização desse novo material comprometeram sua confiabilidade operacional. Como consequência dos problemas verificados, apenas 03 unidades foram concluídas, levando à reformulação completa do projeto. As lições aprendidas resultaram no Type 205, que incorporava reforços estruturais, novos sistemas eletrônicos e melhorias na propulsão e navegação. Projetado para operar nas águas rasas do Mar Báltico, destacava-se pela elevada manobrabilidade e reduzida assinatura acústica. Entre 1962 e 1969, foram construídos 13 submarinos, que constituíram a espinha dorsal da força submarina da Bundesmarine durante a década de 1960. Sua evolução culminou no Type 206, que manteve as dimensões compactas do antecessor, incorporando sistemas eletrônicos mais modernos, maior confiabilidade mecânica e casco em aço amagnético. Foram construídas 18 unidades, que permaneceram em serviço durante toda a Guerra Fria, sendo duas posteriormente transferidas para a Marinha da Colômbia. No início da década de 1970, muitas marinhas buscavam substituir os submarinos norte-americanos e britânicos herdados do pós-guerra, já tecnologicamente ultrapassados. O mercado oferecia poucas opções de submarinos convencionais modernos, destacando-se as classes francesa Daphné e britânica Oberon, ambas eficientes, porém de elevado custo e complexidade operacional para diversas marinhas. Percebendo essa lacuna no mercado internacional, a indústria naval alemã identificou uma importante oportunidade comercial. A Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW) iniciou então os estudos para desenvolver uma nova geração de submarinos convencionais que combinasse dimensões reduzidas, elevada eficiência operacional, simplicidade de operação, baixo custo de manutenção e grande confiabilidade. 

O desenvolvimento foi coordenado pelo Ministério Federal da Defesa da Alemanha e confiado à empresa de engenharia naval Ingenieurkontor Lübeck (IKL), sob a liderança do engenheiro naval Ulrich Gabler. Baseado no Tipo 206, incorporava seus principais conceitos estruturais e hidrodinâmicos, mas foi projetado para poder operar tanto em águas costeiras quanto oceânicas. Sua arquitetura empregava um casco resistente de configuração única (single-hull), solução que proporcionava vantagens operacionais e facilitava a manutenção. O arranjo interno foi cuidadosamente planejado para otimizar a distribuição dos compartimentos, permitindo que o comandante, ao utilizar o periscópio, mantivesse ampla percepção longitudinal da embarcação, desde a proa até a popa, favorecendo o controle das operações durante as diversas fases da missão. A geometria do casco recebeu especial atenção quanto à redução da assinatura acústica, objetivo considerado prioritário em um período marcado pelo intenso desenvolvimento das tecnologias de guerra antissubmarino. O formato hidrodinâmico e o isolamento dos equipamentos reduziam a assinatura acústica e a refletividade aos sonares ativos, ampliando a capacidade do submarino de operar de forma furtiva. A autonomia em imersão era assegurada por quatro bancos de baterias, totalizando 480 células e representando cerca de um quarto do deslocamento da embarcação. A propulsão diesel-elétrica utilizava 04 motores MTU 12V493 TY60 de 800 hp, acoplados a geradores AEG que alimentavam o motor elétrico principal, responsável por acionar um único eixo com hélice de 05 ou 07 pás, configurada de acordo com os requisitos do cliente. Uma das principais inovações do projeto era sua concepção modular, que permitia adaptar às necessidades operacionais e orçamentárias de diferentes marinhas. O projeto previa deslocamento de cerca de 1.000 toneladas, mas sua estrutura possibilitava ampliações de até 50%, oferecendo maior autonomia, profundidade operacional e capacidade para missões prolongadas em mar aberto. O aumento do deslocamento permitia incorporar sistemas eletrônicos mais avançados e maior capacidade de combustível, tornando o projeto especialmente adequado para marinhas com extensas áreas de atuação. No armamento, a configuração previa 08 tubos lança-torpedos de 533 mm na proa, compatíveis com torpedos pesados, podendo transportar até 14 torpedos ou 24 minas. Previa-se a integração de misseis UGM-84 Harpoon, lançado pelos tubos de torpedo. Essa capacidade ampliava significativamente o alcance ofensivo, permitindo atacar navios de superfície a distâncias superiores às dos torpedos. Os sistemas de combate refletiam a filosofia modular , permitindo a integração de diferentes sistemas de comando, controle e direção de tiro, conforme as necessidades de cada operador. Também admitia a instalação de modernos sensores acústicos, como sonares de casco, passivos e de flanco (flank array), proporcionando elevada capacidade de detecção, classificação e acompanhamento de alvos submarinos e de superfície, mesmo em ambientes acústicos complexo

Desta maneira os submarinos   Classe 209, foram concebidos para  cumprir uma ampla variedade de missões,  destacando-se pela capacidade de executar operações de negação e controle do mar, patrulhamento, vigilância, coleta de informações de inteligência e apoio a operações especiais, reunindo em um único projeto elevado poder de combate, grande autonomia em imersão, altas velocidades submersas, reduzidas assinaturas acústica e magnética e excelentes características de manobrabilidade.  Um dos principais diferenciais do programa residia na estratégia comercial adotada pelo consórcio alemão, que estruturou o projeto de forma modular e altamente flexível. O primeiro contrato de exportação seria firmado em 1972 com a Marinha Helênica (Polemikó Naftikó), que encomendou 04 submarinos do modelo Type 209/1100, posteriormente incorporados como Classe Glafkos. Dois anos mais tarde, em 1974, a Argentina contrataria duas unidades da variante Type 209/1200, que passaram a integrar a Classe Salta. Os excelentes resultados obtidos durante a operação das primeiras embarcações, aliados à elevada confiabilidade e à favorável relação entre custo e capacidade militar, rapidamente consolidaram a reputação internacional da Classe 209. A partir de 1976, novos contratos de exportação foram celebrados, ampliando significativamente a presença do projeto em diversas regiões do mundo. Entre os novos operadores figuravam a Colômbia, com a Classe Pijao (Type 209/1200); o Peru, com a Classe Islay (Type 209/1100); a Venezuela, com a Classe Sábalo (Type 209/1300); o Equador, com a Classe Shyri (Type 209/1300); o Chile, com a Classe Thomson (Type 209/1400); e a Indonésia, com a Classe Cakra (Type 209/1300). A Turquia também se tornaria um dos principais operadores da família. Inicialmente, foi firmado um contrato para a construção de seis submarinos Type 209/1200, incorporados como Classe Atılay. Posteriormente, entre 1989 e 2007, foram construídas outras oito unidades pertencentes às classes Preveze e Gür, consolidando a Marinha Turca (Türk Donanması) como a maior operadora mundial da família Classe 209 e, consequentemente, a principal usuária de submarinos de projeto alemão. O contínuo aperfeiçoamento do projeto ao longo das décadas manteve a Classe 209 tecnologicamente competitiva e assegurou novos contratos internacionais, ampliando sua presença em marinhas como as de Israel, África do Sul, Brasil, Coreia do Sul e Egito. Essa trajetória consolidou o modelo como um dos maiores sucessos da indústria naval militar alemã no período pós-Segunda Guerra Mundial, tornando-o uma das classes de submarinos convencionais mais exportadas e bem-sucedidas da história. Nem todas as negociações, entretanto, chegaram a ser concretizadas. Em 1977, o governo do Irã formalizou a aquisição de seis submarinos Tipo 209, em um contrato que representaria uma das maiores encomendas da época. Contudo, a Revolução Iraniana de 1979 e a ascensão do Aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder levaram ao cancelamento definitivo do programa, impedindo que aquelas embarcações fossem construídas e incorporadas à Marinha Iraniana.
O único registro oficial de emprego  em um conflito de grande intensidade ocorreu durante a Guerra das Falklands/Malvinas, em 1982. Na ocasião, o submarino argentino ARA San Luis (Type 209/1200) realizou patrulhas de combate contra a força-tarefa britânica e efetuou o lançamento de torpedos guiados por fio SST-4. Entretanto, falhas técnicas relacionadas à montagem e à confiabilidade do sistema de armas comprometeram o desempenho dos torpedos, que não seguiram corretamente suas trajetórias nem atingiram os alvos designados. Apesar desse revés, a atuação do ARA San Luis demonstrou a elevada discrição acústica proporcionada pelo projeto, uma vez que o submarino conseguiu permanecer oculto durante toda a campanha, escapando aos intensos esforços da guerra antissubmarino conduzidos pela Marinha Real (Royal Navy). A partir do final da década de 1990, diversos operadores iniciaram amplos programas de modernização com o objetivo de prolongar a vida útil e adequá-las às exigências do ambiente operacional contemporâneo. As atualizações abrangeram sistemas de combate, sensores, eletrônica embarcada, armamentos e conjuntos propulsores, preservando a competitividade da Classe 209 frente às novas ameaças. Entre os programas de maior destaque figurou a modernização da Classe Sábalo, da Marinha da Venezuela, cujos submarinos tiveram o casco ligeiramente alongado para acomodar uma nova cúpula de sonar inspirada na utilizada pelos submarinos alemães Type 206. Na Indonésia, os submarinos Type 209/1300 da Classe Cakra passaram por um extenso processo de revitalização conduzido pelo estaleiro sul-coreano Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (DSME), recebendo novas baterias, motores revisados e modernos sistemas de combate. Outra importante evolução tecnológica foi a possibilidade de incorporar sistemas de Propulsão Independente do Ar (AIP), capazes de ampliar significativamente a permanência submersa dos submarinos. Os primeiros exemplares da família a receber essa capacidade foram os Type 209/1200 da Classe Poseidon, da Marinha Helênica, no âmbito do programa Neptune II. Na Coreia do Sul, os submarinos da Classe Jang Bogo também passaram por uma profunda modernização durante o século XXI, incluindo o aumento do deslocamento de aproximadamente 1.200 para 1.400 toneladas e a integração de sistemas nacionais de contramedidas acústicas contra torpedos (TACM). A extraordinária longevidade da Classe 209 constitui um dos maiores testemunhos do sucesso do projeto alemão. Concebida no início da década de 1970, a plataforma permaneceu tecnologicamente relevante graças à sua arquitetura modular, que permitiu sucessivas modernizações ao longo de mais de cinco décadas de serviço. Ao todo, foram construídos 72 submarinos, dos quais a grande maioria continua em operação em diversas marinhas ao redor do mundo, enquanto outros permanecem preservados em condição de reserva, confirmando como uma das famílias de submarinos convencionais de maior êxito comercial e operacional da história da indústria naval militar.

Emprego na Marinha do Brasil.
No final da década de 1970, seria iniciado um amplo processo de modernização de sua Força de Submarinos, com o objetivo de reduzir a dependência externa na aquisição e manutenção desses meios. Até então, a capacidade submarina nacional baseava-se em embarcações de origem norte-americana e britânica, como as classes Guanabara (GUPPY II/III), Humaitá (Gato) e Riachuelo (Oberon). Em 1979, no contexto do programa de reaparelhamento da Esquadra, foi definida como prioridade a substituição desses submarinos por um modelo que pudesse ser construído no Brasil, promovendo a transferência de tecnologia e o fortalecimento da indústria naval. Para esse objetivo, foi criada uma comissão técnica para avaliar os principais projetos disponíveis no mercado internacional. Após os estudos, a escolha recaiu sobre o submarino IKL 209/1400, da alemã Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW), considerado o modelo que melhor combinava desempenho operacional, custos de operação e potencial de transferência de tecnologia para a construção no Brasil. Em dezembro de 1982, foram assinados contratos que marcaram o início do Programa de Construção de Submarinos da Classe Tupi. O primeiro previa a construção de um submarino IKL 209/1400 na Alemanha, enquanto o segundo contemplava o fornecimento de ferramental, materiais, documentação técnica e assistência especializada para viabilizar a construção de uma segunda unidade no país. Designados, respectivamente, como Boat e Package I, esses contratos somavam cerca de 454 milhões de marcos alemães e entraram em vigor em julho de 1984. Em março de 1985, um novo financiamento externo permitiu a assinatura de outro contrato, semelhante ao Package I, destinado à construção de mais duas unidades. Os submarinos da  Classe Tupi apresentavam um raio de ação de aproximadamente 10.000 milhas náuticas, navegando a 8 nós na superfície ou utilizando o snorkel, enquanto em imersão podiam percorrer cerca de 25 milhas náuticas a 21,5 nós, 50 milhas a 16 nós, 230 milhas a 8 nós e 400 milhas a 4 nós, empregando exclusivamente seus motores elétricos. A autonomia operacional alcançava aproximadamente 50 dias, e a profundidade máxima de mergulho era estimada em 250 mts, conferindo elevada flexibilidade para operações de patrulha, vigilância e guerra antissubmarino. Outro importante diferencial era sua avançada suíte eletrônica, considerada uma das mais modernas então disponíveis para submarinos convencionais. O conjunto incluía o sistema de medidas de apoio à guerra eletrônica Thomson-CSF DR-4000 (ESM), o sistema de controle de armas Ferranti KAFS-A10, o radar de navegação Thomson-CSF Calypso III, o sonar passivo/ativo Atlas Elektronik CSU-83/1, periscópios Kollmorgen Modelo 76 e o sistema de navegação inercial Sperry Mk 29 Mod.2. Como armamento,  optou-se pelos torpedos britânicos guiados por fio Marconi Underwater Systems Mk 24 Tigerfish Mod.1, já empregados com sucesso nos submarinos da Classe Humaitá (Oberon), simplificando a logística e o treinamento das tripulações.

A construção do primeiro submarino desta classe teve início em novembro de 1984, paralelamente, foi implementado um amplo programa de capacitação que enviou engenheiros, técnicos e militares brasileiros à Alemanha para acompanhar sua construção e absorver conhecimentos sobre operação, manutenção e fabricação. Essa iniciativa foi fundamental para viabilizar a nacionalização da construção das demais unidades previstas no contrato. O primeiro submarino batizando como Tupi (S30), teve sua quilha batida em 8 de março de 1985. Após um rigoroso programa de construção, integração de sistemas, provas de cais e extensivos testes de mar realizados no Mar Báltico, o navio foi oficialmente entregue  em 20 de dezembro de 1988. Foi incorporado à Esquadra em 6 de maio de 1989. Pouco depois, deixou o porto de Kiel com destino ao Brasil, realizando escalas em Lisboa e Recife, antes de chegar ao Rio de Janeiro em 27 de junho.  Sua primeira participação ocorreu na Operação TROPICALEX-II/90, integrando uma força-tarefa liderada pelo então Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, onde executou exercícios de guerra antissubmarino, ataques simulados contra unidades de superfície e treinamento conjunto com navios, aeronaves e helicópteros da Marinha e da Força Aérea Brasileira. Nas décadas seguintes, o submarino tornou-se presença constante nos principais exercícios navais nacionais, entre eles ASPIRANTEX, ADEREX, TEMPEREX, FRATERNO e MISSEX. Nessas comissões desempenhou missões de patrulha, reconhecimento, infiltração de forças especiais, lançamento simulado de torpedos, minagem ofensiva e treinamento de guerra antissubmarino, contribuindo para o adestramento das tripulações da Esquadra e da Aviação Naval. Em diversas oportunidades também participou de exercícios internacionais com marinhas sul-americanas, reforçando a interoperabilidade regional. Ao longo de sua carreira, o Tupi passou por diversos períodos de manutenção e modernização destinados a preservar sua capacidade operacional. Em 2025, concluiu seu 2º Período de Docagem de Rotina (PDR) permitindo estender sua vida útil.  O S31 Tamoio possui um lugar de destaque na história naval brasileira por ter sido o primeiro submarino construído integralmente no Brasil. Teve sua quilha batida em 15 de julho de 1986 e foi lançado ao mar e batizado em 18 de novembro de 1993,  em 14 de julho de 1994, o Tamoio realizou sua primeira saída ao mar. Concluído o programa de avaliações, o navio foi oficialmente incorporado à Esquadra em 17 de julho de 1995. Ao completar seu primeiro ano de serviço operacional, em dezembro de 1995, o Tamoio já acumulava expressiva experiência, totalizando 118 dias de mar, cerca de 12.500 milhas navegadas e 1.196 horas de imersão, além de participação em importantes exercícios multinacionais, como as Operações UNITAS, FRATERNO e DRAGÃO. Em 1996, durante um exercício de lançamento real de torpedos, o Tamoio afundou o casco do antigo contratorpedeiro D25 Marcílio Dias, utilizado como alvo, empregando um torpedo Mk 24 Tigerfish.
Em maio de 1997, o Tamoio participou da Operação LINKED SEAS 97, exercício da OTAN realizado entre a costa portuguesa e o Estreito de Gibraltar. Durante as simulações, destacou-se ao romper o dispositivo de escolta e realizar um ataque virtual bem-sucedido contra o porta-aviões espanhol Príncipe de Asturias (R11), um dos maiores feitos de sua carreira operacional. Após quase três décadas de relevantes serviços prestados à defesa nacional,  teve sua baixa do serviço ativo oficializada pela Portaria nº 224/MB/MD, publicada em 11 de setembro de 2023, atendendo ao planejamento normal de renovação da Força de Submarinos, acompanhando a substituição gradual dos meios mais antigos pelos novos submarinos do PROSUB. O Timbira (S32) teve sua quilha batida em 15 de setembro de 1987, em novembro de 1996, realizou suas primeiras provas de mar e de imersão, seguidas da Mostra de Armamento em dezembro. Entregue pelo AMRJ em 20 de janeiro de 1997, concluiu uma campanha de testes com apoio de técnicos alemães, sendo oficialmente incorporado à Esquadra em 22 de outubro de 1997. Sua estreia operacional ocorreu entre os dias 23 e 31 de março de 1998, durante a Operação ADEREX-I/98, quando integrou um Grupo-Tarefa sob o comando do Comandante da 1ª Divisão da Esquadra, desenvolvendo exercícios na área marítima compreendida entre o Rio de Janeiro e Santos. No início do ano seguinte, participou de um exercício de lançamento real de torpedos, afundando o casco do antigo contratorpedeiro Espírito Santo (D38) com um torpedo Mk 24 Tigerfish, demonstrando a plena capacidade operacional do sistema de armas da Classe Tupi. Ao longo de mais de duas décadas de serviço, o Timbira participou de inúmeros exercícios, operações e missões de adestramento, prestando relevantes serviços ao Comando da Força de Submarinos (ComForS) e contribuindo para a manutenção da capacidade dissuasória da Marinha do Brasil. Sua baixa do serviço ativo foi oficializada em 17 de fevereiro de 2023, por meio da Portaria nº 37/MB/MD, inicialmente, o casco permaneceu sob a guarda enquanto eram avaliadas possíveis destinações. Em 20 de abril de 2026, entretanto, a Marinha do Brasil realizou o afundamento controlado do ex-Timbira durante a Operação ADEREX Sup-Sub / Lançamento de Armas I – 2026, empregando-o como alvo real para treinamento de tiro naval. O Submarino Tapajó (S33) teve sua quilha batida em agosto de 1992, sendo lançado ao mar em 5 de junho de 1998, sendo  incorporado em 21 de dezembro de 1999.  Durante quase 24 anos de serviço, participou de diversas operações nacionais e internacionais, mantendo elevado grau de prontidão e contribuindo para o adestramento da Força de Submarinos. Sua retirada do Serviço Ativo da Armada foi oficializada em agosto de 2023, por intermédio da Portaria nº 195/MB/MD. Após a desativação, permaneceu atracado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), onde passaram por um processo de desmilitarização.  Em março de 2026 foi definido o emprego de seu casco como alvo para exercícios operacionais.

