Kombi VW T21/T23 (VTr-TNE-VE)

História e Desenvolvimento. 
O desenvolvimento do utilitário leve com tração 4x2 mais emblemático do mundo, a Volkswagen Kombi, teve suas raízes na cidade de Wolfsburg, Alemanha, no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial. Em um contexto de reconstrução nacional, os termos do Acordo de Potsdam (1945) determinaram que as indenizações às nações aliadas seriam viabilizadas por meio da recuperação econômica da Alemanha, garantindo recursos para uma retomada sustentável. Nesse cenário, a Volkswagen, cuja fábrica havia sofrido danos significativos durante os bombardeios de abril de 1945, desempenhou um papel central na revitalização industrial do país. Após a rendição alemã, as instalações da Volkswagen em Wolfsburg, localizadas na zona de ocupação britânica, foram inicialmente capturadas pelos americanos e posteriormente transferidas ao controle britânico. Sob a supervisão do Major Ivan Hirst, um governador militar civil nascido em Saddleworth, Inglaterra, a fábrica iniciou um processo de reconstrução. Já em 1946, a produção foi parcialmente retomada, com o Volkswagen Sedan (popularmente conhecido como Fusca) sendo o único modelo fabricado. A reconstrução da Alemanha gerou uma demanda crescente por veículos utilitários de diferentes portes, e a Volkswagen identificou nessa necessidade uma oportunidade estratégica para expandir sua linha de produtos. A ideia que deu origem à icônica Volkswagen Kombi, oficialmente chamada de Type 2 ou Kombinationsfahrzeug ("veículo combinado" em alemão), surgiu de uma visão do importador holandês Ben Pon. Durante uma visita à fábrica de Wolfsburg em 23 de abril de 1947, Pon esboçou em sua agenda um conceito inovador: uma perua utilitária baseada no chassi do VW Sedan. Seu desenho inicial propunha uma cabine compacta posicionada sobre o motor traseiro refrigerado a ar, com uma plataforma de carga na parte frontal, aproveitando a simplicidade mecânica do Fusca para reduzir custos de produção e manutenção. Esse esboço inicial, conhecido como Type 29, lançou as bases para o que viria a ser a Kombi. A Volkswagen, sob a liderança de Heinz Nordhoff, então diretor executivo, reconheceu o potencial do conceito de Pon. Em 1948, a empresa começou a desenvolver o projeto, visando criar um veículo multifuncional que atendesse à crescente demanda por mobilidade na Alemanha em reconstrução. O protótipo foi apresentado à imprensa em 12 de novembro de 1949, e a produção em série teve início em 8 de março de 1950, na fábrica de Wolfsburg. Paralelamente, uma equipe de designers da Faculdade Técnica de Braunschweig dedicou-se ao estudo da aerodinâmica do veículo. Embora o design final mantivesse uma forma considerada pouco convencional para a época, ele apresentava melhorias significativas em relação aos protótipos iniciais de frente reta, reduzindo a resistência ao ar e otimizando o desempenho. Após uma série de ajustes, o projeto foi finalizado no final de 1949, culminando no lançamento da primeira unidade de produção em série da Kombi em 8 de março de 1950, na fábrica de Wolfsburg.

Durante a década de 1950, a Volkswagen Kombi Type 2 (T1) consolidou-se como um sucesso comercial na Europa, com vendas em franca expansão e exportações em crescimento constante. Sua versatilidade, robustez e baixo custo de manutenção tornaram-na uma escolha popular entre empresas, famílias e serviços públicos. Contudo, no início da década de 1960, os sinais de desgaste estético do modelo original começaram a se tornar evidentes, com seu design começando a parecer datado frente às novas tendências automotivas. Reconhecendo a necessidade de renovação, a área de desenvolvimento da Volkswagen, sediada em Wolfsburg, Alemanha, lançou, em 1960, o projeto EA114 (Entwicklungsauftrag Nr 114 – Ordem de Desenvolvimento nº 114), com o objetivo de conceber a próxima geração da Kombi. O projeto EA114 avançou rapidamente, alcançando o estágio de protótipo em pouco tempo. No entanto, Heinrich "Heinz" Nordhoff, presidente-executivo da Volkswagen e figura central no desenvolvimento da T1, avaliou que o modelo em produção ainda possuía potencial de mercado. Com essa convicção, Nordhoff decidiu suspender temporariamente o projeto EA114 em 1960, adiando sua retomada para o final de 1964. O objetivo era lançar a nova geração dentro de três anos, meta que foi cumprida com a apresentação da Kombi T2 em agosto de 1967, como modelo 1968. A Volkswagen Kombi T2, conhecida como Transporter (onde "T" significa Transporter e "2" denota a segunda geração), representou uma evolução significativa em relação à T1. Com um design modernizado, a T2, apelidada de "Bay Window" devido ao seu para-brisa único e maior, trouxe avanços técnicos e estéticos que a alinharam às demandas contemporâneas. Entre suas principais melhorias, destacam-se: Grupo Propulsor : Um novo motor boxer de 1,6 litro, mais potente, com 48 cv, proporcionando melhor desempenho em relação ao motor de 1,1 litro da T1. Estabilidade: Atualizações na suspensão traseira, eliminando o eixo oscilante da geração anterior, e melhorias no sistema de direção, garantindo maior segurança e conforto. Espaço interno: Um interior mais amplo e funcional, com maior conforto para o motorista e passageiros, além de uma configuração otimizada para transporte de carga ou pessoas. Estética: Um visual mais atraente, com linhas suavizadas e um para-brisa maior, que melhorava a visibilidade e conferia um aspecto moderno. As versões topo de linha da T2 também receberam novos nomes. O modelo de passageiros, anteriormente chamado Micro Bus, passou a ser conhecido como Clipper, enquanto a variante mais luxuosa, antes Micro Bus de Luxe, foi redesignada como Clipper L. Essas mudanças reforçaram a identidade premium da T2, mantendo sua versatilidade para atender a diferentes públicos, desde empresas até viajantes, com destaque para as versões camper.
Poucos meses após o lançamento da T2, em 12 de abril de 1968, a Volkswagen e a cidade de Wolfsburg foram abaladas pela morte de Heinz Nordhoff, aos 69 anos. Nordhoff, cuja liderança foi determinante para o sucesso da T1 e o desenvolvimento da T2, deixou um legado indelével na história da montadora. A perda de Nordhoff causou profunda comoção entre os funcionários da Volkswagen e a população de Wolfsburg. Seu velório foi realizado em uma das alas da fábrica, onde milhares de trabalhadores prestaram suas últimas homenagens. O cortejo fúnebre, que percorreu as ruas internas da planta e a cidade, atraiu grandes filas de moradores que desejavam se despedir do líder visionário. O esquife de Nordhoff foi transportado em uma Kombi Clipper picape, especialmente adaptada para a ocasião, com teto cortado e acabamento luxuoso, simbolizando o impacto de seu trabalho no sucesso do veículo. Após o lançamento da Volkswagen Kombi Type 2 (T2) em agosto de 1967, a segunda geração do icônico utilitário consolidou-se como um sucesso comercial, mas a Volkswagen logo percebeu que o modelo topo de linha, inicialmente chamado Clipper L e posteriormente redesignado VW Micro Bus de Luxe, havia perdido parte do charme estético que caracterizava a T1. A primeira geração destacava-se pela pintura em dois tons, com a segunda cor aplicada pouco acima da linha de cintura e formando um “V” na dianteira, além de contar com numerosas janelas laterais, pequenas claraboias no teto e um amplo teto solar de lona. Na T2, porém, o segundo tom de cor limitava-se ao teto, até a linha das calhas, as janelas laterais eram panorâmicas, eliminando as claraboias, e o teto solar, agora de chapa, era menor.Em resposta a essa percepção, a Volkswagen introduziu, em 1971, modificações significativas no modelo topo de linha. A pintura em dois tons foi reformulada, estendendo a segunda cor até pouco acima da linha de cintura, resgatando a estética marcante da T1. Essa alteração trouxe de volta o charme clássico que havia conquistado o público, reforçando a identidade premium da Micro Bus de Luxe. Além disso, a segurança e o desempenho foram aprimorados com a adoção de freios a disco nas rodas dianteiras, um avanço técnico que elevava o padrão de dirigibilidade e confiabilidade do veículo. O ano de 1972 marcou o auge da produção da T2, considerando todas as suas variantes, com uma série de atualizações que consolidaram sua evolução. Entre as mudanças, destacaram-se: Lanternas traseiras: Maiores e com luz de ré integrada, melhorando a visibilidade e a segurança. Entradas de ar: Ampliadas nas colunas traseiras para acomodar a ventilação necessária ao novo motor opcional de 1,7 litro, que oferecia maior potência. Tampa do motor: Redimensionada para facilitar o acesso ao novo motor. Arcos das rodas dianteiras: Modificados para adequação aos novos pneus radiais, que proporcionavam melhor aderência e conforto. Calotas e rodas: Atualizadas em 1971, com rodas mais largas e novo design de calotas, complementando a estética modernizada.

Em 1973, a Volkswagen Kombi Type 2 (T2) continuou sua trajetória de aprimoramento, com a Volkswagen focando em melhorias de segurança e funcionalidade para atender às expectativas de um mercado em expansão. Os para-choques foram redesenhados com um perfil reto, mais robusto, garantindo maior resistência a impactos. Os indicadores de direção dianteiros foram reposicionados, migrando da parte inferior frontal para as laterais da tomada de ar, o que aumentou sua visibilidade e reforçou a segurança. O emblema “VW” na dianteira foi sutilmente modificado, com um diâmetro reduzido, conferindo um toque de refinamento ao design. Além disso, a introdução da transmissão automática como opcional ampliou o apelo da T2, atraindo um público mais diversificado, incluindo motoristas menos familiarizados com a condução manual. A demanda pela T2 foi tão significativa que a fábrica de Hannover, principal unidade de produção da Kombi desde 1956, precisou do suporte da fábrica de Emden a partir de dezembro de 1967, apenas quatro meses após o início da produção. Em 1968, primeiro ano completo de fabricação da T2, foram produzidas 228.290 unidades na Alemanha, superando em larga margem o melhor ano de produção da primeira geração, a T1. Esse volume reflete o sucesso imediato do modelo, que combinava design modernizado, maior conforto e versatilidade para atender a uma ampla gama de necessidades, desde transporte comercial até uso recreativo. Poucos meses após o lançamento da T2, em 1968, a produção total da Kombi atingiu a impressionante marca de 2 milhões de veículos. O presidente-executivo Heinz Nordhoff, figura central no desenvolvimento das duas primeiras gerações da Kombi, participou da cerimônia comemorativa realizada na fábrica de Wolfsburg, apenas dois meses antes de seu falecimento, em abril de 1968. Sua liderança visionária foi fundamental para transformar a Kombi em um ícone global, e sua morte marcou um momento de profunda reflexão para a Volkswagen. O sucesso da T2 continuou a se consolidar, com a produção alcançando 3 milhões de unidades em setembro de 1971, apenas três anos e meio após a marca anterior, e 4 milhões em julho de 1975. Na Europa, e em grande parte do mundo, a Kombi, conhecida por nomes como Transporter, Type 2, Kombi ou Combi, foi produzida em sua forma tradicional até o final da década de 1970. A partir de 1979, a Volkswagen introduziu a terceira geração, a T3, um utilitário com tração dianteira e motor refrigerado a água, que representou uma ruptura com o design clássico das gerações anteriores. Esse modelo, importado para o Brasil sob os nomes Eurovan e Transporter, marcou o fim da era do motor boxer refrigerado a ar na Alemanha. Curiosamente, a Kombi foi o único modelo derivado do Volkswagen Fusca a evoluir além desse tipo de motor, destacando sua capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas (excluindo o VW Gol, que compartilhava apenas o motor).
No Brasil, a Kombi seguiu um caminho singular. Produzida localmente desde 1957, sua carroceria, entre 1976 e 1996, era uma fusão única entre elementos das gerações T1 e T2 da Kombi alemã, criando um modelo exclusivo no mundo. A partir de 1997, a versão brasileira passou a ser praticamente idêntica à T2b (Clipper), produzida na Alemanha entre 1972 e 1979, incorporando características como porta lateral corrediça, tampa do porta-malas mais larga e redução do número de janelas laterais para três em cada lado. A única alteração verdadeiramente original foi o teto mais elevado, introduzido para melhorar o espaço interno. Embora a Volkswagen Kombi tenha sido descontinuada na Europa no final da década de 1970, em razão dos avanços tecnológicos no segmento de utilitários leves, o modelo continuou a atender com êxito as demandas de mercados emergentes, como o Brasil. Seu principal diferencial nesses países residia na combinação de baixo custo de aquisição e manutenção, características que garantiam sua competitividade e apelo comercial. No Brasil, um dos mercados mais significativos para a Kombi, as vendas mantiveram uma trajetória ascendente ao longo das décadas de 1980 e 1990, período em que o veículo, produzido localmente desde 1957, recebeu apenas pequenas atualizações estéticas, preservando sua essência funcional e robusta. No início do século XXI, no entanto, os números de vendas começaram a apresentar uma clara tendência de declínio, sinalizando a necessidade de adaptar o modelo às exigências de um mercado automotivo em transformação. A Kombi, apesar de sua popularidade duradoura, enfrentava desafios relacionados a padrões tecnológicos, de segurança e ambientais que se tornavam cada vez mais rigorosos. Em resposta, a Volkswagen implementou, em 2005, a mais significativa atualização na história da Kombi brasileira: a substituição do icônico motor boxer refrigerado a ar por um motor refrigerado a água, acompanhado de um painel de instrumentos moderno, inspirado nos modelos de entrada da marca, como o Gol e o Fox. Essa mudança foi impulsionada pela necessidade de adequação aos novos padrões brasileiros de emissões de gases carbônicos, marcando, de forma discreta, o fim do motor boxer no país. Mesmo com a modernização, a Kombi continuou a ser um veículo extremamente popular no Brasil, registrando uma média de vendas de aproximadamente 60.000 unidades por ano no início do novo milênio. Contudo, a introdução de novas legislações de segurança veicular, que passaram a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2014, trouxe desafios intransponíveis para a continuidade do modelo. Essas regulamentações tornaram obrigatória a adoção de sistemas de freios com ABS e airbags, requisitos que demandariam uma reestruturação completa do projeto da Kombi, incompatível com sua arquitetura original e com os custos de produção que sustentavam sua competitividade. Diante desse cenário, a Volkswagen optou por descontinuar a produção da Kombi no Brasil em 2013, encerrando uma trajetória de 56 anos. Ao longo desse período, foram entregues mais de 1,5 milhão de unidades, consolidando a Kombi como um dos veículos mais emblemáticos e queridos da história automotiva brasileira.

