Mercedes Benz Series 6X6 Militar

História e Desenvolvimento. 

A origem da empresa ocorreu em 1924 quando as duas maiores rivais no setor de automóveis e caminhões  DMG (Daimeler Mercedes) e Benz & Cia, devido a necessidade de impulsionar a economia Alemã após a Primeira Guerra Mundial, selaram uma cooperação mútua, surgindo assim 1926 a empresa Daimler-Benz AG. Esta nova empresa produzira motores, automóveis e caminhões exigindo, segundo o acordo entre as partes, que a união entre as duas empresas perpetuasse até o ano 2000. Além dos automóveis e dos caminhões, fabricavam também barcos e aviões (militares e civis), tendo ampla participação no esforço de guerra alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Com o término do conflito a empresa foi reconstruída em cooperação com os aliados, no intuito de prover a recuperação econômica do país.  Em meados da década de 1950 a Mercedes Benz iniciou sua participação no segmento de caminhões de pequeno porte, sua primeira investida neste novo nicho de mercado se deu com o o L-319, um modelo que apresentava um desenho de cabine avançada, uma solução para alguns problemas que possuía inúmeras vantagens, pois este formato permitia um espaço maior para a carga, sem a necessidade de se modificar o comprimento total do chassi, nem a distância entre eixos.  O êxito alcançado no mercado com este modelo denominado LP ou Pulman originou uma família de caminhões com as versões LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331. 

No inicio da década de 1950 a Mercedes Benz começou a estudar novos mercado, priorizando sua expansão para o continente americano, dentre estes planos planejava-se o estabelecimento de uma linha de produção de caminhões e futuramente chassis para ônibus no Brasil. Este projeto se concretizaria em 1956 com a inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo, tendo como primeiro produto caminhão médio L 312, vulgo “Torpedo”, considerado o primeiro veículo comercial a diesel brasileiro. Em 1960, a marca participou da primeira edição do Salão do Automóvel. Um ano depois, deu-se início às exportações para o mercado latino-americano, com a venda de 550 unidades do ônibus O 321 para a Argentina. A exemplo da matriz os caminhões da família LP-315, LP-321, LP-326, LP-329 e LP-331, que também passariam a ser produzidas pela subsidiaria brasileira a partir de 1957. Já na Alemanha na década seguinte ocorria o lançamento da linha MB 1111 apresentava como novidade um projeto de cabine semiavançada com um novo design visual contemplando faróis redondos. Este novo modelo logo conquistaria a preferência dos consumidores, ajudando a consolidar a imagem da Mercedes Benz com uma marca sinônimo de confiança, estabilidade e baixo custo de manutenção. A produção do L-1111 (MB) teve inicio no Brasil em 1964 este modelo ajudou a construir a imagem da Mercedes-Benz no pais, se tornando um grande sucesso de vendas, acumulando uma venda de 39.000 unidades em seis anos de produção.
O MB L-1111 ou “Onze Onze” como era popularmente chamado, foi o grande precursor da cabine semiavançada da série AGL, que anos mais tarde faria muito sucesso o L-1113 “Onze Treze”. Em suma se tratava do modelo antigo com teto baixo que evoluiria entre 1970 e 1971 para a versão teto alto, que equipou outros modelos como L-1313, L-1513, 2013 (6X2), 2213 (6X4) e outros até fins da década de 1980. Os dois modelos iniciais foram os veículos mais representativos na trajetória da marca no Brasil, introduzindo entre outras inovações o sistema de suspensão por feixe semielíptico transversal secundado por amortecedores telescópicos. o que diz respeito ao trem de força o L-1111, vinha equipado com o motor Mercedes-Benz OM-321, o mesmo que equiparam os caminhões Cara-Chata LP-321, bem como, os ônibus de motor dianteiro LPO-321, e os monoblocos O-321 H e HL, esse motor trabalhava ainda com o sistema de injeção tipo indireta Bosch com aspiração natural – popular “maçarico” – e com seis cilindros em linha esse propulsor Mercedes-Benz gerava seus 110 cv de potência (DIN). No início o L-1111 foi oferecido nas versões L, LK e LS., sendo que a versão L era a única disponibilizada em três opções de distância entre eixos ( 3.600 mm / 4.200 mm / 4.823 mm). Havia ainda a versão L-1111/48 que era um veículo indicado ao transportador com interesse em implementar 3º eixo, adaptado por montadores credenciados pela Mercedes. Com exceção das versões L-1111/48 e LS-1111/36 com semirreboque e CMT de 18.300 kg, as demais versões do 1111 garantiam um PBT de 10,5 toneladas.