A construção dos submarinos da Classe Tupi representou um marco para a indústria naval militar brasileira, consolidando a transferência de tecnologia e a capacitação nacional nas áreas de projeto, construção, integração de sistemas e manutenção de submarinos convencionais. A experiência acumulada ao longo desse programa criou a base técnica e industrial necessária para o desenvolvimento de uma nova geração de submarinos, destinada a complementar e, futuramente, substituir a Classe Tupi.O ponto de partida para esse novo projeto permaneceu sendo a comprovada plataforma alemã IKL 209, porém profundamente aperfeiçoada para atender às novas exigências operacionais da Marinha do Brasil. O objetivo consistia em desenvolver um submarino com maior deslocamento, autonomia e capacidade de combate, incorporando os avanços tecnológicos que caracterizavam a evolução da guerra submarina no final do século XX. Entre as principais melhorias destacavam-se a adoção de sensores de última geração, sistemas digitais de direção de tiro, radar de superfície mais moderno e a integração de novos armamentos, inicialmente os torpedos pesados Bofors T2000 e, posteriormente, os Mk 48, produzidos pela Westinghouse Naval Systems. O resultado desse processo foi o desenvolvimento de uma versão profundamente modificada do projeto original, denominada IKL 209/1500 Mod., da qual se originou a Classe Tikuna. O novo submarino apresentava deslocamento aproximado de 1.400 toneladas na superfície e 1.550 toneladas em imersão, comprimento de 62,05 metros, boca de 6,20 metros (7,60 metros considerando os hidroplanos de popa) e calado de 5,50 metros. Além das dimensões ampliadas, incorporava refinamentos hidrodinâmicos, maior resistência estrutural, sistemas eletrônicos mais sofisticados e elevado potencial para futuras modernizações. A primeira unidade da nova classe, o Tikuna (S34), foi encomendada ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) em junho de 1996. A fabricação das seções do casco resistente foi confiada à Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP), empresa já reconhecida por sua capacidade na produção de estruturas metálicas de alta complexidade para programas navais brasileiros. Foi batizado e lançado ao mar às 10:30h do dia 9 de março de 2005, tendo como madrinha Ângela Maria de Sousa da Silveira Carvalho, em cerimônia que contou com a presença do Sr. Presidente da República, Luis Ignácio Lula da Silva, do Vice-Presidente e Ministro da Defesa, José Alencar da Silva e do Comandante da Marinha, Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho, entre outras autoridades civis e militares. Em 16 de dezembro de 2005, realizou-se a cerimônia de Mostra de Armamento e Incorporação à Armada, conforme a Portaria nº 313, de 5 de dezembro de 2005. A partir desse momento, o S34 Tikuna iniciou seu programa de provas de mar e avaliações operacionais, concluindo posteriormente sua entrada em serviço ativo na Esquadra, onde durante anos operaria com extrema proficiência.
Além de representar um significativo salto tecnológico em relação à Classe Tupi, tornou-se o primeiro submarino da Marinha do Brasil apto a empregar o moderno torpedo pesado Mk 48 Mod 6AT ADCAP, um dos armamentos mais avançados de sua categoria. Essa capacidade foi demonstrada em 12 de novembro de 2008, quando realizou, com pleno êxito, o lançamento operacional das duas primeiras unidades desse torpedo, ampliando significativamente o poder de combate da Força de Submarinos. Nos anos seguintes,  participou intensamente dos principais exercícios navais nacionais e internacionais, destacando-se pelos elevados índices de disponibilidade operacional e por servir como plataforma para o desenvolvimento de novas doutrinas de emprego. Entre suas realizações mais relevantes destaca-se a inédita operação de VERTREP (Vertical Replenishment) realizada em 2 de maio de 2012, durante a qual foram efetuadas transferências de carga entre o submarino e helicópteros SH-60B Seahawk do Esquadrão HSL-42, da Marinha dos Estados Unidos. O exercício evidenciou o elevado grau de interoperabilidade alcançado em operações combinadas. Ao longo dos sucessivos Períodos de Manutenção Geral (PMG), tanto o Tikuna quanto os submarinos remanescentes da Classe Tupi receberam importantes atualizações tecnológicas. Entre elas destacou-se a incorporação do Sistema de Combate Integrado AN/BYG-501 MOD 1D, que possibilitou o emprego dos torpedos pesados Mk 48 Mod 6AT ADCAP também pelos submarinos da Classe Tupi, elevando significativamente sua capacidade operacional. Apesar da excelente folha de serviços, tornou-se evidente que, a médio prazo, a Classe Tupi deveria ser substituída. Esse entendimento levou, em 2008, à criação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), fruto de um acordo firmado entre o Brasil e a França para transferência de tecnologia e construção de quatro submarinos convencionais derivados da Classe Scorpène. A concentração dos investimentos no PROSUB resultou no cancelamento da construção da segunda unidade da Classe Tikuna, o Tapuia (S35). Posteriormente, diante dos atrasos na entrada em serviço dos novos submarinos da Classe Riachuelo, foram conduzidos, em 2019, estudos para remotorização dos submarinos Timbira (S32) e Tapajó (S33), mediante a instalação de motores MTU Série 396, elevando seus sistemas de propulsão ao padrão da classe Tikuna e prolongando sua vida útil operacional. Entretanto, restrições orçamentárias impediram a execução desse programa. Mais do que introduzir uma nova classe de submarinos, o programa Tupi/Tikuna consolidou o domínio nacional sobre o ciclo completo de projeto, construção, manutenção e modernização de submarinos convencionais. Essa experiência constituiu um dos principais alicerces tecnológicos e industriais que tornaram possível o desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e abriram caminho para a futura construção do submarino de propulsão nuclear brasileiro.

Em Escala.
Para representar o submarino IKL-209 1400 Classe Tupi  - S30 Tupi, fizemos uso do novo kit em resina na escala 1/350 do fabricante brasileiro Argus Model. Empregamos alguns detalhamentos em scratch e photo etched (estes oriundos de outros modelos). Decais impressos pelo fabricante, presentes no modelo completam o conjunto. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão aplicado aos quatro submarinos da classe IKL-209 Tupi e ao único IKL 209 Mod Tikuna, operados pela Marinha do Brasil. Este esquema com variações na identificação dos navios  seria utilizado em todos os submarinos destas classes até ao seu descomissionamento, ou até os dias de hoje dos navios que ainda se mantém na ativa.  Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors. 
Bibliografia
- Os U-boot na Segunda Guerra Mundial (1939-1942) – Parte 1- https://historiamilitaremdebate.com.br/
- Submarino Tipo 206 - Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Type_206_submarine
- Submarino Tipo 209 - Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Type_209_submarine
- Força da Submarinos 90 Anos - 1914-2004; Niterói; ComFors; 2004.
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil


Classe Oberon - Submarino de Ataque


História e Desenvolvimento.
A experiência adquirida pela Marinha Alemã (Kriegsmarine) durante a Segunda Guerra Mundial transformou profundamente a evolução da guerra submarina. Ao longo do conflito empregariam com eficiência diversas classes de U-Boots, que, em muitos aspectos, apresentavam desempenho e soluções tecnológicas superiores às de seus equivalentes aliados. O ápice foi alcançado com o revolucionário Tipo XXI, considerado o primeiro verdadeiramente concebido para operar submerso durante a maior parte de suas missões. Embora tenha entrado em serviço tardiamente para influenciar o desfecho da guerra, seu projeto estabeleceu os fundamentos da arquitetura  desenvolvidos em todo o mundo nas décadas seguintes. No pós-guerra, as potências navais passaram a estudar detalhadamente as inovações introduzidas pelo Tipo XXI. Entre elas, a Marinha Real (Royal Navy) rapidamente iniciou um amplo programa de modernização de sua força submarina, motivado sobretudo pela crescente expansão da frota submarina soviética. Tornava-se imprescindível desenvolver uma nova geração de submarinos capazes de enfrentar os desafios impostos pelo novo cenário estratégico, caracterizado por operações prolongadas de patrulha, maior discrição acústica e capacidade de permanência submersa. Como resultado surgiu a classe Porpoise, cujo projeto incorporava diversos conceitos derivados do Tipo XXI alemão. Embora maiores em deslocamento, essas embarcações apresentavam um casco mais compacto e hidrodinamicamente refinado do que os submarinos da antiga classe T, refletindo uma nova filosofia de projeto voltada para o desempenho em imersão. Seu casco resistente era construído com a liga especial de aço UXW, significativamente mais resistente que a empregada na geração anterior, permitindo operações em maiores profundidades com elevados padrões de segurança estrutural. O projeto introduziu importantes avanços em habitabilidade e autonomia. Os modernos sistemas de recirculação e purificação do ar possibilitavam longos períodos de permanência submersa, reduzindo a necessidade de emergir ou utilizar o esnorquel, característica de grande importância em um ambiente  cada vez mais dominado por sensores de detecção e aeronaves de patrulha marítima. Os primeiros submarinos da classe Porpoise entraram em serviço a partir de 1956, e embora apenas 8  tenham sido construídas, seu elevado desempenho  proporcionou  uma capacidade submarina moderna e eficaz, contribuindo significativamente para o equilíbrio estratégico nas águas do Atlântico Norte durante a fase inicial da Guerra Fria. Entretanto, a rápida evolução tecnológica observada ao longo da década de 1950 logo evidenciou que seriam necessárias novas melhorias, pois  a classe Porpoise, apesar de seu sucesso, possuía limitações que deveriam ser superadas em uma futura geração. Foi nesse contexto que, em 1955, o Almirantado Britânico iniciou os estudos para uma nova classe com o objetivo de preservar as qualidades operacionais da classe Porpoise, incorporando ao mesmo tempo melhorias estruturais, hidrodinâmicas que aumentassem sua capacidade de sobrevivência e seu desempenho em combate. 

O  projeto recebeu a designação de classe Oberon, apresentando 89,9 metros de comprimento, 8,7 metros de boca e 5,48 metros de calado, receberia novas soluções destinadas a aumentar a resistência estrutural, reduzir a assinatura acústica e aperfeiçoar suas características hidrodinâmicas, tornando-os ainda mais silenciosos e eficientes durante operações submersas. Em substituição ao aço UXW utilizado na classe Porpoise, passou-se a empregar o novo aço de alta resistência QT28, que, oferecendo maior robustez estrutural, e melhor comportamento durante o processo de fabricação e soldagem. Essa evolução permitiu ampliar a profundidade operacional, aumentando sua capacidade de sobrevivência diante das modernas armas antissubmarino. Outra inovação foi a utilização de plástico reforçado com fibra de vidro (GRP) na construção da estrutura externa da seção de proa e de outros componentes não estruturais. Além de reduzir o peso total,  apresentava elevada resistência à corrosão e contribuía para minimizar interferências em sensores e equipamentos, favorecendo o desempenho hidrodinâmico e permitindo que operassem em profundidades ainda maiores do que seus antecessores. Seu projeto estabelesceria novos padrões de eficiência operacional entre os submarinos convencionais. Um dos avanços mais significativos foi a introdução do conceito de "one man control", que permitia que um único operador controlasse simultaneamente o rumo e a profundidade da embarcação. Para isso, foi adotado um sistema de comandos inspirado nos controles de aeronaves, reunindo em um único posto as principais funções de navegação submersa. Essa solução reduzia a carga de trabalho da tripulação, aumentava a precisão das manobras e representava um importante salto tecnológico na automação dos submarinos convencionais, tornando a classe  uma das mais modernas de seu tempo. A propulsão permanecia baseada no consagrado sistema diesel-elétrico, considerado à época a solução mais eficiente para submarinos convencionais de longo alcance. O conjunto era composto por dois motores diesel Admiralty Standard Range ASR1 16VMS, de 16 cilindros em "V", cada um acionando um gerador elétrico de 1.280 kW, operando a 880 volts. A energia produzida alimentava diretamente dois motores elétricos principais, com potência aproximada de 3.000 shp (2.200 kW) cada, responsáveis por movimentar as duas hélices, ou era utilizada para recarregar o banco de baterias de chumbo-ácido empregado durante a navegação submersa. Como ocorria em todos os submarinos  da época, os motores diesel somente podiam operar com suprimento contínuo de ar atmosférico, enquanto a embarcação navegava na superfície quanto em profundidade periscópica, utilizando o sistema de snorkel. Dois mastros retráteis instalados na vela permitiam, simultaneamente, a admissão de ar fresco para alimentar os motores e renovar o ambiente interno, enquanto um segundo duto expelia os gases resultantes da combustão para a atmosfera. Esse sistema permitia prolongar significativamente o tempo de permanência submersa, reduzindo sua vulnerabilidade à detecção.

Projetados para missões de guerra antissubmarino (ASW), receberam  08 tubos lança-torpedos de 533,4 mm, sendo 06 instalados na proa e 02 tubos de menor comprimento posicionados na popa, destinados principalmente à autodefesa contra inimigos que se aproximassem por ré. A dotação  previa o transporte de 20 torpedos para os tubos de proa,  combinando os modernos torpedos guiados Mark 24 Tigerfish com os tradicionais Mark 8, de trajetória reta, que continuavam sendo empregados em determinadas situações táticas. Os tubos de popa permaneciam carregados com dois torpedos Mark 20S, destinados exclusivamente à defesa imediata da embarcação. Podia ainda ser convertidos para missões de minagem ofensiva, podendo portar até 50  minas, incluindo os modelos Mark 5 Stonefish e Mark 6 Sea Urchin, ampliando consideravelmente sua flexibilidade operacional e sua capacidade de atuar em operações de bloqueio marítimo e negação de áreas. Outro aspecto que distinguia a classe  era a incorporação de sistemas eletrônicos mais avançados do que aqueles disponíveis na geração anterior. O sistema de direção de tiro era controlado pelo computador digital Ferranti TIOS 24B, equipamento que integrava as informações provenientes dos sensores de bordo, calculando automaticamente as soluções de tiro e aumentando sensivelmente a precisão dos ataques. A suíte de sensores também representava um importante avanço tecnológico. Na parte superior da proa encontrava-se um grande domo acústico que abrigava o sonar THORN EMI Type 197CA, um sistema de média frequência capaz de operar nos modos ativo e passivo, destinado tanto à busca quanto ao acompanhamento e ataque de alvos submersos. Complementando esse conjunto, o dispunha do hidrofone lateral de baixa frequência BAC Type 2007AA, especialmente desenvolvido para detecção passiva de contatos a grandes distâncias. O projeto seria aprovado pelo almirantado inglês, levando em setembro de 1957 a celebração de um contrato para a construção de 13 navios, com sua construção distribuída entre os renomados estaleiros britanicos Chatham Dockyard, Cammell Laird, Vickers-Armstrongs e Scotts Shipbuilding & Engineering Company, permitindo acelerar a produção e garantir a rápida incorporação dos novos submarinos à esquadraO primeiro exemplar da nova classe, o HMS Orpheus (S16), entrou em serviço em 1960, sendo seguido pelo HMS Oberon (S09) em 1961, embarcação que daria nome à classe. Nos anos seguintes foram incorporados os submarinos HMS Ocelot, HMS Odin, HMS Olympus, HMS Onslaught, HMS Opossum, HMS Orpheus, HMS Osiris, HMS Otter, HMS Otus e, por fim, o HMS Onyx, comissionado em 1967, completando a formação da força submarina prevista pelo programa. Em serviço operacional, os submarinos da classe Oberon rapidamente conquistaram uma reputação excepcional. Seu elevado grau de silêncio acústico era considerado superior ao de muitos submarinos convencionais contemporâneos, incluindo alguns dos modelos mais modernos operados pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). 

Essa característica, combinada à excelente autonomia e aos modernos sistemas de sensores, transformou-os em plataformas ideais para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Durante o auge da Guerra Fria,  foram frequentemente empregados em operações clandestinas ao longo das áreas de interesse estratégico da OTAN. Essas missões incluíam a coleta de informações sobre atividades navais soviéticas, o monitoramento de rotas marítimas sensíveis e a infiltração ou extração de equipes de forças especiais em regiões costeiras. Muitas dessas operações permaneceram classificadas por décadas, evidenciando a importância estratégica que esses submarinos desempenharam no confronto indireto com o bloco soviético. O sucesso operacional da classe despertou o interesse de outras marinhas. Posteriormente, submarinos Oberon operados pelo Canadá e pela Austrália desempenhariam funções semelhantes em áreas de elevada importância geopolítica, incluindo o Oceano Ártico, o Pacífico Ocidental, o Sudeste Asiático e o Mar do Japão, contribuindo para os esforços de vigilância e contenção durante as décadas finais da Guerra Fria. O primeiro cliente internacional da classe foi a Marinha Canadense (Royal Canadian Navy), que formalizou sua aquisição no início da década de 1960 como parte de um programa de modernização de sua força submarina. Os submarinos destinados ao Canadá foram adaptados para atender aos requisitos específicos do país, incorporando melhorias nos sistemas de climatização e habitabilidade, essenciais para operações prolongadas em águas frias. Além disso, buscou-se empregar o maior número possível de componentes produzidos pela indústria canadense, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a base industrial nacional. Outra diferença significativa encontrava-se no armamento. Enquanto os submarinos britânicos utilizavam torpedos desenvolvidos no Reino Unido, os exemplares canadenses foram equipados com armamentos norte-americanos, inicialmente os torpedos guiados Mark 37, posteriormente substituídos pelos mais modernos e eficazes Mark 48, considerados entre os melhores torpedos pesados do mundo em sua época. Os três submarinos construídos para o Canadá receberam os nomes HMCS Ojibwa, HMCS Onondaga e HMCS Okanagan, sendo incorporados à frota canadense em 23 de setembro de 1965, 22 de junho de 1967 e 22 de junho de 1968, respectivamente. Ao longo de suas carreiras, desempenharam papel fundamental na vigilância das águas do Atlântico Norte e na integração das forças navais canadenses aos dispositivos de defesa da OTAN. Em meados da década seguinte, a Marinha Canadense buscou ampliar sua capacidade operacional por meio da aquisição de 02 unidades adicionais provenientes da Marinha Real (Roya Navy). Contudo,  nunca chegaram a ser efetivamente incorporadas ao serviço ativo. Uma delas foi destinada ao treinamento estático de tripulações, enquanto a outra foi utilizada como fonte de peças de reposição, contribuindo para a manutenção e prolongamento da vida útil dos submarinos já em operação.

A Marinha Real Australiana (RAN) celebraria em 1965 um contrato para 04 navios, com o primeiro o HMSA Otway  comissionado em 1968, e os demais 03 submarinos sendo incorporados até o final do ano de 1978.  Seria equipados com sistemas e sonares de origem norte-americana (Sperry Micropuffs) e conjunto e ataque alemão Krupp CSU3-41. Portariam  torpedos norte-americanos Mark 48, podendo carregar até 22 destas armas para os tubos da frente e 06 dos quais foram pré-carregadas. Posteriormente  seriam  atualizados para o emprego de mísseis Harpoon antinavio, com o primeiro lançamento deste sistema ocorrendo  em março de 1985, ao largo da ilha de Kauai, no Havaí, com o HMAS Fornos tornando-se  o segundo submarino convencional no mundo a operar com sucesso estes misseis, acertando o alvo por cima do horizonte.   O Chile se tornaria o terceiro operador da classe Oberon , incorporando entre os anos de 1976 e 1977, dois navios batizados como CNS Obrein e CNS Hyatt. Estes navios diferiam muito pouco dos modelos em uso pela Marinha Real (Roya Navy), e permaneceriam em serviço até 31 de dezembro de 2001 na Marinha do Chile, quando foram substituídos por submarinos franceses da classe Scòrpene (CNS O'Higgins e CNS Carrera). No final da década de 1970, os submarinos da classe Oberon em serviço na Marinha Real Canadense seriam declarados obsoletos, e como ainda se encontravam em bom estado de conservação de cascos e grupo propulsor, seriam conduzidos estudos visando a implementação de um programa de modernização. Esta proposta seria aprovada em fevereiro de 1979, objetivando elevar estes navios a um patamar tecnológico satisfatório que os capacitasse a operar a serviço da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no monitoramento de submarinos soviéticos no Oceano Atlântico. Este processo denominado como Programa de Atualização Operacional de Submarinos (SOUP) seria desenvolvido para lidar com a capacidade operacional dos submarinos juntamente com um Acordo de Apoio Logístico (LSA) para aquisição de mais peças de reposição. Em termos de atualização seriam incorporados os sistemas de controle de fogo norte-americanos Singer Librascope Mark I digital, sonar de alcance passivo Sperry, periscópios, comunicações e sistemas de controle de incêndio, além da customização para operação com torpedos MK-48. Este seria o único programa realizado em todos os 27 navios desta classe, estendendo a vida útil destes navios até o final da década de 1990, quando foram substituídos pelos submarinos da classe Upholder. Cabe o registro de que no ano de 1982 durante a Guerra das Falklands – Malvinas, o HMS Onyx operaria no arquipélago em conflagração, desembarcando membros o Special Boat Service (SBS - Serviço Especial de Barco). Todos os submarinos da classe Oberon da Marinha Real (Royal Navy), seriam retirados da ativa até o final da década de 1980, sendo substituídos pelos navios convencionais de propulsão diesel elétrico das classes  Upholder e  Collins.    

Emprego na Marinha do Brasil.
Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, a Flotilha de Submersíveis  mantinha-se operacional com grande dificuldade, contando apenas com 04  submarinos de origem italiana das classes Balilla e Humaytá, cujas limitações técnicas já os tornavam praticamente incapazes de atender às exigências da moderna guerra submarina. Esse quadro de acentuada defasagem persistiu até meados da década de 1950, quando o governo brasileiro decidiu iniciar um amplo processo de modernização da força, baseado na aquisição de submarinos usados provenientes da reserva da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), por intermédio do Programa de Assistência para Defesa Mútua (MDAP). Como resultado desse esforço, em 1957 foram incorporados os submarinos Humaitá (S-14), ex-USS Muskallunge (SS-262), e Riachuelo (S-15), ex-USS Paddle (SS-263), ambos pertencentes à classe Gato. A chegada dessas embarcações representou um importante marco para a recuperação da capacidade operacional. Dotados do computador eletromecânico de direção de tiro TDC (Target Data Computer) Mk 3 Mod.5 e do moderno sonar passivo JP-1, os novos submarinos proporcionaram um significativo salto tecnológico em relação aos antigos navios italianos, restabelecendo uma capacidade mínima de emprego operacional e permitindo a retomada do adestramento em técnicas contemporâneas de guerra submarina. Em 1963, a tradicional Flotilha de Submersíveis foi reorganizada e passou a denominar-se Força de Submarinos, sendo criada, no mesmo ano, a Escola de Submarinos, responsável pela formação e especialização de oficiais e praças submarinistas. Ainda em 1963, seriam incorporados 02 submarinos da classe Balao, o Rio Grande do Sul (S-11) e o Bahia (S-12). Uma nova etapa de modernização teve início em 1972,  com o recebimento gradual de 07 navios das Classes GUPPY II e III, a saber o  Guanabara (S-10), ex-USS Dogfish (SS-350); Rio Grande do Sul (S-11), ex-USS Grampus (SS-523); Bahia (S-12), ex-USS Sea Leopard (SS-483); Rio de Janeiro (S-13), ex-USS Odax (SS-484); Ceará (S-14), ex-USS Amberjack (SS-522); Goiás (S-15), ex-USS Trumpetfish (SS-425); e Amazonas (S-16), ex-USS Greenfish (SS-351). Esses submarinos representaram um salto qualitativo decisivo, introduzindo novos conceitos táticos e operacionais decorrentes das profundas modernizações realizadas pelo programa Greater Underwater Propulsion Power . Entre as principais inovações destacavam-se a adoção do esnorquel, baterias de maior capacidade, casco hidrodinamicamente aperfeiçoado, sensores mais modernos e melhores características de navegação submersa, aproximando-os do conceito dos submarinos convencionais do pós-guerra. Nesse contexto, o Rio Grande do Sul (S-11) destacou-se por realizar, pela primeira vez , operações empregando o sistema de esnorquel, marco que lhe valeu o título de "O Pioneiro". A introdução desse equipamento revolucionou a doutrina de emprego, permitindo longos períodos de navegação submersa sem a necessidade de emergir para recarregar as baterias, aumentando significativamente a discrição, a autonomia e a capacidade de sobrevivência.

