F-5EM Northrop Tiger II

História e Desenvolvimento. 
Na década de 1950, a aviação militar atravessava um período de transformações profundas, impulsionado pela crescente competição tecnológica entre as superpotências. O advento da propulsão a jato, dos radares embarcados e de novas doutrinas de emprego aéreo permitiu o desenvolvimento de aeronaves capazes de atingir velocidades supersônicas, maior autonomia e significativa capacidade de carga bélica. Contudo, tais avanços implicavam custos de aquisição, operação e manutenção cada vez mais elevados, suscitando preocupações tanto no âmbito do Departamento de Defesa, quanto entre os principais fabricantes da indústria aeronáutica. Nesse contexto, a Northrop Corporation percebeu a necessidade de propor uma alternativa que conciliasse desempenho e racionalidade econômica. Em 1956, foi constituída uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, então vice-presidente de engenharia, que anteriormente participara da concepção do North American P-51 Mustang e do F-86 Sabre. A proposta era clara: desenvolver um caça leve, de elevada manobrabilidade e confiabilidade, capaz de oferecer desempenho competitivo a custos significativamente inferiores aos dos interceptadores pesados e complexos então em produção. O projeto incorporou conceitos inovadores para a época. Entre eles, destacava-se a noção de “potencial de crescimento projetado”, segundo a qual a aeronave deveria possuir margem estrutural e volumétrica para futuras modernizações, assegurando vida útil superior a duas décadas. Associado a esse princípio estava o enfoque no “custo do ciclo de vida”, que buscava reduzir despesas não apenas na aquisição, mas também na operação e manutenção ao longo de todo o período de serviço. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do programa, optou-se por uma configuração bimotora compacta, com os propulsores integrados de forma eficiente à fuselagem, solução que favorecia desempenho, simplicidade estrutural e facilidade de manutenção. O projeto recebeu a designação interna N-156. Inicialmente, o N-156 foi concebido para atender a uma concorrência lançada pela Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy), que buscava um caça leve apto a operar a partir de porta-aviões de escolta. Esses navios, de menor porte, apresentavam limitações de convés, armazenamento e capacidade de lançamento, o que inviabilizava o emprego dos caças mais pesados então em serviço nos grandes porta-aviões de frota. A flexibilidade do projeto, contudo, permitia sua adaptação a outras necessidades, inclusive às da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), vislumbrando-se eventual aplicação em missões de defesa aérea tática ou de exportação. Entretanto, a reavaliação estratégica conduzida pela marinha norte-americana, que culminou na desativação progressiva dos porta-aviões de escolta, representou revés significativo para o programa em sua concepção original. Diante desse  cenário, a Northrop viu-se compelida a redirecionar o N-156 para outras oportunidades, adaptando-o a diferentes requisitos operacionais.

A decisão interrompeu a perspectiva de produção em larga escala do N-156 e colocou sob risco os investimentos financeiros já realizados. Ainda assim, a direção da empresa reagiu com notável capacidade estratégica, optando por reestruturar o programa em duas vertentes complementares e tecnologicamente correlatas. A primeira delas resultou no N-156F, concebido como um caça tático leve conhecido internamente como “Tally-Ho” , enquanto a segunda deu origem ao N-156T, configurado como aeronave de treinamento avançado. Este último rapidamente despertou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava substituir seus treinadores T-33 Shooting Star, já então tecnologicamente superados frente à nova geração de caças supersônicos. Após criterioso processo de avaliação,  foi selecionado como o novo treinador padrão, recebendo a designação oficial de Northrop T-38 Talon. O protótipo YT-38 realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Superada uma extensa campanha de testes, a aeronave foi aprovada para produção em série, totalizando 1.158 exemplares fabricados. As entregas tiveram início em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A solidez conceitual do projeto evidenciou-se ao longo das décadas seguintes. Programas sucessivos de modernização estrutural, atualização aviônica e reforço de célula permitiram que o T-38 permanecesse em serviço ativo por mais de meio século, formando gerações de pilotos militares. Apenas na segunda metade da década de 2020 iniciou-se seu processo gradual de substituição, encerrando um dos mais longevos ciclos operacionais da aviação de treinamento supersônica. Paralelamente, e apesar do reduzido entusiasmo inicial pela versão monoplace N-156F, a Northrop decidiu prosseguir com seu desenvolvimento por conta própria uma decisão empresarial arrojada. Esse esforço seria recompensado em um contexto geopolítico em transformação. Ao final da década de 1950, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, identificou a necessidade estratégica de disponibilizar a países aliados uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação. Tal iniciativa estava diretamente vinculada ao fortalecimento do Military Assistance Program (MAP), instrumento central da política externa norte-americana. Dessa demanda emergiu o chamado “Programa FX”, que previa a aquisição inicial de aproximadamente 200 aeronaves, além do financiamento para a construção de 03 protótipos destinados à avaliação comparativa. Diversas empresas apresentaram propostas; contudo, foi o N-156F  que demonstrou o melhor equilíbrio entre desempenho, simplicidade construtiva e viabilidade econômica. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, igualmente a partir da Base Aérea de Edwards. Após rigoroso programa de ensaios e comparações técnicas, a aeronave foi declarada vencedora da concorrência. 
No contexto da Guerra Fria, o fabricante alcançou um marco de grande impacto estratégico ao desenvolver o caça tático leve oficialmente designado F-5A, popularmente conhecido como Freedom Fighter (Combatente da Liberdade). O nome escolhido refletia ao objetivo em fornecer às nações aliadas, sobretudo às de menores recursos e em desenvolvimento, um avião de combate eficiente, de custos de aquisição e operação reduzidos, capaz de garantir sua defesa aérea num período de tensões decorrentes do expansionismo soviético. Foi concebido como solução robusta e econômica, alinhada aos objetivos do Programa de Assistência Militar (MAP) dos Estados Unidos, programa que visava reforçar a influência política e militar americana por meio da transferência de equipamentos a países parceiros. A Northrop assinou o primeiro grande contrato de produção em 26 de outubro de 1962, para a fabricação de cerca de 200 unidades, marcando o início de sua ampla adoção internacional. Ao longo das décadas seguintes, o Freedom Fighter tornou-se um dos principais caças exportados sob os termos deste programa, entrando em serviço nas forças aéreas de numerosos países, como Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Países Baixos, Coreia do Sul e Espanha um testemunho de sua versatilidade, simplicidade de manutenção e eficácia operacional. Com o avanço das exigências táticas e tecnológicas no final da década de 1960, seria promovida  uma revisão dos requisitos de aeronaves de combate para seus aliados, levando à criação do programa Improved International Fighter Aircraft (IFA) em 1969. O objetivo era desenvolver um sucessor para o F-5A/B com desempenho superior, especialmente em termos de potência, autonomia e capacidades em combate ar-ar. Após um processo de avaliação competitivo, a Northrop foi escolhida como vencedora com uma versão significativamente aprimorada do design original, inicialmente referida como F-5A-21 e posteriormente redesignada F-5E Tiger II. O primeiro protótipo do F-5E Tiger II realizou seu voo inaugural em 23 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards - AFB.  Projetado para superar limitações dos modelos anteriores como autonomia restrita e a ausência de radar  o Tiger II incorporou uma fuselagem alongada e aumentada para maior capacidade de combustível, asas com extensões de borda de ataque que melhoraram a manobrabilidade e aviônicos mais avançados, incluindo o radar Emerson Electric AN/APQ-153. Além disso, a aeronave podia ser equipada com sistemas de navegação inercial, TACAN (Tactical Air Navigation) e contramedidas eletrônicas (ECM), oferecendo versatilidade para atender às necessidades específicas de diferentes operadores. Esses desenvolvimentos consolidaram a aeronave, tanto nas versões F5-A quanto F-5E  como um dos caças leves mais bem-sucedidos e amplamente utilizados durante a após o  período da Guerra Fria, combinando desempenho, simplicidade e baixo custo operacional para uma vasta gama de forças aéreas ao redor do mundo.

A produção do F-5E e F-5F Tiger II alcançou, até 1987, um total de 1.399 unidades, divididas entre a versão monoplace  e a biplace . Contudo, a partir do final da década de 1980, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) iniciou sua substituição gradual  pelo General Dynamics F-16 Fighting Falcon, um caça multifuncional de quarta geração que oferecia avanços tecnológicos significativos. Porém em seu pais de origem uma pequena parcela da frota ainda se manteria em operação, continuando a  desempenhar um papel importante na Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), especialmente na função de “Agressor”. Nesse papel, as aeronaves simulavam caças adversários em exercícios de treinamento, ajudando a preparar pilotos para enfrentar ameaças reais.  Apesar da defasagem em relação às aeronaves mais modernas, manteve sua relevância devido a características que continuavam a destacá-lo no cenário aeroespacial. Apresentava uma combinação única de baixo custo operacional, alta manobrabilidade e uma assinatura radar reduzida, atributos que o tornavam competitivo mesmo em ambientes de combate dominados por caças de quarta geração. Essas qualidades incentivaram diversos operadores a investir em programas de modernização, com o objetivo de prolongar a vida útil das células e atualizar suas capacidades de combate. A Força Aérea da República de Singapura (RSAF) foi pioneira na implementação de um ambicioso programa de modernização em 1991 para sua frota de F-5E/F, envolvendo a  adoção do moderno radar FIAR Grifo-F da Galileo Avionica (similar em desempenho aos modelos AN/APG-69), aviônicos de última geração, atualização dos sistemas de navegação e autodefesa, além da integração sistemas de armas mais modernos como os mísseis israelenses  ar ar de curto alcance Rafael Python e norte-americanos de longo alcance (BVR além do alcance visual) AIM-120 AMRAAM. Os resultados foram extremamente positivos, revitalizando a frota de Singapura e demonstrando o potencial do F-5E/F como uma plataforma versátil e adaptável. Em seguida a Força Aérea Chilena (FACH) lançaria um programa similar de modernização para suas aeronaves, com a concorrência sendo vencida em uma parceria entre a Empresa Nacional de Aeronáutica - ENAER e a israelense Israel Aircraft Industries - IAI, com seu protótipo sendo apresentado na edição de 1993 na Feira Aeronáutica Le Bourget na França. O resultado deste processo despertaria atenção no evento pois tecnicamente representava a versão mais ousada em termos de atualização efetivada até o momento, empregava em sua concepção sistemas e equipamentos oriundos do projeto do caça de quarta geração israelense  IAI LAVI, destacando-se o radar multimodo Elta EL/M-2032B (com capacidade look down shot down), Head Up Display El-Op , dois displays multi função Astronautics, barramento digital MIL-STD 1553B, conceito dispositivo de manche e manete de potência combinados (HOTAS), e sensores sistemas de  defesa passiva do tipo RWR/ECM integrados com lançadores de chaff/flare. 
O projeto de modernização chileno envolveu a atualização de 14 células, que receberam a nova designação Tiger III. A modernização incluiu a integração de um computador central avançado, responsável por coordenar os sistemas aviônicos e de armas. Entre os destaques estava o sistema de armamento ar-ar, equipado com mísseis israelenses de curto alcance Shafrir e Python III, amplamente reconhecidos por sua precisão e confiabilidade. Além disso, as aeronaves foram adaptadas para operar o míssil Rafael Derby, de alcance além do visual (Beyond Visual Range – BVR), conferindo capacidade de engajamento a longa distância, uma característica essencial em cenários de combate modernos. Essa atualização foi complementada pela introdução de aviônicos de ponta, incluindo o sistema de mira montado no capacete DASH (Display and Sight Helmet System), fabricado por Israel. O DASH permitia aos pilotos direcionar os mísseis Python IV, uma evolução do Python III, com maior agilidade e precisão, simplesmente movendo a cabeça para alinhar o alvo. Essa tecnologia, combinada com os novos sistemas de armas, transformou o Tiger III em uma plataforma altamente competitiva, capaz de enfrentar adversários mais avançados. O valor das aeronaves modernizadas foi comprovado durante o exercício multinacional SALITRE, realizado em 2004 no Chile. Durante os combates simulados, os F-5E/F Tiger III da FACH, equipados com o sistema DASH e mísseis Python IV, enfrentaram caças General Dynamics F-16C Fighting Falcon operados por experientes pilotos do 198º Esquadrão de Caça (Fighter Squadron) da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Os Tiger III alcançaram índices de sucesso notáveis, demonstrando que, mesmo sendo um projeto da década de 1970, a modernização permitiu que essas aeronaves competissem de igual para igual com caças de quarta geração. Esse desempenho reforçou a reputação do F-5 como uma plataforma versátil e adaptável, capaz de se manter relevante em cenários de combate modernos. O sucesso do programa chileno inspirou outras nações a investirem em iniciativas semelhantes de modernização e retrofit das suas frotas de F-5 Tiger II. Até o início da década de 2020, cerca de doze países, incluindo Brasil, Tailândia, Singapura e Taiwan, implementaram programas para atualizar suas células operacionais. A longevidade do Northrop F-5 Tiger II, que completou quase 45 anos de serviço desde sua entrada em operação na década de 1970, é um testemunho de seu design robusto e flexível. Originalmente concebido como um caça leve de baixo custo, o F-5 evoluiu para atender às demandas de um cenário aeroespacial em constante transformação, mantendo-se relevante em missões de defesa aérea, ataque leve e treinamento avançado. O sucesso do Tiger III chileno e de outros programas de modernização reflete o compromisso de nações ao redor do mundo em preservar a eficácia desse caça, que continua a voar com orgulho, carregando o legado de gerações de pilotos e técnicos dedicados à defesa de seus países.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No final da década de 1990, a aviação de caça atravessava um período de crescente defasagem tecnológica, com sua frota  composta por 65 aeronaves, distribuídas entre os caças F-103E Mirage III e F-5E Tiger II, modelos de segunda e terceira gerações que, embora tivessem desempenhado papel fundamental na defesa aérea nacional desde as décadas de 1970 e 1980, já não atendiam plenamente às exigências do combate aéreo moderno. Essa realidade tornou-se evidente durante exercícios multinacionais realizados, quando os caças brasileiros passaram a operar ao lado de aeronaves de gerações mais avançadas, como o  Mirage 2000 e o F-16C/D Fighting Falcon. Essas operações evidenciaram limitações significativas, sobretudo a incapacidade de realizar combates além do alcance visual (BVR), capacidade considerada indispensável na guerra aérea contemporânea. A ausência de radares multimodo modernos, mísseis ar-ar de longo alcance e aviônicos integrados reduzia sensivelmente a capacidade operacional dos vetores . A situação era ainda mais preocupante no caso dos F-103E, incorporados no início da década de 1970, que após quase três décadas de serviço, aproximavam-se do limite de sua vida útil estrutural, apresentando sinais de fadiga nas células e custos de manutenção cada vez mais elevados. Diante desse cenário, definiu-se como prioridade a aquisição de uma nova geração de caças multimissão capazes de substituir os vetores em uso naquele momento. Estimava-se a necessidade de incorporar, em médio prazo, pelo menos cinquenta aeronaves de quarta geração para assegurar a capacidade de defesa do espaço aéreo brasileiro. Esse objetivo começou a se concretizar em julho de 2000, com a aprovação do Programa de Fortalecimento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, que tinha no Projeto FX BR seu principal componente voltado à renovação da aviação de caça. Com orçamento inicial estimado em US$ 700 milhões, o programa previa a aquisição de 12 a 24 caças de superioridade aérea, destinados a fortalecer o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA) e substituir, em caráter prioritário, os F-103E Mirage III. O Ministério da Defesa conduziu um criterioso processo de avaliação técnica e operacional, analisando propostas dos principais fabricantes mundiais. Entre os concorrentes figuravam o Dassault Mirage 2000-5, o Lockheed Martin F-16C/D Fighting Falcon, o Sukhoi Su-30 e o Saab JAS 39 Gripen, entre outros modelos. Ao término dessa fase, foi elaborada uma short list com as aeronaves consideradas mais compatíveis com os requisitos operacionais, tecnológicos e orçamentários estabelecidos .Entretanto, apesar do avanço alcançado e da existência de linhas de financiamento internacional que reduziriam o impacto imediato sobre o orçamento federal, o Programa FX BR foi interrompido em 2002 com a mudança de governo. A nova administração optou por cancelar o processo de aquisição, priorizando recursos para outras áreas consideradas estratégicas em termos sociais.

Diante desse cenário, o Comando da Aeronáutica (CoMaer) optou por adotar uma estratégia de transição baseada em duas iniciativas, buscando preservar a capacidade operacional  até que fosse possível concretizar a aquisição de um novo vetor. A primeira iniciativa consistia na aquisição de um pequeno lote de caças  usados Mirage 2000, com a segunda sendo dedicada a estudos  destinados à modernização da frota dos F-5E/F Tiger II, visando prolongar a vida útil dessas aeronaves e elevar significativamente suas capacidades, inspirando-se no bem-sucedido programa de modernização realizado pela Força Aérea do Chile em seus F-5 Tigre III.  Foi nesse contexto que surgiu o Programa F-5BR, que receberia em 30 de dezembro de 2001 uma aprovação de investimento na ordem  de US$ 285 milhões destinado ao retrofit estrutural e à modernização de 46 aeronaves, compreendendo 43 F-5E e 03 F-5F.  Os trabalhos seriam executados pela Embraer nas instalações de Gavião Peixoto (SP), em estreita cooperação com o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMASP) e com o suporte tecnológico da Elbit Systems. Entre as principais inovações incorporadas destacava-se o radar multimodo Grifo F/BR (Grifo-X P2803), desenvolvido pela então Galileo Avionica, equipado com tecnologia pulso-Doppler e capacidade look-down/shoot-down. Esse sistema permitia detectar, rastrear e engajar aeronaves voando em baixa altitude contra o fundo do terreno, além de proporcionar capacidade de emprego de armamentos além do alcance visual (BVR), representando um salto qualitativo nas capacidades de combate. A cabine foi completamente redesenhada segundo o conceito glass cockpit, recebendo três mostradores multifuncionais coloridos (MFD), um moderno Head-Up Display (HUD) e iluminação compatível com o uso de óculos de visão noturna (NVG), proporcionando melhor integração entre piloto e sistemas de bordo e reduzindo significativamente a carga de trabalho durante as missões. Os sistemas de comunicações também foram  atualizados por meio da instalação de rádios digitais V/UHF da Rohde & Schwarz, associados a um sistema de enlace de dados (Data Link), permitindo o intercâmbio seguro de informações táticas com as aeronaves de alerta aéreo antecipado R-99A/B e os caças leves A-29 Super Tucano, ampliando a consciência situacional e a interoperabilidade entre diferentes meios da força. Outro importante avanço foi a incorporação de tecnologias típicas de caças de quarta geração. Entre elas destacava-se o sistema israelense DASH IV (Display and Sight Helmet), um visor integrado ao capacete que possibilitava ao piloto designar alvos simplesmente direcionando o olhar, aumentando significativamente a eficácia no emprego de mísseis ar-ar de curto alcance. O programa também incorporou o sistema AACMI (Autonomous Air Combat Maneuvering Instrumentation), destinado ao monitoramento e avaliação de exercícios de combate aéreo, além de modernos sistemas de planejamento de missão e treinamento virtual, que elevaram substancialmente a qualidade da instrução operacional.
Na área de navegação e controle de voo, foram introduzidos o conceito HOTAS (Hands On Throttle and Stick), computadores de missão de alto desempenho e um sistema integrado de navegação inercial e por satélite (INS/GPS), proporcionando maior precisão na navegação, melhor gerenciamento dos sistemas embarcados e maior eficiência durante missões de elevada complexidade. A sobrevivência em combate também recebeu atenção especial, passando a contar com um conjunto de guerra eletrônica composto por receptores de alerta radar (RWR), sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM) e lançadores de chaff e flare, capazes de aumentar significativamente a proteção da aeronave contra radares de vigilância, mísseis guiados por radar e armas com guiagem infravermelha (IR).  Contemplava-se ainda, ampla revisão estrutural, considerada uma etapa indispensável para assegurar sua permanência em serviço por um período adicional estimado entre 15 e 20 anos. Cada célula foi submetida a um criterioso processo de inspeção, recuperação e reforço estrutural, abrangendo componentes críticos, como a fuselagem, as asas e os pontos de maior concentração de esforços mecânicos. Essa etapa compreendeu a padronização completa da frota , eliminando as diferenças entre os dois lotes de aeronaves adquiridos  e unificando sua configuração, o que simplificou a manutenção, a logística e o treinamento. Entre as modificações estruturais de maior relevância destacou-se a instalação da sonda fixa de reabastecimento em voo nas aeronaves pertencentes ao segundo lote, adquirido em 1988, conferindo a todos os F-5EM/FM a capacidade de reabastecimento em voo. Em 21 de fevereiro de 2001 seriam entregues ao fabricante um F-5E e F-5F destinados a servirem de protótipos do programa, sendo submetidas a extensos testes para validar as atualizações estruturais e tecnológicas previstas. O primeiro voo do protótipo biplace F-5FM, ocorreu em 4 de dezembro de 2003, seguido pelo voo do protótipo monoplace F-5EM em 16 de junho de 2004. Em 21 de setembro de 2005, seria realizada a entrega oficial da primeira aeronave modernizada, o  F-5EM de matrícula FAB 4586, em uma cerimônia realizada na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa aeronave, alocada ao 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa), tinha uma história singular: tratava-se da primeira célula produzida, que realizou seu voo inaugural em 11 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards, Califórnia. Para reforçar sua frota e compensar a baixa quantidade de aeronaves biplace, essenciais para treinamento,  negociou, em 2007, a aquisição de 11 caças usados da Real Força Aérea Jordaniana. O acordo incluiu 08 F-5E e 03 F-5F, sendo a entrega das células biplace uma condição obrigatória para a concretização da compra. Enquanto os F-5F foram modernizados para o padrão F-5FM, integrando-se às operações do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e outras unidades, as células monoplace foram destinadas principalmente como fonte de peças sobressalentes, garantindo a sustentabilidade da frota modernizada.

Muito além da atualização da aviônica e da extensão da vida útil das células, o Programa F-5BR transformou profundamente a capacidade de combate da aeronave ao integrá-la a uma nova geração de armamentos inteligentes e sistemas de missão. Entre as principais incorporações destacavam-se os mísseis ar-ar de curto alcance Python-4, dotados de elevada capacidade de manobra e integração com o sistema de mira montado no capacete (DASH IV). A modernização também preparou a aeronave para o emprego de armamentos de médio alcance com capacidade de engajamento além do alcance visual (BVR), ampliando significativamente seu potencial em missões de superioridade aérea. No campo do ataque ao solo,  passaram a operar bombas guiadas por laser (LGB) e kits israelenses Lizard, compatíveis com as bombas convencionais Mk-82 e Mk-84, proporcionando elevado grau de precisão em missões de ataque. Complementando esse conjunto de capacidades, foram incorporados modernos pods israelenses de missão, entre eles o Rafael Litening III, destinado à navegação, reconhecimento e designação de alvos por sensores eletro-ópticos, infravermelhos e laser, além do pod de guerra eletrônica Rafael Sky Shield, responsável por ampliar significativamente a proteção da aeronave contra ameaças eletrônicas e sistemas antiaéreos inimigos.   Outro aspecto de grande relevância foi sua integração  aos demais vetores da consolidando o conceito de operações em rede (Network Centric Warfare). Por meio do sistema de enlace de dados, os caças passaram a compartilhar informações em tempo real com as aeronaves de alerta aéreo antecipado  E-99, as plataformas de sensoriamento remoto R-99, os aviões de ataque A-29  e A-1M . Essa capacidade permitiu  desenvolver e aperfeiçoar o conceito de "ataque por pacotes", no qual diferentes aeronaves, desempenhando funções complementares, atuam de forma integrada em missões de elevada complexidade, maximizando a eficiência operacional e reduzindo a exposição aos sistemas de defesa inimigos. A incorporação dessas novas capacidades impulsionou uma profunda evolução doutrinária, com os F-5EM passando a protagonizar exercícios voltados ao combate ar-ar além do alcance visual (BVR), explorando intensamente o emprego combinado de radares multimodo, sistemas de enlace de dados e vetores de alerta aéreo antecipado. A consolidação desse processo evolutivo ocorreu em junho de 2008, quando o 1º/14º GAv – Esquadrão Pampa  participou do  exercício multinacional Red Flag,  na Base Aérea de Nellis, considerado um dos mais exigentes exercícios de combate aéreo, simulando cenários de guerra de alta intensidade, envolvendo ameaças aéreas, sistemas antiaéreos integrados, guerra eletrônica e operações conjuntas entre forças multinacionais. Na ocasião, 06 F-5EM realizaram aproximadamente 200 missões, acumulando cerca de 500 horas de voo, com uma média de dez surtidas diárias, apresentando elevados índices de disponibilidade  e desempenho quando confrontado com aeronaves de quarta geração. 
Em 12 de dezembro de 2010, o F-5EM passou a equipar o 1º/4º GAv – Esquadrão Pacau, então sediado na Base Aérea de Fortaleza (CE). Poucos anos depois, em decorrência da reestruturação do dispositivo operacional  na Região Amazônica, a unidade foi transferida para a Base Aérea de Manaus (AM), passando a desempenhar papel fundamental na defesa do espaço aéreo da Amazônia Legal. Sua incorporação representou um marco histórico para o Esquadrão Pacau, que deixou de operar os tradicionais AT-26 Xavante, empregados desde a década de 1970 em missões de treinamento avançado e defesa aérea de baixa intensidade. Entretanto, a evolução da aviação de caça brasileira enfrentaria um novo desafio em 2013. Naquele ano, os interceptadores F-2000C Mirage do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) foram  retirados prematuramente de serviço, criando uma  lacuna na defesa aérea do Planalto Central, particularmente na missão de proteção da Capital Federal e das principais áreas estratégicas do país. Para preservar a capacidade operacional do 1º Grupo de Defesa Aérea, o Comando da Aeronáutica decidiu reequipar a unidade com o F-5EM, transferindo para essa aeronave a responsabilidade pela missão de alerta de defesa aérea.  Naturalmente, a transição exigiu adaptações doutrinárias e operacionais. O Mirage 2000 havia sido concebido especificamente para missões de interceptação de alta velocidade e elevada altitude, enquanto o F-5EM destacava-se pela elevada manobrabilidade, pela versatilidade de emprego e pela capacidade de operar em um ambiente de combate centrado em redes. Essas características permitiram ao 1º GDA manter elevados níveis de prontidão operacional até a introdução da nova geração de aeronaves de caça. A substituição definitiva começou a tomar forma com a chegada dos primeiros Saab F-39E Gripen em 2021, que após um intenso período de ensaios, certificações e treinamento operacional, a aeronave passou gradualmente a assumir as missões de defesa aérea anteriormente desempenhadas , atingindo sua capacidade operacional inicial ao longo dos anos seguintes e inaugurando uma nova fase na aviação de caça brasileira. Nos anos seguintes como consequência do recebimentos mais células do F-39, seria iniciado um gradativo processo de desativação dos F-5EM. Embora o cronograma definitivo de retirada de serviço permaneça condicionado ao ritmo de entrega dos caças Saab F-39E/F Gripen, a expectativa é que os últimos F-5EM sejam desativados até o final da década de 2020. Quando esse momento ocorrer, chegará ao fim uma das mais longevas e bem-sucedidas trajetórias operacionais da história da Força Aérea Brasileira (FAB), marcada pela capacidade de adaptação, pela evolução tecnológica e pelo notável aproveitamento de uma plataforma que se consolidou como símbolo da aviação de caça nacional.

Em Escala.
Para representarmos o F-5EM Tiger II “FAB "4834 “, empregamos o antigo kit da Monogram, na escala 1/48, que infelizmente apresenta suas linhas em alto-relevo, sendo na época a única opção disponível (hoje sem dúvida o novo modelo do fabricante AFV representa a melhor opção em termos de detalhamento e linhas em baixo relevo). Para adequarmos este modelo, adicionamos itens como a barbatana dorsal confeccionada em plasticard , sonda de reabastecimento em voo , receptores de aviso de radar (RWR), e dispensers dos lançadores de chaff e flares. Para configurar o pacote de armamentos confeccionamos os misseis Rafael Derby em scratch e usamos os mísseis  Python III em resina confeccionados pela  Paragon Models. Utilizamos  decais pertencentes ao  conjunto Set 48/08 impresso pela  FCM Decals. 
O esquema de camuflagem aplicado aos Northrop F-5EM Tiger II modernizados pela Força Aérea Brasileira (FAB) reflete uma abordagem funcional e estratégica, projetada para otimizar a sobrevivência da aeronave em cenários de combate e adaptá-la às condições operacionais do Brasil. A pintura dos F-5EM utiliza tintas foscas para reduzir reflexos e melhorar a camuflagem. Após a modernização, as aeronaves receberam um revestimento anticorrosivo, essencial para operações em ambientes úmidos como a Amazônia. Existiram pequenas variações referentes a aplicação das marcações exclusivas das cinco unidades que empregam o modelo.

Bibliografia :
- Os Tiger Afiam suas Garras - Carlos Lorch - Revista Força Aérea Nº3
- Northrop F-5 Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- História da Força Aérea Brasileira, Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Mike , um Novo Vetor de Armas – Jose Leandro P- Casella – Revista Força Aérea Nº 45
- Os F-5M da FAB – Defesa BR  http://www.defesabr.com/Fab/fab_f5br.htm