L-19A/E Cessna Bird Dog

História e Desenvolvimento.
A trajetória da Clyde Vernon Cessna, fundador da Cessna Aircraft Company, teve início em junho de 1911, em um contexto marcado pelos primeiros e ainda incertos passos da aviação mundial. Natural de Rago, no estado do Kansas, Cessna era um fazendeiro movido por grande curiosidade técnica e entusiasmo pelo recém-nascido campo da aeronáutica. Autodidata, dedicou-se à construção artesanal de sua primeira aeronave, projetando e montando um monoplano de estrutura em madeira revestida de tecido  materiais típicos das aeronaves pioneiras do início do século XX. Após concluir o aparelho, Cessna não apenas o construiu, mas também assumiu a tarefa de pilotá-lo. Demonstrando notável ousadia para a época, realizou voos experimentais que o levaram a tornar-se a primeira pessoa a sobrevoar tanto o rio Mississippi quanto as Montanhas Rochosas. Em uma fase em que a aviação ainda se encontrava em estágio essencialmente experimental, tais realizações representaram marcos importantes e contribuíram para consolidar sua reputação como aviador e construtor. Esse período inicial moldou sua convicção de que o futuro da aviação passaria pela produção sistemática de aeronaves. Com o objetivo de aperfeiçoar seus projetos e encontrar condições mais adequadas para testes de voo, Cessna transferiu suas atividades para a cidade de Enid, no estado de Oklahoma. A região possuía extensas áreas salinas planas, que ofereciam terreno ideal para as delicadas operações de decolagem e pouso exigidas pelas aeronaves primitivas da época. Seus primeiros modelos  biplanos de estrutura simples em madeira e tecido  refletiam as limitações tecnológicas e, ao mesmo tempo, a engenhosidade característica dos pioneiros da aviação. À medida que sua ambição empresarial crescia, Cessna passou a buscar financiamento junto a instituições bancárias locais, na tentativa de transformar suas experiências aeronáuticas em um empreendimento industrial. As dificuldades para obter capital, entretanto, mostraram-se um obstáculo significativo. Determinado a prosseguir, mudou-se em 1924 para Wichita, Kansas, cidade que começava a consolidar-se como um dos principais centros da indústria aeronáutica norte-americana. Em Wichita, Cessna associou-se a dois outros importantes pioneiros da aviação: Walter H. Beech e Lloyd Stearman. Juntos fundaram a Travel Air Manufacturing Company, que rapidamente conquistou reconhecimento no mercado por meio de aeronaves robustas e confiáveis, como os biplanos Travel Air 2000, 5000 e 500. Apesar do êxito comercial alcançado, divergências internas quanto à orientação estratégica da empresa acabaram levando Cessna a se desligar da sociedade. Seu espírito empreendedor, entretanto, permaneceu inabalável. Em 7 de setembro de 1927, em parceria com Victor H. Roos, fundou em Wichita a Cessna‑Roos Aircraft Company. A associação, contudo, teve curta duração: Roos retirou-se do empreendimento em 22 de dezembro do mesmo ano, o que resultou na reorganização da empresa sob a denominação definitiva de Cessna Aircraft Corporation. Buscando afirmar-se em um mercado aeronáutico cada vez mais competitivo, a empresa iniciou o desenvolvimento do Cessna DC-6, um monoplano de asa alta concebido para aliar bom desempenho a custos relativamente acessíveis  uma proposta inovadora para o período. O protótipo realizou seu voo inaugural em 14 de maio de 1929 e obteve certificação de aeronavegabilidade em 29 de outubro do mesmo ano. Entretanto, o momento de sua introdução no mercado coincidiu com um dos eventos mais dramáticos da história econômica mundial: o Crash da Bolsa de Nova York de 1929, que desencadeou a Grande Depressão. A crise provocou uma abrupta retração na indústria aeronáutica, com a queda acentuada da demanda por aeronaves civis. 

Como muitas empresas do setor, a Cessna enfrentou sérias dificuldades financeiras. Nesse cenário adverso, um segmento específico da aviação acabou desempenhando papel crucial para a sobrevivência da empresa: as corridas aéreas, extremamente populares nos Estados Unidos durante a década de 1930. A linha de aeronaves da série “CR”, desenvolvida especialmente para esse tipo de competição, revelou-se uma importante vitrine tecnológica para a marca. Em junho de 1933, um Cessna CR‑3, pilotado por um aviador profissional, venceu a American Air Race em Chicago, estabelecendo um recorde mundial de velocidade em sua categoria. A conquista projetou o nome da Cessna no cenário aeronáutico internacional e reforçou sua reputação como fabricante capaz de aliar inovação, desempenho e eficiência. Apesar desse reconhecimento, as severas dificuldades econômicas impostas pela Grande Depressão acabaram levando Clyde Cessna a afastar-se gradualmente da direção da empresa que havia fundado, encerrando um dos capítulos mais pioneiros de sua atuação na história da aviação. Apesar das dificuldades enfrentadas durante os anos mais severos da crise econômica, o legado empreendedor de Clyde Vernon Cessna não se perdeu. Em 1934, seus sobrinhos, Dwane Wallace e Dwight Wallace, assumiram o controle administrativo da empresa, inaugurando uma nova fase de reorganização e crescimento para a empresa. Sob a liderança dos irmãos Wallace, a companhia passou por um processo de reestruturação estratégica, orientado por estudos de mercado que indicavam uma demanda crescente por aeronaves leves destinadas ao transporte civil e a aplicações utilitárias, com capacidade para quatro a seis passageiros.  Nesse contexto de expansão, em 1937 a empresa iniciou o desenvolvimento do projeto do Cessna T-50, uma aeronave bimotora de pequeno porte concebida para competir diretamente com o então consagrado Beechcraft Model 18, que dominava o mercado civil norte-americano na categoria de transporte leve. O T-50 apresentava soluções técnicas avançadas para sua época. Tratava-se de um monoplano cantilever de asa baixa, dotado de trem de pouso retrátil, configuração que contribuía para reduzir o arrasto aerodinâmico e melhorar o desempenho geral da aeronave. O modelo era equipado com dois motores radiais Jacobs L-4MB, cada um capaz de desenvolver 225 cavalos de potência, acionando hélices de passo fixo Curtiss Reed. Sua estrutura incorporava asas construídas em madeira laminada com cavernas de compensado, uma solução que conciliava leveza estrutural e resistência. Além disso, o projeto incluía um sistema de ignição desenvolvido pela Delco Automotive Company e flaps acionados eletricamente, características que contribuíam para um desempenho satisfatório aliado a custos operacionais relativamente reduzidos. Essas qualidades, combinadas a um preço mais acessível em comparação com seu principal concorrente, tornaram o T-50 particularmente atrativo para operadores comerciais e privados. O protótipo realizou seu voo inaugural em 26 de março de 1939, sendo posteriormente submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo e avaliações técnicas. Esse processo culminou na concessão do certificado de aeronavegabilidade (TC 722) em 24 de março de 1940, etapa fundamental para sua introdução no mercado. Amparado por uma campanha de marketing eficiente e pela reputação crescente da Cessna, o T-50 rapidamente conquistou popularidade. A aeronave passou a ser empregada em diversas funções, incluindo transporte leve de passageiros e carga, treinamento de pilotos em aeronaves multimotoras e missões de ligação, tanto no setor civil quanto em aplicações militares.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o potencial do T-50 foi rapidamente reconhecido pelas forças armadas dos Estados Unidos. A aeronave foi adaptada para uso militar, recebendo a designação AT-17 Bobcat, e passou a desempenhar um papel fundamental no treinamento de pilotos destinados a operar aeronaves multimotoras. Ao todo, mais de 5.400 unidades foram produzidas durante o conflito, contribuindo significativamente para o esforço de formação de tripulações da aviação militar norte-americana. Nos anos que se seguiram ao término da guerra, a Cessna manteve uma trajetória de crescimento constante, especialmente no setor civil. Suas aeronaves passaram a operar em diversos continentes, consolidando a empresa como uma das principais referências mundiais na produção de aeronaves leves e utilitárias. Em agosto de 1949, o comando das forças armadas identificou a necessidade de adquirir uma nova aeronave de observação leve que atendesse às exigências operacionais do pós-guerra. O projeto previa um monomotor de construção metálica, com capacidade para dois tripulantes e apto a operar a partir de pistas não preparadas ou de terreno rudimentar. A aeronave deveria desempenhar principalmente missões de observação, ligação e controle aéreo avançado, particularmente na correção e ajuste do fogo de artilharia. Essa nova plataforma destinava-se a substituir aeronaves que haviam se tornado progressivamente obsoletas desde o término do conflito, entre elas o Piper L-4H  e o Stinson L-15, ambos amplamente empregados durante a guerra. O desafio apresentado aos fabricantes interessados era considerável: as empresas participantes da concorrência deveriam desenvolver e apresentar um protótipo plenamente funcional para ensaios operacionais já em março do ano seguinte, um prazo extremamente curto que exigiria soluções de engenharia rápidas, eficientes e tecnicamente confiáveis. Em resposta a esta demanda, a Cessna Aircraft Company ofereceria como proposta o  Model 305, uma derivação militar da versão civil Model 170, e tinha como principais alterações, a adoção de maiores janelas laterais inclinadas(para melhorar a observação do terreno), traseira resenhada para proporcionar uma visa direta da retaguarda, painéis transparentes sobre a cabine (similares aos encontrados no Cessna 140) e inclusão de uma porta lateral compatível com emprego de uma maca para emprego em missões de evacuação aéreo medica. Atendendo ao cronograma previsto na concorrência, a empresa apresentaria seu protótipo em novembro do ano 1949, com esta aeronave de matrícula N-41694 realizando seu primeiro voo em janeiro do ano seguinte. Logo após esta aeronave seria transladada para o centro de ensaios em voo do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) na base de Wright Field no estado de Ohio, onde durante aproximadamente seis semanas seria avaliado e testado comparativamente contra os protótipos apresentados pela Piper Aircraft , Taylorcraft Co. e Temco Aircraft Company.  Em maio de 1950, a Cessna Aircraft Company foi declarada vencedora desse processo, recebendo um contrato inicial para a produção de 418 aeronaves, designadas militarmente como L-19A.  Esse modelo, posteriormente batizado de Bird Dog por sua capacidade de localizar alvos com precisão, tornou-se um símbolo da versatilidade e robustez da Cessna em atender às demandas estratégicas do período. O início da produção em série do L-19A coincidiu com o eclodir da Guerra da Coreia (1950–1953), um conflito que intensificou a urgência por equipamentos militares eficazes. 

A escalada das hostilidades levou o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Department of Defense – DoD) a expandir significativamente o contrato original, elevando o pedido para 3.200 unidades, com entregas previstas entre 1950 e 1959. Além do exército e da força aérea, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps) também adotou a aeronave, designando-a como OE-1. Essa ampliação refletiu a confiança na capacidade do Bird Dog de operar em condições adversas e cumprir uma ampla gama de missões. O Cessna L-19A Bird Dog teve seu batismo de fogo na Guerra da Coreia, onde demonstrou sua eficácia em um teatro de operações marcado por terrenos acidentados e combates intensos. Projetado como um monoplano de asa alta com trem de pouso fixo, equipado com um motor Continental O-470 de 213 cavalos de potência, o Bird Dog era notável por sua simplicidade, robustez e capacidade de operar em pistas improvisadas, muitas vezes meros descampados de terra batida.  Suas principais missões incluíam: Controle Aéreo Avançado: Os L-19A eram usados para coordenar ataques aéreos, identificando alvos inimigos e transmitindo informações às forças terrestres e aéreas via rádio, garantindo maior precisão nas operações. Comunicações na Linha de Frente: A aeronave facilitava a troca de mensagens entre unidades, essencial para manter a coordenação em um campo de batalha dinâmico. Evacuação Aeromédica (Medevac): Em emergências, o Bird Dog transportava feridos leves de áreas próximas à linha de frente para postos médicos, aproveitando sua capacidade de pouso e decolagem em espaços reduzidos. Treinamento: Sua facilidade de operação e baixo custo tornavam-no ideal para o treinamento de pilotos em missões de observação e ligação. Apesar de sua aparência frágil, típica de aeronaves leves, o L-19A demonstrou notável resistência. Não eram raras as ocasiões em que os Bird Dogs retornavam às suas bases com danos significativos causados por armas de pequeno calibre, como fuzis e metralhadoras, mas continuavam operacionais graças à sua construção robusta e à habilidade das equipes de manutenção.  As lições da Guerra da Coreia (1950–1953) levaram a Cessna a desenvolver, a partir de 1953, as variantes TL-19D (Model 305B) e L-19E (Model 305C) do Bird Dog. Essas versões incorporaram hélices de velocidade constante, sistemas avançados de navegação e comunicações, maior peso bruto e reforços estruturais, aumentando a eficiência em missões de observação e ligação. Em 1962, as aeronaves do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) e do Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps) foram redesignadas O-1, enquanto a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) converteu L-19A em O-1D, O-1F e O-1G, especializadas como Controladores Aéreos Avançados (Forward Air Controller – FAC).  Com a escalada da Guerra do Vietnã (1965–1975), centenas de Bird Dogs foram enviados ao Sudeste Asiático, operados pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e pela Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF). Sua capacidade STOL permitia operações em pistas rudimentares, sendo empregado em: Controle Aéreo Avançado: Coordenava ataques aéreos, guiando caças e bombardeiros táticos. Reconhecimento e Aquisição de Alvos: Localizava posições inimigas em terrenos desafiadores. Ajuste de Artilharia: Transmitia coordenadas para disparos precisos. Revezamento por Rádio: Facilitava comunicações entre unidades. de Comboios: Monitorava estradas contra emboscadas. Busca e Salvamento: Guiava helicópteros para resgatar pilotos abatidos.
Durante a década de 1960, os territórios do Laos e do Camboja, países vizinhos do Vietnã, passaram a desempenhar um papel estratégico no contexto da Guerra do Vietnã. Embora ambos mantivessem oficialmente uma posição de neutralidade, sua localização ao longo da chamada Trilha Ho Chi Minh   transformou essas regiões em importantes cenários de operações militares clandestinas. Nesse ambiente de guerra não declarada, desenvolveram-se intensas atividades encobertas destinadas a interromper as linhas de suprimento do inimigo, coletar informações estratégicas e realizar ações de sabotagem. Muitas dessas missões foram conduzidas sob coordenação da , frequentemente com o apoio de forças aliadas e grupos locais. A natureza dessas operações exigia meios aéreos discretos, capazes de operar em regiões remotas e com infraestrutura extremamente limitada. Nesse contexto, o Cessna L-19/O-1 Bird Dog revelou-se particularmente adequado para tais missões, pois podia operar a partir de pistas improvisadas, como clareiras abertas na selva, trechos de estradas rudimentares ou pequenas faixas de terreno preparadas de forma precária.  As atividades clandestinas realizadas no Laos e no Camboja frequentemente envolviam a infiltração e extração de pequenas equipes operacionais, entre as quais se destacavam os chamados Green Berets do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), além de agentes e unidades de reconhecimento vinculadas à CIA. Nessas missões, os Bird Dogs eram empregados para transportar discretamente pequenos grupos de operativos a regiões isoladas, onde estes realizavam tarefas de reconhecimento, sabotagem de infraestruturas logísticas ou treinamento de forças locais aliadas. Entre esses aliados, destacaram-se os guerrilheiros Hmong no Laos, que desempenharam papel significativo nas operações apoiadas pelos Estados Unidos. O Bird Dog também cumpria funções de apoio essenciais, como o reconhecimento prévio de zonas de pouso, a vigilância aérea durante as operações e a coordenação de movimentos das equipes em terra. Equipadas com sistemas de rádio relativamente avançados para a época, as aeronaves da série O-1 atuavam como plataformas de comunicação aérea, retransmitindo mensagens entre as equipes em solo e as bases operacionais. Em determinadas ocasiões, os Bird Dogs também eram empregados para lançar  suprimentos  como alimentos, munições ou material médico destinados a apoiar equipes isoladas em território hostil. Entretanto, à medida que o conflito no Sudeste Asiático evoluía e novas demandas operacionais surgiam, o L-19/O-1 Bird Dog começou a ser considerado gradualmente obsoleto ao longo da década de 1960. Nas forças norte-americanas a aeronave passou a ser progressivamente substituída por modelos mais modernos e capazes, como o Cessna O-2 Skymaster e o  Rockwell OV-10 Bronco, ambos projetados especificamente para missões de observação avançada e controle aéreo aproximado. Contudo cerca de onze esquadrões ainda manteriam até  final do conflito versões do  L-19 em serviço, operando diversas áreas sensíveis do teatro de operações, incluindo o Vietnã do Sul, a Zona Desmilitarizada da Coreia e regiões meridionais do Vietnã do Norte. O intenso emprego operacional teve um custo elevado: ao todo, 469 aeronaves foram perdidas ao longo do conflito, seja em decorrência de acidentes operacionais, seja devido ao fogo antiaéreo inimigo.  Após sua desativação, diversas células remanescentes foram mantidas em reserva técnica e posteriormente transferidas a países aliados por meio de programas de assistência militar.  A produção até 1959, atingiria a cifra de 3.413 células,  consolidando-se como uma das aeronaves de observação leve mais importantes do período da Guerra Fria.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea Brasileira (FAB) encontrava-se entre as forças aéreas mais bem equipadas do continente americano. Seu inventário ultrapassava mil e quinhentas aeronaves militares modernas, recebidas em sua quase totalidade a partir de 1942 no âmbito do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), programa implementado pelo governo dos Estados Unidos para apoiar os países aliados durante o conflito. No que se referia à capacidade ofensiva,  dispunha de um expressivo número de aeronaves de primeira linha, entre as quais se destacavam os caças-bombardeiros Republic P-47D Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além das aeronaves de ataque Douglas A-20 Havoc e North American B-25 Mitchell. Esse conjunto de meios de combate, complementado por aeronaves de transporte, patrulha marítima e guerra antissubmarino (ASW), conferia ao Brasil uma posição singular no cenário regional, constituindo a segunda maior força aérea das Américas e a maior do hemisfério sul naquele momento histórico. Apesar desse panorama amplamente favorável, persistiam algumas lacunas em áreas operacionais especializadas, o que levou à realização de estudos doutrinários com o objetivo de aperfeiçoar a integração entre as diferentes forças armadas. Nesse contexto, no início da década de 1950 o Ministério da Aeronáutica (MAer) encontrava-se profundamente empenhado em um processo de reestruturação organizacional e operacional, destinado a ampliar a eficiência das atividades de apoio aéreo em cooperação com o Exército Brasileiro e a Marinha do Brasil, fortalecendo, assim, as capacidades de dissuasão e defesa nacional. Nesse período, a Força Terrestre ainda carecia de meios próprios adequados para a execução de missões de observação do campo de batalha e de regulagem do tiro da artilharia de campanha. Diante dessa necessidade, buscava-se retomar e aperfeiçoar uma capacidade que havia demonstrado grande eficácia durante o conflito mundial: a cooperação direta entre aviação de observação e unidades de artilharia. Tal iniciativa inspirava-se no notável desempenho obtido pela 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO) em apoio às unidades de Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália. Naquela ocasião, aeronaves leves de observação foram empregadas com grande eficácia para a identificação de alvos, correção de tiro de artilharia e reconhecimento do campo de batalha. Curiosamente, apesar da valiosa experiência operacional adquirida nesse contexto, as aeronaves utilizadas pela 1ª ELO  dez exemplares do Piper L-4H Grasshopper  foram desmontadas ao final da guerra e transportadas de volta ao Brasil. Ao chegarem ao Rio de Janeiro, foram armazenadas no Depósito Central de Armamentos do Exército Brasileiro, onde permaneceram esquecidas por vários anos. Somente em 1954 essas aeronaves foram redescobertas e submetidas a um processo de remontagem. Uma vez reativadas, passaram a ostentar cocares e matrículas do Exército Brasileiro, sendo rapidamente empregadas em missões de transporte leve, ligação, observação aérea e orientação do tiro da artilharia de campanha. Contudo, essa iniciativa teve vida relativamente breve. As dificuldades decorrentes da ausência de uma doutrina operacional plenamente desenvolvida para esse tipo de emprego, somadas a limitações estruturais e organizacionais, acabaram por comprometer a continuidade do programa. 

Como resultado, essas aeronaves foram posteriormente devolvidas à Força Aérea Brasileira (FAB), que as reintegrou ao seu inventário e passou a empregá-las imediatamente em missões de apoio às unidades de artilharia do Exército Brasileiro, retomando, assim, a cooperação aérea-terrestre que havia demonstrado sua eficácia no campo de batalha durante a guerra. Assim o comando do Ministério da Aeronáutica (MAer) reconheceu a necessidade de reestruturar suas capacidades de ligação e observação para atender às demandas do Exército Brasileiro. Em 12 de dezembro de 1955, o Decreto-Lei Federal nº 38.295 foi promulgado, recriando a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, sediada no Rio de Janeiro, no Campo dos Afonsos.  Neste momento ficaria definido que temporiamente esta unidade ficaria subordinada a Escola de Aeronáutica (EAer), instituição que poderia dar o apoio necessário a nova esquadrilha.  Apesar de atenderam aos padrões mínimos exigidos para estas tarefas, ficava claro que as aeronaves Piper L-4 Grasshopper  além de sua natural obsolescência, se encontravam no limiar de sua vida útil. Desta maneira seria necessário proceder a aquisição de novos vetores para a execução destas tarefas, e neste contexto o Cessna L-19 Bird Dog representava a melhor escolha. Desta maneira o Ministério da Aeronáutica (MAer), fazendo uso dos termos do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program - MAP) passaria a negociar a aquisição de células usadas do Cessna L-19 Bird Dog, oriundas dos estoques de reserva da aviação do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Esta demanda seria  prontamente atendida com a cessão de oito células da versão Cessna 305A L-19A Bird Dog, que após selecionadas in loco por uma comitiva de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB), seriam transportadas por via naval, sendo recebidas em dezembro de 1955. Estas aeronaves seriam montadas e receberiam as matrículas de  FAB 3062 a 3069 e após ensaiadas pela equipe da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (ELO,  logo  seriam postas em operação. Durante os dois primeiros anos de atividade, os Cessna L-19A foram dedicados a formação e adestramento do pessoal aeronavegante, com foco na instrução de diversas tarefas como, o sistema “apanha-mensagem”, reconhecimento, instrução de regulagem de tiro de artilharia e treinamento dos observadores aéreos do Exército Brasileiro. Estas aeronaves dispunham ainda, de quatro cabides subalares, possibilitando o treinamento de lançamento de fardos com viveres e emprego de foguetes fumígenos de fosforo branco SCAR de 2.25 polegadas para a marcação de alvos. Esse período foi caracterizado por intensa atividade aérea e nele registraram-se duas perdas  uma em outubro de 1957 e outra em julho de 1959. De fato, ante as exigências que cercavam as operações com os L-19A, bem como os L-19E que chegariam em 1963, a taxa de atrito dessas aeronaves foi bastante alta. A partir de 1959, a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO), equipada com aeronaves Cessna L-19A Bird Dog, passou a participar com frequência crescente dos exercícios e manobras organizados pelo Exército Brasileiro. Em geral, a unidade destacava dois de seus aviões para cumprir um amplo leque de tarefas, que incluíam observação aérea do campo de batalha, regulagem de tiro de artilharia, missões de ligação e reconhecimento tático. 
À medida que os pilotos da 1ª ELO adquiriam maior familiaridade com as características operacionais do Bird Dog, e paralelamente o Exército recuperava o conhecimento doutrinário relativo ao emprego de aeronaves de observação, aumentava também a frequência com que esses aviões eram deslocados para participar das manobras e exercícios periódicos. Em novembro de 1961, chegou ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PqAerAF)  um exemplar de L-19A  que se encontrava desmontado em um depósito do Exército. A trajetória dessa célula revelou-se particularmente curiosa, pois estava diretamente ligada ao período posterior a 1959, quando algumas dessas aeronaves passaram temporariamente pelas mãos do Exército Brasileiro. Após detalhada inspeção técnica, constatou-se que o parque possuía condições de realizar não apenas a revisão geral da aeronave, mas também de fabricar localmente determinadas peças e componentes necessários à sua recuperação. Embora o processo de restauração apresentasse dificuldades técnicas consideráveis, tais desafios eram mitigados pelo fato de que, naquele momento, apenas cinco aeronaves L-19A permaneciam em operação, uma vez que as demais haviam sido perdidas em acidentes. Entretanto, o Exército Brasileiro acabaria por proporcionar uma nova surpresa. No início de 1963, o Depósito Central de Armamentos encaminhou diretamente à 1ª ELO um exemplar do  L-19E. Além de representar o primeiro L-19E recebido e operado, essa aeronave apresentou condições técnicas significativamente superiores às do L-19A enviado pouco mais de um ano antes, não demandando o mesmo nível de intervenção estrutural. Embora o Programa de Assistência Militar Brasil–Estados Unidos previsse a possibilidade de fornecimento adicional de aeronaves desse tipo, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) formalizou um pedido para ampliar a frota de Bird Dogs em operação no país. Como resultado, foi autorizada a transferência de exemplares da versão L-19E que se encontravam armazenados em depósitos militares norte-americanos. Os caixotes contendo dez aeronaves chegaram ao Brasil entre outubro e novembro de 1963 e foram imediatamente encaminhados ao Parque de Aeronáutica dos Afonsos para montagem e preparação operacional. Concluída essa etapa, seis aeronaves foram destinadas à 3ª Esquadrilha de Ligação e Observação (3ª ELO), sediada na Base Aérea de Canoas, enquanto as quatro células restantes foram incorporadas ao inventário da 1ª ELO, juntando-se aos cinco L-19A e ao único L-19E então em operação na unidade. Externamente, as versões L-19A  e L-19E  apresentavam diferenças bastante sutis, exigindo observação atenta para distinguir uma da outra. A principal distinção estava associada ao conjunto de comunicações. O L-19E possuía uma suíte de rádio significativamente mais moderna e sofisticada, sendo a forma mais simples de identificar essa versão a presença das antenas do sistema FM AN/ARC-44 instaladas no bordo de ataque de cada estabilizador horizontal. No caso específico da 1ª ELO, não foram raras as missões que levaram um ou mais de seus aviões a operar em regiões distantes.  Um exemplo significativo ocorreu em janeiro de 1965, quando um dos L-19 da unidade foi deslocado para Cuiabá, no estado de Mato Grosso, a fim de colaborar nas operações de busca por uma aeronave civil desaparecida durante um voo entre Cuiabá e Vilhena.