Embora os submarinos das classes Gato, Balao e GUPPY II/III em serviço no pais, ainda apresentassem desempenho satisfatório no cumprimento de suas missões, tratava-se de embarcações concebidas e construídas durante a década de 1940, que já evidenciavam acentuado desgaste estrutural e crescente defasagem tecnológica diante dos modelos de nova geração. Além da fadiga natural do casco, seus sistemas de propulsão, sensores e direção de tiro tornavam-se progressivamente inadequados para enfrentar as exigências impostas pela moderna guerra submarina. A necessidade de renovação  foi incorporada ao Programa de Reaparelhamento, cuja revisão, realizada no final da década de 1960, estabeleceu um ambicioso plano de modernização. Previa a incorporação de dezenas de navios de combate e de apoio e  nesse contexto, a renovação da Força de Submarinos  passou a ocupar posição de destaque.  Diferentemente do programa de construção das novas fragatas, cuja fabricação poderia ser gradualmente absorvida pela indústria naval nacional, a construção de submarinos foi considerada inviável naquele momento, tendo em vista a necessidade de implementar rapidamente uma moderna doutrina operacional. A elevada complexidade tecnológica dessas embarcações, aliada à inexistência de experiência nacional em seu projeto e fabricação, levaria a opção pela aquisição embarcações no mercado internacional. Assim, em 1968,  foram iniciados estudos destinados à seleção de um novo submarino convencional, envolvendo propostas apresentadas por diversos estaleiros internacionais. Após criteriosa avaliação técnica e operacional, a escolha recaiu sobre a proposta da Vickers Limited, do Reino Unido, cuja oferta destacava-se não apenas pelas excelentes características da embarcação, mas também pela disposição do governo britânico em autorizar a exportação de sistemas e equipamentos de tecnologia mais avançada, sem as restrições normalmente impostas por outros fornecedores. A aquisição dessas duas unidades foi oficialmente aprovada durante a revisão do Programa de Construção Naval de 1968, por meio do Aviso nº 1502 (Confidencial), de 16 de maio de 1968, marcando o início de uma nova etapa na evolução da Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Estes seriam  equipados com uma eletrônica embarcada inédita em submersíveis no pais até então, sendo composta principalmente pelo sistema digital de direção de tiro Ferranti TIOS 24B, que fazia uso de computadores eletrônicos dedicados ao cálculo automático de soluções de tiro, representando um significativo salto tecnológico em relação aos sistemas eletromecânicos empregados nas classes anteriores. O conjunto de sensores também representava uma evolução substancial, sendo composto pelo sonar passivo/ativo de média frequência Thorn EMI Type 197CA, instalado em um grande domo na região da proa e destinado às missões de busca, acompanhamento e ataque, complementado pelo hidrofone lateral de baixa frequência BAC Type 2007AA, otimizado para detecção passiva de contatos submarinos a longas distâncias. 
O Humaitá (S-20) teve sua quilha foi batida em 3 de novembro de 1970, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, em Barrow-in-Furness, durante cerimônia que contou com a presença do Ministro da Marinha e autoridades de alto escalão. O lançamento ao mar ocorreu em 5 de outubro de 1971 e após  a conclusão dos trabalhos de acabamento, instalação dos sistemas e realização dos ensaios de mar, o submarino foi submetido à Mostra de Armamento e oficialmente incorporado em 18 de junho de 1973, conforme o Aviso nº 0466, de 25 de maio de 1973. Em 16 de outubro de 1973, suspendeu de Barrow-in-Furness, durante a travessia realizou escalas em Portsmouth (Reino Unido), Lisboa (Portugal), Las Palmas (Ilhas Canárias) e Dakar (Senegal), chegando ao porto de Recife, em 30 de novembro de 1973. Essa viagem marcou um feito inédito para a Marinha do Brasil. O trecho entre Dakar e Recife foi percorrido integralmente em imersão, tornando-se a primeira travessia transatlântica realizada submersa por um submarino brasileiro. A navegação permaneceu em imersão durante aproximadamente doze dias e meio, demonstrando, na prática, as elevadas capacidades operacionais da classe e o amadurecimento técnico alcançado. Ao longo das décadas de 1970 e 1980,  participou intensamente dos principais exercícios navais nacionais e multinacionais. Entre eles destacaram-se as operações UNITAS XV, UNITAS XVI, UNITAS XIX, READEX I/77, READEX 78, ASPIRANTEX 88/TROPICALEX I/88 e TEMPEREX I/88, consolidando-se como um dos submarinos mais ativos da esquadra. Em 1987, estabeleceu um novo recorde operacional ao permanecer 23 dias consecutivos em imersão durante uma travessia entre a costa africana e o Brasil, demonstrando a elevada confiabilidade da plataforma e o elevado grau de preparo de sua tripulação. O intenso ritmo operacional manteve-se durante a década de 1990. Ao completar 20 anos de serviço, em 1993, já havia acumulado mais de 14.000 horas de navegação em imersão, sendo agraciado, pela primeira vez, com o Troféu Eficiência, distinção concedida às unidades que mais se destacavam em desempenho operacional e preparo. Em 26 de abril de 1995, participou de um exercício inédito de operações especiais realizado ao sul da Ilha Grande, envolvendo um encontro oceânico com uma aeronave C-115 Búfalo do 1º GTT. Durante a missão, uma equipe de 07 Mergulhadores Especiais de Combate (MEC) foi lançada de paraquedas e recolhida pelo submarino em alto-mar. Após o embarque, os militares executaram, com êxito, um ataque simulado contra o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry (K-11), fundeado em uma enseada na porção norte da Ilha Grande. A operação constituiu um importante marco na integração entre a aviação de transporte e as forças especiais. Após quase vinte e três anos de intenso emprego operacional, o Humaitá (S-20) foi desativado em 8 de abril de 1996. Durante sua carreira na Marinha do Brasil, percorreu 151.258,7 milhas náuticas, acumulou 1.193,5 dias de mar, mais de 14.000 horas de navegação em imersão e realizou o lançamento de 173 torpedos em exercícios e programas de adestramento.

O  Tonelero (S-21) teve sua quilha batida em 15 de novembro de 1971, e o lançamento ao mar ocorreu em 22 de novembro de 1972, em cerimônia que contou com a presença de representantes da Marinha do Brasil e da indústria naval britânica. Em 2 de outubro de 1973, quando a construção já se encontrava em estágio avançado, um incêndio de grandes proporções atingiu o submarino ainda no estaleiro. O sinistro provocou sérios danos aos compartimentos internos, sistemas elétricos, cabeamento e equipamentos já instalados, exigindo a reconstrução de parte significativa da embarcação. Como consequência, o cronograma original sofreu um atraso de aproximadamente quatro anos. Concluídos os extensos trabalhos de recuperação e os ensaios de aceitação,  foi submetido à Mostra de Armamento e incorporado ao serviço ativo em 10 de dezembro de 1977.  Antes de sua entrega definitiva, em 1º de novembro de 1977, a embarcação foi aceita pelo Presidente do Grupo de Fiscalização e Recebimento de Submarinos na Inglaterra (GFRSI). Na sequência, foi submetida ao programa de avaliação operacional (work-up), durante essa fase, realizou provas completas de desempenho, incluindo testes em raia acústica, procedimentos de desmagnetização (degaussing) e avaliações do sistema de direção de tiro durante os Weapons Sea Trials, certificando plenamente suas capacidades operacionais antes da entrega à Marinha do Brasil. Em 25 de julho de 1978,  suspendeu de Barrow-in-Furness, durante a travessia estabeleceu um novo recorde para  ao permanecer 20 dias e meio em imersão contínua, totalizando 481 horas e 54 minutos e percorrendo 2.675,8 milhas náuticas sem necessidade de emergir. Ao longo das duas décadas seguintes,  participou de praticamente todos os principais exercícios navais promovidos pela Marinha do Brasil e de operações combinadas com marinhas estrangeiras, consolidando-se como uma das unidades mais empregadas contribuindo decisivamente para o aperfeiçoamento da doutrina nacional de guerra submarina. Em 1997, durante um extenso Período de Manutenção Geral, recebeu uma importante modernização de seus sistemas de detecção. O sonar original Thorn EMI Type 187 foi substituído pelo moderno Atlas Elektronik CSU 90-61, integrado ao sistema de direção de tiro Ferranti TIOS, ampliando significativamente a capacidade de detecção, classificação e acompanhamento de contatos submarinos e de superfície. O sonar de busca Type 2004 foi mantido em serviço, preservando a arquitetura original da suíte de sensores. Após 24 anos de intensa atividade operacional,  foi desativado em 21 de junho de 2001, conforme o Aviso Ministerial de 13 de junho de 2001. Ao encerrar sua carreira, havia acumulado 168.368 milhas náuticas navegadas, das quais 80.636 milhas em imersão, totalizando 1.286 dias de mar, 18.468 horas de navegação submersa e o lançamento de 154 torpedos durante exercícios e programas de adestramento. À época de sua baixa, detinha os recordes da Força de Submarinos em horas de imersão e dias de mar, refletindo uma trajetória marcada por elevado índice de emprego operacional e importante contribuição para a consolidação da doutrina submarina.
O bom desempenho operacional  levaria em maio de 1972 a  negociações para a construção de uma terceira unidade, conforme estabelecido pelo Memorando nº 0048, de 24 de maio de 1972, da Diretoria-Geral do Material da Marinha (DGMM). As tratativas culminaram na assinatura da Emenda Contratual nº 59, em 18 de agosto de 1972, que autorizou formalmente sua construção. Receberia o nome de Riachuelo (S-22), em homenagem à histórica Batalha Naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865 durante a Guerra da Tríplice Aliança. Sua quilha foi batida em 26 de maio de 1973, nas instalações do estaleiro Vickers Limited, com seu lançamento ao mar ocorrendo em 6 de setembro de 1975.  Concluídos os ensaios de aceitação,  foi submetido à Mostra de Armamento e incorporado em 12 de março de 1977. Logo após sua incorporação, foi submetido ao programa de certificação operacional (work-up), sendo realizadas provas completas de desempenho, incluindo testes em raia acústica, procedimentos de desmagnetização (degaussing) e a verificação do sistema de direção de tiro durante os Weapons Sea Trials, sendo considerado plenamente apto ao serviço operacional. Em 28 de julho de 1978, uspendeu de Barrow-in-Furness, iniciando sua viagem de entrega ao Brasil.  Ao longo de mais de duas décadas de serviço, participou dos principais exercícios navais nacionais e internacionais realizados pela Marinha do Brasil, entre os quais se destacam as operações UNITAS XVIII, UNITAS XIX, UNITAS XXI, UNITAS XXII, UNITAS XXVI e UNITAS XXVII, além dos exercícios DRAGÃO XIII, DRAGÃO XVII, Operação Anfíbia PISCES, ATLANTIS, FASEX II, ARRASTÃO X, INOPINEX 81, COSTEIREX-SE I, FRATERNO IX, FRATERNO XII, CARIBE/88, INTERPORTEX e ASPIRANTEX NORTE/94. Durante seu Período de Manutenção Geral (PMG),  recebeu importantes aperfeiçoamentos técnicos, destacando-se a substituição do conjunto original de baterias por novas baterias de grande capacidade produzidas no Brasil pela empresa Saturnia Ltda.. O Riachuelo tornou-se, assim, o primeiro submarino da classe  e o segundo da Marinha do Brasil a operar com esse novo sistema de acumulação de energia, aumentando sua autonomia em imersão e reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. Em 12 de novembro de 1997, após mais de 20 anos de intensa atividade operacional, o Riachuelo (S-22) foi oficialmente retirado do serviço ativo. Na ocasião, foi submetido à Mostra de Desarmamento e reclassificado durante cerimônia realizada na Base Almirante Castro e Silva (BACS). Ao longo de sua carreira,  percorreu 181.924 milhas náuticas, acumulou 1.283,5 dias de mar, 17.699 horas e 41 minutos de navegação em imersão e realizou o lançamento de 172 torpedos durante exercícios e programas de adestramento. Após sua desativação,  foi preservado por seu elevado valor histórico e transferido ao Serviço de Documentação da Marinha (SDM), sendo convertido em Submarino-Museu. Atualmente encontra-se atracado no cais do Espaço Cultural da Marinha, nas proximidades da Praça XV de Novembro, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Em Escala.
Para representarmos o submarino da classe Oberon (Humaitá) S22 Riachuelo pertencente a Força de Submarinos da Marinha do Brasil, fizemos uso do kit em resina na escala 1/350 produzido pela OZ Mods. Não há a necessidade de se implementar qualquer alteração no modelo para se compor a embarcação operada no pais.  Fizemos uso de decais constantes no próprio kit, que permitem representar os três submersíveis brasileiros desta classe.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o único padrão de pintura empregado em todos nos submarinos da classe Oberon (Humaitá). Este esquema com pequena com variações na identificação dos navios seria utilizado em todos os submarinos desta classe até sua retirada do serviço ativo, entre os anos de 1996, 1997 e 2001. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors. 
Bibliografia : 
Submarinos Classe Oberon - https://en.wikipedia.org/wiki/Oberon-class_submarine
- Cesare Laurenti – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Laurenti 
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/ 

