Contratorpedeiros Classe Fletcher

História e Desenvolvimento.
No final da década de 1930, o intensificar das tensões na Europa motivados pelas ameaças expansionistas do governo alemão juntamente com as pretensões territoriais do Império do Japão na Ásia, já denunciavam claramente o que estava por vir, com o possivelmente o mundo se encaminhado cada vez mais para um estágio de grande conflagração. Este cenário levaria o governo norte-americano a antecipar estudos criando vários programas de modernização de suas forças armadas, visando assim poder fazer frente as hipotéticas ameaças futuras. No que tange ao poder naval, este representaria uma das maiores preocupações, com este fato sendo potencializado pelo crescimento da armada imperial japonesa e construção de uma grande força de submarinos por parte das marinhas italianas e alemães. Apesar das limitações impostas pelo Tratado de Versalhes, relatórios de inteligência britânicos apresentavam a cada dia ,informes mais alarmantes sobres as capacidades da força de submarinos da Marinha Alemã (Kriegsmarine). A possível atuação coordenada deste grande número submersíveis poderia estrangular as linhas de abastecimento naval da Grã-Bretanha, que neste momento tinha uma grande dependência de importações estratégicas oriundas principalmente dos Estados Unidos. Neste período concentrava-se muita ênfase no emprego de navios da classificação “Destroier” , tipo este tinha por missão empregar sua alta velocidade e manobrabilidade para proporcionar escolta a embarcações de maior porte da frota, comboio ou grupo de batalha, e defendê-las contra poderosos atacantes de curto alcance. Na Marinha dos Estados Unidos (US Navy), neste momento este papel era representando pelos destroieres das classes Porter e Somers, ocorre porem que desde a incorporação desses navios o comando da força naval norte-americana, já externava grande insatisfação quanto ao seu desempenho. A fim de sanar esta problema seria definido o lançamento de um programa para o desenvolvimento de uma nova classe de navios. Os parâmetros iniciais exigiam que a nova belonave possuísse alta velocidade e raio de alcance estendido, sendo capaz de realizar além da missão normal de escolta antissubmarino, proteção antiaérea e até combate na superfície. Estas exigências levariam a criação de um navio de porte e deslocamento muito maior que seus predecessores, que deveriam passar a contar com sistemas de defesa antiaérea mais numerosos e eficazes, dado a ameaça representada pela aviaçao de ataque embarcada.

Neste contexto esta seria  primeira classe de navios destroieres a ser  desenvolvida após a retirada dos limites impostos pelos tratados navais firmados entre as principais potencias logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. Seu projeto seria  finalizado em meados de 1939, sendo apresentado ao Escritório do Chefe de Operações Navais (Office of the Chief of Naval Operations), que em seguida conduziria uma detalhada análise. Neste processo seriam apontadas necessidades de correção e melhorias, onde se destacaria o  atendimento do requisito de velocidade que deveria variar  de 35 a 38 kn ( 65 a 70 km / h). Esta demanda  acabaria levando a  alteração do desing, ampliando o raio do casco em 46 cm. A fim de se evitar eventuais desequilíbrios de flutuação  como observado nas classes anteriores, seriam adicionados lastros de chumbo. Ao final deste processo esta nova classe passaria a apresentar em termos de dimensões:  114.8 metros de comprimento, 12 metros de boca e 5.5 metros de calado, representando assim um deslocamento padrão de  2.050 toneladas e 3.050 toneladas quando totalmente carregado. O navio seria propulsado por quatro  caldeiras Babcock & Wilcox de 39.8 kg/cm2 a 454º C; duas  turbinas a vapor General Eletric com geração de 60.000 shp, que operariam acoplados a dois eixos e dois hélices, contava ainda com dois turbo-geradores General Eletric. de 350 Kw e um gerador diesel de emergência General Eletric. de 100 Kw de potencia. O projeto final aprovado para construção, e como citado anteriormente apresentava uma classe com deslocamento superior aos destroieres em serviço até aquele momento, permitindo assim  posteriormente a incorporação de novos sistemas de armas ofensivos e defensivos sem a necessidade de grandes adaptações. Desde sua concepção original esta classe privilegiava um rápido e simplificado processo de construção, que o classificaria como um modelo padrão de desing para destroieres, norteando o desenvolvimento de projetos futuros como as classes  Allen M. Sumner e Gearing. Equipados com grandes tanques de combustível, os destróieres da classe Fletcher tinham uma excelente autonomia, podendo operar por longos períodos no mar sem reabastecimento. Sua autonomia era de cerca de 5.500 milhas náuticas a 15 nós. Além das turbinas principais, os navios possuíam sistemas auxiliares a vapor para fornecer energia para uma variedade de outras funções, incluindo geração de eletricidade, aquecimento e outros sistemas essenciais.
Desenvolvidos para portar um representativo sistema de armas, estes navios seriam dotados como armamento principal de cinco canhões de 5 polegadas (127 mm) em cinco torres  do tipo MK-30 singelas, seis  canhões Bofors L/60 de 40 mm em três reparos duplos MK1, um lançador quíntuplo MK quinze de torpedos de 21 polegadas; dois  lançadores de bombas granadas A/S (LBG) MK 10; uma calha de cargas de profundidade MK 3 e dois lançadores triplos MK 32 de torpedos antissubmarino de 324 mm. Além disso, estes navios seriam equipados com sonares de última geração e outros equipamentos de detecção, tornando-os aptos para combate anti-submarino. Por fim esta nova classe de  destroiers receberia o nome  batismo de “Fletcher Class” em homenagem ao Almirante Frank F. Fletcher. Seus contratos de construção classificados como de "prioridade total" envolviam cento e oitenta e oito navios, a um custo unitário de US$ 6 milhões, sendo destinados aos estaleiros  Federal Shipbuilding and Drydock Company, Kearny, New Jersey, Bath Iron Works, Bath, Maine, Boston Navy Yard, Charleston Navy Yard,Consolidated Steel Corporation, Orange, Texas, Gulf Shipbuilding Corporation, Chickasaw, Alabama, Bethlehem Steel Corporation, Staten Island, New York, Bethlehem Shipbuilding Corporation, San Francisco, California, Bethlehem Steel Company, San Pedro, California, Terminal Island, Seattle-Tacoma Shipbuilding Corporation, Seattle, Washington, Puget Sound Naval Shipyard . O primeiro navio começaria a ser construído no dia 03 de março de 1941, sendo lançado ao mar meses depois, com sua comissão junto a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), como DD-445 USS Fletcher ocorrendo no dia  30 de junho de 1942. Estes navios se  manteriam em construção contínua durante toda a Segunda Guerra Mundial, podendo ser considerada a classe de destroier mais produzida por qualquer país na história naval moderna. Em fins do ano de 1944,  a evidência da proximidade do termino do conflito, levaria ao cancelamento da construção de treze navios previstos no contrato inicial, com o último representante desta classe o  DD-804 USS Rooks sendo completado em 6 de junho de 1944, tendo sua comissão sendo efetivada em 02 de setembro do mesmo ano, chegando assim, a tempo de participar das ultimas ações no teatro de Operações do Pacifico.

Os primeiros vinte e cinco  navios  encomendados possuíam a ponte de comando arredondada, com esta representando uma  característica de desing muito presentes nas classes anteriores de  destroiers. Posteriormente, a ênfase na defesa antiaérea levaria a adoção de uma ponte redesenhada ou "quadrada" para melhorar as linhas de visão geral, com o USS Brownson (DD 518) sendo o primeiro navio a fazer uso desta alteração. Portanto podemos dividir esta classe em dois tipos de desing, sendo que cinquenta e oito navios eram de “alto” ou “ponte redonda” chamados popularmente de “round bridge”; e cento e dezessete eram de ponte baixa ou ponte quadrada (square bridge). Interessante citar que esta classe seria a primeira a empregar um sofisticado sistema de comunicações, radar e sensores eletroeletronicos, sendo composto por uma  suíte envolvendo um radar de vigilância aérea tipo SPS-6C; um  radar de vigilância de superfície SPS-10; um radar de direção de tiro Mk-25 mod.3 acoplado ao sistema de direção de tiro Mk-37 e um sistema de sonar de casco SQS-29. Em termos de tripulação cada navio era operado por  trezentos e dez homens, sendo dezessete oficiais, dez suboficiais, cinquenta e seis sargentos cinquenta e sete cabos e cento e setenta marinheiros. Os Fletchers entraram em serviço no auge da Segunda Guerra Mundial, com os primeiros embates sendo registrados já em agosto de 1942 quando seriam destinados ao teatro de operações do Pacífico  a fim de serem empregados em missões de escolta a grupos de porta aviões e comboios. Ao longo da Segunda Guerra Mundial em função do crescente numero de ataques, kamikaze seu numero de armas antiaéreas seria incrementado, normalmente resultando em cinco reparos Bofors duplos de 40 mm e sete Oerlikons únicos de 20 mm, com esta configuração sendo adotada por cinquenta e um navios até meados do ano 1945. No Pacífico, desempenharam um papel crucial em batalhas icônicas como a de Leyte Gulf e Okinawa. Estavam frequentemente na vanguarda dos combates, escoltando porta-aviões, bombardeando posições inimigas na costa e protegendo outros navios de ataques de submarinos e aeronaves. Seu design robusto e capacidade de combate os tornaram notavelmente resilientes. Em várias ocasiões, navios da classe Fletcher sofreram danos graves mas, devido à sua construção superior e à determinação de suas tripulações, conseguiram retornar ao combate ou a portos seguros.
Dezenove Fletchers foram perdidos durante a Segunda Guerra Mundial; mais seis foram danificados, avaliados como perdas totais construtivas e não reparados. após o término do conflito os navios remanescentes foram desativados e colocados em reserva. O repentino  eclodir da Guerra da Coreia em 1950, levaria o retorno a ativa de dezenas de destroiers da Classe Fletcher, destes trinta e nove seriam mordernizados, com este processo resultando na redução de seu armamento  principal, possibilitando assim a instalação de novos equipamentos eletronicos e e sistemas de radar.  A partir do final da década de 1950, trinta e dois navios desta classe seriam transferidos a nações alinhadas a geopolítica norte-americana, sendo cedidos nos termos  de programas de assistência militar, passando a servir nas marinhas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Alemanha, Grécia, Itália, Japão, Coréia do Sul , México, Peru, Espanha, Taiwan e Turquia. Ainda em serviço na Marinha dos Estados Unidos (US Navy) alguns navios desta classe  ainda chegariam a servir nos estágios iniciais da Guerra do Vietnã. demonstrando sua durabilidade e adaptabilidade,  a medida que novos navios eram desenvolvidos e a tecnologia naval avançava.  Em fins do ano de 1971 todos os navios remanescentes que ainda se encontravam na reserva nos Estados Unidos seriam descomissionados e  transformados em sucata, com tres destes o USS Cassin Young DD-793, USS The Sullivans DD-537 e USS Kidd DD-661 sendo preservados. Ja nas demais marinhas os navios desta classe se manteriam em serviço até o final da década de 1990, com o ultimo navio pertencente a marinha mexicana o Cuitláhuac ( Ex John Rodgers DD-574) sendo retirado do serviço ativo somente em 2001.

Emprego na Marinha do Brasil.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas Brasileiras foram submetidas a um amplo processo de modernização, sendo o país beneficiado por ser signatário do Acordo de Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Neste período em termos de equipamentos, nossas forças armadas se equiparavam com seus pares norte-americanos e britânicos, no caso específico da Marinha do Brasil alguns navios modernos foram incorporados, com seu foco principal estando dedicado a missões antissubmarino (ASW). Com este tipo de emprego sendo priorizado devido a ameaça de submarinos alemães e italianos. Porém em meados da década de 1950,  estes mesmo meios navais, com destaque para contratorpedeiros de escolta da Classe Bertioga (Cannon Class), já se encontravam completamente defasados em termos de desempenho, tecnologia de sensores e sistemas de armas, não fazendo mais frente as ameaças existentes no contexto de guerra antissubmarino (ASW) naquele período. Desta maneira  afim de atender a esta demanda, o Ministério da Marinha iniciaria um programa de estudos visando a modernização de sua Força de Contratorpedeiros. Naturalmente a escolha recairia sobre navios usados, processo este que seria facilitado a partir de 1952, quando da assinatura do Programa de Assistência Militar (Military Assistence Program – MAP) entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Assim negociações seriam conduzidas junto ao Departamento de Estado (DOS), resultando em 1959, na gradativa cessão em regime de empréstimo por cinco anos, envolvendo sete destroieres da Classe Fletcher, que se encontravam na reserva da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Para este programa seriam então selecionados os seguintes navios em carga :  USS Guest - DD 472, USS Cushing - DD 797, USS Bennett - DD 473, USS Lewis Hancock - DD 675, USS Hailey - DD 556, USS Shields - DD 596 e  USS Irwin - DD 794. Com este processo formalizado seria dado inicio ao processo de transferência, com o primeiro navio da classe o Contratorpedeiro Pará - D 27, ex-USS Guest - DD 472, um Fletcher da versão “round bridge”, sendo entregue as autoridades brasileiras em Bremerton, Washington, no dia 5 de junho de 1959. Neste momento seria iniciado o treinamento da tripulação, com a embarcação  posteriormente sob o comando do  Capitão-de-Fragata Silvio de Magalhães Figueiredo, iniciando sua viagem para o Brasil em 15 de dezembro e 1959.

Este contratorpedeiro foi  lançado ao mar no dia 20 de fevereiro de 1942 nos estaleiros da Boston Navy Yard, em Boston, Massachussetts, e incorporado a  Marinha dos Estados Unidos (US Navy) no dia 9 de fevereiro de 1943, seria a quarta embarcação a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Pará. Já em operação a partir de 1961 passaria a ser  popularmente chamado como o "Galo da Esquadra" e começaria a ser intensamente empregado em exercícios operacionais nacionais e multinacionais como Operação UNITAS III, FT-76, Operações SPRINGBOARD 69 e VERITAS II, UNITAS X, UNITAS XII.  No dia  1º de agosto, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha Brasileira por um valor simbólico.  Em 21 de agosto de 1978 seria realizada uma cerimônia,  sendo nesta submetido a Mostra de Desarmamento e baixa do Serviço Ativo da Armada.  Em 22 de fevereiro de 1983, após ter servido como alvo para o primeiro exercício de teste do míssil Exocet - MM 38, disparado por uma fragata classe Niterói, seria afundado em seguida com dois tiros de torpedo efetuados pelo  submarino Ceará - S 14.  O segundo navio desta classe o ex-USS Bennett - DD 473 foi incorporado a Marinha dos Estados Unido (US Navy) 9 de fevereiro de 1943, sendo transferido em regime de empréstimo a Marinha do Brasil em 15 de dezembro de 1959, quando receberia a designação de Contratorpedeiro Paraíba - D 28, sendo a quarta embarcação a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado da Paraíba. Chegaria no Brasil em 31 de janeiro de 1961 sob o comando do Capitão-de-Fragata Nelson Fernandes.  Além de ter sido empregado de vários exercícios multinacionais, apresentaria em 1964 destacada participação na Operação DRAGÃO I, a primeira da série daquela que seria durante várias décadas o mais importante evento de adestramento das forças anfíbias do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) Em 15 de agosto de 1973, seria  retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Em 21 de agosto seria realizada uma cerimônia conjunta com o contratorpedeiro Pará - D 27, sendo submetido a Mostra de Desarmamento e e baixa do Serviço Ativo da Armada
O Contratorpedeiro Paraná - D 29, ex-USS Cushing - DD 797, foi o quarto navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Paraná.  O Paraná foi construído pelo estaleiro Bethlehem Steel Shipyard Company, em Staten Island, New York e seria o Fletcher do tipo “square bridge”  a ser recebido. Esta navio seria transferido por empréstimo inicial de cinco anos e incorporado no Arsenal de Marinha de Norfolk, em Portsmouth, Virginia, em 20 de julho de 1961, pelo Aviso do MM n.º 1187 de 23/06/1961. Naquela ocasião, assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Roberto Coutinho Coimbra.  Em 10 de abril de 1972 , faria  parte da Força Naval Operacional 28 (F.028),  que em conjunto com navios portugueses transportariam os restos mortais do imperador Dom Pedro I em viagem para o Brasil. Em 8 de janeiro de 1973, foi retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Em 4 de abril, deu baixa do serviço ativo, em cerimônia de Mostra de Desarmamento realizada junto com a do CT Pernambuco - D 30, presidida pelo Chefe do Estado-maior da Armada Almirante-de-Esquadra José Gerardo Theóphilo de Aratanha, no cais da Ilha de Mocanguê, em Niterói, tendo atingido nesses quase vinte e um  anos de serviço com mais de 1.000 dias de mar e 350.000 milhas navegadas. O quarto navio a ser incorporado, o  Contratorpedeiro Pernambuco - D 30, ex-USS Hailey - DD 556, foi o segundo navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado de Pernambuco. O Pernambuco foi construído pelo estaleiro Seattle-Tacoma SB Co., em Seattle, Washington. Tratava-se de um Fletcher do modelo “round bridge” e destacava-se dos demais por contar com seis  canhões Mk 27 de 3 pol. (76,2 mm/50) ao invés dos Bofors L/60 de 40 mm, possuía ainda uma suíte de sensores mais aprimorada, contando com radiogoniômetro Raytheon mod 358-A ADF; agulhas giroscópica Sperry Mk 11; odômetro de fundo Litton Ind.; ecobatímetro EDO Ind. AN/UQN-1D; telefone submarino AN/UQC-1B; gravador de distância sonar Sangamo Elec. CA-55134A; LORAN Fada Radio DAS-3; receptor CME AN/BLR-1; equipamento de derrota estimada UR-6; sistema de direção de tiro A/S MK105, com diretor de ataque MK5; sistema designador de alvos TDS MK5, mod. 1; sistema Fanfare para defesa contra torpedos acústicos; e transmissores, receptores e transceptores de rádio. Seria transferido por empréstimo inicial de cinco anos, sob os termos do Pacto de Defesa Mútua, e incorporado no Arsenal de Marinha de Norfolk, em Portsmouth, Virginia, em cerimônia realizada no dia 20 de julho de 1961 pelo Aviso n.º 1.187 de 23/06/1961 MM e a O.D. n.º 34/1961 do CEMA. Naquela ocasião assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Helio Marroig de Mello. Em 1º de agosto de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos, sendo adquirido em definitivo pela marinha. Em 2 de abril de 1982, deu baixa do Serviço Ativo da Armada, após ter atingido a  marca de 317.640 milhas navegadas.

O Contratorpedeiro Piauí - D 31, ex-USS Lewis Hancock - DD 675, foi o terceiro navio a ostentar esse nome(2) na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Piauí e a serra do mesmo nome. O Piauí foi construído pelo estaleiro Federal SB & DD Co., em Kearny, New Jersey e representava um Fletcher do tipo “round bridge”. Seria transferido por empréstimo e incorporado a Marinha do Brasil em 2 de agosto de 1967. A exemplo dos demais navios desta classe esteve envolvido em muitos exercícios operacionais nacionais e internacionais de grande importância nos anos seguintes sendo popularmente chamado de o  "Pirata do Caribe".  Em 11 de abril de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Participaria da Operação ADEREX-I/89, sua última comissão no serviço da Armada, quando hasteou o Pavilhão de Capitânia da Esquadra. Em 2 de junho, deu baixa do serviço ativo, sendo submetido a Mostra de Desarmamento na Base Naval do Rio de Janeiro, em cerimônia presidida pelo Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Mário César Flores. Em quase vinte e dois anos de serviço na Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 327.533 milhas navegadas e 1.251 dias de mar. Ao longo de seus anos de serviço teria  dezenove comandantes. O Contratorpedeiro Santa Catarina - D 32, ex-USS Irwin - DD 794, foi o terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado de Santa Catarina. O Santa Catarina foi construído pelo estaleiro Bethlehem Steel Shipyard Co., em San Pedro, Califórnia. Em 1967, iniciou processo de reativação e modernização no Arsenal de Marinha da Philadelphia, na Philadelphia, Pennsylvania. Foi transferido por empréstimo e incorporado no Arsenal de Marinha da Philadelphia, em 10 de maio de 1968, Naquela ocasião, assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Nelson de Albuquerque Wanderley. Dentre suas contribuições a frota,  ressaltamos que o  D 32, em 22 de janeiro de 1969 , tornou-se o primeiro navio a realizar Transferência de Óleo no Mar (TOM) com o navio tanque Marajó - G 27. Em 11 de abril de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil.  Em 28 de dezembro de 1988, depois de 20 anos e 7 meses de serviço ativo deu baixa do serviço, sendo submetido a Mostra de Desarmamento, em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. segundo Portaria n.º 1027 do MM de 12/12/88. Até aquela ocasião atingiu as expressivas marcas de 1.380 dias de mar e 379.000 milhas marítimas navegadas. Em 31 de agosto de 1989, o casco do ex-contratorpedeiro Santa Catarina seria usado como alvo para o primeiro lançamento real de um míssil ar-superfície BAe Sea Skua, realizado por uma aeronave SAH-11 Lynx da Força Aeronaval, sendo atingido após o míssil percorrer  uma distância de quase 18 Km.
O Contratorpedeiro Maranhão - D 33, ex-USS Shields - DD 596, foi o sexto navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Maranhão. Este que seria o ultimo Fletcher a ser incorporado, foi construído pelo estaleiro Puget Sound Navy Yard, em Bremerton, Washington. Foi transferido e incorporado a Armada em 6 de julho de 1972, em cerimonia realizada em San Diego-CA, nos Estados Unidos. Em 11 de janeiro de 1972, seria incorporado a Esquadra, passando a subordinação da Força de Contratorpedeiros e do 1º Esquadrão de Contratorpedeiros. Durante toda sua carreira se fez presente em quase todos os exercícios operacionais nacionais e internacionais como, cinco edições da UNITAS, sete DRAGÃO, duas SARGASSE, duas TROPICALEX, duas ADEREX, duas TEMPEREX, BRASEX/79, AFRICA/79 e AMIGO/83. Em 15 de agosto de 1973, o D 33 "Urso da Califórnia" , seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos, sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil. Em 6 de julho, o contratorpedeiro D 33 Maranhão seria submetido a Mostra de Desarmamento, dando baixa do serviço ativo da Armada, em cerimônia conjunta com o Contratorpedeiro Mato Grosso - D 34 (Classe Summer), presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Renato de Miranda Monteiro. Ao longo de dezoito anos de serviços a Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 1.016 dias de mar e 270.717,87 milhas navegadas, e participou de diversas comissões, dentre elas, cinco Operações UNITAS, sete DRAGÃO, duas SARGASSE, duas TROPICALEX, duas ADEREX, duas TEMPEREX, BRASEX/79, AFRICA/79 e AMIGO/83. Ao longo de quase trinta anos os contratorpedeiros da Classe Fletcher prestaram relevantes serviços a Marinha do Brasil, sua incorporação a esquadra no início da década de 1960 promoveu uma revolução nas técnicas de guerra antissubmarino, contribuindo muito para a manutenção de uma doutrina moderna de combate naval e antissubmarino (ASW). Seria substituídos por navios pertencentes as classes Classe Gearing – FRAM I e Classe Allen M. Sumner - FRAM II e posteriormente pela Classe Garcia.

Em Escala.
Para representar os navios classe Fletcher pertencentes a Força de Contratorpedeiros da Marinha do Brasil, optamos pelo contratorpedeiro D 27 Pará, pois se trata de um  navio  do modelo “round bridge”,  que assim  mais se aproxima do kit da Tamiya na escala 1/350. Todos os navios recebidos pela Marinha Brasileira, sofreriam após término da Segunda Guerra Mundial,  uma série de mudanças decorrentes de vários programas de modernização. Assim deste maneira para se compor este contratorpedeiro se faz  necessário proceder algumas alterações em scratch building. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models. Fizemos uso de tintas  e vernizes produzidos pela Tom Colors.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão aplicado a todos os navios da Marinha dos Estados Unidos (US Navy)  durante as décadas de 1950 a 1970, com o qual os navios destinados a Marinha do Brasil foram recebidos. Este esquema seria mantido até a baixa do Serviço Ativo da Armada do ultimo navio desta classe no ano de 1990.

Bibliografia : 

- Fletcher-class Destroyer Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Fletcher-class_destroyer
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/

LVTP-7A1 FMC (CLAnf)

História e Desenvolvimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a rápida evolução das operações militares e a ampliação dos teatros de combate impuseram profundas transformações nas doutrinas táticas e logísticas. Em especial, as campanhas anfíbias em larga escala  evidenciaram a necessidade de meios especializados capazes de assegurar o desembarque contínuo de tropas, armamentos e suprimentos diretamente em praias sob fogo inimigo. A experiência acumulada nas primeiras operações demonstrou que o sucesso de uma invasão anfíbia dependia não apenas da superioridade naval e aérea, mas também da capacidade de projetar forças terrestres de maneira rápida, coordenada e sustentada em ambientes extremamente hostis. Nesse contexto, surgiram diversos equipamentos que se tornariam símbolos da logística militar aliada, como as embarcações de desembarque LCVP (“Higgins Boats”), os caminhões anfíbios GMC DUKW. A concepção de um veículo anfíbio sobre lagartas, capaz de operar eficientemente tanto em terra quanto na água, teve origem em um projeto civil desenvolvido nos Estados Unidos ainda antes da guerra. Em 1938, o engenheiro  Donald Roebling, motivado inicialmente por objetivos humanitários, projetou um veículo de resgate destinado a operar nas extensas regiões pantanosas da Flórida, particularmente nos Everglades, onde enchentes e furacões frequentemente isolavam comunidades inteiras. O veículo, batizado de “Alligator”, destacou-se por sua robustez, capacidade de flutuação e habilidade para deslocar-se em terrenos alagadiços, lamacentos e instáveis  características que despertaram o interesse da Comando da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Em reuniões subsequentes com o engenheiro, os oficiais envolvidos no processo apresentaram uma série de requisitos técnicos voltados à militarização do projeto original. As modificações incluíam melhorias na capacidade de carga, reforços estruturais, aprimoramentos na propulsão, com seu programa de desenvolvimento sendo iniciado em janeiro de 1940, com o primeiro protótipo sendo apresentado em maio do mesmo ano.  Os testes conduzidos revelaram, o grande potencial do conceito, sendo então autorizada a construção de um segundo protótipo, agora equipado com um motor a gasolina Lincoln-Zephyr, mais potente e eficiente. Novamente o desempenho aferido seria muito satisfatório, levando a sua aceitação oficial em  fevereiro de 1941, recebendo a designação de LVT-1 (Landing Vehicle Tracked). A produção em série foi confiada à FMC Corporation,  que recebeu um contrato inicial para a fabricação de 200 unidades. O LVT-1 representava uma inovação significativa para a época, introduzindo um novo conceito operacional que combinava capacidade anfíbia, mobilidade tática e apoio logístico em um único veículo. Seu batismo de fogo ocorreu em 1942, durante a Campanha de Guadalcanal, nas Ilhas Salomão, considerada a primeira grande ofensiva terrestre das forças aliadas contra o Japão no teatro do Pacífico. Operando ao lado da 1st Marine Division,  foram inicialmente empregados em missões logísticas de reabastecimento entre os navios ancorados ao largo da costa e as posições avançadas em terra. As condições extremamente adversas encontradas em Guadalcanal  marcadas por praias lamacentas, vegetação densa, infraestrutura precária e constante ameaça inimiga evidenciaram rapidamente a importância estratégica desses veículos. 

Até o outono de 1943, o LVT-1 Alligator já havia desempenhado papel decisivo na consolidação da conquista de Guadalcanal pelas forças aliadas, demonstrando, na prática, o valor estratégico dos veículos anfíbios rastreados nas operações modernas de desembarque. Sua atuação bem-sucedida naquele teatro de operações contribuiu para transformar profundamente as doutrinas anfíbias, consolidando o conceito de emprego integrado entre meios navais, aéreos e terrestres em ofensivas anfíbias de grande escala. Nas campanhas subsequentes conduzidas no Pacífico, especialmente durante a estratégia aliada de conquista “ilha a ilha”, os veículos da série LVT assumiram posição central nas primeiras ondas de assalto anfíbio. Operando frequentemente sob intenso fogo inimigo, essas viaturas tornaram-se essenciais para assegurar o rápido desembarque de tropas, armamentos, munições e suprimentos diretamente nas praias contestadas. Seu emprego alcançou notoriedade durante a Batalha de Tarawa, iniciada em novembro de 1943. Naquela operação, considerada uma das mais violentas e sangrentas do teatro do Pacífico até então, mais de 260 veículos  participaram ativamente das primeiras ondas de ataque contra as fortificações japonesas no atol de Betio. Em razão das extensas barreiras de coral que impediam a aproximação das embarcações convencionais de desembarque, os LVT revelaram-se praticamente indispensáveis para o sucesso da operação. Além de transportar tropas e equipamentos sob fogo cerrado, os veículos também desempenharam funções de evacuação de feridos, reabastecimento avançado e apoio logístico contínuo durante os combates. A operação em Tarawa evidenciou, contudo, tanto as virtudes quanto as limitações do modelo inicial. Embora extremamente eficazes em mobilidade anfíbia, os LVT-1 apresentavam proteção blindada limitada e vulnerabilidade significativa ao fogo inimigo, especialmente contra armas automáticas e peças anticarro japonesas. Com o desempenho amplamente comprovado em combate  os veículos anfíbios rastreados da série LVT consolidaram-se definitivamente como elementos indispensáveis nas operações anfíbias modernas. Campanhas posteriores, como as invasões de Saipan, Peleliu, Iwo Jima e Okinawa, reforçaram ainda mais a percepção de que esses veículos deveriam evoluir não apenas em capacidade de transporte, mas também em proteção blindada, potência motriz e poder defensivo. Reconhecendo o elevado valor estratégico dessas plataformas, o Departamento de Guerra dos Estados Unido destinou novos recursos à FMC Corporation para o aperfeiçoamento do conceito original e o desenvolvimento de variantes mais avançadas. Dessa iniciativa surgiram modelos como o LVT-2 Water Buffalo e o LVT-3 Bushmaster, ambos amplamente empregados nas fases finais da guerra. Essas versões incorporavam melhorias substanciais em mobilidade, confiabilidade mecânica e capacidade de carga, refletindo diretamente as lições operacionais obtidas nos combates do Pacífico. Posteriormente, ainda durante o período final do conflito, foi introduzido o LVT-4 Water Buffalo, variante considerada uma das mais importantes evoluções da série. O novo modelo apresentava modificações estruturais significativas, incluindo uma rampa traseira de desembarque  solução que facilitava enormemente o embarque e desembarque rápido de tropas e cargas  além de melhorias na blindagem, maior capacidade de transporte e incremento na autodefesa da viatura. 
Ao final do conflito, seria iniciado um amplo processo de revisão doutrinária e tecnológica, nesse contexto, em 1947, foi emitida uma nova especificação técnica destinada ao desenvolvimento de um veículo blindado de transporte de pessoal anfíbio. Este  deveria apresentar casco totalmente fechado e blindado, oferecendo maior proteção à tripulação e aos fuzileiros embarcados em ambientes de combate intensivo, inclusive diante da ameaça crescente de armas automáticas, fragmentação de artilharia e agentes químicos. Duas empresas responderam aos requisitos estabelecidos: a Borg-Warner e a própria FMC Corporation. Ambas desenvolveram protótipos funcionais, posteriormente submetidos a extensivos programas de testes comparativos conduzidos em diferentes condições operacionais e tipos de terreno.Após rigorosas avaliações técnicas e operacionais, o projeto apresentado pela FMC Corporation foi declarado vencedor em setembro de 1955. A decisão culminou na assinatura de um contrato inicial para a produção de 200 unidades, oficialmente designado LVTP-5 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel). Seriam introduzidos em serviço em meados de 1956, e logo demonstraram desempenho superior em capacidade de transporte e proteção em relação aos modelos predecessores. Seu batismo de fogo ocorreu durante as fases iniciais da Guerra do Vietname (1967–1975), onde o veículo foi empregado em operações de desembarque e apoio logístico. Apesar do êxito nas missões designadas, o veículo revelou limitações operacionais significativas: seu grande porte e peso elevado afetavam a agilidade tanto em meio aquático quanto terrestre, comprometendo a manobrabilidade tática em terreno adverso.  Consciente dessas deficiências, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) iniciou, em 1969, um programa de estudos e avaliação técnica com o objetivo de desenvolver um sucessor para o LVTP-5, capaz de oferecer melhor desempenho, velocidade e flexibilidade tática sem sacrificar a proteção e a capacidade de carga.  Em abril de 1970, foi lançada uma concorrência internacional para a seleção de um novo veículo de desembarque rastreado para transporte de pessoal (LVTP) O edital estabelecia exigências específicas: o veículo deveria ser capaz de partir de navios posicionados off-shore, transportar até 25 soldados totalmente equipados para combate ou 5.000 kg de carga, além de possuir sistemas de armamento e blindagem otimizados para garantir a sobrevivência em ambientes de alto risco. Quatro fabricantes atenderiam a este chamado, e as análises iniciais resultariam em "short list" de dois concorrentes, com os protótipos funcionais designados como LVTPX12 sendo apresentados em janeiro de 1972 e testados exaustivamente em campo.  A proposta apresentada pela FMC se mostrava mais  atrativa, principalmente por apresentar uma alta comunalidade componentes com o M-113 APC, tornando o  novo veículo mais barato e fácil de manter.  Após definição dos últimos detalhes técnicos, seria celebrado um contrato no valor de US$ 78,5 milhões prevendo a aquisição de mais de 900 carros anfíbios com sua produção em série sendo iniciada em julho de 1972. No entanto este acordo não previa as estações de armas que seriam fornecidas a partem elevando o pacote para US$ 129 milhões. Em janeiro do ano seguinte seriam entregues as unidades de avaliação, as primeiras unidades do agora designado LVTP-7, apresentando um design inovador quando comparado ao seu antecessor LVTP-5. 

Seu porte o favorecia no ambiente marinho, possuindo 7,54 metros de comprimento, 3,14 metros de largura, 3,12 metros de altura, com peso vazio de 18 toneladas, e carregado com 23,5 toneladas.  Estava equipado com um novo motor Detroit Diesel 8V-53T, de 400 hp, com transmissão automática com quatro marchas a frente e uma a ré. Podia desenvolver 65,4 km/h em estradas e até 13,5 km/h na água, graças a seu novo sistema com dois hidrojatos operando em conjunto com as hélices propulsoras. Com este conjunto motriz, seria permitido um alcance de 480 km (300 milhas) e 20 milhas náuticas em mar calmo, poderia operar ainda em mar revolto, porém a uma velocidade muito degradada e com mais consumo. Estava equipado com um sistema primário de blindagem de 45 mm (1,8 polegadas), que o permitia resistir a armas de pequeno e médio calibre, proporcionando a seus ocupantes uma relativa proteção nas operações de desembarque. Em termos de aparência, se assemelhava um pouco às versões IFV (infantry fighting vehicle) mais avançadas do  M-113, compartilhando ainda o mesmo trem de rodas e seção traseira inclinada, mas mais longos e volumosos.  Possuía um casco de alumínio totalmente soldado, protegendo a tripulação de fogo de armas pequenas e estilhaços de projéteis. Dispunha de 07 blocos de visão diurna, sendo o central trocado por um periscópio de visão noturna, contando com um conjunto de luzes de direção noturna, e por fim um periscópio M-17C. Podia  transportar nada menos que 25 soldados totalmente equipados, sendo acomodados em três bancos corridos no compartimento traseiro. Um seria colocado no centro, com posições consecutivas, e um de cada lado. Este banco central poderia ainda ser removido e os laterais dobrados, deixando espaço para cerca de 4.536 kg de carga. A entrada e saída eram feitas pela rampa elétrica traseira do veículo, também ajudando na movimentação de carga.  O teto do compartimento de tropas também compreendia três pesadas escotilhas de teto de mola de torção para os soldados dispararem na marcha de saída de lá, salientando que devido a essas aberturas, o LVTP7 não possui sistema  de proteção nuclear e química NBC. O compartimento traseiro também pode ser usado como ambulância, com seis macas dentro.  Outros kits incluíam uma viseira de navegação e um kit de inverno com aquecimento especial testados a partir de -54 ° C no exterior. Sua autodefesa seria proporcionada por uma metralhadora M-85 de calibre  0.50, instalada em uma torre automatizada, derivada do modelo empregado nos carros de combate M-48 e M-60 de rotação eletro-hidráulica. Após aceitação oficial,  começaram a ser distribuídas aos Batalhões de Anfíbios de Assalto do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), onde substituíram de imediato os LVTP-5, provando ser a decisão mais acertada possível, face ao excelente desempenho observado. Nesta primeira fase,  os positivos resultados operacionais aferidos despertariam  a atenção de outras nações, com o modelo passando a receber contratos de exportação, com versões sendo vendidas para as forças armadas da Argentina, Itália, Indonésia e Japão.  No final da década de 1970 o comando da Marinha dos Estados dos Unidos (U.S. Navy), visando aprimorar suas táticas de guerra anfíbia, passaria a estudar melhorias a serem implementadas tanto em doutrina operacional quanto em termos de equipamentos, veiculos, aeronaves e armamentos especializados neste modal de dissuasão  
Análise detalhadas revelariam o grande potencial de crescimento operacional dos LVTP-7 para as décadas seguintes, com a empresa FMC Corporation sendo contratada para conduzir o Programa de Extensão da Vida Útil do Modelo LVTP-7 (SLEP). Este processo abrangia basicamente um completo retrofit estrutural e implementação de uma série de modificações, com o objetivo de obter expressiva melhoria em seu desempenho operacional.  O motor original Detroit Diesel 8V-53T de 400 hp, seria substituído pelo novo e mais potente Cummins Diesel VT-400 de 525 hp de, operando em conjunto com uma transmissão automática mais eficiente do modelo FMC HS-400-3A1. A suspensão e os amortecedores também foram reforçados.  O tanque de combustível tornou-se mais seguro, e um sistema gerador de fumaça de queima de combustível foi adicionado. O acionamento hidráulico da estação de armas foi substituído por motores elétricos eliminando assim o risco de incêndios, oito lançadores de granadas de fumaça também foram colocados ao redor da estação de armamento.  Os aglomerados de faróis foram alojados em um recesso quadrado em vez do tipo redondo anterior. O motorista receberia um painel de instrumentos melhorado e um dispositivo de visão noturna de última geração, e um novo sistema de ventilação foi instalado. Os carros modernizados passariam a ser designados como LVTP-7A1, passando a partir de 1984 a ser redesignados como AAV-7A1 (Assault Amphibious Vehicle).  Seriam ainda desenvolvidas as versões de comando AAVC-7A1, sem a torre, equipamento de comunicação extra no compartimento de carga, antena de seis chicotes. Dois rádios de tripulação, VIC-2, dois VRC-92s, um VRC-89, um PRC-103 UHF, MRC-83 HF, sistema de interconexão de redes MSQ e socorro AAVR-7A1, também sem torre, equipado com guindaste e unidade de ferramentas para reparos em campo. É composto por uma equipe de três pessoas mais a equipe de reparos. Seu batismo de fogo se daria durante o durante a  Guerra das Falklands - Malvinas (1982), quando quando vinte LVTP-7  operados pelos Fuzileiros Navais da Argentina (Imara), foram empregados com sucesso na operação da invasão das ilhas britânicas. Em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps), os LVTP-7A1 seriam postos em um cenário de conflagração real, ao compor a  Força Multinacional de Manutenção da Paz em Beirute, no Líbano (Multinational Force in Lebanon, MNF), durante o período compreendido entre os anos de 1982 e 1984. Participariam ainda da operação Urgent Fury no  desembarque anfíbio em 1985 durante a invasão da   ilha de Granada na América Central. Em 1991 seriam postos a prova novamente durante a primeira Guerra do Golfo e posteriormente em 2003 durante os eventos que se sucederam a operação Unified Task Force (UNITAF) - Restore Hope da Organização das Nações Unidas (ONU) na Somália. Após Segunda Guerra do Golfo em 2003, os agora renomeados como AAV-7A1 seriam seriamente criticados por fornecer pouca proteção para a tripulação e infantes, quando em comparação com outros veículos, como o M-2 Bradley. Neste cenário seriam fustigados por lança foguetes do tipo RPG e morteiros, resultando em oito veículos destruídos durante a Batalha de Nasiriyah (23–29 de março de 2003). Ao longo dos anos, novos equipamentos acessórios e versões seriam desenvolvidos, com modelo se mantendo em produção até os dias atuais, com um total de 1.900 veículos entregues, estando em operação, nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, Grécia, Indonésia, Itália, Japão, Filipinas, Taiwan, Espanha, Coréia do Sul e Tailândia.

Emprego na Marinha do Brasil.
O primeiro embrião das operações militares anfíbias no Brasil começou a ser estruturado a partir de meados da década de 1950, com a aprovação de uma nova regulamentação que redefinia o emprego operacional do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Esse processo representou uma profunda transformação na doutrina e na organização da força, consolidando o seu papel como tropa de elite expedicionária e dotando-a de plena capacidade operativa com ênfase nas operações anfíbias. Como resultado direto dessa reorientação estratégica, foi criada a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) unidade destinada a constituir o núcleo de prontidão e combate do CFN. Nos anos subsequentes, iniciou-se um amplo programa de reequipamento, que incluía a incorporação dos primeiros navios de transporte de tropas, como o G-20 Custódio de Mello, o G-16 Barroso Pereira, o G-21 Ary Parreiras e o G-22 Soares Dutra, além das embarcações de desembarque de pessoal (LCVP – Landing Craft, Vehicle, Personnel) do modelo Higgins Boats. Esses meios constituíram a base material necessária para o estabelecimento de operações anfíbias em larga escala no âmbito da Marinha do Brasil. Os primeiros exercícios de desembarque anfíbio de grande porte foram realizados no início da década de 1960, consolidando o treinamento e a integração entre os meios navais e terrestres. Essas manobras revelaram, contudo, uma limitação operacional significativa: a ausência de veículos anfíbios blindados capazes de prover apoio direto às tropas durante o desembarque nas praias. Para suprir temporariamente essa lacuna, o CFN incorporou, a partir de meados da década de 1970, 34 caminhões anfíbios GMC DUKW, adquiridos de segunda mão da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Esses veículos foram posteriormente complementados por versões similares produzidas no Brasil. O desempenho satisfatório dos DUKW em operações de transporte e desembarque motivou o Comando da Marinha do Brasil a considerar a aquisição de veículos blindados especializados nesse tipo de missão. Em um contexto de fortalecimento da indústria nacional de defesa, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) tornar-se-ia, curiosamente, o primeiro cliente militar do novo veículo blindado de transporte de tropas Engesa EE-11 Urutu, desenvolvido no início da década de 1970 pela Engesa S/A. As primeiras unidades foram incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz) a partir de 1976, marcando o início da formação de uma doutrina nacional de emprego de viaturas blindadas em operações anfíbias. No entanto, a experiência prática revelou as limitações do EE-11 Urutu nesse tipo de ambiente. Embora robusto e eficiente em terreno firme, o veículo  por possuir tração 6x6 sobre rodas  apresentava dificuldades de locomoção em áreas arenosas e alagadiças, características típicas das zonas de desembarque. Assim, decidiu-se pela realocação dos Urutu para outras funções, como transporte motorizado e apoio logístico, enquanto novos estudos foram conduzidos para identificar um veículo mais adequado às operações anfíbias propriamente ditas. Durante as análises conduzidas pelo Estado-Maior da Armada, foi identificado que o veículo mais apropriado para atender às exigências operacionais seria o FMC LVTP-7, então o mais moderno veículo anfíbio blindado do mundo. 

Contudo, as restrições orçamentárias e o alto custo de aquisição inviabilizaram sua compra. Como alternativa viável, optou-se pela aquisição de um lote de blindados FMC M-113A1, já amplamente empregados pelo Exército Brasileiro desde 1967. Embora o M-113 não possuísse plena capacidade anfíbia oceânica, sua versatilidade, baixo custo de manutenção e comunalidade logística com o Exército tornaram-no uma solução pragmática. Essa decisão representou um passo intermediário no amadurecimento da doutrina anfíbia nacional, ao mesmo tempo em que manteve a capacidade de mobilidade blindada do Corpo de Fuzileiros Navais em constante evolução. Após a decisão de adotar uma solução alternativa à aquisição do veículo anfíbio rastreado FMC LVTP-7  inviabilizada por seu elevado custo , o Governo Brasileiro iniciou tratativas com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), com vistas à incorporação de veículos blindados da família FMC M-113. As negociações resultaram em um acordo bilateral que previa o fornecimento de um lote de 30 veículos novos de fábrica, distribuídos em quatro variantes operacionais, conforme as necessidades identificadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Este processo se materializaria em um acordo prevendo o fornecimento de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113, que seria dividido em quatro modelos, sendo vinte e quatro na versão M-113A1 Transporte de Tropas, dois M-125A1 carro porta morteiro, um M-113A1G oficina e um carro socorro XM-806E1. Os primeiros veículos foram entregues em 7 de novembro de 1976, sendo incorporados ao então Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). A introdução desse novo material exigiu a implementação de um amplo programa de treinamento operacional, conduzido por instrutores norte-americanos em cooperação com oficiais do Exército Brasileiro, que já possuíam sólida experiência no emprego do M-113 desde o final da década de 1960. Concluída a fase de instrução, as viaturas passaram a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu, substituindo-os gradualmente nas funções de transporte blindado de pessoal. Em 20 de dezembro de 1977, buscando alinhar a nomenclatura da unidade à sua nova missão, o Batalhão de Transporte Motorizado foi extinto, dando lugar à criação da Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). A introdução do M-113A1 representou um marco na evolução da doutrina operacional anfíbia, elevando substancialmente a eficiência dos desembarques em regiões litorâneas. O veículo demonstrou elevada confiabilidade, facilidade de manutenção e boa mobilidade em terrenos variados. Contudo, por não se tratar de um veículo anfíbio oceânico genuíno, o M-113A1 apresentava restrições operacionais significativas, sendo incapaz de operar como parte da força de assalto principal em desembarques diretos a partir de navios de transporte posicionados em alto-mar. Assim, seu emprego ficava limitado às operações realizadas a partir de navios de desembarque de doca (LSD) ou de embarcações de desembarque de viaturas e pessoal (LCVP e LCM). Essa limitação técnica impedia o lançamento de tropas a partir de distâncias seguras da costa, capacidade estratégica que já era explorada com sucesso por diversas forças navais modernas à época.
Diante dessa significativa lacuna operacional, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) iniciou, ao longo da primeira metade da década de 1980, um amplo processo de estudos destinado à definição dos requisitos técnicos e doutrinários para a incorporação de um moderno veículo anfíbio rastreado especializado. A iniciativa refletia a crescente preocupação do comando naval brasileiro em dotar a força de meios compatíveis com os novos conceitos de guerra anfíbia então empregados pelas principais marinhas do mundo. Para conduzir esse processo, foi instituído um grupo de trabalho encarregado de avaliar as necessidades operacionais e estabelecer os parâmetros básicos para a futura aquisição. Entre os requisitos definidos destacavam-se a necessidade de elevada mobilidade anfíbia, adequada proteção blindada, capacidade de autodefesa orgânica e possibilidade de operar de forma integrada em desembarques anfíbios de grande escala As especificações buscavam assegurar  uma capacidade efetiva de projeção de poder sobre áreas litorâneas hostis, permitindo o rápido desembarque de tropas diretamente da força-tarefa naval para o objetivo em terra. Além disso, pretendia-se garantir maior autonomia operacional à força anfíbia brasileira, alinhando-a aos padrões doutrinários internacionais vigentes. Nesse período, passou-se  a consolidar as bases organizacionais e doutrinárias que sustentariam a futura operação de veículos anfíbios blindados sobre lagartas. O processo envolveu estudos técnicos, avaliações logísticas, análises de interoperabilidade e observação de experiências estrangeiras, especialmente aquelas conduzidas pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Dessa iniciativa surgiria o núcleo embrionário da unidade que posteriormente seria designada como Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf). Essa organização desempenharia papel fundamental na estruturação da doutrina operacional brasileira de emprego de veículos anfíbios blindados, tornando-se responsável pela formação de pessoal, manutenção especializada e desenvolvimento das capacidades operacionais relacionadas à guerra anfíbia mecanizada. Após criteriosa análise das alternativas disponíveis no mercado internacional, a opção considerada mais adequada às necessidades brasileiras foi o LVTP-7, com esta decisão  influenciada pela experiência prévia de oficiais brasileiro  que haviam participado de exercícios combinados e programas de intercâmbio com os fuzileiros navais norte-americanos. Essas atividades permitiram aos militares brasileiros observar diretamente o desempenho do veículo em operações anfíbias reais e simuladas, reforçando a percepção de que atendia plenamente aos requisitos estabelecidos. As negociações oficiais para aquisição do novo veículo culminaram, em setembro de 1984, na assinatura de um acordo entre o Governo Brasileiro e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD). A operação foi conduzida sob os termos do programa Foreign Military Sales (FMS), mecanismo de cooperação militar norte-americano destinado à venda de equipamentos militares a países aliados em condições financeiras e logísticas facilitadas. O contrato previa o fornecimento de 12 veículos viaturas, sendo provenientes de estoques operacionais  que  haviam passado recentemente por processos de revisão e modernização, encontrando-se em excelentes condições para reemprego operacional imediato. Destes 10 eram da versão de transporte de tropas AAVP-7A1, 01 unidade da versão de comando AAVC-7A1 e 01 unidade da versão de socorro e recuperação AAVR-7A1.

Os veículos foram desembarcados no píer da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, em julho de 1986, e após passarem por inspeções técnicas e procedimentos de recebimento, as viaturas foram oficialmente incorporadas ao acervo operacional da força, recebendo no Brasil a denominação de Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf). A chegada dos novos meios representava muito mais do que a simples aquisição de equipamentos militares. Tratava-se da consolidação de uma nova capacidade operacional para a Marinha do Brasil, alinhando o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) às modernas doutrinas anfíbias empregadas pelas principais forças expedicionárias do mundo ocidental durante o contexto final da Guerra Fria. Nos três meses subsequentes ao recebimento das viaturas, foi conduzido um intenso programa de instrução, adaptação doutrinária e capacitação técnica. O processo envolveu cursos especializados de operação, manutenção e emprego tático ministrados por instrutores norte-americanos, contando também com a participação de militares brasileiros que posteriormente se tornariam os primeiros quadros especializados da nova unidade anfíbia mecanizada. Concluída essa fase inicial de formação, os AAV-7A1 passaram oficialmente à condição de principal vetor anfíbio rastreado do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Sua incorporação marcou o início de uma nova etapa de modernização operacional da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), ampliando significativamente as capacidades de projeção de poder, mobilidade tática e proteção blindada das tropas anfíbias brasileiras. Empregados prioritariamente em missões de apoio direto ao combate, os veículos da versão AAVP-7A1 passaram a desempenhar papel central no chamado Movimento Navio para Terra (MNT), conceito fundamental das operações anfíbias modernas. Essa doutrina prevê o rápido deslocamento das forças desembarcadas diretamente dos navios da força-tarefa para os objetivos em terra, assegurando velocidade, continuidade da impulsão ofensiva e proteção às tropas durante as fases mais vulneráveis da operação. Os CLAnf proporcionaram um expressivo incremento de mobilidade tática, aliado a um robusto nível de proteção blindada. Pela primeira vez, as tropas brasileiras passaram a dispor da capacidade de desembarcar sob relativa proteção contra fogo inimigo, mantendo elevada velocidade de progressão tanto na água quanto em terra. Além disso, o armamento orgânico das viaturas aumentava significativamente o poder de fogo das primeiras vagas de assalto anfíbio. Sua introdução também representou uma profunda transformação na doutrina anfíbia nacional. Até então, os desembarques dependiam fundamentalmente de embarcações convencionais de desembarque, como as LCVP e LCM, limitadas por fatores como profundidade, obstáculos naturais e condições do terreno costeiro. Com os AAV-7A1 CLAnf , tornou-se possível realizar desembarques em extensos trechos do litoral anteriormente considerados inadequados para operações anfíbias tradicionais. A combinação entre capacidade anfíbia, velocidade, autonomia e blindagem elevou substancialmente o poder de choque das tropas desembarcadas, ampliando a flexibilidade operacional da força anfíbia brasileira e modernizando profundamente os conceitos de emprego. Inicialmente, os veículos operaram embarcados em meios como o Ceará (G-30) e, posteriormente, nos modernos navios-doca multipropósito, como o Bahia (G-40), ampliando consideravelmente a capacidade de projeção anfíbia brasileira no Atlântico Sul.
A variante AAVC-7A1 denominada no Brasil como CLAnf Comando era equipada com um avançado conjunto de sistemas de comunicações, coordenação e controle, permitindo sua utilização como um Centro de Operações de Combate (COC) móvel. Essa configuração possibilitava acompanhar o avanço das tropas desembarcadas enquanto mantinha a coordenação tática das operações anfíbias e terrestres em tempo real, assegurando maior eficiência no comando e controle das forças durante as fases críticas do desembarque e consolidação da cabeça de praia. Já o modelo AAVR-7A1 designado como CLAnf Socorro, fora projetado para executar manutenções de até terceiro escalão em veículos danificados durante o combate. Essa versão dispõe de guincho de 17 toneladas, guindaste de 2,9 toneladas, compressor de ar, gerador elétrico, equipamentos de solda e ferramentas especiais, assegurando autonomia de recuperação em campo.  Ao longo das décadas, estes blindados  demonstraram notável desempenho operacional, não apenas em exercícios anfíbios e adestramentos combinados, mas também em operações reais em ambiente urbano. Sua robustez e capacidade de transporte foram amplamente comprovadas durante as ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) deflagradas pelo Governo Federal no estado do Rio de Janeiro, em 2010, quando diversas viaturas participaram de operações de invasão e estabilização de comunidades na zona sul da capital fluminense. Essa atuação destacou a versatilidade e adaptabilidade do CLAnf às mais diversas condições de operação, consolidando sua posição como um dos principais vetores de projeção anfíbia e apoio de combate do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Seu expressivo êxito obtido no emprego operacional, levou o Comando da Marinha a considerar, ainda na segunda metade da década de 1980, a ampliação da frota com a aquisição de um segundo lote de veículos. Seguindo o modelo adotado na aquisição inicial, as negociações foram conduzidas junto ao Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoD), buscando novamente usufruir dos termos vantajosos do programa Foreign Military Sales (FMS).  Em meados de 1986, o governo norte-americano concedeu a autorização oficial para a operação, resultando na celebração de um contrato com a United Defense Limited, então responsável pela produção da família de veículos AAV7 (Assault Amphibious Vehicle). O acordo previa a entrega de 14 viaturas de segunda geração, sendo 10 unidades na versão de transporte de pessoal (AAVP-7A1), 01 unidade de comando (AAVC-7A1) e 01 unidade de socorro (AAVR-7A1). Esses veículos incorporavam aperfeiçoamentos técnicos significativos em relação ao primeiro lote recebido em 1986, refletindo a constante evolução do modelo na linha de produção norte-americana. Entre as principais melhorias, destacava-se a instalação de uma nova torre automatizada, equipada com uma metralhadora pesada M2HB calibre .50 (12,7 mm) e um lançador automático de granadas MK-19 calibre 40 mm, aumentando assim consideravelmente o poder de fogo e a capacidade de autodefesa da viatura em cenários de conflagração. Em 2018, o Ministério da Defesa retomaria as tratativas com o governo norte-americano visando a aquisição de uma nova frota de veículos de terceira geração, como parte de um programa de revitalização e modernização da capacidade anfíbia brasileira. O contrato resultou na compra de 23 unidades do modelo AAVP-7A1 RAM/RS (Reliability, Availability, Maintainability/Rebuild to Standard)  a versão mais moderna em serviço

Em Escala:
Para representarmos o FMC AAVP-7A1 CLAnf de primeira geração, fizemos uso antigo do kit Academy na escala 1/35, modelo muito básico que não apresenta nenhum detalhamento do interior.  Para se configurar a versão operada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), deve-se alterar o posicionamento dos faróis, pois o modelo original representa a primeira versão de produção o LVTP-7. Felizmente o conjunto ótico do modelo LVP-7A1 é fornecido a parte deste kit, bastando assim proceder uma rápida alteração. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Produtcs presentes no Set “Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pelos AAVP-7A1 CLAnf pertencentes a Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf), substituindo assim os dois padrões de camuflagem originais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) com os quais foram recebidos em 1986. Atualmente um terceiro padrão foi adotado para os veículos blindados da Marinha do Brasil, sendo mantido até os dias atuais.
Bibliografia :
- Assault Amphibious Vehicle - Wikipedia -  http://en.wikipedia.org/wiki/Assault_Amphibious_Vehicle
- Fuzileiros Blindados Parte II - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-ii/
- Tecnologia e Defesa - Mais Clanfs para a Marinha do Brasil - 
http://www.tecnodefesa.com.br/materia.php?materia=363
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos

EE-11 Engesa Urutu (VBTP)

História e Desenvolvimento.
Em 1958, o engenheiro mecânico-eletricista José Luiz Whitaker Ribeiro protagonizou um dos marcos mais relevantes da industrialização do setor de defesa brasileiro ao liderar a fundação da ENGESA – Engenheiros Especializados S.A. Sob sua direção, seria reunido um seleto grupo de jovens engenheiros recém-formados, muitos deles oriundos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Inicialmente, a empresa concentrou suas atividades na fabricação de componentes, ferramentas e equipamentos destinados à exploração de petróleo, tendo como principal cliente a Petrobras. Graças ao elevado nível técnico de seu corpo de engenheiros, a empresa rapidamente conquistou reconhecimento no setor de petróleo e gás, ampliando gradativamente seu volume de negócios e consolidando-se como uma organização de alta especialização. Durante esse processo de expansão, a empresa passou a enfrentar dificuldades logísticas relacionadas ao desempenho de sua frota de caminhões em terrenos precários, especialmente nas estradas de terra e barro características das regiões litorâneas brasileiras onde atuava. A deficiência dos veículos convencionais em operações fora de estrada levou José Luiz  a buscar uma solução técnica nacional que garantisse maior mobilidade e confiabilidade operacional. Dessa necessidade surgiu o desenvolvimento de uma caixa de transferência com tração integral, concebida para combinar simplicidade mecânica, robustez estrutural e facilidade de adaptação a diferentes veículos utilitários. Após uma série de testes realizados na própria frota da empresa, o sistema demonstrou desempenho significativamente superior em condições off-road, permitindo que caminhões operassem com maior eficiência em terrenos de difícil acesso. Diante dos resultados obtidos, decidiu-se investir comercialmente na nova tecnologia. Em 1966, foi oficialmente lançado o chamado “Sistema de Tração Total Engesa”, solução que conferia a caminhões civis modificados uma capacidade de mobilidade inédita, despertando a atenção tanto do mercado civil quanto das autoridades militares. O sucesso da solução despertou especial interesse do Exército Brasileiro, que naquele momento buscava substituir e nacionalizar parte de sua frota de caminhões militares de origem norte-americana, recebidos durante a década de 1940. Em resposta às exigências operacionais, a Engesa S/A produziu 04 protótipos equipados com seu sistema de tração integral, os quais foram submetidos a extensivos testes de campo. Os resultados revelaram desempenho altamente satisfatório, particularmente em terrenos acidentados e condições severas de operação, culminando na homologação do sistema pelas autoridades militares brasileiras. Em 1967, o Ministério do Exército classificou oficialmente a solução como de “Interesse para a Segurança Nacional”, reconhecimento que consolidou a posição estratégica da empresa no nascente complexo industrial militar. Com o objetivo de substituir os antigos caminhões militares norte-americanos com tração integral, seria aberta  uma concorrência destinada ao fornecimento de caminhões nacionais “militarizados”, equipados com sistemas de tração total. Sendo selecionados os Chevrolet C-60 e D-60, e somente e em 1968 foram entregues 960 caminhões ao Exército, número que aumentaria significativamente dois anos depois, com a entrega de outras 1.371 unidades. Esses contratos proporcionaram importantes recursos, permitindo à companhia reinvestir capital em pesquisa, desenvolvimento e novos projetos voltados ao setor de defesa.

Em 1969, a empresa apresentou uma de suas mais importantes inovações tecnológicas: o sistema de tração dupla traseira denominado “Boomerang”. Concebido para ampliar a mobilidade, melhorar a distribuição de carga e otimizar o desempenho em terrenos irregulares, o sistema representou um significativo avanço na engenharia automotiva brasileira. Sua robustez e eficiência operacional tornaram-se elementos fundamentais para o desenvolvimento de futuros projetos de blindados nacionais. Nesse mesmo período, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), sediado em São Paulo, encontrava-se empenhado no desenvolvimento de um novo veículo blindado sobre rodas com tração 6x6. O projeto inseria-se em um contexto mais amplo de modernização das forças mecanizadas do Exército Brasileiro, cujo objetivo principal era reduzir gradativamente a dependência de equipamentos importados e estimular o fortalecimento da indústria nacional de material bélico. Dentro desse cenário, a empresa destacou-se por sua capacidade técnica e pela experiência acumulada no desenvolvimento de sistemas de tração aplicados tanto a veículos militares quanto a operações fora de estrada. Em razão dessas competências, a empresa recebeu um convite formal do comando do Exército Brasileiro para integrar o projeto Viatura Blindada Brasileira 2 (VBB-2). Essa participação representaria o primeiro passo de uma colaboração que posteriormente se estenderia a diversos programas estratégicos da indústria militar brasileira. O programa do novo blindado sobre rodas tinha como principal objetivo substituir integralmente os antigos blindados semilagarta de origem norte-americana, como os modelos M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5 já considerados obsoletos diante das exigências operacionais contemporâneas. O novo veículo deveria proporcionar maior proteção balística à infantaria transportada e incorporar uma capacidade até então inédita nas forças terrestres brasileiras: a operação anfíbia. Dessa forma, foi concebido como um blindado sobre rodas com tração integral 6x6, dotado  capacidade para  transpor grandes cursos de água doce e operar também em ambientes marítimos. Além de atender às necessidades da Força Terrestre, o novo blindado também deveria servir ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. Nesse contexto, previa-se a substituição dos antigos caminhões anfíbios GMC DUKW e CAMANF Bisseli, que já apresentavam limitações operacionais e elevado desgaste. Após a validação dessas premissas, o projeto recebeu oficialmente a designação de “Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio” (CTRA). O blindado apresentava linhas retilíneas e angulares, características típicas da engenharia militar da época, concebidas para simplificar os processos de fabricação e maximizar a resistência estrutural. A viatura utilizava um sistema de blindagem em duas camadas: externamente empregava-se aço de elevada dureza, enquanto a camada interna possuía maior viscosidade, solução destinada a aumentar a absorção de impactos e reduzir os efeitos da fragmentação interna provocada por projéteis e estilhaços. Com o objetivo de priorizar a proteção da tropa embarcada, o grupo motriz foi instalado na parte frontal do veículo, funcionando também como elemento adicional de proteção passiva para a tripulação e os infantes transportados. A região frontal do casco foi projetada para resistir a impactos de munições perfurantes, enquanto as demais áreas ofereciam proteção contra projéteis de armas leves, fragmentos de minas e estilhaços de artilharia.
Sua capacidade anfíbia era garantida por um sistema de propulsão na água obtido por meio da movimentação coordenada das seis rodas, operando em conjunto com um leme instalado na parte traseira do veículo, solução que proporcionava adequada manobrabilidade durante as operações anfíbias. Complementando essa capacidade, o blindado dispunha de quatro snorkels rebatíveis destinados à operação em ambiente marítimo, responsáveis por assegurar a entrada de ar para os ocupantes e permitir a correta exaustão dos gases do escapamento durante a navegação. Em termos de configuração mecânica, o projeto fazia uso do consagrado sistema de tração integral desenvolvido por este mesmo fabricante, operando nas configurações 6x4 e 6x6, com possibilidade de bloqueio do diferencial traseiro. Essa solução garantia elevada mobilidade em terrenos variados, característica considerada essencial para um veículo destinado tanto a operações terrestres quanto anfíbias. A suspensão utilizava o já reconhecido sistema “Boomerang”, patenteado pela Engesa S/A  composto por suspensão dianteira independente e conjunto traseiro articulado, configuração que proporcionava excelente desempenho em terrenos irregulares, permitindo ao veículo superar obstáculos e operar em regiões de difícil acesso com elevado grau de estabilidade. Em sua configuração inicial, o blindado possuía capacidade para transportar entre doze e quatorze soldados completamente equipados, além da tripulação. Essa característica fazia do projeto uma solução moderna e versátil para o transporte protegido de tropas, atendendo às novas exigências doutrinárias das forças mecanizadas brasileiras. O primeiro protótipo funcional foi concluído em meados de 1971 e, após a realização de testes internos conduzidos pela fabricante, foi entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil. A viatura passou então a ser submetida a um extenso programa de ensaios operacionais em campo, destinado a avaliar sua mobilidade, resistência estrutural, comportamento anfíbio e confiabilidade mecânica em condições reais de emprego militar. Os resultados desses testes levaram à implementação de pequenas alterações e melhorias no projeto original, aperfeiçoando diversos aspectos do veículo antes do início da produção em série. A conclusão bem-sucedida desse processo culminou na assinatura do primeiro contrato de fabricação entre o Ministério da Marinha e o fabricante, prevendo o fornecimento inicial de seis viaturas. O primeiro exemplar de série do EE-11 Urutu foi entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) no final de 1973. Entretanto, em razão do caráter ainda quase artesanal de sua linha de produção inicial, os primeiros veículos apresentaram problemas relacionados à padronização de componentes e à confiabilidade operacional, situação relativamente comum em programas industriais militares em fase inicial de consolidação. Com o objetivo de superar essas limitações e atender ao grande contrato posteriormente firmado com o Exército Brasileiro, a ENGESA promoveu importantes investimentos em sua infraestrutura industrial. Entre as principais medidas adotadas destacou-se a construção de uma nova planta fabril em São José dos Campos (SP).

A implantação dessa nova unidade industrial permitiu modernizar os processos produtivos, ampliar significativamente a capacidade de fabricação e estabelecer maior padronização entre os veículos produzidos. Esses avanços seriam fundamentais para consolidar o EE-11 como um dos mais bem-sucedidos blindados brasileiros no mercado internacional, contribuindo decisivamente para a projeção da indústria nacional de defesa ao longo das décadas de 1970 e 1980. Nesse contexto de expansão industrial, logo seriam celebrados os primeiros contratos de exportação do modelo. Os acordos iniciais envolveram o fornecimento de 37 blindados para a Líbia e outras 07 unidades destinadas ao Chile, abrindo caminho para novas negociações internacionais. Essas vendas representaram um marco importante para a indústria bélica brasileira, demonstrando a crescente competitividade do país no mercado internacional de veículos blindados sobre rodas. A versatilidade da plataforma do EE-11  permitiu  desenvolve-se  uma ampla gama de versões especializadas, destinadas a diferentes perfis de missão. Entre elas destacavam-se variantes configuradas para transporte de morteiros, apoio de fogo, oficina móvel, controle de distúrbios, evacuação aeromédica, posto de comando e defesa antiaérea. Essa flexibilidade  ampliou consideravelmente o apelo comercial do veículo, permitindo sua adaptação às necessidades específicas de diferentes forças armadas. Dentre estes o  “Uruvel” destacou-se por incorporar um canhão de 90 mm montado na mesma torre utilizada pelo veículo de reconhecimento EE-9 Cascavel. Inicialmente, o projeto apresentava um casco frontal em formato de quilha, configuração posteriormente abandonada em favor do casco padrão, visando simplificar a produção e melhorar aspectos de manutenção e padronização logística. A variante participou de diversas concorrências internacionais e obteve relativo sucesso comercial, culminando na assinatura de um contrato para o fornecimento de doze unidades ao Exército da Tunísia (Jaîsh el-Barr et’Tunsi) . Esse acordo reforçou a presença deste fabricante no mercado do Oriente Médio e do Norte da África, regiões que se tornariam importantes clientes da indústria brasileira de defesa. Uma subvariante do EE-11 Uruvel, denominada “Hydracobra”, foi posteriormente desenvolvida para atender exigências específicas de mercados estrangeiros. O modelo participou inicialmente de um processo seletivo promovido pelas Forças Armadas Canadenses (Canadian Forces) e, em seguida, de uma importante concorrência internacional conduzida pelo Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos (US Marines Corps). Apesar do elevado desempenho demonstrado durante as avaliações, o blindado brasileiro não foi selecionado em nenhum dos dois processos. Paralelamente, um segundo protótipo do EE-11 Uruvel foi submetido a rigorosos ensaios balísticos na Malásia. Durante os testes, o veículo foi avaliado contra disparos de armas leves nos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, realizados a distâncias de 30 e 100 metros. Os resultados demonstraram a eficiência da blindagem e confirmaram a capacidade de proteção do veículo em cenários de combate convencionais. Em 1985, a empresa voltou a buscar oportunidades estratégicas no mercado internacional ao apresentar uma versão especialmente modificada do EE-11 para uma importante concorrência promovida pela Índia. 
O programa previa a aquisição de pelo menos 300 veículos blindados para o Exército Indiano (Bhāratīya Sthalsēnā). Para atender às exigências operacionais indianas, foi desenvolvido o protótipo EE-11 Urutu M-7, customizado especificamente para operações em ambientes extremos e equipado com redutores planetários nas rodas, solução destinada a melhorar a mobilidade em terrenos montanhosos e regiões de neve. No ano seguinte, o protótipo foi enviado à Índia para participar de um extenso programa de avaliações conduzido em condições extremamente severas. Durante os testes, o blindado percorreu trilhas nas montanhas de Tanglang La, operando em regiões cobertas por até um metro de neve, a altitudes superiores a 5.300 metros e sob temperaturas próximas de 10 graus negativos. Além das avaliações terrestres, sua capacidade anfíbia também foi testada no lago Tso Moriri, situado a aproximadamente 4.500 metros de altitude, onde o veículo navegou enfrentando temperaturas inferiores a 18 graus negativos. Embora o modelo não tenha sido selecionado pelo governo indiano, os testes comprovaram a robustez e a adaptabilidade do EE-11 em ambientes extremos, reforçando a reputação internacional da engenharia militar brasileira. Infelizmente no final desta mesma década,  a Engesa S/A começou a enfrentar sérias dificuldades financeiras, caracterizadas por déficits em capital de giro e fluxo de caixa. Esses problemas foram agravados por dois fatores principais: Investimento no carro de combate EE-T1 Osório, que consumiu recursos substanciais, com o  projeto não resultando em contratos de produção, comprometendo a saúde financeira da empresa. E a inadimplência do Iraque na ordem de US$ 200 milhões, impactando severamente sua liquidez. Assim a empresa buscaria assistência financeira do Governo Federal para mitigar suas dificuldades. Em 21 de março de 1990, a Engesa entrou em processo de concordata preventiva. Em outubro de 1993, a falência foi oficialmente decretada, deixando uma dívida de R$ 1,5 bilhão (em valores atualizados). A maior parte dessa dívida era composta por empréstimos não pagos ao Banco do Brasil e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar desse melancólico final o Engesa EE-11 Urutu se provaria como um dos maiores sucessos da indústria de defesa nacional, pois além de suas características operacionais positivas, o fato de empregar o mesmo sistema de suspensão “boomerang” e diversos componentes mecânicos comuns ao EE-9 gerava uma simplificação da cadeia logistica e processo de manutenção, atraindo assim uma grande gama de países já usuários do carro de reconhecimento.  O Exército Brasileiro receberia ainda mais 06 viaturas e um grande estoque de peças de reposição oriundos do massa falida, o restante dos insumos e componentes críticos seriam adquiridos em um leilão pela empresa carioca Universal Ltda. Ao todo entre os anos 1973 a 1983 seriam produzidos 888 viaturas desta família, dispostas em 12 versões, exportados para  Angola, Bolívia, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Iraque, Jordânia, Líbia, Paraguai, Suriname, Tunísia, Venezuela e Zimbábue. A grande maioria destes carros ainda se encontra em operação e sucessivos processos de repotencialização e modernização.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Conforme estabelecido no contrato firmado com o Ministério da Marinha em meados de 1973, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) recebeu, em janeiro de 1976, no Rio de Janeiro, os dois primeiros exemplares do EE-11 Urutu. Essas viaturas foram destinadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), organização militar responsável pela operação e avaliação do novo blindado anfíbio. A incorporação das demais unidades previstas em contrato seria concluída até maio do mesmo ano. A versão do EE-11 destinada à Marinha do Brasil apresentava diversas modificações em relação ao projeto originalmente desenvolvido em conjunto pelo fabricante e pelo Exército Brasileiro. Entre as alterações mais visíveis destacavam-se 04 tubos rebatíveis instalados nos flancos superiores da carroceria. Quando posicionados verticalmente, esses dispositivos garantiam o suprimento de ar aos ocupantes e atuavam como snorkels, permitindo tanto a ventilação interna quanto a correta exaustão dos gases do escapamento durante as operações anfíbias. Entretanto, o processo de implantação operacional do EE-11  revelou-se mais complexo do que inicialmente previsto. As primeiras viaturas entregues apresentavam significativa falta de padronização técnica, reflexo direto da produção ainda praticamente artesanal realizada na fase inicial do programa. Como consequência, diferenças de componentes e soluções mecânicas entre os veículos dificultavam os procedimentos de manutenção e comprometiam a uniformidade operacional da frota. Além disso, diversas falhas mecânicas foram registradas durante os primeiros anos de operação, afetando negativamente a disponibilidade e a confiabilidade das viaturas. Problemas relacionados à transmissão, vedação de componentes e ajustes estruturais exigiram constantes intervenções técnicas por parte das equipes de manutenção do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Todavia, embora essas dificuldades técnicas tenham impactado a operação do blindado, o principal fator que motivou sua futura substituição esteve relacionado ao desempenho considerado insatisfatório em operações de desembarque anfíbio. Em ambientes litorâneos, particularmente em terrenos arenosos e irregulares, os veículos sobre rodas demonstraram limitações significativas quando comparados aos blindados dotados de tração por esteiras. Essa deficiência operacional também foi observada no emprego do EE-9 Cascavel, igualmente utilizado em determinadas missões. Diante dessas limitações, tanto o EE-11 quanto o EE-9  passaram gradativamente a ser retirados de serviço no âmbito do Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Sua substituição ocorreu com a incorporação dos veículos blindados de transporte de tropas FMC M-113A1, equipados com tração por esteiras e considerados mais adequados para operações anfíbias em regiões costeiras e áreas de praia. As dificuldades identificadas durante este  emprego operacional serviram, contudo, como importante fonte de aprendizado, e com base nas observações e relatórios técnicos produzidos pelos operadores militares, a empresa promoveu uma ampla revisão do projeto original, implementando melhorias destinadas a elevar a confiabilidade, a padronização e o desempenho geral da viatura.

O resultado desse processo foi o desenvolvimento do EE-11 Modelo 2 Série 1, que apresentava diversos aprimoramentos técnicos e estruturais com as dimensões de 6,15 m de comprimento, 2,65 m de largura, 2,20 de altura com um peso vazio na ordem de 11 toneladas, podendo atingir 95 km/h em estradas e 2,5 km/h em águas calmas. Este modelo seria logo apresentando, sendo submetido a avaliações complementares que confirmaram a evolução técnica do projeto. Em 1976, seria aprovada oficialmente sua aquisição, formalizando um contrato para o fornecimento inicial de 40 viaturas. As primeiras viaturas foram programadas para entrega ao longo de 1977, sendo direcionados aos Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), aos Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e aos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), onde começariam a substituir os carros blindados de transporte de tropas meia lagarta M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5 que ainda se encontravam em serviço.  Curiosamente esta versão utilizava a movimentação das seis rodas para propulsão na água, um sistema que se revelou ineficiente em operações anfíbias reais. A fim de corrigir esta falha todo o primeiro lote de veículos entregues seria devolvido ao fabricante, a fim de serem modificados mediante a instalação do kit de marinização que era composto por duas hélices e leme direcional (o mesmo aplicado anteriormente nos carros da Marinha do Brasil). Os primeiros veículos modificados foram empregados em testes reais, agora se mostrando realmente  funcionais na operação anfíbia, motivando a celebração mais um contrato de produção, envolvendo agora 45 carros do modelo agora designado como EE-11  M-2 Serie 2.  Mesmo antes da finalização da entrega deste segundo lote, um terceiro contrato seria firmado de sessenta carros, agora com o modelo apresentado um novo desing de casco e carroceria, recebendo a designação de EE-11 M-2 Serie 5, com este sendo entregues até o final do ano de 1979, com mais dez unidades sendo incorporadas no ano seguinte.  Em meados do ano de 1980, a empresa apresentaria o modelo EE-11 M-5 Serie 3, que trazia inúmeros melhoramentos de ordem mecânica, se destacando a adoção de um sistema de freios a disco e câmbio automático Alisson AT-545, recebendo do Ministério do Exército um contrato para mais 20 carros. Em 1988 uma nova aquisição de 45 unidades da versão EE-11  M-6 Serie 4 seria efetivada, e por fim no seguinte 04 carros da versão EE-11  M-8 Serie 3. A evolução do EE-11 , desde o Modelo 2 Série 1 até as versões finais M-6 Série 4 e M-8 Série 3, reflete o compromisso em atender às demandas por meio de melhorias contínuas. A resolução dos problemas iniciais de propulsão anfíbia e a introdução de aprimoramentos mecânicos consolidaram o EE-11 como um veículo blindado versátil e confiável, amplamente integrado às unidades de infantaria e cavalaria do Exército Brasileiro. O binômio EE-11 Urutu e EE-9 Cascavel, seria responsável  permitiu a criação de brigadas de cavalaria mecanizada, concedendo um potencial operativo sem igual até aquele momento. Estes passariam a dotar principalmente os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), sendo utilizados em um vasto leque de missões. 
Além de apresentar excelente desempenho este gozava de grande disponibilidade operacional, principalmente devido a robustez e facilidade de operação, com este fato levando o fabricante em parceria com o Exército Brasileiro a desenvolver versões especializadas. Das diversas opções planejadas, seriam adotadas apenas o  modelo de Comando: Projetada para operações de coordenação e controle e Socorro: Equipada com guindaste hidráulico para apoio logístico e recuperação de veículos. Os  EE-11  pertencentes ao Exército Brasileiro, seriam ainda empregados pela primeira vez em situações reais de conflagração, quando deslocados para operar nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), em Moçambique e Angola na década de 1990.  Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os 13 anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Neste cenário os  EE-11  estiveram imersos em um cenário de conflagração assimétrico e urbano, descortinando a necessidade da aplicação de algumas adaptações entre estas a inclusão de uma torre blindada para o operador da metralhadora e motorista e adoção de um sistema hidráulico de lâmina frontal do tipo buldozer. Estas modificações seriam realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP).  Apesar destas adequações, clarificou-se que o sistema de blindagem original, já não oferecia mais um nível de proteção adequada contra munições perfurantes especiais, levando assim a decisão de substituir o emprego do modelo nas áreas de maior risco pelos novos blindados de transporte de tropa Movag GmbH Piranha adquiridos. Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os treze anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).  O Exército Brasileiro, como parte do contingente brasileiro, empregou o EE-11  em missões de patrulhamento, escolta, controle de distúrbios e apoio à segurança em áreas urbanas, especialmente na capital, Porto Príncipe. O ambiente operacional no Haiti, caracterizado por combates assimétricos e ameaças em áreas densamente povoadas, revelou a necessidade de modificações no EE-11  para atender às exigências da missão. As principais adaptações, realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda. em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), incluíram: Torre Blindada: Instalação de uma torre para proteger o operador da metralhadora e o motorista contra disparos de armas leves e estilhaços. Lâmina Frontal Hidráulica: Adoção de um sistema tipo buldozer para remover barricadas, entulho e outros obstáculos comuns em áreas urbanas. Essas modificações aumentaram a segurança da tripulação e a capacidade do veículo de operar em cenários complexos, como ruas estreitas e barricadas improvisadas. Apesar destas adequações, clarificou-se que a  blindagem odo veículo, projetada para resistir a projéteis de armas leves e estilhaços, revelou-se inadequada contra munições perfurantes especiais. Devido às deficiências na proteção balística e à necessidade de maior mobilidade em cenários urbanos, optou-se por substituir o EE-11  em operações de alto risco pelos  blindados MOWAG Piranha.

As diferentes versões do EE-11  adquiridas ao longo dos anos apresentavam consideráveis variações estruturais, mecânicas e eletropneumáticas, circunstância que dificultava significativamente a os processos de manutenção e logística. Os problemas mostravam-se particularmente mais frequentes nas viaturas recebidas ainda na década de 1970, cuja produção  apresentava menor grau de padronização e maior complexidade em determinados sistemas. Entre os componentes mais sensíveis destacava-se o sistema eletropneumático responsável pelo acionamento da tração dianteira, da reduzida, do bloqueio do diferencial traseiro, da bomba de porão, da pressurização da transmissão e do sistema de navegação anfíbia. Com o passar dos anos, esses  passaram a apresentar falhas recorrentes, sobretudo em razão da crescente dificuldade de obtenção de peças de reposição, comprometendo progressivamente a confiabilidade da frota, afetando diretamente os índices de disponibilidade das viaturas.  Em 2005, a equipe técnica do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (PqRMnt/3) realizou um estudo aprofundado com o objetivo de identificar as principais falhas recorrentes e propor soluções destinadas à redução dos custos de manutenção e ao aumento da disponibilidade operacional. Um viatura foi selecionada para uma análise técnica detalhada, sendo posteriormente comparada com outras unidades da frota. Conclui-se que grande parte dos veículos apresentava danos semelhantes em sistemas específicos, revelando um padrão de desgaste comum decorrente da idade da frota. Entre os problemas mais recorrentes identificados destacavam-se quebras de engrenagens nas caixas de transferência e redução, falhas no conjunto mecânico do sistema “Boomerang”, diferenciais danificados e conjuntos eletropneumáticos completamente inoperantes. Também mereceu destaque o elevado índice de oxidação dos interruptores elétricos responsáveis pelo acionamento das válvulas solenóides, componentes encarregados de controlar o fluxo de ar dos diversos atuadores pneumáticos da viatura. Além disso, muitos solenóides apresentavam travamento interno provocado pela ação prolongada da umidade, ocasionando vazamentos de ar comprimido sempre que determinados sistemas eram acionados. Essas falhas comprometiam diretamente a confiabilidade operacional, especialmente durante exercícios e operações em ambientes úmidos ou alagadiços. A solução encontrada pelas equipes técnicas consistiu na substituição do complexo sistema eletropneumático original por um conjunto de acionamento mais simples, robusto e de manutenção facilitada. O novo arranjo fazia uso de um painel equipado com válvulas direcionais de controle de fluxo de ar, associado a tubulações flexíveis e engates rápidos instalados nos atuadores pneumáticos. Além disso, permitiu eliminar diversos componentes considerados problemáticos,  e parte substancial da fiação elétrica original, reduzindo sensivelmente a incidência de falhas. Paralelamente a esse programa, outras iniciativas de modernização de menor escala também foram conduzidas ao longo dos anos pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), frequentemente em parceria com empresas privadas especializadas. 
Em 2006, seriam incorporadas outras 06 viaturas consideradas “novas”, provenientes do estoque da empresa Universal Ltda., elevando o total em serviço para 230 unidades. Em 2010, no âmbito do contrato firmado entre o Arsenal de Guerra de São Paulo e o Comando Logístico (COLOG), foi iniciado o chamado Projeto Fênix, envolvendo viaturar do Modelo M6 e posteriormente M2,  que passaram a receber atualizações em diversos subsistemas mecânicos, pneumáticos e elétricos. Em 2012, foram repatriadas do Haiti oriundas da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), 05 viaturas EE-11 M6, que já haviam sido sido revitalizadas e modernizadas anteriormente, para serem novamente recuperadas. No anos seguinte seria desenvolvido o projeto de modernização "VBTP Urutu", sendo produzido uma viatura protótipo a partir do modelo M2, cujo principal escopo foi a instalação de um conjunto motor-câmbio com unidades de controle eletrônicas, motor Cummins da série ISBe de 220 cv de potência e a caixa de transmissão Allison 3000SP, concorrendo para alterações significativas dos sistemas anexos ao trem de força, além de modificações no sistema de transmissão. Este programa contemplou a instalação de freios a disco, a instalação de sistema de enchimento de pneus, a instalação de ar condicionado. Neste mesmo período o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em conjunto com a empresa Universal S/A desenvolveu o Projeto Urutu Ambulância, com o objetivo de modernizar os veículos mais antigos do modelo EE-11 M2, atualizando-os para o modelo "M6 Plus". O protótipo seria todo montado com base em uma carcaça zero quilômetro que se encontrava em estoque da empresa, e seria equipada com todo o aparato médico este modelo especializado dispõe caixa blindada com vidros à prova de balas para o motorista melhorando a visibilidade para condução em campo de batalha. Posteriormente com base neste protótipo foram convertidos mais 18 carros do M2. No final do ano de 2021 , foi criado um grupo de trabalho para propor linhas de ação para a desativação e transformação das viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu. Neste escopo  um de seus principais objetivos é o aproveitamento das 229 unidades (de 14 versões diferentes) ainda em carga, seja para sua utilização como viatura especializada dentro da Força ou como viatura blindada para dar suporte as nossas forças de segurança pública, como já foi feita para a Polícia Militar do Estado do Rio de janeiro (PMERJ) e Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Em 01 de setembro de 2022, seria publicado o Boletim do Exército (nº 36/2022), determinando a desativação de 129 viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu, de um total de 134 em carga. As cinco viaturas que continuarão em atividades são três da versão ambulância, pertencentes ao 10º Batalhão Logístico (10º B Log), de Alegrete (RS); 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado-Escola (15º R C Mec-Es), do Rio de Janeiro (RJ); e 16º Batalhão Logístico (16º B Log), de Brasília (DF); e as duas restantes foram recentemente modernizadas pela empresa Columbus no Arsenal de Guerra de São Paulo e pertencentes ao 16º B Log e ao 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada (13º RC Mec), de Pirassununga (SP), sendo esta última convertida para versão de garantia da Lei e da ordem (GLO). Uma grande parcela dos carros a serem desativados deve ser destinada a equipar mais unidades de policiais militares estaduais.

Em Escala:
Para representarmos o Engesa EE-11 Modelo 2 Série 5 Urutu “EB-12030", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35. Aplicamos diversas correções em scratch no kit original e incluímos detalhamentos oriundos de outros modelos desta escala. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books presentes no Set "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa segundo o padrão de pintura e marcações nacionais adotado pelo Exército Brasileiro a partir de 1983, sendo este mantido até os dias atuais. Os Engesa EE-11 Urutu do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil foram recebidos em um padrão de pintura semelhante aos do Exército Brasileiro, recebendo posteriormente o esquema camuflado idêntico aos M-113A1 e Engesa EE-9 Cascavel, no final da década de 1970.

Bibliografia: 
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército inicia a desativação do EE-11 Urutu - Paulo Roberto Bastos - www.tecnodefesa.com.br
- EE-11 Urutu  Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/EE-11_Urutu