Um ano mais tarde, em 1965 a Mercedes-Benz lança a versão 4X4 tração total do 1111. A versão LA-1111 (4X4) foi à sucessora do Cara-Chata tração total LAP-321 (4X4), passando a ser oferecido nas versões LA, LAK e LAS. A versão LA-1111 era a única com duas opções de distância entre eixos, constituída pelos modelos: LA-1111/42 (4X4) – 4200 mm de entre eixo e LA-1111/48 (4X4) com entre eixo de 4830 mm. Todos os modelos 1111 com propulsão nas 4 rodas vinham equipados com o motor OM-321; caixa de marchas tipo DB modelo G-32, de cinco velocidades à frente e um à ré; embreagem do tipo monodisco a seco; eixo dianteiro e traseiro tipo DB – 322 com engrenagens hipóides; e como item opcional de fábrica a direção do tipo hidráulica. No interior da cabine os modelos Mercedes-Benz 1111 contavam com: Banco do motorista ajustável em três posições diferentes; Banco para dois ou mais acompanhantes; Para-brisa de uma só peça; amplas janelas laterais e visores traseiros que proporcionavam excelente visibilidade; Dois grandes espelhos retrovisores externos que asseguravam manobras fáceis e seguras; Isolamento completo entre a cabine e o compartimento do motor, por meio de revestimentos à prova de calor e som; amplos estribos laterais permitiam entradas e saídas rápidas.Em 1970 a empresa lançaria a nova versão MB L-1113, que vinha equipado com o novo motor diesel Mercedes Benz OM-352LA com injeção direta de 5,6 litros de cubagem, 6 cilindros em linha com potência de 130 cv. Este sistema (com o combustível sendo injetado diretamente na câmara de combustível) proporcionava um consumo bastante moderado, sendo este um diferencial competitivo no mercado civil, pois apresentava ainda mais vantagens perante os concorrentes como boa acessibilidade aos componentes mecânicos sob o capo. Seu peso máximo de transporte de 11 toneladas, de tamanho mediano, e era uma resposta as necessidades de transporte em curtas distancias e usos leves. A versão com adaptação de um terceiro eixo denominada L-1113/48 garantia ao veículo o peso bruto total de 18,5 toneladas proporcionaria um aumento na participação de mercado da Mercedes Bens no Brasil.
A versão com adaptação de um terceiro eixo denominada L-1113/48 garantia ao veículo o peso bruto total de 18,5 toneladas proporcionaria um aumento na participação de mercado da Mercedes Bens no Brasil, a este modelo se seguiram outros de grande sucesso. A produção foi oficialmente encerrada em 1987, totalizando mais de 213.000 caminhões destinados não so ao mercado brasileiro, mas também Estados Unidos, Paraguai Chile e Uruguai, dos quais se estima que pelo menos 160.000 ainda estejam em uso. O sucesso comercial da Série 1113 gerou toda uma família de caminhões 1313, 1513 e 2013 utilizando a mesma cabine, mas com capacidade de tração do motor e de transporte de carga diferentes., totalizando mais 500.000 veículos comerciais na planta brasileira até fins da década de 1980.

Emprego no Brasil. 

O plano de nacionalização de parte da frota de caminhões militares, que era composta ainda pelos antigos GMC CCKW, G-506 Corbitt e US6G Studebaker, teve início na década de 1960 com a aquisição de caminhões militarizados produzidos pela General Motors do Brasil e Fabrica Nacional de Motores (FNM), com. A Mercedes Benz passaria a compor o quadro de fornecedor das Forças Armadas Brasileiras a partir de 1960, quando a versão militarizada do modelo MB LP-321/331 com tração 4X2 começou a ser entregue ao Exército Brasileiro. Este processo visava fomentar a indústria e nacional e racionalizar a necessidade de aquisições de caminhões militares “puros” com tração 6X6 (que se concretizaria a partir de 1958 com recebimentos de veículos Reo M34 e M35). Apesar desta primeira versão do caminhão da Mercedes Benz não atender plenamente as exigências operacionais, o Exército Brasileiro voltaria seus olhos para empresa a partir de 1964 com o sucesso imediato no mercado civil da família de caminhões médios comerciais MB L-1111 e L-1112, recebendo inúmeros elogios de seus clientes principalmente quanto ao seu atributo de robustez.

Este interesse seria potencializado no ano seguinte quando do lançamento da versão 4X4 tração total do 1111. A versão LA-1111 (4X4) foi à sucessora do Cara-Chata tração total LAP-321 (4X4), passando a ser oferecido nas versões LA, LAK e LAS com diversas opções de distancias entre eixos. Desta maneira no mesmo ano o Ministério do Exército encomendou a Mercedes Benz o desenvolvimento de um protótipo do MB M-1111 com tração 4X4. O veículo ficou pronto no mesmo ano e estava dotado com um novo e mais potente motor a diesel, o diesel OM-352 de 6 cilindros com 147 HP, dispunha de uma caixa de transmissão reprojetada MG-G-3-36. Em seu processo de militarização foram incluídos reforços estruturais, cabine e carroceira militar, para-choques especiais, faróis especiais e de comboio protegidos por grades, gancho hidráulico na traseira para reboque e com uma capacidade máxima de 21.650kg de carga na carroceria. Testes em campo realizados em parceria com o fabricante, atestaram as boas qualidades desta nova versão abrindo campo para a celebração de contratos de fornecimento em larga escala. Além deste modelo o exército viria a adquirir sucessivos lotes do modelo Mercedes 1113 para transporte geral.
Em 1971 a pedido do Exército Brasileiro a Mercedes Benz viria a desenvolver o modelo LG 1213, um veículo com características muitas próximas a versão 4X4, mas dotado de 3 eixos com tração 6X6 com um motor mais potente em suma, o LG-1213 era uma mistura de LA-1113, do qual emprestava o trem dianteiro motriz, com L-2213, que cedia o “bogie”. A caixa de transferência com saídas para 3 cardans era um misto das caixas dos citados “doadores”. O conjunto motriz trazia novidade sequer, com o bom e velho motor OM-352 aspirado com 130 Cv e a transmissão MB G-32 (depois G-36) de 5 velocidades sincronizadas. Este modelo receberia suntuosas encomendas, sendo destinado a diversas aplicações como transporte, oficina, cisterna, combustível suas qualidades podem ser atestadas pela existência ainda em serviço de 80 unidades que foram repontecializadas no ano de 1988.

Neste mesmo período a empresa Engesa começava a se destacar no segmento de suspensões fora de estrada com aplicações militares, o que despertou o interesse do exército para o desenvolvimento de um novo caminhão 6X6 mais adequado as tarefas off road, desta demanda nasceriam os  modelos  LG-1519 & LG-1819 6×6  que foram uma militarização do modelo civil de mesmo nome feita pela Engesa utilizando uma transmissão e suspensão do tipo boomerang desenvolvida para o projeto do blindado Sucuri, que não entrou em produção, e pneus 14.00×2-18PR com rodas raiadas de aço. Estes veículos foram desenvolvidos para operar  como trator de artilharia para obuseiros de grande porte como o de 155 mm M114 e transportador de equipamento pesado para os batalhões de engenharia,  sendo equipados com um motor diesel OM-355/5 de 5 cilindros e 215 HPs a 2.200 rpm, 5 marchas a frente e 1 a ré, podendo carregar um máximo de 32 toneladas, sendo sua capacidade “off-road” (QT) de 5 toneladas, pesando vazio cerda de 10,9 toneladas. Foram equipados com uma carroceria Bernardini com rolete para facilitar a movimentação de volumes pesados, um gancho para reboque na traseira, cabina com teto de lona e pára-choque dianteiro reforçado. 
Apesar de serem veículos extremamente robustos de fácil manutenção, as versões dos Mercedes Benz Militares 6X6 recebidos nas décadas de 1970 e 1980 já sentiam o peso da idade e passaram a ser complementados e gradativamente substituídos ao longo da década de 1990 por variantes da nova linha MB 1418 e MB 1618 . Planos de manutenção mais abrangentes visando prolongar a vida útil destes modelos foram implementados a partir de 1994, mantendo em atividade até o inicio da primeira década do século XXI pelo menos duas centenas destes veteranos caminhões 6X6. No plano de desativação final os MB – Engesa foram retirados de serviço em fins do ano de 2014, sendo substituídos pelos novos Volkswagen  Constellation 31.320 6×6 de 10 toneladas QT. Os modelos restantes ainda em serviço começaram a ser desativados a partir de 2007 e 2008 com o recebimento dos novos Mercedes Benz Atego – Axor – Atron e dos Volkswagen Worker e Constelation. 

Em Escala.

Para representarmos o Mercedes Benz LG-1213 6X6, empregamos como ponto de partida um modelo em die casta da coleção Caminhões de Outros Tempos da Editora Altaya na escala 1/43. Não há a necessidade de se proceder grandes alterações para representar com fidelidade a versão operada pelo Exército Brasileiro, no entanto optamos por retirar a cobertura e lona da carroceria para representar o interior com detalhamento em resina. Para finalizarmos o conjunto fizemos a  aplicação de decais confeccionados pela   Eletric Products pertencentes ao set  "Exército Brasileiro  1983 - 2016".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura camuflada em dois tons, empregado em todos os veículos do Exército Brasileiro a partir de meados da década de 1980, substituindo assim a pintura original totalmente em olive drab original de seu período de recebimento a partir do ano de 1970.


Bibliografia : 

- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – MB 1213 Militar , editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Veículos Militares do Mundo - veiculosmilitaresdomundo.blogspot.com.br/2015/04/mercedes-benzengesa-lg-1519-6x6.html
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976