M-1 Pack Howitzer (75 mm)

História e Desenvolvimento.
Após o término da Primeira Guerra Mundial, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) deparou-se com uma constatação incontornável: sua artilharia de campanha permanecia fortemente dependente de modelos europeus, especialmente franceses e britânicos, como o canhão M1897 de 75 mm. Embora essas peças tivessem desempenhado papel relevante no conflito, a experiência adquirida nos campos de batalha da Europa evidenciou a necessidade de um programa de modernização que contemplasse maior mobilidade, potência de fogo e flexibilidade operacional. Nesse contexto, foi instituído, em 1919, o chamado Westervelt Board, comissão estratégica presidida pelo General de Brigada William I. Westervelt. O grupo recebeu a missão de analisar as lições aprendidas durante a guerra e propor diretrizes para a reorganização e o reequipamento da artilharia norte-americana. Tratava-se de uma iniciativa ambiciosa, voltada não apenas à substituição de equipamentos, mas à redefinição doutrinária do emprego da artilharia em conflitos futuros. Entre as recomendações mais significativas estava o desenvolvimento de um obuseiro leve de 75 mm que reunisse características até então consideradas difíceis de conciliar: alcance mínimo de aproximadamente 10.000 metros, capacidade de disparar projéteis de cerca de 6,8 kg e, sobretudo, possibilidade de desmontagem em cargas transportáveis por mulas. Tal exigência refletia a preocupação com operações em terrenos montanhosos, regiões selváticas ou áreas onde a motorização ainda era limitada. O conselho chegou inclusive a considerar meios de transporte não convencionais, como aeronaves  uma visão que antecipava as futuras operações aerotransportadas e a crescente importância da mobilidade estratégica. O desenvolvimento do que viria a ser o M1 Pack Howitzer teve início em 1920. A primeira versão submetida a testes naquele ano, contudo, foi rejeitada por não atender plenamente aos requisitos de peso e mobilidade estipulados. Após ajustes e aperfeiçoamentos técnicos, um novo projeto foi apresentado em 1922, culminando na padronização oficial, em agosto de 1927, do “Howitzer, Pack, 75 mm M1 on Carriage M1”. O protótipo inicial foi rapidamente concluído e encaminhado para ensaios de campo no ano seguinte, cujos resultados mostraram-se promissores e confirmaram a viabilidade do conceito.   Tratava-se de uma peça pensada não apenas para acompanhar a infantaria em terrenos difíceis, mas para operar onde a artilharia convencional simplesmente não poderia chegar. Com peso aproximado de 653 kg em ordem de combate, o obuseiro podia ser desmontado em seis a nove cargas, conforme a configuração adotada. Cada conjunto variava entre 73 e 107 kg, abrangendo o tubo, o mecanismo de culatra, o reparo, a base de tiro e as rodas. Essa característica permitia seu transporte por mulas  essencial para operações em regiões montanhosas ou de difícil acesso , por lançamento aéreo em paraquedas ou, em situações emergenciais, por equipes de artilheiros devidamente treinados. A desmontagem modular representava, portanto, uma solução prática para os desafios logísticos que marcariam os conflitos da primeira metade do século XX.

Do ponto de vista técnico, o M1 empregava um sistema de recuo hidropneumático instalado sob o tubo, solução que absorvia parte significativa da energia do disparo e contribuía para a estabilidade da peça. O mecanismo de culatra, do tipo cunha deslizante horizontal e operado manualmente, favorecia a simplicidade construtiva e a rapidez na montagem e desmontagem  atributos essenciais para unidades móveis e aerotransportadas. O reparo original, designado M1 Carriage, possuía rodas de madeira e destinava-se principalmente à tração animal ou ao reboque em baixa velocidade. Contudo, à medida que a doutrina militar evoluía e a mobilidade estratégica ganhava importância especialmente com o desenvolvimento das forças aerotransportadas tornou-se evidente a necessidade de aperfeiçoamentos. Na década de 1930 foi introduzido o reparo M8 Carriage, equipado com rodas metálicas e pneus pneumáticos, o que reduziu o peso total do conjunto e possibilitou o reboque por veículos leves, como o jipe de ¼ de tonelada. Essa configuração também facilitava o transporte aéreo em aeronaves como o Douglas C-47 Skytrain e em planadores do tipo Waco CG-4. O reparo M8 tornou-se padrão nas unidades aerotransportadas. Nessa configuração, o obuseiro podia ser desmontado em nove cargas para lançamento por paraquedas  incluindo munição  ou em sete cargas quando destinado ao transporte por mulas. Uma vez em solo, a peça podia ser rapidamente montada e colocada em posição de tiro, característica que ampliava significativamente a capacidade de apoio de fogo em operações aeromóveis. Em serviço, uma guarnição de seis artilheiros bem treinados era capaz de alcançar uma cadência de três a seis disparos por minuto, mantendo precisão satisfatória para o apoio direto à infantaria. Como limitação inerente ao seu projeto, o tubo relativamente curto restringia o alcance máximo a aproximadamente 8,7 quilômetros, valor inferior ao de peças de campanha de maior porte. Ainda assim, seu desempenho atendia às necessidades para as quais fora concebido.  Entretanto, o avanço do programa foi abruptamente impactado pela crise econômica deflagrada em 1929 com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. A Grande Depressão impôs severas restrições orçamentárias ao setor militar, resultando no contingenciamento de recursos e no adiamento da produção em larga escala do novo obuseiro. O programa só seria retomado no início da década de 1930, ainda sob forte limitação financeira; até o começo de 1933, apenas 32 unidades haviam sido fabricadas. Este cenário perduraria, e  até meados de 1940, apenas 91 unidades haviam sido entregues às formações operativas do Exército dos Estados Unidos (U.S army), reflexo direto das limitações impostas pela crise econômica.  No entanto o panorama estratégico internacional alterou-se de forma profunda ao final da década de 1930. A escalada das tensões na Europa e no Pacífico, seguida pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, impôs aos Estados Unidos a necessidade de rever rapidamente sua postura militar. Mesmo antes de sua entrada formal no conflito, o país já se mobilizava para suprir tanto suas próprias forças quanto as nações aliadas, especialmente as vésperas da  promulgação do Lend-Lease Act (Lei de Emprestimos e Arrendamentos), que autorizava o fornecimento de armamentos e suprimentos a países considerados vitais à defesa norte-americana. 
Nesse contexto de rearmamento acelerado, o M1  passou a ocupar posição de destaque.  A produção em larga escala foi iniciada em setembro de 1940, sob a liderança do Rock Island Arsenal, um dos mais tradicionais e importantes centros industriais do United States Army no campo da artilharia. Para atender à demanda crescente, outros fabricantes civis e militares foram incorporados ao esforço produtivo, assegurando a ampliação da capacidade industrial e a padronização das linhas de montagem. Esse modelo de mobilização industrial refletia a transição dos Estados Unidos para uma economia de guerra, caracterizada pela coordenação entre governo, forças armadas e setor privado.  No inicio de 1942, um versão aprimorada do obuseiro, a M1A1, foi introduzida com pequenas modificações no anel de culatra e no bloco de culatra, oferecendo maior confiabilidade, neste contexto passariam a ser distribuídas as unidades operativas do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), principalmente as unidades de montanha e divisões de paraquedistas.  O batismo de fogo do M-1 75 mm Pack Howitzer ocorreu no contexto da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, após o ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Sua estreia em combate foi registrada no Teatro do Pacífico, particularmente durante a Campanha das Ilhas Salomão em 1942, com destaque para a Batalha de Guadalcanal (agosto de 1942 – fevereiro de 1943). Operado pelos Fuzileiros Navais, o M-1 foi amplamente utilizado em operações em selva, onde sua portabilidade e facilidade de montagem foram cruciais para superar as dificuldades logísticas impostas pelo terreno. Na Batalha de Guadalcanal, o M-1 75 mm Pack Howitzer, apelidado de “Tiny Tim” pelos Fuzileiros Navais, provou sua eficácia contra posições fortificadas japonesas, como bunkers e ninhos de metralhadoras. Transportado por mulas ou desmontado para ser carregado por soldados em trilhas estreitas, o obuseiro ofereceu suporte de fogo preciso e contínuo, permitindo às tropas americanas neutralizar defesas inimigas em um ambiente hostil de selva tropical. Sua capacidade de ser rapidamente montado e operado por uma equipe de seis soldados, com uma cadência de três a seis disparos por minuto, garantiu flexibilidade tática em combates intensos.  Em 22 de janeiro de 1944, o obuseiro foi empregado de maneira significativa durante a Operação Shingle, o desembarque anfíbio aliado em Anzio, Itália, pelas unidades do 39º Regimento de Artilharia de Campo, do 504º Regimento de Infantaria de Paraquedistas e da 82ª Divisão Aerotransportada. Esta operação teve como objetivo abrir uma nova frente na Itália, contornando as fortificações alemãs da Linha Gustav e acelerando o avanço aliado em direção a Roma. O desembarque em Anzio, liderado pelo VI Corpo do V Exército dos Estados Unidos, envolveu forças americanas e britânicas, incluindo unidades de elite como a 82ª Divisão Aerotransportada. O terreno costeiro e pantanoso de Anzio, combinado com a resistência alemã, exigia armas que fossem móveis, fáceis de posicionar e capazes de fornecer suporte de fogo imediato. O 39º Regimento de Artilharia de Campo, parte do VI Corpo, utilizou o M-1 75 mm Pack Howitzer para fornecer apoio de fogo às tropas desembarcadas em Anzio. Transportado em cargas leves, o obuseiro foi rapidamente posicionado nas praias e áreas adjacentes, oferecendo disparos de alto explosivo (HE) contra posições alemãs fortificadas, como ninhos de metralhadoras e bunkers.

