VC/VU-93 Hawker Siddeley HS-125

História e Desenvolvimento.
A Hawker Siddeley destacou-se como um dos mais relevantes grupos industriais do setor aeronáutico no Reino Unido ao longo do século XX. Sua formação, em 1935, resultou da consolidação de importantes empresas, incluindo a Hawker Aircraft e a Armstrong Siddeley, além de sua subsidiária Armstrong Whitworth Aircraft. As origens desse conglomerado, contudo, remontam ao período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial, quando o colapso financeiro da Sopwith Aviation Company levou à reorganização de seus ativos. Em 1920, o piloto de testes Harry Hawker, em conjunto com Thomas Sopwith, fundou a H.G. Hawker Engineering Company, dando continuidade à tradição aeronáutica da Sopwith. Após a morte de Hawker em 1921, a empresa evoluiu até ser renomeada, em 1933, como Hawker Aircraft Limited. Em meio às oportunidades geradas pela Grande Depressão, a companhia expandiu-se por meio de aquisições estratégicas, como a Gloster Aircraft Company, em 1934, culminando, no ano seguinte, na formação de um grupo industrial ainda mais amplo com a incorporação da A.V. Roe & Company, consolidando a Hawker Siddeley Aircraft. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa desempenhou papel central no esforço de guerra, destacando-se pela produção do caça  Hurricane.  Durante a Batalha da Grã-Bretanha, estes constituíram a espinha dorsal da defesa aérea do Reino Unido, sendo responsáveis por uma parcela significativa das aeronaves inimigas abatidas. No período pós-guerra, o grupo ampliou significativamente suas operações internacionais. Em 1945, adquiriu a Victory Aircraft, localizada em Malton, Ontário, que foi posteriormente renomeada Avro Canada. Essa subsidiária alcançou grande relevância industrial, tornando-se, até o final da década de 1950, uma das maiores empresas do Canadá. Em 1948, a estrutura corporativa foi reorganizada sob a denominação Hawker Siddeley Group, com divisões especializadas, como a Hawker Siddeley Aviation (HSA) e a Hawker Siddeley Dynamics (HSD). No início da década de 1950, o mercado de aviação executiva começava a emergir como um novo e promissor segmento dentro da aviação civil. Até então, entretanto, as aeronaves disponíveis eram predominantemente equipadas com motores a pistão e hélices, o que limitava seu desempenho em termos de velocidade, alcance e altitude operacional. Esse cenário começou a se transformar com o advento dos primeiros jatos executivos. Um dos marcos dessa transição foi o Lockheed JetStar, desenvolvido pela Lockheed Aircraft Company, cujo voo inaugural ocorreu em 1957. Considerado um dos primeiros jatos executivos do mundo, o JetStar inaugurou uma nova era ao introduzir níveis de desempenho até então inéditos nesse segmento. No ano seguinte, em 1958, o mercado assistiu à introdução de uma alternativa igualmente inovadora: o Grumman G-159 Gulfstream I. Embora equipado com motores turboélice, o modelo oferecia desempenho superior às aeronaves a pistão, consolidando-se como uma solução intermediária entre a aviação tradicional e a emergente geração de jatos executivos.

No outro lado do Atlântico, a de Havilland Aircraft Company, reconhecida pelo sucesso do de DH-104 Dove, iniciou o desenvolvimento de um novo projeto voltado à criação de uma aeronave executiva equipada com motores a reação, destinada a suceder seu consagrado modelo no mercado. Essa nova aeronave foi inicialmente designada de  DH-125 Dragon Jet. Apesar de o programa já se encontrar em estágio avançado de desenvolvimento, seu primeiro protótipo não chegou a ser construído conforme o conceito original. Em abril de 1960, a empresa foi incorporada pela Hawker Siddeley, o que resultou em uma reavaliação estratégica de seus projetos em curso. Após análise técnica e comercial, a nova administração optou por dar continuidade ao desenvolvimento do jato executivo, porém sob uma nova designação mais simplificada: HS-125, abandonando a nomenclatura comercial anterior. Sob a orientação dos novos controladores, o programa foi redirecionado com foco prioritário no exigente e promissor mercado norte-americano de aviação executiva. Diferentemente de muitos concorrentes da época, o projeto previa uma aeronave compacta, pressurizada, com capacidade para cerca de seis passageiros, dotada de asas baixas enflechadas, configuração de cauda com estabilizador horizontal montado na seção média da deriva e dois motores turbojato instalados na parte traseira da fuselagem  solução que favorecia o desempenho aerodinâmico e o conforto acústico na cabine. O desenvolvimento avançou rapidamente, e, em 13 de agosto de 1962, o primeiro de dois protótipos realizou seu voo inaugural, marcando o início do programa de ensaios em voo. A segunda célula foi incorporada aos testes em dezembro do mesmo ano, ampliando a coleta de dados operacionais. Os resultados obtidos nessas avaliações levaram à implementação de diversas melhorias estruturais e aerodinâmicas. Como consequência desse processo evolutivo, a primeira aeronave de pré-série realizou seu voo em 12 de fevereiro de 1963. Essa versão apresentava modificações significativas em relação aos protótipos iniciais, incluindo fuselagem alongada e maior envergadura, características que resultaram em melhor desempenho, maior conforto e maior capacidade operacional. Tais aprimoramentos foram fundamentais para adequar a aeronave às exigências do mercado executivo norte-americano, elevando as expectativas quanto ao seu sucesso comercial. No campo do conforto e da configuração interna, o modelo destacou-se ao oferecer diferentes pacotes de acabamento, posicionando-se de forma competitiva frente aos seus concorrentes. Mesmo na versão básica, a aeronave já proporcionava um elevado padrão de conforto aos passageiros. Nas configurações mais sofisticadas, o projeto incorporava soluções típicas da aviação executiva moderna, como a separação entre o cockpit e a cabine de passageiros, além de uma entrada única posicionada logo atrás da cabine de pilotagem. Esse arranjo criava um pequeno vestíbulo multifuncional, utilizado tanto para armazenamento de bagagens quanto para apoio ao serviço de bordo, permitindo inclusive a preparação de refeições durante o voo. Dessa forma, o desenvolvimento do HS-125 representou um passo decisivo na consolidação dos jatos executivos britânicos no cenário internacional.
Na fase inicial de produção, a evolução do Hawker Siddeley HS-125 foi marcada por importantes aperfeiçoamentos na motorização. Os motores Bristol Siddeley Viper 520 foram substituídos pelas versões mais potentes Viper 521 e Viper 522, com empuxo de 3.360 lb. Essa modernização deu origem às variantes HS-125 Series 1A  voltada ao mercado norte-americano  e HS-125 Series 1B, destinada a outros mercados de exportação. Tais melhorias contribuíram significativamente para o aumento do desempenho, da confiabilidade e da competitividade da aeronave no emergente segmento de aviação executiva. Em 1964, este fabricante  desenvolveu a primeira versão militar do modelo, o HS-125 Series II, atendendo a uma demanda da Força Aérea Real (Royal Air Force). Essa variante, denominada Dominie, foi configurada para missões de treinamento de navegação aérea e transporte executivo, sendo equipada com radar meteorológico e sistemas especializados de instrução. Um contrato firmado com o Ministry of Defence previa a aquisição inicial de 30 aeronaves, entregues a partir de 1965 e mantidas em serviço até 2011. O Dominie destacou-se por sua capacidade de operar em pistas curtas da ordem de 1.200 metros  e por sua versatilidade em missões de ligação e apoio. A contínua adaptação às exigências do mercado levou ao desenvolvimento de novas variantes ao longo da segunda metade da década de 1960, incluindo as versões HS-125 Series III, IIIA, IIIB, IIIA/RA e IIIB/RA, introduzidas entre 1965 e 1967. Essas aeronaves apresentavam melhorias estruturais relevantes, como aumento do peso máximo de decolagem  atingindo até 9.752 kg  e maior capacidade de combustível, de aproximadamente 3.785 litros, o que ampliava o alcance e a flexibilidade operacional. Nesse contexto, a Força Aérea Brasileira (FAB), que já operava o Morane-Saulnier C-41 Paris em missões de transporte VIP, decidiu incorporar o novo jato britânico à sua frota. Em 1968, foram adquiridas cinco aeronaves da versão HS-125 Series 3B/RA, que receberam as designações VU-93, EU-93 e XU-93. Essas aeronaves foram distribuídas entre o Grupo de Transporte Especial e o Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), proporcionando um salto qualitativo significativo em relação ao C-41, sobretudo no que se refere à autonomia  cerca de 3.120 km  praticamente o dobro da capacidade do modelo francês. Tal desempenho mostrou-se particularmente adequado para a ligação entre Brasília e os principais centros políticos e econômicos do país, como Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1967, a Hawker Siddeley introduziu uma evolução significativa com o lançamento do HS-125 Series IV, posteriormente redesignado como HS-125 Series 400. Essa variante incorporava melhorias importantes, incluindo motores mais potentes da família Viper, capacidade para até sete passageiros e a adoção de uma escada retrátil integrada à porta da fuselagem solução que facilitava operações em aeródromos com infraestrutura limitada, realidade comum em diversas regiões do Brasil. Ao todo, foram produzidas 116 unidades dessa versão, que se tornou uma das mais bem-sucedidas da família, destacando-se pelo equilíbrio entre desempenho, conforto e versatilidade.

