SAH-11 Westland HAS MK21 Lynx

História e Desenvolvimento.
A trajetória da Westland Aircraft Ltd, uma das mais tradicionais fabricantes aeronáuticas do Reino Unido, teve início em 1915, em meio às crescentes demandas tecnológicas impostas pela Primeira Guerra Mundial. A empresa surgiu como uma divisão da Petters Limited, sediada em Yeovil, então reconhecida por sua atuação na produção de motores para a indústria metal-mecânica. Sua fundação foi impulsionada pela iniciativa empreendedora dos irmãos William Petter  conhecido como “Teddy”  e Ernest Petter. Ainda em 1915, diante da crescente ameaça representada pelos submarinos alemães e da necessidade de intensificar patrulhas marítimas, o Almirantado Britânico encomendou à recém-criada divisão a produção de 12 unidades do Short Type 184, um hidroavião biplano que se tornaria célebre por protagonizar o primeiro ataque bem-sucedido com torpedo aéreo contra um navio, durante as operações nos Dardanelos. Em seguida, um novo contrato foi firmado para a fabricação de 20 exemplares do Short Admiralty Type 166, aeronaves destinadas a missões de reconhecimento e bombardeio leve, particularmente relevantes no contexto operacional do Canal da Mancha. O nome “Westland” foi atribuído por Agnes Petter, esposa de Teddy Petter, durante a aquisição de um terreno em West Hendford, em Yeovil, destinado à expansão das instalações industriais. Com a intensificação da guerra aérea  caracterizada pelo aumento dos combates entre aeronaves e pelo uso sistemático da aviação para reconhecimento e bombardeio, a empresa ampliou significativamente suas atividades, firmando novos contratos com o governo britânico. Entre 1916 e 1918, destacou-se pela produção sob licença de aeronaves consagradas. Dentre elas, figuravam o Sopwith 1½ Strutter, empregado em missões de bombardeio na Frente Ocidental; os bombardeiros leves Airco DH.4 e DH.9, projetados por Geoffrey de Havilland; sua versão aprimorada, o DH.9A, equipada com motores norte-americanos Liberty; e o Vickers Vimy, bombardeiro pesado que, no pós-guerra, se tornaria célebre pelo primeiro voo transatlântico sem escalas em 1919. Ao todo, mais de mil aeronaves foram produzidas nesse período, conferindo à empresa uma sólida base técnica e industrial. Esse acúmulo de experiência permitiu  iniciar o desenvolvimento de projetos próprios ainda durante o conflito. Em 1917, foi apresentado o N.1B, um hidroavião voltado para patrulhas navais. No ano seguinte, surgiram os caças Wagtail e Weasel, que incorporavam lições extraídas do combate aéreo. Com o término da guerra, formalizado pelo Armistício de 1918, a indústria aeronáutica britânica enfrentou um período de retração, marcado pela redução drástica da demanda militar. Muitas empresas encerraram suas atividades; contudo, conseguiu se adaptar ao novo cenário ao direcionar seus esforços para o mercado civil, em um momento em que a aviação despontava como instrumento de reconexão global. Nesse novo contexto, a empresa lançou modelos voltados ao transporte e à aviação esportiva, como o  Limousine (1920), projetado para transportar até quatro passageiros com maior conforto, e o Woodpigeon (1924), um biplano leve que se destacou em competições aéreas, incluindo a prestigiada Copa do Rei. Esses desenvolvimentos evidenciaram a capacidade de adaptação, assegurando sua continuidade em um período de transição e preparando o terreno para sua futura consolidação como uma das principais fabricantes aeronáuticas.

Em 1926, a Força Aérea Real (RAF) lançou a especificação M.26/27, destinada a substituir os obsoletos Airco DH.9A. Nesse competitivo processo, o fabricante enfrentou concorrentes de peso, como a Hawker Aircraft e a Bristol Aeroplane Company, apresentando o Westland Wapiti, um biplano robusto equipado com motor Bristol Jupiter. Após rigorosos ensaios conduzidos em Martlesham Heath, a proposta do fabricante foi selecionada em maio de 1927, resultando em um contrato expressivo para a produção de 500 aeronaves  marco que consolidou a empresa como fornecedora relevante da aviação militar britânica no período entre guerras. Em 1935, diante do recrudescimento das tensões internacionais e da ascensão da Alemanha Nazista, William Petter promoveu uma reestruturação na Petters Limited, separando as atividades de produção de motores  mantidas sob a designação Petter Engines  da divisão aeronáutica, que passou a operar como Westland Aircraft Ltd. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa desempenhou papel de destaque no esforço aliado, desenvolvendo e produzindo aeronaves de elevada relevância operacional. Entre elas, sobressai o Whirlwind, um caça avançado para sua época, que combinava alta velocidade com armamento pesado, sendo o primeiro a introduzir canhões de 30 mm em serviço na Força Aérea Real (RAF). Outro modelo emblemático foi o  Lysander, amplamente empregado em missões de ligação e, sobretudo, na infiltração e exfiltração de agentes em território ocupado. Todavia, à semelhança do ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial, parcela significativa do esforço industrial concentrou-se na produção sob licença de aeronaves concebidas por outras fabricantes. Destaca-se, nesse contexto, a fabricação em larga escala do  Spitfire, cuja produção foi intensificada após a destruição das instalações da Supermarine em Southampton, em setembro de 1940, durante a Batalha da Inglaterra. Entre 1940 e 1945, produziu mais exemplares do Spitfire do que qualquer outro fabricante. Ademais, sua equipe de engenharia foi responsável pelo desenvolvimento da versão navalizada da aeronave, o  Seafire, adaptada para operações embarcadas. No imediato pós-guerra, este fabricante identificou o potencial estratégico e comercial das aeronaves de asas rotativas e buscou estabelecer parcerias para absorção tecnológica. O primeiro acordo nesse sentido foi firmado com a Sikorsky Aircraft, visando à produção sob licença do helicóptero Sikorsky S-51, que no Reino Unido recebeu a designação WS-51 Dragonfly. O protótipo realizou seu voo inaugural em maio de 1948 e, após um extenso programa de ensaios, entrou em produção. A partir de meados da década de 1950, o WS-51 tornou-se o principal helicóptero em serviço na Marinha Real (Royal Navy) e na Força Aérea Real (Royal Air Force), além de alcançar expressivo sucesso no mercado civil. Esse êxito consolidou a empresa como uma das principais fabricantes aeronáuticas do Reino Unido no segmento de asas rotativas. Em 1959, em um movimento estratégico de expansão e consolidação industrial, a Westland Aircraft Company adquiriu a Saunders-Roe Ltd, incorporando seus ativos, competências e projetos em desenvolvimento. Entre estes, destacava-se o Saunders-Roe P.531, um helicóptero leve concebido para missões de treinamento, ligação e guerra antissubmarino (ASW), que viria a desempenhar papel fundamental na evolução dos helicópteros militares britânicos nas décadas seguintes.
Dessa iniciativa de desenvolvimento conjunto emergiram duas variantes distintas, concebidas para atender às necessidades específicas das forças armadas britânicas: o  Scout AH.1, destinado ao Exército Real (Royal Army), e o  Wasp HAS.1, projetado para a Marinha Real (Royal Navy). A versão navalizada, introduzida a partir de 1960, foi concebida para operar embarcada em fragatas como as da Rothesay-class  e posteriormente, nos navios da Leander-class. No contexto da Guerra Fria, o Wasp assumiu papel relevante em missões de guerra antissubmarino (ASW), podendo ser armado com torpedos guiados Mk-44 ou Mk-46, além de cargas de profundidade, ampliando significativamente a capacidade ofensiva das unidades navais de superfície. Entretanto, já no início da década de 1970, tornou-se evidente que o  Wasp HAS.1 começava a apresentar limitações frente às novas demandas operacionais. A crescente sofisticação e proliferação de submarinos da Marinha Soviética impunham a necessidade de uma plataforma mais avançada, dotada de sensores modernos, maior autonomia e capacidade de engajamento ampliada. Nesse contexto, foi concebido o projeto do Westland WG.13 Lynx, idealizado como um helicóptero multipropósito capaz de atender simultaneamente às necessidades do exército e da marinha. O programa foi desenvolvido no âmbito do acordo anglo-francês de cooperação em helicópteros, firmado em fevereiro de 1967, envolvendo a participação da Sud Aviation com cerca de 30% da produção. Esse acordo previa uma divisão estratégica de aquisições: enquanto o Reino Unido adotaria os helicópteros  SA340 Gazelle e  SA330 Puma para uso pelo Exército, a França incorporaria o WG.13 em suas forças armadas. Contudo, em outubro de 1969, o Exército francês (Armée de Terre) optou por não prosseguir com a aquisição da versão armada do projeto. O primeiro protótipo do  WG.13 Lynx realizou seu voo inaugural em 21 de março de 1971, inaugurando uma nova geração de helicópteros de alto desempenho. No ano seguinte, a aeronave estabeleceu notáveis recordes mundiais de velocidade, atingindo 321,74 km/h em percursos de 15 e 25 km, além de 318,504 km/h em circuito fechado de 100 km  marcas registradas pelo piloto de testes L. Roy Moxam. Do ponto de vista técnico, o Lynx incorporava soluções inovadoras. As primeiras versões eram equipadas com motores turboeixo Rolls-Royce Gem e um rotor principal de quatro pás montado em uma cabeça rígida monobloco de titânio  conceito avançado que já havia sido explorado no MBB Bo 105. As pás do rotor utilizavam estrutura em sanduíche com núcleo em favo de mel, construída com materiais compostos, proporcionando elevada resistência estrutural com baixo peso. Outro aspecto relevante dizia respeito à adaptação operacional: enquanto as versões iniciais destinadas ao Exército empregavam trem de pouso com patins, as variantes navais passaram a utilizar rodas, facilitando as operações em convoos de navios. Adicionalmente, tanto as pás do rotor quanto a seção de cauda podiam ser dobradas, característica essencial para otimizar o armazenamento a bordo de navios de guerra. Assim, o  WG.13 Lynx não apenas respondeu às exigências operacionais emergentes da Guerra Fria, como também se consolidou como uma das mais avançadas plataformas de asas rotativas de sua época, estabelecendo novos padrões de desempenho, versatilidade e integração entre operações terrestres e navais.