A partir de 1943, o obuseiro passou a assumir papel ainda mais relevante nos teatros de operações, com a adoção de uma variante designada M2 75 mm, foi adotada pelas unidades de artilharia divisional do Corpo de Fuzileiros Navais (U.S Marine Corps). Entre os fuzileiros navais, a peça recebeu o apelido de “Tiny Tim”, expressão que refletia, de forma quase afetuosa, seu porte compacto em contraste com sua efetividade em combate. Empregado em sucessivas operações anfíbias no Pacífico, o M1/M2 demonstrou notável utilidade em campanhas como as batalhas de Guadalcanal, Iwo Jima e Okinawa. Nessas frentes, caracterizadas por terrenos abruptos, selvas densas e sistemas defensivos profundamente entrincheirados, sua leveza e relativa facilidade de posicionamento permitiram apoiar de perto as tropas de assalto, neutralizando casamatas, ninhos de metralhadora e posições fortificadas japonesas. Todavia, à medida que as operações avançavam e as defesas inimigas tornavam-se mais robustas, evidenciou-se a necessidade de maior alcance e poder destrutivo. Entre 1944 e 1945, o Corpo de Fuzileiros Navais iniciou gradualmente a substituição do M1 por obuseiros de maior calibre, como os de 105 mm e 155 mm, adequados à destruição de fortificações mais pesadas e à condução de bombardeios preparatórios de maior intensidade. Paralelamente, no âmbito do exército a experiência acumulada nas primeiras operações aerotransportadas levou à revisão das tabelas de organização e equipamento. A partir de fevereiro de 1944, estabeleceu-se que cada divisão aerotransportada deveria dispor de três batalhões de artilharia, totalizando 36 obuseiros M1/M1A1 75 mm. Dois desses batalhões eram transportados em planadores Waco CG-4, enquanto o terceiro  um batalhão de artilharia de campo  lançava suas peças por paraquedas a partir de aeronaves Douglas C-47 Skytrain. Essa organização assegurava apoio de fogo imediato às tropas lançadas atrás das linhas inimigas, como ocorreu na Operation Shingle, em Anzio, e na Operation Overlord, na Normandia. Em determinadas circunstâncias, o M1 podia ser substituído pelo obuseiro M3 de 105 mm, opção que refletia a flexibilidade doutrinária e a constante adaptação às exigências táticas do campo de batalha. Nas divisões de montanha, como a 10th Divisao de Montanha do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), o M1 revelou-se igualmente valioso. Cada divisão contava com três batalhões equipados com 12 peças, totalizando 36 obuseiros por grande unidade. Em terrenos acidentados, como os Apeninos italianos, a possibilidade de desmontagem e transporte por animais de carga permitiu que a artilharia acompanhasse a infantaria em áreas onde veículos motorizados eram impraticáveis. O mesmo princípio foi aplicado no Teatro do Pacífico, especialmente nas operações na Birmânia, onde trilhas estreitas e condições climáticas adversas impunham severas restrições logísticas. Nessas circunstâncias, mulas transportavam as peças desmontadas por percursos íngremes e irregulares, assegurando apoio de fogo contínuo a forças que operavam em ambientes extremos. Um dos usos mais singulares do M-1 75 mm Pack Howitzer ocorreu em abril de 1945, durante a Operação Tombola, na Itália. Uma única peça foi lançada de paraquedas para equipar o 2º Regimento Italiano do SAS (Serviço Aéreo Especial), uma unidade heterogênea composta por partisans italianos, ex-prisioneiros de guerra russos e desertores do Exército Alemão (Wehrmacht). Operando entre Modena e Florença, ao longo da Rota 12, o obuseiro foi utilizado para atacar comboios alemães, demonstrando sua versatilidade em operações de guerrilha.  Esse feito destacou a capacidade do M-1 de ser empregado por forças não convencionais em missões táticas complexas, reforçando sua reputação como uma arma adaptável. 
Entre 1940 e dezembro de 1944, foram produzidas 4.939 unidades nas versões M1 e M1A1 número expressivo, sobretudo se consideradas as limitações orçamentárias do período anterior e o fato de que o parque industrial norte-americano precisava, simultaneamente, fabricar uma ampla gama de outros sistemas de armas, como o obuseiro de 105 mm M2A1. Dessa forma, o M1/M2 75 mm Pack Howitzer consolidou-se como um dos mais versáteis sistemas de artilharia leve da Segunda Guerra Mundial, adaptando-se com notável eficácia às demandas de guerra anfíbia, aerotransportada e de montanha  três modalidades operacionais que redefiniram a condução do combate no século XX. Encerrada a Segunda Guerra Mundial, o M1 75 mm Pack Howitzer não foi relegado de imediato aos depósitos, como ocorreu com tantos outros sistemas de artilharia do conflito. Ao contrário, sua comprovada robustez, simplicidade mecânica e notável mobilidade asseguraram-lhe uma sobrevida operacional em diferentes continentes, no contexto das tensões que marcariam o início da Guerra Fria. Na Ásia, particularmente na China, o obuseiro permaneceu em uso por longo período, sendo empregado pelas forças do Viet Minh durante a Guerra da Indochina contra a França e, posteriormente, em fases iniciais dos confrontos que culminariam na Guerra do Vietnã. Sua capacidade de desmontagem em cargas transportáveis, adequada a terrenos montanhosos e de difícil acesso, revelou-se especialmente valiosa em cenários de guerra irregular, nos quais a mobilidade superava, muitas vezes, a necessidade de maior calibre. Em 1962, a peça foi redesignada como M116, conforme a padronização de nomenclaturas adotada pelo Exército dos Estados Unidos (U.S Army),  Mesmo diante da introdução de sistemas mais modernos, o M116 permaneceu em serviço ativo até a década de 1980, sobretudo em funções secundárias e de instrução. Paralelamente, consolidou-se seu emprego cerimonial, tradição que perdura em determinadas unidades, nas quais o obuseiro é utilizado para a execução de salvas em eventos militares solenes. No âmbito da cooperação internacional do pós-guerra, 153 peças do M116 foram transferidas, em 1960, às Forças de Autodefesa do Japão (Jieitai), no contexto dos acordos de segurança firmados entre Tóquio e Washington. Integradas às estruturas japonesas, essas unidades permaneceram em serviço até o final da década de 1980. Em um país de relevo predominantemente montanhoso, a leveza, a facilidade de transporte por veículos leves e a possibilidade de desmontagem continuaram a representar vantagens operacionais significativas, reforçando a reputação de confiabilidade do sistema. De forma surpreendente, o M116 voltou a desempenhar papel operacional no século XXI. Em 2010, o Exército Turco (Türk Kara Kuvvetleri) empregou dezenas dessas peças em operações no sudeste da Turquia, em ações contra grupos separatistas curdos. Mais uma vez, a combinação entre mobilidade, simplicidade logística e capacidade de operar em terrenos acidentados demonstrou a pertinência de um projeto concebido ainda nos anos 1930 para ambientes de difícil acesso.  O Exército dos Estados Unidos (U.S Army) mantém três peças na Bateria de Artilharia Norwich, vinculada à Norwich University, e duas na University of North Georgia. Nessas unidades, o obuseiro é empregado em cerimônias oficiais, disparando salvas que evocam a tradição e a continuidade histórica da artilharia norte-americana, conectando sucessivas gerações de cadetes à experiência de seus predecessores.

Emprego no Exército Brasileiro.
No alvorecer da Segunda Guerra Mundial, a rápida expansão territorial das potências do Eixo — Alemanha Nazista, Itália e Japão  suscitou profunda apreensão em Washington quanto à segurança hemisférica. A capitulação da França, em junho de 1940, agravou esse quadro, pois abriu a possibilidade de que territórios coloniais franceses no Atlântico e na África Ocidental pudessem, direta ou indiretamente, servir aos interesses estratégicos alemães. A perspectiva de utilização de pontos como as Ilhas Canárias, Dacar ou possessões no Norte da África como bases de apoio logístico ou aéreo conferia nova dimensão ao risco de projeção militar em direção ao continente americano. Nesse contexto geopolítico, o Brasil passou a ocupar posição central nos cálculos estratégicos norte-americanos. Sua extensa fachada atlântica e, sobretudo, a proximidade do Nordeste brasileiro com o continente africano faziam do país um elo natural entre os dois lados do Atlântico Sul. A cidade de Recife destacava-se como ponto nodal, por constituir uma das menores distâncias aéreas e marítimas entre a América do Sul e a África, condição que a transformava em área privilegiada para o estabelecimento de bases aéreas e instalações portuárias de valor estratégico. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul comprometeram severamente o acesso aliado às tradicionais fontes de borracha natural. O Brasil, então, assumiu papel de principal fornecedor de látex para os Aliados, insumo vital para a indústria de guerra indispensável na fabricação de pneus, vedantes, equipamentos médicos e diversos componentes militares. A proteção das rotas marítimas que escoavam essas matérias-primas tornou-se prioridade estratégica. Diante desse cenário, intensificou-se a aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Um dos marcos desse processo foi a adesão brasileira ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), instrumento por meio do qual Washington fornecia material bélico e apoio financeiro a nações consideradas essenciais à defesa dos interesses aliados. O acordo assegurou ao Brasil uma linha inicial de crédito da ordem de US$ 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e outros equipamentos necessários à modernização de suas Forças Armadas. Tais recursos revelaram-se particularmente relevantes diante da intensificação dos ataques de submarinos alemães no Atlântico Sul, que ameaçavam a navegação mercante e impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos. A proteção das linhas de comunicação marítima, fundamentais para o abastecimento da indústria bélica norte-americana, tornou-se questão de sobrevivência estratégica. A liderança política brasileira, sob o comando do presidente Getúlio Vargas, compreendeu a dimensão histórica daquele momento. Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de matérias-primas estratégicas e sinalizou a disposição de ampliar sua participação no esforço aliado, inclusive com o eventual envio de tropas a um teatro de operações de relevância. Assim, a conjuntura internacional não apenas redefiniu a posição do Brasil no tabuleiro geopolítico do Atlântico Sul, mas também impulsionou um processo de modernização militar e de engajamento internacional que marcaria de forma duradoura a história das Forças Armadas brasileiras e sua inserção no cenário global.

Na década de 1940, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro encontrava-se em evidente defasagem material e doutrinária. Grande parte de seus meios era composta por canhões alemães Krupp 75 mm Modelo 1908 e peças francesas Schneider et Cie (Schneider-Canet) de 75 mm, ambos concebidos no início do século XX e destinados à tração hipomóvel. Embora robustos e confiáveis em sua época, tais sistemas já não correspondiam às exigências do combate moderno, marcado por maior mobilidade, emprego intensivo de blindados e integração entre armas combinadas. A esse quadro somava-se a influência da chamada Missão Militar Francesa, cuja permanência no Brasil, desde o período entre guerras, moldara a doutrina e a organização do Exército segundo preceitos já superados pelas transformações táticas observadas nos campos de batalha europeus a partir de 1939. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados inaugurou um processo de modernização acelerada. A partir de meados de 1942, navios de transporte passaram a aportar no Rio de Janeiro trazendo armamentos e equipamentos modernos: armas automáticas de infantaria, canhões anticarro de 37 mm e obuseiros de 75 mm, 105 mm e 155 mm. Esses meios eram fornecidos no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), instrumento decisivo para a reestruturação das Forças Armadas brasileiras. Entre os primeiros contratos, foram cedidos ao Brasil 36 obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer, distribuídos em duas configurações de reparo: o modelo M1, com rodas de madeira  correspondente aos primeiros lotes de produção  e o modelo M8, dotado de pneus de borracha convencionais. Não há, contudo, registros conclusivos que permitam determinar com precisão a quantidade exata recebida de cada versão. Ainda assim, sua incorporação representou um significativo salto qualitativo, ampliando a mobilidade, a precisão e o poder de fogo da artilharia brasileira. O compromisso formal do Brasil com o esforço de guerra aliado consolidou-se em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, que criou a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e comandada pelo General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB deveria totalizar cerca de 25.000 homens, incluindo unidades divisionárias e diversos órgãos de apoio indispensáveis à sua atuação no exterior. Não existem, até o momento, registros oficiais ou documentação fotográfica que comprovem o emprego do M1 75 mm Pack Howitzer pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália. Esta teoria se reflete pelo fato de 10ª Divisão de Montanha norte-americana, que era uma das principais unidades que participaram deste front de batalha , era especializada em operações nos terrenos adversos. Representava assim a primeira e única divisão norte-americana de Alpinos, sendo formada por esquiadores experientes, alpinistas e montanhistas com formação concluída no Texas, e por operar neste nível de especialização estava equipada com peças de artilharia de pequeno porte como os canhões antitanque M-3 37 mm e obuseiros M-1 75 mm Howitzer Pack. Assim a Força Expedicionária Brasileira (FEB) por operar nesta mesma região, possa ter vindo a operar este modelo de peça de artilharia, no entanto reforçamos que trata-se de uma especulação.
No período imediato ao término da Segunda Guerra Mundial, o Exército Brasileiro iniciou um processo gradual, porém consistente, de modernização de suas capacidades operacionais. Parte significativa desse esforço apoiou-se na incorporação de equipamentos recebidos durante o conflito, entre os quais se destacavam os obuseiros leves M1 75 mm Pack Howitzer. Inicialmente distribuídas aos Grupos de Artilharia de Campanha, essas peças passaram a operar em conjunto com outros meios fornecidos por intermédio do Lend-Lease Act, sendo tracionadas por viaturas leves como os jipes Ford Motor Company e Willys-Overland, além dos utilitários Dodge WC-51 e WC-52. A introdução desses obuseiros representou sensível avanço em relação aos antigos canhões de tração hipomóvel, tanto pela maior mobilidade quanto pela versatilidade tática. Sua possibilidade de desmontagem em fardos transportáveis e o reduzido peso operacional permitiam rápido deslocamento e emprego em terrenos variados, alinhando-se às novas concepções de guerra móvel que emergiram do conflito mundial. Uma inflexão decisiva no emprego do M1 75 mm Pack Howitzer ocorreu com a criação, em 26 de dezembro de 1946, do Núcleo de Formação e Treinamento de Paraquedistas, embrião do futuro Núcleo da Divisão Aeroterrestre. A iniciativa refletia a assimilação das lições extraídas das operações aerotransportadas conduzidas durante a guerra, especialmente no teatro europeu. Pretendia-se constituir uma força de elite, estruturada com batalhões de infantaria paraquedista, esquadrões de cavalaria, unidades de comando, comunicações, engenharia, apoio logístico e, de forma inovadora, grupos de artilharia paraquedista. A doutrina então concebida previa a organização de baterias equipadas com obuses de 75 mm e de 105 mm, sendo o M1 a peça que melhor se ajustava às exigências da nova força. Originalmente projetado para operações aerotransportadas norte-americanas, o obuseiro combinava leveza, desmontagem em cargas compatíveis com lançamento aéreo e relativa simplicidade de manutenção — atributos essenciais para uma tropa destinada a atuar isoladamente, em profundidade, e com apoio logístico limitado. O desenvolvimento dessa doutrina culminou na consolidação de uma artilharia aerotransportada nacional, dotada de elevado grau de profissionalização. Um marco simbólico ocorreu em 26 de dezembro de 1950, quando o Capitão Dickson Melges Grael  pioneiro do paraquedismo militar no Brasil e primeiro comandante da unidade  realizou o primeiro tiro de bateria com um obuseiro M1 75 mm Pack Howitzer no âmbito da nova organização. O episódio representou não apenas um feito técnico, mas a afirmação da artilharia paraquedista como elemento orgânico de apoio de fogo da tropa aeroterrestre. As operações aerotransportadas tiveram início logo após esse período inaugural, embora não sem desafios. A Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha, à época, de aeronaves como o Douglas C-47 Skytrain, cuja capacidade de carga e configuração  com lançamento realizado exclusivamente por portas laterais  impunham limitações ao transporte de equipamentos mais pesados. Ainda assim, a unidade demonstrou notável capacidade de adaptação, superando restrições materiais por meio de rigoroso treinamento e aperfeiçoamento técnico.

