Rural Willys-Overland F-85 Militar


História e Desenvolvimento. 

A origem da Willys Overland Automotive Division remete ao ano de 1903, quando foi produzido o primeiro furgão de entregas com a marca Overland, em Indiana nos Estados Unidos. Em 1907 a empresa foi adquirida por John North Willys, um ousado empreendedor, comerciante e fabricante de bicicletas. Dois anos mais tarde, a empresa passava a se chamar Willys Overland Motor Company, e após sucessivas fusões e crises, chegaria no inicio da década de 1930 a realizar o seu primeiro laçamento no segmento de carros leves de passeio com a denominação de Model 77. Este produto se tornou rapidamente um sucesso de vendas, gerando assim recursos e folego para a empresa se manter viva durante o processo de recuperação da economia norte americana . Em 1940 a empresa conquistaria notoriedade no meio militar , depois de vencer uma grande  concorrência para o Exército dos Estados Unidos (US Army), para o desenvolvimento de um veiculo utilitário leve com tração 4X4 que resultaria no Jeep Willys Overland (que também seria produzido pela Ford), apesar da maior parcela dos contratos de produção deste modelo serem direcionados a outros fabricantes em função da urgência para o atendimento das demandas de guerra, este modelo iria moldar o futuro da empresa, gerando os recursos necessários para o investimento em novos produtos

Sua atuação no Brasil, tem inicio  na década de 1920 , quando a empresa estava representada por importadores independentes, o termino da Segunda Guerra Mundial, despertaria o interesse do fabricantes automotivos pelo mercado brasileiro, e assim a Willys Overland elegeria mais representantes no pais, entre eles empresas como Jeepsa e a Agromotor em São Paulo e a Gastal no Rio de Janeiro. O desenvolver do mercado consumidor nacional levou a empresa a inicial estudos para viabilizar a produção local, com esta ideia se concretizando a partir de 1952, quando foi fundada a Willys Overland do Brasil com sua primeira planta industrial sendo construída na cidade de São Bernardo do Campo – SP . A montagem   no "sistema CKD", "Completely Knocked Down do Jeep Universal teve inicio em em 1954, gerando a experiencia necessária para a produção local com o maior índice de nacionalização possível em meados do ano seguinte, tendo este plano o apoio do Plano de Manufatura do Governo Federal.  O próximo passou foi a produção do motor nacional a gasolina, BF-161 foi iniciada no ano de 1958 a partir de componentes fundidos na nova fábrica de Taubaté.

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1946 a empresa apresentava ao mercado internacional um novo utilitário na configuração de station wagon (perua que fora desenvolvido  como um desdobramento do modelo Jeep CJ-2A 4X4. Este novo carro  emprestava toda o conjunto mecânico, incluindo um eficiente motor de 4 cilindros de 2,2 litros e 64 cv,  transmissão padrão de 3 marchas e a imbatível tração 4X4. Como principal atributo dispunha de uma carroceria muito superior a do Jeep original, tanto em dimensões quanto em comodidade, dispondo ainda de teto rígido, amplo espaço interno, boas acomodações para 6 ocupantes e superior isolamento termo acústico. Ademais, tinha um estilo atrativo e de grande personalidade, diferente de tudo que havia no mercado. Em 1950 o motor Go Devil 4 cilindros de 2,2 litros e  válvulas no bloco deu lugar ao novo Hurricane de mesmo deslocamento, mas com válvulas de admissão no cabeçote, permitindo  assim uma grande  melhoria no desempenho global. Lançada no Brasil em 1957, a versão nacional desta station wagon foi batizada de  Rural, sendo o segundo produto da Willys produzido localmente , e um dos poucos veículos representantes da primeira onda de nacionalização da então jovem indústria automobilística brasileira. O lançamento de um grande concorrente por parte da General Motors, levaria a uma renovação para a segunda metade da década de 1960, envolvendo uma reestilização exclusiva para o mercado brasileiro

Faziam parte do novo pacote a nova frente com para-lamas envolventes, capô mais baixo e nova grade do radiador dividida em forma trapezoidal. O visual se tornava mais leve também graças ao para-brisa em uma peça única, em lugar do antigo esquema duplo em “V”. Mecanicamente, a Rural brasileira tinha os mesmos componentes do Jeep, começando pelo motor BF-161 de 2.638 cm3 e 91 cv. Com 6 cilindros em linha, válvulas de admissão no cabeçote e escape no bloco (arranjo em “F”), o propulsor era conectado a uma transmissão de 3 velocidades e uma caixa de transferência reduzida, a tração 4X4 operava em tempo parcial. Em 1959 a Willys introduziu uma versão 4X2 da Rural. No começo da década de 1960, a Willys era uma das grandes montadoras no País, com uma engenharia forte e dinâmica, sempre imprimindo melhorias em seus produtos, como exemplo deste processo podemos citar a inclusão de 12 volts que aposentava o anterior de 6 volts. Depois de 1967 o ano em que foi formalizada a aquisição do controle da Willys-Overland pela Ford brasileira, os refinamentos continuariam a ser implementados, motivados por padronizações, reduções de cust e também pelos rígidos processos de aprovação (sign-off) da engenharia da adquirente. Para os usuários que exigiam mais desempenho, em 1968 a Rural passou a contar com dois motores opcionais o 2600 de 112 cv, e o 3000 com 134cv, visando assim competir com a Veraneio da Chevrolet.
Apesar do grande sucesso em vendas o Brasil e o mundo viviam o impacto da crise do petróleo iniciada em 1973. Da noite para o dia, o preço dos combustíveis disparou e o público começou a considerar a economia de gasolina como fator primordial na hora da compra de um carro novo. Mesmo com um enorme número de clientes fiéis e prelo atraente, a Rural revelava a exaustão nas vendas, a partir da segunda metade daquela década. Com isso a Ford decidiu encerrar a produção da Rural no início de 1977, nesta ocasião, somavam-se mais de 182 mil exemplares comercializados em vinte anos de produzidos no Brasil.

Emprego no Brasil. 

No início da década de 1960, a Willys Overland do Brasil (WOB) já estava consolidada como a principal montadora de automóveis brasileira. Além disso, gozava da confiança das forças armadas brasileira, por ser um dos mais importantes fornecedores de veículos militarizados, principalmente para o Exército Brasileiro grande cliente da linha de Jeeps 1/4 Ton CJ-5. Em meados da década de 1960 o advento do  lançamento da versão reestilizada da Rural, seguida posteriormente pela Pick-up Willys, logo despertaria  um especial interesse do comando do exército, que neste mesmo período buscava emergencialmente substitutos para os já obsoletos Dodge WC-51, WC-53, WC-54, EC-56 e WC-57 que foram recebidos dos Estados Unidos nos termos do Leand & Lease Act durante a Segunda Guerra Mundial, e enfrentavam grande problemas de indisponibilidade e cujas peças de reposição eram cada dia mais difíceis de se encontrar no mercado devido a sua produção estar descontinuada há mais de 15 anos.