Classe Gato - Submarino de Ataque

História e Desenvolvimento.
O agravamento das tensões internacionais na Europa e na Ásia durante a década de 1930 levou os Estados Unidos a acelerar a modernização de suas Forças Armadas, preparando-se para um cenário em que o poder naval desempenharia papel decisivo. A experiência obtida com as classes de submarinos Porpoise, Salmon e Sargo evidenciou limitações em velocidade de superfície, autonomia e poder ofensivo, reforçando a necessidade de um novo projeto capaz de acompanhar as forças-tarefa da esquadra em operações de longa duração. Nesse contexto surgiu o conceito do "Submarino de Frota" (Fleet Submarine), concebido para atuar integrado às forças navais de superfície. Sua missão principal consistia em realizar reconhecimento avançado, identificar a composição, velocidade e rumo das formações inimigas, transmitir essas informações ao comando e, quando oportuno, atacar antes do confronto entre as principais forças de superfície. Para atender a esta demanda, precisariam dispor de elevada velocidade em superfície, grande autonomia para operar em longas distâncias, robusto armamento de torpedos e condições adequadas para extensas patrulhas oceânicas. Os estudos para o desenvolvimento da nova classe tiveram início em 1937 sob a coordenação do Bureau of Construction and Repair (BuC&R) e do Bureau of Engineering (BuEng), que trabalharam em estreita cooperação com os principais estaleiros navais do país. O resultado desse esforço foi um projeto completamente novo, cujo casco possuía aproximadamente 93,6 mts de comprimento, deslocando cerca de 1.475 ton na superfície e pouco mais de 2.370 ton. em imersão. O desenho empregava o conceito de casco parcialmente duplo, que proporcionava maior resistência estrutural, ampliava a capacidade de armazenamento de combustível e melhorava a flutuabilidade. A disposição interna dos compartimentos também foi aperfeiçoada, oferecendo melhores condições de habitabilidade para uma tripulação composta por  80  homens.  A construção da nova classe foi autorizada dentro do programa naval do ano fiscal de 1939, sendo contratadas 12 unidades. O primeiro exemplar, o USS Tambor (SS-198), foi lançado ao mar em dezembro de 1939 e incorporado à frota em junho de 1940. Nos meses seguintes, as demais embarcações passaram a entrar em serviço, formando a primeira classe de submarinos norte-americanos plenamente compatível com o conceito operacional de "Submarino de Frota". As primeiras patrulhas de guerra foram realizadas ainda em dezembro de 1941, a partir das bases de Pearl Harbor, Midway e Cavite, nas Filipinas. Entretanto, os resultados iniciais ficaram aquém das expectativas. Além da reduzida experiência de combate das tripulações, enfrentaram-se graves falhas com os torpedos Mark 14, mas a medida que estas deficiências foram sendo corrigidas a eficiência operacional da classe aumentou de forma expressiva. Desta maneira consolidou-se como o verdadeiro marco inicial da linhagem de submarinos oceânicos que conduziria a campanha submarina responsável por estrangular a logística marítima japonesa. 

A deterioração do cenário internacional, aliada à crescente probabilidade de um conflito de grandes proporções no Oceano Pacífico, levou a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) a autorizar o desenvolvimento de uma versão aperfeiçoada de seus submarinos. Essa necessidade resultou na criação da classe Gato, uma evolução natural do conceito de "Submarino de Frota". A experiência obtida durante os ensaios e os primeiros anos de operação dos submarinos da classe anterior demonstrou que o projeto havia alcançado elevado grau de maturidade, mas ainda oferecia margem para aperfeiçoamentos em autonomia, capacidade de sobrevivência, habitabilidade e eficiência durante longas patrulhas oceânicas. Os trabalhos tiveram início em 1940, sob a coordenação do Bureau of Ships (BuShips), cuja filosofia de projeto consistiu em preservar a arquitetura básica da bem-sucedida classe Tambor, incorporando melhorias estruturais, mecânicas e operacionais identificadas durante sua fase de desenvolvimento e nos primeiros exercícios de avaliação. O resultado foi um submarino maior, mais robusto e melhor adaptado às enormes distâncias do teatro de operações do Pacífico. O comprimento do casco foi ampliado para aproximadamente 95 metros, permitindo a reorganização interna dos compartimentos e o aumento da segurança em combate. A principal modificação consistiu na divisão da antiga sala única de máquinas em dois compartimentos estanques, separados por um anteparo resistente à pressão, cada um abrigando dois motores diesel-geradores. Essa configuração aumentava significativamente a capacidade de sobrevivência da embarcação, pois reduzia o risco de perda total da propulsão em caso de avaria provocada por explosões ou alagamentos. A profundidade operacional de teste foi elevada de 250 pés (76 metros) para 300 pés (91 metros), refletindo a maior confiança dos projetistas na resistência estrutural do casco de pressão. Os submarinos da classe Gato, assim como praticamente todos os submarinos norte-americanos, adotavam uma construção de casco parcialmente duplo. Nesse arranjo, o casco resistente à pressão era envolvido por um casco externo de formato hidrodinâmico, formando espaços destinados aos tanques de combustível e de lastro. O casco externo unia-se ao casco resistente apenas nas extremidades, junto aos compartimentos de torpedos da proa e da popa, caracterizando a configuração conhecida como casco duplo parcial. Essa solução proporcionava maior autonomia, melhor reserva de flutuabilidade e maior proteção aos tanques externos, sem impor o aumento de peso e complexidade de um casco duplo integral. A decisão de ampliar a profundidade operacional foi consequência direta da experiência acumulada com as classes anteriores. Os arquitetos navais concluíram que os critérios empregados anteriormente haviam sido excessivamente conservadores e que a estrutura do casco resistente possuía margem suficiente para suportar pressões significativamente maiores. Dessa forma, sem alterar a espessura das chapas de aço, foi possível elevar a profundidade de teste para 300 pés (91 metros), proporcionando melhores condições de sobrevivência durante ataques antissubmarino.
O sistema de propulsão manteve a consagrada configuração diesel-elétrica empregada na classe Tambor, reconhecida por sua elevada confiabilidade e facilidade de manutenção. Dependendo do estaleiro responsável pela construção, os submarinos eram equipados com motores diesel General Motors Cleveland Diesel, Fairbanks-Morse ou Hooven-Owens-Rentschler, todos acoplados a geradores elétricos que alimentavam 04 motores de propulsão. Esse conjunto permitia atingir velocidade máxima de  21 nós na superfície e cerca de 9 nós em imersão, desempenho suficiente para acompanhar forças-tarefa, deslocar-se rapidamente para as áreas de patrulha e interceptar as principais rotas marítimas inimigas. A capacidade ofensiva permaneceu como um dos principais atributos da classe Gato.  Estavam armados com 10 tubos lança-torpedos de 533 mm, sendo 06 instalados na proa e 04 na popa, podendo transportar até 24 torpedos. As primeiras unidades entraram em serviço equipadas com canhões de 76 mm, posteriormente substituídos por peças de 102 mm  e, por fim, pelo eficiente canhão de 127 mm , que se mostrou particularmente eficaz contra navios mercantes, embarcações de pequeno porte e alvos costeiros. O armamento antiaéreo também foi progressivamente reforçado, passando a incluir canhões automáticos Bofors de 40 mm, Oerlikon de 20 mm e metralhadoras Browning calibre .50, ampliando significativamente sua capacidade de autodefesa durante a navegação em superfície. Outro aspecto que distinguiu a classe foi o aprimoramento das condições de habitabilidade. Como essas embarcações deveriam realizar patrulhas de longa duração, frequentemente superiores a dois meses, foram ampliados os alojamentos da tripulação, instalados sistemas mais eficientes de refrigeração e ventilação, equipamentos de dessalinização de água, além do aumento da capacidade de armazenamento de alimentos, combustível, peças de reposição e munições. Essas melhorias contribuíram para reduzir o desgaste físico das equipagens e manter elevados índices de eficiência operacional durante missões prolongadas. Embora as primeiras unidades tenham entrado em serviço equipadas apenas com sonar passivo, periscópios de elevada qualidade óptica e modernos computadores eletromecânicos de direção de tiro, posteriormente passaram a receber radares de busca de superfície e aérea, receptores de alerta radar, equipamentos de navegação mais precisos e sistemas de comunicações criptografadas. Essas incorporações ampliaram significativamente sua capacidade de localizar alvos, operar durante a noite ou sob condições meteorológicas adversas e coordenar ações com outras unidades da frota. Embora apresentassem um tempo de mergulho superior ao dos submarinos alemães e britânicos  consequência direta de seu maior porte e deslocamento , compensariam essa limitação com uma autonomia muito superior. Projetados para patrulhas de até 75 dias, possuíam alcance suficiente para operar continuamente entre Pearl Harbor, no Havaí, e as águas próximas ao arquipélago japonês, realizando missões de reconhecimento, interdição marítima e guerra de corso sem necessidade de reabastecimento. 