Dessa forma, o M1 75 mm Pack Howitzer não apenas simbolizou a modernização da artilharia brasileira no pós-guerra, mas tornou-se peça fundamental na consolidação da doutrina aeroterrestre nacional, marcando o início de uma tradição que projetaria o Brasil no seleto grupo de nações com capacidade orgânica de emprego de artilharia aerotransportada. A trajetória da artilharia aerotransportada do Exército Brasileiro conheceu etapa decisiva em 31 de março de 1953, quando o então Núcleo da Divisão Aeroterrestre foi elevado à condição de Grupo de Obuses 75 mm Aeroterrestre. A reestruturação concentrou, sob um único comando, todas as peças M1 75 mm Pack Howitzer disponíveis no país, consolidando a especialização da unidade no apoio de fogo às tropas paraquedistas. Sob a liderança de oficiais que marcaram esse período formativo  entre os quais se destacou o Capitão Dickson Melges Grael, pioneiro do paraquedismo militar brasileiro  o grupo afirmou-se como núcleo de inovação doutrinária e elevado profissionalismo. Nesse ambiente, foram lançadas as bases institucionais da futura Brigada de Infantaria Paraquedista, que se tornaria uma das formações de elite mais reconhecidas do Exército Brasileiro. Um salto qualitativo nas capacidades operacionais ocorreu a partir de janeiro de 1956, com a incorporação dos aviões de transporte Fairchild C-82 Packet à Força Aérea Brasileira (FAB). Concebida especificamente para o lançamento de tropas e cargas, a aeronave apresentava capacidade superior à dos veteranos Douglas C-47 Skytrain até então empregados. Sua introdução foi determinante para o amadurecimento da doutrina aeroterrestre nacional, oferecendo melhores condições para o transporte e lançamento de peças de artilharia leve. Esse processo evolutivo culminou, em meados da década de 1950, na realização do primeiro lançamento em larga escala de obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer, demonstrando a viabilidade de integrar artilharia leve às operações aerotransportadas brasileiras. Tratava-se de um feito técnico e logístico relevante, que reafirmava a capacidade da unidade de operar com elevado grau de autonomia e coordenação interforças. A partir de 1962, a chegada dos aviões Fairchild C-119 Flying Boxcar ampliou ainda mais o espectro operacional. Dotado de maior capacidade de carga e de portas traseiras adequadas ao lançamento de equipamentos volumosos, o C-119 possibilitou o emprego de obuseiros mais pesados, como os modelos M2 e M3 de 105 mm, que passaram a complementar  e progressivamente substituir  os M1 75 mm Pack Howitzer. Essa modernização refletiu-se na própria designação da unidade, que evoluiu para Grupo de Obuses 105 mm Aeroterrestre e, posteriormente, para 8º Grupo de Artilharia Paraquedista, estrutura que, com adaptações, perdura até os dias atuais. O processo de consolidação das forças aerotransportadas brasileiras atingiu novo patamar em 1968, com a criação da Brigada Aeroterrestre, resultante da reorganização do antigo núcleo divisionário. A nova estrutura fortaleceu a capacidade de atuação em cenários de maior complexidade, organizando-se de forma modular, com batalhões de infantaria paraquedista, esquadrões de cavalaria, companhias de comando e apoio, unidades de comunicações, engenharia, logística e artilharia.
Finalmente, em 1971, a redesignação oficial para Brigada de Infantaria Paraquedista consolidou sua identidade institucional como tropa de elite do Exército Brasileiro. Sediada no Rio de Janeiro e subordinada ao Comando Militar do Leste, a Brigada passou a representar a síntese de um processo iniciado ainda no pós-guerra: a construção de uma capacidade aeroterrestre nacional plenamente integrada, capaz de projetar poder com mobilidade, precisão e elevado grau de preparo técnico. Em 1976, foi realizada a primeira Operação SACI, que aconteceu nas regiões de Campos e Macaé (RJ) e Viana (ES), com a infiltração noturna da Eqp Prec, o lançamento tático de 700 paraquedistas e a participação de caças F-5E precedendo dez aeronaves C-115, três C-95 e seis C-130. Desde então, esta tradicional operação ocorre anualmente como coroamento do período de adestramento. Ao final da década de 1970, os obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer  que haviam desempenhado papel decisivo na consolidação da artilharia aerotransportada do Exército Brasileiro  começaram a evidenciar sinais inequívocos de obsolescência. Após mais de três décadas de serviço, desde sua incorporação nos anos 1940, essas peças já enfrentavam limitações técnicas decorrentes do desgaste material, da evolução dos sistemas de tiro e, sobretudo, da necessidade crescente de padronização logística. A doutrina de artilharia de campanha do Exército Brasileiro evoluía no sentido de concentrar esforços no calibre 105 mm, adotado como padrão por oferecer melhor equilíbrio entre mobilidade, alcance e poder de fogo. Essa padronização visava racionalizar estoques de munição, simplificar a manutenção e elevar a eficiência operacional. Nesse novo contexto, o M1 75 mm, embora ainda funcional, tornava-se progressivamente inadequado às exigências de um campo de batalha cada vez mais dinâmico e tecnologicamente sofisticado. Gradualmente, muitas dessas peças passaram a desempenhar funções secundárias, notadamente em atividades de instrução e em disparos de salvas cerimoniais. No âmbito do Curso de Formação de Reservistas de 2ª Categoria, conduzido no Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), os obuseiros continuaram a cumprir papel formativo e simbólico. Embora tais atividades preservassem tradições e contribuíssem para a educação cívico-militar de jovens reservistas, evidenciavam o declínio de seu emprego operacional efetivo. Diante desse quadro, o Comando do Exército decidiu promover a substituição definitiva do M1 por um sistema mais moderno e compatível com a padronização adotada. A escolha recaiu sobre o Oto Melara Mod 56, cuja aquisição teve início em 1977. Leve, desmontável e apto a operações aerotransportadas e de montanha, o modelo italiano representava significativa evolução tecnológica, alinhando-se às necessidades táticas da época e consolidando o calibre 105 mm como referência na artilharia leve brasileira. Com o encerramento de sua carreira operacional, algumas peças M1 75 mm foram destinadas ao Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde passaram a ser empregadas em instrução e em salvas de honra, ao lado dos tradicionais obuseiros franceses Schneider de 75 mm. Nessa nova função, os antigos “Pack Howitzer” assumiram caráter eminentemente simbólico, preservando a memória de uma fase crucial da modernização do Exército Brasileiro e servindo como elo histórico entre gerações de militares. Esse emprego, entretanto, não se prolongaria indefinidamente. No início da década de 1990, os M1 75 mm foram definitivamente desativados do serviço ativo. 

Em Escala.
O kit da Vision Models na escala 1/35 é ideal para representar o M1 75 mm Howitzer Pack do Exército Brasileiro. Apesar de limitações na injeção plástica, o modelo oferece bom detalhamento, com peças em metal e photo-etched, que garantem realismo a elementos como o cano, suportes e grades. O kit não requer modificações para representar a versão utilizada em nosso pais. A pintura em verde-oliva, com marcações discretas, reflete o uso pelo Núcleo da Divisão Aeroterrestre e pela Brigada de Infantaria Paraquedista.
O esquema de pintura adotado para o M-1 75 mm Howitzer Pack consistia predominantemente no Verde-Oliva Fosco, correspondente ao padrão FS 34087 (Federal Standard 595), amplamente utilizado em equipamentos militares brasileiros e aliados durante e após a Segunda Guerra Mundial. As marcações eram minimalistas, geralmente restritas a numerações ou insígnias discretas do Exército Brasileiro, aplicadas em preto fosco (FS 37038) ou, em alguns casos, branco fosco (FS 37875), dependendo do contexto operacional ou cerimonial.

Bibliografia: 
- M116 75 mm  Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/M116_howitzer
- Technical Manual TM 9-1320, 75mm Howitzers and Carriages. War Department, 1944
- Veículos Militares do Brasil - EB e CFN – Facebook Edição colaborativa do artigo
-  Exército Brasileiro - http://www.bdainfpqdt.eb.mil.br/oms/60-organiza%C3%A7%C3%B5es-militares/110-8-gac-pqdt.html

M-1 Antitanque (57 mm)

História e Desenvolvimento.
No início da década de 1930, as unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) contavam com metralhadoras de calibre .50 (12,7 mm) como suas armas de maior potência. Embora estudos já estivessem em andamento para desenvolver uma arma de maior calibre, capaz de neutralizar veículos automotores e carros blindados contudo, os estudos iniciais eram embrionários e enfrentavam resistência de oficiais de alta patente, que viam o desenvolvimento de novas armas como uma prioridade secundária. A necessidade de conter custos levou os militares a priorizar a análise de peças de artilharia de calibres semelhantes disponíveis no mercado, evitando o desenvolvimento de novos projetos do zero. Entre os modelos avaliados, destacou-se um canhão alemão, que serviu de inspiração para o desenvolvimento, a partir de 1938, do primeiro canhão antitanque americano, o M-3 37 mm. Esta classificada como "leve" apresentava um peso de  de aproximadamente 414 kg, o que facilitava seu transporte por equipes de infantaria ou veículos leves. Ele utilizava munições perfurantes (AP) e explosivas (HE), com uma cadência de tiro de cerca de 20 disparos por minuto. Sua mobilidade e facilidade de operação eram pontos fortes, mas o alcance efetivo, limitado a cerca de 500 metros contra alvos blindados.  Essa arma representou um avanço significativo para o Exército dos Estados Unidos (US Army), sendo projetada para enfrentar as ameaças emergentes de veículos blindados.   O M-3 37 mm recebeu seu batismo de fogo em dezembro de 1941, durante a defesa das Filipinas contra o Exército do Império do Japão. Nesse cenário, o canhão demonstrou sua eficácia contra alvos pouco blindados, como veículos automotores e posições de infantaria japonesas. Seu desempenho foi particularmente notável na Campanha de Guadalcanal (1942), onde foi amplamente utilizado contra a infantaria inimiga e os carros de combate japoneses, cuja blindagem leve era facilmente penetrada pelos projéteis de 37 mm. Essas operações iniciais renderam elogios ao M-3, destacando sua mobilidade e facilidade de operação em terrenos desafiadores.  O verdadeiro teste do M-3 37 mm veio durante a Campanha do Norte da África (1942-1943), onde enfrentou os modernos carros de combate alemães, como os Panzer III e IV. Nesse teatro de operações, o canhão revelou suas limitações críticas: seu calibre de 37 mm era insuficiente para penetrar a blindagem mais robusta dos tanques alemães. Relatórios de inteligência elaborados após a desastrosa Batalha de Kasserine, em fevereiro de 1943, indicaram que os projéteis do M-3 mal causavam danos significativos aos blindados da Wehrmacht, sendo descritos como incapazes de "arranhar" os tanques inimigos. As análises iniciais geraram debates entre os oficiais americanos, com explicações que variavam entre a obsolescência do equipamento, táticas inadequadas ou falta de experiência das equipes. Estudos mais detalhados, no entanto, concluíram que o M-3 era intrinsecamente inadequado para enfrentar as novas ameaças blindadas, destacando a necessidade urgente de substituí-lo por um canhão de maior calibre e potência.

A constatação das limitações do canhão antitanque M-3 37 mm durante a Campanha do Norte da África, especialmente após a Batalha de Kasserine em 1943, levou o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) a priorizar a substituição dessa arma por sistemas de maior calibre e potência. A incapacidade do M-3 de enfrentar os modernos tanques alemães, como os Panzer III e IV, revelou a urgência de adaptar a artilharia antitanque às rápidas evoluções tecnológicas do campo de batalha na Segunda Guerra Mundial. A trajetória do M-3, marcada por sucessos iniciais contra blindagens leves no Pacífico, ilustra os desafios enfrentados pelos militares norte-americanos em acompanhar o ritmo das inovações militares, impulsionando o desenvolvimento de canhões como o M-1 57 mm e o M-5 76 mm. Paralelamente, do outro lado do Atlântico, o Exército Real Britânico (Royal Army) enfrentava desafios semelhantes. No início de 1940, o comando britânico reconheceu a obsolescência do canhão antitanque QF 2 Pounder 40 mm, cuja ineficácia foi evidente nos primeiros meses da Campanha da França, quando confrontado com os avançados carros de combate alemães. Diante dessa realidade, foi emitida uma demanda urgente aos arsenais britânicos para o desenvolvimento de uma nova arma antitanque capaz de superar essas limitações. O Woolwich Arsenal, renomado por sua expertise na produção de artilharia, foi selecionado para liderar o projeto. A escolha do calibre 57 mm foi estratégica, baseada na experiência da instituição na fabricação de peças semelhantes no final do século XIX. Esse know-how, combinado com o ferramental existente, permitiu eliminar etapas no processo de desenvolvimento, acelerando a concepção do novo canhão, que seria designado QF 6 Pounder 57 mm. A fase de projeto foi finalizada em meados de 1940, mas o desenvolvimento do reparo de transporte enfrentou atrasos, sendo concluído apenas em fevereiro de 1941, o que impactou o cronograma original. A situação foi agravada pelos eventos da queda da França e da evacuação das praias de Dunquerque, durante a Operação Dynamo (1940). Nesse processo, a Força Expedicionária Britânica (British Expeditionary Force – BEF) perdeu grande parte de seus equipamentos e armamentos, incluindo canhões antitanque. Com a ameaça iminente de uma invasão alemã e a escassez de armas disponíveis, o comando britânico tomou a decisão pragmática de priorizar a produção em massa do QF 2 Pounder 40 mm, uma arma já em uso, que não exigia treinamento adicional ou adaptação das tropas. Essa escolha, motivada por questões de produtividade e urgência, adiou a fabricação do QF 6 Pounder. A produção do QF 6 Pounder 57 mm foi iniciada em novembro de 1941, com sua entrada em serviço operacional a partir de maio de 1942. Apesar dos atrasos, o canhão provou ser um avanço significativo, oferecendo maior poder de penetração e eficácia contra os blindados alemães em comparação com seu antecessor. Sua introdução no campo de batalha marcou um momento crucial na modernização da artilharia antitanque britânica, contribuindo para o esforço aliado em teatros como o Norte da África.
O canhão antitanque QF 6 Pounder 57 mm, desenvolvido pelo Exército Real Britânico (Royal Army), enfrentou seu batismo de fogo durante a Batalha de Gazala, entre 26 de maio e 21 de junho de 1942, no deserto do Norte da África. Nesse confronto, as forças aliadas, equipadas com o QF 6 Pounder, enfrentaram as divisões blindadas alemãs e italianas sob o comando do General Erwin Rommel. Apesar do desempenho notável do canhão, que demonstrou eficácia contra os tanques do Eixo, a batalha culminou em uma vitória das forças adversárias. Contudo, os relatórios detalhados do uso do QF 6 Pounder confirmaram sua superioridade em relação aos canhões antitanque anteriores, como o QF 2 Pounder 40 mm, destacando sua capacidade de penetração e versatilidade no campo de batalha. A performance do QF 6 Pounder chamou a atenção do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), que buscava urgentemente substituir o obsoleto M-3 37 mm, cuja ineficácia contra os tanques alemães Panzer III e IV foi evidenciada na Campanha do Norte da África. Reconhecendo o potencial do canhão britânico, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido celebraram um acordo para a produção sob licença do QF 6 Pounder, designado como M-1 Gun 57 mm. A variante escolhida foi baseada no modelo QF 6 Mark II, e dois exemplares foram enviados ao Watervliet Arsenal para a confecção de gabaritos e ferramental, permitindo a adaptação do projeto às capacidades industriais americanas. A alta demanda pelo M-1 57 mm levou à decisão de expandir a produção para o Rock Island Arsenal, com as primeiras unidades entregues a partir de outubro de 1942. Para atender às especificidades operacionais americanas, foram desenvolvidas variantes: o M-1A1, equipado com pneus e rodas do tipo U.S Combat, e o M-1A2, que incorporava a prática britânica de travessia livre, permitindo que a tripulação ajustasse a direção do canhão manualmente, empurrando e puxando a culatra, em vez de depender exclusivamente de engrenagens. Contudo, visando otimizar a produtividade em meio às pressões da guerra, a partir da primavera de 1943, o foco industrial foi direcionado à produção da versão padrão M-1. Cerca de dois terços da produção do M-1 foram destinados às divisões do US Army baseadas na Inglaterra, garantindo alta disponibilidade para a planejada invasão da França em 1944, um marco crucial na campanha aliada na Europa Ocidental. O restante da produção foi alocado ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que forneceu apoio militar aos aliados. A maior parte dessas peças foi entregue às forças britânicas, reforçando sua artilharia antitanque, enquanto um pequeno volume foi cedido à União Soviética, para uso pelo Exército Vermelho em sua luta contra as forças do Eixo.

A adoção do QF 6 Pounder e sua produção como M-1 57 mm ilustram a colaboração estreita entre os aliados durante a Segunda Guerra Mundial, unindo esforços para superar as limitações tecnológicas e táticas diante de um inimigo formidável. A transição do M-3 37 mm para o M-1 57 mm, inspirada no sucesso do QF 6 Pounder, reflete a determinação dos militares americanos e britânicos em adaptar suas capacidades ao ritmo acelerado da guerra. O M-1 57 mm, com sua maior potência e versatilidade, tornou-se um pilar da artilharia antitanque aliada, contribuindo significativamente para o esforço de guerra e deixando um legado de inovação e resiliência na história militar. Como registrado anteriormente, os canhões M-1 Gun e QF6 Pounder apresentaria resultados extremamente positivos, sendo capaz de penetrar qualquer blindagem dos veículos alemães e italianos. Em sua ação mais célebre, os canhões de QF 6 Pounder do 2º Batalhão, a Brigada de Fuzileiros (juntamente com parte da Artilharia Real de Bateria Antitanque 239), destruiriam mais de quinze tanques inimigos na ação em 'Snipe' durante a Segundo Batalha de El Alamein. Com estes resultados se repetindo posteriormente durante as fases iniciais da invasão da Itália. No entanto ao longo do ano seguinte, os alemães introduziram projetos muito mais pesados e fortemente blindados de carros de combate, especialmente os tanques Tiger I e o Panther, contra os quais a munição de 57 mm se mostraria ineficaz quando empregada contra sua blindagem frontal. Desta maneira as forças aliadas passariam a empregas táticas de engajamento lateral e traseiro, com os canhões QF6 Pounder sendo responsáveis pelos primeiros carros de combate Tiger destruídos no norte da África. A partir de maio de 1944 este cenário começaria a mudar, com os carros de combate alemães de nova geração passando a ser vítimas com a introdução de munições mais sofisticadas como o Armor-Piercing Composite Rigid - APCR (munição perfurante de blindagem), Armor-Piercing e Discarding Sabot - APDS. Próximo a implementação da operação Overlord os canhões M-1 Gun 57 mm se encontravam disponíveis em grande número na Europa, e de acordo Tabela de Organização e Equipamentos (TO&E) de 26 de maio de 1943, uma Companhia Regimental Antitanque, passava a incluir nove canhões de 57 mm e cada batalhão dispunha de um pelotão antitanque com três canhões, totalizando dezoito armas destas por regimento. Em meados de 1944, o M-1 57 mm já representava o equipamento padrão das forças norte-americanas na Frente Ocidental, superando largamente em números os canhões M- 3 Gun 37 mm. Durante a campanha de invasão na Normandia os canhões antitanque M1 57 mm, apresentaram destacada participação no esforço aliado, e neste cenário seriam tracionados pelos veículos Dodge WC-63 1 1⁄2 Toneladas 6x6 e  White M-3 Half-Track. 
Com a consolidação da cabeça de ponte na Normandia após a Operação Overlord em 1944, os canhões antitanque M-1 57 mm, produzidos sob licença nos Estados Unidos com base no britânico QF 6 Pounder, foram cedidos às Forças Francesas Livres (France Libre), desempenhando um papel crucial no avanço aliado contra as forças do Eixo na Frente Ocidental. Esses canhões, tracionados por veículos como o Dodge WC-63 e o White M-3 Half-Track, ofereceram mobilidade e potência de fogo, contribuindo significativamente para o sucesso das operações na França. A colaboração entre os aliados, exemplificada pela transferência dessas armas, reforçou a determinação coletiva de derrotar a ameaça nazi-fascista. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em maio de 1945, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou a desmobilização de suas tropas, e os canhões M-1 57 mm começaram a ser gradualmente desativados. A introdução de novas tecnologias, como canhões sem recuo e bazucas, que ofereciam maior mobilidade e poder de penetração, marcou a transição para uma nova geração de armas antitanque. Apesar disso, o M-1 permaneceu relevante em conflitos subsequentes devido à sua confiabilidade e disponibilidade em grandes quantidades. O eclodir da Guerra da Coreia (1950-1953) trouxe o M-1 57 mm de volta ao cenário de combate. Muitas unidades foram mobilizadas e cedidas ao Exército da Coreia do Sul (Daehanminguk Yuk), onde se mostraram eficazes em operações contra blindados leves e posições fortificadas. A versatilidade do canhão, aliada à sua facilidade de operação, garantiu sua utilidade em um conflito marcado por combates intensos em terrenos variados. Antes mesmo da Guerra da Coreia, as Forças de Defesa de Israel (IDF) tornaram-se um dos maiores operadores pós-guerra do M-1 57 mm e do QF 6 Pounder. Empregados em batalhões antitanque em nível de brigada e pelotões antitanque de batalhão, esses canhões eram essenciais para as operações defensivas e ofensivas de Israel. Até o final de 1955, o IDF contava com 157 peças em serviço ativo, e, em 1956, mais 100 unidades foram adquiridas da Holanda. Infelizmente, essas últimas chegaram tarde demais para serem utilizadas na Crise do Canal de Suez (1956), mas reforçaram o arsenal israelense em conflitos posteriores. O M-1 57 mm também foi adotado pelas Forças Armadas do Paquistão, onde serviu por muitos anos. Atualmente, várias dessas peças são preservadas como gate guardians (guardas do portão) em bases militares paquistanesas, simbolizando sua importância histórica. Durante a Guerra do Biafra (1967-1970), tanto o Exército Federal da Nigéria quanto as Forças Armadas de Biafra fizeram uso do M-1/QF 6 Pounder, adaptando-os até mesmo como canhões embarcados em pequenos navios, demonstrando a versatilidade do sistema em contextos não convencionais. Entre 1942 e 1945, os arsenais norte-americanos, incluindo o Watervliet Arsenal e o Rock Island Arsenal, produziram mais de 15.000 canhões da família M-1 57 mm.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa de suas forças,  envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância

Na década de 1940, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro enfrentava desafios significativos, equipada majoritariamente com armamentos ultrapassados, como os canhões alemães Krupp 75 mm Modelo 1908 e franceses Schneider-Canet 75 mm, projetados para tração hipomóvel e fabricados no início do século XX. Esses equipamentos, embora robustos para sua época, não atendiam às exigências do combate moderno. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, marcou o início de uma transformação profunda, impulsionada pelo programa norte-americano Lend-Lease Act. A partir de meados de 1942, navios de transporte começaram a desembarcar no porto do Rio de Janeiro, trazendo uma gama de equipamentos modernos, incluindo armas de infantaria, canhões antitanque de 37 mm e obuseiros de 105 mm e 155 mm. Essa incorporação representou um salto qualitativo para a artilharia brasileira, dotando-a de maior potência de fogo e precisão. O compromisso do Brasil com o esforço de guerra aliado foi formalizado em  Em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB incluía, além da divisão principal, diversos órgãos não-divisionários essenciais para sua operação. devendo ao todo ser composta por 25.000 soldados.  A composição da Força Expedicionária Brasileira (FEB) contemplava quatro grupos de artilharia (três equipados com obuses de 105 mm e um com 155 mm), uma esquadrilha de aviação da Força Aérea Brasileira para ligação e observação, um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de comunicações. A força contava ainda com um comando próprio, um comando de quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e, simbolicamente, uma banda de música. Além disso, a infantaria recebeu uma variedade de armas anticarro e antitanque, incluindo 57 canhões M-1 57 mm, uma arma até então inédita no Exército Brasileiro.  Para operar esses canhões, foi criada, em 12 de abril de 1943, pelo Decreto-lei nº 5.388-A, a Companhia de Canhões Antitanque, destinada a reforçar a capacidade da FEB de enfrentar blindados inimigos. Esses canhões M-1 57 mm, baseados no britânico QF 6 Pounder, ofereciam maior poder de penetração em comparação com os obsoletos M-3 37 mm, representando um avanço significativo para as operações brasileiras.
Embora as tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB)  destinadas ao teatro de operações na Itália tenham passado por um intensivo programa de treinamento nos centros de instrução do Campo dos Afonsos e Gericinó, no Rio de Janeiro, a familiarização com equipamentos mais complexos, como os canhões antitanque M-1 57 mm e os obuseiros modernos, ainda apresentava deficiências. Essa lacuna foi suprida em solo italiano, com a implementação de um programa de instrução entre 5 e 18 de agosto de 1944, na localidade de Tarquinia, situada 60 quilômetros a noroeste de Roma. Nesse período, os soldados brasileiros responsáveis pela operação dos canhões antitanque foram treinados por militares do V Exército dos Estados Unidos, que possuíam vasta experiência no manejo do M-1 57 mm. Esse treinamento focou na doutrina operacional e nas técnicas de emprego do canhão, capacitando os pracinhas brasileiros para enfrentar os desafios do combate contra blindados no front italiano. No dia 15 de setembro de 1944,  clima gelado  já prenunciava os rigores do inverno próximo, e seria nestas condições que a  Força Expedicionária Brasileira (FEB) receberia seu batismo de fogo, quando as tropas lideradas pelos General Zenóbio da Costa, atuariam em coordenação com três companhias norte-americanas, com esta operação enfrentando pouca resistência do inimigo. Dois dias depois seriam conquistadas as localidades de Massarosa, Bozzano e Quiesia, não sendo registrado, no entanto, nenhum encontro com unidades blindadas alemães ou italianas.  A exemplo da formatação de emprego doutrinário original do Exército dos Estados Unidos (US Army), os canhões antitanque M-1  Gun de 57 mm podem ter sido empregados em conjunto com os canhões M-3 Gun de 37 mm. Junto ao contingente brasileiro, estas armas equipariam o  1º Regimento de Infantaria – Sampaio, 6º Regimento de Infantaria – Ipiranga e 11º Regimento de Infantaria – Tiradentes e pela Companhia Anti Carros. Existem poucos registros oficiais do emprego destes canhões contra veículos blindados inimigos, com estas peças sendo geralmente utilizadas em ataques contra pontos de defesa ou fortificações inimigas. Após o término do conflito em maio de 1945, todos os canhoes M-1 Gun de 57 mm bem como os demais veículos, armas e equipamentos cedidos pelos norte-americanos seriam entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army) na cidade de Roma. Nesta unidade todos estes materiais considerados em melhor estado de conservação seriam armazenados e despachados posteriormente ao Brasil por via naval. Após serem recebidos no porto do Rio de Janeiro em julho deste mesmo ano, estas peças de artilharia "italianas", passariam a ser concentradas nas unidades de Infantaria e de Companhias Anti Carro, que já operam o mesmo tipo de armamento recebido anteriormente.   

O canhão antitanque M-1 57 mm, baseado no britânico QF 6 Pounder, desempenhou um papel significativo na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo de sua trajetória, essas armas foram tracionadas por uma variedade de veículos, refletindo a evolução das capacidades logísticas da Força Terrestre. Inicialmente, os M-1 foram tracionados por carros blindados como o M-3A1 Scout Car, blindados meia-lagarta White M-2, M-3 e M-5, e utilitários Dodge WC-63 e WC-62 Beep 6x6 Big Foot. Próximo ao fim de sua carreira operacional, já na década de 1960, veículos utilitários nacionais militarizados, como os Ford Willys-Overland Rural F-85, assumiram essa função, demonstrando a adaptabilidade do Exército Brasileiro às condições locais. Embora o M-1 57 mm fosse consideravelmente superior ao seu antecessor, o M-3 37 mm, em termos de potência e eficácia contra blindagens, sua operação no Exército Brasileiro enfrentou restrições significativas devido à escassez de munição de 57 mm. Ao contrário do calibre 37 mm, amplamente disponível por equipar os carros de combate leve CCL M-3 Stuart e os blindados VBR  M-8 Greyhound, e produzido localmente, a munição de 57 mm nunca foi fabricada no Brasil. Essa limitação restringiu o treinamento prático de tiro, impactando a plena exploração das capacidades do M-1 57 mm. No início da década de 1960, o Exército Brasileiro recebeu um novo lote de canhões M-1 57 mm, provenientes de unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army), cuidadosamente armazenados desde sua desativação no final dos anos 1950. Essa cessão, parte do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, incluiu também um significativo estoque de munição de 57 mm de diversos tipos, proporcionando um alívio para a escassez anterior. Com isso, foi possível retomar a operacionalidade do M-1 57 mm, permitindo sua redistribuição para além dos Regimentos de Infantaria (RI) e das Companhias de Canhões Anticarros (CCAC), alcançando também alguns Esquadrões de Reconhecimento Motorizado (Esqd Rec Mec). Essa ampliação reforçou a capacidade antitanque da Força Terrestre, atendendo às demandas táticas da época. Um momento notável na história do M-1 57 mm no Brasil foi seu emprego durante a Revolução de 1964 (ou Contra-Revolução, conforme a perspectiva), deflagrada em 31 de março daquele ano. Nesse contexto, o Exército Brasileiro mobilizou suas forças nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro para demonstrações de força, e os canhões M-1 foram utilizados em operações de prontidão. Embora não tenham sido empregados em combates diretos, sua presença reforçou a capacidade de dissuasão da Força Terrestre, destacando a relevância estratégica desses equipamentos em momentos de crise política.
A partir do final de 1965, no âmbito do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, as Forças Armadas Brasileiras começaram a receber novos lotes de equipamentos bélicos modernos de origem norte-americana, marcando um novo capítulo na modernização de seu arsenal. Nesse contexto, o Exército Brasileiro foi contemplado com um número considerável de canhões sem recuo (CSR) M-40, M-40A1 e M-40A2  Recoilless Rifle  de 106 mm, projetados especificamente para missões anticarro e antitanque. Essas armas, caracterizadas por seu menor peso, facilidade de manejo e alta eficiência operacional, representaram um avanço significativo em relação aos canhões antitanque M-1 57 mm, que, apesar de sua relevância durante a Segunda Guerra Mundial e na Revolução de 1964, enfrentavam limitações devido à escassez de munição. Os canhões sem recuo CSR , com sua maior potência e versatilidade, começaram a substituir imediatamente os M-1 57 mm nos Batalhões de Infantaria. Além disso, eles passaram a equipar unidades que ainda utilizavam os obsoletos canhões M-3 37 mm, ampliando a capacidade antitanque da Força Terrestre. A introdução dos canhões se recuo permitiu ao Exército Brasileiro atender às demandas do combate moderno, oferecendo maior mobilidade e poder de fogo em comparação com seus predecessores. Essa transição refletiu o compromisso com a atualização das capacidades operacionais, alinhando o Brasil às tendências globais em armamentos antitanque. Apesar de sua superioridade operacional, o M-1 57 mm enfrentava um desafio persistente: a escassez de munição de 57 mm, agravada pelo seu intenso uso em anos anteriores. Diferentemente do calibre 37 mm, amplamente disponível e produzido localmente para os carros de combate M-3 Stuart e blindados M-8 Greyhound, a munição de 57 mm dependia exclusivamente de importações, limitando o treinamento e o emprego prático do canhão. Esse cenário levou, em 1967, à decisão de iniciar o processo de desativação do M-1 57 mm. A retirada gradual dessas armas culminou em meados de 1972, encerrando sua carreira operacional no Exército Brasileiro. Após sua desativação, muitos canhões M-1 57 mm foram preservados como monumentos nas sedes de unidades operacionais, simbolizando a história de bravura e modernização da artilharia brasileira. Outras peças foram destinadas a museus militares espalhados pelo país, onde passaram a integrar acervos que celebram o legado da Força Terrestre. Algumas unidades foram desmilitarizadas e adquiridas por entusiastas e colecionadores civis, permitindo que a memória do M-1 continuasse viva em coleções particulares.

Em Escala:
Para recriar o canhão antitanque M-1 57 mm, foi utilizado o kit na escala 1/35 produzido pela Riich Models. Este modelo, embora apresente desafios devido à qualidade mediana da injeção plástica, com rebarbas que exigem cuidado adicional durante a montagem, destaca-se positivamente pelo conjunto detalhado de peças em photo-etched. Essas peças conferem maior realismo e precisão aos componentes do canhão, como o reparo e os sistemas de travessia, capturando a essência do M-1 em sua configuração operacional. A representação da versão empregada pelo Exército Brasileiro não requer alterações adicionais, permitindo que o kit seja montado diretamente da caixa.
O canhão antitanque M-1 57 mm, peça fundamental na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, foi recebido a partir de 1942 com um esquema de pintura tático único, baseado no sistema Federal Standard (FS). Esse padrão, aplicado às primeiras 57 unidades cedidas à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e mantido nos lotes subsequentes recebidos na década de 1960. O esquema de pintura permaneceu inalterado ao longo de toda a carreira operacional do M-1 57 mm no Brasil, refletindo sua adequação às necessidades táticas da Força Terrestre.
Bibliografia: 
- M-3 57 mm Gun Wilipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Ordnance_QF_6-pounder
- US M-1 57 mm Anti-tank gun at Militaria: Weapons - http://efour4ever.com/57mm.htm
- Artilharia de Campanha no Exército Brasileiro – Cezar Carriel Benetti - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/ACEB.pdf

Sistema SARC REMAX (12,7 MM)

História e Desenvolvimento.
Durante a década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o Brasil firmou importantes acordos de cooperação militar com os Estados Unidos, que resultaram no envio de missões militares destinadas a modernizar e fortalecer as Forças Armadas Brasileiras. Esse processo de cooperação foi fundamental para a reorganização da estrutura militar do país, mas também evidenciou uma vulnerabilidade estratégica significativa: a forte dependência brasileira de tecnologias e equipamentos militares importados. Naquele momento, tornou-se evidente o limitado grau de autonomia tecnológica nacional para enfrentar ameaças externas e eventuais conflitos. A carência de infraestrutura científica e industrial voltada ao desenvolvimento de material bélico revelava o quanto o país dependia de soluções estrangeiras para equipar e manter suas forças armadas. Tal constatação contribuiu para consolidar, entre líderes militares e autoridades governamentais, a percepção de que a ciência e a tecnologia deveriam constituir vetores essenciais para a garantia da soberania nacional. Nesse cenário, a necessidade de manutenção, adaptação e suporte técnico aos equipamentos importados impulsionou o surgimento dos primeiros núcleos técnicos dentro das organizações militares. Esses grupos iniciais, voltados à engenharia, manutenção especializada e experimentação tecnológica, representaram os embriões das futuras estruturas dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento no âmbito do Exército Brasileiro. Ao longo das décadas seguintes, esse processo evoluiu gradualmente. Contudo, foi na década de 1970 que o Exército intensificou seus esforços para consolidar uma estrutura institucional voltada à inovação tecnológica militar. Em 1975, foi constituído um grupo de trabalho com a missão de estruturar um centro capaz de atender às crescentes demandas de pesquisa, desenvolvimento e experimentação de materiais e sistemas de defesa. Esse esforço culminou, em 16 de outubro de 1979, com a publicação do Decreto nº 84.095, que instituiu oficialmente o Centro Tecnológico do Exército (CTEx). A nova organização passou a centralizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação tecnológica voltadas às necessidades operacionais da força terrestre. Subordinadas ao CTEx, foram criadas unidades especializadas que compuseram a base da infraestrutura tecnológica militar brasileira, entre elas o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, o Instituto de Projetos Especiais e o Campo de Provas da Marambaia. Essas instituições passaram a desempenhar papel central na condução de estudos técnicos, na experimentação de equipamentos e no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à defesa nacional. A criação do CTEx coincidiu com um período de ampla renovação da frota de veículos militares do Exército Brasileiro, circunstância que estimulou o desenvolvimento de projetos nacionais e impulsionou a cooperação entre as Forças Armadas e a indústria brasileira. Nesse contexto, destacaram-se empresas como a Engesa e a Bernardini S.A. Indústria e Comércio, que estabeleceram parcerias estratégicas com o Exército no desenvolvimento e produção de veículos militares. Esse período ficou conhecido como a chamada “era de ouro” da Base Industrial de Defesa brasileira. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, o país consolidou-se como um relevante produtor e exportador de equipamentos militares. Empresas nacionais obtiveram contratos internacionais para a venda de milhares de viaturas militares, incluindo blindados desenvolvidos no Brasil, como o EE-9 Cascavel e o EE-11 Urutu, adquiridos por diversos países da América Latina, da África e do Oriente Médio. Entretanto, o término da Guerra Fria, no final da década de 1980, provocou uma significativa retração na demanda internacional por armamentos e veículos militares. Essa mudança no cenário geopolítico impactou profundamente a indústria de defesa brasileira, levando à redução de encomendas e à consequente crise de várias empresas do setor. Como resultado, importantes fabricantes nacionais, entre elas a Engesa e a Bernardini, acabaram encerrando suas atividades nas décadas seguintes, marcando o fim de um período particularmente dinâmico da indústria militar brasileira. Apesar de o Brasil já não dispor, nas décadas posteriores, de um parque industrial de defesa tão vigoroso quanto aquele observado no auge da indústria militar nacional, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) manteve-se como um dos principais polos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica voltados às necessidades da Exército Brasileiro. Mesmo diante das limitações impostas pela retração da indústria de defesa, essa instituição prosseguiu em sua missão de estudar, desenvolver e adaptar tecnologias que pudessem ser incorporadas aos meios operacionais da Força Terrestre. Entre os diversos projetos de relevância concebidos no âmbito do CTEx, destaca-se o desenvolvimento de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), destinado a equipar viaturas blindadas do Exército Brasileiro. Esse conceito tecnológico possui raízes mais antigas, remontando à década de 1960, quando os United States Army iniciaram estudos para o desenvolvimento de sistemas conhecidos como Remote Controlled Weapon Station (RWCS), ou estações de armas remotamente controladas. O principal objetivo desses sistemas era aumentar significativamente a proteção das guarnições no interior dos veículos de combate. Em cenários de conflito, operadores de metralhadoras montadas externamente em blindados frequentemente precisavam expor-se ao fogo inimigo, o que representava elevado risco. As estações de armas remotamente controladas buscavam solucionar esse problema, permitindo que o operador realizasse a aquisição e o engajamento de alvos a partir do interior da viatura, reduzindo a exposição ao combate direto. Além da segurança do operador, tais sistemas passaram a proporcionar ganhos operacionais importantes, como maior precisão de tiro e maior consciência situacional no campo de batalha. Isso foi possível graças à integração de sensores e câmeras externas que transmitiam imagens para o interior do veículo, incluindo câmeras diurnas e sistemas de visão térmica, permitindo o emprego eficaz do armamento mesmo em operações noturnas ou em condições de baixa visibilidade. Nos estágios iniciais, o programa previa o desenvolvimento de plataformas capazes de operar armas leves e de médio calibre, instaladas não apenas em veículos blindados terrestres, mas também em embarcações e plataformas aéreas. Os primeiros conjuntos funcionais começaram a ser entregues às unidades operacionais militares no final da década de 1990, sob a designação de CROWS (Common Remotely Operated Weapon Station).
Com o amadurecimento tecnológico ao longo dos anos seguintes, diversas limitações presentes nos sistemas iniciais foram gradualmente superadas, resultando em versões mais avançadas, como o M101 CROWS. Essa evolução tecnológica ampliou significativamente as capacidades operacionais do sistema, permitindo que o operador identificasse, acompanhasse e engajasse alvos mantendo-se completamente protegido no interior do veículo. O sistema foi projetado para ser empregado em uma ampla variedade de plataformas militares e podia ser configurado com diferentes armamentos, entre eles o lançador automático de granadas Mk 19 grenade launcher, a metralhadora pesada Browning M2 calibre 12,7 mm, a metralhadora M240B calibre 7,62 mm e a metralhadora leve M249 calibre 5,56 mm. Do ponto de vista estrutural, o sistema é composto por dois conjuntos principais. O primeiro corresponde à plataforma armada instalada na parte externa da viatura, responsável pela movimentação e pelo emprego do armamento. O segundo consiste no módulo de controle interno, operado pelo militar a partir do interior do veículo. A estação de armas apresenta capacidade de rotação de 360° e movimento vertical de elevação entre −20° e +60°, sendo estabilizada por meio de sistemas giroscópicos que permitem maior precisão mesmo com o veículo em movimento. O conjunto também integra sensores eletro-ópticos, incluindo uma câmera de vídeo para operação diurna, uma câmera térmica para operações noturnas e um telêmetro laser seguro para os olhos (laser rangefinder), que auxilia na determinação precisa da distância até o alvo. A partir das décadas seguintes, diversos países passaram a desenvolver seus próprios sistemas de armas remotamente controladas, acompanhando a evolução da tecnologia e as novas exigências do combate moderno. Entre os principais exemplos destacam-se o FN Herstal Defender, desenvolvido pela empresa belga FN Herstal; o sistema finlandês Patria PML 127 OWS, produzido pela Patria; os sistemas russos Bumerang‑BM, AU‑220M, Arbalet‑DM e Serval remote weapon station; além do sistema israelense Samson RCWS, desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems, que figura entre os mais difundidos desse tipo de tecnologia no cenário internacional. A eficiência demonstrada pelos sistemas de armas remotamente controlados em operações militares contemporâneas rapidamente evidenciou seu valor tático, sobretudo pela capacidade de aumentar a proteção das guarnições e ampliar a consciência situacional no campo de batalha. Esses resultados despertaram o interesse do comando do Exército Brasileiro, que passou a avaliar a possibilidade de incorporar tal tecnologia aos seus meios blindados, seja por meio da aquisição de sistemas estrangeiros, seja pelo desenvolvimento de uma solução nacional. Nesse contexto de modernização tecnológica, ocorreriam importantes transformações institucionais no sistema de ciência e tecnologia da Força Terrestre. Em 2005, a então Secretaria de Ciência e Tecnologia do Exército passou a ser comandada pelo Alberto Mendes Cardoso, que promoveu uma ampla reestruturação administrativa. Entre as principais medidas implementadas destacou-se o processo de fusão dessa secretaria com a Secretaria de Tecnologia da Informação do Exército, iniciativa que resultou na criação do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT).

