M-26 G-160 Dragon Wagon (VTTNE)

História e Desenvolvimento.
A Knuckey Truck Company, sediada em São Francisco, Califórnia, foi uma fabricante de veículos pesados de pequeno porte que se destacou, nas primeiras décadas do século XX, pelo desenvolvimento de caminhões sob medida destinados principalmente às indústrias de mineração e extração de pedra. Embora a data exata de sua fundação não esteja amplamente registrada, sabe-se que a empresa já atuava de forma consolidada no início do século, oferecendo equipamentos capazes de operar em condições particularmente severas  minas a céu aberto, estradas improvisadas e terrenos acidentados. Com uma produção limitada e voltada quase sempre para soluções personalizadas, a Knuckey Truck Company jamais alcançou o renome de grandes fabricantes como a Pacific Car and Foundry Company ou a Diamond T. Ainda assim, conquistou reconhecimento técnico pela robustez de seus chassis, pela capacidade de adaptação de seus sistemas de tração e pela confiabilidade de suas máquinas, atributos altamente valorizados em setores industriais que exigiam desempenho extremo. Durante as décadas de 1920 e 1930, um período marcado por acelerada inovação no setor de transporte pesado nos Estados Unidos, empresas que demonstravam capacidade de projetar veículos resistentes e adequados a demandas específicas passaram a atrair atenção militar. Nesse cenário, a Knuckey destacou-se como uma candidata viável para atender necessidades emergentes das Forças Armadas norte-americanas. A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, transformou completamente o panorama estratégico e logístico global. A guerra mecanizada, que ganhava contornos mais definidos, exigia não apenas carros de combate cada vez mais pesados  como o M-3 Lee e o M-4 Sherman , mas também veículos de apoio capazes de acompanhar essas forças blindadas. A Campanha do Norte da África (1940–1943) teve papel crucial na identificação dessas demandas. Observadores do Exército dos Estados Unidos acompanharam de perto a atuação das forças britânicas contra o Afrika Korps comandado pelo general Erwin Rommel. Ali se tornou evidente uma deficiência crítica: a ausência de veículos de recuperação capazes de resgatar tanques danificados, atolados ou paralisados por falhas mecânicas. A falta desses meios impunha perdas expressivas. Em mais de uma ocasião, tripulações eram obrigadas a abandonar — ou até destruir — seus próprios carros de combate para impedir que fossem capturados pelo inimigo. Essa realidade levou o comando norte-americano a classificar como prioridade urgente o desenvolvimento de um veículo de recuperação suficientemente potente, versátil e confiável para operar nas mais variadas condições de terreno e recuperar blindados de até 40 toneladas, sobretudo o M-4 Sherman, cujo peso variava entre 30 e 35 toneladas, dependendo da versão. Era preciso, portanto, um veículo que combinasse mobilidade elevada, força de tração substancial e capacidade de sobrevivência em teatros de operações amplos, como os desertos africanos e os terrenos irregulares encontrados na Europa. Foi nesse contexto que empresas especializadas, como a Knuckey Truck Company  ainda que relativamente modestas em escala industrial  passaram a integrar estudos e propostas para suprir essa necessidade estratégica fundamental.

Em meados de 1942, em pleno esforço de mobilização industrial imposto pela Segunda Guerra Mundial, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou uma concorrência para o desenvolvimento de um trator militar pesado, com tração integral 6x6 e capacidade para 12 toneladas, que operaria em conjunto com um semirreboque apto a transportar cargas de grande porte. O objetivo era suprir uma lacuna crítica identificada nos campos de batalha: a necessidade de transportar e recuperar carros de combate cada vez mais pesados, como o M-4 Sherman. Diversas empresas norte-americanas apresentaram propostas para atender ao chamado. Nesse contexto, a Knuckey Truck Company então reconhecida por sua expertise no desenvolvimento de veículos fora de estrada para operações de mineração foi selecionada para projetar o protótipo do trator T-25. Esse veículo seria acoplado ao semirreboque M-15, com capacidade de 40 toneladas, desenvolvido pela Fruehauf Trailer Company, de Detroit, Michigan. O conjunto completo recebeu a designação M-25 Tank Transporter, mas ficaria eternizado pelo apelido de “Dragon Wagon”, uma referência ao seu porte imponente 17,48 metros de comprimento e à sua impressionante capacidade de transportar tanques pesados através de variados tipos de terreno. A versão evoluída do protótipo, designada M-26, foi projetada com uma cabine blindada destinada a proteger a tripulação durante operações em zonas hostis. O modelo empregava um motor Hall-Scott 440, um robusto seis cilindros a gasolina de 17,9 litros, capaz de produzir 240 hp a 2.000 rpm e um torque de 810 lbf·ft a 1.200 rpm. A transmissão combinava uma caixa principal de quatro marchas com uma auxiliar de três velocidades, resultando em 12 marchas à frente e três à ré. O M-26 destacava-se ainda por seu formidável conjunto de recuperação: dois guinchos hidráulicos Gar Wood, cada um capaz de tracionar 60.000 libras (27 toneladas), além de um guincho frontal adicional de 35.000 libras (16 toneladas). Para autodefesa, especialmente contra-ataques aéreos de baixa altitude, o veículo contava com uma metralhadora Browning .50 montada sobre o teto da cabine. Outro diferencial técnico importante era a suspensão traseira, que utilizava um sistema de viga oscilante (walking beam), projeto patenteado pela própria Knuckey Truck Company. Esse conjunto proporcionava maior estabilidade e tração em terrenos irregulares, tornando o trator particularmente adequado às exigências do combate mecanizado. Entretanto, apesar da qualidade e da engenhosidade do projeto, a Knuckey Truck Company não possuía capacidade industrial para atender à produção em larga escala exigida pelo esforço de guerra norte-americano. Soma-se a isso a influência de pressões políticas no Congresso dos Estados Unidos — associadas a interesses corporativos e lobby industrial — que acabaram por retirar da empresa o direito de fabricar seu próprio projeto. Amparado pelo argumento de “segurança nacional”, o governo transferiu legalmente o programa para outra companhia. Assim, em janeiro de 1943, a produção do M-26 foi oficialmente delegada à Pacific Car and Foundry Company (PACCAR), sediada em Renton, Washington, que adotou a designação TR-1 para o veículo produzido em série. Até o término do conflito, cerca de 2.000 unidades foram fabricadas. Apesar de preterida como produtora principal, a Knuckey ainda contribuiu de forma decisiva ao fornecer os bogies traseiros  componentes essenciais para o sofisticado sistema de suspensão do trator.
O principal objetivo do M-25 “Dragon Wagon” não era apenas transportar veículos pesados da linha de frente para a retaguarda, mas realizar recuperações in loco, permitindo que tanques danificados fossem reparados no campo de batalha ou rebocados para segurança.  Para isso contavam com um amplo leque de ferramentas destinadas a esta missão, incluindo equipamento completo de soldagem, compressor de ar, correntes, cabos de reboque, polias hidráulicas de dez e vinte toneladas e outros acessórios adequados à tarefa de recuperar blindados em campo. Esta suíte de ferramentas podia ainda receber a opção de instalação de um pequeno guindaste na parte traseira da cabine com a finalidade de levantar cargas leves, ou para mudar uma roda. Além disso, na parte traseira, havia uma estrutura dobrável em forma de "A "que podia ser erguida e travada em diferentes posições para facilitar o arraste dos veículos a serem recuperados. Muitas vezes estas missões de socorro poderiam se dar em zonas de conflagração com alto risco, e para autodefesa o M-26 Dragon Wagon dispunha de uma escotilha no teto da cabine com anel deslizante no qual uma metralhadora Browning calibre .50 podia ser instalada. Além disso, a tripulação dispunha de um kit de armamento pessoal como metralhadoras Thompson, carabinas M-1, pistolas, granadas de mão e sinalizadores.  O M-26 “Dragon Wagon” teve seu batismo de fogo em 1944, durante a campanha aliada na Europa Ocidental, após o desembarque na Normandia (Operação Overlord, 6 de junho de 1944). Cada divisão blindada do Exército dos Estados Unidos (US Army) recebia cerca de nove unidades do M-25, que se tornaram essenciais para a recuperação e transporte de tanques M-4 Sherman e outros veículos blindados em cenários como a França, Bélgica e Alemanha. O batismo de fogo do M-26 ocorreu no contexto das operações pós-Normandia, particularmente durante a rápido avanço aliado através da França no verão de 1944. Um dos primeiros registros de uso do M-26 em combate foi no sul da França, durante a Operação Dragoon (15 de agosto de 1944), a invasão aliada do sul do país. Em uma missão emblemática, um M-26 resgatou um tanque M-4 Sherman atolado em um pântano, superando três outros tanques que falharam na tarefa. Essa operação demonstrou a robustez do M-26, cuja suspensão de viga oscilante e guinchos de alta capacidade (dois Gar Wood de 60.000 libras e um frontal de 35.000 libras) permitiram realizar recuperações em condições adversas. A estrutura dobrável em “A” na traseira e o guindaste opcional facilitaram o reboque e reparos in loco, minimizando o tempo de inatividade dos blindados. Vale salientar que os índices de disponibilidade da frota de   carros de combate aliados neste cenário seriam amplamente influenciadas pela pronta resposta em missões de recuperação pelos M-25 Dragon Wagon. Curiosamente registros fotográficos apresentam diversas ocasiões em que estes veículos foram empregados para transportar para as linhas de retaguarda, inúmeros carros blindados alemães e até aeronaves capturadas a fim se serem enviados para os Estados Unidos e Grã-Bretanha para avaliação de desempenho, visando descobrir fortalezas e fraquezas de seus projetos. 

Em outubro de 1944, foi introduzida a variante M-26A1, equipada com cabine não blindada. A mudança refletia a evolução das táticas de recuperação, que passaram a ocorrer em zonas menos expostas ao combate direto, além da redução da resistência inimiga nas fases finais da guerra. Essa versão simplificada permitiu também acelerar a produção e reduzir custos em um momento em que a guerra caminhava para sua conclusão. Algumas dezenas de caminhões  M-26 “Dragon Wagon” foram enviadas ao Teatro do Pacífico, onde sua capacidade de recuperação e transporte de blindados se revelou essencial. Na Batalha de Okinawa, os M-26 foram empregados principalmente por unidades do Exército dos Estados Unidos (US Army) como as divisões blindadas da 1ª e 6ª Divisões do Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) e da 7ª Divisão de Infantaria, que operavam tanques M-4 Sherman. O terreno vulcânico e lamacento da ilha, aliado à resistência feroz dos japoneses, frequentemente imobilizava tanques devido a atoleiros ou danos causados por artilharia, minas e armas antitanque, como os canhões Type 1 de 47 mm. Os M-26 desempenharam um papel vital na recuperação desses blindados, utilizando seus guinchos de alta capacidade (60.000 libras traseiros e 35.000 libras frontal) e a estrutura dobrável em “A” para extrair tanques atolados ou avariados. Um exemplo notável ocorreu durante os combates na Linha Shuri, uma fortificação japonesa no sul da ilha, onde M-26 resgataram tanques danificados sob fogo de morteiros e snipers, permitindo reparos rápidos ou transporte para a retaguarda. A suíte de ferramentas do M-26, incluindo soldagem e polias hidráulicas, possibilitava reparos in loco, reduzindo o tempo de inatividade dos blindados. Próximo ao término do conflito, em 1945, o Exército dos Estados Unidos (US Army) introduziu a variante M-15A1 do semirreboque, projetada para expandir a capacidade de transporte do M-25 e acomodar veículos mais pesados, como o M-26 Pershing. O M-15A1 mantinha a compatibilidade com o trator M26, que, equipado com um motor Hall-Scott 440 de 17,9 litros (240 hp, 810 lbf·ft de torque), suspensão de viga oscilante (walking beam), e guinchos de alta capacidade (60.000 libras traseiros e 35.000 libras frontal), continuava robusto o suficiente para tracionar cargas superiores às do M4 Sherman. As principais modificações no M-15A1 incluíam: Reforço estrutural: O chassi do semirreboque foi reforçado para suportar o peso adicional do M-26 Pershing, garantindo estabilidade durante o transporte em terrenos variados. Ajustes na plataforma de carga: A área de carga foi otimizada para acomodar as dimensões e o peso do Pershing, mantendo a segurança e a distribuição de peso adequadas. Capacidade ampliada: O M-15A1 foi projetado para transportar blindados de até 45 toneladas, superando a capacidade original do M-15, que era limitada a 40 toneladas. Essas adaptações permitiram que o M-25 continuasse relevante nos estágios finais da guerra, quando o M-26 Pershing começou a ser introduzido em combate, particularmente na Europa, durante operações como a travessia do rio Reno em março de 1945. O Pershing, equipado com um canhão de 90 mm, era significativamente mais pesado e exigia um veículo de transporte capaz de lidar com seu peso e dimensões sem comprometer a mobilidade.
Após o término da Segunda Guerra Mundial, dezenas de veículos do tipo M-25/M-26 foram cedidos a nações aliadas, por meio de programas de assistência militar como o Lend-Lease Act e, posteriormente, o Mutual Defense Assistance Program (MDAP). Entre os países beneficiados estiveram França, Grã-Bretanha, Japão, Iugoslávia e Brasil, todos inseridos no amplo esforço de reconstrução ou de contenção geopolítica no início da Guerra Fria. O início da Guerra da Coreia representou um novo capítulo na trajetória operacional do M-25. A introdução de carros de combate substancialmente mais pesados  como o M-26 Pershing, de 41,7 ton, e o M-46 Patton, de 44 ton  que gradualmente substituíram o veterano M-4 Sherman, evidenciou a necessidade de atualização do conjunto logístico responsável pelo transporte desses blindados. O semirreboque M-15A1, desenvolvido ainda no final da Segunda Guerra Mundial com capacidade suficiente para o Pershing, já representava um avanço em relação ao M-15 original, porém demonstrava limitações diante das novas exigências operacionais e das condições severas encontradas na península coreana. Como resposta a essas demandas, o Exército dos Estados Unidos (US Army) desenvolveu o semirreboque M-15A2, introduzido durante o conflito. Esse novo modelo passou a operar em conjunto com os tratores M-26 e assumiu papel fundamental nas missões de transporte e recuperação de blindados nas principais campanhas da guerra. O terreno acidentado, marcado por lama profunda, estradas estreitas e neve intensa, colocou à prova a robustez dos M-26 e M-15A2, que demonstraram desempenho notável ao resgatar tanques imobilizados por falhas mecânicas, atoleiros, minas terrestres ou danos de combate. O M-26 Dragon Wagon permaneceu em serviço no Exército dos Estados Unidos (US Army) até meados de 1955, quando começou a ser substituído por novos tratores pesados, como os Mack M-123 e Mack M-125, ambos semi-tratores 6×6 de 10 toneladas, mais modernos e adequados às necessidades logísticas do pós-guerra. Curiosamente, embora os tratores tenham sido substituídos, muitas das carretas M-15A2 continuaram operando com essas novas viaturas, permanecendo ativas até o início da década de 1970. Durante esse período prolongado, o M-15A2 participou até mesmo de operações logísticas na Guerra do Vietnã, demonstrando a longevidade e a confiabilidade de seu projeto. Com o fim de sua vida útil, diversas unidades dos tratores e carretas remanescentes particularmente aquelas mantidas em boas condições foram disponibilizadas ao mercado civil. No setor privado, encontraram emprego em tarefas altamente especializadas, como o reboque de veículos pesados em regiões de difícil acesso e o transporte de vagões ferroviários. Contudo, seu uso em rodovias era restrito, devido à baixa velocidade máxima, inferior a 50 km/h, o que limitava sua aplicação comercial convencional. De maneira singular, algumas unidades foram incorporadas pela NASA, que as utilizou no transporte de componentes dos foguetes Saturno durante o Programa Apollo, evidenciando a versatilidade e a robustez desse lendário veículo militar, cujo legado ultrapassou os campos de batalha para integrar um dos capítulos mais emblemáticos da história da exploração espacial.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente inquietação a possibilidade de que o continente americano se tornasse alvo de uma operação militar das potências do Eixo — Alemanha, Itália e Japão. A rápida derrota da França, em junho de 1940, ampliou de maneira significativa essas preocupações. Temia-se, sobretudo, que a Alemanha nazista pudesse utilizar territórios coloniais franceses estrategicamente posicionados, como as Ilhas Canárias ou Dacar, no Senegal, para instalar bases aéreas e navais capazes de projetar poder sobre o Atlântico Sul. Nesse cenário, o Brasil emergia como um ponto de profundo interesse estratégico. A reduzida distância entre o Nordeste brasileiro e a costa oeste africana pouco mais de 2.800 km no trecho mais estreito transformava o país em um potencial alvo de investida inimiga, especialmente diante do projeto expansionista alemão que vislumbrava uma presença sólida no continente africano. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul agravavam a situação. A ocupação de regiões como a Malásia e as Índias Orientais Holandesas, a partir de 1942, rompeu o acesso dos Aliados às principais fontes mundiais de látex, matéria-prima essencial para pneus, mangueiras, juntas e uma grande variedade de componentes militares. A Amazônia brasileira, com sua extensa produção de borracha natural, tornou-se então indispensável ao esforço de guerra, elevando o país a uma posição geopolítica ainda mais relevante. Além disso, fatores geográficos reforçaram a centralidade estratégica brasileira. O litoral nordestino, especialmente cidades como Natal e Recife, representava o ponto mais próximo entre as Américas e a África, facilitando enormemente as rotas aéreas e marítimas de ligação com os teatros de operações no Norte da África e na Europa. A Base Aérea de Natal transformou-se em um dos principais eixos da rota de ferry aéreo, por meio da qual aeronaves eram deslocadas do território americano para os fronts aliados. De forma complementar, o porto de Recife desempenhou papel vital na movimentação de suprimentos e tropas, consolidando-se como peça fundamental da logística aliada no Atlântico. Esse conjunto de ameaças globais e oportunidades estratégicas conduziu a uma aproximação crescente entre o Brasil e os Estados Unidos. A partir de 1941, intensificaram-se as negociações bilaterais que buscavam não apenas fortalecer a defesa do Atlântico Sul, mas integrar o Brasil ao esforço de guerra aliado de maneira mais estruturada. Essas tratativas resultaram em acordos de cooperação militar e econômica, culminando na inclusão do Brasil no Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Com isso, o país passou a ter acesso a uma linha de crédito inicial de 100 milhões de dólares equivalente a aproximadamente 2 bilhões de dólares em valores atualizados para 2025 destinada à aquisição de uma ampla gama de materiais militares, entre eles aeronaves, armamentos, veículos blindados e carros de combate. Desde a Primeira República, as Forças Armadas enfrentavam dificuldades crônicas de financiamento e modernização.

Como consequência, grande parte das operações militares ainda dependia intensamente de tração animal, transportes ferroviários e meios logísticos improvisados.  Durante as décadas de 1920 e 1930, a esmagadora maioria dos deslocamentos do Exército era realizada por tropas a pé  as chamadas “unidades de infantaria de marcha”  ou por meio de carroças e muares. A capacidade de transporte por meios automotores era limitada e concentrada em poucas unidades, geralmente nas capitais ou em centros urbanos mais desenvolvidos. Mesmo nos grandes movimentos militares internos, como na Campanha do Contestado, na Revolução de 1924, na Coluna Prestes  e na Revolução de 1930, o emprego de caminhões e automóveis foi incipiente.  Somente ao longo da década de 1930, especialmente após a instalação do governo Vargas, surgiram esforços mais sistemáticos de modernização da Força Terrestre. Até o início da década de 1940, o Exército Brasileiro apresentava um quadro de baixa motomecanização, reflexo direto das limitações estruturais, orçamentárias e industriais que marcaram o país nas décadas anteriores. Até 1940, as viaturas automotoras do Exército eram uma combinação de caminhões leves e médios de origem norte-americana (Chevrolet Gigante Flatbed Truck e Tigre, Dodge T-203 e Ford V8), adquiridos em pequenos lotes; veículos civis requisitados ou adaptados. No que tange a viaturas especializadas (ambulâncias, oficinas móveis, socorro, cisterna, etc) havia pouquíssimas unidade na ativa. Esta heterogênea frota era complementada por poucos veículos de transporte genuinamente militares como oa alemães 6X6 Henschel & Son e americanos Thornycroft Tartar. Naquele período, o Exército Brasileiro encontrava-se em um estado de obsolescência no que tange a armamentos e equipamentos, destacando-se entre suas principais deficiências a escassez de carros de combate, blindados de transporte de pessoal e veículos de socorro. Entre 1942 e 1945, seriam recebidos mais de 600 carros de combate sobre esteiras, divididos entre os modelos M-3 Lee (cerca de 30 toneladas), M-3/A1 Stuart (12,5 toneladas) e M-4 Sherman (30–35 toneladas), que representaram um salto significativo na capacidade de guerra mecanizada do país. A introdução desses tanques, aliados a veículos blindados de transporte de tropas, como os half-tracks M-3, M-2 e M-5, marcou os primeiros passos do Exército Brasileiro no domínio de operações modernas com carros de combate. Ocorre, no entanto, que por fatores não divulgados o Exército Brasileiro, jamais receberia neste período, qualquer modelo de veículo de socorro, seja sobre rodas ou sobre esteiras especializados em tarefas de recuperação e transporte de blindados de combate deste porte. Salientando que modelos como os  M-32 Sherman, M-31B1 Lee ou caminhões M-25 Dragon Wagon foram amplamente utilizados pelo Exército dos Estados Unidos (US Army) para transporte e recuperação de blindados. Dispondo e operando uma grande frota de carros de combate, a frota de carros de combate brasileira, seria ao longo dos anos acometidas de muito incidentes e falhas mecânicas, quando do emprego em exercícios operacionais em terrenos irregulares e trajetos fora de estrada. 
Durante exercícios em terrenos acidentados, como os campos de treinamento de Valença (RJ) e Rio Pardo (RS), os carros de combate M-3 Lee e M-4 Sherman, com pesos superiores a 30 toneladas, frequentemente sofriam falhas mecânicas ou ficavam atolados. Quando reparos in loco não eram viáveis devido à complexidade das avarias, a remoção e o transporte destes carros de combate blindados até oficinas de manutenção, como as dos Parques Regionais de Motomecanização, tornavam-se tarefas hercúleas. Sem veículos como o M-25 “Dragon Wagon”, equipado com guinchos de 60.000 e 35.000 libras, polias hidráulicas e estrutura dobrável em “A”, as equipes de mecânicos e engenheiros do Exército Brasileiro recorriam a soluções improvisadas. Para superar esses desafios, o Exército Brasileiro utilizava tanques similares, como outros M-3 Lee ou M-4 Sherman, para rebocar veículos avariados, uma prática que sobrecarregava os blindados operacionais e aumentava o risco de danos adicionais.  Alternativamente, o Exército Brasileiro recorria ao emprego de tratores de grande porte,  os Minneapolis-Moline GTX 147 G-641, originalmente projetado para tarefas pesadas de tração vinculadas a peças de artilharia de grosso calibre. Esses veículos, embora robustos e confiáveis, acabaram sendo improvisados para o reboque de carros de combate imobilizados, sobretudo em situações emergenciais. Ainda que tais soluções paliativas oferecessem algum grau de eficiência, mostravam-se claramente inadequadas: exigiam longos períodos para a remoção dos blindados e frequentemente resultavam em extensas janelas de indisponibilidade operacional. Essa deficiência logística impactava diretamente a prontidão da força blindada brasileira, dificultando a realização contínua de exercícios e reduzindo a capacidade de resposta em cenários de defesa territorial. Mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial  período em que o Brasil recebeu considerável quantidade de material militar norte-americano por meio do Lend-Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos)  nenhum veículo de grande porte especializado em recuperação e transporte de blindados foi fornecido. Assim, a lacuna persistiu, influenciando negativamente a formação de uma doutrina eficaz de manutenção e recuperação de carros de combate. O transporte rodoviário de blindados, quando necessário para deslocamentos rápidos, também se mostrava problemático. Faltavam caminhões-tratores e pranchas apropriadas, tanto em capacidade estrutural quanto em quantidade. Na tentativa de suprir essas carências, o Exército conduziu alguns experimentos utilizando os poucos Tratores sobre Cavalo Mecânico de Emprego Geral de 8 toneladas (VTTNE) então disponíveis  como os modelos Corbitt-White G-512 Model 50SD6 6×6 e Diamond T-980 6×6 — acoplados a carretas fabricadas no Brasil. Embora funcionais, esses conjuntos eram viáveis apenas para o transporte dos tanques leves M-3 e M-3A1 Stuart, cujo peso aproximado de 12,5 toneladas se enquadrava nos limites estruturais desses meios. Para blindados de maior porte, como os M-3 Lee e M-4 Sherman, com massas superiores a 30 toneladas, tais soluções eram totalmente insuficientes, restringindo severamente a mobilidade estratégica e tática da força. 

Na segunda metade da década de 1940, os Batalhões de Carros de Combate (BCC) registraram um aumento expressivo nas falhas mecânicas, especialmente entre os M-4 Sherman, que apresentavam problemas recorrentes em sistemas de suspensão, transmissão e motorização. O desgaste natural dessas viaturas, somado ao déficit crônico de meios adequados para sua movimentação e manutenção, resultava em indisponibilidades prolongadas. Essas quebras constantes geravam impacto direto na capacidade de emprego dos blindados em exercícios ou em potenciais cenários de defesa — como a vigilância e proteção do litoral brasileiro — e evidenciavam uma fragilidade estrutural da arma blindada nacional no período pós-guerra. A crescente necessidade de soluções logísticas levou a direção da Escola de Motomecanização (EsMM), sediada no Rio de Janeiro, a iniciar estudos para abordar essa deficiência crítica. A EsMM, criada em 1942 para treinar tripulações e mecânicos na operação de blindados, reconheceu a urgência de desenvolver uma doutrina operacional para recuperação e transporte de carros de combate em campo. Esses estudos culminaram em solicitações formais ao Ministério do Exército, pleiteando a aquisição de equipamentos especializados que permitissem ao Exército Brasileiro superar as limitações impostas pela ausência de veículos de recuperação. A oportunidade para atender a essa demanda começou a se materializar no início da década de 1950, com a adesão do Brasil ao Mutual Defense Assistance Program (MAP – Programa de Assistência Militar), instituído pelos Estados Unidos em 1949 para fortalecer as forças armadas de nações aliadas no contexto da Guerra Fria. Esse programa, uma extensão da cooperação militar iniciada com o Lend-Lease Act, visava modernizar e ampliar as capacidades militares de países alinhados aos interesses geopolíticos americanos, especialmente na América Latina, onde o Brasil desempenhava um papel estratégico devido à sua posição geográfica e recursos, como a borracha, que continuavam vitais no pós-guerra. No âmbito deste plano de assistência militar, o Exército Brasileiro recebeu, no início dos anos 1950, um pacote de equipamentos que incluía 30 tanques M-4 Sherman adicionais, 50 motores radiais de reposição e, significativamente, uma quantidade limitada de veículos de apoio e recuperação. Esse pacote abrangia: Dois M-32 Recovery Vehicle: Um veículo de recuperação baseado no chassi do M-4 Sherman, equipado com guincho e braço de elevação para resgatar tanques avariados. Três M-74 Recovery Vehicles: Veículos de recuperação mais modernos, também derivados do M-4 Sherman, projetados para operações em campo. Um M-39 Armored Utility Vehicle: Utilizado para transporte de equipes de manutenção, com capacidade para operar em terrenos difíceis. Um conjunto M-25 “Dragon Wagon”: Composto pelo trator M-26 e pelo semirreboque M-15A1, oriundos dos estoques do Exército dos Estados Unidos (US Army), representando a primeira versão do M-25 utilizada na Segunda Guerra Mundial. Não há registros oficiais detalhados sobre a operação do único conjunto M-25 “Dragon Wagon” recebido pelo Brasil, mas acredita-se que ele tenha sido alocado à Escola de Motomecanização (EsMM) no Rio de Janeiro, onde provavelmente foi utilizado para treinamento e desenvolvimento da doutrina de recuperação de blindados. 
A presença do conjunto M-25 nesta organização representou um marco na capacitação do Exército Brasileiro, permitindo a prática de técnicas de recuperação e transporte em campo, essenciais para manter a frota de tanques operacional.  No entanto, a ausência de dados sobre sua carreira operacional sugere que seu uso foi limitado, possivelmente devido à existência de apenas um conjunto e à falta de infraestrutura para manutenção de um veículo tão especializado. Também não há informações precisas sobre quando o M-25 “Dragon Wagon” foi retirado do serviço ativo no Brasil. É provável que, com o envelhecimento da frota de tanques M-4 Sherman e a introdução de novos blindados na década de 1960, como o M-41 Walker Bulldog, o M-25 tenha sido gradualmente desativado, com o semirreboque M-15A1 possivelmente usado com outros modelos de VTTNE Trator s/Rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral , até o início da década de  1970. Embora a carreira do único conjunto M-25 “Dragon Wagon” no Exército Brasileiro tenha sido breve, sua presença, provavelmente alocada à Escola de Motomecanização (EsMM) no Rio de Janeiro, foi significativa. O M-26 forneceu subsídios valiosos para o desenvolvimento de uma doutrina operacional de recuperação e transporte de blindados, preenchendo uma lacuna histórica na logística militar brasileira. A experiência com este veículo, mesmo em escala limitada, inspirou o Exército Brasileiro a buscar soluções nacionais para atender às demandas de transporte e recuperação de carros de combate. O conhecimento adquirido influenciou o desenvolvimento de veículos de produção nacional voltados para tarefas logísticas pesadas. Na década de 1960, modelos como o FNM D-11000, um caminhão pesado fabricado pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), e o Scania 110 Super 6x6 de 17 toneladas, militarizado pela Engesa S/A, começaram a ser utilizados pelo Exército Brasileiro para transporte de equipamentos pesados. O destino final do único M-26 recebido pelo Brasil permanece envolto em incertezas. Registros indicam que o conjunto foi exibido como parte do acervo do Museu do Forte Copacabana, no Rio de Janeiro, até o final da década de 1970, quando foi removido junto com outros veículos históricos. Especula-se que tenha sido transferido para as instalações da Avibrás Indústria Aeroespacial S/A, em São José dos Campos, São Paulo, onde teria servido como objeto de estudo para o desenvolvimento da carroceria e cabine blindada do veículo lançador do sistema de foguetes Astros II, introduzido na década de 1980.  No entanto, outras hipóteses não podem ser descartadas. O M-26 G-160 Dragon Wagon (VTTNE) pode ter sido vendido como sucata, uma prática comum para equipamentos militares obsoletos, ou ainda permanecer armazenado em alguma unidade do Exército Brasileiro, perdido em depósitos sem registro oficial. Quanto ao semirreboque M-15A1, há informações de que ele integra o acervo do Museu Militar Brasileiro, localizado em Panambi, no Rio Grande do Sul. 

Em Escala.
Para representarmos o Trator s/Rodas Cavalo Mecânico Emprego Geral  M-26 G-160 Dragon Wagon (VTTNE) “EB30-120” pertencente a Escola de Motomecanização (EsMM), empregamos o excelente kit produzido pela Tamiya na escala 1/35.  Modelo este que apresenta um excelente nível de detalhamento e grande quantidade de acessórios. Fizemos opção de usar o reparo da metralhadora Browing M2 calibre .50 apesar de não existir registro fotográfico do emprego desta arma de autodefesa no Exército Brasileiro.  Para garantir a fidelidade às marcações do Exército Brasileiro, o kit foi complementado com decais do conjunto “Exército Brasileiro – Veículos Militares Brasileiros 1944–1982”, produzido pela Eletric Products, uma empresa especializada em decais para modelismo militar.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Exército dos Estados Unidos (U.S Army) adotou um padrão de pintura tático baseado no sistema Federal Standard (FS), projetado para camuflagem e proteção visual em diversos teatros de operações. O M-26 “Dragon Wagon” recebido, oriundo dos estoques norte-americanos, ostentava esse padrão, que consistia principalmente na cor Olive Drab (FS 34083), um tom verde-escuro fosco. A única alteração realizada pelo Exército Brasileiro foi a substituição das marcações nacionais americanas, como a estrela branca de cinco pontas, pelas insígnias nacionais brasileiras. O padrão de pintura tático do M-26 “Dragon Wagon” brasileiro permaneceu inalterado ao longo de sua carreira operacional, conforme atestado por fotografias coloridas tiradas na década de 1970, quando o veículo fazia parte do acervo do Museu do Forte Copacabana, no Rio de Janeiro.

Bibliografia : 

- M-26 Tank Transporter – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/M25_Tank_Transporter 

- M2-6 Dragon Wagon Walk Around – David Doyle 

- Veiculos Militares  do Brasil – EB e CFN https://www.facebook.com/groups/blindadosbrasil  

PV-2 Lockheed Harpoon B-34A

História e desenvolvimento.
Fundada em 1912 pelos irmãos Allan e Malcolm Lockheed na cidade de San Diego, Califórnia, a Lockheed Aircraft Manufacturing Company iniciou suas atividades dedicando-se à produção de aeronaves de pequeno porte voltadas principalmente para o turismo aéreo e o treinamento civil. Desde seus primeiros anos, a empresa destacou-se pela adoção de soluções técnicas inovadoras, o que lhe permitiu conquistar gradualmente espaço em um setor ainda em processo de consolidação. Entretanto, o término da Primeira Guerra Mundial em novembro de 1918, trouxe sérias dificuldades para grande parte da indústria aeronáutica mundial. A desmobilização de milhares de aeronaves militares, que passaram a ser vendidas como excedentes no mercado civil a preços reduzidos, provocou uma saturação do setor e reduziu drasticamente a demanda por novas aeronaves. Esse cenário adverso levou ao fechamento de diversas empresas do ramo, entre elas a própria Lockheed Aircraft Manufacturing Company, obrigando os irmãos Lockheed a buscar novas oportunidades profissionais fora da indústria aeronáutica. Determinado a retomar seu projeto empresarial, Allan Lockheed reuniu-se novamente com um grupo de engenheiros e colaboradores em 1926, entre eles John Knudsen Northrop, Kenneth Kay e Fred Keeler, para fundar uma nova companhia: a Lockheed Aircraft Company, estabelecida em Hollywood, Califórnia. Com o apoio de investidores privados, a empresa passou a desenvolver uma aeronave avançada para a época, o Lockheed Vega, cujo projeto incorporava diversas soluções técnicas derivadas do modelo experimental S-1. O sucesso comercial do Vega foi imediato e significativo. A aeronave destacou-se por sua robustez, desempenho e confiabilidade, sendo rapidamente adotada por companhias aéreas e por pilotos que buscavam estabelecer novos recordes de distância e velocidade. Esse êxito levou a empresa a transferir sua sede para Burbank, Califórnia, em 1928. Nesse mesmo período, a Lockheed alcançou a marca de um milhão de dólares em vendas anuais, operando uma linha de montagem que empregava mais de trezentos trabalhadores e produzia até cinco aeronaves por semana um ritmo expressivo para os padrões da indústria aeronáutica da época. Em julho de 1929, Fred Keeler, então principal acionista da companhia, vendeu 87% das ações da Lockheed para a Detroit Aircraft Corporation, iniciativa que fazia parte de um ambicioso plano de expansão industrial. Contudo, poucos meses depois, a economia mundial foi profundamente abalada pela Great Depression, que provocou a retração de investimentos e a falência de diversas empresas ligadas ao setor aeronáutico. Nesse contexto, a Lockheed enfrentou sérias dificuldades financeiras, culminando em sua insolvência. Em 1932, durante o processo de liquidação judicial da empresa, a companhia foi adquirida por um grupo de investidores liderado pelos irmãos Robert E. Gross e Courtland S. Gross, com a participação do empresário Walter T. Varney. Essa aquisição marcou o início de uma nova fase de recuperação e reestruturação administrativa e tecnológica. Sob essa nova gestão, a empresa rapidamente recuperou a confiança do mercado ao lançar o Model 10 Electra, uma aeronave moderna para sua época, construída inteiramente em metal e projetada para transportar até dez passageiros. O modelo destacou-se por seu desempenho e confiabilidade, tornando-se um importante marco no desenvolvimento da aviação comercial.

Com o objetivo de ampliar sua presença no mercado de aeronaves de transporte de médio porte, a Lockheed Aircraft Corporation iniciou o desenvolvimento do Lockheed Model 14 Super Electra, um projeto concebido com fuselagem alongada e capacidade para transportar até quatorze passageiros. A nova aeronave foi projetada para competir diretamente com o Douglas DC-2, então considerado um dos principais aviões comerciais em operação no mercado internacional. Contudo, análises operacionais realizadas após sua introdução indicaram que os custos de operação e manutenção do Super Electra eram superiores aos de seu principal concorrente, fator que comprometeu sua competitividade comercial. Buscando corrigir essa desvantagem, os engenheiros da Lockheed promoveram modificações no projeto, ampliando a capacidade da aeronave para até dezoito passageiros. Essa alteração permitiu melhorar a relação custo-benefício do modelo, tornando-o mais atrativo para as companhias aéreas. Apesar desses esforços, a empresa enfrentaria um novo desafio com o lançamento do Douglas DC-3, desenvolvido pela Douglas Aircraft Company. O DC-3 rapidamente estabeleceu um novo padrão para a aviação comercial, dominando o mercado mundial e eclipsando o Lockheed Model 18 Lodestar, evolução direta do Super Electra. Como resultado, o Lodestar registrou apenas 94 encomendas, número significativamente inferior às expectativas da empresa e insuficiente para compensar plenamente os investimentos realizados em seu desenvolvimento. A situação da Lockheed começou a se modificar gradualmente com o agravamento das tensões geopolíticas na Europa no final da década de 1930. À medida que se tornava cada vez mais provável a eclosão de um conflito envolvendo a Alemanha Nazista , diversas nações europeias entre elas a ,  Reino Unido, França, Bélgica e Países Baixos, passaram a buscar urgentemente a modernização de suas forças armadas. Entretanto, suas indústrias aeronáuticas nacionais enfrentavam limitações estruturais que dificultavam a produção em larga escala dos equipamentos necessários. Esse contexto abriu uma importante oportunidade para fabricantes norte-americanos. Entre os potenciais clientes, o governo britânico demonstrava especial urgência na renovação de sua frota aérea, sobretudo para missões de bombardeio leve, patrulha marítima e guerra antissubmarino. Atenta a essa demanda emergente, a direção da Lockheed decidiu agir com rapidez, iniciando o desenvolvimento de um novo projeto destinado a atender às especificações da  Força Aérea Real (RAF). Esse programa, inicialmente conhecido como B-14, evoluiu para a criação do Lockheed Hudson, uma aeronave versátil derivada da estrutura do Super Electra. Após avaliações conduzidas por uma comissão técnica britânica nos Estados Unidos, o modelo demonstrou qualidades operacionais promissoras, conquistando a confiança das autoridades. O resultado foi a formalização de um importante contrato de fornecimento, que representaria um ponto de inflexão na trajetória da empresa. O primeiro acordo, firmado em fevereiro de 1939, previa a aquisição de 25 células do modelo de bombardeio Lockheed Model 32 Hudson. Pouco tempo depois, um novo pedido foi realizado, envolvendo 300 aeronaves da versão Lockheed Model 37 Hudson, equipadas com motores Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp. 
Antes mesmo do final de 1940, outra encomenda seria formalizada, elevando o volume total para mais 375 aeronaves. Para atender à crescente demanda por aeronaves, a empresa recorreu à sua subsidiária, a Vega Aircraft Corporation, que passou a dedicar parte significativa de suas linhas de montagem à produção. Dessa iniciativa surgiu o Lockheed Ventura, um modelo que apresentava consideráveis semelhanças estruturais com seu predecessor, o Lockheed Hudson, embora possuísse dimensões ligeiramente maiores e motores mais potentes. As primeiras unidades do Ventura foram entregues à Força Aérea Real (RAF) em meados de 1942, sendo empregadas em missões de bombardeio diurno contra alvos localizados na Europa ocupada. Entretanto, assim como ocorreu com outros bombardeiros médios britânicos, o Ventura demonstrou elevada vulnerabilidade quando operava sem escolta de caças, especialmente em missões de longo alcance, nas quais a proteção aérea era limitada. Diante dessa realidade operacional, essas aeronaves foram progressivamente substituídas nas unidades de bombardeio pelo mais rápido e versátil De Havilland Mosquito, que oferecia melhor desempenho e maior capacidade de sobrevivência. Consequentemente, os Ventura remanescentes foram transferidos para o Comando Costeiro, onde passaram a desempenhar funções de patrulha marítima e ataque antissubmarino. Parte dessas aeronaves também foi cedida a Força Aérea Real Canadense (RCAF) e à Força Aérea Sul-Africana (SAAF), ampliando a presença do modelo em diferentes teatros de operações. Paralelamente, diversas aeronaves Ventura Mk IIA, ainda em fase de produção, foram redirecionadas para a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), onde passaram a receber a designação B-34 Lexington, posteriormente alterada para RB-34, quando adaptadas para missões de reconhecimento. Uma variante foi desenvolvida sob a designação O-56, concebida como uma versão de reconhecimento armado. As principais diferenças estavam relacionadas à motorização: enquanto o primeiro utilizava motores radiais Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp, com 2.000 hp (1.491 kW), o O-56 foi equipado com motores Wright R-2600 Cyclone, com 1.700 hp (1.270 kW). Antes mesmo da entrada oficial  no conflito, o comando do Exército  transferiu à Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S.Navy)  a responsabilidade pelas operações de guerra antissubmarino ao longo da costa norte-americana. Em decorrência dessa, a marinha passou a buscar a ampliação e modernização de seus meios aéreos de patrulha marítima. Assim, os contratos de produção existentes foram transferidos para a Marinha, que promoveu diversas modificações nas aeronaves originalmente projetadas para a força aérea. Essas alterações deram origem ao PV-1 Ventura, cuja produção ficou a cargo da divisão Vega Aircraft Company. O modelo  incorporava diversas modificações destinadas a otimizar seu desempenho em missões de patrulha marítima e ataque antissubmarino. Entre as principais destacava-se a instalação de equipamentos especializados para navegação e detecção de alvos marítimos, além do aumento da capacidade de combustível. O volume máximo passou de 5.081 litros para 6.082 litros, ampliando o alcance operacional.

Como contrapartida para essa ampliação de autonomia, parte do armamento defensivo frontal foi reduzida. A modificação mais significativa, contudo, foi a incorporação do radar ASD-1 radar, equipamento essencial para a detecção de navios e submarinos inimigos, especialmente durante operações noturnas ou sob condições meteorológicas adversas. Os Lockheed PV-1 Ventura da produção inicial eram equipados com uma estação de bombardeio posicionada atrás do radome localizado na parte frontal. Esta configuração incluía quatro janelas laterais e um painel plano para a mira de bombas situado sob o nariz da aeronave. Nos modelos de produção posterior, essa posição de bombardeiro foi substituída por um conjunto de três metralhadoras Browning M-2 de calibre .50 (12,7 mm) instaladas na parte inferior do nariz. Além disso, essas aeronaves tinham a capacidade de transportar até oito foguetes não guiados HVAR de 5 polegadas (127 mm) em lançadores acoplados às asas. As primeiras aeronaves do modelo,  começaram a ser entregues em dezembro de 1942 ao Esquadrão VP-135 "Blind Foxes", que foi destacado para as Ilhas Aleutas. A partir de abril do ano seguinte, este esquadrão iniciou ataques a bases localizadas em Paramushiro e Shimushu, que fazem parte das ilhas japonesas na cadeia das Curilas. Frequentemente, os PV-1 lideravam formações de bombardeiros Consolidated B-24 Liberator em suas missões, principalmente devido à dotação de radar que possuíam. Nesta fase do conflito, essas aeronaves ganharam notoriedade, mostrando-se eficazes tanto em suas funções de patrulha quanto em operações como caças noturnos, onde em mãos de hábeis piloto lograriam em êxito em derrubar muitas aeronaves japonesas. Entretanto, antes mesmo de realizar seu primeiro voo operacional, a liderança da aviação naval norte-americana convocou a Lockheed para discutir melhorias na aeronave, a fim de adequar melhor o projeto original às exigências das missões de patrulha. Esse esforço visava uma ampliação das modificações que já haviam sido implementadas inicialmente na plataforma do Lockheed PV-1 Ventura. No entanto, à medida que o trabalho avançava, as alterações estruturais na célula original tornaram-se tão significativas que a aeronave recebeu uma nova designação de fabrica - Modelo 15, bem como de serviço PV-2 ( Patrol Vega-2, segundo modelo de patrulha produzido pela Lockheed - Vega) e conhecido popularmente como Harpoon. Visualmente similar ao seu predecessor, o novo modelo apresentava uma asa com quase três metros adicionais de envergadura, resultando em um aumento na área alar. Além disso, as empenagens verticais foram redesenhadas e também tiveram seu tamanho ampliado. Em relação à capacidade de combustível, o PV-2 incorporava tanques integrais, substituindo as células de combustível do PV-1 Ventura, o que permitiu um aumento de até 230% na quantidade de querosene de aviação transportável.  No que diz respeito ao armamento fixo, o PV-2 preservou a configuração do modelo anterior, mas foram incluídos uma "bandeja" ventral com três metralhadoras Browning M-2 de calibre .50 e houve modificações no compartimento de bombas, resultando em uma capacidade ofensiva interna aumentada para 1.814 kg.
Satisfeita com o resultado apresentado pela Lockheed Aircraft Company, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) formalizou, em julho de 1943, a encomenda de 500 unidades do modelo PV-2 Harpoon. O voo inaugural da primeira aeronave ocorreu em 3 de dezembro do mesmo ano. Contudo, durante esse teste inicial, foi identificado um problema estrutural relacionado à extensão das asas, que causava o enrugamento dos painéis de alumínio. Tal falha só seria corrigida com o desenvolvimento de um novo projeto de asa, sendo necessário substituir as asas das unidades já concluídas. A produção em série do PV-2 Harpoon teve início no primeiro trimestre de 1944. No entanto, o tempo demandado para equipar as primeiras unidades com as novas asas, aliado a dificuldades de ordem material e de pessoal, resultou em uma entrada tardia da aeronave em operações de combate. Até o final de 1944, apenas 69 unidades, designadas como PV-2C, estavam em fase inicial de treinamento no território continental dos Estados Unidos. Posteriormente, a variante destinada aos teatros de operações, identificada como PV-2D, foi equipada com oito metralhadoras Browning M-2 de calibre .50 para disparo frontal, sendo empregada em missões de ataque ao solo. O esquadrão de patrulha e bombardeio VP-139, conhecido como "Vee-Bees", foi selecionado para operar no teatro do Pacífico, com base nas ilhas Aleutas. Em 6 de abril de 1945, essas aeronaves tiveram seu batismo de fogo, quando quatro PV-2D Harpoon realizaram um ataque contra alvos nas ilhas Kokutan Zaki, no arquipélago das Kuriles, utilizando foguetes e metralhadoras. Entretanto, em 6 de maio do mesmo ano, os ataques a alvos terrestres foram suspensos devido a problemas estruturais nas asas e estabilizadores, observados durante manobras de recuperação de mergulhos em alta gravidade (alto G). A partir de então, as operações do PV-2 Harpoon foram restritas a patrulhas e ataques esporádicos contra navios de superfície, até que reparos fossem implementados por meio de kits de campo fornecidos pelo fabricante. Apesar dessas limitações, as poucas unidades que chegaram aos teatros de operações antes do término do conflito desempenharam papéis significativos, incluindo testes em combate com a bomba voadora Pelican. No âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), pequenas quantidades do PV-2 Harpoon foram fornecidas a nações aliadas, como Brasil, Nova Zelândia e França Livre. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a produção da aeronave foi encerrada, totalizando 532 unidades entregues nas versões PV-2, PV-2C e PV-2D. Essas aeronaves permaneceram em serviço principalmente na aviação naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) até o final da década de 1940, sendo gradualmente substituídas pelo modelo Lockheed P2V-1 Neptune. As células em boas condições foram armazenadas e, posteriormente, integradas ao Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program - MAP), sendo cedidas a países como Portugal, Peru, Itália, Japão e Holanda.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o governo dos Estados Unidos passou a observar com crescente apreensão a possibilidade de que o conflito, até então concentrado na Europa, viesse a atingir diretamente o continente americano. A expansão militar das potências do Eixo — Adolf Hitler na Alemanha, Benito Mussolini na Itália e o governo imperial japonês liderado por Hirohito  alimentava temores estratégicos em Washington quanto à segurança do hemisfério ocidental. Essa preocupação intensificou-se após a derrota francesa e a assinatura do armistício que resultou na chamada Capitulação da França, em junho de 1940. Com o colapso militar da França, abriu-se a possibilidade de que a Alemanha nazista passasse a exercer influência ou controle sobre territórios estratégicos anteriormente administrados pelos franceses ou por governos aliados na região do Atlântico. Entre esses pontos destacavam-se áreas como Ilhas Canárias e Dacar, além de diversas possessões coloniais francesas no litoral africano. Tais posições poderiam, em tese, servir como plataformas avançadas para operações aéreas e navais no Atlântico, criando condições para uma eventual projeção militar em direção ao continente americano. Nesse contexto geopolítico, o Brasil passou a ser considerado um dos pontos mais sensíveis do sistema de defesa hemisférico. Sua posição geográfica, especialmente na região Nordeste, colocava-o relativamente próximo do continente africano, área que também figurava nos cálculos estratégicos da Alemanha. A estreita projeção do território brasileiro em direção ao Atlântico  particularmente entre os estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte  configurava o trecho de menor distância entre as Américas e a África. Ao mesmo tempo, a dinâmica global da guerra ampliou ainda mais a importância estratégica do país. As conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul comprometeram severamente o acesso dos Aliados às tradicionais fontes asiáticas de borracha natural. Como consequência, o Brasil assumiu papel de destaque como fornecedor de látex, matéria-prima indispensável à produção de borracha, componente essencial para pneus, vedações, cabos e inúmeros outros materiais fundamentais à indústria de guerra. Além disso, o litoral brasileiro revelou-se de enorme valor estratégico para o esforço aliado. Em especial, a cidade de Recife destacou-se como um dos pontos mais importantes dessa rede logística. Situada em posição privilegiada no Atlântico Sul, a cidade tornou-se um elo natural entre o continente americano, a África e, posteriormente, os teatros de operações no Mediterrâneo e no Norte da África. A partir dessa região, tornava-se possível organizar rotas aéreas e marítimas destinadas ao transporte de tropas, aeronaves, suprimentos e equipamentos militares. Diante dessas circunstâncias, verificou-se uma rápida intensificação das relações políticas, econômicas e militares entre o Brasil e os Estados Unidos.  A ameaça representada pelos submarinos alemães e italianos no Atlântico Sul tornou-se particularmente grave a partir de 1942, quando embarcações mercantes brasileiras passaram a ser atacadas em águas próximas à costa. Esses episódios culminaram na Declaração de Guerra do Brasil ao Eixo, formalizada em agosto daquele ano. 

Naquele momento, entretanto, a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB) ainda enfrentava limitações consideráveis em termos de treinamento, doutrina e equipamentos. Constituída em 1941 a partir da unificação das antigas Aviações Militar e Naval, a nova força herdara uma frota heterogênea e, em grande parte, tecnicamente ultrapassada. Entre as aeronaves mais modernas então disponíveis figuravam o Vultee V‑11 e o Focke‑Wulf Fw 58 Weihe, modelos que, embora úteis em determinadas funções, revelavam-se insuficientes para atender plenamente às exigências das missões de patrulha marítima e combate antissubmarino. Diante desse quadro, tornou-se evidente a necessidade de um esforço urgente de modernização dos meios aéreos brasileiros. Tal processo foi impulsionado pela criação da Comissão de Compras de Material Aeronáutico, com a missão de selecionar, adquirir e encaminhar ao Brasil aeronaves, equipamentos e sistemas capazes de fortalecer a capacidade operacional da aviação brasileira. A adesão do governo brasileiro ao programa Lend-Lease Bill Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) garantiu ao país uma linha de crédito inicial de 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de equipamentos, armas leves, canhões , aeronaves, veículos, navios  e carros de combate.  Esse aporte financeiro viabilizou o acesso a armamentos modernos, como aeronaves, veículos blindados e carros de combate, essenciais para contrapor as ameaças representadas pelos ataques de submarinos alemães.  Contudo, o aumento acelerado das operações de submarinos alemães e italianos ao longo da costa brasileira demandou uma resposta imediata. Nesse contexto, a Força Aérea Brasileira (FAB) foi incumbida de realizar missões de patrulha marítima, inicialmente com aeronaves inadequadas para essa função, como os caças monomotores Curtiss P-36A e P-40E, enquanto aguardava a entrega de equipamentos especializados. As primeiras missões de combate antissubmarino foram executadas de maneira precária, utilizando bombardeiros North-American B-25B Mitchell. O primeiro confronto registrado ocorreu em 22 de maio de 1942, antes mesmo da entrada oficial do Brasil na guerra, quando uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) atacou um submarino alemão. Este, ao avistar a aeronave brasileira, respondeu com disparos de artilharia antiaérea. A capacidade de patrulha foi significativamente aprimorada a partir de dezembro de 1942, com a entrega das primeiras dez unidades do Lockheed A-28A-LO Hudson, seguidas por mais dezesseis em janeiro de 1943. Em 1943, a estrutura brasileira de guerra antissubmarino foi fortalecida com a criação da United States - Brazilian Training Unit (UsBaTU), sediada na Base Aérea de Natal. Esse grupamento, formado em parceria com os Estados Unidos, tinha como objetivo treinar tripulações brasileiras na arte da guerra anti-superfície e antissubmarino. Instrutores norte-americanos foram responsáveis por preparar os militares para operar as modernas aeronaves Lockheed PV-1 Ventura, que estavam em processo de recebimento pelo Brasil. O emprego operacional do PV-1 Ventura foi atribuído ao 1º Grupo de Bombardeio Médio (1º GBM), sediado na Base Aérea de Recife. Esse grupo assumiu as responsabilidades previamente desempenhadas pelo esquadrão de bombardeio VB-143 da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que logo retornaria ao seu país de origem. 
Nesse contexto operacional, o 1º Grupo de Bombardeio Médio (1º GBM) passou a assumir a responsabilidade pela vigilância e defesa de uma extensa faixa do litoral brasileiro, abrangendo aproximadamente 420 quilômetros de costa. Suas atividades incluíam a escolta de comboios marítimos, missões de patrulha e guerra antissubmarino, além de outras tarefas relacionadas à segurança das rotas de navegação no Atlântico Sul  funções de grande relevância no esforço aliado de proteção ao tráfego marítimo durante a Segunda Guerra Mundial. A introdução do Lockheed PV-2C Harpoon na Força Aérea Brasileira (FAB) representou um passo importante no processo de modernização das capacidades operacionais da aviação militar brasileira, particularmente nas áreas de bombardeio, patrulha marítima e combate antissubmarino. Recebidas ao longo do primeiro semestre de 1945, essas aeronaves contribuíram para consolidar a posição estratégica da aviação brasileira no Atlântico Sul em um momento decisivo do conflito, ampliando a eficiência das operações de vigilância e defesa marítima. O processo de incorporação dessas aeronaves teve início com a transferência de quatro unidades do PV-2C Harpoon, conduzidas até a cidade de Recife por tripulações norte-americanas. Posteriormente, esses aviões foram destinados ao 2º Grupo de Bombardeio Médio, sediado na Base Aérea de Salvador. Até então, essa unidade operava em condições relativamente limitadas, utilizando aeronaves já consideradas obsoletas, como o Lockheed A-28A Hudson, provenientes do chamado Escalão Volante. A capacidade operacional do grupo era reforçada pela presença, na região, de unidades da Aviação Naval do  Marinha dos Estados Unidos  (U.S. Navy), que mantinha dois esquadrões destacados para missões de patrulha marítima no litoral brasileiro. Um deles operava hidroaviões Martin PBM-3S Mariner, enquanto o outro utilizava aeronaves Lockheed PV-1 Ventura, pertencentes ao esquadrão VPB-129. Com o retorno dessa última unidade aos Estados Unidos, criou-se uma lacuna operacional significativa no sistema de vigilância marítima da região. Nesse cenário, a incorporação dos novos PV-2C Harpoon tornou-se fundamental para assegurar a continuidade das operações de patrulha e a proteção das rotas marítimas contra possíveis ameaças navais. Para garantir a plena capacitação das tripulações do 2º Grupo de Bombardeio Médio no emprego da nova aeronave, o 1º Grupo de Bombardeio Médio cedeu temporariamente oficiais aviadores experientes. Esses militares desempenharam papel decisivo no processo de adaptação técnica e operacional das equipes, transmitindo conhecimentos práticos sobre o desempenho, os sistemas e as táticas de emprego do Harpoon. Essa cooperação entre unidades da Força Aérea Brasileira (FAB) evidenciou o espírito de integração e profissionalismo que caracterizou a aviação militar brasileira durante o período de guerra. Paralelamente à incorporação das novas aeronaves, o Ministério da Aeronáutica (MAer) implementou um sistema atualizado de designação e identificação de aeronaves, inspirado na nomenclatura utilizada pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF). Dentro desse novo padrão, os PV-2C Harpoon passaram a receber a designação B-34A, enquanto os modelos Lockheed PV-1 Ventura foram classificados como B-34.

Curiosamente, um quinto exemplar do Lockheed PV-2 Harpoon foi incorporado com considerável atraso em relação aos demais aviões do mesmo tipo, com a célula sendo transladada em setembro de 1945, porém somente seria incluído na carga no final de novembro de 1946, sendo alocado junto ao  1º Grupo Misto de Instrução. A permanência dos PV-2 Harpoon no 2º Grupo de Bombardeio Médio, sediado na Base Aérea de Salvador, revelou-se relativamente breve. Em 24 de março de 1947, a Força Aérea Brasileira (FAB) passou por uma profunda reorganização estrutural, formalizada por decreto governamental que reformulou de maneira abrangente a organização de suas unidades aéreas. Essa reforma determinou a extinção dos antigos regimentos de aviação, bem como dos grupos especializados de bombardeio leve, médio e de mergulho, dos grupos de caça e das unidades de patrulha. Em substituição a essa estrutura, o mesmo decreto instituiu dezesseis novos Grupos de Aviação (GAv), distribuídos em diferentes regiões do território nacional. No caso da Base Aérea de Salvador, coube-lhe sediar o recém-criado 7º Grupo de Aviação. Entretanto, análises conduzidas pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) indicaram que seria operacionalmente mais conveniente concentrar, em uma única unidade, as aeronaves da família Ventura–Harpoon. A medida visava sobretudo simplificar a logística de manutenção, suprimento e treinamento. Em consequência, decidiu-se transferir todos os aviões Lockheed PV-1 Ventura e PV-2 para a Base Aérea de Recife, onde passariam a integrar o acervo do 1º/6º Grupo de Aviação, unidade criada em 1º de abril de 1947 com a finalidade específica de operar esses modelos. No que se refere aos PV-2, a transferência dos cinco exemplares foi oficialmente formalizada em 7 de outubro daquele ano, sendo que os três últimos aparelhos somente chegaram a Recife em dezembro de 1947. A partir de então, os Harpoon passaram a compartilhar o pátio de estacionamento do 1º/6º GAv com os Ventura e, posteriormente, com os bombardeiros North American B-25J Mitchell. Apesar de representarem um modelo mais recente, dotado de maior alcance e capacidade de armamento em comparação com os Ventura, os PV-2 Harpoon não conquistaram a preferência das tripulações brasileiras. Diversos aviadores consideravam que o desempenho geral da aeronave ficava aquém daquele apresentado pelo PV-1. Enquanto o Ventura era reconhecido por sua relativa agilidade e boa velocidade para um avião de seu porte, o Harpoon era frequentemente descrito como uma aeronave “pesada” em termos de pilotagem. Essa percepção estava diretamente relacionada às características estruturais do modelo. O PV-2 apresentava um peso vazio cerca de 1.700 kg superior ao do Ventura, embora empregasse o mesmo grupo motopropulsor: o motor radial Pratt & Whitney R-2800-31, com 2.000 hp. Como resultado, o desempenho do Harpoon mostrava-se inferior em aspectos importantes, particularmente na velocidade máxima e na razão de subida. A situação tornava-se ainda mais complexa em virtude de dificuldades logísticas relacionadas à manutenção dessas aeronaves. A obtenção de peças de reposição para o PV-2 revelava-se frequentemente problemática, sobretudo no caso de componentes com vida útil relativamente curta. Entre os sistemas mais afetados destacavam-se justamente os motores R-2800-31 e os radares de busca marítima Sperry AN/APS-3, cuja manutenção dependia de uma cadeia de suprimentos nem sempre regular. Esses fatores combinados geravam frequentes entraves na área de manutenção, limitando a disponibilidade operacional dos Harpoon. 
Antecipando o agravamento das dificuldades logísticas relacionadas à manutenção das aeronaves, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) emitiu, em 23 de novembro de 1949, uma instrução classificando os aviões PV-2 Harpoon e PV-1 Ventura na categoria de material “semibom”, denominação administrativa aplicada a equipamentos cuja continuidade operacional era comprometida pela limitação de suporte logístico e pela crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição. A partir dessa determinação, o 1º/6º Grupo de Aviação passou a depender essencialmente dos recursos disponíveis em sua própria Seção de Material, bem como dos estoques mantidos no Núcleo do Parque de Aeronáutica de Recife e no Parque de Aeronáutica de São Paulo. Mesmo diante dessas restrições, os PV-2 Harpoon continuaram em operação, sustentados sobretudo pelo notável empenho das equipes de manutenção do grupo e pelo apoio técnico fornecido pelos parques de aeronáutica. Em 1953, uma nova reestruturação operacional foi planejada para as unidades equipadas com esses aviões. No início daquele ano determinou-se que o 1º/6º Grupo de Aviação passaria a operar aeronaves Boeing SB-17G , modelo especializado em missões de busca e salvamento marítimo. Esses aviões haviam sido recebidos pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 1951 e já se encontravam baseados na Base Aérea de Recife desde o ano anterior. Com a introdução desse novo material e a redefinição das atribuições operacionais da unidade, decidiu-se transferir os Harpoon e Ventura para a Base Aérea de Salvador, onde seriam incorporados ao 1º/7º GAv. Assim, em dezembro de 1953, os dois PV-2 então remanescentes no 1º/6º GAv foram deslocados para Salvador, retornando a uma base com a qual essas aeronaves já possuíam histórico operacional. Nos últimos anos de serviço, contudo, os PV-2 Harpoon enfrentaram dificuldades cada vez maiores para permanecer em condições de voo. Dos quatro exemplares então existentes na frota, a maioria foi enviada ao Núcleo do Parque de Aeronáutica de Recife, enquanto um deles seguiu para o Parque de Aeronáutica de São Paulo para a realização de revisões gerais de maior complexidade. Ainda assim, tornava-se evidente que essas aeronaves se aproximavam do limite de sua vida útil. A iminente introdução do  P2V-5 Neptune, destinado a equipar o 1º/7º GAv, acelerou o processo de retirada dos Harpoon. Em dezembro de 1957, dois aviões foram oficialmente desativados, seguidos por um terceiro em janeiro de 1958, o que marcou o encerramento definitivo da operação dos PV-2 Harpoon. Restaria apenas um exemplar, o B-34A FAB 5076, que, segundo alguns relatos, teria sido transferido ainda em 1950 para a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAr), onde passou a ser utilizado como aeronave de instrução em solo. Esse aparelho permaneceu nessa condição por vários anos, sendo finalmente excluído da carga  em março de 1962. Curiosamente, um sétimo PV-2 chegou a ostentar as cores nacionais brasileiras sem jamais ter sido efetivamente incorporado à frota. Tratava-se da aeronave c/n 15-1156, pintada pelo fabricante, com as insígnias brasileiras incluindo a deriva ornamentada com faixas verdes e amarelas  além do número de série “1156” aplicado na cauda. Essa pintura foi realizada com fins promocionais, no contexto da divulgação internacional do modelo. Contudo, a aeronave nunca chegou a ser entregue, sendo posteriormente repintada nas cores norte-americanas e incorporada à Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) em 14 de novembro de 1945.

Em Escala.
Com o objetivo de representar fielmente o Lockheed PV-2 Harpoon B-34A "FAB 466", optamos pelo kit da Special Hobby na escala 1/72. O modelo apresenta facilidade de montagem contando com peças em resina. Essa escolha deve-se ao fato de o modelo já incluir decais específicos para a Força Aérea Brasileira (FAB), refletindo seu uso durante a Segunda Guerra Mundial. Dessa forma, para compor a versão utilizada no país, não se faz necessário realizar qualquer alteração, garantindo uma reprodução autêntica e detalhada da aeronave.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) utilizou vários esquemas de pintura, como o tri-color scheme (introduzido em 1943), que incluía Non-Specular Sea Blue, Non-Specular Intermediate Blue e Insignia White, e o esquema overall Glossy Sea Blue (adotado em 1944 para caças). Neste contexto os  Lockheeds PV-2 Harpoon cedidos a Força Aérea Brasileira (FAB) receberam estes esquemas padronizados. Próximo ao final de sua carreira no Brasil, as células remanescentes receberam um padrão de pintura em alumínio total. 

Bibliografia:
- Aviação Militar Brasileira 1916 -/ 1984 - Francisco C. Pereira Netto
- Lockheed PV-2 Harpoon Wikipedia - Lockheed Ventura - Wikipedia
- História da Força Aérea Brasileira , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

M-109A3/A5 155 mm (VBC OAP)

História e Desenvolvimento 
A Segunda Guerra Mundial foi marcada pela introdução de uma dinâmica inovadora nos campos de batalha, caracterizada pela alta mobilidade da infantaria, que impôs às demais armas terrestres a necessidade de se adaptarem a uma nova filosofia de combate. O principal protagonista dessa transformação foi o Exército Alemão (Wehrmacht), que, por meio da tática Blitzkrieg, revelou ao mundo uma abordagem revolucionária para o enfrentamento em conflitos armados. Para combinar mobilidade com capacidade ofensiva, os alemães investiram não apenas em tanques e infantaria transportada por veículos blindados, mas também em artilharia autopropulsada. Exemplos emblemáticos incluem os canhões autopropulsados Hanomag Sd.Kfz. 165 Hummel, equipados com um canhão de 150 mm, o Sturmtiger 606/4, dotado de um canhão de 380 mm, e os carros de assalto Sturmgeschütz (StuG III). Testemunhando os desdobramentos do conflito, o Exército dos Estados Unidos (US Army) reconheceu a relevância estratégica de incorporar ao seu arsenal veículos de artilharia autopropulsada capazes de sustentar operações blindadas com potência de fogo adequada. Os primeiros testes bem-sucedidos foram realizados com plataformas adaptadas de veículos blindados meia-lagarta da família M-3 Half Track, culminando no desenvolvimento do T-19 Howitzer Motor Carriage, armado com um canhão de 105 mm. O êxito dessas experiências confirmou a viabilidade de projetar um veículo totalmente blindado sobre esteiras, resultando em fevereiro de 1942 na introdução do M-7 Priest. Esse obuseiro autopropulsado, equipado com um canhão de 105 mm, foi inicialmente construído sobre a plataforma do tanque médio M-3 Lee e, posteriormente, utilizou o chassi do M-4 Sherman. Seu batismo de fogo ocorreu durante a Segunda Batalha de El Alamein (23 de outubro a 11 de novembro de 1942). Ao todo, foram fabricadas 4.315 unidades até 1945, sendo amplamente empregadas pelos Aliados em todas as frentes da Segunda Guerra Mundial, onde demonstraram notável eficácia e versatilidade no apoio às operações militares. Após o término da Segunda Guerra Mundial, os obuseiros autopropulsados M-7 Priest, ao lado dos M-37, voltaram a desempenhar um papel significativo durante a Guerra da Coreia (1950-1953). Embora tenham cumprido com eficiência a maioria das missões a que foram designados, uma limitação crítica foi identificada: a elevação máxima de 35º do canhão dificultava o engajamento de alvos situados em terrenos elevados, como as montanhas coreanas, comprometendo sua eficácia tática em certas situações. Esse obstáculo tornou evidente a necessidade de desenvolver um novo obuseiro autopropulsado de maior porte, capaz de superar as deficiências observadas nos modelos até então utilizados. A experiência adquirida na Guerra da Coreia (1950-1953) revelou limitações nos obuseiros autopropulsados em uso, como o M-7 Priest e o M-52, especialmente em terrenos montanhosos, onde a elevação limitada dos canhões comprometia a eficácia tática. Para superar essas deficiências, o Exército dos Estados Unidos (US Army) buscou desenvolver uma nova geração de artilharia autopropulsada, mais adaptada às demandas da Guerra Fria. 

Em 1953, o M-52 foi introduzido, utilizando o chassi do tanque M-41 Walker Bulldog. Apesar de avanços na elevação do canhão (de +65º a -10º), o modelo apresentou problemas técnicos que levaram ao cancelamento de sua produção. Em resposta, o Exército abriu uma nova concorrência em 1959, delegando o projeto à Cadillac Motor Car Division, da General Motors, em parceria com o Detroit Arsenal Tank Plant. O programa visava criar dois obuseiros: um de 105 mm (M-108) e outro de 155 mm (M-109), baseados em um chassi comum para reduzir custos logísticos. O M-108, designado T-195 durante o desenvolvimento, aproveitou o chassi do M-41 Walker Bulldog, mas com modificações para maior robustez. Em 1960, um mock-up de cada modelo foi apresentado, seguido pela construção de cinco protótipos, que passaram por extensos testes no segundo semestre daquele ano. EsteS novos blindados apresentavam as seguintes características:  Armamento: Equipado com um obus M-103 de 105 mm para o M-108 e um obus M-126 de 155 mm para M-109, capazes de disparar uma variedade de munições, incluindo alto explosivo (HE), fumígenos e anticarro podendo fazer uso da munição de OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), com um alcance inicial de 14.600 metros no M-109, com este parâmetro podendo ser estendido com o uso de munições assistidas por foguetes). A capacidade de transportar até 28 munições de 155 mm internamente assegurava autonomia operacional. - Blindagem: Contava com uma torre totalmente fechada, construída em alumínio para reduzir peso, oferecendo proteção contra estilhaços e fogo de armas leves, embora limitada contra impactos diretos de artilharia ou mísseis anticarro. - Chassi: Compartilhavam o mesmo chassi, garantindo alta padronização de componentes, como suspensão por barras de torção e esteiras largas, adequadas para diferentes tipos de terreno. - Tripulação: Operado por uma equipe de cinco membros (comandante, artilheiro, carregador, motorista e operador de rádio), assegurando eficiência em combate. Propulsão: movido por um motor Detroit Diesel 8V-71T de 405 hp, acoplado a uma transmissão Allison XTG-411-4A, garantindo mobilidade em terrenos variados e velocidade máxima de cerca de 56 km/h. Por ser disponibilizado primeiramente seria decidido implantar o M-108 no teatro de operações no Vietnã, com o 6º Regimento de Artilharia de Campo (6th Field Artillery Regiment) em 1965 sendo posicionado  Pleiku, na região central do Vietnã, para apoiar operações contra forças do Vietnã do Norte e do Vietcong. Posteriormente, em outubro do mesmo ano, o modelo foi integrado às operações dos 1º e 40º Regimentos de Artilharia de Campo, sediados na base dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (US Marines Corps) em Đông Hà, onde enfrentaram combate real na região de Đông Hà ainda naquele mês. 

Sua mobilidade permitia reposicionamento rápido, diferentemente da artilharia rebocada convencional, sua capacidade de rotação do canhão em 360 graus conferia grande eficácia na sustentação de posições de fogo, especialmente em cenários sujeitos a ataques de múltiplas direções. Já o M-109 seria implantado naquele teatro de operações em meados do ano de 1966, substituindo os obuseiros rebocados, como o M-114 de 155 mm, integrando batalhões de artilharia de campanha, como a 1ª Divisão de Infantaria e a 25ª Divisão de Infantaria. Sua função principal era fornecer fogo de supressão, apoio à infantaria e bombardeio de posições inimigas, durante seu batismo de fogo, o M-109 foi empregado principalmente em missões de apoio às bases de fogo e de supressão e interdição.  Neste último escopo eram disparadas munições de alto explosivo (HE), fumaça e, em alguns casos, munições iluminativas, sendo eficaz contra bunkers, posições fortificadas e concentrações de tropas inimigas. Durante a Ofensiva do Tet (1968), por exemplo, os M-109 foram cruciais na defesa de cidades como Huế e Saigon, onde forneceram fogo contínuo para conter os ataques surpresa do Viet Cong. Neste contexto o M-109 se mostrava muito superior ao M-108, que por sua vez  apresentava limitações operacionais significativas. O canhão de 105 mm, embora preciso, possuía uma cadência de tiro limitada e um poder de destruição insuficiente para neutralizar alvos fortificados, como bunkers, frequentemente encontrados no teatro de operações do Vietnã. Desta maneira em meados do ano de 1976 seria decidido que os novos M-109 gradualmente passassem a substituir no Vietnã os M-108, ser tornando a plataforma predominante naquele conflito. No entanto seu intenso emprego também descortinaria a necessidade melhorias, com destaque para o limitado alcance do canhão M-126, que era  inferior a algumas peças de artilharia soviéticas usadas pelo EVN, como o obuseiro D-30 de 122 mm. Isso exigia que as bases de fogo fossem posicionadas mais próximas das linhas inimigas, aumentando a vulnerabilidade a ataques. O desempenho do M-109 no Vietnã consolidou sua importância como uma plataforma de artilharia versátil, capaz de operar em cenários de contra insurgência e guerra convencional. Sua capacidade de fornecer fogo de apoio contínuo, mesmo em condições adversas, foi fundamental para salvar vidas de soldados americanos e aliados. A experiência no Vietnã também destacou a necessidade de melhorias, que originariam o desenvolvimento do M-109A1, que passava a ser equipado com a  nova versão do motor Detroit Diesel Model 8V-71T acoplado a uma transmissão cross-drive Allison Transmission XTG-411-4A.  A principal evolução estava baseada na introdução do novo canhão M-185 de calibre 39 mm, que apresentava um perfil mais longo, estendendo seu alcance para  18.100 metros com munição convencional e até 24.000 metros com munição assistida por foguete. O obuseiro autopropulsado M-109, um marco da artilharia moderna, teve sua trajetória de desenvolvimento marcada por inovações contínuas e adaptações às exigências dos campos de batalha. 

Seu batismo de fogo ocorreu em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, quando as Forças de Defesa de Israel (Tzavá Haganá le-Israel) empregaram a versão M-109A1 em combates intensos contra forças sírias e egípcias. Essa estreia em um conflito de alta intensidade demonstrou a capacidade do M-109 de fornecer fogo de artilharia preciso e móvel, consolidando sua relevância em cenários de guerra convencional. A evolução subsequente do M-109 trouxe melhorias significativas. A versão M-109A2, introduzida na década de 1970, incorporou avanços em confiabilidade, disponibilidade e manutenção (RAM), além de proteção balística reforçada para o telescópio panorâmico, dispositivo de alinhamento de visão M-140 e sistemas de visão noturna. A capacidade de armazenamento de munição foi ampliada de 28 para 36 cartuchos, aumentando a autonomia operacional. Paralelamente, uma variante simplificada para exportação, a M-109A1B, foi desenvolvida, com diferenças externas mínimas e a remoção do kit de flutuação do casco, atendendo às demandas de mercados internacionais. Nas décadas seguintes, novas versões continuaram a aprimorar o sistema. Os modelos M-109A3, M-109A3B e M-109A4 introduziram sistemas de proteção contra ameaças nucleares e biológicas, refletindo as preocupações da Guerra Fria. Em 1985, o M-109A5 marcou um avanço significativo com a adoção do canhão M284 de calibre 39, que permitia alcances de 22.000 metros com projéteis convencionais e até 30.000 metros com munições assistidas por foguete, ampliando consideravelmente sua capacidade operacional. Em 1991, a versão M-109A6 Paladin representou um salto tecnológico. Com um chassi redesenhado, incluindo blindagem adicional com revestimento interno de kevlar, o M-109A6 integrou o canhão M-284 aprimorado com o suporte M-182A1, além de um novo layout interno para armazenamento seguro de munição e equipamentos. Pela primeira vez, incorporou um sistema de navegação inercial e sensores para alinhamento automático do canhão, aliados a um sistema de comunicação digital criptografado com capacidades de contramedidas eletrônicas (ECM). Essas inovações permitiam à tripulação receber missões de fogo, calcular dados de alvos, posicionar-se, disparar e deslocar-se sem assistência externa, alcançando uma primeira salva em menos de 60 segundos e uma cadência de até quatro disparos por minuto a alcances de 30 quilômetros. A produção inicial, conduzida pela BAE Systems, entregou 164 unidades até o final de 1992, com operacionalidade declarada em abril de 1993. Até 25 de junho de 1999, foram produzidos 950 veículos, encerrando o ciclo de fabricação do M109A6. A versão mais recente, o M-109A7 (anteriormente conhecido como M-109A6 PIM – Paladin Integrated Management), teve seu protótipo apresentado em 2007. Submetido a um extenso programa de testes, o M-109A7 incorpora melhorias em mobilidade, sistemas eletrônicos e sobrevivência, mantendo o M-109 como uma das plataformas de artilharia mais avançadas e confiáveis do mundo. 
Essas evoluções refletem o compromisso contínuo com a modernização, garantindo que o M-109 permaneça relevante em cenários de combate contemporâneos, combinando potência de fogo, precisão e independência operacional. Em 2013 o programa foi aprovado com a empresa BAE Systems, recebendo um contrato para atualização dos primeiros carros M-109A6 para o padrão M-109A7.  Este novo modelo passou a deter maior peso de deslocamento que seu antecessor, passando proporcionará maior precisão, melhor mobilidade e velocidade de deslocamento. As entregas iniciais ao Exército dos Estados Unidos (US Army) tiveram início em 2015, com o programa devendo atingir 580 carros modernizados ao longo dos próximos anos.  Ao longo de mais de cinco décadas de serviço, os obuseiros autopropulsados da família M109 estabeleceram-se como um pilar da artilharia moderna, participando de diversos conflitos globais, incluindo as guerras do Vietnã, Yom Kippur, Irã-Iraque, Saara Ocidental, Golfo Pérsico, Iraque, Guerra Civil Iraniana, Guerra Civil Iemenita e Síria. Sua versatilidade e capacidade de adaptação a diferentes cenários de combate consolidaram sua reputação como uma das plataformas de artilharia mais confiáveis e amplamente utilizadas no mundo. Com uma produção total superior a 7.700 unidades, distribuídas em treze versões distintas, o M-109 foi fabricado nos Estados Unidos pelas empresas General Motors Co. e BAE Systems, além de produzido sob licença pela Samsung Techwin, na Coreia do Sul. Além de seu país de origem, o M-109 foi adotado pelas forças armadas de mais de 30 nações, incluindo Líbia, Djibouti, Etiópia, Grécia, Emirados Árabes Unidos, Irã, Kuwait, Marrocos, Omã, Peru, Suíça, Alemanha, Arábia Saudita, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Egito, Espanha, Itália, Jordânia, Noruega, Países Baixos, Paquistão, Portugal, Tunísia, Áustria, Canadá, Chile, Filipinas, Iraque, Israel, Tailândia, Reino Unido e Coreia do Sul. Essa ampla adoção reflete a robustez e a flexibilidade do sistema, capaz de operar em diversos climas e terrenos. Em 1982, uma variante especializada foi desenvolvida: o M-992A2 FAASV (Field Artillery Ammunition Supply Vehicle), um veículo de transporte de munição baseado na plataforma do M109. Projetado para apoiar operações de artilharia, o M-992A2 garantiu maior eficiência logística, permitindo o reabastecimento rápido de obuseiros em campo. Embora países como Alemanha e Reino Unido estejam desativando seus M-109, substituindo-os por sistemas mais modernos, como o Panzerhaubitze 2000, nos Estados Unidos a família M-109 permanece em serviço ativo. Projeções indicam que o obuseiro continuará operacional por pelo menos mais duas décadas, até a introdução do M-1299, um sistema de artilharia de alcance estendido. Contudo, vale notar que o programa M-1299 foi cancelado em 2024 devido a problemas técnicos, como desgaste excessivo do tubo, reforçando a relevância contínua do M-109A7 e do futuro M-109A52 como pilares da artilharia norte-americana.

Emprego no Exército Brasileiro.
A Artilharia Brasileira possui origens que remontam ao período colonial, tendo participado ativamente das Batalhas dos Guararapes (1648–1649) — episódios amplamente reconhecidos como o marco de formação do Exército Brasileiro. Desde então, a Arma de Artilharia consolidou-se como um dos pilares fundamentais da organização militar nacional, distinguindo-se por seu elevado grau técnico e pela importância tática no campo de batalha. Durante o período imperial, a artilharia figurava entre as armas mais prestigiadas das Forças Armadas, exigindo dos oficiais uma formação completa na Academia Militar do Império do Brasil, em contraste com as armas de infantaria e cavalaria, cujos cursos demandavam menor tempo de instrução. Essa exigência refletia o caráter técnico e científico da Arma, que envolvia conhecimentos de balística, geometria, cálculo e mecânica  elementos essenciais à precisão dos fogos e à eficácia do apoio de combate. No início do século XX, a Artilharia de Campanha brasileira ainda operava com canhões Krupp de 75 mm, de tração animal, um reflexo da limitação tecnológica vigente antes da mecanização das forças terrestres. Essa configuração perdurou até a Segunda Guerra Mundial (1942–1945), quando o país enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Campanha da Itália, integrando o V Exército dos Estados Unidos. Sob o comando do General Cordeiro de Farias, a Artilharia Divisionária da FEB desempenhou papel decisivo nas vitórias de Monte Castelo e Montese, em 1945. A precisão e a rapidez dos fogos brasileiros foram amplamente reconhecidas pelos Aliados, com destaque para as palavras do Marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB, que exaltou o desempenho dos artilheiros, afirmando que estes “elevaram bem alto as nobres tradições da Artilharia de Mallet”. De fato, a atuação dos artilheiros brasileiros honrou o legado do Marechal Emílio Luís Mallet, patrono da Arma de Artilharia, cuja liderança se destacara na Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870). O prestígio da Artilharia Brasileira também foi reconhecido por autoridades estrangeiras, como o General Mark Clark, comandante do V Exército Americano, que enalteceu a eficiência e a coragem das unidades brasileiras. Paralelamente, durante o mesmo período, a defesa de Fernando de Noronha (1942–1945) evidenciou a capacidade nacional de organizar sistemas de defesa de costa e antiaérea em condições adversas, utilizando artilharia fixa e móvel para proteger o arquipélago contra eventuais incursões navais e aéreas. Com o advento da Guerra Fria, e diante das transformações estratégicas no cenário internacional, o Exército Brasileiro iniciou, em 1952, um amplo processo de modernização de seu material bélico, no âmbito do Acordo de Assistência Militar Brasil–Estados Unidos e do Military Assistance Program (MAP). A partir de agosto de 1960, o país passou a receber carros de combate, veículos blindados de transporte de tropas e caminhões militares em larga escala, em um esforço contínuo que perdurou por toda a década seguinte. Esse processo representou um salto qualitativo na estrutura e na capacidade operacional da Força Terrestre, consolidando sua prontidão para o emprego em defesa dos interesses nacionais, em um contexto marcado por tensões regionais e pela necessidade de acompanhar os avanços tecnológicos das potências ocidentais.

Em 1970, como parte desse acordo bilateral, o Brasil foi contemplado com a cessão de 72 obuseiros autopropulsados M-108 Howitzer, provenientes do Exército dos Estados Unidos (US Army). A entrega das viaturas teve início no primeiro semestre de 1972, ocasião em que o modelo recebeu sua designação oficial no Exército Brasileiro: Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado (VBCOAP) M-108. Por se tratar de um sistema de armas inédito na Força Terrestre, sua incorporação demandou uma reestruturação organizacional de grande envergadura, voltada à adaptação doutrinária e logística necessária para a operação e manutenção do novo equipamento. Antecipando a chegada das viaturas, em dezembro de 1971, o Exército deflagrou a criação de quatro Grupamentos de Artilharia de Campanha Autopropulsados (GAC Ap), convertendo unidades de artilharia rebocada em formações totalmente mecanizadas. Essa medida representou não apenas a modernização do parque de artilharia, mas também um marco na evolução doutrinária da Arma, que passava a operar em consonância com os padrões tecnológicos e táticos das forças da OTAN e de outros exércitos ocidentais contemporâneos. No final da década de 1980, o comando do  Exército Brasileiro deu início ao programa Força Terrestre 90 (FT-90), uma iniciativa estratégica concebida pelo Estado-Maior do Exército (EME) com o objetivo de modernizar suas estruturas, equipamentos e doutrinas operacionais, com especial foco na arma blindada. Movido pela necessidade de superar a obsolescência de seus sistemas e preparar a Força Terrestre para os desafios do século XXI, o FT-90 representou um marco na transformação da artilharia autopropulsada brasileira, alinhando-a às demandas de um cenário global em constante evolução. O programa priorizou a modernização da cavalaria blindada e da artilharia de campanha, reconhecendo o papel estratégico dessas armas em um contexto geopolítico marcado pela rivalidade com a Argentina e pela crescente importância da Amazônia como região de interesse nacional. Nesse esforço, o Exército optou por aquisições de oportunidade, focando na compra de equipamentos usados, porém em bom estado de conservação. Destacaram-se, nesse período, a incorporação das Viaturas Blindadas de Combate Carro de Combate (VBCCC) alemães Leopard 1A1 e norte-americanas M-60A3 TTS, que fortaleceram significativamente a capacidade operacional da Força. No âmbito da artilharia de campanha, o cenário até então era caracterizado pelo uso de obuseiros convencionais, como os modelos rebocados M-101 de 105 mm e M-102 de 155 mm, além de setenta e dois obuseiros autopropulsados M-108 VBC OAP, incorporados em 1972. Esses equipamentos, empregados pelos Grupamentos de Artilharia de Campanha Autopropulsados (GAC AP), já não atendiam plenamente às exigências modernas, demandando a aquisição de um modelo mais avançado principalmente de maior calibre. Contudo, as restrições orçamentárias impostas ao Exército Brasileiro limitavam a possibilidade de aquisição de veículos novos, levando à formação de uma comissão dedicada a prospectar oportunidades de compra de obuseiros autopropulsados M-109, amplamente utilizados por mais de trinta países na época. 
Entre as opções avaliadas, destacou-se a proposta apresentada pelo comando das Forças Armadas Belgas (La Défense), que manifestou interesse em vender até quarenta unidades do modelo M-109A3, recentemente desativadas em razão da substituição por versões mais modernas da mesma família. A oferta incluía, ainda, um programa de revisão e modernização conduzido pela empresa Sabiex Internacional, que elevaria esses obuseiros a um padrão operacional e tecnológico compatível com as necessidades do Exército Brasileiro à época, assegurando maior eficácia e adequação às demandas do contexto estratégico. Após a conclusão das negociações formais com o governo Belga, o Exército Brasileiro enviou uma comitiva de oficiais à Bélgica para avaliar e selecionar os trinta e sete obuseiros autopropulsados M-109A3 em melhores condições de conservação.  Esses veículos, pertencentes à versão A3, haviam passado por um programa de modernização iniciado em 1980, a partir da base M-109A2, incorporando mais de vinte e sete melhorias significativas. Entre elas, destacavam-se a adoção do canhão M-185 de 155 mm com cano longo, montado na nova armação M-178, além de maior capacidade de transporte de munição e proteção balística aprimorada para o sistema de telescópio panorâmico. Os obuseiros selecionados foram transportados para as instalações da Sabiex Internacional, em Tournai, onde passaram por um rigoroso processo de revisão e atualização, garantindo sua adequação às necessidades operacionais do Exército Brasileiro. Oficialmente designados como Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado (VBCOAP) M-109A3, os primeiros seis veículos foram recebidos em 6 de outubro de 1999, seguidos por lotes adicionais: doze em 26 de maio de 2000, outros doze em 24 de outubro de 2000 e, por fim, sete em 23 de abril de 2001. A distribuição dos M-109-A3 foi estrategicamente planejada, com doze unidades alocadas ao 15º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (GACAp), em Lapa, RS; doze ao 16º GACAp, em São Leopoldo, RS; doze ao 29º GACAp, em Cruz Alta, RS; e uma unidade destinada à Escola de Material Bélico (EsMB), no Rio de Janeiro, RJ, posteriormente transferida ao Centro de Instrução de Blindados (CI Bld). A incorporação desses obuseiros marcou um avanço significativo, conferindo ao Exército Brasileiro maior mobilidade e poder de fogo, superando as limitações dos antigos M-108. No entanto, ao final da primeira década do século XXI, tornou-se evidente que os M-109A3 apresentavam obsolescência em seus sistemas de direção de tiro, enquanto os M-108, ainda em uso, enfrentavam um desgaste ainda mais pronunciado. Esse cenário impulsionou um novo programa de modernização, que culminou, em 2012, na aquisição de quarenta unidades do M-109A5, doadas pelo governo norte-americano por meio do programa Foreign Military Sales (FMS), classificadas como Excess Defence Articles (EDA). Embora os M-109A5 fossem mais avançados, identificou-se a oportunidade de modernizá-los para equipará-los aos padrões do Exército dos Estados Unidos (US Army). 

Assim, foi firmado um contrato de US$ 54 milhões com a BAE Systems para a atualização de trinta e dois veículos, elevando-os à versão M-109A5+ BR. As melhorias incluíram o aumento da potência do motor, de 405 hp (A3) para 440 hp (A5, com motor Low Heat Rejection); ampliação do alcance dos disparos com munição assistida (de 14.600 m para 18.000 m com carga 7; de 18.000 m para 22.000 m com carga 8; e de 23.500 m para 30.000 m com carga 8 HE M549); e a incorporação do sistema VFPS (Ventilated Face Piece System), que proporciona à tripulação ar filtrado e climatizado, essencial para operações em ambientes com ameaças químicas, biológicas ou nucleares (QBN). No campo da eletrônica embarcada, foram integrados componentes avançados, muitos deles presentes na versão M-109A6, como o sistema de posicionamento global (GPS) aliado ao Advanced Field Artillery Tactical Data System (AFATDS), navegação inercial, telas sensíveis ao toque para comando, sistema eletrônico de pontaria com computador balístico e o rádio Harris Falcon III. Além disso, a segurança da tripulação foi reforçada com a adição de um sistema de controle remoto para o bloqueio de viagem do tubo, permitindo ao motorista operar o desbloqueio e bloqueio diretamente de seu compartimento, sem exposição externa. Essa modernização consolidou a artilharia de campanha do Exército Brasileiro como uma força mais ágil, precisa e preparada para os desafios contemporâneos, reforçando seu papel estratégico na defesa nacional. A alocação dos obuseiros M-109A5+ BR foi estrategicamente planejada para reforçar a capacidade operacional da artilharia de campanha do Exército Brasileiro. Os veículos foram distribuídos entre duas unidades de destaque: o 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (3º GAC Ap), conhecido como Regimento Mallet, integrante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada (6ª Bda Inf Bld), sediada em Santa Maria, RS; e o 5º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (5º GAC Ap), vinculado à 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (5ª Bda Cav Bld), em Curitiba, PR. Essa distribuição visou otimizar a prontidão e a eficácia dessas unidades em cenários operacionais diversos. Um marco significativo ocorreu em 18 de novembro de 2019, quando o primeiro tiro real com um M-109A5+ BR foi disparado por um veículo do 3º GAC Ap, simbolizando a plena integração desses obuseiros modernizados às operações do Exército Brasileiro. Esse evento reforçou o compromisso da instituição com a modernização de seus meios, assegurando maior precisão e poder de fogo à artilharia de campanha. Em 2018, por meio do programa Foreign Military Sales (FMS), o Exército Brasileiro negociou a aquisição de quarenta viaturas blindadas de esteiras M-992A2 FAASV (Field Artillery Ammunition Supply Vehicle). Classificadas no Brasil como Viatura Blindada de Transporte Especial Remuniciadora (VBTE Remun), essas viaturas foram essenciais para garantir o suporte logístico necessário ao pleno emprego dos M-109A5+ BR no campo de batalha, assegurando o reabastecimento eficiente de munição em operações prolongadas. No mesmo ano, o Exército Brasileiro consolidou a padronização do modelo M-109A5 como o principal obuseiro autopropulsado de sua artilharia de campanha, com a aquisição de mais sessenta unidades da versão M-109A5, também por meio do programa FMS.
Após o desembarque no porto de Paranaguá, PR, em 8 de março de 2018, os obuseiros M-109A5 foram transportados para o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5), em Curitiba. Nesse local, as viaturas passaram por revisões minuciosas de 3º escalão, um processo essencial para assegurar sua plena conformidade com as exigências operacionais do Exército Brasileiro antes de sua distribuição às unidades de artilharia. A alocação dos novos M-109A5 foi estrategicamente planejada para fortalecer os Grupos de Artilharia de Campanha Autopropulsado (GAC Ap), ampliando a capacidade operacional da artilharia brasileira. Quatro unidades foram destinadas à Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, RJ, onde foram integradas ao Curso de Artilharia. Essa iniciativa permitiu aos cadetes uma formação prática com equipamentos modernos.  A ampliação da frota de M-109A5 consolidou a padronização da artilharia autopropulsada do Exército Brasileiro, promovendo maior interoperabilidade, eficiência e capacidade de resposta em cenários operacionais diversos. Um dos avanços mais significativos da versão modernizada M-109A5+BR foi a incorporação do Advanced Field Artillery Tactical Data System (AFATDS), adaptado no Brasil sob a designação Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC). Esse sistema revolucionou a integração entre os elementos da artilharia, automatizando as comunicações entre os subsistemas, incluindo busca de alvos, controladores de apoio de fogo, centrais de tiro e linhas de fogo. O SISDAC permite a execução simultânea de múltiplas missões de tiro por uma mesma linha de fogo, elevando significativamente a capacidade operacional da artilharia de campanha. Essa integração tecnológica reforça a precisão, a rapidez e a coordenação das operações, posicionando o Exército Brasileiro em um novo patamar de eficiência tática.  Em 23 de abril de 2024, o Exército Brasileiro publicou a Portaria nº 1.300-EME/C Ex,, que aprova a diretriz de implantação do projeto de revitalização das viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado (VBCOAP) M-109A3 ), dentro do Subprograma Sistema de Artilharia de Campanha (SPrg SAC), agora parte integrante do Programa Estratégico do Exército ASTROS (Prg EE ASTROS). O objetivo do projeto é restaurar as capacidades operacionais e prolongar a vida útil de 27 VBCOAP M-109A3 (fabricadas em 1978 e 37 adquiridas usadas do Exército Belga no final do século passado), integrando-as ao subsistema Linha de Fogo e os demais subsistemas da Artilharia de Campanha, ser integrada ao Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha (SISDAC), e permitir que atuem em conjunto com os sistemas mais modernos da Força Terrestre, incluindo as futuras VBCOAP SR ATMOS, com a utilização de munições modernas.

Em Escala.
Para representar  o obuseiro autopropulsado VBC OAP M-109A3, identificado com o número de registro "EB-6057" do Exército Brasileiro, foi utilizado o kit na escala 1/35 produzido pela Italeri. Esse modelo, embora detalhado, foi projetado para retratar as variantes anteriores M-109A1 e M-109A2, exigindo diversas modificações para corresponder às especificidades da versão A3 empregada pelo Exército Brasileiro. As modificações realizadas no kit incluíram ajustes para incorporar características distintivas do M-109A3, como o canhão M-185 de 155 mm com cano longo e a armação M-178, além de melhorias na proteção balística do sistema de telescópio panorâmico, que são marcas dessa versão modernizada. Para garantir a autenticidade das marcações e insígnias do Exército Brasileiro, foram utilizados decais do conjunto "Forças Armadas do Brasil 1983 – 2002", produzido pela Decal & Books. 
A partir de 1983, o Exército Brasileiro adotou um esquema de pintura tático camuflado em dois tons, conforme as especificações do padrão de cores Federal Standard (FS), para todos os seus blindados de combate. Esse padrão, projetado para otimizar a dissimulação em diferentes ambientes operacionais, foi aplicado de maneira consistente às viaturas blindadas, incluindo os obuseiros autopropulsados VBC OAP M-109A3 e, posteriormente, às viaturas modernizadas para a versão M-109A5+ BR, bem como aos lotes adicionais do modelo M-109A5 recebidos por meio do programa Foreign Military Sales (FMS).  A aplicação desse padrão às viaturas M-109A5 e M-109A5+ BR reforça a padronização estética e operacional da artilharia autopropulsada brasileira.

Bibliografia 
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
Obuseiro Autopropulsado M109-A3 - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/M109.pdf
- M109 A5+BR Uma nova Forma de Atuar da Artilharia do Exército Brasileiro – www.defesanet.com.br
- M109 Howtizer -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/M109_howitz
Exército irá revitalizar seus obuseiros autopropulsados M109A3 - https://tecnodefesa.com.br/exercito-ira-revitalizar-seus-obuseiros-autopropulsados-m109a3