M-4 Engenharia Antiminas (VBE)

Historia e Desenvolvimento. 
Durante as décadas de 1960 e 1970, o O Brasil atravessou um período de intensa expansão industrial e modernização econômica, marcado pelo fortalecimento das indústrias pesadas e pelo avanço da capacidade tecnológica nacional. Inserido em um contexto de substituição de importações e de busca por maior autonomia estratégica, o país passou a investir fortemente na consolidação de um parque industrial capaz de atender às demandas dos setores metalúrgico, mecânico, automobilístico e de defesa. Nesse cenário, empresas como Moto Peças S/A, Bernardini S/A, Engesa S/A e Biselli Viaturas e Equipamentos Industriais Ltda. tornaram-se símbolos de uma fase em que a indústria nacional buscava reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e desenvolver soluções próprias para o mercado interno civil e para as Forças Armadas Brasileiras. Impulsionadas pela crescente demanda interna e pelo incentivo à industrialização pesada, essas empresas desempenharam papel fundamental na formação de um importante núcleo de conhecimento técnico e capacidade produtiva no Brasil. Seus projetos contribuíram não apenas para a modernização industrial do país, mas também para o surgimento de uma base nacional de defesa, capaz de desenvolver veículos militares, blindados, implementos rodoviários e equipamentos especializados com tecnologia predominantemente brasileira. Entre as companhias que mais se destacaram nesse contexto estava a Bernardini S/A, fundada em 1912, na cidade de São Paulo, por imigrantes italianos, a empresa surgiu em meio ao processo de urbanização e crescimento industrial brasileiro do início do século XX. Inicialmente dedicada à fabricação de cofres, portas blindadas e mobiliário de aço, a Bernardini consolidou rapidamente sua reputação pela robustez e qualidade de seus produtos, tornando-se referência no setor metalúrgico nacional. A partir da década de 1960, acompanhando o fortalecimento da indústria brasileira e o interesse das Forças Armadas Brasileiras em ampliar a autonomia tecnológica do país, a empresa passou a participar de estudos e projetos ligados ao setor militar. Nesse período, iniciou a produção de carrocerias para caminhões destinados ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e ao Exército Brasileiro, ao mesmo tempo em que expandia sua atuação na área de blindagem civil, fabricando veículos blindados para transporte de valores. Essa transição marcou o início de sua transformação em uma das principais empresas da indústria bélica nacional nas décadas seguintes. Percorrendo trajetória semelhante, a Biselli Viaturas e Equipamentos Industriais Ltda foi fundada em 1961, em São Paulo, por antigos sócios da Massari S/A Indústria de Viaturas, uma das maiores fabricantes brasileiras de implementos rodoviários e carrocerias para caminhões naquele momento. Beneficiada pelo acelerado crescimento do transporte rodoviário, rapidamente ganhou destaque na fabricação de carrocerias e implementos pesados, tornando-se em poucos anos uma das quatro maiores empresas do setor no pais. 

No início da década de 1970, a empresa ampliou significativamente sua linha de produtos, passando também a produzir veículos para transporte de valores e caminhões de combate a incêndio. Esses modelos somaram-se a uma extensa gama de equipamentos já fabricados pela companhia, incluindo semirreboques para granéis sólidos, plataformas carrega-tudo, furgões frigoríficos e guinchos industriais. O rápido crescimento da demanda levou a empresa a iniciar, em 1972, a construção de uma nova planta industrial em Salvador, na Bahia, além da ampliação de suas instalações em São Paulo, consolidando sua posição entre os principais fabricantes do setor metalomecânico brasileiro. Logo a empresa passou a fornecer carrocerias e reboques para o Exército e a Marinha. Esses fornecimentos estreitaram o seu relacionamento com as Forças Armadas, que a convidaram a participar diretamente do Programa Militar Brasileiro, em conjunto com outras empresas privadas, com este processo sendo capitaneado pelo  Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) em São Paulo (SP). Neste contexto em 1973 a empresa seria encarregada de realizar o repotenciamento dos velhos carros de combate norte-americanos M-3/A1 Stuart.  Desatualizados tecnologicamente, equipados com motores radiais a gasolina de elevado consumo e necessitando de peças de reposição não encontradas no mercado, foram escolhidos pelos órgãos de pesquisa e desenvolvimento do Exército para um projeto piloto de modernização, do qual a Biselli e outras empresas privadas foram convidadas a participar. Os parâmetros e especificações definidos levaram a uma reforma tão profunda que deu origem a um novo carro de combate o X1-A1, o primeiro carro de combate sobre lagartas construído no país. A modernização envolveu troca do motor por uma unidade diesel Scania de 280 cv, reforço da blindagem, lagartas mais largas e alteração do desenho da carroceria para alojar os novos componentes (especialmente na traseira, que recebeu uma grade horizontal acomodada aos novos radiadores); câmbio e transmissão permaneceram os originais, sendo recondicionados pelo próprio Exército Brasileiro. Na oportunidade, a Bernardini S/A também participante deste programa foi responsabilizada pela construção das suspensões e  torre blindada equipada com um canhão de 90 mm e um moderno sistema ótico de pontaria. Após a modernização de 53 unidades, modificações ainda mais radicais foram introduzidas, as principais das quais a transmissão automática Allison e nova suspensão (da Bernardini) com seis roletes de apoio de cada lado, em lugar de quatro. A nova suspensão, por sua vez, obrigou ao aumento das dimensões do veículo, 20 cm mais longo, e à construção de novo casco. A mecânica continuou a mesma, mas foi aplicada uma torre maior, com acionamento hidráulico, fabricada pela Engesa S/A semelhante a que seria usada nos EE-9 . 
O novo blindado, com 20 toneladas, acolhia três tripulantes e atingia 60 km/h, com 580 km de autonomia. Sob a designação X1-A2 Carcará, entrou em produção seriada porém em menor escala. Também em 1975, a empresa seria procurada pela Marinha do Brasil para desenvolver um substituto nacional para os anfíbios norte-americanos GMC DUKW, que ainda permaneciam em operação junto ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Estes desempenhavam papel essencial nas operações de desembarque de tropas e transporte logístico em áreas costeiras, inclusive em condições adversas de navegação e mar agitado, tornando-se equipamentos estratégicos para as capacidades anfíbias da força naval brasileira. O projeto representava mais um passo dentro do esforço nacional de substituição de equipamentos importados por soluções desenvolvidas pela própria indústria brasileira. Os primeiros protótipos do novo veículo foram concluídos em 1978 e submetidos a uma extensa bateria de testes operacionais conduzidos pela Marinha do Brasil. Embora o desempenho geral tenha sido considerado satisfatório, as avaliações resultaram em recomendações de aprimoramento técnico e estrutural, posteriormente incorporadas ao projeto definitivo. Batizado de Camanf  abreviação de “caminhão anfíbio” foi desenvolvido sobre um chassi modificado do caminhão Ford F-7000, configurado com tração 6×6 e equipado com motor nacional Detroit Diesel de 145 cavalos de potência. O conjunto mecânico utilizava uma caixa de transmissão Chevrolet responsável tanto pela movimentação terrestre quanto pelo acionamento das duas hélices instaladas na popa, garantindo sua capacidade anfíbia. O modelo possuía ainda pneus à prova de bala com sistema remoto de controle da pressão do ar, recurso importante para operações em terrenos arenosos ou acidentados. Seu casco de aço apresentava proa reforçada para enfrentar o impacto das ondas durante desembarques, além de um guincho traseiro destinado a operações de resgate e apoio logístico. Apesar do êxito técnico alcançado, o programa acabou limitado por restrições orçamentárias e mudanças de prioridades dentro das Forças Armadas. Dos 25 veículos inicialmente previstos para o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), apenas 05  unidades foram efetivamente encomendadas e produzidas. Naquele mesmo período, a empresa também desenvolveu seu segundo  e último  projeto de veículo automotor militar: uma chamada “mula mecânica”, denominação utilizada no meio militar para caracterizar veículos leves, simples e de construção espartana, concebidos para transporte aeroterrestre e operações em terrenos difíceis. Esses veículos eram projetados para possuir baixo peso, elevada robustez e dimensões reduzidas, permitindo inclusive o lançamento por paraquedas em operações especiais, podendo ser descartados após o término da missão, caso necessário. 

O modelo criado utilizava um chassi de elevada capacidade de torção, especialmente desenvolvido para suportar as irregularidades do terreno em ambientes fora de estrada. Sua motorização era fornecida pelo conhecido motor Volkswagen 1300 refrigerado a ar, solução amplamente difundida no pais pela simplicidade mecânica e facilidade de manutenção.  Entre os anos de 1978 e 1980, o Exército Brasileiro, em parceria com a Biselli e a Bernardini,  ampliou os estudos voltados ao aproveitamento da plataforma sobre lagartas do blindado X1-A1, dando origem a uma nova família de veículos militares especializados. O objetivo era desenvolver soluções nacionais capazes de atender diferentes demandas operacionais, aproveitando a experiência já adquirida pela indústria brasileira no projeto e fabricação de blindados. Desse esforço surgiram dois veículos experimentais de destaque: o Carro Lançador Múltiplo de Foguetes XLF-40 e o Lançador de Ponte XLP-10. Ambos representavam tentativas de ampliar a versatilidade da plataforma do X1-A1, adaptando-a para funções de apoio tático e engenharia de combate, áreas consideradas estratégicas dentro da doutrina militar da época. O XLF-40 foi concebido como um sistema de artilharia autopropulsada destinado ao lançamento de foguetes Avibrás X-40. O veículo possuía uma rampa capaz de transportar e disparar três foguetes simultaneamente, com alcance estimado em até 65 quilômetros. Para garantir estabilidade durante os disparos, o sistema contava com 04 sapatas hidráulicas retráteis, responsáveis por absorver o impacto do lançamento e reduzir vibrações na estrutura do blindado. Embora o projeto tenha demonstrado viabilidade técnica, apenas um exemplar experimental foi produzido, permanecendo restrito à fase de avaliação operacional. Já o XLP-10 foi desenvolvido para atender às necessidades de engenharia de combate do Exército Brasileiro, desempenhando a função de lançador de pontes móveis para transposição rápida de obstáculos naturais ou artificiais. O veículo transportava uma ponte de dez metros de comprimento, construída em alumínio estrutural e capaz de suportar veículos de até 20 toneladas. Um dos aspectos mais avançados do projeto era seu sistema hidráulico totalmente automatizado, que permitia o lançamento da ponte em aproximadamente três minutos, reduzindo significativamente o tempo necessário para operações de travessia em campo de batalha. Além do protótipo inicial, outros 04  foram produzidos. A evolução da plataforma do X1-A1 levou ainda ao desenvolvimento de um protótipo de blindado antiaéreo, montado em 1982 e denominado M-3 Antiáereo (VBC AAe). O veículo foi concebido para atuar na defesa de baixa altitude contra aeronaves e helicópteros, sendo equipado com sistema de mira óptica e quatro metralhadoras de elevada cadência de tiro, capazes de atingir aproximadamente 3.200 disparos por minuto, com alcance efetivo estimado em 750 metros. Apesar das expectativas em torno do projeto, o M-3 VBC AAe não avançou além da fase experimental e de testes operacionais.
Em 1977 a Biselli  percebendo a crescente limitação do mercado militar brasileiro e a instabilidade do setor de defesa, buscou diversificar suas atividades industriais. Em parceria com a italiana Cometto, tentou ingressar no segmento de transporte de cargas superpesadas, apostando em soluções tecnológicas avançadas para o mercado de infraestrutura e construção pesada. Entretanto, a deterioração econômica brasileira no final dos anos 1970 e a recessão da década seguinte inviabilizaram o projeto antes que alcançasse maturidade industrial. Em 1980, a empresa ainda tentou retornar ao setor de carros-fortes, buscando soluções mais econômicas e modulares, mas sem sucesso comercial. Sem forte inserção no núcleo principal da indústria bélica nacional e incapaz de competir no mercado internacional de defesa, a Biselli foi severamente impactada pela retração econômica e pela redução gradual dos investimentos militares. A crise financeira levou a companhia à concordata em 1984, seguida por anos de operação reduzida até o encerramento definitivo de suas atividades em 2004, tornando-se um símbolo das dificuldades enfrentadas pela indústria pesada brasileira após o fim do ciclo de expansão industrial iniciado nos anos 1960. Paralelamente a  Bernardini S.A, o êxito do programa de  modernização dos carros de combate M-41C Caxias, levaria ao desenvolvimento do MB-3 Tamoyo, iniciado em 1979 e apresentado em 1984, considerado o primeiro carro de combate sobre esteiras de concepção nacional, simbolizando o  auge da capacidade tecnológica da empresa, reunindo elevado índice de nacionalização, soluções modernas de combate e versões mais sofisticadas voltadas ao mercado externo. Apesar das qualidades técnicas e do reconhecimento obtido, o carro de combate Tamoyo surgiu em um contexto desfavorável. A partir do final dos anos 1980, cortes orçamentários, concorrência internacional de equipamentos usados e a gradual retirada do apoio governamental ao setor de defesa comprometeram a continuidade do programa. A situação agravou-se com a concorrência interna da Engesa S/A  e seu projeto MBT EE-1 Osório, fragmentando ainda mais os limitados recursos disponíveis. A Bernardini tentou sobreviver com projetos menores, como o jipe militar Xingu e o blindado anti-distúrbio AM-IV, ambos derivados do Toyota Bandeirante, chegando inclusive a exportar parte da produção. Ainda assim, a ausência de encomendas significativas e o fim do suporte estatal inviabilizaram a manutenção de sua estrutura industrial. De forma geral, o texto evidencia como a crise econômica brasileira, associada à retração dos investimentos públicos em defesa e à falta de competitividade internacional, contribuiu para o declínio de empresas que haviam representado importantes iniciativas de industrialização e autonomia tecnológica nacional. Tanto a Biselli quanto a Bernardini tornaram-se exemplos das dificuldades enfrentadas pela indústria pesada e militar brasileira durante a transição econômica e política das décadas de 1980 e 1990.