A criação do DCT representou um passo significativo na centralização e coordenação das atividades científicas e tecnológicas da instituição, passando a reunir sob uma mesma estrutura todas as áreas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento, experimentação e fabricação de material de emprego militar. À época, esses equipamentos eram classificados como Material de Emprego Militar (MEM), denominação posteriormente atualizada para Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Sob a liderança do General Cardoso e com o apoio de seu vice-chefe, o Ubiratã Athayde Marcondes  que anos mais tarde viria a atuar como gerente de sistemas terrestres na empresa ARES Aeroespacial e Defesa  foi concebido o Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Exército (PBCT). Esse documento estabeleceu diretrizes estratégicas destinadas a orientar o desenvolvimento científico e tecnológico da Força Terrestre, alinhando suas prioridades ao planejamento estratégico institucional vigente à época, cujo objetivo central era elevar o patamar tecnológico do Exército Brasileiro, conferindo-lhe maior capacidade dissuasória. Entre os projetos contemplados pelo PBCT figuravam diversos programas de desenvolvimento de sistemas de armas e equipamentos militares. Um dos mais avançados naquele momento era o programa do Morteiro 120 mm do Exército Brasileiro, que já se encontrava em fase final de homologação operacional, circunstância que permitiu redirecionar recursos financeiros e humanos para novas iniciativas tecnológicas. Dentro desse contexto, um dos projetos em estudo envolvia o desenvolvimento de uma torre armada com canhão de 105 mm destinada a equipar futuros veículos blindados do Exército Brasileiro. Esse projeto estava sob responsabilidade do Grupo de Armamento e Munição do Exército (GAM), sendo conduzido pelo então Marcello Menezes Eifler. Inicialmente, previa-se que essa torre pudesse integrar a chamada Nova Família de Blindados do Exército, iniciativa que, a partir de 2007, evoluiria para o Programa Estratégico do Exército Guarani, responsável pelo desenvolvimento da nova geração de veículos blindados sobre rodas da Força Terrestre. Entretanto, durante as fases iniciais de estudo e concepção, tornou-se evidente que o Centro Tecnológico do Exército ainda não possuía experiência suficiente no desenvolvimento de sistemas eletrônicos embarcados de elevada complexidade, como aqueles necessários para o funcionamento de uma torre de combate moderna equipada com canhão de médio calibre. Sistemas desse tipo exigiam integração avançada de sensores, sistemas de estabilização, controles de tiro e arquitetura eletrônica embarcada  áreas nas quais a instituição ainda acumulava conhecimento limitado naquele momento. Diante dessa realidade, concluiu-se que, a curto prazo, não seria viável projetar integralmente um sistema dessa magnitude. Assim, optou-se por uma abordagem mais gradual e pragmática: iniciar o desenvolvimento de uma torre com arquitetura mais simples, tanto em termos de design quanto de funcionalidades. Essa estratégia permitiria ao CTEx adquirir experiência prática no domínio de tecnologias críticas, formando uma base de conhecimento essencial para o desenvolvimento futuro de sistemas mais complexos e sofisticados. A oportunidade para um projeto mais simples surgiria a seguir, com a participação das Forças Armadas Brasileiras, da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti MINUSTAH (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti). 
Nesta operação, ocorreriam enfrentamento contra ex-militares das forças armadas haitianas, ex-policiais e bandidos comuns, que organizados em milicias se dedicavam a controlar algumas áreas na capital. Estes estavam equipadas com os mais variados tipos de armas leves, desde carabinas M-1 a fuzis M-1 Garand e AK-47 Kalashnikov, forçando as tropas a adaptar-se um novo  tipo de confronto assimétrico. Este cenário levaria a implementação de novas táticas, e a adaptação das viaturas com o intuito de fornecer um mínimo de proteção adequada a seus ocupantes.  Neste contexto um dos principais pontos críticos era a exposição do operador da metralhadora de apoio das viaturas EE-11 Urutu a tiros deflagrados por estes milicianos. Como solução seriam desenvolvidos estudos entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), visando inicialmente a construção de uma torre mecânica blindada. Este processo evoluiria para o estudo de emprego de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), havendo inclusive, no final de 2007, a instalação de um SARC CWS 30 israelense, com uma metralhadora de calibre 7,62 mm MAG, em um EE-11 Urutu, a fim de ser submetidos a testes de campo. Os resultados seriam promissores, porém os custos envolvidos em um processo de importação seriam demasiados altos para o momento, gerando a oportunidade para a possibilidade em se desenvolver um SARC, nacional. É importante frisar que, nos últimos conflitos armados, principalmente em áreas urbanas, houve uma intensa utilização deste tipo de sistema, sendo denominado pela sigla RWCS (Remote Controlled Weapon Station), na qual o atirador fica posicionado no interior da viatura, onde realiza as operações remotas de pontaria e disparo do armamento. No exterior da viatura permanece somente o armamento, o reparo e os sistemas de observação de alvos, constituídos principalmente por câmeras diurna e noturna. A versão mais moderna desses sistemas incorpora também um sistema de estabilização, permitindo a realização do tiro com a viatura em movimento.  Devido a uma demanda de aparelho de pontaria para os novos morteiros de 120 mm, o comando do Grupo de Armamento e Munição (GAM), estabeleceu conversações com a empresa Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda, no intuito de se aprofundar no conhecimento de seu Sistema de Pontaria para Tiro Indireto de Morteiros (SPOTIM). Durante uma reunião, seria apresentado o sistema IVERA (Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação), desenvolvido para fornecer aos pilotos de helicópteros a indicação visual estabilizada da rampa de aproximação para pouso em embarcações. Curiosamente este conjunto preencheria adequadamente lacuna de capacidade tecnológica que faltava ao CTEx, para a criação de um sistema nacional. Negociações de parceria  seriam estabelecidas, resultando no segundo semestre do ano e 2006 na criação do  “Projeto básico de pesquisa, desenvolvimento e produção de um protótipo de Reparo de Metralhadora Automatizado X (REMAX)”. Já nos requisitos iniciais do projeto, ficaria  claro o pragmatismo, buscando-se concentrar os poucos recursos em sistemas para seu Teatro de Operação (TO), pois este sistema seria desenvolvido inicialmente para utilizar apenas como armamento as metralhadoras Browning M-2HB de calibre .50 (12,7×99 mm) e FN MAG de calibre 7,62×51 mm. Como premissa básica, esta torre deveria ser projetada com uma arquitetura modular, que permitisse a implementação de componentes que agregassem diferentes funcionalidades, e multiplataforma, para poder ser integrado em quaisquer viaturas blindadas com teto rígido, com um mínimo de modificações. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Em dezembro de 2006, o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu um marco relevante no processo de modernização tecnológica das Forças Armadas ao firmar o contrato nº 004/2006-CTEx com a empresa brasileira ARES Aeroespacial e Defesa, então denominada Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda.. O acordo, no valor de R$ 1.245.000,00, tinha como objetivo a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de um protótipo experimental inovador, designado REMAX 1. O prazo estabelecido para a conclusão do projeto estendia-se até dezembro de 2008. A contratação foi formalizada por meio de inexigibilidade de licitação, fundamentada na singularidade tecnológica do projeto. O REMAX 1 representava o primeiro Sistema de Armas Remotamente Controlado desenvolvido no hemisfério sul, incorporando tecnologias avançadas que ainda não eram plenamente dominadas no país naquele momento. A iniciativa refletia o esforço do Brasil em ampliar sua autonomia tecnológica no setor de defesa, em um período caracterizado por iniciativas internacionais voltadas à modernização de equipamentos militares diante das transformações do ambiente estratégico global. A ARES Aeroespacial e Defesa, reconhecida por sua experiência no desenvolvimento de sistemas de estabilização e sensores optrônicos aplicados a plataformas militares, aportou ao projeto sua expertise técnica especializada. Um aspecto fundamental do contrato, contudo, estabelecia que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do sistema pertenceria integralmente ao Exército Brasileiro. Essa cláusula tinha importância estratégica, pois garantia a soberania nacional sobre a tecnologia desenvolvida, assegurando que os conhecimentos obtidos permanecessem sob controle estatal e pudessem ser empregados em futuros programas de defesa. No primeiro semestre de 2009, o projeto alcançou um marco importante com a apresentação pública de um modelo de exposição (mock-up) do sistema REMAX 1, integrado à VBTP-MSR Guarani, viatura blindada sobre rodas em desenvolvimento no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani. A exibição ocorreu durante a Latin America Aero & Defence, realizada na cidade do Rio de Janeiro, um dos principais eventos do setor de defesa da América Latina. Embora se tratasse ainda de um protótipo não funcional, a apresentação demonstrou o potencial da nova estação de armas e representou o primeiro passo concreto no processo de integração do sistema a uma plataforma blindada nacional. A iniciativa permitiu visualizar, ainda que de forma preliminar, a aplicação prática da tecnologia em um veículo destinado a se tornar o principal blindado sobre rodas do Exército Brasileiro nas décadas seguintes. Apesar dos avanços alcançados, o desenvolvimento do protótipo experimental  concluído no segundo semestre de 2009  enfrentou um obstáculo relevante. A VBTP-MSR Guarani ainda não havia sido entregue pelo fabricante, a Iveco Defence Vehicles, o que impossibilitava a integração imediata do sistema à plataforma originalmente planejada. Diante desse impasse, e com o objetivo de evitar atrasos adicionais no cronograma do projeto, o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) solicitou a cessão de uma viatura EE-11 Urutu, blindado sobre rodas amplamente empregado pelo Exército Brasileiro e desenvolvido pela tradicional empresa nacional Engesa. 

Essa decisão revelou-se estratégica, pois permitiu dar continuidade aos trabalhos de integração e testes do sistema. A utilização do EE-11 Urutu como plataforma provisória possibilitou a realização das primeiras avaliações práticas do REMAX 1, garantindo que o programa avançasse na validação de conceitos e na consolidação das tecnologias necessárias para o desenvolvimento de estações de armas remotamente controladas no Brasil. Com a integração do sistema, tiveram início as atividades de avaliação técnica conduzidas pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro. Durante essa fase inicial, o conjunto foi submetido a uma série de testes de campo destinados a verificar suas funcionalidades básicas, incluindo a precisão do armamento, a eficiência dos sistemas de estabilização e a confiabilidade da operação remota. Os resultados obtidos mostraram-se promissores, evidenciando a viabilidade técnica do sistema e confirmando a pertinência da continuidade do projeto. Esses ensaios representaram um passo decisivo na consolidação da confiança institucional no programa, abrindo caminho para o avanço das etapas subsequentes de desenvolvimento técnico e validação operacional. Em outubro de 2009, o Ministério da Defesa do Brasil formalizou mais um avanço no processo de desenvolvimento do sistema ao celebrar o contrato nº 004/2009-CTEx com a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O acordo, no valor de R$ 893.582,00, tinha como finalidade o desenvolvimento de um segundo protótipo operacional, denominado REMAX 2. O objetivo central desse novo contrato consistia em iniciar a integração do sistema REMAX à VBTP-MSR Guarani, veículo desenvolvido no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani, paralelamente à continuidade das avaliações técnicas do protótipo experimental REMAX 1 conduzidas pelo CAEx. Essa etapa representava um marco relevante no esforço de modernização tecnológica da Forças Armadas do Brasil, em um período caracterizado por intensas iniciativas voltadas ao fortalecimento da base industrial de defesa nacional diante das rápidas transformações tecnológicas no campo militar. O protótipo REMAX 2 foi concebido com o propósito de incorporar melhorias substanciais em relação à versão experimental anterior. Essas aperfeiçoamentos foram fundamentados nas lições aprendidas ao longo dos testes laboratoriais e de campo realizados com o REMAX 1. Entre as melhorias previstas destacavam-se novas funcionalidades destinadas a ampliar a segurança operacional, otimizar o desempenho do sistema e aprimorar sua capacidade de operação remota em ambientes operacionais adversos. Assim como no contrato anterior, foi estabelecido que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do REMAX 2 permaneceria integralmente sob domínio do Exército Brasileiro. Essa diretriz reforçava o princípio de soberania tecnológica nacional, assegurando que os conhecimentos gerados pudessem ser empregados em futuros programas de desenvolvimento de sistemas de defesa. Enquanto o desenvolvimento do REMAX 2 avançava, o protótipo experimental REMAX 1 prosseguia em uma intensa fase de ensaios técnicos. Em junho de 2010, após um período de capacitação conduzido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), voltado ao treinamento de operadores e à manutenção da viatura Engesa EE-11 Urutu  cedida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP)  tiveram início as avaliações sistemáticas do sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).
O programa de testes foi estruturado em quatro categorias principais de ensaios: Testes funcionais: destinados à verificação das capacidades operacionais básicas do sistema, incluindo controle remoto, acionamento do armamento e funcionamento dos sensores. Testes em estativa: avaliações conduzidas com o sistema instalado em bancada ou suporte fixo, permitindo a análise detalhada de seus subsistemas em condições estáticas. Testes de integração com a viatura: ensaios realizados com o sistema instalado no EE-11 Urutu, tanto com o veículo parado quanto em movimento, utilizando alvos fixos para aferição da precisão e estabilidade do armamento. Testes ambientais: destinados a avaliar a resistência e a confiabilidade do sistema diante de diferentes condições climáticas e operacionais, simulando cenários próximos aos encontrados em ambientes reais de emprego militar. Os resultados obtidos durante essa fase de avaliações foram fundamentais para confirmar a robustez do sistema e fornecer importantes subsídios técnicos para o aprimoramento do projeto. As informações coletadas durante os testes permitiram orientar o desenvolvimento do REMAX 2, consolidando as bases para a evolução do sistema e confirmando sua viabilidade como uma solução inovadora para o emprego de armamentos remotamente controlados no âmbito do Exército Brasileiro. A produção do protótipo operacional REMAX 2 foi concluída em setembro de 2011, representando um avanço significativo no processo de maturação tecnológica do sistema de armas remotamente controlado desenvolvido para o Exército Brasileiro. Em fevereiro de 2012, o conjunto foi instalado em uma Viatura Blindada de Patrulhamento e Emprego Dual (VBPED), com o objetivo de realizar os primeiros testes de apreciação operacional. Os resultados obtidos durante essa fase inicial foram considerados satisfatórios, permitindo a validação das principais funcionalidades do sistema. Como consequência, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) homologou oficialmente o Relatório de Apreciação em 25 de julho de 2012, por meio da Portaria nº 024/DCT, emitida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Esse marco representou a validação formal do REMAX 2 como um sistema plenamente funcional, apto a avançar para as etapas seguintes de integração com plataformas mais modernas de combate. No ano de 2013, após intensas negociações entre a gerência do Programa Estratégico do Exército Guarani e a empresa Iveco Veículos de Defesa  parceira do Exército no desenvolvimento da VBTP-MSR Guarani  o REMAX 2 foi finalmente integrado ao protótipo desse blindado. Essa integração representou a concretização de um dos objetivos centrais do programa: garantir a compatibilidade da estação de armas remotamente controlada com a nova geração de veículos blindados brasileiros, concebidos para atender às exigências operacionais do século XXI. O conjunto formado pelo REMAX 2 instalado na VBTP-MSR Guarani foi oficialmente apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence. Considerada um dos mais importantes eventos do setor de defesa na América Latina, a LAAD proporcionou uma vitrine internacional para demonstrar os avanços tecnológicos alcançados pela indústria de defesa brasileira. 

Paralelamente a esses avanços, em outubro de 2012 o Ministério da Defesa formalizou um novo e decisivo passo no programa REMAX ao celebrar o contrato nº 001/2012-DF entre a Diretoria de Fabricação do Exército e a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O contrato, no valor inicial de R$ 49.418.088,00, previa a produção de um lote piloto composto por 76 do sistema REMAX 3. Dentro desse lote inicial, as duas primeiras unidades  denominadas cabeças de série (CS1 e CS2)  seriam destinadas exclusivamente à realização de testes estáticos e avaliações técnicas destinadas a validar o processo industrial e o desempenho do sistema antes da produção em maior escala. Posteriormente, o valor contratual foi ajustado por meio do Termo Aditivo nº 2, que levou em consideração a isenção de tributos como PIS e COFINS, resultando na devolução de aproximadamente R$ 1.800.000,00 à União. Entretanto, embora a ARES Aeroespacial e Defesa detivesse a expertise técnica necessária para o desenvolvimento do sistema, a empresa ainda não dispunha de uma infraestrutura industrial plenamente preparada para atender à escala de produção prevista no contrato. Diante dessa realidade, a companhia solicitou ao Exército Brasileiro a antecipação de parte dos recursos financeiros acordados, com o objetivo de viabilizar a implantação de uma linha de montagem adequada à produção seriada do sistema. O pedido foi aceito pela instituição militar, evidenciando o caráter estratégico do programa. Como contrapartida  dentro de um modelo de compensação industrial (offset) a empresa comprometeu-se a fornecer cinco unidades adicionais do sistema REMAX 3. Dessa forma, o lote piloto originalmente previsto de setenta e seis unidades foi ampliado para oitenta e uma estações de armas.O desenvolvimento do lote piloto do sistema REMAX 3 teve duração aproximada de um ano. A produção das primeiras unidades foi iniciada em 2012, enquanto os ensaios técnicos e operacionais começaram a ser conduzidos em 2013. Coube ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro, a responsabilidade pela avaliação das duas primeiras unidades do lote piloto denominadas cabeças de série (CS1 e CS2). Esses exemplares foram submetidos a rigorosos testes de desempenho, destinados a verificar a confiabilidade e a eficiência do sistema em diferentes condições operacionais. Além das avaliações técnicas propriamente ditas, o CAEx também analisou os manuais de operação e manutenção elaborados pela empresa ARES Aeroespacial e Defesa. Essa etapa foi considerada fundamental, pois assegurava que o sistema estivesse acompanhado de documentação técnica clara, precisa e adequada às necessidades de emprego em campo, garantindo assim sua correta operação e manutenção pelas unidades militares. No ano de 2014, a empresa ARES conduziu o processo de qualificação da integração do lote piloto do REMAX 3 à VBTP-MSR Guarani, especificamente na viatura identificada como chassi 83, LED 67. Essa integração constituiu um esforço conjunto entre diferentes atores da base industrial e tecnológica de defesa brasileira. A ARES foi responsável pelo fornecimento dos componentes do kit de instalação do sistema, enquanto a Iveco Veículos de Defesa — parceira do Exército Brasileiro no desenvolvimento do blindado  realizou a fabricação do anel de interface, da caixa de distribuição de potência e a integração final do conjunto à viatura. A etapa de Experimentação Doutrinária do sistema foi conduzida pela 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, uma vez que a brigada já havia participado anteriormente do processo de experimentação da própria VBTP-MSR Guarani
Em 2015, o REMAX 3 integrado à VBTP-MSR Guarani foi  apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence,   Durante o processo de avaliação operacional, conduziu-se testes complementares do sistema. Durante essas avaliações foram identificadas algumas não conformidades, especialmente relacionadas ao módulo optrônico do sistema. Com o objetivo de solucionar essas questões, foi formada uma equipe técnica, que se deslocou até as instalações da OIP Sensor Systems, na Bélgica, onde acompanhou testes específicos realizados com o módulo optrônico.  Após a conclusão das avaliações realizadas no âmbito da Experimentação Doutrinária, o sistema atingiu o grau de maturidade necessário, e logo por meio da Portaria nº 065-EME, de 8 de março de 2016 oficializou-se  adoção do SARC (REMAX 3). Em dezembro foi celebrado o contrato nº 186/2016-COLOG, para a produção do lote primeiro lote de produção, de 215 unidades, no valor de R$ R$ 328.057.657,39.  Já em operação regular há mais de 6 anos, o sistema , vem consolidando plenamente seu conceito, possibilitando dar mais suporte de fogo às unidades mecanizadas  ao mesmo tempo que garantiria a proteção de seu atirador. Até o presente momento já foram entregues mais de 150 unidades. O grande êxito operacional levaria o Comando do Exército Brasileiro a estudar o emprego deste sistema junto ao programa da Viatura Blindada Multitarefa, Leve de Rodas (VBMT-LR) Iveco LMV. Com os testes sendo conduzidos a partir do mês de abril do ano de 2020 contando com o apoio da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (9ª Bda Inf Mtz), do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e das empresas Iveco Veículos de Defesa e ARES Aeroespacial e Defesa. Com o sistema sendo homologado em maio do mesmo ano, gerando um contrato para o fornecimento de oito torres deste sistema para equipar um número similar destes veículos blindados com tração 4X4. Em novembro de 2021 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), foi formalizado o desenvolvimento do novo sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4 e um pacote de atualização dos REMAX 3 atualmente em uso, através do acordo de cooperação nº 21-DCT-005-00, entre o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército e a empresa Ares Aeroespacial e Defesa. O REMAX 4 é uma evolução do atual REMAX 3, desenvolvido entre o Exército e a empresa Ares, cujas principais mudanças são, além da atualização dos eletrônicos, hardware e arquitetura de software, terá seu módulo de optrônicos desacoplado do berço, permitindo graus de liberdade independentes (azimute e elevação) à linha de visada; capacidade do cofre de munição aumentada em três vezes, indo de 100 para 300 para cartuchos 12,7x99mm, e de 200 para 600 para 7,62x51mm; e possibilidade de adicionar uma estação de trabalho para o comandante de viatura, permitindo o controle total da estação de armas, podendo ser integrada ao sistema de gerenciamento de missão (SGM), aumentando sua consciência situacional. Com essas modificações, além de manter o sistema no chamado “estado-da-arte”, permitirá a uma integração mais fácil com outros armamentos, como lançadores automáticos de granadas (LAG) e mísseis anticarro (“anti-tank guided missile” – ATGM). Também poderá ser integrado um sistema de alerta laser (“laser warning systems” – LWS), sendo que no protótipo foi instalado o ELAWS 2, da Elbit Systems. O pacote de atualização dos SARC em operação, cuja denominação é REMAX 3A1, deverá ter as mesmas características à exceção do sistema optrônico desacoplado e das menores dimensões.

Em Escala
Para recriar o SARC REMAX 3 em escala 1/35, foi utilizado o kit de detalhamento impresso em 3D produzido pela Oficina do Aquino, reconhecido por sua alta qualidade e precisão.  A qualidade do material impresso permite capturar os contornos e funcionalidades do sistema, proporcionando uma representação realista e fiel ao equipamento em uso pelo Exército Brasileiro. Para aprimorar a autenticidade da miniatura, foram utilizados decais provenientes de outros modelos, adaptados para representar as marcações específicas da torre do REMAX 3. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático no verde oliva empregado pelo Exército Brasileiro, existem vários registros fotográficos indicando também o emprego da camuflagem tático padrão em  dois tons (verde e marrom terra). Empregamos tintas, vernizes e washes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Remote Controlled Weapon Station - https://en.wikipedia.org/wiki/Remote_controlled_weapon_station
- Especial SARC REMAX Tecnologia e Defesa por Paulo R. Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br
- EB homologa o SARC REMAX nas VBMT-LR 4×4 Iveco LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br
- REMAX 4 entra em produção e é integrado ao LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br