M-4 Sherman Engenharia (VBE)

História e Desenvolvimento
Durante a segunda metade da década de 1930, o cenário político e militar europeu foi profundamente transformado pelo processo de rearmamento conduzido pelo governo nacional-socialista da Alemanha. Diferentemente de iniciativas anteriores, esse ambicioso plano não se limitava à produção de novos armamentos, mas fundamentava-se na formulação de conceitos e doutrinas militares inovadoras, que seriam aplicadas de forma integrada no campo de batalha. Essa nova concepção estratégica buscava harmonizar os avanços tecnológicos em equipamentos terrestres especialmente nos carros de combate com o suporte tático e operacional da aviação, resultando no surgimento do conceito de “Guerra Relâmpago” (Blitzkrieg). Os carros de combate passaram a ocupar papel central nessa estratégia, concebidos não apenas como instrumentos de apoio à infantaria, mas como o eixo principal da ofensiva. O desenvolvimento desses veículos priorizava a combinação de blindagem eficiente, poder de fogo elevado, sistemas de controle de tiro precisos e alta mobilidade, elementos que conferiam superioridade tática em relação aos blindados disponíveis nas demais potências militares da época. Apesar das restrições impostas pelo Tratado de Versalhes, o regime nazista conduziu um vigoroso e clandestino programa de rearmamento. A partir de meados da década de 1930, as forças armadas alemãs (Wehrmacht) apresentavam notável avanço tecnológico e operacional, despertando crescente preocupação entre as potências ocidentais. Do outro lado do Atlântico, o serviço de inteligência do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) acompanhava atentamente essa evolução. Os relatórios produzidos nesse período apontavam que os novos carros de combate alemães já superavam em desempenho os modelos norte-americanos então em uso, como os M-1 e M-2. Diante desse cenário, em abril de 1939, foi instituído um programa nacional de desenvolvimento de novos carros de combate, com o objetivo de modernizar a força blindada norte-americana. O plano previa a criação de um veículo que combinasse mobilidade, proteção e poder de fogo compatíveis com as exigências dos combates modernos. A responsabilidade pelo projeto foi atribuída ao Departamento de Artilharia do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Ordnance Department), sediado em Fort Lee, Virgínia, que imediatamente iniciou os trabalhos conceituais baseados no chassi do M-2 Light Tank. Entre as diretrizes técnicas definidas para o novo modelo que resultaria no M-3 Light Tank — destacava-se a instalação do canhão M-22 de 37 mm, considerado adequado para confrontar os blindados leves da época, e a aplicação de um sistema de blindagem projetado para resistir ao impacto de projéteis antitanque do mesmo calibre. Contudo, desde as fases iniciais, pairavam dúvidas quanto à real capacidade de proteção do veículo e à efetividade de seu armamento diante dos modernos carros de combate alemães e japoneses, que já demonstravam clara superioridade no campo de batalha. Os temores expressos por uma significativa parcela dos oficiais foram confirmados em junho de 1940, com o início da campanha na França, onde os  blindados alemães Panzer III e Panzer IV, obtiveram vitórias esmagadoras contra os melhores carros de combate franceses e britânicos disponíveis na época. 

Tornou-se evidente que o canhão M-22 de 37 mm se mostrava completamente ineficaz, tornando necessário equipar os novos carros de combate com um canhão de calibre 75 mm. Entretanto, nem os antigos M-2, nem os novos M-3 poderiam ser adaptados para acomodar essa arma, uma vez que seu peso maior exigiria o desenvolvimento de uma nova torre giratória. Embora essa abordagem estivesse sendo considerada, buscou-se simultaneamente uma solução provisória, que envolveu uma modificação experimental de um M-2, resultando na criação de um obuseiro autopropulsado de 75 mm, com o canhão sendo projetado pelo Watervliet Arsenal. Os testes de campo desse protótipo levaram à conclusão de que o chassi do M-2 existente poderia ser utilizado em combinação com uma superestrutura redesenhada, mantendo ainda a arma de 37 mm instalada em uma torre giratória. O novo carro de combate M-3 apresentava, assim, um design incomum, já que a arma principal, o canhão M-2 de 75 mm, não estava instalado em uma torre giratória, mas sim fixada ao chassi. Essa configuração resultou da falta de experiência da indústria norte-americana na concepção de uma torre que pudesse abrigar uma arma desse calibre. Ressalta-se que a solução de empregar dois canhões foi inspirada em modelos europeus, como o Char B1 e o Churchill Mark I. No caso do francês, o veículo foi projetado como um canhão autopropulsado e o inglês incorporava  uma arma montada no casco dianteiro, utilizada principalmente para disparar projéteis de fumaça. O M-3 diferia ligeiramente dos padrões europeus, apresentando um canhão principal de dupla finalidade, capaz de disparar um projétil perfurante a uma velocidade suficiente para penetrar efetivamente a armadura, além de lançar um projétil altamente explosivo que era considerável o suficiente para ser eficaz em combate.  Apesar dessas preocupações, o M-3 poderia ser produzido em larga escala e com maior rapidez em comparação aos carros de combate convencionais, atendendo, assim, às demandas emergenciais não apenas dos Estados Unidos, mas também da Grã-Bretanha. No final de janeiro de 1942, os primeiros tanques M-3 Grant, fornecidos pelos Estados Unidos, chegaram ao Norte da África para reforçar as forças britânicas. As tripulações foram submetidas a um rigoroso programa de treinamento, com o objetivo de prepará-las para confrontos contra as forças do Eixo. O canhão principal M-2 de 75 mm, baseado em um modelo de artilharia de campanha francês, permitiu ao Exército Real Britânico (Royal Army) utilizar amplos estoques de munição remanescentes da Primeira Guerra Mundial. Dentre os projéteis disponíveis, destacava-se o perfurante de tiro sólido, capaz de penetrar aproximadamente 50 mm de blindagem a uma distância de 1.000 metros. Embora superior aos canhões de 2 libras equipados nos tanques britânicos da época, o desempenho do M-3 ainda não atendia plenamente aos padrões exigidos para operações de combate.  O batismo de fogo  ocorreu em 27 de maio de 1942, durante a Batalha de Gazala, no Norte da África. Sua introdução representou uma surpresa tática para as forças alemãs, que não estavam preparadas para enfrentar o canhão de 75 mm. 
Nesta batalha os M-3s foram severamente impactados pelos canhões antiaéreos alemães Flak 18/36/37/41 de 88 mm, que exploraram vulnerabilidades críticas do tanque, incluindo seu perfil elevado, baixa relação peso-potência e armadura rebitada. Esta última apresentava a desvantagem de gerar ricochetes internos dos rebites sob impacto, causando ferimentos às tripulações.  Embora concebidos como uma solução temporária para o Exército Real Britânico (Royal Army), enquanto aguardava a entrega dos tanques Crusader Mark III, atrasos na produção deste último tornaram o M-3 Grant o principal veículo blindado das forças aliadas no Oriente Médio. Contudo, suas limitações táticas e técnicas evidenciaram a necessidade urgente de substituição nas forças aliadas. O projeto que culminaria no desenvolvimento do Medium Tank M-4, futuramente consagrado pelo nome “Sherman”, teve início ainda antes da entrada em serviço do modelo M-3 Lee/Grant. A iniciativa foi conduzida pelo U.S. Army Ordnance Department, refletindo a necessidade premente de dotar as forças norte-americanas de um carro de combate médio moderno, confiável e de fácil produção em larga escala, capaz de aliar mobilidade, poder de fogo e simplicidade de manutenção — atributos considerados essenciais diante da iminência de um conflito global de proporções industriais. Naquele contexto, os Estados Unidos preparavam-se para uma guerra que exigiria o máximo de eficiência de sua base industrial. Assim, decidiu-se que o novo modelo deveria aproveitar parte da estrutura e da experiência adquirida com o M-3, mas incorporando melhorias fundamentais, entre elas a instalação de uma torre totalmente rotativa de 360 graus equipada com o canhão M-3 de 75 mm, o que representava um avanço considerável em relação ao armamento lateral fixo do modelo anterior. O protótipo do M-4 foi finalizado em outubro de 1941, nas instalações da Baldwin Locomotive Company, na Filadélfia — um dos tradicionais complexos industriais mobilizados para o esforço de guerra. O veículo apresentava peso bruto de aproximadamente 30 toneladas e utilizava o sistema de suspensão vertical por molas volutas (VVSS), já comprovado pela robustez e facilidade de manutenção. Seu sistema de propulsão era garantido por um motor radial aeronáutico Curtiss-Wright Continental R-975E, movido a gasolina, que desenvolvia 330 cavalos de potência, assegurando ao tanque um bom equilíbrio entre desempenho e confiabilidade. A meta inicial estabelecida pelo Departamento de Artilharia previa uma produção de cerca de 2.000 unidades mensais, demonstrando a magnitude do planejamento industrial que começava a se consolidar. Antes, porém, o protótipo passou por extensos programas de testes e avaliações de campo, durante os quais foram identificadas e corrigidas falhas de projeto e incorporadas melhorias ergonômicas e mecânicas. Esses ajustes deram origem à primeira versão de produção em série, o M-4, cuja fabricação iniciou-se em fevereiro de 1942. Para atender às especificações do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), foi desenvolvido o modelo M-4A2, que substituiu o motor original a gasolina pelo motor diesel General Motors Twin 6-71. Essa alteração visava unificar o tipo de combustível utilizado pelas forças blindadas com o empregado pela frota naval, otimizando a logística.  O M-4 Sherman teve seu batismo de fogo em 23 de outubro de 1942, durante a Segunda Batalha de El Alamein, travada no deserto do Norte da África. O confronto, conduzido pelo 8º Exército Britânico sob o comando do general Bernard Montgomery, marcou um ponto de inflexão na guerra do deserto e, ao mesmo tempo, revelou o potencial do novo carro de combate médio norte-americano. 

Operado por tripulações britânicas experientes, que já haviam adquirido ampla vivência em operações mecanizadas contra as forças do Afrika Korps de Erwin Rommel, o M-4 demonstrou superioridade técnica e operacional em relação ao seu antecessor, o M-3 Lee/Grant. Seu canhão de 75 mm, montado em torre totalmente giratória, proporcionava melhor capacidade ofensiva e flexibilidade tática, enquanto a confiabilidade mecânica e o bom desempenho em terrenos arenosos o tornaram um recurso valioso para as forças aliadas. Nas areias de El Alamein, o M-4 Sherman provou-se um elemento decisivo na retomada da iniciativa estratégica pelos Aliados no Norte da África. Contudo, quando o modelo foi empregado pela primeira vez em larga escala pelo Exército dos Estados Unidos, durante a Batalha de Kasserine, em fevereiro de 1943, os resultados foram menos animadores. Enfrentando forças alemãs veteranas e bem equipadas, as unidades da 1ª Divisão Blindada norte-americana sofreram pesadas perdas, reflexo direto da inexperiência das tripulações e da falta de coordenação tática entre as armas de infantaria, artilharia e blindados. A derrota em Kasserine representou, contudo, um aprendizado doloroso, que levaria à rápida reformulação das doutrinas de emprego das forças blindadas dos Estados Unidos.  Posteriormente, a pedido do Exército dos Estados Unidos (US Army), foi criada a variante M-4A3, equipada com o motor a gasolina Ford GAA V-8 de 500 hp, proporcionando maior potência. A versão final de produção, o M-4A4, tornou-se disponível em julho de 1942. Embora visualmente semelhante ao M-4A1, o M-4A4 distinguia-se por seu chassi construído com chapas retas soldadas, em vez de uma peça única fundida. As primeiras unidades apresentavam uma blindagem frontal tripartida, unida por parafusos, característica herdada diretamente do tanque M-3 Lee.  No teatro de operações europeu, o M-4 Sherman foi introduzido durante a Operação Husky, a invasão aliada da Sicília, em julho de 1943. Nesse estágio da guerra, os M-4A1 frequentemente operando ao lado dos tanques leves M-3 Stuart  enfrentaram forte resistência por parte das tropas alemãs e italianas, que faziam uso extensivo de canhões antitanque e armas automáticas de 37 e 50 mm. Em 11 de julho de 1943, os M-4 prestaram apoio crucial à infantaria aliada em Piano Luco. Durante os combates na Itália, as forças aliadas sofreram a perda de centenas de veículos, mas a 3ª Brigada da 1ª Divisão Blindada alcançou êxito ao entrar em Roma.  Durante a Operação Overlord o M-4 desempenhou um papel crucial, apesar  de enfrentar desafios significativos contra os tanques alemães Tiger e Panther, que possuíam armamento e blindagem superiores. Contudo a quantidade e a confiabilidade dos Shermans permitiram que as forças aliadas mantivessem a superioridade numérica e logística. Ao longo da campanha europeia, os M-4 foram essenciais no confronto com os tanques Panzer, contribuindo para a progressão aliada até a derrota da Alemanha em 1945. No teatro de operações do Pacífico, o M-4 Sherman foi a principal arma blindada do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), seu primeiro grande teste ocorreria durante a Campanha das Ilhas Gilbert e Marshall (1943–1944).  Na Batalha de Tarawa, em novembro de 1943, tanques do tipo M-4A2 do 2º Batalhão de Tanques dos Fuzileiros Navais desembarcaram sob intenso fogo inimigo. 
Nos combates subsequentes, como nas Campanhas das Ilhas Marianas e Palau (1944)  especialmente em Saipan, Tinian e Peleliu , os M-4 Sherman consolidaram seu papel como instrumento fundamental no apoio às forças de infantaria. Durante a Campanha das Filipinas (1944–1945) e a Batalha de Okinawa (1945), os Shermans atuaram em conjunto com engenheiros de combate e unidades lança-chamas, desempenhando papel essencial na destruição de posições entrincheiradas e túneis subterrâneos. A experiência de combate levou ao desenvolvimento de variantes adaptadas, como o M-4A3R3 "Zippo", equipado com lança-chamas, amplamente utilizado pelos Fuzileiros Navais em Okinawa e Iwo Jima.  A simplicidade de projeto e a robustez mecânica do tanque M-4 Sherman consolidaram-no como o principal carro de combate médio das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, substituindo integralmente os modelos M-3 Stuart e M-3 Lee nas linhas de frente. Com o objetivo de padronizar a logística de suprimentos, incluindo peças de reposição e processos de manutenção, foi decidido o desenvolvimento de uma família de veículos especializados e utilitários baseados na plataforma do M-4 Sherman. O primeiro modelo derivado a entrar em serviço foi o M-32 Recovery Vehicle, projetado para realizar operações de recuperação de veículos pesados no campo de batalha. As primeiras unidades do M-32 foram introduzidas no início de 1943. Subsequentemente, outras variantes foram desenvolvidas, incluindo o obuseiro autopropulsado M-7 Priest, ampliando a versatilidade da plataforma para atender às diversas demandas operacionais. A produção do M-4 Sherman foi realizada em diversas fábricas nos Estados Unidos, incluindo Baldwin Locomotive Works, Pressed Steel Car Company, American Locomotive Co., Pullman-Standard Car Company e Detroit Tank Arsenal. Entre 1942 e julho de 1945, foram fabricadas 49.234 unidades, excluindo protótipos. A grande maioria foi destinada às forças armadas norte-americanas, com uma parcela significativa fornecida a aliados por meio do programa Lend-Lease Act. Após o termino do conflito milhares de M-4 foram abandonados na Europa pois seu processo de retorno aos Estados Unidos se mostraria economicamente inviável. Quando, em junho de 1950, as tropas da Coreia do Norte invadiram o território sul-coreano, equipadas majoritariamente com tanques soviéticos T-34/85, os norte-americanos se viram diante de um conflito repentino. Nos primeiros meses da guerra, o contingente norte-americano destacado para a península coreana dispunha apenas de tanques leves M24 Chaffee, claramente inferiores aos T-34/85 em poder de fogo e blindagem. Essa disparidade evidenciou a urgência de reforçar as unidades com blindados mais robustos, elencando-se o Sherman.  Após o termino da Guerra da Coreia, uma grande parte da frota residual seria cedida nos termos do  Programa de Assistência Militar (MAP) a  pelo menos 47 nações amigas dos Estados Unidos. Entre os conflitos em que o M-4 teve participação destacada, merecem menção especial as Guerras Árabe-Israelenses.  O último registro oficial de Shermans em uso militar efetivo remonta ao início do século XXI, com unidades isoladas ainda ativas no Chile e em países do Oriente Médio e do Caribe, encerrando, assim, a trajetória operacional de um dos tanques mais emblemáticos e longevos da história militar moderna.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), o governo dos Estados Unidos da América passou a observar com crescente apreensão a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo — coalizão formada por Alemanha, Itália e Japão. Dentro desse contexto geopolítico, o Brasil destacou-se como um ponto estratégico e, simultaneamente, vulnerável a uma possível ofensiva, em virtude de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que figurava entre os alvos das ambições expansionistas alemãs. A essa vulnerabilidade somava-se a crescente importância econômica do país: com as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul, o Brasil consolidou-se como o principal fornecedor de látex natural aos Aliados, tornando-se essencial ao suprimento da borracha, matéria-prima vital para a produção de pneus, equipamentos e outros componentes estratégicos da indústria bélica. Do ponto de vista geográfico e logístico, o litoral nordestino brasileiro assumiu papel de destaque, pois representava o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano, constituindo-se em rota preferencial para o translado aéreo e naval de tropas, suprimentos e aeronaves com destino aos teatros de operações na Europa e no Norte da África. Tal conjuntura reforçou o valor do território brasileiro para os planos estratégicos dos Aliados, especialmente dos Estados Unidos, que passaram a ver o país como peça-chave na defesa hemisférica e na projeção de poder atlântico. Como resposta a essa nova realidade, foi implementada uma política de estreitamento diplomático e militar entre Brasil e Estados Unidos, que culminou em uma série de acordos de cooperação econômica e de defesa. O mais significativo desses instrumentos foi a adesão do Brasil ao Lend-Lease Act (Lei de Arrendamentos e Empréstimos) — programa norte-americano que visava apoiar militarmente as nações aliadas e, no caso brasileiro, modernizar as Forças Armadas. À época, o Exército Brasileiro enfrentava sérias deficiências estruturais e doutrinárias: seu parque de armamentos era obsoleto, a frota de veículos escassa e as táticas militares ainda baseadas nos preceitos da Primeira Guerra Mundial. O acordo firmado com Washington representou, portanto, um marco no processo de modernização militar do país, assegurando uma linha de crédito inicial de 100 milhões de dólares destinada à aquisição de material bélico e equipamentos modernos. Apesar dos esforços empreendidos, a entrega dos primeiros carros de combate M-4 Sherman — símbolo da modernização do Exército Brasileiro — ocorreu apenas em julho de 1945, com a chegada de 17 unidades. Entre o início e meados da década de 1950, o Brasil receberia um lote suplementar de 30 tanques M-4 Sherman, fornecidos no âmbito do Programa de Assistência Militar (Military Assistance Program – MAP), também promovido pelos Estados Unidos.

Mesmo em quantidade inferior aos tanques leves M-3 Stuart e M-3 Lee, os M-4 Sherman tornaram-se a espinha dorsal da força blindada nacional, representando um salto qualitativo significativo na capacidade operacional terrestre. No entanto, ao final da década de 1950, sua obsolescência tecnológica era evidente, tornando indispensável a substituição por um modelo mais moderno e compatível com as novas doutrinas de guerra mecanizada. A resposta a essa necessidade concretizou-se em 14 de agosto de 1960, com a chegada ao porto do Rio de Janeiro dos primeiros 50 carros de combate M-41 Walker Bulldog, marcando o início de uma nova era na história da força blindada brasileira e simbolizando a transição definitiva para um Exército mais moderno, motorizado e alinhado aos padrões estratégicos ocidentais do pós-guerra. Nos anos subsequentes à introdução dos primeiros carros de combate M-41 Walker Bulldog, o Exército Brasileiro ampliou significativamente sua frota blindada, incorporando 275 unidades da versão modernizada M-41A1 e 55 unidades da versão mais avançada M-41A3. A chegada desses veículos consolidou a substituição progressiva dos M-4 Sherman, que foram gradualmente transferidos para a reserva estratégica, reduzindo-se sua participação em operações de campo. A partir de meados da década de 1960, em consonância com o cenário político de fortalecimento da indústria nacional de defesa, o governo brasileiro passou a priorizar a redução da dependência externa na aquisição e manutenção de equipamentos militares. Inserido nesse novo paradigma de autossuficiência estratégica, o Exército Brasileiro iniciou estudos conceituais destinados ao projeto e desenvolvimento de veículos blindados de fabricação nacional, capazes de atender às demandas específicas da realidade operacional do país. Nesse contexto, em 1967, foi instituído no Parque Regional de Motomecanização da 2ª Região Militar (PqRMM/2), em São Paulo, um grupo de trabalho técnico com a missão de coordenar as iniciativas de pesquisa e inovação voltadas à modernização de viaturas blindadas. Este grupo evoluiu posteriormente, consolidando-se como o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB) — marco fundamental na trajetória da engenharia militar brasileira e ponto de inflexão no desenvolvimento tecnológico autóctone voltado ao campo de defesa. Os trabalhos iniciais do CPDB concentraram-se em projetos de remotorização, com foco na substituição de motores a gasolina por motores a diesel nacionais em diversos modelos de veículos, incluindo os M-3 Stuart, M-3 Lee e M-5 White Half-Track. O sucesso dessas experiências pioneiras não apenas comprovou a viabilidade técnica das adaptações, mas também incentivou a continuidade dos esforços de nacionalização de sistemas mais complexos — um passo decisivo rumo à futura produção seriada de blindados sobre rodas e lagartas em território brasileiro.
O primeiro estágio desse processo envolveu estudos de modernização voltados à frota de tanques então considerada obsoleta, como os M-3, M-3A1 Stuart e M-4 Sherman, com o propósito de adequá-los às novas ameaças e exigências táticas que emergiam durante a Guerra Fria e o avanço das doutrinas mecanizadas contemporâneas. Em meados de 1969, foram dados os primeiros passos práticos na implementação desses programas de modernização. Dois tanques M-3A1 Stuart e um M-4 Sherman Composite Hull foram transferidos ao PqRMM/2, em São Paulo, para dar início ao programa experimental de remotorização. Esses veículos serviram como base para o desenvolvimento de soluções técnicas voltadas ao prolongamento da vida útil operacional da frota blindada nacional, marcando o início de um esforço institucional de caráter estratégico. Embora existisse a viabilidade técnica de substituição do motor a gasolina original do M-4 Sherman por um motor MWM Diesel de quatro tempos, o programa foi temporariamente suspenso, a fim de concentrar recursos e pessoal no projeto de modernização dos carros leves M-3 Stuart, cuja expressiva quantidade em serviço justificava a prioridade. O programa de modernização do M-4 Sherman seria retomado em 1974, motivado pelos resultados expressivos obtidos pelos M-4 modernizados das Forças de Defesa de Israel (IDF) durante os conflitos árabe-israelenses, que demonstraram a eficácia do conceito de repotenciamento e atualização estrutural de plataformas antigas. Sob a liderança do Tenente-Coronel Walter Catharino Finato, no âmbito do PqRMM/2, o veículo EB11-721 foi selecionado como protótipo do projeto, sendo remotorizado com o motor MWM Diesel TD232 V12 de quatro tempos. Essa experiência simbolizou um marco na busca pela independência tecnológica e operacional do Exército Brasileiro, lançando as bases para futuros programas de modernização sistemática de blindados nacionais. O motor empregado no projeto de modernização do carro de combate M-4 Sherman, em sua configuração original, apresentava potência nominal de 406 cavalos-hp. Contudo, atendendo à solicitação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Blindados (CPDB), o fabricante procedeu a uma série de modificações técnicas, elevando sua potência para 500 hp, de modo a aprimorar o desempenho e garantir maior confiabilidade operacional. Para acomodar o novo propulsor — que media 1,69 metro de comprimento, incluindo o turbocompressor e o sistema de refrigeração — foi necessário realizar significativas adaptações internas no compartimento do motor, exigindo modificações estruturais no casco do veículo. Em maio de 1975, o protótipo atualizado foi submetido a extensos testes de desempenho e resistência, cujos resultados demonstraram plena adequação técnica e operacional, confirmando o êxito da nacionalização do conjunto motriz e consolidando um marco na busca pela independência tecnológica da indústria de defesa terrestre brasileira.

Uma das limitações históricas mais notórias do M-4 Sherman residia na estreiteza de suas lagartas, fator que frequentemente resultava em atolamentos em terrenos acidentados ou de baixa coesão, comuns no território brasileiro. Para mitigar essa deficiência, optou-se pela substituição do sistema de lagartas por um modelo de maior largura, associado à suspensão HVSS (Horizontal Volute Spring Suspension) — sistema mais moderno e eficiente, adotado nas últimas versões do M-4 produzidas nos Estados Unidos. Visando otimizar recursos, o Exército Brasileiro escolheu empregar conjuntos de suspensão provenientes dos veículos blindados de engenharia e socorro M-74, recentemente desativados, o que permitiu compatibilizar peças e manter a padronização logística. Paralelamente a essas iniciativas, tiveram início estudos voltados à modernização da frota de carros de combate médios M-41 e M-41A3 Walker Bulldog. Considerando-se que o M-41A3 representava uma versão mais moderna e tecnicamente superior, seus resultados operacionais mais consistentes tornaram-no candidato preferencial para futuras atualizações. Assim, o comando do Exército deliberou que, caso o programa de modernização dos M-4 Sherman fosse mantido, tais veículos deveriam ser reconvertidos para funções de apoio, uma vez que o conceito do M-4 como carro de combate principal já se encontrava tecnicamente superado. Essa proposta seria reavaliada no início da década de 1980, quando surgiu a possibilidade de conversão dos M-4 Sherman em viaturas especializadas, aptas a desempenhar funções de caça-minas, engenharia de combate ou apoio logístico, de forma a suprir lacunas existentes no inventário da força blindada. À época, o Exército Brasileiro dispunha de quantidade limitada de viaturas M-74 e M-578, o que reforçava a necessidade de desenvolver soluções nacionais de engenharia de campo. Nesse contexto, em maio de 1982, foi formalizada uma parceria entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a empresa Moto Peças S/A, sediada em São Paulo, com o propósito de desenvolver uma viatura blindada de engenharia baseada no chassi do M-4A1 Sherman. O projeto experimental resultou na criação da Viatura Blindada Especial de Engenharia M-4 de 30 toneladas (VBE-Eng M4-30t-Lag). Com o intuito de padronizar o conjunto motriz em relação a outros programas em curso, foi selecionado o motor a diesel Scania DI-11 Ex1, de seis cilindros e 500 cavalos de potência, o mesmo empregado na modernização dos M-41C Caxias, conduzida pela empresa Bernardini S/A Indústria e Comércio. Do ponto de vista estrutural, a nova viatura demandou profundas modificações no projeto original, especialmente devido ao reposicionamento do motor para o lado direito do casco, solução que viabilizou a inclusão de uma porta traseira — inovação significativa que facilitava o acesso e desembarque da tripulação. Em virtude das dimensões ampliadas do novo motor, tornou-se inviável a reutilização integral do chassi original do M-4 Sherman, o que levou ao desenvolvimento de uma carroceria completamente nova, construída em aço soldado e inspirada no veículo blindado de transporte de pessoal M-113 VBTP, porém em escala maior.
A nova viatura manteve a possibilidade de empregar as mesmas placas de blindagem soldadas da versão de origem, preservando as características de proteção balística do projeto base, ao mesmo tempo em que incorporava melhorias substanciais em mobilidade, ergonomia e versatilidade de emprego. Essa experiência consolidou-se como um divisor de águas na engenharia militar nacional, simbolizando o amadurecimento tecnológico do complexo industrial de defesa brasileiro e estabelecendo as bases conceituais para o desenvolvimento autônomo de veículos de apoio e engenharia blindados nas décadas seguintes. Na parte superior, foi instalado um guincho hidráulico com capacidade de 20 toneladas, além de uma grua hidráulica dotada de lança rebatível, capaz de içar até 10 toneladas. O veículo também foi equipado com uma lâmina frontal, a qual é intercambiável com um dispositivo de caça-minas. Esta configuração permitia o transporte de, além do condutor e do chefe do carro, uma guarnição composta por até cinco homens, todos totalmente equipados para a realização de missões de engenharia de combate. Para autodefesa, a viatura estava equipada com uma metralhadora Browning M2HB, calibre .50, e quatro lançadores de granadas fumígenas, de produção nacional. Conforme mencionado anteriormente, estava previsto o desenvolvimento de um novo sistema antiminas para ser acoplado na parte frontal do veículo, substituindo a lâmina de terraplanagem. Esse sistema consistia em duas pás dotadas de várias garras, destinadas a revolver o solo à frente do veículo, com a intenção de extrair minas do terreno. Contudo, durante os testes realizados, esse sistema mostrou-se ineficaz, uma vez que não era capaz de varrer minas enterradas em terrenos compactados, o que resultou em sua eventual descontinuidade. O projeto inicial e o contrato firmado com a Moto Peças S/A previam a construção de quinze unidades desse veículo; no entanto, obstáculos no andamento do projeto e limitações orçamentárias resultaram na produção de apenas um protótipo, que recebeu a matrícula EB3460224584, além de cinco unidades de produção. Após a entrega dos VBE-ENG-M4-30t-Lag, estes foram submetidos a um rigoroso programa de testes finais em campo, realizado nas instalações do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e do Centro de Tecnologia do Exército. Posteriormente, essas viaturas foram incorporadas a diversas unidades, como a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), o 5º Batalhão de Engenharia de Combate Leve, a 11ª Companhia de Engenharia de Combate Leve, o 7º Batalhão de Engenharia de Combate Leve e o 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, onde permaneceram em operação durante vários anos. No final da primeira década dos anos 2000, os quatro veículos blindados de engenharia VBE-ENG-M4-30t-Lag ainda registrados no inventário do Exército Brasileiro, embora não operacionais, estavam armazenados no 5º Batalhão de Engenharia de Combate Leve, na 11ª Companhia de Engenharia de Combate Leve e no 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado. Além destas, existe ainda uma unidade que oficialmente pertence ao acervo do Museu Militar de Conde de Linhares, localizado no Rio de Janeiro, atualmente armazenada no Parque Regional de Manutenção (Pq R Mnt/5), aguardando uma futura restauração para ser exposta no museu. Embora não tenham sido produzidos em larga escala, o projeto do VBE-ENG-M4-30t-Lag representou um importante avanço no processo de conversão e modernização de veículos blindados no Brasil.

Em Escala.
Para a representação do VBE-ENG-M-4 30 toneladas LAG , sob a matricula "EB 3460224898", decidimos utilizar como base o kit da Tamiya na escala 1/35. Aproveitamos, para tal, os componentes fundamentais, como suspensão, esteiras, bogies e casco, sendo que o restante da construção foi realizado em plasticard, no método conhecido como scratch build. Para a conversão, utilizamos desenhos e fotografias da época, o que pode resultar em um modelo em escala que  talvez não reproduza fielmente a estrutura do casco ou os detalhes complementares. Utilizamos também decalques elaborados pela Decal e presentes no conjunto "Forças Armadas do Brasil".
O esquema de cores (FS) delineado abaixo representa o segundo padrão de pintura camuflada em dois tons, utilizado em todos os veículos blindados de combate do Exército Brasileiro a partir de meados da década de 1980. Contudo, existe uma unidade desse modelo, localizada no 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, em Alegrete (RS), que foi preservada no padrão anterior de pintura, caracterizado por um acabamento em verde oliva total.
Bibliografia :
- Viatura Blindada Especial de Engenharia - Expedito Carlos S. Bastos - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/VBE.pdf
- M-4 Sherman no Brasil – Helio Higuchi e Paulo Roberto Bastos Jr
- Blindados No Brasil Volume I, por Expedito Carlos Stephani Bastos

VC-96 Boeing 737-2N3 Advanced

História e Desenvolvimento. 
A Boeing Airplane Company, fundada em 9 de maio de 1917 por William Edward Boeing, marcou o início de uma era de inovação na aviação americana. Sob a liderança de um visionário que já se destacava no setor aeronáutico desde o início da década de 1910, a empresa rapidamente se posicionou como um pilar da indústria, contribuindo tanto para o esforço militar quanto para o avanço da aviação civil.  Em 1916, William E. Boeing fundou a Pacific Aero Products Co. em Seattle, Washington, renomeada Boeing Airplane Company em julho do mesmo ano. Inicialmente, produzia hidroaviões como o B&W, utilizando madeira de aberto local. Com os Estados Unidos entrando na Primeira Guerra Mundial em abril de 1917, a jovem empresa identificou uma oportunidade estratégica ao reconhecer a necessidade da Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) de expandir sua frota de hidroaviões para treinamento de pilotos navais. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, um grande excedente de aviões militares usados, a preços acessíveis, inundou o mercado de aviação comercial, dificultando as vendas de novos modelos e acabaria por levar muitas empresas, incluindo a Boeing, a diversificar suas operações em buscas de faturamento. Neste momento a Boeing Airplane Company passou, então, a fabricar móveis e embarcações de fundo plano, denominadas Sea Sleds.  Nos anos 1920, lançou o Boeing B-1 (barco voador para correio) e o Model 40 para rotas aéreas. Em 1927, criou a Boeing Air Transport, que se fundiu em 1929 para formar a United Aircraft and Transport Corporation, incorporando empresas como Pratt & Whitney e Chance Vought. O Boeing 80, primeiro transporte de passageiros, voou em 1929. Em 1933 seria introduzido o Boeing 247 o primeiro avião comercial moderno, e o Boeing 314 Clipper em 1938 para rotas transoceânicas. A Lei de Correio Aéreo de 1934 forçou a separação em Boeing Airplane Company, United Airlines e United Aircraft Corporation, levando William Boeing a vender suas ações. Desenvolveu o Model 307 Stratoliner, o primeiro com cabine pressurizada. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Boeing desempenhou um papel crucial como uma das principais fornecedoras de aeronaves militares para os Estados Unidos, destacando-se na produção de bombardeiros pesados como os  B-17 Fortaleza Voadora e B-29 Super Fortaleza que foram fundamentais para o esforço de guerra dos Aliados. Após o término do conflito, o mercado de aviação civil de transporte entrou em efervescência devido ao grande excedente de aeronaves militares disponíveis no pós-guerra que seriam vendidas a preço simbólico a diversos empreendedores tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Este processo iria popularizar o transporte de passageiros em todo mundo. O avançar da tecnologia com o emprego levaria a criação do primeiro avião comercial em 1949, quando o protótipo do Havilland DH 106 Comet alçou voo no Hatfield Aerodrome na cidade de Hertfordshire, na Inglaterra. Este novo conceito de propulsão trazia melhor conforto aos passageiros tornando ainda as viagens mais curtas e prazerosas elevando assim a De Havilland a conquistar um amplo sucesso em vendas em um curto espaço de tempo.

A exemplo deste fabricante inglês, logo os renomados fabricantes norte-americanos Douglas Aircraft Company  e Convair Aircraft Company  iniciariam estudos para o desenvolvimento de aeronaves semelhantes ao jato britânico. Esta movimentação não passaria desapercebida aos olhos da diretoria da Boeing Aircraft Corporation, empresa está que neste período  nos Estados Unidos, era considerada de pouca expressão no mercado de aeronaves comerciais de passageiros, tendo imenso foco e sucesso no mercado militar, sendo neste momento responsável pelos famosos bombardeiros  a jato Boeing B-47 e B-52 (em operação até hoje). O despertar para este novo nicho de mercado levaria a empresa de Seattle, a canalizar seus recursos financeiros e esforços de sua equipe de projetos no segmento da aviação comercial, iniciando assim o desenvolvimento de uma nova aeronave que marcaria para sempre a história da aviação mundial. Como a empresa possuía o viés natural construído segmento militar, a ideia natural se baseava em desenvolver uma plataforma de uma aeronave a jato comum para ser empregado nos dois segmentos. Este projeto seria totalmente bancado com recursos da própria companhia, tendo como ponto de partida as linhas originais do Boeing 367 (KC-97), com as definições acertadas o próximo passo seria a produção dos primeiros protótipos que receberiam as designações de Boeing 367-80 ou Dash80. O primeiro voo da aeronave de testes com a matrícula N70700 alçaria voo propulsado por seus quatro motores a jato Pratt & Whitney JT3C (com 10.000 libras de empuxo cada), em 15 de julho de 1954, em Seattle no estado de Washington. As análises dos primeiros resultados do programa de ensaios em voo, se mostrariam muito promissores, concedendo a empresa a motivação para prosseguir com o desenvolvimento derivando para duas vertentes uma para o transporte civil com a designação de B707 e uma militar (como reabastecedor em voo e transporte de cargas) denominada como B717, que posteriormente receberia na Força Aérea dos Estados (USAF) a designação de KC-135E Stratotanker. No final de 1955, a Boeing concluiu a definição da versão civil do Boeing 707, obtendo a homologação da Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – FAA). Com a certificação assegurada, a empresa deu início ao planejamento comercial e de marketing para o lançamento internacional do modelo, marcando o início de uma nova era na aviação comercial. Em 13 de outubro de 1955, a Boeing celebrou seu primeiro grande contrato com a Pan American World Airways (Pan Am), envolvendo a aquisição de 20 aeronaves, com entregas previstas para o final do ano fiscal de 1958. Após o sucesso do Boeing 707, a empresa identificou a necessidade de um avião menor e mais versátil para voos regionais, que resultaria no programa B727, que futuramente se tornaria  o jato comercial mais vendido de sua época. Desta maneira a empresa se estabeleceria como a principal fabricante de aeronaves a jato do mundo, com seus modelos B707 e B727  atendendo as rotas de longa e média distância.
A empresa, entretanto, ficaria atrás na corrida por atender um mercado que parecia bastante promissor: a utilização de aeronaves a jato para rotas de curta distância. Assim em  1965, quando a empresa tomou a decisão de avançar com o projeto do Boeing 737, suas principais concorrentes a Douglas Aircraft Company, com o DC-9, e a British Aircraft Corporation, com o BAC 1-11 já haviam consolidado posições significativas. O DC-9 acumulava mais de 200 encomendas, enquanto o BAC 1-11, com cerca de 100 pedidos, já havia realizado o voo inaugural de seu protótipo em 1963. Além disso, aviões como o francês Sud Aviation SE-210 Caravelle, em operação desde 1959, e o britânico de Havilland Trident, introduzido em 1964, já atendiam rotas de baixa densidade, consolidando a presença de jatos regionais na Europa. A decisão de desenvolver o Boeing 737 não foi trivial. Internamente, a Boeing enfrentava intensos debates sobre a viabilidade de investir em um novo projeto, especialmente em um mercado já competitivo e que exigiria substanciais recursos financeiros e humanos. Naquela época, a empresa estava profundamente envolvida em outros programas ambiciosos, que incluíam o desenvolvimento do supersônico B2707 (cancelado em 1971 devido a questões econômicas e ambientais), a concorrência pelo contrato militar CX-HLS (que culminou na vitória da Lockheed com o C-5 Galaxy), o revolucionário Boeing B747, destinado a transformar voos de longo alcance, e a versão alongada do Boeing 727, conhecida como 727-200, lançada em 1967. Esses projetos, cada um com seu próprio peso estratégico, dividiam a atenção e os recursos da Boeing, tornando a decisão sobre o B737 um momento crítico. Dois membros do conselho de administração da Boeing emergiram como defensores fervorosos do projeto: Jack Steiner, engenheiro-chefe renomado por seu papel central no desenvolvimento do Boeing 727, e Crawford Greenewalt, ex-CEO da DuPont, cuja visão estratégica trouxe uma perspectiva externa valiosa. Steiner, conhecido como o "pai do B727", acreditava que o B737 poderia capturar o mercado de jatos regionais, servindo como um produto de entrada para atrair novos clientes, que futuramente poderiam adquirir modelos maiores, como o B707 ou o B747. Greenewalt, com sua experiência em liderar uma das maiores empresas químicas do mundo, reforçava essa visão, argumentando que a Boeing não podia se dar ao luxo de ceder espaço às concorrentes em um segmento tão promissor. Ambos viam no B737 uma oportunidade de consolidar a liderança da Boeing no mercado de aviação comercial, uma visão que se provaria acertada, dado o sucesso posterior do modelo. No entanto, a proposta enfrentou resistência significativa, liderada por ninguém menos que William M. Allen, o lendário presidente da Boeing. Desde 1945, Allen havia guiado a empresa por uma era de inovações, autorizando projetos icônicos como o Boeing 377 Stratocruiser, o bombardeiro B-52 Stratofortress, a família B707 - KC-135 e o próprio B727. Conhecido como "Bill Allen", ele era uma figura respeitada, cuja liderança moldou a Boeing como uma potência aeroespacial. Contudo, Allen expressava preocupações legítimas sobre o 737. 

Ele acreditava que a empresa já estava sobrecarregada com sua carteira de projetos e que entrar tardiamente no mercado de jatos regionais representava um risco elevado. A seu ver, o B737 enfrentaria dificuldades para competir com modelos já estabelecidos, como o DC-9 e o BAC 1-11, em um momento em que os recursos da Boeing estavam dispersos. Apesar das divergências, a visão estratégica de Steiner e Greenewalt prevaleceu. Em 1965, o conselho da Boeing aprovou o desenvolvimento do 737, com a Lufthansa como cliente lançadora, comprometendo-se com 21 encomendas. A decisão marcou o início de um dos programas mais bem-sucedidos da história da aviação, com o Boeing 737 tornando-se o jato comercial mais vendido de todos os tempos, superando 16.000 pedidos até 2025. O projeto, inicialmente concebido como um complemento ao 727, evoluiu para se tornar a espinha dorsal de companhias aéreas em todo o mundo, redefinindo a aviação regional e consolidando a Boeing como líder indiscutível no mercado de jatos narrow-body. Era o conceito de “família” de aeronaves. Neste sentido, Steiner advogava utilizar a mesma largura de fuselagem no B737, que teria então a capacidade de transportar passageiros em filas de 3+3 (ao invés da usual 2+3 dos DC-9/Caravelle/BAC 1-11). O problema de definir a localização dos motores no 737 foi resolvido por Joe Sutter, que depois ficou famosos como o engenheiro chefe responsável pelo programa 747. Embora os desenhos iniciais do B737 tivessem adotado a usual configuração de motores traseiros com cauda em T, quando Steiner definiu-se por utilizar a mesma largura de fuselagem do B707 e B727, a questão tomou nova dimensão. É que neste caso, como o avião tivesse a forma de “bola de futebol americano” – muito curto e largo – o bordo de fuga da asa ficaria muito próximo da entrada de ar dos motores, recebendo o fluxo turbulento da asa. Além disso, a fim de evitar o fluxo do arrasto parasita criado pela própria da fuselagem, os motores teriam de ficar bastante afastados da mesma de forma a não comprometer a ingestão do ar – o que exigira pylons maiores e mais pesados, trazendo indesejado aumento do peso do avião. Sutter achava que deveria haver outra solução mais “elegante”. Um dia em seu escritório ele pegou os desenhos do B737 com cauda em T, recortou os motores e começou a estudar a melhor posição para os mesmos. Intuitivamente ele pensou: “porque não colocar os motores novamente na asa, pendurados em pylons” (como no 707)? Essa solução, entretanto, trazia dois problemas: primeiramente os motores ficariam muito próximos da entrada de passageiros – considerando-se o cumprimento da fuselagem inicialmente estudada (menor ainda que a da primeira versão construída B737-100). Por outro lado, o trem de pouso teria de ser dotado de pernas bastante altas, a fim de possibilitar a instalação do conjunto motor/pylons e dar a necessária altura em relação ao chão. Num avião destinado a operar rotas de curta distância, que poderia efetuar de 6 a 8 voos por dia, sua altura elevada acarretaria um maior tempo de solo, com a retirada de escadas mais altas, carregadores de bagagem e caminhões de catering. 
Uma terceira e revolucionária configuração pareceu a melhor para Sutter: Instalar os motores bem abaixo das asas em uma carenagem “colada” ao seu introrso, sem o tradicional uso do pylon. Isso faria com que o B737 ficasse próximo ao chão, facilitando a manutenção dos motores e o carregamento de malas nos porões e deixando um fluxo corrente de ar nos motores. Antes, entretanto, de aprovar essa configuração Jack Steiner estabeleceu um “time vermelho” e um “time azul”, composto cada um por dois engenheiros, sendo o primeiro chefiado por ele mesmo e o segundo por Sutter. O primeiro time ficaria responsável por estudar as vantagens pela opção original de cauda em T e o segundo pela configuração desenvolvida por Sutter.  Ao final ficou claro que a segunda opção era a melhor, propiciando a utilização da parte traseira da fuselagem onde normalmente ficariam instalados os motores para levar mais passageiros. Assim, ao final de 1964 a configuração básica do B737 estava definida – faltava somente uma encomenda firme para lançar o projeto. Umas das primeiras empresas a despertar interesse no modelo foi a alemã Lufthansa, que almejava seu emprego em linhas regionais, e sugeriu ao fabricante que a capacidade ideal de transporte deveria ser da ordem de 100 passageiros. Desta maneira o projeto foi modificado para o atendimento desta demanda. O voo inaugural do protótipo do Boeing 737-100 ocorreu em 9 de abril de 1967 e veio a superar todas as expectativas, liberando assim sua produção em série imediatamente, sendo destinados a Lufthansa onde entrariam em operação já em 10 de abril de 1968. Com base nas necessidades de se ampliar o número de passageiros transportados, levaram ao desenvolvimento da variante 200, que teve sua fuselagem aumentada para o transporte de até 130 passageiros. O primeiro B737-200 efetuou seu voo inaugural em 8 de agosto de 1967, e esta nova versão obteve grande êxito no mercado civil, tendo sido comercializadas 1.114 unidades até o encerramento de sua produção em 1988. As séries 100 e 200 eram identificáveis pelas naceles tubulares de motor (turbofans Pratt and Whitney JT8D)  que eram integradas às asas, com projeções à frente do bordo de ataque e atrás do bordo de fuga, a partir da versão B737-300 , que teve seu primeiro voo em 28 de fevereiro de 1984 o design básico do modelo passou a incorporar as inovações tecnológicas aerodinâmicas, novas versões como 400 e 500 foram lançadas respectivamente em 1988 e 1989. O B737 continua em produção atualmente em sua nova variante agora denominada Next Generation 600, -700, -800 e 900, e sua produção total já ultrapassou a casa das 9.000 unidades entregues, que se encontram em emprego em 500 companhias áreas ao redor do mundo. o Boeing 737 é o jato de passageiros de maior sucesso no mundo.  O 737 consolidou a Boeing como líder em jatos narrow-body, apesar de altos e baixos, e segue como um pilar da aviação global, com atualizações planejadas para maior eficiência e sustentabilidade.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
Na década de 1950, o Brasil vivenciava um período de profundas transformações estruturais e institucionais, impulsionadas por um projeto nacional de desenvolvimento que buscava modernizar a infraestrutura e redefinir a organização do Estado. Nesse contexto, durante o governo do Juscelino Kubitschek, a Presidência da República determinou ao Ministério da Aeronáutica (MAer) a realização de estudos voltados à incorporação de uma nova aeronave destinada ao transporte presidencial, tanto em missões domésticas quanto internacionais. À época, o Grupo de Transporte Especial (GTE), sediado no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, operava os tradicionais Douglas VC-47. Derivados do consagrado Douglas DC-3, esses aviões haviam sido adaptados para o transporte de autoridades e cumpriam com eficiência a missão institucional de mobilidade governamental. Contudo, já apresentavam limitações tecnológicas frente às crescentes exigências operacionais. A iminente transferência da capital federal para Brasília, inaugurada em 1960, introduziu novos desafios logísticos. A localização da nova capital no Planalto Central demandava aeronaves mais rápidas, com maior autonomia e melhor desempenho, capazes de integrar eficientemente o centro político-administrativo às principais cidades do país. Após criteriosa análise das alternativas disponíveis no mercado internacional, o Ministério da Aeronáutica (Maer) optou pela aquisição do Vickers Viscount, um turboélice britânico amplamente reconhecido por sua confiabilidade, desempenho e nível de conforto. À época, o modelo representava um dos mais avançados em operação no transporte regional e já era empregado por diversas companhias aéreas ao redor do mundo. Em 1956, o governo brasileiro formalizou a aquisição de duas unidades, posteriormente designadas VC-91 na Força Aérea Brasileira (FAB). Essas aeronaves foram especialmente configuradas para o transporte executivo, incorporando aviônicos modernos e interiores adaptados às necessidades de autoridades governamentais. Durante mais de uma década, os VC-91 desempenharam com eficiência e distinção o transporte presidencial e de altas autoridades. Entretanto, a rápida evolução da aviação comercial ao longo da década de 1960  marcada pela introdução de aeronaves a jato  evidenciou a necessidade de uma nova modernização. Em 1967, o foram iniciados estudos para a aquisição de uma aeronave que atendesse a padrões mais elevados de velocidade, autonomia e conforto. Como resultado desse processo, foi selecionado o BAC One-Eleven (BAC 1-11), um jato britânico de curto e médio alcance amplamente utilizado por operadores comerciais, como a British European Airways. Duas aeronaves da série 400 foram adquiridas e adaptadas para missões de transporte VIP, recebendo a designação VC-92. Incorporados  no final da década de 1960, os VC-92 substituíram prontamente os VC-91, inaugurando uma nova fase no transporte de autoridades no Brasil. Com maior velocidade, alcance ampliado e níveis superiores de conforto, esses jatos passaram a desempenhar papel central na mobilidade do Presidente da República e de altos dignitários, refletindo a modernização do Estado brasileiro e sua crescente inserção no cenário internacional.

Durante a década de 1970, sob a administração do Ernesto Geisel (1974–1979), o Grupo de Transporte Especial (GTE) estabeleceu uma diretriz estratégica que redefiniu a política de aquisição de aeronaves destinadas ao transporte presidencial. Essa orientação determinava que os futuros vetores deveriam pertencer a famílias já amplamente empregadas por companhias aéreas comerciais brasileiras, como VARIG, VASP e Cruzeiro do Sul. Tal medida visava racionalizar custos operacionais e de manutenção, aproveitando a infraestrutura logística, técnica e de suprimentos já consolidada no país. Paralelamente, buscava-se uma aeronave com desempenho superior ao dos BAC One-Eleven VC-92, cujas limitações de alcance se tornavam evidentes em missões de maior distância, especialmente diante da crescente inserção internacional do Brasil. Nesse cenário, a Boeing Commercial Airplanes consolidava sua posição de liderança no mercado brasileiro, com modelos como o Boeing 727 e o Boeing 737 amplamente operados nas principais rotas domésticas e internacionais. Essa predominância exerceu influência decisiva no processo de escolha conduzido pelo Ministério da Aeronáutica (MAer). Como resultado, em meados de 1975, foi firmado contrato com a Boeing Aircraft Company para a aquisição de duas aeronaves do modelo Boeing 737-200 Advanced, designadas na Força Aérea Brasileira (FAB) como VC-96. A designação “2N3” indicava uma configuração específica desenvolvida para o governo brasileiro, refletindo adaptações voltadas ao transporte executivo de alta autoridade. O projeto interno dessas aeronaves foi concebido com elevado grau de sofisticação e funcionalidade, estruturando-se em diferentes ambientes integrados: Seção frontal: destinada à tripulação e ao corpo de apoio direto, incluindo ajudantes de ordens e assessores, além de uma galley completamente equipada, garantindo autonomia em voos de longa duração. Área central (sala de reuniões): concebida como um espaço de trabalho, permitia ao Presidente da República conduzir reuniões, despachar documentos e manter a continuidade das atividades governamentais durante o voo. Suíte presidencial: contígua à área de trabalho, oferecia acomodações privativas, incluindo leito e instalações sanitárias exclusivas, assegurando conforto e discrição. Seção traseira: equipada com 36 assentos destinados à comitiva presidencial, incluindo ministros, assessores e demais integrantes da administração federal. Além da configuração interna, as aeronaves incorporavam soluções operacionais relevantes, como escadas embutidas, permitindo operações independentes em aeródromos com infraestrutura limitada  uma característica particularmente importante em um país de dimensões continentais como o Brasil. Dessa forma, a introdução dos VC-96 representou não apenas um avanço tecnológico, mas também a consolidação de uma doutrina moderna de transporte presidencial, alinhada às necessidades logísticas, políticas e estratégicas do Estado brasileiro na segunda metade do século XX. A produção das duas células VC-96 foi concluída nas instalações da Boeing em Seattle, Washington. 
A primeira aeronave do novo padrão presidencial, o Boeing 737-200 Advanced VC-96, registrada como FAB 2115, realizou seu voo inaugural em 5 de março de 1976, sob a supervisão de engenheiros do fabricante e representantes da Força Aérea Brasileira (FAB). A segunda unidade, FAB 2116, efetuou seu primeiro voo em 19 de agosto do mesmo ano. Ambas foram submetidas a um rigoroso processo de inspeções técnicas e aceitação, assegurando total conformidade com os requisitos operacionais e de segurança estabelecidos pela instituição. Concluídas essas etapas, as aeronaves foram preparadas para o traslado ao Brasil. Em 8 de setembro de 1976, a FAB 2115 pousou na Base Aérea de Brasília, sendo imediatamente incorporada ao 1º Esquadrão do Grupo de Transporte Especial (GTE). A chegada da FAB 2116 consolidou o processo de modernização da frota presidencial, ampliando significativamente a capacidade do grupo em cumprir sua missão institucional de assegurar a mobilidade das mais altas autoridades do país. Essas aeronaves representaram um avanço expressivo em relação aos BAC One-Eleven VC-92 que substituíram, oferecendo maior velocidade, autonomia e níveis superiores de conforto. Inicialmente, foram empregadas em missões no território nacional e em rotas regionais na América Latina, atendendo às demandas de deslocamento do Presidente da República e de sua comitiva. Com uma autonomia aproximada de 4.000 km, mostravam-se plenamente adequadas para conectar Brasília às principais capitais brasileiras e a destinos no entorno regional. A partir da década de 1980, contudo, com a ampliação da agenda diplomática e a crescente projeção internacional do Brasil, os VC-96 passaram a desempenhar missões intercontinentais. Nessas operações, tornava-se necessária a realização de escalas técnicas para reabastecimento, dadas as limitações naturais de alcance da aeronave. Para mitigar riscos e assegurar a continuidade das agendas presidenciais, o Grupo de Transporte Especial (GTE) adotou como procedimento padrão o emprego simultâneo das duas aeronaves em missões internacionais. Essa estratégia garantia redundância operacional, permitindo que uma aeronave atuasse como suporte em caso de eventual indisponibilidade da principal, reforçando os níveis de segurança e confiabilidade das missões. Um exemplo emblemático dessa capacidade ocorreu em 2003, durante o governo do Luiz Inácio Lula da Silva, quando um dos VC-96 foi empregado em uma extensa missão ao Oriente Médio e ao Norte da África. Entre 5 e 15 de dezembro, a aeronave realizou escalas nas Ilhas Canárias, Marrocos, Líbia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Síria, Líbano e Tunísia. Essa operação evidenciou não apenas a versatilidade do VC-96, mas também a capacidade do Grupo de Transporte Especial (GTE) em planejar e executar missões complexas em múltiplos teatros geográficos, consolidando o papel da aviação presidencial como instrumento de projeção diplomática do Estado brasileiro.

O ápice das operações de longo alcance foi registrado entre 22 e 29 de maio de 2005, quando os VC-96 realizaram uma viagem ao Japão, totalizando 54 horas de voo. Essa missão, que incluiu escalas técnicas para reabastecimento, demonstrou a robustez das aeronaves e a competência da Força Aérea Brasileira (FAB) em planejar e executar deslocamentos globais de alto nível. A escolha do Boeing 737 para essas operações refletia não apenas a confiança na plataforma, mas também sua compatibilidade com a infraestrutura de manutenção disponível em diversos aeroportos ao redor do mundo, resultado da ampla adoção do modelo por companhias aéreas comerciais. Para atender às crescentes exigências de segurança e eficiência em voos internacionais, as duas células VC-96 passaram por uma significativa modernização em 1997. Esse processo, conduzido pela empresa norte-americana Associated Air Center, em Dallas, Texas, visava atualizar os sistemas de navegação e segurança das aeronaves, garantindo conformidade com os padrões internacionais de aviação da época. Entre as melhorias implementadas, destacam-se: Sistema de Gerenciamento de Voo (FMS, Flight Management System): Um conjunto avançado de computadores de bordo que otimizava a navegação, permitindo maior precisão no planejamento de rotas e economia de combustível. Sistema de Prevenção de Colisão em Voo (TCAS, Traffic Collision Avoidance System): Equipamento essencial para detectar e evitar conflitos com outras aeronaves, elevando os padrões de segurança em espaço aéreo congestionado. Além das atualizações em aviônica, o processo incluiu um retrofit estrutural completo, reforçando a integridade da fuselagem para prolongar a vida útil das aeronaves, e uma renovação total do interior, garantindo maior conforto e funcionalidade para o Presidente e sua comitiva. A suíte presidencial, a sala de reuniões e a área de passageiros foram modernizadas, mantendo o padrão VIP exigido para missões oficiais. Essa modernização reflete o compromisso da Força Aérea Brasileira (FAB) em manter o Grupo de Transporte Especial (GTE)equipado com tecnologia de ponta, assegurando que as aeronaves VC-96 continuassem a desempenhar sua missão de “conduzir os que conduzem o Brasil” com segurança, eficiência e representatividade. A capacidade das aeronaves de operar em qualquer ponto do planeta, aliada à sua configuração customizada e ao suporte logístico do Grupo de Transporte Especial (GTE), consolidou o Boeing 737 VC-96 como um pilar fundamental do transporte presidencial brasileiro, projetando a imagem do Brasil no cenário internacional durante um período de crescente protagonismo diplomático.
Ao longo de trinta e quatro anos, as aeronaves Boeing VC-96, popularmente apelidadas de “Sucatinhas” devido à associação com o Boeing KC-137E presidencial, que por vezes apresentava problemas técnicos, prestaram serviço exemplar ao transporte oficial de sete presidentes da República do Brasil: Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Essas aeronaves, operadas pela Força Aérea Brasileira (FAB), tornaram-se símbolo de confiabilidade e versatilidade, apesar do apelido pejorativo, que não refletia sua real condição operacional. Durante sua trajetória, os Boeing VC-96 desempenharam um papel significativo em missões diplomáticas, transportando não apenas autoridades brasileiras, mas também visitantes ilustres em ocasiões especiais. Um dos momentos mais marcantes de sua história ocorreu em 1980, quando o Boeing VC-96 foi utilizado para transportar o Papa João Paulo II durante sua histórica visita ao Brasil. Naquela ocasião, o pontífice percorreu onze cidades em diferentes regiões do país, em uma viagem que marcou a memória nacional. Quando chefes de Estado ou comitivas estrangeiras visitavam o Brasil sem dispor de aeronaves próprias, era prática comum o governo brasileiro disponibilizar os VC-96, reforçando o compromisso do país com a hospitalidade e a cooperação internacional. Contrariando o estigma do apelido “Sucatinhas”, os Boeing VC-96 jamais registraram incidentes significativos durante o transporte de autoridades, acumulando juntos mais de cinquenta mil horas de voo ao longo de suas carreiras. O Boeing VC-96 FAB 2115 completou 26.356 horas de voo e 20.120 pousos, enquanto o Boeing VC-96 FAB 2116 alcançou 27.105 horas e 20.586 pousos. A decisão de desativá-los não se deveu ao desgaste das aeronaves, que se mantinham em bom estado de conservação, mas à sua idade avançada, que tornava desaconselhável sua continuidade em missões de transporte de autoridades (VIP – Very Important Person) sob os padrões modernos de segurança e eficiência. A aposentadoria oficial dos Boeing VC-96 ocorreu em abril de 2010, em uma solenidade realizada nos hangares do Grupo de Transporte Especial (GTE), na Base Aérea de Brasília. Na ocasião, as aeronaves foram substituídas pelos modernos Embraer E-190 VC-2, que passaram a assumir as funções de transporte presidencial e oficial. Após a desativação, as duas unidades tiveram destinos distintos. O Boeing VC-96 FAB 2116 realizou seu último voo em 4 de novembro de 2011, sendo transferido para o Museu Aeroespacial (MUSAL), localizado no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, onde foi preservado como parte do acervo histórico da aviação brasileira. Já o Boeing VC-96 FAB 2115 foi inicialmente armazenado na Base Aérea de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo. Em 2016, a aeronave foi adquirida por uma empresa privada, desmontada e transportada para Foz do Iguaçu, no Paraná, onde foi restaurada e remontada para exposição no portão do Parque Nacional do Iguaçu, transformando-se em um marco histórico e turístico da região.

Em Escala.
Para representarmos o Boeing VC-96 "FAB 2116 “fizemos uso do antigo e raríssimo kit da Aurora na escala 1/72 , modelo este que era a única opção injetada no momento da montagem. Atualmente existem kits injetados nesta escala como os produzidos pela Big Plane Kits.  Para se  configurar a versão nacional B737-2N3 Advanced, (Model 200)  é necessário proceder uma série de alterações em scratch (principalmente nas turbinas). Empregamos decais confeccionados pela FCM Decals, produzido para o kit em resina produzido pela Charlenger Modelismo.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o segundo padrão de pintura empregado em todas as aeronaves do Grupo de Transporte Especial (GTE), adotado no final da década de 1990, que veio a substituir o esquema original em que as aeronaves Boeing VC-96  foram recebidas no ano de  1976.
Bibliografia :
- O Boeing 737 e a História de seu Nascimento – Marcelo Magalhães
- Aeronaves Presidenciais a Jato – A. Camazano Alamino – Revista Asas Edição 94
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aviação Militar Brasileira 1916 / 1984 - Francisco C. Pereira Netto

UH-1H Bell Model 205 Huey

História e Desenvolvimento. 
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) não apenas impulsionou avanços significativos em armamentos convencionais, como também desempenhou papel decisivo no surgimento da aviação de asas rotativas para fins militares. Embora o emprego de helicópteros nesse conflito tenha sido ainda limitado  em razão da relativa imaturidade tecnológica e das prioridades industriais voltadas à produção em massa de aeronaves já consolidadas, os primeiros modelos desenvolvidos nesse período estabeleceram as bases para a revolução que se consolidaria no pós-guerra. Nesse contexto, a Alemanha Nazista destacou-se por conduzir as primeiras experiências práticas com o uso militar de helicópteros, explorando conceitos inovadores ainda em estágio embrionário. Paralelamente, do lado dos Aliados, o desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas ganhou impulso sobretudo nos estágios finais do conflito, quando os avanços tecnológicos começaram a tornar viável sua aplicação operacional. Um marco fundamental nesse processo foi o desenvolvimento do R-4, projetado pela Sikorsky Aircraft Corporation. Considerado o primeiro helicóptero verdadeiramente funcional empregado em operações militares, o R-4 foi introduzido em serviço ativo nos últimos meses da guerra. Em junho de 1945, a aeronave foi destacada para o teatro de operações do Pacífico, onde, mesmo em um período relativamente curto de emprego, demonstrou de forma inequívoca o potencial transformador dos helicópteros. Sua capacidade de executar missões de resgate, transporte e reconhecimento inaugurou novas possibilidades táticas e operacionais para a aviação militar. Simultaneamente, outros fabricantes norte-americanos passaram a investir nesse promissor segmento tecnológico. Entre eles, destacou-se a Bell Aircraft Company, que, antecipando o potencial de mercado, estabeleceu em Fort Worth, no estado do Texas, uma unidade dedicada ao desenvolvimento e produção de helicópteros. Sob a liderança do engenheiro aeronáutico Arthur Young, a empresa iniciou o desenvolvimento de um projeto inovador de aeronave leve de asas rotativas. Esses esforços culminaram no Model 30, que, após um extenso programa de ensaios e testes, evoluiu para o Model 47. Este último realizou seu voo inaugural em 8 de junho de 1945, tornando-se rapidamente um dos helicópteros mais bem-sucedidos de sua geração. Suas versões militares, como o  OH-13, foram incorporadas às forças armadas norte-americanas já no final da década de 1940. Dotado de capacidade para transportar um piloto e até dois passageiros, aliado a uma notável confiabilidade mecânica, o Model 47 conquistou ampla aceitação tanto no meio civil quanto governamental. Durante a década seguinte, a Bell consolidou expressivo sucesso comercial com o modelo, cuja produção ultrapassou a marca de cinco mil unidades. Esse êxito foi amplamente reforçado durante a Guerra da Coreia (1950–1953), quando o helicóptero passou a ser empregado em larga escala em missões de ligação, observação e, sobretudo, evacuação aeromédica. Nesse último papel, destacou-se pela capacidade de transportar rapidamente feridos da linha de frente para unidades médicas de campanha, consolidando o conceito de MEDEVAC (Medical Evacuation) e evidenciando, de forma definitiva, o valor operacional dos helicópteros no ambiente de combate.

Em 1952, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) identificou a necessidade de desenvolver um novo helicóptero dedicado a missões de evacuação aeromédica, com o objetivo de superar as limitações apresentadas pelos primeiros modelos então em operação. Entre os principais requisitos estabelecidos, destacava-se a adoção de um sistema de propulsão baseado em turbina, substituindo os motores a pistão utilizados em aeronaves como o  H-13 e os helicópteros de médio porte, a exemplo do UH-34. Em novembro de 1953, os parâmetros do projeto foram revisados, resultando no lançamento de uma concorrência nacional que atraiu propostas técnicas e comerciais de cerca de vinte fabricantes. Após um criterioso processo de avaliação comparativa, dois projetos foram selecionados como finalistas, sendo então contemplados com recursos governamentais para a construção de protótipos. Nesse contexto, a Bell Helicopter Company desenvolveu o modelo que viria a ser conhecido como Model 204. Seu protótipo, designado XH-40, realizou seu primeiro voo em 20 de outubro de 1956. A aeronave incorporava soluções inovadoras para a época, como o rotor principal bipá semirrígido e a utilização de um motor turboeixo Lycoming T53-L1, com potência de aproximadamente 700 shp, características que lhe conferiam desempenho superior em comparação aos helicópteros convencionais então disponíveis. Paralelamente, foi conduzido um programa comparativo envolvendo o modelo da Bell e o Kaman H-43, com o objetivo de avaliar seu desempenho operacional e adequação aos requisitos estabelecidos. Ao final desse processo, em 23 de fevereiro de 1955, o projeto da Bell foi declarado vencedor. A aeronave passou então a ser designada XH-40 pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e XHU-1 pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Em seguida, foi firmado um contrato inicial para a construção de 03 protótipos, destinados a um programa ampliado de desenvolvimento e testes. Os resultados obtidos durante essa fase mostraram-se altamente satisfatórios, levando à encomenda de mais três aeronaves de pré-série, incorporando melhorias significativas e aperfeiçoamentos estruturais e de sistemas. Essas unidades foram entregues e avaliadas entre 1957 e 1959. O sucesso do programa culminou, em março de 1960, na assinatura do primeiro contrato de produção em série com o Exército dos Estados Unidos. O modelo recebeu a designação militar HU-1A e o nome “Iroquois”, em referência às tribos indígenas do nordeste da América do Norte. Com o tempo, contudo, a aeronave passaria a ser amplamente conhecida pelo apelido “Huey”, derivado de sua designação original. As primeiras unidades de produção começaram a ser entregues em janeiro de 1961 a diversas unidades de aviação do Exército, marcando o início do processo de substituição de modelos anteriores, como o  UH-34 e o H-19D. Assim, o HU-1A Iroquois inaugurava uma nova geração de helicópteros utilitários, estabelecendo um padrão que influenciaria profundamente o emprego de aeronaves de asas rotativas em conflitos nas décadas seguintes.
As versões especializadas na missão de evacuação aeromédica designadas SHU-1A  foram inicialmente alocadas a unidades de elite do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), incluindo a 101ª Divisão Aerotransportada, a 82ª Divisão Aerotransportada e o 57º Destacamento Médico. Essas aeronaves desempenhariam um papel crucial no desenvolvimento da doutrina moderna de evacuação em combate, ao possibilitar a remoção rápida de feridos diretamente da linha de frente para instalações médicas avançadas. O primeiro emprego em um cenário real de conflito ocorreu em meados de 1964, durante as fases iniciais do envolvimento norte-americano na Guerra do Vietnã. A experiência acumulada nesse ambiente revelou, contudo, limitações importantes, especialmente no que se refere à sua potência disponível, considerada insuficiente para atender plenamente às exigências do teatro de operações, caracterizado por altas temperaturas, elevada umidade e terrenos desafiadores. Com o objetivo de superar essas restrições, foi introduzido um motor mais potente, o Lycoming T53-L-5, com 960 shp. Essa modificação deu origem à versão UH-1B, que incorporava não apenas melhorias no desempenho, mas também um aumento nas dimensões da fuselagem, permitindo ampliar sua capacidade de transporte para até sete soldados completamente equipados ou quatro macas acompanhadas por um médico. A primeira unidade de produção dessa versão foi entregue em março de 1965, sendo igualmente implementado um programa de atualização que elevou diversas células anteriores ao novo padrão. Apesar dos avanços alcançados, o processo de aperfeiçoamento da aeronave prosseguiu de forma contínua. Ainda no segundo semestre de 1965, o corpo técnico da aviação do exército apresentou ao fabricante uma série de recomendações, muitas delas decorrentes de deficiências aerodinâmicas identificadas, sobretudo nas versões adaptadas como plataformas de armas. Nesse contexto, o grupo propulsor voltou a ser objeto de aprimoramento, com a adoção do motor Lycoming T53-L-11, com 1.100 shp de potência. Paralelamente, foram introduzidas modificações estruturais significativas, incluindo um novo desenho da seção de cauda, dotado de estabilizador redesenhado, destinado a melhorar a estabilidade e a eficiência aerodinâmica, especialmente em condições de voo com elevada carga de armamentos. O aumento da potência e a adoção de um rotor de maior diâmetro exigiram ainda o desenvolvimento de uma nova lança traseira, incorporando uma aleta vertical de maior corda no pilão do rotor de cauda, bem como superfícies horizontais ampliadas e sincronizadas. Essas alterações resultaram na versão UH-1C, que apresentava desempenho superior em termos de velocidade de cruzeiro, manobrabilidade e capacidade de carga. O novo sistema de rotor contribuiu para reduzir a incidência do fenômeno de estol da pá em retirada durante manobras de alta demanda, especialmente em mergulhos, além de proporcionar maior estabilidade e controle em voo. Além das novas encomendas, o fabricante foi contemplado com contratos adicionais para a modernização de aeronaves UH-1B já existentes, elevando-as ao padrão UH-1C.

Apesar da satisfação com os resultados operacionais alcançados pelas versões iniciais do Huey, os militares norte-americanos passaram a demandar uma aeronave com maior capacidade de transporte de tropas, em consonância com a evolução das doutrinas de mobilidade aérea que se consolidavam no contexto da Guerra do Vietnã. Em resposta o fabricante optou por promover uma ampliação significativa da fuselagem da versão anterior, estendendo-a em aproximadamente 104 cm. Essa modificação estrutural foi acompanhada pela adoção de portas laterais deslizantes de maiores dimensões, dotadas de duas janelas, o que facilitava o embarque e desembarque rápido de tropas. Como resultado, passou a oferecer capacidade para até 15 ocupantes, entre tripulantes e soldados equipados. O protótipo agora designado UH-1D, realizou seu voo inaugural em 16 de agosto de 1965. Em seguida, foi submetido a um abrangente programa de ensaios em voo, cujos resultados confirmaram sua adequação operacional e viabilizaram sua entrada em produção seriada. Ainda em dezembro daquele ano, foi celebrado um contrato inicial para a fabricação de 200 unidades, com as primeiras entregas ocorrendo a partir de março de 1966, destinadas às principais unidades de aviação do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). Posteriormente, o modelo também seria incorporado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e pelo Corpo de Fuzileiros Navais (U.S. Marine Corps), ampliando seu espectro de emprego. A partir de meados de 1967, o UH-1D passou a ser empregado em larga escala no conflito do Vietnã, com mais de três mil aeronaves destacadas para o teatro de operações, incluindo unidades operadas pela Força Aérea do Vietnã do Sul (VNAF). A experiência adquirida nesse cenário contribuiu decisivamente para a consolidação de uma nova doutrina de emprego de aeronaves de asas rotativas, abrangendo uma ampla gama de missões, como evacuação aeromédica (MEDEVAC), busca e salvamento (SAR), assalto aéreo, transporte de tropas, apoio aéreo aproximado, comando e controle, além de transporte logístico. Entretanto, foi sobretudo como plataforma de ataque e apoio aproximado que o UH-1D se notabilizou, desempenhando um papel central na introdução e difusão desse conceito no campo de batalha moderno. Para tal, a aeronave passou a ser equipada com um variado conjunto de armamentos, incluindo metralhadoras laterais M-60D, instaladas nas portas, metralhadoras frontais montadas em casulos M-59, canhões de 20 mm, lançadores de foguetes não guiados de 70 mm ou 40 mm, além de sistemas de mísseis ar terra guiados por fio, como os modelos M-11 e M-22. Nessa configuração, os helicópteros eram empregados, sobretudo, em missões de escolta armada, abrindo caminho e protegendo o desembarque de tropas aerotransportadas em zonas hostis. Esse perfil operacional acabaria por imortalizar o Huey no imaginário coletivo, sendo amplamente retratado em produções cinematográficas e televisivas nas décadas seguintes, tornando-se um dos símbolos mais emblemáticos da Guerra do Vietnã. 
Apesar de sua extensa lista de qualidades e dos expressivos êxitos operacionais, o UH-1D ainda apresentava limitações relacionadas à potência disponível, fator que continuava a impactar seu desempenho, especialmente em condições ambientais adversas e em missões que exigiam elevada carga útil.  Novamente estudos seriam conduzidos pela equipe de engenharia, resultando na adoção do novo modelo um novo modelo de motor, o  Lycoming T53-L-13 (LTC1K-4) que passava a oferecer 1.400 shp de potência ao helicóptero. Neste mesmo processo, o tubo de pitot seria transferido do nariz da aeronave para o teto da cabine, no intuito de se evitar danos durante as operações de pouso em terrenos de difícil acesso.  Estas mudanças gerariam uma nova versão, que passaria a ser designada como UH-1H, que além de apresentar maior potência, passava a dispor maior capacidade de transporte de carga útil. Neste momento a existência de muitas células da versão do UH-1D em carga nas forças armadas norte-americanas, seria criado um programa de modernização elevando assim todas as aeronaves para o modelo UH-1H.  Até o ano de 1987, seriam produzidas mais de 16.000 células dispostas desta família de aeronaves, dispostas em várias versões, incluindo aeronaves montadas sob licença pelas empresas italiana Augusta Spa., alemã Dornier Flugzeugwerke e japonea Fuji Heavy Co. Apesar da excelente e longa folha de serviços, em meados da década de 1970 seria lançado pelo comando do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), o programa “Sistema de Aeronave de Tático Utilitário e Transporte UTTAS”, que visava desenvolver um substituto, que culminaria na criação do projeto Sikorsky S-70A . Estes novos helicópteros passariam a ser entregues na primeira metade da década de 1980, gerando assim uma grande quantidade de aeronaves excedentes do modelo Bell UH-1H, que passariam a ser disponibilizadas em programa de ajuda militar a diversos países como Argentina, Brasil, Alemanha, El Salvador, Israel, Líbano, Nova Zelândia, Filipinas, Rodésia, Espanha, Portugal e Yemen. Já no início do ano de 1989, o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), daria início ao processo de retirada destas aeronaves das unidades de primeira linha, transferindo cerca de setecentas células para o emprego em tarefas de treinamento. Com os Bel UH-1H se mantendo em operação neste escopo de missão até o início do ano de 2005, quando foram substituídos pelos Eurocopeter UH-72 Lakota.  Junto a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) o modelo se manteria em operação até meados do ano de 2016 sendo totalmente substituídos pelos novos  UH-60L Blackhawk. Atualmente somente o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC), mantém em operação, algumas centenas de células da versão UH-1N. Muitas aeronaves do modelo UH-1H ainda se encontram em operação ao redor do mundo, porém dificilmente deverão estar se manter em uso ainda nos primeiros anos da década de 2030

Emprego na Força Aérea Brasileira.
A introdução das aeronaves de asas rotativas na o pais remonta a março de 1952, quando foi celebrado o primeiro contrato com a Bell Helicopter Company, visando à aquisição de 04 unidades do modelo Bell 47D-1 (designadas H-13D). À época, tratava-se da versão mais moderna e tecnologicamente avançada do célebre helicóptero leve norte-americano, amplamente reconhecido por sua versatilidade e confiabilidade. A incorporação desses aparelhos marcou o início de uma nova era na aviação nacional, inserindo o Brasil no seleto grupo de países que, no pós-Segunda Guerra Mundial, começaram a empregar helicópteros de forma sistemática em missões militares. Embora constituíssem uma frota modesta em termos quantitativos, os Bell 47D-1 foram empregados em diversas funções, incluindo missões de ligação, transporte especial (VIP) e operações de busca e salvamento (SAR – Search and Rescue). Nesse último campo, as aeronaves brasileiras se destacavam por estarem equipadas com kits especiais de flutuação, permitindo sua atuação também em ambientes marítimos. Essa capacidade anfíbia representou um marco doutrinário, pois lançou as bases para o desenvolvimento posterior de uma doutrina integrada de busca e salvamento em múltiplos ambientes  terrestre, marítimo e aéreo  dentro da estrutura da Força Aérea Brasileira (FAB). A relevância dessas iniciativas estava diretamente relacionada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Desde 1944, o país figurava entre os signatários da Convenção sobre Aviação Civil Internacional (Convenção de Chicago), cujos dispositivos determinavam que os Estados contratantes deveriam dispor de infraestruturas adequadas de busca e salvamento (SAR), capazes de garantir a segurança de voo em suas respectivas áreas de responsabilidade, tanto continentais quanto oceânicas. Com o objetivo de atender a essas obrigações, o Ministério da Aeronáutica (MAer) instituiu oficialmente, em 16 de novembro de 1950, o Serviço de Busca e Salvamento (SAR). Para dotar o novo serviço de meios adequados, foram incorporadas aeronaves de longo alcance e ampla autonomia, como os quadrimotores Boeing SB-17G e os anfíbios bimotores Consolidated PBY-5A Catalina, aeronaves que já gozavam de reputação consolidada em missões de patrulha marítima e salvamento aéreo-naval durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar do notável desempenho desses vetores, verificou-se ainda uma lacuna operacional: a ausência de aeronaves de as asas rotativas, capazes de prover resposta rápida e precisão em áreas restritas ou de difícil acesso, características indispensáveis ao sucesso das missões SAR. Essa necessidade resultou, em 1958, na incorporação de 04 helicópteros Sikorsky H-19D, que passaram a substituir progressivamente os limitados Bell 47D-1 nas missões de busca e salvamento. Paralelamente,  em 6 de dezembro de 1957, foi ativada a primeira unidade aérea  dedicada exclusivamente às operações busca e salvamento, o 2º/10º Grupo de Aviação – Esquadrão Pelicano. A introdução dos H-19D representou um salto qualitativo significativo, pois proporcionou maior capacidade de carga, alcance ampliado e condições superiores de operação em ambientes adversos.

Apesar de operar com maestria nos anos seguintes, o natural desgaste progressivo dos helicópteros Sikorsky H-19D, empregados intensivamente em missões de busca e salvamento (SAR – Search and Rescue), tornava urgente a obtenção de um novo vetor capaz de atender às demandas operacionais emergentes. Tornava-se necessário, em curto prazo, dispor de uma aeronave moderna, dotada de maior autonomia, potência e versatilidade, capaz de operar tanto em missões de salvamento quanto em apoio tático e transporte. Paralelamente, o Ministério da Aeronáutica (MAer) buscava estabelecer uma doutrina mais ampla para o emprego de helicópteros em suas diversas vertentes operacionais. As experiências acumuladas até então evidenciavam o valor estratégico das aeronaves de asas rotativas em funções de ligação, evacuação médica, transporte de pessoal e apoio às forças de superfície. Nesse contexto, tornou-se natural a busca por um modelo capaz de unificar, em uma única plataforma, múltiplas funções operacionais. Tal diretriz visava não apenas à otimização de custos e à padronização logística, mas também à consolidação do helicóptero como vetor essencial nas operações da Força Aérea Brasileira (FAB). Assim, em meados da década de 1960, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) iniciou um processo de avaliação internacional com o objetivo de selecionar uma aeronave de médio porte equipada com motores turboeixo  tecnologia de ponta à época , apta a cumprir missões de transporte, ligação, ataque e busca e salvamento. Diversos fabricantes apresentaram propostas, destacando-se a da Bell Helicopter Company com o modelo Bell UH-1D Iroquois. Após intensas tratativas diplomáticas e técnicas, o contrato foi formalizado em maio de 1965, prevendo a aquisição de seis aeronaves novas de fábrica, configuradas especificamente para missões de busca e salvamento (SAR) e evacuação aeromédica (MEDEVAC). Essas aeronaves foram designadas SH-1D e receberam as matrículas "FAB 8530 a FAB 8535", sendo destinadas ao 2º/10º Grupo de Aviação – Esquadrão Pelicano, unidade tradicionalmente responsável pelas operações de resgate. Diante dos resultados operacionais altamente satisfatórios obtidos com o novo vetor, o Ministério da Aeronáutica deliberou, em 1970, pela ampliação da frota, com a aquisição de oito novas células do mesmo modelo (FAB 8536 a FAB 8542), destinadas aos recém-ativados 4º e 5º Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA). Inicialmente, essas aeronaves foram empregadas em missões de transporte, ligação e reconhecimento, estabelecendo as bases da doutrina de emprego do “Huey” no Brasil. Contudo, o perfil tático do Bell UH-1D Iroquois passaria a se consolidar a partir de 1972, quando as equipagens iniciaram programas específicos de adestramento voltados ao seu emprego como plataforma armada, apta a cumprir missões de ataque e apoio aproximado. A versatilidade do modelo também se estendeu às operações de Combat Search and Rescue (C-SAR), evidenciando sua elevada capacidade de adaptação e consolidando o “Huey” como um dos helicópteros mais emblemáticos da história da aviação militar brasileira.
As experiências acumuladas pela Força Aérea Brasileira (FAB) ao longo da década de 1970 confirmaram o valor estratégico das aeronaves de asas rotativas, particularmente em missões de caráter tático e de apoio às forças terrestres. O desempenho notável dos helicópteros Bell UH-1D Iroquois (equipados com metralhadoras  M-60 de calibre 7,62 mm, instaladas tanto em montagens laterais quanto frontais, além de lançadores de foguetes não guiados de 2,75 polegadas) em operações de contra-insurgência (Counter-Insurgency – COIN), como as conduzidas contra   forças armadas militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante o que seria denominado como "Guerrilha do Araguaia" na região centro-oeste , evidenciou de forma inequívoca a importância desse vetor para o êxito das ações de mobilidade e apoio aéreo em ambientes hostis. A eficácia demonstrada nessas operações levou o Comando da Aeronáutica a promover uma nova ampliação da frota de helicópteros utilitários, com o objetivo de consolidar a capacidade operacional em missões de transporte, ligação, evacuação aeromédica e ataque leve. Nesse contexto, no início de 1973, foi concretizada a aquisição de vinte e quatro células usadas do modelo Bell UH-1H Iroquois, provenientes dos estoques da aviação do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), no âmbito de programas norte-americanos de assistência militar vigente à época. Embora se tratassem de aeronaves de segunda mão, as unidades adquiridas encontravam-se em excelente estado de conservação, tendo sido submetidas a criteriosos processos de revisão antes de sua entrega. A distribuição dessas aeronaves contemplou quatro unidades recém estruturadas denominadas como Esquadrões Esquadrão Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), sendo em designados como:  1º EMRA – Esquadrão Falcão, o 2º EMRA – Esquadrão Poti, o 3º EMRA – Esquadrão Polivalente e por fim o 4º EMRA – Esquadrão Dragão. Essa expansão representou um passo decisivo na consolidação da doutrina de emprego de asas rotativas  permitindo maior capilaridade operacional e especialização regional. Em 1976, a Força Aérea Brasileira (FAB) incorporou 02 células adicionais do mesmo modelo, também oriundas dos estoques norte-americanos, com a finalidade de recompor perdas operacionais e preservar os níveis de prontidão das unidades. As características técnicas do Bell UH-1H Iroquois  entre elas o motor Lycoming T53-L-13, o rotor principal de duas pás e a estrutura reforçada  proporcionavam um expressivo incremento de potência e autonomia em relação às versões anteriores, assegurando maior confiabilidade em missões de longo alcance e em ambientes operacionais complexos, como a Amazônia Legal e o litoral brasileiro. No início de 1979, buscando a uniformização logística e a melhoria da performance global da frota, o Ministério da Aeronáutica (MAer) decidiu modernizar as células remanescentes dos modelos Bell SH-1D e UH-1D Iroquois, elevando-as ao padrão UH-1H Iroquois. Essa medida possuía um duplo propósito: estender a vida útil das aeronaves e racionalizar o sistema de manutenção, eliminando a necessidade de operar e sustentar diferentes configurações de motores e sistemas.

Um ano mais tarde, a reestruturação doutrinária da aviação de asas rotativas seria formalmente consolidada. Por meio da Portaria Ministerial nº 239/GM3, de 9 de setembro de 1980, foram desativados os Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), dando lugar a novas unidades alinhadas às diretrizes operacionais contemporâneas. Assim, foram criados o 1º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Falcão, o 2º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Poti, e o 5º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Pantera. O 3º EMRA foi desmembrado, originando duas novas formações: o 1º/13º Grupo de Aviação, que passou a atuar como Esquadrilha de Ligação e Observação (ELO), e o 3º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Puma, estabelecido na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), onde iniciaria suas operações com helicópteros até a chegada dos Aérospatiale CH-33 Puma, em 1981. Paralelamente, o 1º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Falcão foi transferido para Manaus (AM), com a missão de operar na região amazônica, área estratégica para a soberania nacional e de enorme desafio operacional devido à vastidão territorial e às condições ambientais adversas. Nessa região, os Bell UH-1H permaneceram em serviço até 1987, desempenhando papel fundamental em missões de transporte, reconhecimento e apoio humanitário. Ainda em 1980, buscando repor perdas e ampliar a frota,  realizou-se uma nova aquisição de oito células adicionais, desta vez provenientes dos estoques da Força Aérea de Israel (Heyl Ha’Avir). Dentre essas, cinco aeronaves haviam sido originalmente fabricadas como UH-1D e posteriormente modernizadas, enquanto as demais eram de origem italiana. As aeronaves  possuíam tubos de pitot instalados no nariz, porém os modelos de fabricação italiana, produzidos sob licença, diferiam dos demais por apresentarem o rotor de cauda montado no lado esquerdo. Essa diferença exigiu a inversão da caixa de transmissão de 90°, de modo a padronizar a frota e garantir compatibilidade logística e operacional entre as unidades do modelo. As aeronaves provenientes de Israel, por sua vez, haviam sido empregadas anteriormente em situações reais de combate no contexto, e  em razão desse histórico, diversas células apresentavam danos estruturais decorrentes de impactos de projéteis e estilhaços, demandando uma rigorosa inspeção técnica e reparos minuciosos antes de sua incorporação ao serviço ativo. Os trabalhos de restauração e padronização foram conduzidos com elevado grau de competência pelo Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMAAF). Ao longo da década de 1990, passou-se a considerar seriamente a substituição gradual da frota de helicópteros Bell UH-1H. A idade avançada das células e o uso intensivo ao longo de três décadas de operação,  haviam levado a um desgaste significativo. O resultado foi o aumento do número de acidentes e a redução acentuada da disponibilidade operacional. Como solução definitiva, o comando via com entusiasmo a aquisição do moderno Sikorsky UH-60 Black Hawk, todavia, os custos elevados do programa de substituição na ordem de 20 a 30 células mostraram-se incompatíveis com as limitações orçamentárias da época.
Diante dessa realidade, o Comando da Aeronáutica (COMAER) optou por uma solução intermediária e economicamente viável, realizando a aquisição de vinte aeronaves usadas Bell UH-1H provenientes de unidades do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army) estacionadas na Alemanha Ocidental. As negociações foram conduzidas dentro nos termos do programa de Vendas Militares ao Exterior (Foreign Military Sales – FMS), o que assegurou condições financeiras favoráveis, além de suporte logístico e treinamento.  A partir da introdução dessas aeronaves, foi iniciada a implantação da doutrina de emprego do sistema Night Vision Goggles (NVG) com óculos de visão noturna, tecnologia que ampliou substancialmente a capacidade de operação em cenários de baixa luminosidade, reforçando a versatilidade e o alcance tático das unidades aéreas. O 5º/8º Grupo de Aviação – Esquadrão Pantera, sediado na Base Aérea de Santa Maria (RS), foi designado como unidade-padrão para a introdução e disseminação do uso operacional dos NVGs na aviação de asas rotativas.  Posteriormente a este processo, estas células seriam distribuídas também ao 2º/10º Grupo de Aviação - Esquadrão Pelicano e ao 7º/8º Grupo de Aviação - Esquadrão Harpia. Além de serem empregados em missões transporte de tropas e busca e salvamento (SAR) os Bell UH-1H seriam empregados em inúmeras missões de apoio a população em catástrofes naturais em missões de saúde como campanhas de vacinação de populações indígenas e ribeirinhas e tarefas de apoio ao levantamento cartográfico de regiões inóspitas do país. Em 2006 a aeronave teria sua designação alterada para H-1H, e durante muitos anos este modelo de aeronave representaria o esteio da aviação de asas rotativas da Força Aérea Brasileira (FAB), operando desde a quente e úmida floresta amazônica, até os frios e secos pampas gaúchos. O total de aeronaves empregadas na versão UH-1H (considerando as modernizações) atingiram a cifra de 62 aeronaves (seis UH-1D não chegariam a ser modernizados), e apesar do alto nível de profissionalismo desenvolvido na manutenção das células e seus motores pelos Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAMAAF) e Parque de Aeronáutica de São Paulo (PAMASP), o modelo já estava próxima ao seu limiar de obsolescência operacional. Neste contexto as análises do Ministério Defesa, apontariam para a substituição derivando por dois modelos distintos de aeronaves, sendo eleitos os Sikorsky UH-60 Blackhawk e os Eurocopter EC725 Caracal. Um gradual processo de substituição e desativação teria início no ano de 2010, com as últimas células (todas pertencentes ao lote incorporado em 1997) sendo concentradas no 2º/10º GAv Esquadrão Pelicano. Durante este processo, quatro aeronaves seriam doadas a Força Aérea Boliviana (FAB) e duas para a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. Em 22 de outubro de 2018, após cinquenta e um anos de operação, durante uma cerimônia realizada na Base Aérea de Campo Grande – MS, seria finalmente realizado o corte de motor final, encerrando assim a gloriosa carreira do famoso “Sapão” na Força Aérea Brasileira (FAB). 

Em Escala.
Para representarmos o Bell UH-1H "FAB 8691" optamos pelo modelo produzido pela Italeri na escala 1/48 que representa inicialmente a versão “Delta”. Como as diferenças externas quanto ao modelo se resumem na alteração do posicionamento do tubo de pitot, a conversão para a versão UH-1H é simples, bastando acrescer alguns itens em scratch (dispositivos corta fios, antenas, sistema de visão noturna -  NVG). Para finalizar o conjunto da obra empregamos decais confeccionados pelo fabricante FCM Decais presentes no antigo set 48/10.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático de baixa visibilidade empregado pelas aeronaves de asas rotativas do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), esquema este que foi mantido pela Força Aérea Brasileira (FAB) até a gradativa desativação das células, as aeronaves pertencentes aos lotes originais que ostentavam o padrão americano “Southeast Asia” em dois tons de verde e marrom.

Bibliografia:
- Bell UH-1D/H   Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_UH-1_Iroquois
- 2º/10º GAV Esquadrão Pelicano 50 anos, por Mauro Lins de Barros e Oswaldo Claro Junior
- História da Força Aérea Brasileira por, Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916/ 2016 – Jackson Flores Jr