AT-33A, TF-33A e T-33 Lockheed

História e Desenvolvimento.
As origens da Lockheed Aircraft Corporation remontam a 1912, quando os irmãos Allan e Malcolm Lockheed fundaram a empresa em San Diego, Califórnia, dedicada à fabricação de aeronaves de pequeno porte. O crescimento alcançado durante a Primeira Guerra Mundial foi interrompido com o armistício de novembro de 1918, quando a desmobilização das forças armadas inundou o mercado com aeronaves militares excedentes, reduzindo drasticamente a demanda por novos aviões. A crise que se seguiu atingiu severamente a indústria aeronáutica, levando ao encerramento das atividades de diversas fabricantes, entre elas a própria Lockheed. Diante desse cenário, Allan e Malcolm afastaram-se temporariamente do setor, dedicando-se a outras atividades. A recuperação teve início em 1926, quando Allan Lockheed, em parceria com os engenheiros John K. Northrop, Kenneth Kay e Fred Keeler, fundou a Lockheed Aircraft Company. Com o apoio de um novo grupo de investidores, a empresa concentrou seus esforços no desenvolvimento de uma aeronave moderna baseada na experiência adquirida com o  Modelo S-1. O resultado foi o  Model 5 Vega, um monoplano de concepção avançada para sua época, que rapidamente conquistou reconhecimento por seu excelente desempenho, confiabilidade e eficiência operacional, estabelecendo as bases para a recuperação e a consolidação da empresa no mercado aeronáutico. Seu sucesso impulsionou a rápida expansão da empresa, culminando na inauguração de uma nova fábrica em Burbank, Califórnia. Entretanto, a Grande Depressão, iniciada em 1929 com a quebra da bolsa de valores de Nova York, levou a companhia à liquidação judicial. A recuperação ocorreu em 1932, quando  foi adquirida por um grupo de investidores liderado pelos irmãos Robert E. Gross e Courtland S. Gross, que promoveram sua reestruturação e direcionaram os investimentos para o desenvolvimento de aeronaves comerciais mais modernas. Os resultados dessa estratégia surgiram em 1934, com o lançamento do  Model 10 Electra, construído inteiramente em metal e projetado para transportar até 10 passageiros, o modelo destacou-se pelo elevado desempenho, confiabilidade e soluções técnicas inovadoras, conquistando ampla aceitação entre as companhias aéreas. Poucos anos depois, o agravamento das tensões internacionais na Europa e na Ásia e o rearmamento da Alemanha e da Itália abriram novas oportunidades para este fabricante no crescente mercado de aeronaves militares. Em resposta a essa conjuntura, países como França e Reino Unido iniciaram programas de modernização e expansão de suas forças armadas, buscando recuperar parte da capacidade militar perdida após o término da Primeira Guerra Mundial. Em menor escala, Bélgica e Países Baixos também passaram a investir na renovação de seus meios de defesa. Esse movimento gerou uma demanda crescente por aeronaves modernas, tanto civis quanto militares, criando um ambiente altamente favorável à expansão da indústria aeronáutica norte-americana.

