Ford Série Cargo (VTE-VTNE-CT)

História e Desenvolvimento.
A Ford Motor Company, uma das mais icônicas e prestigiadas montadoras norte-americanas, foi fundada em 16 de junho de 1903, em modestas instalações situadas no subúrbio de Detroit, no estado de Michigan. Liderada pelo engenheiro e visionário Henry Ford, a empresa teve início com um investimento inicial de US$ 28.000, aportados por doze investidores, entre os quais se destacavam os irmãos John e Horace Dodge, que posteriormente deixariam a companhia para fundar a Dodge Motors Company. Este documento apresenta uma análise formal e estruturada da trajetória inicial da Ford, seu impacto na indústria automotiva e o legado de suas inovações. Nos primeiros anos de operação, a Ford Motor Company produzia veículos de forma quase artesanal em sua fábrica localizada na Avenida Mack, em Detroit.  Com o crescimento da demanda, a Ford optou por internalizar a fabricação de componentes críticos, adotando o conceito de integração vertical. Essa estratégia, inovadora para a época, permitiu maior controle sobre a qualidade e os custos de produção, consolidando a eficiência operacional da empresa. A integração vertical tornou-se um modelo funcional e amplamente adotado, contribuindo para a escalabilidade da Ford e sua capacidade de atender a um mercado em rápida expansão. Em 1908, Henry Ford lançou o Ford Modelo T, equipado com o primeiro motor de cabeça de cilindro removível, um marco técnico que elevou os padrões da indústria.  Desde seus primeiros anos, a Ford Motor Company demonstrou uma visão estratégica voltada para o mercado internacional. Em 1904, a empresa estabeleceu sua primeira linha de montagem no exterior, no Canadá, para a produção do Modelo C. Essa iniciativa marcou o início de uma política de parcerias globais, que facilitavam a fabricação local e a adaptação dos veículos às necessidades de diferentes mercados. Desde cedo a empresa buscaria o mercado externo, sempre que possível associando à montagem local dos seus carros. A primeira linha de fabricação no exterior foi instalada em 1904, no Canadá, em 1911 o Modelo T começou a ser produzido na Grã-Bretanha. A expansão da Ford na América Latina teve início na Argentina, onde, em 1913, foi estabelecida uma filial. Contudo, a montagem de veículos nesse país só foi iniciada em 1921. No Brasil, a produção de automóveis Ford começou de forma pioneira em 1918, por meio de uma iniciativa do industrial baiano Antônio Navarro Lucas. Licenciado pela Ford, Lucas passou a montar, em Salvador, Bahia, dez unidades mensais do Modelo T, marcando o Brasil como o primeiro país latino-americano a fabricar veículos da montadora. Reconhecendo o potencial do mercado brasileiro, a diretoria da Ford Motor Company decidiu, em 24 de abril de 1919, criar uma filial no país. Já no início de maio do mesmo ano, foi instalada, na Rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo, uma unidade que combinava um escritório administrativo e uma linha de montagem para a produção do Modelo T. Essa instalação tornou-se a primeira indústria automobilística do Brasil, um marco histórico para o setor.  A quantidade de veículos aqui montados cresceu rapidamente, obrigando à empresa, até 1921, a mudar mais duas vezes de instalações, sempre no centro de São Paulo.  Nesta última planta, na rua Sólon, bairro do Bom Retiro, com capacidade de produção de quarenta unidades diárias, foi montado em 1923 o primeiro caminhão Ford brasileiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Ford priorizou a produção de veículos e componentes para uso militar. Com o fim do conflito, a montadora acelerou sua produção, atingindo, em 1948, uma cadência de 50 a 60 veículos leves por dia. Nesse período, a fábrica passou a montar uma gama diversificada de produtos, incluindo automóveis Ford, Mercury e Lincoln (de origem norte-americana), Anglia e Prefect (de origem britânica), além de veículos comerciais leves, ônibus e caminhões médios e pesados das marcas Ford e Thames. Aproximadamente 1.200 componentes já eram produzidos localmente, por meio da Ford e de cerca de cem fornecedores nacionais, enquanto cabines e carrocerias continuavam a ser importadas e montadas no Brasil. Ao completar 30 anos de operações no Brasil, em abril de 1949, a Ford já havia montado mais de 200 mil veículos. Em 1953, a empresa inaugurou uma moderna fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com capacidade para produzir 125 veículos por dia. Essa unidade representou um salto em termos de infraestrutura e eficiência produtiva. Nesse contexto, o governo federal começou a considerar políticas de incentivo à nacionalização da indústria automotiva, embora planos concretos só fossem formalizados em 1956, com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). Em 26 de agosto de 1957 deixaria a linha de montagem o primeiro caminhão Ford nacional o F-600, contando ainda apenas com cerca 40% de conteúdo nacional, em peso. Tratava-se de um modelo convencional, de porte médio (para 6,5 t, entre eixos de 4,37 m) e arquitetura tipicamente norte-americana, com motor V8 a gasolina (4,5 l e 161 cv) e cabine recuada; tinha caixa de quatro marchas e diferencial de duas velocidades, com reduzida de comando elétrico. Dois meses depois foi lançada a picape F-100, para 930 kg, dotada da mesma motorização e igual cabine, porém com três marchas (primeira não sincronizada). Para atender às metas do plano, foram criados os Departamentos de Engenharia do Produto e de Ensaios e Pesquisa (alocados nas antigas instalações do Bom Retiro), construída uma fundição de motores em Osasco (SP), instaladas linhas de usinagem e montagem de motores e ampliada a estamparia do Ipiranga, as três últimas inauguradas em novembro de 1958. Em 1959, a cabine do caminhão e picape foi reestilizada, recebendo novo painel, volante “em cálice” e os para-brisas panorâmicos introduzidos em 1956, nos Estados Unidos. A picape, por sua vez, ganhou caçamba muito mais moderna, com para-lamas integrados, seguindo projeto apenas recentemente adotado na matriz. Para registrar o salto no índice de nacionalização, obtido após a inauguração da fábrica de motores, os emblemas de todos os modelos passaram a vir nas cores verde e amarela.   Em junho daquele mesmo ano seria lançado o caminhão leve F-350 (para 2,7 ton entre eixos de 3,30 m), com a mesma mecânica dos demais (este seria, por muitos anos, o único modelo brasileiro na categoria). No ano seguinte o caminhão médio ganhou a versão F-600-148, com menor entre eixos (3,77 m), próprio para receber carroceria basculante ou quinta roda, com capacidade de tração de 12 toneladas.
Em 1961 foi também o ano em que a Ford brasileira se dobrou à realidade local, que aceleradamente se afastava dos motores a gasolina no transporte de cargas, e lançou seu primeiro veículo diesel. Equipado com motor Perkins de seis cilindros e 125 cv, o F-600 Diesel recebeu poucas modificações com relação ao modelo a gasolina: apenas reforço da suspensão dianteira e substituição do logotipo “V8”, na grade, por outro, nomeando o novo combustível.  Em abril de 1962 o estilo da linha Ford foi mais uma vez alterado, desta vez assumindo o desenho do modelo norte-americano de 1960. A linha de veículos comerciais seria renovada entre os anos de 1968 e 1976, culminando no lançamento do Ford F-7000, incluindo ainda a versão de cavalo mecânico F-8500, para 30,5 t. No início da década de 1980 a empresa alterou a nomenclatura dos caminhões, apresentando seus substitutos: os médios F-11000, 12000 e 13000 (6,5 a 9 t de capacidade líquida) e os semipesados F-19000 e F-21000, com 3º eixo (tipos tandem ou balancim) e 13 e 15 toneladas de capacidade de carga. Equipados com motor MWM de seis cilindros (com opção de Perkins, para os médios), traziam caixa de cinco marchas (1ª não sincronizada) com redução de acionamento elétrico ou pneumático no diferencial e freios pneumáticos (hidráulico a vácuo, no F-11000). Todos tiveram a suspensão revista e ganharam sistema elétrico de 12 V e tanque de combustível cilíndrico de maior capacidade; direção hidráulica e rodas raiadas podiam ser instaladas, como opcional, em alguns modelos.    Na década de 1980, a Ford do Brasil S/A implementou mudanças significativas em sua linha de caminhões, promovendo a substituição dos modelos tradicionais da Série F por novos veículos mais modernos e adaptados às demandas do mercado. Este documento apresenta, de forma estruturada, a evolução da linha de caminhões Ford Série F, destacando as inovações tecnológicas, as atualizações de design e as estratégias comerciais adotadas pela empresa até o início do século XXI. No início dos anos 1980, a Ford do Brasil reformulou a nomenclatura e a oferta de sua linha de caminhões, introduzindo modelos que atendiam aos segmentos médio e semipesado. As principais novidades incluíram: Modelos Médios: F-11000, F-12000 e F-13000 equipados com modernos motores  MWM de seis cilindros, com maior eficiência e durabilidade Opção de motores Perkins para os modelos médios, oferecendo maior flexibilidade aos clientes Transmissão Nova caixa de cinco marchas, com a primeira marcha não sincronizada. Sistema de redução no diferencial, acionado eletricamente ou pneumaticamente, para melhor desempenho em terrenos variados.  A evolução da linha de caminhões Ford Série F no Brasil reflete a capacidade da Ford do Brasil de se adaptar às demandas do mercado e às condições locais. Desde o lançamento do F-600 Diesel em 1961 até a reformulação dos modelos na década de 1980, a empresa implementou inovações tecnológicas e estratégicas que consolidaram sua posição no setor de transporte de cargas. As atualizações em motores, transmissões e design demonstram o compromisso com a eficiência, durabilidade e competitividade no mercado brasileiro.