Desde o início da produção em série em 1962, o HS-125 passou por várias redesignações devido a mudanças na estrutura corporativa. Até 1963, a aeronave era conhecida como DH-125, refletindo sua origem na de Havilland. Após a consolidação sob a Hawker Siddeley, passou a ser designada HS-125, com a variante militar chamada Dominie. Em 1977, a nacionalização da indústria aeronáutica britânica, conduzida por meio do Aircraft and Shipbuilding Industries Act, resultou na reestruturação do setor e na criação de um novo conglomerado estatal. Nesse processo, a Hawker Siddeley foi incorporada à British Aircraft Corporation e à Scottish Aviation, dando origem à British Aerospace (BAe). Sob essa nova estrutura corporativa, o HS-125 passou a ser redesignado como BAe 125, mantendo essa nomenclatura até 1993, quando a divisão de jatos executivos foi adquirida pela Raytheon Aircraft Company. A partir de então, a aeronave passou a ser comercializada sob a marca Raytheon Hawker, com modelos como o Hawker 800 representando a evolução direta da família original. Em 2007, a produção foi transferida para a Hawker Beechcraft, que introduziu versões modernizadas, como o Hawker 900XP, caracterizado por maior alcance e eficiência operacional. A produção da família foi finalmente encerrada em 2013, após a falência da empresa totalizando cerca de 1.600 aeronaves produzidas ao longo de mais de cinco décadas  um indicador da longevidade e do sucesso do projeto. A inserção do modelo no mercado militar teve início ainda em 1964, com a introdução da variante Dominie na Força Aérea Real (RAF). Desenvolvida para treinamento de navegadores e transporte executivo, essa versão foi adquirida inicialmente em um lote de 30 aeronaves, equipando unidades como o No. 32 Squadron e o No. 55 Squadron. As versões militarizadas do HS-125 abrangeram diferentes configurações, destacando-se as variantes HS-125 T.1 e HS-125 T.2, voltadas à formação de tripulações em ambientes operacionais complexos, com o auxílio de sistemas avançados de navegação e radar meteorológico. Paralelamente, as versões HS-125 CC.1, HS-125 CC.2 e HS-125 CC.3 foram destinadas ao transporte de autoridades, incluindo membros da realeza britânica, com cabines especialmente configuradas para conforto e comunicações seguras. Entre 1965 e 1967, a evolução técnica do projeto resultou no lançamento das versões HS-125 Series 3A e Series 3B, equipadas com motores Bristol Siddeley Viper 522 mais potentes. Ao todo, foram produzidas 29 aeronaves dessas variantes iniciais. Posteriormente, as subvariantes HS-125 Series 3A/RA e HS-125 Series 3B/RA incorporaram maior capacidade de combustível (3.785 litros) e aumento do peso máximo de decolagem para 9.752 kg, elevando significativamente o alcance operacional. Essas versões totalizaram 36 unidades produzidas, consolidando a versatilidade do modelo em missões de ligação, transporte e treinamento. O desempenho consistente e a confiabilidade demonstrada pelo Dominie ao longo de sua carreira na Força Aérea Real (RAF)  onde permaneceu em operação até 2011. Diversos países incorporaram o modelo e, incluindo Estados Unidos, Botswana, Malásia, Paquistão, Nigéria, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Turcomenistão, Gana, Nicarágua, Brasil, Irlanda, África do Sul, Malawi e Uruguai.
O Hawker Siddeley HS-125 teve seu batismo de fogo durante a Guerra das Malvinas - Falklands (1982), quando foi empregado pela Força Aérea Argentina (FAA) em operações reais durante o transcorrer do conflito. Uma aeronave da versão HS-125 Series 700, pertencente ao Esquadrão Fênix  vinculado ao Grupo 1 Aerofotográfico  foi utilizada em uma ampla gama de missões, incluindo reconhecimento fotográfico e eletrônico. Durante o conflito, essa aeronave realizou diversas surtidas sobre a força-tarefa da Marinha Real (Royal Navy) e sobre as tropas britânicas em operações de desembarque, desempenhando um papel relevante na coleta de informações estratégicas. Equipada com sensores especializados, a aeronave demonstrou elevada capacidade de adaptação a cenários de combate, fornecendo dados essenciais sobre movimentações navais e terrestres. Sua robustez estrutural, aliada à aptidão para operar em pistas curtas e sob condições adversas, evidenciou a versatilidade do modelo para além de sua concepção original como jato executivo. No contexto britânico, o Dominie entrou em serviço na Força Aérea Real (RAF) em 1964, sendo empregado tanto em missões de treinamento quanto de transporte de autoridades. As versões HS-125 T.1 e HS-125 T.2 foram destinadas à formação de navegadores, enquanto as variantes HS-125 CC.1, HS-125 CC.2 e HS-125 CC.3 atenderam ao transporte de autoridades, incluindo membros da família real britânica. Inicialmente, 30 aeronaves foram incorporadas à Força Aérea Real (RAF), operando em unidades como o No. 32 Squadron, sendo posteriormente complementadas por versões mais avançadas das séries 3A, 3B e suas variantes de maior alcance (RA). O Dominie permaneceu em operação por mais de cinco décadas, com sua retirada definitiva ocorrendo em 2015, encerrando 51 anos de serviço ativo  um indicativo claro da confiabilidade e da longevidade do projeto. Na América do Norte, o modelo também encontrou aplicação militar relevante. Em 1990, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) incorporou a versão BAe 125 Series 800 sob a designação C-29A, destinada a missões de inspeção em voo (Combat Flight Inspection – C-FIN). Essas aeronaves substituíram o Lockheed C-140A, assumindo a responsabilidade de calibrar sistemas de navegação e auxílio ao pouso em bases aéreas ao redor do mundo. Durante operações como a Guerra do Golfo  incluindo as campanhas Desert Shield (1990) e Desert Storm (1991) , bem como em operações posteriores no início do século XXI, os C-29A desempenharam funções críticas em ambientes operacionais complexos, garantindo a precisão dos sistemas de navegação em zonas de conflito. As versões especializadas do modelo, empregadas em missões como guerra eletrônica e busca e salvamento, começaram a ser retiradas de serviço a partir de 2012, enquanto as aeronaves dedicadas ao transporte executivo permaneceram em operação até aproximadamente 2014. Dessa forma, o histórico operacional do HS-125 em diferentes forças aéreas evidencia não apenas sua versatilidade, mas também sua capacidade de adaptação a missões militares complexas, consolidando-o como uma plataforma confiável e duradoura tanto no ambiente civil quanto no militar.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
transporte de autoridades no Brasil teve início em 1937, quando a então Aviação Militar do Exército adquiriu quatro aeronaves Lockheed 12A Electra Junior, designadas UC-40. Esses bimotores leves, com capacidade para seis passageiros, representaram um marco inicial na consolidação de uma doutrina de transporte VIP, sendo empregados em missões de ligação e deslocamento de altos oficiais em um contexto de modernização das Forças Armadas no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Com a criação da Força Aérea Brasileira (FAB), em 20 de janeiro de 1941, por meio do Decreto-Lei nº 2.961, a responsabilidade por essas operações foi transferida para a nova instituição. Nesse contexto, foi instituída a Seção de Aviões de Comando, sediada no Rio de Janeiro, que passou a operar aeronaves mais robustas, como os Lockheed Lodestar nas versões VC-66 e VC-60. Incorporados no âmbito do Lend-Lease Act, esses vetores ampliaram significativamente a capacidade de transporte, podendo acomodar até 18 passageiros, e consolidaram a mobilidade de autoridades civis e militares em um país de dimensões continentais. Na década de 1950, os Douglas C-47 Skytrain  na versão VIP VC-47  assumiram papel central nas missões de transporte de autoridades, acumulando também funções logísticas e operacionais no âmbito do Correio Aéreo Nacional (CAN), especialmente em regiões remotas como a Amazônia. Contudo, o uso intensivo ao longo de mais de duas décadas tornou evidente o desgaste dessas aeronaves, que passaram a apresentar limitações em autonomia, confiabilidade e, sobretudo, conforto, tornando-se inadequadas para atender às crescentes demandas de um Brasil em acelerado processo de transformação. No contexto da modernização dos meios aéreos, intensificada na segunda metade da década de 1950, emergiu a necessidade de incorporar uma aeronave mais veloz e eficiente, capaz de assegurar a ligação entre as diversas zonas aéreas e seus respectivos comandos, bem como com a futura capital federal, Brasília. Paralelamente, o Grupo de Transporte Especial (GTE) carecia de um vetor leve e rápido para missões específicas de transporte de autoridades, função que ainda era desempenhada por aeronaves a pistão como o Beechcraft C-45, já consideradas obsoletas. Diante dessas demandas, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou um processo de prospecção no mercado internacional em busca de uma aeronave que reunisse maior velocidade, eficiência e conforto. Nesse contexto, no início de 1958, o protótipo do Morane-Saulnier MS-760 Paris  já evoluído para a versão Paris I encontrava-se em uma campanha de demonstração na América do Sul. Durante sua apresentação no Brasil, os oficiais diretamente envolvidos no processo de avaliação ficaram particularmente impressionados com o desempenho do jato francês, especialmente no que se referia à velocidade, à confiabilidade e à modernidade de sua concepção, fatores que o colocavam em clara vantagem em relação às aeronaves então em operação.

Em 1958, seria dado início a negociações com a  Morane-Saulnier visando à aquisição de 30 aeronaves MS-760 Paris, configuradas para transporte executivo. Este movimento inseria-se num contexto mais amplo de modernização dos meios aéreos, acompanhando a crescente necessidade de mobilidade rápida e eficiente para autoridades governamentais. Em abril de 1961, o Grupo de Transporte Especial (GTE),  recebeu 08 dessas aeronaves, destinadas principalmente ao transporte de autoridades (missões VIP). Contudo, a utilização do C-41 Paris nessas funções revelou-se limitada e de curta duração. Além das restrições operacionais inerentes ao modelo, um fator decisivo para a reavaliação de seu emprego foi o acidente fatal ocorrido em 30 de outubro de 1962, na região de Nova Lima, em Minas Gerais. Este episódio representou um ponto de inflexão na história da aeronave no país. A partir de 1963, em resposta a essas limitações e ao impacto do acidente, o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAer) determinou a reorganização da frota remanescente, concentrando-a em unidades específicas, como o Quartel-General da 3ª Zona Aérea.  Nesse contexto, tornou-se evidente a necessidade de incorporar aeronaves de nova geração, mais adequadas às exigências do transporte executivo governamental. O planejamento estratégico da época previa a aquisição de dois tipos distintos de aeronaves: uma de maior porte, voltada ao transporte presidencial, e outra de menor dimensão, destinada ao deslocamento de ministros e altos funcionários do governo federal. Assim, em 1967, já inserido no âmbito do Plano de Modernização, foi deflagrada  uma concorrência internacional para a seleção de novos vetores destinados ao transporte VIP. O programa foi estruturado em duas fases. Na primeira, concluída em maio daquele ano, foi selecionado o jato britânico VC-91 BAC One-Eleven, incumbido de substituir os turboélices VC-90 Vickers Viscount nas missões de transporte presidencial. A etapa seguinte concentrou-se na escolha de um jato executivo de menor porte, sendo conduzido diretamente pelo comando do Grupo de Transporte Especial (GTE). Após a análise comparativa de diversas propostas, a seleção recaiu sobre o Hawker Siddeley HS-125-3B-RA Dominie, aeronave que atendia de forma mais adequada aos requisitos estabelecidos. O contrato foi firmado no em 1968, contemplando a aquisição de 06 aeronaves. Destas, 05  foram configuradas especificamente para missões de transporte executivo, recebendo a designação VC-93 e as matrículas FAB 2120 a 2124. A sexta unidade, registrada como FAB 2125, foi destinada a uma função especializada: a calibração de auxílios à navegação aérea, sendo para isso equipada nos Estados Unidos com sistemas apropriados. Como parte do processo de incorporação, uma comitiva de oficiais  foi enviada ao Reino Unido para participar de um programa de formação técnica nas instalações do fabricante. Após a conclusão  as aeronaves foram transladas ao Brasil.
No dia 19 de outubro de 1968, teve início uma etapa marcante no processo de incorporação dos novos jatos à Força Aérea Brasileira. As aeronaves decolaram da cidade de Hatfield, no Reino Unido, realizando um longo voo de translado até o Brasil, cuidadosamente planejado e executado em múltiplas escalas. O trajeto incluiu paradas em Prestwick, na Escócia; Reykjavik, na Islândia; Sondre Stromfjord, na Groenlândia; Frobisher Bay e Montréal, no Canadá; Washington e Miami, nos Estados Unidos; San Juan, em Porto Rico; Piarco, nas então Antilhas Holandesas; Paramaribo, no Suriname; até finalmente alcançarem Belém, já em território brasileiro. A missão, que se estendeu por sete dias e totalizou cerca de vinte e seis horas de voo efetivo, exigiu elevado nível de coordenação e preparo das tripulações. A condução das aeronaves ficou a cargo de equipes experientes, compostas, no caso do FAB 2120, pelo Major Aviador Garotti, Capitão Aviador Lampert e o 1º Sargento Castilho; e, no FAB 2121, pelo Capitão Aviador Baginski, Capitão Aviador Torrés Jr. e o 1º Sargento Nobre. As 03 aeronaves restantes seriam posteriormente entregues, chegando à Base Aérea de Brasília em 4 de fevereiro de 1969, completando assim o primeiro lote adquirido. Com a incorporação dessas cinco unidades, teve início uma nova fase operacional no âmbito do 2º Esquadrão do Grupo de Transporte Especial (GTE). Após o recebimento, foi implementado um abrangente programa de formação e qualificação de tripulações, refletindo a preocupação  em garantir uma transição segura e eficiente para a operação dos novos vetores. Esse treinamento contemplou não apenas a adaptação aos sistemas de navegação avançados, mas também o domínio dos motores Viper 522, além de técnicas específicas para operação em pistas curtas característica particularmente relevante diante das limitações de infraestrutura de muitos aeródromos brasileiros à época. Em maio de 1969, os VC-93 iniciaram oficialmente suas atividades operacionais, desempenhando missões de transporte de ministros e funcionários do segundo escalão do governo federal. A partir de Brasília, essas aeronaves passaram a estabelecer ligações regulares com importantes centros administrativos do país, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Com autonomia aproximada de 3.120 quilômetros e cabine pressurizada capaz de acomodar até 07 passageiros, além da tripulação, o modelo revelou-se particularmente adequado a esse tipo de missão, proporcionando elevados níveis de conforto e flexibilidade operacional. A recepção por parte de tripulações e passageiros foi positiva. Destacavam-se a suavidade do voo, o padrão de acabamento interno e a capacidade de operar em condições desafiadoras  fatores que representavam um avanço significativo em relação às limitações enfrentadas com o C-41.  Em 1973, no contexto de uma padronização da nomenclatura adotada, as aeronaves VC-93 e EC-93 passaram a ser redesignadas como VU-93  e EU-93, respectivamente. 

