KC-137E Boeing 707-320

História e Desenvolvimento.
A Boeing Airplane Company, fundada em 9 de maio de 1917 por William Edward Boeing, representa um marco decisivo na consolidação da indústria aeronáutica dos Estados Unidos. Sob a liderança de seu fundador  um empreendedor visionário já ativo no setor desde o início da década de 1910  a companhia rapidamente se afirmou como um dos pilares da aviação moderna, contribuindo de forma significativa tanto para o desenvolvimento da aviação militar quanto para a expansão do transporte aéreo civil. As origens da empresa remontam a 1916, quando Boeing estabeleceu, em Seattle (Washington), a Pacific Aero Products Co., posteriormente rebatizada como Boeing Airplane Company ainda naquele ano. Em seus primórdios, a produção concentrou-se em hidroaviões, como o modelo B&W, construídos majoritariamente com madeira de abeto proveniente da região noroeste dos Estados Unidos. Com a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em abril de 1917, a jovem empresa identificou uma oportunidade estratégica ao atender à crescente demanda da Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) por aeronaves de treinamento, especialmente hidroaviões destinados à formação de pilotos navais. O término do conflito, em 1918, trouxe consigo um desafio significativo: o mercado civil foi inundado por aeronaves militares excedentes, vendidas a preços reduzidos, o que dificultou a comercialização de novos aviões. Diante desse cenário adverso, a Boeing adotou uma estratégia de diversificação para garantir sua sustentabilidade financeira, passando a produzir não apenas aeronaves, mas também móveis e embarcações de fundo plano conhecidas como Sea Sleds. Durante a década de 1920, a empresa retomou seu protagonismo na aviação ao introduzir modelos como o Boeing B-1, destinado ao transporte de correio, e o Model 40, projetado para rotas aéreas comerciais. Em 1927, fundou a Boeing Air Transport, iniciativa que culminaria, em 1929, na formação da United Aircraft and Transport Corporation  um conglomerado que integrou importantes empresas do setor, como Pratt & Whitney e Chance Vought. Nesse mesmo período, o Boeing 80 destacou-se como uma das primeiras aeronaves dedicadas ao transporte de passageiros. A década de 1930 foi marcada por avanços tecnológicos significativos. Em 1933, a empresa lançou o Boeing 247, amplamente considerado o primeiro avião comercial moderno, ao incorporar inovações como estrutura totalmente metálica e maior eficiência operacional. Em 1938, o Boeing 314 Clipper ampliou as possibilidades da aviação ao viabilizar rotas transoceânicas de longa distância. Contudo, a promulgação da Lei do Correio Aéreo de 1934 resultou na fragmentação do conglomerado, originando entidades independentes como a Boeing Airplane Company, a United Airlines e a United Aircraft Corporation, levando William Boeing a se afastar definitivamente do controle da empresa. Ainda nesse período, a Boeing desenvolveu o Model 307 Stratoliner, pioneiro na introdução de cabine pressurizada, um avanço crucial para o conforto e a segurança dos voos em grandes altitudes. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a Boeing consolidou sua posição como uma das principais fornecedoras de aeronaves militares dos Estados Unidos. Destacou-se particularmente na produção de bombardeiros pesados, como o B-17 Flying Fortress e o B-29 Superfortress, cujas capacidades operacionais desempenharam papel decisivo nas campanhas aéreas dos Aliados.

No pós-guerra, o setor de aviação civil experimentou um período de intensa expansão, impulsionado pela disponibilidade de aeronaves militares excedentes vendidas a preços simbólicos. Esse fenômeno contribuiu decisivamente para a popularização do transporte aéreo de passageiros em escala global. Paralelamente, os avanços tecnológicos continuaram a transformar a aviação: em 1949, o voo do protótipo do de Havilland DH.106 Comet, no aeródromo de Hatfield, na Inglaterra, inaugurou a era dos jatos comerciais, estabelecendo novos padrões de velocidade, eficiência e alcance que redefiniriam o transporte aéreo nas décadas seguintes. Esse novo conceito de propulsão a jato representou uma inflexão decisiva na história da aviação comercial. Ao proporcionar voos mais suaves, rápidos e silenciosos, elevou significativamente o nível de conforto dos passageiros, reduzindo o tempo de viagem e tornando a experiência aérea mais acessível e atraente. Nesse contexto, o pioneirismo do de Havilland DH.106  permitiu à de Havilland alcançar expressivo sucesso inicial em vendas, consolidando sua posição de vanguarda no emergente mercado de aeronaves a jato. Inspirados por esse avanço tecnológico, importantes fabricantes norte-americanos, como a Douglas e a Convair, passaram a conduzir estudos voltados ao desenvolvimento de aeronaves similares ao modelo britânico. Tal movimento não passou despercebido pela diretoria da Boeing que, à época, ainda detinha participação relativamente modesta no segmento de transporte aéreo de passageiros, concentrando sua expertise e prestígio no campo militar. Nesse período, o fabricante destacava-se sobretudo pela produção de bombardeiros estratégicos a jato, como o B-47 Stratojet e o B-52 Stratofortress, aeronaves que simbolizavam o poderio aéreo dos Estados Unidos. Contudo, a ascensão da aviação comercial a jato evidenciou um novo e promissor nicho de mercado, levando a empresa de Seattle a redirecionar parte significativa de seus recursos financeiros e de engenharia para o desenvolvimento de uma aeronave que viria a redefinir os padrões do transporte aéreo mundial. Fiel à sua tradição no segmento militar, a concepção inicial baseou-se na ideia de uma plataforma versátil, capaz de atender tanto a aplicações civis quanto militares. O projeto foi integralmente financiado com recursos próprios da companhia  uma decisão estratégica de elevado risco  e teve como ponto de partida as linhas estruturais do Boeing 367. A partir dessas premissas, iniciou-se a construção dos protótipos designados Boeing 367-80, conhecidos como “Dash 80”. O primeiro voo do protótipo, registrado sob a matrícula N70700, ocorreu em 15 de julho de 1954, em Seattle, sendo impulsionado por quatro motores a jato Pratt & Whitney JT3C, cada um com cerca de 10.000 libras de empuxo. Os resultados iniciais dos ensaios em voo revelaram-se altamente promissores, encorajando a avançar no desenvolvimento do projeto, que rapidamente se desdobrou em duas vertentes distintas: uma voltada ao transporte civil, que daria origem ao Boeing 707, e outra de aplicação militar, concebida para missões de reabastecimento em voo e transporte logístico. Ao final de 1955, a Boeing concluiu a configuração definitiva, obtendo sua certificação junto à Federal Aviation Administration (FAA). Neste momento, foi dado inicio a estratégia comercial e de marketing para introdução do modelo no mercado internacional, sinalizando o advento de uma nova era na aviação comercial. 
Esse movimento culminou, em 13 de outubro de 1955, na assinatura de um contrato histórico com a Pan American World Airways (Pan Am), que encomendou 20 aeronaves do novo modelo, com entregas previstas para o final do ano fiscal de 1958. Tal acordo não apenas consolidou a confiança do mercado no projeto, como também estabeleceu as bases para a hegemonia da Boeing no segmento de transporte aéreo a jato nas décadas subsequentes. O voo inaugural oficial do Boeing 707, realizado em 17 de outubro de 1958, constituiu um marco simbólico e tecnológico na consolidação da era do transporte aéreo a jato. A cerimônia contou com a presença de autoridades de destaque, entre elas o então presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, além de importantes representantes da indústria aeronáutica. Na ocasião, a aeronave percorreu a emblemática rota transatlântica entre Baltimore, nos Estados Unidos, e Paris, na França, evidenciando, de forma inequívoca, o potencial revolucionário do novo modelo. Apenas nove dias depois, em 26 de outubro de 1958, a Pan American World Airways (Pan Am) inaugurou a primeira operação comercial regular com o Boeing 707, consolidando sua posição como pioneira na introdução da aviação a jato no transporte de passageiros. O êxito imediato dessa operação repercutiu amplamente no setor, estimulando uma rápida expansão da carteira de pedidos por parte de outras companhias aéreas norte-americanas, como a American Airlines, a Trans World Airlines (TWA), a Delta Air Lines e a United Airlines. O sucesso comercial do modelo rapidamente ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. Em 1960, a Qantas Airways tornou-se a primeira operadora estrangeira a incorporar o Boeing 707 à sua frota, marcando o início de sua difusão global. Ao longo de sua trajetória, o modelo foi operado por mais de 120 companhias aéreas, distribuídas em 79 países, o que atesta sua notável aceitação internacional e versatilidade operacional. Entre 1957 e 1979, foram produzidas 865 aeronaves, abrangendo diferentes variantes  B707-100, 200, 300 e 400,  concebidas para atender a distintas demandas operacionais. Dentre elas, a Série 300 destacou-se como a mais numerosa, com 580 unidades fabricadas, incorporando melhorias significativas em alcance, capacidade e desempenho. O impacto do Boeing 707 na aviação comercial foi profundo e duradouro. Antes de sua introdução, as viagens transcontinentais em aeronaves equipadas com motores a pistão podiam ultrapassar 18 horas de duração, sendo marcadas por elevados níveis de ruído, vibração e desconforto. Com a adoção da propulsão a jato, o 707 passou a operar em altitudes mais elevadas e com velocidades de cruzeiro próximas de 920 km/h, reduzindo o tempo de viagem em aproximadamente 50% e elevando substancialmente o padrão de conforto a bordo. Em sua configuração inicial, a aeronave era capaz de transportar cerca de 110 passageiros em duas classes, com alcance operacional variando entre 5.000 e 9.000 quilômetros, conforme a versão. Essas características, aliadas ao desempenho superior, impulsionaram não apenas a expansão das rotas aéreas internacionais, mas também o desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária necessária para operar aeronaves de grande porte, redefinindo, assim, os parâmetros da aviação comercial contemporânea.

Em 1954, o Comando Aéreo Estratégico (Strategic Air Command – SAC), lançou uma concorrência com o objetivo de desenvolver uma aeronave a jato de grande autonomia destinada a missões de reabastecimento em voouma capacidade considerada essencial no contexto estratégico da Guerra Fria, marcado pela necessidade de projeção global de poder aéreo. Entre as propostas apresentadas, destacou-se a da Lockheed Aircraft Company, baseada em um conceito derivado do projeto L-193. Embora tecnicamente promissora, a proposta encontrava-se ainda em estágio preliminar, o que implicava riscos quanto ao cumprimento dos prazos de entrega. Em contraste, a Boeing Airplane Company já avançava no desenvolvimento de sua plataforma derivada do Boeing 367-80 apresentando,  uma fuselagem mais estreita e dimensões reduzidas em relação à variante civil, sendo especificamente adaptado para atender às exigências operacionais de missões militares, especialmente no reabastecimento em voo e no transporte estratégico. Este projeto designado como B717 oferecia  uma solução com maior grau de maturidade e possibilidade de entrada em serviço significativamente mais rápida  estimada em cerca de dois anos de vantagem em relação à concorrente.Diante desse cenário, o então secretário da Força Aérea, Harold E. Talbott, formalizou, ainda em 1954, um contrato inicial para a aquisição de 29 celulas que receberiam a designação de  KC-135 Stratotanker. A decisão tinha como objetivo imediato suprir uma lacuna operacional crítica enquanto se aguardava o amadurecimento de projetos alternativos. Contudo, os resultados obtidos durante os ensaios iniciais com o KC-135A revelaram um desempenho superior ao esperado, evidenciando elevada confiabilidade, eficiência e robustez estrutural. Em consequência, o contrato com a Lockheed foi cancelado em meados de 1956, consolidando a escolha da plataforma da Boeing como solução definitiva. A entrada em serviço representou um avanço significativo nas capacidades operacionais da aviação militar norte-americana. Diferentemente de sua contraparte civil, o Boeing 707, a versão militar incorporava motores mais potentes e um conjunto de aviônicos especializados, projetados para atender às exigências de missões complexas de reabastecimento em voo. Entre as modificações, destacavam-se sistemas avançados de navegação, comunicação e gerenciamento de missão, adaptados para operação em ambientes de alta exigência tática. A notável versatilidade da plataforma permitiu o desenvolvimento de diversas variantes especializadas, ampliando significativamente seu espectro de atuação. Entre as principais aplicações, destacam-se missões de guerra eletrônica, transporte de autoridades (VIP), reconhecimento aéreo, alerta aéreo antecipado (AEW), comando e controle, monitoramento meteorológico e interferência eletrônica. Essa capacidade de adaptação foi determinante para a longevidade operacional da aeronave. Entre 1957 e o encerramento de sua produção, foram fabricadas aproximadamente 850 células do KC-135 e suas variantes. Ainda hoje, cerca de 400 aeronaves permanecem em serviço ativo, operadas por forças aéreas de diversos países, incluindo Estados Unidos, França, Turquia, Singapura e Chile. 
Paralelamente, a partir da década de 1970, o Boeing 707 começou a ser gradualmente superado por aeronaves mais modernas, dotadas de maior eficiência operacional, menor consumo de combustível e avanços tecnológicos significativos. Como resultado, diversas companhias aéreas iniciaram a retirada progressiva do modelo de suas frotas. Esse processo resultou em uma ampla disponibilidade de células no mercado internacional muitas ainda com baixa utilização,  além de um expressivo estoque de peças de reposição, fator que contribuiria, posteriormente, para a adaptação dessas aeronaves a novos papéis, especialmente no segmento militar. Essa disponibilidade impulsionou a conversão e reutilização dessas aeronaves para fins militares e de transporte de carga. Com base principalmente na variante Boeing 707 Série 300, foram desenvolvidas diversas versões militarizadas destinadas a missões específicas, com ênfase em reabastecimento aéreo. Entre as principais variantes estão: CC-137: Utilizada para transporte militar; KC-137E: Versão de reabastecimento aéreo; EB-707: Configurada para missões especializadas; KC-707: Outra variante de reabastecimento aéreo KE-3A: Empregada em operações de reabastecimento e vigilância. Além disso, um número significativo foi convertido para transporte de carga, sendo operado pelas forças aéreas da Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Colômbia, Irã, Israel, Itália e Venezuela. Essas aeronaves se destacaram pela versatilidade e capacidade de operar em diversas condições. Durante o conflito das Malvinas (Falklands), a Força Aérea Argentina (FAA) utilizou aeronaves em missões de reconhecimento marítimo. Essas aeronaves foram empregadas para localizar navios britânicos, permitindo a coordenação de ataques realizados por caças-bombardeiros argentinos. Esse uso demonstrou a flexibilidade  em operações militares estratégicas. Em 1985, a promulgação de regulamentos internacionais sobre emissões de ruído ameaçou a continuidade das operações do Boeing 707, devido ao elevado nível de ruído gerado por seus motores. Em resposta, a empresa Shannon Engineering, sediada em Seattle, desenvolveu um kit de silenciadores para os motores, implementado em 172 aeronaves. Essa solução permitiu que o modelo continuasse em operação em regiões com normas menos restritivas, especialmente em funções de transporte de carga. As variantes militares do KC-135 passaram por sucessivas modernizações para prolongar sua vida útil e atender às demandas operacionais contemporâneas. Uma das principais atualizações foi a remotorização com motores JT8D-219, que proporcionaram maior eficiência e desempenho. Essas melhorias permitiram que aeronaves como o E-3 Sentry (utilizado para alerta aéreo antecipado) e o E-8 Joint STARS (empregado em vigilância e comando) permanecessem em serviço ativo na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e em forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Estima-se que essas modernizações garantam a operação dessas aeronaves por pelo menos mais uma década a partir de 2025. Apesar das restrições regulatórias em algumas regiões, centenas de Boeing 707 convertidos para cargueiros continuam em operação em áreas onde as normas de emissões sonoras são menos rigorosas. 

Emprego na Força Aérea Brasileira. 
As operações de reabastecimento em voo (REVO) no pais tiveram início em 1976, com a incorporação de duas aeronaves Lockheed KC-130H Hercules, especialmente adaptadas para esse tipo de missão. Esses vetores passaram a operar em conjunto com os caças bombardeiros Northrop F-5E Tiger II, que também estavam sendo introduzidos na frota brasileira naquele período. O principal objetivo dessa aquisição consistia na implementação de uma doutrina operacional integrada  o binômio KC-130H/F-5E  capaz de ampliar significativamente a autonomia e o raio de ação da Força Aérea Brasileira (FAB), aspecto essencial para um país de dimensões continentais como o Brasil. Em maio de 1976, foi realizada a primeira operação de reabastecimento em voo da história da aviação militar brasileira, representando um marco de grande relevância. A missão ocorreu sobre o litoral do Rio de Janeiro e envolveu dois caças F-5E Tiger II do 1º Grupo de Aviação de Caça, que foram reabastecidos por um KC-130H Hercules  ao longo do litoral fluminense. Esse evento não apenas validou a capacidade técnica recém-adquirida, como também estabeleceu as bases para o desenvolvimento doutrinário das operações de REVO no país. A partir da segunda metade da década de 1980, o Ministério da Aeronáutica (MAer) passou a planejar a expansão da frota de aeronaves de ataque, prevendo a incorporação dos caças-bombardeiros Embraer A-1 AMX. Esse movimento implicaria um aumento substancial da demanda por reabastecimento em voo, uma vez que a frota de aeronaves de combate ultrapassaria, em breve, a marca de 100 unidades. Nesse contexto, foram conduzidos estudos com o objetivo de ampliar a frota de KC-130H Hercules; contudo, os elevados custos de aquisição de novas aeronaves desse modelo, mostraram-se incompatíveis com as limitações orçamentárias enfrentadas à época.  Paralelamente à necessidade de expansão das capacidades de reabastecimento em voo, o Comando da Aeronáutica (COMAER) identificou uma demanda adicional por aeronaves capazes de cumprir missões de transporte executivo (VIP) e transporte estratégico de longo alcance. Esse conjunto de requisitos apontava para a adoção de uma plataforma multifuncional, apta a desempenhar, de forma integrada, três funções essenciais: reabastecimento em voo, transporte de autoridades e transporte logístico estratégico. Um dos fatores críticos nesse processo de avaliação era a capacidade do novo vetor de operar em grandes altitudes e velocidades elevadas, compatíveis com o desempenho dos caças supersônicos em serviço naquele momento. Dessa forma, os estudos conduzidos passaram a privilegiar aeronaves equipadas com motores a jato, capazes de atender às exigências de alta performance operacional. Entre as alternativas analisadas, destacaram-se o Boeing KC-135 Stratotanker e o Lockheed L-1011 TriStar. Entretanto, apesar de suas qualidades técnicas e operacionais, os custos de aquisição dessas plataformas mostraram-se significativamente superiores aos valores estimados para a ampliação da frota de KC-130H, inviabilizando sua incorporação no contexto das restrições orçamentárias vigentes naquele período. 

Esse cenário levaria, nos anos subsequentes, à busca por soluções alternativas no mercado internacional, especialmente por meio da aquisição de aeronaves de segunda mão, capazes de conciliar desempenho, versatilidade e viabilidade econômica. Como desdobramento desse cenário, a Força Aérea Brasileira (FAB) optou por descartar as alternativas anteriormente analisadas, mantendo o foco em soluções que apresentassem maior viabilidade econômica. Nesse contexto, foram intensificados os esforços voltados à modernização das capacidades de reabastecimento em voo (REVO), transporte estratégico e transporte executivo de autoridades (VIP), áreas consideradas prioritárias para a projeção do poder aéreo nacional. Após consultas a diversos fabricantes e fornecedores internacionais, passou-se a avaliar propostas baseadas na conversão de aeronaves civis usadas, uma alternativa que conciliava desempenho operacional e redução de custos. Nesse processo, a plataforma Boeing 707 destacou-se como a escolha preferencial, em virtude de sua comprovada confiabilidade, versatilidade e amplo histórico de emprego em diferentes funções ao redor do mundo. Dentre as variantes analisadas, sobressaíram os modelos C-137 e KC-137, já em operação em diversas forças aéreas, incluindo países como África do Sul, Austrália, Espanha, Itália, Marrocos e Peru  fator que reforçava a maturidade operacional e a disponibilidade de suporte logístico para esse tipo de plataforma. Com base no critério de custo-benefício, a proposta apresentada pela Boeing Military Airplane Company foi considerada a mais vantajosa. No segundo semestre de 1985, foi formalizado um acordo para a aquisição de quatro aeronaves da versão 300C do Boeing 707, oriundas da frota da empresa Varig S/A , à época uma das maiores operadoras desse modelo no hemisfério sul. Essas aeronaves seriam submetidas a um processo de conversão para a variante KC-137E, apta a desempenhar missões de reabastecimento em voo, transporte estratégico e transporte VIP. O contrato, firmado em novembro de 1985 e avaliado em aproximadamente US$ 36 milhões de dólares, contemplava um amplo pacote de modernização e suporte logístico, incluindo: a conversão das aeronaves civis para a configuração KC-137E, com a instalação de sistemas de reabastecimento em voo; a realização de retrofit estrutural das células; o fornecimento de oito motores sobressalentes; a disponibilização de kits de configuração para transporte presidencial; e o treinamento de pilotos e mecânicos nos Estados Unidos. A participação da Varig revelou-se fundamental nesse processo, uma vez que sua experiência operacional com o Boeing 707, selecionar, de forma criteriosa, as células em melhores condições estruturais e operacionais. Entre as aeronaves escolhidas, destacaram-se o 707-320C (PP-VJH)  adquirido diretamente da Boeing em 1969;707-379C (PP-VJK) originalmente operado pela Seaboard World Airlines em fevereiro de 1968 e incorporado à Varig em agosto do mesmo ano  posteriormente substituído, após um acidente antes da entrega, pelo 707-324C (PP-VLK), originalmente encomendado pela Continental Airlines e transferido à Varig em 1972; 707-345C (PP-VJJ): também proveniente da Seaboard World Airlines (1968), incorporado à Varig no mesmo ano;  707-345C (PP-VJX): com histórico operacional semelhante, igualmente oriundo da Seaboard World Airlines e integrado à frota da Varig em 1968.
Após sua retirada de operação na Varig, cada exemplar do Boeing 707 foi encaminhado ao Centro de Manutenção de Porto Alegre (CEMAM/POA), onde passou por um criterioso processo de revisão estrutural e recebeu a pintura nos padrões da Força Aérea Brasileira (FAB). Três aeronaves adotaram o esquema operacional em cinza claro, enquanto a célula de matrícula FAB 2401 foi configurada para missões de transporte executivo, recebendo um padrão visual semelhante ao das aeronaves do Grupo de Transporte Especial. As entregas ocorreram de forma escalonada: o FAB 2403 foi incorporado em 13 de março de 1986, seguido pelo 2401 em 4 de julho do mesmo ano; o 2402 foi recebido em 2 de novembro de 1986, e o 2404 em 16 de março de 1987. Após a incorporação, todas as aeronaves foram transferidas para o Boeing Modification Center, em Wichita, Kansas, onde passaram pelo processo de conversão para o padrão KC-137E. Cada conversão demandava, em média, cinco meses e envolvia um amplo conjunto de modificações. Entre as principais, destacavam-se a instalação do sistema de reabastecimento em voo do tipo probe and drogue (mangueira e cesto), similar ao empregado no Beech 1080, com pods instalados sob as extremidades das asas; a incorporação de uma APU (Auxiliary Power Unit); a criação de acesso para a tripulação pela bequilha; além de atualizações nos sistemas de comunicação e missão. O sistema permitia a transferência de até 2.000 libras de combustível por segundo, por meio de uma mangueira de aproximadamente 10,66 metros. Os KC-137E mantiveram a porta de carga dianteira direita, o que lhes conferia elevada flexibilidade operacional, permitindo configurações full cargo, full passenger, combi (mista) ou, ainda, a instalação de kit presidencial. Embora o FAB 2401 tenha sido o único permanentemente dedicado ao transporte de autoridades, todas as aeronaves possuíam capacidade para receber o módulo VIP. Esse kit, instalado na seção dianteira da cabine, incluía uma antepara com porta, sofás (um deles conversível em leito), poltronas e mesa de trabalho, assegurando condições adequadas para missões de transporte executivo de alto nível. O primeiro KC-137 entrou em operação ainda em 1986. O FAB 2403, conhecido pelo indicativo “Corsário 03”, foi transladado em 1º de dezembro daquele ano, cumprindo a rota Wichita–Washington (em voo de aproveitamento logístico)–Porto Rico (Roosevelt Roads)–Brasília (com pernoite)–Rio de Janeiro (Galeão). Durante o trecho final, realizado em 2 de dezembro entre Brasília e o Galeão, ocorreu o primeiro reabastecimento em voo realizado por um KC-137E, quando a aeronave reabasteceu caças  F-5E Tiger II do 1º Grupo de Aviação de Caça. A consolidação operacional do sistema de REVO ocorreu entre 18 e 20 de maio de 1987, na Base Aérea de Canoas, em exercícios realizados com aeronaves F-5E do 1º/14º Grupo de Aviação. A partir desse momento, as missões de reabastecimento em voo passaram a integrar a rotina operacional das unidades de caça baseadas em Canoas e Santa Cruz. Ao final de 1989, com a concentração dos F-5 do primeiro lote na Base Aérea de Santa Cruz, o 1º Grupo de Caça tornou-se a única unidade a operar regularmente com capacidade de reabastecimento em voo, uma vez que os F-5 do segundo lote, baseados em Canoas, não possuíam sondas de REVO. 

