História e Desenvolvimento.
Do ponto de vista da engenharia automotiva com aplicação militar, a Segunda Guerra Mundial representaria um período de evolução sem igual. Em um intervalo de seis anos, exércitos que ainda utilizavam a cavalaria de forma literal com cavalos seriam substituídos por divisões blindadas com carros de combate com peso de até 76 toneladas. Na ponta de lança dessa corrida tecnológica estava a Alemanha e sua já prestigiada indústria automotiva, que ao longo do conflito conceberia e produziria em larga escala lendários modelos de carros de combate, os "Panzer ou Panzerkampfwagen". Estes em maciço conjunto com veículos blindados especializados e de transporte de tropas seriam as ferramentas empregadas na doutrina Blitzkrieg (Guerra Relâmpago), que em combate rompiam rompiam os pontos frágeis das defesas inimigas e os exploravam com velocidade atordoante, garantindo nas fases iniciais da guerra retumbantes vitórias. No entanto apesar de deterem a vantagem tecnológica, os Panzers seriam superados em números por seus rivais norte americanos no front ocidental ou pelos eficientes T-34 soviéticos no leste europeu. A rendição incondicional seria assinada no dia 7 de maio de 1945, com pais sendo dividido entre os aliados ocidentais e a União Soviética. Neste contexto a Alemanha Ocidental permaneceria completamente desmilitarizada, sendo proibida pela regulamentação dos termos da rendição de constituir instituições militares, mesmo para autodefesa, com sua outrora pujante indústria automotiva passando a focar seus esforços no mercado comercial. No entanto o antigo território alemão seria transformado em uma região de grande tensão, representando a principal linha de frente no conflito da Guerra Fria, entre as forças do Pacto de Varsóvia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Este cenário levaria junto ao comando a decisão de se revisionar o conceito da proibição de constituição de forças de defesa da Alemanha Ocidental, tendo em vista a necessidade de se reforçar as defesas da região, para assim fazer frente a constante ameaça representadas pelas forças dos países do bloco soviético. Desta maneira no dia 12 de novembro de 1955 seria promulgada dentro da constituição, as normativas que constituiriam a nova estrutura das forças armadas da República Federal da Alemanha, sendo composta pelo Deutsches Heer (Exército), Deutsche Marine (Marinha) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea). De imediato seria iniciado um vasto programa de rearmamento, sendo fornecidos principalmente, equipamentos, armas, veículos, aeronaves, navios, blindados, e carros de combate de origem norte-americana. Em termos de carros de combate, o exército passaria a ser equipado , com uma respeitável frota composta pelos modelos M-41 Walker Buldog, M-47 e M-48 Paton. Porém neste mesmo momento, estes carros de combate já se mostravam inadequados frente as ameaças representadas pelos modelos T-44, T-54 e T-55 que equipavam o Pacto de Varsóvia. A solução para atendimento a esta demanda ainda neste momento não estava disponível para emprego junto aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar de existirem projetos em desenvolvimento como o norte-americano MBT T-95.
Esta realidade motivaria o governo alemão a retomar sua indústria de defesa, sendo iniciados estudos ao final desta década, visando assim o desenvolvimento de projetos nacionais englobando uma variada gama de veículos blindados, desde carros de combate, transporte e versões especializadas de serviço. No que tange a carros de combate, os esforços seriam direcionados ao desenvolvimento de um MBT (Main Battle Tank), com suas especificações de projeto sendo definidas em 1956, sendo baseadas na necessidade de se superar os novos T-54 e T-55. Estas abrangiam um veículo na ordem de mais trinta toneladas, devendo ter alta mobilidade como prioridade em detrimento ao poder de fogo, e por isso sendo dotado com um canhão de 105 mm. Vários norteamentos seriam sugeridos, se destacando o programa “Europa Panzer”, um consórcio formado em 1958 por Alemanha, França e Itália. Diversas propostas seriam apresentadas, com os primeiros protótipos sendo disponibilizados em 1960, com o modelo Porsche 734 sendo declarado vencedor. Esta decisão, no entanto, levaria a repercussões de ordem política e motivado por sentimentos nacionalistas o governo da França decidiu abandonar o consorcio, optando em desenvolver um veículo novo totalmente nacional, com este processo culminando no desenvolvimento e produção carro de combate principal AMX 30. A seguir o modelo a ser produzido pela Dr. Ing. H.C. F. Porsche AG seria batizado como Leopard I, e apresentava o mesmo layout convencional compartilhado com vários outros tanques pós Segunda Guerra Mundial, com o compartimento do motorista localizado na frente (no lado direito, acessado por uma escotilha no teto do casco que se abre para a esquerda) compartimento de combate com uma torre giratória no centro (o comandante e o artilheiro estão sentados na metade direita da torre e acessam suas posições a partir de uma escotilha de peça única no teto da torre, no lado direito), enquanto o carregador pega a metade esquerda (e é fornecido com sua própria escotilha de abertura traseira) e compartimento do motor na parte traseira do casco, separado do compartimento da tripulação com uma antepara à prova de fogo. Seu artilheiro se posicionaria na frente e abaixo do comandante e é fornecido com um único periscópio de observação voltado para a frente e as miras principais; estes consistem em um telêmetro estereoscópico Turmentfernungsmesser (TEM) 1A (comprimento base de 1.720 mm com um modo de coincidência) que tem uma ampliação selecionável de ×8 ou ×16 e está ligado ao canhão principal, bem como uma mira telescópica TZF 1A coaxial (ampliação de ×8) que possui uma retícula móvel para vários tipos de munição. O veículo seria alimentado por um motor diesel superalimentado MTU MB 838 Ca-M500 que desenvolve aprox. 610 quilowatts (820 hp) a 2.200 rpms. Este é um motor de 37,4 litros, dez cilindros e quatro tempos refrigerado a líquido na configuração V-90 com capacidade multicombustível, mas que normalmente funcionava com óleo diesel (designação da OTAN F-54) consumindo aprox. 190 litros por 100 km. O motor, juntamente com seu sistema de refrigeração, é acoplado a um "powerpack" com um sistema de transmissão 4HP-250, construído pela ZF, que possui um conversor de torque hidráulico, embreagem de travamento, caixa de câmbio planetária e mecanismo de giro de pivô (para cada uma das marchas).

Para atender aos rigorosos requisitos de mobilidade estabelecidos, o Leopard 1 foi concebido com uma blindagem relativamente leve, composta por placas de aço soldadas de diferentes espessuras e geometrias, enquanto sua torre era inteiramente fundida em peça única. A proteção da tripulação foi reforçada pela incorporação de um sistema automático de supressão de incêndio dotado também de acionamento manual de emergência e de um moderno sistema de proteção NBC (Nuclear, Biológica e Química), capaz de manter o compartimento de combate sob sobrepressão e filtrar o ar admitido, reduzindo significativamente os riscos decorrentes da contaminação do ambiente externo. Embora priorizasse a mobilidade em detrimento da blindagem pesada, o projeto oferecia um nível de proteção considerado adequado para a época, sendo capaz de resistir a impactos de munições perfurantes de calibre até 20 mm em qualquer direção. Essa filosofia permitiu ao veículo alcançar velocidades de até 65 km/h em terreno variado, desempenho significativamente superior ao da maioria dos carros de combate contemporâneos. O armamento principal escolhido foi o canhão britânico Royal Ordnance L7A3, de 105 mm e alma raiada, empregado pelos países membros da OTAN. O veículo transportava um total de sessenta munições de diversos tipos, das quais quarenta e duas eram armazenadas em um compartimento localizado no casco, à esquerda da posição do motorista. Outras três munições permaneciam prontas para uso imediato em um suporte de acesso rápido, enquanto as quinze restantes eram acondicionadas na torre, assegurando elevado poder de fogo e rapidez no reabastecimento do armamento principal durante o combate. Para autodefesa, o carro era equipado com duas metralhadoras MG 1 calibre 7,62 mm posteriormente substituídas pelas mais modernas MG3. Uma delas era montada coaxialmente ao canhão principal, dispondo de uma dotação de 1.250 cartuchos, enquanto a segunda era instalada externamente sobre a escotilha do atirador, podendo ser empregada contra alvos terrestres ou aeronaves voando a baixa altitude. Complementando seu sistema defensivo, a torre possuía dois conjuntos de quatro lançadores de granadas fumígenas acionados eletricamente, instalados em ambos os lados, capazes de disparar individualmente ou em salva para criar cortinas de fumaça e dificultar a observação e o engajamento pelo inimigo. Quatro protótipos foram construídos e submetidos a um extenso programa de testes operacionais e de avaliação técnica. Os resultados demonstraram plenamente a viabilidade do projeto, levando à sua homologação pela comissão de avaliação . Em fevereiro de 1963, o Ministro da Defesa, o Kai-Uwe von Hassel, solicitou ao Comitê de Defesa do Parlamento Federal a aprovação da produção em série do novo carro de combate, cujo custo unitário era estimado em aproximadamente US$ 250.000. Atendendo a essa solicitação, em julho do mesmo ano foi celebrado um contrato entre o Ministério da Defesa da Alemanha Ocidental e a Krauss-Maffei para a produção de 1.500 exemplares do novo carro de combate, que receberia a designação oficial de Leopard 1. A fabricação seria realizada nas instalações da empresa na cidade de Munique. Conforme o cronograma estabelecido, os dois primeiros lotes de produção, totalizando 100 carros, foram entregues ao Exército Alemão (Deutsches Heer ) entre setembro de 1965 e junho de 1966.
Seu emprego operacional revelaria qualidades de projeto, passando a despertar o interesse de outras nações pelo modelo (além da Itália), gerando assim grandes contratos de exportações para a Bélgica, Holanda, Noruega, Itália, Dinamarca, Austrália, Canada, Turquia e Grécia. Em 1968, logo após que o último veículo das quatro primeiras séries de produção foi entregue, seria deflagrado no início da década de 1970 um programa de atualização que receberia a designação de Leopard 1A1. Este processo envolvia a adoção de um novo sistema de estabilização de canhão da Cadillac Gage (estabilização total em elevação e rotação, bem como elevação motorizada de -9 ° a + 20 °) que permitiu que o tanque disparasse efetivamente em movimento. Passaria a fazer uso de saias de metal-borracha ao longo dos flancos do casco para proteger contra ogivas HEAT, e o cano da arma seria envolto em uma jaqueta para reduzir o desvio das cargas térmicas. A esteira foi alterada para um tipo de pino duplo D640A com almofadas de borracha retangulares destacáveis em vez da esteira Diehl D139E2 de pino duplo anterior com bandas de rodagem vulcanizadas. As almofadas de borracha das novas pistas podem ser facilmente substituídas por garras de metal em forma de X para movimento no gelo e na neve. 20 garras foram fornecidas para cada tanque e armazenadas em suportes no glacis superior do casco dianteiro quando não estavam em uso. Seria desenvolvido um novo snorkel que permitiu a condução subaquática a uma profundidade de 4 metros após selar o tanque com tampões especiais. Os periscópios de visão noturna infravermelhos ativos do motorista e do comandante foram substituídos por miras noturnas passivas de intensificação de imagem. Entre os anos de 1975 e 1977, todos os carros dos primeiros quatro lotes seriam elevados para o padrão Leopard 1A1, e receberiam uma blindagem adicional na torre desenvolvida pela Blohm & Voss, que consistia em placas de aço revestidas de borracha aparafusadas à torre (incluindo a cesta da torre traseira) com espaçadores resistentes a choques. O mantelete do canhão receberia uma tampa blindada em forma de cunha feita de chapas de aço soldadas e o sistema de admissão de ar do motor foi aprimorado. Assim, os veículos atualizados passariam a pesar um total de 42,4 toneladas. Vislumbrando um potencial de mercado para o atendimento de seus clientes de exportação, a Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG, passaria a produzir um kit de atualização, logrando êxito em comercializar centenas destes a diversos países operadores do modelo. Neste processo alguns clientes optariam por incluir uma armadura de torre adicional desenvolvida pela Blohm & Voss, que em termos de design se diferiria do Leopard 1A1 alemão, alterando assim a estética visual do veículo. Uma atualização na década de 1980 adicionaria um sistema híbrido de mira e observação LLLTV / IR passivo, que estava sendo semelhantes aos empregados nos novos Leopard 2 (que sem encontravam em produção) à medida que eram atualizados para termovisores. O sistema de televisão de baixo nível de luz PZB 200 (LLLTV) com scanner infravermelho IRS 100 seria desenvolvido pela AEG-Telefunken e montado em uma gaiola protetora no mantelete, acima da arma principal, criando o modelo Leopard 1A1A2.
Este sistema combinava uma câmera LLTV, um tipo de dispositivo de intensificação de imagem que produzia uma imagem de TV nos monitores do comandante e do artilheiro, acoplado a um scanner IR (sensível a diferenças térmicas nos comprimentos de onda de 3-5 μm e baseado em um detector PbSe) que sobreporia a imagem IR processada sobre o sinal LLLTV para melhorar a detecção e identificação do alvo, passariam ainda a contar com novo sistema de rádio digital SEM80/90. Os primeiros 232 tanques do quinto lotem de produção foram entregues como Leopard 1A2 entre 1972 e 1974. O A2 incluía uma torre fundida blindada mais pesada e melhor, visualmente difícil de distinguir do tipo anterior. A diferença mais notável foram as caixas blindadas ovais, em oposição às redondas, para a ótica da mira de telêmetro TEM. Os Leopard 1A2 não foram sujeitos a mais atualizações de blindagem, assim como o 1A1, mas receberiam melhorias em seu sistema de proteção NBC. Os próximos 110 veículos pertencentes ao quinto lote de produção foram equipados com um novo tipo de torre soldada projetada pela Blohm & Voss, que foi equipada com blindagem espaçada (consistindo em duas placas de aço com um enchimento de plástico entre elas) e um mantelete de canhão em forma de cunha, resultando no Leopard 1A3. Embora o nível de proteção da blindagem fosse equivalente às torres fundidas do A2 anterior, o volume interno foi aumentado em 1,5 m3 e o nível de proteção efetiva foi aumentado. As atualizações subsequentes foram paralelas aos modelos 1A2: o 1A3A1 com miras noturnas aprimoradas, o 1A3A2 com os novos rádios e o 1A3A3 com ambos. O Leopard 1A4 formou o sexto lote de 250 veículos (215 fabricados pela Krauss-Maffei e 35 pela MaK), começando a ser entregue em 1974. O 1A4 era externamente semelhante ao 1A3, mas incluía um novo sistema integrado de controle de fogo. Isso consistia em uma mira independente PERI R12 estabilizada para o comandante, um novo telêmetro estereoscópico EMES 12A1 acoplado à mira primária do artilheiro, um canhão principal totalmente estabilizado e um computador balístico FLER HG. Muitos desses sistemas foram derivados do programa Leopard 2. Embora o EMES 12A1 ainda fosse apenas um telêmetro óptico (o telêmetro a laser desejado ainda estava em desenvolvimento), ele era usado para aquisição de alvos e conectado ao computador balístico, que produziria automaticamente um ângulo de ataque assim que o alcance fosse medido e várias outras entradas balísticas fossem calculadas. Essa solução reduziu o tempo entre a aquisição do alvo e o engajamento e aumentou a probabilidade de acerto na primeira rodada. As entregas finais do Leopard 1A4 para a Exército Alemão (Deutsches Heer ) ocorreram em 1976 e marcariam a conclusão da produção para a Alemanha. O próximo estágio evolutivo seria representado pelo Leopard 1A5m que foi concebido no intuito de rivalizar novos blindados soviéticos T-64, T-72/M1 e T-80. Para cumprir essa nossa missão, recebeu aperfeiçoamentos na capacidade de combate noturno e sob mau tempo, outro ponto aperfeiçoado foi sua capacidade de efetuar disparos contra alvos em movimento, garantindo assim maior mobilidade e flexibilidade no campo de batalha. As primeiras unidades foram entregues em 1987 com grande parte dos 4.744 veículos construídos anteriormente sendo elevados a este patamar, tornando esta versão a padrão. Emprego no Exército Brasileiro.
A implementação da arma blindada moderna ganhou impulso decisivo durante a Segunda Guerra Mundial, quando o país passou a receber, por intermédio dos acordos de cooperação militar, centenas de carros de combate dos modelos M-3 Stuart, M-3 Lee e M-4 Sherman. Essa expressiva frota, particularmente significativa para os padrões sul-americanos da época, proporcionou um considerável incremento das capacidades operacionais, permitindo a formação de várias unidades blindadas. Entretanto, o acelerado avanço tecnológico observado no período pós-guerra rapidamente reduziu a eficácia desses veículos. Em poucos anos, os blindados que haviam representado o estado da arte passaram a ser considerados obsoletos frente às novas gerações de carros de combate. Diante desse cenário, tornou-se necessária a implementação de um novo ciclo de renovação. Nesse contexto, em meados da década de 1960, o Exército Brasileiro passou a receber, nos termos do Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (MAP), os primeiros carros de combate M-41 Walker Bulldog. Ao substituir ou complementar os veteranos M-4 e M-4A1 Sherman, M-3 Lee e M-3/M-3A1 Stuart, esses veículos proporcionaram às tripulações brasileiras contato direto com tecnologias significativamente mais avançadas, incluindo torres com acionamento hidráulico, sistemas de visão noturna por infravermelho presentes nas versões M-41A3 , canhões de maior desempenho e sistemas de pontaria mais precisos. Todavia, a rápida evolução dos sistemas de armas durante as décadas de 1960 e 1970 também conduziu à progressiva obsolescência do M-41. Com o objetivo de preservar a capacidade operacional, foram desenvolvidas diversas iniciativas nacionais de modernização. Esses esforços buscavam garantir autonomia tecnológica e criar as condições necessárias para um novo ciclo de renovação dos meios blindados. Entre os principais programas destacaram-se os projetos Bernardini X-1 Pioneiro e X-1A2 Carcará, além das modernizações M-41B e M-41C Caxias. Embora tenham contribuído para prolongar a vida útil da frota , tais iniciativas revelaram-se soluções de caráter transitório, incapazes de proporcionar um salto qualitativo. Paralelamente, foram conduzidos projetos muito mais ambiciosos, destinados à criação de um carro de combate genuinamente nacional como o Bernardini MB-3 Tamoyo e o Engesa EE-T1 Osório, programas que demonstraram elevado nível de maturidade tecnológica e evidenciaram a crescente capacidade da indústria de defesa brasileira, porém ceifados por dificuldades de ordem econômica e política. A ausência de uma solução nacional definitiva teve impacto direto sobre a capacidade operacional da cavalaria blindada . Na expectativa da concretização desses projetos, o Exército Brasileiro postergou a aquisição de novos carros de combate no mercado internacional, resultando em uma progressiva defasagem tecnológica frente aos potenciais cenários de conflito existentes no Cone Sul. Assim, no início da década de 1990, a principal força blindada do país continuava baseada nos carros de combate M-41B e M-41C Caxias. Embora amplamente disponíveis e adequadamente mantidos, esses veículos já eram considerados inadequados para enfrentar as ameaças daquele período. Paralelamente, os X-1 Pioneiro e X-1A2 Carcará ainda equipavam dois Regimentos de Carros de Combate, apresentando limitações ainda mais acentuadas.
Tornava-se, portanto, imperativo promover, em curto prazo, a substituição desses meios blindados de primeira linha, assegurando à Força Terrestre a manutenção de sua capacidade dissuasória e de sua aptidão para operar em um ambiente de combate cada vez mais complexo e tecnologicamente avançado. Essa necessidade passou a ser considerada prioritária no âmbito do programa Força Terrestre 90 (FT-90), concebido para orientar a transformação e modernização ao longo das décadas seguintes. O programa estabelecia as bases para a construção do chamado “Exército do Futuro”, um processo que se estenderia até o ano de 2015 e que seria posteriormente desdobrado nos projetos Força Terrestre 2000 (FT-2000) e Força Terrestre do Século XXI (FT-21). Dentro desse contexto, previa-se a análise e a aquisição de um expressivo lote de veículos blindados de nova geração, destinados, a médio prazo, à substituição integral da frota então em serviço, com especial ênfase nos carros de combate. Para atender a esse objetivo, foi iniciado um amplo processo de avaliação de propostas internacionais, envolvendo alguns dos mais modernos blindados disponíveis no mercado. Entre os modelos analisados figuravam o francês AMX-30, o alemão Leopard 1, o norte-americano M-60A3 e, de forma particularmente inédita, o soviético T-80, que chegou a ser avaliado por uma comitiva brasileira durante uma visita oficial à então União Soviética. Ao término das análises preliminares, a preferência técnica passou a recair sobre o carro de combate alemão Leopard 1, considerado o modelo que melhor conciliava mobilidade, poder de fogo e potencial de modernização. Contudo, os investimentos necessários para a aquisição de mais de uma centena de veículos novos de fábrica mostraram-se incompatíveis com a realidade econômica nacional da época. A grave estagnação econômica enfrentada pelo país ao longo da década de 1990 resultou em sucessivos contingenciamentos orçamentários, afetando diretamente os programas de reaparelhamento das Forças Armadas. Diante desse cenário, o programa foi reformulado e passou a privilegiar oportunidades de aquisição de material excedente disponível no mercado internacional. Diversas ofertas foram analisadas, destacando-se a proposta apresentada pelo governo da Bélgica, que colocava à disposição um lote de carros de combate Leopard 1A1Be provenientes dos primeiros lotes de produção do modelo, fabricados entre 1968 e 1971. Embora usados, esses veículos haviam sido submetidos a um processo de atualização durante a década de 1980, incorporando melhorias em seus sistemas de comunicações, observação e controle de tiro. Com o avanço das negociações, o Exército Brasileiro constituiu uma Comissão de Aquisição encarregada de avaliar as viaturas diretamente nos depósitos belgas. Em dezembro de 1994, a equipe foi enviada à Bélgica para conduzir inspeções técnicas detalhadas, selecionando inicialmente sessenta e um carros de combate que apresentavam os melhores índices de conservação e disponibilidade operacional. O processo de seleção foi pautado por rigorosos critérios técnicos eliminatórios. Entre os principais parâmetros avaliados destacavam-se o pleno funcionamento dos sistemas de visão noturna por infravermelho, a operacionalidade dos equipamentos de controle de tiro, a vida útil remanescente do armamento principal, a quilometragem acumulada da transmissão e o número total de horas de funcionamento do motor.

Após a consolidação e análise estatística dos dados coletados, foi estabelecido o padrão denominado “Carro Médio Padrão”, cujos exemplares selecionados deveriam apresentar, no máximo, 500,8 horas de funcionamento do motor, 3.229 quilômetros de utilização da transmissão e apenas 172 EFC (Equivalent Full Charges) de desgaste acumulado do canhão, índices considerados excepcionais para veículos com mais de duas décadas de serviço. Após a seleção dos veículos, foi celebrado um contrato com a empresa belga Stiles Antwerp Ltd., tradicional prestadora de serviços às forças armadas daquele país, para a execução de um programa de revisão técnica e preparação dos carros de combate para exportação. O acordo incluía não apenas a recuperação e inspeção dos veículos, mas também toda a logística de transporte marítimo até o Brasil. Conforme o planejamento estabelecido, os 61 carros seriam enviados em três lotes sucessivos, com intervalos aproximados de quatro meses entre cada remessa. O primeiro lote compreendia 20 veículos, o segundo mais 20 e o terceiro os 21 restantes. Toda a dotação inicial de munição de 105 mm seria embarcada juntamente com a primeira remessa. Os pagamentos foram estruturados de forma escalonada, sendo efetuados à medida que cada lote era recebido e aceito. Sob a supervisão permanente da Comissão de Aquisição do Exército Brasileiro, o processo englobou ainda o fornecimento de toda a gama de ferramental orgânico dos veículos, equipamentos especiais de manutenção, documentação técnica e um amplo estoque de peças de reposição, incluindo conjuntos destinados à execução de manutenções até o quarto escalão. Antecipando a chegada do primeiro lote, seria publicada, em 17 de maio de 1996, a diretriz destinada à implantação das novas Viaturas Blindadas de Combate Carro de Combate (VBC CC) Leopard 1A1. Em conformidade com esse planejamento, os veículos, equipamentos de apoio, ferramental e suprimentos logísticos passaram a ser concentrados nas instalações do Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar (PqRMnt/1), no Rio de Janeiro, onde seriam desenvolvidos os procedimentos iniciais de recebimento, inspeção, elaboração de manuais técnicos e adaptação das doutrinas de operação e manutenção. Paralelamente, um contingente de militares brasileiros foi enviado à Bélgica para participar de um programa de capacitação junto às unidades blindadas. O treinamento abrangia não apenas a operação dos carros de combate, mas também os procedimentos de manutenção nos níveis de 1º, 2º e 3º escalões, proporcionando aos futuros instrutores brasileiros uma sólida base técnica para a implantação do novo sistema de armas. No Brasil, a necessidade de centralizar e padronizar a formação de pessoal levou à criação, em 11 de outubro de 1996, do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires (CIBld), sediado na cidade do Rio de Janeiro. A nova organização militar recebeu a missão de especializar militares brasileiros e de nações amigas na operação de viaturas blindadas e mecanizadas, bem como no emprego tático de frações blindadas até o nível subunidade. Concluída a fase de treinamento e adaptação doutrinária, os sessenta e um carros de combate passaram a ser distribuídos às unidades operacionais entre os anos de 1997 e 2000. Assumiriam gradualmente o papel dos M-41C , equipando os Regimentos de Carros de Combate (RCC) que haviam recentemente retirado de serviço os últimos X-1 e X-1A2 .
Os resultados obtidos com a operação do modelo foram extremamente positivos. Dessa forma, em 1998, o Comando do Exército decidiu ampliar sua frota de carros de combate Leopard 1A1, autorizando a aquisição de mais 67 carros. Nesta negociação foram incluídas também viaturas especializadas de apoio e recuperação, entre elas os veículos de instrução Leopard Escola, os carros de socorro Bergepanzer Standard e dois exemplares de uma versão singular desenvolvida exclusivamente para as Forças Armadas Belgas: o Leopard HART (Heavy Armoured Recovery Tank), produzido pela Sabiex International. Todos esses veículos foram embarcados em remessas sucessivas, sendo o último lote recebido no Brasil em maio de 2000. Com essa aquisição, a frota brasileira de Leopard 1A1Be alcançou o total de 128 unidades, ampliando significativamente a capacidade operacional da Arma de Cavalaria Blindada. Além de atender às necessidades do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires (CIBld), os veículos foram distribuídos entre quatro Regimentos de Carros de Combate (RCC), sediados nas regiões Sul e Sudeste do país. Dessa forma, o Leopard 1A1Be consolidou-se como o principal carro de combate do Exército Brasileiro durante a década de 1990 e os primeiros anos do século XXI. Contudo, apesar do êxito inicial de sua incorporação, a disponibilidade operacional da frota passou a apresentar índices progressivamente preocupantes. Tal situação decorria, em grande parte, da inexistência de um contrato formal de suporte logístico integrado junto à fabricante alemã Krauss-Maffei Wegmann GmbH & Co. KG, circunstância que dificultava sobremaneira a obtenção de peças de reposição e a execução de manutenções mais complexas. Diante desse cenário, o Exército Brasileiro iniciou estudos visando à implementação de um novo ciclo de modernização da sua força blindada. Desde o início, a aquisição de carros de combate novos de fábrica foi considerada inviável em razão das severas restrições orçamentárias então vigentes. Entre as alternativas analisadas figurou uma proposta norte-americana para o fornecimento de carros de combate M-1 Abrams, por intermédio do programa Foreign Military Sales (FMS). Embora financeiramente atraente, a oferta acabou sendo descartada, uma vez que o elevado peso do veículo excedia as capacidades de grande parte da infraestrutura logística nacional, especialmente no que se referia a pontes, estradas e meios de transporte estratégico. Buscando preservar a padronização da frota e manter em operação parte dos Leopard 1A1 já incorporados, o Ministério da Defesa passou a avaliar oportunidades no mercado internacional para a aquisição de versões mais modernas da mesma família de blindados. Nesse contexto, em 2008, a empresa alemã Krauss-Maffei Wegmann apresentou uma proposta abrangente que previa o fornecimento, modernização e suporte logístico de carros de combate Leopard 1A5 pertencentes ao Exército Alemão (Deutsches Heer). Esses veículos encontravam-se armazenados como reserva estratégica após sua retirada do serviço ativo, motivada pela introdução dos mais modernos carros de combate Leopard 2. A proposta apresentava-se particularmente atrativa por combinar custos reduzidos, elevado grau de comunalidade logística com os Leopard 1A1 já em operação e a garantia de suporte técnico direto do fabricante, fatores que seriam decisivos para a futura renovação da capacidade blindada brasileira.
As negociações conduzidas entre os governos do Brasil e da Alemanha evoluíram rapidamente, resultando em um acordo que previa a aquisição de mais de duas centenas de viaturas da família Leopard 1A5. O pacote contemplava não apenas carros de combate, mas também veículos especializados de apoio e serviço baseados na mesma plataforma, incluindo 07 Viaturas Blindadas Especializadas de Socorro (VBE Soc), 04 Viaturas Blindadas Especializadas Lança-Pontes (VBE L Pnt), 04 Viaturas Blindadas de Combate de Engenharia (VBC Eng) e 04 Viaturas Blindadas Escola de Motorista. Os primeiros lotes começaram a ser recebidos p a partir de 2009. Além de proporcionar uma expressiva modernização da capacidade blindada, o programa tinha como objetivo assegurar suporte logístico e técnico permanente por parte do fabricante. Para isso, foi estabelecida no país uma estrutura de representação e assistência da Krauss-Maffei Wegmann, medida que buscava evitar os problemas enfrentados anteriormente com a frota de Leopard 1A1, cuja operação havia sido prejudicada pela ausência de um contrato formal de suporte junto ao fabricante. A incorporação gradual dos novos carros permitiu ao Comando do Exército elaborar um plano de desativação progressiva dos Leopard 1A1 mais desgastados. Conforme o planejamento estabelecido, 74 seriam retiradas de serviço imediatamente, sendo parcialmente desmontadas para constituir um estoque estratégico de peças de reposição destinado à nova frota. Essa decisão mostrava-se particularmente vantajosa em razão do elevado grau de comunalidade existente entre os dois modelos. Dos veículos remanescentes, 39 exemplares, considerados os mais bem conservados, foram mantidos em operação. Esses carros foram distribuídos em três esquadrões de 13 viaturas cada, destinados a substituir os derradeiros M-41C Caxias ainda em serviço nos 4º, 6º e 9º Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB), permitindo a manutenção da capacidade operacional dessas organizações militares. A partir de 2012, passou-se a estudar alternativas para prolongar a vida útil dos Leopard 1A1, culminando no Projeto de Recuperação das Viaturas Blindadas de Combate Leopard 1A1, conduzido pelo Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (Pq R Mnt/3), sediado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Este processo envolveria 41 viaturas abrangendo intervenções mecânicas, elétricas e estruturais, de modo a restaurar suas condições operacionais. O último veículo recuperado foi entregue em janeiro de 2016, com estes carros sendo distribuídos entre os 4º, 6º e 9º Regimentos de Cavalaria Blindados. Em 07 de abril de 2026 foi publicada a Portaria COLOG/C Ex nº 278, que institui o Plano de Desativação (EB40-P-20.007) oficializando a retirada dos carros de combate Leopard 1A1, consolidando a desativação definitiva dessas viaturas no âmbito da Força Terrestre. O plano contempla as viaturas remanescentes ainda em operação e segue uma lógica de gestão de ciclo de vida, com foco em eficiência logística e racionalização de recursos. Estas viaturas serão desmontadas com reaproveitamento de componentes destinados à sustentação de outros sistemas em operação, ampliando a disponibilidade e reduzindo custos. Outro eixo do processo envolve a conversão de viaturas para emprego em instrução, permitindo a formação de militares sem impactar diretamente os meios operacionais. Unidades sem viabilidade técnica são destinadas à alienação como sucata, em conformidade com normas ambientais e administrativas, enquanto uma parcela reduzida será preservada para fins históricos e institucionais. No campo operacional, a desativação está diretamente associada à sustentação dos Leopard 1A5 BR, que permanecem como principal vetor blindado do Exército.Em Escala.
Para representarmos o Krauss Maffei Leopard 1A1Be "EB 006047 Itatiaia", empregamos o excelente kit da Revell na escala 1/35. Para compormos a versão brasileira, tivemos de produzir em scratch as quatro caixas de ferramentas que são fixadas nas laterais do veículo. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals & Books presentes no set "Forças Armadas Brasileiras".
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura com os quais os Leopard 1A1 foram recebidos entre os anos de 1996 e 2000. Os carros submetidos ao Projeto de Recuperação das Viaturas Blindadas de Combate (VBC CC) Leopard 1A1 receberiam o esquema tático de dois aplicados na maioria dos veículos blindados em uso no Exército Brasileiro.
Bibliografia :
- Leopard 1 - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Leopard_1
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Leopard 1A1: 41 carros de combate recuperados - https://www.defesaaereanaval.com.br/defesa/leopard-1a1-41-carros-de-combate-recuperados
- Leopard-1 A5 – Brasil em Defesa - http://www.brasilemdefesa.com/2012/05/leopard-1-a5.html

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