M-3A1 e XM-3D1 Antiáereo (VBC AAe)

História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Um dos pilares fundamentais dessa tática baseava-se no desenvolvimento de novos carros de combate (como o Panzer II e III) que, ao entrarem em ação a partir de setembro de 1939, demonstraram superioridade em diversos aspectos em relação a seus equivalentes britânicos, soviéticos, norte-americanos e franceses. Apesar das restrições impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes (assinado ao término da Primeira Guerra Mundial, em 1918), era evidente que o regime nazista avançava rapidamente em seu programa de rearmamento — um fato que não passou despercebido pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos. Relatórios elaborados por esses serviços detalhavam o crescente potencial das forças armadas alemãs, incluindo projeções de aumento do efetivo militar e da produção de equipamentos por aquele hipotético inimigo. Neste contexto o desenvolvimento do M-3 Stuart remonta aos esforços de modernização dos tanques leves norte-americanos na década de 1930, impulsionados pelas observações dos conflitos na Europa e Ásia. Seu predecessor direto foi o Tanque Leve M2, introduzido em 1935, que evoluiu para variantes como o M2A4 em 1940. O M2A4 era armado com um canhão de 37 mm e apresentava uma suspensão de mola voluta vertical (VVSS), mas foi considerado obsoleto devido à armadura fina e ao armamento insuficiente para os padrões emergentes da guerra moderna. As lições aprendidas com a Guerra Civil Espanhola (1936–1939) e a invasão alemã da Polônia em 1939 destacaram a necessidade de tanques com armadura mais espessa, melhor suspensão e sistemas de recuo de canhão aprimorados. Em julho de 1940, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou o projeto de um novo tanque leve para substituir o M-1 e M-2A3 e M-2A4, incorporando essas melhorias. O M-3 foi concebido como uma evolução direta, mantendo a mobilidade do M-2A4, mas com proteções e poder de fogo superior.

Essa iniciativa foi conduzida pelo Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department), sediado em Fort Lee, Virgínia, e resultou no desenvolvimento dos projetos conceituais, que em julho de 1940 se materializariam no primeiro protótipo do M-3, construindo pelo Arsenal de Rock Island, em Illinois. O carro de combate leve M-3  foi concebido para priorizar mobilidade, com um peso de cerca de 12,7 toneladas, permitindo velocidades de até 58 km/h em estrada. Em termos de armadura possuía uma construção variando de 9,5 mm a 50,8 mm, com 38 mm na frente superior do casco, 44 mm na frente inferior e 51 mm no mantelete do canhão. A armadura era soldada ou rebitada, oferecendo proteção contra armas leves. Como armamento principal dispunha de uma arma de 37 mm M-5 (posteriormente M-6), com alcance efetivo de 1.000 metros, e até cinco metralhadoras Browning M-1919A4 de 7,62 mm para autodefesa (incluindo posições coaxiais, antiaéreas e de casco). Estava equipado inicialmente com um motor radial Continental W-670 a gasolina (250 hp) ou Guiberson T-1020 a diesel. O M-5 futuramente introduziria os modernos motores duplos Cadillac V8 com transmissão Hydra-Matic, reduzindo ruído e calor interno. Fazia uso do sistema de suspensão do tipo VVSS (Vertical volute spring suspension) com rodas de estrada duplas e roda intermediária traseira, melhorando o contato com o solo e a tração em terrenos variados. Sua tripulação era composta por quatro membros (comandante, atirador, motorista e assistente de motorista), com visibilidade limitada em variantes iniciais devido à ausência de cúpula na torre. O veículo seria extensivamente testado em campo, levando ao estabelecimento de um certo grau de ceticismo por parte de um grupo de analistas mais críticos. Estes apontavam questionamentos sobre a real capacidade de proteção do veículo (em função de sua fina blindagem), bem como a real eficácia da arma de 37 mm frente a couraça dos carros de combate alemães de nova geração.  Apesar de suas limitações identificadas, como a vulnerabilidade a armamentos antitanque, a urgência de equipar as forças armadas norte-americanas e seus aliados prevaleceu sobre as ressalvas técnicas, levando à decisão de iniciar a produção em larga escala. Para atender à esta demanda, o Departamento de Ordenança do Exército contratou a Baldwin Locomotive Works e a American Locomotive Company (ALCO), além da American Car and Foundry Company, para a produção do M-3 a um custo unitário estimado de US$ 32.915,00. Essas empresas, originalmente especializadas na fabricação de locomotivas e equipamentos industriais, adaptaram suas linhas de montagem para a produção de veículos blindados para assim efetivamente cooperar com o esforço de guerra.

A produção do M-3 Stuart começou em março de 1941, liderada por três grandes fabricantes, com as primeiras entregas ao Exército dos Estados Unidos (US Army) ocorrendo três meses depois, se tornando o mais moderno carro de combate em uso naquele pais.  Sua introdução coincidiu com a expansão das divisões blindadas norte-americanas, que se preparavam para o conflito global. O tanque foi rapidamente integrado a unidades de reconhecimento e apoio tático, destacando-se pela velocidade e confiabilidade. Neste momento o novo carro de combate leve, receberia o nome de batismo de M-3 'Stuart", em homenagem a James Ewell Brown “Jeb” Stuart, um renomado oficial das Forças Confederadas dos Estados Unidos. Este nome de batismo seria também adotado pela Grã-Bretanha, que logo se tornaria o primeiro cliente de exportação do modelo, com uma grande encomenda sendo firmada nos termos do programa de Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). O batismo de fogo do M-3 Stuart ocorreu durante a Operação Crusader, uma ofensiva britânica no Norte da África, lançada entre 18 de novembro e 30 de dezembro de 1941, contra as forças do Eixo lideradas pelo general alemão Erwin Rommel. O M-3 Stuart, designado pelos britânicos como “Stuart I” (ou “Stuart II” para a variante a diesel),  sendo empregados pela 7ª Divisão Blindada, conhecida como “Ratos do Deserto”. Durante esta operação  o M-3 Stuart foi empregado em missões de reconhecimento e apoio à infantaria, aproveitando sua velocidade (58 km/h em estrada) para realizar manobras rápidas no deserto. Sua mobilidade foi um trunfo em terrenos abertos, permitindo flanquear posições inimigas e coletar informações estratégicas. Os Stuarts enfrentaram tanques alemães, como o Panzer III, e italianos, como o Fiat M13/40. No entanto, o canhão de 37 mm revelou-se ineficaz contra a armadura frontal dos tanques médios alemães, enquanto a armadura fina do M-3 (máximo de 50,8 mm) o tornava vulnerável a canhões antitanque, como o Pak 38 de 50 mm. Apesar das limitações, o M-3 Stuart foi elogiado pelos britânicos por sua confiabilidade mecânica e facilidade de manutenção. Sua velocidade permitiu operações de reconhecimento eficazes, mas as perdas foram significativas devido à superioridade dos tanques alemães em poder de fogo e proteção. Neste contexto a produção de exportação seria priorizada em detrimento as necessidades norte-americanas, muito em função de dotar o Exército Real (Royal Army) de uma capacidade numérica capaz de enfrentar as unidades blindadas do África Korps, pertencentes ao Exército Alemão (Wehrmacht), no teatro de operações da África do Norte. Ao todo seriam entregues aos britânicos um total 5.532 destes carros de combate, dispostos em diversas versões.

A produção do M-3 Stuart começou em março de 1941, liderada por três grandes fabricantes, com as primeiras entregas ao Exército dos Estados Unidos (US Army) ocorrendo três meses depois, se tornando o mais moderno carro de combate em uso naquele pais.  Sua introdução coincidiu com a expansão das divisões blindadas norte-americanas, que se preparavam para o conflito global. O tanque foi rapidamente integrado a unidades de reconhecimento e apoio tático, destacando-se pela velocidade e confiabilidade. Neste momento o novo carro de combate leve, receberia o nome de batismo de M-3 'Stuart", em homenagem a James Ewell Brown “Jeb” Stuart, um renomado oficial das Forças Confederadas dos Estados Unidos. Este nome de batismo seria também adotado pela Grã-Bretanha, que logo se tornaria o primeiro cliente de exportação do modelo, com uma grande encomenda sendo firmada nos termos do programa de Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). O batismo de fogo do M-3 Stuart ocorreu durante a Operação Crusader, uma ofensiva britânica no Norte da África, lançada entre 18 de novembro e 30 de dezembro de 1941, contra as forças do Eixo lideradas pelo general alemão Erwin Rommel. O M-3 Stuart, designado pelos britânicos como “Stuart I” (ou “Stuart II” para a variante a diesel),  sendo empregados pela 7ª Divisão Blindada, conhecida como “Ratos do Deserto”. Durante esta operação  o M-3 Stuart foi empregado em missões de reconhecimento e apoio à infantaria, aproveitando sua velocidade (58 km/h em estrada) para realizar manobras rápidas no deserto. Sua mobilidade foi um trunfo em terrenos abertos, permitindo flanquear posições inimigas e coletar informações estratégicas. Os Stuarts enfrentaram tanques alemães, como o Panzer III, e italianos, como o Fiat M13/40. No entanto, o canhão de 37 mm revelou-se ineficaz contra a armadura frontal dos tanques médios alemães, enquanto a armadura fina do M-3 (máximo de 50,8 mm) o tornava vulnerável a canhões antitanque, como o Pak 38 de 50 mm. Apesar das limitações, o M-3 Stuart foi elogiado pelos britânicos por sua confiabilidade mecânica e facilidade de manutenção. Sua velocidade permitiu operações de reconhecimento eficazes, mas as perdas foram significativas devido à superioridade dos tanques alemães em poder de fogo e proteção. Neste contexto a produção de exportação seria priorizada em detrimento as necessidades norte-americanas, muito em função de dotar o Exército Real (Royal Army) de uma capacidade numérica capaz de enfrentar as unidades blindadas do África Korps, pertencentes ao Exército Alemão (Wehrmacht), no teatro de operações da África do Norte. Ao todo seriam entregues aos britânicos um total 5.532 destes carros de combate, dispostos em diversas versões.

Já o primeiro combate do M-3 Stuart com tripulações norte-americanas ocorreu nas Filipinas, em dezembro de 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbor, que marcou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. O 192º e o 194º Batalhões de Tanques, equipados com M-3 Stuarts, enfrentaram as forças japonesas durante a invasão das Filipinas. Os Stuarts foram usados em ações defensivas contra os tanques leves japoneses Type 95 Ha-Go, que possuíam armadura fina (12–16 mm) e um canhão de 37 mm semelhante. Esses confrontos representaram o primeiro combate tanque contra tanque envolvendo forças americanas na guerra. A falta de experiência das tripulações americanas em combate e as condições tropicais das Filipinas, como terrenos lamacentos, dificultaram as operações. A ausência de uma cúpula na torre nas primeiras unidades do M-3 limitava a visibilidade do comandante, comprometendo a eficácia tática. O M-3 Stuart desempenhou um papel importante, mas limitado, no Exército Vermelho, que no inicio do conflito dependia de tanques leves como o T-26 e o BT-7, que apresentavam armaduras finas e armamentos limitados.  Sendo considerado nas fases iniciais do conflito o principal carro de combate leve das forças aliadas, a grande quantidade de veículos em campo levaria a oportunidade de se aproveitar a possível comunalidade da plataforma, criando versões de serviço que fariam uso do mesmo fluxo logística de peças de reposição, facilitando ainda a manutenção em campo. Este cenário proporcionaria o campo para desenvolvimento de versões especializadas (viaturas novas ou modificadas), resultando na criação dos modelos M-3 e M-5 Command Tank (Carro Comando), T-8 Reconnaissance Vehicle – (Carro de Reconhecimento Leve sob Esteiras), M-5 Dozer (Veículo de Engenharia), M-8 e M-8A1 Scott (Obuseiro Autopropulsado de 75 mm), M-3 e M-3A1 Flame Gun (Lança Chamas), Stuart Race (versão britânica para reconhecimento). O último estudo referia-se a criação de um veículo antiaéreo autopropulsado, que receberia a designação de M-3 Maxson Turret , sendo este equipado com quatro metralhadoras Browning M-2 calibre .50 montadas em uma torre elétrica do modelo M-45 Quadmout. Apesar dos testes de campo revelarem um excelente perfil operacional, seu projeto seria cancelado em favor do aumento de produção dos carros meia lagarta White M-16 equipados com o mesmo sistema de armas. As demais  versões especializadas começaram a entrar em serviço no início de 1942 e estima-se que um total de 2.450 veículos foram produzidos ou convertidos durante a Segunda Guerra Mundial. Estas versões especializadas proporcionaram um novo alento na contribuição da família de carros de combate blindados leves M-3 e M-5 Stuart no esforço de guerra aliado se desdobrando em diversas tarefas de apoio. 

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. O cronograma de recebimento de grande parte dos veículos destinados ao país previstos neste acordo estava programado para ocorrer entre os meses de novembro e dezembro de 1941.  

Como parte de uma estratégia de propaganda e para demonstrar o compromisso com a modernização militar, o Ministério da Guerra optou por adquirir um lote inicial de dez unidades do M-3 Stuart, custeado à vista, fora do escopo principal do Lend-Lease Act. Essa compra foi realizada com rapidez para garantir que as viaturas estivessem disponíveis a tempo do desfile da Independência, em 7 de setembro de 1941, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. A introdução do carro de combate leve M-3 Stuart no Exército Brasileiro em 1941 marcou um ponto de inflexão na modernização das forças blindadas do país, desencadeando um novo ciclo operacional que rompeu com a doutrina militar francesa herdada da Primeira Guerra Mundial. O segundo lote composto por 20 carros, já constantes no processo do  Lend-Lease Act foi recebido em 21 de fevereiro de 1942, com mais 200 M-3 Stuart sendo recebidos até o final do mesmo ano. Neste momento seriam estruturados os Batalhões de Carros de Combate, equipados com os modelos CCM M-3 Lee e CCL M-3 Stuart, ficando baseados em pontos estratégicos nos estados de Sao Pauylo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Recife. Próximo ao término do conflito mais carros seriam recebidos, possibilitando a  formação de unidades de Cavalaria, tais como os cinco Regimentos de Reconhecimento Mecanizado (RRec Mec) e os sete Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (Esqd RecMec). Com o término do conflito mundial, os Stuart, assim como outros carros de combate, foram distribuídos em municípios das Regiões Sul e Sudeste e Nordeste. Em fins da década de 1960, a frota de carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart completava quase vinte anos de operação no Exército Brasileiro, tendo a marca de ter sido o percursor dos modernos carros de combate a entrar em serviço na força terrestre nacional, sendo empregado inclusive em uma grande quantidade de viaturas. No entanto esta considerável frota já vinha há alguns anos apresentando índices críticos de disponibilidade, resultado este ocasionado principalmente por problemas de obtenção de peças de reposição no mercado internacional. Com este fato mais notadamente concentrado nos antigos e obsoletos motores pela falta de um fluxo adequado logístico de peças de reposição, mais notadamente aquelas destinadas aos antigos e obsoletos motores a gasolina Continental AOS 895-3 e Guiberson T-1020A , que haviam tido sua produção descontinuada há mais de vinte anos. Sua sobrevida operacional seria proporcionada pela implementação do Plano Impere”, que visava recuperar diversos veículos, efetuando uma manutenção de 5º escalão dos carros de combate do III Exército. No M-3 Stuart seriam abrangidos itens críticos como trocas de anéis, pistões, guias de válvulas, mangueiras de alta pressão, substituição de lagartas , magnetos, bobinas, sistemas de rádio. E por fim revisão completa na parte elétrica, inclusive no sistema de disparo elétrico dos sponson gun do M-3 e impressões de novos manuais. 

Antes do início dos trabalhos de recuperação desta frota de carros de combate leves M-3 Stuart, vislumbrar-se-ia a necessidade de se dotar o Parque Regional de Motomecanização da Terceira Região Militar de Santa Maria (PqRMM/3) com um trator sob esteiras para assim mover os blindados de seus depósitos até as oficinas da organização, a fim de serem submetidos ao processo de recuperação. Desta frota seria escolhido uma viatura do modelo M-3A1 que se encontrava em plenas condições operacionais, que seria transformada em um trator de engenharia. Sua torre original seria retirada, recebendo a  aplicação algumas modificações no chassi, destinadas ao sistema de fixação de cabo de torque. Nascia assim o primeiro modelo de veículo blindado de serviço derivado da família de carros de combate leves M-3 Stuart a ser concebido e convertido no Brasil, apresentando uma capacidade para tracionar viaturas de até 13 toneladas. Este trator teria uma longeva carreira operacional no Exército Brasileiro, se mantendo na ativa nesta unidade até pelo menos meados da década de 1980. Paralelamente a equipe técnica do 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL) sediado em Campinas - SP, procederia a recuperação operacional plena, de várias viaturas do modelo que constavam em seu inventario, provando mais uma vez a viabilidade técnica de repotencialização da plataforma. Durante o ano de 1969, ocorreria a visitação de uma delegação israelense esteve em visita ao 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL), o objetivo desta comitiva era o de buscar no mercado internacional a aquisição de veículos blindados antigos, visando assim transformá-los em veículos especializados ou de serviço. Durante esta reunião o comandante da unidade o Coronel Oscar de Abreu Paiva demonstraria grande interesse neste processo, tendo em vista os inúmeros comentários positivos preferidos pelos militares israelenses sobre estas conversões, principalmente em veículos de socorro, engenharia, tratores de artilharia, porta morteiros, obuseiros autopropulsados, comando, controle e artilharia aérea autopropulsada. Entre as inúmeras possibilidades de variantes a serem exploradas, inicialmente ganharia força o desenvolvimento de estudos visando a conversão de uma parcela da frota de carros de combate leve M-3 e M-3A1 Stuart em veículos antiaéreos autopropulsados. Este projeto se basearia em estudos realizados durante a Segunda Guerra Mundial,  pelo Exército dos Estados Unidos (US Army) para a criação da versão de defesa antiaérea M-3 Maxson Turret, que fazia uso de um reparo de metralhadoras M-33.

Após ser elaborado o projeto conceitual, seria escolhido o M-3 “EB11-487” como veículo protótipo, tendo este a torre que abrigava o canhão de 37 mm removida, recebendo em seu lugar, um  sistema de reparo multiplo M-55 Quadmount equipado com quatro metralhadoras antiaéreas Browning M-2   calibre .50 que seria fornecida em regime de comodato pelo 5º Grupamento de Artilharia Antiaérea  90mm (Gcan90 AAe).Todo este processo de conversão seria executado nas oficinas do 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL), contando com o apoio da equipe técnica do Parque Regional de Motomecanização da Terceira Região Militar de Santa Maria (PqRMM/3) e de mecânicos do 5º GCan 90 AAe. Este processo foi concluído alguns meses, o veículo foi testado em funcionamento, tendo inclusive participado de desfiles e deslocamentos na unidade, mas não existem registros de testes de tiro. No início, com o entusiasmo da primeira transformação, surgiu a ideia de equipar outro Stuart com um sistema antiaéreo mais efetivo, um canhão Bofors M947 L/60, de 40 mm, também pertencente ao 5º GCan 90 AAe. Condicionado pelas limitações técnicas e de ferramental para uma empreitada com tal complexidade, o projeto não saiu do papel. Por outro lado, a falta de interesse do Exército Brasileiro nesse tipo de sistema fez com que o projeto parasse. Pouco antes dos CCL M-3 Stuart darem baixa no 1º BCCL, em função do recebimento dos novos BVTP M-113 e da sua transformação no 28º Batalhão de Infantaria Blindada (28º BIB), o M-3 EB 11-487 teve sua torre original restaurada e o sistema M-55 foi devolvido à unidade de origem. O conceito para o desenvolvimento de uma viatura antiaérea autopropulsada orgânica com a finalidade de se equipar as unidades de Artilharia Antiaérea das Brigadas Blindadas, ressurgiria no início da década de 1980, tendo como alicerce o programa do Carro Combate Leve Nacional MB-1 (X-1A Pioneiro e X1-A2 Carcará). Este projeto envolvia o desenvolvimento de uma variada gama de modelos com base na plataforma modernizada do M-3 Stuart, como veículos lança pontes, porta morteiro, lança foguetes e defesa antiaérea.  Nascia assim o projeto M.01.15, que seria gerido Centro de Tecnologia do Exército (CETEX) em parceria com a empresa Bernardini S/A, e a exemplo da iniciativa da década de 1960 o armamento estava baseado no reparo antiaéreo M-55M Quadmout,  que fora modernizado e nacionalizado pela empresa carioca Lysan Indústria e Comercio Ltda, estando também equipado quatro metralhadoras Browning M-2 calibre .50. Ao ser concluído, o primeiro protótipo baseado no modelo X-1A receberia a designação de Viatura de Combate Antiaérea XM3D1 (VBC AAe), com este sendo submetido a um intenso programa de testes. 

Este programa previa ainda produção de um segundo protótipo (projeto M.01.27), que passaria a empregar uma torre com sistema de giro elétrico, bem mais moderno, dotado de uma arma de maior calibre um canhão Bofors L/60 de 40 mm. Este modelo receberia a designação de XM3E1, infelizmente esta configuração de armamento nunca seria adotada, e este protótipo receberia também um conjunto de metralhadoras M-55M. O bom desempenho dos Stuart paraguaios ressuscitou o projeto do XM3E1, que teve a carcaça novamente modificada, voltando à configuração próxima da original, com o motor na traseira, mas bem diferente do modelo de Campinas. Esse novo veículo possuía uma carcaça diferente de todos os modelos já construídos: a traseira era a mesma dos Stuart do Paraguai, e a carcaça era tão baixa que obrigou o deslocamento da torre para a esquerda, pois devido ao desenho do motor Scania, similar aos paraguaios, o eixo cardan ficava na diagonal e impedia a colocação do sistema de acionamento elétrico da torre. Estes protótipos seriam exaustivamente testados e avaliados pelo Exército Brasileiro, porém a baixa cadência de fogo e o alcance das armas Browning M-2 de calibre .50, se mostraram um pouco inadequados face a nova ameaça proporcionada pelas aeronaves de ataque a reação existentes naquela época. A priorização de investimento no programa de modernização dos carros de combate M-41 Walker Buldog também contribuiria na decisão do cancelamento definitivo do projeto de criar uma viatura blindada antiaérea orgânica das unidades de Artilharia Antiaérea das brigadas blindadas. Posteriormente os dois protótipos foram encaminhados a Campo de Provas da Restinga da Marambaia, sendo que o XM3E1 ainda permaneceu na ativa até recentemente sendo empregado como trator rebocador, já o XM3D1 seria empregado como alvo estático durante a campanha de avaliação dos blindados italianos Centauro em 2001. O XM3D-E não resultou em uma frota operacional, mas pavimentou o caminho para iniciativas futuras de defesa antiaérea. Infelizmente o Exército Brasileiro somente conquistaria uma relativa capacidade de defesa antiaérea de baixa altura em 2013 com a incorporação dos Gepard 1A2 equipados com canhões de 35 mm. Apesar disso o conceito do desenvolvimento do projeto XM3D-E influenciaria o desenvolvimento do projeto Guarani VBC AAe – MSR, que integra mísseis superfície-ar, canhões automáticos e radares em uma plataforma 6x6 da Iveco Defence Vehicles. 

Em Escala.
Para representarmos o M-3A1 Stuart VBC AAe  “EB11-487” convertido pelo 1º Batalhão de Carros de Combate Leve (BCCL) durante a década de 1960, fizemos uso do excelente kit da Academy na escala 1/35. Para se representar este protótipo dispensamos o emprego da torre original, adaptando seu sistema de giro a um  reparo quadruplo de metralhados M-45 Quadmount, retirado de um modelo M-16 Half Track na escala 1/32 produzido pela New Ray.  Empregamos decais confeccionados pela Eletric Products pertencentes ao set “Exército Brasileiro 1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregados em todos os carros de combate leve  M-3 e M-3A1 Stuart operados pelo Exército Brasileiro, sendo as cores originais da fábrica denominada como “ Vitrolack Cor 7043-P-12”.  Este padrão de pintura seria mantido durante o período de testes e avaliação, um dos carros receberia temporariamente ainda a pintura camuflada em dois tons  adotada como padrão pela Força Terrestre a partir de 1983.

Bibliografia :
- O Stuart no Brasil – Helio Higuchi, Reginaldo Bachi e Paulo R. Bastos Jr.
- M-3 Stuart Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Stuart
- Blindados no Brasil Volume I, por Expedito Carlos S. Bastos

C-97/VC-97 Embraer EMB-120 Brasilia

História e Desenvolvimento. 
Na década de 1960, o Brasil enfrentava o desafio estratégico de consolidar sua integração territorial, tarefa particularmente complexa em razão de suas dimensões continentais e das profundas assimetrias regionais. Nesse contexto, a Força Aérea Brasileira (FAB) assumia um papel de destaque por meio do Correio Aéreo Nacional (CAN), cuja atuação transcendia o simples transporte de correspondências. O serviço constituía um instrumento essencial de presença do Estado, viabilizando apoio logístico, evacuações aeromédicas e o atendimento a populações isoladas, especialmente na Amazônia e no interior do país. Para o cumprimento dessas missões,  dispunha-se  majoritariamente, de aeronaves como o Douglas C-47 e o Beechcraft C-45. Embora reconhecidas por sua robustez e confiabilidade, essas aeronaves já evidenciavam sinais de desgaste estrutural decorrentes de anos de operação intensiva. A situação tornava-se ainda mais crítica diante da crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição, o que impactava diretamente os índices de disponibilidade da frota. Tal cenário expunha, de forma inequívoca, a necessidade de modernização e, sobretudo, de redução da dependência externa no setor aeronáutico. Foi nesse ambiente de limitações operacionais e desafios logísticos que emergiu a visão estratégica do então Coronel Ozires Silva, figura central no processo de transformação da aviação brasileira. Atento às fragilidades decorrentes da dependência de aeronaves importadas e às demandas específicas do território nacional, Ozires propôs ao Comando da Aeronáutica um projeto ousado: o desenvolvimento de uma aeronave bimotora nacional, de porte médio, capaz de atender com eficiência às missões do CAN e a outras atribuições estratégicas. Mais do que uma solução operacional, essa proposta representava um passo decisivo rumo à autonomia tecnológica e industrial do país. Em junho de 1965, essa iniciativa começou a se materializar com a criação do projeto IPD-6504, conduzido pelo Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). O objetivo era conceber uma aeronave moderna, de asa baixa e estrutura totalmente metálica, que reunisse robustez, versatilidade e eficiência operacional. O projeto previa uma aeronave com 12,74 metros de comprimento, dotada de janelas em formato de bolha  característica que ampliava a visibilidade externa  e capacidade inicial para até oito passageiros. Equipada com dois motores turboélice Pratt & Whitney PT6A-20, cada um com potência de 550 shp, a aeronave foi projetada para apresentar desempenho confiável em pistas curtas e não preparadas, além de operar em condições adversas requisitos fundamentais para sua atuação em regiões remotas. Posteriormente batizada de “Bandeirante”, a aeronave simbolizava não apenas uma solução técnica, mas também um marco no esforço de interiorização e integração nacional. A construção do primeiro protótipo teve início em 1967 e, após um período de intensos trabalhos de engenharia e testes, a aeronave  designada YC-95  realizou seu voo inaugural em 22 de outubro de 1968. O evento representou um momento histórico para a aviação brasileira, sinalizando a viabilidade de um projeto aeronáutico genuinamente nacional. 

Apesar dos avanços técnicos, o projeto ainda enfrentava desafios significativos, especialmente no que se referia à sua viabilização industrial. Determinado a superar esses obstáculos, o Coronel Ozires Silva buscou apoio junto ao setor privado nacional, embora tenha encontrado resistência inicial. O ponto de inflexão ocorreu a partir de um encontro com o então presidente da República, Artur da Costa e Silva. Por meio de uma argumentação consistente e alinhada aos interesses estratégicos do país, Ozires conseguiu assegurar o apoio governamental necessário, viabilizando investimentos para a criação de uma empresa dedicada à produção da aeronave. Esse momento decisivo culminou na fundação, em 19 de agosto de 1969, da Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A. Sediada em São José dos Campos,  estabelecida como uma empresa estatal de capital misto, com o objetivo de consolidar a indústria aeronáutica brasileira. Devido ao seu design conceitual bem dimensionado para o mercado-alvo, o Embraer EMB-110 Bandeirante rapidamente conquistou os primeiros contratos de exportação, sendo a empresa francesa de transporte regional Air Littoral seu primeiro cliente. O primeiro contrato militar  ocorreu em 1975, firmado com o governo do Uruguai. No mesmo ano, o modelo EMB-110 começou a conquistar o mercado civil norte-americano, tornando-se rapidamente uma referência nesse segmento. Este sucesso comercial permitiu à empresa obter os recursos e a tecnologia necessários para aspirar ao desenvolvimento de novas aeronaves com maior capacidade e desempenho. O próximo passo seria o projeto da primeira aeronave executiva pressurizada, o  EMB-121 Xingu. Embora este modelo não tenha alcançado o mesmo nível de sucesso comercial, ele elevou o patamar tecnológico da empresa. Nesse momento, começou a se identificar uma demanda crescente no mercado internacional por aeronaves turboélices de porte médio, voltadas para operações em linhas aéreas regionais, com foco principalmente na Europa e na América do Norte. Diante disso, a equipe de projetos iniciou o desenvolvimento de uma aeronave turboélice bimotora de porte médio, pressurizada, com capacidade para transportar até trinta passageiros. Esta aeronave deveria ser capaz de decolar em pistas curtas e não preparadas, proporcionando um bom desempenho aliado a um baixo consumo de combustível. O projeto do EMB-121 Xingu serviu como ponto de partida para o desenvolvimento dessa nova aeronave, que recebeu a designação  de EMB-120 Araguaia. Apesar de seu promissor design estético, esse projeto apresentou limitações operacionais, principalmente por ser uma versão derivada de um modelo de pequeno porte. Em 1979, o projeto foi retomado com o objetivo de criar uma aeronave do zero, visando atender às demandas específicas desse promissor nicho de mercado. O modelo manteve a designação de EMB-120, sendo batizado de "Brasília", em homenagem à capital federal. Para atender ao perfil operacional exigido, foram escolhidos os confiáveis motores turboélices Pratt & Whitney Canadá PW-115, com 1.500 hp de potência cada, operando em conjunto com novas hélices desenvolvidas pela Hamilton Standard, que apresentavam quatro lâminas em material composto leve e resistente.
Adicionalmente, a aeronave incorporava uma nova asa com perfil supercrítico, solução aerodinâmica avançada que contribuía para a redução do arrasto em regimes de cruzeiro mais elevados e permitia ao bimotor brasileiro atingir velocidades superiores a 500 km/h. A fuselagem, com diâmetro de 2,28 metros, apresentava uma configuração interna típica do transporte regional, com arranjo assimétrico de assentos  uma poltrona isolada à esquerda e duas à direita , favorecendo a otimização do espaço disponível e a eficiência operacional. No que se refere ao conforto a bordo, a cabine possuía altura de 1,76 metro, característica que, embora compatível com aeronaves de sua categoria, foi apontada como uma limitação, sobretudo para passageiros de maior estatura. Ainda assim, o projeto incorporava soluções consideradas inovadoras para o segmento à época, como um sistema de ar-condicionado projetado para operação contínua em voo e a possibilidade de instalação de uma unidade auxiliar de potência (APU). Este último recurso revelava-se particularmente relevante em operações realizadas em aeródromos com infraestrutura limitada, pois permitia manter sistemas essenciais  incluindo o ar-condicionado  em funcionamento durante o solo, assegurando maior conforto aos passageiros e autonomia operacional à aeronave. O desenvolvimento do projeto avançou em ritmo acelerado ao longo do início da década de 1980, culminando na conclusão do primeiro mockup em 1981. Após a realização de ensaios aerodinâmicos e avaliações técnicas, o programa recebeu autorização para a construção do primeiro protótipo. Em 29 de julho de 1983, ocorreu a apresentação oficial e o batismo da aeronave, registrada sob a matrícula civil PT-ZBA. O protótipo destacava-se por seu acabamento em alumínio polido, de aspecto espelhado, desenvolvido especialmente pela Alcoa S/A para o programa. Seu primeiro voo despertou grande interesse entre autoridades, especialistas e representantes da indústria aeronáutica. O evento assumiu caráter simbólico ao marcar o lançamento de uma aeronave desenvolvida e produzida integralmente pela indústria aeronáutica brasileira, reunindo imprensa especializada internacional, representantes de companhias aéreas regionais  nacionais e estrangeiras , além de fornecedores e parceiros comerciais. O impacto da apresentação foi amplamente reconhecido, culminando, em dezembro daquele ano, na concessão do prêmio “Destaque Nacional de Marketing” pela Associação Brasileira de Marketing, em virtude da repercussão da cerimônia de lançamento do EMB-120 Brasília nos cenários nacional e internacional. Após um abrangente programa de ensaios em voo, que resultou em aperfeiçoamentos técnicos e operacionais, a aeronave obteve autorização para produção em série, cujo início foi programado para o final de 1985. No final de maio do ano seguinte, o modelo recebeu homologação para operação no Brasil, concedida pelo Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA). Em seguida, em junho, o EMB-120 Brasília foi certificado pela Federal Aviation Administration (FAA), habilitando sua operação no mercado norte-americano. Na sequência, a Civil Aviation Authority (CAA) também aprovou a aeronave para operação comercial no Reino Unido, consolidando sua inserção no competitivo mercado internacional de aviação regional.

Diferentemente do  EMB-110 Bandeirante, cuja trajetória teve início em 1974 com ênfase primordial no atendimento às demandas do mercado doméstico, o  EMB-120 Brasília foi concebido, desde suas fases iniciais de projeto, sob uma perspectiva marcadamente internacional. Essa orientação refletia uma estratégia industrial mais amadurecida da Embraer, que buscava posicionar-se de forma competitiva no exigente segmento global de transporte regional, combinando inovação tecnológica, eficiência operacional e atratividade comercial. Projetado para superar seu antecessor em capacidade, alcance e conforto, o Brasília rapidamente se destacou como uma solução moderna e eficiente para o transporte regional civil. Ainda antes das primeiras entregas, o modelo já havia alcançado expressivo reconhecimento no cenário internacional, sendo amplamente considerado um dos mais bem-sucedidos em sua categoria. Tal prestígio traduziu-se na formalização de contratos e opções de compra junto a diversas companhias aéreas regionais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, mercados caracterizados por elevados padrões de exigência técnica e operacional. Nesse contexto, a Embraer posicionou o Brasília como uma alternativa ideal para rotas de curta e média distância, particularmente em mercados nos quais a operação de grandes aeronaves a jato não se mostrava economicamente viável. Essa estratégia revelou-se acertada diante da crescente demanda por conectividade regional, sobretudo em países com redes aéreas densas e diversificadas. O marco inaugural da operação comercial do EMB-120 ocorreu em meados de 1985, quando a companhia aérea Atlantic Southeast Airlines, sediada em Atlanta, tornou-se a primeira operadora do modelo. Em setembro daquele ano, a aeronave realizou seu voo inaugural em serviço regular, conectando Gainesville a Atlanta. Esse evento não apenas simbolizou o início das operações comerciais do Brasília, mas também marcou a entrada efetiva da Embraer no mercado aeronáutico norte-americano, reconhecido como um dos mais competitivos e rigorosos do mundo. O êxito do modelo não se restringiu ao mercado dos Estados Unidos, pois em 1986, o Brasília atingiu um marco histórico ao tornar-se a primeira aeronave brasileira homologada para operações civis na Alemanha, nação tradicionalmente associada a elevados padrões de segurança e qualidade na aviação. Essa certificação representou um avanço significativo na consolidação da reputação internacional da Embraer, abrindo caminho para a expansão do modelo em outros mercados europeus e reforçando sua credibilidade frente aos principais fabricantes globais. No Brasil, a introdução do EMB-120 ocorreu em 1988, quando a Rio Sul Serviços Aéreos Regionais iniciou suas operações com o modelo. Nos anos subsequentes, o Brasília foi incorporado por diversas operadoras nacionais, entre as quais se destacam a Passaredo Linhas Aéreas, Air Minas, Pantanal Linhas Aéreas, OceanAir, Nordeste Linhas Aéreas, Penta Pena Transportes Aéreos, KMW Táxi Aéreo, América Air, TRIP Linhas Aéreas, Sete Linhas Aéreas, Tavaj Táxi Aéreo, Rico Transportes Aéreos e a Interbrasil Star, esta última vinculada à Transbrasil.  A versatilidade, robustez e confiabilidade do EMB-120  consolidaram-no como um dos principais vetores do transporte aéreo regional brasileiro ao longo das décadas seguintes. 
Sua capacidade de operar em pistas de infraestrutura limitada e de estabelecer ligações eficientes entre cidades de médio e pequeno porte e grandes centros urbanos contribuiu de maneira decisiva para a expansão da malha aérea nacional, reforçando seu papel como instrumento de integração territorial e desenvolvimento regional. Nesse sentido, o EMB-120 não apenas atendeu às demandas internas do Brasil, como também projetou a indústria aeronáutica nacional no cenário internacional. A influência do modelo rapidamente ultrapassou as fronteiras brasileiras, alcançando expressivo impacto no mercado global. Ao longo de sua trajetória operacional, o Brasília foi empregado por 33 companhias aéreas regionais em 14 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1994, consolidou sua posição como uma das aeronaves regionais mais utilizadas no mundo, com uma frota que acumulava mais de três milhões de horas de voo  indicador significativo de sua confiabilidade e aceitação operacional. Paralelamente à versão original destinada ao transporte de passageiros, a Embraer desenvolveu variantes especializadas com o objetivo de atender a demandas operacionais específicas. Entre essas versões, destacam-se o EMB-120ER (Extended Range), concebido para oferecer maior autonomia e ampliar o alcance operacional, e o EMB-120RT, projetado para o transporte de cargas. Esta última variante incorporava uma porta lateral na porção posterior esquerda da fuselagem e dispunha de um compartimento com capacidade aproximada de 31 metros cúbicos. Ademais, o EMB-120RT permitia a configuração combinada para transporte de passageiros e carga, característica que lhe conferia elevada versatilidade e adaptabilidade a diferentes perfis de missão. Durante a década de 1990, a Embraer promoveu avanços significativos também no campo da manutenção aeronáutica. A empresa apresentou às autoridades reguladoras do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa um novo Plano de Manutenção Programada para o modelo. Essa iniciativa resultou em uma redução aproximada de 25% nos custos de manutenção programada, ao ampliar os intervalos entre inspeções e reduzir o tempo de imobilização em solo. Como consequência direta, observou-se um aumento na disponibilidade operacional e uma diminuição adicional dos custos, tornando o Brasília ainda mais competitivo no segmento de transporte regional. Outro aspecto relevante foi o interesse despertado junto a forças aéreas de diversos países, como Brasil, Uruguai, Angola e Equador. Essas instituições identificaram no modelo uma solução adequada para missões de transporte de autoridades, especialmente como complemento a frotas compostas por aeronaves a jato de maior porte. A produção foi encerrada em 2001, após a entrega de 353 unidades, momento em que a empresa já direcionava seus esforços para a consolidação de uma nova geração de aeronaves regionais a jato, representada pelo ERJ-145. Apesar disso, uma parcela significativa ainda permanece em operação até os dias atuais, desempenhando funções tanto no transporte de passageiros quanto de cargas em rotas regionais.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A missão de transporte executivo de autoridades  comumente designada como VIP (Very Important Person)  na Força Aérea Brasileira (FAB) constitui uma atividade de longa tradição institucional, cuja origem remonta a 1941, com a criação da Seção de Aviões de Comando. Essa iniciativa representou o marco inaugural de uma estrutura dedicada a assegurar o deslocamento seguro, eficiente e condizente com a dignidade das altas autoridades do Estado brasileiro, refletindo, simultaneamente, o compromisso da Aeronáutica com a integração territorial e a afirmação da soberania nacional. Ao longo das décadas, a evolução tecnológica e o progressivo aumento das demandas operacionais promoveram sucessivas modernizações na frota destinada a essa missão. Inicialmente, o transporte executivo foi realizado com aeronaves como o Lockheed L-12A Electra Junior, que, embora de capacidade limitada, representava um avanço significativo para o período. Em seguida, foram incorporados modelos de maior porte e desempenho, como o Lockheed Model 18 Lodestar, nas versões VC-60 e VC-66, os quais proporcionaram melhorias sensíveis em termos de autonomia e conforto. Na década de 1950, o protagonismo foi assumido pelo Douglas C-47 Skytrain, na versão VC-47, derivado do consagrado DC-3. Essa aeronave destacou-se pela robustez, confiabilidade e versatilidade, atendendo de forma eficaz às necessidades de transporte de autoridades em um período de expansão das atividades aéreas no país. A introdução da propulsão a jato, no final da década de 1960, marcou uma inflexão tecnológica relevante. Em 1968, foi incorporado o Hawker Siddeley HS-125, designado VC-93, ampliando significativamente a velocidade, o alcance e o nível de conforto nas missões de transporte de autoridades, especialmente aquelas de segundo escalão do Governo Federal. Essas aeronaves permaneceram em operação por mais de uma década, consolidando a capacidade em se  realizar voos executivos com elevado padrão de eficiência e segurança. Já na década de 1980, o Ministério da Aeronáutica (MAer) identificou a necessidade de ampliar e modernizar sua frota de transporte VIP, de modo a complementar as operações desempenhadas pelo Embraer EMB-121 Xingu, designado VU-9. Embora o Xingu se destacasse pela eficiência em rotas regionais, sua limitada capacidade de passageiros restringia sua aplicação em missões de maior complexidade ou que demandassem maior número de ocupantes. Nesse contexto, o Embraer EMB-120 Brasília, então em ascensão no mercado internacional  particularmente na Europa e na América do Norte , apresentou-se como uma solução altamente adequada às necessidades. Seu desempenho no setor civil, aliado à robustez, versatilidade e capacidade de operar em pistas curtas ou com infraestrutura limitada, exerceu influência decisiva na escolha do modelo. Como resultado desse processo, em dezembro de 1986 foi formalizado um contrato  para o fornecimento de cinco aeronaves novas de fábrica, na versão EMB-120RT (Reduced Take-off Weight). Essa aquisição marcou a introdução definitiva do Brasília na missão de transporte executivo  representando um salto qualitativo em termos de capacidade, alcance e flexibilidade operacional.

As aeronaves adquiridas foram configuradas com um interior especialmente projetado para missões de transporte executivo, permitindo acomodar até 12 passageiros em um ambiente que conciliava conforto, funcionalidade e discrição, atributos essenciais ao deslocamento de autoridades. Nesse contexto, a Força Aérea Brasileira (FAB) tornou-se o primeiro operador do Embraer EMB-120 Brasília em território nacional, antecipando sua introdução no setor civil, que ocorreria apenas em 1988 com a Rio Sul Serviços Aéreos Regionais. A primeira unidade, designada VC-97 e registrada sob a matrícula FAB 2001, foi entregue ao Grupo de Transporte Especial (GTE), sediado na Base Aérea de Brasília, em 3 de janeiro de 1987. As operações tiveram início em 27 de fevereiro do mesmo ano, marcando o começo da trajetória militar do modelo no Brasil e sua inserção nas missões de transporte de autoridades do Estado. As primeiras unidades do VC-97 apresentaram, entretanto, uma permanência relativamente breve no âmbito do GTE. A aeronave FAB 2001 inaugurou as operações regulares, seguida pelas matrículas FAB 2003 e FAB 2004, estas já entregues diretamente à unidade. Todavia, em março de 1988, essas aeronaves foram transferidas para o 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA), igualmente sediado na Base Aérea de Brasília. Tal medida inseria-se em um processo de reorganização operacional, visando otimizar o emprego dos meios aéreos tanto em missões de transporte executivo quanto em atividades logísticas. Um episódio trágico marcou precocemente a trajetória do modelo na Força Aérea Brasileira (FAB). Em junho de 1987, a aeronave FAB 2001 foi perdida em um acidente durante procedimento de pouso em São José dos Campos, resultando na destruição total da aeronave e na perda de sua tripulação. O ocorrido evidenciou os riscos inerentes à atividade aérea, mesmo em operações conduzidas por aeronaves modernas, e representou um momento sensível para a consolidação do programa VC-97. Cabe destacar que, do contrato original que previa a aquisição de cinco aeronaves, apenas quatro foram efetivamente entregues. A quinta unidade, matriculada como FAB 2005, chegou a ser concluída e pintada nas cores oficiais, mas teve sua incorporação cancelada pelo Ministério da Aeronáutica (MAer). Posteriormente, essa aeronave foi revendida a uma operadora de transporte aéreo regional em Angola, decisão que refletiu, em grande medida, as restrições orçamentárias e prioridades estratégicas vigentes à época. Como forma de compensação parcial pela não incorporação da quinta aeronave, a FAB integrou à sua frota, em julho de 1987, o terceiro protótipo do Brasília, originalmente operado pela Embraer sob a matrícula civil PP-ZBB. Redesignada YC-97 e registrada como FAB 2000, essa aeronave foi destinada ao Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos, passando a operar sob responsabilidade do Grupo Especial de Ensaios em Voo (GEEV). Nesse contexto, desempenhou funções de elevada relevância técnica, sendo empregada em ensaios, avaliações e certificações, contribuindo de forma significativa para o aprimoramento do modelo e sua adequação às exigências operacionais do meio militar.
Em 2005, a aeronave FAB 2000 foi transferida para o Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF), localizado no Rio de Janeiro, passando a atuar como aeronave orgânica da unidade. Nessa função, passou a apoiar diretamente as atividades logísticas e de manutenção do parque, reconhecido como o principal centro de suporte do Embraer EMB-120 Brasília no âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB). Em 2011, a aeronave foi redesignada como C-97 Brasília, adequando-se à nomenclatura padronizada adotada para as demais aeronaves de transporte da frota. A partir de 1988,  promoveu-se  uma significativa ampliação de sua frota por meio da incorporação de aeronaves usadas oriundas do mercado civil, em uma decisão estratégica associada a mecanismos de compensação financeira. Essas aeronaves foram retomadas como parte de dívidas não quitadas pelas empresas Rio Sul Serviços Aéreos Regionais e Nordeste Linhas Aéreas, relacionadas a financiamentos anteriormente concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS). Tal iniciativa não apenas reforçou a capacidade operacional, como também evidenciou a capacidade institucional de aproveitar oportunidades econômicas para a modernização de seus meios aéreos. Essa nova incorporação foi estruturada em dois lotes distintos: o primeiro composto por três aeronaves do modelo EMB-120RT, e o segundo por nove células do modelo Embraer EMB-120ER (Extended Range), versão aprimorada, dotada de novos motores e maior alcance operacional. Dentre essas aeronaves, apenas uma célula do EMB-120ER foi configurada internamente para transporte executivo, recebendo a designação VC-97 e matrícula FAB 2010, sendo alocada ao 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA). As demais aeronaves foram configuradas para missões de transporte de carga e passageiros, recebendo a designação C-97. Esses vetores foram homologados para operar tanto na configuração cargueira Single Cargo Net, com capacidade de até 3.500 kg, quanto na versão Combi (combinada), apta a transportar até 19 passageiros e aproximadamente 1.500 kg de carga. As células incorporadas receberam as matrículas FAB 2005, FAB 2006, FAB 2007, FAB 2008, FAB 2009, FAB 2011, FAB 2012, FAB 2013, FAB 2014, FAB 2015 e FAB 2016. Essas aeronaves passaram a ser distribuídas entre diferentes unidades operacionais, notadamente o 3º Esquadrão de Transporte Aéreo, sediado no Rio de Janeiro, o 6º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA), em Brasília, e o 7º Esquadrão de Transporte Aéreo (ETA), baseado em Manaus. No contexto operacional, essas aeronaves desempenharam uma ampla gama de missões de transporte, destacando-se o apoio à implementação da estrutura operacional do Sistema de Vigilância da Amazônia, projeto estratégico voltado ao monitoramento e controle da região amazônica. Cabe ainda destacar que uma dessas aeronaves foi destinada ao Grupo Especial de Ensaios em Voo (GEEV), em São José dos Campos, no interior do estado de  São Paulo , onde passou a operar como aeronave orgânica da unidade, contribuindo para atividades de ensaio, avaliação e desenvolvimento, reforçando o contínuo aprimoramento técnico e operacional da frota.

Em meados da primeira década dos anos 2000, tornava-se evidente o avanço da obsolescência na frota do Embraer EMB-110 Bandeirante, especialmente no que se referia às primeiras células incorporadas ainda na década de 1970. Esse cenário impôs a necessidade de estruturar um planejamento estratégico voltado à substituição gradual dessas aeronaves, de modo a assegurar a continuidade e a eficiência das missões de transporte em todo o território nacional. No âmbito desse esforço de modernização, foram adquiridas, em 2009, 04 celulas usadas do modelo EMB-120ER no mercado civil norte-americano. Essas unidades, equipadas com motores mais potentes Pratt & Whitney Canada PW118 e Pratt & Whitney Canada PW118A e dotadas de maior autonomia, receberam as matrículas FAB 2017, FAB 2018, FAB 2019 e FAB 2020. A incorporação dessas aeronaves permitiu ampliar a distribuição do vetor C-97 Brasília entre os esquadrões de transporte aéreo, contemplando o 2º Esquadrão de Transporte Aéreo, o 4º Esquadrão de Transporte Aéreo e o 5º Esquadrão de Transporte Aéreo. Dessa forma, todos os sete Esquadrões de Transporte Aéreo,  incluindo unidades já estabelecidas em Rio de Janeiro (3º ETA), Brasília (6º ETA) e Manaus (7º ETA) passaram a contar com ao menos uma aeronave do modelo. Essa expansão resultou em significativo incremento da capacidade operacional, fortalecendo a conectividade entre bases aéreas e a prontidão logística em âmbito nacional. Ao longo de sua trajetória, a Força Aérea Brasileira (FAB)  incorporou um total de 21 aeronaves da família EMB-120, das quais 20 permaneciam em operação até setembro de 2025. Essas unidades encontram-se distribuídas entre os sete Esquadrões de Transporte Aéreo e o Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF), no Rio de Janeiro, onde uma aeronave atua como orgânica da unidade, apoiando atividades de manutenção e suporte logístico. O desempenho operacional consistente do C-97 Brasília levou sua consideração como uma possível solução no processo de substituição dos C-95B, C-95C Bandeirante ainda em serviço. Nesse contexto, foi proposta uma versão customizada do Brasília voltada especificamente ao transporte militar de carga. O conceito previa a aquisição, no mercado internacional, de aproximadamente 20 aeronaves usadas das versões mais recentes do modelo, que seriam posteriormente revisadas e convertidas em parceria com a Embraer. As modificações planejadas incluíam a instalação de piso reforçado, portas de carga de maiores dimensões permitindo, inclusive, o lançamento de paraquedistas e cargas , além de uma abrangente modernização dos sistemas aviônicos. Tal iniciativa visava adaptar o Brasília a um perfil operacional mais robusto, compatível com as exigências do transporte militar contemporâneo. Entretanto, esse estudo conceitual não evoluiu além da fase de projeto. Diante disso, o Comando da Aeronáutica (COMAER) optou por uma solução alternativa, baseada na implementação de um programa de modernização aplicado a parte da frota remanescente do C-95B/C Bandeirante. Essa decisão refletiu uma abordagem pragmática, conciliando limitações orçamentárias com a necessidade de prolongar a vida útil dos meios disponíveis, ao mesmo tempo em que se mantinha a continuidade das operações de transporte aéreo no país.
O Embraer EMB-120 Brasília voltou a ser objeto de avaliação pela Força Aérea Brasileira (FAB) no contexto dos estudos vinculados ao Sistema de Proteção da Amazônia (SIVAM), iniciativa concebida para dotar o Sistema de Vigilância da Amazônia de um componente aéreo com capacidade de vigilância e resposta compatível com a complexidade do teatro amazônico. Nas fases iniciais desses estudos, o EMB-120RT Brasília foi considerado uma plataforma potencial para a integração do radar aerotransportado Saab Erieye, desenvolvido pela Saab Electronic Defence Systems e selecionado como elemento central do sistema de alerta aéreo antecipado (AEW&C – Airborne Early Warning and Control). Essa configuração visava conferir ao Brasil uma capacidade inédita de vigilância aérea de longo alcance e controle do espaço aéreo em regiões de difícil acesso. Entretanto, um atraso de aproximadamente dois anos e meio na negociação e formalização do contrato inicialmente previsto para 1995, mas efetivado apenas em 25 de julho de 1997  proporcionou um intervalo adicional para análises técnicas mais aprofundadas. Durante esse período, foram identificadas limitações operacionais relevantes no emprego do Brasília como plataforma AEW&C, particularmente no que se refere a desempenho, capacidade de geração elétrica e autonomia em missões prolongadas. Diante dessas restrições, optou-se pela substituição do Embraer C-97 Brasília como plataforma do sistema, sendo escolhido, em seu lugar, o Embraer ERJ-145. Recém-introduzido no mercado internacional à época, o ERJ-145 demonstrou desempenho superior e maior adequação aos requisitos do programa, especialmente em termos de alcance, velocidade e capacidade de integração de sistemas complexos, dando origem às aeronaves AEW&C da família R-99. Atualmente, os C-97 Brasília permanecem em operação na Força Aérea Brasileira (FAB), desempenhando uma ampla gama de missões, entre as quais se destacam o transporte de autoridades (VIP), transporte logístico, ligação entre bases e evacuação aeromédica. Essas aeronaves atuam de forma complementar aos Embraer C-95BM Bandeirante e Embraer C-95CM Bandeirante, além de operarem em conjunto com o CASA C-105 Amazonas, compondo um sistema equilibrado de mobilidade aérea. Em 2018, foi estabelecido um programa de revitalização para as células remanescentes do C-97 Brasília, contemplando uma revisão estrutural abrangente e a modernização de seus sistemas, com ênfase na atualização da aviônica e dos equipamentos de comunicação. Essa iniciativa apresenta potencial para estender a vida útil operacional da frota por aproximadamente 15 anos, assegurando sua relevância no cenário da aviação de transporte militar. Mais do que um vetor logístico, o C-97 Brasília consolidou-se como um símbolo do desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional e da estreita cooperação entre a Embraer e Força Aérea Brasileira (FAB). Sua adoção precoce  antecedendo inclusive sua difusão no mercado civil brasileiro  evidenciou a confiança institucional na capacidade da indústria nacional de conceber e produzir aeronaves de padrão internacional, contribuindo de forma decisiva para a projeção do Brasil no cenário aeroespacial global.

Em Escala.
Para representarmos o Embraer EM-120RT Brasília VC-97 “FAB 2002” empregamos a segunda versão do kit em resina produzido pelo fabricante artesanal GIIC Models na escala 1/72, modelo de fácil montagem que possibilita apresentar a aeronave com as portas de passageiros e carga abertas. Fizemos uso do set original do modelo combinados com decais confeccionados pela Duarte Decais oriundos de diversos sets.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o esquema tático “cinza londrino” aplicado nestas aeronaves a a partir de fins da década de 1990. Anteriormente estas aeronaves receberiam o padrão de pintura VIP (Very Important Person) aplicado nas aeronaves em serviço no Grupo Especial de Transporte (GTE). Já o YC-97 Brasília FAB 2000 manteria nos primeiros anos o padrão de acabamento metálico original do primeiro protótipo.
Bibliografia :
- Centro Histórico da Embraer - http://www.centrohistoricoembraer.com.br/pt-BR/HistoriaAeronaves/Paginas/EMB-120-Brasilia.aspx
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Junior
- O Projeto SIVAM e a Embraer – Revista Flap http://www.revistaflap.com.br
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

CH-33 Aérospatiale SA330L Puma

História e Desenvolvimento.
Após a rápida e devastadora derrota da França na Batalha da França, em maio de 1940, a outrora vibrante indústria de defesa nacional francesa foi subjugada à ocupação nazista. Nesse período sombrio, que durou até a liberação aliada em 1944-1945, as fábricas francesas foram compelidas a servir como meras fornecedoras de componentes básicos para a máquina de guerra alemã, refletindo a humilhação e a perda de soberania que o país enfrentou durante a Segunda Guerra Mundial. Foi apenas no pós-guerra, em meio ao espírito de resiliência e reconstrução nacional impulsionado pelo Plano Marshall dos Estados Unidos – que injetou bilhões em auxílio econômico para revitalizar a Europa Ocidental, incluindo a França –, que o setor aeroespacial francês começou a renascer, integrando-se ao esforço coletivo para restaurar a manufatura e a independência tecnológica em um contexto de Guerra Fria emergente. Nesse renascimento, inspirado pela determinação humana de superar as cicatrizes da guerra, o governo francês estabeleceu duas empresas estatais chave: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE), sediada em Marignane, e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO), baseada em Bordéus. Essas entidades surgiram da nacionalização de pequenas empresas privadas na década de 1930, um movimento liderado pelo governo da Frente Popular sob Léon Blum em 1936, que visava centralizar e fortalecer a indústria aeronáutica em polos regionais para enfrentar as crescentes tensões europeias pré-guerra. Essa consolidação não só reviveu tradições industriais enraizadas em pioneiros como Louis Blériot e Marcel Dassault, mas também fomentou a emergência de conglomerados inovadores, cujos produtos ganhariam aclamação global nas décadas subsequentes, simbolizando o triunfo do engenho humano sobre a adversidade Particularmente notável foi o avanço na produção de aeronaves de asas rotativas, ou helicópteros, que recebeu generosos incentivos governamentais como parte da estratégia para modernizar as forças armadas francesas e promover exportações. Uma porção significativa do expertise técnico foi acumulada através da fabricação licenciada de modelos norte-americanos e britânicos, um processo colaborativo que permitiu à França absorver conhecimentos avançados enquanto reconstruía sua base industrial. Lideradas pela SNCASE e SNCASO, essas parcerias pavimentaram o caminho para a autonomia tecnológica, culminando no desenvolvimento de projetos nacionais que capturaram a essência da inovação pós-guerra. Dentre esses, o helicóptero Alouette II, concebido pela SNCASE e equipado com um revolucionário motor turboeixo Turboméca Artouste tornando-o o primeiro helicóptero de produção em série impulsionado por uma turbina a gás , representou um marco histórico. Seu voo inaugural ocorreu em 12 de março de 1955, e o modelo, junto com suas variantes, permaneceu em produção até 1975, sendo amplamente adotado em operações militares, como na Guerra da Argélia (1954-1962), e civis, com exportações para mais de 40 países, consolidando a França como líder no mercado de helicópteros leves e versáteis.

Em 1º de março de 1957, a fusão entre a SNCASE e a SNCASO deu origem à Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). Essa integração representou uma iniciativa estratégica do Estado francês voltada à racionalização de recursos industriais e ao fortalecimento da competitividade nacional no setor aeroespacial, em um contexto marcado pela intensificação da disputa tecnológica e geopolítica entre as grandes potências do pós-guerra, notadamente os Estados Unidos e a União Soviética. A SNCASE incorporou à nova empresa um legado industrial significativo, que incluía a produção do avião de transporte civil Languedoc e do caça a jato DH-100 Vampire, este último fabricado sob licença na França com a designação SNCASE Mistral. Já no início da década de 1950, a empresa havia iniciado o desenvolvimento de uma aeronave comercial inovadora o Caravelle. Este modelo se tornaria um marco na aviação civil ao introduzir a configuração de motores posicionados na parte traseira da fuselagem, solução que reduzia consideravelmente o nível de ruído na cabine e influenciaria projetos posteriores. O protótipo realizou seu primeiro voo em 27 de maio de 1955, entrando em serviço comercial em 1959 e alcançando expressiva aceitação. No início da década de 1960, sob a liderança do presidente Charles de Gaulle, a França adotou uma política de maior autonomia estratégica, especialmente no campo militar. A decisão de se desvincular do comando integrado da OTAN refletia o objetivo de reafirmar a soberania nacional, embora tenha evidenciado desafios estruturais relevantes, sobretudo a dependência de equipamentos militares de origem norte-americana, muitos dos quais já se encontravam tecnologicamente defasados. Diante desse cenário, o governo francês passou a investir de forma decisiva no fortalecimento de sua base industrial de defesa, priorizando o desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias. No âmbito da aviação de asas rotativas, tornou-se premente a substituição de helicópteros como os Sikorsky H-19D, SH-34, S-58 e Vertol H-21, amplamente empregados pela Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT). Em resposta a em 1963, foram estabelecidas diretrizes técnicas para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte, capaz de transportar até 20 soldados plenamente equipados, operar em condições meteorológicas adversas, tanto de dia quanto à noite, e cumprir missões de transporte tático de tropas e cargas.Esse programa, que resultaria na concepção do Alouette IV, insere-se no esforço mais amplo de consolidação da autossuficiência militar francesa. Apesar da experiência acumulada na produção de helicópteros leves, como o Alouette II e o Alouette III, a Sud Aviation ainda possuía atuação limitada no segmento de aeronaves de maior porte, restringindo-se, até então, à fabricação sob licença do Sikorsky S-58. O protótipo do Alouette IV, concluído em janeiro de 1964, foi equipado com dois motores Turbomeca Bi Bastan VII, cada um com potência de 1.065 hp, além de um rotor principal de quatro pás confeccionadas em material composto. Concebido para oferecer elevado desempenho, destacava-se pela capacidade de operar em ambientes desafiadores, apresentando alta velocidade, excelente manobrabilidade e eficiência em condições de temperatura e altitude elevadas.

Seu cockpit foi concebido segundo uma filosofia de projeto que privilegiava a funcionalidade e a flexibilidade operacional. Dotado de dois comandos convencionais destinados ao piloto e ao copiloto e de um assento adicional para um terceiro tripulante, que poderia atuar como comandante ou reserva, o arranjo interno permitia a adaptação a diferentes perfis de missão. Nesse contexto, destacou-se a integração de um sistema de piloto automático eletro-hidráulico SFIM-Newmark 127, capaz de atuar nos eixos de rolagem (roll) e arfagem (pitch), proporcionando maior estabilidade em voo e reduzindo a carga de trabalho da tripulação. Um aspecto particularmente inovador residia na possibilidade de o operador do gancho de carga efetuar ajustes finos na posição da aeronave diretamente de sua estação, por meio do sistema automático de controle de voo recurso que ampliava significativamente a precisão durante operações de içamento e transporte externo de cargas. Ademais, a adoção de motores turboeixo conferia ao helicóptero uma margem de potência que assegurava condições seguras de operação mesmo diante da eventual falha de uma das unidades propulsoras, garantindo a continuidade da missão em cenários críticos. Nos estágios de desenvolvimento, considerou-se ainda a incorporação dos motores Turbomeca Turmo, de maior potência, o que contribuiu para elevar o desempenho geral da aeronave, sobretudo em condições operacionais adversas. O primeiro voo ocorreu em 15 de abril de 1965, ocasião em que o protótipo demonstrou qualidades promissoras. Esses resultados levaram o Ministério da Defesa da França a autorizar, ainda naquele ano, a construção de seis exemplares de pré-produção. Entregues entre 12 de janeiro de 1966 e 30 de julho de 1968, esses helicópteros foram submetidos a um extenso programa de ensaios em voo conduzido pela Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT). Durante essa fase, o fabricante promoveu sucessivos aperfeiçoamentos no projeto original, incorporando modificações que culminaram na homologação da aeronave para produção em série a partir de setembro de 1968. As primeiras unidades operacionais do SA 330 Puma foram oficialmente entregues ao Exército Francês (l’Armée de Terre) em maio de 1969, consolidando sua posição como uma plataforma de transporte tático confiável, robusta e versátil. Suas características  notadamente a elevada capacidade de carga, a resistência estrutural e o desempenho consistente em diferentes ambientes operacionais  despertaram interesse internacional ainda durante a fase de testes. Entre os principais interessados destacou-se a Força Aérea Real (RAF), que buscava um substituto moderno para suas aeronaves de transporte médio. Esse interesse resultou na celebração de um acordo de cooperação, em 1970, entre a recém-criada Aérospatiale e a Westland Helicopters. Tal iniciativa representou um marco na consolidação da indústria aeroespacial europeia, ao promover a integração  entre França e Reino Unido. Como resultado desse acordo, foi firmado um contrato para o fornecimento de 48 unidades da versão Puma HC Mk 1. As 02 primeiras aeronaves foram entregues em 29 de janeiro de 1971, sendo incorporadas ao 33º Esquadrão  que alcançou capacidade operacional plena em 14 de junho do mesmo ano .

Em 1970, a Força Aérea Portuguesa (FAP) adquiriu 13 unidades do SA-330 Puma para uso na Guerra do Ultramar em Angola e Moçambique. As aeronaves foram intensivamente empregadas por forças especiais em missões de transporte de manobra (TMAN), interdição de colunas guerrilheiras, evacuação sanitária e apoio logístico. O primeiro voo operacional ocorreu em 23 de outubro de 1970, em Santa Eulália, Angola. Após o fim da guerra colonial, os Pumas foram transferidos para Portugal e utilizados em missões de busca e salvamento (SAR) nos Açores até 1986, quando foram substituídos pelo AS-332 Super Puma. Durante a Guerra das Falklands Malvinas (1982), o Puma HC Mk 1 foi empregado em transporte de tropas e suprimentos, destacando-se pela capacidade de operar em condições climáticas adversas. Um SA 330J pertencente à Prefectura Naval Argentina (PNA), foi danificado por fogo naval britânico e abandonado na estrada para Port Stanley (Puerto Argentino) em junho de 1982, sendo capturado pelas forças britânicas no final da guerra. Posteriormente seria reformado pela Westland Helicopters usando peças de um Puma HC1 danificado (XW215) e reintegrado ao serviço britânico em 1989 como ZE449, sob a designação HC Mk 1.  As forças argentinas operaram seis SA 330 Puma (cinco do Exército e um da Guarda Costeira), utilizados principalmente para transporte de tropas, suprimentos e evacuação médica. Ao longo da guerra, todos os seis foram perdidos em incidentes variados, refletindo a intensidade do combate aéreo: um abatido por míssil Sea Dart do HMS Coventry em 9 de maio; dois destruídos por Sea Harriers da Royal Navy em 23 de maio perto de Port Howard, durante uma missão de suprimentos; e outro possivelmente derrubado por um míssil Stinger disparado por forças especiais SAS britânicas em 30 de maio perto de Mount Kent. Entre 1980 e 1984, o Líbano recebeu 10 unidades do SA-330C Puma para equipar o 9º Esquadrão de Transporte na Base Aérea de Beirute. Durante a Guerra Civil Libanesa, os Pumas foram usados em missões de transporte e ligação com Chipre, apesar de dificuldades logísticas, como escassez de combustível e manutenção. Dois incidentes marcaram sua operação: em 1984, um Puma SA330 L caiu em Beirute devido a nevoeiro, matando o chefe do Estado-Maior e outros oficiais; em 1987, o primeiro-ministro Rachid Karami foi assassinado em um ataque a bomba a bordo de um helicóptero Puma.  A partir de 2014, foi empregado na Operação Barkhane, no Sahel, apoiando tropas terrestres e interrompendo rotas de suprimento insurgentes em Chad e Níger. Nos últimos anos, o Puma também desempenhou um papel crucial em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo a MINUSTAH no Haiti (2004 - 2017) e a UNAMID no Sudão (2007 - 2020), demonstrando sua relevância em operações humanitárias e de estabilização. A África do Sul operou o Puma e desenvolveu a versão Atlas Oryx, uma variante modernizada produzida localmente. O Oryx foi amplamente utilizado em operações militares, incluindo a Guerra de Fronteira na Angola (1980), onde apoiou forças terrestres em missões de transporte e evacuação. 

O desempenho excepcional do Puma gerou uma demanda global, resultando em contratos de exportação para países como Líbano, Marrocos, Portugal, Argentina, Brasil, Paquistão, Chile, Camarões, Congo, Equador, Guiné, Indonésia, Costa do Marfim, Kuwait, Nepal, Omã, Romênia, Maláui e Espanha. Sua robustez e estabilidade em voo tornaram-no uma plataforma versátil, adequada tanto para transporte de tropas e carga quanto para missões armadas.  Por fim a  Romênia produziu o Puma sob licença pela IAR Brașov, designado IAR-330, com pelo menos 163 unidades fabricadas. A variante IAR-330 Puma Socat foi adaptada para missões antitanque, equipada com armamentos específicos, destacando-se como uma plataforma de combate. Recentemente, em 2025, o IAR-330 foi utilizado em exercícios conjuntos com a Marinha do Canadá, incluindo operações de helocast no Porto de Constanța. No Reino Unido, a Força Aérea Real (RAF) destacaria suas aeronaves  a operar em 2003 durante a Invasão do Iraque (Operação Telic), empregados para transporte tático de tropas, evacuação médica (MEDEVAC) e apoio logístico às forças britânicas, operando em condições de poeira extrema e ameaças de insurgentes. No Afeganistão, os Pumas HC Mk1 apoiaram a Operação Herrick (2001-2014), transportando milhares de soldados e suprimentos em terrenos montanhosos. Com a introdução do HC Mk2 em 2012 – uma atualização de £300 milhões que incluiu motores Turboméca Makila 1A1 mais potentes, cockpit digital, sistemas de autodefesa aprimorados e proteção balística, dobrando a capacidade de carga e triplicando o alcance –, os helicópteros foram destacados  na Operação Toral (2015-2021), a fase de transição pós combates no Afeganistã. Nessa operação, eles realizaram missões de apoio a forças da OTAN, incluindo resgates em combate e transporte em Kabul, até a retirada caótica em 2021. A Força Aérea Real (RAF) aposentou os últimos HC Mk2 em 31 de março de 2025, após 54 anos de serviço, substituídos pelo programa New Medium Helicopter, A França, berço do Puma, manteve uma frota ativa tanto na força aérea quanto no exército, utilizando-o em diversos eventos de conflagraçao real como na Operação Barkhane (2014-2022), uma campanha antiterrorismo no Sahel contra grupos jihadistas afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. Deployados inicialmente em N'Djamena, no Chade, e depois em bases como Dirkou e Madama, no Níger, e Gao, no Mali, os SA330 Puma realizaram interdições de rotas de suprimentos, transporte de tropas e apoio a forças terrestres francesas e aliadas, operando em condições de calor extremo e areia que testavam os limites da máquina.  Modernizações francesas incluíram sistemas digitais de comando e links de dados Sitalat por volta de 2010, com cerca de 20 unidades restantes em serviço até 2016, gradualmente substituídas pelo NH90. Em Portugal, a Força Aérea Portuguesa (FAP) retirou gradualmente sua frota de SA330 a partir de 2006, substituindo-os pelo AgustaWestland AW101 Merlin, mas manteve unidades para venda até 2015. Em um gesto recente e humanitário, em março de 2025, Portugal transferiu oito Pumas modernizados para a Ucrânia como parte de um pacote de ajuda militar.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A introdução de helicópteros militares no Brasil marcou um capítulo significativo na história da aviação nacional, refletindo o empenho de pilotos, engenheiros e líderes em fortalecer a capacidade operacional do país em um contexto de desafios geográficos e compromissos internacionais. Esse marco teve início em março de 1952, com a assinatura de um contrato entre o governo brasileiro e a Bell Helicopter Company, dos Estados Unidos, para a aquisição de quatro unidades do Bell Model 47 D1 H-13D. Apesar de formar uma frota reduzida, essas aeronaves foram integradas à Força Aérea Brasileira (FAB) com notável versatilidade, sendo empregadas em missões de ligação entre bases, transporte de autoridades (VIP) e, sobretudo, busca e salvamento (Search and Rescue). Equipados com kits de flutuação, esses helicópteros tinham a capacidade de operar em ambientes navais, permitindo que pilotos brasileiros, muitos dos quais treinados em programas de cooperação internacional, desenvolvessem as bases doutrinárias para operações SAR em terra, mar e ar. A relevância dessas iniciativas foi amplificada pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, que, desde 1944, era signatário da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, conhecida como Convenção de Chicago. Esse acordo, firmado, estabeleceu normas globais para a aviação e obrigava os países membros a manterem infraestruturas robustas para missões de busca e salvamento, cobrindo extensas áreas continentais e marítimas sob sua jurisdição. No caso do Brasil, isso significava garantir a segurança em uma vasta região que incluía milhões de quilômetros quadrados no Atlântico Sul. Para atender a essa exigência, o Ministério da Aeronáutica (MAer) criou, em 16 de novembro de 1950, o Serviço de Busca e Salvamento, um marco institucional que estruturou as operações SAR no país. Inicialmente, esse serviço contava com aeronaves de asa fixa, como os quadrimotores Boeing SB-17G e os anfíbios  Consolidated PBY-5A Catalina. Apesar de suas capacidades, essas aeronaves não preenchiam uma lacuna crítica: a necessidade de helicópteros, que seria atendida incialmente com a aquisição dos  Bell 47 e posteriormente quatro células do  Sikorsky H-19D Chickasaw.  Em  6 de dezembro de 1957, foi criado o 2º/10º Grupo de Aviação, conhecido como Esquadrão Pelicano, a primeira unidade dedicada exclusivamente a operações de busca e salvamento. Sediado inicialmente em Florianópolis e mais tarde transferido para Campo Grande, o esquadrão tornou-se o coração das operações SAR, consolidando uma doutrina operacional que combinava técnica apurada com o compromisso humano de salvar vidas, seja em acidentes aéreos, naufrágios ou desastres naturais. Os Sikorsky H-19D, com sua maior capacidade de carga e robustez, desempenharam um papel central nesse processo, participando de missões que solidificaram a expertise da Força Aérea Brasileira (FAB).

Contudo, o número reduzido de aeronaves e seu uso intensivo em um país de proporções continentais logo resultaram em desgaste significativo, reduzindo a disponibilidade operacional e evidenciando a necessidade de modernização. Assim se fazia necessário a curto prazo, prover a aquisição de um novo vetor de asas rotativas para o leque de missões especializadas desenvolvidas pelo 2º/10º Grupo de Aviação – Esquadrão Pelicano. Paralelamente o comando do Ministério da Aeronáutica (MAer)  passava a desenvolver estudos referentes a aquisição de modernas aeronaves de asas rotativas, que deveriam ser empregadas em missões de transporte de tropa, ligação e ataque. Assim nada mais natural, do que se buscar um modelo de helicóptero que pudesse em uma única plataforma atender a todas estas finalidades, criando assim um vetor comum de asas rotativas na Força Aérea Brasileira. Desta maneira em meados do ano de 1965, uma concorrência internacional seria aberta pela Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA), visando a aquisição de uma nova aeronave de asas rotativas de médio porte, devendo obrigatoriamente ser equipada com motores turbo eixo. Diversas propostas seriam apresentadas, de destacando a oferecida pela empresa norte-americana Bell Helicopter Company, apresentando o Modelo 205, disposto na variante militar mais moderna, o  UH-1D Huey.  Esta proposta englobava ainda soluções de financiamento e um pacote mais atrativo em termos de custo-benefício.  Tratativas seriam então realizadas, culminando em maio de 1964 na assinatura de um contrato para a aquisição de seis células novas de fábrica. Os excelentes resultados operacionais, levariam em 1970 o Ministério da Aeronáutica (MAer)  a decidir pela aquisição de mais aeronaves, passando a incorporar mais mais oito células novas de fábrica do modelo Bell UH-1D que receberiam as matrículas FAB 8536 a 8542. No final desta mesma década, a Força Aérea Brasileira (FAB) encontrava-se predominantemente equipada com helicópteros de origem norte-americana como os UH-1D e UH-1H , que eram também suas aeronaves de maior porte de asas rotativas. Entre outros trabalhos atribuídos a Aviação de Asas Rotativas, estava o apoio ao Exército Brasileiro em missões como transporte de tropas e operações de heli desembarque. Desta maneira ficava nítida a necessidade de se contar com um helicóptero de maior porte, pois, apesar dos excelentes serviços prestados até aquele momento, as aeronaves disponíveis apresentam uma capacidade limitada, podendo transportar no máximo onze combatentes totalmente equipados.  Assim operações de grande monta demandariam uma expressiva quantidade de surtidas aéreas repetitivas, o que geraria  um proibitivo risco de exposição prolongada ao possível fogo antiaéreo inimigo. Esta percepção seria confirmada durante a realização de diversas operações conjuntas realizadas entre a Forças Armadas Brasileiras nos derradeiros anos da década de 1970. 
Este fato seria ainda catalisado no começo da década seguinte com a implementação do programa de ampliação dos esquadrões de asas rotativas, transformando neste escopo os atuais  Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque – (EMRA), no  8º Grupo de Aviação, que passaria a congregar  todas as unidades operadoras de helicópteros na  Força Aérea Brasileira (FAB). Este novo cenário demandava a aquisição de um helicóptero de maior porte, a ser destinado especificadamente para tarefas de transporte de tropas e cargas, assim visando atender a esta demanda em 1979, uma concorrência internacional seria lançada, prevendo a aquisição de seis a dez células de um modelo de helicóptero bimotor turbo eixo de porte médio, que atendesse a diversos requisitos técnicos e de desempenho. Não existem registros oficiais, sobre quais outros modelos aeronaves de asas rotativas chegaram a participar desta concorrência, porém a escolha acabaria recaindo sobre uma proposta apresentada pela empresa francesa Société Nationale Industriell Aérospatiale, que envolvia a versão mais recente SA-330L Puma, modelo este que representava uma evolução da variante SA-330H destinada a exportação. Esta aeronave estava equipada com os novos motores turboeixo Turbomeca Turmo IVC, que geravam cerca de 1.580 hp de potência cada, e apresentavam os rotores e pás do rotor principal confeccionados em materiais compostos. Uma das principais características da versão escolhida pela Força Aérea Brasileira (FAB), era a customização do projeto, permitindo assim a operação em regiões de alto calor e umidade, ambiente predominante em nosso país. Comenta-se ainda que tal decisão de compra, tenha sido influenciada pela recente chegada ao Brasil dos primeiros exemplares do modelo Aérospatiale SA-330J Puma, que haviam sido arrendados pela empresa de transporte Cruzeiro do Sul Taxi Aéreo. Um total de nove helicópteros deste modelo seriam empregados por esta empresa, criando assim além das rotinas e infraestrutura de manutenção, a existência de uma completa linha de suprimento de peças de reposição no país. Um contrato seria celebrando prevendo a aquisição de seis células a um custo unitário de Cr$ 335.849.646,00, este acordo englobava ainda o treinamento de pilotos, tripulantes e equipes de manutenção, lotes de peças de reposição e apoio logístico e técnico. Estas aeronaves se encontravam entre as últimas produzidas, se distinguindo principalmente pela instalação no nariz de um radar meteorológico Bendix RDR-1400, apresentando a primeira tela em cores a ser empregada em uma aeronave militar brasileira. Ficaria determinado concentrar os novos Aérospatiale SA-330L Puma no 3º/8º Grupo de Aviação (3º/8º GAv) – Esquadrão Puma, unidade esta que havia sido criada em 9 de setembro de 1980, estando equipada com helicópteros Bell UH-1H oriundos do 3º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (EMRA), que estavam sendo empregados provisoriamente para o adestramento das equipagens. 

É interessante observar que, ao longo da década de 1980, o Ministério da Aeronáutica (MAer) flertou com a possibilidade de adquirir outras 54 unidades do SA330 L, que substituiriam os UH-1D/H e assim atenderiam plenamente às necessidades operacionais do Exército Brasileiro, bem como da própria Força Aérea Brasileira (FAB). No entanto, aqueles anos foram marcados pelo início de um período de enorme contenção de despesas em todos os órgãos do governo federal, fazendo com que aquela pretensão fosse abandonada de forma rápida. Prevendo o recebimento dos 06 helicópteros SA330 L na última metade de 1981, o Alto-Comando da Aeronáutica tratou de dar início às providências necessárias para sua chegada. Determinando a designação CH-33 para o SA330 L, ficou definido que o 3º/8º Grupo de Aviação (3º/8º GAV) — unidade criada em setembro de 1980 com parte dos meios e pessoal oriundos do 2º/10º GAv — seria transformado em Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque — seria a unidade dotada dos CH-33. Sediado na Base Aérea dos Afonsos e equipado com helicópteros Bell UH-1H, o 3º/8º GAV despachou, em março de 1981, a primeira turma de oficiais aviadores para Marignane, onde ficava a fábrica da Aérospatiale. Naquela cidade do sul da França, a equipe foi recebida nas instalações da Aérospatiale a fim de realizar os cursos teóricos e de voo do SA330 L Puma. Nos meses seguintes, outro grupo foi enviado a Marignane para fazer o curso de SA330 L. A etapa de instrução foi concluída sem percalços, e em setembro daquele ano todos os pilotos que foram à França já haviam regressado ao esquadrão. Finalmente, em 17 de outubro, chegou ao Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA-AF) o primeiro dos seis SA330 L, trazido a bordo de um C-130H do 1º/1º Grupo de Transporte (1º/1º GT). Sob a supervisão de representantes da Aérospatiale, o helicóptero foi prontamente montado por pessoal daquele parque e fez seu primeiro voo no Brasil no dia 20 daquele mesmo mês. Nas semanas seguintes, quer em aviões Hercules do 1º/1º GT ou do 2º/1º Grupo de Transporte de Tropas, foram chegando ao Brasil os demais CH-33. Assim que foi entregue o primeiro CH-33, os pilotos que haviam feito o curso do SA330 L na França passaram a instruir aqueles que receberam para os demais oficiais aviadores do 3º/8º GAV. Tal como ocorreu nas instalações da Aérospatiale. Essa fase foi executada de forma fluida e rápida, o que permitiu ao esquadrão dar início à etapa de treinamento e adestramento operacional. Já que o 3º/8º GAV e seus CH-33 seriam empregados não somente em missões de transporte de tropa, mas na execução de missões de busca e salvamento, infiltração/exfiltração de forças especiais, transporte aéreo logístico e transporte de cargas externas, entre outros trabalhos, os helicópteros e o pessoal do 3º/8º GAV trabalharam nos meses seguintes completamente engajados no esforço de transformar aquele esquadrão em uma unidade plenamente operacional no CH-33. Porém, antes mesmo de aquela etapa estar concluída, escassas 20 semanas após a chegada do primeiro CH-33, o 3º/8º GAV já estava sendo convocado para realizar missões de Busca e Salvamento (SAR), bem como para executar sua primeira surtida de transporte presidencial.

De fato, ao longo da vida operacional dos Puma, como aqueles helicópteros eram também conhecidos entre os pilotos e mecânicos brasileiros, os CH-33 realizaram incontáveis missões SAR. Isso foi uma consequência natural não somente de seu enorme potencial como vetor de busca e salvamento, mas do fato de o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR) ser praticamente “vizinho de porta” do 3º/8º GAV. E esse binômio foi repetidamente empregado com sucesso nas mais variadas missões SAR, bem como em missões humanitárias como as realizadas em 1983 e 1984 durante enchentes que varreram o estado de Santa Catarina. A despeito das dificuldades logísticas que assolaram os CH-33 durante toda a sua carreira na Força Aérea Brasileira (FAB) e que determinaram modestíssimos índices de disponibilidade, aqueles helicópteros proporcionaram uma nova dimensão à aviação de asas rotativas. Para melhor aproveitar todo o potencial que podiam proporcionar, em 1982, foi realizada por oficiais da Força Aérea Portuguesa uma série de palestras sobre o emprego de seus SA330 em Angola durante o conflito colonial no qual eles haviam se envolvido na década anterior. Em função desse aprendizado, bem como da visível necessidade de ampliar a capacidade de operações especiais, os CH-33 do 3º/8º GAV dedicaram considerável esforço ao adestramento de missões de infiltração/exfiltração de pessoal de operações especiais do Exército, bem como do PARA-SAR. Esse segmento das atribuições do esquadrão resultou em diversos estudos, um dos quais visava à adaptação aos CH-33 de uma lança de reabastecimento em voo para ampliar o seu alcance operacional. Examinado em cooperação com o pessoal do 2º/1º Grupo de Transporte de Tropas e ensaiado em voo com os KC-130 daquela unidade para estabelecer a viabilidade da modificação – que seria inédita entre operadores do Puma – ela só não foi levada adiante por falta de recursos orçamentários e pelo fato de que, em 1985, já se desenhava no horizonte o fim da carreira operacional dos CH-33. Naquele ano a Força Aérea Brasileira (FAB) já havia iniciado entendimentos com a Aérospatiale para aquisição de helicópteros Aérospatiale AS332 M Super Puma, o sucessor, maior e mais moderno do SA330 Puma. As negociações levaram à alienação dos CH-33, que foram vendidos de volta à Aérospatiale como parte do pagamento do lote de Super Puma recebido a partir de 1986. No final de 1984, optou-se por devolver à Aérospatiale os SA330 L Puma, que entrariam como parte do pagamento de 15 helicópteros AS332 L Super Puma, que originalmente dotariam o 3º/8º GAV e o 7º/8º GAV. Com a troca de governo, em 1985, esse planejamento foi ajustado, se mantendo o mesmo valor proposto, de US$ 92.000.000, porém convertido na aquisição de 10 aparelhos AS332 M Super Puma, sendo adicionados 10 helicópteros AS355 F2 Esquilo Bi e 30 AS350 Esquilo, estes últimos montados no Brasil na Helibras. A devolução dos seis CH-33 ocorreu na cadência de um por mês, em 1986, levados para a França por aeronaves C-130 Hercules. No entanto, apenas cinco foram devolvidos, pois o FAB 8701 acabou perdido no pátio do III COMAR, no aeroporto Santos Dumont, em fevereiro de 1986, sem causar vítimas.

Em Escala. 
Para representarmos o CH-33 Puma "FAB 8702" empregamos o antigo kit da Heller na escala 1/50, infelizmente esta é a única opção disponível no mercado, sendo muita raro de encontrar. Para configurarmos a versão brasileira tivemos de proceder uma série de alterações em scratch, entre elas a adoção do radar meteorológico no nariz, modificação dos tanques de combustível suplementares laterais, inclusão de antenas de rádio e detalhamento interior. Fizemos usos de decais confeccionados pela FCM Decais pertencentes a diversos Sets, os numerais e brasões  do 3º/8º Grupo de Aviação foram impressos por nosso amigo Cesar Hares de Curitiba. 
O Aérospatiale SA-330L Puma, designado CH-33 pela Força Aérea Brasileira (FAB), foi operado com um esquema de pintura tático baseado no padrão norte-americano conhecido como “Southeast Asia”. Esse padrão, caracterizado por uma camuflagem em dois tons de verde, marrom e branco, foi projetado para proporcionar dissimulação em ambientes tropicais e florestais, otimizando a discrição em operações táticas. Adotado pela Força Aérea Brasileira (FAB) para o CH-33 Puma, esse esquema de cores foi mantido ao longo de toda a carreira operacional da aeronave, de 1981 até sua devolução ao fabricante, a Aérospatiale, em 1986. 
Bibliografia:
- História da Força Aérea Brasileira, por  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 , por Jackson Flores Jr
Aerospatiale SA.330L – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/A%C3%A9rospatiale_SA_330_Puma
- Aerospatiale SA.330L PUMA CH-33 na FAB, por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 57
- Nas Garras do Puma – 3º/8º Grupo de Aviação, por Oswaldo Claro Jr.