A entrada dos Estados Unidos no conflito, transformou completamente as prioridades, até então, a construção da classe Gato seguia o planejamento estabelecido nos anos fiscais de 1941 e 1942, que previam a substituição  das classes Tambor e Mackerel. Assim o programa assumiu caráter prioritário, com sua produção sendo dividida entre os estaleiros  Electric Boat Company, em Groton (Connecticut); Portsmouth Naval Shipyard, em Kittery (Maine); Mare Island Naval Shipyard, em Vallejo (Califórnia); Manitowoc Shipbuilding Company, em Manitowoc (Wisconsin); e Cramp Shipbuilding Company, na Filadélfia (Pensilvânia). A adoção de um projeto padronizado permitiu racionalizar a fabricação, reduzir prazos de construção e garantir ampla intercambialidade de componentes. A construção do primeiro exemplar, o USS Gato (SS-212), teve início em outubro de 1940,  sendo incorporado em 31 de dezembro. Paralelamente, diversos outros encontravam-se em diferentes estágios, permitindo que, ao longo de 1942, dezenas de unidades fossem sucessivamente incorporadas.  Graças à padronização do projeto, ao emprego de técnicas modernas de fabricação, o tempo médio entre o batimento da quilha e a entrada em serviço foi progressivamente reduzido, e em muitos casos  eram concluídos em menos de 12 meses. Após concluírem o adestramento e os testes operacionais, foram deslocados para Pearl Harbor, Fremantle, na Austrália, e posteriormente para Brisbane e Midway, passando a operar em patrulhas ofensivas nas principais rotas marítimas japonesas. Suas  missões concentraram-se nas Filipinas, no Mar da China Meridional, nas Índias Orientais Holandesas e nas proximidades do arquipélago japonês, realizando reconhecimento, vigilância e ataques contra navios mercantes e embarcações militares. Assim como ocorrera com a classe Tambor, os primeiros combates foram marcados pelas graves deficiências do torpedo Mark 14. Diversos ataques perfeitamente executados resultaram em fracassos, pois os torpedos navegavam abaixo da profundidade programada, explodiam prematuramente ou simplesmente não detonavam ao atingir o alvo. Somente após uma longa série de investigações conduzidas essas deficiências foram definitivamente solucionadas, permitindo que os submarinos passassem a explorar plenamente seu potencial ofensivo. Apesar dos problemas iniciais, rapidamente demonstraram uma capacidade operacional muito superior à das classes que os antecederam, sendo capazes de empreender patrulhas cobrindo as enormes distâncias entre Pearl Harbor e as áreas de operações nas Ilhas Marshall, Marianas, Filipinas, Formosa e até mesmo as águas metropolitanas do Japão. A partir desse momento, tornou-se um dos principais instrumentos da campanha submarina norte-americana no Pacífico, afundando centenas de cargueiros, petroleiros, navios de transporte de tropas e diversas embarcações militares , desempenhando papel decisivo no bloqueio econômico do Japão e na interrupção do fluxo de matérias-primas, combustível e reforços militares provenientes dos territórios conquistados pelo Império do Japão.
O impacto dessa campanha foi tão expressivo que a força submarina  representando menos de 2% do efetivo, foi responsável pela destruição de aproximadamente 55% de toda a tonelagem da marinha mercante japonesa afundada. Navios da classe conquistaram posições de destaque, como o O USS Flasher (SS-249) encerrou o conflito com a maior tonelagem afundada , seguido pelo USS Rasher (SS-269) e pelo USS Barb (SS-220), que ocuparam respectivamente a segunda e a terceira posições nesse ranking.  Foram responsáveis pelo afundamento confirmado de pelo menos 04 submarinos japoneses , um feito relativamente raro em operações deste tipo. Sua atuação não se restringiu à guerra de corso, desempenhando uma ampla variedade de missões estratégicas, incluindo reconhecimento fotográfico de áreas costeiras, coleta de informações de inteligência, inserção e extração de agentes secretos e equipes de comandos, desembarque de grupos de reconhecimento em praias inimigas, resgate de aviadores abatidos e apoio direto às grandes operações anfíbias. Em 1942, 06 unidades foram destacadas para formar o Submarine Squadron 50, baseado em Rosneath, na Escócia, com a missão de patrulhar a Baía da Biscaia e apoiar a Operação Torch. Considerando o elevado valor estratégico desses submarinos no Pacífico, concluiu-se que seu emprego no Atlântico representava um aproveitamento inadequado de recursos, e assim em meados de 1943, retornaram para o Pacífico. Ao longo do conflito, 18 submarinos da classe Gato foram perdidos, o equivalente a cerca de 24% das 77 unidades construídas. A maior parte dessas perdas resultou da ação de navios de escolta japoneses especializados em guerra antissubmarino, seguida por colisões com campos minados defensivos. A aviação japonesa também contribuiu para esse total, destruindo dois submarinos, geralmente durante a navegação em superfície ou na recarga das baterias, momentos em que estavam mais vulneráveis à detecção e ao ataque. Entre as perdas , apenas o USS Corvina (SS-226) foi comprovadamente afundado por outro submarino, sendo destruído pelo japonês I-176 em novembro de 1943. Houve ainda uma perda por acidente operacional, quando o USS Tang (SS-306) foi atingido por um torpedo Mark 18 que, devido a uma falha de guiagem, retornou e atingiu a própria embarcação em outubro de 1944. Ao final da guerra, 56 submarinos da classe Gato permaneciam em serviço, mas os rápidos avanços tecnológicos do conflito fizeram com que já fossem considerados inferiores às mais modernas classes Balao e Tench. Seriam  retirados das missões de primeira linha, sendo destinados à reserva naval, empregados em atividades de treinamento ou transferidos para marinhas de países aliados no âmbito dos programas de assistência militar . Na própria marinha norte-americana, os últimos representantes da classe, o USS Bashaw (SS-241) e o USS Rock (SS-274), foram descomissionados em setembro de 1969, encerrando definitivamente a carreira operacional daquela que foi uma das mais bem-sucedidas classes de submarinos da Segunda Guerra Mundial.

Emprego na Marinha do Brasil.
A trajetória da força submarina está diretamente relacionada ao processo de modernização pelo qual o país passou nas primeiras décadas do século XX. Naquele período, buscava-se consolidar sua posição no cenário internacional como uma nação em desenvolvimento, capaz de acompanhar os avanços tecnológicos e militares observados nas potências mundiais. Esse movimento envolveu profundas transformações econômicas e institucionais, nas quais o fortalecimento das Forças Armadas ocupava papel estratégico como instrumento de soberania. Dentro dessa perspectiva, a incorporação da arma submarina representava  a entrada do país em uma era marcada  pela modernização da guerra naval. Os submarinos, então uma das mais recentes e revolucionárias plataformas de combate, passaram a ser vistos como meios capazes de ampliar a capacidade de defesa de uma nação com extensa costa e importantes linhas de comunicação marítima. Esse processo teve seu primeiro marco em 1914, quando chegaram os primeiros submersíveis, pertencentes à denominada Classe F, classificados como submarinos costeiros de 370 toneladas, equipados com sistema de propulsão diesel-elétrico e armados com dois tubos lança-torpedos, destinados à defesa das áreas portuárias e do litoral. Sua operação  exigiu em julho de 1914, a criação de uma estrutura especializada, a Flotilha de Submersíveis, sediada na Ilha de Mocanguê Grande, em Niterói, tendo como seu primeiro comandante o Capitão de Fragata Filinto Perry, oficial que se tornaria uma das figuras fundamentais na consolidação da arma submarina . O desenvolvimento da força submarina prosseguiu ao longo das décadas seguintes. Em 1928, a flotilha recebeu um reforço significativo com a incorporação do Submarino-de-Esquadra Humaytá, uma embarcação italiana de maior porte projetada para operações oceânicas. Entretanto, o avanço tecnológico fez com que os submarinos da Classe F rapidamente se tornassem obsoletos. Após quase duas décadas de serviço, essas unidades foram retiradas de operação em 1933, deixando uma lacuna que somente seria preenchida alguns anos depois. Em 1937, foram incorporados 03 modernos navios italianos da classe Perla, que receberam a designação Classe T, em razão dos nomes atribuídos às embarcações: Tupy, Tymbira e Tamoyo. A Segunda Guerra Mundial representou um período de grande importância, embora não tenham realizado ataques contra unidades inimigas, seu emprego no Atlântico Sul esteve diretamente ligado ao esforço aliado de controle das rotas marítimas e combate à ameaça submarina representada pelas forças do Eixo. Durante o conflito,  foram empregados principalmente em missões de adestramento, patrulha, vigilância e treinamento de guerra antissubmarino.  Com o término da guerra, entretanto, tornou-se evidente que a força enfrentava um novo desafio.  A frota permanecia limitada  composta pelos  submarinos da Classe T e pelo antigo Humaytá, já apresentando sinais de desgaste e envelhecimento tecnológico. 