O moidelo incorporava soluções técnicas avançadas para sua época, destacando-se pelo rotor principal dotado de um sistema de absorção de vibrações com amortecedores de retardo. Curiosamente, tais dispositivos tornavam-se desnecessários em voo, graças à elevada rigidez estrutural proporcionada pela cabeça de rotor monobloco  uma inovação que conferia maior estabilidade e precisão de controle. Projetado como uma plataforma verdadeiramente multimissão,  podia ser empregado em uma ampla gama de tarefas, incluindo guerra antissubmarino (ASW), guerra antissuperfície (ASM), reabastecimento de embarcações, busca e salvamento (SAR), reconhecimento aéreo, ataque armado, evacuação aeromédica e transporte de tropas. Segundo o fabricante, a conversão entre diferentes configurações operacionais podia ser realizada em poucos minutos, evidenciando sua notável versatilidade. Os ensaios em voo confirmaram as excepcionais qualidades aerodinâmicas da aeronave. O Lynx demonstrou elevada agilidade, sendo capaz de executar manobras incomuns para helicópteros, como voltas completas e rolagens, além de atingir velocidades superiores às de seus contemporâneos. Esse desempenho foi amplamente reconhecido pelas equipes militares envolvidas em sua avaliação. O primeiro contrato de produção foi firmado em agosto de 1976, prevendo a aquisição de 100 unidades da versão Lynx AH.1 (Army Helicopter Mark 1) para o Exercito Real (Royal Army). Essas aeronaves foram equipadas com o sistema automático de controle de voo AFCS Marconi Elliot, responsável pela estabilização nos três eixos, o que proporcionava excelente comportamento em voo e maior segurança operacional. Em serviço,  destacou-se pela versatilidade, sendo empregado em missões de transporte, escolta armada, reconhecimento, evacuação aeromédica e, notadamente, guerra anticarro, podendo ser armado com até 8 mísseis BGM-71 TOW. As primeiras entregas ocorreram em setembro de 1977, marcando o início de sua carreira operacional. No ano seguinte, foi introduzida a versão naval, designada Lynx HAS.2 na Grã-Bretanha e Lynx Mk.2 (FN) na França . Essas variantes apresentavam modificações específicas para operações embarcadas, incluindo trem de pouso triciclo, sistema de fixação ao convés, pás dobráveis, dispositivos de flutuação de emergência e radar de busca de superfície Seaspray radar, desenvolvido pela BAE Systems.  O elevado desempenho do Lynx rapidamente despertou interesse internacional, resultando em sua adoção por diversas nações, incluindo Alemanha, Brasil, Portugal, Malásia e Coreia do Sul, entre outras. Em 1982, foi selecionado pela marinha como a principal plataforma para o emprego do míssil antinavio Sea Skua missile, desenvolvido pela British Aircraft Corporation. Pouco tempo depois, a aeronave teria sua estreia em combate durante a Guerra das Falklands. Em 3 de maio de 1982, um Lynx HAS.2 realizou o primeiro disparo operacional do míssil Sea Skua, atingindo o navio patrulha argentino ARA Alférez Sobral e causando danos significativos. Esse episódio marcou não apenas o batismo de fogo do modelo, mas também demonstrou, na prática, a eficácia de sua integração com modernos sistemas de armas, consolidando sua reputação como uma das mais versáteis e eficientes aeronaves de asas rotativas de sua geração.
Na esteira de seu êxito operacional, a família Lynx passou por sucessivas melhorias ao longo da década de 1980, refletindo tanto a evolução tecnológica. O desempenho e a aceitação internacional do modelo incentivaram o fabricante a explorar versões mais avançadas, culminando, em 1984, no anúncio do  Lynx-3. Essa proposta incorporava alterações substanciais, como fuselagem alongada, lança de cauda redesenhada, novos motores Rolls-Royce 60-31, trem de pouso triciclo com rodas, além das inovadoras pás de rotor BERP (British Experimental Rotor Programme), concebidas para melhorar o desempenho aerodinâmico e ampliar o envelope de voo. Também apresentava maior capacidade de combustível, visando aumentar a autonomia operacional. Apesar de seus avanços, o projeto foi descontinuado em 1987, em razão da ausência de encomendas suficientes que justificassem sua produção em série. No início da década de 1990, o fabricante retomou o conceito de modernização da plataforma com o desenvolvimento do Super Lynx. Embora inspirado em parte pelo Lynx-3, esse novo modelo adotava uma abordagem mais pragmática, combinando tecnologias avançadas com uma configuração mais conservadora e economicamente viável. Entre suas principais características estavam as pás de rotor BERP, rotor de cauda derivado do Westland 30, dois motores Rolls-Royce Gem 42-1, além de um radar de busca de 360 graus instalado sob o nariz e a possibilidade de integração de sensores eletro-ópticos. Essa versão mostrou-se suficientemente atraente para a Marinha Real (RN) que formalizou sua adoção como substituta das versões mais antigas Lynx HAS.2. Paralelamente, foi proposto um programa de modernização para atualizar as aeronaves existentes ao novo padrão Lynx HMA.8, iniciativa que, assim como a versão de nova produção, conquistou diversos contratos de exportação. Ainda na década de 1990, a evolução da plataforma prosseguiu com o lançamento das variantes Super Lynx 200 e Super Lynx 300. O primeiro introduziu os motores LHTEC CTS800, desenvolvidos pela joint venture entre a Honeywell e a Rolls-Royce, enquanto o segundo incorporava, além da nova motorização, um cockpit digital modernizado e aviônicos derivados do AgustaWestland EH101. Ambas as versões obtiveram expressivo sucesso comercial, consolidando a longevidade da família Lynx no mercado internacional. Em 2002, já sob a égide da AgustaWestland  foi iniciado o desenvolvimento do Future Lynx. Baseado na arquitetura do Super Lynx 300, esse novo modelo buscava atender às demandas contemporâneas de combate, incorporando motores LHTEC CTS800-4N mais potentes, maior eficiência de combustível e capacidade de integração com armamentos modernos, como o míssil antinavio Sea Skua missile. O objetivo central era substituir tanto os Lynx em serviço no British Army quanto na Royal Navy, em um cenário operacional marcado por conflitos assimétricos e ambientes de alta intensidade, como os teatros do Iraque e do Afeganistão, onde ameaças como lançadores de granadas RPG e mísseis portáteis (MANPADS) exigiam maior proteção, capacidade de sobrevivência e integração de sistemas. Esse processo evolutivo culminou no  AW159 Wildcat, oficialmente introduzido em serviço em 2014. Representando um salto tecnológico significativo, o Wildcat apresenta peso máximo de decolagem em torno de 6.000 kg, autonomia aproximada de quatro horas (ou cerca de 777 km com tanques externos) e capacidade para transportar até oito passageiros ou cargas especializadas, incluindo torpedos Sting Ray torpedo. 

Emprego na Marinha do Brasil.
O emprego de aeronaves de asas rotativas embarcadas como vetores de ataque no âmbito da Aviação Naval brasileira teve início em 18 de abril de 1975, com o primeiro pouso de um Westland Wasp a bordo do contratorpedeiro CT D-26 Mariz e Barros. Esse marco assinalou a abertura de um novo ciclo operacional na Marinha do Brasil, ao viabilizar a projeção de poder além do horizonte, sobretudo no engajamento de alvos de superfície e na guerra antissubmarino. Todavia, o verdadeiro salto qualitativo da força aeronaval brasileira esteve diretamente associado ao Programa de Renovação e Ampliação de Meios Flutuantes da Marinha, instituído no início da década de 1970. Em setembro de 1970, esse programa autorizou formalmente a construção de seis fragatas da Vosper Mk 10 (classe Niterói), cuja incorporação ocorreu entre 1976 e 1980. Dotadas de modernos sistemas de armas e sofisticadas suítes eletrônicas, essas unidades demandavam, como componente essencial, uma aeronave de asas rotativas compatível com os mais elevados padrões tecnológicos da época. Nesse contexto, a partir de 1973, foram analisadas diversas alternativas disponíveis no mercado internacional, incluindo os modelos Agusta-Bell 204, Bell 212, MBB Bo 105 e Sikorsky S-61 Sea King. Entretanto, considerando a doutrina operacional então adotada pela Marinha Real (Royal Navy)  que previa a integração entre suas fragatas da Type 21  e o helicóptero Westland Lynx, assim o Comando da Aviação Naval brasileira optou por alinhar-se a essa concepção. Dessa forma, decidiu-se aguardar a conclusão dos ensaios em voo do novo helicóptero britânico antes da formalização de qualquer aquisição. Concluída essa etapa, em 26 de fevereiro de 1975, foi celebrado contrato para a aquisição de nove aeronaves do modelo Westland Lynx HAS.21, variante amplamente baseada no padrão Lynx HAS.2 em serviço na marinha britânica. Avaliado em aproximadamente £ 10 milhões de libras esterlinas, o acordo contemplava não apenas o fornecimento das aeronaves, mas também um pacote logístico completo, incluindo peças de reposição, ferramental, bancadas de manutenção e programas de treinamento técnico e operacional. É relevante destacar que o Brasil figurou entre os primeiros operadores do modelo, ao lado do Reino Unido, França e Países Baixos. Embora derivadas do modelo britânico, as aeronaves destinadas à Marinha do Brasil apresentavam particularidades, como a adoção de duplo comando de voo e a integração de sistemas eletrônicos customizados. Designados como SAH-11 Lynx pela Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), esses eram equipados com ampla gama de recursos, incluindo gancho de carga externa, guincho hidráulico, capacidade para transporte de três a seis militares e sistema de reabastecimento em voo do tipo HIFR (Helicopter In-Flight Refueling). Antecipando a incorporação dessas aeronaves, a Marinha do Brasil organizou o envio de equipes ao Reino Unido, com o objetivo de participar de cursos especializados de operação e manutenção. Essa iniciativa revelou-se fundamental para assegurar uma transição eficiente e segura para a nova plataforma, consolidando as bases doutrinárias e técnicas que sustentariam o emprego do Lynx na Aviação Naval brasileira nas décadas subsequentes.

Divididos em seis turmas  compostas por doze oficiais e vinte graduados , os militares brasileiros foram submetidos a um abrangente programa de formação no Reino Unido, conduzido nas instalações da Westland Helicopters, fabricante das aeronaves, e da Rolls-Royce, responsável pelos motores turboeixo. No caso dos aviadores navais, o programa compreendeu três semanas de instrução teórica, abrangendo os sistemas da aeronave e seus equipamentos embarcados, seguidas por nove semanas de treinamento prático em voo nas instalações do fabricante, em Yeovil. Para os oficiais e graduados da área técnica, os cursos apresentaram duração variável  entre oito e dezoito semanas , de acordo com a especialidade, contemplando manutenção, sistemas e operação de apoio. No início de 1977, a primeira aeronave Westland Lynx HAS.21 destinada à Marinha do Brasil foi concluída, sendo imediatamente submetida aos voos de aceitação conduzidos pelo fabricante. Na sequência, passou a integrar o programa de instrução dos aviadores navais brasileiros. Esse período coincidiu com a realização da ediçao anual do Farnborough Airshow, ocasião em que, mediante autorização da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), a aeronave foi apresentada estaticamente ao público. Ostentando marcações brasileiras e matrícula britânica G-BFAU, o helicóptero também participou de demonstrações em voo, operado por uma tripulação do fabricante. Com a conclusão das primeiras células, a comissão de recebimento da Marinha do Brasil estruturou a logística de transferência das aeronaves para o Rio de Janeiro. Para tal, foi contratada a empresa especializada Transmeridian Air Cargo, responsável pelo transporte dos helicópteros, que seriam  parcialmente desmontados  a bordo de aeronaves cargueiras Conroy CL-44-0 Guppy. Os voos partiram diretamente das instalações do fabricante na cidade de Yeovil com destino à Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia. O primeiro traslado foi concluído em 31 de março de 1978, com a chegada das duas primeiras unidades do SAH-11 Lynx. Nos meses subsequentes, entre maio e julho daquele ano, novas remessas transportaram os demais helicópteros, culminando, em 7 de julho de 1978, com a entrega da nona e última aeronave prevista em contrato. Paralelamente à incorporação dos meios, a Marinha do Brasil avançava na estruturação de sua doutrina e organização operacional. Em 15 de maio de 1978, por meio do Decreto Presidencial nº 81.660, foi criado o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (EsqdHA-1), subordinado à Força Aeronaval. Entretanto, antes de sua ativação formal, em 17 de agosto do mesmo ano, foi instituído o NuHA-1 (Núcleo do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino), responsável por conduzir as atividades iniciais de implantação. Coube a esse grupo pioneiro supervisionar a introdução dos novos meios, consolidar procedimentos operacionais e preparar as bases estruturais e doutrinárias que permitiriam a efetiva ativação do esquadrão, marcando a entrada definitiva do Westland Lynx como vetor estratégico da Aviação Naval brasileira.
Semanas após a ativação do Núcleo do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (NuHA-1), um trio de aeronaves Westland Sea Lynx HAS Mk.21 foi destacado para o litoral sul do estado do Espírito Santo, com o objetivo de participar da Operação Dragão XIV, a principal operação anfíbia da Marinha do Brasil. Essa participação inicial teve caráter breve e concentrou-se na realização de uma avaliação preliminar da nova plataforma em ambiente operacional. Nos anos subsequentes, essas aeronaves passariam a integrar de forma recorrente as edições da Operação Dragão, consolidando sua inserção no contexto anfíbio. Ao ser oficialmente ativado em 17 de janeiro de 1979, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (EsqdHA-1) já dispunha de um núcleo inicial de pilotos qualificados, que deram início aos preparativos necessários para alcançar a plena capacidade operacional da unidade. Contudo, ainda em fevereiro do mesmo ano, o esquadrão foi acionado para sua primeira missão de grande vulto: prestar apoio à população da região de Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, severamente afetada por enchentes. Durante essa operação, duas aeronaves Sea Lynx foram deslocadas para a área atingida, realizando o transporte de gêneros de primeira necessidade, medicamentos e equipes de apoio, além da evacuação de vítimas. Essa missão estabeleceu um padrão de emprego que se tornaria recorrente ao longo da trajetória do esquadrão, com a execução periódica de operações de busca e salvamento e apoio a desastres. Embora, nesse período inicial, as aeronaves e seus efetivos estivessem abrigados nas instalações do 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1), os militares do EsqdHA-1 atuaram de forma contínua na estruturação da unidade, assegurando, em curto prazo, um nível básico de prontidão operacional. Como resultado desse esforço, ainda em 1979, os helicópteros passaram a realizar treinamentos de pouso a bordo das fragatas da classe classe Niterói, sendo o primeiro deles conduzido em 30 de janeiro, a bordo da fragata Niterói (F-40). Essa etapa revelou-se fundamental, uma vez que essas aeronaves constituíam um dos principais vetores de guerra antissubmarino embarcados nesses navios. Ainda no decorrer de 1979, os Sea Lynx participaram de diversos exercícios com ênfase na guerra antissubmarino, ampliando progressivamente o nível de adestramento das tripulações. A partir de 1980, o esquadrão alcançou elevados índices de operacionalidade, permitindo a incorporação regular dos helicópteros às fragatas da classe Niterói. Estabeleceu-se, assim, uma rotina de emprego embarcado que se manteria nas décadas seguintes. Paralelamente, a versatilidade da aeronave possibilitou a execução de um amplo espectro de missões, com destaque para evacuações aeromédicas realizadas, frequentemente, em condições adversas, consolidando o papel dos SAH-11 Sea Lynx como um dos principais ativos da Aviação Naval da Marinha do Brasil.

O Westland Sea Lynx HAS Mk.21 constitui uma plataforma avançada para busca visual, sendo capaz de detectar embarcações de superfície, mastros de radar, esnórqueis, periscópios e antenas de submarinos inimigos. As fragatas, por sua vez, dispõem da capacidade de ordenar o lançamento de torpedos por intermédio de helicópteros ou de engajar alvos diretamente por meio do sistema de mísseis Ikara, cujo alcance supera o limite efetivo dos sonares navais  estimado em cerca de 20 quilômetros , o que torna indispensável a integração com plataformas aéreas. Embora as forças navais realizem regularmente exercícios com torpedos Mk 46 torpedo e bombas de profundidade, a principal arma de emprego antissuperfície disponível para o SAH-11 Lynx passou a ser o míssil BAe Sea Skua, cuja incorporação foi considerada prioritária. Diversos fatores contribuíram para o atraso na integração desse sistema ao vetor aéreo. Desde sua entrada em operação, os SAH-11 vinham progressivamente aprimorando suas capacidades de emprego desse armamento em diferentes cenários operacionais. Entretanto, somente a partir de 1986 tiveram início os esforços concretos para a implementação do sistema Sea Skua nas aeronaves. No ano seguinte, foi adquirido um lote inicial de 16 mísseis operacionais, além de versões inertes destinadas ao treinamento. Desenvolvido como resposta à crescente ameaça representada por embarcações rápidas armadas com mísseis antinavio, o Sea Skua teve como uma de suas principais referências a experiência do afundamento do destróier israelense INS Eilat, em 1967, por mísseis P-15 Styx lançados por unidades navais egípcias. O Sea Skua emprega guiagem por radar semiativo (SARH), e o peso total do sistema, considerando a configuração com quatro mísseis embarcados, não excede 750 kg. Sua ogiva contém aproximadamente 9 kg de explosivo do tipo RDX, envolta por um invólucro de penetração com cerca de 21 kg. Com alcance nominal de até 15 km e velocidade próxima a Mach 0,9, o míssil permite a projeção de poder além do horizonte visual, representando um incremento substancial na capacidade ofensiva da Marinha do Brasil. O primeiro disparo real ocorreu em 31 de agosto de 1989, quando o SAH-11 Lynx N-3025, operando a partir da fragata Niterói (F-40), efetuou três lançamentos contra o casco do ex-contratorpedeiro Santa Catarina (D-32), obtendo impactos a uma distância de aproximadamente 18 km, com resultados considerados plenamente satisfatórios. A década de 1990 trouxe mudanças significativas para o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (EsqdHA-1). Suas aeronaves passaram a realizar os primeiros embarques a bordo dos contratorpedeiros da classe classe Pará (tipo Garcia). Em 12 de novembro de 1989, foi incorporada à Esquadra a corveta Inhaúma (V-30), a primeira unidade da classe Inhaúma, cujo programa de construção fora iniciado em 1983. Esse projeto integrava o planejamento estratégico da Marinha do Brasil, que previa dotar essas corvetas com um vetor aéreo embarcado, ampliando suas capacidades nas missões de guerra antissubmarino (ASW) e antissuperfície (ASM), consolidando, assim, a doutrina de emprego combinado entre meios navais e aeronavais.
Em 1984, foram avaliadas diversas opções de aeronaves destinadas a equipar o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (EsqdHA-1), incluindo o Aérospatiale AS365F Dauphin, o Agusta A109, o Bell 222 e o Sikorsky S-76B Seahawk. Paralelamente, entre 1987 e 1990, a Westland Helicopters realizou múltiplas apresentações de sua nova geração do Sea Lynx, inicialmente denominada Advanced Lynx. Nesse período, a dotação original do esquadrão foi reduzida a apenas cinco aeronaves, em decorrência do intenso emprego operacional, que resultou tanto em acidentes quanto no desgaste natural das células. À medida que as propostas técnicas do fabricante britânico eram progressivamente refinadas, as autoridades da Marinha do Brasil e os quadros da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) passaram a reconhecer a viabilidade de uma solução baseada na evolução da plataforma já em uso. Optou-se, assim, por uma estratégia dual: a aquisição de novas aeronaves e a modernização das células remanescentes. Foram então encomendadas unidades do Westland Super Lynx HAS.21A, juntamente com a atualização dos cinco exemplares do Westland Sea Lynx HAS Mk.21 para um padrão equivalente. As tratativas entre o Ministério da Marinha e a Westland Helicopters culminaram, em 23 de dezembro de 1993, na assinatura de um contrato no valor aproximado de £ 111.505.000, que contemplava a aquisição de nove aeronaves novas do modelo HAS.21A Super Lynx, a modernização das cinco células existentes, além de pacotes logísticos, peças de reposição e treinamento de pessoal. Em decorrência desse acordo, a partir de janeiro de 1995, o EsqdHA-1 iniciou o processo de desativação e envio das aeronaves para modernização no Reino Unido. O transporte foi realizado por aeronaves Lockheed C-130 Hercules da Força Aérea Brasileira (FAB), sendo concluído em dezembro de 1996. O programa de modernização das cinco células remanescentes transcorreu de forma relativamente célere. No entanto, as primeiras aeronaves totalmente novas do padrão HAS.21A foram as primeiras a serem entregues à Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), com duas unidades desembarcando em 11 de setembro de 1996, transportadas por um cargueiro Shorts Belfast. A etapa final do processo ocorreu em 29 de abril de 1998, com a entrega das últimas duas aeronaves, correspondentes às células modernizadas do padrão HAS Mk.21. Nesse momento, todas as aeronaves passaram a adotar a nova designação Westland Super Lynx AH-11, marcando o início de um novo ciclo operacional na Força Aeronaval da Marinha do Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o  Westland MK21 Lynx SAH-11 "MB 7038",  empregamos o antigo  kit produzido pela Fujimi na escala 1/72. Este modelo apresenta um nível espartano em termos de detalhamento, principalmente pela idade de injeção do kit, não sendo necessário proceder grandes alterações para se representar a versão empregada na Marinha do Brasil. Fizemos uso de decais confeccionados pela  FCM Decais presentes no novo set Set 72/48.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura empregado nas aeronaves Westland MK21 Lynx SAH-11, com o qual todas as células foram recebidas em 1978 . A partir de meados da década de 1980  um  novo esquema de camuflagem tática para ambiente naval seria adotado em cinza escuro, com este mantendo após a implementação do processo de modernização na década de 1990.  
Bibliografia
- Westland Wasp -  Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Wasp
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015 – Jackson Flores Jr
O primeiro teste de míssil Sea Skua - www.naval.com.br/blog/2022/05/03/o-primeiro-teste-de-missil-sea-skua-na-marinha-do-brasil/
- Westland HAS MK-21 - Aviação Naval Brasileira - http://www.naval.com.br/anb/ANB-aeronaves/Westland_Wasp/Westland_Wasp.htm

T-967,968 e 969 Diamond (VTNE-VTE)

História e Desenvolvimento. 
A Diamond T Motor Car Company foi fundada em 1905 pelo empresário Charles Arthur Tilt, estabelecendo-se inicialmente nas imediações da cidade de Chicago, no estado de Illinois. Seu surgimento ocorreu em um momento particularmente favorável, coincidindo com o primeiro grande ciclo de expansão da indústria automobilística norte-americana, no início do século XX. Desde seus primórdios, a empresa destacou-se por uma identidade visual e conceitual cuidadosamente construída: o nome comercial e a logomarca foram inspirados nos traços de uma tradicional marca de calçados produzida pelo pai de seu fundador, simbolizando qualidade artesanal e solidez construtiva. A estratégia de marketing adotada desde o início buscava associar os veículos Diamond T a atributos como robustez, confiabilidade e elevado padrão de acabamento. A emblemática grade frontal em forma de “T” — referência direta ao sobrenome Tilt  emoldurada por um diamante, tornou-se rapidamente um símbolo de distinção. Inserida nesse contexto, a montadora direcionou-se deliberadamente a um público de maior poder aquisitivo, concentrando-se na produção de automóveis de passeio e turismo de alto valor agregado. Entre seus primeiros produtos de destaque figurava o Diamond T 1907, um automóvel de porte médio, equipado com motor de quatro cilindros e 40 cavalos de potência, montado sobre um chassi com 2,89 metros de distância entre eixos. Com preço de venda em torno de US$ 5.200, valor expressivo para a época, o modelo refletia a proposta de exclusividade da marca. Até o final de 1907, apenas cerca de cinquenta unidades haviam sido entregues, mas já no ano seguinte a produção começou a ganhar maior escala. Em 1910, a empresa lançou dois novos modelos: ambos equipados com motores de quatro cilindros e 30 cavalos de potência, diferenciando-se pela distância entre eixos — 2,74 metros em um caso e 3,14 metros no outro. Os maiores sucessos comerciais dessa fase inicial foram os modelos Diamond T Touring (1907) e Diamond T Roadster (1908), que consolidaram a reputação da marca entre consumidores exigentes. À medida que a Diamond T conquistava a confiança de seu público e se firmava nesse segmento premium, um episódio aparentemente pontual viria a redefinir os rumos da empresa. O empresário Leonard Wolff, entusiasta declarado da marca, solicitou à montadora o desenvolvimento de um caminhão leve para aplicações de transporte. Dessa demanda específica nasceu uma divisão dedicada aos veículos comerciais, cujos resultados superaram rapidamente as expectativas iniciais. O sucesso financeiro dessa nova linha gerou os recursos necessários para que a empresa avançasse no desenvolvimento e na produção de caminhões médios e pesados, ampliando significativamente seu portfólio. Os caminhões Diamond T  leves, médios e pesados  passaram a ostentar com orgulho, no capô, o emblemático símbolo de um cão de trenó, metáfora clara da proposta da marca: força, resistência e confiabilidade sob condições adversas. O êxito foi tão expressivo que, a partir do final de 1911, a Diamond T Motor Car Company passou a concentrar praticamente todos os seus esforços no segmento de veículos comerciais, abandonando gradualmente o mercado de automóveis de passeio.

Em 1917, a empresa inaugurou uma nova e ampla fábrica no sudoeste de Chicago, dotada de instalações modernas e linhas de montagem avançadas. À época, essa unidade industrial era considerada a maior planta do mundo dedicada exclusivamente à produção de caminhões, refletindo a importância estratégica que a empresa havia alcançado. Com a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, toda a produção da Diamond T foi direcionada ao esforço de guerra aliado. Nesse período, a montadora produziu mais de 1.500 caminhões pesados do modelo Diamond Liberty B, nas configurações de três a cinco toneladas, consolidando sua reputação como um dos principais fornecedores de veículos militares e marcando definitivamente seu papel na história da indústria automobilística e militar norte-americana. Ao final de 1918, imediatamente após a assinatura do armistício que pôs termo às hostilidades da Primeira Guerra Mundial, a Diamond T Motor Car Company recebeu uma nova e expressiva encomenda: cerca de dois mil caminhões adicionais destinados ao Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Esse contrato assegurou a manutenção da cadência de produção em tempos de transição para a economia de paz, além de proporcionar uma fonte significativa de receitas que contribuiu para a estabilidade financeira e a continuidade do crescimento da companhia. Nos anos subsequentes, a Diamond T manteve uma trajetória consistente de evolução técnica e industrial. Entre o final da década de 1920, especialmente nos anos de 1928 e 1929, a montadora lançou uma série de modelos de caminhões que alcançaram grande aceitação no mercado. Esse período foi marcado pela introdução de importantes inovações mecânicas em toda a linha de produtos. Destacaram-se, entre outras melhorias, a adoção de cabines fechadas com portas, o emprego de freios hidráulicos a tambor em todas as rodas, a introdução de motores de seis cilindros nos caminhões pesados e de quatro cilindros nos modelos leves, elevando os padrões de segurança, conforto e desempenho operacional. No segmento de caminhões médios e utilitários, o portfólio da empresa passou a ser equipado com modernos motores de quatro cilindros fornecidos pela Buda Engine Company, reconhecidos por sua confiabilidade e eficiência. Independentemente da categoria, todos os modelos mantinham eixos traseiros dotados de diferencial de engrenagens, assegurando melhor tração e durabilidade em condições de serviço severo. Em 1929, a Diamond T introduziu um sistema próprio de classificação de carga dos chassis, considerando o peso da carroceria e da carga útil, com capacidades que alcançavam até doze toneladas (10.900 kg) nos veículos de três eixos, um avanço significativo para a época. Entre 1933 e 1935, a linha de caminhões pesados recebeu novas melhorias estruturais e de design. Um dos avanços mais relevantes foi a introdução de uma cabine totalmente construída em aço, equipada com portas e janelas de correr, solução que combinava maior proteção para a tripulação com maior durabilidade. Esse projeto de cabine revelou-se tão bem-sucedido que permaneceu em produção tanto nos caminhões comerciais quanto nos modelos militares até 1951, atravessando diferentes gerações de veículos. O início da década de 1940 marcou outra etapa importante na evolução técnica da Diamond T, com a adoção de novos conjuntos motopropulsores. 
A linha de caminhões passou a empregar motores tanto a gasolina quanto a diesel, entre os quais se destacavam o Hercules JXT, um seis cilindros a gasolina com potência de até 118 cavalos (88 kW), e o Cummins 323, motor diesel capaz de desenvolver até 200 cavalos (150 kW), ampliando significativamente as capacidades de tração e resistência dos veículos. A partir de 1941, com a intensificação da Segunda Guerra Mundial, a Diamond T Motor Company foi plenamente integrada ao esforço industrial de guerra. Nesse contexto, a empresa recebeu do governo britânico a incumbência de desenvolver um caminhão pesado de 12 toneladas, com tração 6x4, destinado a equipar o Royal Army Ordnance Corps. O veículo seria empregado em missões de reboque e transporte de veículos blindados sobre carretas, bem como na tração de pesadas peças de artilharia, como o obuseiro M-114 de 155 mm. Essa exigente demanda resultou no desenvolvimento do Diamond T-980, um dos mais notáveis caminhões pesados de sua época. O modelo era equipado com um robusto motor diesel Hercules DFXE, de 14,7 litros, capaz de desenvolver 185 cavalos de potência (138 kW), associado a uma transmissão com relações extremamente reduzidas. Tal configuração permitia ao T-980 rebocar veículos com peso de até 52.000 kg, tornando-o apto a deslocar os mais pesados tanques então em serviço. Para cumprir essa missão, o caminhão recebeu um chassi curto com lastro, no qual era instalado um guincho hidráulico de grande capacidade. O projeto incluía compartimentos de ferramentas fechados em ambos os lados da carroceria, dois contêineres abertos na parte frontal e uma tampa traseira articulada. A caixa de carga podia acomodar até 8.200 kg de lastro, aumentando significativamente a aderência e a tração dos eixos traseiros em tandem. Assim, o Diamond T-980 consolidou-se como um dos pilares logísticos das forças aliadas, simbolizando a maturidade técnica e a importância estratégica alcançadas pela Diamond T no cenário militar internacional. O Diamond T-980 logo seria também adotado pelo Exército dos Estados Unidos (US Army), e quando acoplado a carreta M-9 Rogers, o modelo receberia a designação militar de transportador de carros de combate M-19, sendo perfeitamente capaz de transportar todas as variantes do carro de combate médio M-4 Sherman e derivados. Este modelo como os subsequentes da linha militar, empregavam a cabine do modelo comercial Diamond T padrão (também usada pelos caminhões G-509 de 4 toneladas), sendo este design mantido até agosto de 1943, quando seria substituído por uma cabine militar aberta, com esta modificação sendo feita para reduzir custos de produção bem como facilitar seu transporte por via naval para a Europa. Nesta versão seria prevista a instalação de um anel universal na parte superior, montando uma metralhadora Browning M1919A4 calibre .30 ou pesada do modelo M-1920 calibre .50. Seu longo capô de borboleta tinha persianas verticais em ambos os lados que diferiam da versão T-980 G509.  A partir de abril de 1942, uma diretiva governamental determinava que todo o parque industrial norte-americano seria mobilizado exclusivamente para o esforço de guerra aliado, e neste momento a Diamond T. Motor Company, suspenderia a produção de veículos para o mercado comercial, passando a ocupar suas linhas de montagem com projetos de terceiros ou componentes. 

Neste momento o Exército dos Estados Unidos (US Army), apresentaria a empresa, uma demanda constituída por um caminhão pesado para emprego em tarefas de reboque de veículos blindados e peças de artilharia, a exemplo do modelo desenvolvido anteriormente para o Corpo do Exército Real Britânico (Royal Army Ordnance Corps).  Após apresentação dos parâmetros de desempenho exigidos pelos militares norte-americanos, a montadora customizaria seu modelo anterior, nascendo assim o Diamond Model 980-981 (G159), um caminhão pesado com tração integral 6X4 de 12 toneladas. Esta seria a primeira versão a entrar em produção em larga escala, e tratava-se em essência do modelo britânico, possuindo um engate de trava na traseira com capacidade para rebocar até 11.000 libras (5.000 kg) fora da estrada e 25.000 libras (11.000 kg) na estrada.  Apresentava uma distância entre eixos curta e uma saliência traseira, com o corpo medindo apenas 3,4 metros de comprimento, dispunha de aparadores com bancos dobráveis e arcos para uma lona no teto, seria equipado com dois pneus sobressalentes montados dentro do corpo da carroceria. Os primeiros caminhões começariam a ser distribuídos as unidades de artilharia a partir de fins de 1942, onde também seria empregado no transporte de carga, soldados, mantendo ainda sua principal missão de tracionar peças de artilharia pesadas como o obuseiro M-114 de 155 mm.  Sua estrutura básica de chassis era composta pelo sistema de escada com três eixos ativos, a frente em molas, os eixos traseiros em tandem em molas com braços de localização. Havia duas distâncias entre eixos, no modelo padrão de 3,8 metros e no chassi longo de 4,4 metros empregado no modelo de transporte de pontão (dimensões aferidas a partir da linha central do eixo dianteiro à linha central do conjunto traseiro). Estavam equipados com pneus na configuração de 9.00 X 20 com sistema traseiro duplo, possuindo ainda com freios a tambor em todas as rodas. Ao ser empregado em campo, seria comprovado por seus usuários, um alto grau de robustez, o que levaria em 1943 ao desenvolvimento de uma versão específica para socorro e reboque, designado pelo fabricante como Diamond Model Wrecker Model 969. Sobre seus chassis seria instalado um guindaste hidráulico com lança dupla do modelo “Holmes twin-boom”, equipado com uma lança oscilante e um cabo de elevação acionado em cada lado. Ao rebocar, as barras seriam giradas para trás, conectadas nas extremidades, passando a funcionar como uma em estrutura em "A", quando de seu levantamento as barras poderiam ser separadas e giradas até 90 graus a frene. Um estabilizador poderia ser baixado, aumentado assim sua capacidade de elevação. A caixa de transferência estava equipada com uma tomada de força independente que acionava uma transmissão com dois guinchos. Os controles de ambos os lados do corpo permitiam que cada guincho se levantasse ou abaixasse independentemente do outro. O corpo apresentava lados baixos na metade traseira, que afunilavam no chão na frente, deixando espaço para a lança balançar. Um suporte para a estrutura deste equipamento continha um suporte para o pneu sobressalente. O modelo podia ser ainda ser configurado com tanques de solda, compressor de ar, cabos, blocos e equipamentos como correntes, engates destinados a reparo ou socorro no campo de batalha.  
A próxima versão a ser produzida seria a Diamond Ponton Model 970, destinada ao transporte de pontões de pontes desmontáveis de campanha. Para poder desempenhar esta missão, o veículo teve sua distância entre eixos aumentada à medida que o tandem traseiro foi movido de volta para distribuição de peso, seu pneu sobressalente seria deslocado atrás da cabine e uma cama de 12 pés (3,66 m) de comprimento seria colocada mais atrás no chassi. Em seguida a pedido do comando do Exército dos Estados Unidos (US Army) seria desenvolvida também uma versão especializada no transporte de lixo e entulho, que receberia a designação de Diamont Dump Model 972. Este caminhão estava equipado com uma caçamba hidráulica basculante com as dimensões de 3,3 metros x 3,3 metros, apresentando assim uma capacidade de carga volumétrica superior as versões semelhantes dos modelos GMC CCKW e Studebaker US-6G presentes em grandes números nos teatros de operações da Europa e do Pacífico. Seu grande porte e capacidade de transporte seria aproveitado também o desenvolvimento de subversões para transporte de combustível, cisterna de água potável, aplicação de camada asfáltica e remoção de componentes químicos. Para estes modelos seriam empregados dois tipos de chassis sendo customizados de acordo com as demandas das forças armadas dos Estados Unidos. Neste período seria desenvolvido também uma versão especial, o Diamond Model 975, para emprego inicial para o Comando das Forças Terrestres Canadenses, envolvendo uma encomenda de mil e quinhentos caminhões configurados com chassi extralongo, destinado a versões de oficina e transporte de pontões. Esta linha de caminhões pesados seria ainda incluída como item do portifólio do programa de ajuda militar Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), sendo disponibilizados a diversos países aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Sua produção seria descontinuada em janeiro de 1945, com mais de trinta mil caminhões desta família sendo produzidos nas linhas de montagem da empresa em Chicago. Em 1946, o primeiro ano de produção comercial completa, havia cinco modelos em seu portifólio, em 1947 já eram quatorze. Após a Segunda Guerra Mundial, os caminhões pesados foram classificados pela Classificação de Peso Bruto do Veículo (GVWR), o peso total do chassi, corpo e carga útil. A família de caminhões Diamont T. em serviço militar se manteriam em operação nas forças armadas norte-americanas até meados da década de 1950, quando passaram a ser substituídos por variantes da família de caminhões REO M-34  e REO M-35.  Em 1967 a Diamond T e a Reo Trucks (fundada em 1904) fundiram-se em apenas uma empresa, formando a “Diamond Reo Trucks” , empresa essa que sobreviveria até 1974. Um ano depois, a Loyal Osterlund Company comprou os direitos de produção dos caminhões Diamond REO, encerrando uma história de sucesso da história automotiva norte-americano.   

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma ofensiva das forças do Eixo — Alemanha, Itália e Japão  contra o continente americano. Essa preocupação intensificou-se de forma decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, uma vez que o colapso do poder francês na Europa abriu a perspectiva de que a Alemanha nazista pudesse utilizar antigas colônias francesas, como as Ilhas Canárias, Dacar e outros territórios estratégicos no Atlântico, como pontos de apoio para operações militares de longo alcance. Nesse cenário, o Brasil passou a ser identificado pelos estrategistas norte-americanos como um dos alvos mais sensíveis em caso de expansão do conflito para o hemisfério ocidental. Sua posição geográfica, especialmente no Nordeste, colocava o país na menor distância entre os continentes americano e africano, região que figurava nos planos de expansão territorial alemães. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul interromperam o acesso dos Aliados às tradicionais fontes de borracha natural, transformando o Brasil no principal fornecedor de látex para o esforço de guerra aliado  insumo vital para a indústria bélica, indispensável à produção de pneus, mangueiras, vedações e inúmeros componentes militares. Além dos aspectos econômicos, o litoral brasileiro assumia importância estratégica singular do ponto de vista militar. A região Nordeste, em especial a cidade do Recife, destacava-se como local privilegiado para a instalação de bases aéreas e portuárias, capazes de funcionar como elo logístico entre as Américas, a África e, posteriormente, os teatros de operações europeu e norte-africano. A partir desses pontos, seria possível o deslocamento rápido de aeronaves, tropas e suprimentos, reduzindo significativamente o tempo e os riscos das travessias transatlânticas. Diante desse contexto geopolítico, verificou-se, em curto espaço de tempo, uma acentuada aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Essa convergência materializou-se por meio de investimentos estratégicos e acordos de cooperação, entre os quais se destacou a adesão brasileira ao Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). O programa tinha como objetivo central a modernização das Forças Armadas dos países aliados, e, no caso brasileiro, assegurou uma linha inicial de crédito de aproximadamente US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico moderno, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se fundamentais para o fortalecimento da capacidade defensiva do país, especialmente em face da crescente ameaça representada pelos ataques de submarinos alemães no Atlântico Sul. Tais ações comprometiam a segurança da navegação civil e afetavam diretamente o comércio exterior brasileiro, em especial o fluxo contínuo de matérias-primas estratégicas enviadas aos Estados Unidos para sustentar sua indústria de guerra.

Nesse ambiente de crescente envolvimento internacional, a participação brasileira no esforço de guerra aliado ampliou-se gradualmente. O presidente Getúlio Vargas deixou claro que o Brasil não se limitaria ao papel de fornecedor de recursos estratégicos, sinalizando a disposição do governo em assumir uma participação mais ativa no conflito. Essa postura abriria caminho, nos anos seguintes, para o engajamento direto do país, culminando no envio de tropas brasileiras a um dos principais teatros de operações da Segunda Guerra Mundial, consolidando o Brasil como um aliado efetivo no cenário global do conflito. Naquele período, o Exército Brasileiro encontrava-se em um evidente estado de defasagem no que se referia a armamentos, equipamentos e, sobretudo, à sua frota de veículos militares. Entre as principais carências destacava-se a escassez de caminhões táticos com tração integral, nas configurações 4×4 e 6×6, imprescindíveis para o apoio logístico, o transporte de tropas e a mobilidade em terrenos difíceis. Os poucos exemplares disponíveis eram claramente insuficientes para atender às exigências operacionais de uma força terrestre em processo de modernização e expansão. À época, grande parte da frota do Exército era composta por caminhões civis leves adaptados ao uso militar, como os Chevrolet Gigante (Flatbed Truck) e Tigre, os Dodge T-203 e os Ford V8. Esses veículos eram complementados por um número bastante reduzido de caminhões militares propriamente ditos, entre os quais se destacavam alguns modelos de origem europeia e norte-americana, como os Henschel & Son 6×6, de fabricação alemã, e os Thornycroft Tartar 6×4, de procedência britânica. Embora robustos para sua época, esses meios não atendiam plenamente às necessidades de uma força que se preparava para operar segundo os padrões da guerra moderna. A situação começou a se modificar a partir do final de 1941, quando o Brasil passou a receber os primeiros lotes de veículos militares no âmbito do programa de assistência decorrente dos acordos firmados com os Estados Unidos. Inicialmente, foram entregues diversos modelos de pequeno e médio porte, seguidos pelos primeiros caminhões táticos com tração integral 6×6, entre eles os General Motors CCKW-352 A1 e B2, nas versões de cabine aberta e fechada, e os Studebaker G-630 US-6. A incorporação desses caminhões genuinamente militares representou um marco para o Exército Brasileiro, contribuindo de forma decisiva para a modernização de sua doutrina logística e operacional. Além de substituir, de maneira imediata, uma frota heterogênea de veículos civil-militarizados, esses novos meios passaram a ser disponibilizados em quantidades compatíveis com as reais necessidades da força terrestre. Paralelamente aos veículos de transporte, o pacote de assistência incluiu a entrega de carros blindados sobre rodas com tração 6×6, como os Ford T-17 Deerhound e os Ford M-8 Greyhound, bem como de carros de combate leves e médios, entre eles os M-3 Stuart, M-3 Lee e, posteriormente, os consagrados M-4 Sherman. 
A modernização estendeu-se ainda ao campo da artilharia, com o fornecimento de centenas de peças de campanha e antiaéreas de grande calibre, destacando-se os obuseiros M-114 de 155 mm e os canhões antiaéreos M-1A3 de 90 mm e M-3 de 76 mm. Em um intervalo relativamente curto, o Exército Brasileiro passou, assim, a dispor de um amplo e diversificado conjunto de veículos militares e sistemas de artilharia pesada. Contudo, de forma curiosa e contraditória, não foram inicialmente fornecidos veículos especializados para missões de socorro e reboque, fundamentais para a recuperação de carros de combate avariados e para a tração das novas peças de artilharia pesada. Naquele momento, os únicos meios disponíveis no país com capacidade para desempenhar tais funções eram os tratores Minneapolis-Moline GTX-147 6×6, adquiridos nos Estados Unidos em 1941. Originalmente destinados à movimentação dos pesados canhões de costa Vickers-Armstrong de 154,6 mm, esses tratores poderiam, em tese, ser empregados também no reboque das recém-incorporadas peças de artilharia norte-americanas. Entretanto, apesar de sua presença em número relativamente expressivo, esses veículos mostraram-se insuficientes diante da crescente demanda, decorrente da incorporação em larga escala de armamentos de grande porte e veículos blindados. Essa lacuna evidenciou a necessidade urgente de meios mais potentes e especializados, especialmente para o socorro e a recuperação de carros de combate em condições operacionais, uma carência que somente seria sanada nos anos seguintes. No âmbito do Exército Brasileiro, a carência por veículos especializados em tarefas de socorro sobre rodas e reboque pesado começou a ser parcialmente suprida apenas no início de 1943, quando foram recebidos os primeiros meios especificamente destinados a esse tipo de missão. Entre eles destacavam-se pequenas quantidades de caminhões Chevrolet G-506 NM e G-7117 equipados com guincho, o trator NK G-7113, bem como os caminhões de socorro GMC CCKW-352 G-138 M-7. Embora esses veículos representassem um avanço significativo em relação à frota anteriormente disponível, sua principal função era atender às numerosas unidades já dotadas de caminhões de transporte General Motors CCKW-352 e CCKW-353, além dos modelos G-7107 e Studebaker G-630 US-6. Apesar de sua versatilidade e utilidade operacional, tais viaturas não dispunham da capacidade necessária para o socorro e a tração dos veículos mais pesados então incorporados à Força Terrestre, especialmente os carros de combate e as novas peças de artilharia de grande calibre. Diante dessa limitação, a Comissão do Exército Brasileiro sediada em Washington passou a conduzir negociações com as autoridades norte-americanas visando à obtenção de veículos de maior porte e desempenho. Essas tratativas resultaram na celebração de aditivos ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), prevendo o fornecimento de um número reduzido de caminhões pesados com tração integral 6×6, destinados tanto ao reboque de peças de artilharia pesada quanto às missões de socorro de viaturas de grande porte em condições de combate. 

A efetivação dessas entregas, contudo, sofreu atrasos significativos. À época, a prioridade absoluta do esforço industrial norte-americano encontrava-se direcionada ao suprimento do Exército Vermelho da União Soviética, o que levou a maioria das montadoras dos Estados Unidos a concentrar sua produção no atendimento às necessidades daquele teatro de operações. Somente no último bimestre de 1943 começaram a chegar ao porto do Rio de Janeiro os primeiros caminhões pesados produzidos pela Diamond T Motor Car Company, distribuídos em três lotes distintos. No total, foram incorporados ao Exército Brasileiro quinze caminhões de transporte de carga das versões Diamond T-968/A/0 G-509 e T-969/A/0 G-509, além de trinta e oito veículos especializados em socorro, do modelo Diamond T-969 G-509 6×6 Wrecker. Inicialmente, essas viaturas foram concentradas nas principais unidades militares mecanizadas sediadas na então capital federal, onde passaram a ser empregadas em programas de treinamento operacional, com o objetivo de formar pessoal qualificado para a condução, operação e manutenção desse novo e sofisticado material. Curiosamente, apesar de seu amplo emprego pelas forças aliadas nos teatros de operações europeus, os caminhões pesados da série Diamond T-967, T-968 e T-969 não foram cedidos ao contingente do Exército Brasileiro que integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália. Há, entretanto, registros fotográficos que documentam a utilização de um Diamond T-969 G-509 6×6 Wrecker do Exército dos Estados Unidos em operações de socorro a viaturas brasileiras no norte da Itália, evidenciando a presença indireta desse tipo de equipamento no apoio às forças nacionais em combate. Em território brasileiro, há ainda indícios de que, ao final de 1942, foram recebidos cinco caminhões desse modelo dois com cabine de teto rígido e três com cobertura de lona — que, à época, representavam os veículos mais pesados em serviço no Exército Brasileiro. Todos esses caminhões eram equipados com motores a gasolina Hercules RXC V6, com potência nominal de 106 cavalos, os quais, apesar do desempenho superior, compartilhavam numerosos componentes com os motores Hercules JXD de 86 cavalos. Estes últimos eram amplamente utilizados nos caminhões Studebaker G-630 US-6 e nos carros blindados sobre rodas M-8 Greyhound e M-20 Command Car, o que facilitava a padronização logística e a manutenção em campanha. Essa compatibilidade técnica entre os motores Hercules RXC V6 e outros grupos propulsores já em serviço no Exército Brasileiro contribuiu de forma significativa para a racionalização dos processos de manutenção e para o controle logístico do fornecimento de peças de reposição.  Essa compatibilidade técnica entre os motores Hercules RXC V6 e outros grupos propulsores já em serviço no Exército Brasileiro contribuiu de forma significativa para a racionalização dos processos de manutenção e para o controle logístico do fornecimento de peças de reposição.  Contudo, a maior potência desenvolvida por esses motores impunha exigências específicas quanto à qualidade do combustível, sobretudo no que se refere à alta octanagem da gasolina utilizada. 

Tal característica acabou por restringir a operação desses caminhões, em grande medida, às proximidades das capitais estaduais e dos principais centros urbanos. Nas regiões mais afastadas do interior do país, onde a qualidade da gasolina era frequentemente inadequada, o emprego desses veículos mostrou-se limitado. Há diversos registros de falhas mecânicas decorrentes do abastecimento com combustível de baixa qualidade, o que reforçou a necessidade de concentrar essas viaturas em áreas onde fosse possível garantir condições mínimas de suporte logístico e manutenção especializada.  No âmbito da padronização administrativa, esses veículos receberam a designação militar de VTNE Carga Emprego Geral 4 Toneladas 6×6 SWB LDE/PDE 1941–1942, também identificados como EB-21 Truck 4 Toneladas, nas versões com teto rígido ou cobertura de lona, algumas delas equipadas com guincho. Já os modelos destinados ao socorro foram oficialmente classificados como VE Socorro Leve de Rodas 4 Toneladas 6×6 1941–1942, sob a designação EB-22 Truck 4 Toneladas 6×6 Wrecker, igualmente disponíveis com teto rígido ou lona e dotados dos robustos guinchos hidráulicos Garwood, reconhecidos por sua confiabilidade e elevada capacidade de tração. Até o final do conflito, novos caminhões Diamond T foram incorporados à frota, tanto nas versões de transporte  como os modelos T-968 e T-969  quanto nas variantes especializadas de socorro, representadas pelo T-969 Wrecker. Os caminhões de carga permaneceram em operação principalmente nas unidades sediadas nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, desempenhando missões de transporte de suprimentos, munições e, ocasionalmente, o reboque de peças de artilharia pesada de campanha e antiaérea. Por sua vez, os VE Socorro Leve de Rodas 4 Toneladas 6×6 T-969 Wrecker atuaram de forma integrada com outros veículos especializados, como os GMC CCKW-352 Socorro e os Ward La France M-1/A1 G-116 M1000, compondo o núcleo de recuperação e manutenção pesada. Embora não existam registros oficiais, é plausível supor que o Exército tenha incorporado unidades adicionais  ao longo das décadas de 1950 e 1960, a exemplo do recebimento de alguns veículos do modelo T-980, na configuração de cavalo mecânico, conforme indicam registros fotográficos do período. Já no início da década de 1960, essa reduzida frota começou a apresentar elevados índices de indisponibilidade operacional. O principal fator responsável por esse quadro foi a crescente dificuldade na obtenção de peças de reposição para os motores a gasolina Hercules RXC V6, cuja produção havia sido encerrada havia mais de uma década. Diante desse cenário, e com o objetivo de preservar a capacidade de socorro sobre rodas, optou-se pela desativação gradual dos caminhões da versão de transporte. Esses veículos foram desmontados, permitindo o reaproveitamento de componentes para a manutenção dos caminhões de socorro, prolongando assim sua vida útil. Apesar da posterior incorporação de novos veículos, como os REO M-62 e M-543, o último T-969 Wrecker permaneceu em serviço até o início da década de 1970.

Em Escala.
Para representarmos o Diamond T-968 VTNE Carga Emprego Geral 4 Toneladas 6x6 pertencente ao Exército Brasileiro, empregamos o antigo e excelente kit em resina da Accurate Armour na escala 1/35. Modelo este que apesar de antigo,  prima pelo nível de detalhamento e qualidade da resina, possibilitando expor o motor Hercules RXC V6. Fizemos uso de decais confeccionados pela Eletric Products,  pertencentes ao set  "Veículos Militares Brasileiros 1944 - 1982".
O esquema de cores  (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado em todos os veículos pertencentes ao Exército dos Estados Unidos (U.S Army) empregado durante a campanha na Europa na Segunda Guerra Mundial. Após seu recebimento no Brasil,  os Diamond T-968, T-967 e T-969 receberiam as marcações do Exército Brasileiro  e as respectivas matriculas de frota. Este esquema seria  mantido durante toda sua carreira operacional no Brasil, até sua retirada do serviço ativo em fins da década de 1960.
Bibliografia :
- Diamound T Truck 6X6 – Wikipedia -  https://en.wikipedia.org/wiki/Diamond_T_4-ton_6x6_truck
- Blindados no Brasil - Volume I e II , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976

M-113A1/MB1 Transporte (VtrBldEspSL)

História e Desenvolvimento. 
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.
Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental. Sua combinação de simplicidade mecânica, baixo custo operacional, elevada mobilidade e grande versatilidade despertou o interesse de mais de 20 paises, e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana.  Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava importantes aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência em operações prolongadas sob condições extremas. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional. Uma das maiores virtudes do M-113 residia em sua extraordinária versatilidade, seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos. Curiosamente, os primeiros exemplares incorporados por Israel não foram adquiridos diretamente dos Estados Unidos, mas sim capturados das forças jordanianas durante a Guerra dos Seis Dias.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de 30anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) foi criada em 1950 com o propósito de estabelecer uma estrutura de combate anfíbio capaz de atender às crescentes demandas operacionais da Marinha do Brasil. Seus primeiros passos foram dados ao longo dos anos seguintes, buscando desenvolver uma força expedicionária anfíbia inspirada na organização, doutrina e capacidades operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC). Como parte desse processo de estruturação, foram incorporados os primeiros navios de transporte de tropas e embarcações de desembarque de pessoal, material e viaturas (EDVP e EDVM), estabelecendo as bases necessárias para a condução de operações anfíbias em maior escala. A seguir foram adquiridos os primeiros veículos , incluindo os jipes Willys M-38A1/C e CJ-5, além dos caminhões utilitários Dodge M-37, todos aptos a operar a partir das embarcações de desembarque. Ao longo da década de 1960, estudos foram conduzidos visando à aquisição de veículos anfíbios blindados de transporte de tropas, incluindo modelos como o LVTP-5 e o FM-113. Embora considerados altamente desejáveis sob o ponto de vista operacional, seus elevados custos de aquisição e manutenção mostravam-se incompatíveis com a realidade orçamentária da Marinha do Brasil naquele período. Uma solução intermediária seria adotada em 1972, com a incorporação de um lote de caminhões anfíbios GMC DUKW provenientes dos estoques excedentes da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Apesar de representarem um importante avanço nas capacidades de desembarque logístico, esses veículos não atendiam plenamente à necessidade de um moderno blindado de transporte de tropas capaz de acompanhar as unidades de assalto anfíbio em ambientes de combate. Essa demanda começaria a ser atendida no ano seguinte, com a incorporação dos primeiros blindados  EE-11 Urutu destinados a equipar o recém-criado Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), unidade subordinada ao Comando da Divisão Anfíbia. A chegada desses veículos representou um marco importante na mecanização do Corpo de Fuzileiros Navais, introduzindo pela primeira vez uma capacidade orgânica de transporte blindado de pessoal. Entretanto, a experiência operacional logo revelou limitações significativas. Embora robusto e confiável, o EE-11 Urutu apresentava restrições para operações anfíbias de assalto, principalmente em função de sua configuração sobre rodas. Em determinadas condições de terreno, especialmente em faixas de areia fofa e áreas alagadiças próximas ao litoral, sua mobilidade mostrava-se inferior à de veículos blindados sobre lagartas, reduzindo sua eficácia durante as fases iniciais do desembarque. Apesar dessas limitações, o  Urutu desempenhou papel fundamental na formação da doutrina de emprego de veículos blindados de transporte de tropas. Diante das experiências acumuladas,  passou-se  a considerar a adoção de uma família de veículos blindados sobre lagartas, com as  aspirações apontando para a aquisição do  AAV-7A1. Todavia, o elevado custo de aquisição e suporte logístico desses veículos tornava sua incorporação inviável dentro das limitações orçamentárias existentes. 

Diante dessa realidade,  passou-se  a buscar alternativas que pudessem conciliar desempenho operacional, disponibilidade imediata e custos compatíveis com os recursos destinados. Uma solução mais viável para as necessidades  seria encontrada na incorporação do veículo blindado de transporte  M-113A1. Embora não atendesse plenamente a todos os requisitos inicialmente estabelecidos para operações anfíbias de assalto, apresentava a vantagem de poder ser adquirido em condições financeiras significativamente mais favoráveis. Também pesava em favor dessa escolha o fato de o M-113 já se encontrar em operação em larga escala no Exército Brasileiro. Dessa forma, a partir de abril de 1974, foram iniciadas negociações com as tratativas evoluindo rapidamente, culminando na celebração de um contrato que previa o fornecimento de 30 veículos novos de fábrica. O acordo contemplava diferentes versões especializadas, compondo uma pequena, porém completa, estrutura mecanizada. O lote era formado por 24 veículos M-113A1 de transporte de pessoal, dois porta-morteiros M-125A1, uma viatura-oficina M-113A1G e uma viatura de socorro e recuperação XM-806E1. Essa composição permitia não apenas o transporte blindado de tropas, mas também a realização de apoio de fogo indireto, manutenção de campanha e recuperação de viaturas avariadas, conferindo maior autonomia operacional à força. As primeiras viaturas começaram a ser recebidas em 7 de novembro de 1976, sendo incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). Paralelamente, foi conduzido um amplo programa de capacitação operacional e logística, ministrado por técnicos do fabricante em conjunto com militares do Exército Brasileiro. Esse intercâmbio permitiu a rápida assimilação dos procedimentos de operação, manutenção e emprego tático da nova plataforma. Concluída a fase de treinamento e avaliação, o veículo foi oficialmente declarado operacional em dezembro de 1977, recebendo no Corpo de Fuzileiros Navais a designação de Viatura Blindada Especial Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) M-113 de Transporte de Pessoal (TP). A partir de então, passou a operar em conjunto com os blindados EE-11 Urutu, ampliando significativamente a capacidade mecanizada. Em decorrência da evolução de suas atribuições e da crescente importância dos meios blindados no contexto das operações anfíbias, o Batalhão de Transporte Motorizado foi posteriormente extinto, sendo substituído pela Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld), organização criada especificamente para concentrar a operação e o emprego dos novos blindados. O primeiro exercício anfíbio de grande porte envolvendo os M-113A1 ocorreu em abril de 1981, quando diversas viaturas foram desembarcadas no litoral do Espírito Santo a partir do Navio de Desembarque de Carros de Combate G-26 Duque de Caxias. O êxito alcançado  confirmou a adequação do veículo às necessidades e consolidou sua participação nas principais atividades de adestramento anfíbio desenvolvidas nos anos subsequentes. Ao longo da década de 1980,  contribuíram decisivamente para elevar o nível de operacionalidade , participando regularmente de exercícios com destaque para as Operações Dragão, que se tornariam o principal laboratório doutrinário para o aperfeiçoamento das capacidades expedicionárias.
Em 1986, a organização responsável pelos meios blindados passou a ser designada Batalhão de Viaturas Anfíbias (BtlVtrAnf), denominação que manteve até 2003, quando foi criado o Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav). Com a retirada de serviço dos blindados EE-11 Urutu e até a incorporação dos veículos anfíbios de assalto  AAV-7A1 CLAnf, ocorrida em meados da década de 1980, os M-113A1 permaneceram como os únicos veículos blindados de transporte de tropas em operação. Durante esse período, desempenharam papel fundamental na consolidação da doutrina mecanizada anfíbia brasileira, servindo como principal elo entre a infantaria desembarcada e os meios blindados empregados nas operações expedicionárias da Marinha do Brasil. No início da década de 2000, estas viaturas  aproximavam-se de quatro décadas de serviço contínuo, e o  intenso emprego operacional ao longo desse período refletiu-se diretamente nos índices de disponibilidade da frota, que haviam caído para cerca de 66%, comprometendo significativamente a capacidade de mobilidade da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Essa situação resultava de uma combinação de fatores, entre os quais se destacavam o desgaste natural dos veículos, deficiências nos processos de conservação e manutenção, além das crescentes dificuldades para obtenção de componentes e peças de reposição no mercado internacional. Problemas mecânicos e elétricos tornavam-se cada vez mais frequentes, elevando os custos de operação e reduzindo a confiabilidade dos blindados. Diante desse cenário, em 2007 o Comando da Marinha do Brasil iniciou estudos destinados à substituição da frota de Viaturas Blindadas Especiais Sobre Lagartas (VtrBldEspSL) da família M-113. Entre as alternativas avaliadas figurava a aquisição de um terceiro lote dos veículos de assalto anfíbio  AAV-7A1, hipótese que acabou sendo descartada em razão das restrições orçamentárias então enfrentadas pela Força Naval. Como alternativa mais viável, passou-se a considerar a implementação de um amplo programa de modernização, capaz de restaurar a capacidade operacional dos blindados existentes e prolongar sua vida útil por pelo menos duas décadas. Para embasar essa iniciativa, uma equipe técnica  analisou diversos programas de atualização conduzidos por outros países operadores da família M-113, identificando soluções tecnológicas e procedimentos considerados adequados às necessidades brasileiras. As conclusões desses estudos serviram de base para a definição dos requisitos operacionais e técnicos do futuro programa de modernização, culminando no lançamento de uma concorrência internacional no final de 2007. Diversas empresas especializadas apresentaram propostas, que foram submetidas a criteriosa avaliação comparativa. Ao término desse processo, a oferta apresentada pela Israel Military Industries (IMI) foi considerada a mais vantajosa sob os aspectos técnico, operacional e econômico. Em consequência, em 28 de novembro de 2008, a Comissão Naval Brasileira na Europa firmou um contrato no valor de US$ 15,8 milhões com a empresa israelense. O acordo previa a modernização de todas as viaturas em carga até então. 

Além de apresentar a melhor relação custo-benefício entre as propostas,  possuía como principal diferencial a realização de todas as intervenções nas instalações do Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais, sob a coordenação técnica do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais  e com assistência especializada da Israel Military Industries (IMI). Essa abordagem permitia não apenas a recuperação da frota, mas também a absorção de conhecimentos técnicos e o fortalecimento da capacidade  de manutenção e modernização. Entre  aperfeiçoamentos introduzidos destacava-se a adoção do motor Caterpillar C7, turboalimentado, com 300 hp, dotado de injeção eletrônica e configuração militar para operação fora de estrada. A escolha desse motor foi influenciada pela ampla disponibilidade de componentes e serviços de manutenção no mercado brasileiro, reduzindo custos operacionais e assegurando o fornecimento de peças de reposição ao longo de todo o ciclo de vida. Este motor operaria em em conjunto com a transmissão automática Allison 3200SP, dotada de seis marchas à frente e uma à ré, controlada eletronicamente. O sistema de suspensão também recebeu importantes melhorias, incluindo a substituição das barras de torção, a instalação de amortecedores reforçados e a ampliação da área de contato dos seus suportes, além da adoção de novos batentes de proteção dos patins. Foram igualmente incorporados novos conjuntos dos braços das rodas de apoio nas estações 1, 2, 4 e 5, aumentando a distância livre em relação ao solo e aprimorando a absorção de impactos durante a operação em terrenos acidentados. Complementando essas modificações, foi instalado um kit de reposicionamento do conjunto tensor das lagartas e do braço da roda tensora. O sistema de direção foi completamente modernizado por meio da adoção de um novo conjunto de controle hidráulico, substituindo os tradicionais manches de direção por um volante convencional, proporcionando maior ergonomia e facilidade de condução. As lagartas foram substituídas pelo modelo Diehl System Track 513 Agressive, caracterizado por maior área de contato com o terreno e elevada durabilidade. Essa alteração resultou em melhor desempenho, redução dos níveis de vibração e ruído, além de significativo aumento da vida útil dos componentes de rodagem. Foram instalados dois tanques externos de combustível com capacidade de 360 litros cada, que além de ampliar  o raio de ação, aumentou a segurança da tripulação ao reduzir a quantidade de combustível armazenada no compartimento interno e possibilitou a continuidade da missão mesmo em caso de avaria de um dos reservatórios. Os sistemas elétricos e eletrônicos também foram atualizados. As viaturas passaram a contar com novos equipamentos de comunicações, alternadores de 200 amperes, conjunto de ar-condicionado  e um moderno sistema automático de detecção e supressão de incêndios. Outro destaque  foi a adoção da estação de armamento elétrica Platt MR-555 Mod 2, que ampliou as capacidades defensivas. Este permitia a instalação de diferentes armamentos, incluindo a metralhadora pesada FN Herstal Browning M2HB QCB calibre .50, o lançador automático de granadas SB-M2 de 40 mm, a metralhadora MAG calibre 7,62 mm e a metralhadora leve Minimi calibre 5,56 mm.
Todas as viaturas modernizadas passaram ainda a possuir preparação para a instalação de kits de navegação destinados a facilitar a travessia de cursos d'água e operações anfíbias. Adicionalmente, o projeto contemplou a possibilidade de futuras atualizações tecnológicas, incluindo a integração de imageadores termais, telas digitais multifuncionais, kits de blindagem suplementar interna e externa, bem como lançadores de granadas fumígenas calibre 76 mm, garantindo potencial de crescimento operacional para as décadas seguintes. Neste momento receberiam a designação de  M-113MB1, com as 07 primeiras unidades sendo oficialmente entregues em 15 de junho de 2013.  Durante a edição da LAAD daquele ano foi apresentando um M-113MB1 equipado com um kit de flutuação composto por blocos de navegação acoplados ao veículo, evidenciando a versatilidade proporcionada pelo processo de modernização. Todas as viaturas possuem a capacidade de ser configuradas com esse kit, essencial para a transposição de cursos d'água, embora seja comum observá-las sem essa configuração e sem a instalação da quebra-mar. Ainda em 2013, foi adquirida, para fins de teste, uma blindagem externa do sistema "High Hard Appliqué Armor Toga", de fabricação israelense, destinada a fornecer proteção contra armas do tipo RPG-7 e munições de calibre .50. No interior das viaturas, foi implementada a blindagem do tipo "Internal Spall Liner", complementada pelo sistema "Drive Night Vision" (equipamento de navegação termal) e pelo "Smoke Grenade System 76 mm" (lançador de granadas fumígenas). Os testes realizados demonstraram a eficácia do conjunto, possibilitando sua futura adoção em outras viaturas da frota. A entrega dos últimos M-113MB1 ocorreu no início de 2016, concluindo com êxito um projeto que não apenas elevou o padrão de operacionalidade da frota, mas também proporcionou um avanço significativo em conhecimento e experiência para a equipe técnica. Esse aprimoramento se refletiu especialmente nas áreas de soldagem, manutenção, mecânica e integração de sistemas. O contrato firmado em 2008 incluía um acordo de compensação (OFFSET), por meio do qual o fabricante se comprometia a fornecer treinamento completo ao pessoal técnico da Marinha do Brasil em todos os níveis, garantindo a capacitação necessária para a operação e manutenção dos blindados modernizados. Adicionalmente, o programa buscou qualificar diversas empresas brasileiras para a realização de manutenções de 3º e 4º escalões, bem como para o fornecimento de sobressalentes, componentes e materiais essenciais. Destaca-se, ainda, a participação desses veículos em operações de pacificação de comunidades no Rio de Janeiro, como no Complexo do Alemão e na Rocinha, em junho de 2010. Nessas missões, os blindados desempenharam um papel crucial tanto no transporte de fuzileiros navais para áreas de conflito quanto no apoio operacional às unidades do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar. Os comandantes dessa unidade enfatizaram a relevância do emprego deste blindados nessas operações, especialmente considerando que os blindados convencionais da polícia, com tração sobre rodas, enfrentavam dificuldades operacionais em ambientes de alto atrito. 

Em Escala.
Para representarmos o modelo modernizado M-113MB1 VtrBldEspSL , empregamos como o base o antigo kit do  M-113 ACAV produzido pela Academy, na escala 1/35. Para compormos a versão atual em serviço junto Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), é necessário proceder uma série de modificações em scratch building com destaque para a estação de amas Platt MR555 Mod 2). Utilizamos ainda pelas peças avulsas oriundas do kit M-163A1 Vulcan também da Academy. Fizemos uso de decais confeccionados pela Decals e Books presentes no set " Forças Armadas do Brasil". 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão  de camuflagem tática empregado em veículos desta família no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) . Este esquema substituiu o anterior com os quais os M-113A1, M-113A1G, M-577A1  e XM-806EI foram recebidos na década de 1970. As viaturas modernizadas emergiram deste processo adotando um padrão ligeiramente diferente deste, podendo apresentar  pequenas variações de tons de cores.


Bibliografia : 
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Fuzileiros Blindados - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-i/
- M-113 no Brasil o Clássico Ocidental  – Expedito Carlos Stephani Bastos
- CFN recebe últimos blindados M113MB1 modernizados - www.forte.jor.br/2016/08/15/cfn-recebe-ultimos-blindados-m113mb1-modernizados/