M-8B Repotenciado (VBR 6X6)

História e Desenvolvimento.
Na primeira metade da década de 1930, o plano de reequipamento do governo nacional-socialista alemão encontrava-se em plena implementação, abrangendo não apenas a modernização de armamentos, mas também o desenvolvimento de novos conceitos e doutrinas militares. No campo de batalha, essas inovações seriam empregadas de forma sincronizada, integrando veículos, armamentos e carros de combate de última geração. Essa iniciativa culminaria na formulação do conceito da "Guerra Relâmpago" (Blitzkrieg), uma tática militar que enfatizava o emprego de forças altamente concentradas e de rápida mobilidade. A estratégia envolvia formações blindadas e unidades de infantaria motorizada ou mecanizada, operando em conjunto com artilharia, assalto aéreo e apoio aéreo aproximado. O objetivo principal era romper as linhas defensivas inimigas, desestabilizar suas forças e comprometer sua capacidade de resposta diante de uma frente de batalha em constante mutação, conduzindo-as, assim, a uma derrota rápida e decisiva. Essa movimentação não passaria despercebida pelo comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), que esboçaria grande preocupação, tendo em vista que unidades de cavalaria mecanizadas utilizavam principalmente autometralhadoras e carros blindados leves armados apenas com metralhadoras de calibre .30 e .50. Embora adequados para missões de patrulhamento, ligação e segurança, esses veículos demonstravam limitações crescentes diante da evolução dos blindados e das armas anticarro observadas nos arsenais alemães, italianos e japoneses. Tornava-se evidente a necessidade de um veículo de reconhecimento mais veloz, melhor protegido e dotado de armamento capaz de enfrentar veículos blindados leves e posições fortificadas de oportunidade. Este novo modelo deveria substituir o já obsoleto GMC M-6 Gun Motor Carriage  um blindado sobre rodas derivado do utilitário General Motors WC-5, com tração 4x4. Em julho de 1941, o Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department) emitiu uma especificação para um novo carro blindado de reconhecimento 6x4, posteriormente alterada para uma configuração 6x6, visando melhorar a mobilidade em terrenos difíceis. O novo veículo deveria possuir peso inferior a oito toneladas, velocidade máxima superior a 80 km/h, autonomia adequada para operações de longo alcance e capacidade para transportar uma guarnição de quatro tripulantes. O requisito mais importante, contudo, era a adoção de um armamento principal composto por um canhão de 37 mm instalado em uma torre totalmente giratória. A escolha do canhão  refletia a experiência acumulada pelos militares norte-americanos durante os anos que antecederam sua entrada formal na guerra. Naquele momento, acreditava-se que esse calibre seria suficiente para neutralizar veículos blindados leves, posições defensivas e ameaças encontradas durante missões de reconhecimento, sem impor um aumento excessivo de peso ao veículo. O armamento seria complementado por uma metralhadora coaxial Browning calibre .30 (7,62 mm) e uma metralhadora pesada Browning M2 calibre .50 (12,7 mm) destinada à defesa antiaérea e ao combate contra alvos terrestres.

A concorrência para o desenvolvimento deste novo blindado atraiu algumas das mais importantes empresas do setor automotivo e de defesa dos Estados Unidos.  Para tal, constituiu-se uma comissão técnica no Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), responsável por receber e avaliar as propostas técnicas e comerciais de possíveis fornecedores.  Cada fabricante apresentou projetos distintos, buscando atender às exigências operacionais estabelecidas pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). As análises iniciais resultaram em uma lista final (shortlist) com três empresas concorrentes: a Studebaker Automotive Company, com seu modelo T-21; a Ford Motor Company, com o T-22; e, por fim, a Chrysler Automotive Company, com o T-23. Para viabilizar o desenvolvimento dos projetos, foram disponibilizadas linhas de financiamento governamental para a construção dos protótipos, concluídos entre os meses de outubro e novembro de 1941. Em seguida, iniciou-se um rigoroso programa de testes no campo de provas de Aberdeen Proving Ground, em Maryland, prolongando-se até março do ano seguinte. O projeto T-22, desenvolvido pela Ford, logo chamou a atenção dos avaliadores por combinar simplicidade mecânica, excelente mobilidade e um desenho relativamente compacto. O casco do veículo era composto predominantemente por chapas soldadas, embora alguns painéis externos fossem rebitados à estrutura. Suas seis rodas eram protegidas por escudos laterais removíveis, enquanto a seção traseira possuía uma estrutura alada, permitindo que fossem dobradas e equipadas com correntes para pneus em condições de neve. Estava equipado com um motor Hercules Model JXD, um seis cilindros em linha a gasolina, capaz de gerar 110 hp de potência, proporcionando  uma velocidade média de 48 km/h (30 mph) em terrenos irregulares e 90 km/h (56 mph) em estradas pavimentadas. O consumo médio de combustível era de aproximadamente 7,5 milhas por galão (mpg), e seus tanques tinham capacidade para 59 galões, conferindo-lhe um alcance operacional de 640 km (400 milhas). A posição do motorista estava localizada à esquerda, enquanto o operador de rádio se sentava à direita. Ambos eram acomodados em um compartimento saliente, protegido por painéis blindados dobráveis de duas peças e visores estreitos. A torre do veículo, aberta na parte superior, abrigava o comandante e o artilheiro. Apesar da ausência de um teto fechado, era possível utilizar persianas e tampas de escotilhas para proteção adicional, além de pequenos periscópios para garantir visão periférica. Seu armamento  principal  era composto por um canhão -de 37 mm, apontado por meio de uma mira telescópica M70D, sendo possível transportar 80 munições para o canhão, porém, o espaço interno permitia armazenar apenas 16 projéteis prontos para uso imediato.  Para autodefesa, era equipado com duas metralhadoras, abastecidas com 1.500 cartuchos, além de quatro lançadores de fumaça M1 e M2. Opcionalmente, podia transportar até 06 minas terrestres (antitanque ou explosivas de alto poder destrutivo - HE), montadas externamente, além de carabinas M1 para uso da tripulação.
Devido ao espaço interno reduzido da viatura, diversos ganchos e suportes foram instalados tanto na torre quanto no casco, permitindo o armazenamento de equipamentos essenciais. Como resultado, a maioria dos itens pessoais da tripulação foi montada externamente sobre os para-lamas dianteiros e traseiros. Entre os acessórios transportados externamente estavam mochilas, ferramentas, cabos e, posteriormente, sacos de areia, adicionados como medida extra de proteção. O M-8 também seria equipado com um avançado sistema de comunicação, essencial para o cumprimento de suas missões de reconhecimento. Inicialmente, utilizava o rádio SCR-506, posteriormente substituído pelos modelos  mais potentes SCR-510, SCR-608 e SCR-610, todos de longo alcance. O sistema de rádio poderia ser operado internamente pelo comandante do veículo, permitindo contato direto com o Quartel-General, com unidades avançadas de comando na linha de frente ou até mesmo com forças atuando em teatros de operações mais distantes. Além dos aspectos técnicos, colaboraria para a decisão de se declarar vencedor o T-22 a facilidade com que o blindado poderia ser rapidamente integrados às linhas industriais do fabricante, um fator de grande importância diante da expansão acelerada das forças armadas norte-americanas após a entrada dos Estados Unidos na guerra em dezembro de 1941. Em março de 1942, após uma série de aperfeiçoamentos decorrentes dos ensaios de campo, o projeto T-22E2  foi oficialmente selecionado para produção em série, recebendo a designação padronizada M-8 Light Armored Car. Pouco tempo depois, passaria a ser popularmente conhecido pelo apelido de "Greyhound" (Galgo), uma referência direta à sua elevada velocidade, agilidade e capacidade de percorrer grandes distâncias com rapidez, características consideradas ideais para missões de reconhecimento e exploração. No entanto, nesse momento, já era evidente que o canhão de 37 mm não se mostrava mais eficaz contra as blindagens frontais e laterais dos novos carros de combate alemães e italianos, que estavam equipados com armamentos de maior calibre. Assim, em um hipotético confronto contra forças do Eixo, o M-8 tornar-se-ia um alvo vulnerável, especialmente porque sua blindagem fora projetada para resistir apenas ao impacto de armamentos leves, limitando severamente sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha. Apesar dessa limitação crítica, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) optou por seguir com a produção em larga escala do veículo, decisão fortemente influenciada pela intensificação das tensões políticas na Europa e no Pacífico, mantendo assim o  cronograma destinado ao reequipamento e modernização das forças armadas norte-americanas.  Neste contexto o M-8 um novo e fundamental papel, diferentemente dos carros de combate, sua missão principal não era travar combates decisivos, mas sim localizar o inimigo, explorar brechas, realizar patrulhamento de longo alcance, manter contato entre unidades e fornecer informações em tempo real aos comandantes. Nessa missão, a velocidade e a agilidade na linha de frente foram priorizadas em detrimento do poder de fogo e da blindagem. 

As primeiras unidades produzidas foram entregues aos centros de treinamento blindado localizados em Fort Knox e Fort Riley, no primeiro semestre de 1943, sendo empregados na elaboração de doutrina, treinamento de tripulações e validação dos procedimentos de manutenção. A entrada em serviço operacional ocorreu oficialmente durante o verão de 1943, quando os primeiros esquadrões de reconhecimento das divisões blindadas começaram a receber seus veículos de dotação. As primeiras unidades contempladas pertenciam principalmente aos grupos de cavalaria mecanizada e aos batalhões de reconhecimento divisionários, organizações responsáveis por missões de exploração, segurança dos flancos, ligação entre unidades e reconhecimento avançado. Com o aumento da produção, um grande número desses blindados foi distribuído às unidades operacionais nos teatros de operações do Pacífico e na Inglaterra, onde foram armazenados em centros logísticos para seu futuro emprego nas operações de reconquista da Europa. Seu batismo de fogo ocorreu no início de julho de 1943, durante a "Operação Husky" na invasão da Sicília, logo após os desembarques iniciais e a subsequente consolidação da cabeça de ponte, centenas de M-8 foram empregados em missões de reconhecimento, e neste cenário caracterizado por extensas redes viárias e grandes deslocamentos, o novo blindado demonstrou excelente mobilidade estratégica, tornando-se rapidamente popular entre suas tripulações. Contudo, também ficaram evidentes algumas limitações. A blindagem relativamente leve mostrava-se vulnerável ao fogo de armas anticarro e mesmo a canhões automáticos de pequeno calibre, enquanto o canhão de 37 mm já começava a revelar insuficiência contra armas anticarro e veículos blindados inimigos, como o Sd.Kfz. 234 Puma.  Durante o avanço das tropas aliadas pela península italiana, outra qualidade seria apresentada, com esta se baseando na concepção do seu conjunto motriz, cujos sistemas e componentes mecânicos foram projetados para operar de maneira silenciosa. Como resultado, as unidades de reconhecimento do Terceiro Exército dos Estados Unidos receberam dos alemães o apelido de "Fantasmas de Patton", em referência ao General George S. Patton. Um dos episódios mais notáveis envolvendo o M-8 ocorreu durante a Batalha das Ardenas, especificamente na Batalha de St. Vith. Nessa ocasião, um veículo pertencente ao 87º Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria conseguiu destruir um carro de combate Panzerkampfwagen VI Tiger. O êxito da investida deveu-se à habilidade da tripulação, que manobrou estrategicamente, posicionando-se na parte traseira do tanque alemão e disparando três projéteis de 37 mm diretamente contra sua blindagem posterior, relativamente delgada. Os disparos resultaram em um incêndio no compartimento do motor do Tiger, inutilizando o blindado inimigo.  Durante sua utilização na Europa, tornou-se necessária a adoção de kits de blindagem adicional no assoalho do veículo, a fim de minimizar as perdas causadas por minas terrestres alemãs e italianas. No entanto, mesmo com essa modificação, a operação do M-8 em estradas tornou-se menos recomendada, restringindo seu uso a terrenos montanhosos, áreas de lama profunda e regiões cobertas de neve.
Seu emprego na Campanha do Pacífico apresentou características bastante distintas, condicionadas pela geografia, pelo clima e pela natureza das operações conduzidas contra as forças japonesas. Diferentemente da Europa, onde extensas redes rodoviárias favoreciam o uso de veículos blindados sobre rodas, a maior parte das ilhas do Pacífico possuía infraestrutura extremamente limitada, composta por trilhas estreitas, áreas pantanosas, florestas tropicais densas e terrenos vulcânicos, ambientes muito mais adequados aos veículos sobre lagartas. As primeiras unidades equipadas com o M-8 começaram a chegar ao Teatro do Pacífico durante o segundo semestre de 1944. Curiosamente seriam muito eficientes contra os carros de combate Type 95 Ha-Go e Type 97 Chi-Ha, que possuíam blindagem leve, tornando-os vulneráveis ao canhão M6 de 37 mm.  O emprego mais significativo ocorreu durante a libertação das Filipinas, iniciada com os desembarques, em outubro de 1944. Após o término do conflito, seriam foram novamente empregados em missões reais durante a Guerra da Coreia (1950-1953), sendo utilizados também para escolta de prisioneiros de guerra e defesa de bases militares pelo Corpo da Polícia Militar (Military Police). Em 1955, um pequeno contingente do modelo ainda em serviço ativo nos Estados Unidos seria concentrado em cinco regimentos de cavalaria blindada, enquanto as demais unidades foram armazenadas como "excedente militar", destinadas a nações aliadas por meio do Programa de Assistência Militar (MAP ).  A França tornou-se o maior operador do Ford M-8 no período pós-guerra, recebendo centenas de unidades entre 1945 e 1954. O veículo foi amplamente utilizado na Primeira Guerra da Indochina, permanecendo em serviço até o fim do conflito, quando muitas unidades foram transferidas ao Exército da República do Vietnã (ARVN). Além disso, a Legião Estrangeira Francesa (FFL) empregou o blindado durante a Guerra de Independência da Argélia (1954–1962). Ainda no continente africano, o M-8 Greyhound foi utilizado pelas Forças Armadas da Bélgica, operando em conjunto com as tropas da Force Publique no então Congo Belga.  Entre 1943 e 1945, um total de 8.523 unidades do M-8 foram produzidas pelas fábricas da Ford  em Chicago, Illinois, e Saint Paul, Minnesota. No período pós-guerra, o modelo permaneceu em operação nas forças armadas de diversos países de mais de 40 países.  Durante as décadas de 1960 e 1970, diversas empresas francesas e norte-americanas desenvolveram kits de modernização para o M-8, fornecidos a países como Chipre, Etiópia, El Salvador, Guatemala, Haiti, Jamaica, Marrocos, Venezuela e Zaire.  Essas modificações incluíam a substituição do motor original por versões a diesel, além da instalação de novas transmissões. Dentre os processos de modernização, destaca-se aquele realizado pelo Exército Nacional da Colômbia, que não apenas aprimorou as características mecânicas do veículo, mas também o adaptou para servir como plataforma de lançamento dos mísseis antitanque norte-americanos Hughes BGM-71 TOW. Atualmente, algumas centenas de unidades do M-8 ainda permanecem em operação em exércitos da África e da América do Sul.

Emprego no Exército Brasileiro.
A introdução dos carros blindados sobre rodas no pais ocorreu em um momento de profunda transformação das forças armadas nacionais, impulsionada pela participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e pelo estreitamento das relações militares com os Estados Unidos. Nesse contexto, a partir de 1943, e em conformidade com os acordos firmados no âmbito do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), seriam recebidos primeiros veículos blindados dessa categoria, destacando-se os modelos Ford T-17 Deerhound e  M-8 Greyhound. A experiência operacional com esses veículos foi adquirida em condições reais de combate durante a Campanha da Itália. Integrados ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (1º Esqd Rec Mec), unidade orgânica da Força Expedicionária Brasileira (FEB), os M-8 desempenharam papel de grande relevância nas operações conduzidas pelo Exército Brasileiro em território italiano. Empregados em missões de reconhecimento, segurança, ligação e exploração, contribuíram decisivamente para o êxito das forças brasileiras em algumas das mais importantes ações da campanha, entre elas a conquista de Monte Castelo, a rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã. A atuação dos M-8 alcançou especial destaque durante a ofensiva que resultou no rompimento da Linha Gótica, em fevereiro de 1945, considerada a última grande linha defensiva organizada do Exército Alemão na Península Itálica. Nas operações desenvolvidas na região de Montese,  demonstraram sua versatilidade e eficiência, proporcionando às tropas brasileiras valiosas capacidades de reconhecimento e mobilidade. As lições aprendidas nesse período foram fundamentais para a consolidação da doutrina nacional de emprego de unidades mecanizadas, estabelecendo as bases para a futura modernização da Cavalaria do Exército Brasileiro. Com o término das hostilidades na Europa , iniciou-se o processo de desmobilização da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e de repatriação de seus efetivos. Conforme os acordos estabelecidos os veículos, armamentos e equipamentos empregados foram entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Após criteriosa inspeção, os materiais e veículos em melhores condições foram armazenados e posteriormente transportados ao Brasil por via marítima. Entre eles encontravam-se os 13 exemplares remanescentes do M-8 Greyhound. Paralelamente, ainda no âmbito do programa de assistência militar norte-americano, o Exército Brasileiro recebeu, no início de 1945, 20 unidades adicionais dos blindados M-8 . Essa incorporação permitiu ampliar significativamente as capacidades operacionais das unidades mecanizadas, possibilitando a distribuição desses blindados entre organizações sediadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto os Ford T-17 Deerhound permaneceram concentrados em unidades localizadas na Região Sul do país. Nos anos que se seguiram ao conflito, os Ford M-8 Greyhound assumiram papel central no processo de modernização da Cavalaria. Sua introdução marcou a transição gradual de uma doutrina predominantemente hipomóvel, baseada no emprego de cavalos, para uma estrutura mecanizada mais compatível com os conceitos de guerra moderna.

Nos anos que se seguiram seriam  recebidas mais de uma centena de viaturas usadas dos modelos M-8 e M-20, com estas incorporações totalizando a frota destes blindados em mais de 150 exemplares, representando um expressivo incremento na capacidade operacional dos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado. Em serviço passaram a ser oficialmente designados como VBR M-8 Greyhound (Viatura Blindada sobre Rodas), constituindo, ao longo das décadas de 1950 e 1960, o principal meio de reconhecimento blindado da Cavalaria. Essas viaturas operavam em estreita integração com os carros de combate leves M-3 e M-3A1 Stuart e com os carros médios  M-4  Sherman,  formando o núcleo das unidades blindadas e mecanizadas. A combinação entre a experiência adquirida durante a Campanha da Itália e a disponibilidade de um acervo diversificado de veículos blindados permitiu alcançar um nível de capacidade operacional até então inédito em sua história, consolidando os fundamentos da moderna doutrina de emprego da Cavalaria Blindada. Entretanto, à medida que a década de 1960 avançava, tornavam-se cada vez mais evidentes os efeitos do desgaste provocado por quase duas décadas de utilização intensiva. Embora os M-8 continuassem a desempenhar papel essencial nas missões, sua disponibilidade operacional passou a sofrer significativa deterioração. Entre os principais fatores que contribuíram para esse quadro destacavam-se o desgaste dos componentes mecânicos e, sobretudo, as crescentes dificuldades na obtenção de peças de reposição para os motores originais Hercules JXD, cuja produção já havia sido encerrada havia muitos anos. A situação tornava-se ainda mais preocupante diante da gradual retirada de serviço dos blindados  T-17 Deerhound. Nessa época, os poucos exemplares remanescentes encontravam-se concentrados, em sua maioria, em unidades da Polícia do Exército, reduzindo substancialmente o número de viaturas disponíveis para equipar os Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado. As avaliações conduzidas indicavam que, mantidas aquelas condições, a frota de M-8 caminhava para um progressivo colapso operacional, comprometendo uma capacidade considerada estratégica para a Cavalaria. A solução ideal consistiria na substituição dos veículos por modelos mais modernos, obtidos por intermédio dos mecanismos de assistência militar, e de fato, durante esse período o país recebeu diversos sistemas de armas e veículos blindados, entre os quais os carros de combate leves M-41 , os transportes blindados de pessoal M-59 e outros meios mecanizados.  Contudo, de forma relativamente inesperada, não foram disponibilizados veículos destinados a substituir diretamente os M-8 e M-20 na função de reconhecimento e comando. Diante dessa lacuna,  passou-se  a buscar soluções que permitissem prolongar a vida útil de sua frota de blindados de reconhecimento, preservando a capacidade essencial para a doutrina da Cavalaria mecanizada.  Surgiram, assim, estudos voltados ao repotenciamento dos M-8, com o objetivo de substituir componentes obsoletos, aumentar a confiabilidade mecânica e restabelecer níveis aceitáveis de disponibilidade operacional. 
A execução dessa complexa tarefa foi confiada ao Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), organização herdeira de uma tradição técnica cuja origem remontam a elaboração do "Plano de Reorganização do Exército", entre suas principais diretrizes figurava a criação, em território nacional, de uma organização inspirada nos parques de manutenção do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), capaz de executar serviços especializados de recuperação, reparação e modernização de material militar.  Nesse contexto, em 16 de junho de 1944, durante a gestão do General Eurico Gaspar Dutra à frente do Ministério da Guerra, foi criado o Parque Central de Motomecanização (PqCMM). Inicialmente instalado nas dependências do Palácio da Guerra, no Rio de Janeiro, seria  transferida em janeiro de 1945  para instalações mais amplas na zona oeste da então Capital Federal, consolidando-se como o primeiro parque de manutenção de grande porte. Suas atribuições transcendiam as atividades convencionais de manutenção. Cabia à organização executar a recuperação de viaturas, armamentos e equipamentos de motomecanização, bem como realizar reparos em conjuntos e subconjuntos cuja complexidade excedesse a capacidade dos escalões de manutenção subordinados. Também lhe competia a fabricação de peças especiais, a recuperação de componentes indisponíveis no mercado e a execução de estudos técnicos relacionados à transformação e adaptação de equipamentos militares.  Em situações específicas,  podia ainda desenvolver protótipos, conduzir estudos de engenharia aplicada e avaliar possibilidades de produção e montagem de novos materiais, seguindo as orientações estabelecidas pela então Diretoria de Motomecanização. Essa  gama de responsabilidades transformou a organização em um verdadeiro centro de excelência técnica dentro do Exército Brasileiro, desempenhando papel decisivo na formação de uma cultura  voltada para a engenharia de manutenção e desenvolvimento de material militar.  A relevância de suas atividades foi tamanha que contribuiu diretamente para a criação, em 1946, do Curso de Engenharia Mecânica e Automóveis na então Escola Técnica do Exército, instituição que posteriormente se transformaria no atual Instituto Militar de Engenharia (IME). O sucesso alcançado pelo Parque Central de Motomecanização motivou a ampliação dessa estrutura especializada. Em 1947 foi criado o Depósito Regional de Material Bélico da 2ª Região Militar, instalado em Barueri, no Estado de São Paulo, ampliando a capacidade de apoio logístico às unidades sediadas na região Sudeste. Esse processo evolutivo culminaria, em 17 de dezembro de 1957, com a promulgação do Decreto nº 42.834, que instituiu oficialmente o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), organização destinada a assumir um papel de destaque na manutenção e modernização dos meios blindados. Desde seus primeiros anos de funcionamento,  destacou-se pelo elevado nível de qualificação técnica de, tornando-se referência  em manutenção pesada, engenharia de recuperação e adaptação de veículos militares. Não por acaso, seria essa organização a escolhida para conduzir o programa de repotenciamento dos veículos meia lagarta M-2, M-3 e M-5. 

A primeira realização se daria com o sucesso ao se substituir o motor original a gasolina em um M-2 por um modelo Perkins Diesel , com este processo sendo efetivado em uma parceria entre o fabricante e o o corpo técnico do parque. Seriam realizadas alterações no sistema de alimentação de combustível, desenvolvidos reservatórios protegidos contra impactos balísticos e instaladas novas lagartas. O protótipo foi submetido a um extenso programa de avaliações conduzido pelo 2º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado. O sucesso obtido foi tão expressivo que levou a Diretoria de Motomecanização (DMM) a adotar o programa como solução padronizada para a recuperação de toda a frota de viaturas semilagarta então em serviço. No final do ano de 1967, decidiu-se replicar este processo em um M-8 Greyhound. O projeto previa, como principal modificação, a substituição do motor original Hercules JXD, um propulsor a gasolina de seis cilindros e aproximadamente 110 hp, pelo moderno motor diesel nacional Mercedes-Benz OM-321, também de seis cilindros, capaz de desenvolver cerca de 120 hp. A adoção desse novo conjunto prometia não apenas melhorar o desempenho geral do veículo, mas principalmente reduzir os custos operacionais e simplificar a logística de manutenção, uma vez que os motores Mercedes-Benz já possuíam ampla rede de suporte e fornecimento de peças em território nacional. As modificações não se limitaram ao grupo motopropulsor. O programa contemplou ainda a substituição da caixa de câmbio original, alterações no diferencial, modernização do sistema de freios dianteiros e completa revisão do sistema elétrico da viatura. Diversos componentes foram especialmente desenvolvidos e fabricados pela própria Mercedes-Benz do Brasil, exigindo intenso trabalho de engenharia para compatibilizar sistemas concebidos originalmente para veículos de naturezas distintas. Um aspecto pouco conhecido desse programa foi o elevado grau de sigilo que envolveu sua execução. Os trabalhos de adaptação foram realizados de forma reservada por equipes conjuntas da Mercedes-Benz do Brasil e do PqRMM/2, utilizando as instalações da fábrica da montadora em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo. O caráter confidencial do projeto refletia tanto seu valor estratégico quanto o interesse do Exército em avaliar a viabilidade da solução antes de sua eventual adoção em larga escala. Após sua conclusão, o protótipo foi submetido a um rigoroso programa de testes de campo entre os anos de 1968 e 1969. As avaliações demonstraram resultados extremamente positivos, confirmando ganhos significativos em confiabilidade mecânica, autonomia, facilidade de manutenção e economia operacional. O desempenho alcançado foi considerado suficientemente promissor para justificar a implementação de uma fase de produção experimental. Com base nesses resultados,  autorizou-se  a modernização de um lote piloto composto por 32 M-8 e 03 M-20. Diferentemente da fase experimental conduzida em cooperação com a indústria nacional, os trabalhos de modernização em série passaram a ser executados diretamente nas oficinas do PqRMM/2,  consolidando definitivamente a capacidade técnica e industrial dessa organização.
As primeiras viaturas repotenciadas, designadas M-8B VBR 6x6, começaram a ser entregues às unidades operativas no início de 1970, apresentando desempenho satisfatório, motivando assim  à contratação de novos lotes de modernização, cujo cronograma de entregas estendeu-se até meados de 1972. Esse programa assegurou uma importante sobrevida operacional às frotas dos blindados M-8  e M-20 , permitindo preservar sua capacidades operacionais da força. Paralelamente , surgiram iniciativas destinadas a explorar novas possibilidades de emprego para o chassi do M-8B. Entre elas destacava-se um projeto  voltado à transformação da viatura em uma plataforma de lançamento de foguetes para saturação de área. A proposta foi conduzida pela Diretoria de Pesquisa e Ensino Técnico do Exército (DPET), com o conceito se baseando no aproveitamento dos lançadores triplos M-10 para foguetes de 81 mm, desenvolvidos para equipar os caças-bombardeiros P-47D Thunderbolt. Com a desativação dessas aeronaves, um grande número destes lançadores e munições encontrava-se armazenado nos paióis da Força Aérea Brasileira (FAB).  A  solução  previa a substituição completa da torre original por uma nova estrutura  dotada de giro de 360 graus. Projetada e construída pelo Arsenal de Guerra da Urca, no Rio de Janeiro, essa torre recebia dois conjuntos laterais compostos por 07 lançadores cada, totalizando 14 tubos de lançamento. O sistema foi instalado no M-8B VBR 6x6 de número EB-11.070, escolhido como veículo experimental para a realização das avaliações de campo. Os testes iniciais demonstraram a viabilidade técnica do conceito, estimulando o desenvolvimento de uma segunda configuração. Nessa nova versão procurou-se preservar parte da estrutura original da viatura, mantendo a torre de fábrica, porém removendo o canhão de 37 mm e seu mantelete. Em substituição, foram instalados dois lançadores rotativos laterais . Os projéteis eram armazenados em compartimentos independentes localizados no interior da viatura, permitindo maior proteção e melhor distribuição da carga de munição. Posteriormente, uma terceira configuração foi desenvolvida com base nos ensinamentos obtidos durante os ensaios anteriores, mantendo a torre original modificada, o novo sistema incorporava lançadores rotativos adaptados para o emprego de foguetes produzidos nacionalmente. Embora os resultados obtidos durante as avaliações tenham sido considerados promissores, o projeto não avançou para a fase de produção em série. Mesmo permanecendo como protótipo, o M-8B EB-11.070 alcançou considerável notoriedade e oficialmente apresentada ao público, participando de diversos desfiles militares.  Os M-8B VBR 6x6 continuaram a servir com eficiência nas unidades de Cavalaria Mecanizada até meados da decada de 1980 quando foram enfim substituídos.  Entretanto, a mais importante contribuição do programa de repotenciamento dos blindados M-8 e M-20 não se limitou à extensão de sua vida útil operacional. Seu verdadeiro legado residiu na formação de recursos humanos altamente qualificados e na consolidação de conhecimentos teóricos e práticos nas áreas de engenharia automotiva, integração de sistemas, desenvolvimento de protótipos e modernização de veículos militares.  Os frutos desse conhecimento logo se materializariam em projetos de maior envergadura. A experiência adquirida pelos engenheiros e técnicos envolvidos no programa serviu de base para o desenvolvimento do conceito da VBB-1 (Viatura Blindada Brasileira 1) e posteriormente a VBB-2

Em Escala. 
Para representarmos o Ford M-8B Repotenciado "EB-11070" configurado na primeira versão do protótipo do sistema lançador de foguetes fizemos uso do kit da Italeri na escala 1/35 em conjunto com o set de conversão impresso em resina 3D pela Hobvy Hudy.  A configuração é extremamente simples mantendo a base da torre original acoplando no conjunto em resina. Empregamos decais confeccionados pela FCM Decals presentes no set 35/01.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano adotado pelo Exército Brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial, com este prevalecendo na frota dos blindados sobre rodas Ford M-8 durante toda sua carreira de serviço no país. Ainda citamos que o M-8B "EB-11070" recebeu diversos esquemas de aplicações de matrículas e marcações nacionais durante o período em que esteve envolvido neste projeto. 

Bibliografia : 

- M-8 Greyhound - Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/M8_Greyhound 

- Blindados no Brasil  - Volume I – Expedito Carlos Stephani Bastos 

- Origem do Conceito 6X6 do Veículo Blindado no Exército Brasileiro - http://www.funceb.org.br/images/revista/20_1n8q.pdf