Essa limitação perdurou até abril de 2006, quando os modernizados F-5EM Tiger II, pertencentes ao 1º/14º Grupo de Aviação, realizaram, em Canoas, sua primeira missão de reabastecimento em voo com aeronaves KC-137E, restabelecendo plenamente essa capacidade naquela unidade. Entretanto, experiências anteriores já haviam sido conduzidas com outras plataformas. Em 20 de abril de 1992, um exemplar do Dassault Mirage III, designado F-103E na Força Aérea Brasileira (FAB 4929), pertencente ao 1º Grupo de Defesa Aérea, foi empregado como protótipo em ensaios de reabastecimento em voo. Equipado com uma sonda experimental, o caça realizou seu único rendez-vous com um KC-137, conduzido pelo FAB 2401, efetuando contatos secos e molhados ao longo de 1h25min de voo sobre a região da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O primeiro reabastecimento em voo envolvendo o caça-bombardeiro Embraer A-1 AMX ocorreu em 17 de julho de 1992, no trecho entre Belo Horizonte e a Base Aérea de Santa Cruz. A missão envolveu o KC-137 FAB 2401 e o A-1 FAB 5500, do 1º/16º Grupo de Aviação. A partir de então, as operações entre KC-137 e A-1 passaram a ocorrer com regularidade, até serem suspensas no final de 1993. A interrupção dessas operações deveu-se a limitações técnicas do sistema de reabastecimento. A cesta metálica (drogue), associada a uma mangueira mais curta em comparação à utilizada no Lockheed KC-130 Hercules, apresentava comportamento instável em determinadas condições, podendo “chicotear” a aeronave receptora e causar danos  sobretudo ao radome que abriga a antena do radar dos caças. Em razão desse comportamento agressivo, a cesta recebeu, de forma informal, o apelido de “Freddy Krueger” pelos pilotos do 1º/16º GAv, em alusão ao personagem cinematográfico conhecido por suas lâminas afiadas. A solução definitiva para essa limitação foi implementada apenas no ano 2000, com a substituição da cesta original por um modelo do tipo soft drogue, fornecido pela empresa Aero Union. A nova configuração foi validada em voo de ensaio realizado em 11 de agosto de 2000, com a aeronave FAB 2404. A partir de janeiro de 2001, os A-1 dos esquadrões 1º/16º e 10º Grupo de Aviação passaram a executar missões de reabastecimento em voo de forma plena e segura com os KC-137. No campo operacional, os KC-137 desempenharam papel de destaque em diversas missões de grande relevância . Entre elas, sobressaem o apoio às operações brasileiras em missões das Nações Unidas no Timor Leste (1999–2003), no Haiti (2004–2013) e no Líbano (2011–2012), além da participação em numerosas missões humanitárias internacionais. No âmbito dos exercícios e operações aéreas, destacam-se missões de reabastecimento que possibilitaram o deslocamento estratégico de aeronaves de combate brasileiras para o exterior, como a participação na Operação Tiger I, em San Juan (1994); o envio de seis A-1 do 1º/16º GAv para a Red Flag, na Base Aérea de Nellis, em Nevada (1998); o traslado de seis F-5E do 1º GAvCA para a Operação Salitre, em Antofagasta (2003); e o apoio ao deslocamento de seis F-5M do 1º/14º GAv para ao exercício multinacional  Red Flag 08/3 (2008) nos Estados Unidos. Nesta última ocasião, o KC-137 FAB 2404 não apenas apoiou o deslocamento, como também participou ativamente do exercício, realizando missões conjuntas  com caças Saab JAS 39 Gripen da Força Aérea da Suécia.
Além disso, os KC-137 estiveram presentes em importantes exercícios multinacionais realizados no Brasil, como as operações Operação CruzeX (edições I a V), Mistral e Tiger, nas quais desempenharam missões de reabastecimento envolvendo aeronaves de diversas nações, incluindo França (Mirage 2000 e Rafale), Chile (F-5E), Equador e Uruguai (A-37), e Argentina (A-4AR), evidenciando sua relevância como vetor de integração e interoperabilidade no cenário aéreo internacional. Os primeiros voos presidenciais foram feitos com o FAB 2401 ainda sem que estivesse convertido para a versão KC, e, por isso, operou ainda com a designação C-137 entre julho e outubro de 1986, quando foi enviado a Wichita para sofrer sua conversão e de onde retornou já como KC-137. A primeira viagem presidencial ocorreu em 7 de julho de 1986 entre Brasília e Roma levando como passageiro o então Presidente José Sarney. O KC-137 serviu à Presidência até fins de 1999, quando o 2403 sofreu uma pane de motor no dia 14 de dezembro e teve que pousar em emergência em Amsterdã, quando fazia uma viagem Brasília/Amsterdã/Pequim, com o então vice-presidente Marco Maciel a bordo. A repercussão foi grande na imprensa, que apelidou a aeronave pejorativamente de “Sucatão”, fato que ajudou a causar a relutância da Presidência em voar nos KC-137. Entre 2000 e 2002, foram empregadas aeronaves da Varig e da TAM arrendadas para fazer os voos presidenciais. Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2004, os KC-137 voltaram a fazer os voos presidenciais, mas logo deram lugar ao Airbus ACJ, recebido em janeiro de 2005. O fim da produção do 707 trouxe problemas de logísticas e manutenção. Desde 1992, a FAB jamais teve os quatro KC-137 voando juntos. Para tentar minimizar os problemas, a Força Aérea adquiriu três células para servirem de fontes de peças. Foram elas o B707-387B CX-BNU, da Fly Linhas Aéreas (1996); o B707-351C N677, da Omega Air (2002); e o B707-321B FAP 01, da Força Aérea Paraguaia (2010). Entre 2000 e 2004, a frota passou por uma revisão estrutural feita no Rio por técnicos do Parque de Material Aeronáutico do Galeão (PAMA-GL) e da Boeing. Em 2011, ao completar 25 anos de serviço, oficializou-se  que a aeronave seria substituída no curto prazo. Sua desativação foi acelerada após o incidente ocorrido no dia 26 de outubro de 2013, quando o FAB 2404 abortou uma decolagem na pista do aeroporto de Porto Príncipe, no Haiti, durante o retorno de militares brasileiros a serviço das Nações Unidas (MINUSTAH). As 143 pessoas a bordo não se feriram, mas a aeronave foi perdida. Aquela ocasião resultou na paralisação da frota, que, naquele momento, tinha apenas o FAB 2402 operando. Os outros estavam fora de serviço por falta de substituição de peças. Em 26 de outubro, uma cerimônia oficial na Base Aérea do Galeão marcou a desativação dos KC-137 no 2º/2º GT. Em 17 de janeiro de 2014, o FAB 2401 e o 2403 foram leiloados no PAMA-GL para o mercado de reciclagem de metais. O FAB 2404 foi desmontado no Haiti e sucateado e o FAB 2402 foi destinado à preservação. Oficialmente, o KC-137 operou pouco mais de 27 anos com a Força Aérea Brasileira, realizando 44.183 horas de voo, das quais 5.239 foram em missões presidenciais e 2.112 horas de REVO. Ao todo foram transportadas 29.384 toneladas de carga e 712.364 passageiros.

Em Escala.
Para representarmos o Boeing KC-137E " FAB 2402", empregamos o kit da Heller na escala 1/72, para compor a versão brasileira procedemos a inclusão dos dois pods de reabastecimento em voo confeccionados em scratch e a marcação da porta de carga frontal. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM presentes no set 72/02, salientando que deve se alterar a matrícula da aeronave, pois o decal original representa o KC-137E "FAB 2401".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura estratégico empregado nos Boeing  KC-137E 2402, 2403 e 2404, no ano de 2000, o KC-137E FAB 2401 também recebeu este padrão, porém foi novamente repintado no padrão transporte VIP (Very Important Person) a partir de 2004, mantendo o mesmo até a sua desativação.

Bibliografia :
- Boeing 707 -  Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Boeing_707
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- A Melhor Opção KC-137E - Revista Força Aérea Nº 17

Contratorpedeiros Classe Fletcher

História e Desenvolvimento.
No final da década de 1930, o intensificar das tensões na Europa motivados pelas ameaças expansionistas do governo alemão juntamente com as pretensões territoriais do Império do Japão na Ásia, já denunciavam claramente o que estava por vir, com o possivelmente o mundo se encaminhado cada vez mais para um estágio de grande conflagração. Este cenário levaria o governo norte-americano a antecipar estudos criando vários programas de modernização de suas forças armadas, visando assim poder fazer frente as hipotéticas ameaças futuras. No que tange ao poder naval, este representaria uma das maiores preocupações, com este fato sendo potencializado pelo crescimento da armada imperial japonesa e construção de uma grande força de submarinos por parte das marinhas italianas e alemães. Apesar das limitações impostas pelo Tratado de Versalhes, relatórios de inteligência britânicos apresentavam a cada dia ,informes mais alarmantes sobres as capacidades da força de submarinos da Marinha Alemã (Kriegsmarine). A possível atuação coordenada deste grande número submersíveis poderia estrangular as linhas de abastecimento naval da Grã-Bretanha, que neste momento tinha uma grande dependência de importações estratégicas oriundas principalmente dos Estados Unidos. Neste período concentrava-se muita ênfase no emprego de navios da classificação “Destroier” , tipo este tinha por missão empregar sua alta velocidade e manobrabilidade para proporcionar escolta a embarcações de maior porte da frota, comboio ou grupo de batalha, e defendê-las contra poderosos atacantes de curto alcance. Na Marinha dos Estados Unidos (US Navy), neste momento este papel era representando pelos destroieres das classes Porter e Somers, ocorre porem que desde a incorporação desses navios o comando da força naval norte-americana, já externava grande insatisfação quanto ao seu desempenho. A fim de sanar esta problema seria definido o lançamento de um programa para o desenvolvimento de uma nova classe de navios. Os parâmetros iniciais exigiam que a nova belonave possuísse alta velocidade e raio de alcance estendido, sendo capaz de realizar além da missão normal de escolta antissubmarino, proteção antiaérea e até combate na superfície. Estas exigências levariam a criação de um navio de porte e deslocamento muito maior que seus predecessores, que deveriam passar a contar com sistemas de defesa antiaérea mais numerosos e eficazes, dado a ameaça representada pela aviaçao de ataque embarcada.

Neste contexto esta seria  primeira classe de navios destroieres a ser  desenvolvida após a retirada dos limites impostos pelos tratados navais firmados entre as principais potencias logo após o fim da Primeira Guerra Mundial. Seu projeto seria  finalizado em meados de 1939, sendo apresentado ao Escritório do Chefe de Operações Navais (Office of the Chief of Naval Operations), que em seguida conduziria uma detalhada análise. Neste processo seriam apontadas necessidades de correção e melhorias, onde se destacaria o  atendimento do requisito de velocidade que deveria variar  de 35 a 38 kn ( 65 a 70 km / h). Esta demanda  acabaria levando a  alteração do desing, ampliando o raio do casco em 46 cm. A fim de se evitar eventuais desequilíbrios de flutuação  como observado nas classes anteriores, seriam adicionados lastros de chumbo. Ao final deste processo esta nova classe passaria a apresentar em termos de dimensões:  114.8 metros de comprimento, 12 metros de boca e 5.5 metros de calado, representando assim um deslocamento padrão de  2.050 toneladas e 3.050 toneladas quando totalmente carregado. O navio seria propulsado por quatro  caldeiras Babcock & Wilcox de 39.8 kg/cm2 a 454º C; duas  turbinas a vapor General Eletric com geração de 60.000 shp, que operariam acoplados a dois eixos e dois hélices, contava ainda com dois turbo-geradores General Eletric. de 350 Kw e um gerador diesel de emergência General Eletric. de 100 Kw de potencia. O projeto final aprovado para construção, e como citado anteriormente apresentava uma classe com deslocamento superior aos destroieres em serviço até aquele momento, permitindo assim  posteriormente a incorporação de novos sistemas de armas ofensivos e defensivos sem a necessidade de grandes adaptações. Desde sua concepção original esta classe privilegiava um rápido e simplificado processo de construção, que o classificaria como um modelo padrão de desing para destroieres, norteando o desenvolvimento de projetos futuros como as classes  Allen M. Sumner e Gearing. Equipados com grandes tanques de combustível, os destróieres da classe Fletcher tinham uma excelente autonomia, podendo operar por longos períodos no mar sem reabastecimento. Sua autonomia era de cerca de 5.500 milhas náuticas a 15 nós. Além das turbinas principais, os navios possuíam sistemas auxiliares a vapor para fornecer energia para uma variedade de outras funções, incluindo geração de eletricidade, aquecimento e outros sistemas essenciais.
Desenvolvidos para portar um representativo sistema de armas, estes navios seriam dotados como armamento principal de cinco canhões de 5 polegadas (127 mm) em cinco torres  do tipo MK-30 singelas, seis  canhões Bofors L/60 de 40 mm em três reparos duplos MK1, um lançador quíntuplo MK quinze de torpedos de 21 polegadas; dois  lançadores de bombas granadas A/S (LBG) MK 10; uma calha de cargas de profundidade MK 3 e dois lançadores triplos MK 32 de torpedos antissubmarino de 324 mm. Além disso, estes navios seriam equipados com sonares de última geração e outros equipamentos de detecção, tornando-os aptos para combate anti-submarino. Por fim esta nova classe de  destroiers receberia o nome  batismo de “Fletcher Class” em homenagem ao Almirante Frank F. Fletcher. Seus contratos de construção classificados como de "prioridade total" envolviam cento e oitenta e oito navios, a um custo unitário de US$ 6 milhões, sendo destinados aos estaleiros  Federal Shipbuilding and Drydock Company, Kearny, New Jersey, Bath Iron Works, Bath, Maine, Boston Navy Yard, Charleston Navy Yard,Consolidated Steel Corporation, Orange, Texas, Gulf Shipbuilding Corporation, Chickasaw, Alabama, Bethlehem Steel Corporation, Staten Island, New York, Bethlehem Shipbuilding Corporation, San Francisco, California, Bethlehem Steel Company, San Pedro, California, Terminal Island, Seattle-Tacoma Shipbuilding Corporation, Seattle, Washington, Puget Sound Naval Shipyard . O primeiro navio começaria a ser construído no dia 03 de março de 1941, sendo lançado ao mar meses depois, com sua comissão junto a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), como DD-445 USS Fletcher ocorrendo no dia  30 de junho de 1942. Estes navios se  manteriam em construção contínua durante toda a Segunda Guerra Mundial, podendo ser considerada a classe de destroier mais produzida por qualquer país na história naval moderna. Em fins do ano de 1944,  a evidência da proximidade do termino do conflito, levaria ao cancelamento da construção de treze navios previstos no contrato inicial, com o último representante desta classe o  DD-804 USS Rooks sendo completado em 6 de junho de 1944, tendo sua comissão sendo efetivada em 02 de setembro do mesmo ano, chegando assim, a tempo de participar das ultimas ações no teatro de Operações do Pacifico.

Os primeiros vinte e cinco  navios  encomendados possuíam a ponte de comando arredondada, com esta representando uma  característica de desing muito presentes nas classes anteriores de  destroiers. Posteriormente, a ênfase na defesa antiaérea levaria a adoção de uma ponte redesenhada ou "quadrada" para melhorar as linhas de visão geral, com o USS Brownson (DD 518) sendo o primeiro navio a fazer uso desta alteração. Portanto podemos dividir esta classe em dois tipos de desing, sendo que cinquenta e oito navios eram de “alto” ou “ponte redonda” chamados popularmente de “round bridge”; e cento e dezessete eram de ponte baixa ou ponte quadrada (square bridge). Interessante citar que esta classe seria a primeira a empregar um sofisticado sistema de comunicações, radar e sensores eletroeletronicos, sendo composto por uma  suíte envolvendo um radar de vigilância aérea tipo SPS-6C; um  radar de vigilância de superfície SPS-10; um radar de direção de tiro Mk-25 mod.3 acoplado ao sistema de direção de tiro Mk-37 e um sistema de sonar de casco SQS-29. Em termos de tripulação cada navio era operado por  trezentos e dez homens, sendo dezessete oficiais, dez suboficiais, cinquenta e seis sargentos cinquenta e sete cabos e cento e setenta marinheiros. Os Fletchers entraram em serviço no auge da Segunda Guerra Mundial, com os primeiros embates sendo registrados já em agosto de 1942 quando seriam destinados ao teatro de operações do Pacífico  a fim de serem empregados em missões de escolta a grupos de porta aviões e comboios. Ao longo da Segunda Guerra Mundial em função do crescente numero de ataques, kamikaze seu numero de armas antiaéreas seria incrementado, normalmente resultando em cinco reparos Bofors duplos de 40 mm e sete Oerlikons únicos de 20 mm, com esta configuração sendo adotada por cinquenta e um navios até meados do ano 1945. No Pacífico, desempenharam um papel crucial em batalhas icônicas como a de Leyte Gulf e Okinawa. Estavam frequentemente na vanguarda dos combates, escoltando porta-aviões, bombardeando posições inimigas na costa e protegendo outros navios de ataques de submarinos e aeronaves. Seu design robusto e capacidade de combate os tornaram notavelmente resilientes. Em várias ocasiões, navios da classe Fletcher sofreram danos graves mas, devido à sua construção superior e à determinação de suas tripulações, conseguiram retornar ao combate ou a portos seguros.
Dezenove Fletchers foram perdidos durante a Segunda Guerra Mundial; mais seis foram danificados, avaliados como perdas totais construtivas e não reparados. após o término do conflito os navios remanescentes foram desativados e colocados em reserva. O repentino  eclodir da Guerra da Coreia em 1950, levaria o retorno a ativa de dezenas de destroiers da Classe Fletcher, destes trinta e nove seriam mordernizados, com este processo resultando na redução de seu armamento  principal, possibilitando assim a instalação de novos equipamentos eletronicos e e sistemas de radar.  A partir do final da década de 1950, trinta e dois navios desta classe seriam transferidos a nações alinhadas a geopolítica norte-americana, sendo cedidos nos termos  de programas de assistência militar, passando a servir nas marinhas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Alemanha, Grécia, Itália, Japão, Coréia do Sul , México, Peru, Espanha, Taiwan e Turquia. Ainda em serviço na Marinha dos Estados Unidos (US Navy) alguns navios desta classe  ainda chegariam a servir nos estágios iniciais da Guerra do Vietnã. demonstrando sua durabilidade e adaptabilidade,  a medida que novos navios eram desenvolvidos e a tecnologia naval avançava.  Em fins do ano de 1971 todos os navios remanescentes que ainda se encontravam na reserva nos Estados Unidos seriam descomissionados e  transformados em sucata, com tres destes o USS Cassin Young DD-793, USS The Sullivans DD-537 e USS Kidd DD-661 sendo preservados. Ja nas demais marinhas os navios desta classe se manteriam em serviço até o final da década de 1990, com o ultimo navio pertencente a marinha mexicana o Cuitláhuac ( Ex John Rodgers DD-574) sendo retirado do serviço ativo somente em 2001.