Emprego nas Forças Armadas Brasileiras 
Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro se aproximou dos Estados Unidos, passando a compor o esforço aliado no conflito, inicialmente como fornecedor de matérias primas estratégicas e a seguir como base logística e apoio militar. Neste contexto a adesão ao programa de ajuda militar Lend-Lease Act Bill (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), proporcionou as Forças Armadas Brasileiras acesso a uma linha de crédito inicial de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de equipamentos bélicos modernos, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate, marcando um passo decisivo na modernização das Forças Armadas Brasileiras. A partir do final de 1941, o Brasil começou a receber um expressivo volume de equipamentos provenientes dos Estados Unidos, abrangendo caminhões, utilitários leves, aeronaves, embarcações e armamentos. O Exército Brasileiro, principal beneficiário desse aporte, experimentou uma transformação significativa em suas capacidades operacionais. Entre os veículos fornecidos, destacaram-se os utilitários Dodge WC-51 e WC-52, com tração integral 4x4, cuja entrega teve início no final de 1942. Esses foram seguidos por outros modelos da família WC, incluindo os carros de comando WC-53, WC-56 e WC-57, a ambulância WC-54, e os utilitários WC-62 e WC-63. No período pós-guerra, essas viaturas, carinhosamente apelidadas de “Dodge Japão” pelos militares brasileiros, foram distribuídas gradualmente a diversas unidades espalhadas pelo território nacional. Por muitos anos, prestaram serviços inestimáveis ao Exército Brasileiro, à Força Aérea Brasileira e à Marinha do Brasil, destacando-se por sua robustez e versatilidade em tarefas administrativas, logísticas e operacionais. Entretanto, a partir de meados da década de 1950, a frota de Dodge WC-51 e WC-52 começou a apresentar um preocupante declínio em sua disponibilidade operacional. A principal causa era a dificuldade em obter peças de reposição no mercado internacional, uma vez que a produção desses modelos havia sido descontinuada pela Dodge Motors Company em 1946. Esse cenário, que se agravava ano após ano, gerou grande inquietação no comando do Exército Brasileiro, comprometendo a mobilidade e a eficácia da Força Terrestre. Diante disso, iniciaram-se estudos para encontrar soluções de curto prazo que atendessem a essa demanda crítica. A primeira alternativa considerada foi a aquisição de viaturas novas da família sucessora, composta pelos modelos Dodge M-37, M-43 e M-43 (M-615), projetados para substituir os antigos WC. Contudo, essa opção revelou-se economicamente inviável, pois a substituição de cerca de 1.300 viaturas — incluindo os modelos WC-51, WC-52, WC-53, WC-54, WC-56 e WC-57 — exigiria um investimento que ultrapassava a dotação orçamentária do Ministério do Exército destinada à renovação da frota. A mesma limitação financeira afetava os outros ramos das Forças Armadas, que enfrentavam desafios semelhantes. 

Nesse contexto, duas estratégias foram avaliadas: a repotenciação de parte da frota existente dos Dodge WC e a aquisição de veículos militarizados produzidos pela nascente indústria automotiva nacional. Assim em 1959 seriam adquiridos os primeiros utilitários do modelo Chevrolet Amazonas, passando a ser empregado em diversas funções, como transporte de pessoal e até como ambulância, conquistando uma reputação de excelência entre os militares. Antes mesmo deste movimento em 1951 a subsidiária brasileira da Volkswagem iniciaria a montagem dos seis primeiros VW Sedan ou “Fuscas” nacionais foram montados na planta de São Bernardo. Visando ampliar o portfólio da montadora alemã, a diretoria da Brasmotor resolveu importar um pequeno lote do utilitário VW Kombi. A rápida aceitação grande aceitação do modelo pelo mercado comercial levou a empresa a decidir pela montagem do veículo no país. Os veículos seriam recebidos desmontados na forma de “kits” no sistema popularmente conhecido como “CKD" (Completely Knocked Down), passando a ser montados manualmente nas instalações da empresa no município de São Bernardo do Campo (SP). Em cinco anos, 2.820 veículos seriam ali construídos, dos quais 552 Kombis, com 25% de conteúdo nacional em peso (20% em valor). Entre os itens de fornecimento local estavam: baterias, pneus, todos os artigos de borracha, vidros, bancos, revestimento interno, material plástico, escapamento e silencioso, frisos decorativos, calotas e toda a fiação elétrica. Em 1956, antes mesmo da criação do GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística, a empresa alemã iniciou a construção de um complexo industrial junto à via Anchieta, em São Bernardo do Campo – o primeiro fora da Alemanha, onde seriam instaladas as maiores prensas da América do Sul. De lá sairia, em setembro de 1957, o primeiro Volkswagen de produção nacional, a Kombi de passageiros, já com mais de 50% de nacionalização (motor e câmbio eram ainda importados). Como todos os modelos que viriam nos anos seguintes, possuía motor traseiro refrigerado a ar (com bloco fundido em liga leve, quatro cilindros contrapostos e radiador de óleo) e suspensão por barras de torção nas quatro rodas, independentes na dianteira e com semi-eixos oscilantes na traseira. A caixa era de quatro marchas (1ª não sincronizada), os freios a tambor e a direção mecânica. O aproveitamento de espaço era total: três bancos, com nove lugares, acessíveis pelas três portas (duas à frente e uma dupla na lateral direita). Os bancos podiam ser facilmente retirados (eram fixados por borboletas), abrindo 4,8 m³ de espaço para carga (810 kg, ou 925 kg no furgão), que também podia ser alcançado pela ampla tampa de abertura vertical localizada na traseira. O pneu de reserva foi magistralmente escondido por detrás do encosto do assento dianteiro. O carro dispunha de larga prateleira porta-objetos sob o painel e sistema de circulação de ar quente e frio. Estes produtos rapidamente elevariam a Volkswagen do Brasil  S/A ao posto de líder em vendas no mercado nacional automotivo.
A decisão de adquirir veículos produzidos localmente não apenas viabilizou a obtenção de um grande número de unidades, devido ao baixo custo de produção, mas também fortaleceu o setor automotivo brasileiro, que começava a se consolidar. Entre as montadoras selecionadas, destacaram-se a Willys Overland do Brasil S/A e a Volkswagen do Brasil S/A, sendo desta última adquiridas unidades da Volkswagen Kombi, com as primeiras entregas realizadas em meados de 1961. As primeiras Kombis fornecidas ao Exército Brasileiro foram da versão furgão com seis portas, disponíveis nas configurações Luxo e Standard, destinadas principalmente ao transporte de pessoal. Esses veículos já incorporavam avanços técnicos significativos, como uma caixa de câmbio totalmente sincronizada e uma relação de redução aprimorada, que proporcionavam maior conforto e eficiência na condução. Notavelmente, a Kombi atingia um índice de nacionalização de 95% de seus componentes, refletindo o esforço da Volkswagen do Brasil em consolidar a produção local e reduzir a dependência de importações. Designadas como Viatura Administrativa de Transporte Não Especializado (VTR ADM TNE), com matrículas prefixadas por “EB-51”, as Kombis foram empregadas em unidades da ativa, especialmente em ambientes urbanos, para transporte de até nove passageiros ou cargas leves. Sua robustez, aliada à simplicidade mecânica do motor boxer refrigerado a ar, tornava o veículo ideal para operar em regiões com infraestrutura viária limitada, consolidando sua relevância nas operações logísticas do Exército. O sucesso da Kombi no Exército incentivou sua adoção pelas demais Forças Armadas. A partir de 1962, tanto a Marinha do Brasil quanto a Força Aérea Brasileira passaram a incorporar o modelo nas mesmas configurações, ampliando seu uso em funções administrativas, logísticas e de apoio. Durante esse período, registros não oficiais do Exército Brasileiro sugerem que a Kombi furgão foi empregada em atividades menos convencionais, associadas ao extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), agência de inteligência criada em 1964 e dissolvida em 1990. Essas viaturas, adaptadas para missões específicas, apresentavam modificações singulares que as diferenciavam das unidades padrão. As Kombis destinadas ao SNI eram completamente forradas internamente, incluindo o vidro traseiro, com material termoacústico (espuma revestida com vinil preto), projetado para isolar o ambiente interno. Pequenos alçapões foram instalados para ventilação e observação externa, enquanto a cabine era separada da carroceria por uma divisória, com uma pequena portinhola para comunicação com os ocupantes do banco dianteiro. O sistema elétrico foi reforçado, substituindo o dínamo por um alternador e prevendo espaço para duas baterias, o que indica um maior consumo de energia, possivelmente para equipamentos de monitoramento. Curiosamente, essas viaturas não exibiam identificações militares externas e eram pintadas na cor bege, um tom neutro que favorecia a discrição. Especula-se que foram utilizadas como postos móveis de escuta, aproveitando o isolamento termoacústico para interceptações telefônicas, além de atividades de vigília, observação ou, em alguns casos, interrogatórios.

Entre as configurações militarizadas, a versão ambulância da Volkswagen Kombi Furgão destacou-se por sua preparação para atendimento médico em operações de campo e bases militares. O interior dessas viaturas foi cuidadosamente adaptado, incluindo: Maca padrão hospitalar: Com dimensões de 1,98 m por 0,58 m, para transporte de pacientes. Suporte para cilindro de oxigênio: Garantindo suporte respiratório em emergências. Divisória integral: Separando a área do motorista do compartimento médico. Armário para medicamentos: Para armazenamento de suprimentos médicos essenciais. Banco para assistente: Permitindo o acompanhamento de um profissional de saúde durante o transporte. Externamente, essas Kombis eram equipadas com sirene e luz intermitente no teto, além de vidros traseiros translúcidos, que garantiam privacidade e identificação clara como veículo de emergência. Essa configuração foi amplamente utilizada pelas três Forças Armadas, especialmente em bases remotas e exercícios militares, onde a VW Kombi VE Ambulância oferecia uma solução prática para evacuações médicas rápidas. Em 1978, a Volkswagen introduziu reforços estruturais na carroceria, juntas homocinéticas na transmissão e um motor VW 1.6 com dupla carburação, desenvolvendo 52 cv a 4.200 rpm e torque de 11,2 m.kgf a 2.600 rpm. Essas atualizações permitiram uma capacidade de carga de até duas toneladas, ampliando sua utilidade em operações logísticas. O sistema de freios foi aprimorado com servo-freio nas quatro rodas, enquanto a suspensão foi reforçada, com barras de torção com feixes e estabilizador na dianteira e barras de torção cilíndricas com juntas universais de dupla articulação na traseira. Essas melhorias garantiram maior estabilidade e segurança, especialmente em terrenos irregulares. Posteriormente, a introdução de versões com motor diesel e álcool trouxe maior eficiência e adequação às normas ambientais, levando a novos contratos de fornecimento com as Forças Armadas para substituir a primeira frota adquirida na década de 1960. Na Força Aérea Brasileira, a VW Kombi foi adaptada, no final da década de 1960, para uma função singular: torre de controle móvel. Essa versão, utilizada em aeródromos desprovidos de infraestrutura básica para controle de voo, contava com a adaptação de uma torre de observação equipada com seis janelas basculantes de vidro, permitindo visibilidade ampla para coordenar operações aéreas de alta intensidade. Essa solução criativa demonstrou a flexibilidade da Volkswagen Kombi Furgão em atender a necessidades específicas, reforçando sua importância em contextos operacionais improvisados dentro do escopo de tarefas das Forças Armadas Brasileiras.
A partir de 1977, o Exército Brasileiro incorporou um número limitado de Kombis produzidas na Alemanha, como parte de um pacote negociado para a aquisição do sistema suíço de artilharia antiaérea Oerlikon de 35 mm. Essas viaturas, pertencentes à versão alemã T2, foram configuradas como oficinas móveis, destinadas à manutenção dos canhões duplos de 35 mm, servos de acionamento e radares do sistema Oerlikon. Designadas como “TE Ofn 4×2 Kombi (Oerlikon)”, mas popularmente conhecidas como “Oficina Kombi Oerlikon”, essas Kombis eram desprovidas de bancos ou forração interna, equipadas com ferramental original para reparos em campo. Estima-se que pelo menos três unidades foram recebidas, operadas inicialmente pela 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, Brigada General Samuel Teixeira Primo. Posteriormente, pelo menos um veículo foi estocado no Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro. Essa aplicação representou uma solução inteligente e econômica, pois uma única Kombi podia atender a vários canhões em campo, otimizando os recursos logísticos do Exército.A Volkswagen Kombi Picape, manteve-se em plena atividade nas Forças Armadas Brasileiras ao longo de várias décadas, graças à sua robustez, versatilidade e baixo custo de manutenção. Sua trajetória no Exército, na Marinha e na Força Aérea do Brasil reflete a capacidade do veículo de atender às necessidades logísticas em contextos diversos, consolidando-se como uma solução confiável para transporte leve, mesmo em face da evolução tecnológica no segmento de utilitários. Ao longo da década de 1990, a VW Kombi começou a mostrar sinais de obsolescência em comparação com os novos utilitários leves disponíveis no mercado brasileiro, como os produzidos pela Fiat e pela Chevrolet. Apesar disso, sua excelente relação custo-benefício continuou a justificar sua aquisição pelas Forças Armadas. As últimas VW Kombi para emprego militar foram adquiridas a partir de 2006, equipadas com motor 1.4 derivado do motor do Fox/Polo, usado para exportação, tendo como principal usuário a Força Aérea Brasileira, que atualmente ainda emprega uma considerável frota deste modelo em suas bases áreas, onde são empregados como veículos de transporte de pessoal e carro de orientação em pista do tipo “ Folow Me”. Acredita-se que as últimas unidades em serviço no Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e na Força Aérea Brasileira devem se manter em operação até meados da década de 2020. 

Em Escala.
Para recriar com fidelidade a Volkswagen Kombi Tipo 102 modelo 1969, identificada com a matrícula EB51-8990 e utilizada pelo Exército Brasileiro, optamos por um modelo em die-cast na escala 1/32, produzido pela RMZ City. A escolha desse modelo foi facilitada pela ausência de diferenças significativas entre as versões civil e militar da Kombi, dispensando a necessidade de modificações em scratch building. O processo de customização concentrou-se na aplicação de decais de alta qualidade, confeccionados pela Eletric Products e pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1942/1982”.
No Exército Brasileiro, todos os veículos utilitários leves classificados como Viatura Administrativa de Transporte Não Especializado (VTR ADM TNE), incluindo a Volkswagen Kombi, receberam o padrão de pintura verde oliva, um tom emblemático da Força Terrestre. Esse esquema, aplicado desde a incorporação das primeiras Kombis em 1961. Na Marinha do Brasil, a Kombi adotou o mesmo esquema de pintura utilizado pelos demais veículos de transporte da força, caracterizado por tons de cinza naval. Essa escolha, implementada a partir de 1962, quando a Marinha começou a incorporar o modelo, era adequada às operações costeiras e em bases navais. A Força Aérea Brasileira (FAB), por sua vez, empregou uma abordagem mais diversificada, utilizando vários padrões de pintura de acordo com a missão de cada modelo.

Bibliografia : 
- Volkswagen Type 2 Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Type_2
- Volkswagen do Brasil – www.volkswagen.com.br
- Kombi Cliper Brasileira: T2 OU T1,5? - www.autoentusiastas.com.br/2016/09/kombi-clipper-brasileira-t15-parte-1/
- Kombis secretas ou não, dão baixa no Exército - http://www.autoentusiastas.com.br

H-13J Bell Model 47J

História e Desenvolvimento. 
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) não apenas impulsionou avanços significativos nos armamentos convencionais, mas também desempenhou um papel decisivo no surgimento da aviação de asas rotativas com fins militares. Embora o emprego operacional dos primeiros helicópteros tenha sido ainda restrito  reflexo da imaturidade tecnológica e das exigências industriais voltadas à produção em larga escala de aeronaves tradicionais, essas iniciativas pioneiras estabeleceram as bases para a consolidação dessa vertente aeronáutica no período pós-guerra. Nesse contexto, a Força Aérea Alemã (Luftwaffe), sob a égide do regime de Adolf Hitler, destacou-se ao promover os primeiros esforços concretos de utilização militar de helicópteros, buscando vantagens táticas inovadoras em um cenário de guerra altamente dinâmico. Foi nesse ambiente que a empresa Flettner Flugzeugbau, liderada pelo engenheiro Anton Flettner, introduziu, em meados da década de 1940, o helicóptero Flettner Fl 282 Kolibri. Conhecido como “Kolibri” (beija-flor), o modelo destacava-se por sua concepção inovadora, incorporando rotores entrelaçados  uma solução técnica avançada que eliminava a necessidade de rotor de cauda e reduzia vibrações, além de um motor Bramo Sh 14A de aproximadamente 150 cavalos. Leve e compacto para os padrões da época, com cerca de 1.000 kg, o helicóptero atingia velocidades próximas a 150 km/h. Inicialmente projetado para atender às demandas logísticas da Kriegsmarine, sua função principal era realizar o transporte de pequenas cargas e pessoal entre embarcações, ampliando a capacidade de comunicação e coordenação em alto-mar, especialmente durante a Batalha do Atlântico. Relatos de pilotos de testes, como os da célebre aviadora Hanna Reitsch, evidenciam a notável manobrabilidade do aparelho, capaz de pairar com precisão mesmo sobre conveses sujeitos a intenso movimento  característica que o tornava particularmente valioso em operações navais. Posteriormente, a versão Fl 282 B-2 introduziu um segundo assento, ampliando suas capacidades ao permitir o emprego em missões de observação e reconhecimento. O desempenho promissor do Fl 282 levou o governo alemão a planejar uma produção em larga escala, com encomendas atribuídas à BMW. Entretanto, a intensificação dos bombardeios aliados a partir de 1943 comprometeu severamente a infraestrutura industrial alemã, forçando a priorização de aeronaves de combate convencionais. Como consequência, apenas cerca de duas dezenas de unidades foram efetivamente produzidas. Ainda assim, o “Kolibri” consolidou-se como um marco na história da aviação militar, demonstrando, de forma prática, o potencial dos helicópteros em missões de ligação, observação e apoio logístico. Paralelamente, nos países Aliados, o desenvolvimento de aeronaves de asas rotativas avançou de maneira mais consistente nos estágios finais do conflito. Nesse cenário, destacou-se o Sikorsky R-4, projetado pela Sikorsky Aircraft sob a liderança do engenheiro Igor Sikorsky. Considerado o primeiro helicóptero verdadeiramente operacional a ser empregado em missões militares, o R-4 foi introduzido no teatro do Pacífico em 1945, onde, mesmo em um período relativamente curto de atuação, evidenciou o valor estratégico dessa nova categoria de aeronave.

Sua capacidade de realizar missões de resgate, transporte e reconhecimento em áreas de difícil acesso inaugurou uma nova dimensão nas operações aéreas, antecipando o papel fundamental que os helicópteros desempenhariam nas décadas seguintes.  Paralelamente aos avanços observados durante ao conflito, outros fabricantes norte-americanos passaram a explorar de forma sistemática o ainda incipiente, porém promissor, campo da aviação de asas rotativas. Entre eles, destacou-se a Bell Aircraft Company, que, sob a liderança do engenheiro Arthur Young, deu início ao desenvolvimento de um projeto inovador voltado à criação de um helicóptero leve e funcional. Apresentado oficialmente à Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) em 3 de setembro de 1941, o projeto evoluiu para o Bell Model 30, cuja materialização foi viabilizada por financiamento governamental. Dois protótipos foram construídos, sendo que o primeiro voo ocorreu em 26 de junho de 1943. Os resultados obtidos ao longo de um rigoroso programa de ensaios e testes de voo demonstraram a viabilidade do conceito, permitindo o aperfeiçoamento progressivo da aeronave e culminando no desenvolvimento de uma versão mais refinada: o Bell Model 47. O êxito inicial do Model 30, aliado às crescentes expectativas quanto ao potencial operacional dos helicópteros, incentivou a Bell a adotar uma estratégia industrial mais estruturada. Como resposta, foi criada a Bell Helicopter, uma divisão dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e produção de aeronaves de asas rotativas, com instalações estabelecidas em Fort Worth. Esse movimento institucional refletia não apenas a consolidação de competências técnicas, mas também a percepção de que os helicópteros desempenhariam um papel cada vez mais relevante no cenário aeronáutico do pós-guerra. Foi nesse contexto que o Bell Model 47 realizou seu voo inaugural em 8 de junho de 1945, representando um marco significativo na evolução tecnológica da empresa. A aeronave apresentava um projeto inovador e funcional, caracterizado por um rotor principal simples de duas pás  originalmente em madeira  acionado por um motor convencional Franklin. Sua estrutura tubular em aço soldado, desprovida de carenagem, conferia-lhe um aspecto minimalista, porém altamente eficiente do ponto de vista operacional. Um dos elementos mais distintivos do Model 47 era seu cockpit, envolto por uma bolha de plexiglass que proporcionava ampla visibilidade ao piloto fator essencial para a segurança e precisão das operações, sobretudo em missões de baixa altitude e em ambientes restritos. Inicialmente composta por painéis removíveis, essa estrutura evoluiu para uma peça única moldada, tornando-se uma assinatura visual marcante da aeronave e um símbolo de sua proposta inovadora. A consolidação do projeto ocorreu com a introdução da versão de produção Bell Model 47A, que, em 8 de março de 1946, alcançou um feito histórico ao obter certificação civil classificação H-1 tornando-se o primeiro helicóptero homologado para uso comercial no mundo. Com capacidade para um piloto e até dois passageiros, além de apresentar notável confiabilidade mecânica, o Model 47 rapidamente conquistou espaço tanto no mercado civil quanto em aplicações governamentais.
Sua versatilidade operacional, aliada à facilidade de pilotagem e à robustez estrutural, permitiu seu emprego em uma ampla gama de atividades, incluindo transporte leve, evacuação aeromédica, treinamento e serviços utilitários. Dessa forma, o sucesso do Model 47 não apenas consolidou a reputação da Bell como uma das principais protagonistas da indústria de helicópteros, mas também contribuiu decisivamente para a popularização e expansão do uso das aeronaves de asas rotativas no cenário global. Baseada no modelo civil, a versão militar do Bell 47 apresentava diferenças visuais e técnicas significativas. Entre as modificações, destacavam-se a adoção de um cone de cauda coberto com tecido, que aprimorava a aerodinâmica, e um trem de pouso equipado com quatro rodas, aumentando a estabilidade em terrenos variados. Em termos mecânicos, a aeronave foi equipada com um motor mais potente, o Franklin 6V4-178-B3 de 178hp conferindo maior desempenho em operações exigentes. O primeiro protótipo foi entregue para avaliação em abril de 1946, iniciando um rigoroso programa de ensaios em voo que testou a aeronave em diversas condições operacionais. Desse processo emergiu a versão militar inicial de produção, designada Bell H-13 Sioux. Em dezembro de 1946, um contrato inicial foi firmado para a entrega de 28 unidades  marcando o início de sua integração nas operações militares norte-americanas. Após definida sua doutrina operacional, os primeiros exemplares seriam colocados em serviço ativo atuando em tarefas de ligação e observação, e seus excelentes resultados em ação despertariam a atenção do comando da aviação naval da  Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) e da Guarda Costeira dos Estados Unidos (U.S. Coast Guard).  Após tratativas seriam firmados os primeiros contratos de produção para estes ramos das forças armadas, inicialmente se limitando a um pequeno número de aeronaves, com estas sendo idênticas a versão empregada pelo Exército dos Estados Unidos (U.S. Army). As primeiras aeronaves destinadas a aviação naval seriam entregues no início do ano de 1948, e após o início das operações verificaria-se a necessidade de customização do modelo para atendimento aos parâmetros de operação naval. Suas missões geralmente compreendiam voos de longa duração sobre o mar aberto sem possibilidade de pousos de emergência, e neste contexto deveria-se priorizar o desempenho e consequente segurança. Com base nestas exigências,  a equipe de projeto da  Bell Helicopter Company desenvolveria a versão Bell 47D1, que passava a ser equipada com o novo motor Franklin O-335-3 que apresentava agora 200 hp de potência nominal. Apesar de manter sua capacidade de transporte de duas pessoas, teria sua carga útil aumentada para 225 kg e voltava a equipado com trem de pouso do tipo esqui, dispensando ainda a cobertura de lona na fuselagem.  As hastes horizontais de suporte dos esquis eram retas formando ângulos retos entre as hastes e os esquis, o que permitiria a colocação de uma maca em cada lado externo da aeronave para o transporte de feridos, agregando as tarefas originais de treinamento e emprego geral, a missão de evacuação aero médica o que potencializaria o valor militar da nova aeronave. Este novo modelo logo conquistaria novos contratos militares de produção, elevando rapidamente o número de células em serviço militar ativo nos anos seguintes, não só nos Estados Unidos. 

Seu efetivo “batismo de fogo” ocorreria durante a Guerra da Coreia, particularmente nos momentos iniciais do conflito, quando a situação estratégica das forças das Nações Unidas (ONU) se mostrava extremamente delicada. Entre agosto e setembro de 1950, no contexto da defesa do Perímetro de Pusan, os primeiros helicópteros Bell H-13 Sioux foram empregados em missões de ligação e observação, desempenhando um papel ainda experimental, porém crucial. Nessa fase crítica, em que as tropas aliadas encontravam-se comprimidas em uma estreita faixa costeira no sudeste da península coreana, a mobilidade proporcionada pelos helicópteros revelou-se um diferencial tático significativo. Pilotos como o major Robert Miller, vinculado ao 6º Batalhão de Transporte Médico Aerotransportado, realizaram, em meados de agosto, alguns dos primeiros voos em ambiente de combate, transportando oficiais, ordens e comunicações entre unidades dispersas sob constante ameaça inimiga. A característica bolha de plexiglass, que conferia visibilidade praticamente panorâmica, permitia aos comandantes uma melhor percepção do campo de batalha, favorecendo a coordenação de manobras e contra-ataques em tempo quase real fator decisivo para evitar o colapso das linhas defensivas. Um episódio emblemático dessa fase ocorreu em 16 de setembro de 1950, durante a Batalha de Incheon, quando helicópteros H-13 foram empregados em missões de reconhecimento prévio à operação anfíbia, identificando posições norte-coreanas sob risco constante de fogo antiaéreo e de artilharia. Tais ações evidenciaram, de forma inequívoca, o valor tático das aeronaves de asas rotativas em operações modernas. Entretanto, foi no campo da evacuação médica  o chamado MEDEVAC que o H-13 alcançou sua maior relevância histórica e impacto humanitário. A partir de outubro de 1950, com o avanço das forças da Nações Unidas em direção ao Rio Yalu, os helicópteros passaram a ser adaptados com suportes externos para macas, instalados nas laterais da fuselagem, permitindo o transporte simultâneo de até quatro feridos, além do piloto e de um atendente médico. O primeiro emprego efetivo desse conceito em condições de combate ocorreu em 20 de novembro de 1950, durante a Batalha do Rio Ch'ongch'on, no contexto da contraofensiva chinesa. Na ocasião, o tenente-coronel Harold Towne, pilotando um H-13D, realizou um pouso sob intenso fogo inimigo para resgatar militares cercados, transportando-os para unidades do tipo MASH (Mobile Army Surgical Hospital). Esse tipo de operação reduziu drasticamente o tempo de evacuação: feridos que anteriormente levariam horas  ou mesmo dias  para alcançar atendimento médico passaram a ser transportados em questão de minutos. Como consequência direta dessa inovação, observou-se uma redução significativa nas taxas de mortalidade em combate quando comparadas àquelas registradas na Segunda Guerra Mundial. Ao longo do conflito coreano, mais de 700 helicópteros H-13 foram produzidos e enviados ao teatro de operações, realizando aproximadamente 70.000 missões de evacuação médica, com índices de sobrevivência notavelmente elevados entre os feridos transportados. Episódios de notável bravura individual, como missões de resgate múltiplo conduzidas por pilotos experientes entre eles o próprio major Robert Miller, que teria evacuado dezenas de soldados em operações sucessivas ilustram o elevado grau de risco enfrentado por essas tripulações. Ao mesmo tempo, as perdas registradas, com mais de uma centena de aeronaves destruídas ou abatidas, evidenciam a vulnerabilidade desses meios em um ambiente hostil.

Nos anos que se seguiram à sua introdução, o H-13D tornou-se o primeiro treinador padrão de aeronaves de asas rotativas, desempenhando um papel essencial na formação de pilotos para a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), o Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), a Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy) e o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (U.S. Marine Corps). A produção do Bell 47D, abrangendo tanto as versões militares quanto civis, alcançou a marca de mil unidades entregues até 1953. Esse período marcou também o início do desenvolvimento de novas variantes, impulsionadas pela crescente demanda nos mercados civil e militar, tanto doméstico quanto internacional. Entre as versões mais notáveis estavam o E, F, G, G-2 e H. Esta última, projetada para atender às necessidades de transporte executivo, destacava-se por sua capacidade de transportar até três pessoas, incluindo o piloto, e por incorporar um canopy totalmente fechado, que oferecia maior conforto e proteção contra as intempéries, além de reforçar a estética elegante que caracterizava o design do Bell 47. O sucesso do modelo no cenário internacional durante as décadas de 1950 e 1960 foi impulsionado por parcerias estratégicas que expandiram sua presença global. A Bell Helicopter Company licenciou a produção de suas aeronaves a fabricantes estrangeiros, ampliando significativamente a escala de fabricação. Na Itália, a Agusta S.p.A., produziu um total de 1.200 unidades das versões Bell 47G e Bell 47J, atendendo a uma ampla gama de clientes militares e civis na Europa e além. No Reino Unido, a Westland Aircraft Company, fabricou 422 helicópteros da família Bell 47, consolidando a presença do modelo em mercados estratégicos do Commonwealth e em outros continentes. Em 1952 um acordo de produção sob licença seria celebrado entre a Bell Helicopter Company e a empresa japonesa Kawasaki Aircraft Enginnering, envolvendo principalmente as versões Model 47D e do Model 47G, com sua produção sendo efetivamente iniciada somente no início do ano de 1954. Este acordo contemplava as  versões militares e civis, tanto para o mercado doméstico quanto para exportação. Este programa seria descontinuado no Japão somente em meados do ano de 1976 com quatrocentos e quarenta e sete helicópteros produzidos. Esta família de aeronaves de asas rotativas se manteria em produção ininterrupta por vinte e sete anos, com a última linha sendo descontinuada somente no ano 1977.  Sua imagem seria eternizada no imaginário popular na série de TV Mash que retratava o dia a dia do serviço médico militar norte-americano durante a Guerra da Coréia. Ao todo até fins da década de 1970 seriam entregues entre versões civis e militares mais de cinco mil células, com muitas destas se mantendo operacionais até o ano de 1998. Seriam empregadas no serviço militar na  Alemanha Ocidental, Argentina, Austrália, Brasil, Canada, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Cuba, El Salvador, Egito, Sudão, Senegal, Bolívia, Estados Unidos, Franca, Grécia, Israel, Itália, México, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Paraguai, Peru, Reino Unido, Brasil, Suécia, Tailândia, Turquia e Vietnã do Sul. 

Emprego nas Força Aérea Brasileira.
Ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Força Aérea Brasileira (FAB) consolidou-se como uma das mais expressivas forças aéreas do continente americano, figurando como a segunda maior das Américas e a principal potência aérea do Hemisfério Sul. Esse posicionamento foi alcançado, em grande medida, graças ao recebimento de mais de 1.500 aeronaves militares modernas, incorporadas a partir de 1942 por meio do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), iniciativa norte-americana destinada a fortalecer os países aliados durante o conflito. Essa expressiva frota incluía aeronaves de elevado desempenho para a época, como os caças-bombardeiros Republic P-47 Thunderbolt e Curtiss P-40 Warhawk, além de aviões de ataque como o Douglas A-20 Havoc e o North American B-25 Mitchell. Complementando essas capacidades ofensivas, a Força Aérea Brasileira (FAB)  também dispunha de meios voltados ao transporte, à patrulha marítima e à guerra antissubmarino (ASW), o que lhe conferia uma notável versatilidade operacional no imediato pós-guerra. Entretanto, esse cenário favorável foi progressivamente desafiado pela rápida evolução tecnológica observada no final da década de 1940. A introdução das aeronaves a jato representou uma verdadeira ruptura no campo da aviação militar, ao mesmo tempo em que o surgimento e o desenvolvimento das aeronaves de asas rotativas particularmente os helicópteros  passaram a redefinir conceitos táticos e operacionais. Nos Estados Unidos, modelos pioneiros como o Sikorsky R-4 e o Bell 47 demonstraram, já no início da década de 1950, elevado grau de versatilidade em operações militares. Durante a Guerra da Coreia (1950 - 1953) , essas aeronaves foram amplamente empregadas em missões de transporte de pessoal, ligação, observação do campo de batalha e evacuação aeromédica, consolidando, na prática, o valor estratégico dos helicópteros em cenários de conflito. Atento a essas transformações, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou, no início da década de 1950, um abrangente processo de planejamento e modernização. Esse esforço resultou na formulação do primeiro grande plano de reestruturação institucional, que tinha como objetivos centrais a atualização da frota aérea e a criação de um núcleo operacional dedicado ao emprego de aeronaves de asas rotativas. No âmbito desse planejamento, definiu-se que a missão inicial desse novo segmento seria voltada prioritariamente ao transporte aéreo especial, com ênfase no deslocamento de altas autoridades do governo federal e comandantes militares em missões classificadas como VIP (Very Important Person). Tal diretriz refletia não apenas a necessidade de acompanhar a evolução tecnológica da aviação militar, mas também a intenção de alinhar a Força Aérea Brasileira (FAB) às tendências internacionais de emprego de aeronaves de asas rotativas em funções estratégicas, consolidando sua posição como uma força aérea moderna e em sintonia com os avanços doutrinários do período. Neste contexto em 1951 foi dado a um programa estratégico voltado à aquisição de aeronaves de asas rotativas, marcando a introdução de uma capacidade até então inédita no âmbito da aviação militar brasileira. 

Após criteriosa avaliação técnica, a escolha recaiu sobre o Model 47, fabricado pela Bell Helicopter Company, referência internacional no desenvolvimento dessa categoria de aeronaves. O modelo selecionado, equipado com motor Franklin O-335 de 178 hp, representava, à época, um dos mais avançados helicópteros em operação, sendo amplamente empregado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em missões de ligação, observação e apoio geral. As negociações comerciais foram concluídas em 25 de março de 1952, com a assinatura do contrato junto ao representante da empresa no Brasil. O acordo previa a aquisição de quatro aeronaves novas, diretamente da linha de produção e sem modificações específicas, o que refletia a urgência  em incorporar rapidamente essa nova capacidade operacional. Além das aeronaves, o contrato contemplava a prestação de serviços essenciais, incluindo o treinamento de pilotos e técnicos brasileiros, bem como o fornecimento inicial de peças de reposição, assegurando a sustentação logística da futura operação.   A produção das 04 aeronaves foi concluída em novembro de 1952, nas instalações da Bell Helicopter Company em Fort Worth, Texas. Durante essa fase, oficiais brasileiros foram destacados para acompanhar e realizar a inspeção técnica dos helicópteros, assegurando sua conformidade com os requisitos estabelecidos. Após a aprovação, as aeronaves foram desmontadas e preparadas para transporte marítimo com destino ao Brasil. Já nos primeiros dias de 1953, os helicópteros desembarcaram no porto do Rio de Janeiro, sendo posteriormente transportados por via terrestre até o Aeroporto do Galeão. A montagem final ocorreu nas instalações da Fábrica do Galeão (FGL), sob supervisão de técnicos da fabricante norte-americana, que atuaram em conjunto com equipes brasileiras, em um esforço que contribuiu para a transferência inicial de conhecimento técnico. Durante esse processo, constatou-se que uma das 04 células havia sofrido danos significativos durante o transporte marítimo. Após avaliação detalhada, concluiu-se que sua recuperação não seria economicamente viável. Em consequência, a aeronave não foi montada, sendo seus componentes destinados ao suprimento de peças de reposição. Apesar desse revés, o programa cumpriu seu objetivo estratégico central: estabelecer as bases para o emprego de helicópteros na Força Aérea Brasileira (FAB), inicialmente voltado ao transporte aéreo especial de autoridades (VIP). Suas operações seriam iniciadas a partir do Aeroporto Santos Dumont, onde ficavam concentradas as estruturas e aeronaves pertencentes a Seção de Aeronaves de Comando (SAC), que era subordinada ao Quartel General da III Zona Aérea, organização esta criada para uso exclusivo no transporte das autoridades do governo brasileiro. Esta unidade evoluiria no futuro, se tornando o Esquadrão de Transporte Especial (ETE) e que posteriormente seria o embrião para a formação do Grupo de Transporte Especial (GTE), com a operação de aeronaves de asas rotativas destinadas ao 2º Esquadrão.
A incorporação dos Bell 47D-1 à Força Aérea Brasileira (FAB) designados localmente como H-13D e registrados sob as matrículas "FAB 8500 a FAB 8502" constituiu um marco relevante no processo de modernização da instituição no início da década de 1950. Recebidas em 1953, essas aeronaves foram inicialmente alocadas ao Aeroporto Santos Dumont, onde passaram a integrar a Seção de Aeronaves de Comando (SAC). Do ponto de vista técnico, os H-13D apresentavam características avançadas para o período. Entre elas, destacava-se a possibilidade de utilização de kits de flutuadores intercambiáveis  um recurso até então inédito no Brasil  que podiam substituir os tradicionais esquis de pouso. Essa solução ampliava significativamente a versatilidade operacional das aeronaves, permitindo sua atuação em áreas alagadas ou próximas a corpos d’água. Além disso, os helicópteros dispunham de suportes laterais para a instalação de macas externas, possibilitando seu emprego em missões de evacuação aeromédica (MEDEVAC). Essa configuração revelou-se fundamental para o desenvolvimento inicial da doutrina de Busca e Salvamento (SAR)  também conhecida no Brasil como SALVAERO  no âmbito da Aeronáutica, contribuindo para a estruturação de capacidades voltadas a operações humanitárias e de resgate em cenários complexos. Já na execução das missões de transporte de autoridades governamentais, atendendo a demandas de deslocamento de alto nível em missões classificadas como VIP (Very Important Person), estas aeronaves estavam subordinadas ao Quartel-General da III Zona Aérea. Com o passar do tempo, essa estrutura evoluiria para o Esquadrão de Transporte Especial (ETE) e, posteriormente, para o Grupo de Transporte Especial (GTE), consolidando a operação de aeronaves de asas rotativas em missões de caráter estratégico e institucional.  Como a capacidade de transporte desses helicópteros era restrita a apenas  um passageiro e considerando a existência no mercado do Bell Model 47J, com  capacidade para até três passageiros. Assim em 1958, o Ministério da Aeronáutica (MAer) adquiriu cinco dessas aeronaves, que foram denominadas H-13J e receberiam as matriculas de "FAB 8508 a FAB 8512, ostentando um padrão de pintura totalmente branco  com uma faixa azul da porta da cabine até o cone de cauda. No seu estabilizador vertical foram pintadas as tradicionais cores verde e amarela. Estes helicópteros, que começaram a chegar em 28 de outubro de 1958, equipando inicialmente o 2º Esquadrão do Grupo de Transporte Especial (GTE), que ficou com duas aeronaves operando do Aeroporto Santos Dummont. Neste contexto desempenhariam intensamente as tarefas de transporte de autoridades do primeiro e segundo escalão do governo federal, operando em deslocamentos de curto e médio percurso.  Assim neste mesmo período os  H-13D foram transferidos do Esquadrão Transporte Especial (ETE) para o Quartel General da 3ª Zona Aérea (QG3ºZAé), sediado no Rio de Janeiro, onde seriam  gradualmente redirecionados para as tarefas de busca e salvamento, aproveitando sua robustez, simplicidade e os equipamentos especializados de que dispunham.  

Ao mesmo tempo, o 2º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação Embarcada (2º/1º GAE), situado na Base Aérea de Santa Cruz, se preparava para receber os Sikorsky SH-34J Seahorse especializados em antissubmarino (ASW) e necessitavam de um helicóptero para o treinamento de seus pilotos Nesse contexto, surgiu a necessidade de um vetor adequado para o treinamento inicial de seus pilotos. A solução adotada consistiu na alocação de três exemplares do Bell H-13J (FAB 8510, FAB 8508 e FAB 8511) à unidade, os quais passaram a desempenhar funções de instrução, manutenção operacional e, complementarmente, missões de transporte VIP na região do Rio de Janeiro, em apoio às aeronaves do Grupo de Transporte Especial (GTE). Com a transferência da capital federal para Brasília, em 1961, esses helicópteros, juntamente com seus pilotos e equipes de apoio, foram realocados para a nova sede do governo. A partir da Base Aérea de Brasília, passaram a ser empregados prioritariamente no transporte de autoridades de primeiro e segundo escalão, desempenhando papel relevante na logística governamental em uma capital ainda em processo de consolidação. Entre os usuários frequentes dessas aeronaves destacaram-se figuras centrais da história política brasileira, como o presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília, e seu sucessor, o presidente Artur da Costa e Silva. Nesse contexto, os H-13J revelaram-se instrumentos valiosos para garantir mobilidade, rapidez de deslocamento e acesso a áreas de difícil alcance. Entretanto, ao longo da década de 1960, tornou-se progressivamente evidente que essas aeronaves, embora confiáveis, já não atendiam plenamente às crescentes exigências de segurança, desempenho e conforto associadas ao transporte de altas autoridades. Reconhecendo tais limitações, o Ministério da Aeronáutica (MAer) iniciou estudos visando à substituição da frota dedicada a essas missões, mantendo com premissa básica a incorporação de um vetor equipado com motores turboeixo. Esse processo culminou, em 1967, na aquisição de três helicópteros Bell 206 Jet Ranger, designados na Força Aérea Brasileira (FAB)  como VH-4 e matriculados sob os números "FAB 8570, FAB 8571 e FAB 8572". Incorporadas a partir de 15 de julho de 1968, essas aeronaves representaram um salto qualitativo significativo, introduzindo tecnologia de motorização a turbina, maior segurança operacional e melhores padrões de conforto. O emprego dos H-13J pela Força Aérea Brasileira (FAB), especialmente durante o período de transição da capital do Rio de Janeiro para Brasília, constitui um capítulo relevante na história do transporte aéreo de autoridades no país. Ao todo estas aeronaves completaram 2.422 horas de voo em proveito do Grupo de Transporte Especial (GTE). Ainda que tenham se tornado obsoletos ao final da década de 1960, esses helicópteros desempenharam papel fundamental em missões de elevada importância institucional, contribuindo para a consolidação do uso de aeronaves de asas rotativas no apoio direto ao Estado brasileiro.
Com a consolidação da transição das missões de transporte especial de autoridades para os helicópteros Bell 206 Jet Ranger, a partir de 1968, as células remanescentes dos Bell H-13J foram redirecionadas para novas funções no âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB). Em outubro daquele ano, essas aeronaves foram distribuídas para o Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica (DPEAer), sediado em Pirassununga no interior do estado de São Paulo. Esta transferência marcaria o  início de uma nova fase em sua trajetória operacional. Nesta organização que em breve se transformaria na Academia da Força Aérea (AFA), os  H-13J passaram a desempenhar um papel multifuncional, com ênfase em missões de Busca e Salvamento (SAR), apoio à instrução aérea dos cadetes e tarefas de ligação em benefício do comando da instituição. A versatilidade e a confiabilidade dessas aeronaves mostraram-se particularmente adequadas ao ambiente acadêmico-operacional, permitindo sua integração eficiente às rotinas de treinamento e suporte logístico.  As missões de busca e salvamento assumiram papel de destaque, contribuindo para a formação prática dos futuros oficiais aviadores em cenários que exigiam precisão, coordenação e tomada de decisão em condições adversas. Paralelamente, os helicópteros foram amplamente utilizados em exercícios de instrução, proporcionando aos cadetes contato direto com operações de asas rotativas. As atividades de ligação  que envolviam o transporte de pessoal e materiais entre diferentes organizações da Força Aérea Brasileira (FAB)  também foram desempenhadas com regularidade, reforçando a utilidade operacional do modelo mesmo em fase mais avançada de sua vida útil. Os Bell H-13J permaneceram em serviço ativo até meados de 1974, quando a última aeronave operacional foi desativada. Entre as células remanescentes, destacou-se o exemplar de matrícula "FAB 8509", selecionado para preservação histórica. Em 1975, essa aeronave foi transferida para o Museu Aeroespacial (MUSAL), no Rio de Janeiro, onde passou a integrar o acervo institucional. A incorporação do FAB 8509 ao Museu Aeroespacial (MUSAL) simbolizou o encerramento de um ciclo de aproximadamente dezesseis anos de ծառայço prestado pelos H-13J à Força Aérea Brasileira (FAB). Ao longo desse período, essas aeronaves desempenharam funções de elevada relevância, abrangendo desde o transporte de autoridades até missões de busca e salvamento, instrução aérea e apoio logístico, consolidando seu papel como um dos vetores pioneiros na introdução e desenvolvimento da aviação de asas rotativas no Brasil.

Em Escala.
Para representarmos o  Bell 47J H-13J " FAB 8512 " empregamos o  novo kit da LF Models na escala 1/72, modelo que apesar de apresentar pequenos problemas na qualidade de injeção do plástico,  apresentas um bom detalhamento para a escala contando com peças em resina e photoetched. Salientando que recentemente este mesmo fabricante lançou um modelo na escala 1/48. Empregamos decais originais presentes no kit. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão com qual as aeronaves foram recebidas em 1958, seguindo o esquema aplicado a aeronaves de transporte de especial de autoridades VIP (Very Important Person), mantendo este padrão até sua retirada de serviço em 1974. Empregamos tintas e vernizes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Bell H-13 Sioux- https://en.wikipedia.org/wiki/Bell_H-13_Sioux
- Bell H-13J - https://airandspace.si.edu/collection-objects/bell-h-13j/nasm_A19690013000
- História da Força Aérea Brasileira , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015 Jackson Flores Jr

Série D 400-900 Dodge (VTNE-VTE)

História e Desenvolvimento. 
Em 1900, os irmãos John Francis Dodge e Horace Elgin Dodge iniciaram um projeto ambicioso para desenvolver um automóvel inovador, distinto dos modelos disponíveis no mercado norte-americano. Nos primeiros anos, a produção era predominantemente artesanal, com dezenas de veículos fabricados manualmente. Em 1914, a empresa foi formalmente constituída como Dodge Motors Company, adotando processos de produção em série que ampliaram significativamente sua capacidade operacional. Com o início da produção em larga escala, a Dodge Motors Company alcançou rápida notoriedade no mercado norte-americano de carros de passeio. A qualidade e a confiabilidade de seus veículos asseguraram uma participação expressiva no setor, gerando recursos financeiros que viabilizaram investimentos em novos segmentos e consolidaram a marca como referência no mercado automotivo. O falecimento dos irmãos Dodge em 1920 representou um divisor de águas na história da empresa, levando a mudanças significativas em sua orientação estratégica e estrutura organizacional. Apesar desse impacto, a Dodge continuou a operar com foco em inovação e crescimento, preparando o terreno para sua expansão em novos mercados. Em 1928, a Dodge Motors Company foi adquirida pela Chrysler Corporation, passando a integrar um conglomerado que incluía marcas como De Soto, Plymouth e Fargo. Sob a liderança do empreendedor Walter P. Chrysler, a marca Dodge manteve sua identidade distinta e continuou a expandir sua presença no mercado, beneficiando-se da estrutura e dos recursos do grupo. No final da década de 1920, a Dodge direcionou esforços para o desenvolvimento de veículos utilitários leves voltados para o mercado civil. Esses modelos foram projetados com base nas plataformas de veículos comerciais de passageiros, uma estratégia que minimizou os custos de projeto e produção ao aproveitar o ferramental existente. Destinados ao transporte de cargas e atividades pesadas, incluindo operações fora de estrada, os utilitários alcançaram êxito comercial, reforçando a reputação da Dodge como símbolo de robustez e versatilidade. O crescimento contínuo das vendas foi interrompido pela crise econômica de 1929, que impôs desafios financeiros significativos à Dodge. A aquisição pela Chrysler Corporation, consolidada no ano seguinte, proporcionou a reestruturação necessária para a continuidade das operações, integrando a Dodge ao portfólio de marcas do conglomerado. Na primeira metade da década de 1930, o cenário geopolítico global, marcado pela ascensão do partido nazista na Europa e o início de uma corrida armamentista, criou oportunidades no mercado militar. A diretoria da Dodge Motors Company identificou o potencial de atender às demandas das forças armadas e, em 1934, iniciou o desenvolvimento de protótipos de caminhões militares de médio e grande porte. Esses projetos foram fundamentados na experiência prévia da empresa, que forneceu veículos leves ao governo dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial. O primeiro resultado desses esforços foi o caminhão experimental K-39-X-4, um modelo com tração nas quatro rodas e capacidade de 1,5 toneladas, apresentado ao comando do Exército dos Estados Unidos (US Army). Esse veículo marcou o início de uma linha de sucesso no segmento de caminhões militares, evidenciando a capacidade da Dodge de atender às exigências do setor de defesa. 

O êxito dos caminhões militares motivou a Dodge a diversificar sua linha de modelos para atender às crescentes demandas do mercado. Em 1938, a empresa inaugurou a planta industrial Warren Truck Assembly, em Michigan, dedicada à produção de caminhões leves e médios. Essa instalação fortaleceu a capacidade produtiva da Dodge, consolidando sua posição como um fornecedor estratégico de veículos militares e civis. Em 1939, a Dodge Motors Company apresentou uma linha redesenhada de picapes e caminhões, caracterizada por um design moderno e designada como "Job-Rated". Essa linha foi desenvolvida para atender a uma ampla gama de tarefas e trabalhos, combinando funcionalidade e estética contemporânea. O lançamento marcou um avanço significativo na oferta de veículos utilitários, reforçando a reputação da Dodge no mercado civil e preparando a empresa para demandas futuras no setor militar. Na mesma época, o agravamento das tensões geopolíticas na Europa e no Pacífico evidenciou a necessidade de modernização e reequipamento das forças armadas dos Estados Unidos. O Exército dos Estados Unidos (US Army) estabeleceu um padrão para veículos de transporte, dividindo-os em cinco classes com base na capacidade de carga útil: ½ tonelada, 1½ tonelada, 2½ toneladas, 4 toneladas e 7½ toneladas. Esse padrão visava atender às exigências operacionais em um cenário de possíveis conflitos globais. Em junho de 1940, o Quartel-General do Comando do Exército dos Estados Unidos (US Army Quartermaster Corps) testou e aprovou três caminhões comerciais padrão com tração nas quatro rodas: o Dodge de 1½ toneladas 4x4, o GMC de 2½ toneladas 6x6 e o Mack de ½ tonelada 6x6. Esses veículos foram selecionados para atender às necessidades logísticas e operacionais do Exército, estabelecendo as bases para a produção em larga escala. No verão de 1940, a Dodge-Fargo Division da Chrysler Corporation recebeu um contrato para fornecer 14.000 unidades de caminhões de ½ tonelada com tração integral 4x4, designados pela empresa como série VC. A produção em série teve início em novembro de 1940, e, com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, a designação foi alterada para série WC (Weapons Carriers). Esses veículos substituíram os modelos Dodge VC-1 e VC-6 de ½ tonelada, pertencentes à série original G505, no Exército norte-americano. Os caminhões Dodge WC de ½ tonelada, produzidos em 1940, incluíam os modelos VF-401 a VF-407, equipados com o motor tipo T-203 da Dodge G-621. Esses veículos eram variações dos protótipos pré-guerra RF-40 (-X) e TF-40 (-X) (ou T-200/T-201), montados em um chassi com distância entre eixos de 143 polegadas (3,63 metros). Durante 1940, a Dodge fabricou mais de 6.000 unidades sob dois contratos com o governo norte-americano, demonstrando sua capacidade de atender às demandas militares em larga escala. Entre o final de 1940 e o início de 1942, foram produzidas aproximadamente 82.000 unidades de caminhões de ½ tonelada com tração 4x4, sob diversos contratos com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos. A produção foi realizada tanto pela Dodge Motors Company quanto pela Fargo Motor Car Company. A família Dodge WC alcançou um total de 38 variantes. Um aspecto fundamental da série WC era a intercambialidade de 80% das peças de reposição entre as diferentes versões e modelos produzidos pela Dodge. Essa padronização facilitou significativamente a logística de suprimentos e os processos de manutenção nos diversos fronts de batalha durante a Segunda Guerra Mundial, garantindo maior eficiência operacional.
O fim da Segunda Guerra Mundial resultou na desmobilização imediata das indústrias de defesa norte-americanas, com o cancelamento de contratos de produção militar. Para a Dodge Motors Company, esse cenário exigiu a reorientação estratégica para novos nichos no mercado civil e comercial, além de um ambicioso plano de internacionalização voltado para mercados emergentes, com destaque para a América Latina. A Dodge já estava presente no Brasil desde a década de 1930, por meio da empresa carioca Chrysbraz Comercial Ltda., controlada pelos acionistas da Mesbla S/A. Essa operação comercializava modelos Chrysler, Dodge, Plymouth e Fargo, importados no formato CKD (Completely Knocked Down) e montados localmente. No final da década de 1940, a Dodge retomou esse modelo de parceria, firmando contratos em 1947 com três empresas regionais: Companhia Distribuidora Geral, em São Bernardo do Campo, São Paulo; Cipan Comercial, no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; Cirei Exportações e Importações S.A., em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A Brasmotor, a mais estruturada dessas empresas, comercializou, em um período de oito anos, mais de 3.500 automóveis e aproximadamente 12.000 veículos comerciais, consolidando a presença da marca no mercado brasileiro. Em 1956, o Governo Federal brasileiro criou o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), um programa que oferecia incentivos significativos para o estabelecimento de uma indústria automotiva nacional. Apesar do atrativo pacote de benefícios, a diretoria da Chrysler Corporation, controladora da Dodge, não demonstrou interesse imediato. Propostas para a instalação de uma fábrica conjunta, apresentadas pela Brasmotor em 1956, e negociações com a Willys em 1957 para a produção local de 6.000 unidades anuais do Plymouth Savoy, com 65% de nacionalização, foram rejeitadas. O projeto Chrysler-Willys do Brasil S.A., embora autorizado pelo GEIA em dezembro de 1957, não foi concretizado. A chegada da Chrysler Corporation ao Brasil ocorreu indiretamente por meio da Simca do Brasil, uma subsidiária da Société Industrielle Mécanique et Carrosserie Automobile (Simca Francesa). Em 1958, a Simca estabeleceu uma planta fabril em São Bernardo do Campo, São Paulo, alinhada aos incentivos do GEIA. Em 1963, a Chrysler adquiriu a matriz francesa da Simca, e, em 1966, assumiu o controle da Simca do Brasil. A partir de agosto de 1967, a empresa passou a operar como Chrysler do Brasil S.A. Sob a gestão da Chrysler do Brasil, o portfólio inicial incluía os modelos Simca Chambord, Simca Alvorada e Simca Jangada. Esses veículos passaram por uma revisão técnica abrangente, com melhorias no controle de qualidade e a introdução de uma garantia inédita de 36.000 km ou dois anos de uso. Essa reestruturação resultou em um aumento expressivo nas vendas, com o primeiro trimestre de 1968 registrando um crescimento de 220% em relação ao mesmo período do ano anterior. O sucesso comercial criou condições para o planejamento de novos lançamentos. Em junho de 1968, a Chrysler confirmou o Dodge Dart como o próximo modelo a ser introduzido no mercado brasileiro, visando competir no segmento de automóveis de origem Chrysler. Para o segmento de veículos compactos, a empresa considerou o Simca 1000 e o Hillman Imp, ambos com motor traseiro. Contudo, a fábrica de São Bernardo do Campo não dispunha de espaço suficiente para a produção desses modelos. A Chrysler do Brasil optou por priorizar o segmento de carga e utilitários, considerando o forte mercado nacional para esses veículos. A produção foi iniciada em 1967 em uma planta industrial recém-adquirida em Santo André, São Paulo, anteriormente operada pela International Harvester Corporation, que encerrou suas atividades no Brasil em 1964. 

Os primeiros modelos lançados sob a marca Dodge foram voltados para aplicações comerciais e industriais, alinhando-se às demandas do mercado brasileiro. A entrada da Chrysler do Brasil S.A. no mercado brasileiro marcou um momento significativo para a indústria automotiva nacional, com a introdução de uma linha de veículos de carga projetados para atender às demandas do mercado. Este relatório detalha a estreia da empresa no Salão Internacional do Automóvel de 1968, a apresentação dos modelos Dodge D-100, D-400 e D-700, suas especificações técnicas e o impacto de sua chegada no cenário competitivo brasileiro. Em novembro de 1968, a Chrysler do Brasil S.A. fez sua estreia oficial no mercado brasileiro durante o Salão Internacional do Automóvel, realizado em São Paulo. A empresa apresentou três modelos de veículos de carga, abrangendo diferentes categorias de capacidade: Dodge D-100: Picape com capacidade de 700 kg; Dodge D-400: Caminhão leve com capacidade de 3,5 toneladas; Dodge D-700: Caminhão médio com capacidade de 8 toneladas. A exposição destacou o compromisso da Chrysler com o mercado brasileiro, posicionando a marca Dodge como uma concorrente robusta no segmento de veículos comerciais. O primeiro modelo a chegar às concessionárias, em maio de 1969, foi o Dodge D-700. Com um design de inspiração norte-americana, caracterizado por uma cabine recuada, o veículo era equipado com o motor a gasolina Dodge V8 318, reconhecido como o maior e mais potente motor a gasolina produzido no Brasil até então. Suas principais especificações incluíam: Motor: V8 318, 5.212 cm³, bloco e cabeçote de ferro, comando de válvulas no bloco acionado por corrente metálica, carburador de corpo duplo, diâmetro de 99,3 mm e curso de 84,1 mm; Potência e Torque: 198 cv a 4.200 rpm e 42 kgfm a 2.400 rpm; Transmissão: Caixa manual de quatro marchas (opcionalmente cinco, com a primeira não sincronizada), reduzida com acoplamento elétrico; Suspensão: Dependente, tipo eixo rígido com feixe de molas nos dois eixos; Freios: Hidráulicos com assistência a vácuo, a tambor nas quatro rodas; Direção: Tipo rosca sem fim, não assistida; Tanque de Combustível: Capacidade de 104 litros; Chassi: Disponível em três comprimentos de entre-eixos, variando de 3,68 m a 5,00 m. O Dodge D-700 foi projetado para atender às demandas de transporte de cargas pesadas, destacando-se pela robustez e confiabilidade. Em agosto de 1969, a Chrysler lançou o Dodge D-400, posicionado como um concorrente direto do Ford F-350, que dominava o segmento de caminhões leves por uma década. Lançado como parte da linha 1970, o D-400 compartilhava o motor V8 318 de 5,2 litros, ajustado para entregar 203 cv, tornando-o o caminhão a gasolina mais potente do mercado brasileiro. Suas especificações incluíam: Motor: V8 318, 5.212 cm³, com 203 cv; Transmissão: Caixa manual de quatro marchas, com a primeira não sincronizada; Tanque de Combustível: Capacidade de 68 litros; Suspensão, Freios e Direção: Similares ao D-700, com suspensão de eixo rígido, feixe de molas, freios a tambor e direção tipo rosca sem fim. O D-400 foi bem recebido, consolidando a presença da Dodge no segmento de caminhões leves. Em novembro de 1969, a picape Dodge D-100 foi introduzida no mercado. Equipada com o mesmo motor V8 318 de 5,2 litros, ajustado para 198 cv, a D-100 apresentava: Transmissão: Caixa manual de três marchas sincronizadas; Suspensão: Convencional, com eixos rígidos e molas semi-elípticas; Capacidade de Carga: 700 kg. A picape foi projetada para atender às necessidades de transporte leve, combinando desempenho e praticidade. 
Em janeiro de 1970, a linha 1970 trouxe uma novidade significativa para o Dodge D-700: a introdução do motor Perkins a diesel de seis cilindros e 5,8 litros, oferecendo maior eficiência para operações de carga pesada. Em outubro do mesmo ano, a Chrysler lançou o Dodge D-900, que apresentava melhorias como: Rodas: Raiadas, com para-choques mais largos; Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas; Direção: Hidráulica, disponível como opcional; Freios: Acionados a ar; Motores: Opções V8 318 de 5,2 litros a gasolina e Perkins de 5,8 litros a diesel. O D-900 foi projetado para atender a demandas mais exigentes, reforçando a competitividade da linha Dodge. A introdução dos modelos D-100, D-400, D-700 e, posteriormente, D-900 posicionou a Chrysler do Brasil como uma forte concorrente no mercado de veículos de carga. A combinação de motores potentes, designs robustos e opções de configuração versáteis permitiu à Dodge atender a uma ampla gama de necessidades comerciais, desafiando marcas estabelecidas como a Ford. A rápida aceitação dos modelos no mercado brasileiro evidenciou a eficácia da estratégia da Chrysler em priorizar o segmento de carga e utilitários. A década de 1970 foi marcada por mudanças significativas na indústria automotiva brasileira, impulsionadas por fatores como a crise do petróleo e transformações no mercado corporativo. Em resposta à crise do petróleo, que incentivou o desenvolvimento de motores mais eficientes, a Chrysler do Brasil introduziu, na linha 1976, o Dodge D-400 equipado com um motor a diesel Perkins 4236 de 3,9 litros. As especificações técnicas do motor incluíam: Cilindrada: 3.860 cm³, com diâmetro de 98,4 mm e curso de 127 mm; Taxa de Compressão: 16:1; Sistema de Injeção: Bomba injetora de atuação direta; Potência e Torque: 90 cv a 3.000 rpm e 30 kgfm a 1.500 rpm (valores brutos). Esse motor, posteriormente utilizado no Volkswagen 6-80 e no Chevrolet D-10, destacou-se pela eficiência e confiabilidade, atendendo às demandas do mercado por veículos de carga mais econômicos. No mesmo período, o Dodge D-900 foi substituído pelo Dodge D-950, que manteve as opções de motores disponíveis, incluindo o V8 318 de 5,2 litros a gasolina e o Perkins de 5,8 litros a diesel. O D-950 trouxe melhorias incrementais, mantendo a robustez característica da linha Dodge. Em julho de 1979, a Volkswagenwerk, proprietária da Volkswagen do Brasil, anunciou a aquisição de 67% das ações da Chrysler do Brasil, incluindo suas fábricas e os direitos de produção de seus veículos no país. A transação, formalizada em janeiro de 1979, surpreendeu o setor automotivo brasileiro. Em novembro do mesmo ano, a Volkswagenwerk adquiriu os 33% restantes, assumindo o controle total da empresa. O principal objetivo da Volkswagen era utilizar a infraestrutura industrial da Chrysler do Brasil para ingressar no mercado de veículos de carga, um segmento no qual a empresa ainda não tinha presença global significativa. Apesar das declarações iniciais da Volkswagen sobre a continuidade da linha Dodge, a estratégia de longo prazo priorizava a substituição desses modelos por novos caminhões desenvolvidos sob a marca Volkswagen. Em fevereiro de 1981, a razão social da Chrysler do Brasil foi alterada para Volkswagen Caminhões, marcando o fim da identidade Chrysler no mercado brasileiro. Nos anos seguintes, a linha Dodge Série D, que incluía modelos como o D-400, D-700 e D-950, foi gradualmente descontinuada. A infraestrutura industrial adquirida foi redirecionada para a produção da primeira geração de caminhões Volkswagen, alinhada com a estratégia global da empresa de expandir sua presença no segmento de veículos comerciais. 
Emprego nas Forças Armadas Brasileiras.
Durante o inicio da Segunda Guerra Mundial, preocupado com a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo, o governo norte-americano sob a gestão do presidente Franklin D Roosevelt  incentivou a participação do Brasil no esforço de guerra aliado. Como contrapartida, o Brasil obteve acesso a vantagens estratégicas como : Acordos bilaterais de comércio: Fortalecimento das relações econômicas com os Estados Unidos. Acesso ao programa  Leand & Lease Bill Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos): Uma linha de crédito de US$ 100 milhões para aquisição de equipamentos militares modernos, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Entre 1942 e 1945, o Exército Brasileiro recebeu mais de 5.000 caminhões militares de diversos modelos, como GMC CCKW, Diamond T, US White Corbitt Cargo, Ward La France, Chevrolet Série G, e Studebaker US6G. Esses veículos proporcionaram uma capacidade significativa de mobilização de tropas e cargas, modernizando as operações logísticas da  Força Terrestre. Na década de 1950, a frota de caminhões adquirida durante a guerra enfrentou sérios problemas operacionais, decorrentes de: Desgaste natural: O uso intensivo durante e após o conflito comprometeu a condição das viaturas. Dificuldade de manutenção: A produção dos modelos recebidos foi descontinuada nos Estados Unidos, dificultando a importação de peças de reposição essenciais. Essa situação gerou preocupações críticas no comando do Exército Brasileiro, pois a redução da capacidade de transporte ameaçava diretamente a prontidão operacional. A necessidade de soluções emergenciais tornou-se prioritária para manter a funcionalidade das forças terrestres. A aquisição de uma nova frota de caminhões militares, como os modelos REO M-34 e M-35 com tração 4x4 e 6x6, foi considerada a solução ideal para substituir os veículos obsoletos. No entanto, o alto custo de tal investimento estava fora do alcance orçamentário do Exército Brasileiro na época. Estudos mais realistas resultaram em três estratégias complementares: Aquisição limitada de caminhões modernos: Aquisição:  de um pequeno número de caminhões militares modernos como os norte-americanos REO M-34, visando atender às necessidades mais urgentes com equipamentos atualizados -Repotencialização de frotas existentes: Estudos para modernizar e remotorizar os caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G, prolongando sua vida útil por meio de reformas e atualizações -Adoção de caminhões comerciais militarizados: Utilização de veículos comerciais adaptados para cumprir missões secundárias, oferecendo uma solução econômica e imediata. Mesmo com esta pauta na mesa,  o Exército Brasileiro enfrentou desafios significativos para manter sua capacidade operacional devido à obsolescência de sua frota de caminhões militares. Assim para  recuperar a capacidade logística do Exército Brasileiro, três alternativas foram consideradas: aquisição de novos caminhões militares, repotencialização de veículos existentes, e adoção de caminhões comerciais militarizados. 

Contudo, os estudos para modernizar os caminhões GMC CCKW e Studebaker US6G foram descartados devido a: Alto custo de implementação: Os investimentos necessários excediam as capacidades orçamentárias. Falta de expertise técnica: O Brasil não dispunha de experiência prévia em programas de modernização de tal escala. O cancelamento dessa iniciativa intensificou a necessidade de ampliar a aquisição de caminhões comerciais militarizados, que poderiam complementar a frota militar, composta majoritariamente por veículos 6x6 projetados para operações fora de estrada. A adoção de caminhões comerciais militarizados visava liberar a frota 6x6 para missões fora de estrada, destinando os novos veículos a funções secundárias, como transporte em ambientes urbanos e rodoviários. Esse conceito já havia sido implementado pelo Exército Brasileiro desde a década de 1930, com o uso de modelos como Chevrolet 112 Tigre, Chevrolet 137 Comercial, Chevrolet Gigante 937, e Opel Blitz II, todos adaptados para operações militares. A introdução em larga escala de caminhões comercialmente militarizados permitiu uma redistribuição eficiente dos recursos logísticos, otimizando a utilização da frota existente e garantindo a continuidade das operações. Para apoiar a indústria automotiva nacional, o Ministério do Exército optou por veículos produzidos pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), que fabricava dois modelos de caminhões médios: o FNM D-9500 e o FNM D-11000. Após avaliação, o FNM D-11000 foi selecionado devido às suas características estruturais, que atendiam aos requisitos para militarização. As principais especificações do modelo incluíam: Robustez estrutural: Projetado para transportar cargas pesadas em estradas precariamente pavimentadas e terrenos irregulares -  Chassi reforçado: Equipado com sete travessas de reforço forjadas em aço de alta resistência, garantindo durabilidade e capacidade de suportar condições adversas -  Adequação ao uso militar: A construção robusta do D-11000 oferecia as condições necessárias para adaptações destinadas a operações militares. A estratégia de redistribuir a reduzida frota de caminhões militares 6x6 para missões fora de estrada e utilizar veículos comerciais em funções secundárias demonstrou pragmatismo e eficiência.   A partir de 1964, o Exército Brasileiro passou a adquirir a nova linha de caminhões Chevrolet C-60 e Ford F-600 , disponíveis nas configurações de tração 4x2 e 6x6.  Reconhecendo a importância de aumentar a capacidade operacional dos caminhões, especialmente em ambientes fora de estrada, o comando do Exército Brasileiro buscou implementar um novo esforço estratégico. Novamente em função do baixo orçamento existente, a solução deveria ser doméstica, passando pela aquisição de novos caminhões militarizados de fabricação nacional, porém estes novos veículos deveriam realmente incorporar capacidades militares aos modelos civis existentes no mercado, permitindo assim operar nos ambientes fora de estrada característicos dos veículos de emprego militar. 
Na década de 1960, a Engesa – Engenheiros Especializados S.A. emergiu como uma empresa de destaque no cenário industrial brasileiro, consolidando-se posteriormente como um dos principais fabricantes de equipamentos militares terrestres do país.  A Engesa destacou-se pela qualidade de seu quadro técnico, composto por profissionais altamente qualificados, muitos dos quais formados pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Essa equipe foi fundamental para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, posicionando a empresa como um polo de inovação no setor industrial brasileiro. Em 1966, a Engesa alcançou um marco significativo com o projeto e a fabricação do sistema de tração 4x4, conhecido comercialmente como “Tração Total”. Esse kit, projetado para equipar veículos de série nacionais, era composto por: Caixa de transferência com duas tomadas de força; Eixo dianteiro direcional; Guincho (opcional). Posteriormente, o sistema foi expandido para configurações 6x4 e 6x6, aproveitando os eixos e feixes de molas traseiros originais dos veículos. Destinado inicialmente a picapes e caminhões produzidos por fabricantes como Chevrolet, Ford e, mais tarde, Dodge, o sistema “Tração Total” conferiu aos veículos comerciais um desempenho off-road excepcional, até então inédito no Brasil. O sistema “Tração Total Engesa” revolucionou a capacidade operacional dos veículos equipados, ampliando significativamente sua versatilidade. Por exemplo, uma picape Ford F-100 equipada com o sistema apresentava capacidade de carga duplicada e era capaz de superar rampas com inclinação de até 85%. Essa inovação destacou a Engesa como líder em soluções de mobilidade para ambientes desafiadores. A linha de produtos “Tração Total” foi patenteada no Brasil e no exterior, consolidando a propriedade intelectual da Engesa e atraindo a atenção de mercados internacionais. No âmbito nacional, o sistema despertou o interesse das Forças Armadas Brasileiras, que reconheceram seu potencial estratégico. Em 1967, o projeto “Tração Total” foi oficialmente classificado como “De Interesse para a Segurança Nacional”, um marco que reforçou a relevância da Engesa no setor de defesa.O sistema de “Tração Total” da Engesa, patenteado na década de 1960, criou uma oportunidade estratégica para montadoras nacionais expandirem sua presença no mercado militar brasileiro. A necessidade de modernização da frota das Forças Armadas, composta por veículos obsoletos como os GMC Série CCKW e Studebaker US6G, incentivou a colaboração entre fabricantes automotivos, a Engesa e o Ministério do Exército para o desenvolvimento de caminhões militarizados com capacidades avançadas de tração.  A partir de 1963, veículos produzidos pela General Motors do Brasil, como as camionetes Chevrolet C-1416 e os caminhões Chevrolet C-60, foram submetidos a testes de campo com a integração da tração dianteira e do sistema 4x4 da Engesa. Esses ensaios foram cruciais para estabelecer os parâmetros técnicos finais de uma nova linha de caminhões comerciais militarizados, disponíveis nas configurações de tração 4x4 e 6x6. As principais plataformas selecionadas para conversão incluíam: Chevrolet D-60; Mercedes-Benz LA-1111 e Ford F600. Em meados de 1965, foram assinados os primeiros contratos de produção entre as montadoras, a Engesa e o Ministério do Exército. As entregas dos caminhões militarizados tiveram início no começo de 1966, marcando um avanço significativo na modernização da frota militar brasileira. Esses contratos fortaleceram a indústria automotiva nacional, alinhando-se aos objetivos do Governo Federal de consolidar o parque industrial do país.

Os caminhões entregues apresentavam diferenças visuais e funcionais em relação às versões comerciais, incluindo: Carrocerias de padrão militar; Para-choques reforçados; Ganchos traseiros para tração de reboques de carga geral ou peças de artilharia de campanha de pequeno e médio porte. Além das versões equipadas com o sistema “Tração Total”, as Forças Armadas Brasileiras (Exército, Marinha e Força Aérea) também adquiriram caminhões militarizados em configurações mais simples, adaptados para diversas funções operacionais. A partir de 1970, a diretoria comercial da Chrysler do Brasil identificou o potencial do mercado militar e iniciou negociações com a Engesa para homologar seus modelos Dodge D-400 e D-700 para integração com o sistema “Tração Total”. Essa iniciativa visava posicionar a Chrysler como fornecedora no processo contínuo de renovação da frota militar, substituindo veículos antigos ainda em uso pelo Exército Brasileiro. A homologação dos modelos Dodge representava uma oportunidade estratégica para a empresa conquistar uma fatia significativa desse mercado em expansão. No entanto os primeiros contratos governamentais conquistados pela Chrysler do Brasil envolveram uma versão do caminhão Dodge D-700 configurada como veículo de combate a incêndios. Este modelo de médio porte foi projetado para atender às necessidades de unidades do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar em pequenas cidades do interior, bem como de grandes empresas estatais. Suas principais características incluíam: Carroceria Especializada: Produzida pela empresa carioca Argos Carros de Bombeiro e Veículos Especializados Ltda., sediada em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, com design inspirado em modelos norte-americanos de combate a incêndios; Índice de Nacionalização: Atingiu 95%, com a maioria dos componentes fabricados localmente, exceto as bombas, que eram importadas. Apesar do sucesso em obter contratos com governos estaduais, o volume de vendas permaneceu limitado, refletindo a natureza incipiente do mercado para esse tipo de veículo especializado. Paralelamente, a Chrysler do Brasil, em parceria com a Engesa, desenvolveu três protótipos de veículos militarizados para submissão ao programa de avaliação padrão do Exército Brasileiro. Esses protótipos visavam atender à demanda por caminhões modernos com capacidades off-road, integrando o sistema de “Tração Total” da Engesa. Os modelos testados incluíam: Dodge D-700 Militarizado (6x6): Testado a partir do início de 1971, este protótipo apresentava: Carroceria militar com grades de proteção para faróis e para-choques reforçados; Motor a gasolina V8 de 196 cv; Câmbio Clark e caixa de transmissão ZF do Brasil; Sistema de “Tração Total” 6x6; Conjunto de suspensão “Boomerang” da Engesa, uma inovação revolucionária para operações em terrenos irregulares. Dodge D-400 (4x4): Configurado com tração 4x4, projetado para maior mobilidade em operações táticas. Dodge D-700 (4x4, Cabine Aberta): Equipado com cabine aberta, cobertura de lona e para-brisa basculante, possibilitando transporte aéreo em aeronaves da Força Aérea Brasileira, como o Lockheed C-130 Hercules e o De Havilland C-115 Buffalo.
Os protótipos foram submetidos a extensos testes pelo Exército Brasileiro e pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil em 1971. Apesar do desempenho promissor, especialmente do Dodge D-700 6x6 com suspensão “Boomerang”, não houve encomendas desses modelos. A preferência das Forças Armadas Brasileiras por caminhões com motores a diesel, mais econômicos e adequados às operações prolongadas, favoreceu modelos concorrentes, como o Chevrolet D-60 e o Ford F-600D, que foram adquiridos em grande quantidade durante o período. Estes dois modelos com tração integral receberiam pequenos contratos de produção, com as entregas se iniciando a partir de meados do ano de 1972, mas grande parte da frota de caminhões da Chrysler do Brasil a serviço do Exército Brasileiro, seria composta por veículos puramente comerciais sem nenhuma militarização. Estes seriam divididos entre os modelos Dodge D-700, D-750, D-900 e D-950, entregues com diversas configurações de carroceria, como carga seca, baú, oficina, cisterna de água, tanque de combustível, oficina, posto de comando, frigorifico, socorro, basculante e bombeiro.  Os caminhões basculantes Dodge D-950 destacaram-se por sua capacidade superior em comparação com modelos similares, tornando-se peças fundamentais nas operações dos Batalhões de Engenharia de Construção (BEC) do Exército Brasileiro. Essas unidades tinham como missão atuar em obras de cooperação com organismos públicos federais, estaduais e municipais, envolvendo a construção de: Ferrovias; Rodovias; Viadutos; Pontes; Açudes; Portos; Barragens; Poços artesianos. Os Dodge D-950 equiparam diversos batalhões, incluindo: 1º BEC, Caicó, Rio Grande do Norte; 2º BEC, Teresina, Piauí; 3º BEC, Picos, Piauí; 4º BEC, Barreiras, Bahia; 5º BEC, Porto Velho, Rondônia; 6º BEC, Boa Vista, Roraima e 7º BEC, Rio Branco, Acre. A robustez e a versatilidade do Dodge D-950 garantiram sua utilização prolongada nessas unidades, contribuindo significativamente para projetos de infraestrutura em regiões estratégicas do país. Os caminhões Dodge fornecidos pela Chrysler do Brasil permaneceram em operação no Exército Brasileiro até o final da década de 1980. A partir desse período, foram gradualmente substituídos por modelos equivalentes produzidos por outras montadoras, incluindo: Ford F-600 e F-12000; Mercedes-Benz L-1111, L-1113 e L-1114. Os últimos veículos a serem retirados de serviço, no início da década de 1990, foram os caminhões configurados como bombeiros. Muitas dessas unidades foram repassadas a corpos de bombeiros de pequenas cidades do interior do Brasil, estendendo sua vida útil em aplicações civis. O fornecimento dos caminhões Dodge pelo Exército Brasileiro reforçou a posição da Chrysler do Brasil no mercado de veículos comerciais e especializados. A utilização dos D-950 pelos Batalhões de Engenharia de Construção destacou a capacidade da empresa de atender às demandas de operações complexas, contribuindo para o desenvolvimento de infraestrutura nacional. A substituição por modelos de outras fabricantes refletiu a evolução do mercado e a necessidade de renovação tecnológica, mas não diminuiu o legado dos veículos Dodge no contexto militar brasileiro.

Em Escala.
Para a representação do Dodge D-950, foi utilizado um modelo em die-cast na escala 1/43, pertencente à coleção “Caminhões de Outros Tempos” da Editora Altaya, produzido pela Axio. Este modelo foi selecionado por sua fidelidade ao design original do veículo, servindo como base ideal para a customização necessária à versão militar. O modelo base foi submetido a um processo de customização para refletir as características da viatura basculante EB51-1430 do Exército Brasileiro. As modificações incluíram ajustes visuais e funcionais para alinhar a miniatura às especificações militares. O detalhamento da réplica foi aprimorado com a aplicação de decais produzidos pela Eletric Products, pertencentes ao conjunto “Exército Brasileiro 1942-1982”. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo corresponde ao padrão tático militar estabelecido pelo Exército Brasileiro a partir da Segunda Guerra Mundial. Esse padrão foi projetado para garantir camuflagem eficaz em diversos ambientes operacionais, mantendo a uniformidade visual e funcional dos veículos militares. Todos os caminhões Dodge fornecidos pela Chrysler do Brasil para uso militar, incluindo os modelos D-400, D-700, D-750, D-900 e D-950, adotaram esse esquema de pintura durante todo o período de operação, com exceção dos veículos configurados como bombeiros.  Para a aplicação do esquema de pintura tático, foram empregadas tintas e vernizes de alta qualidade produzidos pela Tom Colors.

Bibliografia : 
- Veículos Militares Brasileiros – Roberto Pereira de Andrade e José S Fernandes
- Batalhões de Engenharia de Construção – Exército Brasileiro
- Chrysler do Brasil - http://www.lexicarbrasil.com.br/chrysler
- Manual Técnico – Exército Brasileiro 1976