A renovação dessa capacidade ocorreu no contexto do estreitamento das relações  entre Brasil e Estados Unidos, a cooperação militar estabelecida  abriu novas perspectivas para a modernização das Forças Armadas Brasileiras, permitindo o acesso a equipamentos mais modernos e compatíveis com as novas exigências da guerra naval do pós-guerra. Nesse cenário, a partir de 1955, o Ministério da Marinha iniciou negociações, por intermédio de seus adidos navais em Washington, junto ao Departamento de Estado, com o objetivo de obter pelo menos dois submarinos usados, no âmbito do Programa de Assistência Militar Brasil–Estados Unidos. Naquele momento,  mantinha-se na Base Naval de New London, em Connecticut, um expressivo número de submarinos da classe Gato pertencentes à Reserva da Esquadra do Atlântico. Essas embarcações não haviam sido selecionadas para receber o programa de modernização Greater Underwater Propulsion Power (GUPPY) e permaneciam preservadas em condições de serem reativadas, revisadas e preparadas para transferência a nações aliadas. Após a conclusão das negociações foi acordada a cessão de duas dessas unidades , por intermédio do Mutual Defense Assistance Program (MDAP). A transferência foi formalmente autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos por meio da Public Law nº 484. O primeiro deles o Humaitá (S-14), ex-USS Muskallunge (SS-262), foi o quarto navio e o segundo submarino da Marinha do Brasil a ostentar esse nome, em homenagem à histórica Fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai, cuja passagem foi forçada pela Esquadra Imperial Brasileira em 19 de fevereiro de 1868, durante a Guerra da Tríplice Aliança. A embarcação foi construída pelo estaleiro Electric Boat Company, em Groton, Connecticut, teve sua quilha batida em 7 de abril de 1942, foi lançado ao mar em 13 de dezembro de 1942, passando a operar junto ao 4º Esquadrão de Submarinos (SubRon 4), recebendo 03 Estrelas de Combate pelo seu serviço. Em 1947 passaria para a reserva naval até 31 de agosto de 1956,  quando foi recomissionado  e oficialmente transferido e incorporado à Marinha do Brasil em 18 de janeiro de 1957, durante cerimônia realizada na Base de Submarinos de New London, em Groton, Connecticut, conforme estabelecido pelo Aviso Ministerial nº 0082, de 8 de janeiro de 1957.  Na mesma ocasião, assumiu seu primeiro comando sob pavilhão brasileiro o Capitão-de-Fragata Lourival Monteiro da Cruz, que conduziria o período inicial de adaptação da tripulação e de preparação do submarino para sua travessia rumo ao Brasil.  Em 9 de março de 1957,  deixou a Base de Submarinos de New London, seu roteiro compreendeu escalas em Havana (Cuba), San Juan (Porto Rico) e Port of Spain (Trinidad e Tobago), prosseguindo em seguida para o litoral brasileiro, com chegada ao Recife em 5 de abril de 1957. Após breve permanência, seguiram para Salvador e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde aportaram em 16 de abril , atracando no Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).
Ao longo de sua carreira na Marinha do Brasil, o Submarino Riachuelo (S-15) participou de diversas atividades operacionais que contribuíram para o amadurecimento da doutrina submarina nacional. Um dos eventos de maior destaque ocorreu em 28 de agosto de 1958, quando suspendeu do Rio de Janeiro conduzindo a bordo o Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, o Ministro da Marinha, Almirante de Esquadra Antônio Alves Câmara Júnior, além de outras autoridades civis e militares. Na ocasião, realizou uma imersão ao sul da Ilha Rasa, demonstrando as capacidades operacionais da recém-modernizada Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Durante a década de 1960, o Riachuelo participou regularmente dos principais exercícios navais da esquadra, destacando-se sua presença nas três primeiras edições da Operação UNITAS, realizadas em 1960, 1961 e 1962. Esses exercícios multinacionais proporcionaram valiosa experiência às tripulações brasileiras em operações combinadas de guerra antissubmarino, navegação oceânica e integração com unidades navais e aeronavais de marinhas aliadas. Em 24 de maio de 1966, navegando a oeste da Ilha Grande, o submarino protagonizou outro marco para a Força de Submarinos ao realizar, pela primeira vez no Brasil, uma operação de transferência de carga leve entre submarinos, efetuada em conjunto com o Submarino Bahia (S-12). O exercício demonstrou a capacidade da Marinha do Brasil em executar procedimentos logísticos complexos no mar, ampliando a autonomia operacional de suas unidades submarinas. Entretanto, o desgaste natural da embarcação já começava a limitar sua vida útil. Assim, em 24 de abril de 1967, o Riachuelo suspendeu do Rio de Janeiro com destino à Base de Submarinos de New London, em Connecticut, onde seria submetido a uma inspeção estrutural destinada a avaliar a viabilidade de uma revisão geral e da revalidação de seu ciclo operacional. Após criteriosa análise conduzida pela Electric Boat Company, concluiu-se que os custos necessários para a realização do Período Normal de Reparos (PNR) eram economicamente incompatíveis com o valor militar remanescente da embarcação, tornando inviável sua modernização. Em consequência dessa decisão, o submarino foi oficialmente submetido à Mostra de Desarmamento em 2 de outubro de 1967, na Base de Submarinos de New London, conforme a Ordem do Dia nº 040/67, expedida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra José Moreira Maia. Sua baixa do serviço ativo da Marinha do Brasil foi formalizada por meio do Aviso Ministerial nº 1819, sendo posteriormente devolvido à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), encerrando uma década de serviços prestados sob a bandeira brasileira. Durante seus dez anos de operação na Marinha do Brasil, o Riachuelo (S-15) percorreu aproximadamente 95.320 milhas náuticas, acumulou 679,5 dias de mar, permaneceu 2.090 horas em imersão e realizou 38 disparos de torpedos, números que evidenciam sua intensa utilização operacional. 

O segundo submarino da classe a ser incorporado  o Riachuelo (S-15), ex-USS Paddle (SS-263). Sendo o quinto navio e o primeiro submarino a ostentar esse nome, em homenagem ao Riachuelo, afluente do rio Paraná, nas proximidades do qual foi travada, em 11 de junho de 1865, a célebre Batalha Naval do Riachuelo, um dos episódios decisivos da Guerra da Tríplice Aliança, quando a esquadra brasileira, derrotou a força naval paraguaia. Construído pelo estaleiro Electric Boat Company, em Groton, Connecticut, teve sua quilha batida em 1º de abril de 1942, sendo lançado ao mar em 30 de dezembro do mesmo ano. Incorporado à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), foi designado para operar a partir de Pearl Harbor. Ao longo de suas patrulhas de combate, afundou 05 navios inimigos, totalizando 18.878 toneladas, além de diversas embarcações de pequeno porte, desempenho que lhe valeu a concessão de 08 Estrelas de Combate. Com o término do conflito, foi descomissionado em 1º de fevereiro de 1946 e incorporado à Atlantic Reserve Fleet, permanecendo preservado na Base de Submarinos de New London, em Connecticut. Em 31 de agosto de 1956, foi novamente colocado em serviço para ser submetido aos trabalhos de revisão e preparação destinados à sua transferência para a Marinha do Brasil, no âmbito do Mutual Defense Assistance Program (MDAP). Em 18 de janeiro de 1957, o submarino foi oficialmente descomissionado e transferido, conforme o Aviso Ministerial nº 0082, de 8 de janeiro de 1957 (Boletim nº 04/57/680 do Ministério da Marinha), passando a ostentar a designação Riachuelo (S-15). Na cerimônia de incorporação, realizada na Base de Submarinos de New London, assumiu seu comando o Capitão-de-Fragata Fernando Gonçalves Reis Vianna, responsável por conduzir os preparativos finais para a viagem de translado ao Brasil. Em 9 de março de 1957, o Riachuelo suspendeu de New London em companhia do Humaitá (S-14), iniciando a travessia rumo ao Brasil. Após escalas programadas no Caribe e na costa nordeste brasileira, os dois submarinos chegaram ao Rio de Janeiro em 16 de abril, atracando no Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), onde passaram a integrar oficialmente a recém-renovada Força de Submarinos. Em 1962, quando o conjunto de baterias do Riachuelo atingiu o término de sua vida útil, cogitou-se inicialmente enviá-lo aos Estados Unidos para a substituição desse complexo sistema. Entretanto, a Marinha do Brasil transformou essa intervenção em uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de sua própria capacidade industrial e tecnológica, determinando que todo o serviço fosse executado no AMRJ. O projeto recebeu prioridade máxima do Alto-Comando Naval e, apesar dos elevados investimentos necessários para a capacitação de pessoal especializado e para a importação de equipamentos, ferramentas e materiais específicos, a substituição das baterias foi concluída com pleno êxito e dentro de um prazo considerado bastante satisfatório diante da complexidade da operação.
O sucesso dessa empreitada representou um importante marco para a engenharia naval brasileira, demonstrando a capacidade da indústria militar nacional de executar, pela primeira vez, um serviço de grande porte em um submarino moderno. Pouco tempo após o retorno  ao serviço ativo, surgiram novos desafios técnicos. Inspeções estruturais identificaram trincas e deformações em algumas cavernas do casco resistente, evidenciando a necessidade de conhecimentos especializados em reparos estruturais de submarinos, tecnologia que ainda não existia no país.  Os desafios representados pela substituição das baterias e pelos reparos estruturais do Riachuelo motivaram a  implementação de  um amplo programa de capacitação profissional. Engenheiros e técnicos do AMRJ foram enviados a estaleiros e centros de manutenção especializados nos Estados Unidos, onde realizaram cursos de engenharia, manutenção e recuperação estrutural de submarinos. A experiência adquirida por esses profissionais constituiu o ponto de partida para a criação de uma sólida competência nacional no campo da manutenção de submarinos, estabelecendo as bases técnicas e industriais que, nas décadas seguintes, permitiriam ao Brasil dominar progressivamente as tecnologias de grande reparo, modernização e, posteriormente, de construção  em território nacional. Em 14 de outubro de 1966, na Base Almirante Castro e Silva foi submetido a Mostra de Desarmamento pela OD 0051/66 de 14/10/1966 do CEMA, Almirante-de-Esquadra Sylvio Monteiro Moutinho, sendo sua baixa do serviço ativo da Armada feita pelo Aviso 1276 de 01/07/66 MM/EMA (Bol. 28/66/3702 MM). Em 9 anos e dez meses de serviço na Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 97.833 milhas navegadas, 695.5 dias de mar, 2.279 horas de imersão e lançou 20 torpedos. Permaneceu, inicialmente sob responsabilidade de um Grupo de Manutenção (GruMan). Posteriormente, foi rebocado a fim de ser desmontado. Os equipamentos retirados foram destinados à Força de Submarinos. O grupo destilatório foi adaptado pelo AMRJ, próximo ao galpão de baterias de submarinos, localizados no caís Oeste, onde funcionava pelo menos até 1986. Em março de 1968, concluída a faina de desmontagem, foi o casco entregue à Missão Naval Americana no Brasil, a qual, por sua vez, vendeu-o a um estaleiro particular do Rio de Janeiro, para aproveitamento do material. A incorporação dos submarinos da classe Gato representou um marco de grande relevância, proporcionando um expressivo salto qualitativo na capacidade operacional da então Flotilha de Submarinos. Além de restaurarem a capacidade de emprego de submarinos oceânicos de longo alcance, essas embarcações introduziram tecnologias até então inéditas no serviço naval brasileiro, elevando significativamente o nível de eficiência em navegação, detecção de alvos e condução de ataques submersos.

Em Escala.
Para representar o submarino Classe Gato -"Riachuelo S15, (ex-USS Paddle - SS 263), fizemos uso do novo kit da AFV Club na escala 1/350. Optamos por representar o navio quando do seu recebimento. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models, fizemos uso de tintas produzidas pela Tom Colors.
O esquema de cores descrito a seguir, baseado nos padrões Federal Standard (FS), corresponde à pintura aplicada aos dois submarinos da classe Gato (Humaitá)  recebidos em 1957. Essas embarcações mantiveram, essencialmente, o mesmo padrão de pintura empregado pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) no período pós-Segunda Guerra Mundial, preservando essa configuração cromática até sua desativação definitiva, ocorrida em 1967.
Bibliografia : 
- Submarinos Classe Balao Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Balao-class_submarine
- Submarinos Classe Gato Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Gato-class_submarine
- Cem anos da Força de Submarinos – Marinha do Brasil
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br 
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/