Missões desse tipo  envolvendo deslocamentos para localidades como Belém, no Pará, Caravelas, na Bahia, ou Itapeva, no São Paulo  tornaram-se relativamente frequentes ao longo da década de 1960.  A  partir de 1966, os L-19A/E passaram a realizar surtidas de reconhecimento visual em proveito dos trabalhos realizados por unidades do Exército Brasileiro que estavam engajadas em missões antiguerrilha.  Em  abril de 1967, na Serra do Caparaó (MG), um L-19E acidentou-se, com perda total, durante um “pente fino”, como eram denominadas essas operações do Exército que buscavam focos guerrilheiros. Até o fim da década, os L-19A/E  deram continuidade aos trabalhos que realizavam desde que chegaram a essas unidades, acrescidos ainda pelos periódicos deslocamentos em apoio ao Exército Brasileiro, quer participando nas primeiras manobras conjuntas de grande envergadura, quer em apoio às operações antiguerrilha. Mas na virada da década já estavam em andamento algumas mudanças no que tange à organização da Força Aérea Brasileira (FAB). Para dar maior flexibilidade e funcionalidade aos meios empenhados em missões de contrainsurgência, em março de 1970, foram criados os Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque, os quais efetivamente tomaram o lugar das Esquadrilhas de Ligação e Observação, com destaque para os Esquadrões de Reconhecimento e Ataque. Em atenção a essas mudanças, entre maio de 1970 e dezembro de 1971, os L-19A/E pertencentes à 3ª ELO deixaram aquela unidade, sendo transferidas para a 1ª ELO. Em consequência e salvo duas aeronaves ainda revisadas  para sofrer reparos e revisão geral, em janeiro de 1972, a 1ª ELO contava com 11 aviões L-19A/E.  Essa aeronaves permaneceriam com a unidade até agosto daquele ano, quando foi dada a ordem para que todas fossem transferidas para a Base Aérea de Santa Cruz para serem integradas ao 3º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (3º EMRA). Ativado em novembro daquele ano, a associação entre o 3º EMRA e os L-19A/E foi extremamente breve, pois nova ordem determinou que todos esses aviões fossem transferidos para o 1º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (1º EMRA), que fora ativado na Base Aérea de Belém, em novembro de 1972.  Assim, a Base Aérea de Belém passou a ser a última moradia dos Cessna L-19A/E, o que marcou uma nova etapa na vida operacional dessas aeronaves. Tendo como principais atribuições a execução de missões de ligação e observação, o reconhecimento fotográfico e visual, as operações especiais e a realização de operações antiguerrilha, coube ainda ao 1º EMRA dar apoio a um vasto leque de programas em andamento na Região Amazônica, os mais conhecidos sendo os Projetos DINCART (Dinamização da Cartografia) e RADAM. No entanto, as ações antiguerrilha do Exército Brasileiro caminhavam para um desfecho final ao ser iniciada a Campanha do Araguaia, em 1972. Em distintas fases da campanha, que foi encerrada em Xambioá, os L-19A/E do 1º EMRA figuraram, a partir de 1973, como um dos principais elementos da ofensiva contra a guerrilha ao executar surtidas de reconhecimento visual e fotográfico. São desconhecidos quantos desses aviões efetivamente participaram das operações no Araguaia, mas evidências fotográficas mostram que as aeronaves destacadas para a região foram descaracterizadas quanto a sua origem militar através da remoção de insígnias e emblemas os Cessnas L-19A/E receberam matrículas falsas na faixa PP-Dxx.
Operar na Região Amazônica cobrou um alto preço à reduzida frota de aviões L-19A/E,  diversos pequenos acidentes registrados em 1974 serviram de prenúncio para a perda de três aviões entre março e setembro de 1975, episódios nos quais as condições do campo de pouso estavam longe de ser adequadas, o que contribuiu para o acidente. Outros quatro foram perdidos em acidentes registrados em 1977 e 1978 e, ao iniciar o ano de 1979, a frota de aviões L-19A/E estava reduzida a quatro exemplares. Essas aeronaves continuaram operando de forma contínua até a extinção do 1º EMRA, em setembro de 1980, e a criação do 1º/8º Grupo de Aviação, que nominalmente herdou todo o acervo material do 1º EMRA. Não se sabe ao certo se o 1º/8º GAV fez uso dos últimos L-19A/E, apesar de que existem claras indicações de que ao menos uma célula continuou em atividade naquele esquadrão até o final de 1980, quando foi recolhido ao Parque de Material Aeronáutico de Belém. Das quatro aeronaves existentes, três foram entregues ao Departamento de Aviação Civil a fim de serem distribuídas para clubes de planadores apoiados por aquela organização, enquanto uma foi encaminhada ao Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos, onde se encontra em exposição. No entanto, as ações antiguerrilha do Exército Brasileiro caminhavam para um desfecho final ao ser iniciada a Campanha do Araguaia, em 1972. Em distintas fases da campanha, que foi encerrada em Xambioá, os L-19A/E do 1º EMRA figuraram, a partir de 1973, como um dos principais elementos da ofensiva contra a guerrilha ao executar surtidas de reconhecimento visual e fotográfico. São desconhecidos quantos desses aviões efetivamente participaram das operações no Araguaia, mas evidências fotográficas mostram que as aeronaves destacadas para a região foram descaracterizadas quanto a sua origem militar através da remoção de insígnias e emblemas  os L-19A/E receberam matrículas falsas na faixa PP-Dxx. Operar na Região Amazônica cobrou um alto preço à reduzida frota de aviões L-19A/E. Diversos pequenos acidentes registrados em 1974 serviram de prenúncio para a perda de três aviões entre março e setembro de 1975, episódios nos quais as condições do campo de pouso estavam longe de ser adequadas, o que contribuiu para o acidente. Outros quatro foram perdidos em acidentes registrados em 1977 e 1978 e, ao iniciar o ano de 1979, a frota de aviões L-19A/E estava reduzida a quatro exemplares. Essas aeronaves continuaram operando de forma contínua até a extinção do 1º EMRA, em setembro de 1980, e a criação do 1º/8º Grupo de Aviação (1º/8º GAV), que nominalmente herdou todo o acervo material do 1º EMRA. Não se sabe ao certo se o 1º/8º GAV fez uso dos últimos L-19A/E da FAB, apesar de que existem claras indicações de que ao menos uma célula continuou em atividade naquele esquadrão até o final de 1980, quando foi recolhido ao Parque de Material Aeronáutico de Belém. Das quatro aeronaves existentes, três foram entregues ao Departamento de Aviação Civil a fim de serem distribuídas para clubes de planadores apoiados por aquela organização, enquanto uma foi encaminhada ao Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos, onde se encontra em exposição. 

Em Escala.
Para representarmos o Cessna L-19E Bird Dog "FAB 3154" pertencente ao 1º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (EMRA) – Esquadrão “Falcão” da Força Aérea Brasileira (FAB), empregamos o antigo kit produzido pela Model USA na escala 1/48 (única opção existente nesta escala). Apesar da montagem acessível, as rebarbas de injeção exigiram cuidadoso acabamento com lixas e polimento para garantir superfícies lisas.. Para maior realismo, foram confeccionados em scratch cabides subalares e foguetes fumígenos de fósforo branco, representando a capacidade das aeronaves L-19A e L-19E para marcação de alvos. Fizemos uso de decais impressos pela FCM Decais presentes no antigo e descontinuado set 48/09.  
Quando os Cessna L-19A Bird Dog foram recebidos na década de 1950, provenientes dos estoques do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), as aeronaves chegaram com um esquema de pintura padrão , amplamente utilizado pelas forças armadas dos Estados Unidos. Esse padrão inicial, característico da Guerra da Coreia, consistia em uma pintura predominantemente em tons de verde-oliva fosco. Na década de 1960, com a consolidação das operações, foram modificações no esquema de pintura para atender às necessidades de segurança e visibilidade em operações de treinamento e patrulha. Durante esse período, foram incorporadas marcações de alta visibilidade em laranja brilhante (FS 12197) nas extremidades das asas e em faixas ao longo da fuselagem, complementadas por áreas em amarelo vivo (FS 13538) nas asas.
Bibliografia :
- Cessna 01 Bird Dog Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Cessna_O-1_Bird_Dog
- História da Força Aérea Brasileira - Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Nas Garras do Puma – Oswaldo Claro Junior
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  por Jackson Flores Junior

IH-6B Bell 206B Jet Ranger III

História e Desenvolvimento
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945), não apenas acelerou inovações em armamentos convencionais, mas também catalisou o nascimento da aviação de asas rotativas para fins militares. Embora seu emprego tenha sido limitado devido à imaturidade da tecnologia e às prioridades de produção em massa, esses primeiros modelos pavimentaram o caminho para a revolução rotativa pós-guerra. A Alemanha nazista,  liderou os primeiros passos práticos no uso militar de helicópteros, em  meados de 1940, a Flettner Flugzeugbau GmbH, introduziu o Flettner Fl 282 “Kolibri” (beija-flor, em alemão). Uma versão aprimorada, o Fl 282 B-2, adicionou um segundo assento para um observador, transformando-o em plataforma de reconhecimento avançado. Como resultado, os recursos foram redirecionados para a produção de aeronaves de combate convencionais, limitando a fabricação do Fl 282 a apenas 24 unidades entregues. Apesar do número reduzido, o “Kolibri” representou um marco no uso militar de helicópteros, evidenciando sua versatilidade em missões de observação e transporte. Do lado dos Aliados, o desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas como o Sikorsky R-4,ganhou impulso significativo nos estágios finais da guerra.  Em junho de 1945, o R-4 foi destacado para o teatro de operações do Pacífico, demonstrando, mesmo em um curto período, o potencial transformador dos helicópteros em cenários de combate. Sua capacidade de realizar missões de resgate, transporte e reconhecimento abriu novas perspectivas para o futuro da aviação militar.  Paralelamente, outros fabricantes norte-americanos começaram a explorar esse nicho, entre eles, a Bell Aircraft Company, que, iniciou o desenvolvimento de uma aeronave de asas rotativas de pequeno porte. Apresentado em 3 de setembro de 1941, o projeto culminou na criação do Bell Model 30. Com um robusto financiamento governamental, dois protótipos foram construídos, e o primeiro voo ocorreu em 26 de junho de 1943.  Após um extenso programa de ensaios e testes de voo, o projeto evoluiu para uma versão aprimorada, o Bell Model 47, que se tornaria um dos helicópteros mais icônicos da história da aviação. A produção do Bell 47D, abrangendo tanto as versões militares quanto civis, alcançou a expressiva marca de mil unidades fabricadas até 1953, refletindo o sucesso comercial e a confiança depositada no projeto pela Bell Helicopter Company. Atravessando seu melhor momento, a empresa continuaria a investir em pesquisa e desenvolvimento, o que lhe seria muito útil, pois em 14 de outubro de 1960 o Exército dos Estados Unidos (US Army), lançaria uma concorrência denominada como Helicóptero Leve de Observação - LOH (Ligh Observation Helicopter). Este programa tinha por objetivo o desenvolvimento de um novo helicóptero leve destinado a missões de treinamento, transporte e ligação, que teria por missão possuir uma única plataforma para substituir uma grande frota de helicópteros dos modelos Bell OH-13 e Hiller OH-23  e aviões leves Cessna L-19 Bird Dog. 