Emprego na Marinha do Brasil.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas Brasileiras foram submetidas a um amplo processo de modernização, sendo o país beneficiado por ser signatário do Acordo de Leand & Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Neste período em termos de equipamentos, nossas forças armadas se equiparavam com seus pares norte-americanos e britânicos, no caso específico da Marinha do Brasil alguns navios modernos foram incorporados, com seu foco principal estando dedicado a missões antissubmarino (ASW). Com este tipo de emprego sendo priorizado devido a ameaça de submarinos alemães e italianos. Porém em meados da década de 1950,  estes mesmo meios navais, com destaque para contratorpedeiros de escolta da Classe Bertioga (Cannon Class), já se encontravam completamente defasados em termos de desempenho, tecnologia de sensores e sistemas de armas, não fazendo mais frente as ameaças existentes no contexto de guerra antissubmarino (ASW) naquele período. Desta maneira  afim de atender a esta demanda, o Ministério da Marinha iniciaria um programa de estudos visando a modernização de sua Força de Contratorpedeiros. Naturalmente a escolha recairia sobre navios usados, processo este que seria facilitado a partir de 1952, quando da assinatura do Programa de Assistência Militar (Military Assistence Program – MAP) entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Assim negociações seriam conduzidas junto ao Departamento de Estado (DOS), resultando em 1959, na gradativa cessão em regime de empréstimo por cinco anos, envolvendo sete destroieres da Classe Fletcher, que se encontravam na reserva da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Para este programa seriam então selecionados os seguintes navios em carga :  USS Guest - DD 472, USS Cushing - DD 797, USS Bennett - DD 473, USS Lewis Hancock - DD 675, USS Hailey - DD 556, USS Shields - DD 596 e  USS Irwin - DD 794. Com este processo formalizado seria dado inicio ao processo de transferência, com o primeiro navio da classe o Contratorpedeiro Pará - D 27, ex-USS Guest - DD 472, um Fletcher da versão “round bridge”, sendo entregue as autoridades brasileiras em Bremerton, Washington, no dia 5 de junho de 1959. Neste momento seria iniciado o treinamento da tripulação, com a embarcação  posteriormente sob o comando do  Capitão-de-Fragata Silvio de Magalhães Figueiredo, iniciando sua viagem para o Brasil em 15 de dezembro e 1959.

Este contratorpedeiro foi  lançado ao mar no dia 20 de fevereiro de 1942 nos estaleiros da Boston Navy Yard, em Boston, Massachussetts, e incorporado a  Marinha dos Estados Unidos (US Navy) no dia 9 de fevereiro de 1943, seria a quarta embarcação a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Pará. Já em operação a partir de 1961 passaria a ser  popularmente chamado como o "Galo da Esquadra" e começaria a ser intensamente empregado em exercícios operacionais nacionais e multinacionais como Operação UNITAS III, FT-76, Operações SPRINGBOARD 69 e VERITAS II, UNITAS X, UNITAS XII.  No dia  1º de agosto, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha Brasileira por um valor simbólico.  Em 21 de agosto de 1978 seria realizada uma cerimônia,  sendo nesta submetido a Mostra de Desarmamento e baixa do Serviço Ativo da Armada.  Em 22 de fevereiro de 1983, após ter servido como alvo para o primeiro exercício de teste do míssil Exocet - MM 38, disparado por uma fragata classe Niterói, seria afundado em seguida com dois tiros de torpedo efetuados pelo  submarino Ceará - S 14.  O segundo navio desta classe o ex-USS Bennett - DD 473 foi incorporado a Marinha dos Estados Unido (US Navy) 9 de fevereiro de 1943, sendo transferido em regime de empréstimo a Marinha do Brasil em 15 de dezembro de 1959, quando receberia a designação de Contratorpedeiro Paraíba - D 28, sendo a quarta embarcação a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado da Paraíba. Chegaria no Brasil em 31 de janeiro de 1961 sob o comando do Capitão-de-Fragata Nelson Fernandes.  Além de ter sido empregado de vários exercícios multinacionais, apresentaria em 1964 destacada participação na Operação DRAGÃO I, a primeira da série daquela que seria durante várias décadas o mais importante evento de adestramento das forças anfíbias do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) Em 15 de agosto de 1973, seria  retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Em 21 de agosto seria realizada uma cerimônia conjunta com o contratorpedeiro Pará - D 27, sendo submetido a Mostra de Desarmamento e e baixa do Serviço Ativo da Armada
O Contratorpedeiro Paraná - D 29, ex-USS Cushing - DD 797, foi o quarto navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Paraná.  O Paraná foi construído pelo estaleiro Bethlehem Steel Shipyard Company, em Staten Island, New York e seria o Fletcher do tipo “square bridge”  a ser recebido. Esta navio seria transferido por empréstimo inicial de cinco anos e incorporado no Arsenal de Marinha de Norfolk, em Portsmouth, Virginia, em 20 de julho de 1961, pelo Aviso do MM n.º 1187 de 23/06/1961. Naquela ocasião, assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Roberto Coutinho Coimbra.  Em 10 de abril de 1972 , faria  parte da Força Naval Operacional 28 (F.028),  que em conjunto com navios portugueses transportariam os restos mortais do imperador Dom Pedro I em viagem para o Brasil. Em 8 de janeiro de 1973, foi retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Em 4 de abril, deu baixa do serviço ativo, em cerimônia de Mostra de Desarmamento realizada junto com a do CT Pernambuco - D 30, presidida pelo Chefe do Estado-maior da Armada Almirante-de-Esquadra José Gerardo Theóphilo de Aratanha, no cais da Ilha de Mocanguê, em Niterói, tendo atingido nesses quase vinte e um  anos de serviço com mais de 1.000 dias de mar e 350.000 milhas navegadas. O quarto navio a ser incorporado, o  Contratorpedeiro Pernambuco - D 30, ex-USS Hailey - DD 556, foi o segundo navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado de Pernambuco. O Pernambuco foi construído pelo estaleiro Seattle-Tacoma SB Co., em Seattle, Washington. Tratava-se de um Fletcher do modelo “round bridge” e destacava-se dos demais por contar com seis  canhões Mk 27 de 3 pol. (76,2 mm/50) ao invés dos Bofors L/60 de 40 mm, possuía ainda uma suíte de sensores mais aprimorada, contando com radiogoniômetro Raytheon mod 358-A ADF; agulhas giroscópica Sperry Mk 11; odômetro de fundo Litton Ind.; ecobatímetro EDO Ind. AN/UQN-1D; telefone submarino AN/UQC-1B; gravador de distância sonar Sangamo Elec. CA-55134A; LORAN Fada Radio DAS-3; receptor CME AN/BLR-1; equipamento de derrota estimada UR-6; sistema de direção de tiro A/S MK105, com diretor de ataque MK5; sistema designador de alvos TDS MK5, mod. 1; sistema Fanfare para defesa contra torpedos acústicos; e transmissores, receptores e transceptores de rádio. Seria transferido por empréstimo inicial de cinco anos, sob os termos do Pacto de Defesa Mútua, e incorporado no Arsenal de Marinha de Norfolk, em Portsmouth, Virginia, em cerimônia realizada no dia 20 de julho de 1961 pelo Aviso n.º 1.187 de 23/06/1961 MM e a O.D. n.º 34/1961 do CEMA. Naquela ocasião assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Helio Marroig de Mello. Em 1º de agosto de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos, sendo adquirido em definitivo pela marinha. Em 2 de abril de 1982, deu baixa do Serviço Ativo da Armada, após ter atingido a  marca de 317.640 milhas navegadas.

O Contratorpedeiro Piauí - D 31, ex-USS Lewis Hancock - DD 675, foi o terceiro navio a ostentar esse nome(2) na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Piauí e a serra do mesmo nome. O Piauí foi construído pelo estaleiro Federal SB & DD Co., em Kearny, New Jersey e representava um Fletcher do tipo “round bridge”. Seria transferido por empréstimo e incorporado a Marinha do Brasil em 2 de agosto de 1967. A exemplo dos demais navios desta classe esteve envolvido em muitos exercícios operacionais nacionais e internacionais de grande importância nos anos seguintes sendo popularmente chamado de o  "Pirata do Caribe".  Em 11 de abril de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil por um valor simbólico. Participaria da Operação ADEREX-I/89, sua última comissão no serviço da Armada, quando hasteou o Pavilhão de Capitânia da Esquadra. Em 2 de junho, deu baixa do serviço ativo, sendo submetido a Mostra de Desarmamento na Base Naval do Rio de Janeiro, em cerimônia presidida pelo Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Mário César Flores. Em quase vinte e dois anos de serviço na Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 327.533 milhas navegadas e 1.251 dias de mar. Ao longo de seus anos de serviço teria  dezenove comandantes. O Contratorpedeiro Santa Catarina - D 32, ex-USS Irwin - DD 794, foi o terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado de Santa Catarina. O Santa Catarina foi construído pelo estaleiro Bethlehem Steel Shipyard Co., em San Pedro, Califórnia. Em 1967, iniciou processo de reativação e modernização no Arsenal de Marinha da Philadelphia, na Philadelphia, Pennsylvania. Foi transferido por empréstimo e incorporado no Arsenal de Marinha da Philadelphia, em 10 de maio de 1968, Naquela ocasião, assumiu o comando o Capitão-de-Fragata Nelson de Albuquerque Wanderley. Dentre suas contribuições a frota,  ressaltamos que o  D 32, em 22 de janeiro de 1969 , tornou-se o primeiro navio a realizar Transferência de Óleo no Mar (TOM) com o navio tanque Marajó - G 27. Em 11 de abril de 1973, seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil.  Em 28 de dezembro de 1988, depois de 20 anos e 7 meses de serviço ativo deu baixa do serviço, sendo submetido a Mostra de Desarmamento, em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. segundo Portaria n.º 1027 do MM de 12/12/88. Até aquela ocasião atingiu as expressivas marcas de 1.380 dias de mar e 379.000 milhas marítimas navegadas. Em 31 de agosto de 1989, o casco do ex-contratorpedeiro Santa Catarina seria usado como alvo para o primeiro lançamento real de um míssil ar-superfície BAe Sea Skua, realizado por uma aeronave SAH-11 Lynx da Força Aeronaval, sendo atingido após o míssil percorrer  uma distância de quase 18 Km.
O Contratorpedeiro Maranhão - D 33, ex-USS Shields - DD 596, foi o sexto navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Estado do Maranhão. Este que seria o ultimo Fletcher a ser incorporado, foi construído pelo estaleiro Puget Sound Navy Yard, em Bremerton, Washington. Foi transferido e incorporado a Armada em 6 de julho de 1972, em cerimonia realizada em San Diego-CA, nos Estados Unidos. Em 11 de janeiro de 1972, seria incorporado a Esquadra, passando a subordinação da Força de Contratorpedeiros e do 1º Esquadrão de Contratorpedeiros. Durante toda sua carreira se fez presente em quase todos os exercícios operacionais nacionais e internacionais como, cinco edições da UNITAS, sete DRAGÃO, duas SARGASSE, duas TROPICALEX, duas ADEREX, duas TEMPEREX, BRASEX/79, AFRICA/79 e AMIGO/83. Em 15 de agosto de 1973, o D 33 "Urso da Califórnia" , seria retirado da lista de unidades pertencentes a Marinha dos Estados Unidos, sendo adquirido em definitivo pela Marinha do Brasil. Em 6 de julho, o contratorpedeiro D 33 Maranhão seria submetido a Mostra de Desarmamento, dando baixa do serviço ativo da Armada, em cerimônia conjunta com o Contratorpedeiro Mato Grosso - D 34 (Classe Summer), presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Renato de Miranda Monteiro. Ao longo de dezoito anos de serviços a Marinha do Brasil, atingiu as marcas de 1.016 dias de mar e 270.717,87 milhas navegadas, e participou de diversas comissões, dentre elas, cinco Operações UNITAS, sete DRAGÃO, duas SARGASSE, duas TROPICALEX, duas ADEREX, duas TEMPEREX, BRASEX/79, AFRICA/79 e AMIGO/83. Ao longo de quase trinta anos os contratorpedeiros da Classe Fletcher prestaram relevantes serviços a Marinha do Brasil, sua incorporação a esquadra no início da década de 1960 promoveu uma revolução nas técnicas de guerra antissubmarino, contribuindo muito para a manutenção de uma doutrina moderna de combate naval e antissubmarino (ASW). Seria substituídos por navios pertencentes as classes Classe Gearing – FRAM I e Classe Allen M. Sumner - FRAM II e posteriormente pela Classe Garcia.

