Bell 206B Jet Ranger III

Historia e Desenvolvimento

No início da década de 1960 a empresa Bell Helicopter Company acumulava grande sucesso comercial, tanto no mercado civil quanto militar, este historia teve início a partir de 1946 quando a primeira versão da família Bell Model 47 OH-13 entrou  em serviço Exército Americano (US Army), passando a ser operado também pela Força Aérea Americana (USAF) e pela Marinha Americana (US Navy). Ao longo dos próximos anos mais de 5.000 células seriam produzidas para diversos clientes civis e militares. Neste mesmo período as primeiras aeronaves do modelo do Bell Model 205 ou UH-1B começavam ser montadas nas linhas de produção da empresa, e os ensaios em voos dos protótipos apresentavam resultados extremamente promissores. Atravessando seu melhor momento a empresa olhou como uma nova oportunidade a concorrência denominada Projeto Ligh Observation Helicopter (LOH) lançada em 14 de outubro de 1960 pelo comando do Exército Americano. Este programa tinha por objetivo o desenvolvimento de um novo helicóptero leve destinado a missões de treinamento, transporte e ligação que teria por missão possuir uma única plataforma para substituir centenas de unidades dos modelos dos helicópteros Bell OH-13 e Hiller OH-23 e aeronaves Cessna L-19 Bird Dog. Esta concorrência processo previa a aquisição de 3.600 células, volume que despertou o interesse de 12 empresas norte americanas, pois a vencedora iria ser responsável pelo maior contrato militar para a fabricação de aeronaves de asas rotativas. Em maio do ano seguinte a lista de concorrentes foi reduzida para cinco, incluindo as propostas da Bell Helicopter Company com seu modelo D-2

O primeiro protótipo produzido pela Bell Helicopter Company alçou voo em 08 de dezembro de 1962, sendo seguido pela produção de mais quatro aeronaves que passaram a ser exaustivamente avaliadas pela equipe técnica do Exército Americano (US Army) em Forte Rucker no Alabama sendo avaliado paralelamente pela força aérea na Base Aérea de Edwards na Califórnia. Neste mesmo período os protótipos do Hughes YHO-6 foram submetidos ao mesmo processo, e nesta fase a concorrência estava reduzida somente em dois fabricantes, com a escolha infelizmente para a Bell pendendo para seu concorrente. Apesar da derrota a diretoria da empresa Bell vislumbrou no conceito de seu projeto uma oportunidade no mercado civil, tendo como vantagem o custeamento inicial do projeto pelo governo norte americano. Assim com base no projeto YHO-4A a equipe de projetos iniciou o desenvolvimento de uma nova aeronave passando a ser designado como “Desing D-250” que posteriormente receberia o nome comercial de Bell 206. A construção do primeiro protótipo foi iniciada em julho de 1965, tendo seu primeiro voo em dezembro do mesmo ano, a partir dos primeiros ensaios a equipe de projetos da empresa identificou deficiências centradas em sua baixa capacidade de carga e limitado espaço interno, que tornariam o modelo pouco competitivo no mercado civil. A solução para estas demandas surgiria de um redesenho do projeto nascendo assim a versão 206A que teve seu primeiro voo em 20 de outubro de 1965. A nova aeronave já com sua designação comercial de Bell 206A Jet Ranger seria revelada no dia 10 de janeiro de 1966 durante a convenção da Helicopter Association of America (HAA), em outubro do mesmo ano a aeronave receberia a certificação da Federal Aviation Adminstration (FAA).
Causando boa impressão no mercado civil norte americano, as primeiras entregas dos Jet Rangers tiveram início em 13 de janeiro de 1967, com a primeira aeronave sendo comprada por Harry Holly, CEO da Hollymatic Corporation e proprietário anterior de um Bell Ranger. O sucesso comercial seria meteórico com o modelo passando a liderar a categoria em vendas em um curto período. Nesta mesma época o programa Ligh Observation Helicopter (LOH) passava a apresentar preocupantes atrasos e aumentos de custos devidos a problemas com a aeronave Hughes OH-6A, levando o comando do Exército Americano (US Army) a considerar a aquisição de uma versão militarizada do Bell 206A que já havia se tornado um sucesso de vendas no mercado civil. Esta intenção foi oficializada em outubro de 1967 com um contrato visando a compra de 2.200 células da versão designada como Bell OH-58A Kiowa que havia sido desenvolvida para missões de observação e ligação.  O próximo cliente militar seria a aviação naval da Marinha Americana (US Navy) que vislumbrou na aeronave uma promissora plataforma para treinamento primário de seus pilotos navais, celebrando um contrato para a aquisição de 180 exemplares da versão TH-57 Sea Ranger. O Exército Americano (US Army) também finalmente selecionou o Bell 206A para um helicóptero de observação leve como o OH-58 Kiowa. Além da produção própria diversas variantes foram fabricadas sob licença pela empresa italiana Augusta.