O Exército Brasileiro buscava uma plataforma comum para emprego em missões de transporte de carga, pessoal, porta morteiro , ambulância e reboque de artilharia anti carro, e neste contexto tanto a Rural na versão station wagon, quanto a picape poderiam se encaixar perfeitamente a estas demandas, contribuindo ainda para  a nacionalização da frota e incentivo a industria local. Com esta decisão tomada a equipe da Willys Overland do Brasil desenvolveu estudos para aplicações militares, com os primeiros testes de campo sendo realizados pela equipe técnica da empresa em conjunto com o exército em meados de 1961. Com a implementação de pequenas melhorias necessárias à militarização final  do modelo, foi assinado o primeiro contrato de produção, com as primeiras entregas ocorrendo em fins do mesmo ano, já em serviço ativo o o modelo recebeu a designação de Camioneta Militar Jeep Willys 3/4 ton 4x4.  Um fato curioso é que esse modelo foi o primeiro veículo militar brasileiro exportado, quando as primeiras 150 unidades foram entregues ao governo Português em 1962, para equipar unidades de paraquedistas e usados em missões nas colônias portuguesas da época, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Timor. 
Ao longo de sua carreira Camioneta Militar Jeep Willys 3/4 ton 4x4 foi customizada para o cumprimento de uma grande gama de missões, com algumas equipadas com suporte de metralhadora 12,7 e 7,62 mm ou canhão 0,50 mm sem recuo e ainda como plataforma para lançamento de foguetes não guiados (versão M-106). Já as versões derivadas da versão civil station wagon foram empregados como viatura de policia do exército, transporte de oficiais e ambulância de campanha, grande parte da frota seria composta ainda pela versão de cabine dupla com teto de lona. Ambas as versões estavam equipadas com  motor Willys BF-161 6 cilindros a gasolina e 2.600cc, com a adoção em 1967 do Willys BF-161 de 3.000 cc, dispunham de caixa de cambio Clark de  de 3 marchas, com a 1ª seca  Em 1964, algumas unidades chegaram provisoriamente a ser equipadas com o motor diesel Perkins 4 cilindros visando um futura padronização da frota com este tipo de combustível mais econômico,  porém este processo nao logrou êxito pois o novo moto se mostrou  inadequado ao câmbio original, resultando em constantes quebras devido ao seu  que por seu torque elevado. Em 1975 todos os novos veículos adquiridos passaram a contar com o novo motor Ford OHC 4 cilindros 2.300 cc, muito superior em desempenho e consumo. Em termos de acabamento interno, destaca-se o painel que diferia da versão civil, por ser muito semelhantes ao empregado nos Jeeps, a remoção do teto de aço proporcionou a instalação de um para brisas rebatível com a adoção novas portas, bancos, alavanca de marchas e tração no assoalho, características comum em um veiculo militar

As principais modificações  estruturais implementadas referiam se ao chassi e para-choques reforçados, com e sem guincho mecânico marca Ramsey (opcional), ganchos dianteiros, grade de proteção dos faróis, farol de aproximação instalado sobre o paralamas dianteiro esquerdo, remoção das portas, teto e para-brisas originais, pneus 750x16, chave militar de iluminação de 3 estágios, para-choques militares tipo "meia lua" na traseira, duas lanternas militares traseiras, duas anilhas traseiras, gancho G militar para reboque, tomada elétrica para reboque militar, seis refletores na caçamba, capota militar de lona, bancos de madeira na caçamba na versão de transporte, bancos dianteiros individuais revestidos em lona, pá e machado militar fixados atrás dos bancos na cabine, aros de roda 2 polegadas mais largos. A denominação da pick-up militar Willys foi alterada em 1969 quando a Ford do Brasil, que já havia adquirido a WOB em 1967, adotou a marca Ford para todos os seus produtos (antes era Ford-Willys). A nova nomenclatura do modelo passou a ser Camioneta Militar 3/4 ton 4x4 Ford F-85, porém extra oficiamento o modelo recebeu os apelidos de "Cachorro Louco" e Jipão Militar 3/4 ton.
O desenvolvimento em conjunto  deste modelo militarizado, entre a Willys Overland do Brasil e posteriormente Ford do Brasil com o Exército Brasileiro, foi de significativa importância, pois construiu as bases de cooperação para futuros projetos de sucesso no segmento de moto-mecanização militar brasileira. Apesar de terem sua produção descontinuada na década de 1990 e serem substituídos por modelos mais novos da Agrale ou Land Rover, ainda hoje em pleno século XXI é possível encontrar unidades em pleno estado de funcionamento preservadas nos quarteis do  Exército Brasileiro, atestando assim a robustez e durabilidade do projeto original.  

Em Escala.

Para representarmos a Rural Willys- Overland 4X2 EB21-2012, empregamos como ponto de partida um modelo em die casta da coleção Veículos de Serviço do Brasil da Editora Altaya na escala 1/43, procedendo a customização para a versão militar. Empregamos decais confeccionados pela decais Eletric Products pertencentes ao set “Exército Brasileiro 1942/1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura do Exército Brasileiro aplicado em todos seus veículos militares desde a Segunda Guerra Mundial até a o final do ano de 1982, quando foram alteradas com inclusão de um esquema de camuflagem tático de em dois tons, se mantendo este até sua gradativa desativação a até o início da década de 1990.


Bibliografia :

- F-85 Camioneta Militar Jeep Willys - http://jeepguerreiro.blogspot.com.br
- Veículos de Serviço do Brasil – Chevrolet Veraneio, editora Altaya
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes