PT-26 Fleet Aircraft Cornell M62A

História e Desenvolvimento.
A Fairchild Aviation Corporation figura entre as mais emblemáticas fabricantes aeronáuticas da história do século XX. A empresa foi fundada em 1924 pelo visionário empreendedor norte-americano Sherman Fairchild, um prolífico industrial que, ao longo de sua vida, esteve diretamente envolvido na criação de mais de setenta empresas nos setores aeronáutico, fotográfico e eletrônico. Inicialmente estabelecida nas localidades de Farmingdale e East Farmingdale, no estado de Nova York, a Fairchild Aviation surgiu como a companhia-mãe destinada a coordenar e integrar os diversos interesses aeronáuticos de Fairchild, servindo como eixo central de um ambicioso conglomerado industrial. Desde seus primeiros anos, a empresa destacou-se pela inovação tecnológica. Entre suas realizações pioneiras esteve o desenvolvimento da Fairchild FC-1, reconhecida como a primeira aeronave norte-americana a incorporar uma cabine de pilotagem totalmente fechada, além de um sistema de trem de pouso com acionamento hidráulico  avanços significativos em uma época em que a maioria das aeronaves ainda operava com cockpits abertos e soluções mecânicas rudimentares. Essas inovações refletiam a preocupação da empresa com segurança, conforto e eficiência operacional, características que se tornariam marcas registradas de seus projetos. Dando continuidade à sua estratégia de crescimento e consolidação industrial, a Fairchild Aviation expandiu-se por meio da aquisição e incorporação de outras empresas relevantes do setor. Em 1925, integrou ao grupo a Caminez Engine Company, ampliando sua capacidade no desenvolvimento de motores aeronáuticos. Poucos anos depois, em 1929, adquiriu a Kreider-Reisner Aircraft Company, sediada em Hagerstown, no estado de Maryland, fortalecendo sua base produtiva e diversificando ainda mais seu portfólio de aeronaves. Em consonância com sua visão internacional e com a crescente demanda por aeronaves no mercado global, a Fairchild estabeleceu, ainda na década de 1920, sua primeira planta industrial fora dos Estados Unidos, criando a subsidiária Fairchild Aircraft Ltd. na cidade de Longueuil, na província de Quebec, Canadá. Essa unidade desempenharia papel fundamental na produção de aeronaves civis e militares, mantendo-se ativa até o início da década de 1950 e contribuindo significativamente para o esforço industrial norte-americano e aliado durante períodos críticos, como a Segunda Guerra Mundial. Além da FC-1, a Fairchild alcançou grande notoriedade com o lançamento do modelo Fairchild 71, uma aeronave projetada especificamente para missões de fotografia aérea. Diferentemente dos aviões então em serviço, o Fairchild 71 possuía desempenho e estabilidade suficientes para voar de forma contínua em altitudes mais elevadas, superando limitações operacionais que comprometiam a qualidade dos levantamentos fotográficos. Sua robustez, alcance e capacidade de carga rapidamente o tornaram um dos aviões mais populares de sua época. O prestígio do Fairchild 71 foi ainda reforçado por sua associação a feitos históricos, como sua utilização pelo explorador polar Richard E. Byrd durante a célebre expedição ao Polo Sul, realizada entre 1928 e 1929. Esse episódio projetou internacionalmente a reputação da empresa, demonstrando a confiabilidade de seus projetos em condições extremas. 

O reconhecimento governamental não tardaria: em 1935, a Fairchild firmou seu primeiro grande contrato oficial ao ser selecionada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o desenvolvimento de pesquisas baseadas em fotografia aérea, destinadas ao mapeamento da erosão do solo e à análise de seus impactos ambientais. Nesse contexto de expansão e consolidação institucional, a empresa passou a adotar oficialmente a denominação Fairchild Aircraft Manufacturing Company, reafirmando sua posição de destaque na indústria aeronáutica norte-americana. Apesar de deter uma participação relevante no mercado civil norte-americano especialmente no segmento de aeronaves destinadas ao treinamento básico e a usos utilitários, a presença da empresa no setor militar permanecia até o final da década de 1930, relativamente modesta. Sua atuação restringia-se, em grande medida, ao fornecimento de componentes e subconjuntos para outros fabricantes responsáveis pela produção de aeronaves militares destinadas as forças armadas. Tal cenário, contudo, começaria a se transformar à medida que o poder aéreo assumia papel central no pensamento estratégico das forças armadas norte-americanas, em um contexto internacional marcado pela crescente instabilidade política e militar que precedeu a Segunda Guerra Mundial. Naquele período, o treinamento básico dos futuros pilotos do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) era realizado quase exclusivamente com o emprego dos biplanos Boeing PT-17 Stearman. Embora robusta e confiável, essa aeronave apresentava uma concepção já ultrapassada, típica da aviação dos anos 1920. Seus comandos dóceis e comportamento previsível facilitavam o aprendizado inicial, mas não exigiam dos cadetes o desenvolvimento pleno das habilidades de pilotagem avançadas que seriam indispensáveis na operação das modernas aeronaves de combate, cada vez mais rápidas, pesadas e complexas. A percepção dessa lacuna formativa levou o comando militar, em 1939, a reconhecer a necessidade urgente de substituir seus obsoletos treinadores biplanos por uma aeronave mais representativa das características de voo dos caças e bombardeiros contemporâneos. Assim, ainda naquele ano, foi lançada uma concorrência oficial para o desenvolvimento de um novo treinador básico: um monomotor monoplano de asa baixa, capaz de oferecer aos futuros pilotos uma progressão gradual de aprendizado, estimulando o domínio de técnicas mais refinadas de controle, navegação e consciência situacional. Como requisito fundamental, a nova aeronave deveria apresentar baixos custos de aquisição, operação e manutenção, refletindo a necessidade de produção em larga escala em um cenário de rápida expansão das forças aéreas. O certame despertou grande interesse na indústria aeronáutica norte-americana. Oito fabricantes responderam ao chamado, submetendo um total de dezoito propostas distintas de aeronaves de treinamento. Entre os concorrentes encontrava-se a Fairchild Aircraft Manufacturing Company, que apresentou o modelo M-62. Diferentemente de algumas propostas concebidas exclusivamente para a competição, este modelo era fruto de um esforço de desenvolvimento interno da empresa, financiado com recursos próprios.
Seus estudos preliminares haviam sido iniciados ainda em 1933, sob a liderança do engenheiro-chefe Armand Thiebolt, e tinham como princípios fundamentais o emprego de componentes mecânicos amplamente disponíveis no mercado, com elevada intercambiabilidade, bem como a utilização de materiais não estratégicos, reduzindo custos e facilitando a produção em grande escala. O primeiro protótipo do Fairchild M-62 realizou seu voo inaugural em 15 de maio de 1939, a partir das instalações da empresa em Hagerstown, no estado de Maryland. A aeronave era propulsionada por um motor Fairchild Ranger L-440, de seis cilindros em linha e 175 cavalos de potência, combinação que oferecia desempenho adequado às exigências do treinamento inicial, ao mesmo tempo em que mantinha a simplicidade mecânica e a confiabilidade desejadas pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Esse voo inaugural marcaria o início de um processo que não apenas redefiniria o papel da Fairchild no setor militar, mas também contribuiria de forma decisiva para a formação de toda uma geração de pilotos militares norte-americanos. Todas as propostas apresentadas foram submetidas a um amplo e rigoroso programa de avaliações comparativas e ensaios em voo, conduzidos sob a supervisão militar. Ao término desse processo, a decisão final recaiu sobre o modelo M-62, desenvolvido pela Fairchild Aircraft Manufacturing Company, considerado o mais equilibrado em termos de desempenho, custo, robustez e adequação pedagógica às exigências do treinamento militar moderno. A aeronave selecionada era um monomotor biplace, com assentos dispostos em tandem e cockpit aberto, adotando uma configuração monoplana de asa baixa cantiléver  uma solução contemporânea que aproximava o aluno das características de voo dos caças então em desenvolvimento. O trem de pouso fixo, de bitola ampla, aliado ao tradicional volante de cauda, proporcionava excelente estabilidade durante as operações em solo, reduzindo a incidência de acidentes nas fases mais críticas do aprendizado. Seu projeto estrutural refletia uma filosofia de simplicidade aliada à robustez. A fuselagem era construída em tubos de aço soldados, revestidos em tecido, enquanto as asas e superfícies de cauda empregavam extensivamente compensado de madeira. A seção central das asas possuía revestimento em madeira compensada, assim como os painéis externos e a estrutura da empenagem. Essa solução construtiva, além de resistente, permitia a utilização de materiais não estratégicos, aspecto considerado fundamental diante da crescente mobilização industrial norte-americana. A propulsão ficava a cargo do motor Ranger L-440-3, com seis cilindros em linha invertido, com potência inicial de 175 hp. Essa configuração proporcionava uma seção frontal estreita, garantindo excelente visibilidade para instrutor e aluno uma característica altamente valorizada em uma aeronave de treinamento básico. O conjunto, aliado ao trem de pouso robusto e amplamente espaçado, resultava em uma plataforma estável e previsível, ideal para a formação inicial de pilotos militares. Em 22 de setembro de 1939, foi celebrado o primeiro contrato oficial entre a Fairchild Aircraft Manufacturing Company e o Exército dos Estados Unidos (U.S Army), prevendo a aquisição de 270 aeronaves.  

Em virtude do elevado emprego de madeira em sua estrutura, o acordo envolveu uma ampla rede de subcontratações, abrangendo 27 empresas especializadas em marcenaria, fábricas de móveis e indústrias correlatas, além de uma fundição dedicada à produção dos componentes metálicos. Essa estratégia não apenas acelerou a produção como também contribuiu para a mobilização do parque industrial civil em apoio ao esforço de defesa nacional. As primeiras aeronaves começaram a ser entregues às escolas de aviação em meados de 1940, recebendo a designação militar PT-19. Rapidamente, o modelo conquistou a confiança e a simpatia tanto dos instrutores quanto dos alunos, destacando-se por suas qualidades de voo, resistência estrutural e baixo custo operacional. O sucesso inicial levou, naturalmente, à intenção de formalizar novas encomendas. Entretanto, o agravamento da situação internacional com a intensificação da guerra na Europa e o avanço do expansionismo japonês no Sudeste Asiático impôs uma aceleração sem precedentes nos programas de fortalecimento das forças armadas norte-americanas. Nesse contexto, o poder aéreo assumiu papel central, ampliando de forma exponencial a necessidade de formação de pilotos militares. Como resposta direta a essa demanda urgente, em janeiro de 1941 foi firmado um contrato emergencial para a produção de mais de 3.000 aeronaves da versão aprimorada PT-19A, agora equipadas com o motor Ranger L-440-3 de 200 hp, consolidando definitivamente o treinador da Fairchild como um dos pilares da formação aérea dos Estados Unidos às vésperas da Segunda Guerra Mundial. A capacidade industrial instalada da Fairchild Aircraft Manufacturing Company revelou-se insuficiente para atender, nos prazos estipulados, ao ambicioso cronograma de entregas imposto pela rápida expansão do programa de treinamento aéreo norte-americano. Diante dessa limitação, decidiu-se pelo licenciamento da produção da aeronave a outras empresas do setor, entre elas a Howard Aircraft Corporation, a St. Louis Aircraft Corporation, a Aeronca Aircraft e, por fim, a fabricante canadense Fleet Aircraft. Essa medida permitiu a rápida ampliação da capacidade produtiva, ao mesmo tempo em que integrava diferentes polos industriais ao esforço de mobilização aeronáutica aliado. Paralelamente, a crescente necessidade de capacitar os futuros pilotos para o voo por instrumentos uma habilidade cada vez mais essencial em um cenário operacional moderno e de guerra total levou à adaptação de parte da linha de produção. Inicialmente, seis aeronaves foram convertidas mediante a incorporação de uma capota de lona móvel, que podia ser estendida sobre o cockpit dianteiro, permitindo que o cadete realizasse o voo completamente sem referências externas, orientando-se exclusivamente pelos instrumentos de bordo. Essa variante experimental demonstrou desempenho plenamente satisfatório e passou a ser designada PT-19B. O sucesso do conceito resultou na adoção da versão para produção em série, conduzida pela Fairchild Aircraft Manufacturing Company e pela Aeronca Aircraft, totalizando cerca de 900 aeronaves construídas nessa configuração. Com frequência, o PT-19B é confundido com o PT-26, embora se trate de modelos distintos. O PT-26 foi desenvolvido especificamente para as Forças Armadas Canadenses e possuía cabine de pilotagem totalmente fechada, uma adaptação voltada a oferecer maior conforto e proteção às tripulações, especialmente em função das severas condições climáticas predominantes no Canadá. 
Nesse mesmo período, avançavam as negociações com o governo canadense visando à produção de uma versão adaptada do Fairchild Cornell para atender às exigências específicas do Plano de Treinamento Aéreo da Comunidade Britânica (British Commonwealth Air Training Plan – BCATP). De importância vital para o esforço de guerra aliado, esse ambicioso programa tinha como objetivo formar e qualificar dezenas de milhares de pilotos destinados às futuras operações no teatro europeu. A escolha do Canadá como principal base de instrução decorreu, sobretudo, de sua posição geográfica estratégica, distante das zonas de combate e, portanto, menos exposta aos riscos inerentes às áreas de conflito. Entretanto, as severas condições climáticas canadenses representavam um desafio significativo para a instrução aérea com o Fairchild PT-19, cuja cabine aberta expunha instrutores e alunos a baixas temperaturas, ventos intensos e intempéries frequentes. Como resposta a essa limitação, foi desenvolvida uma versão dotada de cabine de pilotagem totalmente fechada, concebida para proporcionar maior conforto térmico e operacional às tripulações durante os voos de instrução. Essa variante recebeu a designação PT-26 M-62A Cornell I e manteve o motor em linha invertido Ranger L-440-3, com potência de 200 hp. O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em julho de 1942, sendo rapidamente aprovado para produção em série sob licença nas instalações da Fleet Aircraft Limited, no Canadá. Ao todo, foram produzidas 670 unidades dessa versão inicial. Na sequência, entrou em produção o PT-26A Cornell II, equipado com o motor Ranger L-440-7, também de 200 hp, incorporando melhorias de confiabilidade e desempenho. Dessa variante, foram entregues 807 aeronaves ao Plano de Treinamento Aéreo da Comunidade Britânica. Por fim, em 1943, foi introduzido o PT-26B Cornell III, que apresentava aperfeiçoamentos pontuais em relação ao modelo anterior. Dessa última versão, 250 aeronaves foram fornecidas à Força Aérea Real do Canadá (Royal Canadian Air Force – RCAF). Os PT-26 permaneceram em serviço ativo até meados da década seguinte, quando foram gradualmente desativados e transferidos para uso civil, passando a operar em escolas de pilotagem e aeroclubes regionais. Em comparação aos tradicionais treinadores biplanos que os precederam, os Fairchild PT-19 e PT-26 representaram um verdadeiro divisor de águas no ensino da aviação militar. Pela primeira vez, ainda no estágio básico, os cadetes tinham contato com uma aeronave de desempenho superior, capaz de operar a velocidades mais elevadas e com características aerodinâmicas — como a carga alar — mais próximas das aeronaves de combate. Essa transição exigia maior precisão, disciplina e atenção por parte dos alunos, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento de habilidades avançadas de pilotagem e para um melhor rendimento ao longo da formação. A exemplo de outros modelos da família, centenas de células do Fairchild PT-26 Cornell permaneceram em condições de voo até o início da década de 1960. Muitos desses exemplares sobrevivem até os dias atuais, preservados em museus aeronáuticos ou mantidos em operação por entusiastas, como testemunhos vivos de uma aeronave que marcou profundamente a história do treinamento aéreo durante a Segunda Guerra Mundial.

Emprego na Marinha do Brasil
A primeira fase da Aviação Naval brasileira, compreendida entre 1916 e 1941, caracterizou-se por um período de notável pioneirismo e gradual expansão das capacidades aéreas da Marinha do Brasil. Nesse intervalo, a Força desenvolveu e operou sua própria aviação, empregando hidroaviões como os Macchi M.7, Macchi M.9 e Curtiss MF, utilizados em missões de instrução, patrulha costeira, ligação e demonstrações de presença naval. Tratava-se de uma época marcada pela experimentação, pela formação das primeiras gerações de aviadores navais e pela construção de uma cultura operacional própria, ainda que limitada pelos recursos técnicos e financeiros disponíveis. Essa autonomia, entretanto, seria abruptamente interrompida em 20 de janeiro de 1941, quando o Decreto-Lei nº 2.961, assinado pelo Presidente Getúlio Vargas, instituiu a Força Aérea Brasileira (FAB), unificando sob uma única organização as aviações do Exército e da Marinha. A medida, concebida no contexto da modernização do Estado Novo e da iminência da Segunda Guerra Mundial, buscava racionalizar meios e centralizar a condução do poder aéreo nacional. Como consequência, a Aviação Naval foi extinta como braço operacional independente, inaugurando um período de quase uma década de afastamento da Marinha do domínio direto das operações aéreas. Com o término do conflito mundial, em 1945, a Marinha do Brasil passou a articular de forma consistente uma campanha política e institucional em favor da reativação de sua Aviação Naval. Argumentava-se que a estrutura da Força Aérea Brasileira (FAB), embora adequada às necessidades estratégicas de defesa aérea e ataque, não atendia de maneira plena às demandas específicas do meio marítimo, particularmente nas áreas de busca e salvamento, patrulha oceânica, esclarecimento naval e apoio direto às forças de superfície. Em 1947, o então Ministro da Marinha, Almirante Sylvio de Noronha, defendeu publicamente a necessidade de restabelecer a autonomia aeronaval, recorrendo a exemplos internacionais consagrados, como o da Marinha dos Estados Unidos (U.S Navy), que mantinha pleno controle sobre seus meios aéreos embarcados. Essa longa e complexa disputa institucional encontrou seu desfecho em 1952, com a promulgação do Decreto-Lei nº 3.244, que autorizou a reativação da Aviação Naval, encerrando a chamada “segunda fase” de sua história. Sob uma perspectiva humana, esse período foi marcado pela perseverança e pelo empenho de oficiais que se dedicaram à causa aeronaval, como o Capitão Jorge da Silva Prado, responsável por liderar estudos técnicos, pareceres doutrinários e petições formais que demonstravam a viabilidade e a necessidade estratégica da reativação. Embora permeada por dificuldades e restrições, essa fase foi essencial para o amadurecimento institucional da Aviação Naval e para a consolidação de uma doutrina própria, alinhada às exigências do pós-guerra. Nesse contexto, foi criada a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), à qual coube a responsabilidade de coordenar e supervisionar todas as atividades relacionadas à aviação embarcada e à formação do pessoal especializado. Em 1955, como desdobramento direto desse esforço organizacional, foi instituído o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), com a missão de ministrar cursos voltados às operações aeronavais, destinados tanto ao pessoal da Marinha do Brasil quanto, em regime de cooperação, à Força Aérea Brasileira (FAB).

Entre os primeiros cursos oferecidos destacou-se o de formação de Observador Aéreo Naval, cuja etapa teórica teve início em 1º de março de 1956. A fase prática do curso foi conduzida junto ao Aeroclube do Brasil, onde os oficiais participantes receberam instrução de voo em aeronaves civis, adaptadas às necessidades didáticas do programa. Paralelamente, a Marinha do Brasil passou a enviar oficiais aos Estados Unidos para receberem instrução de voo em aeronaves de asas rotativas, sob a égide da Marinha dos Estados Unidos. Oficiais e graduados também foram destacados para cursos de manutenção aeronáutica e sistemas de bordo, assegurando a formação de um corpo técnico qualificado, capaz de sustentar, no médio e longo prazo, o renascimento da Aviação Naval brasileira. Esse processo de reconstrução e consolidação da Aviação Naval brasileira seria significativamente acelerado a partir de 12 de dezembro de 1956, quando o Governo Federal, em articulação direta com o Ministério da Marinha e após prolongadas negociações diplomáticas e técnicas, formalizou a aquisição de um porta-aviões leve britânico da classe Colossus, o HMS R-71 Vengeance. Com deslocamento padrão da ordem de 19.900 toneladas, o navio-aeródromo era um veterano da Segunda Guerra Mundial. Encerrada a guerra, o Vengeance fora arrendado à Marinha Real Australiana (Royal Australian Navy), permanecendo em serviço naquele país entre novembro de 1952 e agosto de 1955. Após o término do contrato de arrendamento, o navio foi devolvido ao governo britânico e colocado à disposição para alienação, circunstância que abriu a oportunidade para sua aquisição pelo Brasil, no contexto do esforço nacional de modernização do poder naval. Após a compra, o porta-aviões foi encaminhado, em meados de 1957, aos estaleiros da empresa holandesa Verolme United Shipyard, na cidade de Roterdã, onde seria submetido a um abrangente programa de modernização e atualização tecnológica. O processo, concluído em dezembro de 1960, transformou profundamente o navio, que emergiu com um convés de voo angular de 8,5°, catapulta e sistema de parada modernizados, novos elevadores de aeronaves, uma ilha completamente redesenhada, além da atualização dos sistemas de operação aérea, sensores eletrônicos e do armamento defensivo.  Paralelamente a esse processo de modernização naval, a Marinha do Brasil avançava na formação de recursos humanos e na aquisição de meios aéreos de asas rotativas. Em meados de 1958, chegaram ao país dois helicópteros Westland WS-51 Widgeon Mk.2, empregados pelo Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN) na instrução de pilotagem dos oficiais que haviam concluído o Curso de Observador Aéreo Naval. Ainda naquele ano, foram incorporados dois Kawasaki-Bell 47G, adquiridos juntamente com os navios-hidrográficos Sirius e Canopus, além de três helicópteros Bell 47J, ampliando de forma significativa a capacidade de instrução e experimentação operacional. Assim, ao final de 1958, o CIAAN dispunha de um total de sete helicópteros, empregados não apenas na formação de pilotos, mas também em uma ampla gama de missões, incluindo transporte leve, ligação, observação e apoio às atividades navais. 
À medida que se aproximava a data de entrega oficial do porta-aviões brasileiro — que seria incorporado à Armada como NAeL A-11 Minas Gerais  reacendia-se, no âmbito do Ministério da Marinha, a aspiração de recuperar também a Aviação Naval de asas fixas. Nesse contexto, a partir do final de 1959, a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) passou a conduzir estudos e esforços preliminares voltados à elaboração de um planejamento coerente e de bases doutrinárias plausíveis para a efetiva reativação dessa capacidade. Todavia, naquele momento, ainda não existiam definições concretas quanto aos tipos de aeronaves de asas fixas e rotativas que viriam a equipar o grupo aéreo do novo porta-aviões brasileiro, tampouco havia consenso institucional sobre a repartição de responsabilidades entre a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira (FAB)  esta última detentora, por força legal, da prerrogativa de operar aeronaves de asa fixa.  Em 5 de junho de 1961, por meio do Aviso Ministerial nº 1.003, foi oficialmente criada a Força Aérea Naval, estrutura integrante da Esquadra e concebida para operar a partir do navio-aeródromo. Essa nova organização compreendia o 1º Grupo Aéreo Embarcado, inicialmente estruturado em dois esquadrões o 1º Esquadrão de Aviões Antissubmarino e o 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino, além do 2º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino, destinado a operar a partir de outros meios de superfície da Esquadra, e do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1). Entretanto, em razão do reduzido número de aeronaves então disponíveis, apenas o EsqdHU-1 pôde ser efetivamente organizado, vindo a ser ativado em maio de 1962.  Para viabilizar esse objetivo, foi elaborado um ambicioso programa de reativação da Aviação Naval de asas fixas, que não se limitava à mera organização administrativa das unidades aéreas. O plano abrangia, de maneira integrada, aspectos relativos à composição e formação de pessoal, treinamento técnico e operacional, infraestrutura, aquisição de equipamentos de apoio e, sobretudo, a obtenção de aeronaves adequadas às diversas missões previstas. Entre as prioridades destacadas nesse planejamento figurava a necessidade de constituir um esquadrão de instrução dotado exclusivamente de aeronaves de asas fixas, condição considerada essencial para garantir autonomia e continuidade no processo de formação de aviadores navais. Esse esforço, contudo, esbarrava em um obstáculo de natureza jurídica e institucional. O ressurgimento da Aviação Naval ocorria em um contexto no qual ainda vigorava o Decreto-Lei de 20 de janeiro de 1941, que, ao criar o Ministério da Aeronáutica, concedera à Força Aérea Brasileira (FAB) a exclusividade na operação de aeronaves de asas fixas no território nacional. Na prática, a existência e a expansão de uma aviação naval de asas fixas colocavam em xeque essa prerrogativa legal, dando origem a um prolongado embate interforças. Diante desse cenário sensível, a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) optou por adotar uma postura cautelosa, afastando-se temporariamente dos tradicionais fornecedores internacionais de aeronaves militares, a fim de evitar o fortalecimento prematuro de uma capacidade que poderia agravar as tensões institucionais. Em seu lugar, passou a buscar soluções alternativas, baseadas sobretudo em “compras de oportunidade”, capazes de atender às necessidades imediatas sem provocar confrontos diretos.

Esses esforços desenvolveram-se em duas frentes complementares. A primeira concentrou-se no mercado internacional, com a prospecção de aeronaves militares usadas, disponíveis para aquisição em condições favoráveis. A segunda voltou-se para o mercado interno, buscando a obtenção de aeronaves de treinamento básico junto a operadores civis, em especial aqueles vinculados ao Aeroclube do Brasil.  Os primeiros resultados dessa estratégia seriam alcançados ainda em 1961, com a aquisição de aeronaves dos modelos Taylorcraft BC-12D e CAP-4 Paulistinha. Esses aviões passaram a operar junto ao Destacamento Especial de Aeronaves do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), não com a finalidade de formar pilotos, mas empregados principalmente no adestramento do Curso de Observador Aéreo Naval (COAN), bem como em missões de ligação, transporte leve e apoio às atividades administrativas e operacionais da Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA). Ainda que modestos em termos de desempenho e sofisticação, esses meios representaram um passo inicial concreto no processo de reconstrução da aviação naval brasileira.  A busca por aeronaves de treinamento básico para a Aviação Naval da Marinha do Brasil persistiria, resultando em meados do ano de 1962 na aquisição de uma célula do modelo Fleet PT-26 M-62A Cornell I, que segundo relatos seria negociada junto a um particular no próprio Aeroclube do Brasil. Esta aeronave após ser recebida seria imediatamente entregue ao Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), para ser integrado ao acervo do Destacamento Especial de Aeronaves. Apesar de pertencer ao modelo inicial de produção, esta aeronave estava equipada com o sistema de radio empregado nas versões mais recentes desta aeronave. Neste momento está célula seria submetida a uma revisão básica, na qual receberia o segundo padrão de pintura a ser adotado pela Aviação Naval, bem como sua matrícula de "N708 - FV 607". Em 22 de fevereiro de 1961, foram criados dois esquadrões, subordinados ao CIAAN: o 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução e Adestramento (EsqdHI-1) e o 1º Esquadrão de Aviões de Instrução. Esse último era dotado, originalmente, de apenas três aviões: um Taylorcraft BC-12D, um CAP-4 e o Fairchild PT-26. Essas aeronaves, além de poucas, eram inadequadas para o treinamento dos pilotos navais, de forma que a Marinha adquiriu, em 1962, seis aviões de treinamento suíços Pilatus P-3-04, os quais chegaram ao Brasil em janeiro e março de 1963. No entanto, logo após sua entrada em serviço, o PT-26 começou a apresentar anomalias no grupo propulsor, manifestando-se como panes de pequena monta, como vibrações irregulares e falhas intermitentes no sistema de ignição. Esses problemas, comuns em motores Ranger L-440, usados intensivamente durante a guerra, foram agravados pelo clima tropical brasileiro, com alta umidade e temperaturas elevadas acelerando o desgaste de componentes como pistões e válvulas. Humanamente, esses incidentes iniciais geraram preocupação entre os pilotos e mecânicos da BAeNSPA, que viam na segurança um princípio inegociável. Diante das anomalias persistentes, a célula do PT-26 foi submetida a uma revisão completa na Oficina Geral da Aviação Naval (OGAvN), uma unidade especializada na manutenção de aeronaves navais. 
Em novembro de 1962, um relatório técnico detalhado foi emitido, revelando que o motor Fairchild Ranger L-440 estava avariado, com danos em componentes críticos como o virabrequim e os rolamentos, possivelmente devido a fadiga acumulada de horas de voo anteriores. O documento concluía que a aeronave não poderia voar por tempo indeterminado, recomendando uma substituição completa de peças ou uma overhaul extensiva. Este preocupante cenário retiraria de imediato o modelo do processo de instrução e formação de pilotos, tendo em vista que a segurança em voo era um dos parâmetros básicos e inegociáveis da doutrina do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN). Esforços seriam realizados junto ao mercado civil na tentativa de obtenção de componentes críticos para a substituição em seu motor, porém este em muito diferia da grande maioria dos motores ainda em uso no Brasil, salientado que nesta época a frota de aeronaves civis em condições de voo dos modelos Fairchild M-62 PT-19A/B e PT-3FG que antes pertenceram a Força Aérea Brasileira (FAB) já operava nos aeroclubes com grandes índices de indisponibilidade.  Assim com base neste status, não existem indicações oficiais de que esse avião tenha registrado algum voo no transcorrer do ano de 1963, mas, em outubro de 1964, o  Fleet Aircraft PT-26 M-62A Cornell I, já figurava como parte do acervo do Destacamento de Aeronaves para Serviços Auxiliares da  Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia (BaeNSPA), onde deveria ser empregado em tarefas administrativas e de ligação. Porém naquele mesmo mês, um relatório do Estado-Maior da Armada informava que esta aeronave pertencia ao 1º Esquadrão de Aviões de Instrução do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN). Novamente não existem registros oficiais sobre a realização de voos durante o final de 1964 e o inicio do ano seguinte. Paralelamente a estes evento, a  crise institucional criada pela disputa entre os Ministérios da Aeronáutica e Marinha, pelo direito a operação de aeronaves de asas fixas se agravava dia a dia, com a solução sendo auferida em 26 janeiro de 1965,  mediante promulgação do decreto presidencial Nº 55.627, que que efetivamente extinguia a aviação naval de asas fixas da Marinha do Brasil. Em consequência dos artigos apresentados naquele instrumento,  seria definido que toda estrutura material e de pessoal deveriam ser incorporadas a Força Aérea Brasileira (FAB). Assim semanas mais tarde esta célula seria entregue a seus representantes, e as avaliações iniciais apontavam como uma aeronave obsoleta não sendo recomendada sua recuperação e operação, principalmente pelo seu modelo semelhante o  Fairchild M-62 PT-19A/B e PT-3FG, ter sido retirado do processo de instrução da Escola de Aeronáutica (EAer). Desta maneira esta aeronave não receberia nem a matricula militar, sendo repassado diretamente ao Departamento de Aviação Civil (DAC) a fim de ser doado para qualquer aeroclube que se habilitasse. No entanto não existem registros oficiais, e acredita-se que esta célula tenha sido logo em seguida sucateada, encerrando assim sua efêmera carreira militar no Brasil.

Em Escala. 
Para representarmos o Fleet PT-26 M-62A Cornell I, "N708" pertencente ao Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), fizemos uso do excelente kit em resina na escala 1/48 do fabricante Planet Models. Modelo este que apresenta facilidade de montagem e opções de detalhamentos interessantes. Como modificação incluímos apenas o radome da antena de rádio.  Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals, presentes em diversos sets deste fabricante. 

O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pela Aviação Naval da Marinha Brasileira em suas aeronaves de asas fixas e asas rotativas a partir de fins da década de 1950. Este esquema seria mantido quando da transferência da célula para a Força Aérea Brasileira (FAB) no início do ano de 1965, como aeronave não foi incorporada em serviço, especula-se que tenho sido sucateada ainda portando este padrão. 

Bibliografia : 

História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha- http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html 
-  Aeronaves Militares Brasileiras  1916 – 2015 Jackson Flores Jr 

-  Fairchild PT-19 - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Fairchild_PT-19 

- Centenário da Diretoria de Aeronáutica da Marinha  

-  Fairchild PT-19 - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Fairchild_PT-19   


Avro 504K Roe e 504N Lince


História e Desenvolvimento.
A fundação da A.V. Roe and Company, em 1º de janeiro de 1910, marcou um capítulo pioneiro na história da aviação mundial, representando um marco de inovação, empreendedorismo e determinação em um período de efervescência tecnológica. Estabelecida em Brownsfield Mill, na Great Ancoats Street, Manchester, pelos irmãos Alliott Verdon Roe e Humphrey Verdon Roe, a empresa emergiu como uma das primeiras a produzir aeronaves em série, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da indústria aeronáutica britânica. A história da A.V. Roe and Company é, acima de tudo, uma narrativa de visão, perseverança e colaboração fraterna, que transformou os sonhos de voo de Alliott em uma realidade comercial e militar, deixando um legado duradouro na aviação. Alliott Verdon Roe, um engenheiro visionário, foi o coração técnico da empresa, responsável pelo projeto e construção das aeronaves. Seu irmão, Humphrey, desempenhou um papel igualmente crucial, trazendo suporte financeiro obtido por meio dos lucros do negócio familiar de teares e assumindo a direção administrativa até 1917, quando se juntou ao Corpo Aéreo Real RFC (Royal Flying Corps). Antes mesmo da fundação da companhia, Alliott já havia demonstrado sua genialidade: em 1908, seu primeiro aeroplano, o Roe I Triplane, apelidado de The Bullseye, realizou seu voo inaugural nos campos de Manchester. Este modelo, projetado e construído artesanalmente, é amplamente reconhecido como a primeira aeronave de projeto integralmente britânico, um feito que colocou a Inglaterra na vanguarda da aviação em seus primórdios. Com o estabelecimento formal da A.V. Roe and Company, a operação foi estruturada para atender ao crescente mercado de aviação. Um galpão foi alugado no Brooklands Flying Grounds, onde as aeronaves finalizadas eram exibidas e comercializadas por £450, um preço acessível para a época. As vendas começaram a ganhar tração, impulsionadas pela evolução constante dos projetos de Alliott. No final de 1912, o negócio não apenas se provou financeiramente viável, mas também revelou um potencial promissor, com perspectivas de crescimento a curto e médio prazo. Em 1913, a empresa alcançou autonomia financeira e tornou-se altamente lucrativa, consolidando sua posição em um mercado que, embora vibrante, começava a atrair concorrentes, desafiando a A.V. Roe a inovar continuamente para manter sua competitividade. Um marco significativo na trajetória da empresa foi a construção, em 1912, do monoplano Tipo F e do biplano Avro Tipo G, as primeiras aeronaves do mundo com cabine fechada para a tripulação. Embora esses modelos não tenham avançado além do estágio de protótipo, eles demonstraram a ousadia e a visão inovadora da companhia. O verdadeiro impulso para o futuro da A.V. Roe veio com o lançamento do Avro E, também conhecido como Avro 500, uma aeronave que se destacou por seu desempenho excepcional. Este modelo atraiu a atenção do Royal Flying Corps, resultando, no final de 1913, no primeiro contrato militar da empresa: a encomenda de 18 células destinadas aos Esquadrões de Treinamento nº 3, nº 4 e nº 5. 

As entregas começaram no início de 1914, e, em março do mesmo ano, as aeronaves foram declaradas plenamente operacionais, marcando a entrada definitiva da A.V. Roe no setor de defesa e consolidando sua reputação como uma fabricante confiável.O Avro E 500, lançado em 1913, conquistou ampla aceitação entre pilotos e instrutores do Corpo Aéreo Real RFC (Royal Flying Corps), recebendo elogios do comando por seu desempenho confiável e design robusto. Esse sucesso motivou a diretoria da A.V. Roe and Company, liderada por Alliott Verdon Roe, a investir recursos próprios no desenvolvimento de uma versão aprimorada, resultando no Avro 504. Apesar de derivado de seu antecessor, o novo modelo incorporava melhorias significativas em aerodinâmica e desempenho, demonstrando o compromisso da empresa com a inovação contínua. Em julho de 1913, dois protótipos foram fabricados, e o primeiro voo ocorreu em 5 de setembro do mesmo ano, a tempo de participar da Feira Aérea Internacional de Farnborough. O design avançado e a performance impressionante do Avro 504 atraíram imediatamente a atenção do comando das forças armadas britânicas, que reconheceram seu potencial para atender às crescentes demandas militares. As negociações com o Corpo Aéreo Real  - RFC (Royal Flying Corps) e o Real Serviço Aéreo Naval - RNAS (Royal Naval Air Service) resultaram na assinatura de contratos para a produção de um número substancial de aeronaves, marcando um momento de virada para a A.V. Roe. No entanto, a capacidade produtiva da fábrica original, localizada em Brownsfield Mill, Manchester, revelou-se insuficiente para atender à demanda. Em resposta, a empresa transferiu suas operações para instalações maiores em Clifton Street, Miles Platting, ainda em Manchester. Mesmo essa medida se mostrou temporária, pois o aumento contínuo dos pedidos levou a um novo estrangulamento produtivo, forçando a migração para as instalações da Mather & Platt Works, em Newton Heath. Essas expansões refletem o dinamismo da A.V. Roe em adaptar-se às exigências de um mercado em rápida expansão, bem como a dedicação de seus funcionários, que trabalharam arduamente para manter a produção em ritmo acelerado. As primeiras unidades do Avro 504 foram declaradas operacionais em março de 1914, sendo inicialmente destinadas a missões de treinamento e observação. Sua versatilidade e confiabilidade tornaram-no um pilar dos esquadrões de instrução das forças armadas britânicas, preparando pilotos para os desafios da aviação militar. Contudo, o eclodir da Primeira Guerra Mundial, em 28 de julho de 1914, transformou profundamente o destino da A.V. Roe and Company e do Avro 504. O conflito, que envolveu as principais potências europeias em uma escala sem precedentes, elevou a aeronave a um novo patamar operacional. Além de seu papel em treinamento, o Avro 504 foi empregado em missões de combate na frente europeia, incluindo reconhecimento, bombardeio leve e até ataques improvisados. Essa adaptação às exigências da guerra destacou a robustez do projeto e a capacidade da empresa de responder rapidamente às necessidades militares.
Em 14 de agosto de 1914, apenas duas semanas após o início da Primeira Guerra Mundial, o Avro 504 fez história de maneira trágica ao se tornar a primeira aeronave britânica abatida pelo fogo antiaéreo alemão. Pilotada pelo 2º Tenente Vincent Waterfall, com o Tenente Charles George Gordon Bayly como navegador, a aeronave pertencia ao 5º Esquadrão do Royal Flying Corps (RFC). Esse evento, ocorrido em um contexto de guerra incipiente, destacou os riscos enfrentados pelos primeiros aviadores, que operavam em máquinas frágeis e expostas, enfrentando defesas antiaéreas cada vez mais eficazes. Apesar dessa perda, o Avro 504 logo demonstrou sua versatilidade em uma missão notável conduzida pelo Royal Naval Air Service (RNAS) em 21 de novembro de 1914. Três Avro 504, partindo de Belfort, no nordeste da França, realizaram um audacioso ataque às instalações alemãs de produção e manutenção de dirigíveis Zeppelin em Friedrichshafen, nas margens do Lago de Constança. Carregando quatro bombas de 20 libras (9 kg) cada, as aeronaves enfrentaram condições adversas, com uma sendo abatida próximo ao alvo. As demais, no entanto, lograram êxito, atingindo diretamente os galpões dos dirigíveis e destruindo uma usina geradora de hidrogênio, em uma operação que demonstrou o potencial estratégico da aviação em alvos de alto valor. Conforme a Primeira Guerra Mundial ganhava intensidade, a tecnologia aeronáutica avançava em um ritmo frenético, com o surgimento de novas gerações de caças, bombardeiros e aeronaves de observação mais avançados. Esse progresso tornou o ambiente de combate cada vez mais hostil para o Avro 504, cujas capacidades, embora notáveis para sua época, foram superadas por modelos mais modernos. Assim, a aeronave foi rapidamente relegada a missões de segunda linha, sendo transferida para esquadrões de treinamento na Inglaterra, onde continuou a desempenhar um papel crucial na formação de pilotos. Até então, a produção do Avro 504 já alcançava milhares de unidades, abrangendo versões que evoluíram do Avro 504A ao Avro 504J, com motores que progrediram de 60 hp para 80 hp, refletindo o esforço contínuo da A.V. Roe and Company para aprimorar sua criação. No inverno de 1917 e 1918, a escassez de aeronaves de caça no continente europeu e a necessidade urgente de substituir os obsoletos interceptadores Vickers B.E.2c nos esquadrões de defesa doméstica levaram o comando do RFC a uma decisão inovadora: converter os Avro 504J e 504K para missões de caça. Essas versões foram adaptadas para um único assento, equipadas com uma metralhadora leve Lewis .303 (7,62 mm), montada acima da asa, e padronizadas com motores Gnome Monosoupape de 100 hp. Um total de 274 células foram modificadas, sendo distribuídas a oito esquadrões de defesa doméstica. Essa conversão, embora improvisada, demonstrou a versatilidade do Avro 504 e a capacidade da A.V. Roe de responder às demandas emergentes da guerra, mesmo em um contexto de recursos limitados.

A trajetória do Avro 504 como a principal aeronave de instrução primária da aviação britânica é uma história de longevidade, versatilidade e impacto global, que reflete o talento de seus criadores na A.V. Roe and Company e a dedicação de gerações de pilotos, instrutores e técnicos que confiaram em suas qualidades para formar aviadores em todo o mundo. Após a Primeira Guerra Mundial, encerrada em novembro de 1918, o Avro 504 consolidou-se como o “treinador padrão” britânico, uma conquista atribuída à sua estabilidade, facilidade de manuseio e robustez. Com a criação da Força Aérea Real (RAF) em 1918, resultante da fusão do Royal Flying Corps (RFC) e do Royal Naval Air Service (RNAS), o Avro 504 continuou a desempenhar um papel central nos esquadrões de treinamento, formando milhares de pilotos que seriam a espinha dorsal da aviação militar britânica. A abundância de aeronaves consideradas “excedentes de guerra” permitiu que cerca de 300 Avro 504 fossem transferidos para escolas civis de pilotagem na Grã-Bretanha, onde receberam registros civis. Nessas instituições, as aeronaves foram empregadas não apenas no treinamento de pilotos, mas também em tarefas inovadoras, como o reboque de faixas publicitárias, uma prática que demonstrava sua versatilidade. Muitas dessas aeronaves permaneceram em uso até o início da década de 1940, um testemunho de sua durabilidade em uma era de rápidos avanços tecnológicos. A influência do Avro 504 transcendeu as fronteiras britânicas. Na nascente força aérea da União Soviética, formada após a Revolução de 1917 e a Primeira Guerra Mundial, o modelo foi adotado tanto em sua forma original quanto em uma versão local, conhecida como Avrushka (“Little Avro”). Equipadas com cópias russas do motor rotativo Gnome Monosoupape, essas aeronaves foram amplamente utilizadas no treinamento primário até o final da década de 1920, contribuindo para a consolidação da aviação militar soviética em seus primeiros anos. Na China Nacionalista, durante o mesmo período, o Avro 504 foi adquirido em grande quantidade, inicialmente para treinamento. No entanto, em meio às guerras regionais que marcaram a década de 1920, essas aeronaves foram adaptadas para missões de combate, com pilotos lançando granadas de mão e morteiros modificados em ataques improvisados. Esses usos, embora rudimentares, destacam a adaptabilidade do Avro 504 em contextos de recursos limitados. Em 1925, a A.V. Roe and Company, buscando manter a relevância do Avro 504 em um cenário de avanços tecnológicos, apresentou o Avro 504N, uma versão modernizada do modelo original. Dois protótipos foram construídos para avaliação: um equipado com o motor Bristol Lucifer e outro com o Armstrong-Siddeley Lynx. O desempenho superior do motor Lynx levou à sua seleção pela RAF, que encomendou 592 células entre 1925 e 1932. 
Essas aeronaves equiparam cinco esquadrões de treinamento e foram usadas também como aviões de comunicação, reforçando o papel do Avro 504N como uma ferramenta essencial para a formação de pilotos. A nova versão também conquistou mercados internacionais, sendo exportada para forças militares da Bélgica, Brasil, Chile, Dinamarca, Grécia, Sião (atual Tailândia) e África do Sul. Além disso, a produção licenciada do Avro 504N ocorreu na Dinamarca, Bélgica, Canadá e Japão, evidenciando o alcance global do modelo e a confiança depositada em seu design. Os Avro 504N da Força Aérea Real (Royal Air Force) passariam a ser substituídos a partir de 1933 pelo novo treinador primário Avro Tutor, ao fim de 1935 restariam apenas sete células que seriam convertidas em aeronaves rebocadoras de alvos e planadores. Grande parte das aeronaves em bom estado de conservação seriam doados para escolas civis de pilotos, recebendo o registro civil, se mantendo em operação até o início da década de 1940. Ao todo foram produzidas entre os anos de 1914 e 1928 um total de onze mil quatrocentas e oitenta e quatro células, dispostas em vinte e nove versões. Além de serem montados em treze fábricas na Grã-bretanha, a aeronave seria ainda montada sob licença na Argentina, Bélgica, União Soviética, Japão, Canadá, Dinamarca, França, com versões customizadas desenvolvidas localmente como as japonesas Yokosuka K2Y1 e Yokosuka K2Y2, russas como U-1 (Uchebnyi – 1) e MU-1 (Morskoy Uchebnyi – 1), dinamarquesa Orlogsværftet Flyvemaskineværksted LB.I e australianas como598 Warregull e  599 Warregull II.  Sua versão a ser mais produzida, no entanto, seria o Avro 504K, modelo originalmente configurado como aeronave de treinamento de dois lugares, que apresentava como curiosidade a possibilidade de poder a ser equipado como uma vasta gama de motores em virtude da escassez de componentes durante a Primeira Guerra Mundial. Em termos de operadores militares o modelo esteve a serviço das forças armadas do Brasil, Argentina, Canada, Estônia, Finlândia, Grécia, Guatemala, Índia Britânica, Irã, Irlanda, Japão, Letônia, Malaia, México, Mongólia, Noruega, Peru, África do Sul, Sião, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça, Tailândia Uruguai e Estados Unidos. O modelo registraria sua marca na História aeronáutica internacional, por ser a primeira aeronave britânica a dispersar tropas em terra, bem como o primeiro avião britânico a fazer um bombardeio sobre a Alemanha, sendo também a primeira a ser derrubada por fogo antiaéreo inimigo. Seria eternizada por formar futuros ases do conflito, como Billy Bishop entre outros que apelidariam a aeronave como "palito de dente" na Força Aérea Real (Royal Air Force).   

Emprego na Marinha do Brasil.
O desenvolvimento da aviação militar no Brasil teve suas raízes no início do século XX, um período marcado por avanços tecnológicos revolucionários desencadeados pelo primeiro voo controlado de uma aeronave mais pesada que o ar, realizado pelo inventor brasileiro Alberto Santos-Dumont em 1906 com o 14-bis, em Paris. Inspirado por esse marco e pela crescente relevância da aviação nos conflitos globais, o Brasil buscou estruturar sua capacidade aérea militar. Em fevereiro de 1914, foi fundada a Escola Brasileira de Aviação no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, por meio de uma parceria entre o Ministério da Guerra e a empresa italiana Gino, Buccelli & Cia. Essa colaboração envolveu o fornecimento de equipamentos e instrutores estrangeiros para formar os primeiros aviadores militares do Exército Brasileiro, estabelecendo as bases para a Aviação Militar. Paralelamente, a Marinha do Brasil, reconhecendo o potencial estratégico da aviação em operações marítimas, demonstrou pioneirismo ao criar a Escola de Aviação Naval (EAvN) em 23 de agosto de 1916. Essa iniciativa foi impulsionada pela visão de líderes navais, como o então Ministro da Marinha, Almirante Alexandrino de Alencar, que se inspirou no uso de aeronaves durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918). A guerra destacou o valor dos hidroaviões em missões de reconhecimento, patrulha e apoio naval, motivando a Marinha a adquirir suas primeiras aeronaves. Sob a liderança do Almirante Protógenes Pereira Guimarães, patrono da Aviação Naval Brasileira, a EAvN foi incumbida de desenvolver a doutrina de emprego aéreo e preparar pessoal qualificado para operar essas plataformas. As primeiras aeronaves adquiridas pela Marinha foram três aerobotes Curtiss Model F, fabricados pela Curtiss Aircraft Company, dos Estados Unidos. O primeiro desses hidroaviões realizou seu voo operacional em 1916, enquanto os outros dois foram montados até outubro do mesmo ano na Carreira Tamandaré, localizada no Arsenal de Marinha, próximo ao Morro de São Bento, no Rio de Janeiro. Essa área, situada nas proximidades da antiga ponte para a Ilha das Cobras, é hoje ocupada pelo rancho do 1º Distrito Naval. Pouco depois, a EAvN foi transferida para a Ilha das Enxadas, onde foram construídos dois hangares com capacidade para abrigar quatro aeronaves cada, consolidando a infraestrutura inicial para a formação de aviadores navais. Nos anos seguintes, a EAvN, com o apoio de instrutores norte-americanos, concentrou-se na formação dos primeiros aviadores navais brasileiros, desenvolvendo competências essenciais para operações aéreas marítimas. Contudo, o aumento da complexidade das missões navais, que incluíam observação, caça e bombardeio, revelou a necessidade de modernizar a frota e as práticas de instrução. Muitos dos hidroaviões utilizados pela EAvN, que compunham uma coleção variada de modelos, estavam alcançando o fim de sua vida útil operacional no final da década de 1910. 

Essa obsolescência, combinada com a evolução tecnológica da aviação militar, exigiu uma reavaliação estratégica. Para enfrentar esses desafios, a Marinha decidiu reduzir a diversidade de tipos de aeronaves em sua frota, padronizando os equipamentos e sistematizando os métodos de instrução de voo. Essa iniciativa visava aumentar a eficiência do treinamento e preparar a Aviação Naval para incorporar modelos mais modernos, capazes de atender às demandas de operações multifuncionais. A modernização incluiu a aquisição de aeronaves com maior desempenho e a adoção de práticas de ensino mais estruturadas, alinhadas com os padrões internacionais da época. Nesse contexto, a Marinha buscou modernizar suas práticas de formação de pilotos, inspirando-se em métodos avançados desenvolvidos pelas potências aliadas. A adoção do “Sistema Gosport”, introduzido pelo Royal Naval Air Service (RNAS) britânico em 1916, representou um marco na sistematização do treinamento de pilotos. Esse sistema, que enfatizava o uso de aeronaves terrestres para instrução inicial, oferecia maior segurança e eficiência em comparação com os hidroaviões, permitindo aos alunos dominar habilidades básicas de voo antes de progredir para operações mais complexas.   Para implementar o Sistema Gosport, a Marinha do Brasil enviou uma delegação de oficiais à Inglaterra, onde puderam estudar de perto as práticas de treinamento e as aeronaves empregadas. Durante essa missão, os oficiais brasileiros tiveram seu primeiro contato com o Avro 504, uma aeronave biplana projetada pela Avro Aircraft Company e amplamente utilizada como treinador primário pelo RNAS e pela Royal Air Force (RAF). O Avro 504, introduzido em 1913, tornou-se um dos aviões de treinamento mais icônicos da Primeira Guerra Mundial, conhecido por sua robustez, facilidade de manutenção e versatilidade. Sua adoção no Sistema Gosport consolidou-o como o padrão para a formação de pilotos, influenciando a decisão brasileira de incorporá-lo à Aviação Naval. A incorporação do primeiro Avro 504K pela Marinha do Brasil ocorreu de forma fortuita, em maio de 1920, como resultado do término das operações da companhia aérea britânica Handley Page Ltda no Brasil. Após a Primeira Guerra Mundial, o excesso de material aeronáutico disponível no mercado internacional incentivou a criação de empresas de transporte aéreo. A Handley Page, autorizada pelo governo brasileiro a operar rotas entre cidades brasileiras, trouxe ao país quatro aeronaves, incluindo um Avro 504K. Com a falência da empresa, suas aeronaves foram doadas ao governo brasileiro, e o Avro 504K, registrado com a matrícula “46”, foi transferido para a EAvN. A integração desse exemplar à EAvN, ainda sediada na Ilha das Enxadas, apresentou desafios, uma vez que a base não dispunha de uma pista adequada para aeronaves terrestres. 
Não há registros claros se o Avro 504K foi desmontado e armazenado ou mantido em outro local. Contudo, esse evento marcou o início da transição da Aviação Naval para o uso de aviões terrestres, alinhando-se ao Sistema Gosport. Para atender à crescente demanda por aeronaves de treinamento modernas, a Marinha destinou recursos para ampliar sua frota de Avro 504. Em 1921, foram adquiridas quatro células usadas, equipadas com o motor rotativo Gnome Monosoupape de 100 hp, conhecido por sua confiabilidade. As duas primeiras unidades chegaram ao Brasil no final do primeiro semestre de 1921, sendo montadas em agosto e enviadas ao Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, onde operaram temporariamente até a conclusão de uma pista na nova base da EAvN, na Ponta do Galeão. Um acidente resultou na perda de uma dessas aeronaves, levando à montagem das duas células restantes entre novembro e dezembro de 1921. A frota foi reforçada com a celebração de um contrato em 23 de maio de 1922 com a Curtiss Aeroplane Export Corporation, para a aquisição de mais 12 células usadas do Avro 504, configuradas com motores radiais Le Rhône de 110 hp. Essas aeronaves, embora de segunda mão, representavam um avanço em relação aos hidroaviões iniciais, oferecendo maior desempenho e adequação às práticas de treinamento sistematizadas. Até o final de 1923, a Aviação Naval operava 16 aeronaves Avro 504K, alocadas à 3ª Esquadrilha da Flotilha de Treinamento, sediada na Ilha das Enxadas e, posteriormente, na Ponta do Galeão. Apesar do número considerável, a disponibilidade operacional era severamente limitada devido a pequenos acidentes e à falta de manutenção adequada. Durante os tumultos políticos de 1924, as atividades da EAvN foram significativamente reduzidas, resultando em uma queda de 50% no número de alunos formados em 1925. Em momentos de maior tensão revolucionária, algumas aeronaves Avro 504K foram armadas com metralhadoras Lewis calibre .303 (7,62 mm × 54 mm) para missões de apoio tático, evidenciando a versatilidade do modelo em cenários de crise. As restrições orçamentárias impostas pelo contexto político limitaram o fluxo de peças de reposição, levando a índices alarmantes de indisponibilidade. Em 1925, apenas quatro células estavam operacionais, com as demais armazenadas ou em manutenção prolongada. No ano seguinte, o Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro (CAvNRJ) conseguiu recuperar uma aeronave adicional, mas os desafios persistiram. Em 1926, três Avro 504K realizaram um feito notável para a época: um raid aéreo entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Contudo, duas aeronaves foram perdidas durante a missão, reduzindo ainda mais a frota operacional. Até o final de 1927, apenas três Avro 504K permaneciam disponíveis, com as demais perdidas em acidentes ou em reparos de grande escala.

Reconhecendo a necessidade de modernizar sua frota de treinamento, a Diretoria Geral de Aeronáutica da Marinha avaliou propostas para aquisição de novas aeronaves. Embora inicialmente considerasse a compra de células usadas do Avro 504K junto ao governo britânico, a atenção voltou-se para a variante mais moderna, o Avro 504N/O, equipada com melhorias significativas, como o motor radial Armstrong Siddeley Lynx de 180 hp, que oferecia maior desempenho e confiabilidade. Em janeiro de 1927, a Marinha celebrou um contrato para a aquisição de seis células novas de fábrica, acompanhadas de um amplo pacote de peças de reposição, visando mitigar os problemas de manutenção enfrentados anteriormente. As novas aeronaves Avro 504N/O foram recebidas e colocadas em condições de voo durante o primeiro semestre de 1928. Elas passaram a compartilhar as tarefas de treinamento com os Avro 504K remanescentes, que, devido ao desgaste, registraram uma redução significativa no número de horas de voo. A introdução do 504N/O representou um avanço na padronização do treinamento, alinhando a EAvN aos padrões internacionais de formação de pilotos. A operação das novas aeronaves não foi isenta de dificuldades. Apenas três dias após o primeiro voo de um Avro 504N/O, em julho de 1928, uma das células sofreu uma pane no motor e caiu nas proximidades do CAvNRJ. No mês seguinte, outra aeronave realizou um pouso forçado no mar. Ambas foram resgatadas e enviadas para reparos, mas uma delas permaneceu em manutenção por um período prolongado, refletindo os desafios logísticos enfrentados pela Aviação Naval em um contexto de recursos limitados. Em 1929, o ano letivo da EAvN foi iniciado com apenas cinco aeronaves Avro 504N/O, das quais duas estavam equipadas com flutuadores para operações anfíbias. Essas aeronaves desempenharam um papel crucial no treinamento de pilotos no Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro (CAvNRJ) e na EAvN, contribuindo para a formação de aviadores navais em 1929 e 1930. Paralelamente, as três últimas células operacionais do Avro 504K, já desgastadas por anos de uso intensivo, foram submetidas a um programa de modernização iniciado em maio de 1929. O foco principal foi a substituição do motor rotativo Gnome Monosoupape, conhecido por sua instabilidade, pelo motor radial fixo Armstrong Siddeley Lynx IVC, mais confiável e eficiente. Algumas dessas aeronaves também foram adaptadas para operar com flutuadores, visando atender às necessidades de operações marítimas. O processo de modernização foi concluído em janeiro de 1930, mas os resultados não atenderam às expectativas. A performance das aeronaves modernizadas não alcançou os objetivos desejados, e a frota remanescente enfrentava desafios logísticos crescentes. Como resultado, a Diretoria Geral de Aeronáutica da Marinha decidiu desativar os Avro 504K após um voo de formatura da EAvN em junho de 1930, encerrando sua carreira na Aviação Naval Brasileira. Apesar do número reduzido de aeronaves, devido a acidentes que exigiam reparos prolongados, os Avro 504 foram fundamentais para a formação da maior turma de aviadores navais até então, com sete oficiais recebendo o brevê de aviador naval em 1931.
O ano de 1931 prometia intensificar as atividades de treinamento, com a EAvN planejando formar a maior turma de aviadores navais desde sua criação em 1916, incluindo a primeira turma de aviadores da Reserva Naval Aérea. No entanto, esses planos foram interrompidos pela Revolução Constitucionalista de 1932, um conflito civil liderado pelo estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, que buscava a redemocratização do país após o golpe de 1930. A revolta, que durou de julho a outubro de 1932, resultou na suspensão de praticamente todas as atividades de instrução aérea da EAvN, redirecionando recursos e esforços para operações de apoio tático. Nesse período, os Avro 504N/O já não eram mais utilizados na formação inicial de pilotos, mas continuavam desempenhando um papel essencial no adestramento do pessoal do CAvNRJ. Essas aeronaves, embora limitadas em número, foram empregadas em tarefas de treinamento avançado e manutenção das habilidades de voo, garantindo a continuidade das operações da Aviação Naval em um contexto de crise. O início das hostilidades faria com que a Aviação Naval reunisse todos os seus recursos de material e pessoal para o esforço de guerra, e entre as aeronaves convocadas estavam os Avro 504N/O Lince. Entre outras necessidades das forças legalistas encontrava-se o patrulhamento fluvial na região do pantanal, na tentativa de inibir qualquer atividade das forças Constitucionalistas.  Para dar apoio direto às unidades de superfície da Marinha do Brasil, em agosto dois Avro 504N/O receberiam metralhadoras Vickers .303 de calibre 7,62 mm × 54 mm e foram enviados à Base Naval de Ladário. Equipados com flutuadores, esses aviões regularmente realizavam missões de vigilância nos longos cursos fluviais da região, executando ainda o patrulhamento de fronteira. Ao término da Revolução Constitucionalista, estes dois aviões que se encontravam no Pantanal regressariam ao Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro - CAvN RJ e foram aparentemente recolhidas as Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAN) a fim de sofrerem uma revisão geral. Por sua vez, em setembro de 1932, um Avro 504N/O seria dado como pronto entregue após uma revisão completa. Porém essa aeronave teria uma vida efêmera, acidentando-se com perda total de material e infelizmente de pessoal em dezembro daquele mesmo ano. A partir de então, a historia dos Avro 504N/O torna-se nebulosa. Existem indicações de que os aviões que estiveram no Pantanal, junto com mais outra célula, permaneceriam nas  Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAN) e de lá não sairiam mais. O certo é que, em 1934, seria dada baixa aos Avro 504N/O Lince, encerrando, assim definitivamente, a carreira destas aeronaves no Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Avro 504K “A7” pertencente a  Marinha do Brasil,  a serviço da Escola de Aviação Naval - EAvN,  empregamos o antigo kit da Airfix na escala 1/72. Modelo este de fácil montagem, porém apresentando baixo detalhamento, exigindo ainda confecção em scratch dos para-brisas. Fizemos uso de decais confeccionados pela FCM Decals presentes no antigo set 72/09.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado pelos Avro 504K da Aviação Naval, inicialmente as aeronaves foram recebidas em uma tonalidade de amarelo denominada "clear dope linen" com o FS 33695. Já as células do modelo Avro 504N/O receberam padrões de pintura em metal natural com as marcações nacionais. 

Bibliografia :
- Avro 504 – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Avro_504
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- 100  anos da Aviação Naval - Marinha do Brasil & Fundação Getulio Vargas
- Asas sob os Mares , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/Asas%20sobre%20os%20mares/index.html

UH-13 Aérospatiale AS355F2 Ecureuil 2

História e Desenvolvimento.
A derrota da França, iniciada com a ofensiva alemã em 10 de maio de 1940 e consolidada nas semanas seguintes, culminou na ocupação do país durante o conflito, representando um golpe devastador para sua outrora vigorosa indústria de defesa. Sob o controle do regime de Vichy e das autoridades de ocupação alemãs, a França foi relegada à condição de fornecedora subordinada de componentes e materiais destinados ao esforço industrial alemão, interrompendo o ciclo de inovação tecnológica que vinha sendo desenvolvido desde o final da década de 1920. Com o término do conflito, a reconstrução nacional tornou-se prioridade estratégica do governo francês. O setor aeronáutico, considerado essencial tanto para a defesa quanto para a soberania tecnológica, recebeu atenção especial no âmbito do processo de reindustrialização conduzido pelo Estado. Nesse contexto, foi implementada uma ampla política de nacionalizações e reorganização estrutural, que resultou na criação de duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest. Ambas nasceram da incorporação e fusão de diversas companhias privadas  muitas delas fragilizadas economicamente  em um esforço deliberado do governo para concentrar recursos técnicos  e humanos em polos regionais de pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa política industrial visava não apenas restaurar a capacidade produtiva, mas também reposicionar a França como uma potência aeronáutica. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest atuaram de forma complementar, tanto na produção de aeronaves de asas fixas quanto na introdução de tecnologias emergentes no campo das aeronaves de asas rotativas os helicópteros. Nesse segmento, o governo promoveu investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, além de incentivar acordos de cooperação tecnológica e produção sob licença com empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas e britânicas. Esse intercâmbio técnico permitiu à indústria assimilar rapidamente conceitos avançados de engenharia aeronáutica, criando as bases para o desenvolvimento de projetos nacionais. Um dos resultados mais expressivos desse processo foi o helicóptero Sud Aviation Alouette II, desenvolvido pela Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e equipado com o motor turboeixo Turboméca Artouste  uma inovação que representava um salto qualitativo em termos de desempenho, confiabilidade e relação peso-potência. O Alouette II realizou seu primeiro voo em março de 1955, e sua entrada em serviço consolidou o país como um dos pioneiros na adoção de helicópteros turboeixo. Em 1º de março de 1957, no âmbito de um novo movimento de consolidação industrial promovido pelo Estado francês, a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest foram formalmente fundidas, dando origem à Sud Aviation. Esta  passou a centralizar a maior parte da produção aeronáutica, reunindo sob uma mesma estrutura administrativa programas civis e militares.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em desenvolvimento de suas antecessoras, mas também a ambição de inserir a França no seleto grupo de potências aeroespaciais. A Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o SNCASE SE.161 Languedoc, um avião comercial de médio porte, e o SNCASE Mistral, versão licenciada do britânico de Havilland Vampire. O êxito do  Alouette II pioneiro entre os helicópteros de produção equipados com motor turboeixo  abriu caminho para o desenvolvimento de uma aeronave ainda mais robusta, dotada de maior capacidade de carga e melhor desempenho em condições adversas. Assim surgiu o  Alouette III, designado SA 316 ou SA 319 em suas variantes, que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Projetado para atender à demanda por um helicóptero versátil, capaz de operar em ambientes extremos  como regiões de grande altitude e climas severos, o  Alouette III consolidou-se como um marco na aviação de asas rotativas, alcançando ampla difusão internacional tanto no meio civil quanto militar. Em 1965, foi estabelecida uma colaboração anglo-francesa com o objetivo de desenvolver um substituto para as versões militares do Alouette III. Dessa parceria emergiu o Gazelle, um helicóptero leve, ágil e tecnologicamente avançado, que viria a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu sucesso no segmento militar, seu custo relativamente elevado limitou sua penetração no mercado civil internacional. Com base na experiência adquirida com o  Gazelle, a equipe de engenharia da Aérospatiale voltou-se para um novo desafio: conceber um helicóptero que combinasse inovação tecnológica com maior acessibilidade econômica. Para isso, foram conduzidas extensas pesquisas de mercado junto a operadores potenciais, que apontaram três requisitos fundamentais: baixos níveis de ruído e vibração, maior capacidade de transporte e custos operacionais reduzidos. Esses parâmetros seriam determinantes para posicionar a nova aeronave como uma alternativa competitiva ao seu principal rival no mercado, o Bell 206 JetRanger. O projeto resultante materializou-se em um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto. Incorporando avanços em aviônica e soluções construtivas inovadoras, a aeronave foi concebida para apresentar custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos do Gazelle. Inspirando-se em práticas da indústria automotiva, o fabricante integrou componentes derivados de fornecedores das marcas Citroën e Renault, além de adotar o inovador sistema Starflex para o rotor principal. Esse conjunto de soluções técnicas, aliado a uma arquitetura estrutural eficiente, conferiu à aeronave elevado desempenho com reduzido custo operacional, tornando-a particularmente adequada para uma ampla gama de missões civis e militares. O protótipo, designado AS350 Écureuil, realizou seu voo inaugural em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Equipado com o motor Lycoming Avco LTS-101, capaz de gerar aproximadamente 592 shp, o modelo demonstrou desde seus primeiros ensaios elevado grau de versatilidade e eficiência.
Após sua apresentação oficial, o  AS350 foi submetido a um abrangente e rigoroso programa de ensaios em voo, em consonância com as exigências técnicas e regulatórias que caracterizavam a indústria aeronáutica internacional da década de 1970  período marcado por forte evolução tecnológica e crescente padronização de certificações. Nessa fase inicial, foram identificadas limitações relacionadas à potência do motor de origem norte-americana então empregado, o que comprometia o desempenho em determinadas condições operacionais, especialmente em ambientes de alta temperatura e altitude. Diante desse cenário, a equipe de engenharia adotou uma solução estratégica ao optar pela substituição do propulsor original pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, capaz de desenvolver 641 shp e concebido especificamente para aplicações em helicópteros leves. Essa decisão revelou-se determinante para o êxito do programa, sendo validada com o voo inaugural do segundo protótipo, já equipado com o novo motor, realizado em 14 de fevereiro de 1975. A superioridade de desempenho do Arriel em relação aos motores da linha Lycoming  particularmente em cenários operacionais mais exigentes  levou à sua adoção definitiva na versão principal de produção, designada AS350B. Ao longo da campanha de ensaios, diversas melhorias de natureza técnica e operacional foram incorporadas, abrangendo desde ajustes aerodinâmicos até aperfeiçoamentos nos sistemas embarcados, culminando em uma configuração final plenamente adequada aos requisitos de mercado e certificação. Com vistas à homologação internacional, três células adicionais foram produzidas especificamente para os processos de certificação civil. Em 1977, após a obtenção das aprovações junto às autoridades aeronáuticas competentes, o modelo  então oficialmente denominado AS350B Écureuil  foi introduzido simultaneamente nos mercados europeu e norte-americano. Sua combinação de elevado desempenho, confiabilidade operacional e custos relativamente reduzidos contribuiu para rápida aceitação, especialmente entre operadores privados. A partir de 1978, consolidou sua presença no mercado internacional com a assinatura de contratos governamentais relevantes, destacando-se sua ampla adoção em missões de segurança pública e serviços aeromédicos. Esse sucesso no segmento civil e paramilitar incentivou o fabricante a explorar novas possibilidades no campo militar, levando ao desenvolvimento de uma variante voltada primordialmente para o treinamento e a conversão operacional de pilotos, sem prejuízo de funções secundárias como transporte leve, ligação e observação. Nesse contexto, surgiu o AS350 BB, concebido para atender, em particular, às demandas do mercado britânico e aos requisitos específicos da Força Aérea Real (RAF). Posteriormente, a família evoluiria para a designação moderna Airbus Helicopters H125, refletindo as mudanças corporativas no setor. Para satisfazer os parâmetros de desempenho exigidos no ambiente militar, o AS350 BB foi equipado com o motor Turbomeca Arriel 1D de 684 shp, proporcionando desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O modelo foi configurado com comandos duplos reforçados e sistemas simplificados, facilitando o processo de instrução de pilotos em formação. 

Sua instrumentação foi adaptada aos padrões militares, incluindo sistemas de navegação e comunicação compatíveis com os requisitos operacionais da Força Aérea Real (RAF). Adicionalmente, a cabine apresentava excelente visibilidade  característica essencial para o treinamento  e a estrutura da aeronave recebeu reforços específicos, destinados a suportar o regime intensivo de operação típico das atividades de instrução, marcado por frequentes ciclos de decolagem e pouso. Dessa forma, o AS350 BB consolidou-se como uma plataforma eficiente e confiável no treinamento básico e avançado de asas rotativas. O  AS350 BB foi selecionado em 1979 pela DHFS (Defence Helicopter Flying School) para formar pilotos de helicóptero das forças armadas britânicas. Após sua introdução passaria a substituir helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, em programas de treinamento, além de oferecer uma plataforma versátil para outras missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices (atual Cobham Helicopter Services), foi usado extensivamente na base aérea de  Shawbury. Seriam recebidas 38 células, designadas como  Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) pela força aérea e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, o Squirrel HT1/HT2 começou a ser substituído por helicópteros mais modernos, como o Airbus H135 Juno e o H145 Jupiter, no programa de treinamento UK Military Flying Training System - MFTS.  Esta versão despertaria também o interesse da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air), que em 1979 celebrou um contrato para a aquisição de 30 células, a fim de serem empregadas em escolas de aviação, como a École de l’Air. Assim a aeronave seria uma peça-chave no treinamento de pilotos militares franceces, substituindo os SA341/SA342 Gazelle. Neste mesmo ano a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebraria um contrato para a compra de 40 células, sendo destinados a equipar a École de l’Aviation Légère, com unidades baseadas em Dax e Le Cannet-des-Maures. O AS350 BB foi amplamente utilizado  para a instrução de pilotos em voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez e baixo custo de manutenção o tornaram ideal para o uso intensivo em escolas de aviação. Embora focado em treinamento, o AS350 BB ocasionalmente desempenhou papéis de ligação e transporte leve em unidades como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate (1e RHC) ou o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel (9e RSAM).  Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil assinou um contrato, tornando-se assim o quarto operador militar da aeronave, com este acordo envolvendo a compra de seis células. A versatilidade e confiabilidade do AS350 Écureuil foram fatores chave para sua ampla adoção por operadores internacionais, tanto civis quanto militares, em diversos países. Sua lista de exportações militares envolve as forças armadas  da Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Benin, Botsuana, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Canadá, Chile, Gabão, Camboja, Paquistão e República Centro-Africana, onde ele foi empregado em missões de treinamento, transporte e apoio. No final da década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil,  consolidava-se como um êxito comercial notável. 
A ampla frota em operação dos modelos  AS350 e  AS355 exerceu efeitos positivos diretos sobre a cadeia logística global, favorecendo economias de escala na produção e distribuição de peças de reposição. Tal contexto contribuiu para a consolidação do modelo como uma solução economicamente eficiente e operacionalmente confiável, reforçando seu posicionamento estratégico junto a operadores civis e institucionais em diversos mercados. Neste cenário a empresa identificou uma oportunidade concreta de expansão no segmento militar, visando o desenvolvimento de versões especializadas. A proposta consistia em adaptar essas aeronaves para um espectro mais amplo de missões táticas, incluindo ataque ao solo, apoio aéreo aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque antinavio (ASM) e operações de busca e salvamento em combate (Combat SAR). Para viabilizar essa iniciativa, foram selecionadas duas células, que passaram por um abrangente processo de militarização. As modificações introduzidas incluíram reforços estruturais, instalação de blindagem para proteção do grupo motriz e da tripulação (com especial atenção ao piso e aos assentos), além da integração de uma nova suíte aviônica orientada para o ambiente de combate. As aeronaves foram igualmente preparadas para operar com sistemas de imageamento diurno e noturno, compatíveis com o uso de óculos de visão noturna (NVG), bem como equipadas com dispositivos de autodefesa, incluindo contramedidas infravermelhas.  Um dos avanços  foi a adoção do motor Turbomeca Arriel 2B, com 847 shp, proporcionando ganhos substanciais de desempenho, sobretudo em cenários de maior exigência operacional. Em 1989, os protótipos dessas versões foram submetidos a uma rigorosa campanha de ensaios em voo, cujos resultados evidenciaram elevado potencial de emprego em diferentes perfis de missão. A partir de 1º de janeiro de 1990, promoveu-se uma reformulação em seu sistema de designação, passando a identificar as versões militares monomotoras como AS550 e as bimotores como  AS555. Essas variantes foram então apresentadas ao mercado internacional de defesa, despertando interesse imediato por parte de diversas forças armadas. No contexto das transformações industriais europeias, a fusão entre as divisões de helicópteros da Aérospatiale e da Messerschmitt-Bölkow-Blohm deu origem, em 1992, à European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), posteriormente reestruturada como Airbus Helicopters. Nesse período este modelos receberam a designaçao comercial de Fennec, diferenciando-se da família civil Écureuil. As variantes incluíram, entre outras, o AS550 C2 , AS550 U2  e AS550 C3, cada qual configurada para atender a requisitos operacionais específicos. Ainda em 1990, foram celebrados os primeiros contratos de exportação, abrangendo países como França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China, evidenciando a rápida aceitação internacional da plataforma. Posteriormente, no contexto de modernização e padronização de sua linha de produtos, a Airbus Helicopters passou a designar comercialmente a família como Airbus Helicopters H125. Mantida em produção contínua, a série acumula, até o presente, mais de 3.700 unidades entregues, atendendo não apenas ao mercado civil, mas também a forças de segurança e a mais de quarenta forças armadas ao redor do mundo.
Emprego na Marinha do Brasil.
A utilização de aeronaves de asas rotativas na Aviação Naval brasileira remonta a 1952, com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), marco institucional que inaugurou a estruturação do emprego de helicópteros no âmbito da Marinha do Brasil. Essa capacidade seria efetivamente materializada quatro anos mais tarde, com a incorporação de 02 células do Westland WS-51/2 Widgeon. Nos anos subsequentes, outros modelos foram gradualmente integrados à frota, ampliando o leque de missões e consolidando a doutrina de emprego desse tipo de aeronave. A partir de meados da década de 1960, entretanto,  passou-se a reconhecer que os crescentes desafios logísticos associados à manutenção de uma frota heterogênea demandavam uma solução estrutural mais abrangente. Nesse contexto, amadureceu a percepção de que a criação de uma indústria nacional dedicada à fabricação de helicópteros seria fundamental para assegurar autonomia operacional, racionalização de custos e maior eficiência no suporte logístico. Essa visão estratégica começou a se concretizar com a fundação da Embraer S/A, em 1969, marco decisivo para o desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional. O processo avançou significativamente em 1973, quando o Instituto de Fomento Industrial do CTA (IFI-CTA) assumiu a liderança na articulação de um projeto voltado à implantação de uma estrutura industrial capaz de produzir helicópteros no país. No que tange às necessidades específicas da Marinha, os esforços iniciais concentraram-se na possibilidade de produção, sob licença, do SA340 Gazelle, modelo amplamente consolidado no cenário internacional. Todavia, avaliações técnicas evidenciaram que as linhas de montagem da Embraer S/A , concebidas para aeronaves de asa fixa, não se mostravam adequadas à fabricação de helicópteros, cuja cadeia produtiva exige processos industriais e logísticos distintos. Diante dessa limitação, passou-se a prospectar alternativas junto ao mercado internacional, estabelecendo contatos com diversos fabricantes e solicitando propostas para viabilizar a produção local. Entre as empresas que responderam a essa iniciativa, destacou-se a Aérospatiales,  inicialmente, a companhia francesa propôs a produção de uma versão adaptada do SA 315B Lama, reconhecido por sua robustez, porém já considerado tecnicamente superado frente às demandas emergentes. Após análises mais aprofundadas, a escolha recaiu sobre o  AS350 Écureuil, uma plataforma mais moderna, versátil e plenamente compatível tanto com os requisitos operacionais da Marinha quanto com as perspectivas do mercado civil brasileiro. Em abril de 1978, seria celebrado um acordo que resultaria na criação da Helicópteros do Brasil S/A, sendo estruturada como uma sociedade de capital misto, contando com 45% de participação da Aérospatiale e 55% de capital nacional. Nesse contexto, a Marinha do Brasil  protagonista no processo de viabilização do projeto  posicionou-se como um dos primeiros e mais relevantes clientes da nova empresa, assegurando a sustentação inicial da produção. Como desdobramento direto desse acordo, a primeira aeronave produzida no âmbito do programa, matriculada N-7051, foi fabricada nas instalações da Aérospatiale, em Marignane, França, sendo submetida a ensaios em voo e oficialmente entregue a representantes da Marinha do Brasil em maio de 1979. 

Em junho de 1979, o helicóptero foi desmontado na França e transportado por via aérea ao Brasil, desembarcando no Aeroporto Internacional de Viracopos. No local, foi recebido por oficiais do Grupo de Fiscalização e Recebimento de Helicópteros (GFRH), responsáveis por acompanhar e validar todas as etapas do processo de incorporação. A partir de Campinas, a aeronave seguiu por transporte terrestre até o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), onde o fabricante mantinha instalações provisórias para montagem e integração. Concluída essa fase, o UH-12  foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, conduzido sob a supervisão da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM). Esse processo, voltado à verificação da conformidade técnica e da prontidão operacional da aeronave, estendeu-se por aproximadamente cinco meses, culminando em sua incorporação oficial ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU1), sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, ao final de 1979. As demais aeronaves previstas no contrato  foram montadas integralmente no Brasil,, sendo incorporadas à Aviação Naval até março de 1980. Esse processo não apenas ampliou de forma significativa a capacidade operacional, como também representou um importante avanço na consolidação da capacidade industrial nacional no segmento de asas rotativas. Já na primeira metade da década de 1980, embora a Aviação Naval brasileira dispusesse de uma frota relevante de helicópteros, tornou-se evidente a necessidade de incorporar aeronaves bimotoras para missões de transporte e emprego geral. Tal decisão foi motivada pelas limitações operacionais observadas em modelos como o Westland UH-2 Wasp e o próprio UH-12, especialmente diante das exigências impostas pelo Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). As severas condições ambientais da Antártida  caracterizadas por baixas temperaturas, ventos intensos e elevada variabilidade meteorológica demandavam níveis superiores de segurança operacional, requisito mais adequadamente atendido por helicópteros equipados com dois motores. Diante dessa necessidade estratégica e com a disponibilidade de recursos orçamentários, a DAerM iniciou um criterioso processo de avaliação das alternativas disponíveis no mercado internacional. Esse estudo foi conduzido de forma integrada a um programa paralelo voltado à aquisição de helicópteros de transporte de médio porte, com o objetivo de otimizar recursos e assegurar uma solução logística e operacional coesa. Como resultado desse processo, em setembro de 1984 foi apresentado o relatório final, no qual a proposta da Aérospatiale foi considerada a mais vantajosa. O documento destacava dois modelos principais: o  AS332 Super Puma, destinado à categoria de transporte médio, e o AS355 F2 Écureuil 2, indicado como a solução ideal para a demanda por um helicóptero leve bimotor. A escolha refletia não apenas o desempenho técnico superior das aeronaves selecionadas, mas também a capacidade da Aérospatiale de oferecer um pacote integrado, abrangendo suporte logístico, treinamento e manutenção  fatores essenciais para garantir a continuidade operacional em ambientes de elevada complexidade, como o teatro antártico.
As negociações evoluíram de forma célere, culminando, em março de 1985, na assinatura de um contrato entre o Ministério da Marinha e a Aérospatiale, no âmbito do denominado Programa Charcot. O acordo previa a aquisição de 06 helicópteros  AS332 Super Puma e 11  AS355 F2 Écureuil 2, sendo estes últimos contratados ao custo unitário de US$ 1.543.096,00. Tal iniciativa representou um passo decisivo na modernização da Aviação Naval brasileira, alinhando-a às exigências operacionais de ambientes de elevada complexidade. As aeronaves AS355 F2 foram adquiridas não apenas em sua configuração padrão de aviônica, mas também equipadas com sistemas avançados, adequados às demandas específicas da Marinha do Brasil. Entre os equipamentos embarcados, destacavam-se o radar meteorológico Bendix 1400C e os sistemas de comunicação VHF/UHF e AM/FM AN/ARC-182, que ampliavam significativamente a segurança e a precisão das operações. Adicionalmente, quatro das onze células foram entregues já com pintura de alta visibilidade no padrão antártico, especialmente concebida para operações no ambiente extremo do continente gelado. A primeira aeronave, designada pela Aviação Naval como UH-13, foi recebida em agosto de 1986 nas instalações da Aérospatiale, em Marignane, França, após criteriosa inspeção conduzida pelo Grupo de Fiscalização e Recebimento de Helicópteros (GFRH). Posteriormente, as 11 células foram transportadas por via marítima ao Brasil, sendo desembarcadas na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, onde passaram pelo processo de montagem final conduzido por equipes técnicas da Helicópteros do Brasil S/A, em cooperação com mecânicos do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral. Graças a um esforço coordenado entre as equipes envolvidas, todas as aeronaves foram declaradas plenamente operacionais até o final de junho de 1987, representando um avanço substancial na capacidade operacional da Aviação Naval. Apesar das diferenças técnicas em relação ao UH-12 Esquilo, a transição para o novo modelo ocorreu de forma eficiente. O processo de qualificação de pilotos e tripulantes do esquadrão desenvolveu-se de maneira fluida, beneficiado pela familiaridade prévia com a família HB-350B/BA e pelo suporte técnico contínuo fornecido pelo fabricante. Não obstante esse cenário, em 3 de junho de 1988 registrou-se a perda de uma célula, em decorrência de um acidente ocorrido durante a aproximação para pouso, quando a aeronave colidiu com as águas da Lagoa de Araruama. Ainda assim, esse episódio não comprometeu o processo de consolidação do modelo, cuja introdução prosseguiu conforme o planejado. O UH-13  demonstrou prontamente sua relevância operacional, destacando-se em sua participação no PROANTAR. Em  novembro de 1987, durante a Operação Antártica IV, a aeronave foi embarcada no Navio Barão de Teffé, permanecendo em operação até abril do ano seguinte. A partir dai, tornou-se presença constante nas campanhas antárticas, inicialmente a bordo do H-42 e, posteriormente, no Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel. Sua configuração bimotora, aliada aos sistemas embarcados de maior sofisticação, proporcionava níveis elevados de segurança e desempenho, fatores essenciais para operações em um dos ambientes mais severos do planeta.

Além de seu destacado emprego nas missões antárticas, os UH-13 Ecureuil foram amplamente utilizados em apoio às atividades da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), operando em diversas regiões do território nacional. Dotado de maior capacidade de carga externa em relação ao UH-12 Esquilo, o modelo logo revelou-se particularmente adequado ao transporte de equipamentos e materiais de maior porte, superando limitações logísticas anteriormente existentes. Essa característica conferiu ao modelo elevada versatilidade, consolidando-o como um vetor essencial em missões de apoio logístico e operacional no âmbito da Marinha do Brasil. Operados pelo 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU1), assim estas aeronaves destacaram-se pela capacidade de cumprir um amplo espectro de missões, incluindo busca e salvamento (SAR), ligação e observação, evacuação aeromédica e transporte de pessoal e cargas. A partir da década de 1990, essas aeronaves passaram a integrar com maior frequência os destacamentos aéreos embarcados, operando a bordo de navios da Esquadra Brasileira, o que representou um avanço significativo na doutrina de emprego de helicópteros leves bimotores em ambiente naval. Nesse período, em decorrência do programa de modernização dos helicópteros Westland SAH-11 Sea Lynx, os UH-13 foram temporariamente embarcados em unidades da Fragatas  da classe Niterói, desempenhando missões de esclarecimento marítimo e observação de tiro naval. Com a progressiva conclusão desse processo de modernização dos AH-11, tais atribuições passaram a ser concentradas, em grande medida, nas Corvetas da classe Inhaúma, onde o UH-13 continuou a demonstrar elevada eficácia em operações embarcadas neste mesmo escopo. Ao longo de sua trajetória operacional, a frota de UH-13 também enfrentou adversidades, incluindo a perda de duas células em acidentes. O primeiro ocorreu em 5 de junho de 1987, envolvendo a aeronave de matrícula N-7059, na Lagoa de Araruama. Um segundo acidente foi registrado em dezembro de 1989; contudo, anos mais tarde, a célula foi reconstruída nas instalações da Helicópteros do Brasil S/A, em Itajubá, sendo reintegrada ao serviço ativo sob a designação de UH-12 (HB350 BA). No âmbito da cooperação internacional, destaca-se ainda a transferência, em 8 de dezembro de 2005, da aeronave de matrícula N-7061 para a Armada Nacional do Uruguai, onde passou a operar sob a designação “Armada 071”, evidenciando os laços de colaboração entre as forças navais da região. Adicionalmente, os UH-13 demonstraram notável flexibilidade ao serem empregados como plataformas de apoio em exercícios militares, inclusive em missões relacionadas ao emprego de armamento. Nesse contexto, destaca-se sua participação na campanha de lançamento do míssil AIM-9 Sidewinder, realizada em conjunto com as aeronaves McDonnell Douglas AF-1 Skyhawk do 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque. Nessas operações, os UH-13 atuaram como plataformas lançadoras de alvos aéreos, contribuindo de forma decisiva para o êxito dos treinamentos e para o aprimoramento das capacidades operacionais da Aviação Naval brasileira.
Apesar de sua comprovada eficiência, o desgaste operacional das células, agravado pelas rigorosas condições do ambiente marítimo, levou o comando da Força Aeronaval a iniciar estudos para a substituição das aeronaves de asas rotativas leves. Esse processo foi incorporado ao Programa Helicópteros de Emprego Geral de Pequeno Porte (UHP), desenvolvido pela Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) a partir de 2015. O programa visava modernizar a frota, garantindo a continuidade das operações com maior eficiência e segurança, em resposta às demandas operacionais crescentes. O Programa Helicópteros de Emprego Geral de Pequeno Porte (UHP), concebido pela Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), demandava um planejamento detalhado e um orçamento significativo, o que implicava um cronograma extenso para sua implementação. Contudo, a urgência pela substituição dos helicópteros UH-13 Ecureuil 2, que haviam servido com distinção por mais de três décadas, tornou-se evidente. Essas aeronaves desempenharam um papel fundamental no Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), operando em um dos ambientes mais inóspitos do planeta. No entanto, após mais de trinta anos de serviço, a frota de UH-13 apresentava uma redução significativa no número de células operacionais, agravada pela obsolescência de seus sistemas aviônicos. Essa condição comprometia a segurança e a eficiência das operações, especialmente nas exigentes condições da Antártida.Diante desse cenário, a Marinha optou por avaliar oportunidades de aquisição no mercado internacional, uma estratégia que culminou na compra de três helicópteros Airbus H135 T3. Essa aquisição marcou o início do declínio da era operacional dos UH-13 Ecureuil 2. O processo de desativação gradual dessas aeronaves teve início durante a 38ª Operação Antártica (OPERANTAR XXXVIII), em 25 de outubro de 2019, quando duas unidades do UH-13 foram embarcadas no Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (H44), que acompanhou o Navio Polar Almirante Maximiano (H41) em uma expedição ao continente antártico. O término dessa operação, em abril de 2020, marcou o fim de 32 anos de operação ininterrupta dos UH-13 no âmbito do PROANTAR. Esse momento abriu espaço para o início das operações com os novos Airbus UH-17, que passaram a assumir as responsabilidades antes desempenhadas pelos UH-13. Apesar da desativação no contexto antártico, as células remanescentes do UH-13, ainda operadas pelo 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-1), continuam em serviço, cumprindo missões variadas dentro do escopo da unidade. Essas aeronaves permanecerão ativas até que sejam plenamente substituídas por um novo vetor de asas rotativas, a ser selecionado no âmbito do Programa UHP. O legado dos UH-13 Ecureuil 2 na Aviação Naval brasileira é inegável. Por mais de três décadas, essas aeronaves foram pilares do PROANTAR e de outras operações, enfrentando desafios extremos com resiliência e confiabilidade. Sua substituição, embora necessária, marca o encerramento de uma era significativa, mas também sinaliza o compromisso da Marinha do Brasil com a modernização e a segurança de suas operações aeronavais.

Em Escala.
Para representar o helicóptero Aérospatiale AS355 F2 Ecureuil 2, designado pela Aviação Naval  como UH-13 “MB 7065”, utilizamos um modelo artesanal confeccionado em resina, na escala 1/48. Este modelo,  provavelmente derivado do kit original da Heller do AS355, necessitou de algumas alterações para representar o modelo exato empregado na Marinha do Brasil.  Os exaustores laterais das turbinas foram ajustados, e dois exaustores adicionais foram incorporados na parte superior da aeronave, garantindo maior fidelidade. Além disso, os esquis de pouso foram substituídos pelos componentes originais do kit Heller. Para a aplicação das marcações, utilizamos decais do conjunto 48/07B da FCM Decals e numerais de outros sets do mesmo fabricante.
O esquema de cores, baseado no padrão Federal Standard (FS), descrito a seguir, corresponde à pintura de alta visibilidade aplicada aos helicópteros Aérospatiale AS355 F2 Ecureuil 2, designados UH-13 Esquilo, utilizados no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Esse padrão foi desenvolvido para atender às exigências das operações no continente antártico, onde a visibilidade é essencial em meio ao ambiente predominantemente branco e inóspito. Por outro lado, as demais células do UH-13, não destinadas ao PROANTAR, adotavam o esquema de pintura padrão utilizado pelos helicópteros Helibras UH-12 Esquilo.
Bibliografia :
- Eurocopter AS 355  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_AS355
- O Tudão Esquadrão HU-1 – Revista Força Aérea Nº 70
- O Esquadrão HU-1 na OPERANTAR - https://www.marinha.mil.br/secirm/pt-br/proantar/aeronaval
Aeronaves Militares Brasileiras 1916 / 2015  - Jackson Flores Jr