Esta concorrência previa a aquisição de 3.600 células, despertando o interesse de um grande número de fabricantes, pois o vencedor receberia o maior contrato militar para a fabricação de aeronaves de asas rotativas já efetivado no mundo. Em maio do ano seguinte a lista de concorrentes seria reduzida para cinco empresas, se destacando os modelos Bell 250 e o Hughes YHO-6. O primeiro protótipo da  Bell Helicopter Company , alçaria voo em 08 de dezembro de 1962, sendo seguido por mais quatro células pré-série, que seriam submetidos dois programas de ensaios comparativos contra os protótipos do Hughes YHO-6, coordenados pelo Exército dos Estados Unidos (US Army) no Forte Rucker no Alabama,   e pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) na Base Aérea de Edwards na Califórnia. Neste mesmo período, os protótipos do Hughes YHO-6. Deste processo o modelo produzido pela Hughes Aircraft Company, seria declarado vencedor. Apesar desta derrota, a diretoria desta empresa, vislumbraria no conceito de seu projeto uma oportunidade no mercado civil, tendo como vantagem o custeamento inicial do projeto ter sido pago pelo governo norte-americano. Assim com base no projeto Bell YHO-4A a equipe de projetos iniciaria o desenvolvimento, com helicóptero passando a ser designado internamente como “Desing D-250”. A construção do primeiro protótipo seria iniciada em julho de 1965, com seu primeiro voo ocorrendo em dezembro do mesmo ano, agora sobre a denominação comercial de Bell 206. Nos primeiros estágios do programa de ensaio em voo, seriam identificados com principais pontos negativos, sua baixa capacidade de carga e limitado espaço interno, limitantes estes que afetariam sua competividade no mercado civil. A solução a estas demandas surgiria em um redesenho do projeto original, nascendo assim o modelo 206A de maior porte e melhor performance. Seu protótipo realizaria seu primeiro voo de avaliação no dia 20 de abril de 1965. E logo após seguiria para o processo de homologação junto Administração Federal de Aviação - FAA (Federal Aviation Adminstration), recebendo sua certificação em outubro do mesmo ano.  O modelo seria apresentado oficialmente no dia 10 de janeiro de 1966 durante a convenção da Associação de Helicópteros da América - HAA  (Helicopter Association of America), ostentando seu a designação comercial de Bell 206A Jet Ranger (nome dado pelo presidente da empresa Edwin J. Ducayet, denotando uma evolução do popular Bell 47J Ranger). Logo o modelo despertaria grande interesse por parte de potenciais operadores executivos e empresas de taxi aéreo, com a primeira aeronave de série sendo adquirida pela empresa  Hollymatic Corporation,  para uso de seu presidente executivo Harry Holly, tradicional usuário do modelo  Bell 47J Ranger.  A esta logo se seguiriam mais entregas, com o modelo atingindo um sucesso comercial meteórico no mercado da América do Norte, com o Bell 206A Jet Ranger, passando a liderar esta categoria em vendas nos Estados Unidos em um curto período de tempo. 
Vivendo um de seus períodos mais promissores, a empresa manteve elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, posicionando-se de forma estratégica para responder às futuras demandas do setor aeronáutico. Esse esforço mostrou-se particularmente relevante quando, em 14 de outubro de 1960, o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) lançou o programa Helicóptero Leve de Observação (Light Observation Helicopter – LOH). O objetivo dessa concorrência era desenvolver uma nova aeronave de asas rotativas leve, capaz de desempenhar múltiplas funções  incluindo treinamento, transporte e ligação, substituindo uma ampla frota então em operação, composta pelos helicópteros Bell OH-13 Sioux, Hiller OH-23 Raven, além dos aviões leves  L-19 Bird Dog. O programa previa a aquisição de aproximadamente 3.600 aeronaves, configurando-se como o maior contrato militar já proposto até então para helicópteros, o que naturalmente atraiu o interesse de diversos fabricantes. Em maio de 1961, após uma fase inicial de seleção, o número de concorrentes foi reduzido a cinco empresas, destacando-se entre elas os projetos Bell Model 250 e Hughes OH-6 Cayuse (designado inicialmente como YHO-6). O primeiro protótipo da Bell realizou seu voo inaugural em 8 de dezembro de 1962, sendo seguido por outras quatro aeronaves de pré-série, que participaram de extensivos programas de avaliação comparativa. Esses testes foram conduzidos sob a coordenação do Exército  em Fort Rucker, bem como pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) na Base Aérea de Edwards Air Force Base. Ao término do processo, o projeto do concorrente foi declarado vencedor, sendo selecionado para produção em larga escala. Apesar da derrota no programa LOH, a Bell Helicopter demonstrou notável capacidade de adaptação estratégica. Sua diretoria identificou no projeto desenvolvido uma oportunidade promissora no mercado civil, beneficiando-se, inclusive, do fato de que grande parte dos custos iniciais de desenvolvimento havia sido financiada pelo governo norte-americano. Com base no protótipo militar Bell YOH-4A, a equipe de engenharia iniciou um processo de redesenho e aperfeiçoamento, dando origem ao projeto interno Design D-250. A construção do primeiro protótipo teve início em julho de 1965, e seu voo inaugural ocorreu em dezembro do mesmo ano, já sob a designação comercial Bell 206 JetRanger. Durante os ensaios em voo, foram identificadas limitações importantes, como a reduzida capacidade de carga e o espaço interno restrito, fatores que comprometiam sua competitividade no mercado civil. Em resposta,  promoveu-se  uma significativa revisão do projeto original, resultando no desenvolvimento de uma versão ampliada e mais eficiente: o modelo Bell 206A JetRanger. Essa nova aeronave apresentou melhorias substanciais em desempenho e capacidade, realizando seu primeiro voo em 20 de abril de 1965. Na sequência, foi submetida ao processo de certificação junto à Federal Aviation Administration (FAA), obtendo homologação em outubro do mesmo ano. A apresentação oficial do modelo ocorreu em 10 de janeiro de 1966, durante a convenção da Helicopter Association of America (HAA).

Antes mesmo em 1966, a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) e o  Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) iniciaram buscas ´de um novo vetor de asas rotativas, para assim substituir os já obsoletos Bell TH-3L e TH-12M Sea Sioux, usados em escolas de treinamento. Em resposta a lançamento de um concorrência internacional,  a Bell Helicopter Company apresentaria uma versão modificada  e navalizada do modelo 206A Jet Ranger, que superaria varias propostas, entre estas a do francês  Gazelle SA 340 da Sud-Aviation (ainda em protótipo). Neste contexto sua excelente relação de custo-benefício operacional e seu sucesso comercial no mercado civil seriam decisivos para sua vitória na concorrência.   Em janeiro de 1968, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy)  encomendou 40 unidades do Bell 206A, redesignadas como TH-57A Sea Ranger. Elas foram entregues rapidamente e entraram em serviço operacional em outubro de 1968, integrando-se ao treinamento primário de helicópteros na Naval Air Station (NAS) Whiting Field, em Milton, Flórida. O TH-57A suplementou o UH-1 Huey no treinamento, permitindo que alunos aprendessem fundamentos como pairar, manobras básicas e navegação visual sob Regras de Voo Visual (VFR). Além disso seria destacadas células para atuar junto ao  NAS Patuxent River para testes de voo no Naval Air Warfare Center. Ele treinava centenas de aviadores anualmente, tornando-se o "primeiro passo" para gerações de pilotos navais. Sua entrada coincidiu com o auge da Guerra do Vietnã, preparando pilotos para transições para aeronaves como o UH-1 ou SH-3 Sea King. Contratos subsequentes seriam firmados, com uma parte  destas aeronaves seriam empregadas no programa de formação de pilotos da Guarda Costeira dos Estados Unidos (US Cost Guard). Em meados da década de 1980 a pedido da aviação naval seria desenvolvida a versão TH-57B , baseada no Bell 206B-3, destinada ao treinamento por instrumentos  VFR avançados, sendo incorporas 45 células. A seguir surgiria o TH-57C equipado com com painéis instrumentais completos para treinamento IFR (Regras de Voo por Instrumentos), sendo adquiridos mais 71 aeronaves. A família  TH-57 Sea Ranger, incluindo o modelo A, serviu por mais de 50 anos, formando milhares de pilotos e simbolizando a transição para treinamento moderno em helicópteros. Em setembro de 2025, a frota TH-57 completou seu último voo oficial na NAS Whiting Field, sendo substituída pelo TH-73 Thrasher (baseado no Leonardo AW119).  Sua produção sob licença na Itália teve inicio em 1966, com a empresa Augusta Spa, com o modelo Agusta-Bell 206A. A aeronave foi introduzida na Itália em 1967, com o primeiro voo de demonstração em Milão e Roma (pilotado por Joe Mashmann), e ao longo dos anos se  tornaria um  sucesso comercial na Europa, usado por polícia, bombeiros, defesa civil, ambulâncias aéreas e transporte executivo. 
A difusão internacional da família Bell 206 JetRanger consolidou-se rapidamente ao longo das décadas de 1960 e 1970, alcançando tanto operadores civis quanto militares em diversos países. Entre os primeiros exemplos desse processo, destaca-se a adoção de versões produzidas sob licença pela empresa italiana Agusta, que passaram a atender demandas específicas de diferentes forças armadas. Nesse contexto, variantes como o modelo Sino 206AS foram incorporadas pela Marinha do Chile para missões de transporte e ligação. Em 1969, um novo acordo internacional ampliou ainda mais a presença do modelo no cenário militar europeu. Foi firmada a venda de 32 aeronaves derivadas do Bell 206 LongRanger, para atender às necessidades das Forças Armadas da Suécia. Nessas forças, o modelo recebeu designações específicas: Hkp 6A, destinado ao Exército, e Hkp 6B, empregado pela Marinha em missões de guerra antissubmarino (ASW). Esta última versão foi adaptada com flutuadores infláveis de emergência e capacidade para emprego de cargas de profundidade, como os modelos SJB 11 e SJB 45. A experiência acumulada com a produção e operação das primeiras versões do JetRanger impulsionou o desenvolvimento de variantes mais avançadas. Em setembro de 1971, foi introduzido no mercado civil o Bell 206B JetRanger II, que incorporava melhorias de desempenho e confiabilidade. O sucesso dessa versão foi expressivo: até meados de 1977, mais de 1.600 aeronaves já haviam sido entregues a operadores civis e militares em diversas partes do mundo. Esse êxito estimulou a continuidade do processo evolutivo do projeto. O fabricante promoveu uma série de aprimoramentos técnicos, incluindo a modernização dos sistemas de navegação e comunicação. Entre as alterações mais relevantes, destacaram-se a adoção de motores turboeixo mais potentes da família Allison 250  como o modelo C20J  e o redesenho do rotor de cauda, com maior diâmetro e eficiência aerodinâmica. Essas melhorias resultaram em ganhos substanciais de desempenho, confiabilidade e segurança operacional. A evolução da família Bell 206 deu origem a diversas variantes, adaptadas a diferentes perfis de missão. Entre elas, sobressai o Bell 206L LongRanger, com fuselagem alongada e capacidade para até sete ocupantes, ampliando sua utilidade no transporte executivo e aeromédico. Também merece destaque o Bell 206LT TwinRanger, resultado de conversões para configuração bimotora, voltadas ao aumento da segurança em determinadas operações. No campo militar, múltiplas versões foram amplamente exportadas a partir da década de 1970, incluindo o OH-58 Kiowa,  TH-57 Sea Ranger e TH-67 Creek, entre outras. Essas aeronaves foram adotadas por diversos países, consolidando a família como uma das mais difundidas plataformas de asas rotativas no mundo. A produção da família foi oficialmente encerrada em 2010, após mais de quatro décadas de fabricação contínua. Ao longo desse período, foram produzidas aproximadamente 7.300 aeronaves em todas as versões. Dessa forma, o Bell 206 não apenas se consolidou como um dos modelos mais emblemáticos de sua geração, mas também como uma plataforma fundamental na evolução da aviação de asas rotativas.

Emprego na Marinha do Brasil 
A operação de aeronaves de asas rotativas para fins militares no Brasil teve início na primeira metade da década de 1950, quando a Força Aérea Brasileira (FAB) incorporou quatro exemplares do Bell 47D1. Essas aeronaves foram empregadas em missões de ligação, treinamento e busca e salvamento (SAR), introduzindo, de forma pioneira, o conceito de aviação de helicópteros no ambiente militar nacional. Essa iniciativa foi acompanhada com atenção pela Marinha do Brasil, que, desde o término da Segunda Guerra Mundial, buscava estabelecer uma aviação naval própria. Tal ambição fundamentava-se no reconhecimento da crescente importância do poder aéreo no ambiente marítimo, especialmente no que se refere à vigilância, ao apoio às operações navais e à ampliação do alcance estratégico das forças de superfície. Esse projeto começou a se materializar a partir de um conjunto estruturado de ações, envolvendo estudos doutrinários, alocação de recursos e planejamento institucional. Em 1952, foi criada a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), responsável por estabelecer os fundamentos técnicos e operacionais do futuro braço aeronaval, incluindo a definição de doutrina, organização e emprego das aeronaves. Como desdobramento desse processo, em 1955 foi instituído o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), localizado no Rio de Janeiro. Essa organização foi concebida como o núcleo formador da Aviação Naval, sendo responsável pela capacitação de pilotos, mecânicos e demais especialistas, consolidando-se como referência na formação de recursos humanos no setor. O marco inicial da operação de helicópteros pela Marinha ocorreu em 1957, com a incorporação de três exemplares do Bell 47J Ranger, adquiridos por meio da Missão Naval Americana. As aeronaves chegaram ao Brasil desmontadas e foram montadas nas instalações do CIAAN, sob supervisão técnica especializada. Esse processo simbolizou o início efetivo da aviação de asas rotativas no âmbito naval brasileiro. O Bell 47J, por suas características de simplicidade e confiabilidade, revelou-se particularmente adequado para o treinamento básico, permitindo a introdução dos fundamentos do voo rotativo e a formação das primeiras gerações de pilotos navais. Seu emprego foi essencial para o desenvolvimento inicial da doutrina aeronaval e para a consolidação das capacidades operacionais da Marinha nesse domínio. Já na década de 1970, a Aviação Naval Brasileira dispunha de uma frota composta por helicópteros Hughes 269, nas versões 269A-A1 e 269B, utilizados predominantemente na instrução de novos aviadores. Embora tenham desempenhado papel relevante no treinamento, esses modelos apresentavam limitações inerentes ao uso de motores a pistão, especialmente em termos de potência, desempenho e confiabilidade em condições operacionais mais exigentes. Diante desse cenário, tornou-se evidente a necessidade de modernização da frota. A evolução das exigências operacionais impunha a adoção de aeronaves equipadas com motores turboeixo, capazes de oferecer maior potência, melhor desempenho em diferentes condições ambientais e maior confiabilidade. Esse processo de transição tecnológica representaria um passo decisivo para a consolidação e o aprimoramento da Aviação Naval Brasileira nas décadas seguintes.

Diante desse contexto, a Marinha do Brasil iniciou estudos detalhados com vistas à seleção de um novo helicóptero de asas rotativas capaz de atender plenamente às exigências do Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO). Buscava-se uma aeronave que reunisse robustez estrutural, facilidade de manutenção e desempenho adequado a diferentes condições operacionais, assegurando a formação de pilotos navais com elevado padrão técnico. Como resultado desse processo, foi incorporado um lote significativo do Bell 206B JetRanger II, designado localmente como IH-6A. Essas aeronaves foram destinadas ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1), sediado no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), no Rio de Janeiro. A introdução dos IH-6A permitiu a substituição imediata dos helicópteros Hughes 269, nas versões 269A-A1 e 269B  popularmente conhecidos como “Pulga”, que, apesar de sua importância histórica na formação de pilotos, apresentavam limitações inerentes ao emprego de motores a pistão e a um envelope de voo mais restrito. Equipado com o motor turboeixo Allison 250-C20B, o JetRanger II proporcionava desempenho superior e características de voo mais próximas das aeronaves de emprego operacional então utilizadas pela Marinha, como o Westland Lynx e o Sikorsky SH-3 Sea King. Além disso, a capacidade de operar sob regras de voo por instrumentos (IFR) representou um salto qualitativo significativo no processo de formação, permitindo que os alunos se familiarizassem com procedimentos mais complexos e realistas. A incorporação dos IH-6A, portanto, constituiu um marco na evolução do ensino aeronáutico naval, elevando os padrões de segurança, precisão e preparo operacional dos futuros aviadores. Entretanto, a partir de meados da década de 1980, as células dessas aeronaves passaram a apresentar sinais de desgaste decorrentes do intenso regime de utilização no ambiente de instrução. O perfil operacional do entro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN)  caracterizado por elevada frequência de voos, repetição de manobras, treinamento de pairado e navegação  impunha elevados níveis de exigência estrutural e mecânica. Diante da constatação de que os IH-6A se aproximavam dos limites de sua vida útil, a Marinha do Brasil iniciou, em 1985, novos estudos voltados à sua substituição. Esses estudos consideraram critérios fundamentais, como custo de aquisição, economia operacional, facilidade de manutenção e compatibilidade logística com a frota existente. Após análise do mercado internacional, concluiu-se que a versão Bell 206B JetRanger III representava a solução mais adequada. Evolução direta do modelo anterior, essa variante incorporava melhorias significativas, incluindo o motor Allison 250-C20J, com desempenho otimizado, além de aperfeiçoamentos estruturais e operacionais. Mantendo as qualidades que consagraram a família JetRanger como confiabilidade, simplicidade e versatilidade , o JetRanger III consolidou-se como uma das principais plataformas de instrução no cenário internacional, tanto no meio civil quanto militar, atendendo plenamente às necessidades da Aviação Naval Brasileira naquele momento.
Em junho de 1985, a Marinha do Brasil formalizou dois contratos de grande relevância estratégica, voltados à modernização de sua frota de instrução aeronaval e à elevação dos padrões operacionais de formação de pilotos. O primeiro acordo foi celebrado com a Bell Helicopter Textron, contemplando a aquisição de 16 helicópteros Bell 206B JetRanger III, designados no serviço naval como IH-6B. A escolha desse modelo fundamentou-se em atributos como robustez, confiabilidade, baixo custo operacional e elevada compatibilidade com a infraestrutura logística e de manutenção já estabelecida no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1). Paralelamente, um segundo contrato foi firmado com a Sfena Company, destinado à reconfiguração da suíte aviônica das aeronaves. Essa modernização teve como objetivo adaptar os helicópteros a um padrão mais avançado de operação, incorporando um painel de instrumentos inspirado em aeronaves de treinamento da Marinha dos Estados Unidos, como o Bell TH-57 Sea Ranger. Embora tais modificações tenham resultado em um aumento do peso vazio das aeronaves, proporcionaram, em contrapartida, a capacidade de realizar operações sob regras de voo por instrumentos (IFR) de forma plena. Além da atualização aviônica, os IH-6B foram equipados com recursos que ampliaram significativamente sua versatilidade operacional, incluindo gancho de carga para transporte externo, guincho elétrico para missões de busca e salvamento, flutuadores de emergência e portas ejetáveis  estas últimas concebidas para facilitar a evacuação rápida da tripulação em situações críticas. Ainda no final de 1985, as primeiras aeronaves encontravam-se concluídas nas instalações da Bell Helicopter, em Fort Worth, prontas para entrega. Para viabilizar sua incorporação ao serviço ativo, o comando da Aviação Naval elaborou um detalhado plano de translado aéreo, caracterizado por elevada complexidade logística. A operação envolveu a coordenação de escalas em 37 aeroportos ao longo do percurso, atravessando diferentes regiões e enfrentando variados desafios meteorológicos e operacionais. O translado foi conduzido entre março e maio de 1986, organizado em quatro esquadrilhas, evidenciando o elevado grau de planejamento e profissionalismo da força. As 16 aeronaves  matriculadas de MB 5038 a MB 5053  chegaram à Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, onde foram oficialmente incorporadas ao HI-1. A introdução dos IH-6B representou um marco na evolução do programa de instrução da Aviação Naval, particularmente no âmbito do Curso de Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais (CAAVO), conduzido no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN). Mais do que atender às necessidades específicas da Marinha, essas aeronaves também desempenharam papel relevante no contexto da cooperação interforças. Nesse sentido, destaca-se a participação da recém-recriada Aviação do Exército Brasileiro, cujos primeiros aviadores foram formados no HI-1 a partir de 1986. Essa colaboração estendeu-se pelos anos subsequentes, contribuindo para o fortalecimento da integração entre as Forças Armadas e para a otimização de recursos no processo de formação de pilotos militares no país.

Os helicópteros IH-6B destacavam-se pela adoção de uma suíte aviônica avançada, cuja modernização permitiu a realização de treinamento sob regras de voo por instrumentos (IFR), elevando significativamente os padrões de capacitação dos pilotos da Marinha do Brasil para operações em condições meteorológicas adversas. Essa capacidade representou um importante salto qualitativo na formação aeronáutica naval, aproximando o ambiente de instrução das exigências reais do emprego operacional. Outro aspecto de grande relevância foi a versatilidade da plataforma, que possibilitou a introdução de um estágio de instrução armada no currículo de formação. Para tanto, os IH-6B foram equipados com armamentos de treinamento, como metralhadoras coaxiais de 7,62 mm e lançadores de foguetes não guiados SBAT 70/7-1 de 70 mm, de fabricação nacional. Esses recursos permitiram a execução de ataques simulados, enriquecendo o conteúdo tático do curso e proporcionando aos alunos uma experiência mais próxima das condições reais de emprego. A possibilidade de instrução armada foi particularmente valorizada, pois preparava os futuros aviadores para operar aeronaves de maior complexidade, como o Westland Lynx e o Sikorsky SH-3 Sea King, então em uso pela Marinha. Dessa forma, o treinamento oferecido pelos IH-6B contribuía não apenas para o domínio técnico do voo, mas também para o desenvolvimento de competências táticas voltadas a cenários de combate, patrulha marítima e apoio logístico. No início da década de 1990, em resposta ao aumento da demanda por formação de pilotos no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1), o Ministério da Marinha decidiu ampliar a frota com a aquisição de três novas unidades do Bell 206B JetRanger III, igualmente designadas como IH-6B. Essa decisão visava assegurar a continuidade e a eficiência do programa de instrução conduzido no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), localizado na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia. Em abril de 1992, foi firmado contrato com a Bell Helicopter Textron, no valor de aproximadamente 3,7 milhões de dólares, para a aquisição dessas aeronaves. As novas células mantinham plena compatibilidade com as unidades anteriormente incorporadas, incluindo a configuração aviônica modernizada  desenvolvida com participação da Sfena Co.  e equipamentos como flutuadores de emergência, guincho elétrico, portas ejetáveis e capacidade para emprego de armamentos de treinamento. As três aeronaves foram concluídas nas instalações da Bell, em Fort Worth, sendo oficialmente recebidas em novembro de 1992. Diferentemente do translado aéreo realizado em 1986, optou-se, dessa vez, pelo transporte marítimo. As aeronaves foram desmontadas, acondicionadas em contêineres e embarcadas no navio mercante “Jalisco Hay”, de bandeira mexicana. Após a travessia até o Brasil, as unidades chegaram ao porto do Rio de Janeiro em janeiro de 1993. Em seguida, foram transportadas por via terrestre até a Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, onde passaram pelos processos de montagem, inspeção técnica e ensaios operacionais. Concluídas essas etapas, as aeronaves foram incorporadas ao HI-1, reforçando a capacidade de instrução da Aviação Naval Brasileira e assegurando a continuidade da formação de pilotos em um período de crescente demanda operacional.
A adição dessas aeronaves permitiu ao esquadrão manter um ritmo elevado de instrução, essencial para formar pilotos navais qualificados para operar helicópteros de primeira linha.  Além de reforçar o HI-1, os helicópteros IH-6B também foram alocados para o recém-criado 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-4), sediado no Complexo Naval de Ladário (CNLa), base do 6º Distrito Naval da Marinha, no estado do Mato Grosso do Sul. O HU-4 foi estabelecido para atender às necessidades operacionais na região Centro-Oeste, com foco em missões fluviais no Pantanal e na bacia do rio Paraguai. Nesse contexto, os IH-6B desempenharam papéis multifuncionais, incluindo: Transporte e ligação: Conexão logística entre bases e unidades da Marinha na região. Apoio operacional: Suporte às operações fluviais, incluindo patrulhas e missões de vigilância. Operações embarcadas: Atuação como vetores em navios fluviais, como os monitores da classe Parnaíba, ampliando a capacidade de projeção da Marinha em ambientes ribeirinhos. A versatilidade dos IH-6B, com sua suíte aviônica avançada e equipamentos adaptados, tornou-os ideais para essas missões, especialmente em um ambiente operacional desafiador como o Pantanal, onde a navegação por instrumentos e a robustez do helicóptero eram cruciais. Por volta de 2012, as células do IH-6B alocadas ao HU-4 foram devolvidas ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1), em São Pedro da Aldeia, para recompor a dotação original do esquadrão. Essa redistribuição refletiu a necessidade de concentrar os recursos de treinamento no CIAAN, onde a demanda por instrução continuava elevada. As aeronaves, que haviam servido com distinção no HU-4, retornaram ao seu papel primário de formação de pilotos, consolidando sua importância para a Aviação Naval. No final da primeira década do novo século, ficava evidente a proximidade da obsolescência da frota de aeronaves leves da Aviação Naval, levando assim no ano de 2015, o comando da Marinha do Brasil através da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), decidiu lançar as bases de estudo para o desenvolvimento do programa de Helicópteros de Emprego Geral de Pequeno Porte (UHP). Este programa tinha por missão lançar uma concorrência internacional visando a aquisição de uma nova aeronave de asas rotativas de porte leve, destinada as tarefas de treinamento e emprego geral, visando proporcionar aos futuros pilotos da aviação naval futuros, um nível de instrução compatível em termos de avionica embarcada aos novos vetores como os Sikorsky MH-16 Sea Hawk e  Eurocopter EC-725 UH-15 Super Cougar, que recentemente passaram a ser incorporados. Este programa visa também substituir a médio prazo os Helibras UH-12 de UH-13 Esquilo que a exemplo dos IH-6B Jet Ranger III também começavam a apresentar os sinais de cansaço, ocasionados principalmente devido ao  emprego intenso aliado as agressivas condições de operação no ambiente marinho impactaram no desgaste estrutural das células. Neste contexto o novo Helibras H-145 passar a ser altamente cotado para realizar esta substituição em bloco.

Em Escala.
Para representarmos o Bell Jet Ranger IH-6B "MB 5052" empregamos um antigo modelo do fabricante Fujimi na escala 1/48, necessitando de algumas modificações em scratch (portas de embarque traseiras e fixação das metralhadoras ou casulos de foguete coaxiais) para compor a versão brasileira (o modelo original representa a versão Bell OH-58 Kiowa. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM Decais presentes no antigo, porém excelente Set 48/07B.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado em todas as células do Bell 206B Jet Ranger III ou IH-6B , utilizados desde o recebimento em 1986, sendo o mesmo mantido até os dias atuais, contando com apenas algumas pequenas alterações nas marcações seriais.
Bibliografia :
- Bell 206 Jet Ranger  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Bell_206
- Asas Sobre os Mares - Aviação Naval Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr

F-5FM Northrop Tiger II

História e Desenvolvimento.
Na década de 1950, a aviação militar experimentava um período de avanços tecnológicos sem precedentes, impulsionado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista entre as superpotências. Novas aeronaves de combate alcançavam velocidades, autonomias e capacidades de carga útil muito superiores às das gerações anteriores. Contudo, esses avanços vinham acompanhados de um aumento significativo nos custos de aquisição e operação, o que gerava preocupações tanto para os comandantes militares dos Estados Unidos quanto para os fabricantes de aeronaves. Estes temiam que cortes orçamentários, motivados pelas elevadas despesas, pudessem comprometer suas receitas e limitar a produção de novos modelos. Diante desse cenário, a Northrop Aircraft Corporation, uma das principais empresas aeroespaciais da época, tomou a iniciativa de buscar soluções inovadoras. Em 1956, a companhia formou uma equipe de desenvolvimento liderada por Edgar Schmued, vice-presidente de engenharia e renomado projetista responsável pelo icônico  North American P-51 Mustang, utilizado na Segunda Guerra Mundial, e pelo F-86 Sabre, amplamente empregado na Guerra da Coreia (1950 - 1953). A missão dessa equipe era clara: desenvolver uma aeronave de combate leve que combinasse alto desempenho, manobrabilidade aprimorada e confiabilidade, mas com custos de aquisição e operação significativamente inferiores aos dos caças da geração vigente. Além disso, a Northrop Aircraft Corporation reconheceu que as aeronaves de combate modernas, devido à sua complexidade e alto custo, não poderiam ser substituídas em curtos intervalos, como ocorria com os aviões movidos a pistão nas décadas anteriores. Assim, o projeto incorporou o conceito inovador de "potencial de crescimento projetado", visando garantir uma vida útil superior a vinte anos. Outro princípio fundamental foi o do "custo do ciclo de vida", que buscava otimizar os gastos ao longo de toda a operação da aeronave. Sob a liderança técnica de Welko Gasich, engenheiro-chefe do projeto, decidiu-se que os motores seriam integrados à fuselagem, uma configuração que maximizava o desempenho e a durabilidade. O projeto, oficialmente designado N-156, foi concebido para atender a uma concorrência recém-lançada pela Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). O objetivo era desenvolver um caça leve para operar em porta-aviões de escolta, já que as aeronaves então em uso nos porta-aviões convencionais excediam as capacidades de lançamento e armazenamento desses navios menores. A flexibilidade do N-156 também era um diferencial, pois o projeto foi planejado para atender não apenas às necessidades da aviação naval norte-americana, mas também a possíveis demandas futuras da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Entretanto, os planos da Northrop enfrentaram um revés quando a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) reavaliou sua estrutura naval, optando pela desativação dos porta-aviões de escolta. Essa decisão impactou diretamente a continuidade do projeto N-156 em sua configuração inicial, exigindo que a Northrop Aircraft Corporation reorientasse seus esforços para adaptar a aeronave a outros contextos operacionais.

O cancelamento da demanda da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) para um caça leve destinado aos porta-aviões de escolta representou um significativo revés para a Northrop Aircraft Corporation. Essa decisão comprometeu diretamente os planos de produção em larga escala do projeto N-156, colocando em risco os investimentos realizados. Contudo, a diretoria da empresa demonstrou notável resiliência, optando por reorientar o projeto em duas vertentes distintas: o N-156F, um caça tático leve conhecido como “Tally-Ho”, e o N-156T, uma aeronave de treinamento avançado. O conceito do N-156T rapidamente conquistou o interesse da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que buscava um substituto para os jatos subsônicos Lockheed T-33, utilizados como treinadores. Após avaliações, o N-156T foi selecionado como o treinador padrão da USAF, sendo redesignado como T-38 Talon. O primeiro protótipo do YT-38 Talon realizou seu voo inaugural em 12 de junho de 1959, a partir da Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Após um extenso programa de ensaios em voo, a aeronave foi aprovada para produção, resultando na fabricação de 1.158 unidades. As entregas começaram em 1960 e se estenderam até janeiro de 1972. A excelência do projeto foi comprovada ao longo das décadas por meio de sucessivos programas de modernização e retrofit, que mantiveram o T-38 Talon em serviço ativo na missão de treinamento avançado até os dias atuais. Prevê-se que essas aeronaves, que já ultrapassaram cinquenta anos de operação, sejam gradualmente substituídas a partir da segunda metade da década de 2020. Apesar do desinteresse inicial pela versão monoplace do N-156F, a Northrop decidiu, com recursos próprios, continuar seu desenvolvimento. Essa perseverança foi recompensada em um momento de mudanças nas diretivas geopolíticas dos Estados Unidos. No final da década de 1950, o Departamento de Estado (DoS) identificou a necessidade de uma aeronave de combate supersônica multifuncional, de baixo custo de aquisição e operação, destinada principalmente ao mercado de exportação. Essa iniciativa visava fortalecer o Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program), por meio do qual os Estados Unidos forneciam equipamentos de defesa a nações aliadas, consolidando sua esfera de influência durante a Guerra Fria. Essa demanda culminou na criação do “Programa FX”, uma concorrência para a aquisição de aproximadamente 200 aeronaves, com previsão de financiamento para a construção de três protótipos para avaliação. Diversas empresas apresentaram propostas, mas foi o N-156F da Northrop que se destacou. O primeiro protótipo do N-156F realizou seu voo inaugural em 30 de julho de 1959, também na Base Aérea de Edwards. Após um rigoroso programa de avaliação comparativa contra os concorrentes, a aeronave foi declarada vencedora, marcando um marco significativo na história da Northrop Aircraft Corporation e consolidando o N-156F como um sucesso no cenário aeroespacial internacional.
No contexto da Guerra Fria, a Northrop Aircraft Corporation alcançou um marco significativo com o desenvolvimento do caça tático leve designado oficialmente como F-5A, batizado de Freedom Fighter (Combatente da Liberdade). Este foi concebido como uma solução robusta e econômica, alinhada aos objetivos do Programa de Assistência Militar (MAP – Military Assistance Program) dos Estados Unidos, que visava fortalecer a influência geopolítica americana por meio do fornecimento de equipamentos militares.  Ao longo dos anos, o Freedom Fighter tornou-se a principal aeronave de combate oferecida pelo MAP, sendo adotado pelas forças aéreas de nações como Filipinas, Irã, Etiópia, Noruega, Taiwan, Marrocos, Venezuela, Grécia, Turquia, Países Baixos, Coreia do Sul, Formosa e Espanha. No final da década de 1960, com o objetivo de manter sua influência militar e polítics, o governo norte-americano começou a planejar um sucessor para a família F-5A/B. Em 1969, foi lançado o Processo IIFA (Improved International Fighter Aircraft), uma concorrência que convidou oito empresas a apresentarem propostas para uma nova aeronave de combate. Após uma rigorosa avaliação, a Northrop foi declarada vencedora com o modelo F-5A-2, uma evolução significativa do F-5A/B, redesignada como F-5E Tiger II.  O primeiro protótipo do F-5E Tiger II realizou seu voo inaugural em 23 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Equipado com dois motores General Electric J85-21, que geravam até 5.000 libras de empuxo, o Tiger II apresentava uma fuselagem alongada e ampliada, permitindo maior capacidade de combustível e, consequentemente, maior autonomia. Suas asas foram redesenhadas com extensões de borda de ataque, aumentando a área alar e aprimorando a manobrabilidade. Para enfrentar ambientes hostis, o F-5E incorporava aviônicos avançados, destacando-se a inclusão do radar Emerson Electric AN/APQ-153 – uma inovação significativa, já que os modelos anteriores não possuíam radar. Além disso, o Tiger II podia ser customizado com sistemas de navegação inercial, equipamentos TACAN (Tactical Air Navigation) e contramedidas eletrônicas (ECM), atendendo às necessidades específicas de cada cliente. Em 6 de abril de 1973, o 425º TFS Esquadrão de Treinamento Tático (Tactical Fighter Training) sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona, receberia o primeiro Northrop F-5E Tiger II de produção. Neste momento seria iniciado o programa de formação de equipes de voo e solo, e também a construção da doutrina operacional e de combate da nova aeronave. Seguindo as diretrizes iniciais de seu desenvolvimento, o Northrop F-5E Tiger II, passou a ser oferecido em termos vantajosos através dos programas de ajuda militar,  uma série de países alinhados a política externa do governo norte-americano, recebendo contratos de exportação para Coreia do Sul, Irã, Chile, Brasil, México, Suíça, Malásia, Cingapura, Taiwan, Marrocos, Jordânia, Grécia, Tunísia, Arábia Saudita, Etiópia. Honduras, Indonésia, Quênia, Noruega, Sudão e Iêmen. O desenvolvimento do Northrop F-5F Tiger II esteve diretamente associado à necessidade de dotar os operadores do F-5E de uma aeronave de treinamento avançado e conversão operacional que não implicasse perdas significativas de desempenho ou de capacidade de combate. 

As experiências acumuladas com o F-5B Freedom Fighter evidenciaram limitações importantes, sobretudo no que se refere à redução de alcance, carga útil e ausência de radar, fatores considerados incompatíveis com as exigências operacionais da década de 1970. Diante desse cenário, os engenheiros da empresa  conceberam o F-5F como parte integrante do programa Tiger II, estabelecendo como premissa fundamental a manutenção da maior comunalidade possível com a versão monoplace F-5E. O objetivo era garantir que a aeronave biposta não apenas cumprisse funções de instrução avançada e conversão operacional, mas também pudesse ser empregada em missões reais de combate, se necessário, ampliando a flexibilidade de emprego para as forças aéreas usuárias. Para acomodar o segundo tripulante, a fuselagem do F-5F foi alongada em aproximadamente 1,1 metro, com a extensão concentrada na seção dianteira da aeronave. Essa modificação resultou em um nariz alongado cerca de 91 centímetros em relação ao F-5E, solução que permitiu preservar a instalação de um radar de bordo o Emerson Electric AN/APQ-157, uma evolução direta do AN/APQ-153  além de aviônicos modernos para a época. Dessa forma, diferentemente do F-5B, o F-5F manteve capacidades essenciais de interceptação, navegação e ataque. O F-5F foi projetado para ser "combat-capable", ou seja, capaz de combate, com um canhão M-39 de 20 mm único (com capacidade reduzida de munição em relação ao F-5E) e sistemas de controle duplo para treinamento de instrutor e aluno. Mantinha ainda sete pontos duros para até 3.200 kg de carga, incluindo mísseis ar-ar (como AIM-9 Sidewinder), bombas e foguetes. No demais todo o conjunto estrutural como motores, asas e todo o resto é praticamente igual ao monoposto com exceção de alguns detalhes como aletas sobre as asas e peso sobre a cauda, para compensar a mudança no centro de gravidade e as alterações na estabilidade devido ao aumento do comprimento e ao peso do segundo assento. Em termos de dimensões seu comprimento era de  14,69 m; envergadura de 8,13 m; altura de 4,08 m; peso vazio de 4.347 kg; peso máximo de decolagem de 11.192 kg. As extensões do bordo de ataque também apresentavam um formato diferente, para aumentar sua aérea.  Apesar do acréscimo estrutural e do aumento de peso, o F-5F preservou grande parte da agilidade, manobrabilidade e simplicidade logística que caracterizavam a família F-5, mantendo-se compatível com as infraestruturas já existentes nas bases aéreas operadoras. A disposição em tandem dos dois assentos, sob uma ampla cobertura transparente, assegurava excelente visibilidade para instrutor e aluno, fator decisivo para o treinamento em voo de alta performance. Em 25 de setembro de 1974, o primeiro protótipo do  F-5F (número de série 73-0889) realizou seu voo inaugural na Base Aérea de Edwards, na Califórnia.  Sua introdução operacional permitiria às forças aéreas reduzir custos de transição entre aeronaves de instrução e caças de primeira linha, ao mesmo tempo em que elevava o nível de realismo no treinamento de pilotos de caça. 
Logo após ser submetido a um extenso programa de testes de voo, receberia seu primeiro contrato de produção celebrado com o comando da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).  Especificamente, as entregas começaram em meados de 1976 , sendo destinados ao  425º Esquadrão de Treinamento de Caça Tático (425th Tactical Fighter Training Squadron – TFS), sediado na Base Aérea de Williams, no Arizona, representou um marco significativo na evolução da doutrina de formação de pilotos de caça da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) durante a década de 1970. Criado com a missão específica de capacitar tripulações estrangeiras destinadas a operar o F-5E/F, o 425th TFS tornou-se um elemento central na estratégia norte-americana de apoio militar a nações aliadas. Dessa forma, a estrutura curricular do 425th TFS buscava padronizar procedimentos, consolidar fundamentos táticos e introduzir os alunos às características específicas do sistema de armas do Tiger II, com ênfase na transição segura e eficiente para um caça supersônico de alto desempenho.  Com o avanço do curso, o programa passava a enfatizar o emprego tático da aeronave. As missões evoluíam para o treinamento em combate aéreo manobrado (Basic Fighter Maneuvers – BFM), interceptação controlada e autônoma, navegação tática a baixa altitude e ataques ar-solo simulados. Nessa etapa, o F-5F demonstrava sua principal virtude: a capacidade de replicar, com elevado grau de fidelidade, as características operacionais do F-5E, possibilitando uma transição praticamente direta para a versão monoplace. Ao longo de sua existência, o 425th TFS treinou pilotos de dezenas de países, consolidando-se como um verdadeiro centro internacional de excelência na formação de pilotos de caça. O emprego do F-5F como plataforma central de instrução contribuiu decisivamente para a padronização doutrinária, para a redução de custos de treinamento e para o fortalecimento dos laços militares entre os Estados Unidos e seus aliados. Posteriormente algumas células seriam empregadas  pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy) e pelo Corpo de Fuzileiros Navais (USMC) em papéis de treinamento de adversários (adversary training), mas isso ocorreu mais tarde, com conversões para a variante F-5N/F.  Sua produção seria encerrada em 1986, totalizando 146 aeronaves entregues pela Northrop Aircraft Co, sendo esta complementada pela produção sob licença de 91 na Suíça, 68 na Coreia do Sul e 28 em Taiwan. No inicio da década de 1990. apesar de ser considerado defasado tecnologicamente em relação as aeronaves de nova geração, alguns dos maiores operadores do modelo vislumbraram a oportunidade de prolongar a vida útil das células do Northrop F-5E e F-5F Tiger. Estes estudos culminariam em diversos programas de modernização, estendendo a vida útil destas aeronaves até pelo menos o final da década de 2020.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No final da década de 1990, a Força Aérea Brasileira (FAB) enfrentava um cenário desafiador em sua aviação de caça e ataque. Sua frota era composta por apenas 65 aeronaves, divididas entre os caças franceses Marcel Dassault Mirage IIIEBR (designados F-103E) e os norte-americanos Northrop F-5E Tiger II. Essas aeronaves, alocadas em quatro unidades de caça de primeira linha – incluindo o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e o 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa) – pertenciam às gerações de segunda e terceira de aviões de combate. Apesar de sua confiabilidade operacional, esses vetores eram considerados tecnologicamente obsoletos, especialmente quando comparados aos caças de quarta geração que dominavam os cenários de combate aéreo da época. Durante a Guerra Fria, os Mirage IIIEBR e F-5E Tiger II foram pilares da defesa aérea brasileira, desempenhando papéis cruciais em missões como a interceptação de um bombardeiro Avro Vulcan em 1982, durante a Guerra das Malvinas. No entanto, na década de 1990, exercícios multinacionais conjuntos expuseram as limitações dessas aeronaves frente a caças modernos, como o Dassault Mirage 2000 e o Lockheed Martin F-16C/D Fighting Falcon. A principal deficiência era a incapacidade de operar em combates além do alcance visual (Beyond Visual Range – BVR), uma característica essencial na guerra aérea moderna, que exigia sistemas de radar avançados, mísseis de longo alcance e aviônicos integrados. Além disso, muitos dos Mirage IIIEBR/D, adquiridos na década de 1970, aproximavam-se do fim de sua vida útil estrutural. As células apresentavam sinais de fadiga, e os custos de manutenção estavam se tornando insustentáveis, sinalizando a necessidade urgente de substituição. Os F-5E, embora mais recentes e com potencial de modernização como demonstrado por programa realizados em outros países, também careciam de sistemas compatíveis com os padrões de quarta geração, como mísseis BVR do tipo AIM-120 AMRAAM ou radares multimodo. Reconhecendo essas limitações, a Força Aérea Brasileira (FAB) identificou a necessidade de adquirir pelo menos 50 aeronaves multimissão de quarta geração para substituir os Mirage IIIEBR e complementar os F-5E. Esse objetivo ganhou forma em julho de 2000, com a aprovação do Programa de Fortalecimento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, que incluía o projeto FX BR como seu braço armado. Com um orçamento inicial de US$ 700 milhões, o programa previa a aquisição de 12 a 24 caças de superioridade aérea, capazes de operar em cenários de combate moderno e fortalecer o Sistema de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (SISDACTA). O Ministério da Defesa conduziu um meticuloso processo de análise técnica, avaliando propostas de fabricantes globais. Entre os concorrentes estavam caças de renome, como o Dassault Mirage 2000-5, o Lockheed Martin F-16C/D, o Sukhoi Su-30 e o Saab JAS 39 Gripen. Após rigorosa avaliação, uma lista final (short list) foi definida, destacando os modelos mais alinhados com os requisitos operacionais e orçamentários. Infelizmente, o ímpeto do programa FX BR foi interrompido em 2002, quando um novo governo assumiu o poder no Brasil. Apesar do financiamento externo garantido, que minimizava a necessidade de investimento imediato, a nova administração optou por cancelar o programa, priorizando a alocação de recursos para iniciativas sociais. Essa decisão, adiou a modernização da aviação de caça brasileira, deixando a Força Aérea Brasileira (FAB) dependente de vetores envelhecidos por mais uma década.

Apesar desta negativa, a premente necessidade de substituição e modernização, se fazia presente, e o comando do Ministério da Defesa imbuído da missão de fazer o máximo possível com o seu reduzido orçamento para  Aeronáutica, decidiu derivar por dois caminhos. O primeiro visaria a aquisição de dez a doze caças usados para a substituição dos Marcel Dassault Mirage IIIEBR - F-103E, com este programa somente atendendo e mesmo assim paliativamente em 2006 com a incorporação de interceptadores franceses usados Mirage 2000C RDI. O segundo caminho pautava um estudo voltado a aplicação de um processo de modernização de sua frota de caças Northrop  F-5E/F Tiger II, com este sendo profundamente influenciado no exitoso programa aplicado junto aos caças F-5E Tigres III chileno.  Além das necessidades de modernização, se fazia ainda recompor a frota das aeronaves de conversão, pois infelizmente em 1996, o Northrop F-5F "FAB 4809" sofreria um grave acidente com perda total de material e pessoal em manobras próximas a cidade de Triunfo no Rio Grande do Sul. Esta ocorrência reduziria a frota de treinadores à apenas três células, o que sobrecarregaria as atividades de voo deste modelo, motivando então a equipe do Parque de Material de Aeronáutica de São Paulo (PAMA SP), a manter um cuidadoso e esmerado programa de manutenção, para assim, evitar que os períodos das grandes inspeções das células coincidissem, mantendo sempre no mínimo dois Northrop F-5F operacionais. Nesse contexto, seria criado o Programa F-5BR, liderado pela Embraer S/A em parceria com a israelense Elbit Systems, emergiu como uma iniciativa estratégica para modernizar a frota de F-5E/F, garantindo sua relevância operacional até o final da década de 2020. Em 30 de dezembro de 2001, o Comando da Aeronáutica (CoMaer)  aprovou um orçamento de US$ 285 milhões para o retrofit estrutural e modernização de 46 células – 43 F-5E e três F-5F –, redesignadas como F-5EM e F-5FM, respectivamente. A Embraer, em colaboração com a Elbit Systems, liderou o projeto, realizado no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMASP) e nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O projeto trouxe inovações de quarta geração, alinhando os caças brasileiros aos padrões modernos de combate aéreo. Entre os principais avanços destacam-se: Radar Pulso Doppler Grifo F/BR (Grifo-X P2803): Fabricado pela Leonardo S.p.A., esse radar oferecia capacidade look-down/shoot-down, permitindo detectar e engajar alvos em baixa altitude contra o fundo do terreno, essencial para operações BVR. Cabine Modernizada: A instalação de três mostradores multifuncionais (MFD) coloridos, um Head-Up Display (HUD) e iluminação compatível com missões noturnas aprimorou a interface piloto-aeronave, aumentando a consciência situacional. Sistema de Comunicação: A adoção de rádios V/UHF digitais da Rohde & Schwarz, com enlace de dados, garantiu interoperabilidade com outras plataformas, em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB) como os Embraer R-99 A/B (de alerta aéreo antecipado) e A-29 Super Tucano. Tecnologias de Quarta Geração: Incluíram o sistema de mira montado no capacete israelense DASH 4, que permitia aos pilotos direcionar mísseis com o olhar, um enlace de dados para compartilhamento de informações táticas, e o AACMI (Autonomous Air Combat Maneuvering Instrumentation), para simulação e avaliação de combates. O sistema de planejamento de missão e treinamento virtual de voo reforçou a preparação dos pilotos. Controle e Navegação: A introdução do sistema HOTAS (Hands On Throttle and Stick), dois computadores de alto desempenho e um sistema integrado de navegação INS/GPS aprimorou a precisão e a eficiência operacional. Sistemas de Autodefesa: As aeronaves receberam contramedidas eletrônicas (ECM), receptores de alerta radar (RWR) e lançadores de chaff e flare, aumentando a sobrevivência em ambientes hostis.
Além das atualizações tecnológicas, o programa incluiu uma revisão completa das células, reforçando a estrutura para estender a vida útil em cerca de 15 a 20 anos. Componentes críticos, como asas e fuselagem, foram inspecionados e reparados, garantindo a integridade das aeronaves para operações intensivas. Essa fase abrangeria também a padronização das aeronaves, que apresentavam diferenças entre si, pois foram fornecidas em dois lotes, incluindo também a instalação da sonda de reabastecimento em voo nas aeronaves recebidas em 1988.  Em 21 de fevereiro de 2001, as instalações da Embraer em São José dos Campos, São Paulo, receberam as duas primeiras aeronaves destinadas a servir como protótipos do Programa F-5BR: uma na versão monoplace (F-5E) e outra na biplace (F-5F). Essas células foram submetidas a extensos testes para validar as atualizações estruturais e tecnológicas previstas, que incluíam a integração de um radar Pulso Doppler Leonardo Grifo F/BR, aviônicos de quarta geração, mísseis BVR Rafael Derby e sistemas de autodefesa avançados. O primeiro voo do protótipo biplace, redesignado F-5FM, ocorreu em 4 de dezembro de 2003, seguido pelo voo do protótipo monoplace F-5EM em 16 de junho de 2004. Esses marcos demonstraram o progresso técnico do programa, que combinava a expertise da Embraer em modernização de aeronaves com a tecnologia de ponta fornecida pela Elbit Systems. Os testes de voo, realizados em colaboração com pilotos e engenheiros da Força Aérea Brasileira (FAB), confirmaram a eficácia dos novos sistemas, como o capacete DASH 4, o HOTAS (Hands On Throttle and Stick) e os mostradores multifuncionais (MFD), projetados para operações diurnas e noturnas. Em 21 de setembro de 2005, a FAB celebrou a entrega oficial da primeira aeronave modernizada, o Northrop F-5EM Tiger II de matrícula FAB 4586, em uma cerimônia realizada na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa aeronave, alocada ao 1º/14º Grupo de Aviação (Esquadrão Pampa), tinha uma história singular: tratava-se da primeira célula F-5E produzida pela Northrop Aircraft Corporation, que realizou seu voo inaugural em 11 de agosto de 1972, na Base Aérea de Edwards, Califórnia. Para reforçar sua frota e compensar a baixa quantidade de aeronaves biplace, essenciais para treinamento, a Força Aérea Brasileira (FAB) negociou, em 2007, a aquisição de 11 caças usados da Real Força Aérea Jordaniana. O acordo incluiu oito unidades monoplace F-5E e três biplace F-5F, sendo a entrega das células biplace uma condição obrigatória para a concretização da compra. Enquanto os F-5F foram modernizados para o padrão F-5FM, integrando-se às operações do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e outras unidades, as células monoplace foram destinadas principalmente como fonte de peças sobressalentes, garantindo a sustentabilidade da frota modernizada.

A despeito do comprometimento exemplar da Embraer, da Elbit Systems e da Aeronáutica, o Programa F-5BR enfrentou desafios significativos, sobretudo em razão de limitações orçamentárias impostas ao Ministério da Defesa. Originalmente planejada para concluir a modernização de 46 aeronaves — 43 F-5EM e seis F-5FM — até meados da década de 2000, a iniciativa sofreu adiamentos, culminando na entrega da última aeronave apenas em 2013. Esse marco representou a concretização de mais de uma década de esforços dedicados à revitalização da frota de caças. O processo de modernização dotou as aeronaves de um conjunto avançado de sistemas de armamento, ampliando significativamente suas capacidades operacionais. Entre os novos recursos, destacam-se os mísseis de curto alcance Python-4 e Piranha, bem como mísseis de longo alcance com capacidade de engajamento além do alcance visual (BVR). Além disso, foram incorporados kits para bombas inteligentes, como os modelos LGB e Lizard, compatíveis com as bombas MK-82 e MK-84. Complementando esses avanços, as aeronaves receberam pods israelenses de guerra eletrônica, incluindo o Rafael Skyshield e o Rafael Litening III, que possibilitam reconhecimento, designação de alvos por laser, infravermelho (IR) ou GPS. A introdução do Northrop F-5EM Tiger II modernizado elevou a Força Aérea Brasileira (FAB) a um novo patamar de excelência operacional, equiparando-a às capacidades de aeronaves de quarta geração em cenários de combate moderno. A interoperabilidade das aeronaves F-5EM com outros vetores da Força Aérea Brasileira (FAB), como as aeronaves de alerta aéreo antecipado Embraer E-99, de sensoriamento remoto Embraer R-99, e de ataque Embraer A-29 ALX e A-1M AM, viabilizou a adoção do conceito de “ataque por pacotes”. Essa estratégia permite a integração de diferentes tipos de aeronaves em operações coordenadas, otimizando o desempenho em missões complexas. A modernização também propiciou o desenvolvimento de novas doutrinas operacionais, com ênfase no combate ar-ar em ambientes além do alcance visual. Essas capacidades foram frequentemente testadas em exercícios simulados contra os caças Dassault Mirage F-2000C do 1º Grupo de Defesa Aérea, demonstrando a robustez e a versatilidade do F-5EM. Este processo evolutivo seria coroado quando da participação do 1º/14º Grupo de Aviação - Esquadrão Pampa no prestigioso exercício multinacional RED FLAG no deserto de Nevada, realizado em junho de 2008 nos Estados Unidos. O Red Flag é um exercício avançado de emprego do poder aéreo, projetado para simular combates aéreos realistas em cenários de alta complexidade, com ameaças aéreas, antiaéreas e eletrônicas. A participação da FAB em 2008 marcou sua segunda presença no exercício. Neste momento seriam envolvidos seis caças F-5EM, realizaram cerca de 200 voos, totalizando 500 horas de treinamento, com uma média de 10 voos diários. Os caças F-5EM demonstraram robustez em combates BVR, coordenação com AWACS (aeronaves de alerta e controle), participando em  combates simulados contra aeronaves Boeing F-15E Eagle, Lockheed F-16C Falcon e Saab JAS 39 Gripen, obtendo excelentes resultados operacionais.
A modernização dos F-5F provenientes da Jordânia representou um marco relevante no processo de revitalização da aviação de caça da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao final desse programa, a frota de aeronaves biplaces do modelo foi ampliada para seis unidades, o que possibilitou a distribuição equilibrada de duas células por esquadrão operador do F-5, em contraste com a situação anterior, na qual os três F-5F originais encontravam-se concentrados exclusivamente no 1º/14º GAv. Essa redistribuição teve impacto direto e positivo sobre os processos de treinamento, conversão operacional e manutenção da proficiência dos pilotos de caça, contribuindo para maior eficiência na formação de novas tripulações. Em 12 de dezembro de 2010, o F-5EM Tiger II passou a equipar também o 1º/4º Grupo de Aviação (1º/4º GAv), o Esquadrão Pacau, então sediado em Fortaleza, no Ceará, e posteriormente transferido para a Base Aérea de Manaus (AM). Essa transição constituiu um momento histórico para a unidade, que deixou para trás os veteranos Embraer AT-26 Xavante, aeronaves de treinamento avançado que haviam servido desde a década de 1970. Embora reconhecido por sua robustez e confiabilidade, o Xavante já se encontrava limitado frente às exigências do combate aéreo moderno, o que tornava inevitável sua substituição. A incorporação do F-5EM, dotado de aviônicos modernos, radar multimodo e capacidade de emprego de armamentos de última geração, elevou o Esquadrão Pacau à condição de unidade de caça de primeira linha, ampliando significativamente seu espectro de missões e sua relevância estratégica. A subsequente transferência do esquadrão para Manaus reforçou de maneira decisiva a presença na Amazônia, região de importância vital para a defesa nacional. Essa realocação permitiu uma maior capacidade de resposta a ameaças aéreas, além de intensificar a vigilância e o controle do espaço aéreo na fronteira norte do país. O processo de modernização do Esquadrão Pacau foi acompanhado por intensos programas de treinamento, envolvendo tanto pilotos quanto equipes de manutenção, que precisaram adaptar-se às novas tecnologias e aos sistemas avançados embarcados no F-5EM. A crescente interoperabilidade com outras plataformas estratégicas, como o Embraer E-99 (AEW&C) e o A-29 Super Tucano, fortaleceu a doutrina de operações combinadas, consolidando a Força Aérea Brasileira (FAB) como uma força aérea capaz de atuar de forma integrada e eficaz em cenários operacionais cada vez mais complexos. A partir de 2021, as primeiras células do F-5EM Tiger II começaram a ser gradualmente retiradas do serviço ativo, refletindo tanto o avanço da incorporação dos caças F-39 Gripen quanto as prioridades de modernização estabelecidas. Esse processo marcou o início do ocaso de uma aeronave que, por mais de quatro décadas, constituiu a espinha dorsal da aviação de caça brasileira, adaptando-se continuamente às limitações orçamentárias e às exigências operacionais do país. Estima-se que a desativação completa dos F-5EM e F-5FM ocorra até o final da década de 2020, encerrando uma trajetória marcada por notáveis conquistas operacionais, longevidade excepcional e contribuição decisiva para a defesa aérea do Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Northrop F-5FM "FAB 4808" empregamos o antigo modelo da Monogram na escala 1/48, necessitando para se compor a versão modernizada, proceder como alterações básicas a inclusão de antenas RWR, dispensers de chaff e flares , remoção do canhão M-39 de 20 mm e adoção da sonda de reabastecimento em vôo  (item em resina). Para finalizar o modelo fizemos uso de decais produzidos pela FCM Decais, presentes no set 48/33.
O esquema de camuflagem aplicado aos Northrop F-5FM Tiger II modernizados pela Força Aérea Brasileira (FAB) reflete uma abordagem funcional e estratégica, projetada para otimizar a sobrevivência da aeronave em cenários de combate e adaptá-la às condições operacionais do Brasil. A pintura dos F-5EM e F-5FM utilizam tintas foscas para reduzir reflexos e melhorar a camuflagem. Após a modernização, as aeronaves receberam um revestimento anticorrosivo, essencial para operações em ambientes úmidos como a Amazônia. Existiram pequenas variações referentes a aplicação das marcações exclusivas das cinco unidades que empregam o modelo.
Bibliografia : 
- Northop F-5 Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_F-5
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 por Jackson Flores Junior
- F-5F  na FAB, os Poucos,  Fernando " De Martini; Alexandre Galante e Guilherme Poggio - Revista Forças de Defesa Número 6
- Os Tiger Afiam suas Garras - Carlos Lorch - Revista Força Aérea Nº3
- Mike , um Novo Vetor de Armas – Jose Leandro P- Casella – Revista Força Aérea Nº 45