O excelente desempenho operacional da frota, caracterizado por altos índices de disponibilidade e eficiência , levou o Ministério da Aeronáutica (MAer) a considerar a ampliação do número de aeronaves. Nesse sentido, foram conduzidas negociações em 1973 para a aquisição de 05 células do HS-125 400B. Esta variante incorporava melhorias significativas, como aumento do peso máximo de decolagem, maior capacidade de combustível e a inclusão de uma escada integrada à fuselagem  recurso que ampliava a autonomia operacional, especialmente em aeródromos com infraestrutura limitada.  Das 05 novas aeronaves, 04 foram configuradas para transporte executivo, recebendo as matrículas FAB 2126 a 2129. A quinta unidade, foi convertida para missões de calibragem de auxílios à navegação aérea, recebendo a matrícula FAB 2130. Entregues no final de 1973, essas aeronaves foram incorporadas ao 2º Esquadrão, ampliando a capacidade da unidade para atender às crescentes demandas de transporte VIP . Deste lote 04 seriam configuradas na versão de transporte executivo, recebendo a designação de VU-93 com as matrículas de “FAB 2126 á 2129”, e uma aeronave seria configurada para o emprego em tarefas de calibração de auxílios a navegação aérea, recebendo a designação de EU-93 e matrícula “FAB 2130”Apesar do alto grau de disponibilidade e da eficiência no processo de manutenção, o uso intensivo dos HS-125 resultou em acidentes e falhas técnicas, algumas de pequena monta. O primeiro incidente relevante ocorreu em 18 de junho de 1979, envolvendo o VU-93 de matrícula FAB 2122. Durante o procedimento de pouso no Aeroporto Internacional de Brasília, a aeronave, provavelmente devido a uma perda de sustentação, colidiu com o solo próximo à cabeceira da pista. Os quatro tripulantes sobreviveram, mas a aeronave sofreu danos severos, sendo considerada irrecuperável. Esse acidente, embora sem vítimas fatais, destacou os desafios de operar jatos executivos em condições exigentes, reforçando a necessidade de manutenção rigorosa. O incidente de 1979 evidenciou a importância de manter a frota com o máximo grau de segurança, especialmente em missões de transporte VIP, que conectavam Brasília a capitais estaduais como Rio de Janeiro e São Paulo. A perda do FAB 2122 levou o Ministério da Aeronáutica (MAer) a avaliar estratégias para recompor a dotação do 2º/GTE e garantir a continuidade das operações com maior confiabilidade. No início da década de 1980, com o objetivo de fortalecer a frota e substituir as primeiras células recebidas em 1968, algumas já desgastadas pelo uso intensivo,  determinou-se  a aquisição de novas aeronaves HS-125. Adotando o conceito de compras de oportunidade,  negociou-se  a aquisição de quatro unidades do modelo HS-125 Series 400B no mercado civil norte-americano em 1983. Essas aeronaves, revisadas por empresas parceiras da British Aerospace Co. (BAe), sendo transladadas ao Brasil entre o final de 1983 e meados de 1984. 
No Brasil, as novas células foram submetidas a adaptações no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF), no Rio de Janeiro, onde receberam o padrão de pintura do GTE, com prata metálico (Aluminum FS 17178), faixas em Insignia Blue (FS 15044) e Insignia White (FS 17875), e marcações de alta visibilidade (International Orange FS 12197) para missões específicas. As aeronaves foram matriculadas como FAB 2114, FAB 2117, FAB 2118 e uma quarta unidade, incorporadas ao 2º/GTE para transporte VIP, ampliando a capacidade operacional da unidade e permitindo a retirada gradual das células mais antigas. Em 8 de outubro de 1987, um grave acidente marcou a história do HS-125 na FAB. O VU-93 de matrícula FAB 2129, operado pelo 2º/GTE, caiu nas proximidades do aeroporto de Carajás, no Pará, logo após a decolagem, durante a subida inicial. A aeronave perdeu altitude abruptamente e colidiu com o solo, resultando em uma explosão devastadora. Todos os nove ocupantes, incluindo o Ministro da Reforma Agrária, Marcos de Barros Freire, perderam a vida. Em 1988, como parte de uma sistemática de remanejamento de equipamentos, a FAB converteu o VU-93 de matrícula FAB 2121 para a versão EU-93, transferindo-o do 2º/GTE para o GEIV. Essa conversão envolveu a adaptação da aeronave para missões de calibragem de auxílios à navegação aérea, equipando-a com sistemas de precisão para testar estações de radionavegação. Em 1990 outras duas células do modelo, matriculadas como “FAB 2127 e 2125”, pertencentes ao Grupo de Transporte Especial (GTE) e ao Grupo de Especial de Inspeção em Voo (GEIV) respectivamente, seriam transferidos para o Centro Técnico da Aeronáutica (CTA) em São Jose dos Campos – SP, para o emprego em missões de ensaio em voo. Em 1998 uma última célula da versão HS-125-400A usada seria adquirida, novamente junto ao mercado civil norte-americano, inicialmente o objetivo desta compra visava proporcionar um novo suprimento de peças de reposição, para a frota atual da Força Aérea Brasileira. Porém após o recebimento das células atestou que ela apresentava um ótimo estado de conservação, sendo então decidido colocar a aeronave em serviço, passando a operar com a matrícula “FAB 2113”, substituindo no Grupo de Transporte Especial o VU-93 “FAB 2114” desativado anteriormente. No final da década de 1990, os VU-93 remanescentes em uso seriam destacados para operação de transporte de funcionários do terceiro escalão, tendo em vista a incorporação dos VU-35 Learjet a partir de 1987, que passariam a assumir a missões mais importantes do esquadrão. Porém neste momento já era claro que as células já apresentavam o peso da idade, e sua substituição a curto prazo se fazia necessária. Esta demanda começaria a ser atendida a partir de 2004 com o recebimento dos Embraer ERJ 145 VC-99 que permitiria alocar os VU-35 Learjet em missões secundárias abrindo o caminho para a desativação dos VU-93, processo este que seria finalizado em fins do ano de 2007.  Apenas uma aeronave,  o VU-93” FAB 2123” permaneceria em uso, sendo convertido para o padrão XU-93, operando até o ano de 2010 junto ao Grupo de Ensaios em Voo (GEEV) no Centro Técnico da Aeronáutica (CTA) em São Jose dos Campos – SP.

Em Escala.
Para representarmos o Hawker Siddeley HS-125 400B EU-93 " FAB 212 ", fizemos uso do antigo kit em resina na escala 1/72 produzido pela GIIC Models. Para se representar a versão operada pelo Grupo de Transporte Especial (GTE) não é necessário proceder nenhuma alteração. Optamos por configurar a aeronave em seu último padrão de pintura, empregando para isto decais com confeccionados pela Phoenix Decals, presentes no Set “HS-125  FAB 1/72”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo, representa o terceiro padrão de pintura empregado nas aeronaves VU-93, sendo o esquema aplicado a partir de 1990, não só nos jatos britânicos Hawker Siddeley HS-125/AB mas também em todas as aeronaves de transporte executivo (VIP) em serviço na Força Aérea Brasileira (FAB).
Bibliografia :
- British Aerospace BAe 125  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/British_Aerospace_125
- Conduzindo os que Conduzem - Louis JacksonJ. Costa - Revista Força Aérea Nº 06
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aviação Militar Brasileira 1916 / 1984 - Francisco C. Pereira Netto

M-56 L/14 OTO Melara (105 mm)

História e Desenvolvimento.
A OTO Melara S.p.A., atualmente integrante do grupo industrial italiano Leonardo S.p.A., tem suas origens no início do século XX, período marcado pela intensa modernização das forças armadas europeias e pela crescente competição industrial entre as grandes potências. Fundada em 1905, a empresa nasceu como uma joint venture denominada Vickers Terni, resultado da associação entre a britânica Vickers então uma das mais prestigiadas fabricantes de armamentos do mundo , a siderúrgica italiana Terni Steelworks, e os estaleiros Cantiere Navale Fratelli Orlando e Cantieri Navali Odero. O empreendimento contou com o decisivo apoio financeiro e estratégico dos empresários Giuseppe Orlando e Attilio Odero, figuras centrais no desenvolvimento industrial italiano da época. Estabelecida em La Spezia a nova companhia surgiu com a missão de suprir a crescente demanda por sistemas de artilharia e equipamentos navais, combinando capital estrangeiro, tecnologia britânica e capacidade produtiva italiana. Durante a Primeira Guerra Mundial, a então Vickers Terni destacou-se pela produção em larga escala de peças de artilharia, notadamente canhões de campanha de 40 mm e 76 mm. Esses sistemas foram amplamente empregados pelas forças aliadas, inclusive pelo Exército Italiano, em um conflito caracterizado pela centralidade da artilharia no campo de batalha. A capacidade industrial da empresa e a confiabilidade de seus produtos consolidaram sua reputação no cenário internacional de defesa. Em 1929, no contexto das transformações econômicas e políticas do período entre-guerras, a companhia passou por significativa reestruturação societária, adotando a denominação Odero Terni Orlando e a abreviação “OTO” como marca comercial. Essa mudança simbolizou não apenas uma reorganização administrativa, mas também a afirmação de uma identidade industrial própria, alinhada às ambições estratégicas da Itália da época. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a OTO assumiu papel central no esforço bélico italiano, especialmente no fornecimento de armamentos à Regia Marina. A empresa desenvolveu e produziu a maior parte das peças de artilharia naval que equiparam os navios de guerra italianos, desde contratorpedeiros até cruzadores pesados. Entre os modelos mais representativos destacaram-se os canhões de 120 mm e 135 mm, reconhecidos por sua precisão, alcance e robustez técnica. Entretanto, o conflito trouxe consequências severas. As instalações industriais em La Spezia foram alvo de intensos bombardeios aliados, comprometendo significativamente a capacidade produtiva da empresa. Com o término da guerra, em 1945, a Itália enfrentou o desafio da reconstrução nacional. Nesse cenário, a OTO demonstrou notável capacidade de adaptação ao diversificar sua produção para o setor civil, fabricando tratores, implementos agrícolas e teares industriais bens essenciais à retomada econômica do país. Em 1953, a companhia passou a denominar-se oficialmente OTO Melara, inaugurando uma nova fase de sua trajetória. Essa etapa coincidiu com o contexto geopolítico da Guerra Fria, período em que as nações europeias, inclusive a Itália, voltaram a investir na modernização de suas capacidades militares diante das tensões estratégicas com a União Soviética. Assim, a OTO Melara reafirmou sua vocação original no setor de defesa, consolidando-se como um dos principais polos industriais militares da Europa Ocidental.

A adesão da Itália à OTAN em 1949 representou um marco decisivo na reorganização estratégica do Estado italiano no imediato pós-guerra. Inserida no contexto da consolidação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Itália passou a integrar o sistema de defesa coletiva liderado pelos Estados Unidos em meio às crescentes tensões da Guerra Fria. Tal movimento não apenas redefiniu sua política externa, mas também impulsionou uma profunda reestruturação de sua indústria de defesa, que precisava adaptar-se aos novos padrões operacionais e doutrinários da aliança atlântica. Nesse cenário de realinhamento estratégico, a OTO Melara S.p.A., sediada em La Spezia e herdeira de uma sólida tradição na produção de artilharia naval, identificou uma oportunidade concreta para retomar seu protagonismo no setor militar. Após a devastação provocada pela Segunda Guerra Mundial, a empresa havia direcionado seus esforços para a fabricação de bens civis  como tratores, teares e equipamentos industriais  contribuindo para a reconstrução econômica italiana. Contudo, a nova conjuntura geopolítica, marcada pela polarização ideológica e pela necessidade de modernização das Forças Armadas, incentivou um retorno gradual e estratégico ao mercado de defesa. Como membro fundador da OTAN, a Itália comprometeu-se a modernizar seus meios terrestres, navais e aéreos, adequando-os aos padrões técnicos e logísticos da aliança. Esse processo implicava interoperabilidade, padronização de calibres e compatibilidade com sistemas aliados. Para a OTO Melara, tal contexto representou não apenas uma retomada produtiva, mas também a possibilidade de diversificação tecnológica, expandindo sua atuação para além da artilharia naval tradicional. Uma oportunidade concreta emergiu quando o Esercito Italiano manifestou a necessidade de um obuseiro leve destinado aos regimentos de artilharia de montanha das Brigadas Alpini. Essas unidades, historicamente especializadas em operações em terrenos alpinos e ambientes de difícil acesso, exigiam um sistema de armas que combinasse mobilidade, robustez e potência de fogo. Criadas no final do século XIX, as tropas Alpini haviam consolidado reputação por sua capacidade de operar em condições extremas, onde a artilharia convencional, de maior porte, mostrava-se inadequada. Os requisitos estabelecidos pelo comando militar eram rigorosos e refletiam as especificidades do teatro operacional alpino. O novo obuseiro deveria ter peso aproximado de 1.300 kg e ser concebido de modo a permitir sua desmontagem em até doze cargas transportáveis, possibilitando o deslocamento por tropas a pé ou por muares  característica essencial para terrenos íngremes e trilhas estreitas. Além disso, deveria admitir tração por veículos leves, como jipes ou Land Rovers, e ser compatível com transporte interno em blindados de pessoal, como o M113 Armored Personnel Carrier, mediante remoção de seu escudo protetor. A versatilidade operacional constituía outro requisito fundamental. O sistema deveria permitir tanto disparos em trajetória curva, típicos do emprego indireto da artilharia convencional, quanto tiros em trajetória plana para fogo direto contra alvos fortificados ou blindados. Essa dupla capacidade ampliaria significativamente sua utilidade tática no campo de batalha moderno. A equipe técnica respondeu a esse desafio com um projeto que atendia de forma notável às especificações estabelecidas. 
O resultado foi o desenvolvimento do obuseiro conhecido como OTO Melara Mod 56, concebido para empregar a munição norte-americana M1 de 105 mm  padrão amplamente utilizado pelos membros da OTAN. Essa decisão assegurava interoperabilidade logística e facilitava o emprego conjunto em operações multinacionais. Entre as inovações técnicas do projeto destacava-se o sistema de suspensão e recuo hidropneumático, cuidadosamente dimensionado para absorver as forças geradas tanto em disparos de elevada angulação quanto em tiro direto. Tal solução proporcionava estabilidade, segurança à guarnição e flexibilidade tática, consolidando o Mod 56 como um dos mais bem-sucedidos obuseiros leves de sua categoria no período da Guerra Fria. Dotado de alcance máximo aproximado de 10,5 quilômetros, o OTO Melara Mod 56 consolidou-se como um sistema de artilharia leve notavelmente versátil no contexto operacional da Guerra Fria. Sua concepção técnica permitia o emprego tanto em missões tradicionais de apoio indireto mediante disparos em trajetória curva, com impacto vertical preciso  quanto em tiro direto contra alvos terrestres, inclusive blindados. Essa flexibilidade ampliava significativamente seu espectro de emprego tático, aproximando-o, em determinadas circunstâncias, de funções anticarro. O conjunto de recuo com culatra hidropneumática assegurava estabilidade e controle mesmo sob elevados ângulos de elevação ou em disparos de trajetória plana. A capacidade de travessia lateral de aproximadamente 18 graus conferia rapidez na aquisição de alvos e eficiência em engajamentos diretos. Ao mesmo tempo, seu peso reduzido  cerca de 1.290 kg  representava uma solução técnica coerente com as exigências de mobilidade impostas pelas doutrinas da Guerra Fria, que enfatizavam a prontidão e a capacidade de deslocamento rápido das forças terrestres. O Mod 56 podia ser desmontado em até doze cargas transportáveis, permitindo seu deslocamento manual ou por muares em terrenos montanhosos, característica essencial para unidades de montanha. Também podia ser rebocado por veículos leves ou transportado por via aérea, inclusive por helicópteros como o Agusta-Bell AB.47, ampliando sua utilidade em operações aerotransportadas e expedicionárias. Essa combinação de leveza estrutural, simplicidade mecânica e robustez construtiva resultava ainda em custos relativamente baixos de aquisição, operação e manutenção  fator decisivo para países com orçamentos militares limitados. Outro elemento central para seu êxito internacional foi a compatibilidade com a munição padrão OTAN M1 de 105 mm, assegurando interoperabilidade logística com os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Essa padronização facilitava o emprego conjunto em exercícios e operações multinacionais, reforçando seu apelo no mercado externo. Ainda na década de 1950, a OTO Melara iniciou contratos de exportação que consolidaram a reputação do Mod 56 como solução eficiente para artilharia leve em ambientes geográficos complexos. Em 1959, o sistema participou de um processo competitivo promovido no âmbito da OTAN para a seleção de uma “arma de campo leve” padronizada. Frente a concorrentes de diferentes origens nacionais, o obuseiro italiano destacou-se por sua combinação singular de mobilidade, versatilidade e compatibilidade logística, sendo oficialmente adotado a partir de 1960.

O Mod 56 passou, gradualmente, a substituir peças consideradas obsoletas, como o canhão norte-americano M1 de 75 mm, em diversos exércitos europeus. Países como Alemanha, Reino Unido, Canadá e Bélgica incorporaram o sistema às suas forças terrestres. Particularmente relevante foi sua adoção pelo Exército Britânico, fato que marcou a primeira integração de um equipamento militar italiano às Forças Armadas do Reino Unido  um marco simbólico e industrial para a OTO Melara e para o setor de defesa italiano no pós-guerra. O obuseiro tornou-se ainda o equipamento padrão da artilharia do Allied Command Europe Mobile Force (AMF – Land), força multinacional de rápida mobilização da OTAN, equipada por contingentes do Canadá, Bélgica, Alemanha, Itália e Reino Unido até meados da década de 1970. Sua ampla difusão  alcançando mais de trinta países, entre eles Austrália, Argentina, Brasil, Chile e Índia  refletiu não apenas sua qualidade técnica, mas também sua adequação às necessidades de forças de infantaria leve, tropas aerotransportadas e regimentos de montanha. O batismo de fogo do Modelo 56 ocorreu durante a Emergência Malaia, conflito também conhecido como Guerra de Libertação Nacional Anti-Britânica. Nesse teatro operacional, caracterizado por selvas densas, terreno acidentado e operações de contrainsurgência, a mobilidade e a leveza do sistema mostraram-se particularmente valiosas, confirmando na prática as qualidades que haviam sustentado sua projeção internacional. Nesse conflito, o Exército Australiano e forças da Comunidade das Nações (Commonwealth) empregaram o obuseiro contra os combatentes comunistas do Exército de Libertação Nacional Malaio (MNLA). Sua mobilidade e capacidade de operar em terrenos difíceis foram cruciais em operações de contrainsurgência na selva malaia, consolidando sua eficácia em cenários de baixa iintensidade.  Posteriormente, durante a Emergência de Áden (1963–1967), conhecida como Revolta de Radfan, o Mod 56 foi utilizado pelo Exército Real Britânico, especificamente pelo 1º Regimento Leve de Artilharia Real a Cavalo e pelo 19º Regimento Leve. Nesse conflito, as forças britânicas enfrentaram a Frente de Libertação Nacional no Iêmen do Sul, um protetorado britânico, onde o obuseiro demonstrou sua utilidade em operações contra insurgentes em terrenos acidentados. O uso mais intenso do Mod 56 ocorreu nas primeiras fases da Guerra do Vietnã (1955–1975), onde foi empregado pelas forças armadas da Austrália e da Nova Zelândia. Nesse contexto de alto desgaste, no entanto, o obuseiro revelou limitações. Artilheiros relataram que o equipamento sofria desgaste significativo e quebras frequentes devido à montagem e desmontagem repetitiva, especialmente em operações contínuas. Como resultado, as forças optaram por transportá-lo em caminhões para distâncias maiores fora das zonas de combate, o que reduziu o estresse no equipamento, mas evidenciou sua inadequação para combates prolongados. Dois anos após seu emprego inicial no Vietnã, o Mod 56 foi substituído pelo obuseiro norte-americano M-101A1 de 105 mm, mais robusto e adequado para operações intensas. Na Comunidade das Nações (Commonwealth) , o Mod 56 era conhecido como “obuseiro do pacote L-5” com munição L-10. Apesar de sua popularidade, a combinação de alcance limitado e letalidade moderada de sua munição levou o Reino Unido a iniciar, em 1962, o desenvolvimento de um substituto, resultando no L-118 Light Gun de 105 mm, que entrou em serviço em 1974 e oferecia maior alcance e robustez. 
A adoção do Mod 56 ocorreu em um período de transição para a OTAN, quando os exércitos europeus buscavam modernizar seus arsenais após a Segunda Guerra Mundial.  A Guerra Fria exigia equipamentos versáteis e de rápida mobilização, e o Mod 56 atendia a essas demandas, especialmente para forças que operavam em terrenos difíceis ou em missões expedicionárias. Sua capacidade de ser aerotransportado e desmontado o tornava ideal para conflitos assimétricos, como os enfrentados na Malásia e em Áden, mas as demandas de conflitos de alta intensidade, como a Guerra do Vietnã, expuseram suas limitações estruturais. A OTO Melara, ciente dessas questões, continuou a aprimorar seus projetos, mas o Mod 56 permaneceu um marco em sua história, simbolizando a capacidade da empresa de responder às necessidades de seus clientes em um cenário global competitivo. Um dos usos mais significativos do Mod 56 ocorreu durante a Guerra das Malvinas (Falklands) em 1982, um conflito entre a Argentina e o Reino Unido pelo controle do arquipélago no Atlântico Sul. Nesse confronto, os 3º e 4º Grupos de Artilharia do Exército Argentino empregaram o Mod 56 contra as forças britânicas durante a ousada operação de retomada das ilhas. Apesar do alcance limitado de 10,5 km, a precisão e a mobilidade do obuseiro o tornaram uma arma eficaz em terrenos acidentados, contribuindo significativamente para as baixas sofridas pelos britânicos. O desempenho do Mod 56 nesse conflito destacou sua relevância em cenários de combate assimétrico, onde a capacidade de rápida mobilização e disparos precisos era crucial. Até o final de 1985, cerca de 3.000 unidades do Mod 56 foram produzidas pela OTO Melara, com a fabricação continuando sob licença pela estatal chinesa Norinco Group (North Industries Corporation) até o final do século XX. A produção licenciada ampliou o alcance global do obuseiro, que foi adotado por mais de 40 países, incluindo Itália, Austrália, Alemanha, Áustria, Argentina, Arábia Saudita, Bangladesh, Bélgica, Biafra, Burkina Faso, Botsuana, Brasil, Bósnia e Herzegovina, Canadá, China, Chipre, Croácia, Djibouti, Chile, Equador, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Sérvia e Montenegro, França, Gana, Grécia, Índia, Indonésia, Irã, Iraque, Iêmen, Iugoslávia, Kuwait, Quênia, Malásia, Marrocos, Macedônia, Nepal, Nova Zelândia, Nigéria, Paquistão, Peru, Portugal, Reino Unido, Filipinas, San Marino, Espanha, Somália, Sudão, Tailândia, Venezuela, Zâmbia e Zimbábue. Essa ampla adoção reflete o apelo universal do Mod 56, que se tornou um pilar da artilharia leve em nações com diversas necessidades operacionais. Mesmo décadas após sua introdução, o Mod 56 permanece em serviço em várias forças armadas ao redor do mundo, com previsão de continuar ativo até meados do século XXI. Sua longevidade é um testemunho de seu design funcional e adaptável, especialmente em forças com recursos limitados ou em terrenos desafiadores. Em janeiro de 2023, o governo francês cedeu dezenas de unidades do Oto Melara Modelo 56 às Forças Armadas da Ucrânia, como parte do apoio internacional no conflito contra a Rússia. Essa doação representou um reforço significativo para o esforço de guerra ucraniano, demonstrando a relevância contínua do obuseiro em cenários de combate modernos, onde sua mobilidade e facilidade de operação ainda são valorizadas.

Emprego no Exército Brasileiro.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil redefiniu sua inserção estratégica no cenário internacional ao alinhar-se formalmente ao bloco aliado. Essa decisão representou não apenas um posicionamento político-diplomático, mas também um passo decisivo na modernização de suas Forças Armadas. Em 1941, o país tornou-se signatário do programa norte-americano Lend-Lease Act a chamada Lei de Arrendamentos e Empréstimos  instrumento concebido pelos Estados Unidos para prover material bélico às nações comprometidas com o enfrentamento das potências do Eixo. Até então, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro encontrava-se em grande parte equipada com peças adquiridas nas primeiras décadas do século XX, de origem predominantemente francesa, alemã e britânica. Embora adequadas aos padrões de sua época, essas armas revelavam-se tecnologicamente superadas diante das exigências da guerra moderna, sobretudo no que se refere a alcance, mobilidade, padronização de munições e sistemas de pontaria. A adesão ao programa Lend-Lease proporcionou um salto qualitativo significativo. O Brasil passou a receber uma ampla variedade de equipamentos de artilharia, com calibres variando de 37 mm a 305 mm. Entre os sistemas mais relevantes destacaram-se os obuseiros M1 Howitzer de 105 mm e M2 Howitzer de 155 mm, que representaram um avanço técnico substancial em relação às peças então em serviço. Essas armas passaram a equipar as unidades de primeira linha, elevando a capacidade operacional do Exército Brasileiro e aproximando-o dos padrões organizacionais e doutrinários adotados pelos exércitos aliados. O verdadeiro teste dessa modernização ocorreu com o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para o teatro de operações europeu, no contexto da Campanha da Itália. A Artilharia Divisionária  foi organizada em quatro Grupos de Obuses, estruturados para proporcionar apoio de fogo contínuo e coordenado às tropas de infantaria. Três desses grupos operavam com doze obuseiros M2 de 105 mm cada, enquanto o IV Grupo estava equipado com doze obuseiros M1 de 155 mm. Essa organização refletia a doutrina de emprego de artilharia então vigente no Exército dos Estados Unidos (U.S. Army)  que desempenhou papel central no treinamento, na padronização logística e na assistência técnica às forças brasileiras. A campanha na Itália  marcada por combates em terrenos montanhosos, clima rigoroso e forte resistência alemã  constituiu um marco na consolidação doutrinária da artilharia nacional. Sob orientação de oficiais norte-americanos, os artilheiros brasileiros aperfeiçoaram procedimentos de coordenação de fogo, comunicações, observação avançada e manutenção, estabelecendo bases técnicas que influenciariam a evolução da artilharia brasileira nas décadas seguintes. O desempenho em ações como as batalhas de Monte Castelo e Montese evidenciou a eficácia dos obuseiros M1 e M2, cuja precisão, cadência de tiro e confiabilidade mecânica mostraram-se determinantes no apoio às operações terrestres. Mais do que um reforço material, tratou-se de uma experiência formadora, que inseriu definitivamente a artilharia brasileira no contexto da guerra moderna.

Na segunda metade da década de 1960, esse processo de fortalecimento foi aprofundado com a implementação do Acordo de Assistência Militar Brasil–Estados Unidos, firmado em 1952 no âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP). Esse instrumento ampliou o acesso a equipamentos e recursos norte-americanos, resultando na incorporação adicional de obuseiros M2 e M2A1 de 105 mm, bem como M1 de 155 mm, destinados tanto ao Exército Brasileiro quanto ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. Não obstante os avanços proporcionados pelos acordos de assistência militar com os Estados Unidos, a incorporação de sistemas de artilharia mais modernos pelo Exército Brasileiro permaneceu limitada ao longo das décadas de 1960 e 1970. Entre 1967 e 1968, foram recebidos apenas 19 obuseiros M102 AR de 105 mm  versão mais leve e tecnologicamente aprimorada da tradicional família de obuseiros de 105 mm, concebida para maior mobilidade tática e compatibilidade com transporte aéreo. Essas peças foram concentradas exclusivamente no 25º Grupo de Artilharia de Campanha (25º GAC), sediado em Bagé, no estado do Rio Grande do Sul. Tal concentração geográfica, embora fortalecesse a capacidade operacional daquela unidade, restringiu a disseminação de tecnologia mais recente no âmbito nacional, limitando a modernização estrutural da artilharia de campanha brasileira como um todo. Ao iniciar-se a década de 1980, tornava-se evidente para o Alto Comando da Força Terrestre a necessidade de renovação de seus meios de artilharia de 105 mm. Os obuseiros norte-americanos M101A1  designação posterior dos modelos M2 e M2A1  encontravam-se em serviço havia mais de quatro décadas. Embora mantivessem elevados índices de disponibilidade operacional, resultado de criteriosos programas de manutenção e de sucessivas atualizações técnicas, tratava-se de sistemas concebidos sob parâmetros tecnológicos da Segunda Guerra Mundial. Cabe destacar que a produção nacional de componentes críticos havia assegurado determinado grau de autonomia logística, elemento relevante em termos estratégicos. Ainda assim, tornava-se progressivamente claro que tais sistemas não mais atendiam às exigências de mobilidade, alcance e amplitude de setor de tiro impostas pelo campo de batalha contemporâneo, cada vez mais dinâmico e orientado por doutrinas de emprego que privilegiavam rapidez de deslocamento e flexibilidade tática. Diante desse cenário, o comando do Exército Brasileiro iniciou estudos visando à aquisição de um novo obuseiro de campanha de 105 mm, com previsão inicial de até cinquenta unidades. O objetivo era substituir gradualmente as peças mais desgastadas dos obuseiros M2 AR 105 mm (M101), bem como reforçar o inventário dos Grupos de Artilharia de Campanha Leve, das unidades de Artilharia Paraquedista e das Brigadas de Infantaria. No início de 1985, avançaram as negociações para a aquisição de quarenta obuseiros britânicos L118 Light Gun, cuja incorporação representaria significativo incremento à artilharia de campanha nacional, especialmente em termos de mobilidade e alcance. Todavia, permanecia em aberto a necessidade de substituição dos antigos obuseiros leves M1 Pack Howitzer de 75 mm, em serviço desde o início da década de 1940 e já claramente obsoletos.
Àquela altura, restavam poucas peças desse modelo em operação, empregadas predominantemente em atividades de instrução e em tiros de salva cerimonial, notadamente junto ao Curso de Formação de Reservistas de 2ª Categoria do Colégio Militar de Porto Alegre. Sua permanência em serviço tinha mais caráter histórico e pedagógico do que operacional. Nesse contexto, foram analisadas diversas alternativas internacionais de obuseiros leves, avaliadas sob critérios técnicos e econômicos. A escolha recaiu sobre o OTO Melara Mod 56, sistema de origem italiana que reunia atributos de elevada mobilidade, simplicidade de manutenção e comprovado desempenho em combate. Além de apresentar uma relação custo-benefício considerada favorável, o modelo havia obtido expressiva projeção internacional após seu emprego na Guerra das Malvinas, conflito no qual demonstrou robustez e eficácia em terreno acidentado e sob condições operacionais exigentes.  Nesse quadro, o Ministério do Exército estabeleceu negociações com a OTO Melara S.p.A., tradicional empresa italiana fundada em 1905 e amplamente reconhecida por sua experiência no desenvolvimento de sistemas de artilharia. As tratativas resultaram, ao final de 1982, na aquisição de 92 obuseiros novos de fábrica do modelo OTO Melara Mod 56, que receberam, no Brasil, a designação de Obuseiro M-56 AR 105 mm. As primeiras unidades começaram a ser entregues a partir de meados de 1983, representando um avanço significativo na capacidade operacional da artilharia leve nacional. A escolha do Mod 56 atendeu a uma necessidade objetiva: dotar unidades especializadas com um sistema leve, desmontável, de elevada mobilidade e compatível com munições padronizadas no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Essas características tornavam o obuseiro particularmente adequado para operações em ambientes diversos, como regiões de selva, áreas montanhosas e missões aeromóveis, nas quais a rapidez de desdobramento e a flexibilidade logística são fatores determinantes. Além dos aspectos técnicos, a aquisição também refletiu a consolidação de uma aproximação estratégica entre Brasil e Itália no campo da cooperação militar e industrial. O processo de introdução do novo sistema foi conduzido com rigor institucional. As primeiras peças foram destinadas à Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), onde se desenvolveu a base doutrinária para sua operação. Nesse âmbito, foi elaborado o Manual de Campanha “Serviço da Peça do Obuseiro M-56”, documento fundamental para a padronização de procedimentos, além da incorporação do sistema ao currículo do Curso de Material Bélico, assegurando a formação técnica adequada dos futuros oficiais. Concluída essa etapa inicial de assimilação doutrinária e capacitação técnica, os obuseiros foram distribuídos a unidades estratégicas do Exército Brasileiro, entre as quais o 2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, o 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva, o 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve – Aeromóvel, o 26º Grupo de Artilharia de Campanha e o 32º Grupo de Artilharia de Campanha. Em cada uma dessas organizações, as baterias passaram a contar, em regra, com quatro obuseiros M-56, normalmente tracionados por viaturas Mercedes-Benz LAK 1418 VTNE, solução que garantia adequada mobilidade terrestre.

A incorporação do OTO Melara Mod 56 ao inventário do Exército Brasileiro representou significativo incremento na capacidade de apoio de fogo das unidades de artilharia leve, particularmente daquelas vocacionadas a operações de emprego imediato e projeção estratégica. Sua adoção inseriu-se em um processo mais amplo de atualização doutrinária ocorrido nas últimas décadas do século XX, período em que mobilidade, flexibilidade logística e rapidez de desdobramento passaram a constituir requisitos centrais do planejamento militar. Nesse sentido, o sistema não apenas substituiu meios já obsoletos, mas consolidou uma nova etapa evolutiva da artilharia leve nacional. O maior destaque operacional coube ao 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista (8º GAC Pqdt), que estruturou três baterias equipadas com o Mod 56. Integrado à Brigada Aeromóvel, esse grupo passou a dispor de uma capacidade ampliada de pronta-resposta, podendo ser lançado por aeronaves de transporte da Força Aérea Brasileira, como o De Havilland Canada DHC-5 Buffalo e o Lockheed C-130 Hercules. A leveza do sistema  aproximadamente 1.290 kg  aliada à possibilidade de desmontagem em até doze cargas, permitia seu transporte aéreo e posterior montagem em curto intervalo de tempo, atributo essencial em operações aerotransportadas e missões de rápida intervenção. Do ponto de vista logístico, o Obuseiro M-56 AR 105 mm destacou-se por sua simplicidade construtiva e facilidade de operação. A compatibilidade com munições nacionais produzidas pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), idênticas às empregadas pelos obuseiros M101 AR e pelos autopropulsados M108 AP, assegurava racionalização do abastecimento e economia de escala, além de simplificar os processos de manutenção e armazenamento. Entretanto, seu alcance máximo  cerca de 10,2 quilômetros impunha limitações em cenários de combate convencional de maior profundidade. Essa restrição, contudo, era mitigada em operações especializadas, notadamente em ambientes de selva ou áreas de difícil acesso, onde a mobilidade e a adaptabilidade do sistema prevaleciam sobre a necessidade de maior alcance balístico. Na década de 2000, o Exército Brasileiro iniciou experimentações doutrinárias relacionadas à chamada “Marcha para o Combate Fluvial em Ambiente de Selva”, tendo o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva assumido protagonismo nesse processo a partir de 2006. Inserido na realidade operacional da Amazônia, o Mod 56 foi submetido a testes em condições logísticas particularmente desafiadoras. Sua capacidade de desmontagem possibilitou o transporte em fardos individuais, inclusive por meio de animais de carga  como búfalos, bem adaptados ao terreno pantanoso e irregular da região , seja conduzindo as peças desmontadas em cangalhas, seja tracionando o obuseiro montado. Além do transporte terrestre, o sistema mostrou-se compatível com deslocamentos fluviais, sendo embarcado em meios navais como embarcações patrulha e balsas logísticas, bem como helitransportado quando necessário. Essa multiplicidade de vetores de mobilidade permitia sua rápida instalação em praias fluviais para execução de tiros reais, assegurando apoio de fogo contínuo em áreas onde os cursos d’água constituem os principais eixos de deslocamento. A experimentação em ambiente amazônico confirmou, assim, a elevada flexibilidade do Mod 56, evidenciando sua adequação a operações fluviais e ribeirinhas. 
A possibilidade de desmontagem e transporte por diferentes meios reforçou sua eficácia em um teatro operacional no qual as limitações impostas pela geografia exigem soluções logísticas criativas e adaptáveis. Dessa forma, o obuseiro italiano consolidou-se como instrumento coerente com as especificidades estratégicas brasileiras, especialmente no que concerne à defesa e à presença militar na região amazônica. O obuseiro OTO Melara M-56 AR 105 mm, incorporado ao Exército Brasileiro a partir de 1983, desempenhou um papel central na artilharia de campanha por décadas. Contudo, o uso contínuo ao longo dos anos resultou em significativo desgaste de suas peças, comprometendo sua operacionalidade. No final da década de 2010, tornou-se evidente a necessidade de um programa abrangente de revitalização para garantir a continuidade de sua eficácia e prolongar sua vida útil. Essa iniciativa refletiu o compromisso do Exército Brasileiro em manter sua capacidade operacional, especialmente em unidades especializadas, como as de artilharia de selva e aeromóveis. A revitalização também se alinhava aos esforços de modernização das Forças Armadas, iniciados durante a Segunda Guerra Mundial com o Leand & Lease Bill Act e continuados por acordos de assistência militar com os Estados Unidos e parcerias com fabricantes internacionais, como a OTO Melara S.p.A. O programa de revitalização foi conduzido pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em colaboração com a Diretoria de Material (D Mat), subordinada ao Comando Logístico (COLOG). O projeto focou na recuperação de todos os componentes críticos do Mod 56, com ênfase na nacionalização de 80% de suas peças, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros e fortalecendo a autonomia logística do Exército. Além disso, foi instalado um novo aparelho de pontaria (luneta), aprimorando a precisão e a eficiência do obuseiro. O processo incluiu a elaboração de materiais técnicos detalhados para manutenção de primeiro e segundo escalões, abrangendo procedimentos de desmontagem, montagem, limpeza e lubrificação. Esses manuais foram desenvolvidos para capacitar os Batalhões Logísticos que apoiam os Grupos de Artilharia, aumentando a disponibilidade operacional do armamento e facilitando sua manutenção em campo. Essa abordagem reforçou a prontidão das unidades equipadas com o Mod 56, garantindo maior eficiência em operações. Entre 5 e 7 de julho de 2017, a Diretoria de Material promoveu uma cerimônia no 1º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva, em Boa Vista, Roraima, para marcar a entrega técnica dos três primeiros obuseiros OTO Melara M-56 revitalizados pelo AGSP. Ao todo, o programa envolveu a recuperação de 63 unidades, assegurando a extensão de sua vida útil até a implementação do Subprograma Sistema de Artilharia de Campanha (SPrg SAC), parte do Programa Estratégico do Exército Obtenção da Capacidade Operacional Plena (Prg EE OCOP). O SPrg SAC prevê, como uma das opções, a substituição futura do Mod 56 pelos obuseiros norte-americanos M-119A2 de 105 mm, que oferecem maior alcance e modernidade. Essa possibilidade reflete o planejamento estratégico do Exército para manter sua artilharia alinhada às demandas contemporâneas, enquanto a revitalização do Mod 56 garante a continuidade operacional no curto e médio prazos.

Em Escala.
Uma representação notável do obuseiro leve OTO Melara M-56 L/14 105 mm é oferecida pelo kit em resina impresso em 3D, na escala 1/35, desenvolvido pelo militar e modelista Marcelo Pestana Miniaturas. Esse modelo é amplamente reconhecido por sua qualidade excepcional, combinando facilidade de montagem com um alto nível de detalhamento.  Para representar a versão do Obuseiro M-56 utilizada pelo Exército Brasileiro, o kit não exige modificações adicionais, sendo possível montá-lo diretamente a partir da caixa.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o primeiro padrão de pintura aplicado nos obuseiros Oto Melara M-56 AR 105 mm, quando de seu recebimento em 1983. Estas peças passaram a ostentar um padrão de pintura total em verde oliva após a implementação do processo de revitalização realizado no pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP). 
Bibliografia: 
- L118 Light Gun 105 mm - https://www.no-regime.com/ru-pt/wiki/L118_light_gun
- O emprego do obuseiro M56 na marcha de combate fluvial - http://ebrevistas.eb.mil.br/REB/article/view/9082/7837
- Revitalização de obuseiros de 105 mm M56 Oto Melara- https://www.forte.jor.br/ 
- Sistema Gênesis GEN-3004 - https://www.imbel.gov.br/index.php/comunicacoes-eletronica-e-sistemas 
- Obuseiro M119A2 para o Brasil? - https://tecnodefesa.com.br/obuseiro-m119a2-para-o-brasil/
- Recuperação de obuseiros de 105mm - Paulo Roberto Bastos Jr. www.tecnodefesa.com.br 

AT-26A Atlas Impala

História e Desenvolvimento.
No início da década de 1950, a rápida incorporação de caças a jato de desempenho cada vez mais elevado, culminando com o advento dos primeiros vetores supersônicos, evidenciou de forma inequívoca a necessidade de revisão e aprimoramento dos processos de formação e conversão de pilotos militares. A crescente disparidade tecnológica e operacional entre as aeronaves de treinamento avançado então em serviço em sua maioria ainda equipadas com motores a pistão  e os modernos caças de primeira linha impunha riscos à segurança de voo e comprometia a eficiência da transição operacional. Diante desse cenário, diversas forças aéreas passaram a reconhecer que a simples progressão direta do treinamento avançado convencional para aeronaves supersônicas já não era suficiente. Tornou-se, assim, imprescindível a adoção de uma etapa intermediária de transição, baseada em aeronaves equipadas com motores a reação, capazes de familiarizar os pilotos com velocidades mais elevadas, novas características de resposta aos comandos, procedimentos específicos de voo a jato e maior complexidade dos sistemas de bordo. Após estudos criteriosos que consideraram aspectos doutrinários, operacionais e de custo-benefício, consolidou-se a opção pelo desenvolvimento e pela aquisição de treinadores a jato dedicados, concebidos especificamente para o treinamento avançado e a transição operacional. Nesse contexto, várias nações lançaram projetos próprios, resultando em aeronaves que se tornariam referências internacionais nesse segmento. Entre os modelos mais representativos destacaram-se o Fouga CM.170 Magister, de origem francesa; o Cessna T-37 Tweet, desenvolvido nos Estados Unidos; o BAC Jet Provost, do Reino Unido; e o Aero L-29 Delfín, da então Tchecoslováquia. Paralelamente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) promoveu uma concorrência internacional de grande relevância estratégica, com o objetivo de selecionar um treinador a jato padrão para equipar as forças aéreas de seus países-membros na Europa. A iniciativa visava não apenas à modernização dos sistemas de instrução, mas também à padronização de doutrinas, à racionalização logística e à otimização de recursos financeiros no âmbito da Aliança. Atenta a essa oportunidade e buscando ampliar sua presença no mercado internacional, a Aermacchi – Aeronautica Macchi, da Itália, iniciou o desenvolvimento de um novo treinador a jato, designado M.B. 326, concebido para atender aos exigentes requisitos da concorrência da OTAN. Embora o projeto italiano não tenha sido selecionado nesse certame específico, suas qualidades técnicas despertaram considerável interesse em outros ambientes operacionais. Simultaneamente, a própria Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare Italiana – AMI) enfrentava a necessidade de modernizar seu sistema de formação de pilotos e identificava na proposta da Aermacchi uma solução alinhada às suas demandas. 

O Ministério do Ar Italiano estabeleceu, então, um conjunto rigoroso de requisitos operacionais para o novo treinador avançado, que deveria: Suportar cargas de até 7 G durante manobras de instrução; Decolar com carga útil máxima de aproximadamente 1.600 kg em pistas de apenas 800 metros, superando obstáculos de até 16 metros; Pousar em uma distância não superior a 450 metros; Alcançar velocidade máxima da ordem de 700 km/h; Apresentar uma taxa de subida mínima de 15 metros por segundo. Além do desempenho, exigia-se que a aeronave apresentasse custos reduzidos de aquisição e operação, elevada confiabilidade e facilidade de manutenção, assegurando alta disponibilidade e excelente relação custo-benefício ao longo de sua vida operacional. Atendendo às exigentes especificações estabelecidas pelo Ministério da Aeronáutica Italiano (Aeronautica Militare Italiana – AMI), a equipe de engenharia da Aermacchi, sob a liderança do renomado engenheiro Ermanno Bazzocchi, deu início ao desenvolvimento de uma aeronave de treinamento a jato concebida segundo princípios de simplicidade construtiva, robustez estrutural e elevada eficiência operacional. O projeto refletia a clara intenção de criar um treinador avançado capaz de preparar pilotos para a operação segura e eficaz das modernas aeronaves a jato então em incorporação ao serviço ativo. O resultado desse esforço foi uma aeronave monomotora de asas baixas, dotada de uma configuração aerodinâmica limpa e racional. O sistema de combustível foi distribuído de forma a otimizar o alcance e o equilíbrio da aeronave, com tanques instalados na fuselagem e tanques suplementares posicionados nas pontas das asas. A cabine, disposta em tandem, acomodava instrutor e aluno em assentos ejetáveis, sendo protegida por um canopy único em forma de bolha, solução que proporcionava excelente visibilidade externa, fator essencial para a instrução em voo e para a consciência situacional dos tripulantes. A propulsão era assegurada pelo turbojato britânico Armstrong Siddeley Viper Mk.8, capaz de desenvolver cerca de 1.750 libras de empuxo. Originalmente projetado para emprego em drones-alvo descartáveis, o Viper revelou-se, durante sua evolução, um motor notavelmente confiável, econômico e de manutenção simplificada. Essas características favoreceram sua adaptação para uso em aeronaves tripuladas, tornando-o uma escolha particularmente adequada para um treinador avançado, no qual a disponibilidade e os custos operacionais eram fatores determinantes. A estrutura da aeronave, inteiramente metálica, foi concebida para combinar leveza, resistência e facilidade de manutenção, atributos que se traduziram em elevada robustez e longa vida útil. Essa filosofia construtiva contribuiu decisivamente para a ampla aceitação do projeto por diversas forças aéreas ao redor do mundo, que buscavam soluções eficazes e sustentáveis para seus sistemas de formação de pilotos. Em 1954, Ermanno Bazzocchi apresentou formalmente os primeiros estudos conceituais da aeronave ao Ministério da Aeronáutica Italiano, que prontamente reconheceu o potencial do projeto. Esse interesse resultou na assinatura de um contrato para a construção de três protótipos, destinados a um extenso programa de ensaios em voo.  O primeiro deles, registrado como MM.57-1, realizou seu voo inaugural em 10 de dezembro de 1957, sob o comando do experiente piloto de provas Guido Carestiato. 
Durante a campanha de testes, a aeronave superou as expectativas iniciais, demonstrando excelente comportamento em voo e destacando-se pela capacidade de suportar cargas estruturais de até +7,6 G e -3,3 G. Esses resultados confirmaram sua adequação como plataforma de treinamento avançado, capaz de expor os futuros pilotos da Aeronautica Militare Italiana a regimes de voo compatíveis com aqueles encontrados em aeronaves de combate a jato. O êxito do programa consolidou definitivamente a reputação de Ermanno Bazzocchi como um dos mais destacados engenheiros aeronáuticos da Itália no pós-guerra. Ao longo de sua carreira, Bazzocchi desempenhou papel central no desenvolvimento de diversas aeronaves de relevância, entre elas os modelos MB-308, MB-323, MB-326 e MB-339, que marcaram gerações e exerceram influência significativa na aviação militar italiana e internacional. Apesar das elevadas expectativas iniciais, as análises finais do programa de ensaios em voo revelaram a existência de falhas a serem corrigidas e a necessidade de diversas melhorias. Dentre as modificações realizadas, destaca-se a substituição do motor turbojato original pelo novo modelo Rolls-Royce Viper 9 MK-22 540, com empuxo de 2.500 libras, cujo objetivo era sanar as deficiências de desempenho observadas na aeronave. Outras alterações significativas incluíram a eliminação do ângulo diedro negativo nas superfícies horizontais da cauda e a substituição do sistema de freios aerodinâmicos duplos, anteriormente instalados nas asas, por um único freio localizado na parte ventral da fuselagem. O segundo protótipo, já incorporando essas melhorias, realizou seu voo inaugural em 22 de setembro de 1958. Contudo, enfrentava a concorrência direta do Fiat G.80, um modelo com desempenho superior ao da aeronave desenvolvida pela Aermacchi (Aeronautica Macchi). O Fiat G.80 detinha ainda a distinção de ser o primeiro jato genuinamente italiano, tendo realizado seu primeiro voo cinco anos antes do Aermachi MB-326. Entretanto, o Fiat G.80 apresentava diversas desvantagens relevantes, como maior peso, dimensões significativamente superiores e um custo mais elevado em comparação ao MB-326. Esses fatores foram determinantes para a escolha do modelo da Aeronautica Macchi. Como resultado, em 15 de dezembro de 1958, o governo italiano firmou um contrato para a produção de um lote inicial de quinze aeronaves pré-série, que seriam montadas nas novas instalações da empresa na cidade de Masnago, em Varese, no norte da Itália.  A entrega dessas aeronaves ocorreu logo em seguida, permitindo a homologação oficial do modelo para operação. Neste momento seria realizadas as negociações comerciais entre o governo e o fabricante, e  posteriormente, em setembro de 1959, foi celebrado o primeiro contrato de produção em série, envolvendo um pedido inicial de cinquenta aeronaves a fim de todas as unidades de formação e treinamento.  No ano seguinte, foi aprovado um aditivo para a fabricação de mais cem células, tendo em vista as excelentes expectativas operacionais apresentadas. A primeira aeronave de série destinada à Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare Italiana – AMI) realizou seu voo inaugural em 5 de outubro de 1960. As primeiras células do Aermacchi MB-326 foram entregues no final do ano de 1961 à Escola de Voo Básico Inicial em Jatos – SVBIA "Lecce-Galatina", passando a equipar o 214º Gruppo, unidade encarregada da formulação da doutrina operacional do novo modelo. 

Inicialmente, todo o efetivo do grupo foi temporariamente alocado na Base Aérea de Brindisi, localizada na região da Apúlia. Em 22 de março de 1962, o Aermacchi MB-326 foi oficialmente incorporado ao serviço ativo, sendo empregado em tarefas de instrução junto ao 43º Gruppo de Instrução, onde passou a substituir os já obsoletos treinadores North American T-6 Texan. Pouco tempo depois, novas unidades foram adicionadas à frota, possibilitando a ampliação do escopo de instrução para missões de treinamento intermediário e avançado. Como treinador, o MB-326 era consideravelmente mais caro, mas foi recebido com entusiasmo entre os alunos; além disso, quando usado em combinação com o treinador avançado Fiat G.91T, permitiu a promulgação de um curso de treinamento "totalmente a jato" para pilotos italianos, além disso, eram aeronaves projetadas e produzidas nacionalmente De acordo com a publicação aeroespacial Flight International, durante o início dos anos 1960, o programa de treinamento de voo da Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare Italiana – AMI) foi fortemente influenciado pela iminente entrada em serviço do Lockheed F-104G Starfighter.  Destaca-se que, ao menos cinco aeronaves pertencentes ao último lote de produção foram entregues configuradas para instrução de ataque equipados com o   motor  Viper 11 Mk 200 e não o Viper 20 Mk 540 original. Essas aeronaves estavam equipadas com quatro pontos duros sob as asas, permitindo o emprego de armamentos como casulos de metralhadoras, bombas de queda livre e foguetes não guiados. Essa configuração ampliava a versatilidade do MB-326, possibilitando seu uso também como aeronave de ataque ao solo. As excelentes características de desempenho, manobrabilidade e confiabilidade operacional do MB-326 despertaram amplo interesse internacional, levando à sua adoção por diversas forças aéreas ao redor do mundo, em distintas versões. O primeiro contrato de exportação foi firmado com o governo da Tunísia, envolvendo a aquisição de oito aeronaves configuradas para ataque a solo. Em seguida, novas exportações foram realizadas: nove unidades MB-326F para a Força Aérea de Gana e oito aeronaves da versão MB-326GG para a Aviação Naval da Marinha Argentina. As condições favoráveis à produção sob licença contribuíram decisivamente para a ampla difusão do Aermacchi MB-326, permitindo que diversos países estabelecessem linhas de montagem locais e adaptassem o projeto às suas necessidades operacionais. Nesse contexto, a África do Sul destacou-se como um dos casos mais emblemáticos, em virtude do complexo cenário político, econômico e estratégico que enfrentava a partir da segunda metade do século XX. As condições favoráveis à produção sob licença contribuíram decisivamente para a ampla difusão do Aermacchi MB-326, permitindo que diversos países estabelecessem linhas de montagem locais e adaptassem o projeto às suas necessidades operacionais. Nesse contexto, a África do Sul destacou-se como um dos casos mais emblemáticos, em virtude do complexo cenário político, econômico e estratégico que enfrentava a partir da segunda metade do século XX. A partir da década de 1970, o país passou a sofrer o ápice das sanções internacionais, tanto de natureza econômica quanto político-militar, em decorrência das políticas raciais implementadas pelo regime do apartheid. 
Diversas nações  incluindo os Estados Unidos, países da Europa Ocidental e outros parceiros tradicionais  impuseram embargos à venda de armamentos, com o objetivo de pressionar o governo sul-africano a promover reformas estruturais e avançar na superação da segregação racial institucionalizada. Embora essas medidas tivessem forte motivação política e humanitária, seus efeitos colaterais resultaram em uma crescente fragilização da capacidade de defesa do país. Esse quadro tornava-se ainda mais delicado pelo fato de a África do Sul estar frequentemente envolvida em conflitos regionais, especialmente na África Austral, notadamente na Namíbia e em Angola, em um ambiente marcado por guerras de baixa intensidade, insurgências e confrontos indiretos influenciados pela Guerra Fria. Diante dessas restrições externas, o governo sul-africano passou a buscar, de forma sistemática, o máximo grau possível de autonomia estratégica, investindo de maneira decisiva no fortalecimento de sua indústria de defesa nacional. No setor aeronáutico, esse esforço concentrou-se na adaptação de plataformas já conhecidas e produzidas localmente. A base para esse desenvolvimento foi o Impala Mk.1, versão do Aermacchi MB-326M, montada sob licença pela Atlas Aircraft Corporation a partir de 1966. A partir dessa experiência, estudos avançaram no sentido de criar uma variante dedicada ao ataque ao solo, capaz de ser produzida e mantida sem dependência externa significativa. Esse processo culminou no desenvolvimento do Aermacchi MB-326K, que, em sua versão sul-africana, recebeu a designação Atlas Impala Mk.2. Tratava-se de um jato monoplace de ataque, significativamente reforçado em relação ao treinador original. A aeronave era equipada com dois canhões orgânicos DEFA 553 de 30 mm, além de dispor de seis pontos duros subalares, capazes de transportar até 1.814 kg de carga útil, incluindo bombas convencionais, foguetes e outros armamentos. Para aumentar sua sobrevivência em ambientes hostis, o Impala Mk.2 incorporava sistemas de defesa passiva, como receptores de alerta radar (Radar Warning Receiver – RWR) e lançadores de chaff e flares. Essa configuração conferia ao Impala Mk.2 um considerável poder de fogo, tornando-o especialmente eficaz em missões de ataque ao solo, apoio aéreo aproximado e interdição, além de lhe permitir atuar, de forma limitada, em missões de interceptação. Em 1974, foi celebrado um contrato entre a Aermacchi e a Atlas Aircraft Corporation prevendo a produção de 13 células na Itália e a montagem de outras 86 aeronaves na África do Sul, consolidando a autonomia industrial pretendida. Em serviço, o Impala Mk.2 foi extensivamente empregado pela Força Aérea Sul-Africana (South African Air Force – SAAF), equipando seis esquadrões operacionais e participando ativamente das operações de combate contra forças guerrilheiras em Angola e na Namíbia. Além das missões de ataque ao solo, a aeronave foi utilizada, de maneira pontual, em tarefas de interceptação aérea. Durante o ano de 1985, essas operações resultaram no abatimento confirmado de seis helicópteros inimigos, dos tipos Mil Mi-8 e Mi-24. Nessas missões, além de seus canhões orgânicos, o Impala Mk.2 podia ser armado com mísseis ar-ar Matra R.550 Magic, empregados para autodefesa, especialmente em cenários que envolviam a possibilidade de confronto com caças MiG-19 e MiG-21 operados por forças adversárias na região. Ao longo da década de 1990, com a redução progressiva das tensões regionais e as transformações políticas internas, essas aeronaves foram gradualmente retiradas das missões de ataque. Passaram então a operar em conjunto com os Impala Mk.1 biplaces, dedicando-se à instrução avançada na Escola de Treinamento de Voo de Langebaanweg e na 85ª Escola de Combate. A carreira operacional do Impala Mk.2 foi encerrada a partir de 2002, com a introdução dos modernos treinadores avançados BAE Systems Hawk 127, que marcaram a transição definitiva da Força Aérea Sul-Africana para uma nova geração de aeronaves de treinamento e combate leve.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Na segunda metade da década de 1960, a aeronáutica atravessava um período de acentuada fragilidade operacional, resultado, em grande medida, da desativação prematura de sua frota de caças de primeira geração, composta pelos Gloster Meteor F-8 e TF-7, processo concluído entre 1966 e 1968. Essa retirada antecipada de serviço produziu uma lacuna sensível na capacidade de defesa aérea nacional, deixando o país com meios limitados para a vigilância e a proteção de seu espaço aéreo. Como consequência direta, restaram em operação apenas alguns  F-80C, concentrados no 1º/4º Grupo de Aviação (1º/4º GAv) – Esquadrão “Pacau”, então baseado na região Nordeste. Todavia, essas aeronaves já se encontravam tecnicamente defasadas e em número insuficiente para assegurar uma cobertura minimamente adequada. Diante de restrições orçamentárias persistentes, a aquisição imediata de caças supersônicos modernos mostrou-se inviável naquele momento. Buscando mitigar essa deficiência, o Ministério da Aeronáutica (MAer) recorreu aos mecanismos do Programa de Assistência Militar dos Estados Unidos (Military Assistance Program – MAP), solicitando a cessão de células adicionais dos Lockheed AT-33A e TF-33A. Embora essas aeronaves versões de treinamento adaptadas para missões de ataque  representassem uma solução paliativa, tratava-se de vetores usados, provenientes dos estoques da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), já marcados por sinais evidentes de obsolescência e próximos do limite de sua vida útil, o que tornava incontornável a necessidade de sua substituição em um horizonte de curto a médio prazo. Paralelamente, o Brasil avançava no processo de aquisição de sua primeira aeronave supersônica, que culminaria na escolha do Dassault Mirage IIIEBR, designado F-103E. A introdução desse moderno interceptador francês exigiria não apenas mudanças doutrinárias, mas também a adoção de novos padrões de formação e conversão operacional, compatíveis com o desempenho e a complexidade dos caças de alta performance. Nesse contexto, tornou-se imperativo selecionar uma aeronave intermediária, capaz de preparar os pilotos brasileiros para a transição segura e eficaz ao Mirage III, especialmente no que se referia ao domínio do voo a jato em regimes mais exigentes. Além das demandas associadas à defesa aérea, as condições de segurança interna vigentes à época impunham outro desafio relevante. Os AT-6 Texan, então empregados pelas Esquadrilhas de Reconhecimento e Ataque (ERA) e pelos Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), encontravam-se cada vez mais inadequados para as missões de combate à guerrilha interna de orientação comunista, tanto em termos de desempenho quanto de sobrevivência. A necessidade de sua substituição tornava-se, portanto, igualmente premente. A convergência desses fatores levou à formulação de requisitos para uma aeronave versátil, apta a cumprir missões de ataque leve e reconhecimento armado, dotada de baixa complexidade operacional e capaz de ser operada com relativa facilidade por pilotos recém-egressos dos jatos de treinamento T-37C, utilizados na Academia da Força Aérea (AFA). Tratava-se de uma solução pragmática, que equilibrasse desempenho, custo e simplicidade logística.

Em resposta a esse conjunto de necessidades estratégicas, o Ministério da Aeronáutica (maer) lançou, em 1968, uma concorrência internacional para a aquisição de uma aeronave com essas características. De maneira inédita para a época, o edital estabelecia como critério diferenciador a apresentação, por parte dos fabricantes, de propostas econômicas e contratuais favoráveis, incluindo a possibilidade de produção sob licença em território nacional. A concorrência internacional, atraiu ampla atenção da indústria aeronáutica global, dada sua magnitude e potencial estratégico. O processo previa a aquisição de 10 a 20 interceptadores supersônicos e até 100 aeronaves de treinamento avançado, o que motivou diversos fabricantes a apresentarem propostas, compondo um amplo leque de opções a serem avaliadas pelas autoridades brasileiras. Dentre os modelos avaliados no processo, figuravam os seguintes pares de aeronaves: o Saab 35 Draken e o treinador Saab SK 60, o Dassault Mirage IIIE e o Fouga CM.170 Super Magister, o English Electric Lightning F.6 e o BAC Jet Provost, bem como o Aeritalia F-104S Starfighter em conjunto com o Aermacchi MB-326. Desde as fases iniciais da análise, tornou-se evidente que a aquisição de dois modelos distintos de um mesmo país fornecedor não atenderia, de forma eficaz, às necessidades operacionais integradas da Força Aérea Brasileira (FAB). Assim, a escolha do interceptador recaiu sobre o Mirage IIIE, de origem francesa, em razão de sua superioridade técnica e alinhamento com os objetivos estratégicos da defesa aérea brasileira. No que se refere à seleção do treinador avançado, a proposta apresentada pela Aermacchi mostrou-se particularmente atraente. O plano italiano previa uma abordagem em duas etapas para a produção sob licença: na primeira fase, seriam fornecidos kits para montagem local das aeronaves; na segunda, ocorreria a nacionalização progressiva da fabricação das células e de seus componente. A aeronave em questão atendia satisfatoriamente aos requisitos operacionais estipulados pela Força Aérea Brasileira (FAB), sendo considerada ideal para as necessidades da época em razão de suas características aerodinâmicas e versatilidade de emprego. O modelo permitia o transporte de dois tripulantes em configuração tandem (com os assentos dispostos em linha, um atrás do outro), e era capaz de operar com cargas externas em até seis pontos de fixação sob as asas, totalizando uma capacidade máxima de 2.500 kg de armamentos. Adicionalmente, havia a possibilidade de instalação de um casulo para reconhecimento fotográfico sob a asa direita. O desempenho da aeronave incluía uma velocidade máxima de Mach 0.82 e capacidade de suportar cargas estruturais de +7,5G e -3G, atributos que, aliados à sua longa vida útil, consolidavam sua adequação ao cenário operacional brasileiro. A primeira unidade operacional da Força Aérea Brasileira (FAB) a empregar o AT-26 Xavante foi o 1º Grupo de Aviação de Caça (GAvC), que começou a receber suas aeronaves em 1972. Isso possibilitou a substituição gradual dos desgastados Lockheed AT-33A e TF-33, que foram desativados até o final de 1975, quando o esquadrão passou a operar os novos caças bombardeiros supersônicos Northrop F-5E Tiger II. 
A segunda unidade a adotar o AT-26 Xavante foi o 1º/4º Grupo de Aviação – Esquadrão Pacau, que, a partir de 1973, passou a utilizá-lo em substituição aos Lockheed AT-33A e TF-33, desempenhando funções de instrução e formação de pilotos de caça. Em seguida, o Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipagens (CATRE) incorporou o modelo, voltando-se para a formação específica de pilotos de ataque.  O AT-26 consolidou-se como uma plataforma fundamental na doutrina de formação de pilotos de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), desempenhando também papéis cruciais em missões de patrulha armada, dissuasão aérea e segurança nacional. Durante a primeira metade da década de 1970, o modelo foi distribuído aos 3º, 4º e 5º Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), com foco em operações de contrainsurgência. Posteriormente, o 1º/10º Grupo de Aviação – Esquadrão Poker substituiu os bombardeiros Douglas A-26 Invader pelo Xavante, que foi adaptado para missões de reconhecimento fotográfico com a integração de um casulo equipado com quatro câmeras Vinten, marcando a introdução da capacidade de reconhecimento aéreo a jato na Força Aérea Brasileira (FAB). A partir de 1988, com a entrada em serviço das aeronaves Embraer A-1A AMX, os Xavante remanescentes foram realocados para o 1º/4º Grupo de Aviação – Esquadrão Pacau e o 2º/5º Grupo de Aviação – Esquadrão Joker. Contudo, na década de 1990, o modelo começou a apresentar obsolescência técnica e dificuldades de manutenção, agravadas pela escassez crônica de peças de reposição. Muitos componentes, incluindo os motores turbojatos Rolls-Royce Viper 20 MK540, haviam sido descontinuados, com produção encerrada na Inglaterra há mais de duas décadas, resultando na ausência de estoques no mercado internacional. Para manter a frota operacional, o Parque de Material Aeronáutico de Recife (PAMARF) recorreu frequentemente ao canibalismo de células, utilizando peças de aeronaves inativas para manter outras em condições de voo. Esse cenário comprometeu a disponibilidade das aeronaves, ameaçando a eficiência do treinamento de pilotos de caça, especialmente porque os novos treinadores avançados Embraer EMB-314 AT-29 Super Tucano, embora em processo de entrega, ainda não estavam plenamente integrados para assumir as funções do Xavante. A cada dia, os índices de disponibilidade do AT-26 diminuíam, projetando uma desativação prematura antes da chegada de substitutos em quantidade suficiente. Diante desse contexto, o Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) priorizou a restauração da capacidade operacional do Xavante, iniciando consultas com nações que haviam operado versões semelhantes da aeronave Aermacchi MB-326. Nesse período, a Força Aérea Sul-Africana (SAAF) estava concluindo a desativação de sua frota de Atlas Impala MB-326K, nas versões MK-1 e MK-2, o que abriu oportunidades para a aquisição de peças ou soluções que poderiam prolongar a vida útil do AT-26 Xavante no Brasil.

Aproveitando esta possível oportunidade, negociações foram conduzidas entre o Ministério da Defesa Brasileiro e o governo Sul Africano, resultando na aquisição de um lote de vinte e duas células do Atlas Impala MK1 e MK2 e quarenta e oito motores Rolls Royce Viper 20 MK540.  Estas aeronaves foram desmontadas e juntamente com os motores e componentes de reposição, foram transportados por aeronaves Lockheed C-130H Hercules da Força Aérea Brasileira, sendo recebidos em lotes a partir de maio de 2002. Estas células seriam remontadas pela equipe do Parque de Manutenção Aeronáutica do Recife (PAMARF), e logo em seguida foram submetidas a uma completa e detalhada análise estrutural e mecânica. Nesta oportunidade verificou-se então que muitas destas aeronaves apresentavam ainda excelentes condições de conservação com poucas horas de voo, algo em torno de cerca de duas mil a três mil horas, gerando assim pelo Comando da Aeronáutica (COMAER), a decisão de colocar em condições de voo, dez células da versão Impala MK2 (monoplace). Inicialmente a primeira aeronave Atlas Impala MK-2 a ser posta em serviço receberia as marcações nacionais, mantendo a pintura original sul africana, recebendo a designação de AT-30 Impala e a matrícula "FAB 4628" (dando sequência as matrículas do Embraer AT-26 Xavante). Porém logo seria decidido que a aeronave, não se tratava de um tipo totalmente novo no inventário da Força Aérea Brasileira, mas sim de uma versão de modelo já em uso, alterando a designação oficial para AT-26A Impala, com suas matrículas sendo iniciadas a partir do numeral “FAB 4630”. O plano de manutenção também seria adequado e padronizado às exigências brasileiras, e em as modificações básicas estavam relacionadas as alterações nos sistemas de voo e avionica, passando pela retirada do sistema de navegação original do tipo Tactical Air Navigation (TACAN) e instalação dos sistemas completos de pouso por instrumentos padrão de emprego no Brasil como ILS, navegação aérea VOR - LSVOR , GPS, transponder e um novo equipamento de rádio. Após a implementação deste processo junto ao Parque de Manutenção Aeronáutica do Recife (PAMARF), as aeronaves foram preparadas e disponibilizadas para uso junto ao 1º/4º Grupo de Aviação - Esquadrão Pacau, sediado na Base Aérea de Natal, no estado do Rio Grade do Norte. Como citado anteriormente, os Atlas MK-326 K2 Impala adquiridos receberam as matrículas "FAB 4630 á 4643", porém somente as aeronaves de matrículas "FAB 4630, FAB 4631, FAB 4632 e FAB 4635" seriam destinadas ao serviço ativo no Esquadrão Pacau. Curiosamente os AT-26A Impala com as matrículas de "FAB 4637 e FAB 4639", apesar de serem submetidos a voos de ensaio, não chegaram a ser disponibilizados para serviço, por fim a última aeronave a ser montada o "FAB 4634”, nem chegaria a voar, sendo logo armazenada. Inicialmente a primeira aeronave Atlas Impala MK-2 a ser posta em serviço receberia as marcações nacionais, mantendo a pintura original sul africana, recebendo a designação de AT-30 Impala e a matrícula "FAB 4628" (dando sequência as matrículas do Embraer AT-26 Xavante).
Porém logo seria decidido que a aeronave, não se tratava de um tipo totalmente novo no inventário da Força Aérea Brasileira, mas sim de uma versão de modelo já em uso, alterando a designação oficial para AT-26A Impala, com suas matrículas sendo iniciadas a partir do numeral “FAB 4630”. O plano de manutenção também seria adequado e padronizado às exigências brasileiras, e em as modificações básicas estavam relacionadas as alterações nos sistemas de voo e avionica, passando pela retirada do sistema de navegação original do tipo Tactical Air Navigation (TACAN) e instalação dos sistemas completos de pouso por instrumentos padrão de emprego no Brasil como ILS, navegação aérea VOR - LSVOR , GPS, transponder e um novo equipamento de rádio. Após a implementação deste processo junto ao Parque de Manutenção Aeronáutica do Recife (PAMARF), as aeronaves foram preparadas e disponibilizadas para uso junto ao 1º/4º Grupo de Aviação - Esquadrão Pacau, sediado na Base Aérea de Natal, no estado do Rio Grade do Norte. Como citado anteriormente, os Atlas MK-326 K2 Impala adquiridos receberam as matrículas "FAB 4630 á 4643", porém somente as aeronaves de matrículas "FAB 4630, FAB 4631, FAB 4632 e FAB 4635" seriam destinadas ao serviço ativo no Esquadrão Pacau. Curiosamente os AT-26A Impala com as matrículas de "FAB 4637 e FAB 4639", apesar de serem submetidos a voos de ensaio, não chegaram a ser disponibilizados para serviço, por fim a última aeronave a ser montada o "FAB 4634”, nem chegaria a voar, sendo logo armazenada. As aeronaves Atlas Impala MK- 2 AT-26A que foram disponibilizadas para o uso junto ao 1º/4º Grupo e Aviação - Esquadrão Pacau (1º/4º GAv) tiveram curiosamente uma vida operacional efêmera na Força Aérea Brasileira. Registra-se que diversos fatores levariam a decisão da suspensão do seu emprego após pouquíssimas horas de voo. Extraoficialmente comenta-se que várias falhas mecânicas acometiam os motores, sendo estas as mesmas identificadas nos Embraer AT-26 Xavante, não sendo recomendada assim sua manutenção em uso. Após este processo de desativação gradual ser concluído, uma célula da versão monoplace Atlas Impala MK-2 seria preservada Museu Aerospacial - Musal, no Rio de Janeiro, outras seis aeronaves da versão biplace  Atlas Impala MK-1 foram transformadas em monumentos, sendo dispostas na ordem de duas aeronaves no Rio de Janeiro - RJ, uma em Brasília - DF, uma em Boa Vista - RO, uma em Recife - PE e uma em Vinhedo, no interior de São Paulo. Estas aeronaves receberam matrículas fictícias, que originalmente foram aplicadas anteriormente nos caças britânicos Gloster Meteor F8.  Já as demais células bem como os motores sobressalentes foram armazenadas junto ao Parque de Manutenção Aeronáutica do Recife (PAMARF), servindo como fonte de peças de reposiçao, o que possibilitaria a contento a extensão da vida útil dos Embraer EMB-326 AT-26 Xavante até o ano de 2013.

Em Escala.
Para representarmos o Atlas Impala MK-2 AT-26A "FAB 4635", empregamos o antigo kit produzido pela ESCI na escala 1/48 (salientando que a Italeri relançou este modelo em 2012 já contando com decais para a versão brasileira). Para se configurar a versão operada pela Força Aérea Brasileira é necessário proceder a troca dos tanques auxiliares das asas, pelos utilizados no kit Italeri do Aermacchi MB-326A. Empregamos decais confeccionados pela FCM Decais presentes no Set 48/37.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático da Força Aérea Sul Africana (SAAF), quando do recebimento das células dos Atlas Impala MK-1 e MK-2 no Brasil. Algumas aeronaves mantiveram este padrão durante seu período inicial de avaliação em voo, e posteriormente receberam o mesmo esquema de pintura tático com camuflagem em três tons, empregado nos Embraer  EMB-326 AT-26 Xavante.

Bibliografia :
- Aermacchi MB-326 Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/Aermacchi_MB-326
- História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- AT-26A Atlas Impala - http://freepages.military.rootsweb.ancestry.com/~otranto/fab/impala.htm
- Breve Relato Sobre Compra dos Impalas pela FAB - http://www.gpformodelismo.com