A experiencia obtida na produção e operação das versões Bell 206 e 206A, criaram o caminho para o desenvolvimento de uma versão aprimorada destinada a suceder as primeiras versões, este novo modelo passou a ser produzido em 1971, sendo denominado Bell 206B Jet Ranger II, alcançado a cifra de 1.619 células produzidas e comercializadas a diversos operadores civis e militares até meados do ano de 1977. O considerável sucesso dos modelos 206A/B instigou a Bell Helicopter Company a aplicar melhorias no projeto para o atendimento das sugestões fornecidas por diversos operadores, itens como sistemas de navegação e comunicação foram modernizados, porém as alterações mais marcantes foram baseadas na adoção de novo motor turboeixo Allisson 250-C20J com 420 shp e na instalação de um rotor de cauda de maior diâmetro e de desenho mais refinado do que as versões anteriores do Jet Ranger. Estas alterações trouxeram uma significativa melhora em seus parâmetros de desempenho e confiabilidade.
A nova versão foi produzida em seis sub variantes entre elas destacamos a elas o Bell 206L LongRanger destinado ao transporte de até sete passageiros, Bell 206LT TwinRanger envolvendo a conversão de modelos 206L para o uso de dois motores, já as versões militares como a  206AS, CH-139, OH-58 Kiowa, TH-57A Sea Ranger, TH-67 Creek e OH-58D Combat Scout foram exportados a partir da década de 1970 para a Argentina, Brasil, Albânia, Austrália, Bangladesh, Bulgária, Chile, Colômbia, Croácia, Equador, Finlândia, Guatemala, Guiana, Irã, Iraque, Israel, Itália, Jamaica, Japão, Letônia, Lesoto, Macedônia, México, Marrocos, Paquistão, Peru, Servia, Eslovênia, Sri Lanka, Peru, Uganda, Suécia, Canada, Malta e Venezuela. A produção foi descontinuada em fins do ano 2010, quando haviam sido produzidas 7.300 unidades de todas as versões.

Emprego no Brasil. 

A operação de aeronaves de asas rotativas para emprego militar teve início no Brasil na primeira metade da década de 1950 com a aquisição pela Força Aérea Brasileira de quatro células do modelo Bell 47D1, esta movimentação foi observada de perto pela Marinha do Brasil, que já ambicionava a implementação de sua aviação naval desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Após estudos, alocação de recurso e definição do plano estratégico, a reativação da aviação naval teve início em agosto de 1952, com a criação a Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) que teria por missão criar a doutrina de emprego deste novo braço militar aeronaval. Como segundo passo deste processo, em 1955 seria formado o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN) que se localizava no Km 11 da Av. Brasil (Rio de Janeiro/RJ), onde atualmente se encontra o Centro Recreativo da Casa do Marinheiro sendo esta organização focada no treinamento e formação e todo o pessoal aero navegante da marinha. As primeiras aeronaves de instrução recebidas foram três Bell 47J, aeronaves estas que foram adquiridas pela Marinha por intermédio da Missão Naval Americana, e estes helicópteros vieram desmontados e encaixotados e o processo de montagem iniciou-se em 1957 nas próprias instalações do CIAAN iniciando assim a era da aviação de asas rotativas na marinha. Dez anos mais tarde a frota de aeronaves de treinamento da Aviação Naval seria modernizada com a chegada dos Bell 206B Jet Ranger II , que passaram a ser designados como IH-6A, para dotar o 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1), vindo a substituir de imediato os antigos Hughes 269 A "Pulga”.

A incorporação de 18 células novas de fábrica deste modelo em muito aprimorou o treinamento das equipagens pois proporcionavam aos aspirantes a piloto aeronaval um envelope voo muito semelhante as aeronaves de primeira linha em uso naquela época, além de possibilitarem a navegação por instrumentos. Em meados da década de 1980, as células empregadas no 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1) começavam a apresentar sinais de desgaste em virtude do extenuante perfil de treinamento, motivando assim estudos de ordem emergencial para aquisição de novos modelos existentes no mercado internacional voltados a tarefas de instrução. Em 1985 concluiu se com base em requisitos como economia de operação, custos de aquisição, experiencia em manutenção e fatores logísticos que a melhor opção seria a aquisição do Bell 206B Jet Ranger III. Desta maneira em junho do mesmo ano a Marinha do Brasil assinou dois contratos, sendo primeiro com a Bell Helicopter Textron, que compreendia a compra de 16 helicópteros Bell 206B Jet Ranger III, e o segundo com a empresa norte americana Sfena para que procedesse a reconfiguração da suíte de avionica das aeronaves. Esse último item, elevou significativamente o peso vazio dos helicópteros, objetivando equipá-los com um painel de instrumentos semelhante ao empregado pelos modelos em uso na Marinha Americana para a formação de pilotos de asas rotativas. Esta modificação permitiria que o modelo voasse sem restrições sob condições de voo por instrumentos. Além do novo painel, eles seriam equipados com gancho de carga, guincho elétrico, flutuadores de emergência e portas ejetáveis para a tripulação e passageiros.
Em fins do ano de 1985 as primeiras unidades do Bell 206B Jet Ranger III, ou IH-6B como foram designados na Aviação Naval, já estavam prontos na unidade fabril, levando a Marinha a desenvolver uma rota para o translado das aeronaves até o Brasil, envolvendo escalas em 37 aeroportos no trajeto, sendo o mesmo executado em quatro esquadrilhas entre março e maio do ano seguinte. Após a chegada na Base Aeronaval de São Pedro de Aldeia no Rio de Janeiro as células agora matriculadas de MB 5038 a 5053 foram incorporadas ao 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1) para serem inseridas no programa de instrução e formação não só dos pilotos da Marinha e no Curso de Aperfeiçoamento de de Aviação para Oficiais (CAAVO), mas também a primeira turma de aviadores da recém-criada aviação militar do Exército Brasileiro, tarefa esta que se repetiria nos dois anos seguidos. Este novo modelo dispunha de uma suíte aviônica mais complexa e avançada , elevando assim os patamares de treinamento , possibilitando ainda a implementação de instrução armada , pois as células podiam ser equipadas com metralhadoras coaxiais de 7,62mm ou ainda lançadores de foguetes SBAT 70/7-1.

Em 1992, antevendo um crescente aumento nas atividades de instrução do HI-1, a Marinha decidiu adquirir mais três células do Bell Jet Ranger III, assinando em abril deste mesmo ano um contrato no valor de US$ 3.699.900, com estas novas aeronaves sendo idênticas as aquelas adquiridas em 1985, com somente pequenas diferenças externas que refletiam a evolução do Jet Ranger III. Estes três helicópteros foram recebidos na fábrica da empresa em Forte Worth no Texas em novembro de 1992, sendo despachados até o Brasil embarcados no navio mercante Jalisco Hay, sendo entregues em janeiro do ano seguinte na Base Aeronaval de São Pedro de Aldeia no Rio de Janeiro. Além do HI-1, este modelo passaria a dotar o recém criado 4º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-4), unidade estava baseada no complexo militar de Ladário ( 6º Distrito Naval da Marinha ), em proveito de missões de transporte, ligação e apoio , operando ainda como vetores embarcados nos vasos fluviais, em  meados de  2012 porém as células renascentes neste esquadrão foram devolvidas ao HI-1 para recompor sua dotação original.
A partir de 2015 a comando da aviação naval da Marinha iniciou estudos para o Programa UHP, que visa a seleção e aquisição de um novo helicóptero leve de treinamento e emprego geral, que vista proporcionar aos futuros pilotos da Marinha um nível de instrução compatível em termos de avionica embarcada aos novos vetores de asas rotativas como Sikorsky MH-16 e  Eurocopter EC-725 que recentemente passaram a ser incorporados, este programa visa também substituir a médios prazo os Helibras UH-12 de UH-13 Esquilo que a exemplo dos IH-6B Jet Ranger III também começam a apresentar os sinais de cansaço devido ao  emprego intenso aliado as agressivas condições de operação no ambiente marinho impactaram no desgaste estrutural das células.

Em Escala.

Para representarmos o IH-6B "MB 5052" empregamos um antigo modelo do fabricante Fujimi na escala 1/48, necessitando de algumas modificações em scratch (portas de embarque traseiras e fixação das metralhadoras ou casulos de foguete coaxiais) para compor a versão brasileira (o modelo original representa a versão OH-58 Kiowa). Fizemos uso de decais produzidos pela FCM presentes no antigo, porém excelente Set 48/07B.
O esquema de cores descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado em todas as células do Bell 206B Jet Ranger III ou IH-6B , utilizados desde o recebimento em 1986, sendo o mesmo mantido até os dias atuais, contando com apenas algumas pequenas alterações de marcação.

Bibliografia :

- Bell 206 Jet Ranger  - Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Bell_206
- Asas Sobre os Mares - Aviação Naval Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr