M-113B/A2-MK1 Transporte (VBTP)

História e Desenvolvimento. 
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.
Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental. Sua combinação de simplicidade mecânica, baixo custo operacional, elevada mobilidade e grande versatilidade despertou o interesse de mais de 20 paises, e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana.  Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava importantes aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência em operações prolongadas sob condições extremas. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional. Uma das maiores virtudes do M-113 residia em sua extraordinária versatilidade, seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos. Curiosamente, os primeiros exemplares incorporados por Israel não foram adquiridos diretamente dos Estados Unidos, mas sim capturados das forças jordanianas durante a Guerra dos Seis Dias.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de 30anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego no Exército Brasileiro.
A carreira dos Veículos Blindados de Transporte de Pessoal M-113 no Brasil teve início em 1965, com o recebimento das primeiras viaturas. Nos anos subsequentes, seriam incorporados um total de 584 blindados desse modelo. A operação em larga escala proporcionou uma profunda transformação na estrutura da Força Terrestre, permitindo a conversão de diversos Regimentos de Infantaria (RI) em Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), além de equipar Regimentos de Carros de Combate (RCC) e outras organizações militares. A frota chegou a equipar mais de 15 unidades de primeira linha, proporcionando elevada capacidade de transporte e apoio às tropas mecanizadas. A ampla disponibilidade operacional desses blindados, associada à sua atuação conjunta com os carros de combate leves M-41, conferiu um importante fator de dissuasão estratégica, contribuindo para reequilibrar a correlação de forças terrestres na América do Sul, então considerada favorável à Argentina, principal rival militar potencial do Brasil naquele período. Além disso, o M-113 desempenhou papel fundamental na consolidação da doutrina motomecanizada nacional, tornando-se um dos principais vetores da modernização  durante as décadas de 1960 e 1970. Robusto, confiável e de manutenção relativamente simples,  era apoiado por uma eficiente cadeia logística de suprimento de peças de reposição, fator que garantiu elevados índices de disponibilidade operacional. Contudo, esse cenário começou a se alterar a partir de 1977, quando a nova administração norte-americana, passou a condicionar a continuidade dos programas de assistência militar à avaliação da situação dos direitos humanos nos países beneficiários. Essa decisão provocou forte reação do governo brasileiro. Nos meses seguintes, o agravamento das divergências políticas culminou na denúncia do Acordo Militar Brasil–Estados Unidos, vigente desde 1952. Como consequência direta, foram interrompidas as linhas de financiamento e o fornecimento regular de peças de reposição destinadas aos equipamentos militares de origem norte-americana em uso. Tal medida afetou diretamente a frota de VBTP M-113, que passou a enfrentar crescentes dificuldades de manutenção, resultando em um rápido aumento dos índices de indisponibilidade. A situação foi agravada pela crise internacional do petróleo, que atingia seu período mais crítico naquele momento. Equipados com motores a gasolina,  apresentavam elevado consumo de combustível, característica que passou a representar um ônus significativo para o orçamento  diante da escalada dos preços. Em pouco tempo, a disponibilidade da frota atingiu níveis preocupantes, levando  a  estudos destinados à remotorização dos blindados. Apesar da urgência em restaurar a capacidade, somente em 1981 seria apresentada uma proposta considerada viável. Desenvolvida pela empresa Biselli Ltda, a solução previa a substituição do conjunto motopropulsor original por um motor diesel Fiat-Iveco 8210.22. Embora promissora, a proposta não produziu os resultados esperados. Os estudos realizados demonstraram que a adaptação não contemplava adequadamente aspectos  relacionados ao desempenho, confiabilidade, integração mecânica e logística. Dessa forma, o projeto não se mostrou capaz de atender às necessidades evidenciando o estudo de uma solução mais abrangente e tecnicamente amadurecida. 

No início de 1982, foi estabelecido o Plano Geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (PGPDEx) para a área de material, surgindo, nesse contexto, o Projeto M.01.11 – Viatura Blindada de Transporte de Pessoal VBTP XM-113B Lagarta. A iniciativa tinha por objetivo modernizar a frota, garantindo sua permanência operacional por um período prolongado e reduzindo a dependência de componentes importados. Com conclusão prevista para 1984, o projeto tinha como principal meta a substituição do motor original Chrysler 75M-V8 a gasolina por um motor diesel de fabricação nacional, capaz de operar com óleo diesel convencional e, potencialmente, com combustíveis alternativos, como óleos vegetais e álcool aditivado. O programa previa ainda a nacionalização de componentes essenciais, bem como a incorporação de melhorias destinadas a elevar os padrões de proteção, confiabilidade e de manutenção da frota. O orçamento preliminar do projeto foi estimado em aproximadamente Cr$ 415 milhões, cabendo ao recém-criado Centro Tecnológico do Exército (CTEx) a coordenação técnica do programa. A execução inicial foi atribuída à empresa Lacombe Indústria e Comércio de Tubos S/A, em parceria com o Parque Regional de Motomecanização da 5ª Região Militar (PqRMM/5). Contudo, após as primeiras análises, verificou-se que a estrutura industrial da empresa não era compatível com a complexidade e a dimensão do empreendimento, levando o Ministério do Exército a transferir a responsabilidade pela execução do projeto para a empresa Moto Peças Transmissões S/A. Sob a nova coordenação industrial, os trabalhos avançaram rapidamente, culminando na apresentação do primeiro protótipo em maio de 1983. O veículo encontrava-se equipado com o motor diesel Mercedes-Benz OM-352A, amplamente empregado em caminhões comerciais e já consolidado no mercado nacional pela sua robustez e confiabilidade. Paralelamente, foram conduzidos  testes comparativos entre o XM-113B, o M-113A0  ainda equipados com motores a gasolina e os M-113A1 pertencentes ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), que utilizavam o motor diesel Detroit Diesel 6V53T. Esses ensaios permitiram avaliar com precisão os ganhos proporcionados pela remotorização, estabelecendo parâmetros de desempenho, autonomia, consumo de combustível e confiabilidade mecânica. Os resultados demonstraram vantagens significativas em relação à configuração original, especialmente no que se referia à economia de combustível, autonomia operacional e simplificação logística. Com a validação técnica do projeto, iniciaram-se as negociações comerciais destinadas à implementação do programa em larga escala. Posteriormente, foi celebrado um contrato com a empresa Moto Peças Transmissões S/A, contemplando a modernização de 580 veículos, distribuídos em 20 lotes de produção, com cronograma de execução entre os anos de 1985 e 1988. Além da substituição do motor e da nacionalização de diversos componentes, o programa previa a modernização de sistemas considerados críticos para a operação da viatura, incluindo caixa de transferência, sistema de alimentação de combustível, admissão de ar, escapamento, arrefecimento, sistema elétrico, painel de instrumentos, comandos de condução e sistema de combate a incêndio. 
Atendendo aos requisitos definidos durante a fase de desenvolvimento, os veículos também receberiam uma torre blindada destinada à proteção do operador da metralhadora Browning M2HB calibre .50, instalada sobre a escotilha do atirador.  As entregas dos veículos modernizados, agora designados M-113B, foram realizadas rigorosamente dentro do cronograma originalmente estabelecido. Ao longo dos dois anos seguintes, a frota recuperou gradativamente seus índices históricos de disponibilidade operacional, permitindo que as unidades mecanizadas  retomassem um nível satisfatório de prontidão. Entretanto, a médio prazo, começaram a surgir novos problemas de natureza técnica que voltaram a comprometer a disponibilidade da frota. Essas dificuldades estavam diretamente relacionadas à inadequada aplicação dos procedimentos de manutenção preventiva e corretiva. Equivocadamente, grande parte dessas atividades passou a ser executada exclusivamente pelas unidades operativas, sem o adequado suporte de uma estrutura centralizada de manutenção e logística. A inexistência de procedimentos padronizados para aquisição de peças de reposição, aliada à escassez de componentes críticos, resultou em sucessivas falhas mecânicas e na redução progressiva da operacionalidade dos veículos. Com o passar dos anos, tornou-se evidente que o programa de modernização não havia alcançado integralmente os resultados esperados. Embora tenha proporcionado uma recuperação temporária da capacidade operacional da frota, os problemas decorrentes da manutenção e do suporte logístico acabaram por gerar novos desafios. Diante desse cenário, o Exército Brasileiro voltou a estudar alternativas para seus veículos blindados de transporte de pessoal, incluindo a possibilidade de substituição integral da frota por um modelo mais moderno. Paralelamente, a eclosão de diversos conflitos regionais ao final da década de 1980 trouxe novas demandas operacionais para os exércitos modernos. As experiências observadas nesses confrontos contribuíram para a consolidação do conceito de Veículo de Combate de Infantaria (IFV), uma categoria  mais pesada, melhor protegida e dotada de maior poder de fogo do que os tradicionais veículos blindados de transporte de pessoal. Nesse contexto, e considerando as limitações apresentadas pelos M-113B, passou-se a cogitar o desenvolvimento de um veículo nacional que pudesse substituir integralmente a frota em serviço, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a indústria de defesa brasileira. Essa iniciativa materializou-se no programa Charrua, desenvolvido pela empresa Moto Peças Transmissões S/A.  Todavia, a grave crise econômica que atingiu o Brasil durante o final da década de 1980 e o início dos anos 1990 impactou severamente os investimentos no setor de defesa, culminando no cancelamento do programa antes de sua entrada em produção. Como consequência, o Exército Brasileiro foi obrigado a manter em serviço os M-113B, recorrendo a sucessivas medidas paliativas de manutenção com o objetivo de preservar um nível mínimo de operacionalidade da frota. Em 2004, estimava-se que apenas cerca de 40% dos veículos se encontravam em condições efetivas de emprego operacional. 

Novas iniciativas foram então conduzidas, envolvendo possíveis parcerias com empresas nacionais, entre elas a Tracto S/A e a Engemotors S/A, visando à revitalização de pelo menos 80% da frota. Entretanto, as negociações não produziram resultados concretos, levando o Ministério da Defesa a buscar, a partir de 2006, alternativas no mercado internacional para a implementação de um  programa de modernização. Em janeiro de 2008, foi emitido o Requisito Operacional Básico (ROB), documento que estabelecia os parâmetros técnicos e operacionais a serem atendidos pelo programa de modernização. Na sequência, foi aberta uma concorrência internacional, despertando o interesse de 19 empresas, que apresentaram propostas para participar daquele que se tornaria o mais abrangente programa de revitalização da frota de  M-113 já realizado. Em meados de 2010, após uma criteriosa análise técnica das propostas, a escolha recaiu sobre a solução oferecida pela BAE Systems. Naquele momento, foi celebrado um contrato contemplando a modernização de 150 viaturas, com este contemplando a introdução do  motor turbo diesel Detroit Diesel 6V53T com 265 hp, associado à transmissão automática cross-drive Allison TX100-1A. O programa incluía ainda a completa renovação dos sistemas elétricos e hidráulicos, elevando os índices de confiabilidade  e desempenho operacional. Entre os principais avanços tecnológicos incorporados destacavam-se a instalação do moderno sistema de comunicações composto pelos rádios L-3 Harris Falcon III RF-7800V-HH VHF e pelo sistema integrado de intercomunicação veicular Thales SOTAS, proporcionando substancial melhoria na consciência situacional e na coordenação tática das frações mecanizadas. Adicionalmente, foi adotado um novo kit de flutuação, ampliando as capacidades anfíbias e proporcionando segurança durante operações de travessia de cursos d’água. Todo o processo passou a ser conduzido nas instalações do Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar, em Curitiba, Paraná, contando com o suporte técnico direto de especialistas da BAE Systems. Como contrapartida tecnológica, o programa priorizou a nacionalização de componentes e subconjuntos, estimulando a participação de fornecedores locais, promovendo a transferência de conhecimentos, processos produtivos e técnicas avançadas de fabricação. O ciclo completo demandava aproximadamente 04 meses e ao  término desse processo, os veículos eram devolvidos às unidades operacionais em condições equivalentes às de uma viatura recém-fabricada. Com a nova motorização e transmissão, passaram a possuir mobilidade compatível com os carros de combate Leopard 1A1 e 1A5, permitindo sua efetiva integração às Forças-Tarefa Blindadas (FT Bld) e o acompanhamento dos blindados de combate em operações de alta mobilidade. Paralelamente, foi firmado contrato com a  Engemotors Veículos e Peças Ltda, destinado à recuperação de 208 viaturas M-113B. Diferentemente do programa conduzido pela BAE Systems, esses veículos não seriam elevados ao padrão M-113BR, recebendo apenas a revitalização mecânica e elétrica. Entretanto, dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa culminaram em sua falência, com apenas um protótipo  sendo concluído para avaliação.
Os primeiros M-113BR  começaram a ser entregues às unidades  em novembro de 2013, equipando inicialmente os 7º, 13º, 20º e 29º Batalhões de Infantaria Blindada (BIB). Esse processo prosseguiu de forma contínua até sua conclusão em 1º de dezembro de 2015. Ainda naquele ano, foi firmado um segundo contrato, contemplando a modernização de mais 236 viaturas, em um programa avaliado em aproximadamente US$ 54,66 milhões.  Em setembro de 2019, foi entregue  o 400º M-113BR modernizado, restando ainda 184 viaturas previstas para atualização.  O programa traria ainda a possibilidade do emprego de lagarta de borrachas, possibilitando emprego pelo menos de  uma companhia com estas viaturas, com a finalidade do emprego destes em operações do tipo GLO  (Garantia da Lei e da Ordem), operando em ambientes urbanos.  Em 2014 estes veículos seriam empregados nesta configuração durante a execução da Força de Pacificação da Maré – Operação São Francisco na cidade do Rio de Janeiro - RJ.  Em  30 de julho de 2021, o Boletim do Exército Brasileiro Nº 30/2021 apresentaria a decisão de se proceder a modernização de mais 150 carros elevando-os também ao padrão M-113BR (M-113A2 Mk1). Um novo contrato agora no valor de US$ 49,1 milhões seria celebrado com a empresa BAE Systems, fazendo uso nas condições financeiras facilitadas pelo programa norte-americano de Vendas Militares a Estrangeiros (FMS - Foreign Military Sales). Apesar de exitoso, o programa pecaria por não incorporar meios mínimos de visão para o combate noturno em série, sendo somente instalado na viatura protótipo câmeras infravermelhas frontais e de retaguarda de uso civil adaptadas à viatura. Outro aspecto se referia a tipo de pintura empregado, fazendo uso de tinta veicular comum fosca, que facilita a detecção da viatura em operações noturnas, onde o ideal seria utilizar pintura com baixa emissão termal como a do carro de combate  Leopard 1A5. Outra deficiência verificada era a  impossibilidade da realização do tiro preciso em movimento das metralhadoras Bronwing calibre .50, por falta de uma plataforma de armas estabilizada, porém em novembro de 2024 militares da Diretoria de Fabricação (DF) e do Arsenal de Guerra do Rio (AGR) realizariam testes de engenharia com o “Demonstrador de Tecnologia” da integração do sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4 e acessórios à viatura blindada de transporte de pessoal  M-113BR, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx). Os testes tiveram como objetivo verificar as soluções propostas pela empresa ARES Aeroespacial e Defesa, onde foi possível identificar novas capacidades obtidas a partir da integração do SARC REMAX 4, de módulos optrônicos para o motorista e de um conjunto adicional de baterias. Como ainda não há previsão de curto prazo para a obtenção de viaturas blindadas de combate de fuzileiros (VBC Fuz), a proposta de integração do SARC REMAX 4 e de acessórios ao M113BR surge como uma possível solução intermediária às necessidades atuais da Força Terrestre, permitindo o aumento do poder de combate desta viatura. Vale salientar ainda que o programa original de modernização pode ainda ser empregado junto a 12 M-113A2 e  94 M-577A2 de comando, recebidos em 2015 por doação do governo dos Estados Unidos.   

Em Escala.
Para recriar com precisão o Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP) M-113BR (A2 MK1), identificado com a matrícula EB 21422, optamos pelo kit  produzido pela Academy na escala 1/35. Este modelo destaca-se pelo detalhamento sendo uma base sólida para representar a versão modernizada do M-113 em serviço no Exército Brasileiro. A fim de adaptar o kit à configuração específica, foram necessárias modificações em scratch building, com ênfase na construção da torre do artilheiro, um elemento distintivo dessa variante. Para as marcações visuais, utilizamos decais de alta qualidade confeccionados pela Decals e Books, extraídos do conjunto "Forças Armadas do Brasil".
A partir de 1983, o Exército Brasileiro implementou um novo padrão de pintura tático, baseado no sistema de cores Federal Standard (FS), que passou a ser aplicado a toda a sua frota de veículos militares. Os  M-113B, repotenciados pela empresa Moto Peças Transmissões S/A, foram os primeiros a receber esse padrão de camuflagem em dois tons, que oferecia maior discrição e adaptabilidade em campo. O mesmo esquema foi mantido nas unidades modernizadas para a configuração M-113BR (A2 MK1), que continuam em serviço ativo e ostentam esse padrão até os dias atuais.
Bibliografia : 
- Revitalização do M113A2 MK1 no EB – Defesa Net
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado, Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- M-113 no Brasil - Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército testa M-113BR com REMAX 4 - https://tecnodefesa.com.br/exercito-testa-m113br-com-remax-4/

M-113AO Blindado Transporte (VBTP)

História e Desenvolvimento.
A utilização em larga escala dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) teve suas origens durante a Segunda Guerra Mundial, a operações  de movimento, característica dos grandes conflitos mecanizados do século XX, evidenciou a importância de meios capazes de acompanhar formações blindadas, transportando soldados com rapidez e relativa segurança até as áreas de combate. Nesse contexto, os veículos de tração meia-lagarta destacaram-se como uma solução eficiente para o transporte de tropas em terrenos variados. Entre as forças do Eixo, o mais emblemático foi o Hanomag Sd.Kfz. 251,  empregado   em praticamente todas as frentes de combate. Já entre os Aliados, , a predominância coube aos modelos M-2, M-3 e M-5, utilizados extensivamente na Europa, Norte da África e no Teatro do Pacífico. Embora  tenham contribuído decisivamente para o esforço de guerra,  sua experiência operacional revelou limitações importantes. A principal delas era a ausência de uma cobertura blindada superior, deixando os soldados embarcados vulneráveis ao fogo de armas leves, estilhaços de artilharia e fragmentos resultantes das explosões no campo de batalha. Com o objetivo de solucionar esse problema, seria iniciado ainda nos estágios finais da guerra, o desenvolvimento de um novo conceito de transporte blindado de tropas, nascendo assim o  M-44 (T16), concebido a partir do chassi do carro de combate leve M-18 Hellcat.  Este possuía dimensões substancialmente maiores que seus antecessores e capacidade para transportar até 24 soldados totalmente equipados. Com peso de combate próximo de 23 toneladas, o veículo proporcionava elevados níveis de proteção, mas apresentava limitações decorrentes de sua massa excessiva.  Protótipos foram construídos e submetidos a extensivos testes operacionais, que demonstraram desempenho insatisfatório, e diante disso foi oficialmente cancelado em junho de 1945. Este fracasso não diminuiu o interesse na criação de um veiculo desta categoria, pelo contrário, as lições extraídas durante os testes serviram de base para uma nova iniciativa. Em setembro, foi emitida uma especificação para o desenvolvimento de um veículo mais leve, compacto e eficiente, capaz de transportar uma esquadra de infantaria composta por até 10 homens. A concorrência despertou o interesse de diversas empresas do setor automotivo e de defesa, que apresentaram suas propostas ao comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) ao longo de 1946. Entre os projetos avaliados, destacou-se o T-18E1, desenvolvido pela International Harvester Company (IHC). O veículo apresentava uma solução equilibrada entre proteção, capacidade de transporte, simplicidade mecânica e custos operacionais, atendendo de forma satisfatória aos requisitos estabelecidos pelo Exército. Como resultado, foi firmado um contrato para a construção de quatro protótipos destinados à fase de testes e validação operacional, com estes sendo submetidos a testes no inicio de 1947, sendo  identificadas diversas oportunidades de aperfeiçoamento. Em maio de 1950, seria formalizado primeiro contrato de aquisição, contemplando a fabricação de 1000 unidades do  blindado, que recebeu a designação oficial de M-75 Armored Personnel Carrier (APC).

A partir de janeiro de 1952, foram incorporados os primeiros carros, marcando  uma importante etapa na evolução dos veículos blindados de transporte de pessoal, substituindo  os veteranos veículos meia-lagarta  M-3 e M-5. No entanto, apesar de incorporar importantes melhorias em relação aos projetos anteriores, o novo blindado ainda apresentava características que preocupavam os planejadores militares norte-americanos. Embora fosse consideravelmente mais leve que  M-44, o M-75 possuía um peso de combate aproximado de 18 ton, valor considerado elevado para os padrões  da época. Durante os primeiros exercícios de grande escala realizados, tornou-se evidente que  não conseguia acompanhar adequadamente o ritmo de deslocamento das formações blindadas. Essa deficiência comprometia um dos princípios fundamentais da guerra mecanizada moderna: a manutenção da sincronia entre carros de combate, infantaria e elementos de apoio durante as operações ofensivas. Além das limitações operacionais,  apresentava custos de aquisição e manutenção considerados excessivamente elevados, exigindo grande quantidade de matérias-primas estratégicas e um complexo processo de fabricação, fatores que aumentavam significativamente seu custo unitário. Diante dessas dificuldades,  concluiu-se que o modelo não representava uma solução economicamente sustentável para aquisição em larga escala. Esta decisão levaria a suspensão de sua produção, resultando na reativação provisória de  centenas de veículos meia-lagarta, anteriormente armazenados, visando assim  garantir a continuidade da capacidade operacional das tropas mecanizadas. Em dezembro de 1953, foi lançada uma  concorrência destinada a produção de um  blindado mais leve, econômico e versátil. O programa previa a aquisição de pelo menos 5.000 exemplares, destinados não apenas a substituir os meia-lagartas, mas também o M-75, cuja produção seria interrompida. Os requisitos estabelecidos refletiam a evolução das doutrinas, devendo  oferecer proteção adequada à tropa , mantendo, ao mesmo tempo, um peso reduzido que favorecesse sua mobilidade. Exigia-se ainda capacidade anfíbia para a travessia de rios sem preparação prévia, bem como poder ser aerotransportado. A partir de janeiro de 1954, diversas empresas apresentaram suas propostas, e após sucessivas avaliações, os projetos foram gradualmente reduzidos a uma lista de finalistas, na qual se destacaram as propostas da International Harvester Co. e pela Food Machinery and Chemical Co. Neste momento seria financiada a produção de 02 protótipos destes fabricantes, com o objetivo de submetê-los a ensaios de campo comparativos, e neste processo o modelo T-59 apresentaria características superiores, sendo então selecionado.  Em consequência dessa escolha, foi firmado um contrato para a construção de 08 veículos de pré-série, destinados a um amplo programa de avaliações técnicas e operacionais. Estes permitiram identificar diversos pontos passíveis de aperfeiçoamento, que foram incorporados ao projeto. Concluída essa etapa e implementadas as modificações recomendadas, o veículo foi aprovado para produção, recebendo a designação oficial de M-59. As primeiras unidades começaram a ser entregues  em agosto de 1954, sendo recebidos com entusiasmo.
Entretanto, à medida que sua utilização operacional se intensificava, tornaram-se evidentes algumas limitações. Com peso de combate de aproximadamente 19,3 toneladas, o M-59 era propulsionado por dois motores a gasolina GMC Model 302, capazes de desenvolver 146 hp cada. Apesar desta configuração, o desempenho geral do veículo revelou-se apenas moderado, permitindo uma velocidade máxima de cerca de 32 km/h e uma autonomia operacional limitada a 150 km. Essas características mostraram-se insuficientes para acompanhar adequadamente os modernos carros de combate em serviço.  Outro fator preocupante dizia respeito à proteção balística, embora sua  blindagem fosse significativamente superior, os  avanços observados nas munições perfurantes de médio calibre, especialmente aquelas desenvolvidas pelos países do bloco soviético, passaram a colocar em dúvida sua capacidade de sobrevivência em um eventual conflito de grande intensidade. Diante desse cenário, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) iniciou uma série de estudos destinados a avaliar o futuro do M-59 e a identificar possíveis soluções para suas limitações. Assim em 1958 seria deflagrado um programa visando o desenvolvimento de um novo veículo  de transporte de tropas, com este  devendo unir as melhores características operacionais do M-75 e M-59. Deveria apresentar velocidade compatível aos carros de combate no campo de batalha (principalmente o M-41 e M-48), relativa capacidade anfíbia e possibilidade se ser aerotransportado. Estes parâmetros resultariam no desenvolvimento do conceito AAM-PVF (Veículo Multiuso Blindado Aerotransportado). Em meados de 1959, a FMC Food Machinery Co. seria declarada vencedora, com grande parte desta decisão recaindo sobre o inovador sistema de blindagem proposto, sendo composta por uma liga de duralumínio que fora desenvolvido em parceria com a empresa Kaiser Aluminium and Chemical Company. Esta solução proporcionaria ao veículo uma suficiente proteção blindada e uma grande mobilidade e velocidade no campo de batalha devido ao seu baixo peso final. Este projeto receberia a designação militar de T-113, sendo celebrado um primeiro contrato para a produção de 03 carros pré-série quer seriam destinados a avaliação. Este veículos seriam equipados com um motor a gasolina Chrysler 75M com 8 cilindros em "V" com potência de 215 hp, seriam entregues em maio de março de 1950, sendo imediatamente submetidos a um intensivo programa de ensaios em campo, com este processo se estendendo até o mês de setembro. Os resultados validaram sua produção em série, com um primeiro contrato sendo celebrado logo em seguida, envolvendo inicialmente novecentas unidades,  com o modelo recebendo a designação militar de M-113AO APC, com os primeiros sendo entregues as unidades operativas entre os meses de maio e junho do ano de 1960. Em campo o novo M-113 podia transportar até a linha de frente 11 soldados totalmente equipados, servindo de proteção e apoio até o desembarque da tropa, devendo então recuar para a retaguarda. Para autodefesa,  contava com uma metralhadora M-2 Browning de calibre .50  operada manualmente pelo comandante. Passariam também logo a ser transportados nos novos aviões C-130 Hercules e C-141 Starlifter. 

Logo decidiu-se submeter o M-113A0 a uma avaliação em condições reais de combate, com essa oportunidade ocorrendo em 1962, quando 32 M-113A0 foram cedidos ao Exército da República do Vietnã (ARVN), passando a equipar duas companhias mecanizadas. Seu batismo de fogo ocorreu em janeiro de 1963, durante a Batalha de Ap Bac, na então província de Dinh Tuong, atual Tien Giang, um dos primeiros confrontos de grande relevância da Guerra do Vietnã. Sua atuação naquele combate demonstrou o potencial do novo veículo, entretanto, também revelaram uma série de limitações que não haviam sido plenamente identificadas durante os teste de campo. As lições extraídas desta experiência resultaram em um amplo programa de aperfeiçoamento, sendo introduzidas melhorias na proteção blindada, nos sistemas mecânicos e em diversos componentes considerados críticos para sua sobrevivência. Como consequência, em 1964 surgiu o M-113A1, considerado a primeira grande evolução do projeto. A principal inovação do novo modelo foi a substituição do motor a gasolina  pelo confiável motor diesel Detroit Diesel 6V-53, com potência de 215 hp, posteriormente aprimorado em versões subsequentes. Além de aumentar significativamente a segurança da tripulação, reduzindo o risco de incêndios em combate, o novo conjunto motriz proporcionava maior autonomia operacional, menor consumo de combustível e melhor desempenho logístico. Nos anos seguintes, milhares de veículos da família M-113 seriam enviados ao Sudeste Asiático para equipar as forças norte-americanas e seus aliados, consolidando sua reputação como um dos principais símbolos da infantaria mecanizada moderna. Entre os soldados norte-americanos, ganhou o apelido de "Battle Taxi" ("Táxi de Combate"), em razão de sua capacidade de transportar rapidamente tropas para as áreas de combate. Seu emprego, contudo, extrapolava a simples função de transporte sendo frequentemente  utilizados como veículos de assalto, abrindo caminhos através da vegetação densa da selva vietnamita, apoiando ataques contra posições fortificadas e servindo como plataforma de fogo para metralhadoras pesadas e armamentos adicionais. Em unidades de cavalaria mecanizada, especialmente após adaptações de campo, passaram a ser conhecidos como ACAV (Armored Cavalry Assault Vehicle), designação que identificava os veículos equipados com blindagem suplementar e armamento reforçado para missões de combate direto. Apesar de seu sucesso operacional, a Guerra do Vietnã também evidenciou algumas vulnerabilidades do projeto. A blindagem inferior mostrava-se particularmente suscetível à ação de minas terrestres e armadilhas explosivas improvisadas. Como consequência, tornou-se comum observar soldados viajando sobre o teto do blindado em vez de permanecerem em seu interior, prática que, embora aumentasse a exposição ao fogo inimigo, oferecia melhores chances de sobrevivência em caso de explosão sob o casco. Mesmo diante dessas limitações, o M-113 demonstrou uma notável capacidade de adaptação e evolução. 
Ao longo da década de 1970, tornou-se o veículo blindado de transporte de pessoal mais difundido do mundo ocidental. Sua combinação de simplicidade mecânica, baixo custo operacional, elevada mobilidade e grande versatilidade despertou o interesse de mais de 20 paises, e em 1978 já podia ser considerado um dos maiores sucessos da indústria militar norte-americana.  Sua curva evolutiva resultaria no  M-113A2, que  incorporava importantes aperfeiçoamentos nos sistemas de suspensão, transmissão e refrigeração do motor, aumentando sua confiabilidade e resistência em operações prolongadas sob condições extremas. As melhorias ampliaram significativamente a vida útil da plataforma, tornando-a apta a operar em cenários de alta intensidade e elevado desgaste operacional. Uma das maiores virtudes do M-113 residia em sua extraordinária versatilidade, seu projeto modular permitiu o desenvolvimento de  variantes especializadas, como veículos de comando, ambulâncias blindadas, porta-morteiros, oficinas móveis, veículos de recuperação, lançadores de mísseis anticarro TOW, sistemas antiaéreos e até versões equipadas com lança-chamas. Entre os operadores internacionais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) destacaram-se como o segundo maior usuário, chegando a operar mais de 6.000 veículos. Curiosamente, os primeiros exemplares incorporados por Israel não foram adquiridos diretamente dos Estados Unidos, mas sim capturados das forças jordanianas durante a Guerra dos Seis Dias.  Em 1987 seria apresentado o novo M-113A3, versão na qual seriam introduzidas novas melhoria, com destaque para a inclusão do  garfo para direção em vez do sistema laterais, um pedal de freio, um motor mais potente (o turbo 6V-53T Detroit Diesel) e revestimentos internos para melhor proteção da tripulação. Seriam adotados tanques de combustível blindados, instalados em ambos os lados da rampa traseira, liberando  espaço interno. Seu sucesso comercial internacional seria catapultado por programas de apoio na aquisição de material militar norte-americano, como o programa Military Assistance Program – MAP (Programa de Assistência Militar) e posteriormente o programa Foreign Military Sales – FMS (Vendas Militares a Estrangeiros), facilitando o acesso a 60 países. Estes veículos estiveram presentes nos principais conflitos regionais ocorridos durante os séculos XX e XXI, como as guerras do Vietnã, Camboja-Vietnamita, Sino-Vietnamita, Guerra dos Seis Dias, Indo-Paquistanesa de 1965 e 1971, Yom Kippur, Invasão Turca de Chipre, Civil Libanesa, Líbano de 1982, Irã-Iraque, Golfo Pérsico, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Noroeste do Paquistão, Segunda Intifada, Líbano de 2006, Gaza, Civil Líbia, Insurgência iraquiana, Civil da República Centro-Africana (2012-2014), Civil iraquiana, Civil do Iêmen, Houthi-Arábia Saudita e por fim a invasão Russa da Ucrânia a partir de outubro de 2022. Ao longo de mais de 30anos seriam produzidas cerca de 80.000 unidades, com 4.500 destes montados sob licença em empresas na Bélgica, Itália e Coreia do Sul. Atualmente estima-se que grande parte da frota mundial ainda esteja em operação, e constantes programas de modernização em curso mundo afora, permitirão seu emprego ainda por décadas no século XXI. 

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da década de 1940, os militares brasileiros almejavam iniciar um ambicioso movimento de modernização de seus meios,  com este este anseio passando a ser atendido a partir do ano de 1942, quando o Exército Brasileiro passaria a receber nos termos do programa de ajuda militar  Leand & Lease Bill Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) os  primeiros carros blindados de transporte de tropa dos modelos M3-A1 Scout Car sobre todas e meias lagartas M-2 e M-3. Curiosamente apesar de concebidos para missão de transporte de tropas no front de batalha, não seriam imediatamente empregados nesta missão, sendo destinados a tração de peças leves de artilharia. Este desvio de finalidade foi influenciado pela total imersão da força terrestre nacional na doutrina militar francesa que era fundamentada nas táticas da Primeira Guerra Mundial que era adepta da operação hipomóvel.  O aumento da influência norte-americana no país durante o conflito, iria impactar na mudança de mentalidade e doutrina da Força Terrestre, principalmente motivada pelo recebimento de um grande lote de veículos meia lagarta M-3, M-3A1 e M-5, o que possibilitaria pela primeira vez implementação de táticas de infantaria motorizada junto ao Exército Brasileiro.  Neste momento começaria a ser formada no país a doutrina de operação dos futuros Batalhões de Infantaria Blindada (BiB). Apesar de representar um grande avanço em termos operacionais, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, era notória a obsolescência desta família de blindados, muito em função de não proporcionar aos infantes uma proteção contra ameaças áreas e estilhaços diversos, por originalmente não possuir um teto rígido e não apresentar capacidade anfíbia. Este cenário começaria a mudar a partir de 1960, com recebimento de 20 carros blindados de transporte de tropas do modelo FMC M-59, podendo este ser considerado o primeiro Veículo Blindado de Transporte de Pessoal – VBTP sob esteiras em serviço no Exército Brasileiro. Após a implementação de um grande programa de revisão, estes carros passariam a equipar o 15º e o 16º  Regimento de Cavalaria Mecanizada (RC Mec) no Rio de Janeiro. Apesar de estar disponível em pouca quantidade na frota, a incorporação dos  M-59, seria de grande importância no processo de modernização da Força Terrestre, pois viriam a descortinar uma série de oportunidades de emprego operacional da infantaria blindada. Neste momento, porém, a outrora representativa frota de veículos blindados de transporte de tropas meia lagarta norte-americanos, enfrentava grandes problemas de disponibilidade, muito em virtude de graves problemas de falta de componentes de reposição dos motores originais a gasolina, se fazendo assim buscar uma solução a curto prazo para sua substituição desta combalida frota. Ainda neste contexto, as limitações operacionais do M-59 A1 VBTT, como sua baixa velocidade, autonomia restrita e dificuldades logísticas com a infraestrutura brasileira em razão do peso elevado, levaram o comando da Força Terrestre brasileira a declinar novas ofertas de cessão desse modelo no âmbito do Programa de Assistência Militar (MAP). 

Como medida transitória para suprir as crescentes necessidades de modernização de sua força mecanizada, o Exército Brasileiro decidiu prolongar a vida útil de seus veteranos veículos blindados de transporte de pessoal meia-lagarta M-2, M-3 e M-5. A iniciativa foi conduzida pelo Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), que desenvolveu um amplo programa de repotenciação e remotorização desses blindados, permitindo sua permanência em serviço até que uma solução mais moderna pudesse ser incorporada. Paralelamente, o governo brasileiro buscava ampliar os benefícios obtidos por meio dos acordos de cooperação militar firmados com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Aproveitando as condições favoráveis oferecidas pelo Programa de Assistência Militar (MAP), foram iniciadas, em 1963, negociações destinadas à obtenção de novos equipamentos para reequipar e modernizar as Forças Armadas brasileiras. Como resultado desses entendimentos, foi aprovada a transferência de 84 veículos blindados de transporte de pessoal  M-113A0. Tratava-se da primeira versão de produção em série desse consagrado blindado, equipada com o motor a gasolina Chrysler 75M V-8 de 215 hp. Os veículos selecionados para o Brasil pertenciam a unidades operacionais do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) e estavam sendo gradualmente substituídos pela nova versão M-113A1, dotada de motorização diesel, tornando-os disponíveis para cessão aos países aliados. O cronograma de entrega teve início em maio de 1965, quando os 04 primeiros exemplares desembarcaram no Brasil. Apesar de usados, encontravam-se em excelentes condições de conservação e apresentavam baixa quilometragem, uma vez que haviam sido armazenados desde o ano anterior em depósitos do Ordnance Corps, no estado de Ohio. Três dessas viaturas foram destinadas à capacitação inicial de motoristas, mecânicos e instrutores, enquanto o quarto exemplar foi encaminhado, em julho daquele mesmo ano, à Escola de Material Bélico (EsMB), no Rio de Janeiro. Nesta organização o blindado serviu como plataforma de estudos para a elaboração da primeira documentação técnica em língua portuguesa referente ao novo veículo. O trabalho resultou na publicação, em março de 1969, do manual "VBTP M-113 – Veículo Blindado de Transporte de Pessoal", que passou a orientar os procedimentos de operação, manutenção e emprego tático da viatura. Coube à Seção de Motomecanização da escola a formação dos primeiros multiplicadores, responsáveis por disseminar o conhecimento técnico às unidades operacionais que receberiam o novo blindado. O processo de incorporação ganhou impulso em 1966, com a chegada de mais 40 veículos, seguida por um segundo lote de igual quantidade no ano seguinte. Essas remessas vieram acompanhadas por um expressivo estoque de peças de reposição, garantindo condições adequadas para a manutenção e sustentação logística da frota. Inicialmente, os M-113 foram distribuídos aos Batalhões de Infantaria Blindada sediados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, tornando-se o principal meio de transporte das unidades mecanizadas.
Em 1971, diante da crescente obsolescência de uma parcela significativa dos equipamentos militares ainda oriundos dos programas de assistência recebidos nas décadas de 1940 e 1950, o Estado-Maior do Exército elaborou um amplo plano de reequipamento destinado a modernizar e ampliar a capacidade operacional da Força Terrestre. Entre as prioridades estabelecidas figuravam o fortalecimento da mobilidade estratégica e tática das tropas, a renovação dos meios de transporte e o incremento da capacidade de combate das unidades blindadas e mecanizadas. O estudo previa a incorporação de aproximadamente mil viaturas militares de diferentes categorias, incluindo jipes Ford M-38, caminhões de transporte REO M-34 e M-35 e, de maneira particularmente relevante, novos veículos blindados de transporte de pessoal. Nesse contexto, foram conduzidas análises visando avaliar a viabilidade da produção sob licença do VBTP M-113 em território nacional. A proposta apresentava vantagens em termos de desenvolvimento industrial e autonomia logística, porém acabou sendo descartada em razão das condições extremamente favoráveis oferecidas pelo governo dos Estados Unidos. Por intermédio do Programa de Assistência Militar (MAP), foi disponibilizada ao Brasil a cessão imediata de 500  M-113A0, provenientes dos estoques de reserva do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Essas viaturas haviam sido retiradas gradualmente das unidades operacionais norte-americanas em virtude da introdução de versões mais modernas da família M-113, encontrando-se, contudo, em boas condições de uso e aptas a serem rapidamente incorporadas ao serviço ativo. O cronograma de transferência teve início ainda em 1971 e foi concluído nos primeiros meses de 1974. A chegada desse expressivo lote de blindados representou um dos mais importantes programas de modernização já realizados até então. A ampliação da frota permitiu a distribuição estratégica dos veículos por diversas organizações militares, com prioridade para os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB) e os Regimentos de Carros de Combate (RCC). Paralelamente, parte das viaturas foi destinada a unidades de artilharia, comunicações e infantaria, ampliando significativamente a mobilidade e a capacidade de apoio dessas organizações. A combinação entre proteção blindada, elevada mobilidade sobre lagartas e grande versatilidade operacional transformou o M-113 em um elemento fundamental para a evolução doutrinária da Força Terrestre. Sua incorporação permitiu não apenas a modernização dos meios existentes, mas também a reorganização estrutural de diversas unidades. Regimentos de Infantaria tradicionais passaram gradualmente a ser convertidos em Batalhões de Infantaria Blindada, consolidando uma doutrina de infantaria mecanizada mais moderna. Nos anos subsequentes,  alcançou-se  um nível de mobilidade mecanizada sem precedentes em sua história. A frota de M-113 chegou a equipar mais de 15 organizações militares de primeira linha

Essa capacidade permitiu a realização de exercícios de grande envergadura e a implementação de novas técnicas de combate combinado, integrando carros de combate, infantaria mecanizada, artilharia e apoio logístico em uma mesma estrutura operacional. Operando em conjunto com os carros de combate M-41, os M-113 passaram a constituir a espinha dorsal das forças mecanizadas brasileiras durante as décadas de 1970 e 1980. Essa combinação conferiu ao Exército Brasileiro um importante poder de dissuasão regional, contribuindo para o equilíbrio estratégico no Cone Sul. Naquele contexto, em que a Argentina era frequentemente considerada o principal cenário hipotético de emprego das forças terrestres nacionais, a ampliação da capacidade mecanizada brasileira representou um significativo fator de equilíbrio militar. Essas características permitiram que a frota fosse amplamente empregada em deslocamentos de longa distância por vias terrestres e ferroviárias, participando de exercícios e manobras de grande envergadura em diferentes regiões do território nacional. A robustez estrutural, a simplicidade mecânica e a elevada confiabilidade operacional do VBTP M-113 garantiram, ao longo dos primeiros anos de serviço, excelentes índices de disponibilidade proporcionados graças ao fluxo contínuo de peças de reposição e ao suporte logístico proporcionado pelos acordos de cooperação militar então vigentes com os Estados Unidos. Entretanto, esse cenário favorável começou a se alterar a partir de 1977, com a posse do presidente norte-americano Jimmy Carter. A nova administração passou a condicionar a continuidade dos programas de assistência militar e cooperação estratégica ao cumprimento de diretrizes relacionadas à política de direitos humanos pelos países beneficiários. Essa mudança de orientação provocou crescente desgaste nas relações bilaterais entre Brasília e Washington, particularmente no campo da cooperação militar. A reação do governo brasileiro foi imediata e contundente. Em comunicado oficial amplamente divulgado à época, o Brasil rejeitou qualquer forma de condicionamento político à assistência militar estrangeira, afirmando que assuntos internos constituíam matéria de exclusiva competência do Estado brasileiro. O posicionamento refletia a defesa da soberania nacional e evidenciava a deterioração do relacionamento estratégico que havia se consolidado desde o início da década de 1950. Nos meses subsequentes, o agravamento das divergências políticas culminou no rompimento do Acordo Militar Brasil–Estados Unidos, vigente desde 1952. A decisão teve consequências significativas uma vez que interrompeu não apenas os mecanismos de financiamento para aquisição de novos equipamentos, mas também os canais regulares de fornecimento de peças de reposição, componentes e suporte técnico destinados aos materiais de origem norte-americana então em serviço. Entre os sistemas mais afetados encontrava-se a extensa  frota de blindados M-113AO, dependentes de uma cadeia logística externa para o fornecimento de componentes específicos, esses blindados passaram a enfrentar dificuldades crescentes de manutenção. Em poucos anos, os índices de disponibilidade operacional começaram a apresentar declínio gradual, consequência direta da escassez de peças sobressalentes.
A situação tornou-se ainda mais complexa em virtude da crise internacional do petróleo, que atingiu seu auge ao longo da década de 1970, pois os M-113AO eram equipados com dispendiosos motores a gasolina, e escalada dos preços internacionais provocou um aumento substancial dos custos operacionais da frota, impactando diretamente os recursos destinados às atividades de instrução e adestramento. Como consequência, diversas unidades passaram a reduzir a frequência de exercícios e deslocamentos de longa distância, buscando adequar seus programas de treinamento às restrições orçamentárias.  Diante desse contexto, passou a estudar alternativas capazes de assegurar a continuidade operacional da frota. Entre as soluções analisadas figuravam programas de nacionalização de componentes, modernizações localizadas e, principalmente, a substituição dos motores originais por grupos propulsores diesel. Esta solução  prometia maior economia de combustível, maior autonomia e menor dependência de suprimentos externos, assim os primeiros estudos neste sentido foram autorizados pela Diretoria de Motomecanização (DMM).  Neste contexto o Parque Regional de Motomecanização da 2º Região Militar (PqRMM/2) de São Paulo, iniciaria a primeira tentativa, fazendo uso de um motor Deutz V-8 Diesel, porem este processo não lograria êxito, tendo em vista que o fabricante encerraria suas operações no pais. Curiosamente apesar da urgência pela recuperação da capacidade operacional da frota, este programa somente seria retomado em 1981, mediante uma proposta apresentada pela  Biselli Viaturas e equipamentos Industriais Ltda. Esta solução envolvia a adaptação de um motor  Fiat 8210.22 Iveco 150, o qual não produziria os resultados esperados. Em 1982, seria estabelecido o Plano Geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (PGPDEx) para a área de material, surgindo assim o projeto M.01.11 Viatura Blindada de Transporte Pessoal  XM113-B, Lagarta, que visava dotar as unidades operativas com os M-113 modernizados.  Sua conclusão estaria prevista para o ano de 1984, o objetivo principal era a adaptação de um motor a diesel de fabricação nacional, capaz de utilizar óleos vegetais ou álcool aditivado, em substituição ao motor original a gasolina. Estava ainda previsto adaptar uma torreta para a metralhadora, possibilitando ao atirador combater sem se expor. O orçamento preliminar do projeto, era da ordem de Cr$ 415 milhões de cruzeiros, com o projeto sendo coordenado pelo recém-criado Centro Tecnológico do Exército (CTEx), ficando a execução a cargo da empresa Lacombe Indústria e Comércio de Tubos S/A em parceria com o Parque Regional de Motomecanização da 5º Região Militar (PqRMM/5). Porém logo verificou-se, que o pequeno porte desta empresa não era compatível com a dimensão deste projeto, levando a decisão de se transferir o programa para a Moto Peças Transmissões S/A.  Os primeiros testes de campo coordenados pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), ocorreriam em julho de 1983, fazendo uso do primeiro protótipo equipado com o motor Mercedes-Benz OM-352A, com este recebendo a designação de  M-113B. Os resultados aferidos neste processo culminariam na assinatura  de um contrato envolvendo a  totalidade da frota , com seu cronograma sendo estabelecido entre 1985 a 1988.  

Em Escala. 
Para recriar com fidelidade o Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP) M-113A0, identificado com a matrícula EB10-395, optamos pelo kit produzido pela Tamiya na escala 1/35. Este modelo é reconhecido pela facilidade de montagem e pelo excepcional nível de detalhamento, especialmente em seu interior, . Com o objetivo de destacar o grupo motriz, decidimos mantê-lo visível, incorporando peças complementares provenientes de um kit da Academy na mesma escala, enriquecendo ainda mais a representação técnica do veículo.  Para a aplicação das marcações, utilizamos decais de alta qualidade fabricados pela Eletric Products, extraídos do conjunto "Veículos Militares Brasileiros 1944-1982".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano empregado pelo Exército Brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial. sendo mantido nos VBTP M-113A0 até a implementação do processo de modernização a partir de 1983. Os blindados repontenciados emergiriam deste programa  ostentando o novo esquema de camuflagem tático de dois tons adotados pela Força Terrestre neste período.
Bibliografia : 
- Military Analisys Network http://www.fas.org/man/dod-101/sys/land/m113.htm
- M-113 APC - http://en.wikipedia.org/wiki/M113_armored_personnel_carrier
- Blindados no Brasil - Um Longo e Arduo Aprendizado, Volume II - Expedito Carlos Stephani Bastos
- M-113 no Brasil - Expedito Carlos Stephani Bastos

CCKW353 C2D2 GMC Cisterna Água (TE)

História e Desenvolvimento. 
A General Motors Corporation, hoje reconhecida como uma das maiores e mais influentes montadoras do mundo, teve a sua origem a 16 de setembro de 1908, quando William C. Durant, então um próspero fabricante de carruagens, decidiu fundar na cidade de Flint, no estado do Michigan, um empreendimento ainda modesto, mas voltado para o emergente e promissor setor automóvel. O negócio, porém, rapidamente ultrapassaria a condição inicial de modéstia. Num curto espaço de tempo, Durant conduziu a empresa por um intenso processo de expansão, que incluiu a incorporação da Buick Company e, posteriormente, da Oldsmobile Company  duas marcas relativamente jovens, mas já reconhecidas pela confiabilidade e aceitação no mercado norte-americano. Durante os anos seguintes, novas aquisições reforçariam a estratégia de crescimento. Entre elas destacou-se a compra da Cadillac Motor Car Division, símbolo de luxo e sofisticação, que passaria a coexistir com a então recém-criada marca premium da empresa, a Pontiac. Contudo, o ritmo acelerado de expansão não esteve isento de tensões. William Durant passou a enfrentar divergências cada vez mais profundas com os seus sócios, circunstância que culminaria no seu afastamento da companhia. Fiel ao seu espírito empreendedor, Durant fundaria em 1911, em parceria com o mecânico e piloto suíço Louis Chevrolet, a Chevrolet Motor Company of Michigan, que se tornaria um dos pilares da indústria automóvel norte-americana. Nesse mesmo ano surgiria também a marca GMC, destinada à produção e comercialização de caminhonetes e veículos de carga ligeira. Paralelamente às fusões e aquisições que marcaram o período, a direção da General Motors passou a considerar a expansão para além das fronteiras dos Estados Unidos. A primeira concretização deste objetivo ocorreu em maio de 1918, com a abertura de uma operação comercial no Canadá. O sucesso quase imediato desta iniciativa motivou a criação de filiais em diversos outros países. Em 1919, num movimento estratégico que ultrapassava o setor automóvel, a General Motors incorporou a Frigidaire Company, tradicional fabricante de refrigeradores. Esta aquisição simbolizava não apenas a diversificação do conglomerado, mas também o interesse crescente em fortalecer a presença internacional da marca. A participação da empresa no setor militar iniciou-se em meados da década de 1920, quando passou a fornecer quantidades significativas de caminhões com tração integral às Forças Armadas dos Estados Unidos. Entre os modelos mais relevantes destacam-se os Chevrolet G-506 e G-621, equipados com configurações 4x4 e 6x2. Na década seguinte, impulsionada pelo avanço tecnológico da indústria automóvel, o Exército dos Estados Unidos (US Army)  iniciou um vasto programa de modernização das suas unidades motorizadas. Um dos elementos centrais deste plano contemplava a aquisição em larga escala de uma nova geração de caminhões com tração 6x6, destinados a substituir ou complementar os veículos então em serviço, incluindo os modelos Chevrolet G-506 e G-621, os Dodge, e os Ford G-540.

Em meados da década de 1930, o agravamento das tensões internacionais, provocado pelas políticas expansionistas da Alemanha Nazi e do Império do Japão, acendeu um claro sinal de alerta entre as autoridades dos Estados Unidos. Embora o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, impusesse severas restrições à capacidade militar alemã, tornara-se evidente que o regime liderado por Adolf Hitler se encontrava profundamente empenhado num processo acelerado de rearmamento. Entre as prioridades desse esforço estava o desenvolvimento de uma força motomecanizada moderna, concebida para conferir elevada mobilidade às tropas terrestres — conceito que viria a materializar-se na inovadora doutrina da “guerra relâmpago” (Blitzkrieg), apresentada ao mundo no início da Segunda Guerra Mundial. Estas transformações no cenário geopolítico reforçaram, no seio do comando militar norte-americano, a urgente necessidade de modernizar e fortalecer as suas próprias forças armadas. Nesse contexto, a motorização e mecanização do Exército dos Estados Unidos (US Army)  assumiram um papel central na estratégia de defesa. Assim, em julho de 1939, o governo dos Estados Unidos lançou um concurso para o desenvolvimento de um novo caminhão militar 6x6, dotado de tração integral e especificações rigorosas: uma plataforma de carga com aproximadamente 3,7 metros e capacidade para transportar até 2.268 kg. Diversas montadoras apresentaram propostas, entre elas a Ford Motors, General Motors, Studebaker Corporation, Corbitt Automobile, REO Motors, Federal Motors, Biederman Motors e Kenworth Motors. Todos os projetos foram submetidos a uma análise criteriosa por parte de uma equipa técnica do United States Army Ordnance Corps. Ao final desta avaliação, apenas os modelos propostos pela Ford Motors e pela General Motors foram considerados verdadeiramente promissores, sobretudo devido ao histórico consistente de ambas na produção de caminhões militarizados para as forças armadas norte-americanas. A concorrência terminou em janeiro de 1940, com a proposta apresentada pela General Motors Company sendo declarada vencedora. O projeto laureado baseava-se no GMC ACKWX 353 6x6, desenvolvido originalmente em 1939 para o Exército Francês (Armée de Terre). No entanto, a nova versão diferia substancialmente do modelo inicial, incorporando a cabine utilizada no caminhão comercial Chevrolet G-506, bem como uma série de melhorias estruturais e mecânicas destinadas a atender plenamente aos requisitos estabelecidos pelo Exército dos Estados Unidos. Com o avanço da guerra na Europa, a importância da logística militar tornou-se cada vez mais evidente. A capacidade de reabastecer rapidamente a frente de combate — com soldados, munições e combustível revelou-se decisiva para o sucesso das operações, e a mobilidade proporcionada por veículos como o novo caminhão 6x6 demonstrou ser um fator determinante nas rápidas e sucessivas vitórias alemãs nos primeiros anos do conflito.
Essa nova percepção sobre a urgência da modernização militar acelerou decisivamente as negociações entre o Exército dos Estados Unidos (US Army) e a General Motors. No final desse processo, foi firmado o primeiro contrato de produção, atribuindo ao novo caminhão a designação GMC CCKW. A sigla refletia a lógica militar norte-americana da época: C indicava o ano-modelo de 1941, C referia-se à cabine simples, K designava a tração integral e W simbolizava a presença de eixos traseiros duplos. Uma vez em operação, o veículo demonstrou desempenho excecional, superando as expectativas iniciais. O sucesso levou à assinatura de novos contratos de produção, elevando o volume encomendado para dezenas de milhares de unidades. A fabricação em larga escala iniciou-se na unidade da Yellow Truck and Coach Division, em Pontiac, no estado do Michigan. Com o aumento da procura, esta produção foi gradualmente estendida às fábricas da General Motors Company e da Pontiac Motors, situadas na cidade de Saint Louis, no Missouri. As primeiras versões do CCKW utilizavam a cabine comercia do tipo l A1, originalmente empregada no Chevrolet G-506. Contudo, no final de 1943, foi introduzido um novo modelo de cabine, mais simples e funcional, concebido para atender às exigências da guerra. A nova cabine, recoberta por lona e sem portas, recebeu a designação GMC CCKW 352B2. A sua adoção visava, sobretudo, reduzir o consumo de materiais estratégicos, como o aço, e acelerar o processo de montagem, permitindo aumentar significativamente a capacidade produtiva num período marcado por crescente pressão logística. Além disso, o novo design reduzia a altura total do caminhão, facilitando o seu transporte em navios de carga. Como benefício adicional, esta configuração permitiu instalar uma metralhadora Browning calibre .50, montada num suporte giratório sobre o banco do passageiro, destinada à autodefesa da tripulação. Do ponto de vista mecânico, os modelos desta família estavam equipados com o robusto motor GMC 270, de 16 válvulas, capaz de desenvolver 91 cv a 2.750 rpm, acoplado a uma transmissão Warner T-93 de cinco velocidades. O sistema de suspensão Timken, empregado inicialmente nos três eixos, garantia excelente mobilidade em terrenos difíceis; posteriormente, a linha de produção adotaria o sistema General Motors “Banjo”, igualmente eficiente. Os caminhões eram produzidos essencialmente em duas versões, diferenciadas pela distância entre eixos: o CCKW 352, de configuração curta com 3,68 metros, e o CCKW 353, mais longo, com 4,17 metros. Ambos utilizavam pneus na medida 7.50-20 e contavam com travões hidráulicos assistidos a vácuo. Algumas variantes de transporte recebiam, ainda, um guincho hidráulico frontal, capaz de rebocar cargas ou veículos com peso até 4.500 kg, ampliando consideravelmente a sua versatilidade no campo de batalha. O batismo de fogo dos caminhões GMC CCKW ocorreu durante a   Operação Torch, desembarcando em Marrocos e Argélia em novembro de 1942, o GMC CCKW integrou pela primeira vez uma ofensiva militar de grande dimensão.

Convém destacar que, em razão do rigoroso racionamento de metais imposto ao longo da Segunda Guerra Mundial, o fabricante foi compelido a substituir temporariamente as tradicionais carrocerias de aço por estruturas construídas em madeira. A medida visava aliviar a pressão exercida sobre a cadeia de suprimentos de materiais estratégicos essenciais ao esforço de guerra aliado. Em 1943, os primeiros lotes produzidos nessa configuração alternativa chegaram às unidades militares. Contudo, a utilização prática em campo revelou sérias limitações de resistência, levando ao abandono dessa solução e ao retorno definitivo das carrocerias em aço tratado. Em operação, a família de caminhões General Motors CCKW 352 e CCKW 353 consolidou-se como o principal pilar da capacidade de transporte mecanizado das forças aliadas durante o conflito. A robustez e confiabilidade de sua plataforma possibilitaram o desenvolvimento de uma notável variedade de versões especializadas, entre as quais se destacavam: transporte de tropas e cargas, basculantes, cisternas (2.800 litros), oficinas armamentistas, carros-comando, ambulâncias, centros cirúrgicos móveis, oficinas de reparos gerais, postos de rádio, viaturas de descontaminação química, unidades odontológicas, tanques de combustível (2.600 litros), plataformas antiaéreas, motores para semi-reboques, purificadores de água, compressores de ar, centros de reprodução de mapas, unidades para gás, plataformas elevatórias, postos telefônicos, viaturas para transporte de balsas, veículos de socorro e guindastes, além de versões dedicadas à manipulação química. Graças ao desempenho exemplar no front, o caminhão conquistou grande estima entre os integrantes do Exército dos Estados Unidos, que o apelidaram carinhosamente de “Jimmy” ou “Deuce and a Half” (“Dois e Meio”), em referência à sua capacidade de carga. Além de seu papel crucial na Operação Overlord — a invasão da Normandia em 1944, os GMC CCKW tornaram-se peças fundamentais na célebre operação Red Ball Express, um gigantesco sistema de comboios que manteve o fluxo ininterrupto de suprimentos às tropas aliadas que avançavam rapidamente pelo território europeu após o desembarque nas praias francesas. A eficiência dessa rede logística deveu-se, em grande medida, ao elevado grau de padronização e comunalidade de componentes da indústria automotiva norte-americana, que já haviam sido amplamente testados em aplicações civis antes da guerra. Essa combinação de simplicidade mecânica, confiabilidade, robustez e facilidade de manutenção, aliada ao uso de peças de linha disponíveis em escala industrial, permitiu alcançar níveis de produção sem precedentes. Entre 1940 e 1945, nada menos que 562.750 caminhões em diversas versões e configurações — foram fabricados, muitos deles enviados como kits para montagem diretamente em campo, nos mais variados teatros de operações. Diante desse cenário, é plenamente justificável afirmar que os caminhões GMC CCKW 352 e CCKW 353 constituíram uma das principais plataformas logísticas que permitiram aos Aliados sustentar o esforço de guerra e, em última instância, alcançar a vitória final na Segunda Guerra Mundial.
Como dito anteriormente, sua flexível plataforma permitiu o desenvolvimento de inúmeras variantes especializadas entre elas surgiram os modelos do tipo cisterna para água e combustível, com este último sendo empregado para abastecimento veicular ou aeronáutico. Suas primeiras versões seriam montadas sobre a plataforma básica do GMC CCKW 353 cabine comercial e distribuídos as unidades operacionais forças armadas norte-americanas. Duas versões seriam empregadas, com delas equipada com duas cisternas com capacidade individual para 1.420 litros e a outra dotada de somente uma cisterna para 2.840 litros, estavam ainda dotadas com equipamentos e ferramental de apoio dispostos em compartimentos distribuídos ao longo dos tanques. O advento da produção do modelo CCKW 353 cabine aberta, também seria contemplado com a versão tanque, recebendo as designações D1, D2 , E1 e E2, ocupando as linhas de montagem da  Yellow Truck and Coach Manufacturing Company e da GMC Truck and Coach Division. Ao todo até julho de 1945 seriam entregues 4.133 caminhões deste tipo. Ainda no contexto da Segunda Guerra Mundial, a família de caminhões GMC CCKW consolidou-se como um dos principais expoentes do programa de ajuda militar Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Por meio desse mecanismo, milhares de unidades foram enviadas às nações aliadas, desempenhando papel decisivo no esforço de guerra de países como as Forças Francesas Livres e o Exército Vermelho Soviético, que receberam grande quantidade desses veículos e os utilizaram intensivamente em operações de combate, apoio logístico e reconstrução. Com o término do conflito, vastos estoques de caminhões CCKW permaneceram disponíveis. Em razão disso, os Estados Unidos passaram a ceder um expressivo número dessas viaturas a mais de oitenta nações amigas, dentro dos novos programas de cooperação militar que se estruturaram no início da Guerra Fria. Assim, o caminhão continuou a exercer papel relevante na reconstrução pós-guerra e na consolidação de capacidades logísticas em diversos países aliados. O eclodir da Guerra da Coreia (1950-1953) levaria os caminhões da GMC a atuar novamente em um cenário de conflagração real, sendo operados pelas forças armadas norte-americanas. Apesar da excelente folha de serviços e gigante disponibilidade operacional,  ao final da década de 1940, ficava claro que o modelo já estava entrando em um estágio de obsolescência, gerando a necessidade de sua substituição a médio prazo. Esta demanda seria suprida pelo desenvolvimento dos novos caminhões REO M-34 e REO M-35 cisterna de combustível, que passariam a entrar em serviço em meados da década de 1950, e tão logo atingiram um patamar representativo em termos de frota, permitiriam iniciar um gradual processo de substituição dos caminhões da família GMC CCKW junto as forças armadas norte-americanas. Este movimento geraria um grande número excedente de veículos em bom estado, que passariam a ser novamente incluídos nos programa de ajuda militar, e seriam comercializados nos mercados civis mexicano, norte-americano e canadense. Os últimos GMC CCKW 352 e 353 somente seriam retirados de serviço no Exército dos Estados Unidos (US Army) em meados da década de 1960, comprovando a versatilidade e robustez do modelo. Em alguns países estes caminhões somente seriam desativados do serviço militar em meados da década de 1990. Atualmente ainda é possível encontrá-los em operação no mercado civil ou em mãos de colecionadores e entusiastas, nas mais distantes localidades mundo afora. 

Emprego no Exército Brasileiro.
No contexto inicial da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma incursão das potências do Eixo — Alemanha, Itália e Japão  no continente americano. Essa preocupação tornou-se ainda mais concreta após a capitulação da França, em junho de 1940. Com a derrota francesa, abriu-se a perspectiva de que a Alemanha nazista pudesse utilizar bases estratégicas nas Ilhas Canárias, em Dacar ou em outras possessões coloniais francesas como plataformas avançadas para operações no Atlântico Sul, configurando um cenário plausível para uma ofensiva em direção às Américas. Nesse quadro estratégico, o Brasil passou a ser percebido como um dos pontos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais valiosos do hemisfério ocidental. Sua proximidade geográfica com a costa africana  região então inserida nos planos de expansão alemães  fazia do território brasileiro um potencial eixo de penetração para ações militares no continente americano. Paralelamente, as rápidas conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul alteraram profundamente o equilíbrio econômico da guerra, elevando o Brasil à condição de principal fornecedor de látex para os Aliados. Essa matéria-prima era essencial para a produção de borracha, insumo estratégico indispensável à fabricação de pneus, vedações e inúmeros componentes críticos para a indústria bélica. A relevância do Brasil era reforçada, ainda, por sua posição geográfica privilegiada no Atlântico Sul. O litoral brasileiro, em especial a região Nordeste, assumiu importância geopolítica sem precedentes. A cidade de Recife, por constituir o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano, destacou-se como local ideal para a instalação de bases aéreas e navais, além de servir como elo fundamental de uma ponte logística destinada ao deslocamento de tropas, aeronaves e suprimentos rumo aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, intensificou-se de forma acelerada a aproximação diplomática, militar e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos. Diversas iniciativas bilaterais foram implementadas, entre as quais se destacou a adesão brasileira ao programa de ajuda militar conhecido como Lend-Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Esse acordo assegurou ao Brasil uma linha de crédito inicial de US$ 100 milhões  (valor equivalente a cerca de US$ 2 bilhões em valores atualizados para 2025) destinada à modernização das Forças Armadas Brasileiras, viabilizando a aquisição de armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos mostrariam-se logo a seguir fundamentais para a defesa das rotas marítimas nacionais, cada vez mais ameaçadas pela intensificação da guerra submarina alemã, sobretudo à medida que o Brasil ampliava seu comércio com os Estados Unidos e se consolidava como fornecedor de matérias-primas vitais para a indústria de guerra norte-americana. Contudo, a participação brasileira no esforço aliado não se restringiria ao apoio material. Conforme sinalizava o presidente Getúlio Vargas, ganhava força no cenário político interno a perspectiva de uma atuação mais direta do Brasil no conflito, inclusive com a possibilidade concreta do envio de tropas nacionais para um dos principais teatros de operações da guerra.

Desde o período da Primeira República, as Forças Armadas Brasileiras enfrentavam dificuldades estruturais persistentes relacionadas ao financiamento, à modernização de equipamentos e à consolidação de uma doutrina militar compatível com os avanços tecnológicos observados nas principais potências militares. Como resultado, grande parte das operações do Exército Brasileiro permanecia fortemente dependente da tração animal, do transporte ferroviário e de soluções logísticas improvisadas, características de uma força ainda marcada por métodos do final do século XIX. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, a esmagadora maioria dos deslocamentos militares era realizada por tropas a pé  as chamadas unidades de infantaria de marcha  ou por meio de carroças e muares. A utilização de meios automotores era limitada, restrita a poucas unidades, geralmente sediadas nas capitais ou em centros urbanos mais desenvolvidos. Mesmo em grandes mobilizações internas, como a Campanha do Contestado, a Revolução de 1924, a marcha da Coluna Prestes e a Revolução de 1930, o emprego de caminhões e automóveis ocorreu de forma pontual e incipiente, sem impacto significativo sobre a mobilidade estratégica da força. Somente a partir da década de 1930, especialmente após a ascensão do governo de Getúlio Vargas, começaram a surgir iniciativas mais sistemáticas voltadas à modernização da Força Terrestre. Ainda assim, às vésperas da década de 1940, o Exército Brasileiro apresentava um baixo grau de motomecanização, reflexo direto das limitações orçamentárias, industriais e logísticas que haviam marcado o país nas décadas anteriores. Até aproximadamente 1940, a frota automotiva do Exército consistia em uma combinação heterogênea de caminhões leves e médios de origem norte-americana  como os Chevrolet Gigante Flatbed Truck e Tigre, Dodge T-203 e Ford V8  adquiridos em pequenos lotes, além de veículos civis requisitados ou adaptados ao uso militar. No que se refere a viaturas especializadas, como ambulâncias, oficinas móveis, veículos de socorro e caminhões-cisterna, existiam pouquíssimas unidades em serviço ativo. Esse conjunto era complementado por um número reduzido de veículos genuinamente militares, como os caminhões alemães 6x6 da Henschel & Sohn e os britânicos Thornycroft Tartar 6x4. A ausência de padronização dessa frota tornava a manutenção complexa e onerosa, além de comprometer a disponibilidade operacional. Ademais, o país ainda carecia de uma doutrina de motorização consolidada, e o treinamento de motoristas militares era limitado, o que dificultava a plena exploração dos poucos meios automotores disponíveis. Nesse contexto, o Programa de Empréstimos e Arrendamentos representou uma inflexão decisiva. Entre suas previsões, estava a cessão de aproximadamente quatro mil caminhões, a maioria dotada de tração integral 4x4. No que se refere aos veículos pesados com tração 6x6, estavam previstos 1.445 caminhões da família GMC CCKW, distribuídos em diversas versões especializadas. Entre elas destacavam-se as versões de carga CCKW-352/353 A1 e B2; oficinas móveis (G-138 M-6); reparo de armas (G-139 M-7); reparo de artilharia (G-140 M-9); reparo de instrumentos (G-140 M-10); soldagem (G-140 M-12); reparo automotivo (G-139 M-8); oficina de máquinas (G-140 M-16); reparo elétrico (G-140 M-18); e, por fim, a versão destinada ao Corpo de Sinal.
Essa ampla variedade de configurações permitia à Força Terrestre operar de forma integrada e autônoma, atendendo às mais diversas demandas logísticas, técnicas e operacionais. A incorporação desses veículos representou um passo fundamental para a transformação do Exército Brasileiro em uma força motomecanizada moderna, capaz de sustentar operações contínuas e complexas, em consonância com os padrões adotados pelos exércitos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Os primeiros caminhões previstos no âmbito do programa de assistência militar começaram a ser recebidos pelo Exército Brasileiro ainda em 1942, com os últimos 490 veículos sendo entregues até o final de 1944. Após os procedimentos iniciais de recebimento, revisão técnica e treinamento de motoristas, esses caminhões passaram a ser rapidamente distribuídos às unidades operacionais do Exército espalhadas por todo o território nacional, contribuindo de forma imediata para a ampliação da mobilidade e da capacidade logística da Força Terrestre. Entretanto, a incorporação dessa frota não se limitaria às necessidades internas. A progressiva inserção do Brasil no esforço de guerra aliado logo implicaria o envio de um contingente militar para o teatro de operações europeu. Essa intenção foi formalizada em 9 de agosto de 1943, quando, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada no Boletim Reservado de 13 do mesmo mês, foi oficialmente criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). A nova força seria constituída pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), complementada por diversos órgãos não divisionários, concebidos para garantir autonomia administrativa, logística e operacional. O comando da militar foi confiado ao general-de-divisão João Baptista Mascarenhas de Morais, que passou a dispor de uma estrutura organizacional complexa e moderna para os padrões da época. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) era composta por três Regimentos de Infantaria — o 1º Regimento de Infantaria, o 6º Regimento de Infantaria de Caçapava e o 11º Regimento de Infantaria —, quatro Grupos de Artilharia (três equipados com obuses de 105 mm e um com obuses de 155 mm), além de uma esquadrilha de aviação destinada a missões de ligação e observação, pertencente à Força Aérea Brasileira. Completavam a estrutura um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de transmissões, responsável pelas comunicações. A organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB) incluía ainda o comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música, refletindo a preocupação em dotar a força expedicionária de todos os elementos necessários à sua atuação prolongada em um teatro de operações distante do território nacional. O contingente estimado para o emprego no exterior era da ordem de vinte e cinco mil homens. De acordo com os compromissos assumidos junto aos Aliados, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) deveria operar segundo a doutrina e o conceito operacional do Exército dos Estados Unidos (U.S Army). 

Isso implicava, necessariamente, elevados padrões de mobilidade e flexibilidade, exigindo a disponibilidade de um grande número de veículos para transporte de tropas, suprimentos e equipamentos, nos mesmos moldes daqueles empregados pelas forças aliadas no front europeu. Em conformidade com o cronograma estabelecido, o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB) desembarcou no porto de Nápoles, na Itália, em 16 de julho de 1944. Após um breve período de adaptação e treinamento, as tropas brasileiras passaram a integrar os efetivos do V Corpo de Exército dos Estados Unidos, então sob o comando do general Mark Wayne Clark. Nesse momento, a Força Expedicionária Brasileira recebeu a totalidade de seu armamento, equipamentos e veículos, retirados do estoque estratégico de recomplementação do Exército dos Estados Unidos (U.S Army)., localizado na cidade italiana de Tarquinia. No que se refere aos meios de transporte, foram disponibilizados aos contingentes brasileiros aproximadamente 950 caminhões destinados ao transporte de carga e de pessoal, predominantemente dos modelos GMC CCKW-352 A1 e B2, nas versões de cabine aberta e fechada. Uma parcela menor dessa numerosa frota era composta por caminhões-cisterna, empregados no transporte e no abastecimento de combustíveis  tanto gasolina comum quanto gasolina de aviação  e no fornecimento de água potável, um recurso vital em um ambiente de combate real. Essas viaturas, nas versões CCKW-353 C2 D1 (cabine aberta) e CCKW-353 C2 D2 (cabine fechada), desempenharam papel essencial no abastecimento em trânsito de caminhões, jipes e dos blindados leves M-8 Greyhound, assegurando a continuidade das operações da Exército dos Estados Unidos (U.S Army). durante a Campanha da Itália. Esses mesmos modelos de caminhões-cisterna também passaram a ser empregados pela Força Aérea Brasileira (FAB), desempenhando papel fundamental no abastecimento em pista das aeronaves de caça e de observação pertencentes ao 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvC) e à 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). Nessas unidades, os veículos garantiam a continuidade das operações aéreas, permitindo a rápida reposição de combustível em ambientes operacionais frequentemente improvisados e sob constante pressão logística. No teatro de operações italiano, os caminhões GMC CCKW-353 configurados como cisternas de combustível ou de água, disponibilizados à Força Expedicionária Brasileira (FEB), apresentavam duas configurações básicas quanto à capacidade de transporte de líquidos. Uma delas era equipada com tanque individual com capacidade aproximada de 1.420 litros, enquanto a outra dispunha de um tanque único de maior volume, com capacidade de cerca de 2.840 litros. Ambas as versões atendiam às exigências do abastecimento móvel em campanha, acompanhando o avanço das tropas e a dinâmica do front. Embora exista ampla documentação fotográfica que comprove a presença das duas versões de cisternas de combustível em uso pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), não há registros iconográficos conhecidos da variante destinada especificamente ao transporte de água potável. Ainda assim, fontes extraoficiais indicam a existência de, pelo menos, um caminhão-cisterna de água do modelo GMC CCKW-353 B2, com capacidade de 2.840 litros, em serviço junto às forças brasileiras. 
Essa versão havia sido introduzida no serviço ativo na Europa por ocasião da invasão da França, em junho de 1944. A elevada concentração de meios de transporte destinados à Operação Overlord possivelmente limitou a disponibilidade desse modelo para cessão a outras forças aliadas, o que explicaria sua raridade no contexto da Campanha da Itália. Durante as operações em solo italiano, o suprimento de água potável às tropas brasileiras era realizado, em grande medida, por meio do emprego de quatorze reboques cisterna G-527, com capacidade de 250 galões cada, tracionados por caminhões de carga. Esses reboques asseguravam o abastecimento contínuo das unidades em combate, contribuindo diretamente para a manutenção da saúde e da capacidade operacional dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Já no território brasileiro, a presença de caminhões-tanque destinados ao abastecimento de aeronaves em trânsito para o teatro de operações europeu tornou-se uma cena frequente nas bases aéreas distribuídas ao longo do litoral Nordeste e Sudeste. Essas instalações, operadas de forma conjunta por militares brasileiros e norte-americanos, integravam a ampla rede logística que sustentava o esforço aéreo aliado, evidenciando o papel estratégico do Brasil como elo fundamental entre as Américas e os campos de batalha do Velho Mundo.Após o encerramento das hostilidades, em maio de 1945, os caminhões-cisterna de combustível GMC CCKW-353, nas versões A1 e B2, assim como o restante dos veículos, armamentos e equipamentos pertencentes ao Exército Brasileiro e à Força Aérea Brasileira (FAB), foram concentrados sob a responsabilidade do Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), sediado na cidade de Roma. Nessa organização, procedia-se à triagem do material aliado empregado na Campanha da Itália, sendo os veículos que se encontravam em melhor estado de conservação selecionados para armazenamento e posterior envio ao Brasil por via marítima. Nesse contexto, não há registros documentais que confirmem a inclusão do enigmático GMC CCKW-353 B2 configurado como cisterna de água entre as centenas de viaturas despachadas de volta ao território brasileiro. Sua ausência nos inventários oficiais sugere que esse exemplar, caso tenha efetivamente servido junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB), não retornou ao país ou foi incorporado a outros estoques aliados no pós-guerra. Ainda em 1945, e sob os auspícios do programa Lend-Lease, chegaram ao porto do Rio de Janeiro mais quarenta caminhões dessas versões específicas, que se somaram à frota já em serviço no Brasil desde 1942. Esses veículos contribuíram para reforçar a capacidade logística das Forças Armadas em um período de reorganização e adaptação ao novo cenário estratégico do pós-guerra. Em meados da década seguinte, pelo menos mais trinta caminhões-cisterna de combustível foram cedidos às Forças Armadas Brasileiras, agora nos termos igualmente vantajosos do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program – MAP). Há indícios de que parte desses veículos tenha sido posteriormente convertida para a função de cisterna de água, atendendo às necessidades operacionais internas e prolongando a vida útil dessa robusta e versátil família de caminhões, que se tornaria um dos pilares da logística militar brasileira ao longo das décadas seguintes.

Em Escala.
Para representarmos o caminhão GMC CCKW 353 B2 cisterna de água, empregado pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália (1944 - 1945), fizemos uso do excelente kit na escala 1/25 produzido pela Italeri . Para finalizar o conjunto usamos decais originais do modelo e do set "FEB Na Segunda Guerra Mundial", impressos pela Decals e Books presentes em set especial presente como complemento do livro "FEB Na Segunda Guerra Mundial".   
O esquema de cores  (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático empregado em todos os veículos pertencentes ao Exército dos Estados Unidos (U.S Army) empregado durante a campanha na Europa na Segunda Guerra Mundial. Todos os veículos cedidos ao Exército Brasileiro ostentavam este padrão, sendo substituídas apenas as marcações e identificações nacionais, no entanto existem registros fotográficos que mostram veículos brasileiros com identificações de número serial norte-americanas. Como não existe registro fotográfico do  GMC CCKW 353 B2 Cisterna Água na  Força Expedicionária Brasileira (FEB), optamos por manter a marcação serial original do veículo.   
Bibliografia : 
- Caminhão Comando e dormitório na FEB - Expedito Carlos S Bastos   www.ecsbdefesa.com.br/fts/Caminh%E3o%20Comando.pdf
- GMC CCKW – Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/GMC_CCKW
- Pesquisa Leand & Lease WWII Brasil
- FEB na Segunda Guerra Mundial - Luciano Barbosa Monteiro - Decals e Books