Na década de 1980, a Ford do Brasil enfrentou um cenário de crescente concorrência no mercado de caminhões, impulsionado principalmente pelos novos modelos da Volkswagen e pela forte presença de marcas como Mercedes-Benz. A Chevrolet, embora concorrente, vinha perdendo participação devido à limitada evolução mecânica de seus veículos, culminando no encerramento de suas operações comerciais no Brasil. Diante desse contexto, a direção da filial brasileira realizou um estudo de viabilidade para a produção local da moderna linha de caminhões Ford Cargo, visando: Ampliar o portfólio com caminhões médios e semipesados, com capacidade de carga entre 11 e 15 toneladas. Complementar a gama existente de caminhões leves e picapes da Série F, destinados a cargas menores. Atender a uma nova demanda de mercado, aumentando o volume de clientes potenciais da divisão de caminhões. A Ford do Brasil buscava lançar um veículo que atendesse a requisitos rigorosos de tecnologia, durabilidade e versatilidade, com potencial para competir globalmente. As principais características do projeto incluíam: Concepção Global: O Ford Cargo foi projetado como um modelo global, com foco na exportação para mercados internacionais, especialmente os Estados Unidos. Cabines: Adoção das cabines do modelo europeu, projetadas pela filial britânica da Ford, reconhecidas por sua qualidade e premiadas internacionalmente desde 1981. Chassi: Utilização de um chassi robusto de origem norte-americana, adaptado às condições brasileiras. Motores: Equipado com motores diesel Ford produzidos localmente, garantindo eficiência e conformidade com as necessidades do mercado. A produção do Ford Cargo no Brasil foi planejada para iniciar em 1985, com uma estimativa de 20.000 unidades anuais, das quais uma alta porcentagem seria destinada à exportação. Para viabilizar o projeto, a Ford implementou: Modernização da Planta Fabril: A unidade do Ipiranga passou por um profundo processo de atualização de suas linhas de produção, preparando-as para fabricar a nova família de caminhões. Testes Pré-Produção: Cinco caminhões protótipos foram cedidos em regime de comodato a empresas de diversos segmentos de transporte. Os resultados desses testes permitiram à equipe de engenharia aprimorar características técnicas e operacionais do veículo. A Ford do Brasil tinha metas ambiciosas para o Ford Cargo, projetando um aumento significativo de sua participação no mercado brasileiro de caminhões com capacidade de até 22 toneladas: Crescimento de Market Share: A empresa previa elevar sua participação de 19% para 29% em dois anos, um objetivo desafiador dado o forte cenário competitivo. Sucesso Comercial: A confiança no sucesso do modelo era respaldada pelo desempenho do Ford Cargo na Europa, onde já havia recebido reconhecimento por sua qualidade. Em 1984, a Ford apresentou os primeiros protótipos do Ford Cargo nacionalizado, marcando um passo estratégico na consolidação de sua oferta no segmento de caminhões médios e semipesados. O início da comercialização, previsto para 1985, foi acompanhado de uma campanha que destacava a robustez, a inovação e a versatilidade do modelo.
Em termos de desing, o modelo apresentava grandes avanços, rompendo com o projeto antiquado das Séries F. A cabine incorporava diversas fabricadas em plástico, diminuindo muito seu peso, dispunha igualmente, do sistema basculante, que proporcionava um acesso simples e fácil a parte mecânica. Além disso, o Cargo seria o primeiro caminhão brasileiro a receber um tratamento contra a oxidação, aplicado por meio e um meto de eletrodeposição. Foram inicialmente lançados oito modelos, entre onze e quinze toneladas, com três opções de motor diesel: MWM aspirado (5,9 litros e 130 cv) e Ford aspirado ou turbo (seis cilindros, sete mancais, 6,6 litros com 140 e 165 cv). Oferecidos em três distâncias entre eixos (3,89, 4,34 e 4,80 m) e configurações 4×2 ou 6×2, totalizando vinte diferentes versões. No final do ano de 1985 seria lançado o primeiro modelo com tração 6X4, o Cargo 2217 de vinte e duas toneladas. Estes caminhões apresentavam uma caixa de cinco marchas com dupla redução no eixo traseiro, freios pneumáticos com duplo circuito (opcionalmente a disco na dianteira para modelos de 11 toneladas) e direção hidráulica com assistência variável. Como opcionais eram fornecidos sistemas de freio motor, pneus radiais sem câmara, vidros verdes, banco tipo leito, banco do motorista com amortecimento, rádio e defletores de ar no teto e sob o para-choque.  No final de 1986, a concretização do acordo de cooperação entre a Ford e a Volkswagen, levaria a implementação de novas diretivas estratégicas, visando a priorização das exportações em detrimento ao mercado interno.  Neste momento melhorias seriam feitas com o objetivo de atender a especificações dos mercados almejados, e assim os modelos destinados ao mercado brasileiro se beneficiariam destas significativas melhorias, dentre elas o aumento da capacidade de carga. Assim a gama de caminhões médios e semipesados da empresa passaria a ser composta pelos modelos 1215 (12 toneladas), 1415 e 1422 (14 toneladas), 1617 e 1622 (16 toneladas). Outra melhoria seria o aumento da potência dos motores Ford de 6,6 litros, com modelo aspirado chegando a 155 cv e turboalimentado desenvolvendo até 182 cv de potência. Em 1990 seria lançado o Cargo 3224, com capacidade de carga de 32 toneladas, unicamente destinando a exportação, no ano seguinte estreariam os novos motores Cummins de 8,3 litros, que chegaram para substituir os próprios da Ford. Neste período o portifólio da montadora estava disposto em nove modelos com capacidades entre 12 e 35 toneladas. Ao longo dos anos seguintes novos modelos seriam lançados no mercado brasileiro, se pautando nas famílias de caminhões Leves 4x2, médios 4x2, semipesados 4x2, 6x2, 8x2 e 6x4, pesados 4x2 e 6x4 e Cavalos mecânicos 4x2 e 6x2. Em 2011 a cabine passou por reestilização, passando a apresentar linhas mais arredondadas em relação à geração lançada em 1985, sendo semelhante ao modelo produzido na Turquia. Infelizmente em 2016, mudanças na estratégia global da montadora determinariam o encerramento da produção de caminhões no Brasil, levando inclusive ao fechamento da planta fabril de São Bernardo do Campo, com os últimos Ford Cargo deixando a linha de produção em meados do ano de 2019. 

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
O processo de mecanização das Forças Armadas Brasileiras teve início na década de 1920, com a aquisição dos primeiros caminhões leves Ford Modelo T pelo Exército Brasileiro e pelas Forças Públicas (atualmente Polícias Militares Estaduais). Esses veículos representaram os primeiros passos na modernização do transporte militar no Brasil, atendendo às necessidades logísticas básicas da época. Durante a década de 1930, a Ford consolidou sua posição como principal fornecedora de veículos para as Forças Armadas Brasileiras, com a incorporação de diversos modelos civis, muitos dos quais montados localmente pelo processo CKD (Completely Knocked Down). Os modelos incluíam: Ford TT; Ford V8 ; Ford 131 ½; Ford Barrel-Nose; Ford 157 ½ e Gigante 937 ½. Posteriormente, a frota foi complementada por modelos como: Ford 1/5T Stake Bed ; Ford Modelos 1938/1940/1941 ; Ford G-540 2G8T/G8T ; Ford G-622; Ford G-917; Ford FK G-700 e Ford YBH2.  Esses veículos formaram a base da capacidade de transporte militar brasileira, desempenhando um papel central nas operações logísticas até o início da década de 1940.  A adesão do Brasil aos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial e a participação no programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) proporcionaram acesso a uma nova geração de veículos militares especializados. A partir de 1942, o Brasil recebeu mais de 5.000 caminhões com tração 4x3, 4x4 e 6x6, incluindo: Corbitt 50SD6 G-512; Diamond T 968/969 G-509/980 G-159 ; GMC G-508 CCKW-352/353; Studebaker US6 G-630; GMC 16220 Kodiak; Ward LaFrance G-116 M-1/A1 e G-514 Modelo 666 White Motor. A introdução desses veículos militares modernos marcou uma mudança significativa na composição da frota das Forças Armadas Brasileiras. Os caminhões civis da Ford, previamente adaptados para uso militar, foram redesignados para missões secundárias ou administrativas, com parte do excedente sendo retirada do serviço ativo. O influxo de veículos militares especializados durante a Segunda Guerra Mundial encerrou a liderança de mais de duas décadas da Ford como principal fornecedora de veículos para as Forças Armadas Brasileiras. A transição para uma frota composta por caminhões projetados especificamente para fins militares refletiu as exigências de modernização e as mudanças no contexto estratégico global. Em fins da década de 1950, surgiria a necessidade de substituição de grande parte da frota de caminhões militares recebidos durante a década anterior, que por obsolescência ou falta de peças de peças de reposição começavam a apresentar grandes índices de indisponibilidade.  Este cenário causava extrema preocupação ao comando do Exército Brasileiro, pois afetava perigosamente sua capacidade operacional, gerando assim a necessidade em curto prazo da elaboração de soluções que pudessem atender a esta demanda. Em termos básicos, a solução mais eficaz passava pela aquisição de um número similar de veículos de transporte com tração 4X4 e 6X6, sendo mais indicados os novos caminhões da família REO M-34 e M-35. 

Porém o investimento necessário para uma aquisição deste porte, se apresentava completamente fora da realidade orçamentaria do Exército Brasileiro naquele período. Estudos mais realistas apontavam então para três soluções complementares, sendo a primeira pautada na aquisição de um pequeno número de caminhões militares usados REO M-34 e M-35, a segunda envolvia estudos referentes a possível repotencialização dos caminhões GMC Série CCKW e Studebaker US6G, e pôr fim a terceira focando a adoção de caminhões comerciais militarizados produzido no país para o cumprimento de missões secundárias. A combinação destas três alternativas poderia devolver a Força Terrestre sua operacionalidade.  Infelizmente os estudos referentes a repontencialização dos caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G não seriam recomendados, devidos não só, ao alto custo de implantação, bem como a inexistência naquele momento de um corpo técnico de nível adequado para a implementação no país de um programa desta magnitude.  O cancelamento do processo de repotencialização dos caminhões norte-americanos, levaria a necessidade de ampliação das intenções na aquisição de caminhões comerciais militarizados. Pois assim em teoria estes veículos poderiam substituir os caminhões genuinamente militares com tração integral 6X6 em missões básicas de transportes, liberando assim os veículos com tração 6X6 para o emprego em ambientes fora de estrada. Para a materialização deste conceito, seria necessário a aquisição de um grande número de caminhões militarizados produzidos localmente, alternativa esta que sobre esta ótica era extremamente viável devido ao baixo custo de aquisição e operação destes veículos. Buscando fomentar a jovem indústria automotiva nacional o Ministério do Exército optou pela adoção inicial de veículos produzidos pela Fábrica Nacional de Motores - FNM, que mantinha em produção dois modelos de caminhões médios, o FNM D-9500 e o FNM D-11000. No intuito continuar impulsionando a indústria automotiva nacional,  o Governo Federal iniciaria uma série de consultas as empresas visando o fornecimento de mais caminhões para o reequipamento das três forças armadas. Diversas propostas seriam apresentadas pelas montadoras estabelecidas no país, com destaque ao modelo Ford F-600 (com tração 4X2 e 6X2) que acabara de ser lançado no mercado nacional. Nos anos seguintes diversos contratos seriam celebrados para o fornecimento destes veículos a Força Aérea Brasileira e ao Exército Brasileiro, apresentando diversas versões e níveis de militarização. O grande salto se daria em meados da década de 1960, com desenvolvimento de modelos para todo terreno em parceria com a Engesa S/A, e partir deste momento a família de caminhões Ford F-600 passariam a ser o esteio da frota de transporte das Forças Armadas Brasileiras. 
Durante as décadas de 1970 e 1980, as três Forças Armadas Brasileiras (Exército, Marinha e Aeronáutica) adquiriram centenas de caminhões Ford F-600, configurados com diferentes níveis de militarização para atender a uma ampla gama de funções operacionais. Esses veículos estavam disponíveis nas trações 4x2, 4x4 e 6x2, com carrocerias especializadas, incluindo: Carga Seca: Disponível em versões comercial e militar, utilizada para o transporte de suprimentos e equipamentos. Cisterna: Configurada para transporte de combustível ou água, essencial para operações logísticas em campo. Bombeiro: Adaptada para combate a incêndios em instalações militares. Os F-600 desempenharam um papel central nas operações logísticas das Forças Armadas, destacando-se pela versatilidade e robustez em diferentes cenários operacionais. A partir de meados da década de 1980, a frota de caminhões Ford F-600 começou a apresentar sinais de desgaste operacional, resultantes do uso intensivo e da idade avançada dos veículos. Esses fatores evidenciaram a necessidade de modernização da frota militar, com a substituição dos F-600 por modelos mais avançados, capazes de atender às demandas operacionais contemporâneas. Naquele período, a Ford do Brasil S/A enfrentou dificuldades para oferecer um sucessor competitivo para o F-600. A ausência de um modelo moderno em seu portfólio comercial limitou a capacidade da empresa de atender às exigências das Forças Armadas Brasileiras. Essa lacuna comprometeu sua posição como principal fornecedora de caminhões militares, encerrando um ciclo de liderança no fornecimento de veículos para o setor. O vácuo deixado pela Ford abriu espaço para a Mercedes-Benz do Brasil S/A, que implementou uma estratégia eficaz para atender às necessidades de renovação da frota militar. A Mercedes-Benz ofereceu veículos mais modernos, com maior capacidade tecnológica e operacional, conquistando rapidamente a liderança no fornecimento de caminhões médios e pesados, especialmente para o Exército Brasileiro. Os principais modelos fornecidos incluíam: MB L-1111;  MB L-1113;  MB L-1114; MB LG-1519 e MB LG-1819 Esses veículos, entregues em milhares de unidades, estabeleceram a hegemonia da Mercedes-Benz no mercado militar brasileiro. Apesar do declínio no fornecimento de caminhões militares, a Ford do Brasil manteve uma participação limitada no mercado por meio de pequenos contratos. Modelos como o F-6000, F-12000 e F-14000, configurados para transporte especializado, continuaram a ser fornecidos em menor escala, permitindo à empresa uma presença residual no setor. Com o advento do lançamento no Brasil da família Ford Cargo que logo conquistaria grande êxito comercial , a Ford Caminhões apresentaria aos militares brasileiros uma série de propostas de versões de transporte não especializado e especializado. 

A Ford do Brasil enfrentou significativa concorrência no segmento de caminhões militarizados com tração integral, logrando êxito na obtenção de apenas contratos de menor escala. Esses contratos envolveram o fornecimento de modelos Ford Cargo configurados para atender às necessidades logísticas específicas das Forças Armadas, com destaque para: Modelos Cargo 712, 814, 815 e 816: Configuração: Equipados com baú padrão de carga em alumínio. Finalidade: Emprego em Depósitos de Suprimentos (DSup) e Batalhões de Suprimentos (BSup) do Exército Brasileiro. Posteriormente, novos contratos foram firmados para ampliar a frota de caminhões Ford Cargo, com modelos adaptados para diversas funções operacionais: Modelos Cargo 1215, 1217, 1218, 1317 e 1319: Configuração: Equipados com baú comercial; dez unidades configuradas com carroceria de madeira.  Finalidade: Uso no Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA). Neste momento a Força Aérea Brasileira passaria a incorporar algumas unidades dos modelos Cargo 815, 816 equipados com baú para uso orgânico das bases aérea e ainda doze Ford Cargo 816S configurados na versão de “Cesta Aérea”,  para manutenção e operações específicas. A partir dos anos seguintes, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira continuaram a incorporar novos modelos da linha Ford Cargo, ampliando a variedade de configurações para atender a diferentes demandas operacionais. Os modelos adquiridos incluíam:  Ford Cargo 1415, 1417, 1418, 1517, 1519, 1615, 1717, 1722, 2218, 2422, 4030, 4031 e 4532 Maxton. Estes seriam dispostos na versões : Oficina móvel (truck baú); Caçamba basculante; Veículo de abastecimento de combustíveis móvel (toco); Suprimento de água (truck pipa) e Transporte urbano de viaturas (cavalinho 4x2). Em 2011, as Forças Armadas Brasileiras intensificaram a modernização de sua frota com a aquisição de cavalos mecânicos : Ford Cargo 1932 Tractor Torqshift  na configuração 4x2 equipados com motores Cummins de 6 cilindros. Este teriam por finalidade tracionar  carretas carga seca e carretas frigorificadas, destinadas aos Batalhões de Suprimentos (BSup) e Ford Cargo 1933 Tractor Torqshift  destinados ao transporte de veículos blindados de transporte de pessoal VBTP M-113, utilizados pelos Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), sendo deste último incorporados 30 veículos.  Em 2012, a Marinha do Brasil passou a incorporar unidades da linha Ford Cargo, com foco em modelos adaptados para operações específicas: Modelos Ford Cargo 1215 e 1415 nas configurações de Caçamba basculante (Cargo 1215) e Guindaste (munk) (Cargo 1415). Sendo destinados ao suporte  às operações logísticas e de manutenção da Marinha.
A partir de 2013, o PAC, um programa governamental federal de fomento, facilitou a aquisição de uma quantidade significativa de caminhões Ford Cargo pelas Forças Armadas Brasileiras. Essa iniciativa visava modernizar a frota militar, atendendo às demandas logísticas e operacionais das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica). Os modelos incorporados incluíam: Cargo 2423, 2425, 2428, 2622, 2623, 2628, 2629, 2932 e 3132,  dispostos em várias versões de carroceria, adaptadas para funções específicas. A Força Aérea Brasileira (FAB) foi uma das principais beneficiadas pelo programa, recebendo aproximadamente 400 caminhões de diversos tipos. Dentre esses, destacam-se: Ford Cargo 2629 (pelo  menos 101 unidades) na configuração de  carroceria baú, com capacidade de carga útil de 8.300 kg. Este seriam destinados ao transporte logístico de material de intendência, conforme especificações técnicas elaboradas pela Divisão de Transporte de Superfície da Diretoria de Engenharia (DIRENG). Neste momento o Exército Brasileiro também integrou modelos Ford Cargo em configurações especializadas, com destaque para as seguintes aquisições: Cargo 2622 (2014), limitando a 20  veículos configurados como  Posto de Comando Móvel. Seriam destinados ao emprego  junto aos Batalhões de Comunicação e Guerra Eletrônica (B Com GE) do Comando da 3ª Divisão de Exército. Cargo 2623 (2021) envolvendo 05 caminhões, na configuração  "Shelter" para  operação do Sistema Transportável de Rastreio de Engenhos em Voo (STREV). Seriam destinados ao  Centro de Avaliações do Exército (CAEx) em atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação de engenhos de voo. Neste contexto seriam dedicados a avaliação  do míssil tático de cruzeiro Avibras MTC-300 e do foguete guiado SS-40G no contexto do  Programa Estratégico do Exército (Prg EE) Astros 2020. Atualmente, grande parte da frota de caminhões Ford Cargo permanece em serviço ativo nas Forças Armadas Brasileiras, especialmente os veículos adquiridos no século XXI. Esses caminhões, com destaque para o modelo Ford Cargo 2629, configurado como Viatura Especializada Oficina/VTE Caminhão Baú Oficina, devem continuar operando em diversas funções logísticas e especializadas pelas próximas duas décadas, refletindo sua robustez e adequação às necessidades militares. A incorporação de caminhões Ford Cargo por meio do Programa de Aceleração do Crescimento representou um marco significativo na modernização da frota das Forças Armadas Brasileiras. A aquisição de modelos como o Cargo 2629 e 2623, configurados para funções logísticas, de comando e de pesquisa avançada, demonstra a versatilidade e a relevância da linha Ford Cargo no contexto militar. Com uma frota ainda ativa e projetada para operar por décadas, esses veículos continuam a desempenhar um papel essencial nas operações das Forças Armadas, consolidando última contribuição da Ford do Brasil ao setor de defesa.

Em Escala.
Para representarmos o Ford Cargo 1415 Cisterna de Combustível “EB34512”, fizemos uso do modelo em die cast produzido pela Axio para a Editora Altaya, na escala 1/43. Para compormos o veículo empregado pelo Exército Brasileiro, desmontamos todo o veículo retirando a carroceria comercial de madeira, aplicando uma carroceira “tanque de combustível” pertencente a outro modelo da Axio na mesma escala. Foram utilizados decais do conjunto “Forças Armadas do Brasil 1983 a 2002”, produzido pela Decals e Books, originalmente na escala 1/35. Esses decais foram adaptados para a escala 1/43, assegurando a autenticidade das insígnias e identificações militares.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático camuflado em dois tons, empregado na maioria dos veículos em uso no Exército Brasileiro a partir do ano de 1983, porém existem ainda muitos modelos configurados no esquema básico de verde oliva. Já os veículos empregados nas tarefas de Posto de Comando Móvel e Sistema Transportável de Rastreio de Engenhos em Voo (STREV), apresentam um terceiro padrão de pintura. As viaturas em usos pela Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil, ostentam esquemas de pintura pertinentes ao restante da frota destas armas. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia :
- Caminhões Brasileiros de Outros Tempos – Ford Cargo, Editora Altaya
- Ford do Brasil – www.ford.com.br 
- Divisão Encouraçada recebe novo Posto de Comando Móvel: www.defesanet.com.br/
- Exército incorpora o sistema STREV por Paulo Roberto Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br/
- Motorização no Exército Brasileiro 1906 a 1941 - Expedito Carlos Stephani Bastos

T-24 Fouga CM170-2 Super Magister


História e Desenvolvimento.
No início da década de 1920, o visionário empreendedor francês Gaston Fouga fundou, na região de Béziers, no sul da França, uma empresa inicialmente voltada para a fabricação de implementos rodoviários. Contudo, foi somente em 1936 que a Fouga et Cie, mais tarde conhecida como Fouga Aviation, deu um passo decisivo ao ingressar no setor aeronáutico, marcando o início de uma trajetória que a consolidaria como um nome relevante na aviação francesa. Esse marco foi impulsionado pela contratação do engenheiro aeronáutico Pierre Mauboussin, cuja expertise foi adquirida durante anos de trabalho na Société des Ateliers d'Aviation Louis Bréguet, uma das principais empresas aeronáuticas francesas da época. Junto a Mauboussin, a Fouga recrutou uma equipe de técnicos altamente qualificados provenientes da mesma empresa, fortalecendo sua capacidade de inovação. Outro nome de destaque que se uniu à Fouga foi o renomado engenheiro Robert Castello, cuja experiência foi forjada na Construções Aéronautiques Émile Dewoitine, uma concorrente de peso no mercado aeronáutico. A liderança conjunta de Mauboussin e Castello foi fundamental para o sucesso da empresa, e muitos dos projetos mais emblemáticos da Fouga receberam a designação “CM” (Castello-Mauboussin), em reconhecimento à colaboração entre esses dois pilares técnicos. Sob sua direção, a empresa desenvolveu uma série de aeronaves inovadoras, combinando criatividade técnica com soluções práticas para atender às demandas da aviação militar e civil. Durante a Segunda Guerra Mundial, com a ocupação alemã da França (1940-1944), as instalações da Fouga em Béziers foram requisitadas pelas forças ocupantes para a produção de componentes aeronáuticos, interrompendo temporariamente suas atividades no desenvolvimento de aeronaves próprias. A retomada plena de suas operações no setor aeronáutico ocorreu apenas após o fim do conflito, a partir de 1948, quando a empresa lançou modelos que marcaram sua reentrada no mercado. Entre esses projetos, destacam-se os planadores Fouga CM.8 e Fouga CM.10, que demonstraram a capacidade da empresa em desenvolver aeronaves leves e eficientes. Além disso, a Fouga introduziu a aeronave experimental Fouga CM.88 Gemeaux, um birreator inovador que combinava duas fuselagens do CM.8 unidas por uma seção de asa, com lemes dispostos em uma configuração em “V” que formava um “W”. Outro marco foi o Fouga CM.100, que consolidou a expertise da empresa em projetos avançados. Nesse período, a Fouga Aviation imergiu na tecnologia de motores a reação, uma área de vanguarda na aviação pós-guerra. A empresa passou a utilizar planadores motorizados como plataformas de teste para turbinas a jato, com o objetivo de desenvolver aeronaves de treinamento avançado para as Forças Armadas Francesas. Um dos resultados mais notáveis desse esforço foi o Fouga CM.8R.13 Sylphe, que realizou seus primeiros voos em 1949. Esse planador, equipado com uma turbina “Piméné” de 85 kgf de potência instalada acima da asa, apresentava uma cauda em “V” e uma configuração que remetia ao jato alemão Heinkel He 162 Salamander, utilizado nos estertores da Segunda Guerra Mundial. 

O Sylphe representou um passo significativo na transição da Fouga para o desenvolvimento de aeronaves a jato, pavimentando o caminho para projetos ainda mais ambiciosos, como o icônico Fouga CM.170 Magister, que se tornaria um dos treinadores a jato mais bem-sucedidos da história. Na década de 1950, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air, AdA) enfrentava a necessidade premente de modernizar seu programa de formação de pilotos, buscando substituir os obsoletos treinadores básicos a pistão Morane-Saulnier MS.475, que já não atendiam às exigências de uma aviação militar em rápida evolução. Nesse contexto, a AdA lançou um edital para o desenvolvimento de uma aeronave que combinasse as funções de treinamento básico e intermediário, oferecendo maior eficiência e adequação às tecnologias emergentes da aviação a jato. Em resposta a essa demanda, a Fouga Aviation, uma empresa francesa com sólida reputação no setor aeronáutico, sob a liderança dos renomados engenheiros Robert Castello e Pierre Mauboussin, apresentou o projeto do treinador a jato CM.130R. O CM.130R, inspirado no design do planador Fouga CM.8, incorporava uma característica distintiva: a cauda em “V”, que conferia estabilidade e eficiência aerodinâmica. Equipada com dois motores a reação Turbomeca Palas, a aeronave prometia atender às necessidades da AdA. No entanto, os testes iniciais revelaram que a potência limitada das turbinas Palas comprometia o desempenho, levando à reprovação do modelo. Esse revés, longe de desanimar a equipe da Fouga, impulsionou um retorno à prancheta, com o objetivo de desenvolver uma aeronave mais robusta e capaz. Do empenho técnico de Castello e Mauboussin surgiu o Fouga CM.170 Magister, uma evolução significativa do conceito original. Embora mantivesse a icônica cauda em “V”, o novo modelo era de maior porte e incorporava os avançados motores turbojato Turbomeca Marboré, cada um com 880 libras de empuxo, proporcionando o desempenho necessário para as missões de treinamento. Aprovado o conceito, a Força Aérea Francesa celebrou, em 1951, um contrato com a Fouga Aviation para a construção de três protótipos do CM.170 Magister. O primeiro voo do protótipo ocorreu em 23 de maio de 1952, marcando um momento pivotal na história da empresa e da aviação militar francesa. Para avaliar diferentes configurações, o segundo protótipo foi equipado com uma empenagem convencional, permitindo uma comparação direta com a cauda em “V”. Os ensaios em voo confirmaram a superioridade da configuração original, que oferecia melhor estabilidade e manobrabilidade, levando à decisão de manter a cauda em “V” no terceiro protótipo e nos modelos subsequentes. Após um rigoroso programa de testes, pequenas melhorias foram implementadas, culminando na versão final do MMC.170 Magister. Em novembro de 1953, a confiança no projeto resultou em um contrato para a produção de um lote inicial de dez aeronaves de pré-produção, destinadas à Força Aérea Francesa (Armée de l’Air, AdA).
Com a entrega de todas as unidades do lote de pré-produção do Fouga CM.170 Magister até outubro de 1955, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air, AdA) deu início à consolidação de uma nova doutrina operacional para o treinamento de seus pilotos. O Magister, projetado pela Fouga Aviation sob a liderança dos engenheiros Robert Castello e Pierre Mauboussin, destacou-se rapidamente como uma ferramenta indispensável na formação de aviadores, combinando simplicidade, confiabilidade e desempenho em um treinador a jato de concepção inovadora. Sua versatilidade e características técnicas avançadas fizeram dele um marco na modernização da aviação militar francesa no período pós-Segunda Guerra Mundial. Antes mesmo da conclusão da entrega do lote inicial, a confiança no projeto levou a Força Aérea Francesa a celebrar, em 13 de janeiro de 1954, um novo contrato com a Fouga Aviation para a aquisição de 95 aeronaves adicionais. Esse pedido visava substituir os obsoletos treinadores a jato norte-americanos Lockheed T-33A Thunderbird, que, embora eficazes em seu tempo, já não atendiam plenamente às necessidades de instrução intermediária da AdA. Para atender a essa demanda significativa, a Fouga Aviation inaugurou uma nova linha de montagem em Toulouse-Blagnac, integrada a um moderno complexo industrial recém-construído, consolidando sua capacidade de produção em larga escala. As aeronaves foram distribuídas principalmente para duas instituições-chave da formação de pilotos franceses: a École de l’Air (Escola do Ar), em Salon-de-Provence, voltada para a formação de oficiais, e a École de Chasse (Escola de Caça), em Versalhes, focada no treinamento de pilotos de combate. Além de seu papel como treinador, o Fouga CM.170 Magister alcançou notoriedade ao ser adotado pela prestigiosa esquadrilha acrobática Patrouille de France, que utilizou a aeronave em suas demonstrações aéreas, destacando sua agilidade e confiabilidade em voos acrobáticos. O sucesso operacional do Magister deveu-se, em grande parte, às suas características técnicas cuidadosamente projetadas. Equipado com dois motores turbojato Turbomeca Marboré, cada um gerando 880 libras de empuxo, a aeronave oferecia o que os pilotos descreviam como “a segurança de um jato bimotor com características de voo de um monomotor”. A proximidade dos motores à linha central da fuselagem minimizava o impulso assimétrico em caso de falha de uma das turbinas, proporcionando um importante recurso de segurança para uma aeronave de treinamento. A simplicidade operacional também era um diferencial: o Magister exigia um número mínimo de procedimentos antes da decolagem, facilitando o aprendizado e a operação pelos cadetes.

O projeto do Magister priorizava a funcionalidade e o conforto. A cabine, climatizada e espaçosa, era equipada com aviônicos avançados para a época, incluindo sistemas de rádio de alta frequência (VHF), bússola de rádio e outros equipamentos compatíveis com os padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Comandos, alavancas, interruptores e mostradores foram dispostos de forma ergonômica, garantindo fácil visualização e acesso. Os pedais ajustáveis e com amplos limites de tolerância, aliados a uma cabine de fácil acesso, tornavam a aeronave prática para instrutores e alunos. Para compensar a visibilidade limitada no assento traseiro, geralmente ocupado pelo instrutor, um periscópio foi integrado ao projeto. Já o assento dianteiro, reservado ao aluno, oferecia excelente visibilidade externa, aprimorando a consciência situacional durante o treinamento. A introdução do Fouga CM.170 Magister representou um avanço significativo na formação de pilotos da Força Aérea Francesa, consolidando a transição para a era dos jatos no treinamento militar. Sua combinação de segurança, simplicidade e desempenho não apenas atendeu às necessidades da Força Aérea Francesa (Armée de l’Air, AdA) , mas também garantiu seu sucesso em mercados internacionais, com exportações para diversas forças aéreas ao redor do mundo.  O desempenho excepcional do Fouga CM.170 Magister em serviço com a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) consolidou sua reputação como um treinador a jato de referência, atraindo a atenção de outras forças militares, incluindo a Força Aeronaval Francesa (Aéronavale). Reconhecendo o potencial da aeronave para operações embarcadas, a Aéronavale encomendou o desenvolvimento de uma versão navalizada, designada Fouga CM.175 Zéphyr. Essa variante incorporava modificações específicas, como um gancho de parada para operações em porta-aviões e um trem de pouso reforçado, adequado às exigências de pousos e decolagens em ambientes navais. Ao todo, 32 unidades do Zéphyr foram produzidas, com o primeiro protótipo apresentado ao público durante o Paris Air Show, em maio de 1957. A Aéronavale confirmou a aquisição de 30 células, consolidando o modelo como um ativo essencial para o treinamento de pilotos navais. Paralelamente, a Fouga Aviation continuou a aprimorar o projeto original, resultando no desenvolvimento do Fouga CM.170-2 Super Magister. Essa versão introduziu melhorias significativas, com destaque para a adoção dos motores turbojato Turbomeca Marboré VI, que ofereciam 1.058 libras de empuxo cada, conferindo maior potência e versatilidade operacional. O Super Magister foi projetado para operar em pistas não preparadas, graças ao trem de pouso reforçado, e expandiu seu papel além do treinamento básico e intermediário. Equipado com duas metralhadoras de 7,5 mm instaladas no nariz, cada uma com caixas de munição contendo 200 balas, e quatro pontos duros subalares capazes de carregar lançadores de foguetes não guiados ou até duas bombas de 110 libras, o Super Magister também podia atuar em missões de apoio aéreo aproximado e treinamento armado. Essa capacidade multifuncional destacou a aeronave como uma plataforma versátil, adaptável a diferentes cenários operacionais.
O Fouga CM.170 Magister foi pioneiro ao ser a primeira aeronave do mundo projetada especificamente como um treinador a jato, um marco que garantiu seu sucesso global. Sua combinação de simplicidade, confiabilidade e desempenho atraiu o interesse de diversas forças aéreas, resultando em contratos de fornecimento com países como Áustria, Bélgica, Líbano e Líbia. O sucesso internacional do Magister também levou à sua produção sob licença em nações como Alemanha, Finlândia e Israel, onde a aeronave foi fabricada localmente para atender às necessidades específicas de suas forças armadas. Essas versões licenciadas reforçaram a influência do projeto no cenário aeronáutico global, adaptando-se às particularidades de cada operador. A produção do Fouga CM.170 Magister e suas variantes, inicialmente conduzida pela Etablissements Fouga et Cie., foi posteriormente assumida por empresas como Potez Aéronautique e Sud Aviation, em meio às reorganizações da indústria aeronáutica francesa na década de 1960. Até o encerramento da produção, em 1969, aproximadamente 916 unidades haviam sido fabricadas, um testemunho do impacto duradouro do projeto. O Magister não apenas modernizou o treinamento de pilotos em diversas nações, mas também deixou um legado como uma das aeronaves mais emblemáticas de sua era, simbolizando a inovação técnica e a excelência da indústria aeronáutica francesa. Além de desempenhar o seu papel como aeronave de treinamento, o CM-170 Magister equipou diversas equipes militares de demonstração aérea, notoriamente a Patrouille de France, o esquadrão francês de demonstração aérea.  Além de tarefas de treinamento armado, o Fouga CM-170 Magister, se mostrou um eficiente vetor de ataque leve, como foi comprovado pela Força Aérea Israelense (Zroa HaAvir VeHahalal) durante a Guerra dos Seis Dias (1967). Armados com metralhadoras leves, foguetes de pequeno calibre e bombas, esses minúsculos jatos lograram destruir mais de cinquenta tanques em território egípcio, um feito que seus projetistas Pierre Mauboussin e Robert Castello jamais poderiam imaginar que seria alcançado por um produto saído de suas pranchetas de desenho. Estas aeronaves ainda veriam açao real também durante a Guerra Civil Salvadorenho, a Guerra do Saara Ocidental e a Crise do Congo. Muitas células desativadas pertencentes a Força Aérea Francesa (Armée de l'Air, AdA), seriam adquiridos por vários pilotos proprietários privados norte-americanos, sendo empregados na categoria experimental. Ao todo estas aeronaves operariam junto as forças armadas da Argélia, Áustria, Alemanha, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Camarões, El Salvador, Finlândia, França, Gabão, Guatemala, Irlanda, Líbano, Líbia, Marrocos, Senegal e Israel, com as aeronaves desta última nação sendo retirados de serviço somente em 2020.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), popularmente conhecido como “Esquadrilha da Fumaça”, constitui uma das mais tradicionais e respeitadas unidades de demonstração acrobática do mundo, desempenhando, ao longo de décadas, um papel fundamental na projeção institucional da Força Aérea Brasileira e na aproximação desta com a sociedade. As origens da Esquadrilha remontam à década de 1940, em um contexto de consolidação da aviação militar brasileira no pós-Segunda Guerra Mundial. Na então Escola de Aeronáutica (EAer), localizada na Base Aérea dos Afonsos, instrutores de voo passaram a realizar, de maneira espontânea e durante seus períodos de folga, exercícios de acrobacia em formação. Essas práticas tinham como objetivo não apenas o aprimoramento técnico, mas também o estímulo moral e motivacional dos cadetes, configurando o embrião do que viria a ser a futura esquadrilha. Gradualmente, essas iniciativas informais evoluíram para apresentações estruturadas. Utilizando inicialmente aeronaves de treinamento North American T-6 Texan, os pilotos executavam manobras clássicas de precisão, como loopings e tonneaux, inicialmente com duas aeronaves. Com o aperfeiçoamento das técnicas e a análise criteriosa das apresentações em solo, o número de aviões em formação foi ampliado para três e, posteriormente, quatro, evidenciando o crescente nível de coordenação e disciplina operacional do grupo. O marco inaugural das atividades oficiais ocorreu em 14 de maio de 1952, quando foi realizada a primeira demonstração para uma comitiva estrangeira. A partir desse momento, consolidou-se a vocação da unidade como instrumento de representação institucional. No ano seguinte, em 1953, buscando aprimorar a visibilidade das manobras, as aeronaves foram adaptadas com tanques de óleo para a geração de fumaça, recurso que não apenas ampliou o impacto visual das apresentações, mas também deu origem ao emblemático apelido “Esquadrilha da Fumaça”. Nesse período, destacou-se ainda a histórica inscrição da sigla “FAB” nos céus de Copacabana, episódio que reforçou o vínculo simbólico entre a Força Aérea Brasileira  e a população. Em 1955, diante da crescente demanda por exibições aéreas, a Esquadrilha adquiriu estrutura própria, passando a operar com um grupo dedicado de aeronaves T-6, dotadas de pinturas e distintivos exclusivos. Nesse contexto, consolidou-se sua função como vetor de comunicação social da Força Aérea Brasileira, ampliando significativamente sua presença em diferentes regiões do país e no exterior. O contínuo aperfeiçoamento técnico e a ampliação do repertório acrobático levaram, em 1963, ao reconhecimento formal da unidade como a “Unidade Oficial de Demonstrações Acrobáticas da Força Aérea Brasileira”. À época, destacava-se como a única no mundo a realizar exibições com aeronaves de configuração convencional, característica que manteve até 1969. Nesse mesmo ano, em consonância com as transformações estruturais do ensino aeronáutico no Brasil, a antiga Escola de Aeronáutica foi elevada à condição de Academia da Força Aérea (AFA) e transferida para o município de Pirassununga, no estado de São Paulo, onde passou a sediar definitivamente a Esquadrilha da Fumaça.

Desde meados da década de 1960, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) já identificava a iminente obsolescência dos treinadores North American T-6 Texan e AT-6, aeronaves que, apesar de sua comprovada robustez e confiabilidade, aproximavam-se do limite de sua vida útil operacional. Inserido em um contexto mais amplo de modernização das forças armadas, impulsionado pelos avanços tecnológicos da aviação no período pós-guerra, esse cenário tornou imperativa a busca por uma nova plataforma capaz de atender, com maior eficiência, às crescentes demandas do treinamento aéreo militar. Com esse propósito, a Força Aérea Brasileira (FAB) promoveu uma concorrência internacional, avaliando diferentes propostas de aeronaves de treinamento avançado. Dentre as opções analisadas, destacou-se o Cessna T-37C, que demonstrou superioridade ao atender à maior parte dos requisitos técnicos estabelecidos pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer). Além de suas qualidades operacionais, a proposta apresentada pela Cessna Aircraft Company incluía condições comerciais particularmente favoráveis, fator que contribuiu decisivamente para sua escolha como o novo treinador avançado. A incorporação dessas aeronaves teve início em 1967, representando um marco significativo no processo de modernização do ensino aeronáutico no Brasil. Paralelamente, a renovação dos meios aéreos da Esquadrão de Demonstração Aérea também passou a ser considerada, uma vez que a unidade ainda operava os veteranos T-6D Texan. Inicialmente, cogitou-se a adoção do próprio T-37C, sobretudo pelo fato de que, nos Estados Unidos, esse modelo já era empregado em apresentações acrobáticas. Contudo, análises operacionais mais aprofundadas evidenciaram que o T-37C não atendia plenamente às exigências específicas de desempenho e manobrabilidade requeridas pela Esquadrilha da Fumaça, o que inviabilizou sua utilização nesse contexto. Ainda assim, manteve-se o objetivo de dotar a unidade com aeronaves a jato, alinhando-a às tendências internacionais das equipes de demonstração aérea. Essa oportunidade concretizou-se com a desativação dos jatos executivos Morane-Saulnier MS-760 Paris, que foram posteriormente negociados com o governo da França. Parte dos recursos obtidos nessa transação foi destinada à aquisição de um lote de Aérospatiale CM-170-2 Super Magister. O Super Magister, já consagrado no cenário internacional e amplamente empregado por diversas equipes acrobáticas, destacava-se por suas excelentes qualidades de voo, notadamente sua pilotagem dócil e elevada manobrabilidade  características essenciais para demonstrações de precisão. Ademais, apresentava relativa simplicidade de manutenção, favorecida pela semelhança de diversos sistemas com os do MS-760 Paris, recentemente retirado de serviço. Essa compatibilidade técnica contribuiu significativamente para uma transição mais eficiente, consolidando o Super Magister como uma escolha estratégica tanto para a Força Aérea Brasileira (FAB) quanto para a evolução operacional da Esquadrilha da Fumaça.
Em setembro de 1968, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer)  formalizou a aquisição do Aérospatiale CM-170-2 Super Magister, ao assinar o contrato que representaria um passo decisivo no processo de modernização dos meios de demonstração aérea da Força Aérea Brasileira (FAB). Tal iniciativa inseria-se em um contexto mais amplo de atualização tecnológica e doutrinária, alinhando o Brasil às práticas adotadas por outras forças aéreas que já empregavam aeronaves a jato em exibições acrobáticas. Ainda em 1968, com o objetivo de assegurar uma transição eficiente para o novo vetor, três oficiais aviadores brasileiros foram enviados à cidade de Salon-de-Provence, tradicional centro de formação da aviação militar francesa. Sob a supervisão do 312 Groupement d’Instruction, esses pilotos realizaram um curso de adaptação operacional em conjunto com integrantes da Patrouille de France, que à época também operava o CM-170-2 Magister. A conclusão bem-sucedida desse treinamento assegurou o domínio inicial da nova aeronave e estabeleceu bases sólidas para sua futura operação no Brasil. As sete aeronaves encomendadas foram entregues em duas etapas ao longo de 1969: cinco unidades chegaram por via marítima no primeiro trimestre, enquanto as duas restantes foram recebidas ao final daquele ano. As aeronaves iniciais, destacadas por um vistoso esquema de pintura nas cores verde, amarelo, azul e branco  concebido pelo publicitário uruguaio Eddie Moyna , foram montadas no Campo dos Afonsos, com o apoio técnico do fabricante e do Parque de Aeronáutica dos Afonsos. Esse processo marcou a efetiva incorporação das aeronaves ao ambiente operacional brasileiro. O primeiro voo do Super Magister em território nacional ocorreu em 21 de março de 1969, constituindo um marco relevante na história da aviação militar brasileira. Pouco tempo depois, em 18 de abril, a Esquadrão de Demonstração Aérea realizou sua primeira apresentação pública com os novos jatos, evidenciando suas qualidades de desempenho e contribuindo para reforçar o prestígio institucional da Força Aérea Brasileira (FAB) perante a sociedade. Em 23 de abril do mesmo ano, as aeronaves foram oficialmente incorporadas como bens do Ministério da Aeronáutica, sendo administrativamente vinculadas ao Quartel-General da 3ª Zona Aérea, embora disponibilizadas para emprego exclusivo da Esquadrilha da Fumaça em suas atividades. Designado pela Força Aérea Brasileira (FAB) como T-24 e amplamente conhecido pelo apelido “Fouga”, o CM-170-2 Super Magister destacou-se por suas excelentes características de voo, especialmente no que se refere à manobrabilidade e à facilidade de pilotagem  atributos particularmente valorizados em demonstrações acrobáticas de precisão. Contudo, sua operação também evidenciou limitações relevantes, notadamente sua autonomia restrita, estimada em cerca de oitenta minutos em perfil típico de demonstração aérea, o que impunha condicionantes significativas ao planejamento e à execução das missões.

A incorporação do Aérospatiale CM-170-2 Super Magister, designado T-24 pela Força Aérea Brasileira (FAB), representou um avanço significativo na evolução operacional da Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), ao introduzir o emprego de aeronaves a jato em suas apresentações. Todavia, essa modernização também evidenciou limitações estruturais e operacionais que impactaram diretamente o alcance e a flexibilidade de suas atividades. Por se tratar de uma aeronave a jato, o T-24 demandava a utilização de pistas pavimentadas, requisito que, no contexto brasileiro da década de 1960, restringia consideravelmente sua operação fora dos grandes centros urbanos, onde tal infraestrutura ainda era limitada. Essa condição, associada à sua autonomia de voo relativamente reduzida  cerca de 80 minutos em perfil típico de demonstração , impôs severas restrições ao planejamento logístico e à frequência das apresentações. Como consequência, regiões tradicionalmente atendidas desde o início das atividades da esquadrilha, em 1952, quando operava o North American T-6 Texan, tornaram-se progressivamente menos acessíveis, especialmente no interior das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Outro aspecto crítico residia na ausência de assentos ejetáveis nas aeronaves adquiridas  um recurso disponibilizado pelo fabricante, mas que não foi incorporado à configuração adotada pela Força Aérea Brasileira (FAB). Tal limitação assumia maior gravidade diante das características do próprio projeto do Super Magister, notadamente sua empenagem em “V”, que dificultava o abandono seguro da aeronave por meios convencionais, elevando substancialmente os riscos em situações de emergência. Ainda assim, a elevada confiabilidade do equipamento, aliada ao elevado nível de preparo técnico e à disciplina operacional dos pilotos, contribuiu para mitigar tais vulnerabilidades, permitindo a continuidade das operações sem registros de incidentes relevantes. Apesar dessas restrições, o T-24 destacou-se por suas qualidades em voo, sobretudo no que se refere à manobrabilidade e ao desempenho, características que proporcionaram à Esquadrilha da Fumaça a execução de apresentações mais dinâmicas e visualmente impactantes. Ao todo, o CM-170-2 participou de 46 demonstrações aéreas, concentradas majoritariamente na região Sudeste. Essas exibições, com duração média entre 30 e 45 minutos, evidenciavam um repertório acrobático refinado, que incluía manobras como loopings, parafusos, o “break” (separação rápida da formação), o “desfolhado”, tonneau reverso, além de formações simbólicas como o “coração” e a “bomba”. Ademais, essas apresentações ficaram marcadas por elementos sensoriais distintivos, como o característico som sibilante dos motores a jato e, sobretudo, pela introdução do uso de fumaça colorida  nas cores verde, amarelo, azul e branco , recurso empregado pela primeira vez pela Esquadrilha da Fumaça. Tal inovação contribuiu significativamente para ampliar o impacto visual das demonstrações, conferindo-lhes maior apelo junto ao público e consolidando uma identidade estética que se tornaria, posteriormente, uma das marcas registradas da unidade.
A introdução do Aérospatiale CM-170-2 Super Magister, representou um momento de inflexão na trajetória da Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA). Ao incorporar uma aeronave a jato em suas apresentações, a unidade passou a refletir, de forma mais evidente, os avanços tecnológicos da aviação militar no contexto da segunda metade do século XX. Em comparação com seus antecessores, como o North American T-6 Texan e o AT-6, o T-24 destacava-se por sua maior velocidade, desempenho e capacidade de executar manobras com maior fluidez e dinamismo, atributos que conferiam às demonstrações um caráter mais moderno e visualmente impactante. Durante as exibições aéreas, o Super Magister impressionava o público não apenas por sua agilidade, mas também pelo refinamento estético de suas apresentações, consolidando-se como um símbolo de modernidade e sofisticação tecnológica nos céus brasileiros. Contudo, a despeito dessas qualidades, sua operação revelou desafios significativos que comprometeram sua viabilidade a longo prazo. Os elevados custos de manutenção e operação, aliados a limitações técnicas e logísticas já evidenciadas, contrastavam com a reconhecida robustez, versatilidade e economia dos veteranos T-6 e AT-6 Texan, que, mesmo após anos de serviço, continuaram a desempenhar papel central nas atividades da esquadrilha entre 1969 e 1973. Nesse contexto, tornou-se progressivamente evidente que a permanência do T-24 não se sustentaria sob os parâmetros operacionais e orçamentários da época. A decisão de sua desativação refletiu uma avaliação criteriosa por parte da Força Aérea Brasileira (FAB) , orientada pela busca de maior eficiência e melhor adequação às condições de infraestrutura disponíveis no Brasil da década de 1970. Assim, em 1974, a optou-se  pela retirada definitiva do modelo do serviço ativo, encerrando um capítulo relevante, embora marcado por limitações, na história da Esquadrilha da Fumaça. Como parte desse processo, cinco das sete células originais foram negociadas junto à Société Nationale Industrielle Aérospatiale, fabricante da aeronave, sendo posteriormente destinadas à Força Aérea do Senegal (Armée de l’Air du Sénégal). A desativação e preparação para transporte foram conduzidas pelo Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos, no Rio de Janeiro, cujas equipes técnicas realizaram a desmontagem das aeronaves com elevado rigor operacional. As células foram então transportadas a bordo de um Canadair CL-44 da  Força Aérea Franesa (Armée de l’Air), que as conduziu ao seu novo destino no continente africano. Não obstante, uma das aeronaves  o T-24 FAB 1720 foi preservada como testemunho material desse período de transição. Em 1975, a célula foi incorporada ao acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL), onde permanece exposta como símbolo tanto da evolução tecnológica quanto dos desafios enfrentados pela aviação militar brasileira ao longo de seu processo de modernização. A desativação do T-24, portanto, não deve ser compreendida apenas como o encerramento de um ciclo operacional, mas como expressão de uma diretriz institucional mais ampla, pautada no equilíbrio entre inovação tecnológica e viabilidade prática. 

Em Escala.
Para recriar com precisão o Aérospatiale CM-170-2 Super Magister T-24, registrado como “FAB 1724”, foi utilizado o kit em resina na escala 1/48 produzido pela GIIC Models, que, por muitos anos, representou a única opção disponível nessa escala para entusiastas e modelistas. Apesar de sua importância histórica, esse kit foi superado em qualidade e detalhes pelo lançamento do notável modelo fabricado pela Kinetic em 2013, que trouxe novos padrões de fidelidade e acabamento. Para garantir a autenticidade da representação do T-24, optou-se pela aplicação de decais do conjunto 48/10, produzido pela renomada FCM Decais, cuja qualidade assegurou um resultado visual fiel à aeronave original da Força Aérea Brasileira (FAB).
O esquema de cores (FS) do T-24 foi concebido pelo publicitário uruguaio Eddie Moyona, incorporando as tonalidades da bandeira nacional brasileira. Essa escolha estética reforçava o simbolismo patriótico durante as apresentações da Esquadrilha da Fumaça, destacando a aeronave como um ícone visual até sua desativação em 1974. Para a reprodução fiel do padrão de pintura, foram empregadas tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors, reconhecida por sua qualidade e precisão cromática.
Bibliografia:
- Esquadrilha da Fumaça – Força Aérea Brasileira https://www2.fab.mil.br/eda/index.php/historico
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 – Jackson Flores 
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

Mercedes-Benz Sprinter (VTNE- VTE)

História e Desenvolvimento.
Há mais de um século, no alvorecer da era do automóvel, os engenheiros alemães Gottlieb Daimler e Carl Benz desenvolveram, de forma praticamente simultânea, os primeiros veículos motorizados funcionais da história. Embora atuassem de maneira independente, ambos contribuíram decisivamente para a consolidação do automóvel como meio de transporte viável. O pioneirismo desses inventores não se limitou aos carros de passeio: suas iniciativas resultaram também na construção dos primeiros ônibus motorizados, dos primeiros caminhões com motor a gasolina e, posteriormente, dos primeiros caminhões movidos a diesel, estabelecendo as bases da moderna indústria automotiva e de transporte. Em abril de 1900, surgia um novo motor que receberia a designação “Daimler-Mercedes”. Simples, eficiente e relativamente acessível, esse grupo propulsor permitiu a produção em série dos primeiros automóveis comerciais, ampliando o alcance da mobilidade motorizada para além dos círculos experimentais e aristocráticos. O nome “Mercedes”, inicialmente associado a um modelo específico da Daimler-Motoren-Gesellschaft (DMG), rapidamente se tornaria sinônimo de inovação técnica e desempenho. Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha enfrentou severas dificuldades econômicas. Nesse contexto adverso, a necessidade de racionalização industrial levou, em 1926, à fusão entre a Benz & Cie. e a Daimler-Motoren-Gesellschaft, dando origem à Daimler-Benz AG. A partir de então, os veículos passaram a ostentar oficialmente a marca “Mercedes-Benz”, combinando a reputação comercial da Mercedes com o prestígio técnico do nome Benz. O emblema da estrela de três pontas  simbolizando a mobilidade em terra, mar e ar  consolidou-se como um dos logotipos mais reconhecidos da indústria mundial. Durante a década de 1930, a Mercedes-Benz destacou-se de forma expressiva no automobilismo internacional. Seus carros de competição, conhecidos como Silberpfeile (Flechas de Prata), tornaram-se ícones de desempenho e engenharia avançada. Modelos como o W25 e o W125 dominaram os Grandes Prêmios europeus, projetando a imagem da marca como referência em tecnologia e velocidade. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), a produção de automóveis civis foi gradualmente interrompida, e a empresa direcionou seus esforços à fabricação de veículos militares, caminhões logísticos e motores aeronáuticos. As instalações industriais sofreram danos significativos em decorrência dos bombardeios aliados, mas, no período pós-guerra, a empresa empreendeu um vigoroso processo de reconstrução e retomada produtiva, reafirmando sua tradição industrial. Foi nesse contexto de recuperação que surgiram novos utilitários leves e caminhões, entre eles o Mercedes-Benz L-319, lançado na década de 1950 e amplamente bem-sucedido no mercado europeu. O modelo apresentava cabine avançada (conceito “cab-over-engine”), solução técnica que maximizava o espaço de carga sem aumentar o comprimento total do veículo ou a distância entre eixos característica particularmente vantajosa para operações urbanas e comerciais.

Paralelamente, a Mercedes-Benz retomou a produção de automóveis de passeio, mantendo o foco em qualidade construtiva, durabilidade e inovação. O Mercedes-Benz 300 SL “Gullwing”, lançado em 1954, tornou-se um marco desse período. Suas portas em formato de “asa de gaivota” e seu desempenho excepcional consolidaram-no como um dos maiores ícones da engenharia automotiva do século XX. Ao mesmo tempo, a empresa passou a vislumbrar uma estratégia de expansão internacional. A reconstrução europeia e o crescimento econômico em outras regiões estimularam a busca por novos mercados. A América do Sul, e em especial o Brasil, foi identificada como área prioritária dentro desse planejamento. O país vivia um período de industrialização acelerada, com políticas governamentais voltadas à substituição de importações e ao fortalecimento do parque fabril nacional. Em 1951, a matriz alemã firmou um acordo com o governo brasileiro para a fabricação local de caminhões e ônibus equipados com motores diesel. Dois anos depois, em outubro de 1953, foi oficialmente fundada a Mercedes-Benz do Brasil S.A., com 25% de capital alemão, iniciando-se imediatamente a construção da fábrica em São Bernardo do Campo (SP), às margens da Via Anchieta. Essa iniciativa marcou não apenas a consolidação da presença da marca no país, mas também um passo decisivo no desenvolvimento da indústria automobilística brasileira, integrando o Brasil à estratégia global da Mercedes-Benz e inaugurando uma nova fase na história do transporte rodoviário nacional. Na década de 1960 e no início dos anos 1970, a Mercedes-Benz já desfrutava de sólida reputação no segmento de veículos comerciais pesados, notadamente caminhões e ônibus, cuja robustez e durabilidade consolidaram a marca como referência internacional. Contudo, sua participação no mercado de utilitários leves  especialmente no segmento de vans  ainda se mostrava relativamente discreta. Modelos como a L319 (1955–1968), de porte médio e concepção avançada para sua época, bem como a chamada Harburger Transporter (derivada das séries L206/L306, lançadas em 1967), atendiam a determinadas demandas comerciais, mas começavam a revelar limitações técnicas frente a concorrentes cada vez mais modernos e competitivos, como a Volkswagen Transporter e utilitários desenvolvidos por fabricantes como Fiat e Ford. O contexto econômico europeu do pós-guerra exerceu influência decisiva nesse cenário. O acelerado crescimento industrial, a expansão dos centros urbanos e o fortalecimento do setor de serviços impulsionaram significativamente a demanda por veículos comerciais leves. Empresas de logística, pequenos comerciantes e prestadores de serviços passaram a necessitar de utilitários ágeis, econômicos e adaptáveis, capazes de operar com eficiência em áreas urbanas densas e, ao mesmo tempo, oferecer versatilidade para múltiplas aplicações  do transporte de carga às conversões para passageiros ou usos especializados. Diante dessa realidade, a Mercedes-Benz identificou a oportunidade estratégica de desenvolver um novo modelo que combinasse a tradicional robustez estrutural de seus caminhões com dimensões mais compactas e adequadas ao tráfego urbano. O objetivo era claro: criar uma van moderna, competitiva e tecnicamente superior, capaz de disputar mercado diretamente com a Volkswagen Transporter e de atender a um amplo espectro de aplicações comerciais.
No início da década de 1970, teve início o desenvolvimento de um novo projeto, internamente designado T1. A fábrica de Bremen, na Alemanha, assumiu papel central no programa, tornando-se o principal polo produtivo do modelo, com apoio de outras unidades industriais, como Düsseldorf. O projeto foi concebido sob a premissa de oferecer um transporte comercial leve que preservasse os atributos essenciais da marca  durabilidade, confiabilidade mecânica e qualidade construtiva  aliados a eficiência operacional e versatilidade. Em abril de 1977, a Mercedes-Benz apresentou oficialmente ao mercado a TN (Transportador Novo), marcando sua entrada definitiva no segmento das vans modernas. Comercialmente identificada como T1 e popularmente conhecida como Bremer Transporter  em alusão à sua produção em Bremen , a nova linha destacou-se por sua concepção racional e funcional. O desenho da TN privilegiava linhas retas e carroceria de formato praticamente quadrangular, solução que maximizava o aproveitamento do espaço interno. As amplas portas traseiras de abertura integral e as portas laterais deslizantes facilitavam as operações de carga e descarga, característica essencial para o uso comercial intenso. A gama contemplava múltiplas configurações, incluindo furgão fechado, van de passageiros, chassi-cabina para implementações específicas e versões destinadas a micro-ônibus. A versatilidade era ampliada pela oferta de diferentes distâncias entre eixos (3.050 mm, 3.350 mm e 3.700 mm), opções de teto baixo, médio e alto, além de variadas capacidades de Peso Bruto Total (PBT), inicialmente entre 2,55 e 3,5 toneladas com evoluções posteriores alcançando até 4,6 toneladas. Com a TN/T1, a Mercedes-Benz não apenas atualizou sua presença no segmento de utilitários leves, mas reafirmou sua capacidade de adaptação às transformações do mercado europeu, combinando tradição industrial com inovação técnica em um período de intensas mudanças econômicas e logísticas. No que se refere ao conjunto mecânico, a Mercedes-Benz TN refletia o compromisso da marca com robustez e confiabilidade, atributos já consagrados em sua linha de veículos comerciais. Inicialmente, o modelo era equipado com motores considerados sólidos e adequados às exigências do período. Entre as opções a diesel destacava-se o consagrado OM616, de 2,4 litros e quatro cilindros, com potência variando entre 65 e 72 cv, amplamente reconhecido por sua durabilidade e baixo custo operacional. Para mercados específicos, oferecia-se também o motor a gasolina M115, de 2,3 litros, com 85 cv. A transmissão manual podia ser de quatro ou cinco marchas, sempre associada à tração traseira — configuração tradicional que favorecia a distribuição de carga e a resistência estrutural. Em fases posteriores de sua evolução, versões com tração integral (4x4) passaram a ser disponibilizadas, ampliando o leque de aplicações em terrenos adversos. Sob o aspecto dinâmico, a TN apresentava soluções técnicas compatíveis com os padrões de segurança e dirigibilidade da década de 1970. Contava com freios a disco na dianteira, suspensão independente no eixo frontal e eixo traseiro rígido com molas parabólicas, combinação que proporcionava estabilidade, resistência e adequada capacidade de carga. Embora recursos como airbags e sistemas antibloqueio de freios (ABS) ainda não integrassem a realidade do segmento naquele período, a estrutura reforçada da carroceria oferecia nível de segurança passiva considerado avançado para a época.

A TN foi concebida para atender a múltiplas demandas operacionais: Furgão, voltado ao transporte urbano de mercadorias e serviços de entrega; Van de passageiros, com configurações entre 8 e 12 assentos, amplamente empregada em transporte escolar, executivo e de trabalhadores; Chassi-cabina, destinado a conversões especializadas, como ambulâncias, veículos de bombeiros e motorhomes; Micro-ônibus, utilizado em serviços de transporte público local e turismo regional. A produção concentrou-se principalmente nas plantas de Bremen e Düsseldorf, na Alemanha. Contudo, visando atender mercados regionais e contornar barreiras tarifárias, a TN também foi montada no sistema CKD (Completely Knocked Down) em outros países, como Espanha e Argentina, ampliando sua presença internacional. No mercado europeu, enfrentou concorrentes consolidados, como a Volkswagen Transporter (T2 e T3), a Ford Transit e, mais adiante, a Fiat Ducato. Embora apresentasse preço superior ao de alguns rivais, sua qualidade construtiva, confiabilidade mecânica e elevada durabilidade tornaram-na particularmente valorizada por operadores de frota e aplicações especiais  notadamente ambulâncias, veículos policiais e conversões técnicas de maior exigência. Apesar de ter introduzido avanços importantes no segmento, a rápida evolução tecnológica da concorrência, especialmente no início da década de 1980, evidenciou a necessidade de atualizações. Fabricantes como Renault e Volkswagen lançaram modelos mais modernos, com soluções técnicas e conceituais que elevaram o padrão do mercado. O segmento de utilitários leves urbanos encontrava-se em franca expansão na Europa, liderado em grande medida por veículos de origem francesa, representando uma oportunidade estratégica que a Mercedes-Benz não poderia ignorar. Em resposta a esse cenário, a engenharia da empresa promoveu sucessivas melhorias na família TN. Em 1981, foi introduzido o motor diesel de cinco cilindros OM617, com 88 cv, acompanhado de aperfeiçoamentos na suspensão. Posteriormente, em 1988, adotou-se o novo motor diesel OM602, de 2,9 litros e 98 cv, mais eficiente e moderno, além da ampliação das versões com tração integral para mercados específicos. Em 1990, a linha passou por atualização estética, recebendo novos faróis, grade frontal redesenhada e interior com ergonomia aprimorada. Também foram introduzidas versões com maior capacidade de carga, alcançando Peso Bruto Total (PBT) de até 4,6 ton. Ainda que essas melhorias tenham prolongado sua competitividade, tornava-se evidente que a TN se aproximava do limite de sua evolução estrutural. O avanço tecnológico do segmento indicava a necessidade de um projeto completamente novo. Assim, no início da década de 1990, a Mercedes-Benz deu início aos estudos que culminariam no desenvolvimento de uma sucessora capaz de reposicionar a marca de forma mais assertiva no dinâmico mercado europeu de utilitários leves. Em 1995 a montadora apresentaria ao mercado sua nova linha a Sprinter MB 180 D e 310 D, uma “Van Full-size”, monovolume para transporte de carga e passageiros, criando o segmento de Large Vans (PBT de 3,5 a 5 toneladas). Foi a primeira van da marca com um nome próprio, destacando-se por segurança (freios a disco com ABS), versatilidade e motores diesel eficientes.  Apresentava  um motor a diesel de quatro cilindros em linha MB OM 601 de 2.148 cc com potência de 74 cv á 4.400 rpm, câmbio manual MB 313 02/11 de cinco marchas sincronizadas a frente e uma a ré. Seu peso líquido era na ordem de 1954 kg e bruto de 3.500 kg, e ainda dimensões de 4,97 metros de comprimento na versão SWB a 6,68 metros na versão LWB, com uma largura de 1,88 metros, em termos de altura, as dimensões variavam por versão, sendo de 2,36 metros na versão 2500 High Ceiling SWB á 2,59 metros na versão 2500 Super High Ceiling SWB. A distância entre eixos, apresentava-se na versão SWB 2,99 metros, na MWB 3,55 mm e por fim 4,01 metros no LWB. 
Posteriormente a montadora lançaria na mesma plataforma, uma versão de camionete, com o cliente podendo optar por qualquer tipo de carroceira para instalação posterior, seja aberta, fechada ou frigorificada. Neste mesmo momento o mercado brasileiro de utilitário leves, até então dominado pelas já obsoletas Volkswagen Kombi, passava ser invadido por novos competidores de origem asiática, representado pelos modelos Kia Besta e Asia Topic, com seu desempenho e capacidade de transporte se mostrando muito superiores ao líder de mercado. Rapidamente estes novos veículos passariam a compor a paisagem das grandes cidades brasileiras, sendo empregas em tarefas de transporte de passageiros (lotação), carga e ambulância. Atentos a esta tendência de mercado, a diretoria comercial decidiu-se oferecer ao mercado uma nova alternativa. A escolha em 1993 recairia sobre o modelo Sprinter MB-180D com peso bruto total de 3.500 kg, sendo este veículo importado da Espanha. Assim como as concorrentes asiáticas, esta van tinha a vantagem, perante a VW Kombi, de ser a diesel e, perante as demais, de ser de uma montadora gabaritada no cenário internacional.   Embora o custo de aquisição do modelo fosse superior, a linha MB Sprinter conquistou notável prestígio no mercado brasileiro, permanecendo em produção até 1997. Este modelo, que continua sendo comercializado até os dias atuais, alcançou a marca de mais de 130.000 unidades vendidas no Brasil. No âmbito militar, a família Sprinter destacou-se em diversas aplicações, como ambulância e transporte de passageiros, incluindo pilotos em bases aéreas. Inicialmente, foi adotada pelas forças armadas de países como Alemanha, Espanha, Portugal e Suécia. Além do modelo básico, novas funções militares foram incorporadas, incluindo configurações como Oficina, Viatura de Comando e Controle, Guerra Eletrônica, Comunicações e Medidas de Apoio de Guerra Eletrônica, com a adição de tração integral 4x4. Atualmente, a Sprinter é utilizada por mais de trinta forças militares em todo o mundo. Com mais de duas décadas de produção, a família de utilitários leves urbanos MB Sprinter acumula impressionantes 2,8 milhões de unidades vendidas em mais de 130 países, consolidando-se como um dos líderes em seu segmento. No Brasil, onde o mercado é altamente disputado, a Sprinter mantém sua relevância e deve continuar em produção pelas próximas décadas. Em 2012, a montadora renovou seu portfólio no Brasil, trazendo a segunda geração da Sprinter, lançada na Europa em 2006. Esta familia, produzida no Centro Industrial J. Manuel Fangio, incorporou o motor OM651, mais eficiente e potente, também fabricado localmente. A nova Sprinter trouxe avanços significativos em segurança, como o ESP adaptativo, freios ABS, airbag para o motorista e, em algumas versões, controle de tração (ASR). Em 2016, a Mercedes-Benz lançou uma nova linha Sprinter no Brasil, introduzindo inovações como o sistema multimídia MBUX com tela sensível ao toque, assistente ativo de frenagem (ABA), assistente de fadiga e assistente de partida em rampa. Em 2019, a Sprinter alcançou 48% de participação no mercado brasileiro, com 5.860 unidades emplacadas, um crescimento de 37% em relação a 2018. Até 2022, mais de 180.000 unidades haviam sido vendidas no Brasil, e, em 2025, a Mercedes-Benz celebrou a produção global de 5 milhões de Sprinters, com uma unidade elétrica (eSprinter). No Brasil, mais de 200.000 unidades foram comercializadas até 2025, reforçando sua relevância

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
A história da motomecanização militar no Brasil insere-se no amplo processo de modernização institucional vivenciado pelas Forças Armadas nas primeiras décadas do século XX. Até então, a estrutura logística do Exército era fundamentalmente hipomóvel, baseada na tração animal, o que limitava a rapidez dos deslocamentos e a eficiência do apoio às tropas. Nesse contexto de transformação tecnológica e doutrinária, o ano de 1919 constitui um marco inaugural: o Exército Brasileiro enviou à França uma Comissão Militar com a finalidade de visitar a fábrica da Renault, em Paris, visando à aquisição de ambulâncias destinadas ao serviço de saúde militar. Os desdobramentos dessa iniciativa concretizaram-se em 1921, com a incorporação dos primeiros veículos de socorro e remoção médica. Esses automóveis não apenas aprimoraram o atendimento aos feridos, mas também simbolizaram o início da substituição gradual da força terrestre hipomóvel por uma estrutura motomecanizada. Tratava-se de uma mudança que transcendia o aspecto técnico, pois implicava a introdução de novos conceitos de mobilidade, logística e organização operacional. A Revolução de 1924 representou a primeira utilização expressiva de veículos automotores em operações militares no território nacional. Na frente de combate no Paraná, sob o comando do General Cândido Mariano da Silva Rondon, veículos civis e militares foram empregados em funções variadas, incluindo o transporte de feridos em ambulâncias e o deslocamento de tropas em caminhões leves. Apesar dessa inovação, a infraestrutura logística ainda permanecia fortemente dependente de carroças tracionadas por cavalos, responsáveis pelo transporte de suprimentos e combustíveis. A convivência entre meios tradicionais e mecanizados caracterizou essa fase de transição. A experiência adquirida nesse conflito reforçou, no âmbito governamental, a percepção da importância estratégica da motorização. Nos anos seguintes, ampliou-se a aquisição de viaturas, com destaque para as ambulâncias baseadas no modelo Ford TT, reconhecido por sua robustez e adaptabilidade às condições adversas do território brasileiro. Esse movimento consolidou a presença do automóvel como elemento permanente na estrutura militar. Nas décadas subsequentes, o processo de modernização prosseguiu de forma contínua. O Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e, posteriormente, a recém-criada Força Aérea Brasileira incorporaram ambulâncias e utilitários leves cada vez mais sofisticados. Um salto tecnológico decisivo ocorreu em 1942, com a adesão do Brasil ao programa norte-americano Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), no contexto da Segunda Guerra Mundial. Por meio desse acordo, o país recebeu expressivo volume de equipamentos militares, entre os quais 149 ambulâncias Dodge WC-54, notáveis por sua durabilidade, capacidade de carga e desempenho em operações de campanha.

Ao término do conflito, as Forças Armadas Brasileiras encontravam-se majoritariamente equipadas com veículos de origem norte-americana, especialmente os modelos Dodge das séries WC-51, WC-52, WC-53 e WC-54, que constituíram a espinha dorsal das operações logísticas e de saúde militar no período imediato do pós-guerra. Essa predominância começaria a se alterar apenas a partir da década de 1960, com a instalação de filiais de montadoras internacionais no Brasil, inaugurando uma nova fase marcada pela nacionalização progressiva da produção automotiva e pelo fortalecimento da indústria bélica e de defesa no país. No contexto do processo de nacionalização da indústria automobilística brasileira, consolidado a partir da segunda metade do século XX, a incorporação da Volkswagen Kombi 1300, em sua versão ambulância, representou um marco significativo para a motomecanização das Forças Armadas. A partir de 1961, as primeiras unidades passaram a ser entregues ao Exército Brasileiro, tornando-se o primeiro utilitário de fabricação nacional a integrar oficialmente sua frota. A adoção da Kombi refletia não apenas a expansão da indústria automotiva instalada no país, mas também uma política de racionalização de custos e de fortalecimento da autonomia logística nacional. Sua concepção simples, aliada ao baixo custo de aquisição e manutenção, à mecânica descomplicada e à facilidade de operação, garantiu ampla aceitação no meio militar. Distribuída por hospitais militares e organizações administrativas de saúde em diversas regiões do território brasileiro, a Kombi 1300 consolidou-se como um veículo funcional, acessível e adaptado às rotinas urbanas e administrativas das instituições castrenses. Todavia, suas limitações estruturais tornavam-se evidentes em operações realizadas em terrenos acidentados ou afastados dos grandes centros urbanos. A ausência de tração integral e a menor capacidade de transposição de obstáculos restringiam seu emprego em ambientes tipicamente operacionais. Em razão dessas necessidades, as Forças Armadas passaram a incorporar ambulâncias derivadas de veículos mais robustos e adequados a condições fora de estrada, com ou sem tração 4x4. Durante as décadas de 1970 e 1980, modelos como a Ford Willys-Overland Rural F-75 e F-85, a Chevrolet Veraneio C-1416 e C-1410 e a Toyota Bandeirante foram progressivamente integrados às frotas do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira. Adquiridos em larga escala, esses veículos destacaram-se não apenas nas funções de socorro e remoção médica, mas também como utilitários de transporte de pessoal e apoio logístico. Sua robustez mecânica e capacidade de adaptação aos mais variados teatros operacionais  da Amazônia às regiões de fronteira e áreas litorâneas  ampliaram significativamente a mobilidade e a eficiência do apoio sanitário militar. Paralelamente, versões desses mesmos modelos foram amplamente empregadas por polícias militares estaduais e corpos de bombeiros, reforçando sua presença no âmbito da segurança pública e das operações de emergência. Assim, esses utilitários transcenderam o uso estritamente militar, tornando-se parte integrante da paisagem institucional brasileira ao longo de várias décadas.
A trajetória da motomecanização no Brasil, iniciada com as primeiras ambulâncias Renault no início do século XX e consolidada com a incorporação progressiva de veículos nacionais e importados, evidencia o esforço contínuo das Forças Armadas em adaptar-se às transformações tecnológicas e às exigências operacionais impostas pelo território e pelo cenário internacional. Cada etapa desse processo representou não apenas a aquisição de novos meios, mas a assimilação de novas doutrinas de mobilidade, logística e apoio à tropa. No início da década de 1990, durante o governo do presidente Fernando Collor de Mello, a abertura do mercado brasileiro às importações de veículos automotores inaugurou uma nova fase para o setor automotivo nacional. A liberalização comercial ampliou o acesso a tecnologias estrangeiras e estimulou montadoras internacionais a diversificarem seus portfólios no país. Nesse ambiente de reconfiguração econômica, a Mercedes-Benz do Brasil S/A decidiu introduzir no mercado nacional a linha de utilitários leves urbanos MB-180 Sprinter, mediante a importação de unidades produzidas por sua subsidiária na Espanha. Equipada com o motor diesel Mercedes-Benz OM-600, de quatro cilindros em linha, com 2.399 cm³ e potência de 75 cv a 4.400 rpm, a MB-180 Sprinter apresentava capacidade de carga de até 1.560 kg, destacando-se pela robustez estrutural, eficiência mecânica e versatilidade de aplicação. Sua chegada simbolizou não apenas a modernização do segmento de utilitários leves no Brasil, mas também a continuidade de um processo histórico no qual mobilidade, tecnologia e logística caminham lado a lado na construção de uma força militar cada vez mais ágil e adaptada às demandas contemporâneas. Entre as diversas configurações disponibilizadas no mercado brasileiro, a versão ambulância da MB-180 Sprinter destacou-se de maneira particular, inserindo-se em um momento de profunda transformação dos serviços públicos de saúde e emergência no país. Oferecida desde a configuração destinada à “simples remoção” de pacientes até variantes mais complexas, equipadas com desfibriladores, sistemas de oxigenoterapia e estrutura compatível com unidades de terapia intensiva (UTI), a Sprinter rapidamente conquistou espaço entre órgãos governamentais civis. Suas dimensões externas relativamente compactas, combinadas à boa capacidade de carga e à facilidade de manobra no ambiente urbano, mostraram-se especialmente adequadas às demandas das grandes cidades brasileiras. A agilidade no trânsito, aliada à confiabilidade mecânica do conjunto motriz diesel, constituía atributo essencial para o transporte sanitário, no qual tempo de resposta e segurança operacional são fatores determinantes. Não por acaso, ao longo dos anos, a Sprinter consolidou-se como o principal veículo empregado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), vinculado ao Ministério da Saúde, tornando-se presença constante no cotidiano urbano.

Para além do setor da saúde, o modelo também encontrou ampla aplicação em atividades de segurança pública. Em 1993, o Governo do Estado de São Paulo adquiriu pelo menos vinte unidades configuradas como bases comunitárias móveis para uso policial, além de trinta veículos destinados ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar, voltados a missões de resgate. Essa versatilidade evidenciava a adaptabilidade da plataforma, capaz de atender a diferentes perfis operacionais com relativa facilidade. No âmbito do socorro médico, o amplo espaço interno do furgão mono volume constituía um diferencial expressivo. A configuração permitia maior liberdade de movimentação para as equipes de saúde, melhor disposição de equipamentos e condições mais seguras e confortáveis para os pacientes, sobretudo em atendimentos de maior complexidade. Tais características reforçaram a percepção da Sprinter como um avanço significativo em relação aos utilitários anteriormente empregados. A introdução da MB-180 Sprinter no Brasil representou, assim, um marco na modernização do transporte especializado, especialmente nas áreas de saúde e segurança pública. A conjugação de tecnologia embarcada, racionalidade construtiva e adaptabilidade às condições nacionais consolidou sua reputação como veículo confiável e funcional, estabelecendo um legado duradouro em múltiplas aplicações institucionais. Aproveitando a sólida relação já estabelecida com o Exército Brasileiro  particularmente no fornecimento de caminhões militarizados , a Mercedes-Benz do Brasil S/A, em parceria com a empresa Marimar Veículos Ltda., passou a oferecer, a partir de 1994, uma versão ambulância da recém-lançada MB-180D Sprinter voltada às necessidades militares. O projeto foi concebido para atender às categorias de “simples remoção” e “atendimento básico”, em consonância com as diretrizes do serviço de saúde do Exército. Até então, o veículo predominantemente empregado nessas funções era o Chevrolet Veraneio. Embora robusto e funcional, o modelo apresentava limitações quanto ao espaço interno e à organização do compartimento médico, especialmente quando comparado à arquitetura mono volume da Sprinter. A superior capacidade de acomodação de equipamentos, a melhor ergonomia para a equipe de saúde e a possibilidade de padronização de adaptações técnicas revelaram-se fatores decisivos para a aquisição de um primeiro lote, cuja entrega ocorreu ainda no final de 1994. Em serviço, a Mercedes-Benz MB-180D Sprinter recebeu a designação oficial de Viatura de Transporte Especializado Ambulância (VTE Amb 4x2), passando a integrar as frotas dos Hospitais do Exército Brasileiro. Gradualmente, essas viaturas substituíram modelos mais antigos em operação, assumindo papel relevante no atendimento médico militar e reafirmando o contínuo processo de modernização da motomecanização sanitária. O êxito alcançado com a incorporação inicial da MB-180D Sprinter no Exército Brasileiro rapidamente despertou o interesse dos demais ramos das Forças Armadas. 
A Marinha do Brasil passou a adquirir unidades destinadas a seus Ambulatórios e Hospitais Navais, enquanto a Força Aérea Brasileira (FAB) igualmente incorporou o modelo à sua frota, substituindo viaturas menores e já defasadas, que não mais atendiam de forma satisfatória às crescentes exigências operacionais do atendimento médico militar. Na esteira dessa modernização, o Exército Brasileiro promoveu novas aquisições, agora contemplando ambulâncias configuradas como “UTI móvel”, dotadas de equipamentos mais avançados para suporte à vida em situações críticas. Esse movimento também foi acompanhado pela Força Aérea Brasileira, evidenciando um esforço conjunto de atualização tecnológica e padronização de meios no âmbito do atendimento pré-hospitalar militar. A ampliação dessas capacidades refletia a evolução doutrinária do serviço de saúde nas Forças Armadas, cada vez mais alinhado às melhores práticas do atendimento emergencial. Paralelamente às versões destinadas ao transporte médico, a família Sprinter demonstrou versatilidade suficiente para atender a outras demandas institucionais. Configurações voltadas ao transporte de passageiros passaram a ser incorporadas, com destaque para o modelo Mercedes-Benz 312D Sprinter 2000, empregado pelo Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Brasília no apoio ao Pelotão de Cães de Guerra. A iniciativa foi posteriormente seguida pelo Exército Brasileiro, que adotou o mesmo modelo em seus Batalhões de Polícia do Exército, particularmente nas Seções de Cães de Guerra – Canil, reforçando a mobilidade e a logística dessas unidades especializadas. A partir de 2012, inspirando-se na experiência, o Exército Brasileiro passou a incorporar, ainda que em número reduzido, veículos Mercedes-Benz 415 CDI Sprinter, modelos 2012/2013, adaptados como viaturas canil pela empresa Tako Capotaria Ltda. Essas viaturas foram destinadas às Seções de Cães de Guerra vinculadas às unidades da Polícia do Exército, ampliando a capacidade operacional no emprego de cães farejadores e de proteção, atividades cada vez mais relevantes no contexto da segurança institucional e do apoio a operações diversas. Os primeiros exemplares da linha Sprinter, adquiridos ao longo da década de 1990, foram gradualmente desativados até meados da primeira década do século XXI. Em seu lugar, passaram a ser incorporados novos veículos, com destaque para versões ambulância baseadas não apenas na plataforma Mercedes-Benz, mas também em modelos de outras montadoras, como Renault e Iveco. Essa diversificação marcou o fim da predominância exclusiva da Mercedes-Benz no fornecimento de ambulâncias às, refletindo um ambiente de maior competitividade e pluralidade tecnológica. Os novos meios foram distribuídos aos hospitais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, fortalecendo a estrutura de apoio médico. Destaca-se, ainda, a destinação de ambulâncias ao Batalhão da Guarda Presidencial do Exército Brasileiro, sediado em Brasília, Distrito Federal, unidade de elevada relevância estratégica e simbólica, cuja prontidão operacional exige suporte logístico e sanitário compatível com suas atribuições. No tocante às versões da família Sprinter destinadas ao transporte de passageiros, com capacidade para até 16 ocupantes, as aquisições mais recentes foram realizadas pela Marinha do Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o Mercedes-Benz MB-180D Sprinter VTE Ambulancia 4X2, do Exército Brasileiro, fizemos uso do modelo em die cast produzido pela Axio na escala 1/43 para a "Coleção Veículos de Serviço do Brasil" da Editora Altayia.  Como não há diferenças entre a versão civil e militar não há a necessidade proceder nenhuma customização. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books pertencentes ao set "Forças Armadas do Brasil 1983 á  2002 1/35”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura, empregado em todas as ambulâncias do Exército Brasileiro (mesmo padrão civil) utilizadas junto as unidades de saúde administrativas da organização. Já os veículos a serviço em outras tarefas fazem uso dos esquemas de pintura pertinentes a cada ramo das Forças Armadas Brasileiras.

Bibliografia :
- Primórdios da Motorização no Exército Brasileiro 1919-1940 - Expedito Carlos Stephani Bastos;
- Veículos de Serviço do Brasil – Mercedes-Benz MB-180D Sprinter  – Editora Altaya;
- Mercedes- Wikipedia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes-Benz;
- Mercedes-Benz do Brasil - https://www2.mercedes-benz.com.br/
- Marinha do Brasil - https://www.marinha.mil.br/
- Exército Brasileiro - https://eb.mil.br/