M-8B Ford Repotenciado (VBR)

História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Um dos pilares fundamentais dessa tática baseava-se no desenvolvimento de novos carros de combate que, ao entrarem em ação a partir de setembro de 1939, demonstraram superioridade em diversos aspectos em relação a seus equivalentes britânicos, soviéticos, norte-americanos e franceses. Apesar das restrições impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes (assinado ao término da Primeira Guerra Mundial, em 1918), era evidente que o regime nazista avançava rapidamente em seu programa de rearmamento — um fato que não passou despercebido pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Relatórios elaborados por esses serviços detalhavam o crescente potencial das forças armadas alemãs, incluindo projeções de aumento do efetivo militar e da produção de equipamentos. Particular atenção foi dada aos novos modelos de carros de combate Panzer I e II, que, em muitos aspectos, superavam os modelos leves M-1 e M-2, então em serviço nas unidades de cavalaria blindada do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Diante desse cenário, em abril de 1939 foi iniciado um programa de estudos com o objetivo de conceber uma nova geração de carros de combate e veículos blindados capazes de rivalizar com os modelos alemães em um eventual conflito. Essa iniciativa foi conduzida pelo Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department), sediado em Fort Lee, Virgínia, e resultou no desenvolvimento de blindados sobre esteiras e sobre rodas. Os primeiros frutos desse esforço materializaram-se nos projetos dos carros de combate médios M-3 Lee e M-4 Sherman. No campo de batalha, essas viaturas deveriam ser complementadas por um novo modelo de veículo blindado antitanque leve, destinado a substituir o já obsoleto GMC M-6 Gun Motor Carriage — um blindado sobre rodas derivado do utilitário General Motors WC-5, com tração 4x4. Os parâmetros estabelecidos para o desenvolvimento desse veículo especificavam um blindado leve e ágil, dotado de tração integral do tipo 6x6, equipado com um canhão M6 de 37 mm (o mesmo utilizado nos carros de combate leves M-3 Stuart), montado em uma torre giratória, além de duas metralhadoras Browning,  de calibres .50 e .30, para autodefesa.

Com essas definições, foi deflagrada uma concorrência visando à aquisição de um lote substancial desses blindados. Para tal, constituiu-se uma comissão técnica no Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD – Department of Defense), responsável por receber e avaliar as propostas técnicas e comerciais de possíveis fornecedores. As análises iniciais resultaram em uma lista final (shortlist) com três empresas concorrentes: a Studebaker Automotive Company, com seu modelo T-21; a Ford Motor Company, com o T-22; e, por fim, a Chrysler Automotive Company, com o T-23. Para viabilizar o desenvolvimento dos projetos, foram disponibilizadas linhas de financiamento governamental para a construção dos protótipos, concluídos entre os meses de outubro e novembro de 1941. Em seguida, iniciou-se um rigoroso programa de testes no campo de provas de Aberdeen Proving Ground, em Maryland, prolongando-se até março do ano seguinte. Durante esse processo, o modelo T-22, da Ford, destacou-se nas avaliações comparativas em relação aos demais concorrentes. Embora tenha sido declarado vencedor da concorrência, o T-22 apresentou algumas deficiências que exigiam correções e melhorias no projeto. Essas modificações foram implementadas pela equipe de engenharia da montadora, resultando na versão inicial de produção, denominada T-22E2. No entanto, nesse momento, já era evidente que o canhão de 37 mm não se mostrava mais eficaz contra as blindagens frontais e laterais dos novos carros de combate alemães e italianos, que estavam equipados com armamentos de maior calibre. Assim, em um hipotético confronto contra forças do Eixo, o T-22 tornar-se-ia um alvo vulnerável, especialmente porque sua blindagem fora projetada para resistir apenas ao impacto de armamentos leves, limitando severamente sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Apesar dessa limitação crítica, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) optou por seguir com a produção em larga escala do veículo, decisão fortemente influenciada pela intensificação das tensões políticas na Europa e no Pacífico. A necessidade urgente de implementação de um amplo programa de reequipamento militar levou à redefinição do papel do T-22E2, que passou a ser destinado especificamente a missões de reconhecimento no campo de batalha. Para atender a essa nova função, o veículo recebeu uma série de modificações estruturais e operacionais. Com os ajustes técnicos definidos, iniciou-se a fase de negociação comercial para sua produção em série. No entanto, esse processo enfrentou graves entraves burocráticos, relacionados à formalização do contrato de fabricação, o que atrasou sua entrada em serviço. Esses entraves negociais resultaram em um significativo atraso no cronograma original de produção, com as primeiras unidades sendo concluídas apenas em meados de março de 1943.
Assim que foram finalizadas, passaram a ser distribuídas às unidades operacionais, recebendo, nesse momento, a designação militar de M-8. O casco do veículo era composto predominantemente por chapas soldadas, embora alguns painéis externos fossem rebitados à estrutura. Suas seis rodas eram protegidas por escudos laterais removíveis, enquanto a seção traseira possuía uma estrutura alada, permitindo que fossem dobradas e equipadas com correntes para pneus em condições de neve. O M-8 era propulsionado por um motor Hercules Model JXD, um seis cilindros em linha a gasolina, capaz de gerar 110 hp de potência. Esse conjunto mecânico proporcionava ao blindado uma velocidade média de 48 km/h (30 mph) em terrenos irregulares e 90 km/h (56 mph) em estradas pavimentadas. O consumo médio de combustível era de aproximadamente 7,5 milhas por galão (mpg), e seus tanques tinham capacidade para 59 galões, conferindo-lhe um alcance operacional de 640 km (400 milhas). A posição do motorista estava localizada à esquerda, enquanto o operador de rádio se sentava à direita. Ambos eram acomodados em um compartimento saliente, protegido por painéis blindados dobráveis de duas peças e visores estreitos. A torre do veículo, aberta na parte superior, abrigava o comandante e o artilheiro. Apesar da ausência de um teto fechado, era possível utilizar persianas e tampas de escotilhas para proteção adicional, além de pequenos periscópios para garantir visão periférica. O armamento principal do M-8 era composto por um canhão M6 de 37 mm, apontado por meio de uma mira telescópica M70D. O veículo transportava 80 cartuchos para o canhão, porém, o espaço interno permitia armazenar apenas 16 projéteis prontos para uso imediato. Para autodefesa, era equipado com duas metralhadoras, abastecidas com 1.500 cartuchos, além de quatro lançadores de fumaça M1 e M2. Opcionalmente, podia transportar até seis minas terrestres (antitanque ou explosivas de alto poder destrutivo - HE), montadas externamente, além de carabinas M1 para uso da tripulação. Devido ao espaço interno reduzido, diversos ganchos e suportes foram instalados tanto na torre quanto no casco, permitindo o armazenamento de equipamentos essenciais. Como resultado, a maioria dos itens pessoais da tripulação foi montada externamente sobre os para-lamas dianteiros e traseiros. Entre os acessórios transportados externamente estavam mochilas, ferramentas, cabos e, posteriormente, sacos de areia, adicionados como medida extra de proteção. O M-8 também foi equipado com um avançado sistema de comunicação, essencial para o cumprimento de suas missões de reconhecimento. Inicialmente, utilizava o rádio SCR-506, posteriormente substituído pelos modelos SCR-510, SCR-608 e SCR-610, todos de longo alcance. O sistema de rádio era operado internamente pelo comandante do veículo, permitindo contato direto com o Quartel-General, com unidades avançadas de comando na linha de frente ou até mesmo com forças atuando em teatros de operações mais distantes.

Em operação, o M-8 foi incumbido de proporcionar às divisões de infantaria e blindadas a capacidade de reconhecimento avançado no campo de batalha, atuando como os "olhos e ouvidos" do Exército dos Estados Unidos (US Army). Nessa função, a velocidade e a agilidade na linha de frente foram priorizadas em detrimento do poder de fogo e da blindagem. A missão da cavalaria blindada consistia em estabelecer contato no momento mais propício, visando atacar, conquistar e manter as posições estratégicas. Nesse contexto, as unidades de reconhecimento equipadas com o M-8 tinham a responsabilidade de identificar e estabelecer contato antecipado com contingentes hostis, relatando sua força, composição, disposição e movimentos. Essas informações permitiam que o corpo principal aliado dispusesse de tempo hábil para a elaboração de estratégias e táticas para o enfrentamento futuro. Durante operações de retirada, as unidades de cavalaria blindada equipadas com o Ford M-8 foram encarregadas de estabelecer uma força de triagem junto às unidades principais, auxiliando na organização e execução do processo. Com o aumento da produção, um grande número desses blindados foi distribuído às unidades operacionais nos teatros de operações do Pacífico e na Inglaterra, onde foram armazenados em centros logísticos para seu futuro emprego nas operações de reconquista da Europa. O batismo de fogo do M-8 ocorreu no início de julho de 1943, durante a invasão da Sicília pelos Aliados, na operação denominada "Operação Husky". Após os desembarques iniciais e a subsequente consolidação da cabeça de ponte, dezenas de unidades do M-8 foram empregadas em missões de reconhecimento. Nessa campanha, o veículo demonstrou grande eficácia, não apenas devido à sua agilidade e velocidade, mas também por estar equipado com um dos mais avançados sistemas de rádio de longo alcance da época. Essa superioridade tecnológica permitia que as unidades de reconhecimento mantivessem um alto grau de surpresa e reduzissem significativamente a possibilidade de detecção pelas forças inimigas. Outro fator determinante para seu sucesso estava na concepção do seu conjunto motriz, cujos sistemas e componentes mecânicos foram projetados para operar de maneira silenciosa. Como resultado, as unidades de reconhecimento do Terceiro Exército dos Estados Unidos receberam dos alemães o apelido de "Fantasmas de Patton", em referência ao General George S. Patton. O M-8 esteve presente nas principais batalhas do conflito, embora sua blindagem relativamente leve o tornasse vulnerável a disparos de veículos blindados inimigos, como o Sd.Kfz. 234 Puma, além de carros de combate e armas antitanque alemãs. No teatro de operações do Pacífico, o veículo assumiu uma função distinta: a de destruidor de tanques. Isso se deve ao fato de que a maioria dos carros de combate japoneses possuía blindagem leve, tornando-os vulneráveis ao canhão M6 de 37 mm. Milhares de unidades desses blindados foram fornecidas a nações aliadas por meio do programa Lend & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), beneficiando principalmente as Forças Francesas Livres, bem como o Reino Unido, Austrália, Canadá e Brasil. O apelido "Greyhound" foi atribuído por seus operadores no Exército Real Britânico (Royal Army), embora raramente, ou nunca, tenha sido utilizado pelas tropas norte-americanas. Durante sua utilização na Europa, tornou-se necessária a adoção de kits de blindagem adicional no assoalho do veículo, a fim de minimizar as perdas causadas por minas terrestres alemãs e italianas. No entanto, mesmo com essa modificação, a operação do M-8 em estradas tornou-se menos recomendada, restringindo seu uso a terrenos montanhosos, áreas de lama profunda e regiões cobertas de neve.
Um dos episódios mais notáveis envolvendo o M-8 ocorreu durante a Batalha das Ardenas, especificamente na Batalha de St. Vith. Nessa ocasião, um veículo pertencente ao 87º Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria conseguiu destruir um carro de combate Panzerkampfwagen VI Tiger. O êxito da investida deveu-se à habilidade da tripulação, que manobrou estrategicamente, posicionando-se na parte traseira do tanque alemão e disparando três projéteis de 37 mm diretamente contra sua blindagem posterior, relativamente delgada. Os disparos resultaram em um incêndio no compartimento do motor do Tiger, inutilizando o blindado inimigo. Após o término do conflito, os Ford M-8 foram novamente empregados em missões de combate durante a Guerra da Coreia (1950-1953), sendo utilizados também para escolta de prisioneiros de guerra e defesa de bases militares pelo Corpo da Polícia Militar (Military Police). Em 1955, um pequeno contingente remanescente do modelo ainda em serviço no Exército dos Estados Unidos (US Army) foi concentrado em cinco regimentos de cavalaria blindada, enquanto as demais unidades foram armazenadas como "excedente militar", destinadas a nações aliadas por meio do Programa de Assistência Militar (MAP - Military Assistance Program). A França tornou-se o maior operador do Ford M-8 no período pós-guerra, recebendo centenas de unidades entre 1945 e 1954. O veículo foi amplamente utilizado na Primeira Guerra da Indochina, permanecendo em serviço até o fim do conflito, quando muitas unidades foram transferidas ao Exército da República do Vietnã (ARVN). Além disso, a Legião Estrangeira Francesa (FFL) empregou o blindado durante a Guerra de Independência da Argélia (1954–1962). Ainda no continente africano, o M-8 Greyhound foi utilizado pelas Forças Armadas da Bélgica, operando em conjunto com as tropas da Force Publique no então Congo Belga. Entre 1943 e 1945, um total de 8.523 unidades do M-8 foram produzidas pelas fábricas da Ford Motor Company em Chicago, Illinois, e Saint Paul, Minnesota. No período pós-guerra, o modelo permaneceu em operação nas forças armadas de diversos países, incluindo: Benin, Camarões, Burquina Faso, Colômbia, Guatemala, Madagascar, Chipre, Paraguai, Peru, Argélia, Áustria, Bélgica, Camboja, Cuba, República Democrática do Congo, El Salvador, Etiópia, Alemanha Ocidental, Grécia, Haiti, Indonésia, Irã, Itália, Costa do Marfim, Jamaica, Katanga, Laos, Mauritânia, México, Marrocos, Holanda, Nigéria, Noruega, Portugal, República da China (Taiwan), Arábia Saudita, Senegal, Coreia do Sul, Vietnã do Sul, Suécia, Tailândia, Togo, Tunísia, Turquia, Venezuela, Iugoslávia e as forças de manutenção da paz das Nações Unidas (ONU). Durante as décadas de 1960 e 1970, diversas empresas francesas e norte-americanas desenvolveram kits de modernização para o M-8, fornecidos a países como Chipre, Etiópia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, Marrocos, Venezuela e Zaire. Essas modificações incluíam a substituição do motor original por versões a diesel, além da instalação de novas transmissões. Dentre os processos de modernização, destaca-se aquele realizado pelo Exército Nacional da Colômbia, que não apenas aprimorou as características mecânicas do veículo, mas também o adaptou para servir como plataforma de lançamento dos mísseis antitanque norte-americanos Hughes BGM-71 TOW. Atualmente, algumas centenas de unidades do Ford M-8 ainda permanecem em operação em exércitos da África e da América do Sul.

Emprego no Exército Brasileiro.
O uso de carros blindados sobre rodas no Exército Brasileiro teve início em 1943, quando, de acordo com os termos do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), foram recebidos os primeiros modelos Ford T-17 Deerhound e Ford M-8 Greyhound. A doutrina operacional foi desenvolvida em combate, particularmente através da participação do Ford M-8 na Campanha da Itália, sob a atuação do 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec), que fazia parte da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Esses veículos blindados desempenharam papéis cruciais em várias batalhas e momentos marcantes da FEB, notavelmente na vitória em Monte Castelo, na rendição da 148ª Divisão Alemã e na capitulação dos remanescentes da Divisão Monte Rosa italiana. Durante o rompimento da Linha Gótica, em fevereiro de 1945, uma das últimas defesas organizadas do Exército Alemão na Itália, os carros blindados sobre rodas tiveram um papel significativo, particularmente na Batalha de Montese. Neste período, foram adquiridas experiências vitais em situações de emprego real, e o esquadrão contribuiu profundamente para as vitórias obtidas pelo Exército Brasileiro. Após a rendição alemã, ocorrida em 8 de maio de 1945, o contingente da Força Expedicionária Brasileira foi desmobilizado, iniciando-se o processo de repatriação das tropas. Os Ford M-8 Greyhound, juntamente com outros veículos, armas e equipamentos cedidos pelos norte-americanos, foram entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army) na cidade de Roma. Nessa localidade, os veículos, equipamentos e armamentos em melhores condições de conservação foram armazenados e, posteriormente, enviados ao Brasil por via naval, incluindo os treze blindados Ford M-8 remanescentes. É importante ressaltar que, ainda dentro do âmbito do programa de assistência militar estabelecido, vinte unidades adicionais do Ford M-8 foram recebidas no Brasil no início de 1945. Essa aquisição possibilitou ao Exército Brasileiro expandir suas capacidades operacionais, com os blindados sendo integrados às unidades de reconhecimento mecanizado localizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto os Ford T-17 Deerhound permaneceram concentrados na região Sul do país.Nos anos seguintes, os Ford M-8 desempenharam um papel fundamental na formação da base da cavalaria mecanizada no Brasil, viabilizando a transição da doutrina hipomóvel para a mecanizada. Essa evolução contribuiu significativamente para a consolidação do Brasil como uma potência militar regional na América do Sul, estabelecendo-o como a principal força de cavalaria blindada e permitindo-lhe projetar poder em sua fronteira sul, especialmente em relação a possíveis antagonismos militares com a Argentina.

Nos anos subsequentes, o Exército Brasileiro recebeu novos lotes de material militar proveniente dos Estados Unidos, através do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program - MAP), que, em seus termos originais, ofereceu condições extremamente favoráveis para a aquisição de mais de uma centena de viaturas blindadas Ford M-8 e M-20 (versão de comando). Esses veículos, anteriormente pertencentes ao Exército dos Estados Unidos, foram armazenados no final da década de 1940 e, posteriormente, foram classificados como excedentes militares. Com isso, a frota brasileira foi ampliada significativamente, atingindo um total de cento e cinquenta unidades, o que fortaleceu consideravelmente a capacidade operacional dos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado. As viaturas, agora designadas como VBR M-8 Greyhound (Viatura Blindada sobre Rodas), passaram a operar em conjunto com carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart, além dos modelos médios Sherman M-4, M-4A1 e M-4 Composite Hull. A Força Terrestre, ao adotar as táticas empregadas durante o conflito e ao dispor de um acervo diversificado de viaturas blindadas, alcançou um patamar operacional sem precedentes em sua história moderna. Entretanto, a partir do início da década de 1960, a frota de blindados M-8, já envelhecida, começou a apresentar preocupantes índices de disponibilidade, especialmente em razão das dificuldades crescentes para a obtenção de peças de reposição para os antigos motores a gasolina Hercules JXD de seis cilindros e 100 hp. Esse cenário gerou uma crescente preocupação quanto à viabilidade da continuidade operacional da frota. Neste contexto, as projeções indicavam um iminente colapso dessa frota, uma vez que, naquela época, restavam poucas unidades do Ford T-17 Deerhound em operação, sendo estas predominantemente utilizadas pela Polícia do Exército (PE), o que reduzia consideravelmente o número de viaturas disponíveis para os Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado. A solução primordial para essa situação residia na aquisição de modelos modernos, conforme os termos estabelecidos pelo Programa de Assistência Militar (MAP - Military Assistance Program). Durante esse período, foram recebidos novos carros de combate, como os M-41 Walker Bulldog, blindados de transporte de tropa M-59 e outras viaturas. Curiosamente, não foram recebidos veículos de categoria similar aos M-8 e M-20. Como resultado, a solução voltou-se para estudos destinados ao repotenciamento dessas viaturas blindadas sobre rodas, com o objetivo de restabelecer uma mínima capacidade operacional para os Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado.
Esta hercúlea tarefa seria destinada ao Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), organização militar que teve sua gênese durante a participação do Brasil na Segunda Guerra, neste momento evidenciou-se a necessidade de modernização da Força Terrestre. Surgiria o Plano de Reorganização do Exército, baseado num acordo firmado entre os governos brasileiro e americano, que prescreveu a criação, no Brasil, de uma réplica de um Parque de Manutenção do Exército dos Estados Unidos (US Army). Assim, em 16 de junho de 1944, durante a gestão do Gen Eurico Gaspar Dutra como Ministro da Guerra, foi fundado o Parque Central de Motomecanização (PqCMM), inicialmente funcionando no Palácio da Guerra. Em janeiro do ano seguinte passou a ocupar novas instalações na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, constituindo-se no primeiro Parque de Manutenção do Exército Brasileiro. Esta organização seria incumbida de realizar a recuperação do material de motomecanização, as reparações de veículos, conjuntos e subconjuntos que, por sua complexidade, escapassem às atribuições dos escalões inferiores. Além disso, executaria a fabricação de peças isoladas ou conjuntos elementares que, a juízo da extinta Diretoria de Motomecanização.  Eventualmente, poderia ainda efetuar estudos de tipos e transformações de material, fabricação de protótipos e estudos de produção e montagem, de acordo com as diretivas emanadas da Diretoria de Motomecanização. A envergadura de suas atividades era de tal monta que o Parque Central de Motomecanização PqCMM influiu decisivamente na criação, em 1946, do Curso de Engenharia Mecânica e Automóveis, na então Escola Técnica do Exército, atual Instituto Militar de Engenharia. O êxito desta organização levaria em 1947 a ampliação desta estrutura, sendo criado o Depósito Regional Material Bélico/2ª RM Barueri. Em 17 de dezembro de 1957 através do  Decreto nº 42.834 este processo evoluiria com a criação do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar.  Desde seu início a exemplo do Parque Central de Motomecanização (PqCMM), o  PqRMM/2 se destacaria pelo profissionalismo e qualificação técnica de suas equipes, sendo destinada então a proceder a complexa tarefa de repotenciamento das antigas viaturas norte-americanas. Este programa se dividiria em três etapas, com a primeira voltada a adaptar motores e outros componentes mecânicos nacionais em veículos sobre rodas e lagartas. As principais tarefas eram formar equipes especializadas, criar confiança na capacidade tecnológica local e iniciar uma verdadeira escola de projetos e engenharia experimental.   

A primeira realização se daria com o sucesso ao se substituir o motor original a gasolina de uma viatura meia lagarta M-2 por um modelo a diesel nacional, todo este trabalho seria desenvolvido em conjunto com a Perkins do Brasil, com a supervisão dos oficiais engenheiros do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2). Seriam devolvidos trabalhos relativos a adaptação do novo motor, modificação no sistema de alimentação original; fabricação de reservatórios de combustível à prova de balas e instalações de novas lagartas desenvolvidas internamente e produzidas pela empresa Novatração  S/A. Em seguida este protótipo seria extensivamente testado em estradas e terrenos irregulares pelo  2º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, os resultados deste programa comprovariam uma melhoria de desempenho, maior economia de combustível e elevado nível de confiabilidade na utilização do veículo. O projeto se mostrou tão exitoso que levara a Diretoria de Mecanização (DMM) a adotar o programa como uma solução padrão para recuperação de todos os veículos desse tipo existentes no Exército Brasileiro (modelos M-2, M-3, M-3 A1 e M-5) e, dessa forma, deu-lhes sobrevida maior, tornando-os operacionais por muitos anos ainda. Em fins do ano de 1967, seria decidido como próximo passo estender um programa semelhante a um Ford M-8 VBR, este processo de repotenciamento envolveria principalmente a troca do motor original a gasolina Hercules JXD  gasolina de 110 hp por nacional a diesel Mercedes-Benz OM 321 de 6 cilindros de 120 hp de potência. Seriam trocados também a caixa de câmbio manual, diferencial e seu sistema de freio dianteiro, sendo fabricados também pela própria montadora e por fim toda sua parte elétrica. Um detalhe curioso é que todo o trabalho foi feito em sigilo pelas equipes técnicas da montadora e do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) nas instalações da planta fabril da Mercedes Benz do Brasil S/A na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Este protótipo após concluído seria empregado em um programa de testes campo entre os anos de 1968 e 1969, apresentando resultados extremamente satisfatórios, levando a Diretoria de Motomecanização (DMM) a decidir pela aplicação deste programa em um lote piloto de 33 viaturas Ford M-8 VBR e dois Ford M-20 Carro Comando. Estes trabalhos agora seriam conduzidos junto as oficinas do Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2), com os primeiros carros sendo devolvidos aos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado a partir do início do ano de 1970. A seguir seria contratada o repotenciamento de mais viaturas destes dois modelos, com seu cronograma de entrega se estendendo até meados do ano do 1972. 
Antes mesmo da conclusão do programa de repontenciamento, seria explorado um novo conceito de emprego, visando transformar a plataforma em um veículo de ataque mais eficiente, estudando transformar a viatura em um sistema de lança foguetes que operaria em modo semelhante ao sistema russo Katiusha com o objetivo de saturação de área.  Esta alternativa seria capitaneada pela Diretoria de Pesquisa e Ensino Técnico do Exército (DPET), que desenvolveria a adaptação da torre original para o emprego dos lançadores triplos de foguetes M-10 de 81 mm originalmente desenvolvidos para o caça bombardeiros Republic P-47 Thunderbolt. Nesta época este sistema de armas já havia sido desativado e se encontravam disponíveis em grandes quantidades nos paióis da Força Aérea Brasileira, podendo então ser tranquilamente empregados neste projeto.  Uma nova torre com giro de 360º seria desenvolvida pelo Arsenal de Guerra da Urca, no Rio de Janeiro, que suportariam dois conjuntos com sete unidades dos lançadores de foguetes M-10 instalados em suas laterais.  Um protótipo deste sistema seria instalado em um Ford M-8B com matrícula EB-11070, sendo testado em campo, mostrando resultados promissores. Posteriormente uma segunda versão deste veículo seria criada, mantendo sua torre original sem o canhão e mantelete, acoplando dois lançadores rotativos iguais para foguetes de 81 mm, com seus foguetes sendo armazenados em compartimentos independentes. Posteriormente uma segunda torre seria construída mantendo sua torre original, sem o canhão e mantelete, acoplando as laterais dois lançadores rotativos iguais para os lançadores agora produzidos nacionalmente. Neste conceito os foguetes de 81 mm seriam armazenados em compartimentos independentes, e os disparos individuais, feitos em cada um dos dois tubos. Esta solução seria testada, mas não entraria em produção devido a priorização de recursos para outros programas. O M-8B EB-11070 mesmo se tratando de um protótipo, seria apresentado oficialmente, recebendo as marcações do 1º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, passando a participar de inúmeros desfiles. Por fim a grande contribuição do processo de repotenciamento dos Ford M-8 e M-20 se daria pela obtenção de grande experiencia e qualificação teórica e prática que permitiria ao corpo técnico de engenharia do Exército Brasileiro. Os frutos deste conhecimento adquirido seriam materializados no desenvolvimento do conceito de um veículo leve sobre rodas de combate 4X4  o "VBB-1" (Viatura Blindada Brasileira 1), que logo em seguida evoluiria para o "VBB-2" (Viatura Blindada Brasileira 2) com tração 6X6. Nos anos seguintes os M-8B seguiram atuando, passando a ser gradualmente retirados das unidades operativas após o recebimento dos primeiros Engesa EE-9 Cascavel "Magro". A partir deste momento seriam alocados junto as unidades de Polícia do Exército (PE), com os últimos sendo retirados do serviço ativo somente em meados do ano de 1987, completando uma carreira de mais de quarenta anos. 

Em Escala. 
Para representarmos o Ford M-8B Repotenciado "EB-11070" configurado na primeira versão do protótipo do sistema lançador de foguetes fizemos uso do kit da Italeri na escala 1/35 em conjunto com o set de conversão impresso em resina 3D pela Hobvy Hudy.  A configuração é extremamente simples mantendo a base da torre original acoplando no conjunto em resina. Empregamos decais confeccionados pela FCM Decals presentes no set 35/01.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano adotado pelo Exército Brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial, com este prevalecendo na frota dos blindados sobre rodas Ford M-8 durante toda sua carreira de serviço no país. Ainda citamos que o M-8B "EB-11070" recebeu diversos esquemas de aplicações de matrículas e marcações nacionais durante o período em que esteve envolvido neste projeto. 

Bibliografia : 

- M-8 Greyhound - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M8_Greyhound 

- Blindados no Brasil  - Volume I – Expedito Carlos Stephani Bastos 

- Origem do Conceito 6X6 do Veículo Blindado no Exército Brasileiro - http://www.funceb.org.br/images/revista/20_1n8q.pdf 


M-113A1G e XM-806EI (VtrBldEspSL)

História e Desenvolvimento. 
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental. Sua combinação de simplicidade mecânica, baixo custo operacional, elevada mobilidade e grande versatilidade despertou o interesse de mais de 20 paises, e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana.  Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava importantes aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência em operações prolongadas sob condições extremas. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional. Uma das maiores virtudes do M-113 residia em sua extraordinária versatilidade, seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos. Curiosamente, os primeiros exemplares incorporados por Israel não foram adquiridos diretamente dos Estados Unidos, mas sim capturados das forças jordanianas durante a Guerra dos Seis Dias.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de 30anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) foi criada em 1950 com o propósito de estabelecer uma estrutura de combate anfíbia moderna, inspirada nos conceitos operacionais adotados pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Nos anos subsequentes, foram empreendidos os primeiros esforços para a consolidação dessa capacidade, com a incorporação gradual dos meios navais, terrestres e logísticos necessários à execução de operações anfíbias em larga escala. Nesse contexto, a Marinha do Brasil recebeu os primeiros navios especializados no transporte de tropas, entre eles os transportes de tropa G-20 Custódio de Mello, G-16 Barroso Pereira, G-21 Ary Parreiras e G-22 Soares Dutra, além de embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM). A incorporação desses meios permitiu o estabelecimento das bases doutrinárias e operacionais para a realização de desembarques anfíbios organizados, ampliando significativamente as capacidades expedicionárias da Força. Paralelamente, foram adquiridos os primeiros veículos destinados ao apoio das operações de desembarque, incluindo os jipes M-38A1/1C e Willys CJ-5, bem como os  Dodge M-37. Esses veículos eram transportados e desembarcados pelas embarcações de desembarque, proporcionando mobilidade às tropas logo após a conquista da cabeça de praia. A disponibilidade desses recursos possibilitou o início dos primeiros ciclos de adestramento anfíbio, concentrados em operações de menor complexidade envolvendo o desembarque de tropas, veículos leves, peças de artilharia e suprimentos. Essas atividades constituíram a base para o desenvolvimento da futura doutrina anfíbia brasileira. Ao longo da década de 1960 e no início dos anos 1970, estudos passaram a ser conduzidos visando à aquisição de veículos anfíbios blindados capazes de ampliar a mobilidade e a proteção das tropas durante as operações de assalto anfíbio. Entre os modelos analisados destacavam-se o veículo anfíbio LVTP-5 e o veículo blindado de transporte de pessoal FMC M-113. Contudo, apesar das vantagens operacionais oferecidas por essas plataformas, seus elevados custos de aquisição tornavam inviável sua incorporação dentro das limitações orçamentárias então enfrentadas pela Marinha do Brasil. Como solução intermediária, foi adquirido em 1972 um lote de caminhões anfíbios GMC DUKW provenientes dos estoques excedentes da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Embora esses veículos representassem um avanço importante na capacidade de transporte anfíbio, não atendiam plenamente aos requisitos de proteção e mobilidade exigidos para operações de combate. A necessidade de um moderno veículo blindado de transporte de tropas começou a ser parcialmente atendida em 1973, quando foram incorporadas as primeiras viaturas Engesa EE-11 Urutu. Esses blindados passaram a equipar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), unidade subordinada ao Comando da Divisão Anfíbia e responsável pelo apoio à mobilidade das forças desembarcadas. Entretanto, a experiência operacional logo evidenciou algumas limitações do EE-11 Urutu no contexto específico das operações anfíbias. Sua configuração sobre rodas, embora adequada para deslocamentos em estradas e terrenos firmes, apresentava restrições de mobilidade em ambientes arenosos e em determinados tipos de praias, reduzindo sua eficiência durante as fases iniciais do desembarque.

Com base nas lições aprendidas,  passou-se a considerar a aquisição de uma família de veículos blindados de transporte de tropas sobre lagartas, considerada mais adequada às exigências das operações anfíbias. As aspirações iniciais apontavam para a incorporação do moderno veículo de assalto anfíbio  AAV-7A1. Todavia, o elevado custo unitário dessa plataforma excedia consideravelmente as disponibilidades orçamentárias, inviabilizando sua aquisição naquele momento.  Uma solução mais viável  foi identificada na incorporação do veículo blindado de transporte de tropas  M-113A1. Embora este modelo não atendesse integralmente a todas as especificações desejadas para operações anfíbias, sua aquisição era economicamente favorável. Além disso, sua ampla utilização pelo Exército Brasileiro já havia demonstrado excelentes resultados operacionais, o que reforçou a decisão de adotá-lo. Desta maneira a partir de abril de 1974 seriam conduzidas negociações entre o Ministério da Marinha e o governo norte-americano, que logo se materializariam na celebração de um contrato, para a aquisição de um lote de t30 carros novos de fábrica. Este acordo previa o fornecimento de quatro versões, 24 na versão M-113A1 Transporte de Tropas, 02  M-125A1 carro porta morteiro, 01 M-113A1G oficina, 02 M-577A1 Comando e por fim um carro socorro do modelo XM-806E1. A entrega dos  veículos ocorreu em 7 de novembro de 1976, sendo incorporados ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Nessa fase inicial, foi implementado um extenso programa de treinamento operacional conduzido por equipes do fabricante em parceria com oficiais e mecânicos do Exército Brasileiro, provenientes de unidades já operacionais com este modelo. Após a conclusão desse treinamento, os veículos foram  declarados operacionais em dezembro de 1977, recebendo a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M-113 de Transporte de Pessoal (TP). A partir desse momento, passaram a operar conjuntamente com os veículos EE-11 Urutu. Com o objetivo de adequar a nomenclatura da unidade à sua missão principal, o Batalhão de Transporte Motorizado foi desativado, dando lugar à Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). Em serviço, elevaram significativamente o nível de operacionalidade, participando ativamente de diversos treinamentos e operações anfíbias, incluindo a série de exercícios denominados Operação Dragão. No contexto dessas operações, as atividades de resgate e manutenção em campo de batalha eram desempenhadas por uma equipe composta pelo M-113A1G Oficina e pelo XM-806E1 Carro Socorro. O M-113A1G era responsável pelo resgate de viaturas blindadas acidentadas ou impossibilitadas de manobrar, utilizando tração direta por cabo de aço ou barra de reboque. Esse processo podia ser auxiliado pelo guincho integrado, equipado com um cabo de aço de 91,4 metros, capaz de suportar cargas de até 11.340 kg. Dessa forma, o veículo era capaz de prestar assistência até mesmo a viaturas como o EE-9 Cascavel e o EE-11 Urutu. O XM-806E1, por sua vez, era dotado de um guindaste hidráulico, com capacidade para içamento de cargas de até 3.085 kg. Essa característica tornava o veículo especialmente útil para a substituição de motores e caixas de câmbio diretamente no campo de operações ou em áreas de retaguarda. Além disso, seu interior abrigava uma oficina básica equipada com ferramentas especializadas para a realização de reparos emergenciais.
Em 1986, a unidade passou a ser denominada Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf), designação que manteve até 2003, quando foi ativado o Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav). Com essa reorganização, todas as viaturas da família M-113 em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais foram concentradas na nova unidade. Com a desativação dos blindados Engesa EE-11 Urutu e até a plena incorporação dos veículos anfíbios de assalto AAV-7A1 CLAnf, os M-113A1 passaram a constituir os únicos veículos blindados de transporte de tropas em operação no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), desempenhando papel fundamental na manutenção da capacidade mecanizada da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). No início da década de 2000, as viaturas M-113A1 Transporte de Pessoal, M-125A1 Porta-Morteiro, M-577A1 Posto de Comando, M-113A1G Oficina e XM-806E1 Socorro aproximavam-se de quatro décadas de serviço ininterrupto junto ao CFN. O intenso emprego operacional ao longo desse período refletiu-se diretamente em sua disponibilidade, que havia caído para uma média de aproximadamente 66%, comprometendo a capacidade de mobilidade da Força. Essa situação foi agravada por problemas mecânicos e elétricos decorrentes do desgaste natural dos equipamentos, de deficiências nos processos de manutenção e das crescentes dificuldades na obtenção de peças de reposição, muitas das quais já não eram facilmente encontradas no mercado internacional. Diante desse cenário, em 2007 o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos visando à substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M-113A1, chegando inclusive a considerar a aquisição de um novo lote de veículos anfíbios de assalto United Defense AAV-7A1. Entretanto, as restrições orçamentárias enfrentadas pela Marinha do Brasil naquele período inviabilizaram essa alternativa. Como consequência, optou-se por uma solução mais econômica e exequível: a implementação de um amplo programa de modernização, destinado a restaurar a capacidade operacional da frota e prolongar sua vida útil por pelo menos mais vinte anos. Para subsidiar essa decisão, uma equipe técnica do Corpo de Fuzileiros Navais analisou diversos programas de modernização aplicados a veículos da família M-113 em serviço em outros países. As conclusões obtidas serviram de base para a definição dos requisitos técnicos e operacionais que norteariam uma concorrência internacional. Iniciado no final de 2007, o processo atraiu propostas de diversas empresas especializadas no setor de defesa. Após uma criteriosa avaliação técnica e comercial, a proposta apresentada pela Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa. Como resultado, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira na Europa (CNBE) celebrou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões, contemplando a modernização de 24 viaturas M-113A1 de transporte de pessoal, duas viaturas de posto de comando M-577A2, duas viaturas porta-morteiro M-125A1, uma viatura de reparos M-113A1G e uma viatura de recuperação XM-806E1. Esse programa representaria um importante marco na preservação da capacidade blindada do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), assegurando a continuidade operacional de uma plataforma que, por mais de três décadas, havia desempenhado papel central na doutrina anfíbia brasileira.

Além de apresentar a melhor relação custo-benefício entre as propostas analisadas, este possuía como principal diferencial a realização de todas as intervenções nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais, sob a supervisão do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais e com assistência  da Israel Military Industries (IMI). Essa abordagem permitiu não apenas a redução de custos, mas também a absorção de conhecimento técnico e o fortalecimento da capacidade nacional de manutenção. Entre os principais aprimoramentos implementados destacava-se a adoção do motor diesel Caterpillar C7 com 300 hp, dotado de injeção eletrônica. A escolha desse  levou em consideração a ampla disponibilidade de componentes e serviços de manutenção no mercado nacional, garantindo menores custos operacionais e maior facilidade logística ao longo de sua vida útil. O motor passou a operar em conjunto com a transmissão automática Allison 3200SP, de controle eletrônico, equipada com seis marchas à frente e uma à ré. O sistema de suspensão também recebeu importantes aperfeiçoamentos, incluindo a substituição das barras de torção, a instalação de amortecedores reforçados e a ampliação da área de contato dos componentes de absorção de impacto. Foram ainda incorporados novos conjuntos dos braços das rodas de apoio nas estações 1, 2, 4 e 5, proporcionando maior distância livre em relação ao solo e melhor capacidade de absorção de irregularidades do terreno. Complementando essas melhorias, foi adotado um kit de reposicionamento do conjunto tensor da lagarta e do braço da roda tensora. O sistema de direção foi modernizado mediante a instalação de um novo conjunto de controle hidráulico, eliminando os tradicionais manches de condução e introduzindo um volante. Essa alteração resultou em maior ergonomia e facilidade de condução para os operadores. As lagartas originais foram substituídas pelo modelo Diehl System Track 513 Aggressive, que proporcionou aumento da vida útil dos componentes de rodagem, redução das vibrações e dos níveis de ruído, além de menor desgaste das rodas de apoio e melhoria do desempenho geral em terrenos difíceis. Com o objetivo de ampliar a autonomia e aumentar a segurança da tripulação, foram instalados tanques externos de combustível com capacidade para 360 litros cada. Essa solução reduziu significativamente os riscos associados a incêndios internos e permitiu a continuidade da operação da viatura mesmo em caso de danos a um dos reservatórios. Na área elétrica e eletrônica, as viaturas receberam novos rádios de comunicação, alternadores de 200 amperes, sistema de ar-condicionado e um moderno sistema automático de combate a incêndio. Adicionalmente foram preparadas para a instalação de um kit de navegação destinado a facilitar a condução e a transposição de cursos d’água. O programa contemplou a preparação estrutural e elétrica necessária para a futura integração de sistemas mais avançados, como imageadores termais, telas digitais multifuncionais, kits de blindagem suplementar interna e externa e lançadores de granadas fumígenas de 76 mm, ampliando consideravelmente o potencial de modernização da plataforma. Cabe destacar que os M-113A1G Oficina e XM-806E1 Socorro não receberam a estação de armamento remotamente operada Platt MR555 Mod-2.
No contexto do programa de modernização, as versões especializadas de socorro e oficina passaram a receber as designações XM-806MB1 e M-113GMB1, respectivamente. Essas viaturas foram entregues juntamente com os primeiros veículos, integrando o lote disponibilizado em 15 de junho de 2013. Entre as viaturas de transporte entregues nesse primeiro lote, uma unidade foi equipada com um sistema de câmera termal destinado à avaliação operacional, visando sua eventual homologação e posterior incorporação ao conjunto de equipamentos padronizados da frota. Ainda naquele ano, durante a LAAD Defence & Security, foi apresentando ao público um exemplar equipado com o kit de flutuação composto por blocos de navegação instalados externamente ao casco, demonstrando as capacidades anfíbias preservadas e aprimoradas pela modernização. Cabe destacar que todas as viaturas foram preparadas para receber esse conjunto, destinado à travessia de cursos d’água e operações anfíbias. Entretanto, na maior parte do tempo, os veículos operam sem o kit de navegação e sem o quebra-mar instalado, sendo esses equipamentos montados apenas quando exigidos pela missão.  O pacote de aperfeiçoamentos foi complementado pela integração do sistema Drive Night Vision, destinado à navegação noturna por meio de sensores termais, e do sistema Smoke Grenade System 76 mm, composto por lançadores de granadas fumígenas voltados à autoproteção e mascaramento tático da viatura no campo de batalha. Os ensaios operacionais realizados com esses novos sistemas apresentaram resultados altamente satisfatórios, comprovando a eficácia das modificações implementadas e possibilitando sua adoção em um número maior de veículos da frota. A experiência acumulada durante essa fase permitiu aperfeiçoar procedimentos técnicos e validar soluções que passaram a integrar o padrão operacional das viaturas modernizadas. A entrega dos últimos exemplares  ocorreu no início de 2016, marcando a conclusão bem-sucedida do programa de modernização. Além de elevar significativamente o desempenho e a capacidade operacional da frota, o projeto proporcionou um importante avanço na capacitação técnica do Corpo de Fuzileiros Navais, especialmente nas áreas de soldagem, manutenção, mecânica pesada, eletrônica embarcada e integração de sistemas. Outro aspecto de grande relevância foi o acordo de compensação comercial (OFFSET) previsto no contrato firmado em 2008. Por meio desse mecanismo, o fabricante comprometeu-se a fornecer treinamento abrangente ao pessoal técnico da Marinha do Brasil, habilitando-o a executar atividades de operação, manutenção e suporte logístico em todos os níveis de intervenção. Paralelamente, o programa promoveu a qualificação de diversas empresas brasileiras para a realização de serviços de manutenção de terceiro e quarto escalões em todas as viaturas, abrangendo o fornecimento de peças de reposição, componentes, materiais e serviços especializados. 

Em Escala.
Para representarmos o M-113A1G Carro Socorro "CFN 28105510" em sua configuração antes de ser modernizado, fizemos uso do antigo kit Academy (versão original M-113 IDF Fitter), na escala 1/35.  Para compormos a versão empregada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), devemos dispensar a utilização de uma série de detalhamentos e caixas de ferramenta externas, que compõe a versão original do modelo. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura de camuflagem tática empregado em veículos desta família no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) . Este esquema substituiu o anterior com os quais o M-113A1G e XM-806EI foram recebidos na década de 1970. As viaturas modernizadas emergiram deste processo adotando um padrão ligeiramente diferente deste, podendo apresentar  pequenas variações de tons de cores.

Bibliografia : 
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- M-113 no Brasil o Clássico Ocidental  – Expedito Carlos Stephani Bastos
- CFN recebe últimos blindados M113MB1 modernizados - www.forte.jor.br/2016/08/15/cfn-recebe-ultimos-blindados-m113mb1-modernizados/

M-8 Ford Greyhound (VBR)


História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Um dos pilares fundamentais dessa tática baseava-se no desenvolvimento de novos carros de combate que, ao entrarem em ação a partir de setembro de 1939, demonstraram superioridade em diversos aspectos em relação a seus equivalentes britânicos, soviéticos, norte-americanos e franceses. Apesar das restrições impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes (assinado ao término da Primeira Guerra Mundial, em 1918), era evidente que o regime nazista avançava rapidamente em seu programa de rearmamento — um fato que não passou despercebido pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Relatórios elaborados por esses serviços detalhavam o crescente potencial das forças armadas alemãs, incluindo projeções de aumento do efetivo militar e da produção de equipamentos. Particular atenção foi dada aos novos modelos de carros de combate Panzer I e II, que, em muitos aspectos, superavam os modelos leves M-1 e M-2, então em serviço nas unidades de cavalaria blindada do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Diante desse cenário, em abril de 1939 foi iniciado um programa de estudos com o objetivo de conceber uma nova geração de carros de combate e veículos blindados capazes de rivalizar com os modelos alemães em um eventual conflito. Essa iniciativa foi conduzida pelo Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department), sediado em Fort Lee, Virgínia, e resultou no desenvolvimento de blindados sobre esteiras e sobre rodas. Os primeiros frutos desse esforço materializaram-se nos projetos dos carros de combate médios M-3 Lee e M-4 Sherman. No campo de batalha, essas viaturas deveriam ser complementadas por um novo modelo de veículo blindado antitanque leve, destinado a substituir o já obsoleto GMC M-6 Gun Motor Carriage — um blindado sobre rodas derivado do utilitário General Motors WC-5, com tração 4x4. Os parâmetros estabelecidos para o desenvolvimento desse veículo especificavam um blindado leve e ágil, dotado de tração integral do tipo 6x6, equipado com um canhão M6 de 37 mm (o mesmo utilizado nos carros de combate leves M-3 Stuart), montado em uma torre giratória, além de duas metralhadoras Browning,  de calibres .50 e .30, para autodefesa.

Com essas definições, foi deflagrada uma concorrência visando à aquisição de um lote substancial desses blindados. Para tal, constituiu-se uma comissão técnica no Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD – Department of Defense), responsável por receber e avaliar as propostas técnicas e comerciais de possíveis fornecedores. As análises iniciais resultaram em uma lista final (shortlist) com três empresas concorrentes: a Studebaker Automotive Company, com seu modelo T-21; a Ford Motor Company, com o T-22; e, por fim, a Chrysler Automotive Company, com o T-23. Para viabilizar o desenvolvimento dos projetos, foram disponibilizadas linhas de financiamento governamental para a construção dos protótipos, concluídos entre os meses de outubro e novembro de 1941. Em seguida, iniciou-se um rigoroso programa de testes no campo de provas de Aberdeen Proving Ground, em Maryland, prolongando-se até março do ano seguinte. Durante esse processo, o modelo T-22, da Ford, destacou-se nas avaliações comparativas em relação aos demais concorrentes. Embora tenha sido declarado vencedor da concorrência, o T-22 apresentou algumas deficiências que exigiam correções e melhorias no projeto. Essas modificações foram implementadas pela equipe de engenharia da montadora, resultando na versão inicial de produção, denominada T-22E2. No entanto, nesse momento, já era evidente que o canhão de 37 mm não se mostrava mais eficaz contra as blindagens frontais e laterais dos novos carros de combate alemães e italianos, que estavam equipados com armamentos de maior calibre. Assim, em um hipotético confronto contra forças do Eixo, o T-22 tornar-se-ia um alvo vulnerável, especialmente porque sua blindagem fora projetada para resistir apenas ao impacto de armamentos leves, limitando severamente sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Apesar dessa limitação crítica, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) optou por seguir com a produção em larga escala do veículo, decisão fortemente influenciada pela intensificação das tensões políticas na Europa e no Pacífico. A necessidade urgente de implementação de um amplo programa de reequipamento militar levou à redefinição do papel do T-22E2, que passou a ser destinado especificamente a missões de reconhecimento no campo de batalha. Para atender a essa nova função, o veículo recebeu uma série de modificações estruturais e operacionais. Com os ajustes técnicos definidos, iniciou-se a fase de negociação comercial para sua produção em série. No entanto, esse processo enfrentou graves entraves burocráticos, relacionados à formalização do contrato de fabricação, o que atrasou sua entrada em serviço. Esses entraves negociais resultaram em um significativo atraso no cronograma original de produção, com as primeiras unidades sendo concluídas apenas em meados de março de 1943.
Assim que foram finalizadas, passaram a ser distribuídas às unidades operacionais, recebendo, nesse momento, a designação militar de M-8. O casco do veículo era composto predominantemente por chapas soldadas, embora alguns painéis externos fossem rebitados à estrutura. Suas seis rodas eram protegidas por escudos laterais removíveis, enquanto a seção traseira possuía uma estrutura alada, permitindo que fossem dobradas e equipadas com correntes para pneus em condições de neve. O M-8 era propulsionado por um motor Hercules Model JXD, um seis cilindros em linha a gasolina, capaz de gerar 110 hp de potência. Esse conjunto mecânico proporcionava ao blindado uma velocidade média de 48 km/h (30 mph) em terrenos irregulares e 90 km/h (56 mph) em estradas pavimentadas. O consumo médio de combustível era de aproximadamente 7,5 milhas por galão (mpg), e seus tanques tinham capacidade para 59 galões, conferindo-lhe um alcance operacional de 640 km (400 milhas). A posição do motorista estava localizada à esquerda, enquanto o operador de rádio se sentava à direita. Ambos eram acomodados em um compartimento saliente, protegido por painéis blindados dobráveis de duas peças e visores estreitos. A torre do veículo, aberta na parte superior, abrigava o comandante e o artilheiro. Apesar da ausência de um teto fechado, era possível utilizar persianas e tampas de escotilhas para proteção adicional, além de pequenos periscópios para garantir visão periférica. O armamento principal do M-8 era composto por um canhão M6 de 37 mm, apontado por meio de uma mira telescópica M70D. O veículo transportava 80 cartuchos para o canhão, porém, o espaço interno permitia armazenar apenas 16 projéteis prontos para uso imediato. Para autodefesa, era equipado com duas metralhadoras, abastecidas com 1.500 cartuchos, além de quatro lançadores de fumaça M1 e M2. Opcionalmente, podia transportar até seis minas terrestres (antitanque ou explosivas de alto poder destrutivo - HE), montadas externamente, além de carabinas M1 para uso da tripulação. Devido ao espaço interno reduzido, diversos ganchos e suportes foram instalados tanto na torre quanto no casco, permitindo o armazenamento de equipamentos essenciais. Como resultado, a maioria dos itens pessoais da tripulação foi montada externamente sobre os para-lamas dianteiros e traseiros. Entre os acessórios transportados externamente estavam mochilas, ferramentas, cabos e, posteriormente, sacos de areia, adicionados como medida extra de proteção. O M-8 também foi equipado com um avançado sistema de comunicação, essencial para o cumprimento de suas missões de reconhecimento. Inicialmente, utilizava o rádio SCR-506, posteriormente substituído pelos modelos SCR-510, SCR-608 e SCR-610, todos de longo alcance. O sistema de rádio era operado internamente pelo comandante do veículo, permitindo contato direto com o Quartel-General, com unidades avançadas de comando na linha de frente ou até mesmo com forças atuando em teatros de operações mais distantes.

Em operação, o M-8 foi incumbido de proporcionar às divisões de infantaria e blindadas a capacidade de reconhecimento avançado no campo de batalha, atuando como os "olhos e ouvidos" do Exército dos Estados Unidos (US Army). Nessa função, a velocidade e a agilidade na linha de frente foram priorizadas em detrimento do poder de fogo e da blindagem. A missão da cavalaria blindada consistia em estabelecer contato no momento mais propício, visando atacar, conquistar e manter as posições estratégicas. Nesse contexto, as unidades de reconhecimento equipadas com o M-8 tinham a responsabilidade de identificar e estabelecer contato antecipado com contingentes hostis, relatando sua força, composição, disposição e movimentos. Essas informações permitiam que o corpo principal aliado dispusesse de tempo hábil para a elaboração de estratégias e táticas para o enfrentamento futuro. Durante operações de retirada, as unidades de cavalaria blindada equipadas com o Ford M-8 foram encarregadas de estabelecer uma força de triagem junto às unidades principais, auxiliando na organização e execução do processo. Com o aumento da produção, um grande número desses blindados foi distribuído às unidades operacionais nos teatros de operações do Pacífico e na Inglaterra, onde foram armazenados em centros logísticos para seu futuro emprego nas operações de reconquista da Europa. O batismo de fogo do M-8 ocorreu no início de julho de 1943, durante a invasão da Sicília pelos Aliados, na operação denominada "Operação Husky". Após os desembarques iniciais e a subsequente consolidação da cabeça de ponte, dezenas de unidades do M-8 foram empregadas em missões de reconhecimento. Nessa campanha, o veículo demonstrou grande eficácia, não apenas devido à sua agilidade e velocidade, mas também por estar equipado com um dos mais avançados sistemas de rádio de longo alcance da época. Essa superioridade tecnológica permitia que as unidades de reconhecimento mantivessem um alto grau de surpresa e reduzissem significativamente a possibilidade de detecção pelas forças inimigas. Outro fator determinante para seu sucesso estava na concepção do seu conjunto motriz, cujos sistemas e componentes mecânicos foram projetados para operar de maneira silenciosa. Como resultado, as unidades de reconhecimento do Terceiro Exército dos Estados Unidos receberam dos alemães o apelido de "Fantasmas de Patton", em referência ao General George S. Patton. O M-8 esteve presente nas principais batalhas do conflito, embora sua blindagem relativamente leve o tornasse vulnerável a disparos de veículos blindados inimigos, como o Sd.Kfz. 234 Puma, além de carros de combate e armas antitanque alemãs. No teatro de operações do Pacífico, o veículo assumiu uma função distinta: a de destruidor de tanques. Isso se deve ao fato de que a maioria dos carros de combate japoneses possuía blindagem leve, tornando-os vulneráveis ao canhão M6 de 37 mm. Milhares de unidades desses blindados foram fornecidas a nações aliadas por meio do programa Lend & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), beneficiando principalmente as Forças Francesas Livres, bem como o Reino Unido, Austrália, Canadá e Brasil. O apelido "Greyhound" foi atribuído por seus operadores no Exército Real Britânico (Royal Army), embora raramente, ou nunca, tenha sido utilizado pelas tropas norte-americanas. Durante sua utilização na Europa, tornou-se necessária a adoção de kits de blindagem adicional no assoalho do veículo, a fim de minimizar as perdas causadas por minas terrestres alemãs e italianas. No entanto, mesmo com essa modificação, a operação do M-8 em estradas tornou-se menos recomendada, restringindo seu uso a terrenos montanhosos, áreas de lama profunda e regiões cobertas de neve.
Um dos episódios mais notáveis envolvendo o M-8 ocorreu durante a Batalha das Ardenas, especificamente na Batalha de St. Vith. Nessa ocasião, um veículo pertencente ao 87º Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria conseguiu destruir um carro de combate Panzerkampfwagen VI Tiger. O êxito da investida deveu-se à habilidade da tripulação, que manobrou estrategicamente, posicionando-se na parte traseira do tanque alemão e disparando três projéteis de 37 mm diretamente contra sua blindagem posterior, relativamente delgada. Os disparos resultaram em um incêndio no compartimento do motor do Tiger, inutilizando o blindado inimigo. Após o término do conflito, os Ford M-8 foram novamente empregados em missões de combate durante a Guerra da Coreia (1950-1953), sendo utilizados também para escolta de prisioneiros de guerra e defesa de bases militares pelo Corpo da Polícia Militar (Military Police). Em 1955, um pequeno contingente remanescente do modelo ainda em serviço no Exército dos Estados Unidos (US Army) foi concentrado em cinco regimentos de cavalaria blindada, enquanto as demais unidades foram armazenadas como "excedente militar", destinadas a nações aliadas por meio do Programa de Assistência Militar (MAP - Military Assistance Program). A França tornou-se o maior operador do Ford M-8 no período pós-guerra, recebendo centenas de unidades entre 1945 e 1954. O veículo foi amplamente utilizado na Primeira Guerra da Indochina, permanecendo em serviço até o fim do conflito, quando muitas unidades foram transferidas ao Exército da República do Vietnã (ARVN). Além disso, a Legião Estrangeira Francesa (FFL) empregou o blindado durante a Guerra de Independência da Argélia (1954–1962). Ainda no continente africano, o M-8 Greyhound foi utilizado pelas Forças Armadas da Bélgica, operando em conjunto com as tropas da Force Publique no então Congo Belga. Entre 1943 e 1945, um total de 8.523 unidades do M-8 foram produzidas pelas fábricas da Ford Motor Company em Chicago, Illinois, e Saint Paul, Minnesota. No período pós-guerra, o modelo permaneceu em operação nas forças armadas de diversos países, incluindo: Benin, Camarões, Burquina Faso, Colômbia, Guatemala, Madagascar, Chipre, Paraguai, Peru, Argélia, Áustria, Bélgica, Camboja, Cuba, República Democrática do Congo, El Salvador, Etiópia, Alemanha Ocidental, Grécia, Haiti, Indonésia, Irã, Itália, Costa do Marfim, Jamaica, Katanga, Laos, Mauritânia, México, Marrocos, Holanda, Nigéria, Noruega, Portugal, República da China (Taiwan), Arábia Saudita, Senegal, Coreia do Sul, Vietnã do Sul, Suécia, Tailândia, Togo, Tunísia, Turquia, Venezuela, Iugoslávia e as forças de manutenção da paz das Nações Unidas (ONU). Durante as décadas de 1960 e 1970, diversas empresas francesas e norte-americanas desenvolveram kits de modernização para o M-8, fornecidos a países como Chipre, Etiópia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, Marrocos, Venezuela e Zaire. Essas modificações incluíam a substituição do motor original por versões a diesel, além da instalação de novas transmissões. Dentre os processos de modernização, destaca-se aquele realizado pelo Exército Nacional da Colômbia, que não apenas aprimorou as características mecânicas do veículo, mas também o adaptou para servir como plataforma de lançamento dos mísseis antitanque norte-americanos Hughes BGM-71 TOW. Atualmente, algumas centenas de unidades do Ford M-8 ainda permanecem em operação em exércitos da África e da América do Sul.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos aos Aliados e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa no conflito, envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância.

Nos termos do referido acordo de assistência militar, o Brasil iniciou a recepção de uma significativa quantidade de material bélico, incluindo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, navios e armamentos, sendo o Exército Brasileiro o principal beneficiário desse investimento. No que tange aos veículos blindados, a incorporação de novos modelos teve início no final de 1941, com a chegada dos carros de combate leves M-3 Stuart e médios M-3 Lee, dos veículos de transporte de tropas M-3A1 White Scout Car e dos primeiros carros de combate e reconhecimento sobre rodas 6x6, o Ford T-17 Deerhound, recebidos em meados de 1943. Subsequentemente, conforme previsto, o Brasil ampliou sua participação no esforço de guerra ao lado dos Aliados, formalizando esse compromisso em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada no boletim reservado de 13 de agosto do mesmo ano, a qual estabeleceu a estrutura da Força Expedicionária Brasileira (FEB). A missão do Exército Brasileiro consistia em engajar-se nas operações de combate no teatro europeu. Para o comando da FEB, foi designado o General-de-Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, que lideraria uma força composta por três Regimentos de Infantaria (6º Regimento de Infantaria de Caçapava, 1º Regimento de Infantaria e 11º Regimento de Infantaria), quatro grupos de artilharia (três equipados com peças de 105 mm e um com peças de 155 mm), uma esquadrilha de aviação para missões de ligação e observação (pertencente à Força Aérea Brasileira), um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de transmissões (comunicações). A estruturação desse contingente seguiu os padrões das unidades operacionais do Exército dos Estados Unidos (US Army), exigindo a formação de uma unidade de reconhecimento mecanizado. Para atender a essa necessidade, o 2º Regimento Motomecanizado, sediado na então capital federal, Rio de Janeiro, recebeu a incumbência de preparar seus esquadrões para integrarem a Campanha da Itália. Em fevereiro de 1944, foi designado o 3º Esquadrão de Reconhecimento e Descoberta, que, após obter autonomia administrativa, foi integrado à 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) e renomeado como 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec). Este grupamento foi equipado com uma variada gama de viaturas militares, sendo sua principal missão a realização de reconhecimento avançado do campo de batalha, fornecendo informações essenciais e apoio às unidades de infantaria brasileiras no front de combate italiano. Cada pelotão de reconhecimento era composto por três patrulhas, cada uma delas equipada com um blindado M-8 sobre rodas 6x6, duas viaturas Jeep ¼ Ton, além de outros veículos de apoio, como o meia-lagarta M-3A1, reboques diversos e viaturas de transporte 2 Ton 6x6, totalizando um efetivo de quarenta e sete viaturas. Conforme o cronograma estabelecido, o primeiro contingente brasileiro desembarcou na cidade de Nápoles, na Itália, em 16 de julho de 1944, marcando o início efetivo da participação da FEB no teatro de operações europeu.
Após um breve período de treinamento, as forças brasileiras foram integradas ao V Corpo do Exército dos Estados Unidos, sob o comando do General Mark Wayne Clark. Durante essa fase, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) recebeu todo o seu armamento, equipamentos e veículos, retirados do estoque estratégico de recompletamento do Exército dos Estados Unidos (US Army), localizado na cidade de Tarquinia, na Itália. O principal veículo alocado ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec) foi o blindado leve de reconhecimento sobre rodas, com tração 6x6, Ford M-8 Greyhound, com quinze unidades fornecidas. Registros indicam que esses blindados foram inicialmente destinados às forças norte-americanas, apresentando os seguintes seriais: "U.S.A 6037498 – chassi 5274, 6040812 – chassi 7909, 6038186 – chassi 5944, 6037154 – chassi 4930, 6038516 – chassi 6298, 6035334 – chassi 3110, 6033240 – chassi 1016, 6033208 – chassi 0984, 6038296 – chassi 5072, 6040811 – chassi 7908, 6036650 – chassi 4326, 6037280 – chassi 5056, 6012577 – chassi 9751, 6036894 – chassi 4670 e 6038242 – chassi 6018". Em Nápoles, os motoristas e soldados designados para operar esses veículos passaram por um treinamento intensivo de adaptação, com duração de uma semana, conduzido por instrutores norte-americanos. Sob o comando do 1º Tenente Plínio Pitaluga, os Ford M-8 Greyhound participaram do primeiro combate em 12 de setembro de 1944, durante o avanço contra a cidade de Vechiano, na região da Toscana. O pelotão de blindados foi dividido em dois grupos: o primeiro seguiu pelo eixo Manacuiccoli-Chiese-Massarosa, enquanto o segundo operou pelo eixo S. Pietro-S. Macário-Piano e S. Macário do Norte. O esquadrão prestou apoio às unidades de infantaria brasileiras, envolvendo-se em escaramuças com unidades do Exército Alemão (Wehrmacht), algumas das quais estavam equipadas com armas antitanque leves. Na região de Camaiore, o 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec) registrou sua primeira baixa em combate: o 2º Sargento Pedro Krinski, de 25 anos, foi fatalmente ferido por estilhaços de granada em 24 de setembro de 1944. No decorrer da campanha italiana, apenas um Ford M-8 da Força Expedicionária Brasileira foi completamente destruído após ser atingido por uma arma antitanque alemã. No entanto, a tripulação conseguiu evacuar o veículo sem registrar baixas. Esses blindados demonstraram grande utilidade para as tropas de infantaria da FEB, proporcionando mobilidade no campo de batalha, além de capacidades ofensivas e defensivas. Entretanto, o veículo enfrentou dificuldades ao operar nos terrenos acidentados da Itália, especialmente durante o inverno, quando sua mobilidade era severamente reduzida. Nessas condições, era mais seguro conduzi-lo apenas em estradas, devido à constante ameaça representada pelas minas terrestres.

Durante o restante da campanha, esses blindados desempenharam papéis cruciais nas principais batalhas e momentos de glória da Força Expedicionária Brasileira (FEB), incluindo a vitória em Monte Castelo, a rendição da 148ª Divisão Alemã e a rendição dos remanescentes da Divisão Monte Rosa italiana. No rompimento da Linha Gótica, em fevereiro de 1945, uma das últimas defesas organizadas do Exército Alemão na Itália, os carros blindados sobre rodas também desempenharam um papel significativo. A Batalha de Montese teve início em 14 de abril de 1945 e encerrou-se ao final do dia 15, integrando a ofensiva de primavera planejada pelo comando aliado na Itália. Durante essa operação, os Ford M-8 tiveram como missão apoiar o avanço do 11º Regimento de Infantaria na tomada da cidade e na neutralização das posições de defesa alemãs. O combate urbano representou um desafio inédito para as tropas brasileiras, pois o Exército Brasileiro nunca havia enfrentado tal cenário em sua história, ainda mais no contexto de uma guerra moderna. Para melhorar a mobilidade entre os escombros das ruas da cidade, alguns M-8 operaram sem os paralamas. Com o avanço das forças brasileiras no território italiano, o 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado continuou suas missões de reconhecimento, agora enfrentando menor resistência, uma vez que tanto as tropas alemãs quanto as italianas encontravam-se em debandada. A atuação brasileira em Montese teve grande repercussão junto ao comando aliado. Alguns relatos indicam que o General Mark Clark teria afirmado: "De todas as tropas sob meu comando, apenas os brasileiros merecem meus cumprimentos. O soldado brasileiro está apto a ensinar a qualquer exército do mundo como conquistar uma cidade". Ainda, o 1º Esquadrão de Reconhecimento e seus Ford M-8 estiveram presentes no último e um dos mais memoráveis momentos do Exército Brasileiro na campanha italiana. Em 29 de abril de 1945, após mais de 24 horas de negociações, o General Otto Fretter-Pico formalizou a rendição da 148ª Divisão Alemã, bem como dos remanescentes da Divisão Monte Rosa italiana. Em seguida, esses blindados foram os primeiros a estabelecer a ligação entre a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) e as tropas aliadas francesas na cidade de Susa, região do Piemonte, província de Turim. As particularidades do uso de veículos militares pela FEB são extensas, especialmente devido à ausência de padronização na aplicação de emblemas, matrículas, distintivos e nomes, apesar da referência aos manuais norte-americanos. Durante o conflito, alguns desses veículos foram personalizados por seus tripulantes, recebendo nomes como "Vira Mundo", "Leão do Norte", "Pérola", "Andrade Neves" e "Viva Brasil". Após a rendição alemã, em 8 de maio de 1945, o contingente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi desmobilizado, iniciando-se o processo de repatriação das tropas. Assim, os Ford M-8 Greyhound, juntamente com os demais veículos, armas e equipamentos cedidos pelos norte-americanos, foram entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army) na cidade de Roma.
Nesta localidade, os veículos, equipamentos e armamentos em melhor estado de conservação foram armazenados e posteriormente despachados ao Brasil por via naval, incluindo os treze blindados Ford M-8 remanescentes. Vale destacar que, ainda no âmbito do programa de assistência militar firmado, vinte unidades adicionais do Ford M-8 foram recebidas no Brasil no início de 1945. Essa aquisição permitiu ao Exército Brasileiro expandir suas capacidades operacionais, com esses blindados sendo integrados às unidades de reconhecimento mecanizado localizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto os Ford T-17 Deerhound permaneceram concentrados na região Sul do país. Nos anos seguintes, os Ford M-8 desempenharam um papel fundamental na construção do embrião da cavalaria mecanizada no Brasil, viabilizando a transição da doutrina hipomóvel para a mecanizada. Essa evolução contribuiu significativamente para consolidar o Brasil como uma potência militar regional na América do Sul, tornando-o a principal força de cavalaria blindada e permitindo-lhe projetar poder em sua fronteira sul. Nesse período, o Exército Brasileiro recebeu lotes adicionais de material militar fornecidos em condições vantajosas pelo Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program - MAP). Como parte desse acordo, foram cedidas mais de uma centena de viaturas blindadas Ford M-8 e M-20 (versão de comando), anteriormente pertencentes ao Exército dos Estados Unidos (US Army). Essas viaturas haviam sido armazenadas no final da década de 1940 e posteriormente classificadas como excedente militar. Dessa forma, a frota brasileira foi expandida para um total de cento e cinquenta carros, reforçando a capacidade operacional dos novos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado ao longo dos anos seguintes. Agora designadas como VBR M-8 Greyhound (Viatura Blindada sobre Rodas), essas viaturas passaram a operar em conjunto com os carros de combate M-3 e M-3A1 Stuart, bem como com os Sherman M-4, M-4A1 e M-4 Composite Hull. Apesar de sua significativa contribuição para a força mecanizada, a partir do início da década de 1960, a frota já envelhecida passou a apresentar índices preocupantes de disponibilidade, principalmente devido à dificuldade na obtenção de peças de reposição para os antigos motores a gasolina Hercules JXD de seis cilindros e 100 hp. Esse cenário gerou grande preocupação, pois as projeções indicavam um colapso iminente dessa frota essencial. No entanto, nesse mesmo período, a equipe técnica do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) iniciou estudos voltados à implementação de processos de remotorização e modernização de uma ampla gama de veículos militares de origem norte-americana. Assim, deu-se início a um projeto elaborado que resultaria em um programa de modernização e remotorizção para os Ford M-8 e M-20.

Em Escala.
Para representarmos o Ford M-8 Greyhound FEB 510-6 "Vira Mundo", pertencente ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec) da Força Expedicionária Brasileira, fizemos  uso do excelente kit da Italeri na escala 1/35. Para se representar o modelo empregado pelo Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, não é necessário proceder nenhuma modificação, podendo se montar o modelo diretamente da caixa. Empregamos decais fabricados pela Decal & Books fornecidos juntamente com o livro "FEB na Segunda Guerra Mundial " de Luciano Barbosa Monteiro.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado em todos os veículos usados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial. Deve-se levar em conta ainda, uma grande diversidade de posicionamento das marcações nacionais e numerais de série, com este fato sendo motivado pela ausência de normas de identificação visual naquele momento. Já no período pós-guerra operação no Brasil os Ford M-8 Greyhound seriam padronizados no esquema de pintura e marcações empregadas nos demais veículos blindados em uso no Exército Brasileiro

Bibliografia : 
- M-8 Greyhound - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M8_Greyhound
- Blindados no Brasil  - Volume I – Expedito Carlos Stephani Bastos
- O 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado da FEB - AMAM por Danilo Tenório Quintino
- Origem do Conceito 6X6 do Veículo Blindado no Exército Brasileiro - http://www.funceb.org.br/images/revista/20_1n8q.pdf