No final da década de 1930, o acelerado processo de rearmamento das potências europeias e a incapacidade de suas indústrias aeronáuticas em atender à crescente demanda por aeronaves militares levaram países como o Reino Unido a recorrerem, em larga escala, aos fabricantes norte-americanos. Beneficiada por esse cenário, a empresa experimentou um período de rápida expansão, ampliando significativamente sua capacidade industrial e consolidando-se como uma das principais fornecedoras de aeronaves para as nações aliadas. No início de 1941, diante do agravamento da guerra na Europa e da perspectiva cada vez mais concreta de envolvimento direto dos Estados Unidos no conflito,  promoveu-se uma profunda reestruturação de suas atividades industriais. Grande parte de seus recursos técnicos, financeiros e produtivos passou a ser direcionada ao desenvolvimento e à fabricação de aeronaves militares de elevada complexidade, entre as quais se destacavam o bombardeiro de patrulha  A-28 Hudson, amplamente empregado em missões de reconhecimento marítimo e guerra antissubmarino, e o caça P-38 Lightning. Pouco antes da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra, em dezembro de 1941, ocorreu uma significativa reorganização das responsabilidades relacionadas à defesa do território norte-americano e à proteção das rotas marítimas. As missões de patrulha costeira e guerra antissubmarino passaram progressivamente para a responsabilidade da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Essa mudança de prioridades levou ao desenvolvimento de uma nova geração de aeronaves de patrulha , surgindo assim o PV-1 Ventura e posteriormente, o PV-2 Harpoon. Em 1943, um novo desafio tecnológico alterou profundamente as prioridades da indústria aeronáutica norte-americana. Informações obtidas pelos serviços de inteligência aliados confirmaram que a Alemanha estava em estágio avançado no desenvolvimento do Messerschmitt Me 262, o primeiro caça a jato operacional do mundo. Embora ja fossem conduzidos ensaios com o Bell XP-59, seu desempenho mostrou-se aquém das expectativas, revelando que o país havia perdido terreno na corrida pela propulsão a reação. Diante desse cenário, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAF) encarregou a Lockheed do desenvolvimento de um caça a jato inteiramente novo, capaz de competir com os mais modernos projetos alemães e britânicos. A responsabilidade pelo programa foi confiada ao engenheiro Clarence Leonard "Kelly" Johnson, então um dos mais brilhantes projetistas da empresa. Trabalhando sob rígido regime de sigilo, Johnson reuniu uma pequena equipe de aproximadamente vinte e oito engenheiros, projetistas e mecânicos altamente especializados, dando origem a um grupo de desenvolvimento independente que, posteriormente, ficaria mundialmente conhecido como Skunk Works. Dessa iniciativa surgiria o Lockheed XP-80, primeiro caça a jato operacional desenvolvido pela Lockheed e um dos projetos aeronáuticos mais importantes da história da empresa.
O programa  recebeu prioridade máxima, o que permitiu um ritmo acelerado de desenvolvimento, com primeiro protótipo alçando voo em junho de 1944, menos de um ano após a assinatura do contrato. Na transição para a produção em série, o projeto sofreu ajustes relevantes, passando a utilizar o motor turbojato Allison J-33, capaz de gerar 4.600 libras-força (lbf) de empuxo. O desempenho promissor levou à assinatura de um contrato para a produção de 4.930 aeronave, entretanto, a capitulação do Japão em agosto de 1945 alterou de forma substancial o panorama estratégico e orçamentário.  O fim das hostilidades levou o governo a reavaliar seus programas militares, resultando em cortes significativos no volume originalmente contratado para o P-80. Desde a fase conceitual do programa XP-80, a Lockheed já havia considerado a possibilidade de desenvolver uma versão biplace dedicada à instrução e conversão operacional. Contudo, essa iniciativa só se materializou em 1947, quando os índices de acidentes envolvendo o P-80 atingiram níveis considerados preocupantes. Diante desse quadro, o comando da  Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) manifestou apoio formal ao desenvolvimento de uma variante específica para treinamento. Utilizando como base uma célula de P-80C, a equipe de engenharia  promoveu uma série de alterações estruturais, entre as quais se destacou a ampliação da fuselagem em aproximadamente 128 centímetros, permitindo a instalação de um segundo assento. Visando compensar o aumento de peso e preservar o desempenho da aeronave, optou-se por reduzir o armamento orgânico, que passou  para apenas 02 metralhadoras calibre .50, além da substituição dos tanques de combustível auto-vedáveis por células de náilon, solução mais leve e adequada ao papel de instrução. Essas modificações marcaram o passo inicial para a consolidação de uma versão de conversão que se tornaria fundamental na transição dos pilotos para a era do voo a jato. O voo inaugural do primeiro protótipo da nova versão biplace, então designada TP-80C, ocorreu em 22 de março de 1948, marcando um passo decisivo na consolidação da transição da aviação militar norte-americana para a era do jato. Submetida imediatamente a um rigoroso programa de ensaios em voo, a aeronave demonstrou, de forma consistente, que preservava as excelentes qualidades de pilotagem e desempenho da versão monoplace, ao mesmo tempo em que oferecia maior segurança e eficácia no processo de instrução e conversão operacional. Os resultados positivos obtidos durante essa fase de testes levaram à celebração do primeiro contrato de produção, que previa a fabricação de vinte exemplares da nova variante, então oficialmente denominada  TF-80C. Poucas semanas depois, em 5 de maio de 1948, no contexto de uma ampla reorganização do sistema de designações das aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), o modelo passou a ser redesignado como T-33A, denominação pela qual se tornaria mundialmente conhecido.