Em Escala.
Para representar os navios classe Fletcher pertencentes a Força de Contratorpedeiros da Marinha do Brasil, optamos pelo contratorpedeiro D 27 Pará, pois se trata de um  navio  do modelo “round bridge”,  que assim  mais se aproxima do kit da Tamiya na escala 1/350. Todos os navios recebidos pela Marinha Brasileira, sofreriam após término da Segunda Guerra Mundial,  uma série de mudanças decorrentes de vários programas de modernização. Assim deste maneira para se compor este contratorpedeiro se faz  necessário proceder algumas alterações em scratch building. Empregamos decais confeccionados sob encomenda pela Duarte Models. Fizemos uso de tintas  e vernizes produzidos pela Tom Colors.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão aplicado a todos os navios da Marinha dos Estados Unidos (US Navy)  durante as décadas de 1950 a 1970, com o qual os navios destinados a Marinha do Brasil foram recebidos. Este esquema seria mantido até a baixa do Serviço Ativo da Armada do ultimo navio desta classe no ano de 1990.

Bibliografia : 

- Fletcher-class Destroyer Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Fletcher-class_destroyer
- Navios de Guerra Brasileiros – Poder Naval https://www.naval.com.br
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/

LVTP-7A1 FMC (CLANF)

História e Desenvolvimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o avanço das operações combinadas e a crescente complexidade dos teatros de guerra levaram ao desenvolvimento de novas doutrinas táticas e operacionais, particularmente aquelas voltadas para invasões anfíbias em larga escala. Tanto no teatro de operações europeu quanto no Pacífico, as forças aliadas reconheceram a necessidade de empregar meios especializados capazes de realizar desembarques de tropas e equipamentos diretamente sobre praias hostis, superando barreiras naturais e defensivas. Nesse contexto, surgiram ícones logísticos e táticos como as embarcações de desembarque LCVP (“Higgins Boats”), os caminhões anfíbios GMC DUKW, e os veículos blindados anfíbios voltados ao transporte de pessoal e suprimentos. O conceito de um veículo anfíbio rastreado, capaz de operar com eficiência tanto na água quanto em terra, teve sua origem em um projeto civil norte-americano, concebido ainda antes da guerra. Em 1938, o engenheiro norte-americano Donald Roebling, motivado por propósitos humanitários, desenvolveu um veículo de resgate projetado para operar nas vastas áreas pantanosas da Flórida, especialmente nos Everglades. O modelo, denominado “Alligator”, destacava-se por sua robustez estrutural, excelente navegabilidade e capacidade de transitar em terrenos alagadiços e instáveis. Essas características chamaram a atenção do Comando da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que vislumbrou no projeto um potencial militar para operações anfíbias de assalto. Em reuniões subsequentes com Roebling, oficiais da Marinha apresentaram uma série de requisitos e modificações técnicas que visavam adaptar o veículo às demandas operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps). O programa de adaptação iniciou-se no início de 1940, culminando com a entrega do primeiro protótipo em maio do mesmo ano. O veículo estava equipado com um motor MK94K da Marine Engine Manufacturer, o que, embora suficiente para a navegação inicial, limitava o desempenho em terra. Os testes conduzidos revelaram resultados promissores, levando à autorização para a construção de um segundo protótipo, agora dotado de um motor Lincoln-Zephyr a gasolina — consideravelmente mais potente e eficiente. Os resultados dessa segunda fase de testes foram amplamente satisfatórios, demonstrando notável melhoria no desempenho e na confiabilidade do veículo. Assim, em fevereiro de 1941, o modelo, agora oficialmente designado como LVT-1 “Alligator” (Landing Vehicle Tracked), foi aceito pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. A FMC Corporation (Food Machinery Corporation) recebeu o primeiro contrato de produção, contemplando duzentas unidades iniciais. O batismo de fogo do LVT-1 ocorreu em 1942, durante as operações da 1ª Divisão do Corpo de Fuzileiros Navais em Guadalcanal, nas Ilhas Salomão. Inicialmente empregados em tarefas logísticas de reabastecimento, os veículos demonstraram eficiência notável ao transportar tropas, munições e suprimentos diretamente da linha costeira para o interior da ilha.

Até o outono de 1943, o LVT-1 havia contribuído de forma decisiva para a conquista total de Guadalcanal, consolidando-se como um instrumento tático indispensável nas operações anfíbias subsequentes. Nas campanhas seguintes — particularmente durante as operações de conquista “ilha a ilha” no Pacífico, o LVT-1 assumiu papel central nas primeiras ondas de desembarque. Seu desempenho foi especialmente destacado na invasão do arquipélago de Tarawa, em novembro de 1943, onde mais de 260 unidades participaram ativamente das primeira, segunda e terceira ondas de ataque, transportando soldados, armamentos e equipamentos, além de remover feridos sob fogo inimigo intenso. Com o desempenho comprovado em combate durante a Segunda Guerra Mundial, os veículos anfíbios rastreados da série LVT (Landing Vehicle Tracked) consolidaram-se como elementos indispensáveis nas operações de desembarque anfíbio. A eficácia demonstrada em campanhas como Tarawa, Saipan e Iwo Jima evidenciou a necessidade de aperfeiçoar tais meios, tanto em termos de capacidade de transporte, quanto de proteção e poder defensivo. Reconhecendo o seu valor estratégico, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos destinou novos recursos à FMC Corporation (Food Machinery Corporation) para o aprimoramento do modelo original e o desenvolvimento de versões mais modernas. Dessa iniciativa surgiram variantes como o LVT-2 “Water Buffalo” e o LVT-3 “Bushmaster”, amplamente empregados nas fases finais do conflito. Posteriormente, após a capitulação do Império do Japão em setembro de 1945, foi introduzido o LVT-4 “Water Buffalo”, que incorporava melhorias substanciais em blindagem, capacidade de carga e autodefesa, aumentando significativamente a proteção dos seus ocupantes e a eficiência operacional nas operações anfíbias. Com o término da guerra, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps) iniciou, em 1947, um processo de revisão de suas doutrinas e equipamentos, tendo em vista o cenário geopolítico emergente da Guerra Fria. Dentro desse contexto, foi lançada uma especificação técnica para o desenvolvimento de um novo veículo blindado de transporte de pessoal (APC – Armored Personnel Carrier), que deveria apresentar carroceria totalmente fechada e blindada, garantindo maior proteção em ambientes de combate intensivo. Duas empresas atenderam aos requisitos e apresentaram suas propostas dentro do prazo estabelecido: a Borg-Warner Company e a própria FMC Corporation. Ambas desenvolveram protótipos funcionais que foram submetidos a uma série de testes comparativos rigorosos em diferentes tipos de terreno e condições operacionais. Após extensas avaliações, o projeto da FMC Corporation foi declarado vencedor em setembro de 1955, resultando na assinatura de um contrato inicial para a produção de 200 unidades do novo modelo, designado LVTP-5 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel).
Os primeiros exemplares foram entregues às unidades operacionais em meados de 1956, e logo demonstraram desempenho superior em capacidade de transporte e proteção em relação aos modelos predecessores. O batismo de fogo do LVTP-5 ocorreu durante as fases iniciais da Guerra do Vietname (1967–1975), onde o veículo foi empregado em operações de desembarque e apoio logístico. Apesar do êxito nas missões designadas, o veículo revelou limitações operacionais significativas: seu grande porte e peso elevado afetavam a agilidade tanto em meio aquático quanto terrestre, comprometendo a manobrabilidade tática em terreno adverso.  Consciente dessas deficiências, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) iniciou, em 1969, um programa de estudos e avaliação técnica com o objetivo de desenvolver um sucessor para o LVTP-5, capaz de oferecer melhor desempenho, velocidade e flexibilidade tática sem sacrificar a proteção e a capacidade de carga. Em abril de 1970, foi lançada uma concorrência internacional para a seleção de um novo veículo de desembarque rastreado para transporte de pessoal (LVTP – Landing Vehicle, Tracked, Personnel). O edital estabelecia exigências específicas: o veículo deveria ser capaz de partir de navios posicionados off-shore, transportar até 25 soldados totalmente equipados para combate ou 5.000 kg de carga, além de possuir sistemas de armamento e blindagem otimizados para garantir a sobrevivência em ambientes de alto risco. Quatro fabricantes atenderiam a este chamado, e as análises iniciais resultariam em "short list" de dois concorrentes, com os protótipos funcionais designados como LVTPX12 sendo apresentados em janeiro de 1972 e testados exaustivamente em campo. Neste contexto a proposta apresentada proposta apresentada pela Divisão de Artilharia da FMC Corporation se mostrando mais atrativa, principalmente por apresentar uma alta comunalidade componentes com o M-113, tornando o  novo veículo mais barato e fácil de manter.  Após definição dos últimos detalhes técnicos, seria celebrado entre United Defense Corporation, uma antiga divisão da FMC Corporation Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps) um contrato no valor de US$ 78,5 milhões prevendo a aquisição de mais de novecentos carros anfíbios com sua produção em série sendo iniciada em julho de 1972. No entanto este acordo não previa as estações de armas que seriam fornecidas a partem elevando o pacote para US$ 129 milhões. Em janeiro do ano seguinte seriam entregues as unidades de avaliação, as primeiras unidades do agora designado LVTP-7, apresentando um design inovador quando comparado ao seu antecessor LVTP-5. Seu porte o favorecia no ambiente marinho, possuindo 7,54 metros de comprimento, 3,14 metros de largura, 3,12 metros de altura, com peso vazio de 18 toneladas, e carregado com 23,5 toneladas.  Estava equipado com um novo motor Detroit Diesel 8V-53T, de 400 hp, com transmissão automática com quatro marchas a frente e uma a ré. Podia desenvolver 65,4 km/h em estradas e até 13,5 km/h na água, graças a seu novo sistema com dois hidrojatos operando em conjunto com as hélices propulsoras. Com este conjunto motriz, seria permitido um alcance de 480 km (300 milhas) e 20 milhas náuticas em mar calmo, poderia operar ainda em mar revolto, porém a uma velocidade muito degradada e com mais consumo. 

Estava equipado com um sistema primário de blindagem de 45 mm (1,8 polegadas), que o permitia resistir a armas de pequeno e médio calibre, proporcionando a seus ocupantes uma relativa proteção nas operações de desembarque. Em termos de aparência, o LVTP-7 se assemelhava um pouco às versões IFV (infantry fighting vehicle) avançadas do M-113, compartilhando ainda o mesmo trem de rodas e seção traseira inclinada, mas mais longos e volumosos.  Possuía um casco de alumínio totalmente soldado, protegendo a tripulação de fogo de armas pequenas e estilhaços de projéteis. Dispunha de sete blocos de visão diurna, sendo o central trocado por um periscópio de visão noturna, contando com um conjunto de luzes de direção noturna, e por fim um periscópio M-17C. O LVTP-7 podia transportar nada menos que vinte e cinco pessoas totalmente equipadas, muito mais do que o M-113, porem menos do que os trinta e quatro do LVTP-5, se adequando a nova doutrina dos fuzileiros que exigiam esquadrões de infantaria menores. Este soldados seriam acomodados em três bancos corridos no compartimento traseiro. Um seria colocado no centro, com posições consecutivas, e um de cada lado. Este banco central poderia ainda ser removido e os laterais dobrados, deixando espaço para cerca de 4.536 kg de carga. A entrada e saída eram feitas pela rampa elétrica traseira do veículo, também ajudando na movimentação de carga, mas essa rampa quando fechada, ainda tinha uma porta no lado esquerdo como backup. O teto do compartimento de tropas também compreendia três pesadas escotilhas de teto de mola de torção para os soldados dispararem na marcha de saída de lá, salientando que devido a essas aberturas, o LVTP7 não possui sistema  de proteção nuclear e química NBC. O compartimento traseiro também pode ser usado como ambulância, com seis macas dentro. Outros kits incluíam uma viseira de navegação e do motorista, além de um kit de inverno com aquecimento especial para os compartimentos internos testados a partir de -54 ° C no exterior. Sua autodefesa seria proporcionada por uma metralhadora M-85 com calibre de 0,50 (12,7 mm), carregando 1.000 cartuchos, dos quais 400 estão prontos, o outro armazenado no casco. Esta arma estava instalada em uma torre automatizada, derivada originalmente do modelo empregado nos carros de combate M-48 e M-60, apresentando uma elevação de + 60 ° e depressão de -15 °  e rotação eletro-hidráulica. Após aceitação oficial,  os  LVTP-7 começaram a ser distribuídas aos Batalhões de Anfíbios de Assalto Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps), onde substituíram de imediato os LVTP-5, provando ser a decisão mais acertada possível, face ao excelente desempenho observado. Nesta primeira fase,  os positivos resultados operacionais aferidos despertariam  a atenção de outras nações, com o modelo passando a receber contratos de exportação, com versões sendo vendidas para as forças armadas da Argentina, Itália, Indonésia e Japão.  No final da década de 1970 o comando da Marinha dos Estados dos Unidos (US Navy), visando aprimorar suas táticas de guerra anfíbia, passaria a estudar melhorias a serem implementadas tanto em doutrina quanto em termos de equipamentos e armamentos. Análise detalhadas revelariam o grande potencial de crescimento operacional dos LVTP-7 para as décadas seguintes, com a empresa FMC Corporation sendo contratada para conduzir o Programa de Extensão da Vida Útil do Modelo LVTP-7 (SLEP). Este processo abrangia basicamente um completo retrofit estrutural e implementação de uma série de modificações, com o objetivo de obter expressiva melhoria em seu desempenho operacional. 
O motor original Detroit Diesel 8V-53T de 400 hp, seria substituído pelo novo e mais potente Cummins Diesel VT-400 de 525 hp de, operando em conjunto com uma transmissão automática mais eficiente do modelo FMC HS-400-3A1. A suspensão e os amortecedores também foram reforçados.  O tanque de combustível tornou-se mais seguro, e um sistema gerador de fumaça de queima de combustível foi adicionado. O acionamento hidráulico da estação de armas foi substituído por motores elétricos eliminando assim o risco de incêndios, oito lançadores de granadas de fumaça também foram colocados ao redor da estação de armamento.  Os aglomerados de faróis foram alojados em um recesso quadrado em vez do tipo redondo anterior. O motorista receberia um painel de instrumentos melhorado e um dispositivo de visão noturna de última geração, e um novo sistema de ventilação foi instalado. Os carros modernizados passariam a ser designados como LVTP-7A1, passando a partir de 1984 a ser redesignados como AAV-7A1 (Assault Amphibious Vehicle).  Seriam ainda desenvolvidas as versões de comando AAVC-7A1, sem a torre, equipamento de comunicação extra no compartimento de carga, antena de seis chicotes. Dois rádios de tripulação, VIC-2, dois VRC-92s, um VRC-89, um PRC-103 UHF, MRC-83 HF, sistema de interconexão de redes MSQ e socorro AAVR-7A1, também sem torre, equipado com guindaste e unidade de ferramentas para reparos em campo. É composto por uma equipe de três pessoas mais a equipe de reparos. Seu batismo de fogo se daria durante o durante a  Guerra das Falklands - Malvinas (1982), quando quando vinte LVTP-7  operados pelos Fuzileiros Navais da Argentina (Imara), foram empregados com sucesso na operação da invasão das ilhas britânicas. Em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps), os LVTP-7A1 seriam postos em um cenário de conflagração real, ao compor a  Força Multinacional de Manutenção da Paz em Beirute, no Líbano (Multinational Force in Lebanon, MNF), durante o período compreendido entre os anos de 1982 e 1984. Participariam ainda da operação Urgent Fury no  desembarque anfíbio em 1985 durante a invasão da   ilha de Granada na América Central. Em 1991 seriam postos a prova novamente durante a primeira Guerra do Golfo e posteriormente em 2003 durante os eventos que se sucederam a operação Unified Task Force (UNITAF) - Restore Hope da Organização das Nações Unidas (ONU) na Somália. Após Segunda Guerra do Golfo em 2003, os agora renomeados como AAV-7A1 seriam seriamente criticados por fornecer pouca proteção para a tripulação e infantes, quando em comparação com outros veículos, como o M-2 Bradley. Neste cenário seriam fustigados por lança foguetes do tipo RPG e morteiros, resultando em oito veículos destruídos durante a Batalha de Nasiriyah (23–29 de março de 2003). Ao longo dos anos, novos equipamentos acessórios e versões seriam desenvolvidos, com modelo se mantendo em produção até os dias atuais, com um total de 1.900 veículos entregues, estando em operação, nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, Grécia, Indonésia, Itália, Japão, Filipinas, Taiwan, Espanha, Coréia do Sul e Tailândia.

Emprego na Marinha do Brasil.
O primeiro embrião das operações militares anfíbias no Brasil começou a ser estruturado a partir de meados da década de 1950, com a aprovação de uma nova regulamentação que redefinia o emprego operacional do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Esse processo representou uma profunda transformação na doutrina e na organização da força, consolidando o seu papel como tropa de elite expedicionária e dotando-a de plena capacidade operativa com ênfase nas operações anfíbias. Como resultado direto dessa reorientação estratégica, foi criada a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) — unidade destinada a constituir o núcleo de prontidão e combate do CFN. Nos anos subsequentes, iniciou-se um amplo programa de reequipamento, que incluía a incorporação dos primeiros navios de transporte de tropas, como o G-20 Custódio de Mello, o G-16 Barroso Pereira, o G-21 Ary Parreiras e o G-22 Soares Dutra, além das embarcações de desembarque de pessoal (LCVP – Landing Craft, Vehicle, Personnel) do modelo Higgins Boats, amplamente utilizados pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Esses meios constituíram a base material necessária para o estabelecimento de operações anfíbias em larga escala no âmbito da Marinha do Brasil. Os primeiros exercícios de desembarque anfíbio de grande porte foram realizados no início da década de 1960, consolidando o treinamento e a integração entre os meios navais e terrestres. Essas manobras revelaram, contudo, uma limitação operacional significativa: a ausência de veículos anfíbios blindados capazes de prover apoio direto às tropas durante o desembarque nas praias. Para suprir temporariamente essa lacuna, o CFN incorporou, a partir de meados da década de 1970, 34 caminhões anfíbios GMC DUKW, adquiridos de segunda mão da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Esses veículos foram posteriormente complementados por versões similares produzidas no Brasil. O desempenho satisfatório dos DUKW em operações de transporte e desembarque motivou o Comando da Marinha do Brasil a considerar a aquisição de veículos blindados especializados nesse tipo de missão. Em um contexto de fortalecimento da indústria nacional de defesa, o Corpo de Fuzileiros Navais tornar-se-ia, curiosamente, o primeiro cliente militar do novo veículo blindado de transporte de tropas Engesa EE-11 Urutu, desenvolvido no início da década de 1970 pela Engesa S/A. As primeiras unidades foram incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz) a partir de 1976, marcando o início da formação de uma doutrina nacional de emprego de viaturas blindadas em operações anfíbias. No entanto, a experiência prática revelou as limitações do EE-11 Urutu nesse tipo de ambiente. Embora robusto e eficiente em terreno firme, o veículo — por possuir tração 6x6 sobre rodas — apresentava dificuldades de locomoção em áreas arenosas e alagadiças, características típicas das zonas de desembarque. Assim, decidiu-se pela realocação dos Urutu para outras funções, como transporte motorizado e apoio logístico, enquanto novos estudos foram conduzidos para identificar um veículo mais adequado às operações anfíbias propriamente ditas.

Durante as análises conduzidas pelo Estado-Maior da Armada, foi identificado que o veículo mais apropriado para atender às exigências operacionais do CFN seria o FMC LVTP-7, então o mais moderno veículo anfíbio blindado do mundo. Contudo, as restrições orçamentárias e o alto custo de aquisição inviabilizaram sua compra. Como alternativa viável, optou-se pela aquisição de um lote de blindados FMC M-113A1, já amplamente empregados pelo Exército Brasileiro desde 1967. Embora o M-113 não possuísse plena capacidade anfíbia oceânica, sua versatilidade, baixo custo de manutenção e comunalidade logística com o Exército tornaram-no uma solução pragmática. Essa decisão representou um passo intermediário no amadurecimento da doutrina anfíbia nacional, ao mesmo tempo em que manteve a capacidade de mobilidade blindada do Corpo de Fuzileiros Navais em constante evolução. Após a decisão de adotar uma solução alternativa à aquisição do veículo anfíbio rastreado FMC LVTP-7  inviabilizada por seu elevado custo —, o Governo Brasileiro iniciou tratativas com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), com vistas à incorporação de veículos blindados da família FMC M-113. As negociações resultaram em um acordo bilateral que previa o fornecimento de um lote de trinta veículos novos de fábrica, distribuídos em quatro variantes operacionais, conforme as necessidades identificadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Este processo se materializaria em um acordo prevendo o fornecimento de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113, que seria dividido em quatro modelos, sendo vinte e quatro na versão M-113A1 Transporte de Tropas, dois M-125A1 carro porta morteiro, um M-113A1G oficina e um carro socorro XM-806E1. Os primeiros veículos foram entregues em 7 de novembro de 1976, sendo incorporados ao então Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). A introdução desse novo material exigiu a implementação de um amplo programa de treinamento operacional, conduzido por instrutores norte-americanos em cooperação com oficiais do Exército Brasileiro, que já possuíam sólida experiência no emprego do M-113 desde o final da década de 1960. Concluída a fase de instrução, as viaturas passaram a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu, substituindo-os gradualmente nas funções de transporte blindado de pessoal. Em 20 de dezembro de 1977, buscando alinhar a nomenclatura da unidade à sua nova missão, o Batalhão de Transporte Motorizado foi extinto, dando lugar à criação da Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). A introdução do M-113A1 representou um marco na evolução da doutrina operacional anfíbia do CFN, elevando substancialmente a eficiência dos desembarques em regiões litorâneas. O veículo demonstrou elevada confiabilidade, facilidade de manutenção e boa mobilidade em terrenos variados. Contudo, por não se tratar de um veículo anfíbio oceânico genuíno, o M-113A1 apresentava restrições operacionais significativas, sendo incapaz de operar como parte da força de assalto principal em desembarques diretos a partir de navios de transporte posicionados em alto-mar. Assim, seu emprego ficava limitado às operações realizadas a partir de navios de desembarque de doca (LSD) ou de embarcações de desembarque de viaturas e pessoal (LCVP e LCM).
Essa limitação técnica impedia o lançamento de tropas a partir de distâncias seguras da costa, capacidade estratégica que já era explorada com sucesso por diversas forças navais modernas à época, como o U.S. Marine Corps. Diante dessa lacuna operacional, o Comando do Corpo de Fuzileiros Navais instituiu um grupo de estudos com o objetivo de definir os requisitos técnicos e operacionais para a futura aquisição de um veículo anfíbio rastreado especializado.  Os parâmetros básicos estabelecidos por esse grupo enfatizavam a necessidade de uma plataforma que combinasse proteção blindada adequada, capacidade de autodefesa orgânica e, sobretudo, elevada mobilidade tanto em meio aquático quanto terrestre. Essas especificações visavam garantir a projeção rápida e segura de tropas sobre território inimigo, assegurando ao CFN uma verdadeira capacidade anfíbia autônoma e moderna, em consonância com os padrões internacionais da época. Assim o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) deu início à consolidação de um projeto que visava dotar a força de meios anfíbios rastreados modernos, capazes de realizar operações de assalto anfíbio em larga escala com autonomia e eficiência. Nesse contexto, foram estabelecidas as bases doutrinárias e organizacionais que sustentariam a futura incorporação desse novo material. Dessa iniciativa surgiria o embrião da unidade especializada, que posteriormente receberia a designação de Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf). Esse núcleo inicial teve papel decisivo na estruturação dos estudos técnicos, logísticos e operacionais que embasariam a escolha do veículo a ser adotado. Após criteriosa análise, a opção mais adequada revelou-se ser o LVTP-7 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel), desenvolvido pela empresa norte-americana FMC Corporation. Este modelo já se encontrava em operação junto ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) e em outras marinhas aliadas, apresentando histórico comprovado de desempenho e confiabilidade. A decisão foi fortemente respaldada pela experiência prévia de oficiais brasileiros, que haviam participado de exercícios combinados com os fuzileiros navais norte-americanos, onde puderam avaliar diretamente as capacidades do veículo. Além disso, o emprego bem-sucedido dos LVTP-7 pela Infantaria de Marina da Argentina (IMARA) durante a Guerra das Falklands/Malvinas (1982) reforçou ainda mais a percepção de que se tratava do modelo ideal para suprir as carências operacionais do  Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). As tratativas oficiais culminaram na assinatura de um acordo de aquisição em setembro de 1984, firmado entre o Governo Brasileiro e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD). A transação foi realizada sob os termos do programa Foreign Military Sales (FMS), que previa condições financeiras e logísticas favoráveis para países aliados. O contrato contemplava o fornecimento de doze veículos anfíbios rastreados do tipo AAV-7A1 (Assault Amphibian Vehicle), versão modernizada do LVTP-7, provenientes dos estoques norte-americanos Essas viaturas haviam sido recentemente revisadas, encontrando-se em excelente estado de conservação e prontas para o reemprego operacional. O lote recebido era composto por: 10 unidades na versão de transporte de tropas (AAVP-7A1); 1 unidade na versão de comando (AAVC-7A1); 1 unidade na versão de socorro (AAVR-7A1). 

Os veículos foram desembarcados no píer da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, em julho de 1986, e, após inspeção técnica, incorporados oficialmente ao acervo do Corpo de Fuzileiros Navais, recebendo a denominação nacional de Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf).  Durante os três meses subsequentes à chegada das viaturas, foi conduzido um intenso programa de instrução e adaptação operacional, envolvendo cursos de operação e manutenção ministrados por instrutores do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), com apoio técnico de militares brasileiros. Concluído o processo de capacitação, os AAV-7A1 foram oficialmente incorporados à Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf), tornando-se o principal vetor anfíbio rastreado do CFN. Essa incorporação representou um marco histórico, consolidando a capacidade expedicionária e anfíbia da Marinha do Brasil, em consonância com os padrões operacionais das principais forças navais do mundo. A introdução operacional dos Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) representou um marco fundamental na evolução da doutrina de guerra anfíbia do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). O início de suas operações consolidou uma nova fase de modernização, ampliando significativamente as capacidades de projeção de poder, mobilidade e proteção blindada da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Empregados prioritariamente em missões de apoio direto ao combate, os CLAnf Transporte de Pessoal (AAVP-7A1) passaram a desempenhar papel central no Movimento Navio para Terra (MNT), elemento essencial nas operações anfíbias modernas. Esses veículos proporcionaram elevada mobilidade tática, aliada a um robusto nível de proteção blindada, permitindo que as tropas embarcadas desembarcassem sob cobertura segura e, ao mesmo tempo, ampliassem o poder de fogo das vagas de assalto, por meio do uso dos armamentos orgânicos das viaturas. O emprego dos CLAnf trouxe inovações decisivas à doutrina anfíbia nacional. Pela primeira vez, foi possível realizar desembarques em trechos do litoral até então considerados inatingíveis para embarcações de desembarque convencionais, como as LCVP e LCM. A combinação de velocidade e blindagem, tanto em meio aquático quanto terrestre, aumentou substancialmente o poder de choque e a impulsão inicial das tropas na linha de costa, modificando profundamente o conceito de operações anfíbias no Brasil. Extremamente versáteis, os CLAnf FMC AAV-7A1 demonstraram capacidade de emprego em uma ampla gama de missões, desde o transporte de tropas e suprimentos até o apoio logístico e técnico de manutenção em campo. Operando a partir de navios de desembarque de doca, como o G-30 Ceará, ou de navios-doca multipropósito (NDM), como o G-40 Bahia, os veículos mostraram-se essenciais à capacidade expedicionária da Marinha do Brasil. Cada CLAnf possui capacidade para transportar até 25 militares totalmente equipados para combate, incluindo a tripulação de três componentes. Essa característica confere à unidade elevada densidade de tropas por vaga de assalto, fator decisivo em operações de conquista de cabeça de praia. Além da versão de transporte de pessoal, o CFN incorporou variantes especializadas, destinadas a funções de comando e apoio técnico: CLAnf Comando (AAVC-7A1) – Equipado com um conjunto completo de sistemas de comunicações e controle, permitindo operar como um Centro de Operações de Combate (COC) móvel, garantindo a coordenação eficiente das ações durante o desembarque e subsequentes operações terrestres. 
CLAnf Socorro (AAVR-7A1) – Projetado para executar manutenções de até terceiro escalão em veículos danificados durante o combate. Essa versão dispõe de guincho de 17 toneladas, guindaste de 2,9 toneladas, compressor de ar, gerador elétrico, equipamentos de solda e ferramentas especiais, assegurando autonomia de recuperação em campo. Ao longo das décadas, os CLAnf demonstraram notável desempenho operacional, não apenas em exercícios anfíbios e adestramentos combinados, mas também em operações reais em ambiente urbano. Sua robustez e capacidade de transporte foram amplamente comprovadas durante as ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) deflagradas pelo Governo Federal no estado do Rio de Janeiro, em 2010, quando diversas viaturas participaram de operações de invasão e estabilização de comunidades na zona sul da capital fluminense. Essa atuação destacou a versatilidade e adaptabilidade do CLAnf às mais diversas condições de operação, consolidando sua posição como um dos principais vetores de projeção anfíbia e apoio de combate do Corpo de Fuzileiros Navais. O expressivo êxito obtido no emprego operacional dos Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) consolidou definitivamente a importância desse vetor na doutrina anfíbia da Marinha do Brasil. O desempenho excepcional desses blindados durante os exercícios e operações de desembarque levou o Comando da Marinha a considerar, ainda na segunda metade da década de 1980, a ampliação da frota com a aquisição de um segundo lote de veículos. Seguindo o modelo adotado na aquisição inicial, as negociações foram conduzidas junto ao Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoD), buscando novamente usufruir dos termos vantajosos do programa Foreign Military Sales (FMS).  Em meados de 1986, o governo norte-americano concedeu a autorização oficial para a operação, resultando na celebração de um contrato com a United Defense Limited, então responsável pela produção da família de veículos AAV7 (Assault Amphibious Vehicle). O acordo previa a entrega de quatorze viaturas de segunda geração, sendo dez unidades na versão de transporte de pessoal (AAVP-7A1), uma unidade de comando (AAVC-7A1) e uma unidade de socorro (AAVR-7A1). Esses veículos incorporavam aperfeiçoamentos técnicos significativos em relação ao primeiro lote, refletindo a constante evolução do modelo na linha de produção norte-americana. Entre as principais melhorias, destacava-se a instalação de uma nova torre automatizada, equipada com uma metralhadora pesada M2HB calibre .50 (12,7 mm) e um lançador automático de granadas MK-19 calibre 40 mm, aumentando consideravelmente o poder de fogo e a capacidade de autodefesa da viatura. Em 2018, o Ministério da Defesa retomaria as tratativas com o governo norte-americano visando a aquisição de uma nova frota de veículos de terceira geração, como parte de um programa de revitalização e modernização da capacidade anfíbia brasileira. O contrato resultou na compra de 23 unidades do modelo AAVP-7A1 RAM/RS (Reliability, Availability, Maintainability/Rebuild to Standard) — a versão mais moderna em serviço

Em Escala:
Para representarmos o FMC AAVP-7A1 CLAnf de primeira geração, fizemos uso antigo do kit Academy na escala 1/35, modelo muito básico que não apresenta nenhum detalhamento do interior.  Para se configurar a versão operada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), deve-se alterar o posicionamento dos faróis, pois o modelo original representa a primeira versão de produção o LVTP-7. Felizmente o conjunto ótico do modelo LVP-7A1 é fornecido a parte deste kit, bastando assim proceder uma rápida alteração. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Produtcs presentes no Set “Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pelos AAVP-7A1 CLAnf pertencentes a Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf), substituindo assim os dois padrões de camuflagem originais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) com os quais foram recebidos em 1986. Atualmente um terceiro padrão foi adotado para os veículos blindados da Marinha do Brasil, sendo mantido até os dias atuais.

Bibliografia :
- Assault Amphibious Vehicle - Wikipedia -  http://en.wikipedia.org/wiki/Assault_Amphibious_Vehicle
- Fuzileiros Blindados Parte II - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-ii/
- Tecnologia e Defesa - Mais Clanfs para a Marinha do Brasil - 
http://www.tecnodefesa.com.br/materia.php?materia=363
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos