LVTP-7A1 FMC (CLANF)

História e Desenvolvimento.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o avanço das operações combinadas e a crescente complexidade dos teatros de guerra levaram ao desenvolvimento de novas doutrinas táticas e operacionais, particularmente aquelas voltadas para invasões anfíbias em larga escala. Tanto no teatro de operações europeu quanto no Pacífico, as forças aliadas reconheceram a necessidade de empregar meios especializados capazes de realizar desembarques de tropas e equipamentos diretamente sobre praias hostis, superando barreiras naturais e defensivas. Nesse contexto, surgiram ícones logísticos e táticos como as embarcações de desembarque LCVP (“Higgins Boats”), os caminhões anfíbios GMC DUKW, e os veículos blindados anfíbios voltados ao transporte de pessoal e suprimentos. O conceito de um veículo anfíbio rastreado, capaz de operar com eficiência tanto na água quanto em terra, teve sua origem em um projeto civil norte-americano, concebido ainda antes da guerra. Em 1938, o engenheiro norte-americano Donald Roebling, motivado por propósitos humanitários, desenvolveu um veículo de resgate projetado para operar nas vastas áreas pantanosas da Flórida, especialmente nos Everglades. O modelo, denominado “Alligator”, destacava-se por sua robustez estrutural, excelente navegabilidade e capacidade de transitar em terrenos alagadiços e instáveis. Essas características chamaram a atenção do Comando da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), que vislumbrou no projeto um potencial militar para operações anfíbias de assalto. Em reuniões subsequentes com Roebling, oficiais da Marinha apresentaram uma série de requisitos e modificações técnicas que visavam adaptar o veículo às demandas operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps). O programa de adaptação iniciou-se no início de 1940, culminando com a entrega do primeiro protótipo em maio do mesmo ano. O veículo estava equipado com um motor MK94K da Marine Engine Manufacturer, o que, embora suficiente para a navegação inicial, limitava o desempenho em terra. Os testes conduzidos revelaram resultados promissores, levando à autorização para a construção de um segundo protótipo, agora dotado de um motor Lincoln-Zephyr a gasolina — consideravelmente mais potente e eficiente. Os resultados dessa segunda fase de testes foram amplamente satisfatórios, demonstrando notável melhoria no desempenho e na confiabilidade do veículo. Assim, em fevereiro de 1941, o modelo, agora oficialmente designado como LVT-1 “Alligator” (Landing Vehicle Tracked), foi aceito pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. A FMC Corporation (Food Machinery Corporation) recebeu o primeiro contrato de produção, contemplando duzentas unidades iniciais. O batismo de fogo do LVT-1 ocorreu em 1942, durante as operações da 1ª Divisão do Corpo de Fuzileiros Navais em Guadalcanal, nas Ilhas Salomão. Inicialmente empregados em tarefas logísticas de reabastecimento, os veículos demonstraram eficiência notável ao transportar tropas, munições e suprimentos diretamente da linha costeira para o interior da ilha.

Até o outono de 1943, o LVT-1 havia contribuído de forma decisiva para a conquista total de Guadalcanal, consolidando-se como um instrumento tático indispensável nas operações anfíbias subsequentes. Nas campanhas seguintes — particularmente durante as operações de conquista “ilha a ilha” no Pacífico, o LVT-1 assumiu papel central nas primeiras ondas de desembarque. Seu desempenho foi especialmente destacado na invasão do arquipélago de Tarawa, em novembro de 1943, onde mais de 260 unidades participaram ativamente das primeira, segunda e terceira ondas de ataque, transportando soldados, armamentos e equipamentos, além de remover feridos sob fogo inimigo intenso. Com o desempenho comprovado em combate durante a Segunda Guerra Mundial, os veículos anfíbios rastreados da série LVT (Landing Vehicle Tracked) consolidaram-se como elementos indispensáveis nas operações de desembarque anfíbio. A eficácia demonstrada em campanhas como Tarawa, Saipan e Iwo Jima evidenciou a necessidade de aperfeiçoar tais meios, tanto em termos de capacidade de transporte, quanto de proteção e poder defensivo. Reconhecendo o seu valor estratégico, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos destinou novos recursos à FMC Corporation (Food Machinery Corporation) para o aprimoramento do modelo original e o desenvolvimento de versões mais modernas. Dessa iniciativa surgiram variantes como o LVT-2 “Water Buffalo” e o LVT-3 “Bushmaster”, amplamente empregados nas fases finais do conflito. Posteriormente, após a capitulação do Império do Japão em setembro de 1945, foi introduzido o LVT-4 “Water Buffalo”, que incorporava melhorias substanciais em blindagem, capacidade de carga e autodefesa, aumentando significativamente a proteção dos seus ocupantes e a eficiência operacional nas operações anfíbias. Com o término da guerra, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps) iniciou, em 1947, um processo de revisão de suas doutrinas e equipamentos, tendo em vista o cenário geopolítico emergente da Guerra Fria. Dentro desse contexto, foi lançada uma especificação técnica para o desenvolvimento de um novo veículo blindado de transporte de pessoal (APC – Armored Personnel Carrier), que deveria apresentar carroceria totalmente fechada e blindada, garantindo maior proteção em ambientes de combate intensivo. Duas empresas atenderam aos requisitos e apresentaram suas propostas dentro do prazo estabelecido: a Borg-Warner Company e a própria FMC Corporation. Ambas desenvolveram protótipos funcionais que foram submetidos a uma série de testes comparativos rigorosos em diferentes tipos de terreno e condições operacionais. Após extensas avaliações, o projeto da FMC Corporation foi declarado vencedor em setembro de 1955, resultando na assinatura de um contrato inicial para a produção de 200 unidades do novo modelo, designado LVTP-5 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel).
Os primeiros exemplares foram entregues às unidades operacionais em meados de 1956, e logo demonstraram desempenho superior em capacidade de transporte e proteção em relação aos modelos predecessores. O batismo de fogo do LVTP-5 ocorreu durante as fases iniciais da Guerra do Vietname (1967–1975), onde o veículo foi empregado em operações de desembarque e apoio logístico. Apesar do êxito nas missões designadas, o veículo revelou limitações operacionais significativas: seu grande porte e peso elevado afetavam a agilidade tanto em meio aquático quanto terrestre, comprometendo a manobrabilidade tática em terreno adverso.  Consciente dessas deficiências, a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) iniciou, em 1969, um programa de estudos e avaliação técnica com o objetivo de desenvolver um sucessor para o LVTP-5, capaz de oferecer melhor desempenho, velocidade e flexibilidade tática sem sacrificar a proteção e a capacidade de carga. Em abril de 1970, foi lançada uma concorrência internacional para a seleção de um novo veículo de desembarque rastreado para transporte de pessoal (LVTP – Landing Vehicle, Tracked, Personnel). O edital estabelecia exigências específicas: o veículo deveria ser capaz de partir de navios posicionados off-shore, transportar até 25 soldados totalmente equipados para combate ou 5.000 kg de carga, além de possuir sistemas de armamento e blindagem otimizados para garantir a sobrevivência em ambientes de alto risco. Quatro fabricantes atenderiam a este chamado, e as análises iniciais resultariam em "short list" de dois concorrentes, com os protótipos funcionais designados como LVTPX12 sendo apresentados em janeiro de 1972 e testados exaustivamente em campo. Neste contexto a proposta apresentada proposta apresentada pela Divisão de Artilharia da FMC Corporation se mostrando mais atrativa, principalmente por apresentar uma alta comunalidade componentes com o M-113, tornando o  novo veículo mais barato e fácil de manter.  Após definição dos últimos detalhes técnicos, seria celebrado entre United Defense Corporation, uma antiga divisão da FMC Corporation Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps) um contrato no valor de US$ 78,5 milhões prevendo a aquisição de mais de novecentos carros anfíbios com sua produção em série sendo iniciada em julho de 1972. No entanto este acordo não previa as estações de armas que seriam fornecidas a partem elevando o pacote para US$ 129 milhões. Em janeiro do ano seguinte seriam entregues as unidades de avaliação, as primeiras unidades do agora designado LVTP-7, apresentando um design inovador quando comparado ao seu antecessor LVTP-5. Seu porte o favorecia no ambiente marinho, possuindo 7,54 metros de comprimento, 3,14 metros de largura, 3,12 metros de altura, com peso vazio de 18 toneladas, e carregado com 23,5 toneladas.  Estava equipado com um novo motor Detroit Diesel 8V-53T, de 400 hp, com transmissão automática com quatro marchas a frente e uma a ré. Podia desenvolver 65,4 km/h em estradas e até 13,5 km/h na água, graças a seu novo sistema com dois hidrojatos operando em conjunto com as hélices propulsoras. Com este conjunto motriz, seria permitido um alcance de 480 km (300 milhas) e 20 milhas náuticas em mar calmo, poderia operar ainda em mar revolto, porém a uma velocidade muito degradada e com mais consumo. 

Estava equipado com um sistema primário de blindagem de 45 mm (1,8 polegadas), que o permitia resistir a armas de pequeno e médio calibre, proporcionando a seus ocupantes uma relativa proteção nas operações de desembarque. Em termos de aparência, o LVTP-7 se assemelhava um pouco às versões IFV (infantry fighting vehicle) avançadas do M-113, compartilhando ainda o mesmo trem de rodas e seção traseira inclinada, mas mais longos e volumosos.  Possuía um casco de alumínio totalmente soldado, protegendo a tripulação de fogo de armas pequenas e estilhaços de projéteis. Dispunha de sete blocos de visão diurna, sendo o central trocado por um periscópio de visão noturna, contando com um conjunto de luzes de direção noturna, e por fim um periscópio M-17C. O LVTP-7 podia transportar nada menos que vinte e cinco pessoas totalmente equipadas, muito mais do que o M-113, porem menos do que os trinta e quatro do LVTP-5, se adequando a nova doutrina dos fuzileiros que exigiam esquadrões de infantaria menores. Este soldados seriam acomodados em três bancos corridos no compartimento traseiro. Um seria colocado no centro, com posições consecutivas, e um de cada lado. Este banco central poderia ainda ser removido e os laterais dobrados, deixando espaço para cerca de 4.536 kg de carga. A entrada e saída eram feitas pela rampa elétrica traseira do veículo, também ajudando na movimentação de carga, mas essa rampa quando fechada, ainda tinha uma porta no lado esquerdo como backup. O teto do compartimento de tropas também compreendia três pesadas escotilhas de teto de mola de torção para os soldados dispararem na marcha de saída de lá, salientando que devido a essas aberturas, o LVTP7 não possui sistema  de proteção nuclear e química NBC. O compartimento traseiro também pode ser usado como ambulância, com seis macas dentro. Outros kits incluíam uma viseira de navegação e do motorista, além de um kit de inverno com aquecimento especial para os compartimentos internos testados a partir de -54 ° C no exterior. Sua autodefesa seria proporcionada por uma metralhadora M-85 com calibre de 0,50 (12,7 mm), carregando 1.000 cartuchos, dos quais 400 estão prontos, o outro armazenado no casco. Esta arma estava instalada em uma torre automatizada, derivada originalmente do modelo empregado nos carros de combate M-48 e M-60, apresentando uma elevação de + 60 ° e depressão de -15 °  e rotação eletro-hidráulica. Após aceitação oficial,  os  LVTP-7 começaram a ser distribuídas aos Batalhões de Anfíbios de Assalto Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps), onde substituíram de imediato os LVTP-5, provando ser a decisão mais acertada possível, face ao excelente desempenho observado. Nesta primeira fase,  os positivos resultados operacionais aferidos despertariam  a atenção de outras nações, com o modelo passando a receber contratos de exportação, com versões sendo vendidas para as forças armadas da Argentina, Itália, Indonésia e Japão.  No final da década de 1970 o comando da Marinha dos Estados dos Unidos (US Navy), visando aprimorar suas táticas de guerra anfíbia, passaria a estudar melhorias a serem implementadas tanto em doutrina quanto em termos de equipamentos e armamentos. Análise detalhadas revelariam o grande potencial de crescimento operacional dos LVTP-7 para as décadas seguintes, com a empresa FMC Corporation sendo contratada para conduzir o Programa de Extensão da Vida Útil do Modelo LVTP-7 (SLEP). Este processo abrangia basicamente um completo retrofit estrutural e implementação de uma série de modificações, com o objetivo de obter expressiva melhoria em seu desempenho operacional. 
O motor original Detroit Diesel 8V-53T de 400 hp, seria substituído pelo novo e mais potente Cummins Diesel VT-400 de 525 hp de, operando em conjunto com uma transmissão automática mais eficiente do modelo FMC HS-400-3A1. A suspensão e os amortecedores também foram reforçados.  O tanque de combustível tornou-se mais seguro, e um sistema gerador de fumaça de queima de combustível foi adicionado. O acionamento hidráulico da estação de armas foi substituído por motores elétricos eliminando assim o risco de incêndios, oito lançadores de granadas de fumaça também foram colocados ao redor da estação de armamento.  Os aglomerados de faróis foram alojados em um recesso quadrado em vez do tipo redondo anterior. O motorista receberia um painel de instrumentos melhorado e um dispositivo de visão noturna de última geração, e um novo sistema de ventilação foi instalado. Os carros modernizados passariam a ser designados como LVTP-7A1, passando a partir de 1984 a ser redesignados como AAV-7A1 (Assault Amphibious Vehicle).  Seriam ainda desenvolvidas as versões de comando AAVC-7A1, sem a torre, equipamento de comunicação extra no compartimento de carga, antena de seis chicotes. Dois rádios de tripulação, VIC-2, dois VRC-92s, um VRC-89, um PRC-103 UHF, MRC-83 HF, sistema de interconexão de redes MSQ e socorro AAVR-7A1, também sem torre, equipado com guindaste e unidade de ferramentas para reparos em campo. É composto por uma equipe de três pessoas mais a equipe de reparos. Seu batismo de fogo se daria durante o durante a  Guerra das Falklands - Malvinas (1982), quando quando vinte LVTP-7  operados pelos Fuzileiros Navais da Argentina (Imara), foram empregados com sucesso na operação da invasão das ilhas britânicas. Em serviço no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S Marine Corps), os LVTP-7A1 seriam postos em um cenário de conflagração real, ao compor a  Força Multinacional de Manutenção da Paz em Beirute, no Líbano (Multinational Force in Lebanon, MNF), durante o período compreendido entre os anos de 1982 e 1984. Participariam ainda da operação Urgent Fury no  desembarque anfíbio em 1985 durante a invasão da   ilha de Granada na América Central. Em 1991 seriam postos a prova novamente durante a primeira Guerra do Golfo e posteriormente em 2003 durante os eventos que se sucederam a operação Unified Task Force (UNITAF) - Restore Hope da Organização das Nações Unidas (ONU) na Somália. Após Segunda Guerra do Golfo em 2003, os agora renomeados como AAV-7A1 seriam seriamente criticados por fornecer pouca proteção para a tripulação e infantes, quando em comparação com outros veículos, como o M-2 Bradley. Neste cenário seriam fustigados por lança foguetes do tipo RPG e morteiros, resultando em oito veículos destruídos durante a Batalha de Nasiriyah (23–29 de março de 2003). Ao longo dos anos, novos equipamentos acessórios e versões seriam desenvolvidos, com modelo se mantendo em produção até os dias atuais, com um total de 1.900 veículos entregues, estando em operação, nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, Grécia, Indonésia, Itália, Japão, Filipinas, Taiwan, Espanha, Coréia do Sul e Tailândia.

Emprego na Marinha do Brasil.
O primeiro embrião das operações militares anfíbias no Brasil começou a ser estruturado a partir de meados da década de 1950, com a aprovação de uma nova regulamentação que redefinia o emprego operacional do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Esse processo representou uma profunda transformação na doutrina e na organização da força, consolidando o seu papel como tropa de elite expedicionária e dotando-a de plena capacidade operativa com ênfase nas operações anfíbias. Como resultado direto dessa reorientação estratégica, foi criada a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) — unidade destinada a constituir o núcleo de prontidão e combate do CFN. Nos anos subsequentes, iniciou-se um amplo programa de reequipamento, que incluía a incorporação dos primeiros navios de transporte de tropas, como o G-20 Custódio de Mello, o G-16 Barroso Pereira, o G-21 Ary Parreiras e o G-22 Soares Dutra, além das embarcações de desembarque de pessoal (LCVP – Landing Craft, Vehicle, Personnel) do modelo Higgins Boats, amplamente utilizados pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Esses meios constituíram a base material necessária para o estabelecimento de operações anfíbias em larga escala no âmbito da Marinha do Brasil. Os primeiros exercícios de desembarque anfíbio de grande porte foram realizados no início da década de 1960, consolidando o treinamento e a integração entre os meios navais e terrestres. Essas manobras revelaram, contudo, uma limitação operacional significativa: a ausência de veículos anfíbios blindados capazes de prover apoio direto às tropas durante o desembarque nas praias. Para suprir temporariamente essa lacuna, o CFN incorporou, a partir de meados da década de 1970, 34 caminhões anfíbios GMC DUKW, adquiridos de segunda mão da Marinha Nacional Francesa (Marine Nationale). Esses veículos foram posteriormente complementados por versões similares produzidas no Brasil. O desempenho satisfatório dos DUKW em operações de transporte e desembarque motivou o Comando da Marinha do Brasil a considerar a aquisição de veículos blindados especializados nesse tipo de missão. Em um contexto de fortalecimento da indústria nacional de defesa, o Corpo de Fuzileiros Navais tornar-se-ia, curiosamente, o primeiro cliente militar do novo veículo blindado de transporte de tropas Engesa EE-11 Urutu, desenvolvido no início da década de 1970 pela Engesa S/A. As primeiras unidades foram incorporadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz) a partir de 1976, marcando o início da formação de uma doutrina nacional de emprego de viaturas blindadas em operações anfíbias. No entanto, a experiência prática revelou as limitações do EE-11 Urutu nesse tipo de ambiente. Embora robusto e eficiente em terreno firme, o veículo — por possuir tração 6x6 sobre rodas — apresentava dificuldades de locomoção em áreas arenosas e alagadiças, características típicas das zonas de desembarque. Assim, decidiu-se pela realocação dos Urutu para outras funções, como transporte motorizado e apoio logístico, enquanto novos estudos foram conduzidos para identificar um veículo mais adequado às operações anfíbias propriamente ditas.

Durante as análises conduzidas pelo Estado-Maior da Armada, foi identificado que o veículo mais apropriado para atender às exigências operacionais do CFN seria o FMC LVTP-7, então o mais moderno veículo anfíbio blindado do mundo. Contudo, as restrições orçamentárias e o alto custo de aquisição inviabilizaram sua compra. Como alternativa viável, optou-se pela aquisição de um lote de blindados FMC M-113A1, já amplamente empregados pelo Exército Brasileiro desde 1967. Embora o M-113 não possuísse plena capacidade anfíbia oceânica, sua versatilidade, baixo custo de manutenção e comunalidade logística com o Exército tornaram-no uma solução pragmática. Essa decisão representou um passo intermediário no amadurecimento da doutrina anfíbia nacional, ao mesmo tempo em que manteve a capacidade de mobilidade blindada do Corpo de Fuzileiros Navais em constante evolução. Após a decisão de adotar uma solução alternativa à aquisição do veículo anfíbio rastreado FMC LVTP-7  inviabilizada por seu elevado custo —, o Governo Brasileiro iniciou tratativas com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), com vistas à incorporação de veículos blindados da família FMC M-113. As negociações resultaram em um acordo bilateral que previa o fornecimento de um lote de trinta veículos novos de fábrica, distribuídos em quatro variantes operacionais, conforme as necessidades identificadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Este processo se materializaria em um acordo prevendo o fornecimento de um lote de trinta carros novos de fábrica da família FMC M-113, que seria dividido em quatro modelos, sendo vinte e quatro na versão M-113A1 Transporte de Tropas, dois M-125A1 carro porta morteiro, um M-113A1G oficina e um carro socorro XM-806E1. Os primeiros veículos foram entregues em 7 de novembro de 1976, sendo incorporados ao então Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). A introdução desse novo material exigiu a implementação de um amplo programa de treinamento operacional, conduzido por instrutores norte-americanos em cooperação com oficiais do Exército Brasileiro, que já possuíam sólida experiência no emprego do M-113 desde o final da década de 1960. Concluída a fase de instrução, as viaturas passaram a operar em conjunto com os Engesa EE-11 Urutu, substituindo-os gradualmente nas funções de transporte blindado de pessoal. Em 20 de dezembro de 1977, buscando alinhar a nomenclatura da unidade à sua nova missão, o Batalhão de Transporte Motorizado foi extinto, dando lugar à criação da Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld). A introdução do M-113A1 representou um marco na evolução da doutrina operacional anfíbia do CFN, elevando substancialmente a eficiência dos desembarques em regiões litorâneas. O veículo demonstrou elevada confiabilidade, facilidade de manutenção e boa mobilidade em terrenos variados. Contudo, por não se tratar de um veículo anfíbio oceânico genuíno, o M-113A1 apresentava restrições operacionais significativas, sendo incapaz de operar como parte da força de assalto principal em desembarques diretos a partir de navios de transporte posicionados em alto-mar. Assim, seu emprego ficava limitado às operações realizadas a partir de navios de desembarque de doca (LSD) ou de embarcações de desembarque de viaturas e pessoal (LCVP e LCM).
Essa limitação técnica impedia o lançamento de tropas a partir de distâncias seguras da costa, capacidade estratégica que já era explorada com sucesso por diversas forças navais modernas à época, como o U.S. Marine Corps. Diante dessa lacuna operacional, o Comando do Corpo de Fuzileiros Navais instituiu um grupo de estudos com o objetivo de definir os requisitos técnicos e operacionais para a futura aquisição de um veículo anfíbio rastreado especializado.  Os parâmetros básicos estabelecidos por esse grupo enfatizavam a necessidade de uma plataforma que combinasse proteção blindada adequada, capacidade de autodefesa orgânica e, sobretudo, elevada mobilidade tanto em meio aquático quanto terrestre. Essas especificações visavam garantir a projeção rápida e segura de tropas sobre território inimigo, assegurando ao CFN uma verdadeira capacidade anfíbia autônoma e moderna, em consonância com os padrões internacionais da época. Assim o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) deu início à consolidação de um projeto que visava dotar a força de meios anfíbios rastreados modernos, capazes de realizar operações de assalto anfíbio em larga escala com autonomia e eficiência. Nesse contexto, foram estabelecidas as bases doutrinárias e organizacionais que sustentariam a futura incorporação desse novo material. Dessa iniciativa surgiria o embrião da unidade especializada, que posteriormente receberia a designação de Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf). Esse núcleo inicial teve papel decisivo na estruturação dos estudos técnicos, logísticos e operacionais que embasariam a escolha do veículo a ser adotado. Após criteriosa análise, a opção mais adequada revelou-se ser o LVTP-7 (Landing Vehicle, Tracked, Personnel), desenvolvido pela empresa norte-americana FMC Corporation. Este modelo já se encontrava em operação junto ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) e em outras marinhas aliadas, apresentando histórico comprovado de desempenho e confiabilidade. A decisão foi fortemente respaldada pela experiência prévia de oficiais brasileiros, que haviam participado de exercícios combinados com os fuzileiros navais norte-americanos, onde puderam avaliar diretamente as capacidades do veículo. Além disso, o emprego bem-sucedido dos LVTP-7 pela Infantaria de Marina da Argentina (IMARA) durante a Guerra das Falklands/Malvinas (1982) reforçou ainda mais a percepção de que se tratava do modelo ideal para suprir as carências operacionais do  Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). As tratativas oficiais culminaram na assinatura de um acordo de aquisição em setembro de 1984, firmado entre o Governo Brasileiro e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD). A transação foi realizada sob os termos do programa Foreign Military Sales (FMS), que previa condições financeiras e logísticas favoráveis para países aliados. O contrato contemplava o fornecimento de doze veículos anfíbios rastreados do tipo AAV-7A1 (Assault Amphibian Vehicle), versão modernizada do LVTP-7, provenientes dos estoques norte-americanos Essas viaturas haviam sido recentemente revisadas, encontrando-se em excelente estado de conservação e prontas para o reemprego operacional. O lote recebido era composto por: 10 unidades na versão de transporte de tropas (AAVP-7A1); 1 unidade na versão de comando (AAVC-7A1); 1 unidade na versão de socorro (AAVR-7A1). 

Os veículos foram desembarcados no píer da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, em julho de 1986, e, após inspeção técnica, incorporados oficialmente ao acervo do Corpo de Fuzileiros Navais, recebendo a denominação nacional de Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf).  Durante os três meses subsequentes à chegada das viaturas, foi conduzido um intenso programa de instrução e adaptação operacional, envolvendo cursos de operação e manutenção ministrados por instrutores do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), com apoio técnico de militares brasileiros. Concluído o processo de capacitação, os AAV-7A1 foram oficialmente incorporados à Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf), tornando-se o principal vetor anfíbio rastreado do CFN. Essa incorporação representou um marco histórico, consolidando a capacidade expedicionária e anfíbia da Marinha do Brasil, em consonância com os padrões operacionais das principais forças navais do mundo. A introdução operacional dos Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) representou um marco fundamental na evolução da doutrina de guerra anfíbia do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). O início de suas operações consolidou uma nova fase de modernização, ampliando significativamente as capacidades de projeção de poder, mobilidade e proteção blindada da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). Empregados prioritariamente em missões de apoio direto ao combate, os CLAnf Transporte de Pessoal (AAVP-7A1) passaram a desempenhar papel central no Movimento Navio para Terra (MNT), elemento essencial nas operações anfíbias modernas. Esses veículos proporcionaram elevada mobilidade tática, aliada a um robusto nível de proteção blindada, permitindo que as tropas embarcadas desembarcassem sob cobertura segura e, ao mesmo tempo, ampliassem o poder de fogo das vagas de assalto, por meio do uso dos armamentos orgânicos das viaturas. O emprego dos CLAnf trouxe inovações decisivas à doutrina anfíbia nacional. Pela primeira vez, foi possível realizar desembarques em trechos do litoral até então considerados inatingíveis para embarcações de desembarque convencionais, como as LCVP e LCM. A combinação de velocidade e blindagem, tanto em meio aquático quanto terrestre, aumentou substancialmente o poder de choque e a impulsão inicial das tropas na linha de costa, modificando profundamente o conceito de operações anfíbias no Brasil. Extremamente versáteis, os CLAnf FMC AAV-7A1 demonstraram capacidade de emprego em uma ampla gama de missões, desde o transporte de tropas e suprimentos até o apoio logístico e técnico de manutenção em campo. Operando a partir de navios de desembarque de doca, como o G-30 Ceará, ou de navios-doca multipropósito (NDM), como o G-40 Bahia, os veículos mostraram-se essenciais à capacidade expedicionária da Marinha do Brasil. Cada CLAnf possui capacidade para transportar até 25 militares totalmente equipados para combate, incluindo a tripulação de três componentes. Essa característica confere à unidade elevada densidade de tropas por vaga de assalto, fator decisivo em operações de conquista de cabeça de praia. Além da versão de transporte de pessoal, o CFN incorporou variantes especializadas, destinadas a funções de comando e apoio técnico: CLAnf Comando (AAVC-7A1) – Equipado com um conjunto completo de sistemas de comunicações e controle, permitindo operar como um Centro de Operações de Combate (COC) móvel, garantindo a coordenação eficiente das ações durante o desembarque e subsequentes operações terrestres. 
CLAnf Socorro (AAVR-7A1) – Projetado para executar manutenções de até terceiro escalão em veículos danificados durante o combate. Essa versão dispõe de guincho de 17 toneladas, guindaste de 2,9 toneladas, compressor de ar, gerador elétrico, equipamentos de solda e ferramentas especiais, assegurando autonomia de recuperação em campo. Ao longo das décadas, os CLAnf demonstraram notável desempenho operacional, não apenas em exercícios anfíbios e adestramentos combinados, mas também em operações reais em ambiente urbano. Sua robustez e capacidade de transporte foram amplamente comprovadas durante as ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) deflagradas pelo Governo Federal no estado do Rio de Janeiro, em 2010, quando diversas viaturas participaram de operações de invasão e estabilização de comunidades na zona sul da capital fluminense. Essa atuação destacou a versatilidade e adaptabilidade do CLAnf às mais diversas condições de operação, consolidando sua posição como um dos principais vetores de projeção anfíbia e apoio de combate do Corpo de Fuzileiros Navais. O expressivo êxito obtido no emprego operacional dos Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) consolidou definitivamente a importância desse vetor na doutrina anfíbia da Marinha do Brasil. O desempenho excepcional desses blindados durante os exercícios e operações de desembarque levou o Comando da Marinha a considerar, ainda na segunda metade da década de 1980, a ampliação da frota com a aquisição de um segundo lote de veículos. Seguindo o modelo adotado na aquisição inicial, as negociações foram conduzidas junto ao Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoD), buscando novamente usufruir dos termos vantajosos do programa Foreign Military Sales (FMS).  Em meados de 1986, o governo norte-americano concedeu a autorização oficial para a operação, resultando na celebração de um contrato com a United Defense Limited, então responsável pela produção da família de veículos AAV7 (Assault Amphibious Vehicle). O acordo previa a entrega de quatorze viaturas de segunda geração, sendo dez unidades na versão de transporte de pessoal (AAVP-7A1), uma unidade de comando (AAVC-7A1) e uma unidade de socorro (AAVR-7A1). Esses veículos incorporavam aperfeiçoamentos técnicos significativos em relação ao primeiro lote, refletindo a constante evolução do modelo na linha de produção norte-americana. Entre as principais melhorias, destacava-se a instalação de uma nova torre automatizada, equipada com uma metralhadora pesada M2HB calibre .50 (12,7 mm) e um lançador automático de granadas MK-19 calibre 40 mm, aumentando consideravelmente o poder de fogo e a capacidade de autodefesa da viatura. Em 2018, o Ministério da Defesa retomaria as tratativas com o governo norte-americano visando a aquisição de uma nova frota de veículos de terceira geração, como parte de um programa de revitalização e modernização da capacidade anfíbia brasileira. O contrato resultou na compra de 23 unidades do modelo AAVP-7A1 RAM/RS (Reliability, Availability, Maintainability/Rebuild to Standard) — a versão mais moderna em serviço

Em Escala:
Para representarmos o FMC AAVP-7A1 CLAnf de primeira geração, fizemos uso antigo do kit Academy na escala 1/35, modelo muito básico que não apresenta nenhum detalhamento do interior.  Para se configurar a versão operada pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), deve-se alterar o posicionamento dos faróis, pois o modelo original representa a primeira versão de produção o LVTP-7. Felizmente o conjunto ótico do modelo LVP-7A1 é fornecido a parte deste kit, bastando assim proceder uma rápida alteração. Empregamos decais confeccionados pela Eletric Produtcs presentes no Set “Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira”.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura adotado pelos AAVP-7A1 CLAnf pertencentes a Companhia de Carros Lagarta Anfíbios (CiaCLAnf), substituindo assim os dois padrões de camuflagem originais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) com os quais foram recebidos em 1986. Atualmente um terceiro padrão foi adotado para os veículos blindados da Marinha do Brasil, sendo mantido até os dias atuais.

Bibliografia :
- Assault Amphibious Vehicle - Wikipedia -  http://en.wikipedia.org/wiki/Assault_Amphibious_Vehicle
- Fuzileiros Blindados Parte II - Operacional - http://www.operacional.pt/fuzileiros-blindados-ii/
- Tecnologia e Defesa - Mais Clanfs para a Marinha do Brasil - 
http://www.tecnodefesa.com.br/materia.php?materia=363
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos

EE-11 Engesa Urutu (VBTP)


História e Desenvolvimento.
Em 1958, o engenheiro mecânico-eletricista José Luiz Whitaker Ribeiro marcou a história industrial brasileira ao liderar a fundação da ENGESA (Engenheiros Especializados S/A). Sob sua direção, a empresa reuniu um grupo seleto de engenheiros recém-formados, muitos dos quais oriundos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Inicialmente, a ENGESA concentrou suas atividades na fabricação de componentes e ferramentas voltadas para a exploração de petróleo, tendo como principal cliente a estatal Petrobras. A alta qualificação de seu quadro técnico permitiu à empresa destacar-se rapidamente no setor de petróleo e gás, ampliando seu volume de negócios. Durante o processo de expansão, a ENGESA enfrentou desafios logísticos relacionados ao desempenho de sua frota de caminhões em estradas de terra e barro, comuns nas regiões de operação no litoral brasileiro. Para superar essas dificuldades, José Luiz Whitaker Ribeiro liderou o desenvolvimento de uma caixa de transferência com tração total, caracterizada por sua simplicidade e robustez. Esse sistema podia ser facilmente adaptado a diversos veículos utilitários da época. Após testes bem-sucedidos em sua frota, que demonstraram desempenho significativamente superior em condições off-road, a ENGESA decidiu investir na comercialização do sistema. Em 1966, o “Sistema de Tração Total Engesa” foi lançado no mercado civil, conferindo a caminhões comerciais modificados uma capacidade off-road inédita no Brasil. O sucesso comercial do sistema de tração total chamou a atenção do Exército Brasileiro, que, na mesma época, buscava nacionalizar sua frota de caminhões de transporte. Em resposta a essa demanda, a ENGESA produziu quatro protótipos equipados com o sistema, os quais foram submetidos a testes de campo. Os resultados foram altamente satisfatórios, culminando na homologação operacional do sistema. Em 1967, o Ministério do Exército classificou a solução como de “Interesse para a Segurança Nacional”. Em 1969, a ENGESA apresentou outra inovação: o sistema de tração dupla traseira, batizado de “Boomerang”. Esse mecanismo tornou-se fundamental para o desenvolvimento de diversos veículos militares, consolidando a posição da ENGESA como uma das principais empresas do setor de defesa no Brasil. Com o objetivo de substituir os caminhões militares norte-americanos com tração integral, recebidos na década de 1940, o Exército Brasileiro abriu uma concorrência para o fornecimento de caminhões nacionais “militarizados” equipados com tração total. O modelo escolhido foi o Chevrolet C-60 e D-60, nas configurações 4x4 e 6x6, equipado com o sistema da ENGESA. A participação da empresa como fornecedora do Exército expandiu-se rapidamente, com a entrega de 960 caminhões em 1968 e adicional 1.371 unidades dois anos depois. Esses contratos geraram recursos significativos, que foram reinvestidos no desenvolvimento de novos projetos. Em 1969, a ENGESA (Engenheiros Especializados S/A) apresentou o sistema de tração dupla traseira, denominado “Boomerang”. Este sistema tornou-se um marco na história da empresa, sendo essencial para o desenvolvimento de diversos veículos militares e desempenhando um papel crucial na expansão internacional de seus produtos na década de 1970. 

Durante o mesmo período, o Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2) estava dedicado ao desenvolvimento de um veículo blindado com tração 6X6. Os esforços eram voltados para criar um veículo com o maior índice possível de nacionalização de componentes, o que envolvia a colaboração de fabricantes de autopeças e componentes. Nesse contexto, a Engesa S/A, uma empresa com significativa capacidade técnica, chamou a atenção do comando do Exército Brasileiro e recebeu um convite formal para participar do projeto VBB-2 (Viatura Blindada Brasileira 2). Este foi o primeiro passo que levaria à sua colaboração em diversos outros projetos de importância estratégica, incluindo o desenvolvimento do Carro de Transporte de Tropas Anfíbio (CTTA). O programa de desenvolvimento deste blindado sobre rodas tinha como objetivo substituir totalmente os já obsoletos blindados de lagartas norte-americanos, tais como os modelos White Motors M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5. O novo modelo deveria proporcionar aos infantes uma maior proteção e contar com a capacidade inédita de operação anfíbia. Assim, o projeto foi concebido como um veículo blindado sobre rodas com tração integral 6X6, dotado de capacidade anfíbia, capaz de transpor de forma eficiente grandes cursos de água doce e ambiente marinho.  Além de atender à Força Terrestre, o novo modelo também deveria ser integrado ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), permitindo a retirada de serviço dos antigos caminhões anfíbios GMC DUKW e CAMANF Bisseli, adquiridos entre 1969 e 1970. Após a validação dessas premissas, o projeto recebeu a nova designação oficial de “Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio” (CTRA), e seu desenvolvimento foi iniciado imediatamente. O primeiro protótipo funcional foi concluído em maio de 1971. De acordo com a fase conceitual, apresentava um design retilíneo em ângulos, com a carroceria equipada com um sistema de blindagem de duas camadas: a camada externa era composta de aço duro, e a blindagem interna apresentava maior viscosidade. Com o objetivo de priorizar a proteção dos infantes, o grupo motriz foi instalado na parte frontal do veículo, conferindo um nível adicional de proteção passiva à tripulação e aos ocupantes. A parte frontal do casco foi projetada para absorver impactos de munições perforantes, enquanto as demais áreas eram protegidas contra projéteis de armas leves, estilhaços de minas e fragmentos de artilharia. O protótipo também incluía quatro snorkels (respiradores) rebatíveis para operação no mar, garantindo a entrada de ar para os ocupantes e permitindo a saída dos gases do escapamento. Adicionalmente, contava com um leme na parte traseira, facilitando a manobrabilidade na água, e tinha capacidade para transportar de doze a quatorze soldados totalmente equipados, além da tripulação.
O projeto do Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio (CTRA) foi concebido para atender às demandas operacionais do Exército Brasileiro e do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil, com o propósito de substituir os caminhões anfíbios GMC DUKW e CAMANF Bisseli, adquiridos entre 1969 e 1970. O objetivo principal era desenvolver um veículo blindado com alto desempenho em ambientes terrestres e aquáticos, garantindo mobilidade, proteção e capacidade de transporte para operações anfíbias. Após a validação das premissas operacionais, o projeto foi oficialmente designado como “Carro de Transporte sobre Rodas Anfíbio” (CTRA), com o início imediato de seu desenvolvimento em em meados de 1971. Em termos de configuração mecânica, deveria fazer uso sistema de tração total Engesa, configurável em modos 6x4 e 6x6, com bloqueio do diferencial traseiro, garantindo alta mobilidade em terrenos variados.  Equipado com suspensão tipo Boomerang (patenteada), composta por um conjunto de suspensão dianteira independente, capaz de superar terrenos de difícil acesso e transpor elevações significativas. Sua carroceria apresentava um design retilíneo com ângulos otimizados, montada sobre a suspensão Boomerang, proporcionando robustez e estabilidade. Sua carroceria estava  equipada com um sistema de blindagem de duas camadas, a primeira a externa sendo composta de aço duro para resistência a impactos, e a interna de maior viscosidade para absorção de energia. Com o objetivo de priorizar a proteção dos infantes (sendo transportados até 13 soldados totalmente equipados), o grupo motriz foi instalado na parte frontal do veículo, conferindo um nível adicional de proteção passiva à tripulação e aos ocupantes. A parte frontal do casco foi projetada para absorver impactos de munições perfurantes, enquanto as demais áreas eram protegidas contra projéteis de armas leves, estilhaços de minas e fragmentos de artilharia.  Sua capacidade anfíbia era garantida por um sistema de tração na agua proporcionada pela movimentação das seis rodas operando em conjunto com um leme na parte traseira, facilitando a manobrabilidade na água. Quatro snorkels (respiradores) rebatíveis para operação no mar, garantiam  a entrada de ar para os ocupantes e permitindo a saída dos gases do escapamento. O primeiro protótipo funcional foi concluído em meados de 1971, e após testes de ordem interna, foi seria entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (CFN),para assim ser submetido a um exaustivo programa de ensaios em campo, que resultariam na aplicação de pequenas alterações e melhorias. A finalização deste processo resultaria na celebração do primeiro contrato de produção, realizado entre o Ministério da Marinha e a Engesa S/A, envolvendo seis viaturas

O EE-11 Urutu, desenvolvido pela Engesa S/A, é um veículo blindado anfíbio projetado para atender às necessidades operacionais do Exército Brasileiro e do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil.  O primeiro veículo EE-11 Urutu foi entregue ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) no final de 1973. Contudo, devido à sua montagem quase artesanal, apresentou problemas técnicos e de padronização, impactando sua confiabilidade operacional. Para superar esses desafios e atender ao grande contrato firmado com o Exército Brasileiro, a Engesa S/A investiu na construção de uma nova planta fabril em São José dos Campos, São Paulo. Essa iniciativa possibilitou a melhoria dos processos de produção e a padronização dos veículos . A Engesa S/A logo celebraria dois contratos de exportação, um envolvendo 37 blindados para a Libia e outro com 07 EE-11 Urutu para o Chile, com mais negócios sendo celebrados nos anos seguintes. Sua versátil plataforma possibilitaria o fabricante a desenvolver e oferecer diversas versões especializadas como porta morteiro, apoio de fogo, oficina, antimotim, ambulância, carro comando e antiaéreo. A variante “Uruvel” destacou-se por incorporar um canhão de 90 mm, montado na mesma torre do veículo de reconhecimento EE-9 Cascavel. Inicialmente, seu casco apresentava uma configuração frontal em forma de quilha, posteriormente abandonada em favor do casco padrão. Essa variante participou de concorrências internacionais, conquistando um contrato para fornecimento de 12 unidades ao Exército da Tunísia (Jaîsh el-Barr et’Tunsi). Uma subversão do Engesa EE-11 Uravel designado como  “Hydracobra”, participaria de processos importantes de concorrência internacional, primeiramente para o atendimento de demandas das Forças Armadas Canadenses (Canadian Forces) e posteriormente em uma licitação para aquisição de veículos deste tipo para o  Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos Estados Unidos (US Marines Corps), mas infelizmente não seria selecionado em nenhum destes dois processos. Um segundo protótipo do EE-11 Uruvel foi submetido a testes rigorosos de balística na Malásia, sendo avaliado contra disparos de armas leves (calibres 5,56 mm e 7,62 mm) a distâncias de 30 e 100 metros. O desempenho do veículo demonstrou sua capacidade de proteção em cenários de combate. Em 1985 a Engesa S/A participaria com seu modelo EE-11 Urutu M-7 (customizado especialmente para operação em ambientes desfavoráveis estando equipado redutores planetários nas rodas) de uma importante concorrência na Índia, prevendo a aquisição de pelo menos trezentos veículos. Este protótipo seria enviado no ano seguinte para a avaliação do Exército Indiano (Bhāratīya Sthalsēnā), percorrendo trilhas nas montanhas de Tanglang La, trafegando em locais com até um metro de neve, a 5.359 metros de altitude e sob uma temperatura de 10º C negativos. Também sua operação seria avaliada no lago Tso Moriri, navegando a 4.500 metros de altitude enfrentado temperatura de 18º C negativos. Apesar de não ser adquirido pelo governo da Índia, este protótipo demonstraria suas qualidades do modelo na operação em ambientes inóspitos.
Infelizmente no final desta mesma década,  a Engesa S/A começou a enfrentar sérias dificuldades financeiras, caracterizadas por déficits em capital de giro e fluxo de caixa. Esses problemas foram agravados por dois fatores principais: Investimento no EE-T1 Osório: O desenvolvimento do Carro Principal de Combate (Main Battle Tank - MBT) EE-T1 Osório consumiu recursos substanciais, mas o projeto não resultou em contratos de produção, comprometendo a saúde financeira da empresa. Inadimplência do Iraque: Contratos anteriores de fornecimento de veículos blindados e caminhões militares ao governo iraquiano geraram uma inadimplência de aproximadamente US$ 200 milhões, impactando severamente sua liquidez.  A Engesa S/A buscou assistência financeira do Governo Federal para mitigar suas dificuldades. Contudo, em um contexto de priorização do equilíbrio fiscal, o apoio não foi concedido, agravando a crise financeira da empresa. Em 21 de março de 1990, a Engesa entrou em processo de concordata preventiva (recuperação judicial). Apesar dos esforços para reestruturar suas operações, a situação financeira continuou a deteriorar-se. Em outubro de 1993, a falência da Engesa foi oficialmente decretada, deixando uma dívida de R$ 1,5 bilhão (em valores atualizados). A maior parte dessa dívida era composta por empréstimos não pagos ao Banco do Brasil e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar desse melancólico final o Engesa EE-11 Urutu se provaria como um dos maiores sucessos da indústria de defesa nacional, pois além de suas características operacionais positivas, o fato de empregar o mesmo sistema de suspensão “boomerang” e diversos componentes mecânicos comuns ao EE-9 Cascavel gerava uma simplificação da cadeia logistica e processo de manutenção, atraindo assim uma grande gama de países já usuários do carro de reconhecimento da Engesa.  O Exército Brasileiro receberia ainda mais seis viaturas e um grande estoque de peças de reposição oriundos do massa falida da Engesa S/A, o restante dos insumos e componentes críticos seriam adquiridos em um leilão pela empresa carioca Universal Ltda. Ao todo entre os anos 1973 a 1983 seriam produzidos 888 viaturas desta família, dispostas em doze versões, com exportações sendo realizadas para Angola, Bolívia, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Iraque, Jordânia, Líbia, Paraguai, Suriname, Tunísia, Venezuela e Zimbábue. A grande maioria destes carros ainda se encontra em operação e sucessivos processos de repotencialização e modernização implementados por diversas garantem seu emprego por mais duas décadas no século XXI.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Conforme contrato firmado com o Ministério da Marinha em meados de 1973, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) recebeu os dois primeiros veículos EE-11 Urutu em janeiro de 1976, no Rio de Janeiro. Essas viaturas foram destinadas ao Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz), unidade designada para operar o modelo. A incorporação dos demais veículos foi concluída até maio de 1976. A versão do EE-11 Urutu destinada à Marinha do Brasil apresentava modificações em relação ao projeto original desenvolvido em parceria entre a empresa e o Exército Brasileiro, se destacando quatro tubos rebatíveis, localizados   nos flancos da carroceria, esses tubos, quando elevados, garantiam o suprimento de ar aos tripulantes e funcionavam como snorkels, auxiliando na exaustão dos gases do escapamento durante operações anfíbias. O processo de implantação operacional do EE-11 Urutu foi marcado por dificuldades significativas, incluindo: Não Padronização: Os veículos entregues apresentavam diferenças técnicas entre si, decorrentes da produção não seriada na fase inicial, o que comprometeu a uniformidade e a manutenção. Falhas Mecânicas: Diversos problemas mecânicos foram registrados, impactando negativamente o desempenho operacional das viaturas. Embora os desafios técnicos tenham influenciado a operação do EE-11 Urutu, o principal fator para sua substituição foi o desempenho insatisfatório em desembarques anfíbios. Os veículos sobre rodas demonstraram menor eficiência em terrenos irregulares, como praias, em comparação com veículos sobre esteiras. Essa limitação também afetou o desempenho do EE-9 Cascavel, outro veículo sobre rodas operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Devido às dificuldades operacionais e à inadequação para desembarques anfíbios, o EE-11 Urutu, juntamente com o EE-9 Cascavel começaram  a ser gradativamente retirados de serviço no Batalhão de Transporte Motorizado (BtlTrnpMtz). A substituição foi realizada pelos veículos blindados de transporte de tropas FMC M-113A1, equipados com tração por esteiras, que se mostraram mais adequados para operações anfíbias em ambientes litorâneos. As limitações identificadas durante a operação no Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) motivaram a Engesa a implementar uma série de melhorias no projeto original. O resultado foi o desenvolvimento do EE-11 Urutu Modelo 2 Série 1, que incorporou aprimoramentos técnicos para aumentar a confiabilidade e o desempenho. Destacava-se também a iniciativa da construção de uma linha de produção na cidade de São José dos Campos - SP dedicada ao modelo o que garantiria agilidade e padronização na montagem dos veículos. O novo modelo foi apresentado ao Ministério do Exército, que aprovou sua aquisição. Em 1976, o Ministério do Exército aprovou a aquisição do EE-11 Urutu Modelo 2 Série 1, firmando um contrato para o fornecimento de 40 viaturas.

As primeiras unidades foram programadas para entrega ao longo de 1977. Esta nova versão apresentava  as dimensões de 6,15 m de comprimento, 2,65 m de largura, 2,20 de altura com um peso vazio na ordem de 11 toneladas, podendo atingir 95 km/h em estradas e 2,5 km/h em águas calmas.  Rapidamente estes novos blindados seriam direcionados aos Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), aos Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e aos Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), onde começariam a substituir os carros blindados de transporte de tropas meia lagarta White Motors M-2, M-2A1, M-3, M-3A1 e M-5 que ainda se encontravam em serviço.  O Modelo 2 Série 1 utilizava a movimentação das seis rodas para propulsão na água, um sistema que se revelou ineficiente em operações anfíbias reais. A fim de corrigir esta falha todo o primeiro lote de veículos entregues seria devolvido ao fabricante, a fim de serem modificados mediante a instalação do kit de marinização que era composto por duas hélices e leme direcional (o mesmo aplicado anteriormente nos carros da Marinha do Brasil). Os primeiros veículos modificados foram empregados em testes reais, agora se mostrando realmente  funcionais na operação anfíbia, motivando assim o comando do Exército Brasileiro a celebrar mais um contrato de produção, envolvendo agora quarenta e cinco carros do modelo agora designado como EE-11 Urutu M-2 Serie 2.  Mesmo antes da finalização da entrega deste segundo lote, um terceiro contrato seria firmado de sessenta carros, agora com o modelo apresentado um novo desing de casco e carroceria, recebendo a designação de EE-11 Urutu M-2 Serie 5, com este sendo entregues até o final do ano de 1979, com mais dez unidades sendo incorporadas no ano seguinte.  Em meados do ano de 1980, a empresa apresentaria o modelo EE-11 Urutu M-5 Serie 3, que trazia inúmeros melhoramentos de ordem mecânica, se destacando a adoção de um sistema de freios a disco e câmbio automático Alisson AT-545, recebendo do Ministério do Exército um contrato para mais vinte carros. Em 1988 uma nova aquisição de quarenta e cinco unidades da versão EE-11 Urutu M-6 Serie 4 seria efetivada, e por fim no seguinte quatro carros da versão EE-11 Urutu M-8 Serie 3. A evolução do EE-11 Urutu, desde o Modelo 2 Série 1 até as versões finais M-6 Série 4 e M-8 Série 3, reflete o compromisso da Engesa em atender às demandas do Exército Brasileiro por meio de melhorias contínuas. A resolução dos problemas iniciais de propulsão anfíbia e a introdução de aprimoramentos mecânicos consolidaram o EE-11 Urutu como um veículo blindado versátil e confiável, amplamente integrado às unidades de infantaria e cavalaria do Exército Brasileiro. O binômio EE-11 Urutu e EE-9 Cascavel, seria responsável  permitiu a criação de brigadas de cavalaria mecanizada, concedendo a Força Terrestre um potencial operativo sem igual até aquele momento. Estes carros passariam a dotar principalmente os Batalhões de Infantaria Blindada (BIB), Esquadrões de Cavalaria Mecanizada (EsqdCMec) e Esquadrões de Reconhecimento Mecanizado (RCMec), sendo utilizados em um vasto leque de missões. 
Além de apresentar excelente desempenho o EE-11 Urutu gozava de grande disponibilidade operacional, principalmente devido a robustez e facilidade de operação, com este fato levando o fabricante em parceria com o Exército Brasileiro a desenvolver versões especializadas. Das diversas opções planejadas, seriam adotadas apenas o  modelo de Comando: Projetada para operações de coordenação e controle e Socorro: Equipada com guindaste hidráulico para apoio logístico e recuperação de veículos. Os Engesa EE-11 Urutu pertencentes ao Exército Brasileiro, seriam ainda empregados pela primeira vez em situações reais de conflagração, quando deslocados para operar nas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), em Moçambique e Angola na década de 1990.  Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os treze anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Neste cenário os Engesa EE-11 Urutu estiveram imersos em um cenario de conflagração assimétrico e urbano, descortinando a necessidade da aplicação de algumas adaptações e melhorias, entre estas a inclusão de uma torre blindada para o operador da metralhadora e motorista e adoção de um sistema hidráulico de lâmina frontal do tipo buldozer. Estas modificações seriam realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP).  Apesar destas adequações, clarificou-se que o sistema de blindagem original do  Engesa EE-11 Urutu, já não oferecia mais um nível de proteção adequada contra munições perfurantes especiais, levando assim a decisão de substituir o emprego do modelo nas áreas de maior risco pelos novos blindados de transporte de tropa Movag GmbH Piranha adquiridos  pelo  Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). Cabe ao veículo ainda destacada atuação durante os treze anos em que as Forças Armadas Brasileiras, estiveram a serviço da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).  O Exército Brasileiro, como parte do contingente brasileiro, empregou o EE-11 Urutu em missões de patrulhamento, escolta, controle de distúrbios e apoio à segurança em áreas urbanas, especialmente na capital, Porto Príncipe. O ambiente operacional no Haiti, caracterizado por combates assimétricos e ameaças em áreas densamente povoadas, revelou a necessidade de modificações no EE-11 Urutu para atender às exigências da missão. As principais adaptações, realizadas pela Centigon Blindagens do Brasil Ltda. em parceria com o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), incluíram: Torre Blindada: Instalação de uma torre para proteger o operador da metralhadora e o motorista contra disparos de armas leves e estilhaços. Lâmina Frontal Hidráulica: Adoção de um sistema tipo buldozer para remover barricadas, entulho e outros obstáculos comuns em áreas urbanas. Essas modificações aumentaram a segurança da tripulação e a capacidade do veículo de operar em cenários complexos, como ruas estreitas e barricadas improvisadas. Apesar destas adequações, clarificou-se que a  blindagem original do veículo, projetada para resistir a projéteis de armas leves e estilhaços, revelou-se inadequada contra munições perfurantes especiais, cada vez mais comuns em conflitos modernos. Devido às deficiências na proteção balística e à necessidade de maior mobilidade em cenários urbanos, o Exército Brasileiro optou por substituir o EE-11 Urutu em operações de alto risco pelos veículos blindados MOWAG Piranha, operados pelo Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

As diferentes versões do EE-11 Urutu adquiridas ao longo dos anos apresentavam variações significativas em mecânica e estrutura, dificultando a padronização dos processos de manutenção devido a heterogeneidade das versões. Os problemas eram mais frequentes nas viaturas recebidas na década de 1970, devido à falta de homogeneidade e à complexidade de seus sistemas. Por exemplo, a primeira versão, era dotada de um sistema eletropneumático responsável pelo acionamento mecânico da tração dianteira, reduzida, bloqueio do diferencial traseiro, bomba de porão, pressurização da transmissão e sistema de navegação, sistemas estes críticos e de ordem vital para o bom funcionamento do veículo, que enfrentavam problemas devido à falta de peças de reposição adequadas. Esses sistemas enfrentavam falhas recorrentes devido à escassez de peças de reposição adequadas, comprometendo a funcionalidade do veículo. Em 2005, a equipe técnica do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar (PqRMnt/3) realizou um estudo detalhado para identificar e mitigar falhas, com o objetivo de reduzir custos de manutenção e aumentar a disponibilidade da frota. Uma viatura foi escolhida para uma detalhada análise, sendo posteriormente comparada a mais unidades, este estudo concluiu que boa parte da frota apresentava o mesmo grupo de sistemas danificados, sendo os mais frequentes identificados como quebra de engrenagens nas caixas de transferência e redução, quebra de engrenagens do boomerang, diferenciais danificados e conjunto de acionamento eletropneumático inoperantes. Vale destaque o processo de oxidação dos interruptores elétricos responsáveis pelo acionamento dos solenóides (estes responsáveis em mudar o sentido dos diversos atuadores da viatura). Também, boa parte dos solenoides elétricos, estavam com seu dispositivo de acionamento interno emperrados, devido à umidade e, provocando vazamento de ar, quando algum sistema era acionado.  A resolução destes problemas seria efetivada com a incorporação de um sistema de acionamento mais simples, composto por um painel com válvulas de controle direcional de fluxo de ar, tubulações flexíveis e engates rápidos nos atuadores, desta forma, tornou-se um sistema mais operacional, mais acessível para as atividades de manutenção, maior confiabilidade e fácil aquisição de peças, eliminando-se os interruptores elétricos, válvulas solenoides, fiação elétrica. Além deste programa, outros de ordem menos abrangente foram implementados ao longo dos anos, sendo conduzidos pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em parceria com empresas privadas, visando assim manter aceitáveis níveis de operacionalidade da frota.  Em 2006, o Exército Brasileiro incorporou seis viaturas “novas” do EE-11 Urutu, provenientes do estoque da empresa Universal Ltda., oriundo da massa falida da Engesa S/A. Essa aquisição elevou o total de viaturas em serviço para 230 unidades. Em 2010 por intermédio do contrato de objetivos logísticos firmado entre o AGSP e o Comando Logístico (COLOG), dentro do escopo do Projeto Fênix, foi revitalizada uma viatura Urutu modelo M6, e teve início a manutenção das viaturas mais antigas, modelo M2, que foram inseridas no Projeto Fênix, com diversos de seus subsistemas foram atualizados e modificados. 
Nos modelos mais antigos o subsistema pneumático teve a substituição das válvulas eletropneumáticas por pneumáticas e o subsistema elétrico, de dupla tensão 12/24 volts, foi modificado para um de tensão única de 24 volts, tornando-os equivalentes aos empregados nos modelos mais novos (M5 e M6), com um total de 35 viaturas revitalizadas, sendo 17 em 2010 e 18 em 2012. Em 2012, foram repatriadas do Haiti oriundas da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti – MINUSTAH), cinco viaturas Urutu, modelo M6, que já haviam sido sido revitalizadas e modernizadas anteriormente, para serem novamente recuperadas dentro do Projeto Fênix.  Em 2013, após concorrência publica vencida pela empresa Universal – Importação, Exportação e Comércio LTDA, foi desenvolvido um novo projeto de modernização VBTP Urutu, sendo produzido uma viatura protótipo a partir do modelo M2, cujo principal escopo foi a instalação de um conjunto motor-câmbio com unidades de controle eletrônicas, sendo modelo de modelo Cummins da série ISBe de 220 cv de potência e a caixa de transmissão Allison 3000SP, concorrendo para alterações significativas dos sistemas anexos ao trem de força, além de modificações no sistema de transmissão. A modernização também contemplou a instalação de freios a disco, a instalação de sistema de enchimento de pneus, a instalação de ar condicionado, além das já citadas modificações dos subsistemas pneumático e elétrico. Neste mesmo período o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) em conjunto com a empresa Universal S/A desenvolveu o Projeto Urutu Ambulância, com o objetivo de modernizar os veículos mais antigos do modelo EE-11 Urutu Modelo 2, atualizando-os para o modelo "Modelo 6 Plus". O protótipo desta nova versão seria todo montado com base em uma carcaça zero quilômetro que se encontrava em estoque da empresa desprovida de qualquer componente interno. Esta nova versão, além de estar equipada com todo o aparato médico este modelo especializado dispõe caixa blindada com vidros à prova de balas para o motorista melhorando a visibilidade para condução em campo de batalha, com base neste protótipo foram convertidos mais dezoito carros do Modelo 2. No final do ano de 2021 , o Exército Brasileiro  criou um grupo de trabalho para propor linhas de ação para a desativação e transformação das viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu, da extinta ENGESA e um de seus principais objetivos é o aproveitamento das 229 unidades (de 14 versões diferentes) ainda em carga, seja para sua utilização como viatura especializada dentro da Força ou como viatura blindada para dar suporte as nossas forças de segurança pública, como já foi feita para a Polícia Militar do Estado do Rio de janeiro (PMERJ) e Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN). Em 01 de setembro de 2022, seria publicado o Boletim do Exército (nº 36/2022), determinando a desativação de 129 viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) 6X6 EE-11 Urutu, de um total de 134 em carga. As cinco viaturas que continuarão em atividades são três da versão ambulância, pertencentes ao 10º Batalhão Logístico (10º B Log), de Alegrete (RS); 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado-Escola (15º R C Mec-Es), do Rio de Janeiro (RJ); e 16º Batalhão Logístico (16º B Log), de Brasília (DF); e as duas restantes foram recentemente modernizadas pela empresa Columbus no Arsenal de Guerra de São Paulo e pertencentes ao 16º B Log e ao 13º Regimento de Cavalaria Mecanizada (13º RC Mec), de Pirassununga (SP), sendo esta última convertida para versão de garantia da Lei e da ordem (GLO). Uma grande parcela dos carros a serem desativados deve ser destinada a equipar mais unidades de policiais militares estaduais.

Em Escala:
Para representarmos o Engesa EE-11 Modelo 2 Série 5 Urutu “EB-12030", fizemos uso de um modelo em resina de fabricação artesanal na escala 1/35. Aplicamos diversas correções em scratch no kit original e incluímos detalhamentos oriundos de outros modelos desta escala. Empregamos decais confeccionados pela Decals e Books presentes no Set "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa segundo o padrão de pintura e marcações nacionais adotado pelo Exército Brasileiro a partir de 1983, sendo este mantido até os dias atuais. Os Engesa EE-11 Urutu do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil foram recebidos em um padrão de pintura semelhante aos do Exército Brasileiro, recebendo posteriormente o esquema camuflado idêntico aos M-113A1 e Engesa EE-9 Cascavel, no final da década de 1970.


Bibliografia: 
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume I , por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Blindados no Brasil - Um Longo e Árduo Aprendizado - Volume II, por Expedito Carlos Stephani Bastos
- Exército inicia a desativação do EE-11 Urutu - Paulo Roberto Bastos - www.tecnodefesa.com.br
- EE-11 Urutu  Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/EE-11_Urutu

HA-1 Helibras/Aerospatiale HB-350L1 e AS550A2

História e Desenvolvimento. 
A derrota da França em maio de 1940, marcou um momento de profunda ruptura para o país e, em particular, para sua então robusta indústria de defesa. A subsequente ocupação alemã, aliada à instauração do regime de Vichy, submeteu o setor industrial francês a severas restrições, relegando-o a um papel secundário na engrenagem produtiva do Terceiro Reich. Nesse período, a produção  foi limitada, em grande medida, ao fornecimento de componentes e matérias-primas, o que interrompeu bruscamente o ciclo de avanços tecnológicos que vinha sendo construído desde o final da década de 1920. Com o fim do conflito, a França encontrou-se diante do desafio urgente de reconstrução econômica e institucional. Nesse cenário, o setor aeronáutico foi reconhecido como estratégico, não apenas para a defesa nacional, mas também como elemento essencial para a recuperação da autonomia tecnológica do país. Em resposta, o estado  assumiu papel central na reorganização dessa indústria, promovendo uma ampla política de nacionalizações e reestruturação. Foi nesse contexto que surgiram duas grandes empresas estatais: a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Est (SNCASE) e a Société Nationale des Constructions Aéronautiques du Sud-Ouest (SNCASO). Ambas resultaram da fusão e incorporação de diversas pequenas e médias companhias privadas, muitas delas enfraquecidas pelos efeitos da guerra. A iniciativa visava concentrar competências técnicas, recursos humanos e infraestrutura industrial em polos regionais capazes de sustentar programas de pesquisa, desenvolvimento e produção em escala. Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, estas empresas atuaram de maneira complementar, contribuindo tanto para a retomada da produção de aeronaves de asas fixas quanto para a introdução e consolidação de uma tecnologia ainda emergente: os helicópteros. Nesse campo, o governo francês adotou uma estratégia pragmática, investindo intensamente em pesquisa e desenvolvimento, ao mesmo tempo em que estabelecia acordos de cooperação e produção sob licença com empresas estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos e do Reino Unido. Tal intercâmbio permitiu à França absorver rapidamente conhecimentos avançados de engenharia aeronáutica, criando as bases para o desenvolvimento de projetos próprios. Entre os resultados mais expressivos desse esforço destaca-se o helicóptero Alouette II, desenvolvido pela SNCASE e equipado com o motor turboeixo Turbomeca Artouste  uma inovação que representou significativo avanço em desempenho, confiabilidade e versatilidade operacional. Seu primeiro voo, realizado em março de 1955, simbolizou um marco na recuperação tecnológica francesa e consolidou o país como um dos pioneiros no emprego de turbinas em aeronaves de asas rotativas. Dando continuidade a essa política de fortalecimento industrial, o governo francês promoveu, em 1º de março de 1957, a fusão da SNCASE com a SNCASO, resultando na criação da Sud Aviation (Société Nationale de Constructions Aéronautiques du Sud). A nova empresa passou a concentrar grande parte da produção aeronáutica no sul da França, integrando sob uma única estrutura administrativa programas civis e militares, e consolidando-se como um dos principais pilares da indústria aeronáutica europeia no período do pós-guerra.

A Sud Aviation herdou não apenas o know-how técnico e os projetos em andamento das duas antecessoras, mas também sua ambição de inserir o pais no seleto grupo de potências. A SNCASE, por exemplo, já havia acumulado experiência relevante com aeronaves como o  Languedoc (avião comercial de médio porte) e o  Mistral, uma versão licenciada do DH-100 Vampire britânico. O sucesso do helicóptero Alouette II  representou um divisor de águas abrindo caminho para o desenvolvimento de uma aeronave mais robusta e com maior capacidade de carga. Nesse contexto, surgiu o Alouette III  que realizou seu voo inaugural em 28 de fevereiro de 1959 e entrou em serviço em 1961. Concebido como um helicóptero versátil, capaz de operar em condições adversas  como grandes altitudes e ambientes de clima extremo.  Em meados da década de 1960, a busca por soluções mais avançadas levou ao estabelecimento de uma colaboração anglo-francesa, formalizada em 1965, com o objetivo de desenvolver um substituto para as versões militares do Alouette III. Dessa iniciativa resultou o SA341/SA342 Gazelle, um helicóptero leve e ágil que passou a equipar as forças armadas da França e do Reino Unido. Apesar de seu expressivo êxito no segmento militar, o elevado custo de aquisição e operação limitou sua difusão no mercado civil internacional. A experiência adquirida com o desenvolvimento do Gazelle forneceu à equipe de engenharia da Aérospatiale  denominação adotada após a reestruturação industrial de 1970  uma base sólida para enfrentar um novo desafio: projetar uma aeronave que combinasse inovação tecnológica com viabilidade econômica. Para isso, foram conduzidas extensas pesquisas de mercado junto a operadores civis e institucionais, que apontaram três requisitos essenciais: redução dos níveis de ruído e vibração, aumento da capacidade de transporte e diminuição dos custos operacionais. Esses parâmetros orientaram a concepção de um helicóptero monoturbina com capacidade para até cinco ocupantes, incluindo piloto e passageiros, projetado para competir diretamente com o Bell 206 Jet Ranger, então referência no mercado internacional. Incorporando avanços em aviônica e soluções construtivas inovadoras, a aeronave foi concebida para apresentar custos de aquisição e manutenção significativamente inferiores aos de modelos contemporâneos, como o próprio Gazelle. Em uma abordagem pouco convencional para a indústria aeronáutica da época, o fabricante recorreu a conceitos oriundos do setor automotivo, integrando componentes compartilhados com veículos das fabricantes Citroën e Renault. Além disso, adotou o inovador sistema de rotor principal Starflex, que contribuía para a redução de vibrações, aumento da confiabilidade e simplificação da manutenção. Essa combinação de soluções técnicas resultou em uma aeronave de desempenho notável e elevada eficiência operacional, adequada a uma ampla gama de missões, tanto civis quanto militares. O protótipo, designado  AS350-001, realizou seu primeiro voo em 27 de junho de 1974, sob o comando do piloto de testes Daniel Bernard Certain Bauchart. Equipado com o motor turboeixo Lycoming Avco LTS-101, com potência de aproximadamente 592 shp, o modelo demonstrou, desde suas primeiras avaliações, elevado grau de versatilidade e desempenho.
Após sua apresentação oficial, o Aérospatiale AS350 foi submetido a um rigoroso programa de ensaios em voo, etapa essencial para a validação de seu desempenho e confiabilidade operacional. As primeiras avaliações revelaram limitações relacionadas à potência do motor norte-americano inicialmente instalado, sobretudo em condições mais exigentes de operação. Diante desse cenário, a equipe de engenharia optou por uma solução estratégica: a substituição pelo motor francês Turbomeca Arriel 1B, projetado especificamente para helicópteros leves e capaz de fornecer cerca de 641 shp. A adoção desse novo conjunto motriz mostrou-se decisiva para o sucesso do programa. O segundo protótipo, já equipado com o Arriel 1B, realizou seu voo inaugural em 14 de fevereiro de 1975, demonstrando melhorias substanciais em desempenho, especialmente em regimes de maior carga. Em função desses resultados, o motor francês foi selecionado para equipar a versão principal de produção, designada AS350B, superando o motor original, cuja potência se revelara insuficiente para determinadas condições operacionais. Durante a fase de desenvolvimento, que envolveu extensos ensaios técnicos, diversas melhorias estruturais e sistêmicas foram incorporadas, culminando na configuração definitiva de série. Com vistas à obtenção de certificações internacionais, 03 células foram especificamente destinadas aos processos de homologação. Em 1977, após a obtenção das aprovações necessárias, o modelo foi oficialmente introduzido nos mercados europeu e norte-americano sob a designação AS350B Écureuil. A combinação de bom desempenho, elevada confiabilidade e custos operacionais relativamente reduzidos contribuiu para uma rápida aceitação no mercado. Operadores privados e institucionais passaram a demonstrar crescente interesse pela aeronave, impulsionando sua demanda. A partir de 1978, consolidou sua presença internacional com a assinatura de contratos governamentais relevantes em ambos os continentes, destacando-se seu emprego em missões policiais e operações de resgate aeromédico. O êxito alcançado estimulou o fabricante a desenvolver uma variante voltada ao uso militar, com ênfase na formação e conversão operacional de pilotos. Assim surgiu o  AS350 BB, uma versão adaptada às exigências específicas, particularmente às necessidades da Força Aérea Real (RAF). Para atender aos requisitos militares,  seria equipado com o motor Turbomeca Arriel 1D, com potência aproximada de 684 shp, proporcionando desempenho ligeiramente superior ao da versão civil. O modelo incorporava comandos duplos reforçados, essenciais para instrução, além de sistemas simplificados que facilitavam o processo de aprendizado de pilotos em formação. A instrumentação foi adaptada aos padrões militares, incluindo sistemas de navegação e comunicação. A cabine, projetada para oferecer excelente visibilidade, favorecia o ambiente de instrução, enquanto reforços estruturais adicionais permitiam suportar o uso intensivo típico de aeronaves de treinamento, caracterizado por ciclos frequentes de pousos e decolagens. Em reconhecimento a essas qualidades, foi selecionado, em 1979, pela Defence Helicopter Flying School (DHFS)  instituição responsável pela formação de pilotos de helicópteros das Forças Armadas do Reino Unido.

Após sua introdução, o Aérospatiale AS350 BB passou a desempenhar papel relevante na modernização dos programas de treinamento militar, substituindo progressivamente helicópteros mais antigos, como o Westland SA341 Gazelle, e oferecendo, simultaneamente, uma plataforma versátil para uma ampla gama de missões civis e militares no Reino Unido. Operado pela FB Heliservices  posteriormente denominada Cobham Helicopter Services , o modelo foi amplamente empregado na base da Força Aérea Real (RAF) em Shawbury, um dos principais centros de formação de pilotos de helicóptero do país. Ao todo, foram incorporadas 38 células, designadas como Squirrel HT1 (Helicopter Trainer 1) e Squirrel HT2 pela Marinha Real (Royal Navy). A partir da década de 2010, contudo, esse modelo começou a ser gradualmente substituído por aeronaves mais modernas, como o Airbus H135 Juno e H145 Jupiter, no âmbito do programa UK Military Flying Training System (MFTS). Paralelamente ao sucesso no Reino Unido, o AS350 BB também despertou o interesse das forças armadas francesas. Em 1979, a Força Aérea Francesa (Armée de l’Air) firmou contrato para a aquisição de 30 aeronaves, destinadas principalmente às escolas de formação de pilotos, como a tradicional École de l’Air. No mesmo período, a Aviação Leve do Exército Francês (ALAT) celebrou um acordo para a compra de 40 unidades, destinadas à École de l’Aviation Légère de l’Armée de Terre (EALAT), com destacamentos baseados em Dax e Le Cannet-des-Maures. Nessas instituições, o AS350 BB consolidou-se como uma plataforma essencial para a instrução de voo básico, navegação e manobras táticas. Sua robustez estrutural, aliada ao baixo custo de operação e manutenção, tornava-o particularmente adequado ao uso intensivo característico das escolas de aviação militar. Embora concebido prioritariamente como treinador, o modelo também foi empregado, de forma complementar, em missões de ligação e transporte leve, inclusive em unidades operacionais como o 1º Regimento de Helicópteros de Combate  e o 9º Regimento de Suporte Aeromóvel . No cenário internacional, o êxito do AS350 BB também se refletiu em sua adoção por outros países. Em fevereiro de 1979, a Marinha do Brasil firmou contrato com a Helibras S.A,  tornando-se o quarto operador militar, com a aquisição de 06  aeronaves. Esse movimento evidenciava não apenas a crescente inserção da indústria aeronáutica francesa no mercado global, mas também a confiança depositada na versatilidade e confiabilidade. Ao longo dos anos seguintes, o AS350 consolidou uma expressiva presença internacional, sendo incorporado por forças armadas de diversos países, como Argentina, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Chile e Paquistão, entre outros. Nessas nações, a aeronave foi empregada em missões de treinamento, transporte leve e apoio geral, confirmando sua adaptabilidade a diferentes contextos operacionais. Ao final da década de 1980, a família de helicópteros AS350B e AS355B Écureuil já se afirmava como um dos maiores sucessos comerciais da indústria aeronáutica europeia. Presente em múltiplos continentes, o modelo demonstrava notável equilíbrio entre desempenho, economia e confiabilidade, atendendo de forma eficaz tanto às demandas do mercado civil quanto às exigências do setor militar.
Ao final década de 1980, a família de helicópteros Aérospatiale AS350B e AS355B Écureuil (Esquilo) já era um grande sucesso comercial, operando em vários países tanto no mercado civil como no militar, e o grande número de aeronaves disponíveis cada vez mais impactava positivamente na cadeia de custos de peças de reposiçao e processos de manutenção, o que valorizava cada vez mais o emprego do modelo. Neste momento a diretoria da empresa vislumbraria um grande mercado potencial para o uso militar da aeronave, agora passando a ser dedicada a missões mais especializadas, entre elas ataque a solo, apoio aproximado, patrulha marítima, guerra antissubmarino (ASW), ataque anti-superficie (ASM) e busca e salvamento de combate (Combat-SAR). Duas células das versões civis das aeronaves mono e bi turbina seriam empregadas para o desenvolvimento, sendo acrescidos reforços estruturais, blindagem para o grupo motriz e para os tripulantes (piso e assentos blindados), nova avionica embarcada mais adequada a missões de combate, preparação para instalação de sistemas de imageamento diurno e noturno, óculos de visão noturna (OVN/NVG) e dispositivos de defesa passiva, porém  uma das melhorias mais importantes seria a troca da motorização original por um novo motor Turbomeca Arriel 2B turboshaft com 847 hp. Em termo de pacotes de armas ambas as versões poderiam ser equipadas com um canhão automático de 20 mm Giat M621, casulos com metralhadoras FN Herstal de calibre 7,62 mm ou 12,7 mm, lançadores de foguetes não guiados com sete de 70 mm ou doze de 68 mm e misseis anti tanque norte-americanos TOW BGM-71. Durante o ano de 1989, estes protótipos seriam testados e ensaiados em voo apresentando grandes perspectivas operacionais. Em 1 de janeiro de 1990, a Aérospatiale mudaria o sistema de designação de produção, com aeronaves militares passando a ser identificadas pelo número, assim o modelo monomotor AS350 tornar-se-ia o AS550, e o bimotor AS355 se tornaria o AS555, com estas aeronaves passando a ser oferecidas no mercado internacional de defesa. Em 1992 um processo de fusão englobaria as divisões de produção de aeronaves de asas rotativas das empresas Aérospatiale e Messerschmitt-Bölkow-Blohm, nascendo assim a European Aeronautic Defence and Space Company (EADS), que renomearia esta família de helicópteros militares como Fennec, distinguindo assim da versão civil Écureuil (Esquilo). Os modelos militares estariam dispostos nas versões AS50 C2 Fennec, AS550 U2 Fennec e AS550 C3 Fennec. Os primeiros contratos de exportação seriam celebrados ainda no ano de 1990, envolvendo entregas para as forças armadas da França, Argentina, Brasil, Colômbia, Argélia, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Malásia, México, Singapura, Paquistão, Uzbequistão e China (versão produzida localmente do Z-11). Esta família de aeronaves designada comercialmente em 2005 como H125, permanece em produção contínua pela Airbus Helicopters até os dias atuais, acumulando mais de três mil e setecentas células entregues ao mercado civil forças de segurança e também mais de quarenta forças armadas militares ao redor do mundo. 

Emprego no Exército Brasileiro
A história da Aviação do Exército Brasileiro remonta à segunda metade do século XIX, em meio aos intensos combates da Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870). Foi nesse contexto, particularmente durante as operações em Humaitá e Curupaiti, no ano de 1867, que se registraram as primeiras iniciativas de emprego de meios aéreos pelo Exército. Sob o comando de Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias  patrono do Exército Brasileiro, foram utilizados balões cativos para observação militar, configurando uma inovação notável no cenário sul-americano. Essa iniciativa pioneira inseriu, de forma inédita no continente, a chamada “terceira dimensão” no campo de batalha, ampliando significativamente a capacidade de comando e controle das forças em operação. Os balões, operados sob a supervisão direta de Caxias, permitiram a observação sistemática das fortificações paraguaias, fornecendo dados essenciais sobre a disposição e os movimentos do inimigo. Tais informações revelaram-se decisivas para o planejamento e a condução de ofensivas de grande envergadura pelas forças aliadas, contribuindo de maneira substancial para o êxito das campanhas. Mais do que um recurso tático, o emprego da aerostação refletia uma visão estratégica avançada por parte  de  Caxias, que compreendia o valor da superioridade informacional no teatro de operações. Ao integrar a observação aérea às manobras terrestres, o Exército Brasileiro não apenas obteve vantagens operacionais imediatas, mas também estabeleceu um precedente doutrinário relevante, tornando-se a primeira força militar da América do Sul a empregar esse tipo de tecnologia com fins militares. Com o término do conflito, em 1870, essa experiência foi institucionalizada por meio da criação do Serviço de Aerostação Militar, consolidando o uso de balões como ferramenta de observação e reconhecimento. Ao longo dos 47 anos seguintes, até 1917, a aerostação manteve-se como elemento central das atividades aéreas, desempenhando funções de vigilância, levantamento de informações e apoio às operações terrestres. Esse período constitui a primeira fase da aviação militar, caracterizada pela adaptação e pelo domínio progressivo de tecnologias aerostáticas. No início do século XX, acompanhando os avanços tecnológicos globais no campo da aviação, o Exército Brasileiro deu passos decisivos rumo à modernização. Em 1913, foi criada a Escola Brasileira de Aviação, no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, marcando o início da formação sistemática de pessoal especializado. Nesse mesmo ano, foram incorporadas as primeiras aeronaves militares de fabricação italiana, simbolizando a transição dos balões para aviões motorizados. Esse processo evolutivo foi aprofundado em 1919, com a criação da Escola de Aviação Militar (EAvM), instituição voltada à formação de aviadores. Tal escola constitui a base histórica do atual Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), refletindo a continuidade do esforço institucional na qualificação de recursos humanos especializados. Na década de 1930, a aviação militar do Exército ampliou ainda mais seu papel estratégico com a criação do Correio Aéreo Militar (CAM), em 1931. Em conjunto com o Correio Aéreo Naval, esse sistema contribuiu para a integração territorial do país, estabelecendo rotas aéreas que conectavam regiões remotas e promoviam a presença do Estado em áreas de difícil acesso.

Entretanto, essa trajetória inicial foi abruptamente interrompida em 20 de janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica do Brasil. A nova estrutura centralizou sob a recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB) a responsabilidade exclusiva pelas atividades aéreas nacionais, resultando na extinção tanto da Aviação Militar do Exército quanto da Aviação Naval. Essa reconfiguração institucional marcou o encerramento da primeira fase da aviação do Exército Brasileiro, cuja herança, contudo, permaneceria como fundamento para sua posterior recriação décadas mais tarde. Na década de 1980, seria iniciado a um amplo esforço de modernização por meio do "Programa Força Terrestre 90 (FT-90)", concebido como um instrumento estratégico para reestruturar e atualizar as capacidades operacionais. Esse programa refletia não apenas as demandas internas de modernização, mas também a assimilação das lições extraídas dos conflitos armados do pós-Segunda Guerra Mundial, os quais evidenciaram, de maneira inequívoca, a importância crescente da dimensão aérea no campo de batalha contemporâneo. Nesse contexto, a incorporação de aeronaves de asas rotativas passou a ser entendida como elemento essencial para a ampliação da mobilidade tática, o incremento do poder de combate e a obtenção de maior flexibilidade operacional. A experiência internacional, particularmente a observada na Guerra do Vietnã (1955–1975), desempenhou papel determinante nessa reavaliação doutrinária. O emprego intensivo de helicópteros como o Bell OH-58 Kiowa e o UH-1 Iroquois demonstrou, de forma concreta, a relevância do domínio da baixa altitude  a chamada faixa inferior do espaço aéreo  como fator decisivo para o sucesso das operações terrestres. À medida que outras forças armadas, notadamente as dos Estados Unidos e de países integrantes da Organizaçao do Tratado do Atlantico Norte (OTAN), consolidavam suas aviações de exército, o comando do Exército Brasileiro passou a reconhecer a necessidade de dispor de um vetor aéreo próprio, capaz de proporcionar maior agilidade, alcance e capacidade de resposta em diferentes cenários operacionais. Essa conscientização estava alinhada ao objetivo mais amplo de adaptar a Força às exigências de um ambiente estratégico em constante transformação, abrangendo desde conflitos convencionais até operações de baixa intensidade. A partir do início da década de 1980, seriam conduzidos  estudos doutrinários voltados à definição do emprego de helicópteros no âmbito das armas-base, especialmente infantaria e cavalaria. Tais estudos enfatizaram a integração das aeronaves de asas rotativas em missões de reconhecimento, transporte tático, evacuação aeromédica e apoio logístico. Esse esforço de natureza doutrinária e organizacional culminou, em 1986, com a criação de estruturas consideradas essenciais para a reativação da Aviação do Exército. Destacaram-se, nesse processo, a Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx), responsável pela gestão logística, aquisição de meios aéreos, manutenção e desenvolvimento técnico, e o 1º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx), concebido como a primeira unidade operacional, incumbida de operar as aeronaves iniciais e de estabelecer as bases para a formação de pilotos e tripulações especializadas. 
A consolidação material desse processo ocorreu em janeiro de 1988, com a instalação da 1ª Base de Aviação do Exército (AvEx) na cidade de Taubaté no interior do estado de São Paulo. Após a consolidação dos fundamentos conceituais e organizacionais da Aviação do Exército (AvEx), tornou-se imperativo definir os vetores aéreos capazes de atender, com eficiência, às necessidades estratégicas da Força. Nesse contexto, em 1987, a recém-criada Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx) promoveu uma concorrência internacional com o objetivo de adquirir, no mínimo, cinquenta helicópteros de categorias leve e média, a serem fornecidos em dois lotes distintos. O certame despertou o interesse de importantes fabricantes do setor aeronáutico global. Ao término do processo de avaliação, a escolha recaiu sobre a proposta apresentada pelo consórcio liderado pela Aérospatiale, em associação com sua subsidiária brasileira, a Helibras S/A. Tal decisão foi pautada não apenas por critérios técnicos e comerciais favoráveis, mas também pelo histórico consolidado de emprego de aeronaves dessa origem pelas Forças Armadas Brasileiras. Tanto a Marinha do Brasil quanto a Força Aérea Brasileira (FAB) já operavam, com resultados satisfatórios, diversos modelos da fabricante francesa, fator que contribuía para a padronização logística, a interoperabilidade e a confiabilidade operacional. As negociações culminaram, em 1988, na formalização de um contrato que previa a aquisição de 16  helicópteros leves Helibras HB350 Esquilo, na versão HB350 L1, e 36 helicópteros médios Aérospatiale AS365 Dauphin, na variante militar AS365K Pantera. Enquanto os helicópteros médios seriam produzidos nas instalações da Aérospatiale, na França, os exemplares do modelo Esquilo seriam montados no Brasil, na planta industrial da Helibras S/A, localizada em Itajubá, Minas Gerais. Esse arranjo representou um avanço significativo para a indústria aeronáutica nacional, ao fomentar a transferência de tecnologia e o fortalecimento da capacidade produtiva interna. Estes helicópteros leves receberam a designação HA-1 (Helicóptero de Ataque 1), sendo matriculados na faixa de "EB 1001 a EB 1016". O cronograma contratual previa a entrega das aeronaves entre os anos de 1989 e 1991. A primeira unidade, o HA-1 "EB 1001", foi oficialmente incorporada em 21 de abril de 1989, durante cerimônia realizada nas instalações do 1º Batalhão de Aviação do Exército (BAvEx).  Os resultados operacionais obtidos nos primeiros anos de utilização dos helicópteros HA-1 evidenciaram, de forma clara, a pertinência do projeto e a necessidade de ampliação da frota. Em resposta a essa demanda, foi firmado um aditivo contratual que viabilizou a aquisição de mais vinte aeronaves, desta vez na versão especializada Eurocopter AS550 Fennec, concebida para missões de escolta e reconhecimento armado. Entregues a partir de 1992, essas novas unidades mantiveram a designação HA-1, sendo matriculadas de "EB 1017 a EB 1037". Sua incorporação representou um significativo incremento qualitativo nas capacidades operacionais da Aviação do Exército, ampliando sua aptidão para o cumprimento de missões táticas com maior versatilidade, rapidez de resposta e eficiência no apoio às forças terrestres.

Essas novas aeronaves foram distribuídas entre os recém-criados 1º, 2º e 3º Batalhões de Aviação do Exército (BAvEx), sediados, respectivamente, em Taubaté, no estado de São Paulo, e em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul.  Nesse cenário, os helicópteros Helibras HB350 Esquilo / Eurocopter AS550 Fennec, designados militarmente como HA-1 Esquilo-Fennec, consolidaram-se como vetores centrais na execução dessas atribuições, destacando-se por sua versatilidade e elevada capacidade de adaptação às mais diversas demandas operacionais. Projetados para operar em múltiplas configurações, os HA-1 Esquilo podem ser rapidamente ajustados conforme o perfil da missão. No campo logístico e de resgate, dispõem de gancho hidráulico externo com capacidade de até 750 kg, além de guincho lateral com capacidade de 136 kg, o que lhes confere notável eficiência em operações de apoio, evacuação e transporte de cargas em ambientes de difícil acesso. No que se refere ao emprego armado, especialmente na versão HA-1 Fennec, essas aeronaves podem ser equipadas com lançadores de foguetes não guiados Avibras SBAT de 70 mm, metralhadoras axiais FN Herstal MAG de calibre 7,62 mm e metralhadoras FN Herstal M3P de calibre .50, conferindo-lhes capacidade de ataque leve e apoio tático em missões de reconhecimento armado e escolta. A partir de 2005, a frota HA-1 passou por um relevante processo de modernização com a incorporação de sistemas de imageamento térmico FLIR Star Safire I (Forward Looking Infrared), ampliando significativamente a capacidade de condução de operações noturnas e em condições de visibilidade degradada. Posteriormente, a introdução de sistemas mais avançados, como o FLIR Safire III, reforçou ainda mais a eficácia dessas plataformas em missões de vigilância e aquisição de alvos. Em setembro de 2009, o Exército Brasileiro deu um passo adicional na integração de tecnologias ao adquirir 14 sistemas de visão noturna, os quais, combinados aos sensores FLIR, resultaram no desenvolvimento do sistema integrado “Olhos da Águia”. Esse sistema representou um avanço substancial nas capacidades de comando e controle, permitindo a transmissão, em tempo real, de imagens eletro-ópticas e infravermelhas para os centros de comando. Dessa forma, o comandante e seu Estado-Maior passaram a dispor de acompanhamento dinâmico das operações, com maior consciência situacional e capacidade de difusão de informações para escalões superiores. Embora a instalação de antenas na porção inferior das aeronaves tenha imposto restrições a pousos em terrenos não preparados, os ganhos operacionais foram significativos. Os HA-1 passaram a desempenhar papel fundamental como plataformas aéreas de comando e controle, atuando na retransmissão de comunicações entre o comando e as tropas em solo, ampliando o alcance e a confiabilidade dos enlaces. No contexto das operações aeromóveis, o sistema “Olhos da Águia” contribui de maneira decisiva para a coordenação entre frações de helicópteros, fornecendo, em tempo real, dados sobre posicionamento e deslocamento das unidades. Todavia, em operações noturnas, sua utilização permanece condicionada a áreas previamente reconhecidas e compatíveis com os requisitos de voo visual noturno, uma vez que as aeronaves ainda não dispõem de sistemas de iluminação plenamente compatíveis com o emprego de óculos de visão noturna.
Além de desempenharem as mesmas missões e empregarem armamentos e sensores equivalentes aos da versão Fennec, os helicópteros HA-1 Esquilo, assumiram também um papel fundamental na formação de novos pilotos do Exército Brasileiro. Essa atividade é conduzida no Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), sediado em Taubaté, onde essas aeronaves são empregadas intensivamente no treinamento inicial e avançado de tripulações. Entre os anos de 2010 e 2011, a frota HA-1 Esquilo-Fennec enfrentou um período desafiador, marcado pela perda de três aeronaves  "EB 1011, EB 1016 e EB 1029" em acidentes. Embora tais ocorrências tenham representado perdas significativas, também evidenciaram a capacidade institucional da Aviação do Exército de manter a continuidade de suas operações, ao mesmo tempo em que reforçaram a necessidade de aprimoramentos estruturais e tecnológicos voltados à segurança e à eficiência operacional. Após mais de duas décadas de emprego contínuo, iniciado em 1989, essas aeronaves passaram a apresentar sinais naturais de desgaste estrutural e obsolescência tecnológica, decorrentes tanto da elevada intensidade de uso quanto da rápida evolução dos sistemas aeronáuticos. Diante desse cenário, o Comando de Aviação do Exército (CAvEx) iniciou estudos com vistas à implementação de um abrangente programa de modernização e revitalização da frota, conduzido em parceria com a Helibras, cuja experiência prévia na montagem dessas aeronaves, em sua unidade de Itajubá (MG), foi determinante para o sucesso do projeto. O marco inicial desse programa ocorreu em 30 de dezembro de 2007, com a assinatura de um contrato no Quartel-General do Exército, em Brasília, no valor de US$ 92 milhões de dólares. O projeto contemplou a modernização de 33 helicópteros em operação, além da recuperação e atualização de três células que se encontravam armazenadas, totalizando um esforço significativo de revitalização da frota. Entre as principais melhorias implementadas, destacam-se a incorporação de modernos sistemas aviônicos compatíveis com o uso de óculos de visão noturna (OVN), a adoção de um painel de instrumentos digital no padrão glass cockpit, a integração de piloto automático e a instalação de novos sistemas de comunicação Nav-Com seguros. Adicionalmente, foram introduzidos equipamentos de missão aprimorados, incluindo bancos redesenhados, proteção balística, sistemas de defesa passiva e novos suportes para armamentos. O programa também previu a ampliação do potencial ofensivo das aeronaves, com estudos voltados à integração de mísseis ar-superfície e de um canhão de 20 mm, reforçando sua capacidade de emprego em missões de ataque leve e reconhecimento armado. O primeiro protótipo modernizado, o HA-1 "EB 1019", realizou seu voo inaugural em 13 de março de 2014, representando um marco significativo no processo de atualização da frota. A partir de 2015, as primeiras aeronaves modernizadas começaram a ser reintegradas às unidades operacionais, culminando, em 3 de dezembro de 2021, com a entrega da última célula — o HA-1 Fennec "EB 1022". Esse programa de modernização não apenas restaurou a plena capacidade operacional dos HA-1 Esquilo-Fennec, como também assegurou sua relevância no contexto da Aviação do Exército por um horizonte estimado de mais 25 anos, estendendo sua vida útil até meados da década de 2040. 

Em Escala.
Para representarmos o Helibras HA-1 Esquilo "EB 1017" empregamos o antigo kit  Heller embalado pela empresa brasileira HTC Modelismo na escala 1/48. Implementamos uma série de modificações necessárias para representar a versão  em uso pela Aviação do Exército Brasileiro (AvEx), contemplando a alteração do exaustor da turbina, inclusão de corta fios e sistema de FLIR Safire I com seus sensores e antenas confeccionados em scratch build. Fizemos uso de decais do fabricante FCM Decais presentes no set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado nas aeronaves HA-1 Esquilo e Fennec , sendo este implementado em todas as aeronaves da força a partir do ano de 2002, acreditamos que as células modernizadas devam continuar ostentando este mesmo padrão.

Bibliografia :
- Eurocoppter AS550 Fennec - http://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_Fennec 
- Modenização HÁ-1 - E-Blog do Exército Brasileiro, outubro 2014 via CECOMSEx 26
- HA-1 Fennec HM-1 Pantera - Revista Força Aérea Edição 22 - 2002 
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr