M-113AO Blindado Transporte (VBTP)

História e Desenvolvimento.
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.
Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental. Sua combinação de simplicidade mecânica, baixo custo operacional, elevada mobilidade e grande versatilidade despertou o interesse de mais de 20 paises, e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana.  Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava importantes aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência em operações prolongadas sob condições extremas. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional. Uma das maiores virtudes do M-113 residia em sua extraordinária versatilidade, seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos. Curiosamente, os primeiros exemplares incorporados por Israel não foram adquiridos diretamente dos Estados Unidos, mas sim capturados das forças jordanianas durante a Guerra dos Seis Dias.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de 30anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da década de 1940, os militares brasileiros almejavam iniciar um ambicioso movimento de modernização de seus meios,  com este este anseio passando a ser atendido a partir do ano de 1942, quando o Exército Brasileiro passaria a receber nos termos do programa de ajuda militar  Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) os  primeiros carros blindados de transporte de tropa dos modelos M3-A1 Scout Car sobre todas e meias lagartas M-2 e M-3. Curiosamente apesar de concebidos para missão de transporte de tropas no front de batalha, não seriam imediatamente empregados nesta missão, sendo destinados a tração de peças leves de artilharia. Este desvio de finalidade foi influenciado pela total imersão da força terrestre nacional na doutrina militar francesa que era fundamentada nas táticas da Primeira Guerra Mundial que era adepta da operação hipomóvel.  O aumento da influência norte-americana no país durante o conflito, iria impactar na mudança de mentalidade e doutrina da Força Terrestre, principalmente motivada pelo recebimento de um grande lote de veículos meia lagarta M-3, M-3A1 e M-5, o que possibilitaria pela primeira vez implementação de táticas de infantaria motorizada junto ao Exército Brasileiro.  Neste momento começaria a ser formada no país a doutrina de operação dos futuros Batalhões de Infantaria Blindada (BiB). Apesar de representar um grande avanço em termos operacionais, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, era notória a obsolescência desta família de blindados, muito em função de não proporcionar aos infantes uma proteção contra ameaças áreas e estilhaços diversos, por originalmente não possuir um teto rígido e não apresentar capacidade anfíbia. Este cenário começaria a mudar a partir de 1960, com recebimento de 20 carros blindados de transporte de tropas do modelo FMC M-59, podendo este ser considerado o primeiro Veículo Blindado de Transporte de Pessoal – VBTP sob esteiras em serviço no Exército Brasileiro. Após a implementação de um grande programa de revisão, estes carros passariam a equipar o 15º e o 16º  Regimento de Cavalaria Mecanizada (RC Mec) no Rio de Janeiro. Apesar de estar disponível em pouca quantidade na frota, a incorporação dos  M-59, seria de grande importância no processo de modernização da Força Terrestre, pois viriam a descortinar uma série de oportunidades de emprego operacional da infantaria blindada. Neste momento, porém, a outrora representativa frota de veículos blindados de transporte de tropas meia lagarta norte-americanos, enfrentava grandes problemas de disponibilidade, muito em virtude de graves problemas de falta de componentes de reposição dos motores originais a gasolina, se fazendo assim buscar uma solução a curto prazo para sua substituição desta combalida frota. Ainda neste contexto, as limitações operacionais do M-59 A1 VBTT, como sua baixa velocidade, autonomia restrita e dificuldades logísticas com a infraestrutura brasileira em razão do peso elevado, levaram o comando da Força Terrestre brasileira a declinar novas ofertas de cessão desse modelo no âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP). 

Como medida transitória para suprir as crescentes necessidades de modernização de sua força mecanizada, o Exército Brasileiro decidiu prolongar a vida útil de seus veteranos veículos blindados de transporte de pessoal meia-lagarta M-2, M-3 e M-5. A iniciativa foi conduzida pelo Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), que desenvolveu um amplo programa de repotenciação e remotorização desses blindados, permitindo sua permanência em serviço até que uma solução mais moderna pudesse ser incorporada. Paralelamente, o governo brasileiro buscava ampliar os benefícios obtidos por meio dos acordos de cooperação militar firmados com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Aproveitando as condições favoráveis oferecidas pelo Programa de Assistência Militar (MAP), foram iniciadas, em 1963, negociações destinadas à obtenção de novos equipamentos para reequipar e modernizar as Forças Armadas brasileiras. Como resultado desses entendimentos, foi aprovada a transferência de 84 veículos blindados de transporte de pessoal  M-113A0. Tratava-se da primeira versão de produção em série desse consagrado blindado, equipada com o motor a gasolina Chrysler 75M V-8 de 215 hp. Os veículos selecionados para o Brasil pertenciam a unidades operacionais do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) e estavam sendo gradualmente substituídos pela nova versão M-113A1, dotada de motorização diesel, tornando-os disponíveis para cessão aos países aliados. O cronograma de entrega teve início em maio de 1965, quando os 04 primeiros exemplares desembarcaram no Brasil. Apesar de usados, encontravam-se em excelentes condições de conservação e apresentavam baixa quilometragem, uma vez que haviam sido armazenados desde o ano anterior em depósitos do Ordnance Corps, no estado de Ohio. Três dessas viaturas foram destinadas à capacitação inicial de motoristas, mecânicos e instrutores, enquanto o quarto exemplar foi encaminhado, em julho daquele mesmo ano, à Escola de Material Bélico (EsMB), no Rio de Janeiro. Nesta organização o blindado serviu como plataforma de estudos para a elaboração da primeira documentação técnica em língua portuguesa referente ao novo veículo. O trabalho resultou na publicação, em março de 1969, do manual "VBTP M-113 – Veículo Blindado de Transporte de Pessoal", que passou a orientar os procedimentos de operação, manutenção e emprego tático da viatura. Coube à Seção de Motomecanização da escola a formação dos primeiros multiplicadores, responsáveis por disseminar o conhecimento técnico às unidades operacionais que receberiam o novo blindado. O processo de incorporação ganhou impulso em 1966, com a chegada de mais 40 veículos, seguida por um segundo lote de igual quantidade no ano seguinte. Essas remessas vieram acompanhadas por um expressivo estoque de peças de reposição, garantindo condições adequadas para a manutenção e sustentação logística da frota. Inicialmente, os M-113 foram distribuídos aos Batalhões de Infantaria Blindada sediados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, tornando-se o principal meio de transporte das unidades mecanizadas.
Em 1971, diante da crescente obsolescência de uma parcela significativa dos equipamentos militares ainda oriundos dos programas de assistência recebidos nas décadas de 1940 e 1950, o Estado-Maior do Exército elaborou um amplo plano de reequipamento destinado a modernizar e ampliar a capacidade operacional da Força Terrestre. Entre as prioridades estabelecidas figuravam o fortalecimento da mobilidade estratégica e tática das tropas, a renovação dos meios de transporte e o incremento da capacidade de combate das unidades blindadas e mecanizadas. O estudo previa a incorporação de aproximadamente mil viaturas militares de diferentes categorias, incluindo jipes Ford M-38, caminhões de transporte REO M-34 e M-35 e, de maneira particularmente relevante, novos veículos blindados de transporte de pessoal. Nesse contexto, foram conduzidas análises visando avaliar a viabilidade da produção sob licença do VBTP M-113 em território nacional. A proposta apresentava vantagens em termos de desenvolvimento industrial e autonomia logística, porém acabou sendo descartada em razão das condições extremamente favoráveis oferecidas pelo governo dos Estados Unidos. Por intermédio do Programa de Assistência Militar (MAP), foi disponibilizada ao Brasil a cessão imediata de 500  M-113A0, provenientes dos estoques de reserva do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Essas viaturas haviam sido retiradas gradualmente das unidades operacionais norte-americanas em virtude da introdução de versões mais modernas da família M-113, encontrando-se, contudo, em boas condições de