SM-79T Savoia Marchetti

História e Desenvolvimento.
A SIAI, originalmente conhecida como Società Idrovolanti Alta Italia (Companhia de Hidroaviões do Norte da Itália), foi uma importante fabricante italiana de aeronaves, com foco inicial em hidroaviões. A SIAI foi fundada em 12 de agosto de 1915, em Milão, Itália, pelos empresários Domenico Lorenzo Santoni e Luigi Capè. Inicialmente, a empresa concentrava-se na produção e comercialização de hidroaviões sob licença da companhia francesa FBA (Franco-British Aviation Company). A direção técnica ficou a cargo do engenheiro Raffaele Conflenti, que desenvolveu os primeiros projetos de hidroaviões SIAI durante a Primeira Guerra Mundial, baseados em modelos franceses. O piloto de testes suíço Émile Taddéoli também contribuiu para o desenvolvimento desses modelos iniciais no mesmo ano de 1915, a SIAI adquiriu a Società Anonima Costruzioni Aeronautiche Savoia, o que levou a uma reestruturação inicial. Nos anos seguintes, as aeronaves da empresa eram conhecidas como "SIAI", "SIAI-Savoia" ou simplesmente "Savoia", com a designação prefixada por "S.". Durante a Primeira Guerra Mundial, a SIAI produziu hidroaviões de reconhecimento e bombardeio, como o SIAI S.9 e o S.12, que participaram de competições como a Schneider Trophy. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a empresa foi rebatizada como Savoia, incorporando elementos da adquirida Società Anonima Costruzioni Aeronautiche Savoia. Em 1921, Raffaele Conflenti deixou a empresa para se tornar diretor técnico da Chantiers Aéro-Maritimes de la Seine, na França, onde produziu modelos SIAI sob licença, como o S.9 e o S.13. Um marco importante ocorreu em 1922, quando o engenheiro Alessandro Marchetti foi contratado como projetista-chefe. Isso levou à adição de "Marchetti" ao nome da empresa, que passou a ser conhecida como Savoia-Marchetti. Marchetti adaptou designs anteriores, como o biplano Marchetti MVT, para criar o SIAI S.50 baseado no biplano Marchetti MVT (Macchi-Vickers-Terni), que se tornaria o primeiro avião terrestre da companhia. A produção do S.50 foi limitada, com poucos exemplares construídos, já que a SIAI rapidamente voltou seu foco para projetos mais ambiciosos, como o S.55, que alcançou maior sucesso. A década de 1920 marcou o auge da SIAI, com hidroaviões envolvidos em conquistas globais. O Savoia-Marchetti S.55 um hidroavião bimotor de casco duplo (catamarã) por exemplo, estabeleceu 14 recordes mundiais de velocidade, altitude e distância em 1926, e foi usado em travessias atlânticas. Em 1925, o aviador italiano Francesco de Pinedo realizou um voo recorde de Roma à Austrália e Tóquio no SIAI S.16 ter batizado de "Genariello". O S.55 foi adotado pela Regia Aeronautica italiana como hidroavião de reconhecimento, bombardeio e transporte. Equipado com suportes para bombas ou torpedos, foi usado em operações marítimas durante a década de 1930. Outros modelos notáveis incluem o SM.75 (transporte trimotor) e o SM.81 Pipistrello (bombardeiro/transporte de três motores), adotado pela Força Aérea Real Italiana (Regia Aeronautica) por sua versatilidade.

No início da década de 1930, a empresa buscava renovar sua linha de produtos, levando em 1933 ao desenvolvimento do projeto SM-79, que fora impulsionado pela necessidade de uma aeronave de transporte rápido para ligações coloniais, como rotas para a Líbia, capazes de transportar 8-10 passageiros em alta velocidade. O projeto foi liderado pelo engenheiro Alessandro Marchetti, na SIAI, com plantas datadas de 21 de fevereiro de 1933. Inicialmente designado como SM.79P (P de "Passeggeri" ou passageiro), era uma derivação civil do SM.81 (um bombardeiro baseado no avião comercial S.73), com asas baixas, trem de pouso retrátil, flaps Handley Page e estrutura mista de metal e madeira compensada. Os motores iniciais eram três Isotta Fraschini Asso 750 (900 hp cada), mas problemas de desempenho levaram a mudanças: primeiro para Piaggio P.IX R.C.40 (610 hp) e, finalmente, para Alfa Romeo 125 RC.35 (650 hp). O protótipo civil, matriculado I-MAGO (serial 19001), voou pela primeira vez em 8 de outubro de 1934 (algumas fontes citam 28 de setembro), demonstrando excelente manobrabilidade, mas ainda com potência insuficiente, alcançando velocidades de até 390 km/h. Em fevereiro de 1935, com os novos motores Alfa Romeo, superou 400 km/h, tornando-se o primeiro trimotor civil a atingir tal marca. O interesse militar surgiu rapidamente: em maio de 1935, o protótipo estabeleceu recordes, como um voo Novara-Roma em 70 minutos, e foi usado como ligação durante a invasão etíope de 1935, percorrendo 15.000 km.  Em resposta a demanda da Força Aérea Real Italiana (Regia Aeronautica), a empresa decidiu construir um segundo protótipo já militarizado dentro das especificações exigidas (não diferindo muito estruturalmente da versão civil. Esta aeronave já apresentava a instalação ventral para o lançamento de bombas, sistema de autodefesa com uma metralhadora de tiro frontal acima da cabine do piloto, e outra arma localizada na parte de baixo da cauda, com possibilidade de instalação de uma terceira metralhadora em uma posição aberta a ré da carenagem dorsal. Este protótipo alçou voo em 20 de maio de 1936, passando a ser submetido a detalhado processo de avaliação pelo 12ª Stormo Bombardamento Terrestre, pavimentando o caminho para a versão militar. Neste meio tempo a equipe de projetos do fabricante voltaria a focar seus esforços na versão com a versão comercial, com a produção em série sendo iniciada em outubro do mesmo ano.  A versão SM.79-I (ou S.79K/S.79 Militare) entrou em produção em outubro de 1936, equipada com três motores Alfa Romeo 126 RC.34 (780 hp cada), capaz de transportar 1.200 kg de bombas ou um torpedo de 450 mm. Sua estrutura incluía uma fuselagem "corcunda" para acomodar a cabine estendida e metralhadoras (uma dorsal de 12,7 mm, ventral e laterais de 7,7 mm), ganhando o apelido "Gobbo Maledetto".  A produção inicial focou em exportações e usos civis, mas o regime fascista promoveu-o como símbolo de prestígio nacional. Entre 1937 e 1939, estabeleceu 26 recordes mundiais de velocidade, altitude e distância para bombardeiros médios, tornando-o o mais rápido de sua classe.
A variante SM-79C (Corsa, para corridas) foi desenvolvida a partir de cinco SM.79M, removendo armamento, nacele ventral e protuberância de bombas para melhorar a aerodinâmica, adicionando combustível extra (7.000 litros), hélices Ratier de passo variável e rádio Telefunken. Em 1937, seis SM.79C competiram na corrida Istres-Damasco-Le Bourget (2.900 km), conquistando os três primeiros lugares, com velocidades médias de até 426 km/h, superando concorrentes estrangeiros apesar de falhas mecânicas. A SM.79T (Transatlantico) evoluiu disso, com modificações em três unidades (I-BIMU, I-FILU, I-CUPA) para hélices SIAI-Savoia e maior capacidade de combustível, alcançando peso de decolagem de 14.000 kg. Em janeiro de 1938, realizaram voos Roma-Dakar-Rio de Janeiro (9.800 km em 39 horas, média de 406 km/h), demonstrando confiabilidade mesmo com um motor falhando. Essas conquistas levaram a vendas para o Brasil (três unidades para a Aviação Militar Brasileira, usadas até 1944) e uso civil pela LATI em rotas de correio Roma-Rio até 1941. A versão militar começou a ser entregue a Força Aérea Real Italiana (Regia Aeronautica) em maio de 1936, com o 12° Grupo Stormo, sendo imbuído para avaliação operacional inicial do bombardeiro e consequente desenvolvimento da doutrina de emprego. Em agosto do mesmo o SM-79 "Sparviero” completaria com sucesso o lançamento de torpedos a partir de uma distância alvo de 5 km, a operação desta variante demandava muita perícia dos pilotos em função da instabilidade aerodinâmica da aeronave quando armada com dois torpedos de grande porte. As capacidades da aeronave ainda estavam sendo exploradas quando da eclosão da Guerra Civil Espanhola, esse conflito, que opôs as forças republicanas da Segunda República Espanhola — apoiadas por voluntários internacionais e pela União Soviética — aos nacionalistas liderados pelo general Francisco Franco, com o respaldo das potências fascistas da Itália e da Alemanha, representou um prelúdio sangrento para a Segunda Guerra Mundial. O regime fascista de Benito Mussolini, alinhado ideologicamente com Franco e motivado por ambições expansionistas e anticomunistas, decidiu intervir ativamente, enviando suprimentos, tropas e aeronaves para apoiar o esforço nacionalista. No início das hostilidades em 4 de novembro de 1936, estavam disponíveis apenas seis células do SM-79 Sparviero, que passariam a operar imediatamente com suas tripulações formando a “Aviazione Legionaria” com base nas Ilhas espanholas Baleares. À medida que o conflito se intensificava, o número de células aumentou substancialmente: no início de 1937, quinze aeronaves já estavam operacionais, permitindo uma expansão das missões de combate. Sob o comando do Tenente-Coronel Riccardo Seidl, esses Sparvieros passaram a atuar sobre a região da Catalunha e as principais cidades do leste espanhol, como Barcelona e Valência, executando bombardeios estratégicos que visavam enfraquecer a resistência republicana.
Após o término da Guerra Civil Espanhola, o SM-79 "Sparviero” passou a equipar também os grupos de bombardeiro 8º Stormo e 111º Stormo, porém já em fins de 1939, quase 400 células estavam em serviço, equipando total ou parcialmente onze alas da Força Aérea Italiana (Regia Aeronautica), participando inclusive da campanha de ocupação italiana na Albânia durante o outono de 1939. Devido à experiência adquirida na Espanha, a aeronave seria submetida a modificações, nascendo assim o SM.79-II que introduziu melhorias para torpedos, com motores Alfa Romeo 126 aprimorados, remoção da baia de bombas e adição de blindagem para a tripulação. Até o início da Segunda Guerra Mundial, um total de 612 aeronaves haviam sido entregues, tornando o Savoia Marcheti SM-79 Sparviero o mais numeroso dos bombardeiros em operação na arma aérea italiana, equipando a um total de quatorze grupos (8º, 9º, 10º, 11º, 12º , 14º, 15º, 30º, 32º, 33º, 34º, 36º, 41º e 46º). Cada esquadrão empregava cerca de nove a dez aeronaves, mas isso incluía aeronaves de segunda linha, de modo que a força de cada esquadrão consistia, em média, de sete a oito bombardeiros, e cada ala tinha cerca de trinta bombardeiros. A entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, declarada por Benito Mussolini em 10 de junho de 1940, marcou um momento pivotal para a Força Aérea Real Italiana (Regia Aeronautica), que ansiava demonstrar sua superioridade tecnológica e tática contra as potências aliadas. As primeiras missões operacionais do SM-79 na Segunda Guerra Mundial datam de 13 de junho de 1940, apenas três dias após a entrada italiana no conflito, revelando a urgência com que Mussolini buscava ganhos territoriais rápidos. Na África Oriental Italiana um teatro isolado e estratégico, onde as forças italianas visavam consolidar seu império colonial contra os britânicos —, nove SM-79s do 44° Gruppo, baseados em Diredawa (atual Etiópia), decolaram para atacar o porto de Aden, no Iêmen controlado pelos britânicos. Essa incursão inicial, liderada pelo Sottotenente Tullio De Prato, envolveu o bombardeio de instalações portuárias e militares, com os Sparvieros operando em formação sem escolta de caças, confiando em sua velocidade superior a 400 km/h para evadir defesas. No entanto, o custo humano foi imediato: uma aeronave foi atingida por fogo antiaéreo e caiu em chamas, matando toda a tripulação; outra foi danificada, mas conseguiu retornar à base. Em retaliação, o atirador dorsal de um SM-79 acertou um caça britânico Gloster Gladiator, forçando-o a um pouso de emergência. Essa missão não apenas marcou o primeiro emprego combativo do SM-79 na guerra global, mas também expôs as angústias das famílias em solo italiano, aguardando notícias de filhos e maridos enviados para frentes distantes, em uma campanha que, apesar de sucessos iniciais, terminaria em derrota para as forças do Eixo na região.

Simultaneamente, no front ocidental contra a França — já enfraquecida pela invasão alemã e à beira do colapso —, o SM-79 viu ação em 13-14 de junho de 1940, durante a breve campanha alpina italiana. Nove aeronaves do 9° Stormo e dez do 46° Stormo foram despachadas para atacar navios franceses ao largo da costa da Riviera, no Mediterrâneo Ocidental. Esses raids visavam perturbar as linhas de suprimento e evacuação francesas, com os Sparvieros lançando bombas e torpedos em alvos navais, aproveitando sua configuração trimotor para manobras ágeis sobre o mar. Pouco depois, a Força Aérea Real Italiana (Regia Aeronautica) passaria a focar suas operações em Malta, uma possessão britânica crucial no Mediterrâneo Central, onde o SM.79 continuou a provar seu valor, mas também sofreu suas primeiras perdas significativas. Em maio de 1942 seria lançado o SM-79-III (ou SM.79bis/GA), com alcance melhorado para 2.600 km, passando a ser equipado com motores Alfa Romeo 128 R.C.18 com 1.000 hp cada, apresentando remoção da nacele ventral e capacidade para dois torpedos de de 450 mm. Após o armistício celebrado com os aliados em 3 de setembro de 1943, as forças remanescentes leais ao ditador Benito Mussolini, integrantes da nova Repubblica Sociale Italiana (RSI) decidiriam continuar operando o SM-79 "Sparviero" em tarefas de bombardeio e torpedo. As primeiras missões tentaram se opor aos desembarques em Anzio, onde as forças britânicas e norte-americanas haviam pousado em 22 de janeiro de 1944. A estas seguiram outras missões, mas neste momento a superioridade área aliada representada pelos modernos caças Republic P-47D Thunderbolt começaram a cobrar um alto custo em aeronaves abatidas. Durante julho de 1944, várias células seriam transferidas para a base Eleusis - Atenas para realizar surtidas no Mediterrâneo Oriental, sofrendo novamente pesadas baixas sem resultar em muito estrago, assim os SM-79 "Sparviero” se mantiveram em operação até maio de 1945. Coube ainda aos SM-79 Sparviero serem responsáveis pelo afundamento de muitos navios aliados, entre eles os destroiers HMS Fearless, HMS Bedouin, HMAS Nestor, HMS Foresight, as corvetas HMS Marigold, HMS Ibis, outros foram torpedeados e sofreram sérios danos como os cruzadores HMS Liverpool, HMS Glasgow, HMS Manchester, HMS Phoebe, HMS Arethusa e por fim o porta-aviões HMS Indomitable em 16 de julho de 1943. Por estes feitos o SM-79 Sparviero seria apelidado pelos aliados como o “Flagelo do Mediterrâneo”. Durante o conflito o modelo ainda seria usado pela Croácia, Alemanha Nazista, Iraque, Iugoslávia, Romênia Espanha e Reino Unido (aeronaves capturadas). Ao todo até o início de 1945 seriam produzidas 1.240 aeronaves, apresentando outras versões como o SM.79B (bimotor para exportação, com Fiat A.80), SM.79JR (para Romênia, com Junkers Jumo 211Da), SM.79K (para Iugoslávia) e SM.79 Flying Bomb (drone radio-controlado, não usado devido ao Armistício de 1943). Muitas células permaneceriam em operação no pós-guerra, principalmente na Itália e Líbano, sendo retiradas de serviço somente entre os anos de 1952 e 1959.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras. 
A Aviação do Exército Brasileiro tem suas raízes nos campos de batalha da Guerra da Tríplice Aliança, especificamente nas batalhas de Humaitá e Curupaiti, em 1867. Durante esse conflito, o patrono do Exército Brasileiro, Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias, demonstrou pioneirismo ao empregar balões cativos em operações militares na América do Sul. Esses balões foram utilizados com o objetivo de observar as linhas inimigas, reconhecendo a relevância da terceira dimensão (o espaço aéreo) no campo de batalha.  Essa iniciativa conferiu ao Exército Brasileiro a distinção de ser a primeira força militar do continente a utilizar balões para fins de observação e coleta de informações.  Após o término da Guerra da Tríplice Aliança, o Exército Brasileiro institucionalizou o uso de balões com a criação do Serviço de Aerostação Militar. Em 1913, um marco significativo foi alcançado com a criação da Escola Brasileira de Aviação (EsBAv), localizada no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Nesse momento, o Exército Brasileiro adquiriu seus primeiros aviões, fabricados na Itália, marcando a transição do uso de balões para aeronaves motorizadas. A eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) trouxe avanços tecnológicos significativos em armamentos, equipamentos e doutrinas militares, evidenciando a obsolescência das forças armadas brasileiras em relação aos padrões globais. Diante desse cenário, os comandantes militares brasileiros reconheceram a necessidade de modernização da força militar, para assim acompanhar as transformações do contexto internacional. Com o objetivo de reverter essa defasagem, o governo brasileiro iniciou, no segundo semestre de 1918, tratativas com o governo francês no intuído de estabelecer uma parceria de consultoria e assessoria militar. As negociações culminaram na assinatura de um contrato em Paris, que instituiu oficialmente a Missão Militar Francesa.  Esse acordo estipulava que oficiais franceses assumiriam o comando de diversas escolas militares brasileiras, por um período de quatro anos. Além disso, o contrato determinava que o Brasil priorizaria a aquisição de equipamentos e armamentos da indústria francesa, desde que os preços, prazos de entrega e qualidade fossem competitivos em relação a outros fornecedores internacionais. Neste momento passariam a ser incorporadas aeronaves modernas como os franceses  Spad XIII, Breguet 14 Potez 25 TOE e Nieuport Delage 72C1 e outros, que seguiriam durante a década de 1920 prestando excelentes serviços. Contudo no início da década seguinte a atual frota ja se mostrava obsoleta e desgastada, não oferecendo  a capacidade necessária para lidar com ameaças regionais, com este cenário sendo também agravado  por tensões internas,  que culminariam inclusive na  eclosão da Revolução Constitucionalista em 1932. 

Neste contexto movimentações referentes a modernização  da  Aviação Militar do Exército e da Aviação Naval da Marinha seriam feitas, e a busca por fornecedores internacionais de aeronaves iniciaria um processo de cooperação militar com os Estados Unidos, abrindo portas para a aquisição de aeronaves de combate modernas, incluindo caças, bombardeiros e aviões de treinamento. Este movimento atrairia a atenção de fornecedores europeus desejosos por ampliar seus negócios na América do Sul.  Na segunda metade da década e 1930, o governo fascista italiano estava profundamente estava empenhado em uma campanha de propaganda de sua máquina estatal, principalmente para divulgar a superioridade tecnológica de sua indústria, com o objetivo assim aumentar sua esfera de influência internacional e consequentemente conquistar novos mercados para seus produtos industriais.  Nesta fase, um dos expoentes do orgulho tecnológico italiano era representando pelo trimotor  Savoia Marchetti SM-79 "Sparviero", aeronave esta que era frequentemente era empregada em corridas áreas e reides e longa distância visando assim demonstrar a superioridade daquele país no meio aeronáutico. Uma destas iniciativas contemplava uma travessia do Atlântico Sul, percorrendo a mesma rota que futuramente seria operada comercialmente por aviões de transporte da empresa LATI (Linee Aeree Transcontinentali Italiane). Assim três células da versão Savoia Marcheti S-79CS Corsa (Corrida) foram seleciondas, e  além de sofrerem uma revisão geral de célula e motores, as três aeronaves escolhidas foram também modificadas para que a capacidade dos tanques de combustível fosse aumentada. Diante das modificações aplicadas nessas aeronaves, elas receberam a designação SM-79T (Transatlantico).  No dia 24 de janeiro de 1938, os três SM-79T decolaram de Guidonia para iniciar o voo Roma-Dakar-Rio. Com marcas de nacionalidade que refletiam os nomes dos comandantes de cada aeronave (I-MONI: Capitão Nino Moscattelli; I-BISE: Coronel Atílio Biseo e I-BRUN: Tenente Bruno Mussolini), os três aviões chegaram a Dakar após um voo de 10h47, percorrendo a distância de aproximadamente 4.500 km a uma velocidade média de 418 km/h. Na manhã seguinte, a esquadrilha — popularmente conhecida como Sorci Verdi (Ratos Verdes) — empreendeu a perna até Natal. No entanto, o SM-79 I-MONI foi obrigado a reduzir a velocidade de cruzeiro em vista dos problemas que surgiram com uma das hélices, o que fez com que permanecesse em Natal após a chegada, enquanto os Savoia Marchetti SM-79T I-BISE e BRUN seguiram viagem depois de realizar o reabastecimento de combustível.
Ao chegar ao Rio de Janeiro (RJ) às 22h45, os dois aviões haviam concluído um percurso de 9.850 km em exatas 24h22, a uma média de 404 km/h. Concluídos os reparos do I-MONI, este chegou ao Rio no dia seguinte sem registrar nenhum recorde, mas demonstrando que poderia realizar a travessia com segurança — um fator importante, visto que a LATI (Linee Aeree Transcontinentali Italiane). empregaria esse tipo de avião e suas versões naquele trajeto. As comemorações de praxe foram coroadas, no dia 22 de fevereiro de 1938 quando  Tenente Bruno Mussolini, filho do ditador Benito Mussolini, em um gesto de propaganda estatal oficialmente doou o SM-79T I-BRUN à Aviação do Exército (AvEx), gerando o interesse por parte do Governo Federal Brasileiro em um gesto de reciprocidade negociar a aquisição das outras duas células (I-MONI e I-BISE),  com este processo sendo concretizado em 27 de abril de 1938, quando as três aeronaves foram oficialmente incorporadas a Aviação Militar do Exército Brasileiro. Finalizada com sucesso aquela etapa, os três SM-79T foram oficialmente recebidos no dia 27 de abril de 1938 e distribuídos à Escola de Aviação do Exército no mês seguinte. Sob tutela do oficial aviador italiano Capitão Nino Moscattelli, foi ministrado, entre os meses de maio e julho, um curso de SM-79T para diversos aviadores do Exército Brasileiro. Conquanto não haja indicações concretas nesse sentido, presume-se que os seis especialistas que integravam a tripulação dos três aviões igualmente ensinaram a seus pares brasileiros as necessidades de manutenção do Savoia Marchetti SM-79T. Nominalmente adquiridos para desempenhar tarefas de reconhecimento aéreo de longa distância, o objetivo por trás da aquisição dessas três aeronaves não está até hoje muito claro. Aliado ao desejo de incorporar uma aeronave de moderníssimas características técnicas e de superlativo desempenho, é possível que a incorporação desses SM-79T assinalasse a primeira etapa de uma provável aquisição de mais aeronaves desse tipo para a Aviação do Exército (AvEx).  No entanto, é interessante observar que foi incluído em carga uma quantidade não especificada de metralhadoras Breda de 12,7 mm  para autodefesa,  e de acordo com registros oficiais, nenhuma das quais chegou a ser instalada nos SM-79T brasileiros. Durante os meses restantes de 1938 e boa parte do ano seguinte, os três SM-79T  já com as matrículas da AvEx K-420, K-421 e K-422 se mantiveram bastante ativos. De fato, um deles estabeleceu o recorde de velocidade na rota Porto Alegre–Rio de Janeiro, realizada em 2h50, a uma velocidade média de 423 km/h. Esse evento, registrado no dia 9 de junho de 1939, marcaria o ponto alto da carreira desses aviões no Brasil.
Embora os Savoia-Marchetti SM-79T continuassem a operar de maneira intermitente junto à Escola de Aviação do Exército, essas aeronaves não se revelaram particularmente adequadas ao currículo de instrução de voo da Escola de Aeronáutica do Exército. Seu uso foi restrito, em grande parte, ao treinamento multimotor e à prática de navegação, áreas nas quais demonstraram alguma utilidade. Em janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica (MAer), um marco significativo para a aviação militar brasileira, todas as aeronaves e o pessoal da Aviação Naval da Marinha do Brasil e da Aviação Militar do Exército foram transferidos para a recém-formada Força Aérea Brasileira (FAB). Nesse contexto, os três SM-79T, preservando suas matrículas originais, foram incorporados à recém-designada Escola de Aeronáutica (EAer), onde continuaram a desempenhar um papel na formação avançada de novos pilotos, mantendo sua função operacional. Ainda em 1941, estudos foram iniciados com o objetivo de avaliar a possível conversão dessas aeronaves para missões de transporte. Inicialmente, os trabalhos de adaptação estavam previstos para serem realizados nas oficinas do Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PqAerAF), no Rio de Janeiro. Contudo, o agravamento do conflito na Europa e o consequente bloqueio naval à Itália interromperam o fornecimento de peças de reposição, comprometendo severamente a disponibilidade operacional dos Savoia Marchetti SM-79T. A chegada de novas aeronaves de treinamento e transporte, provenientes dos Estados Unidos a partir do final de 1942, acelerou o processo de obsolescência desses trimotores italianos. Em 12 de fevereiro de 1943, uma das células foi oficialmente desativada. As duas aeronaves remanescentes mantiveram operações limitadas junto a Escola de Aeronáutica (EAer) , com seu último voo registrado em 29 de junho do mesmo ano. Em outubro de 1944, essas aeronaves foram formalmente desativadas da frota da Força Aérea Brasileira (FAB) destinadas à venda como sucata, encerrando, assim, a trajetória dos Savoia-Marchetti SM-79T no Brasil. A história da chegada dos SM-79T ao Brasil constitui um capítulo singular e pouco explorado da aviação militar nacional. Mais do que uma aquisição técnica, a incorporação dessas aeronaves reflete um movimento diplomático, ideológico e estratégico, influenciado pelas relações entre Brasil e Itália nos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial. Apesar de sua limitada vida operacional, os SM-79T desempenharam um papel pioneiro ao introduzir aeronaves de alto desempenho na Aviação do Exército (AvEx), contribuindo para o desenvolvimento da aviação de longo alcance no país e deixando um legado discreto, porém relevante, na história aeronáutica brasileira.


Em Escala.
Para representar com fidelidade o Savoia-Marchetti SM-79T “K-421” em sua configuração operacional a serviço da Aviação Militar do Exército (AvEx), optamos pelo clássico kit da Airfix na escala 1/72.O modelo no entanto apresenta a versao torpedeira padrao, e para configurarmos o SM-79T (Transatlântico) é necessário realizar modificações minuciosas no modelo, removendo, por meio de técnicas de scratch-building, a característica corcova dorsal e o armamento defensivo, que não eram utilizados na configuração almejada. Dado que não há um conjunto de decais dedicado exclusivamente à versão brasileira, selecionamos cuidadosamente decais provenientes de diferentes conjuntos da FCM Decais, garantindo assim uma representação autêntica e visualmente harmoniosa.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo é baseado em registros fotográficos de época, aparentando representar um padrão de pintura em verde total, onde presumimos se tratar da cor "Vert Foncé" que era o esquema empregado nas aeronaves militares de origem francesa que equiparam a Aviação Militar do Exército Brasileiro a partir do início da década de 1930. Inicialmente estas três aeronaves foram incorporadas com padrão de pintura adotado pelas aeronaves de demonstração do fabricante com as marcações da esquadrilha  de propaganda fascista "Sorci Verdi".
Bibliografia :
- Arquivo José de Alvarenga
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- Savoia-Marchetti SM.79 Wikipedia , https://en.wikipedia.org/wiki/Savoia-Marchetti_SM.79

M-3/M-3A1 e M-5 Meia Lagarta (CBTT)


História e Desenvolvimento.
No início do século XX, o surgimento dos veículos de transporte meia-lagarta popularmente conhecidos como "half-tracks"  representou uma importante inovação no campo da mobilidade. Ao combinar rodas direcionais dianteiras convencionais com um sistema de lagartas traseiras, esses veículos reuniam características até então difíceis de conciliar em uma única plataforma: a facilidade de condução e manobrabilidade dos caminhões tradicionais com a capacidade de transposição de terrenos típica dos veículos sobre esteiras. Essa configuração proporcionava excelente desempenho fora de estrada, tornando-se particularmente valiosa em ambientes marcados por lama, areia, neve ou terrenos profundamente deformados pela guerra. A origem desse conceito remonta à década de 1920, período em que a Europa ainda buscava reconstruir-se dos efeitos da Primeira Guerra Mundial. Este havia evidenciado de forma dramática as limitações dos meios de transporte convencionais em campos de batalha dominados por crateras, trincheiras e terrenos completamente destruídos pela artilharia pesada. Diante desse cenário, diversos governos europeus passaram a investir no desenvolvimento de veículos capazes de operar em condições extremas, tanto para o transporte logístico quanto para o deslocamento de tropas. Nesse contexto destacou-se o sistema de tração desenvolvido pelo engenheiro francês Adolphe Kégresse, este conceito seria denominado como sistema “Kégresse”, consistindo  substituição do eixo traseiro por um conjunto de lagartas flexíveis de borracha, solução que aumentava significativamente a capacidade de tração em terrenos irregulares sem exigir a complexidade mecânica dos tanques de combate integralmente sobre esteiras. Inicialmente concebida para aplicações civis e utilitárias, essa tecnologia rapidamente despertou o interesse militar.  Entre os primeiros veículos a incorporar esse conceito destacou-se o Citroën-Kégresse P-17, que ganhou notoriedade ao participar de expedições de longa distância  em regiões remotas da África e da Ásia, como a célebre Croisière Noire e a Croisière Jaune, Embora inicialmente destinado ao uso civil e expedicionário, o P-17 logo revelou grande potencial para aplicações militares. Sua capacidade de superar obstáculos naturais, transpor terrenos enlameados e operar em regiões praticamente inacessíveis aos caminhões convencionais transformou-o em uma plataforma extremamente versátil.  Diversas versões militares passaram então a ser produzidas, incluindo variantes destinadas ao transporte de tropas e reboque de peças de artilharia, com algumas versões sendo armadas com  metralhadoras automáticas e canhões de 37 mm. Logo despertaria a atenção de exércitos estrangeiros, entre estes os Estados Unidos,  que no início da década de 1930, buscavam modernizar suas forças mecanizadas diante das transformações observadas nos exércitos europeus. Seus militares identificaram  nos veículos meia-lagarta uma solução promissora para aumentar a mobilidade de tropas e equipamentos em terrenos onde os caminhões convencionais apresentavam severas limitações. Em 1932, o governo norte-americano lançou uma concorrência internacional visando à aquisição de até 200 veículos meia-lagarta para avaliação operacional. Fabricantes norte-americanos e europeus apresentaram diferentes propostas, mas os testes comparativos realizados pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army)  demonstraram clara superioridade do Citroën-Kégresse P-17 em aspectos relacionados à mobilidade fora de estrada, confiabilidade mecânica e capacidade de transposição de obstáculos. 

Os resultados obtidos mostraram-se suficientemente positivos para que, ainda no final de 1932, os primeiros exemplares operacionais do Citroën-Kégresse P-17 fossem incorporados ao arsenal. Dessa forma, o modelo francês tornou-se o primeiro veículo meia-lagarta  empregado pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Apesar da derrota na concorrência, a indústria automotiva nacional  reconheceu o enorme potencial operacional dos veículos meia-lagarta. Assim diversas fabricantes iniciaram programas de pesquisa e desenvolvimento. Entre as empresas que se destacaram  encontrava-se a James Cunningham & Sons, celebre por  produzir automóveis sofisticados, tornando-se reconhecida por seu elevado padrão de engenharia e acabamento artesanal.  Buscando ingressar no  segmento militar, a Cunningham desenvolveu um modelo experimental denominado T-24,  um caminhão blindado equipado com sistema de tração meia-lagarta. Apresentava soluções técnicas consideradas avançadas para a época, combinando blindagem leve, elevada mobilidade fora de estrada e capacidade de carga.  Embora  demonstrasse potencial promissor, os militares optaram inicialmente por concentrar seus esforços na incorporação dos modelos Citroën-Kégresse. Entretanto, o cenário mudaria significativamente no ano seguinte, quando este fabricante foi incorporado pela White Motor Company, empresa que possuía sólida tradição industrial e destacava-se como uma das mais importantes fabricantes de caminhões.  Durante o processo de incorporação da Cunningham, a nova administração identificou diversos projetos considerados promissores, decidindo aperfeiçoá-los. Entre esses encontrava-se justamente o conceito do veículo meia-lagarta T-24, que passou a receber atenção prioritária por parte do departamento de engenharia da empresa. Seus engenheiros  promoveram uma série de revisões estruturais e mecânicas, buscando aumentar a confiabilidade, simplificar a produção e melhorar o desempenho operacional do projeto original. Neste mesmo período os militares intensificavam  estudos relacionados à mecanização das forças terrestres, e no final do ano de 1936, seria deflagrada uma nova concorrência visando à aquisição de um lote substancial de caminhões militares meia-lagarta destinados ao transporte de tropas, reboque de peças de artilharia e apoio logístico.  Atendendo aos requisitos estabelecidos, a White Motor Company apresentou, em 1938, uma proposta inovadora baseada no chassi do já consolidado M-2 Scout Car, veículo blindado leve com tração integral 4x4 que se encontrava em serviço desde 1934. O novo modelo recebeu inicialmente a designação experimental T-9 Half-Track Truck e, posteriormente, evoluiu para o T-14 Half-Track Scout Car. Durante os testes comparativos realizados pelo Exército norte-americano, o projeto da White destacou-se de forma significativa em relação aos demais concorrentes. Além de demonstrar excelente mobilidade em terrenos acidentados e elevada robustez mecânica, o veículo apresentava uma importante vantagem logística: o compartilhamento de diversos componentes com o M-2 Scout Car já em produção. Essa comunalidade mecânica reduzia custos de fabricação, simplificava a manutenção em campanha e facilitava o treinamento das equipes de apoio técnico. Esses fatores foram considerados decisivos pelo comando militar norte-americano, levando à escolha do projeto da White Motor Company como vencedor da concorrência. 
Desta forma, em meados de 1939, foi celebrado o primeiro contrato, prevendo a aquisição inicial de aproximadamente 2.000 veículos meia-lagarta. A produção em série teve início ainda no final daquele mesmo ano, refletindo o  esforço de modernização das forças armadas  diante da deterioração do cenário político internacional e da iminência de um novo conflito em escala global. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, e a rápida expansão das campanhas militares na Europa, o governo norte-americano acelerou significativamente seu programa de reequipamento. Nesse contexto, novos contratos foram firmados, e a fabricação do veículo passou a ser compartilhada também com as empresas Autocar Company e Diamond T. Motor Car Company, ampliando a capacidade industrial necessária para atender à crescente demanda. Entretanto, apesar do elevado empenho da indústria norte-americana, os primeiros anos de produção foram marcados por dificuldades relacionadas à engenharia de fabricação e à adaptação das linhas industriais para um veículo de concepção inovadora. A integração do sistema híbrido de tração  combinando rodas direcionais dianteiras e lagartas traseiras  exigiu o desenvolvimento de novos processos produtivos e padrões de montagem, resultando em atrasos no cronograma de entregas. Somente no início de 1941 os primeiros exemplares operacionais começaram a ser entregues às unidades  do Exército dos Estados Unidos (U.S Army). Superados os problemas iniciais, a cadência de produção foi rapidamente ampliada, demonstrando a extraordinária capacidade de mobilização da indústria automobilística norte-americana durante o período de guerra. Um dos fatores decisivos para esse aumento de produção foi a adoção de componentes mecânicos já empregados em veículos comerciais civis, permitindo o aproveitamento de ferramentas, linhas de montagem e cadeias logísticas já existentes. Essa estratégia reduziu custos, simplificou a manutenção e acelerou significativamente o processo de montagem. Oficialmente designado como M-2 Half Track, foi concebido com base em soluções já utilizadas nos modelos M-2  e M-3 Scout Car, compartilhando diversos componentes estruturais e mecânicos. Elementos visuais característicos, como a grade frontal, os para-lamas e o conjunto óptico, mantinham forte semelhança entre os veículos, favorecendo a padronização logística e manutenção. Apresentava ainda um cilindro metálico montado na parte frontal do chassi, destinado a auxiliar a transposição de trincheiras, obstáculos e elevações acentuadas do terreno recurso particularmente útil nos campos de batalha europeus. Para autodefesa, o veículo era equipado com 02 metralhadoras Browning M1917 calibre .30, instaladas sobre um trilho circular que percorria o compartimento de combate. Esse sistema permitia ampla liberdade de movimentação ao atirador, garantindo cobertura defensiva em praticamente todos os ângulos ao redor da viatura. Inicialmente concebido como um trator de artilharia destinado ao reboque de peças leves e médias, o M-2 tornou-se rapidamente um elemento indispensável nas unidades mecanizadas norte-americanas. Sua robustez, mobilidade e versatilidade operacional permitiram o transporte em terrenos onde caminhões convencionais apresentavam severas limitações. Entre as principais peças de artilharia rebocadas pelo veículo destacavam-se os obuseiros M2A1 105mm e os canhões anticarro M1 57mm, consolidando seu papel  como um dos mais importantes veículos de apoio tático das forças aliadas.

Além de tracionar essas peças de artilharia, desempenhava também a importante função de veículo de suprimento de munições, assegurando o apoio logístico necessário para operações prolongadas em combate. Sua capacidade de deslocamento em terrenos difíceis permitia manter o fluxo contínuo de abastecimento mesmo em regiões onde caminhões convencionais encontravam severas restrições. Entretanto, a versatilidade do M-2  extrapolou rapidamente sua função original de trator de artilharia. O veículo passou a ser amplamente empregado no transporte de esquadrões de infantaria especializados no uso da metralhadora pesada Browning M2 calibre .50. Nessas unidades, o blindado assegurava não apenas o deslocamento rápido das equipes de combate, mas também o transporte das armas, munições e equipamentos auxiliares necessários para o emprego contínuo em operações ofensivas e defensivas. Seu batismo de fogo  ocorreu nos primeiros meses de 1942, durante a Campanha das Filipinas, no Teatro de Operações do Pacífico. Empregados inicialmente em funções de apoio e transporte, os veículos demonstraram boa capacidade de deslocamento em terrenos difíceis, embora também tenham revelado limitações operacionais importantes quando submetidos às duras condições de combate tropical. Na ausência inicial de veículos blindados especializados para reconhecimento, numerosos M-2 Half Track foram improvisadamente adaptados para missões de exploração e patrulhamento avançado. Centenas de unidades receberam modificações de campo destinadas a ampliar sua capacidade de observação e autodefesa, desempenhando temporariamente funções de reconhecimento tático tanto no Norte da África quanto posteriormente no teatro europeu. Contudo, à medida que veículos mais modernos como o M-20 e o M-8 começaram a entrar em serviço no final de 1943, seriam gradualmente substituído nessas funções. Apesar do entusiasmo inicial em torno do conceito meia-lagarta, a experiência operacional acumulada nos primeiros anos da guerra evidenciou diversos problemas mecânicos e limitações técnicas no M-2. Relatórios enviados pelas unidades de combate apontavam falhas recorrentes na suspensão, desgaste prematuro de componentes da transmissão e dificuldades de manutenção em ambientes severos de operação. Além disso, a configuração interna do veículo apresentava limitações ergonômicas e operacionais que afetavam sua eficiência em combate. Melhorias seriam sugeridas, resultando do desenvolvimento do modelo M-2A1, onde se destacavam melhorias no conjunto motriz e nos componentes mecânicos. Externamente, passou a incorporar um suporte circular elevado sobre o assento do auxiliar do motorista, destinado à instalação de uma metralhadora Browning M2 calibre .50. Essa alteração ampliava consideravelmente o poder de fogo defensivo do veículo, permitindo engajar alvos terrestres e aeronaves em baixa altitude com maior eficiência. Ao longo da Segunda Guerra Mundial, os veículos meia-lagarta das famílias M-2 e M-2A1  continuaram a desempenhar funções de grande relevância nos principais teatros de operações aliados, tanto na Europa quanto no Pacífico. Sua combinação de mobilidade, robustez mecânica e versatilidade tática transformou-os em elementos indispensáveis para o apoio às unidades de infantaria mecanizada, artilharia e reconhecimento. Entre os anos de 1940 e 1942, a produção combinada dos modelos M-2 e M-2A1 atingiu aproximadamente 13.500 veículos.
Contudo, a experiência acumulada em combate demonstrou a necessidade de aperfeiçoamentos estruturais, levando ao desenvolvimento do modelo M-3, que passaria  gradativamente passou a ocupar as linhas de montagem da  White Motor Company, a Autocar Company e a Diamond T Motor Car Company. O M-3 apresentava melhorias importantes em relação aos modelos anteriores, incluindo maior capacidade de transporte de tropas, melhor disposição interna e a introdução de uma porta traseira de acesso, característica muito valorizada pelas tropas em combate. Além das versões destinadas ao transporte de pessoal, reconhecimento e comando, surgiram configurações voltadas à defesa antiaérea e ao apoio de fogo autopropulsado. Entre as mais importantes destacavam-se os modelos antiaéreos M-13, M-14, M-15, M-16 e M-17 Multiple Gun Motor Carriage (MGMC), equipados com torres Maxson elétricas armadas com metralhadoras Browning M-2HB calibre .50, capazes de oferecer eficaz cobertura contra aeronaves de baixa altitude e apoio de fogo terrestre. No campo da artilharia autopropulsada, a plataforma também deu origem a variantes armadas com canhões e obuseiros, como os T-12/M3 75 mm Gun Motor Carriage (GMC), T-19 105 mm Howitzer Motor Carriage (HMC), M-21 81 mm Mortar Motor Carriage (MMC), T-30 75 mm HMC, T-38 105 mm HMC e o T-48 Gun Motor Carriage. Posteriormente, seria desenvolvido o modelo M-5K, concebido principalmente em função das limitações estratégicas relacionadas à disponibilidade de materiais estratégicos. Uma das principais diferenças em relação ao M-3 residia na adoção de blindagem em aço homogêneo laminado (Rolled Homogeneous Armor – RHA), substituindo o aço endurecido superficialmente (face-hardened armor). Essa alteração permitiu simplificar a construção, favorecendo estruturas soldadas de contornos mais suaves e reduzindo riscos internos causados por fragmentação de parafusos ou desprendimento de placas atingidas por projéteis. Entretanto, o aço homogêneo apresentava menor resistência balística contra munições perfurantes, exigindo o aumento da espessura da blindagem lateral  que alcançava até 7,9 mm, contra 6,35 mm. Como consequência, houve incremento do peso total da viatura, demandando reforços estruturais nos eixos e suspensão. Outra importante alteração foi a adoção do motor International Harvester RED-450-B, um propulsor de seis cilindros a gasolina, capaz de desenvolver aproximadamente 143 hp, derivado diretamente dos caminhões militares produzidos pela International Harvester Company (IHC). Apesar das melhorias, o M-5 foi classificado  como “Standard Limited”, sendo sua produção direcionada prioritariamente a exportação. Somadas, as produções das famílias M-3 e M-5 ultrapassariam a impressionante marca de 53.000 viaturas fabricadas entre 1942 e 1945. Esses veículos seriam empregados em praticamente todos os cenários operacionais da Segunda Guerra Mundial, desde os desertos do Norte da África até as selvas do Pacífico e os campos gelados da Europa Central. Com o término do conflito, a rápida evolução tecnológica dos blindados sobre esteiras e rodas determinou a gradual retirada de serviço dos meia-lagarta nas forças armadas norte-americanas. Grande parte dessas viaturas foi desmontada ou transformada em sucata. Entretanto, milhares de exemplares foram transferidos a países aliados no contexto da política externa e militar dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Entre os países que receberam veículos das famílias M-2, M-3 e M-5 destacavam-se Chile, Dinamarca, Áustria, Argentina, França, Grécia, Israel, Itália, Índia, Japão, Coreia do Sul, México, Noruega, Paquistão, Paraguai, Portugal, Filipinas e Zaire.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a observar com crescente preocupação a possibilidade de uma expansão militar das potências do Eixo sobre o continente americano. Essa percepção tornou-se particularmente alarmante após a rápida derrota da França em junho de 1940, evento que alterou profundamente o equilíbrio estratégico no Atlântico. Com a capitulação francesa e a subsequente colaboração do regime de Vichy com a Alemanha, setores do comando militar norte-americano passaram a considerar a hipótese de utilização de territórios coloniais franceses e posições estratégicas no Atlântico  como Dakar, na África Ocidental Francesa, e as Ilhas Canárias  como potenciais bases de apoio para operações militares do Eixo no hemisfério ocidental. Nesse contexto geopolítico, o Brasil passou a assumir importância estratégica singular para os Aliados. Sua posição geográfica, especialmente na região Nordeste, representava o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano, constituindo uma verdadeira ponte natural sobre o Atlântico Sul. Cidades como Recife e Natal tornaram-se fundamentais para o planejamento logístico aliado, pois permitiam o estabelecimento de rotas aéreas e marítimas destinadas ao envio de tropas, equipamentos e suprimentos para os teatros de operações do Norte da África, Mediterrâneo e posteriormente da Europa. Ao mesmo tempo, o avanço japonês no Sudeste Asiático e no Pacífico provocou a perda de importantes áreas produtoras de borracha natural sob controle aliado, especialmente nas colônias britânicas e holandesas da Ásia. Essa conjuntura elevou dramaticamente a relevância econômica do Brasil, que passou a desempenhar papel essencial como fornecedor de látex natural  matéria-prima indispensável para a produção de pneus, mangueiras, vedantes e inúmeros componentes críticos para a indústria de guerra norte-americana. A chamada “Batalha da Borracha” transformou a Amazônia brasileira em uma região de elevada importância estratégica para o esforço aliado. Paralelamente, a intensificação das operações submarinas alemãs no Atlântico Sul ampliou a vulnerabilidade das rotas marítimas que ligavam o Brasil aos Estados Unidos. Os ataques conduzidos por submarinos da Marinha Alemã  (Kriegsmarine) contra navios mercantes brasileiros e aliados passaram a representar séria ameaça ao fluxo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria bélica norte-americana. Esse cenário reforçou ainda mais a necessidade de estreita cooperação militar entre os dois países. Diante dessas circunstâncias, observou-se uma rápida aproximação diplomática, econômica e militar entre os governos de Getúlio Vargas e Franklin D. Roosevelt. Essa convergência de interesses resultou em uma série de acordos estratégicos voltados à modernização das Forças Armadas Brasileiras e à consolidação da defesa hemisférica continental. Entre as iniciativas mais relevantes destacou-se a adesão brasileira ao programa Lend-Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), pelo qual o pais recebeu  uma linha de crédito de aproximadamente US$ 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de armamentos, veículos militares, aeronaves, navios e equipamentos modernos. Os recursos oriundos do programa permitiram significativa modernização das Forças Armadas Brasileiras, possibilitando a incorporação de aeronaves de combate, veículos blindados, carros de combate, caminhões militares, sistemas de comunicação e armamentos.

À medida que a cooperação bilateral se intensificava, o envolvimento brasileiro no esforço aliado tornava-se cada vez mais amplo. O presidente Getúlio Vargas passou então a defender publicamente que o país não deveria limitar sua contribuição apenas ao fornecimento de matérias-primas estratégicas e à cessão de bases militares. Gradualmente começou a amadurecer, tanto nos meios políticos quanto militares, a possibilidade de participação direta brasileira no conflito, incluindo o eventual envio de tropas para atuar em teatros operacionais no exterior. No âmbito deste acordo, a partir do final de 1941, começou a receber um expressivo volume de equipamentos bélicos provenientes dos Estados Unidos, abrangendo caminhões, veículos utilitários leves, aeronaves, embarcações e armamentos.  Neste escopo estava prevista a cessão de  481 veículos novos de fábrica, distribuídos entre os modelos M-2, M-2A1 e M-3, com suas  entregas planejadas até o final de 1943. Contudo, esse cronograma sofreu alterações significativas devido à priorização do fornecimento desses veículos às forças aliadas que se preparavam para operações cruciais, como a Operação Tocha (invasão do Norte da África em 1942) e a subsequente campanha na Europa. A necessidade de equipar rapidamente as tropas aliadas em teatros de guerra prioritários resultou em atrasos consideráveis nas entregas. Como consequência, a maior parte dos veículos prometidos só foi recebida  após o término do conflito, em 1945, e em quantidades bem inferiores às originalmente estipuladas. Apesar disso, a partir do início de 1942, os primeiros lotes de equipamentos militares começaram a chegar ao país, incluindo um número inicial de veículos meia-lagarta: 08 viaturas do modelo M-2 e 25 do M-2A1 e algumas poucas unidades dos modelos M-3 e M-3A1. Nesta época, curiosamente o Exército Brasileiro já operava uma pequena quantidade de veículos meia lagarta dos modelos Sd.Kfz.7  e  Somua - Citroën Kegresse, que eram empregados nos grupos de artilharia antiaérea, tracionando canhões Flak Krupp 88 mm C/56 e sistemas de localização de aeronaves pelo som do tipo  BBT (Barbier,Bernard & Turenne). Assim os meia lagarta norte-americanos  representaram um marco na modernização da força terrestre, que neste momento buscava estruturar unidades blindadas motorizadas e motomecanizadas para atender às demandas de um contexto global de guerra. Logo que recebidos foram destinados a equipar as recém-criadas unidades blindadas motorizadas e motomecanizadas, que visavam aumentar a mobilidade e a capacidade operacional do Exército Brasileiro. Assim que disponibilizados, os M-2, M-2A1, M-3 e M-3A1 foram distribuídos às unidades, desempenhando funções essenciais no transporte de tropas, munições e cargas. Esses veículos complementavam os carros blindados sobre rodas M-3A1 Scout Car, que eram utilizados para tracionar canhões antitanque M-3 de 37 mm, integrando as baterias de artilharia anticarro auto rebocados. Como já se delineava desde o agravamento do conflito mundial, o Brasil acabaria assumindo uma participação mais ampla e efetiva no esforço de guerra aliado. Essa intenção seria oficialmente concretizada em 9 de agosto de 1943, quando, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744  publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês  foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). A decisão representou um marco histórico, consolidando o alinhamento político e militar do país com os Aliados e inaugurando a participação direta no conflito. 
A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi estruturada com base na organização da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), ficando sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais. Inspirada na doutrina operacional do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), a força foi concebida para atuar de forma integrada às forças norte-americanas no Teatro de Operações do Mediterrâneo, adotando padrões organizacionais, logísticos e táticos compatíveis com os empregados pelas forças aliadas. Além da divisão principal de infantaria, a estrutura  compreendia diversos órgãos não divisionários indispensáveis ao funcionamento da força expedicionária. Sua composição incluía quatro grupos de artilharia  sendo três equipados com obuseiros de 105 mm e um com peças de 155 mm , um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, uma companhia de comunicações, um esquadrão de reconhecimento mecanizado, além de unidades de apoio logístico e administrativo. A estrutura contemplava ainda um comando próprio, companhia de manutenção, companhia de intendência, destacamento de saúde, pelotão de polícia, pelotão de sepultamento e, simbolicamente, uma banda de música militar, elemento tradicional das  formações expedicionárias da época. Composta por aproximadamente 25 mil militares, o contingente foi preparado para operar segundo os conceitos modernos de guerra motomecanizada então empregados pelos Aliados. A elevada mobilidade tática exigida pelas operações contemporâneas demandava uma expressiva frota de veículos para transporte de tropas, reconhecimento, apoio logístico e deslocamento de artilharia. Dessa forma, a motorização tornou-se um dos pilares centrais de sua organização operacional. Entretanto, ao contrário do que inicialmente se esperava, os veículos meia-lagarta das versões M-2 e M-2A1 não foram fornecidos às tropas brasileiras. Em seu lugar, foi recebido um número limitado de veículos das versões M-3 e M-3A1, empregados principalmente pelo 1º Esquadrão de Reconhecimento. Essas viaturas desempenharam funções de transporte de pessoal, apoio logístico e reconhecimento tático, sendo utilizadas em diversas operações ao longo da campanha. Com o término do conflito, iniciou-se um amplo processo de redistribuição do excedente militar norte-americano. Nesse contexto, o Brasil passou a receber grandes quantidades de veículos blindados e equipamentos considerados excedentes de guerra, em condições operacionais ainda satisfatórias. Entre esses materiais encontravam-se numerosos veículos meia-lagarta das versões M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5. O processo de incorporação desses blindados ao Exército Brasileiro estendeu-se até fevereiro de 1947, totalizando uma frota de 303 veículos. Neste momento receberiam a  designação  de “Transporte de Rolamento Misto ½ Lagarta”. A chegada desse expressivo volume de viaturas representou um verdadeiro divisor de águas para a evolução da Força Terrestre brasileira. Até então, o Exército Brasileiro ainda mantinha forte dependência de meios hipomóveis e de transporte convencional, herança de uma doutrina militar baseada, em grande medida, na tração animal e em estruturas logísticas típicas do período anterior à Segunda Guerra Mundial.  A incorporação dos veículos meia-lagarta norte-americanos permitiu acelerar de forma decisiva o processo de mecanização das unidades de infantaria e cavalaria, marcando o início da transformação do Exército Brasileiro em uma força efetivamente motomecanizada.

Posteriormente, essas viaturas passaram a receber oficialmente a designação de Carro Blindado de Transporte de Tropas (CBTT), sendo distribuídas entre diversas organizações militares, incluindo Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (Esqd C Mec) e Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (Esqd RC Mec). Sua introdução proporcionou um salto qualitativo na mobilidade tática das tropas, permitindo deslocamentos mais rápidos, maior proteção durante o transporte de pessoal e significativa ampliação da capacidade operacional das unidades mecanizadas. Em serviço, os modelos M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5 desempenharam múltiplas funções. Além do transporte de tropas e suprimentos, foram amplamente empregados no reboque de peças de artilharia, em especial dos obuseiros M-101 AR 105 mm, garantindo elevada mobilidade às unidades de apoio de fogo. Algumas viaturas receberam adaptações específicas para atuar como porta-morteiros de 81 mm, enquanto outras, equipadas com modernos sistemas de rádio de longo alcance, passaram a exercer funções de comando e controle no campo de batalha. Embora apresentassem limitações inerentes ao projeto original  sobretudo no que se referia à proteção blindada reduzida e à vulnerabilidade do compartimento aberto os veículos meia-lagarta cumpriram satisfatoriamente as missões para as quais haviam sido concebidos. Durante mais de duas décadas, constituíram a espinha dorsal da mobilidade blindada do Exército Brasileiro, contribuindo diretamente para a consolidação da doutrina mecanizada no país. Entretanto, ao final da década de 1960, o envelhecimento natural da frota começou a impor sérios desafios operacionais e logísticos. O desgaste estrutural das viaturas, associado à crescente dificuldade de obtenção de peças de reposição para os motores a gasolina e demais componentes mecânicos  cuja fabricação havia sido descontinuada havia muitos anos  resultou em um progressivo declínio dos índices de disponibilidade operacional. Em consequência, apenas uma parcela reduzida da frota permanecia em condições adequadas de emprego. Esse cenário tornava-se particularmente preocupante em um contexto de tensões geopolíticas regionais, no qual a manutenção da prontidão operacional das forças mecanizadas era considerada estratégica para a defesa nacional. Apesar da incorporação de novos blindados sobre lagartas no início da década de 1960, como os FMC M-59, e do avanço das negociações para a aquisição dos mais modernos FMC M-113A0, o Alto Comando do Exército identificava a existência de uma lacuna operacional de curto prazo. Havia receio de que o cronograma de recebimento e distribuição desses novos veículos sofresse atrasos, comprometendo a capacidade de transporte blindado das unidades mecanizadas. Diante dessa realidade, os veículos meia-lagarta ainda em serviço passaram a ser considerados ativos de elevado valor estratégico. Assim, foram iniciados estudos visando à implementação de um programa de remotorização e modernização parcial da frota remanescente. O objetivo principal consistia em prolongar a vida útil operacional dessas viaturas, reduzir os custos de manutenção e assegurar níveis mínimos de mobilidade e operacionalidade até a plena substituição pelos novos blindados de transporte de tropas sobre lagartas.
Essa missão foi confiada ao Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), sediado em São Paulo, organização militar que à época concentrava importante capacidade técnica nas áreas de manutenção, recuperação e adaptação de viaturas blindadas. Coube à sua equipe de engenheiros e especialistas iniciar os estudos de viabilidade destinados à este programa, com os trabalhos concentrando na substituição do motor original a gasolina, por modelos a gasolina. Desde o principio a diretriz principal consistia em alcançar o maior índice possível de nacionalização de componentes, reduzindo a dependência de peças importadas e estimulando a participação da indústria nacional. Embora ainda existissem reservas dentro de determinados setores do Alto Comando  quanto à real capacidade técnica para executar um programa de repotenciamento dessa complexidade, prevaleceu gradativamente o entendimento de que a iniciativa representava uma solução viável. Como plataforma experimental para o programa foi selecionada uma viatura M-2, que após estudos deveria ser equipada com um motor nacional a diesel Perkins Modelo 6357 com 06 cilindros em linha, capaz de desenvolver aproximadamente 142 hp de potência. O programa apresentava perspectivas extremamente promissoras, sobretudo pelo êxito alcançado no objetivo secundário de ampliação da nacionalização de componentes.  Entre os itens incorporados destacavam-se as novas sapatas de borracha para as lagartas, produzidas pela empresa brasileira Novatração Artefatos de Borracha Ltda., além de pneus nacionais, novos sistemas de combustível e tanques auto-obturantes resistentes à perfuração balística. Essas modificações contribuíam não apenas para melhorar a operacionalidade dos veículos, mas também para reduzir significativamente os custos de manutenção e abastecimento. Os trabalhos evoluíram sem maiores dificuldades técnicas, sendo acompanhados de perto por representantes das empresas fornecedoras envolvidas no projeto.  Merece destaque especial a participação da equipe de engenharia da Perkins do Brasil S/A, que prestou suporte técnico direto durante as fases de adaptação e integração do novo conjunto motriz. O protótipo do M-2 remotorizado foi concluído em julho de 1972, sendo oficialmente apresentado ao Comando do Exército Brasileiro no mês seguinte.  Posteriormente, a viatura foi entregue à Diretoria de Motomecanização (DMM), responsável por conduzir um extenso programa de testes e avaliações operacionais destinados a verificar a viabilidade técnica e logística da modernização. Os resultados obtidos durante os ensaios foram considerados amplamente satisfatórios. Após a conclusão da fase de avaliação, o protótipo recebeu homologação oficial, autorizando o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar a implementar o programa de remotorização em todos os veículos da família meia-lagarta ainda em serviço ativo. Gradativamente, as viaturas remanescentes passaram a ser recolhidas para modernização e posteriormente redistribuídas às unidades operacionais. Após o repotenciamento, esses blindados continuaram desempenhando satisfatoriamente suas funções rotineiras durante toda a década de 1970 e parte dos anos 1980, contribuindo para manter a capacidade de transporte mecanizado  até a chegada dos novos veículos blindados nacionais Engesa EE-11 Urutu.  As últimas unidades da família meia-lagarta somente seriam retiradas de serviço em meados da década de 1980, encerrando um importante capítulo da mecanização do Exército Brasileiro.

Em Escala.
A recriação do Carro Blindado de Transporte de Tropas – CBTT M-3A1 , registrado como "EB10-143", em escala 1/35, envolveu o emprego do antigo kit produzido pela  Tamiya na escala 1/35. Para enriquecer o modelo, foram utilizados acessórios em resina, que adicionaram realismo e precisão aos detalhes. Esses componentes incluíram itens como ferramentas, caixas de munição, suportes de armas e outros equipamentos. Fizemos uso de decais pertencentes ao set  "Veículos Militares Brasileiros 1944–1982", produzido pela Eletric Products.
Os blindados meia-lagarta White M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5, como os demais veículos fornecidos ao Exército Brasileiro nos termos do Lend-Lease Act, foram entregues ostentando o padrão de pintura tático do Exército dos Estados Unidos (US Army) que fora empregado durante as década de 1940. Esse esquema, baseado no sistema de cores Federal Standard (FS) em olive drab, foi mantido pelo Exército Brasileiro após o término da Segunda Guerra Mundial, acompanhado de um sistema de matrícula que perdurou até a desativação dessas viaturas na década de 1980. 
Bibliografia:
- Meia Lagartas no Exército Brasileiro por Expedito Carlos S. Bastos - Revista Hobby News Nº 27
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos
- M-2 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M2_Half_Track_Car
- M-3 Half Track Car -  Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Half-track

VU-35A e R-35AM Learjet 35A

História e Desenvolvimento.
A Gates Learjet Corporation consolidou-se como uma das mais influentes fabricantes de aeronaves de transporte executivo no cenário aeronáutico internacional, distinguindo-se pela oferta de modelos que combinavam elevado desempenho, sofisticação tecnológica e uma relação custo-benefício particularmente competitiva. A trajetória dessa empresa emblemática remonta, contudo, a um projeto de natureza militar concebido na Europa no contexto do pós-guerra, evidenciando a recorrente transição de tecnologias militares para aplicações civis ao longo do século XX. As origens desse desenvolvimento situam-se na Suíça, em 1952, quando a Força Aérea da Suíça (Schweizer Luftwaffe) lançou um programa destinado à criação de uma moderna aeronave de ataque ao solo, designada FFA P-16. O projeto foi conduzido pela Flug- und Fahrzeugwerke Altenrhein, organização especializada em engenharia aeronáutica. O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em maio de 1955, revelando um conceito avançado para a época, caracterizado por soluções aerodinâmicas inovadoras e desempenho promissor. Os resultados iniciais dos ensaios em voo foram suficientemente encorajadores para garantir um contrato de produção de 100 unidades. Entretanto, dificuldades técnicas surgidas durante a fase inicial de fabricação  agravadas pela perda de duas aeronaves de pré-produção em acidentes  comprometeram a continuidade do programa, culminando em seu cancelamento em 1958. Esse desfecho obrigou a Flug- und Fahrzeugwerke Altenrhein a reavaliar suas estratégias, buscando alternativas que permitissem aproveitar o significativo investimento já realizado. Nesse contexto, a empresa voltou-se para o mercado civil, particularmente o norte-americano, então em plena expansão no segmento da aviação executiva. Como parte dessa reorientação, foi desenvolvida uma versão adaptada do projeto original, denominada P-16 AJ-7, concebida para aplicações civis. Em 1962, durante uma campanha de demonstração nos Estados Unidos, a aeronave chamou a atenção de Bill Lear, filho de William P. Lear e figura central no desenvolvimento da aviação executiva moderna. Após um voo de avaliação, Lear destacou particularmente as qualidades aerodinâmicas do projeto, sobretudo o desenho das asas, que possibilitava operações em pistas relativamente curtas  uma característica altamente valorizada nesse segmento de mercado. As impressões favoráveis resultaram na abertura de negociações entre a Flug- und Fahrzeugwerke Altenrhein  e o grupo liderado por Lear, culminando, ainda em 1962, na criação da Swiss American Aviation Corporation (SAAC). Essa organização representava uma associação entre a engenharia suíça e a visão empresarial norte-americana, tendo como objetivo o desenvolvimento de um jato executivo profundamente adaptado às exigências do mercado civil. O projeto original foi então submetido a uma revisão abrangente, com a participação de engenheiros de renome, como Gordon Israel  que havia contribuído para aeronaves como o Grumman F7F Tigercat e o F9F Panther  e Hans-Luzius Studer, integrante da equipe original suíça. Sob essa nova abordagem, as asas foram redesenhadas e diversos aperfeiçoamentos estruturais e aerodinâmicos foram incorporados, resultando no modelo SAAC-23, posteriormente denominado Learjet 23.

Entretanto, obstáculos de natureza regulatória  em especial aqueles relacionados à legislação trabalhista suíça  inviabilizaram a estratégia inicial de produção local . Diante desse cenário, o fabricante optou por transferir a maior parte de suas operações para os Estados Unidos, enquanto a Flug- und Fahrzeugwerke Altenrhein (FFA) passou a atuar como subcontratada, responsável pelo fornecimento de componentes estruturais e subconjuntos. Em 1963, consolidando essa reestruturação, seria fundada na cidade de Wichita, Kansas a Lear Jet Corporation. O desenvolvimento da nova aeronave  atingiu um marco decisivo em 7 de outubro de 1963, com a realização de seu voo inaugural. Esse evento simbolizou o início de uma nova etapa na aviação executiva, caracterizada pela introdução de aeronaves a jato de alto desempenho em um segmento até então dominado por aviões a hélice. O programa avançou rapidamente, e, em 5 de março de 1964, o segundo protótipo realizou seu primeiro voo. Todavia, em junho do mesmo ano, um grave acidente ocorrido durante ensaios de certificação junto à Federal Aviation Administration (FAA) representou um revés significativo, retardando temporariamente o cronograma de desenvolvimento. Ainda assim, a equipe técnica demonstrou notável resiliência, retomando os trabalhos e logrando obter a certificação oficial em 31 de julho de 1964. Esse êxito permitiu o início da produção em série e viabilizou as primeiras entregas a clientes civis a partir do final de outubro daquele ano. Projetado para transportar entre seis e oito passageiros, o Learjet 23 destacou-se por seu elevado desempenho, notadamente sua alta velocidade e capacidade de operar em pistas relativamente curtas  características que rapidamente o tornaram um referencial no emergente mercado de aviação executiva. Em 1965, refletindo a consolidação da liderança de William P. Lear e a identidade própria da empresa, a  foi oficialmente renomeada como Lear Jet Corporation. O sucesso comercial estimulou o desenvolvimento de versões aprimoradas, culminando no lançamento dos modelos Learjet 24 e Learjet 25 entre fevereiro e agosto de 1966. Essas variantes incorporaram melhorias significativas em alcance, eficiência operacional e conforto, acompanhando a crescente sofisticação das demandas do mercado executivo internacional. Em 10 de abril de 1967, em meio aos elevados custos associados ao desenvolvimento e à expansão produtiva, William P. Lear decidiu vender sua participação na empresa à Gates Rubber Company, sediada em Denver, Colorado. Apesar da transação, ele permaneceu vinculado ao conselho administrativo até 2 de abril de 1969, quando a Lear Jet Corporation foi incorporada à Gates Aviation Corporation, dando origem à Gates Learjet Corporation. Essa reorganização institucional marcou o início de uma nova fase de expansão e consolidação tecnológica. No início da década de 1970, a empresa deu continuidade ao seu processo de inovação ao iniciar, em 1971, os testes do Learjet 25BGF. Essa versão incorporava o motor turbofan Garrett TFE731-2, desenvolvido para atender às crescentes exigências internacionais de redução de ruído. Em comparação com os motores turbojato General Electric CJ610 utilizados nas versões anteriores, o novo propulsor oferecia maior eficiência, níveis significativamente inferiores de ruído e melhor desempenho geral, representando um avanço técnico relevante e alinhado às transformações regulatórias e ambientais.
A introdução de uma nova geração de motores, em substituição aos turbojatos General Electric CJ610, representou um salto qualitativo no desempenho dos jatos executivos da Gates Learjet Corporation. Ensaios conduzidos durante o desenvolvimento evidenciaram ganhos expressivos em potência e, sobretudo, uma significativa redução nos níveis de ruído  fator cada vez mais determinante diante do endurecimento das regulamentações internacionais. Esse conjunto de melhorias viabilizou o desenvolvimento de uma nova variante, designada Learjet 35. O protótipo  realizou seu voo inaugural em 22 de agosto de 1973, na cidade de Wichita, Kansas, e obteve a certificação da Federal Aviation Administration (FAA) em julho de 1974. Ao todo, foram produzidas 64 unidades dessa versão inicial, majoritariamente destinadas ao mercado civil norte-americano, onde a aeronave rapidamente conquistou reconhecimento por seu desempenho e eficiência. Paralelamente, a consolidação da marca Learjet no cenário global tornou-se evidente: em 1974, a frota mundial de aeronaves da empresa ultrapassou a marca de um milhão de horas de voo  um feito pioneiro na aviação executiva. No ano seguinte, a produção atingiu a expressiva marca de 500 aeronaves entregues, refletindo o sucesso comercial e a crescente demanda. Até o final de 1976, a capacidade industrial foi significativamente ampliada, alcançando um ritmo de aproximadamente dez aeronaves produzidas por mês. A evolução natural desse programa resultou no desenvolvimento do Learjet 35A, versão aprimorada equipada com os motores turbofan Garrett TFE731-2-2B. Entre suas principais inovações destacava-se o aumento da capacidade de combustível  totalizando 931 galões americanos (3.524 litros)  com um sistema de abastecimento otimizado por meio de tanques instalados nas pontas das asas. Essa configuração elevou o alcance operacional para cerca de 3.690 km, ampliando significativamente a flexibilidade de emprego da aeronave. As primeiras unidades do Learjet 35A começaram a ser entregues em meados de 1976, substituindo progressivamente o modelo anterior no portfólio da empresa. Suas qualidades foram prontamente reconhecidas pelo mercado: a combinação de menor consumo específico de combustível, maior conforto na cabine e níveis reduzidos de ruído consolidou o modelo como um dos mais bem-sucedidos de sua categoria. Em paralelo, a Gates Learjet Corporation introduziu, em 1975, a variante de alcance estendido Learjet 36. No ano seguinte, essa aeronave ganhou projeção internacional quando o renomado golfista Arnold Palmer estabeleceu um recorde mundial de circum-navegação em sua categoria, ao percorrer 22.894 milhas (36.990 km) em 57 horas, 25 minutos e 42 segundos  um feito que evidenciou as excepcionais capacidades de alcance e desempenho do modelo. O êxito alcançado no mercado civil, tanto doméstico quanto internacional, despertou rapidamente o interesse de operadores militares. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF)  tornou-se o primeiro cliente militar do modelo, ao adquirir uma versão adaptada para missões de transporte executivo (VIP), com capacidade para até oito passageiros. Essa variante apresentava ainda a possibilidade de configuração para evacuação aeromédica, podendo acomodar até quatro macas e equipamentos essenciais de suporte à vida.

No âmbito militar, a aeronave recebeu a designação C-21A. O contrato firmado previa a aquisição de 65 unidades, com as entregas iniciadas em abril de 1984 e concluídas até outubro de 1985,  essas aeronaves foram distribuídas por diversas unidades operacionais espalhadas pelo pais  para emprego em  transporte especial VIP. Paralelamente, na função de evacuação aeromédica, apresentaram elevada versatilidade, graças a interiores configuráveis que permitiam o transporte de até quatro macas, além de equipamentos médicos essenciais para atendimentos de emergência. Em 1º de abril de 1997, no âmbito de uma ampla reestruturação organizacional, todas as aeronaves C-21A baseadas no território continental dos Estados Unidos foram transferidas para o Air Mobility Command (AMC), ficando subordinadas ao 375th Airlift Wing, sediado na Scott Air Force Base. Essa centralização teve como objetivo aprimorar a gestão, padronizar procedimentos e otimizar as atividades de manutenção e emprego operacional. As aeronaves estacionadas fora do território continental permaneceram sob responsabilidade dos comandos regionais norte-americanos, garantindo suporte em áreas estratégicas ao redor do mundo. Adicionalmente, parte da frota foi transferida para unidades da Guarda Aérea Nacional (Air National Guard), ampliando a flexibilidade e a capilaridade do emprego dessas aeronaves em diferentes contextos operacionais. Mesmo com o avanço tecnológico de plataformas mais modernas, os C-21A permaneceram em serviço e em 2016, a frota ativa ainda contava com 31 aeronaves vinculadas ao 375th Airlift Wing e 18 operadas pela Guarda Aérea Nacional (Air National Guard). Àquela altura, já se delineavam planos para sua substituição gradual. ainda assim, a robustez, a confiabilidade e a comprovada capacidade de cumprir missões críticas asseguraram a permanência do modelo em operação por um período prolongado. A Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) incorporou versões especializadas do Learjet 35, designadas U-36 e U-36A, evidenciando a adaptabilidade da plataforma para missões militares específicas. Em 1989, foram adquiridas dez aeronaves, distribuídas em duas configurações distintas. A variante U-36, composta por seis unidades, foi configurada como posto de comando aéreo, equipada com sistemas avançados de comunicação e coordenação tática. Essas aeronaves dispunham, entre outros recursos, de um domo de radar ventral, que ampliava sua capacidade de monitoramento e permitia sua atuação como centros de comando móveis em operações militares. Já a variante U-36A, com quatro unidades, foi destinada a missões de transporte e treinamento operacional, com ênfase em cenários de guerra eletrônica. Essas aeronaves incorporavam uma série de equipamentos especializados, como simuladores de busca de mísseis, sistemas avançados de comunicação, dispositivos para reboque de alvos em exercícios de tiro aéreo e sistemas de interferência eletrônica (jammers).  O U-36A também apresentava características estruturais distintivas, incluindo o domo de radar ventral e pontos de fixação subalares, que permitiam a integração de cargas externas e equipamentos adicionais conforme a missão.
Um dos capítulos mais marcantes do uso militar do Learjet 35A ocorreu durante a Guerra das Malvinas (Falklands), em 1982, quando a Força Aérea Argentina (FAA) empregou intensivamente suas aeronaves em operações na linha de frente. Durante o conflito, os Learjets 35A foram utilizados em missões críticas, incluindo: Reconhecimento Visual e Fotográfico: As aeronaves realizaram voos para coletar informações sobre a movimentação da Força-Tarefa Britânica, fornecendo dados estratégicos para o comando argentino. Missões de Isca: Em manobras arriscadas, os Learjets foram empregados como "iscas", simulando aeronaves de ataque em voos de despiste para desviar a atenção das defesas britânicas e proteger outras unidades aéreas argentinas. Um evento trágico marcou a participação dos Learjets no conflito. Em 7 de junho de 1982, uma aeronave do Escuadrón Fénix, enquanto realizava uma missão de reconhecimento visual da Força-Tarefa Britânica, foi abatida por um míssil Sea Dart disparado pela fragata britânica HMS Exeter (D89). A perda da aeronave, que operava em condições de alto risco, reflete o papel desafiador desempenhado pelos Learjets em um teatro de guerra onde enfrentavam forças tecnologicamente avançadas. Apesar desse revés, o uso dos Learjets pela Força Aérea Argentina (FAA)  durante o conflito demonstrou a capacidade da aeronave de operar em cenários de alta intensidade, contribuindo para a inteligência militar argentina e destacando sua versatilidade em operações táticas. Além da Argentina, diversas forças armadas ao redor do mundo adotaram versões militarizadas do Learjet 35A, adaptando-as para suas necessidades específicas. A seguir, um panorama dos principais operadores: Bolívia: Empregou o modelo para transporte de autoridades e missões de vigilância em regiões de difícil acesso. Brasil: A Força Aérea Brasileira (FAB) utilizou o Learjet 35A, designado R-35A, em missões de reconhecimento fotográfico e transporte VIP, com destaque para operações na Amazônia e em apoio à vigilância de fronteiras. Chile: A Força Aérea Chilena operou o modelo em funções de transporte e reconhecimento, aproveitando sua capacidade de operar em pistas curtas em terrenos variados. Finlândia: Utilizou o Learjet para transporte de autoridades e missões de treinamento, valorizando sua eficiência operacional. México: Adotou o modelo para transporte VIP e operações de inteligência, com configurações adaptadas para vigilância costeira. Namíbia: Empregou o Learjet em missões de patrulha e transporte, aproveitando sua versatilidade em operações regionais. Peru: Utilizou a aeronave para transporte de autoridades e missões de reconhecimento em apoio a operações de segurança interna. Arábia Saudita, Suíça, Tailândia e Emirados Árabes Unidos: Esses países integraram o Learjet 35A em suas frotas para transporte VIP e, em alguns casos, para missões especializadas, como guerra eletrônica e vigilância. Muitas dessas forças armadas ainda mantêm o Learjet 35A em serviço, especialmente em papéis de suporte logístico e transporte, enquanto outras substituíram o modelo por aeronaves mais modernas ao longo dos anos.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
O serviço de transporte aéreo de autoridades no Brasil remonta ao ano de 1937, quando a então Aviação Militar do Exército adquiriu quatro aeronaves Lockheed 12A Electra Junior, designadas UC-40. Esses bimotores leves, com capacidade para até seis passageiros, representaram um marco inicial na estruturação de uma doutrina de transporte especializado (VIP), sendo empregados em missões de ligação e no deslocamento de altos oficiais, em um contexto mais amplo de modernização das forças armadas brasileiras no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Com a criação da Força Aérea Brasileira (FAB), em 20 de janeiro de 1941, por meio do Decreto-Lei nº 2.961, essas atribuições foram transferidas à nova instituição, que passou a centralizar e ampliar as atividades aéreas militares do país. Nesse contexto, foi instituída a Seção de Aviões de Comando, sediada no Rio de Janeiro, responsável pela operação de aeronaves como o Lockheed VC-60  e o VC-66 Lodestar, modelos mais robustos e com maior capacidade, podendo transportar até 18 passageiros. Na década de 1950, o protagonismo nas missões de transporte VIP passou aos Douglas VC-47 . Todavia, com o avançar dos anos, tornou-se evidente a obsolescência dessas aeronaves, que acumulavam intenso desgaste decorrente de décadas de operação contínua. Limitações em termos de autonomia, confiabilidade e conforto passaram a contrastar com as crescentes demandas de um país em acelerado processo de transformação política, econômica e territorial. Nesse cenário, inserido no esforço mais amplo de modernização conduzido na segunda metade da década de 1950, identificou-se a necessidade de dispor de uma aeronave mais ágil, eficiente e confortável, capaz de assegurar a ligação entre as diversas zonas aéreas e seus comandos, bem como com a futura capital federal, Brasília, Atendendo a esses requisitos, foi selecionado o Morane-Saulnier MS-760 Paris, um jato leve de origem francesa com capacidade para quatro ocupantes, reconhecido por sua agilidade e desempenho. Introduzido no final da década, o modelo designado C-41  representou um avanço significativo ao se tornar uma das primeiras aeronaves a jato empregadas em missões de transporte VIP no Brasil. Sua maior velocidade e confiabilidade, em comparação com aeronaves a hélice, permitiram encurtar distâncias e otimizar o deslocamento de autoridades, especialmente nas rotas que conectavam Brasília às demais regiões do país. Já no final da década de 1960, um novo ciclo de modernização foi iniciado, com vistas à substituição tanto dos jatos leves C-41 quanto dos turboélices de maior porte, como o Vickers VC-90 Viscount. Esse processo culminou na adoção de um conjunto de aeronaves britânicas que refletiam a evolução do transporte executivo governamental: o BAC One-Eleven, designado  como VC-91, destinado a missões de transporte presidencial de maior alcance; e o Hawker Siddeley HS-125, como VC-93, voltado ao atendimento das equipes de primeiro e segundo escalões do governo federal.

Ao longo das décadas de 1970 e início dos anos 1980, os jatos executivos VC-93, desempenharam com elevada eficiência as missões de transporte de autoridades no Brasil, assegurando mobilidade, agilidade e confiabilidade ao alto escalão governamental. Entretanto, em meados da década de 1980, essas aeronaves passaram a evidenciar limitações operacionais decorrentes do envelhecimento de suas células e do uso intensivo ao longo dos anos. Questões relacionadas ao conforto, à autonomia e à defasagem tecnológica tornavam-se cada vez mais evidentes, comprometendo sua adequação às exigências crescentes do transporte executivo moderno. Nesse contexto, o Grupo de Transporte Especial (GTE), unidade responsável por essas missões no âmbito da Força Aérea Brasileira, passou a demandar uma solução que garantisse a manutenção dos elevados padrões de segurança, eficiência e disponibilidade operacional. Paralelamente, a  Força Aérea Brasileira (FAB) enfrentava outro desafio relevante: a racionalização de suas operações de aerofotogrametria estratégica. Até então, essas missões eram conduzidas por aeronaves de grande porte, como o Lockheed SC-130E Hercules, complementadas pelos jatos Embraer RT-26 Xavante em tarefas específicas de reconhecimento. Embora eficazes, os SC-130E apresentavam custos operacionais elevados, tornando-se pouco eficientes para missões de mapeamento sistemático, além de comprometer a disponibilidade dessas aeronaves para tarefas prioritárias, como busca e salvamento (SAR) e transporte logístico. Diante desse duplo desafio  a modernização do transporte VIP e a otimização das missões de aerolevantamento  o então Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou, a partir de 1985, um processo abrangente de estudos e avaliações no mercado internacional. O objetivo era identificar uma aeronave capaz de atender, de forma integrada, a essas duas demandas distintas, porém complementares, priorizando eficiência operacional, versatilidade e redução de custos, além de favorecer a padronização da frota, com impactos positivos na manutenção e no treinamento de tripulações. Nesse processo, foram analisadas diversas propostas de fabricantes internacionais, com especial atenção a jatos executivos passíveis de adaptação para múltiplas funções. Entre as opções avaliadas, destacou-se a proposta da Gates Learjet Corporation, baseada no consolidado Learjet 35A. A empresa apresentou uma versão customizada da aeronave, já comprovada em operações similares, incluindo sua utilização pela Força Aérea do Peru (FAP) em missões de aerofotogrametria de alta altitude. Essa configuração demonstrava elevada compatibilidade com os requisitos brasileiros, ao combinar desempenho, alcance, economia operacional e capacidade de adaptação para missões especializadas. Após criteriosa análise técnica e operacional das alternativas disponíveis,  concluiu-se que o Learjet 35A representava a solução mais adequada para atender às necessidades. 
A nova aeronave selecionada reunia, de forma notável, os requisitos operacionais necessários para o atendimento simultâneo de duas missões distintas. No transporte de autoridades, o Learjet 35A destacava-se por sua elevada velocidade, autonomia de aproximadamente 3.690 km e um padrão de conforto compatível com as exigências do alto escalão governamental. Sua cabine pressurizada, silenciosa e ergonomicamente configurada assegurava condições adequadas para deslocamentos rápidos e eficientes em âmbito nacional e regional. No campo da aerofotogrametria, a aeronave demonstrava desempenho igualmente relevante. Graças à sua capacidade de operar em altas altitudes, aliada à estabilidade em voo e a avançados sistemas de navegação, o modelo mostrava-se particularmente apto para missões de mapeamento aéreo. Quando equipado com sensores fotográficos especializados, o Learjet 35A permitia a realização de levantamentos de elevada precisão, com custos operacionais significativamente inferiores aos verificados em plataformas maiores, como o SC-130E Hercules. Ademais, a adoção de uma única plataforma para múltiplas funções contribuía diretamente para a padronização da frota, reduzindo despesas logísticas, simplificando a manutenção e racionalizando o treinamento de tripulações. Nesse contexto, seria firmado um  contrato com a Gates Learjet Corporation para a aquisição de doze aeronaves Learjet 35A, destinadas a atender tanto ao Grupo de Transporte Especial (GTE) quanto ao 1º/6º Grupo de Aviação - Esquadrão Carcará. O acordo original previa uma divisão equilibrada entre as missões: seis aeronaves na configuração VU-35A, destinadas ao transporte de autoridades, e seis na versão R-35A, equipadas para missões de aerofotogrametria, com câmeras verticais e laterais de alta definição voltadas a levantamentos estratégicos. Todavia, fatores de ordem política interferiram na execução do contrato. Pressões oriundas da alta administração federal levaram à redefinição das prioridades, com ênfase no transporte de autoridades. Como consequência, o número de aeronaves destinadas à configuração de reconhecimento foi reduzido para apenas três unidades, enquanto as nove restantes foram entregues na versão VU-35A.  As primeiras aeronaves foram incorporadas em meados de 1987, na Base Aérea de Brasília, marcando o início de uma nova fase no transporte aéreo de autoridades. Progressivamente, passaram a substituir os remanescentes VC-93, com este novo vetor foi permitido alcançar elevados níveis de prontidão operacional, passando a dispor de capacidade de acionamento praticamente imediato, com condições de decolagem para qualquer ponto do território nacional em cerca de uma hora, podendo atingir, no máximo, duas horas em situações excepcionais, como horários noturnos ou finais de semana.  Tal desempenho evidenciava não apenas a eficiência da nova plataforma, mas também o amadurecimento doutrinário e operacional do transporte aéreo executivo. 

De forma circunstancial, a frota de jatos executivos foi temporariamente complementada por uma aeronave de maior porte, oriunda de um contexto externo ao planejamento original. Em 1997, com a intervenção federal no Banco Bamerindus, parte de seus ativos foi incorporada ao patrimônio da União, incluindo sua frota aeronáutica. Entre essas aeronaves encontrava-se um Learjet 55C, registrado como PT-OCA. No ano seguinte, em junho de 1998, essa célula foi transferida para a Força Aérea Brasileira (FAB), recebendo a designação VU-55 e a matrícula FAB 6100. A aeronave foi incorporada ao Grupo de Transporte Especial, onde passou a desempenhar missões de transporte de autoridades, permanecendo em operação até 2012. Posteriormente, foi transferida para o 6º Esquadrão de Transporte Aéreo, onde continuou a ser empregada em funções de apoio logístico. Apesar do histórico operacional positivo  marcado, inclusive, pela ausência de acidentes graves , no início do século XXI os VU-35A já apresentavam sinais claros de desgaste estrutural, reflexo direto do elevado número de horas de voo acumuladas em uma rotina intensiva de missões semanais. Essa realidade evidenciava a necessidade iminente de substituição desses vetores, que, embora confiáveis, já não atendiam plenamente às exigências contemporâneas de desempenho, conforto e eficiência. A primeira iniciativa concreta de modernização ocorreu em 2004, quando o Grupo de Transporte Especial (GTE) incorporou duas aeronaves Embraer ERJ-145e uma  na versão ERJ-145ER. Essas aeronaves integravam originalmente um lote adquirido pela Varig S?A , com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, destinado às subsidiárias regionais Nordeste Linhas Aéreas e Rio-Sul Linhas Aéreas. Em razão da inadimplência contratual, parte dessas aeronaves foi devolvida ao banco, sendo posteriormente transferida à Força Aérea Brasileira (FAB). As duas primeiras unidades incorporadas receberam a designação VC-99 e as matrículas FAB 2524 e FAB 2526. Posteriormente, uma terceira aeronave, do modelo Embraer ERJ-145LR, foi integrada à frota sob a designação VC-99A (FAB 2550), ampliando a capacidade de transporte para até 36 passageiros. A introdução dessas aeronaves permitiu não apenas reduzir a sobrecarga operacional dos VU-35A, mas também viabilizou a progressiva desativação dos antigos VC-93, cuja longevidade já impunha restrições operacionais relevantes. O desempenho satisfatório dos jatos produzidos pela Embraer consolidou a opção por soluções nacionais, abrindo caminho para uma nova etapa de modernização. Esse processo foi aprofundado a partir de 2006, com a incorporação do Embraer Legacy 600, designado  como VC-99B. Até 2012, seis unidades desse modelo foram recebidas, proporcionando um significativo salto qualitativo em termos de alcance, conforto e capacidade operacional.
A entrada em serviço dessas aeronaves marcou o início do processo de desativação dos VU-35A no âmbito do Grupo de Transporte Especial, encerrando um ciclo de décadas de serviços prestados por esses jatos que, ao longo de sua trajetória, desempenharam papel fundamental na consolidação do transporte aéreo executivo no Brasil. Com a modernização da frota, restaram no inventário da Força Aérea Brasileira (FAB) nove aeronaves deste modelo em boas condições operacionais, com um número razoável de horas de voo disponíveis. Essa situação criou uma oportunidade para o remanejamento interno dessas aeronaves, otimizando os recursos da instituição. No âmbito desse processo de reestruturação, o Comando da Aeronáutica (COMAER) decidiu realocar três unidades do Gates Learjet VU-35A para o 1º/6º Grupo de Aviação, conhecido como Esquadrão Carcará. Essas aeronaves passaram por um extenso processo de conversão, sendo adaptadas para atuar como plataformas especializadas em guerra eletrônica (ELINT - Electronic Intelligence) e reconhecimento por sinais. Para tanto, foram equipadas com radares Thales DR-3000 MK2B, recebendo a designação R-35AM Learjet, o que marcou sua transformação em ferramentas estratégicas para missões de inteligência. Outra aeronave foi destinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), sediado em São José dos Campos, São Paulo. Designada como U-35A Learjet, essa aeronave passou a apoiar as atividades da unidade, incluindo sua utilização como plataforma de ensaios para o Grupo Especial de Ensaios em Voo (GEEV), contribuindo para o desenvolvimento e teste de tecnologias aeroespaciais. Por fim, em abril de 2012, as cinco aeronaves remanescentes foram redesignadas como U-35A e transferidas para o 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (6º ETA). Essa movimentação permitiu preencher a lacuna operacional deixada pela desativação das últimas aeronaves Embraer VU-9 Xingu, assegurando a continuidade das missões de transporte aéreo da unidade.  A partir de 2017 caberia a esta unidade o pronto emprego no atendimento de missões de transporte de órgãos, a fim de levar esperança a aqueles que se encontravam na fila da Central Nacional de Transplantes (CNT), com os U-35A sendo frequentemente empregados nas tarefas de transporte de pacientes em emergências médicas, incluindo operações de transporte de órgãos (TOTEQ).  Em novembro de 2019 o 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (6º ETA) receberia seu primeiro Embraer U-100 Phenom, deflagrando o início de um gradual processo de desativação dos U-35A Learjet que seria concluído ao final do ano de 2020.  Em 03 de novembro de 2021, o Estado Maior da Aeronáutica (EMAER) publicou a Portaria Nº 75/4SC1 assinada pelo Ten Brig Ar Marcelo Kanitz Damasceno, aprovando a desativação das últimas aeronaves R-35AM do 1°/6° GAV – Esquadrão Carcará. Este movimento se daria pela dificuldade obtenção de suporte técnico, escassez de peças de reposição no mercado, aliadas às idades avançadas das células. 

Em Escala.
Para representarmos o Gates Learjet VU-35A "FAB 2712" pertencente ao Grupo de Transporte Especial – GTE, empregamos o antigo modelo da Hasegawa na escala 1/48, apresentando um nível de detalhamento médio, o que implica que, embora não seja tão intricado quanto kits mais modernos, oferece uma base sólida para uma representação fiel da aeronave. Detalhes como painéis, janelas e contornos gerais são bem representados, mas podem exigir trabalho adicional para maior realismo (como adição de detalhes em resina ou scratchbuilding). O kit é acessível tanto para modelistas iniciantes quanto experientes, com instruções claras e peças que se alinham bem, minimizando a necessidade de lixamento ou preenchimento de falhas.  A utilização dos decais do set 48/13 da FCM Decais foi uma escolha acertada para garantir a autenticidade do modelo, especialmente para representar a matrícula FAB 2712 do GTE. A FCM Decais é uma marca brasileira conhecida por produzir decais de alta qualidade.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado pelas aeronaves de transporte VIP (Very Important Person) em uso no Grupo de Transporte Especial – GTE, adotado em meados da década de 1980. Posteriormente as três células convertidos ao padrão  R-35AM passaram a ostentar um esquema de pintura em tons de cinza com marcações de baixa visibilidade. Já os U-35A inicialmente passaram a apresentar  pequenas alterações marcações em relação ao esquema original quando do recebimento das aeronaves em 1987. No entanto durante seu período de emprego no 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (6º ETA), algumas células chegaram a ostentar o padrão de pintura de baixa visibilidade também. 
Bibliografia :
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- 1º/6º Gav Esquadrão Carcará - http://www.spotter.com.br/esquadroes/carcara_02.htm
- Poder Aéreo - Guilherme Poggio - http://www.aereo.jor.br/2009/09/08/esquadrao-carcara-recebera-learjet-35-do-gte/
- Revista ASAS nº 67 " Coluna do Camazano " - Aparecido Camazano Alamino
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores Jr