Sua introdução operacional confirmou plenamente as expectativas iniciais. A aeronave revelou-se extremamente versátil, confiável e de fácil manutenção, características que rapidamente resultaram em novos contratos de produção e em sua ampla difusão no sistema de ensino. Nesse cenário,  consolidou-se como o treinador avançado padrão do Air Training Command, sediado na Base Aérea de Randolph, no estado do Texas, desempenhando papel central na formação de sucessivas gerações de pilotos militares.  Tanto a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) quanto o Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps) manifestaram interesse na aeronave, o que levou ao desenvolvimento de uma variante específica para operações navais, designada T-1A Sea Star. Essa versão incorporava reforços estruturais, um trem de pouso mais robusto e um gancho de retenção, permitindo sua operação a partir de porta-aviões, ainda que de forma limitada, ampliando a versatilidade do projeto original. No início da década de 1960, apesar de o T-33A manter elevados índices de confiabilidade, tornou-se evidente o processo de obsolescência tecnológica frente à rápida evolução da aviação a jato. Progressivamente, a aeronave foi substituída nos programas de formação de pilotos pelos novos treinadores básicos Cessna T-37 Tweet e avançados Northrop T-38 Talon, que ofereciam desempenho mais compatível com os caças de segunda geração então em serviço. As células remanescentes dos Lockheed T-33 Thunderbird continuaram, contudo, a desempenhar funções relevantes. Muitas foram transferidas para a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force Academy – USAFA), sediada em Peterson Field, Colorado Springs, onde passaram a ser empregadas em missões de treinamento básico e reboque de alvos para tiro aéreo, permanecendo em operação até 1975, quando foram definitivamente substituídas pelo Northrop T-38 Talon. Processo semelhante ocorreu na Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos, que também desativou seus T-33 em 1975, substituindo-os pelos North American T-2 Buckeye e Douglas TA-4 Skyhawk II. Paralelamente, um número significativo de aeronaves foi transferido para unidades da Guarda Aérea Nacional (National Air Guard), onde desempenharam funções de treinamento e, sobretudo, de alvos aéreos controlados por rádio em exercícios e testes de mísseis ar-ar, recebendo a designação NT-33. Entre 1948 e 1959, a linha de produção do Lockheed T-33 alcançou números verdadeiramente expressivos, refletindo a importância estratégica desse vetor no contexto da Guerra Fria e da consolidação da aviação a jato. Ao todo, foram fabricadas 6.557 células nos Estados Unidos. Paralelamente, o modelo também foi produzido sob licença em outros países: no Canadá, a Canadair construiu 656 aeronaves da variante local CT-133 Silver Star, enquanto, no Japão, a Kawasaki Heavy Industries fabricou 210 unidades, destinadas à Força Aérea de Autodefesa Japonesa, fortalecendo a capacidade de instrução daquele país no pós-guerra.
A grande disponibilidade de aeronaves excedentes, sobretudo oriundas das forças armadas norte-americanas, conferiu ao  T-33 e à sua variante armada AT-33 um papel de destaque no Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (Military Assistance Program – MAP). Nesse contexto, o modelo foi amplamente distribuído a países aliados, tornando-se um dos jatos de treinamento mais difundidos da história. Entre os operadores que receberam o T-33 figuram, entre outros, Alemanha, Bélgica, Bolívia, Brasil, Birmânia, Chile, República da China, Cuba, Colômbia, Dinamarca, República Dominicana, Equador, El Salvador, França, Grécia, Guatemala, Honduras, Irã, Indonésia, Itália, Líbia, México, Holanda, Nicarágua, Paquistão, Noruega, Paraguai, Peru, Filipinas, Portugal, Arábia Saudita, Cingapura, Coreia do Sul, Espanha, Tailândia, Uruguai e Iugoslávia. Adicionalmente, o programa contemplou o fornecimento de 85 exemplares da versão de reconhecimento fotográfico RT-33A, ampliando ainda mais o espectro de missões da aeronave. O baixo custo operacional, aliado à robustez estrutural e à facilidade de manutenção, consolidou o  AT-33  variante apta tanto ao treinamento avançado quanto ao ataque ao solo  como uma solução particularmente atrativa para missões de apoio aéreo aproximado, especialmente em forças aéreas de pequeno e médio porte. O seu batismo de fogo oficial ocorreu em abril de 1961, durante a Invasão da Baía dos Porcos, quando aeronaves, operadas pela Força Aérea Revolucionária de Cuba (FAR), foram empregadas em ações defensivas. Nessas operações,  atacaram as forças invasoras da Brigada de Asalto 2506  composta por exilados cubanos anticastristas e apoiada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), obtendo êxito ao abater dois bombardeiros A-26 Invader pertencentes aos insurgentes. Mesmo com o avanço tecnológico das décadas seguintes, o T-33 manteve-se em serviço em diversas forças aéreas até o final do século XX, evidenciando a longevidade, a adaptabilidade e a solidez do projeto. Em alguns casos, essas aeronaves passaram por programas de modernização para prolongar sua vida operacional. Um exemplo emblemático foi o processo conduzido entre 2000 e 2001 pela empresa canadense Kelowna Flightcraft, que promoveu um amplo retrofit estrutural e aviônico em 18 aeronaves dos modelos Canadair T-33 Mk-III e Lockheed T-33 SF pertencentes à Força Aérea Boliviana (FAB). Equipadas com uma nova suíte aviônica digital, incluindo displays multifuncionais, essas aeronaves foram redesignadas como “T-33-2000”. As unidades modernizadas continuaram a prestar relevantes serviços operacionais por mais de uma década e meia, até que, em 31 de julho de 2017, as últimas quatro células foram oficialmente retiradas de serviço em uma cerimônia realizada na sede do Grupo Aéreo de Caça-31, na cidade de El Alto. Com 44 anos de operação contínua na Bolívia, essas aeronaves tornaram-se os últimos Lockheed T-33 em serviço militar ativo no mundo.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
O ingresso da aviação de caça brasileira na era da propulsão a jato foi consequência direta das profundas transformações estratégicas, tecnológicas e doutrinárias que marcaram os primeiros anos da Guerra Fria. Seria inaugurado  um período de intensa competição entre as grandes potências, no qual o desenvolvimento de aeronaves equipadas com motores a reação passou a representar um dos principais indicadores de poder aéreo. Em poucos anos, os caças movidos a motores a pistão, tornaram-se tecnologicamente superados diante do desempenho proporcionado pelos novos aviões a jato, capazes de alcançar velocidades significativamente superiores, maiores razões de subida e melhor desempenho em combate. Essa transformação alterou de maneira definitiva os conceitos de emprego da aviação de caça, impondo novos requisitos de treinamento, manutenção, infraestrutura e doutrina operacional. Para os militares brasileiros, que buscavam preservar sua capacidade de defesa aérea, a incorporação de aeronaves a jato tornou-se uma necessidade estratégica inadiável. A condução desse processo coube ao então Ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro Nero Moura, que convencido da necessidade de modernizar a força, promoveu um amplo programa de reequipamento da aviação de caça, buscando inserir o Brasil entre as nações que já operavam aeronaves a reação. Após extensas negociações diplomáticas e comerciais com o governo britânico, foi firmado, em 1952, um acordo para a aquisição de 60 caças Gloster Meteor F Mk.8, destinados às unidades operacionais, e de 10 aeronaves de treinamento avançado TF Mk.7, configuradas com duplo comando para a formação e adaptação de pilotos ao voo em aeronaves a jato. A incorporação dessas aeronaves representou um divisor de águas para a aviação de caça brasileira. Pela primeira vez,  passava-se a operar um caça de alto desempenho equipado com propulsão a reação, elevando significativamente seu nível tecnológico e sua capacidade operacional. Durante toda a década de 1950, os Gloster Meteor F-8 constituíram o principal vetor de defesa aérea, equipando as unidades de primeira linha e proporcionando uma profunda evolução nos conceitos de emprego da aviação de caça, bem como na formação de pilotos, na infraestrutura aeroportuária e na organização da manutenção aeronáutica. Paralelamente a formação de novos pilotos de caça permaneceu sob responsabilidade do 2º/5º GAv – Esquadrão Poker, unidade que ainda utilizava as veteranas  aeronaves Republic P-47D Thunderbolt em missões de instrução e treinamento operacional. Embora o tivesse demonstrado extraordinária robustez e desempenhado papel fundamental na formação de diversas gerações de aviadores brasileiros, sua permanência em serviço tornava-se cada vez mais problemática. O desgaste acumulado ao longo de anos de utilização intensiva, aliado à rápida evolução tecnológica da aviação militar, evidenciava as limitações de um projeto concebido ainda no início da década de 1940.

Essa situação levou o Ministério da Aeronáutica (MAer), em dezembro de 1957, a determinar a desativação antecipada de toda a frota de P-47D Thunderbolt ainda em serviço. A decisão foi motivada principalmente pelos recorrentes problemas técnicos apresentados pelas aeronaves, decorrentes da fadiga estrutural de suas células, bem como pelas crescentes dificuldades na obtenção de peças de reposição no mercado internacional.  Essa decisão, embora necessária sob o ponto de vista da segurança de voo, gerou uma lacuna significativa no processo de formação de pilotos de caça. Como solução emergencial, optou-se pela utilização de algumas unidades da versão de treinamento armado North American AT-6G Texan. Todavia, conforme se antecipava, essa aeronave mostrou-se inadequada para atender às exigências mínimas da formação de pilotos destinados à aviação de caça e ataque, evidenciando a urgência de uma solução mais moderna e alinhada às novas realidades do combate aéreo. Com o propósito de mitigar a lacuna criada, recorreu-se aos mecanismos previstos no Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (MAP), solicitando ao governo norte-americano a cessão de aeronaves a jato usadas que pudessem substituir os  P-47D  nas atividades de instrução avançada e conversão operacional. Neste momento os Estados Unidos visando preservar sua influência política e militar na América Latina,  definiu o Lockheed F-80C Shooting Star como o vetor padrão para substituir os P-47 então em operação em diversos países da região, entre eles México, Chile, Brasil, Equador e Peru. Assim no âmbito desta diretiva foram cedidas ao Brasil 33 aeronaves usadas F-80C  e 04 treinadores T-33A-1-LO , provenientes dos estoques estratégicos da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). O treinadores seriam recebidos em 10 de dezembro de 1956, destinando-se originalmente à conversão dos pilotos para a operação do F-80C, desempenhando um relevante papel durante sua atuação junto ao 2º/5º GAv.  No inicio de 1962 seriam recebidos mais 04 células do T-33A-1-LO,  ampliando modestamente a capacidade de instrução a jato. Neste mesmo ano a Gloster Aircraft Company encaminhou correspondência aos operadores dos modelos F-8 e TF-7 Meteor estabelecendo restrições operacionais em função de indícios de desgaste e fadiga estrutural nas células. Um comunicado subsequente determinou a proibição da operação de aeronaves TF-7 com mais de 2.280 horas de voo e de F-8 com mais de 1.750 horas. As limitações tornaram-se ainda mais severas em 24 de abril de 1965, quando o fabricante impôs novas restrições, vedando manobras em configuração limpa que excedesse cargas de –3G a +5G, bem como voos que ultrapassassem 10% do tempo abaixo de 1.000 pés.  descumprimento dessas condições poderia acarretar o surgimento de fissuras nas longarinas das asas, comprometendo gravemente a segurança de voo e a integridade estrutural das aeronaves.
