B-25B North American Mitchel

História e Desenvolvimento.
A North American Aviation Company foi fundada em 6 de dezembro de 1928 por Clement Melville Keys, inicialmente concebida como uma holding empresarial voltada à aquisição, gestão e negociação de participações em companhias aéreas e empresas ligadas ao emergente setor da aviação. Essa estrutura refletia o ambiente econômico e regulatório dos anos finais da década de 1920, quando a aviação comercial norte-americana ainda se organizava de forma incipiente e fortemente dependente de contratos governamentais, em especial os relacionados ao transporte postal aéreo. Entretanto, esse modelo de negócios mostrou-se insustentável a partir de 1934, com a promulgação da chamada Lei Federal do Correio Aéreo (Air Mail Act), que desarticulou o sistema de holdings e impôs severas restrições à integração vertical entre companhias aéreas e fabricantes. Como consequência, diversas empresas estruturadas sob esse formato entraram em colapso ou foram forçadas a se reorganizar. Já então reconhecida como um ator relevante no meio aeronáutico, a North American Aviation promoveu uma profunda reorientação estratégica, abandonando o papel de holding financeira para concentrar-se diretamente na produção de componentes e aeronaves. Nesse processo de transformação, a liderança da empresa passou para as mãos do engenheiro James H. “Dutch” Kindelberger, profissional de sólida reputação técnica, cuja experiência havia sido forjada na Douglas Aircraft Company. Sob sua direção, a North American iniciou uma nova fase, sustentada financeiramente por investimentos oriundos de fundos ligados à Eastern Air Lines, o que assegurou a estabilidade necessária para a consolidação industrial da companhia. Em 1935, um novo e decisivo capítulo foi aberto com a aquisição do controle da empresa pela General Motors Corporation, que promoveu a fusão da North American Aviation com sua subsidiária aeronáutica, a General Aviation Manufacturing Corporation. No mesmo ano, foi tomada a decisão estratégica de transferir a principal planta industrial de Dundalk, Maryland, para Los Angeles, Califórnia, buscando explorar as condições climáticas mais favoráveis da costa oeste, que permitiam a realização contínua de ensaios de voo e aceleravam os ciclos de desenvolvimento e produção. Inserida nesse novo contexto, a North American Aviation direcionou seus esforços iniciais para o segmento de aeronaves de treinamento, considerado menos competitivo e mais acessível do que os mercados de caças e bombardeiros, então dominados por fabricantes já consolidados. Essa escolha revelou-se acertada. Os primeiros frutos dessa estratégia materializaram-se nos modelos GA-16, projetado para o treinamento básico de pilotos, e GA-15, destinado a missões de observação e reconhecimento. Ambos os projetos haviam sido originalmente desenvolvidos pela General Aviation Manufacturing Corporation e realizaram seus voos inaugurais, obtendo certificação, no início de 1936.O North American GA-16, após sua apresentação oficial, recebeu a designação militar NA-18, tendo seus dois protótipos submetidos a um rigoroso programa de ensaios em voo. Ainda em outubro de 1935, foi firmado o primeiro contrato de produção com o Exército dos Estados Unidos (US Army), contemplando a encomenda de 42 aeronaves, cujas entregas iniciais ocorreram já no início do ano seguinte.

Esses acontecimentos marcaram os passos inaugurais da North American Aviation como fabricante de aeronaves militares, lançando as bases de uma trajetória que, nos anos subsequentes, levaria a empresa a tornar-se um dos mais importantes e influentes fornecedores da aviação militar norte-americana, com papel decisivo no esforço industrial e tecnológico dos Estados Unidos ao longo do século XX. Em 11 de março de 1938, o Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) publicou um conjunto de especificações técnicas destinadas ao desenvolvimento de uma aeronave monoplano bimotora concebida para operar como bombardeiro médio de ataque, refletindo o esforço então em curso para modernizar a aviação militar norte-americana diante das rápidas transformações tecnológicas da década de 1930. Atendendo a esse chamamento, diversas empresas de destaque da indústria aeronáutica — entre elas a Bell Aircraft Company, a Boeing Stearman Company, a Douglas Aircraft Company, a Martin Aircraft Company e a North American Aviation Company  apresentaram seus projetos para avaliação. O processo, contudo, revelou-se particularmente conturbado. A fase de ensaios foi marcada por sucessivos acidentes e incidentes envolvendo os protótipos apresentados, evidenciando as dificuldades técnicas inerentes ao desenvolvimento de uma nova geração de bombardeiros médios. Em razão desses reveses, o programa, identificado como CPN 38-385, acabou sendo cancelado, interrompendo temporariamente a iniciativa de dotar o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) de um novo vetor dessa categoria. Entretanto, o rápido agravamento do cenário internacional, com o aumento das tensões geopolíticas tanto na Europa quanto no Pacífico, imprimiu novo senso de urgência à modernização das forças armadas dos Estados Unidos. Assim, já em março de 1939, foi lançado um novo esforço, denominado Projeto ACP 39-640, igualmente voltado ao desenvolvimento de um bombardeiro médio de ataque, mas conduzido sob premissas mais ousadas. Diferentemente da concorrência anterior, a necessidade de acelerar o processo levou o comando militar a adotar uma abordagem excepcionalmente arriscada: a escolha do vencedor seria feita com base nas propostas técnicas apresentadas, dispensando-se a construção prévia de um protótipo funcional, com o objetivo de colocar a aeronave em operação antes do início de 1940. Dentre os projetos submetidos, dois se destacaram e foram selecionados como finalistas: o Martin Model 179 e o North American NA-62, este último concebido pelos engenheiros R. H. Rice e John Leland Atwood. A proposta da North American chamava a atenção por sua configuração de asa alta, dupla deriva e por um robusto armamento defensivo, além da capacidade de transportar até 3.600 libras de bombas a elevadas velocidades  características que, ao menos em teoria, superavam as oferecidas pelo projeto concorrente da Martin. Após criteriosa análise, e considerando a necessidade imediata de reequipar seus esquadrões, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) optou por uma solução pragmática, decidindo adotar ambos os modelos. Dessa forma, foram formalizados contratos para a produção de 184 unidades do North American B-25 e 200 unidades do Martin B-26, assegurando uma rápida ampliação da capacidade de bombardeio médio da força.
Cabe destacar que o projeto definitivo aprovado para a produção em série do North American B-25, embora tivesse suas origens na proposta NA-40 apresentada na concorrência de 1938, resultou em uma aeronave substancialmente maior e mais pesada, incorporando melhorias estruturais e operacionais que elevaram seu peso total em quase quatro toneladas em relação ao conceito inicialmente concebido. O primeiro protótipo do North American B-25 foi concluído em 2 de agosto de 1940 e realizou seu voo inaugural em 19 de agosto do mesmo ano, sendo então submetido a um abrangente programa de ensaios em voo. Os resultados iniciais mostraram-se suficientemente promissores para que, em curto prazo, fosse concedida a autorização para a produção em série da aeronave, refletindo a urgência com que o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos buscava modernizar seus meios de ataque. As primeiras nove aeronaves produzidas apresentavam asas com diedro constante, ou seja, com inclinação uniforme a partir da fuselagem até as pontas. Contudo, após a entrega dessas unidades ao United States Army Air Corps (USAAC), constatou-se que tal configuração comprometia a estabilidade lateral da aeronave, resultando em um comportamento indesejado dos painéis externos das asas em determinadas condições de voo. Diante dessas limitações, a North American Aviation promoveu modificações imediatas no projeto, adotando a característica asa em “gaivota”, solução que se tornaria uma das marcas visuais mais reconhecíveis do B-25. Paralelamente, foram introduzidos ajustes menos perceptíveis, porém igualmente relevantes, como o aumento da área das barbatanas da cauda e a redução de sua inclinação interna, medidas destinadas a aprimorar a estabilidade direcional. Em setembro de 1940, outros três protótipos foram entregues ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para participação em um rigoroso programa de ensaios em voo. O desempenho satisfatório dessas aeronaves resultou na homologação definitiva do modelo para produção em série. Nesse contexto, foi celebrado um contrato inicial entre a North American Aviation e as autoridades militares norte-americanas para a aquisição de 24 aeronaves, com as primeiras entregas ocorrendo em fevereiro de 1941. Foi também nesse momento que a aeronave recebeu oficialmente a designação B-25 e o nome “Mitchell”, em homenagem ao brigadeiro-general William Lendrum “Billy” Mitchell, um dos mais destacados defensores do emprego estratégico do poder aéreo nas décadas de 1920 e 1930. Paralelamente à entrada em produção, o projeto continuou a evoluir, dando origem à versão B-25A, que incorporava aprimoramentos estruturais e operacionais. Essa variante garantiu um novo contrato para a fabricação de 40 unidades adicionais. Durante esse período, relatórios de inteligência militar norte-americanos, baseados em experiências colhidas no teatro europeu, enfatizavam a crescente vulnerabilidade dos bombardeiros frente à ameaça representada pelos caças alemães. Como resposta, foram implementadas melhorias significativas no B-25A, incluindo a instalação de blindagem para proteção da tripulação e a adoção de tanques de combustível autovedantes.