uso e aptas a serem rapidamente incorporadas ao serviço ativo. O cronograma de transferência teve início ainda em 1971 e foi concluído nos primeiros meses de 1974. A chegada desse expressivo lote de blindados representou um dos mais importantes programas de modernização já realizados até então. A ampliação da frota permitiu a distribuição estratégica dos veículos por diversas organizações militares, com prioridade para os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB) e os Regimentos de Carros de Combate (RCC). Paralelamente, parte das viaturas foi destinada a unidades de artilharia, comunicações e infantaria, ampliando significativamente a mobilidade e a capacidade de apoio dessas organizações. A combinação entre proteção blindada, elevada mobilidade sobre lagartas e grande versatilidade operacional transformou o M-113 em um elemento fundamental para a evolução doutrinária da Força Terrestre. Sua incorporação permitiu não apenas a modernização dos meios existentes, mas também a reorganização estrutural de diversas unidades. Regimentos de Infantaria tradicionais passaram gradualmente a ser convertidos em Batalhões de Infantaria Blindada, consolidando uma doutrina de infantaria mecanizada mais moderna. Nos anos subsequentes,  alcançou-se  um nível de mobilidade mecanizada sem precedentes em sua história. A frota de M-113 chegou a equipar mais de 15 organizações militares de primeira linha

Essa capacidade permitiu a realização de exercícios de grande envergadura e a implementação de novas técnicas de combate combinado, integrando carros de combate, infantaria mecanizada, artilharia e apoio logístico em uma mesma estrutura operacional. Operando em conjunto com os carros de combate M-41, os M-113 passaram a constituir a espinha dorsal das forças mecanizadas brasileiras durante as décadas de 1970 e 1980. Essa combinação conferiu ao Exército Brasileiro um importante poder de dissuasão regional, contribuindo para o equilíbrio estratégico no Cone Sul. Naquele contexto, em que a Argentina era frequentemente considerada o principal cenário hipotético de emprego das forças terrestres nacionais, a ampliação da capacidade mecanizada brasileira representou um significativo fator de equilíbrio militar. Essas características permitiram que a frota fosse amplamente empregada em deslocamentos de longa distância por vias terrestres e ferroviárias, participando de exercícios e manobras de grande envergadura em diferentes regiões do território nacional. A robustez estrutural, a simplicidade mecânica e a elevada confiabilidade operacional do VBTP M-113 garantiram, ao longo dos primeiros anos de serviço, excelentes índices de disponibilidade proporcionados graças ao fluxo contínuo de peças de reposição e ao suporte logístico proporcionado pelos acordos de cooperação militar então vigentes com os Estados Unidos. Entretanto, esse cenário favorável começou a se alterar a partir de 1977, com a posse do presidente norte-americano Jimmy Carter. A nova administração passou a condicionar a continuidade dos programas de assistência militar e cooperação estratégica ao cumprimento de diretrizes relacionadas à política de direitos humanos pelos países beneficiários. Essa mudança de orientação provocou crescente desgaste nas relações bilaterais entre Brasília e Washington, particularmente no campo da cooperação militar. A reação do governo brasileiro foi imediata e contundente. Em comunicado oficial amplamente divulgado à época, o Brasil rejeitou qualquer forma de condicionamento político à assistência militar estrangeira, afirmando que assuntos internos constituíam matéria de exclusiva competência do Estado brasileiro. O posicionamento refletia a defesa da soberania nacional e evidenciava a deterioração do relacionamento estratégico que havia se consolidado desde o início da década de 1950. Nos meses subsequentes, o agravamento das divergências políticas culminou no rompimento do Acordo Militar Brasil–Estados Unidos, vigente desde 1952. A decisão teve consequências significativas uma vez que interrompeu não apenas os mecanismos de financiamento para aquisição de novos equipamentos, mas também os canais regulares de fornecimento de peças de reposição, componentes e suporte técnico destinados aos materiais de origem norte-americana então em serviço. Entre os sistemas mais afetados encontrava-se a extensa  frota de blindados M-113AO, dependentes de uma cadeia logística externa para o fornecimento de componentes específicos, esses blindados passaram a enfrentar dificuldades crescentes de manutenção. Em poucos anos, os índices de disponibilidade operacional começaram a apresentar declínio gradual, consequência direta da escassez de peças sobressalentes.
A situação tornou-se ainda mais complexa em virtude da crise internacional do petróleo, que atingiu seu auge ao longo da década de 1970, pois os M-113AO eram equipados com dispendiosos motores a gasolina, e escalada dos preços internacionais provocou um aumento substancial dos custos operacionais da frota, impactando diretamente os recursos destinados às atividades de instrução e adestramento. Como consequência, diversas unidades passaram a reduzir a frequência de exercícios e deslocamentos de longa distância, buscando adequar seus programas de treinamento às restrições orçamentárias.  Diante desse contexto, passou a estudar alternativas capazes de assegurar a continuidade operacional da frota. Entre as soluções analisadas figuravam programas de nacionalização de componentes, modernizações localizadas e, principalmente, a substituição dos motores originais por grupos propulsores diesel. Esta solução  prometia maior economia de combustível, maior autonomia e menor dependência de suprimentos externos, assim os primeiros estudos neste sentido foram autorizados pela Diretoria de Motomecanização (DMM).  Neste contexto o Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2) de São Paulo, iniciaria a primeira tentativa, fazendo uso de um motor Deutz V-8 Diesel, porem este processo não lograria êxito, tendo em vista que o fabricante encerraria suas operações no pais. Curiosamente apesar da urgência pela recuperação da capacidade operacional da frota, este programa somente seria retomado em 1981, mediante uma proposta apresentada pela  Biselli Viaturas e equipamentos Industriais Ltda. Esta solução envolvia a adaptação de um motor  Fiat 8210.22 Iveco 150, o qual não produziria os resultados esperados. Em 1982, seria estabelecido o Plano Geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (PGPDEx) para a área de material, surgindo assim o projeto M.01.11 Viatura Blindada de Transporte Pessoal  XM113-B, Lagarta, que visava dotar as unidades operativas com os M-113 modernizados.  Sua conclusão estaria prevista para o ano de 1984, o objetivo principal era a adaptação de um motor a diesel de fabricação nacional, capaz de utilizar óleos vegetais ou álcool aditivado, em substituição ao motor original a gasolina. Estava ainda previsto adaptar uma torreta para a metralhadora, possibilitando ao atirador combater sem se expor. O orçamento preliminar do projeto, era da ordem de Cr$ 415 milhões de cruzeiros, com o projeto sendo coordenado pelo recém-criado Centro Tecnológico do Exército (CTEx), ficando a execução a cargo da empresa Lacombe Indústria e Comércio de Tubos S/A em parceria com o Parque Regional de Motomecanização da 5º Região Militar (PqRMM/5). Porém logo verificou-se, que o pequeno porte desta empresa não era compatível com a dimensão deste projeto, levando a decisão de se transferir o programa para a Moto Peças Transmissões S/A.  Os primeiros testes de campo coordenados pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), ocorreriam em julho de 1983, fazendo uso do primeiro protótipo equipado com o motor Mercedes-Benz OM-352A, com este recebendo a designação de  M-113B. Os resultados aferidos neste processo culminariam na assinatura  de um contrato envolvendo a  totalidade da frota , com seu cronograma sendo estabelecido entre 1985 a 1988.  

Em Escala. 
Para recriar com fidelidade o Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP) M-113A0, identificado com a matrícula EB10-395, optamos pelo kit produzido pela Tamiya na escala 1/35. Este modelo é reconhecido pela facilidade de montagem e pelo excepcional nível de detalhamento, especialmente em seu interior, . Com o objetivo de destacar o grupo motriz, decidimos mantê-lo visível, incorporando peças complementares provenientes de um kit da Academy na mesma escala, enriquecendo ainda mais a representação técnica do veículo.  Para a aplicação das marcações, utilizamos decais de alta qualidade fabricados pela Eletric Products, extraídos do conjunto "Veículos Militares Brasileiros 1944-1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano empregado pelo Exército Brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial. sendo mantido nos VBTP M-113A0 até a implementação do processo de modernização a partir de 1983. Os blindados repontenciados emergiriam deste programa  ostentando o novo esquema de camuflagem tático de dois tons adotados pela Força Terrestre neste período.
Bibliografia : 
- Military Analisys Network http://www.fas.org/man/dod-101/sys/land/m113.htm
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado, Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- M-113 no Brasil - Expedito Carlos Stephani Bastos