M-577A1/A2 (VtrBldEspSL - VBE)

História e Desenvolvimento.
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.
Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre.50 operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo após sua introdução operacional, decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate. Essa oportunidade surgiu em 1962, quando 32 veículos foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), equipando duas companhias mecanizadas. O batismo de fogo do modelo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, considerada um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. As experiências obtidas nesse teatro de operações não apenas validaram o conceito do M-113 como veículo blindado de transporte de tropas, mas também evidenciaram novas necessidades operacionais. Entre elas destacava-se a demanda por uma viatura móvel de comando e controle capaz de acompanhar as forças mecanizadas no campo de batalha, funcionando como um Centro de Operações Táticas (Tactical Operations Center – TOC) em níveis de batalhão e brigada. Para atender a esse requisito, o Exército dos Estados Unidos desenvolveu o M-577 Command Post Carrier, uma variante especializada destinada a proporcionar um ambiente protegido para atividades de comando, controle, comunicações e planejamento tático. Os quatro primeiros protótipos, designados XM-577, foram construídos no Detroit Arsenal em 1962, utilizando chassis do M-113A0 como base. A principal característica da nova viatura era o compartimento superior elevado em 64,14 cm (25,25 polegadas), proporcionando uma altura interna útil de aproximadamente 1,90 metro. Essa modificação permitia que oficiais e operadores trabalhassem em pé no interior do veículo, acomodando rádios, mesas de planejamento, cartas topográficas e demais equipamentos necessários à condução das operações militares. Diferentemente do M-113 convencional, o XM-577 possuía dois tanques de combustível com capacidade de 230 litros cada, instalados nas laterais do compartimento principal. Além de ampliar a autonomia, esses tanques serviam como base estrutural para duas mesas rebatíveis com aproximadamente 2,30 metros de comprimento, utilizadas durante o planejamento e coordenação das operações. Outro elemento distintivo era a instalação de um gerador auxiliar de 28 volts movido a gasolina, localizado na parte frontal do compartimento elevado, à direita da posição do motorista. Esse equipamento fornecia energia elétrica independente para os sistemas de comunicações e comando quando o motor principal permanecia desligado. Para facilitar sua remoção e manutenção, foi incorporado um pequeno guindaste mecânico montado sobre o teto da viatura. Os protótipos foram encaminhados ao Campo de Provas de Aberdeen para a realização dos ensaios técnicos e avaliações operacionais. Os resultados mostraram-se altamente satisfatórios, levando à rápida homologação do projeto para produção em série. A urgência das demandas operacionais decorrentes do crescente envolvimento norte-americano no Sudeste Asiático fez com que a FMC Corporation iniciasse a fabricação do modelo antes mesmo da conclusão formal de todas as etapas de avaliação. Entre dezembro de 1962 e maio de 1963 foram produzidas 270 unidades do M-577, às quais se somariam outras 674 viaturas fabricadas entre novembro de 1963 e o final de 1964. Os primeiros exemplares começaram a ser entregues às unidades operativas  ainda no final de 1963.
Ao longo de sua extensa carreira operacional, o M-577 acompanhou a evolução tecnológica da família M-113, recebendo sucessivas atualizações mecânicas, elétricas e eletrônicas. A principal delas resultou na variante M-577A1, equipada com o motor diesel Detroit Diesel 6V53 de 212 hp. Essa modernização proporcionou maior confiabilidade, menor consumo de combustível e aumento da autonomia operacional, além de alinhar logisticamente a viatura aos novos M-113A1. Entre os derivados internacionais merece destaque o K-277, produzido sob licença na Coreia do Sul a partir da década de 1980. Baseado no M-577A1, esse modelo incorporava o motor diesel MAN D2848T V8, fabricado localmente sob licença pela Doosan, associado à transmissão automática Allison X200-5K. A versão  recebeu diversas adaptações destinadas a atender aos requisitos específicos das Forças Armadas da República da Coreia, permanecendo em serviço por décadas como um dos principais veículos de comando e controle daquele país. A partir de 1979 seria desenvolvida a versão M-577A2 que  introduziu melhorias no sistema de refrigeração do motor, suspensão e aquecimento para o pessoal, baseando-se no chassi do M-113A2. A conversão de veículos  anteriores para o padrão atual começou em agosto de 1979. Neste contexto neste mesmo período a fim de atender a uma demanda norueguesa, seria criada o modelo NM198 Kommandopanservogn, equipada com com forros internos anti-estilhaços (spall liners) e o NM196 Hjelpeplasspanservogn versão ambulância com melhorias no trem de força, motor diesel Caterpillar e blindagem adicional (NM196F3). O ciclo evolutivo seria mantido em meados da década de 1980 com o lançamento do M-577A3 equipado com o pacote de potência RISE (Reliability Improved Selected Equipment), incluindo um motor 6V53T turbo-diesel mais potente e um gerador a diesel em vez do modelo a gasolina. Diferentemente do M-113A3, o M-577A3 não adotou tanques de combustível externos, mantendo os tanques internos. Após a Guerra do Golfo de 1991, cerca de dois terços da frota  foram atualizados com o Army Tactical Command and Control System (ATCCS), sendo redesignados como M-1068 SICPS (Standard Integrated Command Post System). Estes receberiam uma suíte de comunicações digitais, incluindo GPS e rastreamento de forças amigas ("blue force tracking"); antena de 10 metros para comunicações de longo alcance e um novo sistema de tenda Modular Command Post System (MCPS), mais rápido de montar/desmontar, com iluminação interna e tomadas elétricas. O MCPS se conecta ao veículo por uma "parede de bota" (bootwall), mantendo acesso ao interior. O último pacote de atualização receberia a designação de M-577A4, sendo desenvolvido pela BAE Systems, apresentando : Sistemas digitais e suítes de comunicação atualizadas, blindagem adicional e tanques de combustível externos blindados, motor 6V53T turbo-diesel com 350 hp e transmissão automática TX-400 4B aprimorada e capacidade para sete pessoas: motorista, comandante e até cinco oficiais ou operadores de sistemas. Apesar das modernizações, o design  data dos anos 1960, o que o torna menos avançado em comparação com veículos de comando modernos, como variantes sem torre do Bradley Fighting Vehicl. Sua produção foi encerrada em 2007, totalizando 7.224 unidades, com a maioria ainda permanecendo em serviço em cerca de 50 países.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A Força de Fuzileiros de Esquadra (FFE) foi criada no de 1950 a fim de estabelecer uma estrutura de combate anfíbia, com os primeiros passos sendo dados nos anos seguintes com o objetivo de se constituir uma força de combate anfíbia nos moldes do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Em seguida seriam recebidos os primeiros navios especializados na missão de transporte de tropas, e também as embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM), criando as bases para o lançamento para operações anfíbias em larga escala. Neste momento seriam adquiridos os primeiros veículos destinados ao emprego nas operações de desembarque anfíbio como os jipes M-38A1, M-38A1C, Willys CJ-5 e utilitários leves como os Dodge M-37, que operariam a partir das embarcações de desembarque. Seriam iniciados os primeiros ciclos de adestramento fundamentados na realização de desembarques de pequena complexibilidade, envolvendo tropas, veículos leves, peças de artilharia e cargas. Em 1972 seria adquirido um lote de caminhões anfíbios GMC Duwk oriundos dos estoques da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale), porém ainda figurava na força a necessidade em se dispor de um moderno veículo blindado de transporte de tropas. Esta demanda seria atendida no ano seguinte, quando seriam incorporados os primeiros Engesa EE-11 Urutu a fim de dotar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz),  unidade subordinada diretamente a Comando da Divisão Anfíbia. No entanto em operação estas viaturas seriam avaliadas como poucos eficazes nas operações de desembarque anfíbio, principalmente devido sua tração por rodas acarretar problemas de trafegabilidade em certos tipos de terreno como as faixas de praia.    Neste momento o comando da Marinha do Brasil, passaria considerar a aquisição de uma família de veículos blindados de transporte de tropas com tração sob esteiras, a fim de atender as demandas de suas operações de desembarque anfíbio.  As aspirações iniciais do comando do Fuzileiros Navais da Marinha (CFN) apontavam para a adoção de um lote dos novos veículos norte-americanos de assalto anfíbio FMC AAV-7A1, porém estes apresentavam um custo unitário de aquisição proibitivo, excedendo em muito a previsão orçamentaria naquele momento. Uma solução mais viável seria baseada na incorporação do veículo blindado de transporte de tropas FMC M-113A1, que apesar de não atender a todas as especificações almejadas para operações anfíbias poderiam ser adquiridas em condições econômicas favoráveis. Pesava ainda sobre esta escolha o fato do modelo ser empregado em larga escala pelo Exército Brasileiro, comprovando excelentes resultados operacionais em campo. Desta maneira a partir de abril de 1974 seriam conduzidas negociações entre o Ministério da Marinha e o governo norte-americano, que logo se materializariam na celebração de um contrato, para a aquisição de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113. Este acordo previa o fornecimento de quatro versões, 24 na versão M-113A1 Transporte de Tropas, 02  M-125A1 carro porta morteiro, 01 M-113A1G oficina, 02 M-577A1 Comando e por fim um carro socorro do modelo XM-806E1.

Os primeiros veículos começaram a ser recebidos em 07 de novembro de 1976, passando a ser incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), neste momento um grande programa de treinamento operacional seria ministrado por equipes do fabricante em parceria com oficiais e mecânicos do Exército Brasileiro. Após o término desta fase o modelo seria declarado operacional em dezembro de 1977, recebendo a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M113 de Transporte de Pessoal (TP). Neste momento passariam a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu. Visando adequar a nomenclatura a missão principal da unidade, o Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), seria extinto, sendo criado assim em seu lugar, a Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld).  O primeiro exercício de grande monta com este tipo de plataforma  aconteceria em abril 1981, quando os M-113A1 e M-577A1 foram desembarcados no litoral do Espírito Santo a partir do navio de desembarque de carros de combate G26 - Duque de Caxias. Em operação constante estes veículos viriam a trazer a um novo patamar de operacionalidade a Força de Fuzileiros de Esquadra, participando ativamente nos anos seguintes de inúmeros treinamentos e operações anfíbias como a série das Operações Dragão. Em 1986 a unidade passou a ser designada como Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf) permanecendo até 2003, quando da ativação do Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav), concentrando todas os veículos da família M-113 em operação nesta unidade. Com a desativação dos  EE-11 Urutu, até o recebimento dos  AAV-7A1 Clanf em maio de 1986, os M-113A1 seriam os os únicos veículos blindados de transporte de tropas  e tarefas especializadas em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).  Destacadamente o emprego dos M-577A1 VtrBldEspSL "Posto de Comando"  desempenha um papel crucial, oferecendo capacidades de comando e controle em operações táticas. Diferentemente do CLAnf, que é projetado para desembarques anfíbios, o  M-577A1  é mais focado em operações terrestres, oferecendo suporte tático em ambientes urbanos e rurais. Sua versatilidade a torna essencial em missões de comando durante operações anfíbias e de Garantia de Lei e Ordem (GLO), complementando a capacidade expedicionária. No início da década de 2000, os  blindados desta família,  estavam próximos de completar quarenta anos de serviço. O emprego intensivo ao longo dos anos, no entanto, cobrou seu preço, resultando em uma disponibilidade operacional média de apenas 66%, o que afetou significativamente a capacidade de mobilidade da. Esse cenário foi agravado por problemas mecânicos e elétricos decorrentes de diversos fatores críticos, como desgaste operacional, conservação inadequada, falhas na manutenção e irregularidades na aquisição de suprimentos e peças de reposição. Em seguida seriam  manutenidos todos os sistemas da viatura, com destaque para a substituição e padronização do sistema gerador movido a gasolina por um a diesel, de 6,5 kVA (potência nominal), com as adaptações necessárias para o seu funcionamento, tanto acoplado diretamente na VBE PC, quanto operado à distância. Foi realizada, ainda, a recuperação do toldo extensível localizado à retaguarda da viatura.
Diante dessa problemática, em 2007, o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos visando à substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas FMC M-113A1, chegando inclusive a considerar a aquisição de um terceiro lote dos veículos de assalto anfíbio United Defense AAV-7A1. Contudo, em função das restrições orçamentárias enfrentadas pela Força Naval naquele período, essa alternativa foi descartada. Em seu lugar, passou-se a avaliar soluções que contemplavam tanto a aquisição de veículos por oportunidade quanto a implementação de um programa de modernização da frota existente. A segunda opção revelou-se a mais adequada, prevendo um amplo processo de atualização mecânica, elétrica e sistêmica, capaz de restaurar a capacidade operacional dos blindados e estender sua vida útil por pelo menos duas décadas. Para subsidiar essa decisão, uma equipe técnica do Corpo de Fuzileiros Navais analisou diversos programas de modernização aplicados a veículos da família M-113 em serviço em outros países. As conclusões obtidas serviram de base para a definição dos requisitos técnicos e operacionais que norteariam uma futura concorrência internacional. O processo teve início no final de 2007, quando a Marinha do Brasil passou a receber propostas de empresas especializadas no segmento. Após uma criteriosa avaliação comparativa, a proposta apresentada pela Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa. Como resultado, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira em Londres (CNBE) formalizou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões, contemplando a modernização de vinte e quatro viaturas de transporte de pessoal M-113A1, duas viaturas posto de comando M-577A2, duas viaturas porta-morteiro M-125A1, uma viatura oficina M-113A1G e uma viatura de recuperação XM-806E1. Além de apresentar a melhor relação custo-benefício, o programa possuía como principal diferencial a realização de todas as intervenções nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais (CTeCFN), sob a supervisão do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) e com assistência técnica da IMI. Os veículos de transporte de pessoal resultantes desse processo receberam a designação M-113MB1, sendo as sete primeiras unidades oficialmente entregues em 15 de junho de 2013. No caso específico das viaturas de posto de comando, a modernização permitiu a manutenção de uma importante capacidade de comando e controle em ambiente blindado, garantindo maior mobilidade, proteção e integração dos sistemas de comunicações empregados pelo Corpo de Fuzileiros Navais. No entanto, ressalta-se que os dois  M-577 não receberam as estações de armamento Platt MR555 Mod-2 (26). Dessa forma, o M-577MB1 permaneceu como um elemento fundamental na coordenação tática das operações anfíbias e terrestres da Força de Fuzileiros da Esquadra, destacando-se pela robustez, versatilidade e compatibilidade com os modernos sistemas de comando e controle incorporados ao longo do programa de modernização.

No início da década de 2010, o Comando do Exército Brasileiro estruturou o Projeto Estratégico do Exército – Obtenção da Capacidade Operacional Plena (PEE OCOP), iniciativa destinada a modernizar e fortalecer a Força Terrestre (F Ter), capacitando-a para atender às demandas constitucionais de defesa nacional. O programa tinha como objetivo principal preencher lacunas de capacidade operacional por meio da obtenção, modernização e integração de Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM), elevando os níveis de prontidão e eficiência das unidades operativas No contexto do Subprograma Forças Blindadas, foram iniciadas tratativas junto ao governo dos Estados Unidos visando à obtenção de veículos blindados que contribuíssem para os esforços de reequipamento da Força Terrestre. Como resultado, em 2015, o governo brasileiro recebeu, por intermédio do programa Foreign Military Sales (FMS) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, um substancial lote de viaturas blindadas classificadas como Excess Defense Articles (EDA). Entre os veículos contemplados nesse acordo destacavam-se 34 viaturas posto de comando M-577A2, cuja incorporação era particularmente aguardada, uma vez que sua introdução permitia suprir uma antiga lacuna operacional relacionada à capacidade de comando e controle em ambiente blindado. Esses veículos encontravam-se armazenados nos depósitos militares de Anniston Army Depot, no estado do Alabama, e Sierra Army Depot, no estado da Califórnia. Apesar de terem sido produzidos há mais de três décadas, apresentavam excelente estado de conservação, sendo comum encontrar exemplares com poucas milhas registradas em seus hodômetros. O primeiro lote desembarcou no Porto de Paranaguá (PR) em 17 de outubro de 2016, sendo posteriormente transportado para as instalações do Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5), em Curitiba (PR). Nessa organização militar teve início um abrangente processo de recuperação e adequação das viaturas às necessidades operacionais. Inicialmente, foi conduzido um detalhado estudo técnico de todos os componentes, sistemas e acessórios, visando identificar alternativas disponíveis no mercado nacional para a substituição de itens importados e, consequentemente, reduzir a dependência logística externa. Na sequência, foram executadas intervenções de manutenção e revitalização em todos os sistemas das viaturas, destacando-se a substituição e padronização do grupo gerador original movido a gasolina por um novo equipamento a diesel, com potência nominal de 6,5 kVA. As adaptações realizadas permitiram sua operação tanto acoplada à viatura quanto de forma remota, ampliando sua flexibilidade de emprego em operações de comando e controle. Outro aspecto importante do programa foi a recuperação completa do toldo extensível localizado na parte traseira da viatura, elemento essencial para a ampliação da área de trabalho destinada às equipes de planejamento e coordenação. Em algumas unidades também foram incorporadas melhorias adicionais, como a adoção das lagartas de borracha contínua da Soucy Defense, que proporcionam maior durabilidade, redução do desgaste dos componentes da suspensão, menor nível de vibração e diminuição do consumo de combustível. 

Embora apresentem algumas limitações em operações anfíbias, essas lagartas oferecem vantagens significativas para o emprego terrestre em longos deslocamentos. As intervenções realizadas  inseriram-se plenamente nos objetivos do Projeto Estratégico do Exército – Obtenção da Capacidade Operacional Plena (PEE OCOP), contribuindo para a modernização dos meios blindados da Força Terrestre.  Este blindado receberia no Exército Brasileiro a designação de Viatura Blindada Especial Posto de Comando M-577 (VBE PC M-577A2), devendo ser utilizadas como Posto de Comando Avançado nas operações do Regimento. Estes seriam destinados a dotar os  Grupos de Artilharia Autopropulsada, Regimentos de Carros de Combate e Batalhões de Infantaria Blindada e ao Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) General Walter Pires. Devido à grande disponibilidade de viaturas, em 2017 o Parque Regional de Manutenção/5 (PqRMnt/5), iniciou estudos visando a conversão de um número destes carros para versão ambulância, a exemplo de viaturas deste modelo, empregados com muito êxito junto ao Exército dos Estados Unidos (US Army). O objetivo deste programa, visava capacitar estas viaturas convertidas, a atenderem o padrão “B”, ou seja, capaz de realizarem o Suporte Básico no campo de batalha. Entre as adaptações internas, foram instaladas tomadas com conversão de voltagem 24V/120v para receber equipamentos médicos como desfibrilador ou cardioversor, monitores de dados vitais, sistema de oxigênio/vácuo além da maca retrátil. Todo o processo foi realizado com parceria com a equipe do 20º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB). Em operação a viatura terá como missão, retirar os feridos das zonas quentes (linha de frente), para a retaguarda e entregá-lo as equipes médicas já estabilizado tendo em vista os recursos de “Suporte Básico de Vida” instalados a bordo. A entrega oficial do primeiro protótipo ocorreria em 02 de outubro de 2018, com a M-577A2 recebendo as marcações típicas de um veículo de saúde, as cruzes vermelhas. Esta viatura seria submetida a inúmeros testes de campo, supervisionados pela equipe do 20º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) durante o ano de 2019, validando o programa para a conversão de mais unidades a seguir. Em 03 janeiro de 2020 o boletim BE Nº1/2020,  anunciou que o foi autorizada a assinatura para a Carte de oferta do Programa FMS (Foreign Military Sales), referente a aquisição de mais um lote de 60 (sessenta) Viaturas Blindadas – Posto de Comando (VBE PC) M-577A2, procedentes dos depósitos de material excedente do Exército dos Estados Unidos (US Army). As primeiras 30 viaturas foram recebidas no dia 15 de setembro, no Porto de Paranaguá (PR), sendo então transportadas para o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5), em Curitiba (PR), onde passarão por processos de avaliação e recuperação para, posteriormente, serem distribuídos às unidades da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (5ª Bda C Bld) e 6ª Brigada de Infantaria Blindada (6ª Bda Inf Bld). Em 06 de outubro de 2020 seriam recebidos os 30 M-577A2 restantes.

Em Escala.
Para representar o veículo M-577A1 VtrBldEspSL "CFN 30055055" Carro Comando, utilizamos o kit da Tamiya na escala 1/35. Embora o modelo seja de alta qualidade, ele não possui detalhamento interno, sendo necessário realizar a customização por meio de técnicas de scratch build. Não é preciso efetuar alterações adicionais para configurar a versão utilizada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Para os acabamentos, empregamos decais produzidos pela Eletric Products, incluídos no conjunto "Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil 1/35".
O padrão de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao primeiro esquema de camuflagem tática utilizado nos veículos desta família pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Esse padrão foi substituído na década de 1980 e, posteriormente, alterado novamente no início da década seguinte. As viaturas modernizadas resultantes desse processo adotaram um padrão ligeiramente distinto, com possíveis pequenas variações nos tons das cores. Por outro lado, as Viaturas Blindadas – Posto de Comando (VBE PC) M-577A2 do Exército Brasileiro receberam o esquema de camuflagem tático considerado padrão pela Força Terrestre.
Bibliografia : 
- Variants of the M113 armored personnel carrier-  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Variants_of_the_M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- Tecnologia e Defesa por Paulo Roberto Bastos e Helio Higuchi http://tecnodefesa.com.br/novidades-na-arma-blindada-brasileira/
- O primeiro M577 versão ambulância  - Roberto Caifa - Tecnologia e Defesa - www.tecnodefesa.com.br

M-125A1 Porta Morteiro (VtrBldEspSL)

História e Desenvolvimento. 
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
A partir de 1968 surgia a nova versão denominada M-125 com motorização a diesel, que possuía a estrutura do piso reforçado com feixes de aço soldado para poder suportar a reação do disparo da arma, prateleiras para o armazenamento de até 69 cargas explosivas e uma plataforma interna giratória para orientação do morteiro M-29 de 81mm, também levava uma plataforma menor para operação externa da arma. Sua guarnição era composta pelo motorista, comandante e quatro operadores da arma. Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental,  e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana. Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava  aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional.  Seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de  30 anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) foi criada em 1950 com o propósito de estabelecer uma estrutura de combate anfíbia moderna, inspirada nos conceitos operacionais adotados pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Nos anos subsequentes, foram empreendidos os primeiros esforços para a consolidação dessa capacidade, com a incorporação gradual dos meios navais, terrestres e logísticos necessários à execução de operações anfíbias em larga escala. Nesse contexto, a Marinha do Brasil recebeu os primeiros navios especializados no transporte de tropas, entre eles os transportes de tropa G-20 Custódio de Mello, G-16 Barroso Pereira, G-21 Ary Parreiras e G-22 Soares Dutra, além de embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM). A incorporação desses meios permitiu o estabelecimento das bases doutrinárias e operacionais para a realização de desembarques anfíbios organizados, ampliando significativamente as capacidades expedicionárias da Força. Paralelamente, foram adquiridos os primeiros veículos destinados ao apoio das operações de desembarque, incluindo os jipes M-38A1/1C e Willys CJ-5, bem como os  Dodge M-37. Esses veículos eram transportados e desembarcados pelas embarcações de desembarque, proporcionando mobilidade às tropas logo após a conquista da cabeça de praia. A disponibilidade desses recursos possibilitou o início dos primeiros ciclos de adestramento anfíbio, concentrados em operações de menor complexidade envolvendo o desembarque de tropas, veículos leves, peças de artilharia e suprimentos. Essas atividades constituíram a base para o desenvolvimento da futura doutrina anfíbia brasileira. Ao longo da década de 1960 e no início dos anos 1970, estudos passaram a ser conduzidos visando à aquisição de veículos anfíbios blindados capazes de ampliar a mobilidade e a proteção das tropas durante as operações de assalto anfíbio. Entre os modelos analisados destacavam-se o veículo anfíbio LVTP-5 e o veículo blindado de transporte de pessoal FMC M-113. Contudo, apesar das vantagens operacionais oferecidas por essas plataformas, seus elevados custos de aquisição tornavam inviável sua incorporação dentro das limitações orçamentárias então enfrentadas pela Marinha do Brasil. Como solução intermediária, foi adquirido em 1972 um lote de caminhões anfíbios GMC DUKW provenientes dos estoques excedentes da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Embora esses veículos representassem um avanço importante na capacidade de transporte anfíbio, não atendiam plenamente aos requisitos de proteção e mobilidade exigidos para operações de combate. A necessidade de um moderno veículo blindado de transporte de tropas começou a ser parcialmente atendida em 1973, quando foram incorporadas as primeiras viaturas Engesa EE-11 Urutu. Esses blindados passaram a equipar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), unidade subordinada ao Comando da Divisão Anfíbia e responsável pelo apoio à mobilidade das forças desembarcadas. Entretanto, a experiência operacional logo evidenciou algumas limitações do EE-11 Urutu no contexto específico das operações anfíbias. Sua configuração sobre rodas, embora adequada para deslocamentos em estradas e terrenos firmes, apresentava restrições de mobilidade em ambientes arenosos e em determinados tipos de praias, reduzindo sua eficiência durante as fases iniciais do desembarque. 

Com base nas lições aprendidas,  passou-se a considerar a aquisição de uma família de veículos blindados de transporte de tropas sobre lagartas, considerada mais adequada às exigências das operações anfíbias. As aspirações iniciais apontavam para a incorporação do moderno veículo de assalto anfíbio  AAV-7A1. Todavia, o elevado custo unitário dessa plataforma excedia consideravelmente as disponibilidades orçamentárias, inviabilizando sua aquisição naquele momento.  Uma solução mais viável  foi identificada na incorporação do veículo blindado de transporte de tropas  M-113A1. Embora este modelo não atendesse integralmente a todas as especificações desejadas para operações anfíbias, sua aquisição era economicamente favorável. Além disso, sua ampla utilização pelo Exército Brasileiro já havia demonstrado excelentes resultados operacionais, o que reforçou a decisão de adotá-lo. Desta maneira a partir de abril de 1974 seriam conduzidas negociações entre o Ministério da Marinha e o governo norte-americano, que logo se materializariam na celebração de um contrato, para a aquisição de um lote de t30 carros novos de fábrica. Este acordo previa o fornecimento de quatro versões, 24 na versão M-113A1 Transporte de Tropas, 02  M-125A1 carro porta morteiro, 01 M-113A1G oficina, 02 M-577A1 Comando e por fim um carro socorro do modelo XM-806E1. A entrega dos  veículos ocorreu em 7 de novembro de 1976, sendo incorporados ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Nessa fase inicial, foi implementado um extenso programa de treinamento operacional conduzido por equipes do fabricante em parceria com oficiais e mecânicos do Exército Brasileiro, provenientes de unidades já operacionais com este modelo. Após a conclusão desse treinamento, os veículos foram  declarados operacionais em dezembro de 1977, recebendo a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M-113 de Transporte de Pessoal (TP). A partir desse momento, passaram a operar conjuntamente com os veículos EE-11 Urutu. Com o objetivo de adequar a nomenclatura da unidade à sua missão principal, o Batalhão de Transporte Motorizado foi desativado, dando lugar à Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). Em serviço, elevaram significativamente o nível de operacionalidade, participando ativamente de diversos treinamentos e operações anfíbias, incluindo a série de exercícios denominados Operação Dragão.  Desde o início das operações anfíbias da Força de Fuzileiros de Esquadra (FEE), o M-125A1, seria o primeiro carro porta morteiro a ser incorporado a força, e apesar de só se disporem de dois os carros os mesmos foram fundamentais na doutrina de operações ofensivas de saturação de área, para apoio e defesa nas operações de desembarque anfíbio, operando a partir de navios de desembarque de carros de combate Marinha do Brasil. O primeiro exercício de grande monta com este tipo de plataforma de artilharia aconteceria em abril 1981, quando os dois M-125A1 foram desembarcados no litoral do Espírito Santo a partir do navio de desembarque de carros de combate G26 - Duque de Caxias (classe De Soto County). Em operação constante estes veículos viriam a trazer a um novo patamar de operacionalidade a Força de Fuzileiros de Esquadra, participando ativamente nos anos seguintes de inúmeros treinamentos e operações anfíbias como a série das Operações Dragão.
Em 1986, a unidade passou a ser denominada Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf), designação que manteve até 2003, quando foi ativado o Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav). Com essa reorganização, todas as viaturas da família M-113 em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais foram concentradas na nova unidade. Com a desativação dos blindados Engesa EE-11 Urutu e até a plena incorporação dos veículos anfíbios de assalto AAV-7A1 CLAnf, os M-113A1 passaram a constituir os únicos veículos blindados de transporte de tropas em operação no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), desempenhando papel fundamental na manutenção da capacidade mecanizada da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). No início da década de 2000, as viaturas M-113A1 Transporte de Pessoal, M-125A1 Porta-Morteiro, M-577A1 Posto de Comando, M-113A1G Oficina e XM-806E1 Socorro aproximavam-se de quatro décadas de serviço ininterrupto. O intenso emprego operacional ao longo desse período refletiu-se diretamente em sua disponibilidade, que havia caído para uma média de aproximadamente 66%, comprometendo a capacidade de mobilidade da Força. Essa situação foi agravada por problemas mecânicos e elétricos decorrentes do desgaste natural dos equipamentos, de deficiências nos processos de manutenção e das crescentes dificuldades na obtenção de peças de reposição, muitas das quais já não eram facilmente encontradas no mercado internacional. Diante desse cenário, em 2007 o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos visando à substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas  M-113A1, chegando inclusive a considerar a aquisição de um novo lote de veículos anfíbios de assalto United Defense AAV-7A1. Entretanto, as restrições orçamentárias enfrentadas pela Marinha do Brasil naquele período inviabilizaram essa alternativa. Como consequência, optou-se por uma solução mais econômica e exequível: a implementação de um amplo programa de modernização, destinado a restaurar a capacidade operacional da frota e prolongar sua vida útil por pelo menos mais 20 anos. Para subsidiar essa decisão, uma equipe técnica do Corpo de Fuzileiros Navais analisou diversos programas de modernização aplicados a veículos da família M-113 em serviço em outros países. As conclusões obtidas serviram de base para a definição dos requisitos técnicos e operacionais que norteariam uma concorrência internacional. Iniciado no final de 2007, o processo atraiu propostas de diversas empresas especializadas no setor de defesa. Após uma criteriosa avaliação técnica e comercial, a proposta apresentada pela Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa. Como resultado, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira na Europa (CNBE) celebrou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões, contemplando a modernização de 24 viaturas M-113A1 de transporte de pessoal, duas viaturas de posto de comando M-577A2, duas viaturas porta-morteiro M-125A1, uma viatura de reparos M-113A1G e uma viatura de recuperação XM-806E1. Esse programa representaria um importante marco na preservação da capacidade blindada do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), assegurando a continuidade operacional de uma plataforma que, por mais de três décadas, havia desempenhado papel central na doutrina anfíbia brasileira.

Além de apresentar a melhor relação custo-benefício entre as propostas analisadas, este possuía como principal diferencial a realização de todas as intervenções nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais, sob a supervisão do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais e com assistência  da Israel Military Industries (IMI). Essa abordagem permitiu não apenas a redução de custos, mas também a absorção de conhecimento técnico e o fortalecimento da capacidade nacional de manutenção. Entre os principais aprimoramentos implementados destacava-se a adoção do motor diesel Caterpillar C7 com 300 hp, dotado de injeção eletrônica. A escolha desse  levou em consideração a ampla disponibilidade de componentes e serviços de manutenção no mercado nacional, garantindo menores custos operacionais e maior facilidade logística ao longo de sua vida útil. O motor passou a operar em conjunto com a transmissão automática Allison 3200SP, de controle eletrônico, equipada com seis marchas à frente e uma à ré. O sistema de suspensão também recebeu importantes aperfeiçoamentos, incluindo a substituição das barras de torção, a instalação de amortecedores reforçados e a ampliação da área de contato dos componentes de absorção de impacto. Foram ainda incorporados novos conjuntos dos braços das rodas de apoio nas estações 1, 2, 4 e 5, proporcionando maior distância livre em relação ao solo e melhor capacidade de absorção de irregularidades do terreno. Complementando essas melhorias, foi adotado um kit de reposicionamento do conjunto tensor da lagarta e do braço da roda tensora. O sistema de direção foi modernizado mediante a instalação de um novo conjunto de controle hidráulico, eliminando os tradicionais manches de condução e introduzindo um volante. Essa alteração resultou em maior ergonomia e facilidade de condução para os operadores. As lagartas originais foram substituídas pelo modelo Diehl System Track 513 Aggressive, que proporcionou aumento da vida útil dos componentes de rodagem, redução das vibrações e dos níveis de ruído, além de menor desgaste das rodas de apoio e melhoria do desempenho geral em terrenos difíceis. Com o objetivo de ampliar a autonomia e aumentar a segurança da tripulação, foram instalados tanques externos de combustível com capacidade para 360 litros cada. Essa solução reduziu significativamente os riscos associados a incêndios internos e permitiu a continuidade da operação da viatura mesmo em caso de danos a um dos reservatórios. Na área elétrica e eletrônica, as viaturas receberam novos rádios de comunicação, alternadores de 200 amperes, sistema de ar-condicionado e um moderno sistema automático de combate a incêndio. Adicionalmente foram preparadas para a instalação de um kit de navegação destinado a facilitar a condução e a transposição de cursos d’água. O programa contemplou a preparação estrutural e elétrica necessária para a futura integração de sistemas mais avançados, como imageadores termais, telas digitais multifuncionais, kits de blindagem suplementar interna e externa e lançadores de granadas fumígenas de 76 mm, ampliando consideravelmente o potencial de modernização da plataforma No entanto, ressalta-se que os dois  M-125A1 não receberam as estações de armamento Platt MR555 Mod-2 (26).
Os veículos porta morteiros, foram os primeiros a serem submetidos a este processo, passando a ser designados como M-125MB1 (MB – Marinha do Brasil e 1 – primeiro modernizado).  Essas viaturas foram entregues juntamente com os primeiros veículos, integrando o lote disponibilizado em 15 de junho de 2013. Entre as viaturas de transporte entregues nesse primeiro lote, uma unidade foi equipada com um sistema de câmera termal destinado à avaliação operacional, visando sua eventual homologação e posterior incorporação ao conjunto de equipamentos padronizados da frota. Ainda naquele ano, durante a LAAD Defence & Security, foi apresentando ao público um exemplar equipado com o kit de flutuação composto por blocos de navegação instalados externamente ao casco, demonstrando as capacidades anfíbias preservadas e aprimoradas pela modernização. Cabe destacar que todas as viaturas foram preparadas para receber esse conjunto, destinado à travessia de cursos d’água e operações anfíbias. Entretanto, na maior parte do tempo, os veículos operam sem o kit de navegação e sem o quebra-mar instalado, sendo esses equipamentos montados apenas quando exigidos pela missão.  O pacote de aperfeiçoamentos foi complementado pela integração do sistema Drive Night Vision, destinado à navegação noturna por meio de sensores termais, e do sistema Smoke Grenade System 76 mm, composto por lançadores de granadas fumígenas voltados à autoproteção e mascaramento tático da viatura no campo de batalha. Os ensaios operacionais realizados com esses novos sistemas apresentaram resultados altamente satisfatórios, comprovando a eficácia das modificações implementadas e possibilitando sua adoção em um número maior de veículos da frota. A experiência acumulada durante essa fase permitiu aperfeiçoar procedimentos técnicos e validar soluções que passaram a integrar o padrão operacional das viaturas modernizadas. A entrega dos últimos exemplares  ocorreu no início de 2016, marcando a conclusão bem-sucedida do programa de modernização. Além de elevar significativamente o desempenho e a capacidade operacional da frota, o projeto proporcionou um importante avanço na capacitação técnica do Corpo de Fuzileiros Navais, especialmente nas áreas de soldagem, manutenção, mecânica pesada, eletrônica embarcada e integração de sistemas. Outro aspecto de grande relevância foi o acordo de compensação comercial (OFFSET) previsto no contrato firmado em 2008. Por meio desse mecanismo, o fabricante comprometeu-se a fornecer treinamento abrangente ao pessoal técnico da Marinha do Brasil, habilitando-o a executar atividades de operação, manutenção e suporte logístico em todos os níveis de intervenção. Paralelamente, o programa promoveu a qualificação de diversas empresas brasileiras para a realização de serviços de manutenção de terceiro e quarto escalões em todas as viaturas, abrangendo o fornecimento de peças de reposição, componentes, materiais e serviços especializados. 

Em Escala.
Para representarmos o M-125A1 VtrBldEspSL Porta Morteiro  "CFN 3110551" em sua configuração antes de ser modernizado,  utilizamos o antigo kit Academy (versão original M-106A1), na escala 1/35. Para compormos a versão empregada pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN), faz se necessário proceder a troca do morteiro, pois o kit contempla uma peça de 107 mm, a solução encontrada foi a de utilização de um morteiro de 81 mm presente no kit LAV-M da Trumpeter na mesma escala. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura de camuflagem tática empregado em veículos desta família no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) . Este esquema  foi substituído na década e 1980, sendo novamente alterado em no inicio da década seguinte.  As viaturas modernizadas emergiram deste processo adotando um padrão ligeiramente diferente deste, podendo apresentar  pequenas variações de tons de cores.
Bibliografia : 
- Variants of the M113 armored personnel carrier-  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Variants_of_the_M113_armored_personnel_carrier
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- M-113 no Brasil – Expedito Carlos Stephani Bastos

C-99A/B e VC-99A Embraer ERJ-145

História e Desenvolvimento. 
A história da Embraer tem início em um momento decisivo para o Brasil. Na década de 1960, o país buscava reduzir sua dependência externa em setores estratégicos, entre eles o aeroespacial. Nesse contexto, o governo federal, por meio do Ministério da Aeronáutica, articulou a criação de uma indústria aeronáutica nacional sólida, apoiada na formação técnica promovida pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA). O engenheiro e oficial-aviador Ozires Silva emergiu como a figura central dessa iniciativa. Combinando rigor técnico e profunda crença no potencial nacional, ele lideraria um movimento que enxergava a aviação não apenas como instrumento militar, mas como projeto de Estado, integrador e gerador de autonomia tecnológica. Em 19 de agosto de 1969, nascia oficialmente a Embraer, na cidade de São José dos Campos, estado de São Paulo. Seu primeiro grande produto, concebido ainda no ITA, foi o turboélice de transporte leve EMB‑110 Bandeirante. O projeto representou um enorme teste de capacidades: projetar, industrializar e certificar uma aeronave genuinamente nacional. O sucesso do Bandeirante, que entrou em produção seriada em 1973, demonstrou que o Brasil podia desenvolver aviões confiáveis, adaptados à realidade operacional latino-americana, com manutenção simplificada e robustez estrutural. Nos anos seguintes, o modelo foi exportado para países da América do Sul, Europa e África, evidenciando a capacidade da nascente indústria aeronáutica brasileira de competir, em nichos específicos, no mercado global. Após o êxito inicial, a Embraer diversificou rapidamente sua linha, incluindo o modelo agrícola  EMB‑200 Ipanema (1972); o treinador avançado EMB‑312 Tucano (1983),  concebido para a formação avançada de pilotos, tornou-se referência internacional em treinamento militar. Esse êxito proporcionou à Embraer os recursos e a expertise tecnológica necessários para almejar o desenvolvimento de aeronaves mais avançadas. O passo seguinte foi o projeto da primeira aeronave executiva pressurizada do Brasil, o Embraer EMB-121 Xingu. Embora esse modelo não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial do Bandeirante, elevou significativamente o conhecimento técnico da empresa. Nesse período, identificou-se uma crescente demanda no mercado internacional por aeronaves turboélices de médio porte, destinadas a operações em linhas aéreas regionais, especialmente na Europa e na América do Norte. O EMB-121 Xingu serviu como base inicial para o desenvolvimento de uma nova aeronave, inicialmente designada EMB-120 Araguaia. Contudo, esse projeto, por ser derivado de um modelo de pequeno porte, apresentou limitações operacionais. Em 1979, a Embraer retomou o desenvolvimento com a concepção de uma aeronave inteiramente nova, projetada para atender às especificidades desse promissor segmento de mercado.  O modelo, que manteve a designação EMB-120, foi batizado de "Brasília", em homenagem à capital federal, consolidando-se como uma resposta estratégica às necessidades do transporte aéreo regional. O desenvolvimento do projeto do EMB-120 Brasília, concebido pela engenharia da Embraer, avançou com notável celeridade, refletindo a combinação entre maturidade técnica e o sentido de propósito que orientava a empresa naquele período.

Em 1981, foi concluído o primeiro mockup da aeronave, etapa crucial para validar parâmetros ergonômicos, operacionais e de manutenção, permitindo às equipes visualizar, com realismo, a solução que se pretendia entregar ao mercado. Após ensaios aerodinâmicos promissores e a confirmação da viabilidade do desenho, autorizou-se a construção do primeiro protótipo. Em 29 de julho de 1983, nas instalações industriais de São José dos Campos, em São Paulo, realizou-se a cerimônia oficial de apresentação e batismo da aeronave, registrada sob a matrícula civil PT-ZBA. O protótipo exibia um revestimento em alumínio polido com acabamento espelhado, solução especialmente desenvolvida pela Alcoa a fim de atender às exigências do programa, traduzindo a busca por leveza estrutural, acabamento superficial superior e ganhos de fabricação. Na mesma data, a aeronave realizou seu voo inaugural, testemunhado por engenheiros, pilotos de ensaio e colaboradores, momento que simbolizou  para muitos ali presentes  a consolidação de um ideal perseguido há anos: o reconhecimento da competência industrial e aeronáutica nacional em um segmento altamente competitivo. Diferentemente do EMB-110 Bandeirante, inicialmente projetado também para demandas domésticas e que desde 1974 servia tanto ao Brasil civil quanto militar, o EMB-120 foi concebido com vocação global, mirando, desde sua gênese, o mercado internacional de aviação regional. Dessa forma, seu desenho e sua estratégia de certificação, suporte em serviço e parcerias industriais foram orientados para padrões reconhecidos pelas maiores operadoras regionais do Ocidente. Antes mesmo da primeira entrega em série, a aeronave já se destacava como um dos modelos mais bem-aceitos em seu segmento, reunindo contratos, cartas de intenção e opções de compra junto a operadoras da América do Norte e da Europa Ocidental, com ênfase em clientes das economias mais maduras do setor à época. Esse êxito não foi apenas comercial, mas estratégico: ele projetava o Brasil como provedor de uma solução aeronáutica confiável para integrar pequenas e médias cidades a hubs de maior densidade de tráfego, conectando pessoas e economias regionais por meio de uma plataforma robusta, eficiente e de operação relativamente econômica. Em 1985, a Atlantic Southeast Airlines tornou-se a primeira operadora a incorporar o EMB-120 Brasília à sua frota. Em setembro daquele ano, o modelo realizou seu voo inaugural em serviço regular, ligando as cidades de Gainesville, na Flórida, e Atlanta, na Geórgia. O feito inaugurava a presença do produto brasileiro em malhas regulares nos Estados Unidos, onde rapidamente o Brasília se consolidaria como uma opção eficiente para rotas alimentadoras e de média capilaridade. No ano seguinte, 1986, o EMB-120 alcançou outro marco representativo: tornou-se a primeira aeronave brasileira homologada para operações civis na Alemanha, demonstrando a conformidade do projeto com os rigorosos padrões de certificação europeus, além de consolidar o prestígio da engenharia aeronáutica brasileira. O episódio reforçou o atributo humano que permeava o programa: cada certificação e cada nova rota representavam, para os times da Embraer, a validação internacional de anos de dedicação coletiva, em um período no qual o país enfrentava instabilidades macroeconômicas, restrições de câmbio e limitações de investimento estatal.
Apesar do sucesso no exterior, a Embraer, ainda sob controle estatal, enfrentava os efeitos da crise econômica que marcou o Brasil na década de 1980 e início dos anos 1990. A instabilidade política que culminou no impeachment do presidente Fernando Collor, em setembro de 1992, agravou o ambiente de incerteza e restrição orçamentária, reverberando na capacidade de investimentos governamentais em programas de defesa e indústria estratégica. Diante desse contexto, consolidou-se a percepção de que a sobrevivência da Embraer exigia um novo modelo de governança e capitalização. Em 1994, a empresa foi privatizada, movimento que encerrou um ciclo e inaugurou outro, marcado por um modelo corporativo moderno, competitivo e orientado a receitas globais. Preservando vínculos com o interesse estratégico do Estado brasileiro, a nova gestão promoveu uma profunda reestruturação organizacional, preparando o reposicionamento da companhia em segmentos de mercado de maior escala. Entre as prioridades delineadas, destacava-se a criação de uma nova família de aeronaves a jato voltadas ao transporte aéreo regional, capaz de suceder o legado do Brasília e ampliar o alcance mundial da marca. Esse esforço germinaria no Programa ERJ, iniciado originalmente em 1989, mas retomado com vigor após a crise, capitalizando a ampla oportunidade mercadológica que se consolidava nas frotas de companhias regionais norte-americanas e europeias. Naquele período, o mercado de transporte aéreo regional era predominantemente composto por aeronaves bimotoras turboélices, com capacidade de até 30 passageiros. Contudo, vislumbrava-se a oportunidade de introduzir aeronaves a jato com maior capacidade de transporte, alcance ampliado e uma relação custo-benefício otimizada. O projeto do Embraer EMB-120 Brasília serviu como base para o desenvolvimento de uma nova aeronave a reação, projetada para transportar até 50 passageiros, com custos operacionais comparáveis aos de um turboélice convencional. O programa de desenvolvimento, orçado em aproximadamente US$ 300 milhões, foi estruturado com a seguinte distribuição de investimentos: 34% custeados pela Embraer S/A, 33% aportados por parceiros de compartilhamento de risco (responsáveis por componentes como seções de fuselagem traseira, portas, pilares de motores e pontas de asa, incluindo a empresa Sonaca da Bélgica), 23% provenientes de empréstimos de longo prazo de instituições brasileiras de fomento ao desenvolvimento e 10% de fornecedores participantes. Inicialmente designada EMB-145, a nova aeronave representava uma evolução do turboélice EMB-120 Brasília, incorporando uma fuselagem alongada, motores turbofans posicionados à frente das asas e aletas nas extremidades das asas (“winglets”) sem enflechamento. Estudos subsequentes indicaram que essa configuração não atenderia integralmente aos requisitos do projeto, levando à adoção de asas com leve enflechamento (22,3°) e manutenção dos winglets. Contudo, a configuração inicial demandava um trem de pouso excessivamente alto, o que motivou, em 1991, a definição da configuração final, com os turbofans reposicionados na parte traseira da fuselagem e uma cauda em formato “T”. 

A escolha dos motores recaiu sobre os Rolls-Royce AE-3007A, com 7.040 lb de empuxo, devido à sua confiabilidade e robustez. Esses motores, controlados por dois Controles de Motor Digital de Autoridade Total (FADEC), proporcionavam à aeronave uma velocidade máxima de cruzeiro de 833 km/h. Os FADECs gerenciam praticamente todos os aspectos do motor, transmitindo dados para exibição no sistema EICAS (Engine Indication and Crew Alerting System) para o piloto. Com o projeto consolidado, o Embraer ERJ-145 apresentava as seguintes especificações: envergadura de 20,04 m, comprimento de 29,87 m, altura de 6,75 m, superfície alar de 51,20 m², peso vazio de 11.667 kg e peso máximo de decolagem de 20.600 kg. Em termos de aviônica, a aeronave contava com um painel totalmente digital de alta tecnologia, equipado com o sistema Honeywell Primus 1000 Avionics. Esse sistema incluía cinco telas de cristal líquido intercambiáveis, compostas por dois PFDs (Primary Flight Displays), dois MFDs (Multi-Function Displays) e um EICAS, garantindo uma interface avançada e eficiente para a tripulação. O primeiro protótipo do ERJ-145 com matricula S/N 801 - PT-ZJA, alçou voo em 11 de agosto de 1995, sendo seguido por mais três células S/N 001 -  PT-ZJB, S/N 002 -  PT-ZJC e S/N 003 -  PT-ZJD, para serem empregados no programa de ensaios de voo e campanha de teste. E neste contexto apenas a última aeronave foi equipada com assentos de passageiros e não tinha FTI (instrumentação de teste de voo) sendo utilizado para testes funcionais e de confiabilidade. Em dezembro do ano seguinte a aeronave receberia a certificação final da norte-americana Federal Aviation Administration - FAA (Administração Federal de Aviação).  Antes mesmo do primeiro voo, a nova aeronave brasileira já acumulava 18 pedidos firmes, 16 opções e 127 cartas de intenção, após a certificação a Embraer S/A, já apresentava em sua carteira 62 pedidos firmes e 218 opções de compra, prenunciando assim. mais um grande sucesso comercial da empresa brasileira.  Os primeiros exemplares seriam entregues à empresa norte-americana Express Jet Airlines (então a divisão regional da Continental Airlines voando como Continental Express) em dezembro de 1996, companhia está que já havia encomendado 25 aeronaves Embraer ERJ-145 com outras 175 em opção de compra. No esteio deste processo mais vendas seriam realizadas, tendo como principal destaque o mercado norte-americano, operando junto a Aero Vision International, Aersource LLC, American Eagle (subsidiária da American Airlines), Champion Air LLC, Commut Air , Countour Aviation, Denver Air, Envoy Airlines, JSX Airlines, Key Lime Air, Piedmont Airlines, Regional One, RoadRun Air, Sterling Airways, United Express, Victory Air. Porém a exemplo do Embraer EMB-120 Brasília, a nova aeronave brasileira conquistaria o mercado mundial, operando nos cinco continentes em empresas de destaque como Africa World Airlines, Djibuti Air, Air Hamburg, Air Peace, Airlink, Amelia International, Calafaia Airlines, Cronos Airlines, Fly Namíbia, Inter Caribbean Airways, Jet Netherlands JNL, Loganair Scotland Airlines, Moçambique Airlines, National Airways, Pouya Air, Rano Air, Star Air, TAR Aerolíneas, United Nigéria, Nordeste e Rio Sul Linhas Aéreas. 
A família ERJ-145 seria ampliada em 1998, com o lançamento do modelo de longo alcance ERJ-145LR (“Long Range”) e em 2001, com a versão ERJ-145XR (“Extra Long Range”), totalizando até o ano de 2020 mais de 1.200 aeronaves produzidas e entregues há mais de 70 operadores civis e governamentais. Após a consolidação do ERJ-145, a Embraer S/A, colocou no mercado as versões menores da família como o ERJ-135 e o ERJ-140, com capacidade máxima de 37 e 44 passageiros, respectivamente, passando a agregar mais segmentos de mercado, como o transporte executivo e VIP (Very Important Person). Em 2003, a Embraer firmou uma parceria estratégica com o Harbin Aircraft Industry Group, sediado em Harbin, China. Dessa colaboração resultou a criação da joint venture Harbin Embraer Aircraft Industry, dedicada à produção da aeronave regional ERJ-145 para o mercado chinês. A montagem das aeronaves era realizada com kits completos, integralmente importados do Brasil ou oriundos de outras unidades operacionais da Embraer ao redor do mundo. As atividades de montagem foram encerradas em março de 2016, totalizando a entrega de mais de 40 unidades do ERJ-145 e cinco jatos executivos Legacy 650. O excelente desempenho da plataforma ERJ-145 no transporte aéreo regional despertou o interesse de diversos governos para sua adaptação a missões de transporte de autoridades, com configurações VIP personalizadas conforme as exigências de cada cliente. Nesse segmento, a Embraer obteve êxito na celebração de contratos com os governos da Tailândia — para emprego na Marinha e no Exército daquele pais. Outras vendas militares seriam celebradas agora para  Angola, Colômbia, Equador, Grécia, Panamá, México, Brasil e Índia, esta última com aeronaves destinadas a missões especializadas. A robustez e confiabilidade da plataforma ERJ-145 também viabilizaram sua adaptação a versões de uso exclusivamente militar. Entre essas estão: o modelo de alerta aéreo antecipado EMB-145SA, empregado pela Força Aérea Brasileira sob a designação E-99; sua versão de exportação, EMB-145AEW, utilizada pelas forças armadas da Grécia, México e Índia; e a versão de sensoriamento remoto EMB-145RS, adotada pelo Brasil  como R-99. A Embraer chegou ainda a propor uma versão para patrulha marítima, designada EMB-145MP/ASW, que, contudo, não despertou o interesse de operadores internacionais. Como a demanda pela série ERJ se mostrou forte mesmo no início, a empresa decidiu que não poderia confiar apenas em uma família de aeronaves e examinou suas opções para produzir um jato regional complementar, incluindo projetos que seriam maiores e mais avançados do que suas aeronaves anteriores. Este processo culminaria no desenvolvimento da família de E-Jets, lançada em 14 de junho de 1999 no Paris Air Show, inicialmente usando as designações gêmeas ERJ-170 e ERJ-190; estes foram posteriormente alterados para Embraer 170 e 190, respectivamente, que passariam nos anos seguintes a substituir em serviço os ERJ-145. Apesar da descontinuação de sua produção em 2020, a frota permanece amplamente ativa, sobretudo em mercados emergentes. Um exemplo notável é o continente africano, onde essas aeronaves têm ganhado uma segunda vida operacional e deverão permanecer em serviço por muitos anos.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao final da década de 1980, o Comando da Aeronáutica (COMAER) mantinha plena capacidade no segmento de transporte médio, apoiado por uma frota robusta e heterogênea. Essa força aérea logística reunia plataformas de concepção e produção nacional como o Embraer C-95 Bandeirante e o C-97 Brasília   e aeronaves bimotores de origem britânica, a linha C-91, fabricada pela Avro nas variantes 748 Mod. 204 Sr.2 e 748 Mod. 281 Sr.2A. Embora o ingresso desses vetores na Força Aérea Brasileira (FAB) tenha ocorrido na década de 1960, o período ainda era marcado por elevados índices de prontidão e disponibilidade em voo, um reflexo direto da qualidade de projeto, da disciplina de manutenção e da experiência acumulada pelas equipes técnicas e de tripulação. Para o transporte de autoridades em missões VIP, a configuração então empregada  com jatos executivos como o Gates Learjet 35 (designado VU-35A) e o Hawker Siddeley HS-125 (designado VU-93) era compreendida como plenamente compatível com as necessidades protocolares e operacionais do momento, combinando alcance adequado, prontidão e a discrição que o transporte de Estado exigia. Já na primeira metade da década de 1990, entretanto, o tempo e o ritmo intenso de operação começaram a deixar suas marcas nos C-91 Avro, em serviço nos esquadrões de transporte desde 1962. A rotina de apoio logístico contínuo, muitas vezes em pistas remotas, clima severo e missões de elevada cadência, passou a revelar sinais de consumo de horas estruturais, envelhecimento de componentes e incremento gradual da dependência de itens cuja produção já havia sido interrompida no exterior. Com o propósito de preservar a mobilidade aérea e estender a vida útil da frota mais exigida, o Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA-AF), localizado nos Afonsos, conduziu avaliações técnicas e estudos conceituais para restaurar a Condição Operacional das aeronaves (RCO). A iniciativa previa modernizar aviônicos, renovar equipamentos de comunicação e reconstituir padrões de segurança em voo, estabelecendo uma aeronave de transporte regional coerente com o novo ambiente tecnológico da aviação. Ainda que o programa tenha demonstrado mérito técnico, sua extensão às células da variante 748 Mod. 204 Sr.2 revelou-se economicamente incompatível com o escopo orçamentário da época. A conclusão obrigou o comando aéreo a uma decisão sensível, porém responsável: a desativação progressiva do modelo, oficializada em 1º de outubro de 2001, processo que encerrou o ciclo dos pequenos “Avrinhos” no Brasil, mas preservou seu legado ao permitir que a frota remanescente da variante 281 Sr.2A mantivesse seus índices de disponibilidade por meio do aproveitamento de milhares de componentes e peças recuperadas das aeronaves desmontadas. Apenas cinco células da variante Mod. 281 permaneceram em serviço ativo e foram submetidas integralmente à modernização planejada, prolongando suas capacidades até que a limitação do mercado internacional de peças tornasse clara  e inevitável  a necessidade de sucessão definitiva do vetor em um horizonte não distante.

Nesse esforço prospectivo, a Força Aérea Brasileira (FAB) avaliou alternativas de oportunidade disponíveis no mercado civil, inclusive a aquisição de células do  EMB-120RT Brasília , desenvolvida pela Embraer, aptas a conversão para transporte regional de carga na versão RT (Regional Transport). Embora viável sob a ótica de engenharia, a opção foi descartada diante de impeditivos conjunturais: a dificuldade de se obter unidades em condição estrutural satisfatória no mercado norte-americano naquele momento, somada ao tempo de indisponibilidade que o processo de conversão exigiria frente a uma necessidade cada vez mais urgente de renovação logística. No mesmo período, a empresa de transporte aéreo Varig S.A. enfrentava uma grave e prolongada crise financeira. O quadro, marcado por sucessivos balanços negativos e restrição de liquidez, repercutiu diretamente em suas subsidiárias regionais, a Rio Sul Linhas Aéreas e a Nordeste Linhas Aéreas. Em 1996, ambas as empresas incorporaram um total de 15 aeronaves do modelo Embraer ERJ‑145ER, viabilizadas por contratos de leasing com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O modelo atendia às ambições de expansão da aviação regional brasileira: veloz, moderno e econômico, surgia como símbolo do momento em que o país fortalecia sua indústria aeronáutica e ampliava conexões aéreas antes restritas a grandes capitais. O aprofundamento da crise do grupo Varig, porém, rompeu esse impulso. A partir de 2001, o atraso reiterado nos pagamentos das contraprestações mensais do leasing evoluiu para inadimplência contratual. Diante desse cenário, o BNDES promoveu a rescisão dos contratos, obtendo judicialmente a reintegração e a devolução das aeronaves até meados de 2003. Após devolvidos, os jatos foram preservados, armazenados e preparados para eventual alienação, aguardando um desfecho que pudesse ressignificar seu destino operacional. A conjuntura adversa do setor civil acabou, paradoxalmente, por configurar uma oportunidade estratégica para o Comando da Aeronáutica (COMAER). A Força Aérea Brasileira (FAB) buscava, àquela altura, um substituto definitivo para as aeronaves modernizadas da variante C-91 Mod. 281 Sr.2A, cuja desativação se anunciava iminente. A disponibilidade, a condição estrutural favorável e os valores atrativos por célula tornaram o Embraer ERJ-145ER uma alternativa pragmática e tecnicamente coerente com as exigências de alcance, confiabilidade e custo operacional compatível. Foi assim formalizada a transferência de um lote de oito aeronaves, todas produzidas entre 1997 e 1998, incluindo uma célula da versão Long Range (ERJ-145LR), notável por sua autonomia estendida. Os vetores incorporados foram identificados pelos registros civis PT-SPA (C/N 145020), PT-SPB (C/N 145023), PT-SPC (C/N 145027), PT-SPD (C/N 145028), PT-SPF (C/N 145034), PT-SPG (C/N 145038), PT-SPO (C/N 145137) e PT-SPP (C/N 145350).  Nesse mesmo conjunto de milhagem histórica, destaca-se também a trajetória da célula PT-SPN (C/N 145127), fabricada em 1999, posteriormente incorporada à frota da Polícia Federal (PF), evidenciando a versatilidade da plataforma mesmo fora do universo militar.
A introdução dos novos vetores na Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou-se em 23 de setembro de 2004, com a recepção da primeira célula na Base Aérea do Galeão. Das sete aeronaves ERJ-145ER efetivamente recebidas para o transporte militar, cinco foram redesignadas como C-99, recebendo as matrículas “FAB 2520” a “FAB 2526”. Essas unidades foram alocadas no 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) e passaram a ostentar o esquema de pintura tático cinza de baixa visibilidade, conhecido como “cinza londrino” ou “Londrino”, popularmente alcunhado de “Londrino” pelas equipes, em alusão ao cinza característico do clima britânico. O processo de substituição do veterano C-91 Avro pelos jatos C-99 consolidou-se de forma gradual e planejada, sustentado pelo compromisso com a prontidão logística e pela sensibilidade das tripulações ao simbolismo daquele momento: a passagem de um período histórico de manutenção heroica de vetores clássicos para uma fase moderna, impulsionada pela indústria nacional e por soluções de oportunidade que não apenas proveram aeronaves, mas preservaram capacidades e trajetórias humanas dentro da Força Aérea Brasileira (FAB). O ciclo do C-91 Avro foi formalmente encerrado em 30 de setembro de 2005, com a desativação da última célula em operação. A data marcou o fim de um capítulo relevante na história do transporte aéreo militar brasileiro, coroando uma transição que combinou engenharia, responsabilidade econômica e, sobretudo, a dimensão humana da aviação de Estado: a missão permanente de manter o país conectado inclusive onde o Brasil termina e o desafio do alcance começa. As duas células remanescentes do C-99 receberam as matrículas “FAB 2524” e “FAB 2526” e foram configuradas no padrão de pintura reservado ao transporte de autoridades (Very Important Person — VIP), tradicionalmente adotado pelo Grupo de Transporte Especial (GTE), composto por fuselagem predominantemente branca e faixa longitudinal em azul institucional. A aeronave de longo alcance Embraer ERJ-145LR (Long Range), com capacidade para até 36 passageiros, foi oficialmente incorporada à Força Aérea Brasileira (FAB) sob a designação VC-99A, recebendo a matrícula militar “FAB 2550”, sendo igualmente pintada no padrão VIP. Essas aeronaves, outrora empregadas no transporte aéreo regional civil, mantiveram integralmente sua configuração interna, bem como o conjunto de aviônicos que as equipava durante seus anos de operação comercial. Em serviço no 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) — o Esquadrão Condor  as cinco aeronaves C-99 passaram a cumprir missões de transporte administrativo e logístico de passageiros, apoio a unidades operacionais e as históricas rotas do Correio Aéreo Nacional, instrumento de integração aérea criado em 1931, cuja vocação transcende o domínio militar: conectar o país onde o transporte convencional não alcança, levando correspondências, insumos e presença de Estado ao interior profundo do Brasil. Paralelamente, as três demais aeronaves da família C-99 foram alocadas para o transporte de autoridades, em apoio às missões institucionais sob responsabilidade do Grupo de Transporte Especial (GTE).

Em 2008, no contexto de uma ampla reorganização promovida pelo Comando da Aeronáutica, foi determinada a transferência das células VC-99A “FAB 2550” e C-99A “FAB 2556” para o Grupo de Transporte Especial, passando essas aeronaves a operar a partir da Base Aérea de Brasília, no Distrito Federal. Ali, vieram a complementar a frota dos Embraer ERJ-135 Legacy 600 VC-99B, plataforma nacional que assumiria o protagonismo na renovação do transporte aéreo de autoridades no país, substituindo os veteranos jatos britânicos Avro Hawker Siddeley HS-125-400A, designados VU-93 na Força Aérea Brasileira (FAB). A aposentadoria dessa frota, em 18 de janeiro de 2007, encerrou um ciclo emblemático de quase quatro décadas de serviço (1967–2007), totalizando mais de 150.000 horas de voo  marca que traduz não apenas longevidade técnica, mas sobretudo a dedicação contínua de tripulações, técnicos e equipes de suporte que mantiveram esses vetores em operação com notável disciplina e zelo operacional. Após essa transição, apenas a aeronave C-99 “FAB 2524”, ainda em serviço no 1º/2º GT, permaneceu operando no padrão de pintura VIP, cumprindo as mesmas missões designadas às demais aeronaves do esquadrão, evidenciando a multifuncionalidade da plataforma em um período de adaptação e ajustes doutrinários. Em 2011, durante revisão conduzida em parque, essa aeronave foi repintada no esquema tático de baixa visibilidade Cinza Londrino — padrão adotado pela frota do Esquadrão Condor — consolidando a uniformização visual e operacional dos C-99 empregados pela unidade, ao mesmo tempo em que simbolizava a maturidade de um novo capítulo na aviação de transporte militar brasileira: moderna, discreta e coerente com os requisitos táticos e institucionais do início do século XXI. O desempenho consistente e os resultados operacionais expressivos alcançados no uso dessa frota de jatos regionais  tanto em missões administrativas quanto nas rotas do Correio Aéreo Nacional (CAN) reforçariam, nos anos seguintes, o interesse do Comando da Aeronáutica em aprofundar estudos voltados para a substituição da frota de jatos VU-35A Gates Learjet 35A, empregados desde 1967 no transporte leve de autoridades. A demanda apontava para a necessidade de uma aeronave capaz de conciliar autonomia superior, porte compatível com pistas de menor comprimento e adequada capacidade de transporte de passageiros, sem comprometer a eficiência do perfil operacional historicamente desempenhado pelo jato norte-americano. Embora houvesse no mercado internacional ofertas atrativas de aeronaves usadas dos modelos Embraer ERJ-145ER e ERJ-145LR, tais alternativas revelaram-se, à época, menos adequadas ao objetivo de substituição do VU-35A, tanto pelo porte excessivo para missões leves quanto pela autonomia inferior em comparação à exigência operacional esperada para o transporte aéreo de autoridades em escala continental. Por esse motivo, a aquisição de mais unidades da variante Embraer ERJ-135 Legacy 600 VC-99B, inicialmente considerada, foi descartada, sobretudo em virtude de sua limitada capacidade de transporte de passageiros  critério que, naquele momento, pesava substancialmente nas avaliações estratégicas.
A solução materializou-se por meio da aquisição, no mercado internacional, de duas aeronaves usadas da variante Embraer ERJ-135LR Legacy Shuttle, originalmente operadas pela companhia aérea regional norte-americana Chautauqua Airlines. Essa versão, concebida para transporte executivo regional, possuía capacidade para até 14 passageiros e autonomia aproximada de 5.700 km, características que a tornavam particularmente aderentes ao perfil de missões leves de autoridade e deslocamentos de alcance continental. As duas células foram recebidas pelo Grupo de Transporte Especial (GTE) entre setembro e outubro de 2008, sendo incorporadas sob a designação VC-99C, com as matrículas militares FAB 2560 e FAB 2561. Nesse mesmo período, em decorrência de uma ampla reorganização das designações aplicadas à família de jatos regionais na Força Aérea Brasileira, a aeronave Embraer ERJ-145LR, que então portava a matrícula FAB 2250, foi oficialmente reclassificada como VC-99B, consolidando o novo padrão nominativo da frota para transporte de maior raio de ação e configuração similar de emprego institucional. Em quase vinte anos de operação contínua, os jatos C-99A firmaram-se como vetores essenciais à mobilidade administrativa e logística da Força Aérea Brasileira (FAB). Seu emprego transcende o caráter rotineiro, sendo frequentemente acionados pelo Comando de Operações Aeroespaciais para atuação em cenários emergenciais em todo o território brasileiro. Esse compromisso operacional atingiu especial relevância durante a pandemia de Covid-19: no momento mais crítico da crise sanitária, o 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte — o Esquadrão Condor destacou-se nas missões de evacuação aeromédica de pacientes em estado grave a partir de Manaus, no estado do Amazonas, organizando um esforço inédito de remoções, que possibilitou o transporte seguro de pacientes para capitais e centros médicos distribuídos nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. A atuação das tripulações e equipes de apoio, naquele momento, representou um testemunho concreto de disciplina operacional e, acima de tudo, de humanidade: levar vidas, onde a urgência não permite espera, e fazer da mobilidade aérea uma ponte de esperança. Atualmente, a frota de aeronaves dessa família em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB) compreende 30 células distribuídas entre as versões C-99A (ERJ-145), VC-99B e VC-99C (ERJ-135). Incluem-se ainda plataformas especializadas derivadas da mesma base aeronáutica, empregadas em missões estratégicas de vigilância, reconhecimento e suporte científico, como as variantes destinadas ao Alerta Aéreo Antecipado, sensoriamento remoto e laboratório de calibragem e ensaios, que, em conjunto, ampliam a consciência situacional e a prontidão aeroespacial do país. A longevidade projetada para essa frota  prevista para permanecer na ativa nas próximas décadas  deriva não apenas da comprovada relação custo-eficiência operacional, mas também da escala global de operadores civis e públicos que empregam aeronaves da mesma família. No Brasil, os ciclos de manutenção de parque e grandes revisões são realizados nas instalações da TAP Manutenção e Engenharia Brasil, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, organização certificada pelo fabricante dentro do programa Embraer Authorized Service Center. 

Em Escala.
Para a representação do jato de transporte Embraer ERJ-145ER C-99A “FAB 2521”, pertencente ao 1º Esquadrão do 2º Grupo de Transporte (1º/2º GT) da Força Aérea Brasileira, foi utilizado o kit em resina, de edição limitada, produzido na escala 1/72 pela Challenger Modelismo. O conjunto lançado em tiragem restrita destaca-se pelo elevado padrão de fidelidade de superfícies e pelo bom nível de detalhamento, combinando peças em resina e componentes em metal foto-gravado, que conferem maior robustez e precisão dimensional ao modelo montado. Na etapa de acabamento e padronização visual, foram aplicados os decais originais do Set 0004, produzidos pela De Lima Kits e Réplicas. 
O esquema de cores baseado no padrão Federal Standard (FS), descrito a seguir, corresponde à pintura tática de baixa visibilidade em “cinza Londrino”, amplamente adotada pela maior parte dos Embraer C-99A em operação no 1º/2º GT.  Cumpre destacar que duas células da frota  identificadas pelos registros 2524 e 2526 receberam, , o padrão cromático destinado ao transporte de autoridades (VIP), utilizado pelo GTE. Esse esquema de alta visibilidade, composto por fuselagem predominante em branco com faixa institucional em azul. Para o acabamento final do modelo, foram empregadas tintas, vernizes e selantes de aplicação fine-scale, produzidos pela Tom Colors, reconhecidos por sua qualidade de pigmentação, aderência e estabilidade na preservação da pintura ao longo do tempo.
Bibliografia :
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Junior
- O Projeto SIVAM e a Embraer – Revista Flap http://www.revistaflap.com.br
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html