Embora essas modificações tenham elevado substancialmente a capacidade de sobrevivência da aeronave em combate, elas impactaram negativamente sua autonomia. A capacidade interna de combustível foi reduzida de 912 para 694 galões, sem, contudo, comprometer o perfil operacional do B-25 como bombardeiro diurno de curto e médio alcance. A principal limitação passou a ser a capacidade de translado em longas distâncias, questão parcialmente mitigada pela possibilidade de instalação de um tanque suplementar removível no compartimento de bombas (bomb bay), solução que preservava a flexibilidade operacional do modelo. O sistema defensivo do North American B-25B representou um avanço significativo em relação às versões iniciais, refletindo as lições extraídas das primeiras experiências de combate aéreo na Europa. Essa variante passou a incorporar uma torreta elétrica Bendix do tipo “L”, instalada na seção dorsal traseira da fuselagem e equipada com duas metralhadoras Browning calibre .50. Complementarmente, foi introduzida uma torreta ventral retrátil, de concepção semelhante e dotada do mesmo armamento, posicionada na região inferior da aeronave, nas proximidades do compartimento de bombas (bomb bay). Esse conjunto elevou de forma sensível a capacidade defensiva do bombardeiro contra ataques de caças inimigos provenientes dos setores superior e inferior. A adoção dessa configuração levou à celebração de um contrato para a produção de 120 exemplares do B-25B, cujas entregas tiveram início imediato às diversas unidades do United States Army Air Corps (USAAC), tanto no território continental norte-americano quanto nos teatros de operações ultramarinos, em especial no Pacífico. A conclusão das entregas ocorreu em janeiro de 1942, em um momento em que os Estados Unidos já se encontravam plenamente envolvidos no conflito mundial. Embora produzido em número relativamente modesto quando comparado às variantes subsequentes, o B-25B Mitchell alcançou lugar de destaque na história da aviação militar ao participar da ousada incursão aérea contra o Japão em 18 de abril de 1942, episódio que ficaria conhecido como o Raid Doolittle. Naquela ocasião, dezesseis B-25B decolaram do porta-aviões USS Hornet (CV-8) para atacar alvos estratégicos nas cidades de Tóquio, Yokohama, Kobe e Nagoya. Do ponto de vista material, os danos causados foram limitados; contudo, o impacto psicológico foi profundo, demonstrando à liderança japonesa que o arquipélago não era invulnerável e proporcionando um expressivo incremento no moral das forças armadas e da opinião pública norte-americana. As versões seguintes do modelo incluíram o B-25C, com 1.625 unidades produzidas na fábrica de Inglewood, na Califórnia, e o B-25D, com 2.290 exemplares fabricados em Kansas City. Do ponto de vista técnico, ambas apresentavam características muito semelhantes, diferindo principalmente em aspectos de produção e equipamentos internos. A Royal Air Force (RAF) figurou entre os primeiros usuários estrangeiros do B-25, recebendo inicialmente a versão B-25B, designada localmente Mitchell I. As primeiras aeronaves chegaram em agosto de 1941 e foram alocadas à Unidade de Treinamento Operacional nº 111, sediada nas Bahamas, sendo empregadas exclusivamente para instrução e familiarização, sem utilização operacional em combate.
Já os B-25C e B-25D, designados Mitchell II pela Força Aérea Real (RAF,) passaram a equipar os esquadrões do Grupo nº 2, constituindo a espinha dorsal da força tática britânica de bombardeiros médios. O batismo de fogo dessas aeronaves sob comando britânico ocorreu em 22 de janeiro de 1943, quando seis Mitchell II do Esquadrão nº 180 atacaram instalações petrolíferas na região de Ghent, na Bélgica ocupada. No teatro do Pacífico, particularmente no início de 1943, aeronaves B-25C baseadas na Austrália foram adaptadas para missões de ataque rasante contra navios japoneses no Mar de Bismarck. Para esse perfil de emprego, o compartimento de bombas tornou-se dispensável, uma vez que as cargas explosivas eram lançadas diretamente pelo piloto durante o voo em baixa altitude. O nariz da aeronave foi então modificado, passando a abrigar 4 metralhadoras fixas calibre .50, cada uma com 500 cartuchos, complementadas por outras quatro metralhadoras do mesmo calibre instaladas em pares nas laterais da fuselagem, próximas à cabine de pilotagem. Essa configuração conferiu ao B-25 uma capacidade de fogo frontal excepcional, capaz de suprimir defesas antiaéreas leves e dificultar de forma decisiva a reação das tripulações inimigas, consolidando o modelo como uma das mais versáteis e eficazes plataformas de ataquel. As adaptações bem-sucedidas realizadas no B-25C serviram de base para o desenvolvimento do B-25G, do qual foram produzidas 750 unidades. Em sequência, foi introduzido o B-25H, caracterizado por um armamento mais potente em relação ao seu antecessor, destacando-se a inclusão de um canhão leve de 75 mm, modelo T13-E1. A última variante da série, o B-25J, alcançou a maior produção, com 4.318 exemplares fabricados. O B-25J preservou o nariz envidraçado típico dos modelos B-25C e B-25D, manteve as torretas dorsal e de cauda herdadas do B-25H e integrou as metralhadoras laterais frontais presentes nas versões C e D. A partir dessas configurações, uma série de modificações deu origem a variantes especializadas para missões diversas, como reconhecimento fotográfico, treinamento multimotor, reconhecimento meteorológico, patrulha marítima, transporte e capacitação em sistemas de radar embarcados. Até o final do conflito seriam produzidas  9.816 células dispostos em 31 versões, além dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, uma grande parte destas aeronaves seriam cedidas a nações aliadas como Brasil, Uniao Soviética, Canáda, Australia e França Livre.  No pós-guerra o modelo foi empregado pela Argentina, Biafra, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba República Dominicana, Indonésia, México, Peru, Polônia, Espanha, Uruguai e Venezuela, até meados da década de 1970. As primeiras versões destinadas ao transporte de carga emergiram da conversão de células dos North American B-25B iniciais, disponíveis em grande quantidade devido à substituição por modelos mais avançados. O sucesso dessa iniciativa levou a conversão adicional de aeronaves, resultando nas designações CB-25B, CB-25C, CB-25D e CB-25J. Essas variantes de transporte foram amplamente empregadas em todos os teatros de operações durante o conflito. Destaca-se ainda o desenvolvimento de uma variante especial para transporte de personalidades (VIP), designada VB-25J, que teve como usuários notáveis os generais norte-americanos Henry H. Arnold e Dwight D. Eisenhower. Após o término do conflito, diversas aeronaves na configuração original de bombardeiro foram transferidas a nações aliadas. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma expansão das operações militares do Eixo — Alemanha, Itália e Japão em direção ao continente americano. Essa preocupação intensificou-se de maneira decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, uma vez que o colapso francês abriu à Alemanha nazista a perspectiva de utilizar antigas possessões coloniais como bases avançadas no Atlântico, notadamente nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outros pontos estratégicos da África Ocidental. A partir dessas posições, tornava-se teoricamente viável o planejamento de incursões militares ou ações de interdição marítima contra o hemisfério ocidental. Nesse contexto, o Brasil passou a ser identificado pelos estrategistas norte-americanos como um dos pontos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais prováveis para o lançamento de uma ofensiva inimiga. Tal avaliação derivava, sobretudo, de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que também figurava nos planos de expansão do Eixo, bem como da extensão e vulnerabilidade de seu litoral. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul comprometeram seriamente o fornecimento de borracha natural aos Aliados, transformando o Brasil no principal fornecedor de látex para o esforço de guerra aliado — insumo estratégico e indispensável à indústria bélica, especialmente para a produção de pneus, mangueiras, vedações e diversos componentes militares. A posição geográfica do litoral brasileiro, em especial da Região Nordeste, assumiu, assim, importância estratégica singular. Cidades como Recife destacavam-se por representar o ponto de menor distância entre as Américas e a África, condição que tornava a região ideal para a instalação de bases aéreas, navais e infraestruturas logísticas. Essas estruturas poderiam servir como elo fundamental na ponte aérea e marítima destinada ao envio de tropas, suprimentos, aeronaves e equipamentos para os teatros de operações europeu e norte-africano, consolidando o Brasil como peça-chave na arquitetura estratégica aliada no Atlântico Sul. Diante desse cenário, verificou-se, em curto espaço de tempo, uma acentuada aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Essa convergência materializou-se por meio de investimentos diretos em infraestrutura, acordos bilaterais de cooperação e, sobretudo, pela adesão brasileira ao programa de ajuda militar Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Concebido como instrumento central da política externa norte-americana, o Lend-Lease tinha como objetivo fortalecer militarmente as nações consideradas essenciais para a contenção do Eixo, promovendo a modernização de suas forças armadas. No caso brasileiro, os termos do acordo garantiram uma linha inicial de crédito da ordem de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico moderno, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.  Esses recursos mostraram-se fundamentais para enfrentar as crescentes ameaças representadas pela guerra submarina alemã e italiana no Atlântico Sul, que colocavam em risco a navegação mercante, afetavam o comércio exterior brasileiro e ameaçavam diretamente o fluxo diário de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria de guerra dos Estados Unidos. 

O programa de assistência militar revelou-se igualmente decisivo para a estruturação e consolidação da recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), instituída em 1941. Até então, a Aeronáutica havia herdado da Aviação Militar do Exército e da Aviação Naval da Marinha um conjunto heterogêneo de aeronaves, em grande parte obsoletas e inadequadas às exigências da guerra moderna, especialmente no que se referia às missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. O apoio norte-americano, portanto, não apenas forneceu meios materiais, mas também contribuiu de maneira decisiva para a evolução doutrinária, operacional e organizacional da aviação militar brasileira, permitindo ao país desempenhar um papel cada vez mais relevante na defesa do Atlântico Sul e no esforço de guerra aliado. Na fase inicial de suas atividades operacionais, a Força Aérea Brasileira (FAB) limitou-se, em grande medida, à realização de voos de presença e vigilância ao longo do litoral brasileiro, empregando, sobretudo, aeronaves monomotoras de desempenho modesto, como o North American AT-6B e o Vought V-65B Corsair. Essas missões tinham caráter essencialmente dissuasório e de observação, refletindo tanto a carência de meios adequados quanto a inexistência, à época, de uma doutrina plenamente desenvolvida para a condução da guerra aeronaval. Esse quadro começou a se modificar de forma significativa no início de 1942, quando, em decorrência de incentivos econômicos e crescentes pressões diplomáticas, o governo brasileiro autorizou a utilização de bases aéreas nacionais por unidades de patrulha da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Tal decisão representou um marco estratégico, pois viabilizou o início de operações conjuntas de patrulhamento marítimo e combate a submarinos alemães e italianos no Atlântico Sul. Esses primeiros confrontos passaram a ser acompanhados de perto por oficiais brasileiros, cuja participação, ainda que inicialmente observacional, revelou-se fundamental para a assimilação gradual dos conhecimentos técnicos e táticos relacionados à guerra antissubmarino. A partir desse convívio operacional, a Força Aérea Brasileira (FAB) passou a internalizar procedimentos, técnicas e conceitos doutrinários, adquirindo progressivamente a capacitação necessária para desenvolver, adaptar e difundir uma doutrina própria de emprego aeronaval. Esse processo de aprendizado foi reforçado pela cessão de aeronaves mais modernas, destacando-se, em janeiro de 1942, a entrega dos seis primeiros North American B-25B Mitchell ao Brasil. Adaptadas para missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino (ASW), essas aeronaves foram destinadas ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade criada em 4 de fevereiro de 1942 e sediada em Fortaleza, no Ceará, região de elevada relevância estratégica no contexto do Atlântico Sul. As primeiras missões operacionais com os B-25B tiveram início em abril de 1942 e foram conduzidas por tripulações mistas, compostas por oficiais e graduados da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) e da Força Aérea Brasileira (FAB). 
Durante essas operações, os tripulantes dos dois países alternavam as posições a bordo, prática que se revelou extremamente eficaz para elevar o nível de treinamento e acelerar a transferência de conhecimentos técnicos e operacionais. Nesse contexto de aprendizado em meio a uma situação estratégica cada vez mais tensa, um episódio assumiu particular relevância histórica. Em 22 de 1942, um North American B-25B Mitchell destacou-se ao tornar-se a primeira aeronave militar brasileira a entrar em combate durante a Segunda Guerra Mundial. Tal fato é ainda mais significativo quando se considera que, naquele momento, o Brasil ainda não havia declarado guerra ao Eixo, e o Ministério da Aeronáutica (MAer) contava com apenas 15 meses de existência, encontrando-se em pleno processo de organização e consolidação institucional. Quatro dias antes desse evento, o navio mercante Comandante Lyra fora atacado em águas territoriais brasileiras pelo submarino italiano Barbarigo, a pouco mais de 330 quilômetros de Fernando de Noronha. Tratava-se já da oitava embarcação brasileira atingida pelas forças do Eixo, evidenciando a escalada da guerra submarina no Atlântico Sul. O Comandante Lyra, embarcação de aproximadamente 73 metros de comprimento, capaz de atingir velocidades em torno de 30 km/h e equipada com dois canhões de 100 mm, quatro metralhadoras e oito tubos lançadores de torpedos, sofreu danos significativos em decorrência do impacto de um torpedo, do emprego de bombas incendiárias e de disparos de canhões de 100 mm e metralhadoras. Apesar da violência do ataque, o navio não chegou a afundar, embora tenha sido tomado por incêndios que produziram uma imensa coluna de fumaça, visível a grande distância. Em situação de emergência, a embarcação conseguiu seguir rebocada até o porto de Fortaleza (CE), episódio que reforçou, de maneira contundente, a urgência da mobilização militar brasileira e a necessidade de ampliar e consolidar as capacidades brasileiras no patrulhamento marítimo e na defesa do litoral nacional. Naquele dia 22 de maio, os Capitães  Aviadores Parreiras Horta e Pamplona estavam em missão de treinamento de formação operacional como pilotos de patrulha. Mas nenhum voo era realmente tranquilo: o Brasil ainda não estava oficialmente em conflito, porém qualquer tripulação da Força Aérea Brasileira (FAB), mesmo as envolvidas em treinamento, eram orientadas a voarem prontas para o combate. Qualquer submarino ou navio que não pudesse ser identificado seria considerado como possivelmente hostil. O B-25B levava na sua tripulação os oficiais brasileiros e quatro militares da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF): Tenente Schwane (instrutor), Sgt. Yates, Sgt. Tyler e Sgt. Robinson, localizou o submarino italiano Barbarigo (Classe Marcelo) navegando em superfície.  Conforme as diretrizes vigentes à época, que refletiam a neutralidade brasileira, as tripulações só poderiam engajar alvos inimigos em caso de ataque prévio, então basicamente seria uma operação apenas de intimidação, porém ao identificar a aproximação da aeronave, a tripulação do submarino inimigo  respondeu imediatamente com intenso fogo antiaéreo. Diante da agressão, a tripulação do B-25B neste momento a 300 metros de altitude sobrevoou a embarcação da proa à popa e lançou 10 bombas  de 45 kg. Em segundos, começaram as explosões próximas ao casco. 