Emprego no Exército Brasileiro.
O M-4 Sherman começou a ser incorporado a partir de julho de 1945, representando um importante marco no processo de modernização das forças blindadas, consolidando a transição para padrões operacionais e doutrinários inspirados no modelo norte-americano. O primeiro lote composto por 16 carros estava distribuído  entre as versões  Mid Production e Composite Hull, logo seriam distribuídos ao  1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), então sediado nas instalações do antigo Derby Club, na cidade do Rio de Janeiro, unidade que se tornaria o principal centro de operação e formação das tropas blindadas brasileiras naquele período. Poucos dias depois, em 10 de agosto de 1945, chegou ao país um segundo lote, composto por 17 veículos adicionais, pertencentes a diferentes variantes. Na sequência, em 23 de agosto do mesmo ano, foi desembarcado o terceiro e último lote, constituído por 20 carros. Sua introdução representou um significativo salto qualitativo para as forças blindadas brasileiras.  Uma nova etapa no processo de incorporação ocorreu em 1954, quando o Brasil recebeu um lote complementar de 24 carros de combate M-4, provenientes dos excedentes do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Deste total, 22 veículos foram transferidos no âmbito do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program  MAP), abrangendo principalmente exemplares das versões M-4 Composite Hull e M-4A1, acompanhados ainda por um estoque logístico composto por 50 motores de reposição, medida que visava assegurar a continuidade operacional da frota. Entre os exemplares recebidos destacava-se o M-4A1 EB11-722, equipado com extensores de lagarta do tipo “duckbill” instalados em ambos os lados das esteiras. Em função desse acessório, destinado a reduzir a pressão sobre o solo e melhorar o desempenho em terrenos macios, o veículo passou a ser popularmente  embora de forma incorreta  identificado como “Super Sherman”. Ao longo de sua carreira no país,  permaneceram inicialmente concentrados no 1º Batalhão de Carros de Combate, sendo posteriormente redistribuídos para outras unidades blindadas, entre elas o 4º Regimento de Carros de Combate, sediado em Rosário do Sul (RS), e o 6º Regimento de Cavalaria Blindada, em Alegrete (RS), participando ativamente do processo de consolidação das forças blindadas brasileiras durante as décadas de 1950 e 1960.  Entretanto, ao final da década de 1950, tornava-se evidente a crescente obsolescência tecnológica dos M-4. Embora ainda representassem a espinha dorsal da Força Terrestre, já não atendiam plenamente às exigências impostas pelas novas doutrinas de guerra mecanizada. O avanço dos sistemas de armas, e maior mobilidade e proteção tornavam imprescindível a adoção de uma nova geração de carros de combate. A resposta a essa necessidade materializou-se em 14 de agosto de 1960, quando desembarcou no porto do Rio de Janeiro o primeiro lote composto por 50 carros de combate  M-41 Walker Bulldog.  Nos anos subsequentes, esta capacidade seria ampliada com recebimento de novos lotes dos modelos M-41A1 e M-41A3, totalizando 330 carros de combate. 

Este movimento permitiu que os que os Shermans fossem gradualmente relegados a funções secundárias e, posteriormente, transferidos para a reserva estratégica, reduzindo progressivamente sua participação nas atividades operacionais.  A partir de meados da década de 1960, em consonância com a política de fortalecimento da base industrial nacional e da busca por maior autonomia estratégica, o governo brasileiro passou a priorizar iniciativas voltadas à redução da dependência externa na aquisição, manutenção e modernização de equipamentos militares. Inserido nesse novo contexto, foram iniciados estudos conceituais destinados ao desenvolvimento de soluções nacionais para o setor de blindados, buscando criar meios adaptados às particularidades geográficas e operacionais do território brasileiro. Como resultado desse esforço, foi criado, em 1967, junto ao Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) em São Paulo, um grupo técnico especializado voltado à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias aplicadas a veículos blindados. Essa estrutura evoluiria posteriormente para o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), organização que se tornaria um marco fundamental na história da engenharia militar brasileira e um dos principais vetores da futura indústria nacional de defesa.  Os trabalhos iniciais concentraram-se  em programas de remotorização e nacionalização de componentes, tendo como prioridade a substituição dos motores originais a gasolina por conjuntos diesel produzidos no país. Entre os veículos contemplados por essas iniciativas figuravam os carros de combate e as VBTP M-5, todos já enfrentando problemas relacionados à disponibilidade de peças de reposição. Em meados de 1969, foram iniciadas as primeiras ações concretas voltadas à implementação desses programas. Para isso, dois carros de combate M-3A1 Stuart e um M-4 Sherman  foram transferidos para as instalações do PqRMM/2 dando início ao estudos relativos ao programa de remotorização. Esses carros passaram a atuar como plataformas de ensaio para o desenvolvimento de soluções. Os estudos iniciais demonstraram que para o M-4 existia viabilidade técnica para a substituição do motor a gasolina por conjuntos a diesel produzidos pela MWM do Brasil S/A. Entretanto, apesar dos resultados promissores, o programa foi temporariamente suspenso, permitindo a concentração de recursos financeiros, infraestrutura e pessoal técnico nos projetos envolvendo os carros leves M-3, cuja ampla disponibilidade na frota justificava sua priorização.  A retomada do programa ocorreu apenas em 1974, impulsionada principalmente pelos resultados observados nos conflitos árabe-israelenses, nos quais as Forças de Defesa de Israel (IDF) demonstraram a viabilidade operacional do conceito de modernização profunda de plataformas consideradas obsoletas. O sucesso dos M-4 Shermans israelenses, submetidos a extensos programas de repotenciamento, reforçou a percepção de que carros de combate concebidos da década de 1940 ainda poderiam permanecer relevantes mediante adequadas intervenções técnicas. 
Este programa passou a ser conduzido sob a coordenação do Tenente-Coronel Walter Catharino Finato, sendo selecionado como protótipo o M-4 EB11-721, que receberia  o motor MWM  TD232 V12, com 400 hp. Contudo, atendendo às especificações estabelecidas pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), o fabricante promoveu uma série de aperfeiçoamentos técnicos que elevaram sua potência para 500 hp. A incorporação do novo motor exigiu profundas adaptações estruturais. O propulsor, com aproximadamente 1,69 metro de comprimento, incluindo o turbocompressor e o sistema de refrigeração, apresentava dimensões superiores às do conjunto original, tornando necessária a modificação interna do compartimento motriz e a reconfiguração de diversos elementos estruturais do casco. Essas alterações representaram um importante desafio de engenharia, exigindo soluções inéditas. Em maio de 1975, o protótipo  foi submetido a um extenso programa de avaliações técnicas e testes de campo. Os resultados obtidos mostraram-se plenamente satisfatórios, comprovando a viabilidade da nacionalização do conjunto motriz. Uma das principais limitações operacionais do carro de combate M-4 estava relacionada à reduzida largura de suas lagartas originais, característica que resultava em elevada pressão sobre o solo e aumentava significativamente a propensão ao atolamento, sobretudo em terrenos argilosos, arenosos ou sujeitos a chuvas intensas condições frequentemente encontradas em diversas regiões.  Essa deficiência comprometia a mobilidade tática do veículo e limitava sua eficiência operacional em ambientes fora de estrada. Buscando solucionar esse problema, os estudos de modernização conduzidos  passaram a considerar a adoção de lagartas mais largas associadas ao mais eficiente sistema de suspensão HVSS (Horizontal Volute Spring Suspension) empregada nas últimas versões produzidas. Essa configuração proporcionava melhor distribuição de peso, maior estabilidade e desempenho superior em terrenos difíceis, além de aumentar o conforto operacional da tripulação e reduzir o desgaste mecânico do conjunto de rodagem. Com o objetivo de reduzir custos, optou-se também pelo reaproveitamento do sistema de suspensão HVSS oriundos das poucas viaturas blindadas de engenharia VBE Soc M-74, que se encontravam em processo de substituição pelos recém recebidos  VBE Soc M-578. Como protótipo seria escolhido o M-4 EB11-721, um modelo composite hull de segundo lote, com este processo sendo realizado nas dependências do Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), com o apoio técnico da empresa Biselli Viaturas e Equipamentos Industriais Ltda, sendo que todos os componentes de borracha da suspensão foram nacionalizados pela Nova Tração Artefatos de Borracha S/A. Novamente, visando concentrar os recursos disponíveis no projeto da modernização dos Stuarts, o projeto foi paralisado antes que fosse criada uma nova torre equipada com um canhão de 90 mm. Nessa época já começavam os primeiros estudos visando à modernização dos M-41, sendo muito mais atrativo investir neste blindado.  Em consequência disso, passou-se a considerar que, caso qualquer programa de modernização do M-4 fosse mantido, estes  deveriam ser convertidos para funções especializadas de serviço. 

Essa decisão refletia o reconhecimento, que seu conceito original como carro de combate já se encontrava tecnologicamente superado.  Em um primeiro esforço neste sentido, em 1977, a Diretoria de Pesquisa e Ensino Técnico (DPET), em colaboração com a Bernardini S/A, iniciou estudos visando o desenvolvimento de uma viatura blindada especializada lança-pontes (VBE L Pnt), designada como XLP-20. O projeto pretendia ampliar a capacidade de mobilidade das tropas blindadas por meio de um veículo capaz de lançar pontes móveis em operações de travessia. Após estudos preliminares, constatou-se que alguns anos antes, o PqRMM/2 e empresa Biselli Viaturas e Equipamentos Industriais Ltda, já haviam realizado estudos semelhantes, mas com o sistema hidráulico de acionamento da ponte, que apresentava inúmeras vantagens ao sistema elétrico. Após uma análise destes estudos, verificando as vantagens e desvantagens dos dois sistemas de acionamento, a Diretoria de Pesquisa e Ensino Técnico (DPET) reviu sua posição e decidiu adotar o sistema hidráulico. O maior obstáculo estava justamente no projeto e construção da ponte, pois nunca se havia projetado ou construído uma estrutura deste tipo no país. Para tanto, foram sondadas diversas indústrias nacionais, sendo que a subsidiária da Alcan Inc, com a ajuda de sua matriz, possibilitou a elaboração do projeto. Assim definiu-se que o protótipo seria produzido a a partir do chassi de um M-4A1, porém mantendo sua suspensão original WSS, fazendo uso de uma ponte de alumínio em aço dobrável, com 18,50 metros de extensão, pesando de 8 a 9 toneladas com capacidade para suportar até 30 toneladas.  Contudo ao longo deste processo, verificaram-se  dificuldades técnicas relacionadas ao peso da estrutura, à limitação da plataforma  à complexidade dos sistemas hidráulicos e por fim os parâmetros de qualidade da ponte que requeria perfis estruturais específicos não construídos usualmente no pais , e sua produção só seria compensadora se fosse feita em larga escala. A somatória destes fatores acabaria por comprometer  a viabilidade, levando ao seu cancelamento.  No início dos anos 1980, uma empresa israelense propõe se associar à Bernardini a fim de oferecer  a conversão dos M-4 em obuseiros autopropulsados de 155mm, fazendo uso de kits de suspensão HVSS remanufaturados. Diante da recusa empresa, uma  proposta seria feita a Moto Peças Transmissões S.A., que aceitou o desafio, porém o projeto possuía problemas contratuais e foi cancelado. Entretanto, a Moto Peças conseguiu autorização para desenvolver uma nova versão designada como VBE Eng (Viatura Blindada Especial Engenharia) que já estava sendo estudada pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Seu protótipo recebeu muitas alterações, inclusive no chassi, com  seu motor deslocado para a direita, a fim de incluir uma porta e permitir um fácil acesso traseiro ao veículo. Em sua parte superior foi incluído um guincho hidráulico com capacidade de 20 toneladas e uma lança articulada para elevação de cargas de até 10t, e na frente uma lâmina de terraplanagem de 3,00 x 0,95m. Além disso, ele poderia rebocar viaturas de até 40 toneladas. O projeto previa a construção de 15 desses veículos, mas por motivos diversos foram entregues somente 06  viaturas. 
Apesar disso, os estudos desenvolvidos ao longo do programa não foram totalmente abandonados, pois em 1983 a Bernardini S/A , com o apoio do CTEx, desenvolveu um sistema de roletes antiminas para veículos blindados, tendo como referência um dispositivo semelhante de origem russa, utilizado nos carros de combate T-55, e um sistema israelense conhecido como "Urdan. Este conjunto em questão consistia em dois conjuntos de três rodas dentadas fabricadas em aço de liga manganês, montados sobre braços articulados, conferindo elevada flexibilidade. Com um peso de 03 toneladas, o mecanismo era capaz de detonar minas sem sofrer danos significativos, viabilizando a limpeza de campos minados. O projeto incluía, ainda, a possibilidade de equipar o veículo com uma lâmina frontal intercambiável tipo bulldozer, o que elevaria o peso total do veículo para 28 toneladas, acessório este que nunca seria instalado.  Em termos conceituais, o M-4 antiminas atendia às especificações exigidas para esse tipo de viatura.  Para o desenvolvimento dos protótipos e emprego no programa de testes, foram destacados o M-4 EB11-721 e o M-4A1 EB-11714. Em 1984 estes tiveram sua designação alterada para "EB-13" indicando sua nova classificação como carro blindado especializado.  Para adaptação à nova função, a torre equipada com o canhão de 75 mm foi removida, permitindo a instalação de equipamentos especializados para operações de engenharia. Após a conclusão os 02 veículos, seriam transportados Campo de Provas de Marambaia, no Rio de Janeiro a fim de serem submetidos a um completo programa de testes de campo. Durante os ensaios, um dos protótipos demonstrou resistência à detonação de duas minas de 7 kg sobrepostas. Em um dos testes, realizado com o veículo M-4 EB13-721 (posteriormente redesignado como EB 34660003933), foram enterradas minas em diferentes profundidades para avaliar a eficiência do sistema e a resistência do casco às vibrações decorrentes das explosões. Por medida de segurança, o blindado foi operado sem tripulantes, sendo tracionado por cabos de aço por um trator. No decorrer do teste, a primeira mina foi detonada pelo sistema de roldanas. Contudo, uma segunda mina, enterrada a maior profundidade, não detonou ao entrar em contato com o equipamento, ficando alojada entre as roldanas e o primeiro rolete da esteira esquerda. O teste foi suspenso, mas, devido à limitação de tempo para a remoção da mina  uma vez que o campo de provas estava reservado para uso em menos de uma hora , decidiu-se acionar o veículo e engatar a marcha à ré. O movimento brusco da mudança de marcha causou a detonação da mina, resultando na destruição da esteira esquerda e no deslocamento de uma das carretas do M-4. O condutor, felizmente, permaneceu ileso.  Esse incidente revelou que as roldanas do sistema não possuíam peso suficiente para detonar minas enterradas em maiores profundidades, o que levou ao abandono definitivo do programa do M-4 antiminas. Após o cancelamento deste programa os 02 protótipos foram armazenados nas instalações do Centro de Tecnologia do Exército (CTEx). Posteriormente, o EB 34660003933 foi requisitado para preservação pelo Museu Conde de Linhares, sendo transferido para o Parque Regional de Motomecanização da 1ª Região Militar (PqRMM/1), onde aguarda recursos para restauração.

Em Escala.
Para a representação do M-4  em sua versão de Viatura Blindada de Engenharia (VBE) "Antiminas", utilizou-se o kit do M-4A1 da Italeri na escala 1/35, combinado com componentes do sistema de suspensão do tipo HVSS provenientes de um kit da Tamiya. O sistema de rolete antiminas foi desenvolvido em scratch, utilizando peças do modelo T-72 da Trumpeter KT-5 Mine Roller, que se presume ser semelhante ao dispositivo empregado como base para a versão nacional. Foram aplicados decais diversos, produzidos pela Decals & Books, pertencentes ao set   "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão tático de camuflagem em dois tons adotado a partir de 1983, com o qual o M-4 Sherman EB 34660003933 foi pintado para sua fase de apresentação e testes de campo. Anteriormente os dois protótipos envolvidos neste projeto ostentavam o padrão de pintura em verde oliva total empregado no Exército Brasileiro  entre os anos de 1942 e 1983.
Bibliografia :
- M-4 Sherman - Wikipédia  http://pt.wikipedia.org/wiki/M4_Sherman
- M-4 Sherman no Brasil , por Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Junior 
- Blindados no Brasil Volume II – Expedito Carlos Stephani Bastos

M-4 30Ton. Lag Engenharia (VBE)

História e Desenvolvimento.
Fundada em junho de 1953, a Moto-Peças S/A  Transmissões e Engrenagens surgiu em um dos períodos mais significativos do processo de industrialização brasileira do pós-guerra. A década de 1950 foi marcada pela adoção de políticas econômicas voltadas à substituição de importações, estratégia que buscava reduzir a dependência externa de produtos industrializados e estimular a criação de uma base fabril nacional capaz de atender às crescentes demandas do mercado interno. Nesse contexto, o governo brasileiro passou a incentivar fortemente a instalação de indústrias metalúrgicas, mecânicas e automobilísticas, consideradas fundamentais para o desenvolvimento econômico e para a modernização da infraestrutura do país. O ambiente industrial da época era particularmente favorável ao surgimento de empresas especializadas na produção de componentes mecânicos de alta precisão. A expansão do setor automotivo nacional, intensificada principalmente a partir do governo de Juscelino Kubitschek e do Plano de Metas (“50 anos em 5”), criou uma demanda crescente por fornecedores capazes de produzir localmente peças até então importadas. O Brasil começava a receber grandes montadoras internacionais, como Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Scania-Vabis e Volkswagen, que necessitavam estruturar uma cadeia nacional de suprimentos para atender às exigências de nacionalização progressiva de componentes impostas pelo governo federal. Foi nesse cenário que a Moto-Peças S.A. iniciou suas atividades industriais, especializando-se inicialmente na fabricação de engrenagens, eixos mecânicos, caixas de transmissão e conjuntos diferenciais. Tratava-se de um segmento industrial de elevada complexidade técnica, pois exigia domínio de processos metalúrgicos avançados, usinagem de precisão e rigoroso controle dimensional. A produção de engrenagens, em especial, representava um desafio significativo para a indústria brasileira da época, uma vez que tais componentes eram fundamentais para sistemas de transmissão de potência em veículos automotores, máquinas industriais e equipamentos pesados. Desde seus primeiros anos de operação, a empresa investiu fortemente na formação de mão de obra técnica especializada e na incorporação de maquinário industrial moderno. Seus processos produtivos passaram a empregar técnicas avançadas de corte, fresagem e tratamento térmico de metais, permitindo a fabricação de componentes mecânicos com elevados padrões de resistência e durabilidade. Entre os equipamentos utilizados destacavam-se máquinas para usinagem de engrenagens helicoidais e hipóides, fundamentais para aplicações em caixas de câmbio e diferenciais automotivos. A capacidade de produzir localmente componentes antes dependentes de importação conferiu à Moto-Peças posição estratégica dentro do processo de nacionalização da indústria automotiva brasileira. A empresa rapidamente consolidou-se como fornecedora de peças para caminhões, ônibus, tratores agrícolas e veículos utilitários, atendendo tanto fabricantes nacionais quanto subsidiárias de montadoras estrangeiras instaladas no país. 

Essa inserção permitiu à companhia ampliar progressivamente sua infraestrutura industrial e diversificar sua linha de produtos. Ao longo da década de 1960, a Moto-Peças expandiu suas atividades para segmentos mais sofisticados da engenharia mecânica, desenvolvendo conjuntos completos de transmissão, sistemas de redução final e componentes destinados a aplicações fora de estrada e militares. Esse avanço foi favorecido pela crescente experiência acumulada em engenharia de precisão e pela capacidade de adaptação às necessidades específicas de diferentes setores industriais. Paralelamente, a empresa passou a beneficiar-se do ambiente de fortalecimento da indústria pesada brasileira, impulsionado pelas políticas de desenvolvimento industrial promovidas pelo governo federal. A crescente mecanização da agricultura, a expansão do transporte rodoviário e o fortalecimento da indústria de defesa ampliaram significativamente a demanda por sistemas mecânicos robustos e confiáveis, área em que este fabricante gradualmente se tornaria uma das principais referências nacionais. A aproximação entre a Moto-Peças S.A. Transmissões e Engrenagens e o Exército Brasileiro ocorreu em um contexto de profundas transformações estruturais nas Forças Armadas se daria neste mesmo período, onde o pais  buscava reduzir sua dependência externa em relação a equipamentos militares, peças de reposição e sistemas mecânicos estratégicos, adotando políticas voltadas ao fortalecimento da chamada Base Industrial de Defesa. A experiência acumulada durante a Segunda Guerra Mundial havia demonstrado as vulnerabilidades decorrentes da dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente em momentos de crise internacional ou restrições de exportação de material bélico. Até então, grande parte da frota motomecanizada do Exército Brasileiro era composta por veículos de origem norte-americana recebidos no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamento) e, posteriormente, por meio do Acordo Militar Brasil–Estados Unidos firmado no início da Guerra Fria. Caminhões, carros de combate leves, tratores de artilharia e veículos blindados operavam com componentes importados, cuja manutenção tornava-se progressivamente mais difícil à medida que esses equipamentos envelheciam. A escassez de peças de reposição e os elevados custos de importação passaram a representar sérios obstáculos à operacionalidade da força terrestre. Foi nesse cenário que empresas nacionais do setor metalmecânico começaram a ser incorporadas aos programas de modernização militar. A Moto-Peças S.A., que já havia consolidado reputação no segmento de transmissões mecânicas, diferenciais e engrenagens de precisão, destacou-se pela capacidade de desenvolver soluções industriais adaptadas às exigências militares. Sua experiência em sistemas de transmissão pesada chamou a atenção dos órgãos técnicos do Exército Brasileiro, particularmente dos parques regionais de motomecanização e da Diretoria de Material Bélico (DMB). 
Um dos primeiros grandes programas envolvendo a empresa esteve relacionado à revitalização e modernização de veículos militares oriundos da Segunda Guerra Mundial.  Entre os projetos de maior relevância figurou a recuperação dos tratores de artilharia Allis-Chalmers M-4 High Speed Tractor, utilizados pelo Exército Brasileiro no reboque de peças de artilharia pesada. Esses veículos, originalmente produzidos nos Estados Unidos na década de 1940, encontravam-se desgastados e tecnologicamente ultrapassados no início dos anos 1960. A Moto-Peças participou diretamente do processo de remotorização e modernização mecânica desses tratores, desenvolvendo novos conjuntos de transmissão, caixas de redução, diferenciais e componentes estruturais. O objetivo era prolongar a vida útil operacional dos veículos, melhorar sua confiabilidade mecânica e reduzir a dependência de peças importadas. Esse programa representou uma importante experiência para a indústria nacional, demonstrando a capacidade brasileira de recuperar e adaptar sistemas militares complexos. O sucesso desses trabalhos aproximou ainda mais a empresa dos programas estratégicos conduzidos pelo Exército Brasileiro, assim a empresa passou a colaborar com iniciativas voltadas ao desenvolvimento de veículos blindados nacionais, em um momento em que o país buscava construir autonomia tecnológica no setor de defesa. Neste mesmo momento o Ministério do Exército criaria o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB). O principal objetivo desta organização era o de desenvolver uma nova família de blindados leves de combate tendo por base a plataforma e componentes vitais dos antigos M-3 e M-3A1 Stuart.   Inicialmente, o projeto designado como  X1 (“Pioneiro”) foi liderado pelo Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) em Sao Paulo (SP), contando com a participação das empresas Bernardini S/A e Biselli Viaturas e Equipamentos Ltda. Um dos pontos de partida deste processo se baseava na substituição do motor original a gasolina por um novo conjunto de produção nacional a diesel, elencando como opção de análises modelos de motores produzidos nacionalmente pela MWM Motores S/A , Deutz do Brasil S/A e Scania Vabis do Brasil S/A. A instalação destes novos motores demandaria alterações na estrutura do veículo, que tiveram de ser alongados com chapas de aço  SAE 5150 fornecido pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Com esta mudança seria necessário efetuar a troca da suspensão original do M-3 Stuart em virtude da diferença de altura do solo proporcionada. Como solução seria empregado o sistema utilizado originalmente no  trator de artilharia M-4 de 18 toneladas, que era maior e mais larga. Neste projeto, a remotorizaçao envolveria a troca da caixa de transmissão, levando a necessidade do desenvolvimento de conjuntos mecânicos específicos, neste momento as atenções recairiam sobre a empresa Moto-Peças S/A  que detinha grande expertise neste aérea.

A Moto-Peças a partir de 1972  foi responsável pelo desenvolvimento e fabricação de componentes críticos do sistema de transmissão, incluindo caixas de câmbio, engrenagens de redução e conjuntos diferenciais adaptados às novas exigências operacionais do veículo modernizado. A participação nesses programas permitiu à empresa acumular conhecimento técnico em aplicações militares de alta complexidade, especialmente em sistemas de transmissão para veículos blindados e fora de estrada. Seus componentes precisavam atender requisitos rigorosos de resistência, durabilidade e operação em condições severas, como terrenos acidentados, elevada carga mecânica e ambientes de alta temperatura. Seriam então completados três protótipos do X1, que seriam exaustivamente testados em ensaios comparativos, com o modelo com o motor Deutz apresentando a melhor performance, no entanto logo esta empresa encerraria suas operações no Brasil, com a escolha recaindo sobre o motor produzido pela Scania Vabis do Brasil S/A que apresentava uma potência nominal de 250 cv.  Ao ser definido seu grupo propulsor a diesel, as atenções se voltariam ao desing do modelo, neste quesito suas principais deficiências estavam baseadas em suas linhas retas e planos verticais da carcaça que impunham fragilidade a sua blindagem original. A seguir a empresa também forneceria as caixas de transmissões e demais conjunto mecânicos da versão X-1A2 Carcará, com este projeto resultando da produção em série de 78 carros de combate deste família.  Uma  grande oportunidade para a empresa se materilizaria em a partir 1977, com a posse do presidente norte-americano Jimmy Carter, divergências ideológicas com o governo do presidente Ernesto Geisel, e as tensões diplomáticas resultantes deste cenário culminaria no rompimento do Acordo Militar Brasil – Estados Unidos, ocasionando a interrupção imediata das linhas de financiamento e do fornecimento de peças de reposição para os equipamentos militares de origem norte-americana em uso pelas Forças Armadas Brasileiras. Esse rompimento afetou diretamente a frota de VBTP M-113A0, cuja disponibilidade operacional passou a decair rapidamente em razão da escassez de componentes e sobressalentes. A essa dificuldade somou-se o impacto da crise internacional do petróleo, que atingiu seu ápice no mesmo período e agravou a situação logística dos M-113, dada a alta taxa de consumo de combustível de seus motores a gasolina. Diante desse quadro, o Exército Brasileiro passou a buscar alternativas técnicas domésticas para prolongar a vida útil de sua frota blindada, iniciando os primeiros estudos de repotenciamento dos VBTP M-113. Neste contexto em 1983 a empresa seria selecionada a partir deste processo e logo celebraria um vultuoso contrato,  envolvendo a  remotorização e modernização de 580 viaturas divididas em 20 lotes a serem produzidos no período de 1985 a 1988, com esta versão recebendo a designação de VBTP M-113B.  
Neste mesmo período  a Moto Peças S/A procedeu à modernização de uma centena de viaturas Dodge M-37, de 1942, substituindo a mecânica original por unidades diesel nacionais (motor Chevrolet D-10 e câmbio D-20) e atualizando a instrumentação do painel. O veículo resultante foi denominado MP-34. O êxito operacional obtido no programa VBTP M-113B, descortinaria a viabilidade em se desenvolver   uma nova geração de veículos blindados inteiramente desenvolvidos no país. O objetivo transcendia a simples substituição de meios obsoletos: buscava-se criar uma plataforma moderna, capaz de atender às crescentes exigências operacionais da  e, simultaneamente, competir no promissor mercado internacional de defesa. A experiência acumulada em programas anteriores como os blindados sobre rodas  EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu exerceu papel decisivo nesse processo, demonstrando que o pais possuía capacidade técnica e industrial para projetar, fabricar e exportar veículos militares competitivos em nível internacional.  Neste intuito a Moto-Peças S.A  em parceria com Centro Tecnológico do Exército (CTEx), passaria a desenvolver estudos visando a criação de um novo blindado de transporte de pessoal  sobre lagartas que combinasse em um só veículo as qualidades do M-59 e do M-113. O primeiro protótipo foi apresentado em 1985, e seria testado pelas Forças Armadas (também a Marinha por ele se interessou), o Charrua demonstrou excelente desempenho e facilidade de manobras tanto na terra (pela capacidade de girar em torno do próprio eixo) como na água (pela agilidade permitida pelo hidrojato).  Em sua configuração básica o veículo transportava três tripulantes e nove soldados, podendo chegar ao total de 22; o peso variava entre 17 e 23 t, dependendo da versão. Apesar de seus dotes, o corte radical de orçamento sofrido pelas Forças Armadas impediu que o modelo fosse colocado em produção. Em paralelo, a redução das exportações, que levou a indústria brasileira de material bélico à quase extinção, acabou por inviabilizar o projeto, que ficou reduzido aos dois protótipos.  Embora se tenha enfraquecido com a falta de encomendas, a Moto Peças  ao contrário da quase totalidade das empresas nacionais envolvidas com o desenvolvimento de material de defesa conseguiu sobreviver, seu O domínio de tecnologias envolvendo engrenagens hipóides, caixas de transferência e sistemas diferenciais colocava a empresa em posição estratégica dentro da cadeia produtiva militar nacional. Além da fabricação de componentes, a empresa também colaborava em atividades de manutenção, recuperação e adaptação de viaturas militares, contribuindo para elevar os índices de disponibilidade operacional da frota do Exército Brasileiro. Embora se tenha enfraquecido com a falta de encomendas,  ao contrário da quase totalidade das empresas  envolvidas com o desenvolvimento de material de defesa, esta conseguiu sobreviver, ainda hoje operando sob a razão social Moto Peças Transmissões S.A.

Emprego no Exército Brasileiro.
Considerados durante anos como o principal carro de combate da Força Terrestre brasileira, os primeiros M-4 Sherman começaram a ser incorporados ao Exército Brasileiro a partir de julho de 1945, no contexto dos acordos de cooperação militar firmados com os Estados Unidos ao final da Segunda Guerra Mundial, especialmente no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). A chegada desses blindados representou um dos mais importantes marcos no processo de modernização das forças blindadas nacionais, consolidando a transição do Exército Brasileiro para padrões operacionais e doutrinários inspirados no modelo norte-americano. O primeiro lote, desembarcado em  27 de julho de 1945, era composto por 16 carros de combate, distribuídos entre as versões M-4 Mid Production e M-4 Composite Hull, recebendo as matrículas EB-11-347, 348, 350, 351, 352, 353, 393, 394, 396, 400, 403, 404, 405, 408, 409 e 412. Imediatamente após sua incorporação, essas viaturas foram destinadas ao 1º Batalhão de Carros de Combate (1º BCC), então sediado nas instalações do antigo Derby Club, na cidade do Rio de Janeiro, unidade que se tornaria o principal centro de operação e formação das tropas blindadas brasileiras naquele período. Poucos dias depois, em 10 de agosto de 1945, chegou ao país um segundo lote, composto por 17 veículos adicionais, pertencentes a diferentes variantes da família Sherman, que receberam as matrículas EB-11-360 e EB-11-414 a 429. Na sequência, em 23 de agosto do mesmo ano, foi desembarcado o terceiro e último lote, constituído por 20 carros de combate, matriculados sob os números EB-11-341, 342, 344 a 349, 354 a 356, 395, 397 a 399, 401, 402, 406, 407, 411 e 413. A introdução do M-4 Sherman representou um significativo salto qualitativo para as forças blindadas brasileiras. Comparados aos blindados então em serviço  particularmente os carros leves M-3A1 Stuart e os médios M-3 Lee  os novos veículos apresentavam substancial superioridade em poder de fogo, proteção blindada, mobilidade e confiabilidade mecânica. Essa evolução refletia diretamente os resultados da aproximação político-militar entre Brasil e Estados Unidos, consolidada durante os anos finais do conflito mundial. Uma nova etapa no processo de incorporação ocorreu em 1954, quando o Brasil recebeu um lote complementar de 24 carros de combate M-4 Sherman, provenientes dos excedentes do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) após o encerramento da Guerra da Coreia (1950–1953). Deste total, 22 veículos foram transferidos no âmbito do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program – MAP), abrangendo principalmente exemplares das versões M-4 Composite Hull e M-4A1, acompanhados ainda por um importante estoque logístico composto por 50 motores de reposição, medida que visava assegurar a continuidade operacional da frota. Entre os exemplares recebidos destacava-se o M-4A1 EB-11-722, equipado com extensores de lagarta do tipo “duckbill” instalados em ambos os lados das esteiras. Em função desse acessório, destinado a reduzir a pressão sobre o solo e melhorar o desempenho em terrenos macios, o veículo passou a ser popularmente  embora de forma incorreta  identificado como “Super Sherman”. 

Ao longo de sua carreira no país, os M-4  permaneceram inicialmente concentrados no 1º Batalhão de Carros de Combate, no Rio de Janeiro, sendo posteriormente redistribuídos para outras unidades blindadas, entre elas o 4º Regimento de Carros de Combate, sediado em Rosário do Sul (RS), e o 6º Regimento de Cavalaria Blindada, em Alegrete (RS), participando ativamente do processo de consolidação das forças blindadas brasileiras durante as décadas de 1950 e 1960. Entretanto, ao final da década de 1950, tornava-se evidente a crescente obsolescência tecnológica dos M-4 em serviço no Exército Brasileiro. Embora ainda representassem a espinha dorsal das forças blindadas nacionais, seus conceitos de projeto, desenvolvidos na década de 1930 já não atendiam plenamente às exigências impostas pelas novas doutrinas de guerra mecanizada. O avanço dos sistemas de armas, a maior mobilidade exigida das unidades blindadas e a evolução dos conceitos táticos empregados  tornavam imprescindível a adoção de uma nova geração de carros de combate. A resposta a essa necessidade materializou-se em 14 de agosto de 1960, quando desembarcou no porto do Rio de Janeiro o primeiro lote composto por 50 carros de combate leves M-41 Walker Bulldog. A incorporação desse modelo marcou o início de uma nova etapa na história das tropas blindadas brasileiras, simbolizando não apenas a substituição progressiva dos veteranos Sherman, mas também a transição definitiva para uma força terrestre mais moderna, motorizada e alinhada aos padrões estratégicos ocidentais vigentes no contexto da Guerra Fria. Nos anos subsequentes, o Exército Brasileiro ampliaria significativamente sua capacidade blindada por meio da incorporação de novos lotes do veículo, recebendo 275 exemplares do M-41A1 e posteriormente 55 unidades do M-41A3, considerada tecnicamente mais avançada. A chegada desses blindados consolidou o processo de renovação da força, permitindo que os M-4 Sherman fossem gradualmente relegados a funções secundárias e, posteriormente, transferidos para a reserva estratégica, reduzindo progressivamente sua participação nas atividades operacionais.  A partir de meados da década de 1960, em consonância com a política de fortalecimento da base industrial nacional e da busca por maior autonomia estratégica, o governo brasileiro passou a priorizar iniciativas voltadas à redução da dependência externa na aquisição, manutenção e modernização de equipamentos militares. Inserido nesse novo contexto, o Exército Brasileiro iniciou estudos conceituais destinados ao desenvolvimento de soluções nacionais para o setor de blindados, buscando criar meios adaptados às particularidades geográficas e operacionais do território brasileiro. Como resultado desse esforço, foi criado, em 1967, junto ao Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), sediado em São Paulo, um grupo técnico especializado voltado à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias aplicadas a veículos blindados. Essa estrutura evoluiria posteriormente para o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), organização que se tornaria um marco fundamental na história da engenharia militar brasileira e um dos principais vetores da futura indústria nacional de defesa. 
Os trabalhos iniciais concentraram-se  em programas de remotorização e nacionalização de componentes, tendo como prioridade a substituição dos motores originais a gasolina por conjuntos diesel produzidos no país. Entre os veículos contemplados por essas iniciativas figuravam os carros de combate M-3 Stuart, M-3 Lee e os meia lagarta M-5, todos já enfrentando problemas relacionados à disponibilidade de peças de reposição. Em meados de 1969, foram iniciadas as primeiras ações concretas voltadas à implementação desses programas de modernização. Para isso, dois carros de combate M-3A1 e um M-4  foram transferidos para o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), em São Paulo, dando início ao programa experimental de remotorização. Esses veículos passaram a atuar como plataformas de ensaio para o desenvolvimento de soluções técnicas. Os estudos preliminares demonstraram que existia viabilidade técnica para a substituição do conjunto original do M-4, movido a gasolina, por motores diesel produzidos pela MWM do Brasil S/A.  Entretanto, apesar dos resultados promissores, o programa de modernização do Sherman foi temporariamente suspenso, permitindo a concentração de recursos financeiros, infraestrutura e pessoal técnico nos projetos envolvendo os carros leves M-3, cuja ampla disponibilidade justificava sua priorização. A retomada do programa ocorreu apenas em 1974, impulsionada principalmente pelos resultados observados nos conflitos árabe-israelenses, nos quais as Forças de Defesa de Israel (IDF) demonstraram a viabilidade operacional do conceito de modernização profunda de plataformas consideradas obsoletas. O sucesso dos M-4  israelenses, submetidos a extensos programas de repotenciamento e atualização estrutural, reforçou a percepção de que veículos da Segunda Guerra Mundial ainda poderiam permanecer relevantes mediante adequadas intervenções técnicas. No Brasil, o programa passou a ser conduzido sob a coordenação do Tenente-Coronel Walter Catharino Finato, sendo selecionado como protótipo o M-4A1 EB11-721, que receberia  o motor MWM Diesel TD232 V12, com 400 hp de potencia nominal. Contudo, atendendo às especificações estabelecidas pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), o fabricante promoveu uma série de aperfeiçoamentos técnicos que elevaram sua potência para 500 hp, buscando assegurar melhor desempenho dinâmico, maior reserva de potência. A incorporação do novo motor exigiu profundas adaptações estruturais. O propulsor, com aproximadamente 1,69 metro de comprimento, incluindo o turbocompressor e o sistema de refrigeração, apresentava dimensões superiores às do conjunto original, tornando necessária a modificação interna do compartimento motriz e a reconfiguração de diversos elementos estruturais do casco. Essas alterações representaram um importante desafio de engenharia, exigindo soluções inéditas no contexto nacional. Em maio de 1975, o protótipo modernizado foi submetido a um extenso programa de avaliações técnicas e testes de campo. Os resultados obtidos mostraram-se plenamente satisfatórios, comprovando a viabilidade da nacionalização do conjunto motriz. 

Uma das principais limitações operacionais do M-4 Sherman estava relacionada à reduzida largura de suas lagartas originais, que geravam elevada pressão sobre o solo e aumentavam a propensão ao atolamento, especialmente em terrenos argilosos, arenosos ou sujeitos a chuvas intensas, comuns no Brasil. Para solucionar esse problema, os estudos de modernização passaram a considerar a adoção de lagartas mais largas associadas à suspensão HVSS (Horizontal Volute Spring Suspension), proporcionando melhor distribuição de peso, maior estabilidade e melhor desempenho em terrenos difíceis. Visando reduzir custos e manter a padronização logística, optou-se pelo reaproveitamento de componentes provenientes das viaturas de recuperação M-74 Armored Recovery Vehicle, recentemente desativadas. Paralelamente, seriam iniciados estudos voltados à modernização dos M-41, em consequência,  passou-se  a considerar que, caso o programa de modernização do M-4 Sherman fosse mantido, esses veículos deveriam ser convertidos para missões especializadas de apoio, reconhecendo-se que o conceito original do Sherman já se encontrava tecnologicamente superado diante dos novos requisitos do campo de batalha. Este conceito seria retomado no início da década de 1980, quando surgiram estudos voltados à conversão dos M-4 Sherman em plataformas  destinadas a funções de engenharia e  apoio logístico, como versões de caça-minas e viaturas de engenharia de combate, concebidos para suprir lacunas existentes no inventário blindado do Exército Brasileiro que neste periodo, dispunha-se de uma limitada dos modelos recuperação sob esteiras M-74 e M-578. Inserido nesse contexto, em maio de 1982, foi formalizado um acordo de cooperação entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a Moto Peças S/A, sediada em São Paulo, visando ao desenvolvimento de uma viatura blindada de engenharia baseada nos componentes remanescentes do M-4A1 Sherman. O programa resultaria no desenvolvimento da Viatura Blindada Especial de Engenharia M-4 de 30 toneladas – VBE-Eng M4-30t-Lag, constituindo uma das iniciativas mais ambiciosas da engenharia militar brasileira no campo das adaptações blindadas. Com o propósito de ampliar a padronização logística com outros programas então em andamento, foi selecionado como grupo motriz o motor Scania DI-11 Ex1, propulsor diesel de seis cilindros e aproximadamente 500 hp, o mesmo empregado no programa de modernização do M-41C Caxias, conduzido pela empresa Bernardini S/A Indústria e Comércio. Do ponto de vista estrutural, entretanto, a nova viatura exigiu modificações profundas em relação ao projeto original do M-4 . A principal alteração consistiu no reposicionamento do conjunto motriz para o lado direito do casco, solução que permitiu incorporar uma porta traseira de acesso inovação significativa para os padrões da época, facilitando o embarque e desembarque da tripulação, além de ampliar a funcionalidade operacional da plataforma.  Todavia, as maiores dimensões do novo motor e as alterações internas exigidas inviabilizaram a reutilização integral da estrutura original  do Sherman. Como consequência, optou-se pelo desenvolvimento de uma carroceria completamente nova, construída em aço soldado e inspirada conceitualmente na configuração do M-113 VBTP, porém em dimensões ampliadas e adaptadas às exigências específicas da nova viatura de engenharia.
A viatura preservava a possibilidade de utilização das mesmas placas de blindagem soldadas empregadas na versão original, mantendo, os níveis de proteção balística. Entretanto, sua transformação não se limitou à simples adaptação estrutural: o veículo incorporava melhorias significativas em mobilidade, ergonomia e flexibilidade operacional, adequando-se de forma mais eficiente às exigências das missões de engenharia de combate. No conjunto superior foi instalado um guincho hidráulico com capacidade de tração de 20 toneladas, complementado por uma grua hidráulica dotada de lança rebatível, capaz de içar cargas de até 10 toneladas. O veículo também recebeu uma lâmina frontal de terraplanagem, concebida para ser intercambiável com um dispositivo destinado às operações de desminagem. Essa configuração permitia transportar, além do condutor e do chefe da viatura, uma equipe adicional composta por até 05 militares plenamente equipados para o cumprimento de missões de engenharia de combate. Para autodefesa,  foi equipada com uma metralhadora Browning M2HB, calibre .50, além de quatro lançadores de granadas fumígenas, proporcionando capacidade defensiva compatível com o ambiente  no qual deveria operar. Conforme anteriormente previsto no programa, estudou-se o desenvolvimento de um sistema antiminas a ser instalado na parte frontal da viatura em substituição à lâmina de terraplanagem. O conceito consistia em duas pás dotadas de múltiplas garras, destinadas a revolver o terreno à frente do veículo, expondo eventuais artefatos explosivos enterrados. Contudo, durante os ensaios realizados, verificou-se que o sistema apresentava limitações significativas, sobretudo em terrenos compactados, nos quais não conseguia remover ou detectar minas enterradas com a eficiência esperada. Em razão desses resultados insatisfatórios, o projeto acabou sendo descontinuado. O planejamento inicial, formalizado por meio do contrato, previa a construção de 15 exemplares, entretanto, dificuldades enfrentadas durante o o programa, associadas a restrições orçamentárias, resultaram na produção de apenas um protótipo  (EB3460224584) e cinco veículos de série. Após sua entrega, os VBE-ENG-M4-30t-Lag foram submetidos a um  programa de avaliação, conduzido nas instalações do Centro de Avaliações do Exército e do Centro de Tecnologia do Exército. Concluída essa fase, passaram a integrar diversas organizações , entre elas a Academia Militar das Agulhas Negras, o 5º Batalhão de Engenharia de Combate Leve, a 11ª Companhia de Engenharia de Combate Leve, o 7º Batalhão de Engenharia de Combate Leve e o 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, permanecendo em serviço durante vários anos. Ao final da primeira década dos anos 2000, os 04 exemplares do VBE-ENG-M4-30t-Lag ainda rem carga, embora já fora de operação, encontravam-se armazenados nas instalações das OM que os operaram. Além desses veículos, um permaneceu oficialmente vinculado  ao acervo do Museu Militar Conde de Linhares, encontrando-se armazenada no Parque Regional de Manutenção (Pq R Mnt/5), aguardando futura restauração. Embora sua produção tenha sido limitada e não tenha alcançado a escala inicialmente prevista, o programa VBE-ENG-M4-30t-Lag constituiu uma etapa relevante no processo de modernização e conversão de blindados no Brasil. 

Em Escala.
Para a representação do VBE-ENG-M-4 30 toneladas LAG , sob a matricula "EB 3460224898", decidimos utilizar como base o kit da Tamiya na escala 1/35. Aproveitamos, para tal, os componentes fundamentais, como suspensão, esteiras, bogies e casco, sendo que o restante da construção foi realizado em scratch build. Para a conversão, utilizamos desenhos e fotografias da época, o que pode resultar em um modelo em escala que  talvez não reproduza fielmente a estrutura do casco ou os detalhes complementares. Utilizamos também decalques elaborados pela Eletric Products  presentes no set "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) delineado abaixo representa o segundo padrão de pintura tático camuflado em dois tons (verde e marrom), utilizado em todos os veículos blindados de combate do Exército Brasileiro a partir de meados da década de 1980. Contudo, existe uma viatura desse modelo, pertencente ao 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado (BE Cmb Bld), em Alegrete (RS), que foi preservada no padrão anterior de pintura, caracterizado por um acabamento em verde oliva total.

Bibliografia :
- Viatura Blindada Especial de Engenharia - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/VBE.pdf
- M-4 Sherman no Brasil – Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Jr
- Blindados No Brasil Volume I, por Expedito Carlos Stephani Bastos

UH-14 AS.332 Super Puma AS.532 Cougar


História e Desenvolvimento.
A derrota da França em 10 de maio de 1940, no contexto da Batalha da França, seguida pela ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial, representou um golpe profundo à sua então consolidada indústria de defesa. Sob a égide do Regime de Vichy e das autoridades de ocupação nazistas, o país foi progressivamente relegado à condição de fornecedor subordinado de componentes e matérias-primas para o esforço industrial do Terceiro Reich, interrompendo abruptamente o ciclo de inovação tecnológica que vinha sendo desenvolvido desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, em 1945, a reconstrução nacional tornou-se prioridade estratégica do Estado francês. Nesse contexto, o setor aeronáutico foi identificado como essencial não apenas para a defesa, mas também para a recuperação da soberania tecnológica e do prestígio internacional do país. Como parte desse esforço, o governo implementou uma ampla política de nacionalização e reorganização industrial, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE) e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO). Ambas as companhias surgiram a partir da fusão e incorporação de diversas empresas privadas, muitas das quais haviam sido severamente fragilizadas pelas consequências da guerra. Essa estratégia visava concentrar capacidades técnicas, mão de obra especializada e infraestrutura industrial em polos regionais de excelência, fomentando a pesquisa, o desenvolvimento e a produção aeronáutica sob coordenação estatal. Tratava-se, em essência, de um esforço deliberado para restaurar a competitividade do setor e posicioná-lo como instrumento de modernização econômica e afirmação nacional. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, SNCASE e SNCASO atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes no campo das aeronaves de asas rotativas. Nesse segmento, o governo francês promoveu investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, além de estabelecer acordos de cooperação internacional e produção sob licença com fabricantes estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Esse intercâmbio técnico permitiu à indústria francesa assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia, criando as bases para o desenvolvimento de projetos autônomos. Um dos resultados mais emblemáticos desse processo foi o  Alouette II, desenvolvido pela SNCASE e equipado com o motor turboeixo Turbomeca Artouste. Essa combinação tecnológica representou um salto qualitativo em termos de desempenho, confiabilidade e capacidade operacional. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, marcando um ponto de inflexão na evolução da aviação de asas rotativas e consolidando sua posição como referência no segmento. Em 1º de março de 1957, no âmbito de um movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado, as duas empresas foram fundidas, dando origem à Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). A criação dessa nova entidade permitiu centralizar grande parte da produção aeronáutica, reunindo sob uma única estrutura administrativa programas civis e militares.

A criação da Sud Aviation representou mais do que uma simples fusão administrativa: a nova entidade herdou não apenas o conhecimento técnico acumulado por suas antecessoras, mas também a ambição estratégica de posicionar a França entre as principais potências aeroespaciais do mundo. A SNCASE, por exemplo, já possuía experiência consolidada com aeronaves como o Languedoc e o  Mistral, este último produzido sob licença do caça DH-100 Vampire. O sucesso do Alouette II  pioneiro no emprego de turbinas em helicópteros  abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave mais robusta e com maior capacidade de carga. Nesse contexto, surgiu o  Alouette III (designações SA316 e SA319), cujo voo inaugural ocorreu em 28 de fevereiro de 1959. O modelo consolidou a expertise francesa no segmento de asas rotativas e ampliou significativamente o escopo de aplicações operacionais. Paralelamente, no plano político-estratégico, a França, adotou uma política de autonomia militar, distanciando-se do comando integrado da OTAN. Essa decisão visava reforçar a soberania nacional, mas também evidenciou vulnerabilidades, sobretudo a dependência de equipamentos militares estrangeiros  em especial de origem norte-americana  muitos dos quais já se encontravam defasados. Como resposta, o governo francês intensificou os investimentos em sua base industrial de defesa, priorizando o desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias. No segmento de helicópteros, tornou-se imperativa a substituição de modelos como o Sikorsky H-19,  H-34,  S-58 e o Vertol H-21, amplamente utilizados pela Aviação Ligeira do Exército Francês (ALAT). Em 1963, o Ministério da Defesa francês formalizou um conjunto de requisitos para o desenvolvimento de um helicóptero de médio porte, capaz de transportar até 20 soldados totalmente equipados, operar em condições meteorológicas adversas  de dia ou de noite  e desempenhar missões de transporte de tropas e cargas. Esse esforço culminaria no projeto do chamado “Alouette IV”, concebido como um marco na busca por autossuficiência militar. Apesar de sua reconhecida experiência com helicópteros leves, como o Alouette II e III, o fabricante  possuía limitada expertise em aeronaves de maior porte, restringindo-se, até então, à produção sob licença do Sikorsky S-58. Ainda assim, o desenvolvimento do novo projeto avançou rapidamente. O protótipo, concluído em janeiro de 1964, foi equipado com dois motores Turbomeca Bi Bastan VII, cada um com potência de 1.065 hp, e incorporava um rotor principal de quatro pás em material composto  uma solução tecnológica avançada para a época. O cockpit foi projetado com comandos duplos convencionais (piloto e copiloto), além de um assento adicional, permitindo flexibilidade operacional. A aeronave foi concebida para oferecer elevado desempenho, com ênfase em velocidade, manobrabilidade e capacidade de operação em condições “hot-and-high”. A configuração bimotora, assegurava redundância e maior segurança, permitindo a continuidade do voo mesmo em caso de falha de um dos motores requisito essencial para missões militares críticas. Assim, o desenvolvimento do Alouette IV simbolizou não apenas um avanço tecnológico, mas também o compromisso estratégico com a inovação e a autonomia em defesa.

Além disso, a configuração com motores turboeixo proporcionava uma margem de potência suficiente para garantir a continuidade do voo com segurança mesmo em caso de falha de um dos propulsores um requisito essencial para operações militares em cenários críticos. O primeiro voo do novo helicóptero ocorreu em 15 de abril de 1965, revelando desempenho promissor que levou o Ministério da Defesa da França a autorizar, ainda naquele ano, a produção de 06 exemplares de pré-série. Essas aeronaves, entregues entre janeiro de 1966 e julho de 1968, foram destinadas a um extenso programa de ensaios conduzido pela Aviaçao do Exército Frances (Aviation Légère de l'Armée de Terre - ALAT). Durante essa fase, o fabricante implementou sucessivos aperfeiçoamentos técnicos, resultando na homologação do modelo para produção em série a partir de setembro de 1968. As primeiras unidades operacionais do Aérospatiale SA330 Puma foram oficialmente entregues à aviação do exército em maio de 1969, consolidando sua reputação como uma plataforma confiável, robusta e altamente versátil. Ainda durante a fase de desenvolvimento, as qualidades do Puma notadamente sua capacidade de carga, desempenho e adaptabilidade a diferentes condições operacionais  despertaram interesse internacional. A Força Aérea Real (RAF), em busca de um substituto para seus helicópteros de transporte médio, demonstrou interesse precoce pelo projeto. Esse movimento culminou, em 1970, na assinatura de um acordo de cooperação entre a recém-criada Société Nationale Industrielle Aérospatiale (SNIAS) e a Westland Helicopters Ltd. A criação da SNIAS, em janeiro de 1970  resultado da fusão entre a Sud Aviation, a Nord-Aviation e a SEREB  marcou uma nova etapa na consolidação da indústria aeroespacial francesa, ampliando significativamente sua capacidade produtiva e tecnológica. No âmbito da cooperação franco-britânica, foi firmado um contrato para o fornecimento de 48 unidades da versão Puma HC Mk 1 à Força Aérea Real (RAF),, sendo as 02 primeiras aeronaves entregues em 29 de janeiro de 1971. O sucesso do SA330 Puma no mercado internacional foi impulsionado por sua versatilidade e desempenho, resultando em contratos de exportação com diversos países, como Argentina, Líbano, Marrocos, Portugal, Paquistão, África do Sul e Brasil. Essa ampla aceitação reforçou a posição da indústria francesa como referência global no segmento de helicópteros militares de médio porte. Antecipando as demandas futuras do mercado, o fabricante iniciou, em 1974, o desenvolvimento de uma nova geração de helicópteros baseada na experiência acumulada com o Puma. O conceito dessa aeronave  posteriormente conhecido como AS332 Super Puma  foi apresentado ao público durante o Paris Air Show 1975, realizado em Le Bourget. Embora mantivesse similaridades estruturais com seu antecessor, o novo projeto incorporava avanços significativos em áreas como aviônica, eficiência energética e capacidade de carga, refletindo as crescentes exigências das forças armadas contemporâneas. Dessa forma, o desenvolvimento do Super Puma evidenciou a continuidade da estratégia francesa de inovação tecnológica e autonomia industrial, consolidando sua posição de destaque no cenário aeroespacial internacional.

O novo modelo incorporava um conjunto abrangente de aperfeiçoamentos estruturais e mecânicos que refletiam o amadurecimento da engenharia aeronáutica francesa ao longo das décadas do pós-guerra. Equipado com dois motores turboeixo Turbomeca Makila, cada um com 1.877 shp, o  AS332 Super Puma apresentava um expressivo incremento de desempenho em relação ao seu antecessor, o SA330 Puma. Esses motores, integralmente concebidos e produzidos na França, simbolizavam o elevado grau de autonomia tecnológica alcançado pela indústria nacional no segmento de propulsão aeronáutica. No campo estrutural, o Super Puma incorporava um rotor principal de quatro pás construído em materiais compósitos, solução que proporcionava maior resistência a danos, redução de vibrações e aumento da vida útil dos componentes. A fuselagem, por sua vez, foi ampliada e reforçada, permitindo maior capacidade de carga e melhor proteção balística  características particularmente relevantes para o emprego militar. O projeto contemplava ainda refinamentos aerodinâmicos, como a adoção de uma barbatana ventral na seção de cauda, responsável por aprimorar a estabilidade direcional, além de um nariz alongado, concebido para abrigar um radar meteorológico, ampliando a segurança operacional em condições adversas. O desenvolvimento do modelo teve início com um protótipo experimental, derivado de uma célula do SA330 e redesignado como AS330, que realizou seu primeiro voo em 5 de setembro de 1977. Essa aeronave desempenhou papel fundamental na validação dos novos sistemas e soluções de engenharia. Os resultados obtidos permitiram a consolidação da configuração definitiva, materializada no protótipo do AS332M, cujo voo inaugural ocorreu em 13 de setembro de 1978, marcando o início de uma nova etapa na evolução dos helicópteros médios franceses. Nos anos subsequentes, 05 unidades adicionais foram produzidas para avaliações operacionais e certificação. O Super Puma destacou-se rapidamente por seu desempenho superior, combinando elevada manobrabilidade, estabilidade em voo e eficiência no consumo de combustível atributos que despertaram interesse tanto no segmento militar quanto no civil. Em decorrência dessa receptividade, foram estabelecidas duas variantes principais: a AS332B, destinada ao emprego militar, e a AS332C, voltada para operações comerciais e corporativas. O primeiro operador militar  foi a Aviação do Exército Frances (ALAT), que iniciou a incorporação das aeronaves em maio de 1980, promovendo a substituição gradual da frota de SA330. Paralelamente, a versão civil entrou em serviço a partir de 1981, alcançando ampla aceitação em setores como transporte offshore  e aviação executiva. Em poucos anos, o Super Puma expandiu sua presença para diversos mercados, operando em mais de uma dezena de países e consolidando-se como referência em confiabilidade e versatilidade. Entre 1981 e 1987, o fabricante manteve um ritmo de produção médio de três aeronaves por mês, atendendo à crescente demanda global. O reconhecimento internacional do modelo impulsionou, ainda, acordos de produção sob licença. Um exemplo significativo foi a parceria estabelecida com a Indonesian Aerospace (IPTN), que, a partir de 1982, iniciou a fabricação local da aeronave.

O êxito do AS332 Super Puma não apenas consolidou sua posição no mercado internacional, como também estimulou o desenvolvimento de variantes altamente especializadas, voltadas a cenários operacionais específicos. Entre essas iniciativas, destacou-se o projeto experimental “Orchidée” (Observation Radar et Commandement Héliporté pour la Défense et l’Engagement des Éléments), concebido para funções de vigilância aérea no campo de batalha. Essa versão foi equipada com um radar Doppler de pulso instalado sob a fuselagem, capaz de realizar varredura de 360 graus e detectar alvos de baixa altitude como helicópteros  bem como veículos terrestres, a distâncias de até 150 quilômetros. Os dados coletados eram transmitidos em tempo real para estações móveis em solo por meio de enlace dedicado, permitindo análise tática e disseminação das informações aos comandantes em operações. Paralelamente, foram desenvolvidas variantes voltadas ao emprego naval, com capacidade para transporte de tropas e cargas, além de missões de ataque e patrulha marítima. Essas versões podiam ser configuradas para diferentes perfis operacionais, refletindo a crescente versatilidade da plataforma no contexto militar.  Um dos primeiros registros significativos de emprego em operações militares ocorreu durante a Guerra do Golfo, quando helicópteros Super Puma  operados por diferentes países da coalizão  foram utilizados em missões de transporte tático, evacuação aeromédica (MEDEVAC) e apoio logístico em ambiente hostil. No final da década de 1990, a Força Aérea Helênica (HAF) iniciou um processo de renovação de sua frota de busca e salvamento. Esse requisito contribuiu para o desenvolvimento e consolidação de variantes especializadas em missões de Busca e Salvamento (SAR) e Busca e Salvamento em Combate (CSAR), capazes de operar em condições meteorológicas adversas, inclusive durante a noite, ampliando significativamente o espectro de emprego do Super Puma. A ampla aceitação do modelo no mercado internacional resultou em sua adoção por dezenas de países, consolidando-o como uma referência global em helicópteros de médio porte. Sua combinação de robustez, capacidade de carga e adaptabilidade permitiu seu emprego em missões que variavam desde transporte logístico até operações de combate e resgate. Como desdobramento natural dessa evolução, surgiu o Eurocopter AS532 Cougar, versão militar aprimorada diretamente derivada do Super Puma. Esse modelo incorporou avanços significativos em aviônica, proteção balística, sistemas de autodefesa e capacidade de carga, sendo projetado para atender aos requisitos das forças armadas modernas. Com capacidade para transportar até cerca de 25 soldados, além de operar equipado com sistemas defensivos como contramedidas eletrônicas, este consolidou-se como uma plataforma altamente versátil e adaptada a ambientes hostis. Ao longo das décadas seguintes, a família Cougar passou a substituir progressivamente as versões  mais antigas do Super Puma em diversas forças armadas, refletindo a contínua evolução tecnológica e a busca por maior eficiência operacional. Assim, a linhagem iniciada com o Puma e consolidada com o Super Puma manteve-se relevante, adaptando-se às exigências contemporâneas.

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), criada em 1950, representou um marco fundamental no processo de modernização do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Sua instituição refletia a crescente percepção, no âmbito estratégico da Marinha do Brasil, de que o país necessitava desenvolver uma capacidade anfíbia moderna e compatível com os novos conceitos de guerra naval surgidos após a Segunda Guerra Mundial. A organização da nova força inspirava-se diretamente na doutrina expedicionária do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), cuja experiência acumulada nas campanhas anfíbias do Pacífico havia redefinido profundamente os conceitos de projeção de poder a partir do mar. Nos anos subsequentes à sua criação, a estruturação da Força de Fuzileiros da Esquadra avançou de maneira consistente, apoiada pela incorporação de meios navais especializados em operações anfíbias. Entre os principais navios incorporados destacavam-se o Custódio de Mello (G-20), o Barroso Pereira (G-16), o Ary Parreiras (G-21) e o Soares Dutra (G-22). Essas embarcações, aliadas às Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM) e Embarcações de Desembarque de Viaturas e Pessoal (EDVP), estabeleceram as bases materiais necessárias para a execução de operações anfíbias de maior envergadura, permitindo o transporte coordenado de tropas, equipamentos e suprimentos diretamente da força naval para a linha de costa. Paralelamente ao fortalecimento dos meios navais, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) passou a incorporar seus primeiros veículos de apoio às operações de desembarque. Entre eles figuravam os utilitários militares Willys M-38A1, Jeep CJ-5 e Dodge M-37, empregados principalmente no transporte de pessoal, munições e apoio logístico imediato após o desembarque inicial. Durante esse período inicial, as atividades de adestramento concentravam-se sobretudo em operações anfíbias convencionais de menor complexidade, envolvendo o desembarque de tropas, veículos leves, peças de artilharia e material logístico. Contudo, à medida que a doutrina anfíbia evoluía internacionalmente ao longo da década de 1960, tornou-se evidente que a mobilidade vertical proporcionada por helicópteros passaria a desempenhar papel essencial nas modernas operações expedicionárias. Nesse contexto, identificou-se a necessidade de incorporar progressivamente a dimensão aeromóvel às suas capacidades operacionais, ampliando significativamente a flexibilidade tática e a capacidade de projeção de poder a partir do mar. Inicialmente, essa necessidade foi parcialmente atendida pelos helicópteros Whirlwind Mk.I HU-2W e UH-5 Mk.III, operados pelo 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1). Apesar de representarem importante avanço operacional para a época, essas aeronaves apresentavam limitações significativas em alcance, capacidade de carga e disponibilidade operacional. Com o progressivo envelhecimento dos UH-5 e o aumento das demandas operacionais, a Marinha do Brasil passou a empregar de forma mais intensa os helicópteros Sikorsky SH-34J pertencentes ao 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1). Embora originalmente concebidos para missões de guerra antissubmarino (ASW), esses helicópteros passaram a desempenhar também tarefas de transporte tático de tropas e apoio às operações anfíbias.

Entretanto, a crescente necessidade de meios aerotransportados durante a década de 1970 levou a Marinha a utilizar inclusive os  Sikorsky SH-3 Sea King em missões de transporte de tropas. Apesar de sua elevada capacidade de carga e alcance, este havia sido concebido prioritariamente para missões antissubmarino (ASW), e para adequar essas aeronaves ao transporte de pessoal, tornava-se necessário remover temporariamente sensores acústicos, consoles eletrônicos e sistemas de missão. Esse procedimento, além de tecnicamente complexo e oneroso, frequentemente resultava em danos aos delicados sistemas, elevando custos de manutenção e reduzindo a disponibilidade operacional da aviação naval antissubmarino. Consequentemente, a solução adotada revelou-se operacionalmente inadequada e logisticamente insustentável a longo prazo. Ao mesmo tempo em que não atendia plenamente às necessidades de mobilidade aerotática, também comprometia temporariamente a capacidade de guerra antissubmarino da esquadra. Esse cenário evidenciou de maneira definitiva a necessidade de aquisição de helicópteros dedicados exclusivamente ao transporte tático de tropas, concebidos especificamente para apoiar operações anfíbias modernas. A partir dessa constatação, amadureceu  a decisão de buscar aeronaves capazes de combinar capacidade de carga, robustez operacional, facilidade logística e elevada disponibilidade, permitindo a força desenvolver plenamente sua capacidade de assalto aeromóvel e projeção expedicionária. Diante desse cenário, tornou-se imperativo dotar a Aviação Naval de um vetor de asas rotativas especificamente concebido para missões de transporte tático de tropas e cargas, capaz de operar de forma dedicada, contínua e eficiente no apoio às operações anfíbias. Com o objetivo de atender a essa demanda,  negociou-se a liberação de recursos orçamentários , permitindo o lançamento, em 1984, de uma concorrência destinada à aquisição de helicópteros de transporte médio. O programa previa inicialmente a incorporação de 06 a 10 aeronaves bimotores turboeixo, capazes de operar embarcadas. Diversos fabricantes apresentaram propostas, as quais foram submetidas a criteriosa análise pelo comando da Força Aeronaval. Os estudos técnicos priorizavam aeronaves que oferecessem equilíbrio entre capacidade de carga, autonomia, robustez estrutural, facilidade de manutenção e compatibilidade com as restrições orçamentárias então vigentes. Nesse contexto, modelos de maior porte e custo operacional elevado acabaram descartados ainda nas fases preliminares da concorrência. Ao final do processo de avaliação, destacou-se a proposta apresentada pela empresa francesa Société Nationale Industrielle Aérospatiale.  A escolha não se baseou apenas nos aspectos técnicos da aeronave ofertada, mas também no relacionamento já consolidado entre a Marinha do Brasil e a indústria aeronáutica francesa.  A proposta francesa revelou-se particularmente vantajosa por contemplar um amplo pacote de modernização. Além da aquisição dos helicópteros de transporte médio, previa também o fornecimento de 11 aeronaves  AS355 F2 Twin Écureuil, ampliando significativamente a capacidade operacional da Aviação Naval Brasileira. Em março de 1985, seria finalmente formalizado um contrato no valor aproximado de US$ 54 milhões de dólares, envolvendo a aquisição de 06 helicópteros  AS332 F1. 
A assinatura desse contrato representou a concretização de uma antiga aspiração do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), que desde o início da década de 1970 buscava incorporar um vetor aéreo dedicado exclusivamente às operações helitransportadas.  Com a definição do novo vetor aéreo, tornou-se necessária a criação de uma unidade específica para sua operação. Dessa forma, em 18 de setembro de 1985, por meio de decreto presidencial, foi oficialmente criado o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2). A nova unidade passou a operar de forma integrada com a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), assumindo papel central no apoio às operações anfíbias, transporte tático de tropas, evacuação médica, apoio logístico e missões de busca e salvamento. Cabe destacar que a Marinha do Brasil tornou-se a primeira operadora mundial da variante naval do AS332 Super Puma. Os helicópteros recebidos incorporavam diversas modificações específicas para operações embarcadas, incluindo proteção anticorrosiva reforçada, equipamentos de navegação adaptados ao ambiente marítimo, sistemas de comunicações compatíveis com os meios navais brasileiros e dispositivos específicos para operação em convoos de navios.  Estas aeronaves estavam equipadas com um conjunto avançado de sistemas de navegação e comunicação, refletindo o estado da arte da tecnologia embarcada à época. Entre os principais equipamentos destacavam-se o radar meteorológico Bendix RDR 1400C, essencial para operações em condições adversas; sistemas de comunicação compostos por rádios Collins VHF/UHF e AM/FM AN/ARC-182, além de rádio HF/SSB; o computador de missão Nadir MK II, responsável pelo gerenciamento de dados operacionais; o sistema de identificação amigo-inimigo (IFF) AN/APX-100; e o rádio altímetro AHV-8, fundamental para operações em baixa altitude, especialmente no ambiente marítimo. Outro aspecto relevante era a capacidade de dobragem das pás do rotor principal, recurso indispensável para otimizar o armazenamento da aeronave nos hangares embarcados. Contudo, durante a fase de produção, verificou-se que, mesmo com essa funcionalidade, o helicóptero ainda excedia as dimensões dos elevadores do porta aviões NAeL Minas Gerais (A-11), em virtude do comprimento da fuselagem. Para contornar essa limitação, foi desenvolvida uma solução inovadora: a implementação de um cone de cauda dobrável. Essa modificação tornou a Marinha do Brasil a única operadora mundial dessa variante específica com tal característica, exigindo inclusive a adaptação (retrofit) das 03 primeiras aeronaves já produzidas, bem como ajustes nas unidades subsequentes ainda em linha de montagem. As primeiras aeronaves, entregues desmontadas em 15 de abril de 1987 na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, receberam a designação UH-14 e as matrículas N-7070 a N-7075. Essas unidades foram inicialmente integradas ao Núcleo do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (NUEsqdHU-2), criado para estruturar o processo de recebimento, montagem e introdução operacional do novo vetor. A entrega das 02 últimas aeronaves, em fevereiro de 1988, marcou sua ativação plena. Sua introdução  representou um marco na evolução da Aviação Naval , ao conferir uma capacidade inédita de transporte aeromóvel pesado, adaptada às exigências específicas das operações embarcadas. 

A combinação entre tecnologia avançada e doutrina operacional adequada consolidou o Esquadrão Pegasus como uma unidade estratégica no contexto da Força de Fuzileiros de Esquadra (FFE). Com sua dotação completa alcançada em 1988, passou a desempenhar, como missão primária, o apoio às operações de desembarque anfíbio, ampliando significativamente a capacidade de projeção de poder. Paralelamente,  expandiu-se seu escopo de atuação, passando a executar missões de busca e salvamento (SAR), lançamento de tropas especiais  incluindo paraquedistas e mergulhadores de combate , esclarecimento marítimo e apoio a operações noturnas embarcadas. Inicialmente, os helicópteros UH-14 operaram predominantemente a bordo do  NAeL Minas Gerais (A-11), onde sua integração às rotinas operacionais embarcadas representou um avanço significativo na capacidade de emprego conjunto entre meios navais e aeronavais. Com o passar dos anos, as aeronaves foram destacadas para atuar em outros navios da esquadra, especialmente aqueles dedicados ao desembarque e transporte de tropas, como: NDD G-31 Rio de Janeiro; NDD G-30 Ceará; NDCC G-28 Mattoso Maia; NDCC G-29 Garcia D’Ávila. A partir de 2002, os helicópteros também passaram a operar a bordo do novo navio-aeródromo A-12 São Paulo, ampliando sua versatilidade em operações embarcadas. Entre as missões originalmente previstas para o UH-14, destacava-se seu potencial emprego como plataforma de guerra anti-superfície (ASM), utilizando mísseis MBDA AM-39 Exocet. Para tal propósito, a última célula produzida, UH-14 N-7075, foi equipada de fábrica com a cambagem necessária para a instalação do radar de missão Omera ORB-32. Contudo, essa capacidade nunca foi implementada operacionalmente, permanecendo apenas como uma intenção inicial, com este escopo de missão sendo realizado somente pelos  ASH-3H.  O único acidente grave registrado com o modelo ocorreu em 18 de setembro de 1990, quando o UH-14 N-7072 sofreu um sinistro com perda total durante uma operação a bordo do  NAeL  A-11 Minas Gerais Em abril de 1992, a Marinha do Brasil formalizou a aquisição de 02 novas aeronaves diretamente do fabricante, com o objetivo de atender a duas necessidades estratégicas: recompor a frota após a perda do UH-14 N-7072, em setembro de 1990, e ampliar a capacidade orgânica do 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2). Esta aeronaves apesar de serem idênticas aos AS332F1, receberam a designação do fabricante  de AS-532MK1 Cougar. Matriculadas como N-7076 e N-7077 seriam transportadas por aeronaves C-110H Hercules da  Força Aérea Brasileira (FAB), e posteriormente montadas por técnicos da Helibras S/A na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, antes de seu translado para a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia.  Em 2011, o 2º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2) alcançou um marco significativo ao qualificar suas aeronaves para o emprego de metralhadoras FN MAG de 7,62 mm. Operadas pelos mecânicos de voo, essas armas, idênticas às utilizadas nos helicópteros UH-15 EC-725 Caracal, conferiram às aeronaves do esquadrão maior capacidade de autoproteção e suporte às tropas durante operações de embarque e desembarque.  Essa modernização ampliou sua versatilidade , alinhando suas capacidades às demandas de missões táticas e de apoio em cenários complexos.
Contudo, ao longo das décadas de 1990 e 2000, o acelerado avanço tecnológico no campo da aviação militar passou a evidenciar as limitações operacionais dos helicópteros UH-14 Super Puma. Embora essas aeronaves ainda apresentassem bom desempenho, tornava-se cada vez mais evidente a necessidade de incorporar um vetor de asas rotativas mais moderno, capaz de atender às crescentes exigências operacionais século XXI. Além da obsolescência gradual de seus sistemas eletrônicos e aviônicos, os UH-14 enfrentavam dificuldades logísticas crescentes relacionadas ao suporte técnico e ao fornecimento de peças de reposição. Após mais de três décadas de operação contínua em ambiente marítimo  reconhecidamente severo para estruturas aeronáuticas os custos de manutenção tornaram-se progressivamente mais elevados, impactando diretamente os índices de disponibilidade operacional da frota. Nesse contexto, passou-se a buscar uma solução de longo prazo que garantisse não apenas a substituição dos UH-14, mas também a ampliação significativa das capacidades da Aviação Naval Brasileira. Essa necessidade coincidiu com a implementação do programa H-XBR, lançado pelo Governo Federal em 2008. Este esforço resultaria em uma parceria  entre o Ministério da Defesa, a Helibras S/A  e a Airbus Helicopters, prevendo a aquisição de cinquenta helicópteros H225M para as três forças armadas brasileiras. No âmbito da Marinha do Brasil, foi definida a incorporação de 16 aeronaves, que representam  um salto tecnológico significativo em relação ao UH-14  Dotado de motores mais potentes, sistemas aviônicos digitais de última geração e maior capacidade de integração de sensores e armamentos, o H225M ampliava substancialmente a capacidade expedicionária e multimissão da Aviação Naval. Além disso, o modelo apresentava maior autonomia de voo, melhor desempenho em operações embarcadas e capacidade ampliada de transporte, podendo conduzir até 28 passageiros ou 18 fuzileiros navais totalmente equipados. A primeira aeronave UH-15 foi entregue  em abril de 2011, marcando oficialmente o início do processo de transição operacional no Esquadrão Pegasus. As versões UH-15 e UH-15A passaram a ser empregadas em missões de transporte tático, operações anfíbias, evacuação aeromédica e busca e salvamento (SAR). Já o AH-15B, foi concebido para missões de guerra antissuperfície (ASuW ), incorporando a capacidade de operar o míssil  AM-39 Exocet . À medida que os UH-15 eram incorporados, os antigos UH-14 passaram gradualmente a ser retirados de serviço ao longo da década de 2010. Inicialmente cogitou-se redistribuir parte dessas aeronaves para novas unidades aéreas em regiões estratégicas, como Manaus, Belém e Rio Grande. Entretanto, os elevados custos de modernização e manutenção acabaram inviabilizando esses planos, levando à decisão de promover sua desativação definitiva.  O processo de retirada de serviço foi concluído oficialmente em 2018, encerrando um importante capítulo da história da Aviação Naval Brasileira. Durante mais de trinta anos de operação, os UH-14 Super Puma desempenharam papel fundamental na consolidação da doutrina aeromóvel anfíbia da Marinha do Brasil, tornando-se peças centrais nas operações da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). 

Em Escala.
Para representarmos o  AS332 F1 Super Puma UH-14 "7071", fizemos uso do modelo da Italeri na escala 1/72, que originalmente representa a AS 332 Super Puma em sua versão padrão de produção.  Apesar de apresentar grande semelhança com o modelo operado pela Aviação Naval da Marinha do Brasil, e necessário reproduzir em scratch building o sistema de flutuação de emergência instalado no nariz da aeronave,  e o sistema de guincho lateral pois estes itens não estão presentes no kit.  Apesar de modelo dispor de decais originais para a versão brasileira, empregamos juntamente itens presentes no antigo set 72/03 confeccionado pela FCM Decais. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo  padrão de pintura em cinza fosco aplicado nas aeronaves UH-14, inicialmente as células ostentavam um esquema em cinza brilhante, com este mantendo até o final da década de 1990.  Para a aplicação do esquema de pintura tático, foram empregadas tintas e vernizes de alta qualidade produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia :
- Aviação Naval Brasileira - Professor Rudnei Dias da Cunha  http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html
- HU-2 O Esquadrão Pegasus da Marinha - Jackson Flores Jr - Revista Força Aérea Nº 5
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr