Northrop F-5E Agressores na FAB

História e Desenvolvimento.


A origem da família F-5 tem início em meados da década de 1950, quando a Northrop Aircraft Corporation, investiu recursos próprios para o desenvolvimento de uma pequena aeronave de caça multi missão, que tinha como premissa básica, apresentar uma excelente relação de custo e beneficio tanto na aquisição quanto na operação. Este projeto foi derivado em duas vertentes de trabalho, sendo o programa N-156F classificado como aeronave de combate leve multi missão e o N-156T desenvolvido  como  instrutor avançado com dois assentos em tanden. No final da década de 1950 a versão do caça multi missão N-156F passaria a ganhar a perspectiva de se tornar realidade, pois o governo norte americano buscava desenvolver uma aeronave de combate multifuncional de baixo custo que pudesse se tornar uma opção atraente a ser fornecido a condições vantajosas de aquisição  as nações amigas com as quais os americanos buscavam aumentar seu poder de influência. Assim o conceito e  esta nova aeronave foi apresentada ao comando da Força Aérea Americana (USAF - United States Air Force) para poder se enquadrar neste possível programa de ajuda militar.

No entanto entre 1955 e 1957, alterações nas prioridades da politica externa americana, levaram ao cancelamento deste programa de ajuda militar, porém neste mesmo período, o projeto já havia sido apresentado ao comando da  Força Aérea Americana (USAF - United States Air Force) causando aparentemente boas impressões entre seus oficiais. Assim em 25 de fevereiro de 1958 a Northrop Aircraft Corporation recebeu  uma encomenda para a produção de três protótipos do,  N-156F para participação em uma concorrência para o fornecimento de uma aeronave de ataque a solo. O primeiro protótipo alçou voo na base da força aérea de Edwards o 30 de julho de 1959, sendo submetido a um extenso programa comparativo juntos a outros concorrentes, embora    o modelo tenha mostrado potencial em superar o F-100 Sabre em missões de ataque ao solo, a USAF não se interessou pela incorporação da aeronave em sua frota ou indicação para forças armadas alinhadas, gerando assim um certo desanimo por parte do fabricante. 
Em 1962 o governo Kennedy reativaria a intenção inicial de dispor de uma aeronave para fornecimento as nações amiga,s e uma nova concorrência denominada projeto FX foi lançada.Desta vez  o N-156F sagrou se vencedor em 23 de abril de 1962, se tornando  principal aeronave de combate oferecida nos termos do MAP (Military Assistance Program - Programa de Assistência Militar). O modelo passou a ser designado como F-5A Freedom Fighter, tendo como primeiro cliente a  Força Aérea do Vietnã do Sul, onde  receberia seu batismo de fogo na operação Skoshi Tiger em 1965. O positivo desempenho observado nesta campanha geraria grandes contratos de exportação para as forças áreas da Filipinas, Irâ, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Holanda, Turquia Coreia do Sul, Formosa e Espanha. Sua produção Foi encerrada em 1971 com um total de 1.629 unidades produzidas

No ano de 1968, o governo norte americano começou a considerar um sucessor para a família F-5A/B desta maneira, oito empresas foram convidadas a participar do processo IIFA (Improved International Fighter Aircraft ). O resultado foi anunciado em novembro do mesmo ano, tendo saído vencedora a empresa Northrop Aircraft Co, com seu projeto F-5-21 que nada mais era do que uma evolução do modelo anterior, o voo do primeiro protótipo ocorreu em  23 de agosto de 1972. As primeiras unidades destinadas a USAF , foram entregues em meados de 1973, sendo os mesmos direcionados as unidades em operação no Sudeste Asiático, para o emprego em missões reais. Nos Estados Unidos  o 425th Tactical Fighter Training,  começou a receber suas primeiras células em 4 de abril de 1973, que tinha como missão formar futuros pilotos das nações amigas que passariam a empregar o modelo. Seguindo as diretrizes iniciais de seu desenvolvimento, o F-5E agora denominado Tiger II começou a ser fornecido para diversas nações em programas e ajuda militar como,  Vietnã do Sul, Coreia do Sul, Irã, Chile, Brasil, México, Suíça, Malásia, Cingapura, Taiwan, Marrocos, Jordânia, Grécia, Tunísia, Arábia Saudita, Etiópia. Honduras, Indonésia, Quênia, Noruega, Sudão e Iêmen.
No final da década de 1980 o F-5E Tiger encontrava-se tecnologicamente defasado quando comparado as novas ameaças de caças soviéticos, e seu substituto o  caça multimissão General Dynamics F-16 Fighting Falcon começava a ser incorporado na USAF, gerando a perspectiva que o final da carreira do F-5E se aproximava. No entanto quando o modelo iniciou sua carreira junto ao 425th TTF , os oficiais americanos ficaram impressionados com a manobrabilidade do F-5E em combate aéreo. Sua substituição pelo F-16 nas unidades de primeira linha gerou um grande número excedente de células em bom estado, criando o cenário perfeito para a transferência destas aeronaves para as Unidades Especializadas em Treinamento de combate Dissimilar (ACT).Além das células já em uso foram incorporadas cerca de 70 células novas de fabricas que originalmente estavam destinadas a Força Aérea do Vietnã do Sul, foram incorporadas aos grupos 64th e 65th Fighter Weapons Squadrons of the 57th TFW baseados em  Nellis AFB no estado de  Nevada, também os Tiger seria empregados como agressores em esquadrões de treinamento da marinha e corpo de fuzileiros navais, onde foram empregados até fins da década de 1990.

Emprego no Brasil. 

Os primeiros caças Northrop F-5E Tiger II foram recebidos em meados de 1975 e faziam parte de um contrato no valor de US$ 115 milhões, destinado a renovação da forças de aeronaves de primeira linha da Força Aérea Brasileira. Estas células foram destinadas a equipar o 1º/1º GAVCA ,  2º/1º GAVCA e 1º/14º GAV, substituindo os derradeiros AT-33A e os provisórios AT-26 Xavante. Em fins da década de 1980 a Força Aérea Brasileira dispunha relativamente de uma  frota nova de aeronaves supersônicas, sendo composta  por caças Marcel Dassault Mirage IIIE e  Northrop F-5E Tiger II dispostos em  quatro unidades de primeira linha. No entanto os Tiger já se encontram em uso há mais de 13 anos, e acumulavam um índice preocupante de perdas em acidentes, reduzindo perigosamente a disponibilidade de aeronaves.

Este cenário clamava pela necessidade de um processo de recomplementação imediata da frota de caças F-5E Tiger II para manter operacionalmente os três esquadrões de primeira linha. Paralelamente almejava-se também a aquisição de aeronaves de treinamento  F-5F, visando assim melhorar o processo de conversão dos pilotos que até era realizado pelos F-5B Freedom Fighter. modelo que apesar de compartilhar a mesma origem do F-5E era muito inferior a este em termos de desempenho e manobrabilidade. A opção natural por por aeronaves novas de fábrica estava fora de cogitação pois sua produção havia sido encerrada em fins de 1987, restando apenas a busca por compras de oportunidade junto ao mercado internacional. O governo norte americano apresentou uma proposta para aquisição muito atrativa para a aquisição de até 40 células usadas das versões F-5E e F-5F sobre a égide de um programa denominado Peace Amazon II.
Desta maneira em 1988 a FAB adquiriu vinte e duas células do F-5E e quatro F5-F usadas em um contrato de US$ 13,1 milhões. Estas aeronaves foram transladadas por por pilotos das unidades de Canoas e Santa Cruz, tendo como destino final o Rio Grande do Sul, os seis primeiros F-5E partiram da Base Aérea de Nellis no estado de Nevada, com os subsequentes decolando de Homestead, na Florida. As viagens foram realizadas sempre na ala de um Boeing KC-137 do 2º/2º Grupo de Transporte, em função das aeronaves não terem radio VHF. Os F-5 do segundo lote chegaram em Canoas entre outubro de 1998 e setembro de 1989. Após o recebimento uma análise mais detalhada mapeou uma série de problemas estruturais, alguns de ordem grave, principalmente entre as unidades oriundas dos Esquadrões Agressores (devido ao perfil de emprego que exigia muito das aeronaves). Com base neste diagnostico decidiu-se encaminhar todas as células para  Parque de Material de Aeronáutica de São Paulo (PAMASP) para que se aplicasse um minucioso processo de recuperação. Nesta oportunidade, seis aeronaves receberam a cambagem para operar o casulo CT-51F Caiman para o emprego em missões de guerra eletrônica.

As aeronaves recebidas neste lote apresentavam inúmeras diferenças quando comparadas as células recebidas em 1975, não dispondo de sonda de reabastecimento em voo,  antena de VHF nem a quilha dorsal que abrigava a antena de ADF, já os  assentos ejetores eram do modelo Northrop Improved, em vez do Martin-Baker MK.BR-Q7A. Estas diferenças trariam problemas  para a padronização na cadeia de suprimentos de reposição.  Por pertencerem a lotes distintos, a FAB resolveu concentrar os F-5E do  primeiro lote de 1975 no 1º/1º GAVCA e  2º/1º GAVCA e  as células do segundo no 1º/14º GAV. Estes novos aviões receberam as matriculas FAB 4956 a 4877.  Das vinte e duas aeronaves adquiridas dezesseis estavam entre os primeiros trinta F-5E Tiger II produzidos, dos quais os FAB 4856, 4857 e 4858 eram respectivamente o primeiro, segundo e quarto F-5E que deixaram a produção da Northrop. As células foram escolhidas diretamente das unidades da USAF, sendo onze originarias do 425th Tactical Fighter Training, sediado em Willians AFB e os demais onze oriundos dos famosos 64th e 65th Agressor Squadron (AS) que eram vinculados ao 57th TTW (Tactical Training Wing)
Em 1997 os dois lotes começaram a receber a integração para a operação com os mísseis israelenses Rafael Python III em substituição aos já obsoletos AIM-9B Sidewinder, posteriormente este processo abrangeu também o emprego do míssil ar ar de fabricação nacional o Mectron MAA-1 Piranha. A partir do ano de 2008 a células remanescentes começaram a ser encaminhadas a Embraer para sofrerem um extenso processo de revitalização e modernização que resultaria na nova versão "Mike", permitindo estender a vida útil dos Tigres até meados da década de 2020.

Em Escala.

Para representarmos o F-5E´s "FAB "4856 " empregamos o antigo kit da Monogram, na escala 1/48, sendo na época a única opção disponível (hoje sem dúvida o novo modelo do fabricante AFV é a melhor opção), para se configurar a versão brasileira não é necessário proceder nenhuma modificação no modelo original.  Utilizamos decais confeccionados FCM presentes no set 48/03.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático de superioridade aérea, adotado após as revisões em âmbito de parque, as células foram recebidas com os vistosos esquemas de pintura camufladas Agressores em esquemas como Ghost, Snake,Lizard, Grape e Partchese tiveram a aplicação das marcações nacionais, sobre as americanas



Bibliografia : 

- O Catorze - Esquadrão Pampa, Carlos Lorch - Revista Força Aérea Nº 5
- Northop F-5 Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html