Somente depois do lançamento começou o ininterrupto fogo antiáereo enquanto a embarcação iniciava uma curva e expelia fumaça dos motores diesel.  Enquanto o bombardeiro mantinha contato visual com o alvo e informava o comando sobre o ataque, os disparos da antiaérea continuavam, até que a aeronave desapareceu nas nuvens. Antes do pouso em Fortaleza, mais aviões já haviam decolado para caçar a ameaça inimiga na costa brasileira, mas o alvo não foi mais encontrado.  Em referência a este ataque, foi declarado o batismo de fogo da Força Aérea Brasileira (FAB) e instituído naquela data o dia da Aviação de Patrulha. No final deste mesmo ano seria determinado que a Força Aérea Brasileira deveria começar a assumir uma significativa parcela das atividades de patrulhamento e guerra antissubmarino em seu mar territorial. Neste período a força de patrulha  brasileira ainda era incipiente. Os seis B-25B, juntamente com doze caças Curtiss P-36 e dois Douglas B-18 Bolo, formavam o Agrupamento de Aviões de Adaptação, sediado na Base Aérea de Fortaleza. Essas aeronaves realizavam voos na costa em busca dos submarinos inimigos. A fim melhorar esta estrutura em dezembro de 1942, seriam  recebidos dez Lockheed A-28A-LO Hudson, o primeiro modelo especializado em missões deste tipo.   A rotina de missões de patrulhamento marítimo conduzidas pelos North American B-25B Mitchell, iniciada a partir de Fortaleza (CE), foi gradualmente ampliada para outras localidades estratégicas do litoral nordestino, notadamente Recife (PE) e Natal (RN), para onde essas aeronaves foram transferidas ao longo do conflito, em consonância com a evolução do cenário operacional no Atlântico Sul. Essa redistribuição refletia tanto a necessidade de ampliar a cobertura aérea sobre rotas marítimas sensíveis quanto o amadurecimento da estrutura operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). O contingente inicial de B-25B foi reduzido a cinco exemplares após a perda de uma aeronave na Base Aérea de Recife. Dos aviões remanescentes, três unidades então baseadas em Recife foram posteriormente transferidas para a Base Aérea de Natal, com o objetivo de reforçar a 1ª, 2ª e 3ª Esquadrilhas do 5º Grupo de Bombardeio Médio, unidade que sucedeu o 1º Grupo Misto e assumiu papel central nas missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino na região. Paralelamente, iniciou-se um processo de ampliação e modernização de sua frota, incorporando 21 aeronaves adicionais das versões North American B-25J-15 e B-25J-20. Esses novos vetores, mais recentes e tecnologicamente aprimorados, passaram a ser igualmente empregados em missões de vigilância marítima e guerra antissubmarino, complementando e, gradualmente, substituindo os exemplares mais antigos da versão B-25B. Pouco antes do encerramento das hostilidades, ao menos dois B-25B Mitchell permaneceram por breve período destacados na Base Aérea de São Paulo (SP), retornando a Natal em julho de 1945. Novamente concentradas no Nordeste, essas aeronaves continuaram em serviço naquela região até julho de 1947, quando passaram a ceder espaço aos mais modernos B-25J, destinados a equipar o recém-criado 5º Grupo de Aviação (5º GAv). Essa unidade, sediada na Base Aérea de Natal, havia sido oficialmente constituída em março de 1947.
Como consequência desse processo de transição, as cinco aeronaves B-25B remanescentes foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), onde permaneceram estocadas à espera de eventual redistribuição. Contudo, dos 5 exemplares do lote original então localizados no Campo de Marte, três aeronaves foram formalmente excluídas da carga do Ministério da Aeronáutica (MAer) no início de março de 1949, uma vez que os trabalhos de recuperação estrutural e de revisão geral foram considerados antieconômicos. Entre julho de 1946 e outubro de 1947, o Brasil recebeu ainda 64 unidades adicionais do North American B-25J, por meio de programas de assistência militar norte-americanos, entre os quais se destacou o “American Republic Projects”. Esse expressivo incremento permitiu à Força Aérea Brasileira (FAB) consolidar uma frota numerosa e homogênea do modelo, favorecendo a especialização não apenas nos processos operacionais, mas também nas rotinas de manutenção em nível de parque, aspecto fundamental para a autonomia logística da instituição. Com a disponibilidade de uma frota robusta e tecnicamente consolidada, passou-se a estudar alternativas para a extensão da vida útil dessas aeronaves, buscando a maximização do emprego operacional dos B-25, reconhecidos por sua robustez, versatilidade e confiabilidade. Dessa forma, decidiu-se inicialmente realizar um abrangente trabalho de revisão geral e modificação nas duas células remanescentes do B-25B. Este processo consistiu, basicamente, na remoção de todos os sistemas de armamento originalmente instalados, na substituição dos motores Wright Cyclone R-2600-9 pelos  R-2600-13, que possuíam a mesma potência, mas eram mais confiáveis, e nas adaptações necessárias para adequar as aeronaves à missão de transporte. O primeiro avião, agora designado como North American CB-25B, foi distribuído em maio de 1948 à Esquadrilha Mista de Instrução do Curso de Tática Aérea (EMICTA), com sede na Base Aérea de São Paulo (SP). O segundo CB-25B foi entregue ao Núcleo do Parque de Aeronáutica do Recife (NPqAerRF). Contudo, a permanência dessas aeronaves nessas unidades foi curta, uma vez que foram rapidamente substituídas pelos CB-25J. Ambos os aparelhos retornaram ao Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), onde, por um breve período, continuaram a atuar como aeronaves orgânicas do parque, até que foi decidida sua desativação do serviço ativo. Finalmente, no dia 21 de novembro de 1957, o último B-25B oi retirado da carga do Ministério da Aeronáutica (MAer) e alienado, sendo vendido como sucata no ano seguinte. Uma sétima aeronave do modelo  B-25B foi incorporada em 1944, destinada à Escola Técnica de Aviação (ETAv) situada no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo – SP, para ser utilizada exclusivamente em instrução em solo, visando o treinamento dos mecânicos em formação do 1º Grupo Misto de Instrução. No entanto, por se tratar de uma célula "cansada de guerra" (War Weary), não chegou a realizar voos de instrução, sendo rapidamente transferida para a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer) em Guaratinguetá.  Na EEAer, a aeronave permaneceu até dezembro de 1954, recebendo a designação IS-B-25B, e posteriormente foi recolhida ao PqAerS, sendo submetida a uma avaliação técnica para verificação de seu estado, sendo considerada inapta para instrução em solo. Consequentemente, este último foi oficialmente excluído da carga em outubro de 1956 .

Em Escala.
Para representar o North American B-25B Mitchell, matrícula “FAB 10”, em uso durante os anos de 1942 a 1945, utilizamos o renomado kit da Accurate Model na escala 1/48, o qual se destaca por sua riqueza em detalhes. Para adaptar o modelo à versão utilizada pela Força Aérea Brasileira (FAB), foi necessário remover a torre ventral de metralhadoras. Adicionalmente, empregamos decalques produzidos pela FCM Decais, que estão disponíveis no antigo Set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano adotado no recebimento das aeronaves em 1942, sendo aplicadas as marcações brasileiras (cocares) sobre as originais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Este padrão de pintura, com pequenas alterações, foi mantido até a realização das primeiras revisões completas em nível de parque, momento em que as aeronaves passaram a apresentar uma pintura metálica. Esse novo esquema de pintura foi mantido até a desativação das aeronaves, ocorrida entre os anos de 1956 e 1957.
Bibliografia :
- Revista Asas Mº 40 B-25 Mitchell na FAB, por Aparecido Camazano Alamino 
- Historia da Força Aérea Brasileia , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html 
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015, por Jakson Flores Jr
- Bombardeiros Bimotores na FAB, por Aparecido Camazano Alamino  - Editora C&R 

UC-40 Lockheed 12A Electra Junior

História e Desenvolvimento.
A Lockheed Aircraft Manufacturing Company, uma companhia norte-americana do setor aeronáutico, foi fundada em 1912 pelos irmãos Allan e Malcolm Lockheed, na cidade de San Diego, localizada no estado da Califórnia. Em seus primeiros anos, a empresa direcionou seus esforços para o desenvolvimento e a produção de aeronaves de pequeno porte, destinadas ao turismo e ao treinamento civil. Ao longo das décadas subsequentes, a organização experimentou um crescimento significativo em suas vendas, consolidando sua posição no mercado. No entanto, o encerramento da Primeira Guerra Mundial, em novembro de 1918, trouxe desafios consideráveis ao setor aeronáutico. A desmobilização de milhares de aeronaves militares, que passaram a ser subutilizadas e disponibilizadas no mercado global de aviação civil, saturou a demanda por novos equipamentos. Esse cenário desencadeou uma crise sem precedentes na comercialização de aeronaves, resultando no fechamento de diversas fabricantes, incluindo a Lockheed Aircraft Manufacturing Company. Diante desse contexto, os irmãos Lockheed decidiram suspender as operações da empresa e reorientar suas atividades empreendedoras para outros segmentos do mercado, buscando garantir sua sustentabilidade empresarial. Em 1926, Allan Lockheed uniu-se aos engenheiros John Northrop, Kenneth Kay e Fred Keeler para estabelecer um novo empreendimento. Com o apoio de investidores, o grupo conseguiu captar os recursos financeiros necessários para fundar a Lockheed Aircraft Company, com sede em Hollywood, Califórnia. A nova companhia aproveitou a tecnologia previamente desenvolvida para o Modelo S-1 como base para o projeto do Lockheed Vega, que se tornou seu primeiro modelo de destaque. O sucesso comercial foi alcançado em pouco tempo: em 1928, a empresa transferiu suas instalações para Burbank e, até o final daquele ano, alcançou um faturamento superior a um milhão de dólares. Nesse período, a produção atingiu a marca de centenas de aeronaves, com uma força de trabalho composta por mais de trezentos funcionários e uma linha de montagem capaz de concluir até cinco unidades por semana. Em julho de 1929, Fred Keeler, então acionista majoritário, negociou 87% das ações da empresa com a Detroit Aircraft Corporation, viabilizando a execução de um plano ambicioso de expansão. Contudo, a crise econômica conhecida como Grande Depressão, iniciada naquele mesmo ano, impactou severamente o setor aeronáutico, levando a Lockheed a uma situação de insolvência financeira. Em 1932, durante o processo de liquidação judicial, a companhia foi adquirida por um grupo de investidores liderado pelos irmãos Robert e Courtland Gross, em parceria com Walter Varney. Essa transação marcou o início de uma nova fase para a empresa, que conseguiu se recuperar ao longo daquela década, especialmente por meio do desenvolvimento de novas aeronaves, consolidando sua trajetória de resiliência e inovação no mercado aeronáutico.

Apesar dos desafios enfrentados, a Lockheed Aircraft Manufacturing Company conseguiu estabelecer rapidamente a confiança do mercado civil e comercial dos Estados Unidos, especialmente a partir de 1934, com o lançamento bem-sucedido do Modelo 10 Electra. Essa aeronave, caracterizada por uma estrutura totalmente metálica e capacidade para transportar até dez passageiros, foi desenvolvida inicialmente como uma resposta competitiva ao Boeing 247. Um marco notável nesse projeto foi a participação de Clarence Leonard "Kelly" Johnson, que sugeriu a incorporação de uma cauda dupla  uma inovação que se tornaria uma característica distintiva do fabricante. O Modelo 10 Electra destacou-se como um dos primeiros aviões comerciais de passageiros equipados com trem de pouso retrátil e guarda-lamas como itens padrão, embora esse acessório já fosse comum em aeronaves de trem de pouso fixo em períodos anteriores. A partir de outubro de 1943, uma regulamentação do governo norte-americano proibiu o uso de aeronaves monomotores para o transporte de passageiros em voos noturnos, o que posicionou estrategicamente a Lockheed no mercado com o Modelo 10 Electra, uma aeronave bimotora. Esse modelo alcançou expressivo sucesso comercial, sendo adotado por diversas companhias aéreas nacionais. Além disso, operadores europeus incorporaram o Electra às suas frotas, enquanto, na América Latina, a Cubana de Aviación tornou-se a primeira empresa da região a utilizá-lo em rotas domésticas. Em 1935, reconhecendo a necessidade de uma aeronave de menor porte voltada tanto para pilotos privados quanto para atuar como alimentadora das principais linhas de transporte aéreo (“feeder liner”), a Lockheed Aircraft Company iniciou o desenvolvimento de uma variante do Modelo 10 Electra, projetada para acomodar seis passageiros. Essa iniciativa foi motivada por uma solicitação do Escritório de Negócios do Ar (Bureau of Air Commerce), que convocou os fabricantes de aeronaves dos Estados Unidos a apresentarem projetos até 30 de junho de 1936. O resultado foi o Electra Junior 12A, uma aeronave de dimensões reduzidas em comparação ao seu antecessor, mas que preservava a configuração estrutural com asas baixas e derivas duplas  estas últimas ampliadas em tamanho. O Electra Junior 12A apresentava especificações técnicas notáveis: envergadura de 15,09 metros, comprimento de 11,07 metros, altura de 2,97 metros, superfície alar de 32,70 m² e pesos de 2.615 kg (vazio) e 3.924 kg (máximo). Equipada com dois motores radiais Pratt & Whitney Wasp Junior de nove cilindros e 450 HP cada, a aeronave alcançava uma velocidade máxima de 362 km/h a 1.525 metros de altitude, com uma razão de ascensão de 427 metros por minuto, teto de serviço de 6.980 metros e alcance de 1.290 km. Esses parâmetros de desempenho evidenciavam a capacidade da Lockheed em atender às demandas específicas do mercado, consolidando ainda mais sua reputação e influência no setor aeronáutico.
Assim como observado nos modelos Electra 10 e Boeing 247, a longarina da asa principal do Lockheed 12A Electra Junior atravessava a cabine de passageiros. Para facilitar a circulação interna, pequenos degraus foram instalados em ambos os lados da longarina. A cabine contava com um banheiro posicionado na parte traseira e apresentava inovações notáveis, como a inclusão de piloto automático. Dentre os diferenciais, destacavam-se as opções de acabamento interno, que incluíam divisórias, assentos estofados em pelúcia, sofá, banheiro, mesa e até mesmo uma máquina de escrever. A empresa oferecia diferentes níveis de acabamento, variando de configurações mais básicas a versões de alto luxo, com o objetivo de atender às diversas exigências de proprietários corporativos e privados. O protótipo inicial do Lockheed 12A Electra Junior, registrado sob a matrícula NX16052, realizou seu primeiro voo em 27 de junho de 1936, apenas três dias antes do prazo estipulado pelo governo norte-americano. Seus principais concorrentes, o Beechcraft Model 18 e o Barkley-Grow T8P-1, não conseguiram cumprir o cronograma estabelecido, o que levou o Escritório de Negócios do Ar (Bureau of Air Commerce) a declarar o modelo da Lockheed como vencedor da concorrência. A certificação oficial da aeronave foi emitida em 14 de outubro de 1936, e a primeira unidade foi entregue em 5 de setembro de 1937. Apesar do sucesso na competição governamental, o Lockheed 12A Electra Junior enfrentou resistência no mercado doméstico, sendo rejeitado pela maioria das companhias aéreas regionais, o que resultou em um número limitado de unidades comercializadas internamente. Seu principal operador nos Estados Unidos foi a Continental Air Lines, que utilizou uma frota de três aeronaves para operar a rota comercial entre Denver, no Colorado, e El Paso, no Texas, no final da década de 1930. Internacionalmente, a empresa inglesa British West Indian Airways Ltd. também adotou o modelo, operando-o em rotas nas Antilhas Menores, na região do Caribe, durante meados da década de 1940. Embora tenha enfrentado dificuldades para se estabelecer no setor de transporte comercial de passageiros, o Lockheed 12A Electra Junior encontrou seu nicho como aeronave executiva. Tornou-se particularmente popular entre empresas dos setores siderúrgico e petrolífero, bem como para o transporte de altos funcionários do governo norte-americano. Um dos exemplares mais célebres da história da aviação mundial foi adquirido pela Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana, para uso da aviadora Amelia Earhart. Esse avião, utilizado por Earhart em sua tentativa de circunavegação global, desapareceu sem deixar vestígios sobre o Oceano Pacífico em 3 de julho de 1937, marcando um capítulo enigmático na trajetória do modelo.

Conforme mencionado, o Lockheed 12A Electra Junior foi comercializado predominantemente para o governo norte-americano e para operadores privados. Contudo, sua versatilidade e desempenho também favoreceram sua adoção em contextos militares, sendo incorporado por diversas forças armadas ao redor do mundo. O primeiro contrato militar foi celebrado com o governo da Argentina, que adquiriu duas unidades para integrar sua aviação militar. Em seguida, a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) encomendou dez aeronaves em 1937, enquanto o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) incorporou quatro exemplares sob a designação UC-40A, posteriormente ampliando sua frota com versões adicionais identificadas como UC-40B e UC-40D. Uma variante específica, designada Lockheed Model 212, foi desenvolvida para atender às necessidades do governo colonial das Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia). Projetada para funções de bombardeio leve e treinamento, essa versão apresentava oito suportes sob a fuselagem para bombas de até 100 libras, além de armamento defensivo composto por metralhadoras Browning calibre .30 instaladas no nariz e em uma torreta dorsal. O contrato previa a entrega de 16 aeronaves, com a primeira unidade sendo incorporada à Divisão Aérea do Exército das Índias Orientais Holandesas (Militaire Luchtvaart - MLu em 4 de fevereiro de 1939 e a última em 13 de maio de 1942. Durante a campanha do Pacífico, essas aeronaves participaram ativamente dos combates contra as forças japonesas, sendo, contudo, todas perdidas  seja em combate aéreo, seja destruídas em solo durante a invasão japonesa das Índias Orientais Holandesas. Na Europa, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o Electra Junior esteve envolvido em uma operação de natureza singular e estratégica. Três aeronaves de origem norte-americana  posteriormente registradas como G-AFTL, G-AFKR e G-AFPF foram adquiridas pelo governo do Reino Unido e formalmente vinculadas à British Airways Ltd. Apesar dessa designação civil, os aparelhos foram secretamente modificados em território britânico para desempenhar missões de reconhecimento aerofotogramétrico sobre a Alemanha Nazista. As adaptações realizadas incluíam a instalação de uma câmera vertical modelo F-24 no interior da cabine, tanques suplementares de combustível para ampliar a autonomia e uma cobertura em forma de bolha na janela lateral do piloto, destinada a melhorar a visibilidade durante as missões. Essas aeronaves foram empregadas na obtenção de imagens estratégicas de alvos sensíveis, como bases aéreas, instalações navais e complexos industriais, contribuindo de forma discreta, porém relevante, para o esforço de inteligência aliado nos momentos que antecederiam o conflito em larga escala  que se avizinhava no horizonte.
Para viabilizar a consolidação de um sistema eficaz de reconhecimento aéreo estratégico às vésperas da guerra, o serviço de inteligência britânico MI6 recrutou Frederick Sidney Cotton, figura singular que reunia as habilidades de inventor, fotógrafo e aviador. Cotton foi incumbido de organizar e liderar uma equipe altamente especializada, responsável pela operação de aeronaves Model 12A Electra Junior adaptadas para missões de reconhecimento fotográfico clandestino. Inserido no contexto de crescente tensão internacional que precedeu a Segunda Guerra Mundial, Cotton valeu-se de sua imagem pública como empresário abastado e aviador civil para encobrir suas atividades. Sob o pretexto de conduzir empreendimentos no setor cinematográfico, adotava identidades alternativas  como arqueólogo ou produtor em busca de locações , criando uma elaborada rede de dissimulação que lhe permitia operar com relativa liberdade em território europeu. Entre 1939 e os primeiros meses do conflito, foram realizados diversos voos de reconhecimento sobre a Alemanha, resultando na formação de um amplo e valioso acervo fotográfico. Essas imagens revelaram, com notável precisão, a infraestrutura industrial e militar do regime nazista, oferecendo subsídios fundamentais para o planejamento das primeiras operações aéreas aliadas contra alvos estratégicos alemães a partir do final de 1939. Mais do que o êxito imediato dessas missões, o legado de Cotton reside na consolidação do reconhecimento aéreo como instrumento indispensável da guerra moderna, evidenciando seu valor estratégico na coleta de informações e na condução de operações militares de larga escala. Com a intensificação das hostilidades, diversas aeronaves civis do modelo Model 12A Electra Junior foram requisitadas por forças armadas aliadas, incluindo o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), a Força Aérea Real Britânica (RAF) e a Força Aérea Real Canadense (RCAF) Embora o desempenho da aeronave em funções militares tenha sido considerado satisfatório, sua produção foi encerrada no início de 1941. Tal decisão refletiu a estratégia da Lockheed Corporation de concentrar seus recursos industriais no desenvolvimento e fabricação de aeronaves de combate mais avançadas, como o bombardeiro  A-28 Hudson e o P-38 Lightning. Em consequência, o segmento operacional anteriormente ocupado pelo Electra Junior passou a ser progressivamente dominado pelo Beechcraft Model 18, cuja produção atingiria milhares de unidades ao longo do conflito. Para além dos Estados Unidos, diversas nações  entre elas Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, França Livre e Reino Unido  também empregaram variantes em funções militares. Em muitos casos, essas aeronaves permaneceram em serviço ativo até o início da década de 1960, atestando sua notável robustez, adaptabilidade e relevância em múltiplos contextos operacionais.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A partir de 1935, a Aviação Militar do Exército Brasileiro deu início a um abrangente programa de reequipamento, inserido em um contexto mais amplo de modernização das Forças Armadas nacionais no período prévio à Segunda Guerra Mundial. Tal iniciativa tinha como objetivo principal substituir uma frota já considerada obsoleta, ao mesmo tempo em que buscava suprir deficiências operacionais identificadas pelas autoridades militares da época. Entre as prioridades estabelecidas, destacava-se a urgente necessidade de modernização da aviação de transporte. Até então, essa vertente encontrava-se fortemente dependente de aeronaves monomotoras de pequeno porte, como os modelos Waco CJC, CPF-5 e CSO, introduzidos no país a partir de 1932. Embora esses aviões tivessem desempenhado papel relevante no apoio ao Correio Aéreo Militar (CAM), suas limitações tornavam-se cada vez mais evidentes, sobretudo no que se refere à capacidade de transporte de carga e de pessoal. Essa deficiência era particularmente sensível no deslocamento de autoridades militares e governamentais em missões pelo interior do país, onde a autonomia, a segurança e o conforto assumiam importância estratégica. Diante dessas restrições, tornou-se prática recorrente a utilização de aeronaves pertencentes a companhias brasileiras de transporte aéreo comercial para suprir demandas específicas de deslocamento oficial. Ainda que essa solução se mostrasse economicamente viável e operacionalmente conveniente no curto prazo, ela implicava perda de autonomia e gerava entraves logísticos que comprometiam a eficiência das operações militares. Nesse contexto, em 1937, as autoridades decidiram priorizar a aquisição de uma aeronave dedicada ao transporte de autoridades, tanto do Exército Brasileiro quanto do Governo Federal, que fosse capaz de atender de maneira mais adequada às exigências estratégicas dessa função. O processo de avaliação e seleção esteve a cargo da Diretoria de Aviação Militar (DIRMA), embora seus detalhes não tenham sido integralmente documentados. É plausível supor que, entre as alternativas analisadas, figurassem aeronaves já em operação no mercado nacional. Nesse cenário, o Lockheed Electra L-10  introduzido em 1937 na frota da Panair do Brasil  provavelmente despertou significativo interesse, em razão de seu desempenho e confiabilidade. Ainda assim, possivelmente por fatores de ordem econômica e operacional, a escolha final recaiu sobre o Lockheed Model 12A Electra Junior, uma variante de menor porte derivada do L-10, que oferecia um equilíbrio mais adequado entre custo, capacidade e versatilidade. Dessa forma, no segundo semestre de 1937, foi formalizado um contrato entre o governo brasileiro e a Lockheed Aircraft Company para a aquisição de duas unidades novas de fábrica do modelo. Essa decisão representou um marco significativo no processo de modernização da aviação de transporte militar brasileira, sinalizando uma transição gradual para meios aéreos mais eficientes, confiáveis e alinhados às demandas do período.

Após a conclusão dos ensaios técnicos e sua aceitação oficial por representantes da Aviação Militar  nas instalações do fabricante, nos Estados Unidos, as duas aeronaves Model 12A Electra Junior foram desmontadas e embarcadas com destino ao Brasil por via marítima. Ao chegarem ao porto do Rio de Janeiro, na primeira semana de outubro de 1937, os caixotes contendo os aparelhos foram encaminhados à região da Ponta do Galeão, onde se localizavam as instalações da Escola de Aviação Naval (EAvN), responsáveis pela remontagem das aeronaves. Concluída essa etapa, as unidades foram transferidas para o Campo dos Afonsos, que viria a consolidar-se como o principal centro de operação do modelo nos anos subsequentes. A partir de então, os aparelhos passaram a ser empregados de forma intensiva em missões de transporte de autoridades, função para a qual haviam sido prioritariamente adquiridos. Posteriormente, as aeronaves foram subordinadas à Diretoria de Aviação Militar, órgão que, no contexto das reestruturações institucionais do período, seria futuramente redesignado como Diretoria de Aeronáutica do Exército. Inicialmente, a responsabilidade por sua guarda e manutenção coube à Escola de Aviação Militar (EAM); entretanto, já em 1938, essa atribuição foi transferida ao 1º Regimento de Aviação, refletindo a crescente operacionalização e demanda por esses meios aéreos. Uma vez plenamente operacionais, os  Model 12A Electra Junior passaram a atender, de forma regular, às necessidades de deslocamento de autoridades militares e de diversos setores do governo federal, incluindo o então Presidente da República, Getúlio Vargas. Entre os aviadores designados para operá-los, destacou-se o então Capitão Nero Moura, que anos mais tarde alcançaria notoriedade ao comandar o 1º Grupo de Aviação de Caça. Essas aeronaves estabeleceram um marco na aviação brasileira ao constituírem os primeiros meios aéreos especificamente destinados ao transporte de autoridades. Nesse papel, realizaram voos regulares conectando o Rio de Janeiro às principais capitais das regiões Sul e Sudeste, além de atenderem localidades estratégicas em outras partes do território nacional. Após aproximadamente dois anos de operação bem-sucedida, tornou-se evidente a necessidade de ampliação da frota, em virtude da crescente demanda por esse tipo de serviço. Assim, ao final de 1939, foi formalizada a encomenda de mais 02 células novas de fábrica, sendo estas recebidas nos Estados Unidos em fevereiro de 1940. Na sequência, às vésperas da criação do Ministério da Aeronáutica (MAer), em janeiro de 1941, celebrou-se um terceiro contrato para a aquisição de mais quatro aeronaves, as quais foram trasladadas em voo até o Brasil, chegando ao país em abril do mesmo ano. Esse processo contínuo de expansão da frota evidencia o reconhecimento, por parte das autoridades brasileiras, da importância estratégica do Lockheed Model 12A Electra Junior no contexto das operações de transporte oficial, consolidando seu papel como elemento fundamental na estrutura de mobilidade aérea do Estado brasileiro naquele período.
Embora Getúlio Vargas mantivesse preferência por deslocamentos ferroviários e marítimos no território nacional, durante este período em especifico, o presidente brasileiro e sua comitiva  manteve uma agenda relativamente ativa de deslocamentos dentro do território nacional, com os “Lockheedinhos” representando os principais meios aéreos disponíveis para transporte presidencial entre 1937 e 1940. Seriam assim utilizados com frequência em viagens oficiais, sobretudo entre o então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, e capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Também serviram para deslocamentos a regiões estratégicas, incluindo inspeções administrativas, eventos políticos e visitas a obras de infraestrutura. Embora não seja possível quantificar com precisão o número de voos, a literatura especializada indica que o uso foi regular e recorrente, e não episódico. Com a criação do Ministério da Aeronáutica (MAer), em janeiro de 1941, as quatro unidades do Lockheed Model 12A Electra Junior então em operação foram incorporadas ao acervo da recém-estabelecida Força Aérea Brasileira (FAB). Essa nova força armada resultou da fusão dos meios materiais e humanos da Aviação Militar do Exército e da Aviação Naval, representando um marco na reorganização da aviação militar brasileira. Posteriormente estas aeronaves receberiam as matriculas FAB 2656 á 2659. Em abril deste mesmo ano seriam recebidas mais 04 células (FAB 2660 a 2663), elevando a frota para oito aeronaves, que se manteriam dedicadas, em um primeiro momento, às missões de transporte de autoridades, incluindo o Presidente da República. Tal configuração permaneceu até 1942, quando a seria incorporada um célula do Lockheed Lodestar L-18-08, designado VC-66, especialmente configurado para o transporte presidencial. A partir de então, os Electra Junior  popularmente conhecidos como “Lockheedinhos” deixaram de ser empregados no deslocamento do chefe de Estado, embora continuassem a desempenhar funções regulares sob a subordinação direta da Seção de Aviões de Comando (SAC). Esta unidade  mantinha sua base principal no Aeroporto Santos Dumont, de onde coordenava suas operações. Sua estrutura era relativamente enxuta, porém altamente especializada, composta por  pilotos experientes e de confiança do alto comando; equipes de manutenção qualificadas; pessoal administrativo responsável pelo planejamento das missões. A seleção de tripulações levava em consideração não apenas a competência técnica, mas também a discrição e a confiabilidade, aspectos essenciais para o transporte de autoridades.  Além disso passaria a realizar missões especiais,  incluindo inspeções, coordenação interinstitucional e transporte de documentos sigilosos.

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942, introduziu mudanças substanciais no emprego dessas aeronaves, pois desde o final de 1939, já se observava um esforço gradual de reforço das unidades aéreas nas regiões Norte e Nordeste, com o duplo objetivo de expandir as operações do Correio Aéreo Militar e assegurar uma presença dissuasória ao longo do litoral brasileiro diante das tensões internacionais crescentes.  Neste momento, tornava-se  evidente que a costa brasileira havia se transformado em uma zona de interesse estratégico direto, especialmente em razão da intensificação das ações de submarinos do Eixo contra a navegação mercante. Diante desse cenário, a Força Aérea Brasileira (FAB) ampliou significativamente suas atividades de vigilância e patrulhamento, consolidando uma presença aérea mais robusta ao longo do litoral.  Nesse contexto, emergiu a necessidade de estabelecer um sistema ágil e eficiente de ligações aéreas entre a capital federal, então o Rio de Janeiro, e os principais quartéis-generais das zonas aéreas distribuídas pelo território nacional. Com a progressiva incorporação de aeronaves mais modernas, como o Lockheed VC-60 Lodestar ao longo de 1942, tornou-se possível redistribuir parte dos Lockheed Model 12A para bases estratégicas em caráter semipermanente. Dessa forma, localidades como Florianópolis, Natal e Recife passaram a contar com a presença desses vetores aéreos, que desempenharam papel relevante no apoio logístico, no transporte de pessoal e na coordenação das operações militares durante o conflito. Essa redistribuição operacional evidencia a capacidade de adaptação da Força Aérea Brasileira (FAB) às exigências impostas pelo contexto de guerra, otimizando o emprego de seus recursos disponíveis e reforçando a importância estratégica dos meios de transporte aéreo na articulação e sustentação das operações militares em escala nacional. As aeronaves Model 12A Electra Junior foram distribuídas às diferentes Zonas Aéreas sob um regime de empréstimo, permanecendo à disposição dos respectivos quartéis-generais. Nesse contexto, sua utilização revelou-se particularmente versátil, extrapolando as funções originalmente previstas de transporte de autoridades e pessoal. À medida que as demandas operacionais se intensificavam, esses aparelhos passaram a desempenhar missões adicionais, adaptando-se às necessidades específicas de cada região. Um caso emblemático ocorreu na 2ª Zona Aérea, com sede em Recife, onde os Electra Junior foram frequentemente empregados em missões de patrulha visual ao longo do litoral. Tal emprego tornou-se especialmente relevante entre a segunda metade de 1942 e o início de 1943, período em que a Força Aérea Brasileira (FAB) ainda dispunha de meios limitados especificamente voltados para esse tipo de operação. Nesse cenário, a utilização desses aviões evidenciou não apenas sua flexibilidade operacional, mas também sua importância no esforço de vigilância costeira durante a Segunda Guerra Mundial. 
Com o término do conflito, as aeronaves que haviam sido destacadas para bases fora da capital federal retornaram ao Rio de Janeiro, sendo reintegradas à Seção de Aviões de Comando (SAC). Todavia, a introdução de aeronaves mais modernas, como o  C-60 Lodestar  incorporado em maior número durante a guerra , bem como do VC-66, contribuiu para a gradual redução da relevância dos “Lockheedinhos” nas missões de transporte executivo para militares e autoridades civis. A frota, originalmente composta por oito aeronaves, foi reduzida a sete em decorrência de um acidente ocorrido em 1944. Em 1946, esses aviões passaram por um processo de reclassificação administrativa conduzido pela Diretoria de Material de Aeronáutica (DIRMA), que instituiu um novo sistema de matrículas e lhes atribuiu a designação oficial UC-40. Ainda assim, permaneceram subordinados à Seção de Aviões de Comando (SAC), sendo eventualmente disponibilizados para atender às demandas de grandes comandos militares. Essa configuração operacional manteve-se, em linhas gerais, ao longo dos anos subsequentes. Mesmo após a transformação da Seção de Aviões de Comando (SAC) no Esquadrão de Transporte Especial (ETE), em maio de 1954, os UC-40 continuaram em operação dentro dessa nova estrutura. Tal longevidade evidencia não apenas a robustez do projeto, mas também sua notável capacidade de adaptação às sucessivas demandas institucionais, consolidando sua trajetória ao longo de quase duas décadas de serviço. A incorporação de um número expressivo de aeronaves de transporte Douglas C-47 ao longo da década de 1950 marcou o declínio definitivo do UC-40  como vetor destinado ao transporte de autoridades. Nesse contexto, os “Lockheedinhos” foram progressivamente redirecionados para funções de caráter utilitário, sendo empregados em missões de apoio a diversas unidades. Àquela altura, a frota já havia sido reduzida a quatro aeronaves, número que, em 1960, decresceu para apenas três células em condições operacionais, em decorrência do desgaste natural e da crescente obsolescência do modelo. A limitação quantitativa somava-se a dificuldades logísticas cada vez mais significativas, sobretudo no que se refere à obtenção de peças de reposição  uma vez que sua  produção havia sido encerrada havia quase duas décadas. Diante desse cenário, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) deliberou pela desativação e posterior alienação das aeronaves remanescentes. Esse processo foi formalizado no primeiro trimestre de 1963, quando as 03 células ainda em serviço foram retiradas das operações ativas. Na sequência,  foram disponibilizadas para alienação por meio de concorrência pública. Como desfecho, duas dessas aeronaves foram adquiridas por operadores civis no Rio de Janeiro e São Paulo, permanecendo em atividade até o final da década de 1960. 

Em Escala.
Para representarmos o Lockheed 12A Electra Junior “D.A.E01” da Aviação Militar do Exército Brasileiro, empregamos como base o antigo kit produzido pela Williams Bross na escala 1/53, salientando ser necessário um amplo processo de conversão, pois o modelo representa a versão Lockheed Electra 10. Apesar não termos atingindo um resultado satisfatório a conversão serviu a contento para podemos agregar uma tão rara aeronave ao nosso acervo nas cores nacionais. Empregamos uma combinação entre o set especial de decais produzidos pelo modelista Rafael Pinheiro Machado, em conjunto com itens confeccionados pela FCM decais.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado pelos Lockheed 12A Electra Junior, quando em uso pela Aviação Militar do Exército Brasileiro. Após sua transferência ao Ministério da Aeronáutica (MAer) em 1941 estas aeronaves tiveram como alteração básica apenas a retirada das marcações “Exército”, posteriormente seriam aplicados mais dois tipos de esquemas de pintura, seguindo ao longo das décadas de 1950 e 1960 o mesmo padrão aplicado nas aeronaves de transporte da Força Aérea Brasileira (FAB).
Bibliografia :
- Lockheed 12A Electra Junior - Wikipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_Model_12_Electra_Junior
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  por Jackson Flores Junior
- História da Força Aérea Brasileira, Prof. Rudnei Dias Cunha  -http://rudnei.cunha.nom.br

TBM-3E Grumman Avenger


História e Desenvolvimento.
Leroy Randle Grumman, nascido em 12 de janeiro de 1895, em Huntington, Nova York, foi uma figura seminal na história da aviação norte-americana, cuja visão e determinação moldaram o desenvolvimento de aeronaves navais que marcaram época. Desde jovem, Grumman demonstrou um profundo interesse pela engenharia e pela aviação, um entusiasmo que o levou a ingressar na prestigiada Cornell University, onde se graduou em engenharia mecânica em 1916. Após a conclusão de seus estudos, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) já estava em curso, e Grumman, movido por um senso de dever, alistou-se na Reserva Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Seu talento natural e aptidão técnica foram rapidamente reconhecidos por seus superiores, que o encaminharam para um curso especializado em motores aeronáuticos na Universidade Columbia, em Nova York. Após completar essa formação, Grumman foi transferido para a Estação Naval de Miami (Naval Air Station Miami), na Flórida, onde recebeu treinamento intensivo como piloto. Sua dedicação e habilidade o levaram a se tornar instrutor de voo na mesma unidade, orientando jovens cadetes na arte e na ciência da aviação naval. Posteriormente, Grumman assumiu a função de piloto de bombardeio, destacando-se por sua competência e precisão em todas as missões a ele confiadas. O desempenho excepcional de Grumman rendeu-lhe uma indicação honrosa para ingressar no renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde concluiu um curso de engenharia aeronáutica com distinção. Após sua formação, ele passou a atuar como piloto de ensaios em voo, desempenhando um papel crítico na avaliação e recebimento de novas aeronaves para a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Essa experiência aprofundou seu conhecimento técnico e reforçou sua paixão por projetar aeronaves inovadoras. Em março de 1927, Grumman deixou o serviço militar para ingressar na Loening Aeronautical Engineering Corporation, uma empresa especializada na fabricação de aeronaves anfíbias. Nessa nova fase, ele retomou as atividades de piloto de testes, ao mesmo tempo em que colaborava no desenvolvimento de projetos de aeronaves anfíbias, acumulando valiosa experiência em design, manutenção e operação. Sua passagem pela Loening foi um marco em sua carreira, fornecendo-lhe o conhecimento e a confiança necessários para dar um passo ousado: a fundação de sua própria empresa. Em 1929, Leroy Grumman, ao lado de um pequeno grupo de parceiros, estabeleceu a Grumman Aircraft Engineering Corporation, inicialmente focada na manutenção e revisão de aeronaves fabricadas pela Loening, que ainda estavam em serviço na Aviação Naval.  As receitas geradas por esses serviços permitiram que Grumman investisse em projetos próprios, marcando o início de uma nova era para a empresa. 

Em 1931, o primeiro protótipo do caça naval Grumman FF-1, conhecido como "Fifi", realizou seu voo inaugural. Equipado com um trem de pouso retrátil – uma inovação significativa para a época, o FF-1 chamou a atenção das autoridades navais norte-americanas, resultando na assinatura de um contrato de produção que consolidou a reputação da empresa. A invasão da Polônia pelas forças alemães em setembro de 1939, e as ameaças do expansionismo japonês no sudeste asiático, despertariam preocupações junto ao governo norte-americano, levando a aceleração dos processos de modernização e fortalecimento de suas forças armadas. Neste contexto a aviação naval seria priorizada, levando ao desenvolvimento de uma série de projetos, no entanto o  início das hostilidades entre os Estados Unidos e o Império do  Japão em 7 de dezembro de 1941 com o ataque surpresa as instalações norte-americanas em Pearl Harbour no Havaí, e as demais investidas japonesas no Pacífico Sul, traria ao comando de defesa norte-americano uma visão emergencial sobre a necessidade de se desenvolver novos vetores de combate. Esta decisão se daria pela análise de que as aeronaves em uso até então, se mostraram obsoletas ou inadequadas face as possíveis ameaças das forças do Império do Japão, apresentadas em cenários hipotéticos estudados antes de 1940, que seriam dolorosamente confirmados nos eventos que seguiram ao início das hostilidades. Neste momento, a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) enfrentou desafios significativos no teatro de operações do Pacífico, particularmente com o desempenho insatisfatório de suas aeronaves torpedeiras. Um exemplo notável foi o Douglas TBD Devastator, que, apesar de ter sido uma aeronave inovadora em sua introdução na década de 1930, revelou-se obsoleta nos primeiros confrontos contra as forças japonesas A baixa velocidade, vulnerabilidade a ataques inimigos e armamento limitado do TBD tornaram clara a necessidade urgente de substituição por um modelo mais avançado e eficaz. Esse contexto acelerou o desenvolvimento de novos projetos aeronáuticos, com foco em aeronaves capazes de atender às exigências do combate naval moderno. Nesse cenário, a Grumman Aircraft Engineering Corporation, já reconhecida por sua excelência na produção de caças navais, como o F4F Wildcat, foi contratada em meados de 1940  para desenvolver um novo avião torpedeiro embarcado de grande porte. O projeto, que resultaria no icônico Grumman TBF Avenger, foi concebido para ser operado por uma tripulação de três membros – piloto, artilheiro e operador de rádio – e tinha como requisitos fundamentais baixo custo de aquisição e operação, facilidade de produção em larga escala e robustez estrutural para suportar as duras condições de operações embarcadas em porta-aviões. 
O contrato estipulava um prazo rigoroso para a entrega de dois protótipos, refletindo a urgência imposta pelo contexto bélico. Para cumprir esse desafio, os engenheiros da Grumman adotaram uma abordagem pragmática, utilizando como base o conceito aerodinâmico do recém-desenvolvido caça embarcado Grumman F4F-3 Wildcat, que já havia demonstrado confiabilidade e desempenho em combate. Essa decisão estratégica não apenas acelerou o processo de desenvolvimento, mas também promoveu a comunalidade de componentes entre o TBF Avenger e o F4F Wildcat, simplificando a logística de manutenção e o suprimento de peças de reposição. A padronização de elementos como sistemas de trem de pouso retrátil e certas partes estruturais reduziu custos e otimizou os processos de produção, permitindo que a Grumman respondesse rapidamente às demandas.  O primeiro voo do protótipo, designado XTBF-3, ocorreu em 7 de agosto de 1941, marcando o início de uma nova era na aviação naval. A aeronave estava equipada com o potente motor radial Wright R-2600-8 Cyclone, capaz de gerar 1.700 cavalos de potência, conferindo à aeronave uma combinação notável de velocidade e capacidade de carga. Projetado para uma tripulação de três membros – piloto, artilheiro e operador de rádio –, o Avenger possuía um longo canopy envidraçado que acomodava os tripulantes em configuração tandem, proporcionando excelente visibilidade. Seu armamento defensivo incluía uma metralhadora Browning calibre .50 montada no lado direito do capô do motor, uma Browning calibre .30 instalada em um corte ventral na fuselagem inferior e outra metralhadora calibre .50 alojada em uma torre dorsal elétrica giratória, garantindo uma robusta capacidade de autodefesa contra caças inimigos. Os dois protótipos subsequentes do XTBF-3 foram submetidos a um rigoroso programa de testes e avaliação conduzido pela Marinha dos Estados Unidos (US Navy), que buscava uma aeronave capaz de superar as limitações do obsoleto Douglas TBD Devastator. Os resultados foram extremamente promissores, demonstrando avanços significativos em desempenho, robustez e versatilidade em comparação com os modelos então em serviço. Esses testes culminaram na homologação do XTBF-3 pela comissão técnica da Aviação Naval, pavimentando o caminho para sua produção em larga escala. No segundo semestre de 1941, foi celebrado o primeiro contrato de produção, prevendo a entrega de 268 aeronaves, um marco que refletiu a confiança dos militares no potencial do novo modelo. As primeiras células seriam entregues as unidades operativas  baseadas em terra, entre os meses de janeiro e março de 1942, iniciando assim a formação da doutrina operacional da aeronave. 

A Batalha de Midway marcou a primeira oportunidade de emprego operacional do Avenger, com seis unidades do TBF-1 designadas ao Esquadrão de Torpedos 8 (VT-8), baseado em terra na ilha de Midway. Essas aeronaves, recém-chegadas, ainda não haviam sido totalmente integradas aos porta-aviões, e seus pilotos tinham experiência limitada com o modelo, o que aumentou os desafios de sua estreia. Na manhã de 4 de junho de 1942, os seis TBF Avengers do VT-8 decolaram de Midway para atacar a frota japonesa, composta por quatro porta-aviões, incluindo o Akagi e o Kaga. Cada Avenger carregava um torpedo Mark 13, projetado para atingir navios inimigos. Contudo, a missão enfrentou condições adversas: os TBFs operaram sem escolta de caças, enfrentando uma forte defesa antiaérea e caças japoneses Mitsubishi A6M Zero, conhecidos por sua agilidade e poder de fogo. O resultado foi trágico: cinco dos seis Avengers foram abatidos, e apenas um retornou à base, gravemente danificado. O único sobrevivente, pilotado pelo alferes Albert K. Earnest, conseguiu retornar apesar de múltiplos danos, com o artilheiro ferido e o operador de rádio morto, demonstrando a resistência do projeto do Avenger. Embora o desempenho inicial do TBF Avenger em Midway tenha sido marcado por perdas significativas, o resultado da batalha não refletiu o verdadeiro potencial da aeronave. A falta de coordenação tática, a ausência de escolta de caças e a inexperiência das tripulações com o novo modelo contribuíram para o desfecho desfavorável. Nos meses seguintes, melhorias táticas, treinamento aprimorado e a integração dos Avengers aos porta-aviões resultaram em desempenhos mais favoráveis.  Na campanha das Ilhas Salomão, iniciada com o desembarque aliado em Guadalcanal em 7 de agosto de 1942, os Avengers foram empregados em uma variedade de papéis, enfrentando condições operacionais adversas e a forte resistência japonesa. Durante a Batalha do Mar de Coral e, posteriormente, na campanha de Guadalcanal – parte integrante das operações nas Ilhas Salomão –, os TBF Avengers operaram a partir de porta-aviões como o USS Enterprise e o USS Hornet, além de bases terrestres, como o aeródromo de Henderson Field, em Guadalcanal, capturado pelos fuzileiros navais norte-americanos. Essas aeronaves foram fundamentais em missões de ataque a comboios navais japoneses, que buscavam reforçar suas posições nas ilhas. Um exemplo marcante ocorreu durante a Batalha Naval de Guadalcanal, entre 12 e 15 de novembro de 1942, quando Avengers do Esquadrão de Torpedos 10 (VT-10) e outras unidades lançaram ataques contra navios de transporte e belonaves japonesas, incluindo o encouraçado Hiei. Apesar de enfrentarem intensa defesa antiaérea e caças Mitsubishi A6M Zero, os Avengers conseguiram infligir danos significativos, contribuindo para a interrupção do reforço japonês em Guadalcanal. Além de ataques diretos, os TBF Avengers desempenharam papéis cruciais em missões de patrulha e guerra antissubmarino, protegendo comboios aliados e monitorando os movimentos da frota japonesa.
A primeira versão  TBF-1 Avenger atingiria a cifra de 1.500 células produzidas, sendo sucedido pelo novo TBF-1C, que apresentava melhor capacidade de combustível e inclusão de duas metralhadoras Browning calibre.50 nas asas para autodefesa. Esta variante receberia contratos de aquisição totalizando 775 unidades, entre elas algumas centenas destinadas a Marinha Real Britânica (Royal Navy) designadas como TBF-1B. Já as variantes produzidas pela Eastern Aircraft alcançariam o total de quinhentos e cinquenta células do TBM-1 e  duas mil trezentos e trinta seis da versão TBF-1C A estas variantes se seguiriam novas versões contemplando uma série de melhorias, culminando na variante final,  o  TBM-3 que em 1944 que passava a contar com um motor mais potente, cabides subalares para foguetes não guiados ou tanques suplementares, com este representando o modelo mais produzido da família, totalizando 4.600 células entregues. Ao todo seriam produzidas  9.839  unidades até fins de 1945, dispostas em 22 variantes, entre elas, torpedeiro, bombardeio, ataque noturno, transporte, antissubmarino, alerta aéreo antecipado e reboque de alvos. Seu piloto mais famoso, seria o futuro presidente norte-americano George H. W. Bush, que operava embarcado junto ao porta aviões de escolta USS San Jacinto (CVL-30). No teatro de operações europeu, estas aeronaves teriam grande participação na campanha contra os submarinos alemães no oceano Atlântico, principalmente a serviço da Marinha Real (Royal Navy), operando as versões Avenger Mk I, Mk II e Mk III.  Durante o período pós-guerra, inúmeras versões do Avenger seriam desenvolvidas com base na conversão de aeronaves já produzidas, das quais se destacam com maior relevância,  a TBM-3E e TBM-3E2 (equipadas com radar AN/APS-4 em um “pod” subalar), TBM-3S e TBM-3S2 (versões modificadas dos TBM-3E  e TBM-3E2 para guerra antissubmarino - ASW) e TBM-3W e TBM-3W2 (equipadas com radar de busca sob a fuselagem); os TBM-3W e TBM-3S.  Estas últimas eram utilizadas normalmente em pares “hunter-killer”, sendo o “W” empregado na busca de submarinos e o “S” na destruição dos mesmos, sendo empregadas pela Marinha dos Estados Unidos  (US Navy) e Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (US Marine Corps) até meados da década seguinte, quando começaram a ser substituídas por aeronaves mais modernas. Ainda dentro dos programas de “Mutual Defense Assistance Program” (Programas de Assistência de Defesa Mútua), centenas destas células seriam transferidas a nações alinhadas aos interesses geopolíticos dos Estado Unidos. Desta maneira aeronaves de diversas versões da família  TBM-TBF Avenger seriam cedidas as forças armadas da  Holanda, Cuba, Brasil, Canada, Nicarágua, França, Japão, Nova Zelândia e Uruguai.  Muitas aeronaves remanescentes também seriam largamente convertidas para o uso civil principalmente como aeronaves destinadas da pulverização de lavouras e combate a incêndios, com algumas células em operação até os dias atuais. 

Emprego na Marinha do Brasil.
A Aviação Naval Brasileira teve seu marco inicial em 23 de agosto de 1916, com a criação da Escola de Aviação Naval, estabelecida no contexto da Primeira Guerra Mundial, quando o Brasil buscava modernizar suas forças armadas e acompanhar os avanços tecnológicos da época. Este primeiro ciclo foi caracterizado pelo desenvolvimento inicial de capacidades aeronáuticas voltadas para operações marítimas, com foco em hidroaviões e treinamento de pilotos navais. Contudo, esse período foi interrompido em 20 de janeiro de 1941, pelo Decreto-Lei nº 2.961, promulgado durante o governo de Getúlio Vargas. O decreto unificou as aviações do Exército e da Marinha na recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), sob o comando do recém instituído Ministério da Aeronáutica. A medida refletia uma tendência internacional de centralização do poder aéreo, inspirada em modelos como a Força Aérea Real ( Royal Air Force britânica), e visava otimizar recursos e padronizar operações aéreas no Brasil. Como resultado, a Marinha perdeu sua capacidade operacional aérea, marcando o fim do primeiro ciclo de sua aviação. O segundo ciclo da Aviação Naval Brasileira teve início em 26 de agosto de 1952, com o Decreto nº 31.472, que criou a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM). Este marco representou o esforço da Marinha para recuperar sua capacidade aeronáutica, em um contexto de crescente reconhecimento da importância estratégica de uma aviação naval autônoma. Inicialmente, a DAerM enfrentou desafios significativos, como a ausência de aeronaves, pilotos e infraestrutura adequada. Nesse período, a prioridade foi a formação de observadores aeronavais (OAN) e a preparação para a aquisição de equipamentos, com foco inicial em aeronaves de asas rotativas. Este processe seria acelerado quando em 12 de dezembro de 1956, o Governo Federal Brasileiro em conjunto com Ministério da Marinha, após uma série de negociações, procederia formalmente a aquisição de um porta-aviões leve britânico classe Colossus, o HMS R-71 Vengeance. Este navio aeródromo apresentava um deslocamento padrão de 19.900 toneladas era um veterano da Segunda Guerra Mundial, tendo atuado nos teatros de operações do Mediterrâneo e do Pacífico.  Após o término do conflito, este navio seria arrendado à Marinha Real Australiana (Royal Australian Navy), pelo período compreendido entre o dia 13 de novembro de 1952 a 13 de agosto de 1955, sendo assim devolvido ao governo britânico e colocado à disposição para venda. Após sua aquisição pelo governo brasileiro, este porta aviões seria encaminhado em meados do ano de 1957, aos estaleiros da empresa holandesa Verolme United Shipyard, na cidade de Rotterdam, a fim de ser submetido a um extenso programa de modernização e atualização. Seguindo o cronograma de reativação da Aviação Naval, seriam adquiridas as primeiras aeronaves de asas rotativas, do modelo  Westland Widegon WS-51, marcando o inicio das operações. Esses helicópteros representaram um avanço significativo, permitindo maior flexibilidade em missões de reconhecimento, busca e salvamento, e apoio logístico em ambientes marítimos. 

Contudo, a Marinha do Brasil reconhecia a necessidade de expandir suas capacidades para incluir aeronaves de asas fixas, essenciais para missões de treinamento, patrulha e combate. No início da década de 1960, o Ministério da Marinha lançou um ambicioso programa de reativação da Aviação Naval, abordando não apenas a aquisição de aeronaves, mas também a estruturação organizacional, a formação de pessoal, o desenvolvimento de infraestrutura. Paralelamente o navio aeródromo brasileiro emergiria do processo de modernização em dezembro de 1960,  ostentando a adição de convés de voo em ângulo a 8,5°, catapulta e sistema de parada otimizados, novos elevadores, nova ilha, sistemas de operação e eletrônica e atualização de sistema defensivo. Após a conclusão dos trabalhos de doca, o navio passaria a ser submetido a provas no mar, neste processo estava incluso a avaliação dos sistemas de catapultagem e recolha de aeronaves, sendo empregados para isto aeronaves turboélices Fairey Gannet e caças Hawker Sea Hawk da Marinha Real (Royal Navy). Recomissionado em 6 de dezembro de 1960 como Navio-Aeródromo Leve (NAeL) “Minas Gerais” (A-11), o navio passaria a ser a nau capitania da Marinha do Brasil. Neste contexto ainda não havia estudos reais sobre as opções de aeronaves de asas fixas e rotativas a serem adquiridas, assim as  comissões da Marinha do Brasil nos Estados Unidos e na Europa iniciaram negociações para a aquisição de aviões e helicópteros que se destinavam a equipar o grupo aéreo embarcado. Apesar do navio ser de origem britânica, todo o treinamento e sua consequente doutrina operacional seria baseada nos moldes da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), mediante um acordo firmado anteriormente entre os governos brasileiro e norte-americano. No entanto, o período que antecedeu as provas de mar do Minas Gerais mostrou que seria imprescindível contar com instrumentos que pudessem permitir treinar e depois manter adestradas as equipes responsáveis pelos muitos trabalhos realizados com aeronaves no convés de voo. Entre as alternativas existentes, a melhor seria a utilização de uma aeronave obsoleta mas com todos os seus sistemas funcionando, inclusive o motor. É neste momento que tem início a efêmera história dos Grummam TBM-3E/E2 Avenger na Marinha do Brasil, pois como citado o processo de treinamento da tripulação do Navio-Aeródromo Leve (NAeL) “Minas Gerais” (A-11) seria completo, envolvendo o processo de movimentação e hangaragem de aeronaves.  É neste momento que tem início a efêmera história dos Grummam TBM-3E/E2 Avenger na Marinha do Brasil, pois como citado o processo de treinamento da tripulação  navio-Aeródromo  seria completo, envolvendo o processo de movimentação e hangaragem de aeronaves. 
Nesta época várias aeronaves  TBM-3 do Serviço Aéreo da Real Marinha Holandesa (RNethN) estavam sendo desativadas e de acordo com os termos da aquisição previstos no programa “Mutual Defense Assistance Program” (Programas de Assistência de Defesa Mútua), estas deveriam ser assim devolvidas aos Estados Unidos ou destruídas no localmente com comprovação fotográfica. Um terceiro destino seria criado pelo Verolme United Shipyard, que  passou a intermediar uma negociação entre as partes envolvendo uma doação de um lote destas aeronaves, para fins de treinamento de manobra em convés de voo.  Não se sabe com exatidão como se processou a aquisição de cinco células do  TBM-3E Avenger, salvo o fato de que foram oficialmente entregues às autoridades da Marinha.No entanto curiosamente, apenas três destas aeronaves receberiam matrículas brasileiras; e destes dois restantes, uma célula apesar de ser oficialmente transferida,  não seria fisicamente entregue, sendo descartado e sucateado em uma base aeronaval daquele país. Quanto a quinta célula não existem registros sobre seu destino final, mas nunca seria realmente incorporadas. Existem ainda relatos de que uma das aeronaves recebidas pela Marinha do Brasil, pertenceria ao modelo TBM-3S Avenger, sendo oriundo da Aviação Naval Francesa (Aéronavale), mas não existem registros franceses (conforme contatos com a Association pour la Recherche de Documentation sur l’Histoire de l’Aéronautique Navale) que atestem sua transferência a Marinha do Brasil. Informações extra oficias informam que outras tres células (como os números de série BuAer 85930, 86174 e 85543) teriam sido recebidos no Brasil desmontadas em caixas, porém esta afirmação para ser  inverossímeis, já que pelo menos o BuAer 85930 foi aquela aeronave destruída como sucata, mencionada anteriormente. As aeronaves recebidas, o TBM-3E2 BuAer 53142 foi aceito pela US Navy em 3/05/45; transferido para  a Royal Navy  29/9/53, matrícula XB378; convertido AS.5 por SAL Prestwick Junho/54; descarregado em 28/3/58; transferido Marinha Real Holandesa em 19/02/58 para emprego como rebocador de alvo; descarregado em 08/2/61; transferido Marinha do Brasil: 25/7/60, matriculado 1 e depois N-501. Já o TBM-3E BuAer 53604 com data de aceitação na (US Navy em 8/06/45; transferido para a Royal Navy em 29/9/53, matrícula XB385; convertido AS.5 por SAL Prestwick Junho/54; descarregado em 28/3/58; transferido Marinha Holandesa  em 19/2/58, ; transferido Marinha do Brasil em 25/07/60, matriculado 3 e depois N-503; descarregado Marinha Holandesa 30/7/60. A última aeronave  TBM-3E BuAer 85549 com data de aceitação na  US Navy em  24/02/45; transferido  para a Royal Navy a bordo do HMS Perseus em 4/05/53, matrícula XB445; convertido AS.5 por SAL Prestwick Novembro/53; descarregado em 28/3/58; transferido Marinha Real Holandesa em 17/3/58; descarregado em 25/07/60; sendo transferido para a Marinha do Brasil:  25/7/60, matriculado 2 e depois N-502. 

Durante a entrega oficial da primeira célula, o TBM-3E2 Avenger BuAer 53142 em 25 de julho de 1960, um oficial do Serviço Aéreo da Real Marinha Holandesa (RNethN)., ministrou aos brasileiros todas as técnicas para o emprego da aeronave, tais como sistemas mecânicos, elétricos e hidráulicos, bem como taxiamento, recolhimento das asas e alinhamento na catapulta e hangaragem. Havia no entanto uma solicitação por parte do governo norte-americano que estas aeronaves não fossem empregadas em voo, embora tivessem condições de fazê-lo. Durante os treinamentos na Holanda, estas aeronaves eram “roladoas” pelo convés de vôo até a velocidade de decolagem, porém abortando o processo logo em seguida. Reza a lenda ainda, que ao final deste treinamento, este mesmo oficial holandês fazendo uso de ferramentas apropriadas retirou os parafusos do sistema das asas dobráveis, dizendo em seguida “de acordo com ordenado, três aeronaves sem condições de voo entregues perfeitamente”. E assim que ele se retirou do navio, os tripulantes brasileiros trataram logo de recolocar os parafusos em seu devido lugar.  Após a chegada do NAeL Minas Gerais (A-11) ao Brasil, foi possível dar atenção ao minucioso processo de formação do pessoal destinado a compor as equipes de manobra. Conquanto esse trabalho já havia sido realizado entre aqueles que acompanharam o Minas Gerais desde sua saída da Holanda, era necessário realizar o adestramento das equipes e reciclar aquelas já formadas, uma atribuição do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN). A intenção original era que ao menos um dos Avengers  fosse entregue àquele Centro, mantendo outro exemplar a bordo do Minas Gerais. Para atender a esse planejamento e visto que os três TBM-3E se encontravam em condições de voo, ficou decidido que eles fariam uma decolagem livre (isto é, sem o uso da catapulta) do NAeL Minas Gerais e voariam para São Pedro da Aldeia, a nova sede do CIAAN. No entanto, em 1º de setembro de 1961, logo após livrar o convoo de voo daquele navio-aeródromo, o TBM-3E N-502 perdeu sustentação e caiu no mar ao largo do litoral do estado do Rio de Janeiro. Por sorte, seu piloto escapou ileso do acidente, mas ficou decidido que a ida até o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN) dos demais  Grumman TBM Avenger se daria através de desembarque e posterior transporte por via terrestre. Em consequência, um desses aviões foi assim encaminhado para São Pedro da Aldeia e lá passou a fazer parte do inventário do Destacamento Especial de Aeronaves do CIAAN. Por sua vez, o outro TBM foi mantido a bordo do Minas Gerais, lá permanecendo até o primeiro trimestre de 1963. Durante esse período, os TBM-3E foram continuamente empregados como instrumentos de instrução, quer em terra quer embarcados. Porém, mesmo envidando esforços para manter todos os sistemas.
Na década de 1960, a Aviação Naval da Marinha do Brasil enfrentava desafios significativos para manter em operação suas últimas duas aeronaves Grumman TBM-3 Avenger, herança de um período em que a força desempenhava um papel ativo com aeronaves de asas fixas. Apesar dos esforços meticulosos da equipe de manutenção, que incluíam revisões gerais dos motores Wright R-2600-20 de 1.900 cavalos de potência, a conservação de ambas as células – identificadas como N-501 e N-503 – tornou-se uma tarefa árdua devido à escassez de peças e ao desgaste natural acumulado ao longo de anos de serviço. Em um esforço para prolongar a operacionalidade, o TBM-3 N-503 foi desmontado para servir como fonte de peças de reposição, garantindo que o TBM-3 N-501 permanecesse em condições de voo. Este último recebeu um esquema de pintura de alta visibilidade, em branco com detalhes em vermelho-alaranjado, destacando sua presença em terra. Embora os TBM Avengers fossem projetados para operações embarcadas, as tensões institucionais entre a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira (FAB) impediram seu uso a bordo do porta-aviões brasileiro, o NAeL Minas Gerais, adquirido em 1956. Em vez disso, os voos foram realizados a partir da Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), no Rio de Janeiro, onde os aviões desempenhavam funções limitadas, principalmente em treinamento e missões de ligação. Essa situação refletia um contexto mais amplo de disputas entre os Ministérios da Marinha e da Aeronáutica, que competiam pelo controle das operações com aeronaves de asas fixas no Brasil. A crise institucional alcançou seu ápice em 26 de janeiro de 1965, com a promulgação do Decreto Presidencial nº 55.627, assinado pelo presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. Este instrumento extinguiu oficialmente a aviação naval de asas fixas da Marinha do Brasil, transferindo a responsabilidade por tais operações exclusivamente para a FAB. Como parte do decreto, toda a estrutura de aeronaves, peças de reposição, materiais e pessoal da Aviação Naval deveria ser incorporada à FAB. Contudo, nem todas as aeronaves foram aceitas pelo Ministério da Aeronáutica. O TBM-3 N-501, a última unidade em condições de voo, foi mantido temporariamente sob os auspícios da Força Aeronaval, embora sua utilidade para o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN) e para a Aviação Naval em geral fosse considerada nula. Nesse contexto, em 1965, a Marinha decidiu excluir ambas as células de seu inventário. O TBM-3 N-501 foi desmontado e vendido como sucata, encerrando sua trajetória operacional. Já o TBM-3 N-502 encontrou um destino diferente: foi preservado como monumento no centro recreativo da Casa do Marinheiro, localizado na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, onde outrora funcionara a primeira sede do CIAAN. Infelizmente, essa preservação foi temporária, e entre 1974 e 1975, a aeronave também foi desmantelada e transformada em sucata, encerrando a história dos TBM Avengers no Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Grumman TBM-3E Avenger "N-502" da Aviação Naval da Marinha do Brasil, fizemos uso do excelente kit da Hobby Boss na escala 1/48, que além de ser extremamente detalhado, possibilita a montagem da aeronave com as asas dobradas para a hangaragem. Para se adequar a versão operada pela Marinha do Brasil é necessário suprimir o posto do metralhador ventral da aeronave. Empregamos decais confeccionados pelo fabricante FCM Decals presentes no antigo set 48/07. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura original da Marinha Real Holandesa (RNethN), ou seja, midnight blue em toda superfície, incluindo cubos e caixas de rodas e spinner da hélice, substituindo-se somente os cocares holandeses pelos da nossa aviação naval nas quatro posições das asas. Posteriormente receberam o mesmo esquema aplicado nas aeronaves de treinamento da Aviação Naval (Pilatus, Taylorcraft e CAP-4), todo branco brilhante, leme de direção azul,amarelo e verde, cowling do motor, pontas das asas e cubo de rodas em vermelho alaranjado.

Bibliografia :
-  Grumman Avenger  - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Grumman_TBF_Avenger
-  Grumman/General Motors Avenger TBM-3 - http://www.naval.com.br
-  Avenger , o Classico Naval Anonimo no Brasil – Rogério Terlizzi Revista Asas Nº 7
 Aeronaves Militares Brasileiras 1916 á 2015 - Jackson Flores Jr Action Editora.