T-6D e T-6G North American

História e desenvolvimento.
Fundada em 6 de dezembro de 1928, na cidade de Los Angeles, Califórnia, pelo empreendedor Clement Melville Keys, a North American Aviation (NAA) surgiu inicialmente como uma holding corporativa voltada para a aquisição e negociação de participações em companhias aéreas e empresas do setor aeronáutico. Essa estratégia, porém, foi interrompida em 1934 com a promulgação da Lei Federal do Correio Aéreo, que desestruturou holdings desse tipo ao proibir a integração vertical entre empresas de transporte aéreo e outras do mesmo setor. Diante desse revés, a North American Aviation, já consolidada como uma referência no mercado aeronáutico na produçao de aeronaves leves, reorientou sua atuação para o desenvolvimento e a fabricação de componentes e, posteriormente, de aeronaves completas. Nesse momento de transição, a liderança da empresa foi assumida por James H. "Dutch" Kindelberger, um engenheiro de renome que detinha vasta experiência adquirida junto a sua passagem na Douglas Aircraft Company. Sob sua direção, e com um grande suporte financeiro de fundos ligados à Eastern Air Lines, a empresa iniciou uma nova fase de crescimento. Em 1935, a General Motors Corporation adquiriu o controle da empresa, incorporando-a à sua divisão aeronáutica, a General Aviation Manufacturing Corporation. No mesmo ano, a North American Aviation transferiu sua planta fabril de Dundalk, Maryland, para Los Angeles, Califórnia, uma decisão estratégica motivada pelas condições climáticas favoráveis da região, que permitiam a realização de ensaios de voo durante todo o ano. A nova estratégia comercial da North American Aviation  priorizou o segmento de aeronaves de treinamento, um nicho de mercado com menor concorrência em comparação com o de aviões de grande porte ou alta complexidade como caças e bombardeiros estratégicos. Dessa abordagem surgiram projetos notáveis, como os modelos North American GA-16, voltado para treinamento básico, e o GA-15, destinado a missões de reconhecimento e observação. O protótipo do GA-15 realizou seu primeiro voo em janeiro de 1935, sendo submetido a uma série de ensaios de voo que culminaram em sua homologação no mesmo ano. A aeronave foi oficialmente designada como O-47 pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Air Corps - USAAC), refletindo seu papel principal como avião de observação. Os dois protótipos do modelo GA-16, oficialmente designados NA-18, realizaram seus primeiros voos em janeiro de 1935. Submetidos a um rigoroso programa de ensaios de voo, os testes avaliaram desempenho, manobrabilidade e adequação às necessidades de treinamento militar. Cabe destacar que ambos estes projetos tiveram como base desenvolvimentos anteriores da General Aviation Manufacturing Corporation sendo aprimorados, marcando os primeiros passos da North American Aviation rumo à sua consolidação como um dos principais fornecedores de aeronaves militares para as Forças Armadas dos Estados Unidos nas décadas seguintes.

O novo GA-16/NA-18 era um monoplano de asa baixa, projetado para combinar simplicidade operacional com robustez, características essenciais para uma aeronave de treinamento. Suas especificações incluíam: Estrutura: Construção metálica com superfícies cobertas por tela aeronáutica, um padrão comum na época, que equilibrava leveza e resistência. Motorização: Equipado com um motor radial Wright R-975 de 400 hp, confiável e adequado para voos de treinamento prolongados. Trem de pouso: Fixo, projetado para facilitar operações em pistas improvisadas, comuns em centros de instrução. Tripulação: Dois assentos, para um instrutor e um aluno, com controles duplos para permitir supervisão e aprendizado prático. Desempenho: Velocidade máxima de aproximadamente 170 mph (274 km/h) e alcance suficiente para missões de treinamento. Os testes do NA-18 resultaram em melhorias que culminaram no BT-9, a primeira versão de produção em série. Em outubro de 1935, a North American Aviation  assinou um contrato com o Exército dos Estados Unidos (US Army) para fabricar 42 células do BT-9, com entregas iniciadas em 1936. Pouco depois, um novo contrato foi firmado para a produção de mais  40 aeronaves de uma variante atualizada, o BT-9A Advanced Trainer., que se distinguia pela incorporação de armamento: uma metralhadora calibre .30 montada na asa direita e outra no nariz, sincronizada com a hélice. Essas aeronaves foram rapidamente distribuídas aos principais centros de instrução do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), onde se destacaram pela eficácia no treinamento de pilotos. O sucesso do BT-9 levou ao desenvolvimento de versões subsequentes. O BT-9B, com 117 unidades encomendadas, e o BT-9C, com 97 unidades, trouxeram melhorias nos sistemas elétricos e de navegação, consolidando a reputação do modelo entre instrutores e alunos por sua confiabilidade e facilidade de operação. Esse desempenho chamou a atenção da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que buscava modernizar sua frota de treinamento. Em maio de 1936, o protótipo de uma versão navalizada, designada North American NJ-1, realizou seu primeiro voo. Após testes bem-sucedidos, a Aviação Naval da Marinha adquiriu 40 aeronaves , que foram integradas às suas operações de treinamento. Apesar de representar um avanço significativo em relação às aeronaves de treinamento da época, o BT-9 e suas variantes começaram a mostrar sinais de obsolescência diante da rápida evolução tecnológica. O comando militar reconheceu a necessidade de desenvolver uma nova aeronave de treinamento que replicasse o desempenho das modernas aeronaves de caça, incorporando inovações como trem de pouso retrátil e superfícies revestidas em alumínio, em substituição à tela aeronáutica. Essa demanda foi intensificada pelo crescente tensionamento político na Europa, que sinalizava o risco de uma corrida armamentista. Como resposta, o governo norte-americano lançou um programa emergencial de rearmamento, que abriu caminho para a aquisição de um novo vetor de treinamento em larga escala, marcando a transição para projetos mais avançados, como o icônico T-6 Texan. 
A competição promovida pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), oficialmente designada como "USAAC Basic Combat" (Combate Básico), despertou grande interesse entre os fabricantes aeronáuticos, resultando na apresentação de mais de uma dezena de propostas. Dentre elas, destacou-se o projeto da North American Aviation (NAA), que submeteu o modelo NA-26 BT-9D para avaliação. Este novo treinador foi desenvolvido com base na versão original do NA-19 BT-9, mas incorporava significativos avanços técnicos e estruturais. O NA-26 apresentava um perfil ampliado, com asas redesenhadas, estrutura reforçada e revestimento em alumínio, substituindo a tradicional tela aeronáutica. Além disso, contava com um trem de pouso retrátil, sistemas modernizados de navegação e comunicação, e era propelido pelo motor radial Pratt & Whitney R-985-25 Wasp Jr, de 450 hp, que conferia maior desempenho e confiabilidade. O programa avançou para a fase de análises comparativas, com testes de voo envolvendo protótipos das aeronaves concorrentes. O NA-26 BT-9D da NAA destacou-se por suas qualidades operacionais e foi declarado vencedor ao final do processo. Em abril de 1938, foi assinado um contrato para a produção inicial de 251 unidades destinadas ao USAAC, sendo 36 dessas células configuradas especificamente para treinamento em voo por instrumentos. O modelo recebeu a designação militar BC-1 (Basic Combat – Treinador Básico de Combate), e as primeiras entregas às unidades de formação de pilotos militares começaram em setembro de 1938. A aeronave demonstrou excelentes características de manejo e operação, sendo considerada ideal para o treinamento avançado de voo e para a introdução de cadetes às técnicas de combate básico. As qualidades do BC-1 atraíram a atenção internacional, particularmente do Ministério do Ar Britânico, que, em meio a um esforço emergencial de reequipamento diante das crescentes tensões na Europa, buscava fortalecer sua capacidade de treinamento de pilotos. Esse interesse resultou em um pedido de exportação de 400 aeronaves, destinadas às escolas de formação da Força Aérea Real (RAF). Esta variante, adaptada para as necessidades britânicas, foi designada Harvard Mk I, tornando-se um marco na cooperação aeronáutica entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Além disso, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) também reconheceu o potencial do modelo, incorporando 16 unidades de uma versão navalizada, designada SNJ-1. Essas aeronaves foram adaptadas para operações em ambientes navais, reforçando a versatilidade do projeto da NAA. O sucesso do NA-26 BT-9D, com suas variantes BC-1, Harvard Mk I e SNJ-1, consolidou a reputação da North American Aviation como uma das principais fornecedoras de aeronaves de treinamento militar.  A evolução do projeto da North American Aviation (NAA) culminou na versão BC-1A, que incorporou as melhorias introduzidas na variante naval SNJ-1, consolidando-se como a base para o desenvolvimento do icônico T-6 Texan.  

Este modelo representou um marco significativo na trajetória da NAA, combinando avanços técnicos com a versatilidade necessária para atender às crescentes demandas de treinamento militar. Em 1939, o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) celebrou um contrato para a produção de 177 unidades do BC-1A, enquanto a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) encomendou 61 unidades de uma versão navalizada, designada SNJ-2. As versões destinadas à exportação, voltadas para equipar a Força Aérea Real (RAF) e a Real Força Aérea Canadense (RCAF), receberam a designação Harvard Mk. II. Um total de 1.173 aeronaves foi empregado pelas forças britânicas, principalmente no Canadá e na Rodésia, como parte do Empire Air Training Scheme, um programa estratégico para a formação de pilotos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Essas aeronaves destacaram-se pela robustez e confiabilidade, sendo fundamentais na preparação de milhares de pilotos para os desafios do conflito. Nesse mesmo período, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) implementou uma ampla reestruturação organizacional e conceitual, que incluiu uma revisão de seu sistema de formação de pilotos. Como parte dessas mudanças, a fase de treinamento conhecida como Basic Combat (Combate Básico) foi reformulada e passou a ser designada Advanced Trainer (Treinador Avançado). Nesse contexto, as aeronaves BC-1A foram redesignadas como AT-6, refletindo sua nova função no treinamento avançado de pilotos militares. Uma variante notável do BC-1A foi produzida sob licença pela Commonwealth Aircraft Corporation, na Austrália, sob o nome Wirraway. Este modelo alcançou distinção histórica ao ser a única aeronave da família de treinadores a registrar, de forma confirmada, a destruição de um caça japonês – possivelmente um A6M Zero ou, segundo alguns autores, um Ki-43 Oscar – em 26 de dezembro de 1942, nos céus da Nova Guiné, durante a Segunda Guerra Mundial. Esse feito destacou a versatilidade do Wirraway, que, embora projetado como treinador, demonstrou capacidade em cenários de combate real. A evolução do projeto prosseguiu com a introdução do AT-6A (e sua variante naval SNJ-3), que trouxe melhorias significativas, como um leme de formato triangular – em substituição ao perfil arredondado das versões anteriores – e extremidades das asas retas. Equipado com o motor radial Pratt & Whitney R-1340-49 Wasp, o AT-6A podia ser armado com duas metralhadoras calibre .30, uma fixa no lado direito da capota do motor e outra móvel, posicionada na cabine traseira, permitindo treinamento em táticas de combate. Foram produzidas 1.549 unidades do AT-6A e 270 do SNJ-3. Além disso, a Noorduyn Aviation, no Canadá, fabricou sob licença 1.500 unidades do AT-16 para as forças armadas americanas e 2.485 unidades do Harvard Mk. IIB para as forças britânicas, reforçando a relevância global do projeto.  
A evolução do North American T-6 Texan continuou com a introdução da versão AT-6B, equipada com o motor Pratt & Whitney R-1340-AN-1, que se tornou o padrão para as versões subsequentes. Projetada especialmente para o treinamento de metralhadores, essa variante apresentava um assento traseiro montado virado para trás, facilitando a instrução em técnicas de tiro aéreo. A maioria das aeronaves AT-6 foi produzida na fábrica da North American Aviation em Dallas, Texas, o que levou à adoção do nome "Texan", um tributo à origem de sua fabricação e ao espírito resiliente da região. A variante seguinte, AT-6C (designada SNJ-4 pela marinha norte-americana e Harvard Mk. IIA pela Força Aérea Real – RAF), marcou um aumento significativo na produção, com 2.970 unidades do AT-6C, 2.400 do SNJ-4 e 726 do Harvard Mk. IIA fabricados. Uma subvariante, a SNJ-4C, com apenas 85 unidades produzidas, foi equipada com um gancho de parada, permitindo operações em porta-aviões, o que ampliou sua versatilidade para a aviação naval. Posteriormente, a versão AT-6D (SNJ-5 para a Marinha e Harvard Mk. III para a RAF) trouxe melhorias no sistema elétrico, reforçando a confiabilidade da aeronave. Foram produzidas 3.713 unidades do AT-6D, 1.357 do SNJ-5 e 915 do Harvard Mk. III, atendendo às demandas crescentes das forças armadas americanas e britânicas durante a Segunda Guerra Mundial. Uma subvariante semelhante, a SNJ-5C, com 80 unidades, manteve as adaptações para uso naval, incluindo o gancho de parada. A última variante produzida durante o conflito foi a AT-6F (SNJ-6 para a Marinha), projetada sem provisão para armamento. Essa versão incorporava uma hélice com cubo, embora este fosse frequentemente removido em serviço devido a dificuldades de manutenção. A produção do AT-6F/SNJ-6 consolidou o papel do Texan como um dos principais treinadores militares da época. Após a guerra, a evolução do projeto continuou com a T-6G, uma versão modernizada que resultou da conversão de aeronaves T-6 anteriores. Com 2.068 unidades produzidas, a T-6G trouxe melhorias significativas, incluindo a elevação do assento traseiro para proporcionar maior visibilidade ao instrutor, a remoção de algumas nervuras do canopy para melhorar a visão de piloto e instrutor, e a instalação de tanques adicionais de combustível nas asas, aumentando o alcance da aeronave. Essas modificações refletiram o compromisso da NAA em adaptar o Texan às necessidades de treinamento em um contexto pós-guerra. Na década de 1950, a empresa canadense Canadair (anteriormente Canada Car and Foundry) produziu a versão Harvard 4, designada T-6J, que foi adotada por forças aéreas de países como Canadá, França, Itália, Bélgica e Alemanha. Essa variante destacou-se por sua durabilidade e capacidade de operar em diversos cenários, consolidando o legado do T-6 como um dos treinadores militares mais bem-sucedidos da história. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No inicio da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com profunda preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo, formadas por Alemanha, Itália e Japão. Essa inquietação intensificou-se após a rendição da França, em junho de 1940, quando a Alemanha nazista passou a ter a possibilidade de estabelecer bases estratégicas em territórios franceses, como as Ilhas Canárias, Dacar e outras colônias, criando condições adequadas para uma potencial experiência no continente americano. Nesse cenário, o Brasil emergiu como um ponto de especial vulnerabilidade, devido à sua proximidade geográfica com o continente africano, que também figurava nos ambiciosos planos de expansão territorial alemã. Além disso, o avanço japonês no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul consolidou o Brasil como o principal fornecedor de látex para os Aliados, uma matéria-prima indispensável para a produção de borracha, essencial à indústria bélica. A posição estratégica do litoral brasileiro, especificamente na região Nordeste, revelou-se de grande relevância, com destaque para a cidade de Recife, o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Essa localização privilegiada tornou o Brasil um potencial hub logístico, capaz de facilitar o envio de tropas, suprimentos e aeronaves para os teatros de operações na Europa e no Norte da África. Nesse contexto, observou-se uma rápida aproximação política, estratégica e econômica  entre Brasil e Estados Unidos, marcada por investimentos direcionados  e acordos de cooperação militar. Um marco dessa parceria foi a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar "Lend-Lease Act Bill", à Lei de Empréstimos e Arrendamentos, que visava modernizar as forças armadas aliadas, incluindo neste escopo o Brasil . Por meio desse programa, nosso pais  obteve uma linha de crédito inicial de US$ 100 milhões para a aquisição de equipamentos militares modernos, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos foram fundamentais para fortalecer a defesa nacional frente às crescentes ameaças dos submarinos alemães, que comprometem a segurança da navegação civil e do comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, essencial para o transporte de materiais primários destinados à indústria bélica norte-americana. A participação do Brasil no esforço de guerra aliado não se restringe ao fornecimento de recursos estratégicos. O presidente Getúlio Vargas expressou a disposição do país de assumir um papel mais ativo no conflito, sinalizando a possibilidade de enviar tropas brasileiras para teatros de operações de relevância, demonstrando o compromisso do Brasil com a causa aliada. Assim nos termos do referido acordo de assistência militar, o Brasil iniciou a recepção de uma significativa quantidade de material bélico, incluindo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, navios e armamentos, sendo o Exército Brasileiro o principal beneficiário desse investimento.

No contexto da Segunda Guerra Mundial, a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB) enfrentava desafios significativos, sendo a modernização de sua frota uma necessidade premente. À época, suas aeronaves, em grande parte obsoletas, careciam da capacidade necessária para atender às demandas de uma força aérea eficiente. A escassez de aviões de treinamento básico e avançado limitava a formação de pilotos militares, tanto em quantidade quanto em qualidade, comprometendo a preparação de uma aviação militar robusta. A partir do final de 1942, essa carência começou a ser suprida com a chegada dos primeiros treinadores North American AT-6B ao Brasil. Embora projetados para a formação de pilotos, esses aviões foram inicialmente empregados em missões de patrulha marítima, devido à ausência de aeronaves especializadas para essa função. A partir de janeiro de 1943, a Força Aérea Brasileira recebeu unidades das versões AT-6C e AT-6D, permitindo uma reorganização estratégica de sua frota. Esses novos modelos foram distribuídos entre bases aéreas no Sul e no Leste do país, incluindo os Grupamentos do Curso de Formação de Oficiais da Reserva (CPOR), fortalecendo a capacidade operacional. Com a introdução de aeronaves especializadas em patrulha e guerra antissubmarino, os AT-6 passaram a ser gradualmente destinados às missões de treinamento avançado, ao lado de modelos como o Fairchild PT-19 e o Vultee BT-15 Valiant. Ao término do conflito, a Força Aérea Brasileira (FAB) contava com cerca de 120 aeronaves da família AT-6 em condições de voo. Contudo, muitas apresentavam significativo desgaste estrutural, decorrente do uso intensivo durante a guerra, o que representava um risco para a continuidade do treinamento de novos pilotos. No pós-guerra, a necessidade de expandir e modernizar a frota de treinamento tornou-se ainda mais evidente. Para atender a essa demanda, o Brasil recebeu, por meio de dois programas norte-americanos de "Reequipamento das Forças Aéreas nas Américas", 163 células do T-6, dispostos em diferentes versões, o que trouxe um alívio significativo à capacidade operacional da Força Aérea Brasileira. Ainda assim, a frota disponível era insuficiente para suprir a crescente necessidade de formação de pilotos. Buscando uma solução de longo prazo, o Ministério da Aeronáutica iniciou, negociações com a North American Aviation Corp. para a produção sob licença do T-6D na Fábrica de Aviões de Lagoa Santa (ornanizaçao fundada em1º de setembro de 1935). Embora o acordo tenha sido rapidamente formalizado, A implementação deste projeto trouxe desafios logísticos e técnicos. O Brasil, na época, carecia de uma infraestrutura industrial robusta, com limitações na produção de materiais como alumínio e aço, além de uma engenharia mecânica e elétrica ainda incipiente. A importação de componentes dos Estados Unidos, essencial para a montagem das aeronaves, foi dificultada pelo contexto da pós-guerra e pelas restrições logísticas do período. Além disso, a customização dos processos produtivos em Lagoa Santa sofreu adaptações complexas, o que gerou atrasos no cronograma original.
O contrato firmado para a produção das aeronaves North American T-6D na Fábrica de Aviões de Lagoa Santa previa, inicialmente, a entrega de 81 unidades. Destas, 61 seriam montadas com componentes importados, enquanto as 20 unidades finais deveriam apresentar  um maior índice de nacionalização, excetuando-se o grupo propulsor, instrumentos de navegação e armamentos. A produção na Fábrica de Aviões de Lagoa Santa foi marcada por dificuldades operacionais e financeiras, desta maneiras as as primeiras aeronaves designadas T-6D 1LS (com o sufixo LS indicando Lagoa Santa), foram montadas em 1944, porém devido a avaliações técnicas não seriam liberadas para entrega. Em 1945, a gestão da fábrica foi transferida ao Grupo Pignatari , que operava a Companhia Aeronáutica Paulista, na tentativa de melhorar a eficiência. Neste contexto em maio de 1946,  a operação lograria êxito em entregar oficialmente a Força Aérea Brasileira (FAB) as primeiras células que foram finalizadas em dois anos antes. Estes T-6D 1LS seriam destinados diretamente à Escola de Aeronáutica , no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, para missões de treinamento avançado de pilotos. Contudo, até 1947, apenas 19 das 81 aeronaves foram montadas, refletindo os desafios técnicos e logísticos. Diante dos altos custos e da baixa produtividade, o Ministério da Aeronáutica propôs uma rescisão do contrato em 1947, culminando na intervenção e ocupação da fábrica em 1º de outubro de 1949 . A produção das últimas unidades foi concluída em 1951, já sob administração federal. Após a conclusão do contrato, a Fábrica de Aviões de Lagoa Santa foi transformada no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS) passando a assumir a responsabilidade pelas revisões estruturais de âmbito de parque, enquanto as revisões do grupo motor permaneceram sob a gestão do Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA-AF), no Rio de Janeiro. A partir de 1952, os T-6 passaram a integrar a Esquadrilha da Fumaça, o esquadrão de demonstração aérea da Força Aérea Brasileira (FAB), realizando impressionantes 1.225 apresentações até 1976. A partir de 1953, com o objetivo de ampliar a disponibilidade e a eficiência da frota, a Força Aérea Brasileira (FAB) implementou um programa de modernização de 28 aronaves das versoes T-6B, T-6C e T-6B, sendo escolhidas as células em melhor estado de conservaçao estrutural.  O programa de modernização incluiu a instalação de equipamentos avançados de navegação e comunicação, elevando essas aeronaves ao padrão do modelo North American T-6G, em um processo semelhante ao realizado nos Estados Unidos. As aeronaves modernizadas passaram a desempenhar um papel central nas missões de treinamento de voo por instrumentos, atendendo tanto aos cadetes da Escola de Aeronáutica quanto aos oficiais de bases aéreas e outras unidades administrativas da Força Aérea Brasileira. Apesar de saírem do programa em condições praticamente novas, essas aeronaves receberam restrições rigorosas para a realização de voos acrobáticos, medida adotada em razão de sua idade e com o objetivo de preservar sua integridade estrutural.

Em 1958, com o objetivo de recompor as perdas de aeronaves North American T-6 devido a acidentes operacionais ou desgaste, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou negociações com o Departamento de Estado dos Estados Unidos visando assim a cessao de mais aeronaves desta familia. Esta iniciativa resultaria na  aquisição de 50 aeronaves do North American T-6G, com este processo sendo viabilizado por meio de programas de assistência militar dos Estados Unidos, como o Programa de Assistência Militar (MAP). Cada celulas apresentaria um custo de aquisiçao extremamente baixo na ordem unitaria de US$ 500 (equivalente a aproximadamente US$ 6.900 em valores ajustados para 1958). Estas aeronaves se encontravam relativamento novas e haviam sido atualizadas entre os anos de 1949 e 1953, incluind melhorias como : tanques de combustível de maior capacidade (140 galões em vez de 110 galões), um painel de instrumentos atualizados e sistemas hidráulicos modernizados.  Em serviço junto a Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, estas aeronaves foram destinadas principalmente a missões de treinamento de voo por instrumentos. Em 1960, a Força Aérea Brasileira (FAB) reforçou sua frota com a aquisição de oito aeronaves North American SNJ-5C e 12 SNJ-6C oriundas dos estoqueS da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) , integrando essas unidades ao seu inventário para atender às demandas de treinamento e operações especializadas. Equipadas com ganchos de retenção para pousos em porta-aviões, essas aeronaves foram inicialmente utilizadas pelo 1º Grupo de Aviação Embarcada -  em exercícios simulados na Base Aérea de Santa Cruz, Rio de Janeiro, embora nunca tenham operado a bordo de porta-aviões ligeiro  A-11  Minas Gerais . Posteriormente, essas aeronaves navalizdas foram destinadas a operar junto a 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (ELO), sediada na base área do Galeao no Rio de Janeiro, e posteriomente junto a Base Aeronavel de Sao Pedro da Aldeia onde operariam em parceria com a Marinha do Brasil. Em 17 de outubro de 1961, a Portaria Ministerial nº 2A4-521013 do Ministério da Aeronáutica padronizou a nomenclatura de todas as versões do T-6 em uso pela Força Aérea Brasileira (FAB), passando a designá-las simplesmente como T-6. Para o cumprimento das missões de adestramento de seu pessoal orgânico, cada base aérea possuía uma esquadrilha de adestramento equipada com aeronaves NA T-6. Essas células eram empregadas em viagens de treinamento dos pilotos que trabalhavam em atividades internas burocráticas, e para voos administrativos das bases, realizando as ligações com os comandos aéreos regionais aos quais eram subordinados.  Outra missão confiada às aeronaves North American T-6 foi a seleção de aspirantes a oficiais destinados ao curso de pilotagem da caça Republic P-47 Thunderbolt. Por meio de treinamentos específicos conduzidos no T-6,  avaliava-se as habilidades técnicas, a disciplina e a demanda dos candidatos, preparando-os para enfrentar os desafios de operar uma aeronave de combate de alta performance.
Na década de 1960, a Força Aérea Brasileira (FAB) estruturava seu sistema de formação de pilotos em torno de um binômio consolidado, composto pelas aeronaves Fokker T-21, destinadas ao treinamento básico, e North American T-6, empregadas na instrução avançada. Essas aeronaves, embora robustas e confiáveis, começavam a evidenciar sinais de envelhecimento e obsolescência, especialmente diante das crescentes exigências impostas pela aviação militar moderna. Tornava-se evidente a necessidade de substituir, no médio prazo, esses vetores por modelos mais avançados, capazes de proporcionar uma formação mais eficiente e alinhada às demandas dos cadetes que, futuramente, operariam aeronaves de ataque a reaçao de maior complexidade. Em 1966, o Ministério da Aeronáutica (MAer) definiu um plano estratégico para renovar sua frota de treinamento. Para a instrução básica, optou-se pela aquisição do Aerotec T-23 Uirapuru, uma aeronave de fabricação nacional desenvolvida especificamente para atender às necessidades da Força Aérea Brasileira, combinando simplicidade, confiabilidade e baixo custo operacional. Para o treinamento avançado, seria selecionado o jato Cessna T-37C, uma aeronave de treinamento a jato de origem norte-americana, conhecida por sua agilidade e capacidade de simular as condições de voo de caças modernos. As primeiras unidades do T-37C começaram a ser entregues em 1967 ao Destacamento Precursor da Academia da Força Aérea (AFA), sediada em Pirassununga, São Paulo. Durante um breve período de transição, os T-37C operaram em conjunto com os últimos T-6, permitindo uma substituição gradual e a adaptação dos instrutores e cadetes à nova tecnologia. Em 1968, o North American T-6 foi oficialmente retirado das tarefas de instrução de voo, encerrando uma era de quase três décadas como pilar da formação de pilotos brasileiros. As aeronaves remanescentes, ainda em condições operacionais, foram submetidas a revisões minuciosas no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS) e redistribuídas para diversas bases aéreas e unidades. Nessas novas funções, os T-6 desempenharam papéis administrativos e orgânicos, incluindo voos de ligação entre comandos regionais, transporte de pessoal e missões de apoio logístico. Um destaque no uso pós-instrução do T-6 foi sua alocação ao Esquadrão de Formação em Ensaios em Voo, vinculado ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Nesse contexto, as aeronaves foram empregadas em missões de ensaio em voo, contribuindo para o desenvolvimento e teste de tecnologias aeronáuticas nacionais. As últimas unidades do T-6 foram retiradas do serviço ativo em 1976, marcando o fim de uma trajetória de contribuições inestimáveis à aviação militar brasileira. Durante sua operação, o T-6 não apenas formou milhares de pilotos, mas também desempenhou papéis variados, desde patrulha antissubmarino na Segunda Guerra Mundial até missões de seleção para caças como o P-47 Thunderbolt.

Em Escala.
Para retratar com fidelidade o North American T-6D, registrado como FAB 1471, quando em operação na Escola de Aeronáutica (EAer), no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, foi utilizado o kit injetado na escala 1/48 produzido pela Academy, comercializado em uma edição especial nacional pela HTC Modelismo. Este modelo destaca-se pela sua precisão e qualidade, acompanhado por um conjunto de decais ricamente detalhado que permite compor varios esquemas de pintura, sendo desenvolvido e confeccionado pela FCM Decais. 
O padrão de cores descrito no sistema Federal Standard (FS) reflete o esquema adotado pelas aeronaves de instrução da Escola de Aeronáutica (EAer), no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, e, posteriormente, pela Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, São Paulo. Esse esquema, caracterizado por sua funcionalidade e visibilidade, sofreu pequenas variações nas marcações ao longo do tempo. Já as aeronaves T-6 alocadas à 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação (2ª ELO) receberam uma pintura distinta, em um vibrante tom de amarelo, harmonizado com o padrão utilizado por outras aeronaves dessa unidade, destacando sua função em missões de ligação e observação. Após a retirada dos T-6 das atividades de treinamento, em 1968, as unidades remanescentes, redistribuídas para outras bases aéreas, mantiveram o esquema básico de pintura, preservando-o até sua desativação definitiva em 1976. 
Bibliografia :
Revista ASAS nº 60 " North American T-6 na FAB (1942 - 1963) - Aparecido Camazano Alamino
Aeronaves Militares Brasileiras 1915 2016 – Jackson Flores Jr
North American T-6 - Wikepedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/North-American_T-6
História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

DS-1 Stinson 105 Voyager

História e Desenvolvimento.
A Stinson Aircraft Company foi fundada em 1920 na cidade de Dayton, reconhecida como o berço da aviação norte-americana por ter sido palco do histórico primeiro voo dos irmãos Wright. Seu criador, Edward Stinson amplamente conhecido como Eddie, destacou-se como um empreendedor visionário e aviador entusiasta. Era irmão de Katherine Stinson, figura notável da aviação pioneira, sendo a quarta mulher nos Estados Unidos a obter licença de piloto e a primeira a realizar voos para o serviço postal do país. Em seus anos iniciais, a empresa dedicou-se à produção quase artesanal de aeronaves leves, voltadas principalmente ao turismo aéreo e à formação de pilotos  atividades em plena expansão durante o período pós-Primeira Guerra Mundial, quando a aviação civil começava a se consolidar como setor econômico. Contudo, esse modelo produtivo apresentava limitações: o ritmo reduzido de fabricação comprometia a capacidade de atendimento à demanda crescente, resultando em atrasos nas entregas e na perda de oportunidades comerciais. Ciente desses entraves e atento ao dinamismo industrial da década de 1920, Eddie identificou, ao final de 1924, na cidade de Detroit, o ambiente ideal para impulsionar a expansão de seus negócios. À época, Detroit consolidava-se como um dos principais polos industriais do pais, impulsionado pela indústria automobilística, oferecendo infraestrutura, mão de obra qualificada e acesso facilitado a capital  fatores essenciais para a modernização da produção aeronáutica. Uma vez estabelecido na cidade, Stinson rapidamente integrou-se ao meio empresarial local, obtendo apoio para seus projetos. Esse esforço culminou, em agosto de 1925, com o respaldo de investidores vinculados ao Comitê de Aviação do Conselho de Comércio de Detroit, resultando na criação da Stinson Aircraft Syndicate. Instalada na zona industrial sudoeste da cidade, nas proximidades do Aeroporto Metropolitano do Condado de Wayne, a nova empresa nasceu com um investimento inicial de cerca de 25 mil dólares  valor significativo para a época  e com foco no desenvolvimento de aeronaves leves destinadas ao mercado civil. O primeiro grande fruto dessa iniciativa foi o modelo SBM-1 Detroiter. Seu voo inaugural ocorreu em 25 de janeiro de 1926, em meio ao rigoroso inverno de Detroit, demonstrando desde o início robustez e confiabilidade. Mesmo sob condições climáticas adversas, a aeronave apresentou desempenho notável, surpreendendo observadores e investidores. Como medida prática de segurança para operar em superfícies escorregadias, foram instaladas correntes nas rodas, garantindo operações seguras durante decolagens e pousos. Do ponto de vista técnico,  destacava-se como um monoplano de asa alta com suportes externos (strut-braced), construído com estrutura tubular de aço ao cromo-molibdênio e revestido em tecido. Projetado para transportar até quatro passageiros, incorporava soluções inovadoras para a época, como cabine com aquecimento interno  um diferencial relevante para operações em climas frios, freios de roda individuais produzidos pela Harley-Davidson e sistema de partida elétrica para o motor Curtiss-Wright J-5 Whirlwind, com potência de 220 hp. Em versões posteriores, algumas unidades passaram a ser equipadas com o mais potente Wright J-6, de 300 hp. 

Essas inovações representaram um avanço significativo no desenvolvimento de aeronaves de pequeno porte, consolidando a Stinson Aircraft Syndicate como uma referência em engenhosidade e visão no cenário emergente da aviação civil norte-americana. Após ser submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, o Stinson SBM-1 Detroiter obteve certificação junto aos órgãos reguladores dos Estados Unidos, sendo então autorizado para produção em série  um marco importante em uma época em que os padrões de segurança aeronáutica ainda estavam em consolidação. Dotado de soluções técnicas inovadoras para o período  como aquecimento de cabine, freios individuais fornecidos pela Harley-Davidson e sistema de partida elétrica  o modelo rapidamente conquistou aceitação no mercado. Já em 1926, a comercialização de dez unidades representou um feito expressivo, considerando o estágio ainda incipiente da aviação comercial, consolidando o Detroiter como um sucesso inicial e despertando o interesse de operadores privados e entusiastas do setor. Impulsionada por esse êxito, e sob a liderança visionária de Edward Stinson, a empresa decidiu evoluir o projeto original. Dessa iniciativa surgiu o  SM-1D Detroiter, um monoplano de asa alta com capacidade ampliada para até seis passageiros, incorporando maior nível de conforto e refinamento técnico. O novo modelo reforçou o prestígio da fabricante e alcançou desempenho comercial ainda mais expressivo, ampliando sua presença no mercado aeronáutico. O sucesso do SM-1D possibilitou a captação de aproximadamente 150 mil dólares em capital público, culminando, em 4 de maio de 1926, na fundação da Stinson Aircraft Corporation. Esse momento representou não apenas a expansão institucional da empresa, mas também a materialização do projeto empresarial de Eddie Stinson, cuja trajetória era marcada por uma combinação singular de espírito empreendedor e paixão pela aviação. Paralelamente às suas atividades industriais, Stinson destacava-se como piloto, atuando inclusive como dublê em exibições aéreas  uma prática comum na chamada “era dourada” da aviação , o que lhe proporcionava rendimentos significativos, estimados em cerca de 100 mil dólares anuais. Esses recursos adicionais foram frequentemente reinvestidos na empresa, fortalecendo sua capacidade de inovação tecnológica e expansão produtiva. A partir de 1928, o SBM-1 passou a integrar as frotas de companhias aéreas emergentes, como a Braniff Air Lines, fundada por Paul Braniff, e a Northwest Airways, marcando a inserção definitiva da empresa no competitivo segmento do transporte aéreo comercial. Esse movimento refletia o crescimento acelerado do setor nos Estados Unidos durante a década de 1920, impulsionado pela expansão das rotas aéreas e pelo aumento da confiança do público na aviação. Em 1929, a empresa alcançou a expressiva marca de 121 aeronaves entregues, evidenciando sua consolidação industrial e a crescente aceitação de seus produtos. No mesmo ano, em setembro, a recebeu um importante aporte estratégico com a aquisição de 60% de suas ações por Errett Lobban Cord, influente magnata da indústria automobilística e proprietário da Cord Corporation. Essa parceria proporcionou não apenas capital, mas também expertise administrativa e industrial, permitindo à empresa ampliar sua competitividade por meio da redução de custos e do investimento em novos projetos. 
Nos três anos subsequentes, a Stinson lançou 04 novos modelos de aeronaves, entre eles o Stinson SM-2 Junior, voltado especialmente ao mercado de proprietários privados. Cada novo lançamento foi recebido com entusiasmo pelo mercado, registrando resultados comerciais expressivos e consolidando, de forma definitiva, a posição da empresa como uma das protagonistas do desenvolvimento da aviação civil. Esses recursos financeiros proporcionaram à empresa condições para promover avanços estruturais e tecnológicos significativos, criando as bases para o desenvolvimento de alguns de seus mais bem-sucedidos projetos. Nesse contexto, a empresa consolidou-se progressivamente como uma referência em inovação, qualidade construtiva e confiabilidade no campo da aviação civil. No início da década de 1930, mesmo diante das severas restrições impostas pela Grande Depressão, a empresa mantinha uma posição de destaque no mercado aeronáutico norte-americano. Em 1931, sua linha de produtos abrangia seis modelos distintos, que iam desde o compacto Stinson SM-2 Junior, com capacidade para quatro ocupantes, até o robusto Stinson 6000 Airliner, também conhecido como Stinson Trimotor ou Model T, projetado para atender ao crescente setor de transporte aéreo comercial. Entretanto, a trajetória da empresa foi profundamente marcada por um acontecimento trágico. Em 26 de janeiro de 1932, Edward Stinson, faleceu em um acidente aéreo em Chicago, durante uma viagem de negócios. Sua morte representou uma perda significativa não apenas para a empresa, mas também para a comunidade aeronáutica da época, acelerando o processo de reestruturação corporativa da organização. Após esse período, a empresa passou por sucessivas incorporações. Inicialmente vinculada à Cord Corporation, foi posteriormente integrada à Aviation Corporation e, por fim, absorvida pela Consolidated Vultee Company. Sob a gestão desta última, a Stinson passou a operar como uma divisão aeronáutica relativamente autônoma, mantendo sua tradição de excelência no desenvolvimento de aeronaves leves. Nesse novo contexto, destacou-se a produção do SR-1 Reliant, um monoplano de asa alta que se tornaria um dos maiores sucessos comerciais da marca, com mais de 1.300 unidades fabricadas. O modelo consolidou a reputação da empresa ao combinar desempenho, robustez e conforto, características altamente valorizadas no mercado civil da época. A estratégia industrial passou, então, a privilegiar a diversificação da linha de produtos, com foco em aeronaves leves de dois e três lugares, destinadas a aplicações como transporte de ligação, turismo aéreo e treinamento básico segmentos que se mostravam mais resilientes em um cenário econômico ainda instável. Foi nesse ambiente que, em 1938, teve início o desenvolvimento do projeto HW-75, que evoluiria para o Model 105, comercialmente conhecido como Voyager. O protótipo realizou seu voo inaugural em 13 de fevereiro de 1939, configurando-se como um monoplano de asa alta com suportes externos (strut-braced), projetado para acomodar três ocupantes: dois assentos frontais lado a lado e um terceiro assento traseiro lateral, geralmente destinado a um passageiro de menor estatura. Do ponto de vista técnico, o  apresentava dimensões compactas  envergadura de 10,36 metros, comprimento de 7,37 metros e altura de 2,13 metros  e incorporava soluções construtivas típicas da época. 

Sua fuselagem era composta por estrutura tubular em aço ao cromo-molibdênio, revestida em tecido, enquanto as asas eram construídas em madeira (spruce), também com revestimento entoilado. Entre seus diferenciais aerodinâmicos destacavam-se as ranhuras fixas no bordo de ataque (leading edge slots) e a presença de flaps, que contribuíam significativamente para o controle em baixas velocidades e para a segurança operacional. O trem de pouso, fixo e do tipo convencional, era equipado com amortecedores óleo-pneumáticos, podendo ainda ser adaptado para operações em ambientes específicos por meio da instalação de esquis ou flutuadores. Essas características conferiam ao modelo grande versatilidade, permitindo sua utilização em diferentes condições operacionais e consolidando-o como uma solução eficiente e acessível para o mercado da aviação geral no final da década de 1930.áticos; podendo ser opcionalmente adaptado com esquis ou flutuadores. A aeronave foi concebida para oferecer desempenho confiável e operação simplificada. Equipado, em sua versão inicial, com um motor Lycoming O-145 de 50 cv (37 kW), o projeto previa a adoção do mais potente Lycoming GO-145-C de 75 cv (56 kW), embora este motor não estivesse disponível no momento do lançamento. Algumas unidades foram posteriormente equipadas com motores Continental A-75 ou A-80, de 75 e 80 cv, respectivamente. Essa motorização permitia à aeronave alcançar as seguintes especificações de desempenho: Velocidade máxima: 185 km/h (115 mph). Velocidade de cruzeiro: 161 km/h (100 mph). Alcance: 724 km (450 milhas). Teto de serviço: 3.962 metros (13.000 pés). Taxa de subida: Aproximadamente 3,3 m/s (650 pés/min). A construção do Voyager era marcada por sua robustez e funcionalidade. Sua fuselagem, composta por tubos de aço ao cromo-molibdênio revestidos com tecido, e suas asas, feitas de madeira entoilada, garantiam durabilidade sem sacrificar a leveza. O modelo contava com inovações como ranhuras fixas no bordo de ataque (leading edge slots) e flaps de asa, que proporcionavam excepcional manobrabilidade em baixas velocidades. Essas características tornavam o Voyager particularmente adequado para pilotos novatos e operações em pistas curtas, ampliando sua versatilidade em diversos cenários. O Stinson 105 Voyager foi apresentado ao público na Feira Mundial de Nova York, em abril de 1939, onde sua combinação de simplicidade, desempenho e baixo custo operacional conquistou a admiração de pilotos particulares e instrutores de voo. Após receber a certificação das autoridades aeronáuticas norte-americanas, a produção em série foi iniciada ainda em 1939, alcançando um ritmo notável de três unidades fabricadas por dia até o final do ano.  Esse desempenho consolidou o Voyager como um marco no segmento de aviação leve, com cerca de 1.052 unidades produzidas ao longo de sua história. Sua popularidade entre escolas de voo e proprietários privados refletia a habilidade da Stinson em atender às necessidades de um mercado em busca de soluções acessíveis e confiáveis.  Sua versatilidade e o desempenho  chamariam a atenção dos militares norte-americanos em um momento crítico da história.
No final desta mesma década, as crescentes tensões políticas na Europa e no Pacífico, com a ameaça de conflitos envolvendo as forças militares da Alemanha, Itália e Japão, levaram os Estados Unidos a intensificar seu programa de reequipamento militar. Nesse contexto, o governo norte-americano identificou a necessidade de aeronaves para missões de ligação e treinamento, essenciais para preparar suas forças armadas para um eventual conflito. O Voyager, com sua confiabilidade, manobrabilidade e capacidade de operar em pistas improvisadas, revelou-se uma escolha ideal para essas demandas, assim a empresa foi consultada pelo Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para avaliar a possibilidade de militarizar a aeronave. Uma célula versão Model 10A equipada com um  motor Franklin 4AC-199 de 90 cv (67 kW), foi selecionada como base para essa conversão.  Após a apresentação de uma proposta detalhada, foi celebrado em janeiro de  1940, um contrato inicial para a produção de 06  aeronaves destinadas a testes, designadas como YO-54. Essas unidades foram submetidas a rigorosos ensaios em voo a partir do final de 1940, demonstrando desempenho excepcional que superou as expectativas iniciais.  Os resultados favoráveis culminaram, no início de 1941, na assinatura de um contrato para o fornecimento de 08 aeronaves, inicialmente classificadas como AT-19A (posteriormente redesignadas L-9A). O sucesso do programa levou à expansão do programa, com novos contratos para a entrega de 32 unidades de uma versão aprimorada, a AT-19B (redesignada L-9B). Paralelamente, a pedido do exército, foi desenvolvida uma variante mais robusta, com fuselagem alongada para acomodar até quatro ocupantes. Batizada de  L-5 Sentinel, essa versão tornou-se um marco operacional durante a Segunda Guerra Mundial, sendo adotada por todas as forças armadas dos Estados Unidos e por nações aliadas, como o Canadá e o Reino Unido. Com uma produção total de 3.590 unidades até meados de 1945, o L-5  destacou-se em missões de ligação, evacuação médica e observação, comprovando a versatilidade do design original do Voyager. Além do uso pelos Estados Unidos, a versão militar básica do SModel 105 foi empregada pela Força Aérea Real Canadense (RCAF) em missões de ligação e treinamento no território continental, reforçando sua relevância no esforço de guerra aliado. No âmbito civil, o modelo continuou a conquistar admiradores, atraindo figuras ilustres como Howard Hughes, Roscoe Turner, Jimmy Stewart, Wilbur Shaw e Edgar Bergen. Sua combinação de manobrabilidade, baixo custo operacional e construção robusta o tornou uma escolha popular entre pilotos particulares e escolas de voo. A produção do Model 105 foi encerrada em 1945, totalizando 277 unidades, enquanto o Model 10, atingiu 775 unidades fabricadas. No período pós-guerra, a Consolidated-Vultee Aircraft Company, sucessora da Stinson Division, lançou o Model 108, uma versão alongada que deu origem a uma nova família de aeronaves leves, sucedendo a linhagem Voyager 105. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A presença do Stinson 105 Voyager no contexto militar brasileiro insere-se em um período particularmente sensível da história nacional, marcado por profundas transformações políticas e institucionais ao longo da segunda metade da década de 1930. Esse cenário foi fortemente influenciado pela ascensão de Getúlio Vargas ao poder em 1930, com o decisivo apoio de setores das Forças Armadas, evento que pôs fim à chamada “política do café com leite”, até então baseada na alternância de poder entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Inicialmente governando como chefe de um governo provisório até 1934, Vargas consolidou sua posição ao assumir a presidência constitucional sob a nova Carta promulgada naquele ano. Entretanto, o ambiente político permaneceu instável, especialmente após a Intentona Comunista, em 1935, que intensificou tensões internas e alimentou o discurso de ameaça à ordem institucional. À medida que se aproximavam as eleições presidenciais previstas para 1938  das quais Vargas estava impedido de participar , cresciam as articulações políticas voltadas à manutenção de sua influência no poder. Nesse contexto, a divulgação do Plano Cohen, em setembro de 1937, desempenhou papel crucial. Apresentado como evidência de uma iminente insurreição comunista, o documento  posteriormente comprovado como fraudulento  foi utilizado para justificar a decretação do estado de guerra pelo Congresso Nacional. Pouco tempo depois, em 10 de novembro de 1937, Vargas liderou o golpe que instituiu o Estado Novo, dissolvendo o Congresso, suspendendo liberdades civis e promulgando uma nova constituição de caráter autoritário e centralizador. O novo regime ampliou significativamente os poderes do Executivo federal, estendendo o mandato presidencial e reduzindo a autonomia dos estados. Apesar do apoio inicial de diversos setores, a oposição  ainda que fragmentada  persistia em diferentes regiões do país, sendo vista como uma ameaça potencial à estabilidade do governo. Para consolidar seu controle político, Vargas adotou medidas estratégicas voltadas à centralização do poder. Entre elas, destacou-se a nomeação de interventores federais para governar os estados, substituindo os governadores eleitos. Esses interventores, escolhidos por sua lealdade ao governo central, passaram a exercer funções administrativas e políticas, frequentemente sendo substituídos para evitar a formação de bases regionais autônomas. No estado de São Paulo, essa política refletiu-se em uma sucessão de administrações interventoras. O primeiro a assumir o cargo após a instauração do Estado Novo foi Joaquim Cardoso de Melo Neto, que governou de novembro de 1937 a abril de 1938. Em seguida, o posto foi ocupado brevemente pelo general Francisco Silva Júnior, então comandante da 2ª Região Militar, cuja permanência no cargo durou apenas três dias, entre 25 e 27 de abril de 1938, em razão de sua renúncia por motivos pessoais.

Esse ambiente de centralização política, vigilância institucional e reorganização das estruturas de poder constituiu o pano de fundo no qual se desenvolveram as iniciativas de modernização das Forças Armadas brasileiras  contexto em que aeronaves leves como o Stinson 105 Voyager passaram a desempenhar funções relevantes em missões de ligação, treinamento e apoio, atendendo às demandas operacionais de um Estado cada vez mais centralizado e atento à segurança interna. A breve permanência do general Francisco Silva Júnior na interventoria paulista evidenciou a urgência do governo federal em estabilizar a administração de São Paulo, então principal polo econômico e político do país. Nesse cenário, em 27 de abril de 1938, foi nomeado interventor federal Adhemar Pereira de Barros, por indicação de Benedito Valadares e Filinto Müller, com o aval do presidente Getúlio Vargas. Oriundo de uma influente família de cafeicultores de São Manuel, Adhemar Pereira de Barros destacou-se não apenas por sua atuação política, mas também por seu interesse pessoal pela aviação. Formado em medicina e veterano da Revolução Constitucionalista de 1932, havia obtido seu brevê de piloto na Europa ainda na década de 1920, o que influenciou diretamente sua visão administrativa. Para ele, a aviação civil e esportiva constituía um instrumento estratégico de integração territorial e modernização do aparato estatal, capaz de aproximar regiões distantes e otimizar a gestão pública. Entre suas principais prioridades como interventor, destacou-se a modernização da infraestrutura aeronáutica paulista, com ênfase na renovação da frota utilizada pelos órgãos administrativos do governo. Essa política resultou na aquisição de diversas aeronaves, dentre as quais se sobressai a incorporação, ao final de 1939, de uma célula nova de fábrica do Stinson 105 Voyager. A aeronave foi transladada em voo até o Brasil, juntamente com outros aparelhos adquiridos, chegando à capital paulista em janeiro de 1940. Em 19 de janeiro daquele ano, foi oficialmente registrada no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) sob a matrícula civil PP-AXC. Com velocidade máxima de aproximadamente 185 km/h, alcance de 724 quilômetros e teto de serviço de cerca de 3.962 metros, o modelo mostrava-se plenamente adequado às necessidades operacionais do governo estadual. Incorporado à frota oficial do estado de São Paulo, o PP-AXC foi amplamente empregado em missões de transporte de autoridades e servidores, desempenhando funções de ligação e apoio logístico em todo o território paulista. Em determinadas ocasiões, realizava também voos até a então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, contribuindo para a articulação entre o governo estadual e a administração central. Sua versatilidade, confiabilidade e baixo custo operacional tornaram-no um recurso valioso para a gestão de Adhemar, que via na aviação uma ferramenta essencial para agilizar comunicações e reforçar a eficiência administrativa em um período marcado pela centralização política do Estado Novo.
Assim, o Stinson 105 Voyager matriculado como PP-AXC desempenhou, ainda que por um período relativamente breve, um papel significativo no suporte às atividades governamentais do estado. Sua trajetória, contudo, não se encerraria nesse âmbito, pois em pouco tempo a aeronave seria destinada a uma nova fase operacional, ao ser incorporada à frota da Aviação Naval da Marinha do Brasil, ampliando sua contribuição para o cenário aeronáutico nacional. O contexto do cenário geopolítico deflagrado pela invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939, levaria aos países a reavaliar sua capacidade militar, e o Brasil apesar de esboçar essa preocupação pouco destinava recursos a suas forças armadas.  A  Marinha do Brasil enfrentava severas restrições orçamentárias que impactavam diretamente a Aviação Naval. Os recursos disponíveis eram, em grande parte, direcionados à produção interna conduzida pelas Oficinas Gerais da Aviação Naval (OGAN) ou à aquisição de aeronaves de treinamento avançado e ataque provenientes dos Estados Unidos. Essa priorização, embora estratégica, relegava a aviação utilitária a um plano secundário, resultando na manutenção de uma frota limitada e, em muitos casos, obsoleta. Nesse cenário, aeronaves como os de Havilland DH-60 Moth e  DH-82 Tiger Moth continuavam a ser empregadas em missões de ligação e transporte de pessoal entre bases aeronavais com destaque também para a importante operacionalidade das linhas do Correio Aéreo Naval (CAN). Embora confiáveis, esses modelos já não atendiam plenamente às exigências operacionais de um país com dimensões continentais como o Brasil, o que comprometia a eficiência logística, especialmente em unidades com infraestrutura limitada. Em meados do ano de 1940, atento a este cenário o interventor federal Adhemar Pereira de Barro, tomaria uma decisão de grande relevância estratégica. Sensibilizado com as dificuldades enfrentadas pela Aviação Naval, determinou a doação, em caráter definitivo e sem ônus, do Stinson 105 Voyager, matrícula civil PP-AXC, à Marinha do Brasil. A única condição estabelecida foi que a aeronave permanecesse baseada na Base de Aviação Naval de Santos, no litoral paulista,  exigência prontamente aceita pela instituição. A transferência oficial ocorreu em cerimônia realizada no Aeroporto do Campo de Marte na cidade de São Paulo, simbolizando o início de uma nova etapa operacional para a aeronave. Uma vez incorporado à Aviação Naval, esta aeronave recebeu a designação militar D-1S e a matrícula D1S-217, passando a ostentar as marcações navais e a integrar formalmente a estrutura da Marinha do Brasil. Em serviço, o D-1S destacou-se pelo emprego intensivo em missões de ligação entre a Base de Aviação Naval de Santos e o Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro. 

No cumprimento dessas missões, a aeronave realizava o transporte de pessoal, correspondências e documentos oficiais, desempenhando papel essencial no suporte às atividades administrativas e operacionais da Marinha do Brasil. Sua robustez estrutural, aliada à simplicidade mecânica e à versatilidade operacional, conferia-lhe elevada confiabilidade, tornando o Stinson 105 Voyager um recurso particularmente valioso para a aviação utilitária naval, ao suprir uma lacuna crítica existente naquele segmento. Entretanto, em dezembro de 1940, a aeronave enfrentou um episódio adverso que colocou à prova sua resiliência operacional. Durante o retorno de uma missão de ligação entre Santos e Rio de Janeiro, a aeronave sofreu uma pane no motor Continental A-75-3 no momento da aproximação para pouso. Diante da falha, o piloto foi compelido a executar uma aterrissagem de emergência nas proximidades da cabeceira da pista, manobra que, embora bem-sucedida, resultou em danos de média gravidade à célula. Apesar da natureza do incidente, a pronta resposta da Aviação Naval garantiu a rápida recuperação da aeronave. O aparelho foi encaminhado às Oficinas Gerais da Aviação Naval (OGAN), onde passou por um criterioso processo de reparos estruturais e revisões técnicas. Concluída a manutenção, o Voyager então corretamente identificado como D-1S  foi reintegrado ao serviço ativo, retomando suas missões regulares de ligação entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No início de 1941, a trajetória do Stinson 105 Voyager D-1S ingressaria em uma nova fase, diretamente vinculada às profundas transformações institucionais em curso na aviação militar brasileira. A criação do Ministério da Aeronáutica (MArt) em 20 de janeiro deste mesmo ano e o estabelecimento das Forças Aéreas Nacionais, posteriormente denominadas Força Aérea Brasileira (FAB), determinou determinou a transferência de todos os meios aéreos e efetivos da aviação do Exército e da Marinha para esta nova organização. Tal medida visava não apenas aumentar a eficiência administrativa, mas também padronizar doutrinas operacionais e fortalecer a capacidade de defesa aérea do país, em consonância com as exigências impostas pelo contexto global da Segunda Guerra Mundial. Assim o Stinson 105 Voyager D-1S, então sediado na Base Aérea de Santos, adaptou-se com rapidez à nova estrutura organizacional. Suas missões permaneceram centradas no transporte administrativo e em voos de ligação, com maior concentração no eixo Santos–São Paulo. Assim formalmente, o Aeroporto do Campo de Marte  onde se encontravam o Parque de Aeronáutica de São Paulo e o 2º Corpo de Base Aérea  tornou-se um dos principais destinos operacionais da aeronave, desempenhando papel relevante na integração das atividades administrativas e logísticas da região.
Apesar de constituir o único exemplar de seu modelo em operação na Força Aérea Brasileira (FAB), o D-1S Voyager demonstrou elevado grau de confiabilidade, mantendo-se em atividade quase ininterrupta ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial. Equipado com o motor Continental A-75-3, de 75 cv, capaz de proporcionar velocidade máxima de aproximadamente 185 km/h e alcance de cerca de 724 quilômetros, o Voyager mostrou-se plenamente adequado às funções que lhe eram atribuídas. Suas operações eram interrompidas apenas para manutenções programadas e revisões periódicas realizadas no Parque de Aeronáutica de São Paulo, assegurando elevados níveis de disponibilidade operacional. Durante boa parte de sua carreira na Força Aérea Brasileira (FAB)FAB, a aeronave manteve as marcações herdadas da Marinha do Brasil, incluindo a matrícula D1S-217, refletindo o caráter gradual do processo de transição entre as forças. Somente em março de 1945, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) promoveu a sua reclassificação formal, atribuindo-lhe a matrícula “01” e os cocares característicos da Força Aérea Brasileira (FAB), em conformidade com os padrões institucionais vigentes. Pouco tempo depois, contudo, um equívoco administrativo levou à sua incorreta identificação como um Stinson SR-10 Reliant, sob a designação UC-SR10 e matrícula FAB 2652. Essa classificação, que confundia o modelo com uma aeronave de características distintas, não chegou a ser efetivamente implementada, preservando-se, assim, a identidade técnica e histórica do D-1S. A trajetória operacional do Voyager foi abruptamente interrompida em 8 de fevereiro de 1945, quando a aeronave sofreu um acidente grave que resultou em danos estruturais significativos. Embora as circunstâncias exatas do evento permaneçam pouco documentadas, os indícios apontam para a impossibilidade de recuperação plena da célula. A robustez construtiva do modelo  baseada em fuselagem tubular de aço e asas entoiladas  não foi suficiente para mitigar os efeitos do impacto. Em novembro de 1949, após inspeção conduzida pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), concluiu-se que a aeronave encontrava-se irrecuperável para voo. No mês seguinte, o D-1S foi oficialmente retirado do inventário da Força Aérea Brasileira (FAB) e destinado à alienação como sucata, encerrando, de forma definitiva, sua trajetória operacional  uma trajetória que, embora discreta, refletiu com fidelidade os desafios, adaptações e transformações da aviação militar brasileira em um dos períodos mais marcantes do século XX.

Em Escala.
Para representar o Stinson 105 Voyager DS-1, matrícula D1S-217, durante seu período de operação na Aviação Naval da Marinha do Brasil, utilizou-se o único kit disponível no mercado deste modelo, produzido pela Necomisa Pegaso na escala 1/48. Trata-se de um modelo bastante simples e rudimentar, que, inclusive, não acompanha transparências para a composição das janelas e do para-brisas. Para a configuração específica da versão militar brasileira, nenhuma modificação estrutural é necessária. Dado que não há conjuntos de decalques específicos para essa aeronave em serviço nacional, optou-se por empregar decalques provenientes de conjuntos da FCM Decais, complementados com elementos originais fornecidos pelo próprio kit.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao padrão de pintura adotado pelas aeronaves durante seu período de operação na Aviação Naval da Marinha do Brasil. Curiosamente, esse padrão apresenta grande semelhança com registros fotográficos de época de aeronaves do mesmo modelo em serviço civil nos Estados Unidos. Ressalta-se que, até o momento, não foram localizadas fotografias que retratem esta aeronave em uso pela Força Aérea Brasileira (FAB). Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors .
Bibliografia :
- Stinson 105 Vouager -  Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Stinson_Voyager
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Aviação Militar Brasileira 1916 – 1984 Francisco C.  Pereira Neto 

UH-12 Esquilo Helibras HB-350B/BA

História e Desenvolvimento.
A derrota da França, iniciada com a ofensiva alemã em 10 de maio de 1940 e consolidada nas semanas seguintes, culminou na ocupação do país durante o conflito, representando um golpe devastador para sua outrora vigorosa indústria de defesa. Sob o controle do regime de Vichy e das autoridades de ocupação alemãs, a França foi relegada à condição de fornecedora subordinada de componentes e materiais destinados ao esforço industrial alemão, interrompendo o ciclo de inovação tecnológica que vinha sendo desenvolvido desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, a reconstrução nacional tornou-se prioridade estratégica do governo francês. O setor aeronáutico, considerado essencial tanto para a defesa quanto para a soberania tecnológica, recebeu atenção especial no âmbito do processo de reindustrialização conduzido pelo Estado. Nesse contexto, foi implementada uma ampla política de nacionalizações e reorganização estrutural, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest. Ambas nasceram da incorporação e fusão de diversas companhias privadas  muitas delas fragilizadas economicamente  em um esforço deliberado do governo para concentrar recursos técnicos  e humanos em polos regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa política industrial visava não apenas restaurar a capacidade produtiva, mas também reposicionar a França como uma potência aeronáutica. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes no campo das aeronaves de asas rotativas os helicópteros. Nesse segmento, o governo promoveu investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, além de incentivar acordos de cooperação tecnológica e produção sob licença com empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas e britânicas. Esse intercâmbio técnico permitiu à indústria assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia aeronáutica, criando as bases para o desenvolvimento de projetos nacionais. Um dos resultados mais expressivos desse processo foi o helicóptero Sud Aviation Alouette II, desenvolvido pela Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e equipado com o motor turboeixo Turboméca Artouste  uma inovação que representava um salto qualitativo em termos de desempenho, confiabilidade e relação peso-potência. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, e sua entrada em serviço consolidou o país como um dos pioneiros na adoção de helicópteros turboeixo. Em 1º de março de 1957, no âmbito de um novo movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado francês, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest foram formalmente fundidas, dando origem à Sud Aviation. Esta  passou a centralizar a maior parte da produção aeronáutica, reunindo sob uma mesma estrutura administrativa programas civis e militares.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em desenvolvimento de suas antecessoras, mas também a ambição de inserir a França no seleto grupo de potências aeroespaciais. A Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o SNCASE SE.161 Languedoc, um avião comercial de médio porte, e o SNCASE Mistral, versão licenciada do britânico de Havilland Vampire. O êxito do  Alouette II pioneiro entre os helicópteros de produção equipados com motor turboeixo  abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave ainda mais robusta, dotada de maior capacidade de carga e melhor desempenho em condições adversas. Assim surgiu o  Alouette III, designado SA 316 ou SA 319 em suas variantes, que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Projetado para atender à demanda por um helicóptero versátil, capaz de operar em ambientes extremos  como regiões de grande altitude e climas severos, o  Alouette III consolidou-se como um marco na aviação de asas rotativas, alcançando ampla difusão internacional tanto no meio civil quanto militar. Em 1965, foi estabelecida uma colaboração anglo-francesa com o objetivo de desenvolver um substituto para as versões militares do Alouette III. Dessa parceria emergiu o Gazelle, um helicóptero leve, ágil e tecnologicamente avançado, que viria a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu sucesso no segmento militar, seu custo relativamente elevado limitou sua penetração no mercado civil internacional. Com base na experiência adquirida com o  Gazelle, a equipe de engenharia da Aérospatiale voltou-se para um novo desafio: conceber um helicóptero que combinasse inovação tecnológica com maior acessibilidade econômica. Para isso, foram conduzidas extensas pesquisas de mercado junto a operadores potenciais, que apontaram três requisitos fundamentais: baixos níveis de ruído e vibração, maior capacidade de transporte e custos operacionais reduzidos. Esses parâmetros seriam determinantes para posicionar a nova aeronave como uma alternativa competitiva ao seu principal rival no mercado, o Bell 206 JetRanger. O projeto resultante materializou-se em um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto. Incorporando avanços em aviônica e soluções construtivas inovadoras, a aeronave foi concebida para apresentar custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos do Gazelle. Inspirando-se em práticas da indústria automotiva, o fabricante integrou componentes derivados de fornecedores das marcas Citroën e Renault, além de adotar o inovador sistema Starflex para o rotor principal. Esse conjunto de soluções técnicas, aliado a uma arquitetura estrutural eficiente, conferiu à aeronave elevado desempenho com reduzido custo operacional, tornando-a particularmente adequada para uma ampla gama de missões civis e militares. O protótipo, designado AS350 Écureuil, realizou seu voo inaugural em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Equipado com o motor Lycoming Avco LTS-101, capaz de gerar aproximadamente 592 shp, o modelo demonstrou desde seus primeiros ensaios elevado grau de versatilidade e eficiência.

Após sua apresentação oficial, o  AS350 foi submetido a um abrangente e rigoroso programa de ensaios em voo, em consonância com as exigências técnicas e regulatórias que caracterizavam a indústria aeronáutica internacional da década de 1970  período marcado por forte evolução tecnológica e crescente padronização de certificações. Nessa fase inicial, foram identificadas limitações relacionadas à potência do motor de origem norte-americana então empregado, o que comprometia o desempenho em determinadas condições operacionais, especialmente em ambientes de alta temperatura e altitude. Diante desse cenário, a equipe de engenharia adotou uma solução estratégica ao optar pela substituição do propulsor original pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, capaz de desenvolver 641 shp e concebido especificamente para aplicações em helicópteros leves. Essa decisão revelou-se determinante para o êxito do programa, sendo validada com o voo inaugural do segundo protótipo, já equipado com o novo motor, realizado em 14 de fevereiro de 1975. A superioridade de desempenho do Arriel em relação aos motores da linha Lycoming  particularmente em cenários operacionais mais exigentes  levou à sua adoção definitiva na versão principal de produção, designada AS350B. Ao longo da campanha de ensaios, diversas melhorias de natureza técnica e operacional foram incorporadas, abrangendo desde ajustes aerodinâmicos até aperfeiçoamentos nos sistemas embarcados, culminando em uma configuração final plenamente adequada aos requisitos de mercado e certificação. Com vistas à homologação internacional, três células adicionais foram produzidas especificamente para os processos de certificação civil. Em 1977, após a obtenção das aprovações junto às autoridades aeronáuticas competentes, o modelo  então oficialmente denominado AS350B Écureuil  foi introduzido simultaneamente nos mercados europeu e norte-americano. Sua combinação de elevado desempenho, confiabilidade operacional e custos relativamente reduzidos contribuiu para rápida aceitação, especialmente entre operadores privados. A partir de 1978, consolidou sua presença no mercado internacional com a assinatura de contratos governamentais relevantes, destacando-se sua ampla adoção em missões de segurança pública e serviços aeromédicos. Esse sucesso no segmento civil e paramilitar incentivou o fabricante a explorar novas possibilidades no campo militar, levando ao desenvolvimento de uma variante voltada primordialmente para o treinamento e a conversão operacional de pilotos, sem prejuízo de funções secundárias como transporte leve, ligação e observação. Nesse contexto, surgiu o AS350 BB, concebido para atender, em particular, às demandas do mercado britânico e aos requisitos específicos da Força Aérea Real (RAF). Posteriormente, a família evoluiria para a designação moderna Airbus Helicopters H125, refletindo as mudanças corporativas no setor. Para satisfazer os parâmetros de desempenho exigidos no ambiente militar, o AS350 BB foi equipado com o motor Turbomeca Arriel 1D de 684 shp, proporcionando desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O modelo foi configurado com comandos duplos reforçados e sistemas simplificados, facilitando o processo de instrução de pilotos em formação. 

Sua instrumentação foi adaptada aos padrões militares, incluindo sistemas de navegação e comunicação compatíveis com os requisitos operacionais da Força Aérea Real (RAF). Adicionalmente, a cabine apresentava excelente visibilidade  característica essencial para o treinamento  e a estrutura da aeronave recebeu reforços específicos, destinados a suportar o regime intensivo de operação típico das atividades de instrução, marcado por frequentes ciclos de decolagem e pouso. Dessa forma, o AS350 BB consolidou-se como uma plataforma eficiente e confiável no treinamento básico e avançado de asas rotativas. O  AS350 BB foi selecionado em 1979 pela DHFS (Defence Helicopter Flying School) para formar pilotos de helicóptero das forças armadas britânicas. Após sua introdução passaria a substituir helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, em programas de treinamento, além de oferecer uma plataforma versátil para outras missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices (atual Cobham Helicopter Services), foi usado extensivamente na base aérea de  Shawbury. Seriam recebidas 38 células, designadas como  Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) pela força aérea e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, o Squirrel HT1/HT2 começou a ser substituído por helicópteros mais modernos, como o Airbus H135 Juno e o H145 Jupiter, no programa de treinamento UK Military Flying Training System - MFTS.  Esta versão despertaria também o interesse da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), que em 1979 celebrou um contrato para a aquisição de 30 células, a fim de serem empregadas em escolas de aviação, como a École de l’Air. Assim a aeronave seria uma peça-chave no treinamento de pilotos militares franceces, substituindo os SA341/SA342 Gazelle. Neste mesmo ano a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebraria um contrato para a compra de 40 células, sendo destinados a equipar a École de l’Aviation Légère, com unidades baseadas em Dax e Le Cannet-des-Maures. O AS350 BB foi amplamente utilizado  para a instrução de pilotos em voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez e baixo custo de manutenção o tornaram ideal para o uso intensivo em escolas de aviação. Embora focado em treinamento, o AS350 BB ocasionalmente desempenhou papéis de ligação e transporte leve em unidades como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate (1e RHC) ou o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel (9e RSAM).  Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil assinou um contrato, tornando-se assim o quarto operador militar da aeronave, com este acordo envolvendo a compra de seis células. A versatilidade e confiabilidade do AS350 Écureuil foram fatores chave para sua ampla adoção por operadores internacionais, tanto civis quanto militares, em diversos países. Sua lista de exportações militares envolve as forças armadas  da Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Benin, Botsuana, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Canadá, Chile, Gabão, Camboja, Paquistão e República Centro-Africana, onde ele foi empregado em missões de treinamento, transporte e apoio. No final da década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil,  consolidava-se como um êxito comercial notável. 
A ampla frota em operação dos modelos  AS350 e  AS355 exerceu efeitos positivos diretos sobre a cadeia logística global, favorecendo economias de escala na produção e distribuição de peças de reposição. Tal contexto contribuiu para a consolidação do modelo como uma solução economicamente eficiente e operacionalmente confiável, reforçando seu posicionamento estratégico junto a operadores civis e institucionais em diversos mercados. Neste cenário a empresa identificou uma oportunidade concreta de expansão no segmento militar, visando o desenvolvimento de versões especializadas. A proposta consistia em adaptar essas aeronaves para um espectro mais amplo de missões táticas, incluindo ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque antinavio (ASM) e operações de busca e salvamento em combate (Combat SAR). Para viabilizar essa iniciativa, foram selecionadas duas células, que passaram por um abrangente processo de militarização. As modificações introduzidas incluíram reforços estruturais, instalação de blindagem para proteção do grupo motriz e da tripulação (com especial atenção ao piso e aos assentos), além da integração de uma nova suíte aviônica orientada para o ambiente de combate. As aeronaves foram igualmente preparadas para operar com sistemas de imageamento diurno e noturno, compatíveis com o uso de óculos de visão noturna (NVG), bem como equipadas com dispositivos de autodefesa, incluindo contramedidas infravermelhas.  Um dos avanços  foi a adoção do motor Turbomeca Arriel 2B, com 847 shp, proporcionando ganhos substanciais de desempenho, sobretudo em cenários de maior exigência operacional. Em 1989, os protótipos dessas versões foram submetidos a uma rigorosa campanha de ensaios em voo, cujos resultados evidenciaram elevado potencial de emprego em diferentes perfis de missão. A partir de 1º de janeiro de 1990, promoveu-se uma reformulação em seu sistema de designação, passando a identificar as versões militares monomotoras como AS550 e as bimotores como  AS555. Essas variantes foram então apresentadas ao mercado internacional de defesa, despertando interesse imediato por parte de diversas forças armadas. No contexto das transformações industriais europeias, a fusão entre as divisões de helicópteros da Aérospatiale e da Messerschmitt-Bölkow-Blohm deu origem, em 1992, à European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), posteriormente reestruturada como Airbus Helicopters. Nesse período este modelos receberam a designaçao comercial de Fennec, diferenciando-se da família civil Écureuil. As variantes incluíram, entre outras, o AS550 C2 , AS550 U2  e AS550 C3, cada qual configurada para atender a requisitos operacionais específicos. Ainda em 1990, foram celebrados os primeiros contratos de exportação, abrangendo países como França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China, evidenciando a rápida aceitação internacional da plataforma. Posteriormente, no contexto de modernização e padronização de sua linha de produtos, a Airbus Helicopters passou a designar comercialmente a família como Airbus Helicopters H125. Mantida em produção contínua, a série acumula, até o presente, mais de 3.700 unidades entregues, atendendo não apenas ao mercado civil, mas também a forças de segurança e a mais de quarenta forças armadas ao redor do mundo.

Emprego na Marinha do Brasil.
A utilização de aeronaves de asas rotativas na Aviação Naval brasileira remonta a 1952, com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), marco institucional que sinalizou o início da estruturação do emprego de helicópteros. Quatro anos mais tarde, essa capacidade seria efetivamente materializada com a incorporação de 02 células do Westland WS-51/2 Widgeon, inaugurando a operação de asas rotativas na força naval. Nas décadas seguintes, novos modelos seriam gradualmente integrados à frota, ampliando o espectro de missões e consolidando o emprego desse vetor. Entretanto, a partir de meados da década de 1960, o Comando da Aviação Naval passou a reconhecer que os desafios logísticos associados à manutenção e ao suporte de uma frota diversificada de helicópteros exigiam uma solução estrutural mais abrangente. Nesse contexto, emergiu a percepção estratégica de que a criação de uma indústria nacional dedicada à fabricação de aeronaves de asas rotativas seria fundamental para garantir autonomia operacional e redução de custos. Essa visão começou a se materializar com a fundação da Embraer, em 1969, representando um passo decisivo no desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. O processo avançou significativamente em 1973, quando o Instituto de Fomento Industrial do CTA (IFI-CTA) assumiu a liderança na articulação de um projeto voltado à implantação de uma estrutura industrial capaz de produzir helicópteros no país. No âmbito das necessidades específicas, os esforços concentraram-se na possibilidade de produção, sob licença, do SA340 Gazelle. Todavia, avaliações técnicas evidenciaram que as linhas de montagem da Embraer S/A, concebidas para aeronaves de asa fixas, não se mostravam adequadas à  montagem de helicópteros, cuja cadeia produtiva exige processos substancialmente distintos. Diante dessa limitação, o passou-se a prospectar alternativas junto ao mercado, estabelecendo contatos com diversos fabricantes e solicitando propostas de produção local. Entre as empresas que responderam a essa iniciativa, destacou-se a Aérospatiale, cuja abordagem combinava flexibilidade industrial e alinhamento estratégico. Em um primeiro momento, a empresa francesa propôs a produção de uma versão adaptada do  SA 315B Lama, reconhecido por sua robustez, porém já considerado tecnicamente superado frente às demandas operacionais emergentes. Após análises a escolha recaiu sobre o  AS350 Écureuil, uma plataforma mais moderna, versátil e plenamente compatível tanto com os requisitos da Marinha quanto com as perspectivas do mercado brasileiro. As negociações envolveram múltiplos atores institucionais e empresariais, incluindo o governo federal, o governo do estado de Minas Gerais e a empresa Serviços Aerofotogramétricos Cruzeiro do Sul, culminando, em abril de 1978, na assinatura de um acordo que resultou na criação da Helicópteros do Brasil S/A (Helibras). Estruturada como uma sociedade de capital misto, a nova empresa contava com 45% de participação francesa e 55% de capital nacional. Nesse contexto, a Marinha do Brasil protagonista no processo de viabilização do projeto  posicionou-se naturalmente como um dos primeiros e mais relevantes clientes da nova empresa, assegurando a sustentação inicial da produção e contribuindo decisivamente para a consolidação da indústria nacional de helicópteros.

Em 30 de março de 1979, foi formalizado o contrato para a produção de 06 unidades do AS350B Écureuil, modelo que, no Brasil, passou a ser designado comercialmente como  HB-350B Esquilo. Tal iniciativa representou não apenas um significativo incremento na capacidade operacional da Aviação Naval, mas também um marco decisivo na consolidação da Helibras S/A como vetor estruturante da indústria aeronáutica nacional, ao viabilizar a transferência de tecnologia e estimular o desenvolvimento econômico e industrial do país. O contrato celebrado estabelecia que a primeira aeronave  militarmente designada UH-12 Esquilo  seria produzida nas instalações do fabricante francês na cidade de  Marignane. Tal decisão decorreu do fato de que a linha de produção brasileira então em fase inicial de implantação em Itajubá, ainda não se encontrava plenamente operacional. A primeira unidade, matriculada como N-7051, foi submetida a ensaios em voo na França e oficialmente entregue a representantes da Marinha do Brasil em maio de 1979. No mês seguinte, a aeronave foi desmontada e transportada por via aérea ao Brasil, desembarcando no Aeroporto Internacional de Viracopos. No local, foi recebida por oficiais do Grupo de Fiscalização e Recebimento de Helicópteros (GFRH), responsáveis pela supervisão do processo de aceitação e incorporação. Posteriormente,  seguiu por via terrestre até o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, onde a Helibras S/A mantinha instalações provisórias. Nessa fase, técnicos da empresa brasileira, em cooperação com especialistas franceses procederam à montagem final da aeronave. Concluída essa etapa, o UH-12 foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, conduzido sob a supervisão da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), com o objetivo de assegurar sua conformidade técnica e plena aptidão operacional. Esse processo, que se estendeu por aproximadamente cinco meses, culminou na incorporação oficial da aeronave ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. As demais aeronaves previstas no contrato  matriculadas sequencialmente  foram montadas integralmente em território nacional, nas instalações da Helibras, sendo incorporadas à Aviação Naval até março de 1980. Esse processo contribuiu para a rápida ampliação da capacidade operacional do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1), ao mesmo tempo em que consolidava a curva de aprendizado industrial da recém-criada fabricante brasileira. À época, o esquadrão encontrava-se sob o comando do Capitão de Fragata Lynch, cuja atuação revelou-se decisiva para o êxito da transição para o novo vetor aéreo. Coube-lhe a complexa tarefa de qualificar, em um intervalo de apenas 60 dias, um total de 33 pilotos aeronavais designados para operar o HB-350B UH-12 Esquilo. Importa destacar que o oficial era, então, o único instrutor de voo no Brasil plenamente qualificado pela Helibras S/A para essa aeronave, circunstância que evidencia não apenas sua elevada competência técnica, mas também seu papel central em um momento crítico de modernização da Aviação Naval brasileira. Equipados com esquis baixos, os UH-12 Esquilo , foram gradualmente integrados à exigente rotina operacional da unidade. 
Contudo, a entrada em serviço dessas aeronaves foi acompanhada por desafios iniciais, com pequenos problemas materiais que demandaram atenção e esforço para sua resolução. Esses contratempos, embora naturais em um processo de adaptação, geraram preocupações para os operadores da Aviação Naval. Em 1980, quando a Aérospatiale completou a entrega da 125ª célula produzida em sua fábrica em Marignane, França, tornou-se evidente que os desafios enfrentados impactavam o ciclo de produção do AS350 Écureuil. Diante disso, a empresa francesa empreendeu um esforço técnico para implementar melhorias significativas. Entre as prioridades estavam o aprimoramento da proteção contra corrosão, essencial para operações em ambientes marítimos sujeitos à maresia, e o reforço da robustez de componentes submetidos a esforços intensos, particularmente em missões embarcadas. Essas modificações foram incorporadas aos modelos produzidos a partir de então, e a Helibras S/A, em Itajubá, Minas Gerais, assumiu a responsabilidade de aplicar essas atualizações nas aeronaves já entregues à Marinha do Brasil, garantindo maior confiabilidade e durabilidade. Com a substituição dos Bell UH-6 Jet Ranger II, os UH-12 Esquilo assumiram plenamente as missões do EsqdHU-1, demonstrando versatilidade e eficiência nos anos subsequentes. Entre as tarefas prioritárias da unidade destacavam-se as missões hidrográficas, realizadas em apoio à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), fundamentais para o mapeamento e segurança da navegação nas águas brasileiras. Além disso, os Esquilo desempenharam papéis essenciais em transporte e ligação, conectando unidades navais e bases terrestres. Em operações embarcadas, os UH-12 foram empregados em fragatas, contratorpedeiros e navios faroleiros, ampliando a capacidade operacional da Marinha. Notavelmente, substituíram os Westland Whirlwind S-55 na função de “Pedro” (Guarda de Aeronaves) a bordo do Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais (A-11), garantindo a segurança das operações aéreas no convés. O UH-12 Esquilo também marcou presença nas missões do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), operando inicialmente ao lado dos Westland SH-2 Wasp e, posteriormente, assumindo suas funções. Embarcados no Navio de Apoio Oceanográfico H-42 Barão de Teffé, os UH-12 enfrentaram as condições extremas da Antártida, contribuindo para o sucesso das expedições científicas brasileiras. O UH-12 Esquilo tem sido empregado no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (EsqdHI-1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), para o Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO). Ele é atualmente usado na formação prática de pilotos de asas rotativas, complementando os remanescentes Bell 206 Jet Ranger III (IH-6B). Os resultados positivos obtidos nos primeiros anos de operação dos helicópteros Helibras UH-12 Esquilo motivaram o comando da Aviação Naval da Marinha do Brasil a expandir sua frota. Em 4 de novembro de 1983, foi assinado um contrato para a aquisição de mais três helicópteros, que incorporavam avanços significativos em relação às aeronaves inicialmente adquiridas. 

Essas novas células contavam com uma suíte de comunicação e navegação modernizada, esquis altos e um guincho de carga externo, aprimorando sua versatilidade e desempenho na realização de suas tarefas. Na mesma ocasião, as seis aeronaves originais foram enviadas às instalações da Helibras S/A para revisão e atualização, alinhando-as ao novo padrão dos helicópteros recém incorporados. Esse processo garantiu maior padronização, eficiência à frota e redução nos custos de manutenção. Os helicópteros UH-12 Esquilo da Marinha do Brasil foram adaptados, a partir de 1985, para integrar armamentos, com o objetivo de proporcionar suporte aéreo próximo em operações de desembarque do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) e outras missões táticas. Este processo abrangeu o emprego de Lançadores de Foguetes Avibras SBAT-70 (Sistema Brasileiro de Artilharia Terrestre, calibre 70 mm), com cada aeronave portando dois destes lançadores com até  sete foguetes não guiados, projetados para ataques a alvos terrestres ou marítimos leves. Casulos TMP com Metralhadoras FN Herstal de 7,62 mm, com estes sendo montados nas laterais do helicóptero, para uso em missões de supressão de fogo inimigo, apoio a tropas em terra e engajamento de alvos móveis, como embarcações leves ou pessoal. Sua cadência de tiro elevada (cerca de 650-1000 disparos por minuto por arma) oferecia capacidade de fogo sustentado. E por fim uma metralhadora lateral MAG58M de 7,62 mm usada em missões de apoio aéreo próximo, especialmente em cenários que exigiam precisão contra alvos específicos, como forças inimigas em movimento ou posições defensivas. O atirador lateral podia ajustar o ângulo de tiro em tempo real, aumentando a eficácia em combates dinâmicos. A integração desses armamentos exigiu um amplo processo de adaptações com inclusão de reforço estrutural para a adaptação dos pontos de fixação para suportar os casulos de armas e os lançadores de foguetes, considerando o peso adicional e as vibrações durante o disparo.  Sistemas de Controle: Atualização dos sistemas de mira e controle para permitir o uso eficiente dos armamentos, especialmente no caso dos foguetes SBAT-70 e dos casulos TMP. Desta maneira  podiam sem prontamente empregados em apoio operações anfíbias, nas quais o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) realizava desembarques em áreas costeiras ou ribeirinhas. As principais funções incluíam: Supressão de Defesas Inimigas: Neutralizar posições fortificadas ou ninhos de metralhadoras que pudessem ameaçar as tropas durante o desembarque. Apoio Aéreo Próximo: Proteger as forças  em terra, engajando alvos oportunistas ou fornecendo cobertura durante avanços. Interdição de Alvos Leves: Atacar embarcações pequenas, veículos ou concentrações de tropas com foguetes e metralhadoras. Em 1987, a frota da Aviação Naval foi ampliada com a encomenda de 11 helicópteros da versão biturbina AS355 F2 Esquilo, designados como UH-13. Estas aeronaves seriam destinadas especialmente a operações no ambiente antártico.  Em 1991, uma décima unidade da versão monomotora foi incorporada a Aviação Naval, sendo convertida a partir de uma aeronave AS355 F2 (UH-13) armazenada pelo fabricante brasileiro após um acidente de média gravidade. 
Já em 1992, todas as células foram novamente enviadas ao fabricante para revisão e atualização para o padrão HB350 BA, reforçando a modernização da frota. A criação de unidades operacionais distritais, como o 3º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-3) Tucano, o 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-4) Gavião Pantaneiro e o 5º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-5) Albatroz, levou a aquisição mais 04 aeronaves da versão HB-350B (N-7078 a N-7081) e 07 da versão HB350BA (N-7082 a N-7088). Com isso, os esquadrões de emprego geral passaram a operar um modelo unificado de helicóptero em todo o território nacional, de norte a sul, consolidando a capacidade operacional  e alta disponibilidade da Aviação Naval.  No final de maio de 2004, o 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-4) Gavião Pantaneiro substituiu seus helicópteros UH-12 Esquilo por 03 unidades  IH-6B Jet Ranger III, transferidas do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1). Essa substituição ocorreu devido às dimensões mais adequadas do Jet Ranger III para operação a bordo do Monitor Parnaíba (U-19), otimizando a capacidade operacional em ambiente naval. Por mais de quatro décadas, as aeronaves das famílias UH-12 e UH-13 desempenharam um papel essencial na Aviação Naval, executando um amplo espectro de missões. Essas incluíam apoio a operações anfíbias e especiais, reconhecimento por radar e visual, patrulha naval, transporte de tropas, suporte logístico, busca e salvamento, guarda de aeronaves em navios-aeródromo, evacuação aeromédica e missões de ataque. Contudo, o intenso uso operacional, somado às condições adversas do ambiente marítimo, resultou em significativo desgaste estrutural das células dessas aeronaves. Esse cenário tornou inviável a implementação de programas de modernização, como o realizados pelo Exército Brasileiro com o HA-2 Fennec. Diante disso, tornou-se imperativa a substituição completa da frota dessas aeronaves a curto prazo. Com esse objetivo, a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) lançou, em 2015, o Programa de Helicópteros de Emprego Geral de Pequeno Porte (UHP). Após longa gestação em maio de 2022 seria anunciada a aquisição de 12 células do Helibras H125 Esquilo, a nova versão da aeronave equipada com com um glass cockpit duplo G500H TXi e VEMD (Vehicle & Engine Multifunction Display), compatível com óculos de visão noturna (NVG), o que melhora a segurança e a capacidade operacional em missões noturnas. Alimentado pelo motor Safran Arriel 2D, o H125 é capaz de operar em condições adversas, incluindo altas temperaturas e altitudes elevadas, com autonomia e alcance otimizados para missões táticas e de instrução. O primeiro H125 (matrícula N-5101) destinado à Marinha do Brasil foi recebido na segunda quinzena de junho de 2025. O objetivo principal é substituir os antigos Bell 206B Jet Ranger III (IH-6B), usados na instrução de voo, e os UH-12  mais antigos, alguns operando desde 1979.  A substituição visa modernizar a frota, aumentar a segurança e aprimorar a formação de pilotos navais.

Em Escala.
Para a representação do helicóptero Helibras HB-350B UH-12 Esquilo, matriculado como "MB 7055", foi utilizado o kit HTC/Heller na escala 1/48, embora as dimensões do modelo sugiram uma proximidade com a escala 1/50. Para retratar com precisão a versão operada pela Aviação Naval da Marinha do Brasil, faz-se necessário realizar algumas modificações no kit. Inicialmente, o farol de busca original, localizado na parte frontal da aeronave, deve ser removido. Em seguida, é preciso confeccionar, por meio de técnicas de scratchbuilding, uma nova peça que represente o farol de busca, a ser instalada na parte inferior da fuselagem. Para a aplicação das marcações características, foram utilizados decais da FCM Decais, disponíveis no conjunto 48/07B. 
O esquema de cores, baseado no padrão FS (Federal Standard), descrito a seguir, corresponde ao terceiro padrão de pintura adotado pelas aeronaves  UH-12 Esquilo em serviço na Marinha do Brasil. Inicialmente, essas aeronaves foram entregues com uma pintura em tons de cinza claro e branco. A partir do processo de revisão e atualização iniciado em 1992, foi adotado um tom de cinza mais escuro como padrão, o qual permanece em uso e deverá ser mantido até a desativação final das aeronaves, prevista para ocorrer entre os anos de 2025 e 2032. 

Bibliografia :
-  Eurocoppter AS350 Écureuil  - Wikipédia http://fr.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_AS350_%C3%89cureuil
-  HU-3 Asas da Marinha na Amazonia - Revista Asas Volume 2
-  Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr
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