Diante da gravidade das advertências emitidas,  determinou-se a imediata suspensão das operações de toda a frota, com medida tendo preventivo, visava preservar a segurança de voo até que fosse possível realizar uma criteriosa avaliação das condições estruturais das aeronaves. Para essa finalidade, técnicos do fabricante deslocaram-se ao Brasil, onde conduziram inspeções detalhadas, com o resultados revelando  um quadro significativamente mais grave do que se imaginava. Um número expressivo de células apresentou fadiga estrutural em níveis incompatíveis com a continuidade segura das operações, sendo definitivamente condenado. Outras  puderam retornar ao serviço apenas após a execução de reforços estruturais que permitiu estender sua vida útil em aproximadamente 50%. Ainda assim, tratava-se de uma solução temporária. A redução abrupta do número de aeronaves disponíveis provocou um impacto direto, representando a possibilidade concreta de não dispor de meios suficientes para assegurar a defesa do espaço aéreo nacional. Na tentativa de solucionar essa situação,  chegou-se  a estudar a aquisição, de um lote de caças Northrop F-5A Freedom Fighter, entretanto, o elevado custo da operação, associado às severas restrições orçamentárias, inviabilizou essa alternativa no curto prazo, obrigando  a busca uma solução intermediária que pudesse ser implementada com rapidez e menor impacto financeiro. A situação tornou-se ainda mais delicada quando os Lockheed F-80C, passaram igualmente a apresentar sérios e recorrentes problemas de manutenção. O desgaste acumulado das células, aliado às dificuldades de obtenção de componentes de reposição, indicava que essas aeronaves também se aproximavam do limite de sua vida operacional, agravando a crise vivida pela aviação de caça. Essa alternativa começou a tomar forma no final de 1964, quando foi firmado um acordo com o governo norte-americano, prevendo a transferência de 13 células do Lockheed T-33A. Embora concebido como um treinador avançado para conversão operacional de pilotos de caça, havia demonstrado significativa versatilidade, sendo empregado por diversas forças aéreas em missões de ataque leve  e defesa aérea de oportunidade.  Essas características tornavam a aeronave uma solução adequada para atender às necessidades emergenciais. Antes de sua entrega, as células foram encaminhadas às instalações da ASD Fairchild Corporation, onde passaram por um abrangente programa de revisão estrutural e modernização e atualização de sistemas. Emergiriam deste processo na versão de ataque AT-33A-20-LO, passando  a dispor de dois cabides subalares do tipo MA-4, capazes de transportar bombas de emprego geral com peso de até 227 kg, além de quatro lançadores MA-2A destinados ao emprego de foguetes não guiados.  As duas primeiras aeronaves convertidas foram oficialmente inspecionadas e aprovadas por uma comissão de brasileira em 14 de agosto de 1965, nas instalações da ASD Fairchild Corporation. 

A introdução do novo vetor teve início em fevereiro de 1966, quando 04 aeronaves T-33A pertencentes ao 1º/4º GAv – Esquadrão "Pacau" foram temporariamente transferidas ao 1º/14º GAv – Esquadrão "Pampa", sediado na Base Aérea de Canoas. O objetivo era permitir a conversão inicial dos pilotos e das equipes de manutenção antes da chegada dos Estados Unidos das aeronaves  AT-33A-20-LO que substituiriam os F-8 Meteor.  Na documentação interna, essas aeronaves passaram inicialmente a ser identificadas pela designação TF-33A, nomenclatura empregada para distingui-las dos T-33 de treinamento, ressalta-se ainda que posteriormente várias células em serviço chegaram a exibir o indicativo de cauda de AT-33A , como as aeronaves FAB 4364, 4363 e 4362. Apesar dessa diferenciação administrativa, tratava-se essencialmente do mesmo modelo básico, destinado principalmente ao treinamento avançado e ataque. Com a chegada das primeiras aeronaves convertidas, o Esquadrão "Pampa" iniciou sua completa transição operacional. A substituição dos Gloster Meteor tornou-se definitiva após a desativação dessas aeronaves, ocorrida em 31 de outubro de 1966. Dessa forma, os TF-33A passaram a assumir a responsabilidade pela defesa aérea da Região Sul. Este processo de desativação logo seria replicado as demais células dos jatos britânicos, levando a negociação para a  incorporação de um segundo lote envolvendo 35 aeronaves T-33A, destinadas também a  conversão para a configuração de ataque. Novamente a empresa  ASD Fairchild Corporation seria contratada para este programa que teve início em julho de 1967, envolvendo inicialmente 12 células.  Contudo, as inspeções realizadas após a chegada  revelaram que os serviços executados não atendiam plenamente aos rigorosos padrões técnicos estabelecidos. Em razão dessas deficiências, decidiu-se contratar uma segunda empresa para executar a modernização das 23 aeronaves remanescentes. Ainda assim, os resultados obtidos permaneceram aquém das expectativas, tornando necessária a realização de extensos trabalhos corretivos no Parque de Aeronáutica do Recife (PqAerRF). Nessa organização, as aeronaves onde diversas aeronaves receberam reforços estruturais e ajustes em seus sistemas antes de ingressarem efetivamente em serviço, passaram por revisões estruturais, inspeções complementares e ajustes de diversos sistemas, garantindo condições adequadas de segurança e operação. À medida que novos exemplares eram disponibilizados, iniciou-se o reequipamento das demais unidades de primeira linha, o 2º/1º Grupo de Aviação de Caça (2º/1º GAvC) – "Pif-Paf" e o 1º/1º Grupo de Aviação de Caça (1º/1º GAvC) –  "Jambock ambos baseados no Rio de Janeiro.  À medida que  eram incorporados ao serviço, essas unidades iniciaram a conversão operacional de seus pilotos e equipes de manutenção, assegurando a continuidade das atividades de defesa aérea e de treinamento em um período de transição tecnológica para a aviação de caça.
Além da missão de defesa aérea, os T-33A, TF-33A e AT-33A desempenharam um amplo conjunto de atividades operacionais. Paralelamente, o 1º/4º GAv – Esquadrão “Pacau” continuou a desempenhar sua missão primária de formação de novas gerações de pilotos de caça, sem abdicar de sua função primária ofensiva. Foram intensamente empregados na conversão operacional de pilotos oriundos da aviação básica, no treinamento de combate aéreo, na navegação em alta velocidade, no voo por instrumentos e na formação de novos instrutores. Ao longo da década de 1970, essas aeronaves participaram regularmente de exercícios conjuntos da Força Aérea Brasileira (FAB) e de grandes manobras conduzidas em parceria com o Exército e a Marinha simulando missões de interceptação, apoio aproximado, interdição, reconhecimento armado e ataque contra alvos terrestres, fazendo uso de bombas convencionais de até 227 kg, casulos de metralhadoras e lançadores de foguetes não guiados. Apesar do relativo êxito operacional o emprego dos TF-33A sempre foi encarada como uma solução temporária pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) principalmente devido a suas limitações de desempenho para as missões de interceptação e ataque a solo. Nesse contexto, o Comando da Aeronáutica prosseguia na busca por uma aeronave de ataque subsônica no mercado internacional, uma vez que naquele momento restrições orçamentárias inviabilizavam a aquisição de jatos supersônicos. Foram avaliadas diversas opções de aeronaves subsônicas, incluindo o norte-americano Douglas A-4KE Skyhawk, o anglo-francês SEPECAT Jaguar e o italiano Fiat G-91. Apesar de se tratar de opções acessíveis em termos econômicos, a escolha derivaria sobre uma quarta alternativa, o jato de treinamento e conversão italiano Aermacchi MB-326GB, que seria fabrico sob licença pela Embraer. resultando  no AT-26 Xavante. As primeiras células foram incorporadas no final de 1972, sendo destinadas ao 1º/1º GAvC – Esquadrão “Jambock” e ao 2º/1º GAvC – Esquadrão “Pif-Paf”, onde substituíram os  TF-33A. No início de 1973, a substituição também foi implementada no 1º/4º GAv, com  as aeronaves remanescentes sendo então concentradas no 1º/14º GAv, onde permaneceram em operação até 1975. No total, a foram operados 58 aeronaves das versões T-33A, TF-33, TF-33A e AT-33A entre 1956 e 1975. Apesar das perdas registradas ao longo de quase duas décadas de operação, a frota manteve elevados índices de disponibilidade graças ao trabalho desenvolvido pelos Parques de Material Aeronáutico, especialmente o PAMA Recife, responsável por grandes inspeções, recuperação estrutural e reincorporação de diversas células ao serviço ativo. Dentre os exemplares preservados encontram-se o TF-33 FAB 4328, no Museu da Academia da Força Aérea, um TF-33 na Base Aérea de Santa Cruz, o AT-33A FAB 4336 em exposição na Base Aérea de Canoas, e o TF-33 FAB 4364, no Museu Aeroespacial (MUSAL).

Em Escala.
Para representarmos o Lockheed TF-33A "FAB 4335" utilizamos o kit da Academy na escala 1/48, uma das melhores opções nesta escala para este modelo. Apesar de possuir um detalhamento interno espartano, o kit apresenta uma boa avaliação nos quesitos de facilidade de montagem e injeção das peças. Empregamos decais confeccionados pela FCM Decals presentes no antigo set 48/04.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado pelo 1º/14º GAv - Esquadrão "Pampa", quando do recebimento das primeiras células do modelo Lockheed TF-33A. A exceção de pequenas variações envolvendo detalhes em cores e marcações, este esquema perduraria até a desativação das duas versões em uso no Brasil.

Bibliografia:
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha