Sistema SARC REMAX (12,7 MM)

História e Desenvolvimento.
Durante a década de 1940, no contexto da Segunda Guerra Mundial, o Brasil firmou importantes acordos de cooperação militar com os Estados Unidos, que resultaram no envio de missões militares destinadas a modernizar e fortalecer as Forças Armadas Brasileiras. Esse processo de cooperação foi fundamental para a reorganização da estrutura militar do país, mas também evidenciou uma vulnerabilidade estratégica significativa: a forte dependência brasileira de tecnologias e equipamentos militares importados. Naquele momento, tornou-se evidente o limitado grau de autonomia tecnológica nacional para enfrentar ameaças externas e eventuais conflitos. A carência de infraestrutura científica e industrial voltada ao desenvolvimento de material bélico revelava o quanto o país dependia de soluções estrangeiras para equipar e manter suas forças armadas. Tal constatação contribuiu para consolidar, entre líderes militares e autoridades governamentais, a percepção de que a ciência e a tecnologia deveriam constituir vetores essenciais para a garantia da soberania nacional. Nesse cenário, a necessidade de manutenção, adaptação e suporte técnico aos equipamentos importados impulsionou o surgimento dos primeiros núcleos técnicos dentro das organizações militares. Esses grupos iniciais, voltados à engenharia, manutenção especializada e experimentação tecnológica, representaram os embriões das futuras estruturas dedicadas à pesquisa e ao desenvolvimento no âmbito do Exército Brasileiro. Ao longo das décadas seguintes, esse processo evoluiu gradualmente. Contudo, foi na década de 1970 que o Exército intensificou seus esforços para consolidar uma estrutura institucional voltada à inovação tecnológica militar. Em 1975, foi constituído um grupo de trabalho com a missão de estruturar um centro capaz de atender às crescentes demandas de pesquisa, desenvolvimento e experimentação de materiais e sistemas de defesa. Esse esforço culminou, em 16 de outubro de 1979, com a publicação do Decreto nº 84.095, que instituiu oficialmente o Centro Tecnológico do Exército (CTEx). A nova organização passou a centralizar atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação tecnológica voltadas às necessidades operacionais da força terrestre. Subordinadas ao CTEx, foram criadas unidades especializadas que compuseram a base da infraestrutura tecnológica militar brasileira, entre elas o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, o Instituto de Projetos Especiais e o Campo de Provas da Marambaia. Essas instituições passaram a desempenhar papel central na condução de estudos técnicos, na experimentação de equipamentos e no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à defesa nacional. A criação do CTEx coincidiu com um período de ampla renovação da frota de veículos militares do Exército Brasileiro, circunstância que estimulou o desenvolvimento de projetos nacionais e impulsionou a cooperação entre as Forças Armadas e a indústria brasileira. Nesse contexto, destacaram-se empresas como a Engesa e a Bernardini S.A. Indústria e Comércio, que estabeleceram parcerias estratégicas com o Exército no desenvolvimento e produção de veículos militares. Esse período ficou conhecido como a chamada “era de ouro” da Base Industrial de Defesa brasileira. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, o país consolidou-se como um relevante produtor e exportador de equipamentos militares. Empresas nacionais obtiveram contratos internacionais para a venda de milhares de viaturas militares, incluindo blindados desenvolvidos no Brasil, como o EE-9 Cascavel e o EE-11 Urutu, adquiridos por diversos países da América Latina, da África e do Oriente Médio. Entretanto, o término da Guerra Fria, no final da década de 1980, provocou uma significativa retração na demanda internacional por armamentos e veículos militares. Essa mudança no cenário geopolítico impactou profundamente a indústria de defesa brasileira, levando à redução de encomendas e à consequente crise de várias empresas do setor. Como resultado, importantes fabricantes nacionais, entre elas a Engesa e a Bernardini, acabaram encerrando suas atividades nas décadas seguintes, marcando o fim de um período particularmente dinâmico da indústria militar brasileira. Apesar de o Brasil já não dispor, nas décadas posteriores, de um parque industrial de defesa tão vigoroso quanto aquele observado no auge da indústria militar nacional, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) manteve-se como um dos principais polos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica voltados às necessidades da Exército Brasileiro. Mesmo diante das limitações impostas pela retração da indústria de defesa, essa instituição prosseguiu em sua missão de estudar, desenvolver e adaptar tecnologias que pudessem ser incorporadas aos meios operacionais da Força Terrestre. Entre os diversos projetos de relevância concebidos no âmbito do CTEx, destaca-se o desenvolvimento de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), destinado a equipar viaturas blindadas do Exército Brasileiro. Esse conceito tecnológico possui raízes mais antigas, remontando à década de 1960, quando os United States Army iniciaram estudos para o desenvolvimento de sistemas conhecidos como Remote Controlled Weapon Station (RWCS), ou estações de armas remotamente controladas. O principal objetivo desses sistemas era aumentar significativamente a proteção das guarnições no interior dos veículos de combate. Em cenários de conflito, operadores de metralhadoras montadas externamente em blindados frequentemente precisavam expor-se ao fogo inimigo, o que representava elevado risco. As estações de armas remotamente controladas buscavam solucionar esse problema, permitindo que o operador realizasse a aquisição e o engajamento de alvos a partir do interior da viatura, reduzindo a exposição ao combate direto. Além da segurança do operador, tais sistemas passaram a proporcionar ganhos operacionais importantes, como maior precisão de tiro e maior consciência situacional no campo de batalha. Isso foi possível graças à integração de sensores e câmeras externas que transmitiam imagens para o interior do veículo, incluindo câmeras diurnas e sistemas de visão térmica, permitindo o emprego eficaz do armamento mesmo em operações noturnas ou em condições de baixa visibilidade. Nos estágios iniciais, o programa previa o desenvolvimento de plataformas capazes de operar armas leves e de médio calibre, instaladas não apenas em veículos blindados terrestres, mas também em embarcações e plataformas aéreas. Os primeiros conjuntos funcionais começaram a ser entregues às unidades operacionais militares no final da década de 1990, sob a designação de CROWS (Common Remotely Operated Weapon Station).
Com o amadurecimento tecnológico ao longo dos anos seguintes, diversas limitações presentes nos sistemas iniciais foram gradualmente superadas, resultando em versões mais avançadas, como o M101 CROWS. Essa evolução tecnológica ampliou significativamente as capacidades operacionais do sistema, permitindo que o operador identificasse, acompanhasse e engajasse alvos mantendo-se completamente protegido no interior do veículo. O sistema foi projetado para ser empregado em uma ampla variedade de plataformas militares e podia ser configurado com diferentes armamentos, entre eles o lançador automático de granadas Mk 19 grenade launcher, a metralhadora pesada Browning M2 calibre 12,7 mm, a metralhadora M240B calibre 7,62 mm e a metralhadora leve M249 calibre 5,56 mm. Do ponto de vista estrutural, o sistema é composto por dois conjuntos principais. O primeiro corresponde à plataforma armada instalada na parte externa da viatura, responsável pela movimentação e pelo emprego do armamento. O segundo consiste no módulo de controle interno, operado pelo militar a partir do interior do veículo. A estação de armas apresenta capacidade de rotação de 360° e movimento vertical de elevação entre −20° e +60°, sendo estabilizada por meio de sistemas giroscópicos que permitem maior precisão mesmo com o veículo em movimento. O conjunto também integra sensores eletro-ópticos, incluindo uma câmera de vídeo para operação diurna, uma câmera térmica para operações noturnas e um telêmetro laser seguro para os olhos (laser rangefinder), que auxilia na determinação precisa da distância até o alvo. A partir das décadas seguintes, diversos países passaram a desenvolver seus próprios sistemas de armas remotamente controladas, acompanhando a evolução da tecnologia e as novas exigências do combate moderno. Entre os principais exemplos destacam-se o FN Herstal Defender, desenvolvido pela empresa belga FN Herstal; o sistema finlandês Patria PML 127 OWS, produzido pela Patria; os sistemas russos Bumerang‑BM, AU‑220M, Arbalet‑DM e Serval remote weapon station; além do sistema israelense Samson RCWS, desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems, que figura entre os mais difundidos desse tipo de tecnologia no cenário internacional. A eficiência demonstrada pelos sistemas de armas remotamente controlados em operações militares contemporâneas rapidamente evidenciou seu valor tático, sobretudo pela capacidade de aumentar a proteção das guarnições e ampliar a consciência situacional no campo de batalha. Esses resultados despertaram o interesse do comando do Exército Brasileiro, que passou a avaliar a possibilidade de incorporar tal tecnologia aos seus meios blindados, seja por meio da aquisição de sistemas estrangeiros, seja pelo desenvolvimento de uma solução nacional. Nesse contexto de modernização tecnológica, ocorreriam importantes transformações institucionais no sistema de ciência e tecnologia da Força Terrestre. Em 2005, a então Secretaria de Ciência e Tecnologia do Exército passou a ser comandada pelo Alberto Mendes Cardoso, que promoveu uma ampla reestruturação administrativa. Entre as principais medidas implementadas destacou-se o processo de fusão dessa secretaria com a Secretaria de Tecnologia da Informação do Exército, iniciativa que resultou na criação do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT).

A criação do DCT representou um passo significativo na centralização e coordenação das atividades científicas e tecnológicas da instituição, passando a reunir sob uma mesma estrutura todas as áreas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento, experimentação e fabricação de material de emprego militar. À época, esses equipamentos eram classificados como Material de Emprego Militar (MEM), denominação posteriormente atualizada para Sistemas e Materiais de Emprego Militar (SMEM). Sob a liderança do General Cardoso e com o apoio de seu vice-chefe, o Ubiratã Athayde Marcondes  que anos mais tarde viria a atuar como gerente de sistemas terrestres na empresa ARES Aeroespacial e Defesa  foi concebido o Plano Básico de Ciência e Tecnologia do Exército (PBCT). Esse documento estabeleceu diretrizes estratégicas destinadas a orientar o desenvolvimento científico e tecnológico da Força Terrestre, alinhando suas prioridades ao planejamento estratégico institucional vigente à época, cujo objetivo central era elevar o patamar tecnológico do Exército Brasileiro, conferindo-lhe maior capacidade dissuasória. Entre os projetos contemplados pelo PBCT figuravam diversos programas de desenvolvimento de sistemas de armas e equipamentos militares. Um dos mais avançados naquele momento era o programa do Morteiro 120 mm do Exército Brasileiro, que já se encontrava em fase final de homologação operacional, circunstância que permitiu redirecionar recursos financeiros e humanos para novas iniciativas tecnológicas. Dentro desse contexto, um dos projetos em estudo envolvia o desenvolvimento de uma torre armada com canhão de 105 mm destinada a equipar futuros veículos blindados do Exército Brasileiro. Esse projeto estava sob responsabilidade do Grupo de Armamento e Munição do Exército (GAM), sendo conduzido pelo então Marcello Menezes Eifler. Inicialmente, previa-se que essa torre pudesse integrar a chamada Nova Família de Blindados do Exército, iniciativa que, a partir de 2007, evoluiria para o Programa Estratégico do Exército Guarani, responsável pelo desenvolvimento da nova geração de veículos blindados sobre rodas da Força Terrestre. Entretanto, durante as fases iniciais de estudo e concepção, tornou-se evidente que o Centro Tecnológico do Exército ainda não possuía experiência suficiente no desenvolvimento de sistemas eletrônicos embarcados de elevada complexidade, como aqueles necessários para o funcionamento de uma torre de combate moderna equipada com canhão de médio calibre. Sistemas desse tipo exigiam integração avançada de sensores, sistemas de estabilização, controles de tiro e arquitetura eletrônica embarcada  áreas nas quais a instituição ainda acumulava conhecimento limitado naquele momento. Diante dessa realidade, concluiu-se que, a curto prazo, não seria viável projetar integralmente um sistema dessa magnitude. Assim, optou-se por uma abordagem mais gradual e pragmática: iniciar o desenvolvimento de uma torre com arquitetura mais simples, tanto em termos de design quanto de funcionalidades. Essa estratégia permitiria ao CTEx adquirir experiência prática no domínio de tecnologias críticas, formando uma base de conhecimento essencial para o desenvolvimento futuro de sistemas mais complexos e sofisticados. A oportunidade para um projeto mais simples surgiria a seguir, com a participação das Forças Armadas Brasileiras, da Missão de Paz das Nações Unidas no Haiti MINUSTAH (Mission des Nations Unies pour la Stabilisation en Haïti). 
Nesta operação, ocorreriam enfrentamento contra ex-militares das forças armadas haitianas, ex-policiais e bandidos comuns, que organizados em milicias se dedicavam a controlar algumas áreas na capital. Estes estavam equipadas com os mais variados tipos de armas leves, desde carabinas M-1 a fuzis M-1 Garand e AK-47 Kalashnikov, forçando as tropas a adaptar-se um novo  tipo de confronto assimétrico. Este cenário levaria a implementação de novas táticas, e a adaptação das viaturas com o intuito de fornecer um mínimo de proteção adequada a seus ocupantes.  Neste contexto um dos principais pontos críticos era a exposição do operador da metralhadora de apoio das viaturas EE-11 Urutu a tiros deflagrados por estes milicianos. Como solução seriam desenvolvidos estudos entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), visando inicialmente a construção de uma torre mecânica blindada. Este processo evoluiria para o estudo de emprego de um Sistema de Armas Remotamente Controlado (SARC), havendo inclusive, no final de 2007, a instalação de um SARC CWS 30 israelense, com uma metralhadora de calibre 7,62 mm MAG, em um EE-11 Urutu, a fim de ser submetidos a testes de campo. Os resultados seriam promissores, porém os custos envolvidos em um processo de importação seriam demasiados altos para o momento, gerando a oportunidade para a possibilidade em se desenvolver um SARC, nacional. É importante frisar que, nos últimos conflitos armados, principalmente em áreas urbanas, houve uma intensa utilização deste tipo de sistema, sendo denominado pela sigla RWCS (Remote Controlled Weapon Station), na qual o atirador fica posicionado no interior da viatura, onde realiza as operações remotas de pontaria e disparo do armamento. No exterior da viatura permanece somente o armamento, o reparo e os sistemas de observação de alvos, constituídos principalmente por câmeras diurna e noturna. A versão mais moderna desses sistemas incorpora também um sistema de estabilização, permitindo a realização do tiro com a viatura em movimento.  Devido a uma demanda de aparelho de pontaria para os novos morteiros de 120 mm, o comando do Grupo de Armamento e Munição (GAM), estabeleceu conversações com a empresa Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda, no intuito de se aprofundar no conhecimento de seu Sistema de Pontaria para Tiro Indireto de Morteiros (SPOTIM). Durante uma reunião, seria apresentado o sistema IVERA (Indicador Visual Estabilizado de Rampa de Aproximação), desenvolvido para fornecer aos pilotos de helicópteros a indicação visual estabilizada da rampa de aproximação para pouso em embarcações. Curiosamente este conjunto preencheria adequadamente lacuna de capacidade tecnológica que faltava ao CTEx, para a criação de um sistema nacional. Negociações de parceria  seriam estabelecidas, resultando no segundo semestre do ano e 2006 na criação do  “Projeto básico de pesquisa, desenvolvimento e produção de um protótipo de Reparo de Metralhadora Automatizado X (REMAX)”. Já nos requisitos iniciais do projeto, ficaria  claro o pragmatismo, buscando-se concentrar os poucos recursos em sistemas para seu Teatro de Operação (TO), pois este sistema seria desenvolvido inicialmente para utilizar apenas como armamento as metralhadoras Browning M-2HB de calibre .50 (12,7×99 mm) e FN MAG de calibre 7,62×51 mm. Como premissa básica, esta torre deveria ser projetada com uma arquitetura modular, que permitisse a implementação de componentes que agregassem diferentes funcionalidades, e multiplataforma, para poder ser integrado em quaisquer viaturas blindadas com teto rígido, com um mínimo de modificações. 

Emprego no Exército Brasileiro.
Em dezembro de 2006, o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu um marco relevante no processo de modernização tecnológica das Forças Armadas ao firmar o contrato nº 004/2006-CTEx com a empresa brasileira ARES Aeroespacial e Defesa, então denominada Periscópio Equipamentos Optrônicos Ltda.. O acordo, no valor de R$ 1.245.000,00, tinha como objetivo a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de um protótipo experimental inovador, designado REMAX 1. O prazo estabelecido para a conclusão do projeto estendia-se até dezembro de 2008. A contratação foi formalizada por meio de inexigibilidade de licitação, fundamentada na singularidade tecnológica do projeto. O REMAX 1 representava o primeiro Sistema de Armas Remotamente Controlado desenvolvido no hemisfério sul, incorporando tecnologias avançadas que ainda não eram plenamente dominadas no país naquele momento. A iniciativa refletia o esforço do Brasil em ampliar sua autonomia tecnológica no setor de defesa, em um período caracterizado por iniciativas internacionais voltadas à modernização de equipamentos militares diante das transformações do ambiente estratégico global. A ARES Aeroespacial e Defesa, reconhecida por sua experiência no desenvolvimento de sistemas de estabilização e sensores optrônicos aplicados a plataformas militares, aportou ao projeto sua expertise técnica especializada. Um aspecto fundamental do contrato, contudo, estabelecia que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do sistema pertenceria integralmente ao Exército Brasileiro. Essa cláusula tinha importância estratégica, pois garantia a soberania nacional sobre a tecnologia desenvolvida, assegurando que os conhecimentos obtidos permanecessem sob controle estatal e pudessem ser empregados em futuros programas de defesa. No primeiro semestre de 2009, o projeto alcançou um marco importante com a apresentação pública de um modelo de exposição (mock-up) do sistema REMAX 1, integrado à VBTP-MSR Guarani, viatura blindada sobre rodas em desenvolvimento no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani. A exibição ocorreu durante a Latin America Aero & Defence, realizada na cidade do Rio de Janeiro, um dos principais eventos do setor de defesa da América Latina. Embora se tratasse ainda de um protótipo não funcional, a apresentação demonstrou o potencial da nova estação de armas e representou o primeiro passo concreto no processo de integração do sistema a uma plataforma blindada nacional. A iniciativa permitiu visualizar, ainda que de forma preliminar, a aplicação prática da tecnologia em um veículo destinado a se tornar o principal blindado sobre rodas do Exército Brasileiro nas décadas seguintes. Apesar dos avanços alcançados, o desenvolvimento do protótipo experimental  concluído no segundo semestre de 2009  enfrentou um obstáculo relevante. A VBTP-MSR Guarani ainda não havia sido entregue pelo fabricante, a Iveco Defence Vehicles, o que impossibilitava a integração imediata do sistema à plataforma originalmente planejada. Diante desse impasse, e com o objetivo de evitar atrasos adicionais no cronograma do projeto, o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) solicitou a cessão de uma viatura EE-11 Urutu, blindado sobre rodas amplamente empregado pelo Exército Brasileiro e desenvolvido pela tradicional empresa nacional Engesa. 

Essa decisão revelou-se estratégica, pois permitiu dar continuidade aos trabalhos de integração e testes do sistema. A utilização do EE-11 Urutu como plataforma provisória possibilitou a realização das primeiras avaliações práticas do REMAX 1, garantindo que o programa avançasse na validação de conceitos e na consolidação das tecnologias necessárias para o desenvolvimento de estações de armas remotamente controladas no Brasil. Com a integração do sistema, tiveram início as atividades de avaliação técnica conduzidas pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro. Durante essa fase inicial, o conjunto foi submetido a uma série de testes de campo destinados a verificar suas funcionalidades básicas, incluindo a precisão do armamento, a eficiência dos sistemas de estabilização e a confiabilidade da operação remota. Os resultados obtidos mostraram-se promissores, evidenciando a viabilidade técnica do sistema e confirmando a pertinência da continuidade do projeto. Esses ensaios representaram um passo decisivo na consolidação da confiança institucional no programa, abrindo caminho para o avanço das etapas subsequentes de desenvolvimento técnico e validação operacional. Em outubro de 2009, o Ministério da Defesa do Brasil formalizou mais um avanço no processo de desenvolvimento do sistema ao celebrar o contrato nº 004/2009-CTEx com a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O acordo, no valor de R$ 893.582,00, tinha como finalidade o desenvolvimento de um segundo protótipo operacional, denominado REMAX 2. O objetivo central desse novo contrato consistia em iniciar a integração do sistema REMAX à VBTP-MSR Guarani, veículo desenvolvido no âmbito do Programa Estratégico do Exército Guarani, paralelamente à continuidade das avaliações técnicas do protótipo experimental REMAX 1 conduzidas pelo CAEx. Essa etapa representava um marco relevante no esforço de modernização tecnológica da Forças Armadas do Brasil, em um período caracterizado por intensas iniciativas voltadas ao fortalecimento da base industrial de defesa nacional diante das rápidas transformações tecnológicas no campo militar. O protótipo REMAX 2 foi concebido com o propósito de incorporar melhorias substanciais em relação à versão experimental anterior. Essas aperfeiçoamentos foram fundamentados nas lições aprendidas ao longo dos testes laboratoriais e de campo realizados com o REMAX 1. Entre as melhorias previstas destacavam-se novas funcionalidades destinadas a ampliar a segurança operacional, otimizar o desempenho do sistema e aprimorar sua capacidade de operação remota em ambientes operacionais adversos. Assim como no contrato anterior, foi estabelecido que toda a propriedade intelectual resultante do desenvolvimento do REMAX 2 permaneceria integralmente sob domínio do Exército Brasileiro. Essa diretriz reforçava o princípio de soberania tecnológica nacional, assegurando que os conhecimentos gerados pudessem ser empregados em futuros programas de desenvolvimento de sistemas de defesa. Enquanto o desenvolvimento do REMAX 2 avançava, o protótipo experimental REMAX 1 prosseguia em uma intensa fase de ensaios técnicos. Em junho de 2010, após um período de capacitação conduzido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), voltado ao treinamento de operadores e à manutenção da viatura Engesa EE-11 Urutu  cedida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP)  tiveram início as avaliações sistemáticas do sistema no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).
O programa de testes foi estruturado em quatro categorias principais de ensaios: Testes funcionais: destinados à verificação das capacidades operacionais básicas do sistema, incluindo controle remoto, acionamento do armamento e funcionamento dos sensores. Testes em estativa: avaliações conduzidas com o sistema instalado em bancada ou suporte fixo, permitindo a análise detalhada de seus subsistemas em condições estáticas. Testes de integração com a viatura: ensaios realizados com o sistema instalado no EE-11 Urutu, tanto com o veículo parado quanto em movimento, utilizando alvos fixos para aferição da precisão e estabilidade do armamento. Testes ambientais: destinados a avaliar a resistência e a confiabilidade do sistema diante de diferentes condições climáticas e operacionais, simulando cenários próximos aos encontrados em ambientes reais de emprego militar. Os resultados obtidos durante essa fase de avaliações foram fundamentais para confirmar a robustez do sistema e fornecer importantes subsídios técnicos para o aprimoramento do projeto. As informações coletadas durante os testes permitiram orientar o desenvolvimento do REMAX 2, consolidando as bases para a evolução do sistema e confirmando sua viabilidade como uma solução inovadora para o emprego de armamentos remotamente controlados no âmbito do Exército Brasileiro. A produção do protótipo operacional REMAX 2 foi concluída em setembro de 2011, representando um avanço significativo no processo de maturação tecnológica do sistema de armas remotamente controlado desenvolvido para o Exército Brasileiro. Em fevereiro de 2012, o conjunto foi instalado em uma Viatura Blindada de Patrulhamento e Emprego Dual (VBPED), com o objetivo de realizar os primeiros testes de apreciação operacional. Os resultados obtidos durante essa fase inicial foram considerados satisfatórios, permitindo a validação das principais funcionalidades do sistema. Como consequência, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) homologou oficialmente o Relatório de Apreciação em 25 de julho de 2012, por meio da Portaria nº 024/DCT, emitida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Esse marco representou a validação formal do REMAX 2 como um sistema plenamente funcional, apto a avançar para as etapas seguintes de integração com plataformas mais modernas de combate. No ano de 2013, após intensas negociações entre a gerência do Programa Estratégico do Exército Guarani e a empresa Iveco Veículos de Defesa  parceira do Exército no desenvolvimento da VBTP-MSR Guarani  o REMAX 2 foi finalmente integrado ao protótipo desse blindado. Essa integração representou a concretização de um dos objetivos centrais do programa: garantir a compatibilidade da estação de armas remotamente controlada com a nova geração de veículos blindados brasileiros, concebidos para atender às exigências operacionais do século XXI. O conjunto formado pelo REMAX 2 instalado na VBTP-MSR Guarani foi oficialmente apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence. Considerada um dos mais importantes eventos do setor de defesa na América Latina, a LAAD proporcionou uma vitrine internacional para demonstrar os avanços tecnológicos alcançados pela indústria de defesa brasileira. 

Paralelamente a esses avanços, em outubro de 2012 o Ministério da Defesa formalizou um novo e decisivo passo no programa REMAX ao celebrar o contrato nº 001/2012-DF entre a Diretoria de Fabricação do Exército e a empresa ARES Aeroespacial e Defesa. O contrato, no valor inicial de R$ 49.418.088,00, previa a produção de um lote piloto composto por 76 do sistema REMAX 3. Dentro desse lote inicial, as duas primeiras unidades  denominadas cabeças de série (CS1 e CS2)  seriam destinadas exclusivamente à realização de testes estáticos e avaliações técnicas destinadas a validar o processo industrial e o desempenho do sistema antes da produção em maior escala. Posteriormente, o valor contratual foi ajustado por meio do Termo Aditivo nº 2, que levou em consideração a isenção de tributos como PIS e COFINS, resultando na devolução de aproximadamente R$ 1.800.000,00 à União. Entretanto, embora a ARES Aeroespacial e Defesa detivesse a expertise técnica necessária para o desenvolvimento do sistema, a empresa ainda não dispunha de uma infraestrutura industrial plenamente preparada para atender à escala de produção prevista no contrato. Diante dessa realidade, a companhia solicitou ao Exército Brasileiro a antecipação de parte dos recursos financeiros acordados, com o objetivo de viabilizar a implantação de uma linha de montagem adequada à produção seriada do sistema. O pedido foi aceito pela instituição militar, evidenciando o caráter estratégico do programa. Como contrapartida  dentro de um modelo de compensação industrial (offset) a empresa comprometeu-se a fornecer cinco unidades adicionais do sistema REMAX 3. Dessa forma, o lote piloto originalmente previsto de setenta e seis unidades foi ampliado para oitenta e uma estações de armas.O desenvolvimento do lote piloto do sistema REMAX 3 teve duração aproximada de um ano. A produção das primeiras unidades foi iniciada em 2012, enquanto os ensaios técnicos e operacionais começaram a ser conduzidos em 2013. Coube ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx), sediado na cidade do Rio de Janeiro, a responsabilidade pela avaliação das duas primeiras unidades do lote piloto denominadas cabeças de série (CS1 e CS2). Esses exemplares foram submetidos a rigorosos testes de desempenho, destinados a verificar a confiabilidade e a eficiência do sistema em diferentes condições operacionais. Além das avaliações técnicas propriamente ditas, o CAEx também analisou os manuais de operação e manutenção elaborados pela empresa ARES Aeroespacial e Defesa. Essa etapa foi considerada fundamental, pois assegurava que o sistema estivesse acompanhado de documentação técnica clara, precisa e adequada às necessidades de emprego em campo, garantindo assim sua correta operação e manutenção pelas unidades militares. No ano de 2014, a empresa ARES conduziu o processo de qualificação da integração do lote piloto do REMAX 3 à VBTP-MSR Guarani, especificamente na viatura identificada como chassi 83, LED 67. Essa integração constituiu um esforço conjunto entre diferentes atores da base industrial e tecnológica de defesa brasileira. A ARES foi responsável pelo fornecimento dos componentes do kit de instalação do sistema, enquanto a Iveco Veículos de Defesa — parceira do Exército Brasileiro no desenvolvimento do blindado  realizou a fabricação do anel de interface, da caixa de distribuição de potência e a integração final do conjunto à viatura. A etapa de Experimentação Doutrinária do sistema foi conduzida pela 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, uma vez que a brigada já havia participado anteriormente do processo de experimentação da própria VBTP-MSR Guarani
Em 2015, o REMAX 3 integrado à VBTP-MSR Guarani foi  apresentado ao público durante a Latin America Aero & Defence,   Durante o processo de avaliação operacional, conduziu-se testes complementares do sistema. Durante essas avaliações foram identificadas algumas não conformidades, especialmente relacionadas ao módulo optrônico do sistema. Com o objetivo de solucionar essas questões, foi formada uma equipe técnica, que se deslocou até as instalações da OIP Sensor Systems, na Bélgica, onde acompanhou testes específicos realizados com o módulo optrônico.  Após a conclusão das avaliações realizadas no âmbito da Experimentação Doutrinária, o sistema atingiu o grau de maturidade necessário, e logo por meio da Portaria nº 065-EME, de 8 de março de 2016 oficializou-se  adoção do SARC (REMAX 3). Em dezembro foi celebrado o contrato nº 186/2016-COLOG, para a produção do lote primeiro lote de produção, de 215 unidades, no valor de R$ R$ 328.057.657,39.  Já em operação regular há mais de 6 anos, o sistema , vem consolidando plenamente seu conceito, possibilitando dar mais suporte de fogo às unidades mecanizadas  ao mesmo tempo que garantiria a proteção de seu atirador. Até o presente momento já foram entregues mais de 150 unidades. O grande êxito operacional levaria o Comando do Exército Brasileiro a estudar o emprego deste sistema junto ao programa da Viatura Blindada Multitarefa, Leve de Rodas (VBMT-LR) Iveco LMV. Com os testes sendo conduzidos a partir do mês de abril do ano de 2020 contando com o apoio da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada (9ª Bda Inf Mtz), do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e das empresas Iveco Veículos de Defesa e ARES Aeroespacial e Defesa. Com o sistema sendo homologado em maio do mesmo ano, gerando um contrato para o fornecimento de oito torres deste sistema para equipar um número similar destes veículos blindados com tração 4X4. Em novembro de 2021 o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), foi formalizado o desenvolvimento do novo sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4 e um pacote de atualização dos REMAX 3 atualmente em uso, através do acordo de cooperação nº 21-DCT-005-00, entre o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército e a empresa Ares Aeroespacial e Defesa. O REMAX 4 é uma evolução do atual REMAX 3, desenvolvido entre o Exército e a empresa Ares, cujas principais mudanças são, além da atualização dos eletrônicos, hardware e arquitetura de software, terá seu módulo de optrônicos desacoplado do berço, permitindo graus de liberdade independentes (azimute e elevação) à linha de visada; capacidade do cofre de munição aumentada em três vezes, indo de 100 para 300 para cartuchos 12,7x99mm, e de 200 para 600 para 7,62x51mm; e possibilidade de adicionar uma estação de trabalho para o comandante de viatura, permitindo o controle total da estação de armas, podendo ser integrada ao sistema de gerenciamento de missão (SGM), aumentando sua consciência situacional. Com essas modificações, além de manter o sistema no chamado “estado-da-arte”, permitirá a uma integração mais fácil com outros armamentos, como lançadores automáticos de granadas (LAG) e mísseis anticarro (“anti-tank guided missile” – ATGM). Também poderá ser integrado um sistema de alerta laser (“laser warning systems” – LWS), sendo que no protótipo foi instalado o ELAWS 2, da Elbit Systems. O pacote de atualização dos SARC em operação, cuja denominação é REMAX 3A1, deverá ter as mesmas características à exceção do sistema optrônico desacoplado e das menores dimensões.

Em Escala
Para recriar o SARC REMAX 3 em escala 1/35, foi utilizado o kit de detalhamento impresso em 3D produzido pela Oficina do Aquino, reconhecido por sua alta qualidade e precisão.  A qualidade do material impresso permite capturar os contornos e funcionalidades do sistema, proporcionando uma representação realista e fiel ao equipamento em uso pelo Exército Brasileiro. Para aprimorar a autenticidade da miniatura, foram utilizados decais provenientes de outros modelos, adaptados para representar as marcações específicas da torre do REMAX 3. 
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático no verde oliva empregado pelo Exército Brasileiro, existem vários registros fotográficos indicando também o emprego da camuflagem tático padrão em  dois tons (verde e marrom terra). Empregamos tintas, vernizes e washes produzidos pela Tom Colors.
Bibliografia :
- Remote Controlled Weapon Station - https://en.wikipedia.org/wiki/Remote_controlled_weapon_station
- Especial SARC REMAX Tecnologia e Defesa por Paulo R. Bastos Jr - https://tecnodefesa.com.br
- EB homologa o SARC REMAX nas VBMT-LR 4×4 Iveco LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br
- REMAX 4 entra em produção e é integrado ao LMV-BR - https://tecnodefesa.com.br

B-18 e B-18A Douglas Bolo

História e Desenvolvimento.
A Douglas Aircraft Company, uma das mais influentes fabricantes de aeronaves dos Estados Unidos ao longo do século XX, foi fundada em 22 de julho de 1921, na cidade de Santa Mônica, Califórnia, pelo engenheiro aeronáutico Donald Wills Douglas, após a dissolução da Davis-Douglas Company. Desde seus primeiros anos, a empresa destacou-se pela capacidade de aliar rigor técnico, inovação e visão estratégica, fatores que a conduziriam à produção de algumas das aeronaves mais emblemáticas da aviação civil e militar. O início de sua trajetória no campo militar ocorreu já em 1922, com o desenvolvimento do Douglas DT, seu primeiro projeto destinado às forças armadas. Concebido como um bombardeiro-torpedeiro biplano para a Aviação Naval da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy), o DT foi projetado para operar inicialmente a partir de navios de guerra e, posteriormente, de porta-aviões, lançando as bases conceituais da aviação embarcada de ataque naval, que se consolidaria nas décadas seguintes. Em 1923, a Douglas alcançou projeção internacional ao participar do ambicioso programa “World Flight”, promovido pelo Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Service – USAAS), cujo objetivo era realizar a primeira circum-navegação aérea do globo. Para atender a essa missão inédita, a empresa desenvolveu o Douglas World Cruiser (DWC), uma versão profundamente modificada do Douglas DT, sob a liderança do talentoso engenheiro Jack Northrop. Quatro aeronaves foram encomendadas, sendo a última entregue em 11 de março de 1924. Apesar das severas dificuldades operacionais, incluindo acidentes e perdas de aeronaves ao longo da jornada, a missão foi concluída com êxito, consagrando a Douglas e originando o célebre lema corporativo “First Around the World”. Durante a década de 1930, a Douglas ampliou e diversificou significativamente seu portfólio, passando a atender às crescentes demandas por aeronaves de treinamento militar. Nesse contexto, desenvolveu a série BT (Basic Trainer) para o United States Army Air Corps (USAAC). O BT-2B, versão aprimorada do BT-2, incorporava melhorias no grupo motopropulsor e nos sistemas de controle, aumentando a confiabilidade, a segurança operacional e facilitando a manutenção. Embora de concepção simples, o BT-2B desempenhou um papel fundamental na formação de milhares de pilotos militares, funcionando como elo de transição entre o treinamento primário e as aeronaves táticas mais avançadas que começavam a entrar em serviço naquele período. Paralelamente, a empresa expandiu suas atividades para o desenvolvimento de aeronaves anfíbias e aviões de transporte de médio porte, transferindo suas principais instalações industriais para Clover Field, em Santa Mônica. Esse processo culminou, em 1933, no lançamento do Douglas DC-1, seguido pelo DC-2, em 1934. O verdadeiro marco, entretanto, ocorreu em 1935, com a introdução do Douglas DC-3, aeronave que revolucionou o transporte aéreo comercial ao estabelecer padrões inéditos de eficiência, confiabilidade e viabilidade econômica. Sua versão militar, o C-47 Skytrain, tornou-se um dos principais vetores logísticos da Segunda Guerra Mundial, notabilizando-se pela versatilidade e robustez em todos os teatros de operações.

Com a eclosão do conflito global, a Douglas Aircraft Company consolidou-se definitivamente como um dos pilares da indústria aeronáutica aliada. Operando múltiplas fábricas espalhadas pelos Estados Unidos, a empresa chegou a empregar mais de 160 mil trabalhadores no auge do esforço de guerra. Entre os modelos mais representativos produzidos nesse período destacam-se o A-20 Havoc, o SBD Dauntless, o DC-3 e, sobretudo, o C-47 Skytrain, cuja contribuição foi decisiva para o sucesso das operações aéreas e logísticas dos Aliados. Ao conjugar excelência técnica, inovação contínua e capacidade industrial em larga escala, a Douglas Aircraft Company afirmou-se como uma referência histórica na aviação mundial, deixando um legado duradouro tanto na esfera militar quanto na aviação civil. Em meados da década de 1930, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) passou a reconhecer, de forma cada vez mais clara, a urgência de modernizar sua frota de bombardeiros médios, então baseada no Martin B-10, aeronave que, apesar de inovadora no início da década, já se encontrava rapidamente superada pelos avanços tecnológicos da aviação mundial. Esse contexto levou o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) a lançar, em julho de 1934, uma concorrência formal destinada ao desenvolvimento de um novo bombardeiro médio, dotado de desempenho e alcance compatíveis com as exigências estratégicas emergentes. O edital estabelecia requisitos técnicos ambiciosos para a época. A aeronave deveria ser monoplana e bimotora, capaz de transportar até uma tonelada de carga útil, atingir velocidade máxima de 354 km/h a 3.000 metros de altitude, apresentar raio de ação superior a 3.218 km e possuir autonomia de missão superior a dez horas de voo. Tais parâmetros refletiam a crescente importância atribuída à projeção de poder aéreo, à flexibilidade operacional e à capacidade de atuação em longas distâncias. Diversas empresas aeronáuticas norte-americanas responderam ao chamado, apresentando propostas conceituais que refletiam diferentes filosofias de projeto. Entre as mais relevantes destacaram-se: Martin Model 146: Tratava-se de uma versão aperfeiçoada do Martin B-10. Embora representasse uma evolução incremental, foi rapidamente descartada por se apoiar em uma plataforma considerada tecnologicamente superada para os padrões pretendidos pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Boeing Model 299: Projeto altamente inovador, que daria origem ao futuro Boeing B-17 Flying Fortress. Apesar de seu notável potencial técnico, a proposta foi rejeitada em razão do custo elevado, considerado incompatível com as restrições orçamentárias então vigentes, e também em decorrência de um acidente fatal envolvendo o protótipo durante os voos de avaliação, fato que pesou negativamente na decisão final. Douglas DB-1 (Douglas Bomber 1): Desenvolvido pela Douglas Aircraft Company, este projeto destacou-se por oferecer uma solução equilibrada, combinando desempenho adequado, viabilidade técnica e custos compatíveis com as expectativas do USAAC. Por essas razões, foi selecionado para avançar no processo de avaliação.
O Douglas DB-1 foi concebido a partir da consagrada plataforma do Douglas DC-2, uma aeronave comercial amplamente reconhecida por sua confiabilidade e eficiência. A adaptação para uso militar envolveu modificações significativas, sem comprometer a robustez do projeto original. Entre suas principais características destacavam-se: Estrutura e concepção geral: O DB-1 manteve a configuração monoplana de asa baixa do DC-2, com asas e superfícies de cauda ligeiramente ampliadas. A fuselagem foi redesenhada para uma configuração de meia-altura, permitindo a instalação de um compartimento interno de bombas sob a seção central da aeronave. A estrutura apresentava seção circular, com um nariz arredondado e sem degraus, otimizado para a integração de um sistema de mira de bombardeio instalado na parte inferior. Armamento defensivo: A proteção defensiva era assegurada por três metralhadoras Colt M-2 calibre 7,62 mm, posicionadas no nariz, em uma torreta elétrica superior retrátil e em uma posição ventral, proporcionando cobertura básica contra ataques de aeronaves inimigas. A proposta da Douglas foi amplamente favorecida pela comissão avaliadora por reunir tecnologia comprovada, herdada do DC-2, com adaptações militares bem fundamentadas, atendendo de forma pragmática às necessidades operacionais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Em contraste, a alternativa da Martin revelou-se limitada por sua base ultrapassada, enquanto a da Boeing, embora promissora, mostrou-se financeiramente e circunstancialmente inviável naquele momento. Dessa forma, em setembro de 1934, a Douglas Aircraft Company foi oficialmente declarada vencedora da concorrência promovida pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), sendo selecionada para o desenvolvimento do novo bombardeiro médio que marcaria uma etapa decisiva na evolução da aviação militar norte-americana. Em setembro de 1934, a Douglas Aircraft Company formalizou um contrato de grande envergadura com o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC), prevendo a construção de duas aeronaves de pré-produção do novo bombardeiro médio, então designado Douglas B-18, além de 133 unidades iniciais de série, com um compromisso total que poderia alcançar 370 aeronaves. Esse acordo refletia a confiança depositada pelo USAAC na proposta da Douglas, considerada tecnicamente sólida e economicamente viável para atender às necessidades estratégicas do período. O voo inaugural da primeira aeronave de pré-produção ocorreu em 1º de abril de 1935, dando início a um rigoroso programa de ensaios e avaliações em voo. Durante essa fase, verificou-se que os motores originalmente especificados, os Wright R-1820-G45 Cyclone, com potência de 850 hp, não ofereciam desempenho compatível com os requisitos operacionais estabelecidos. Como resposta a essa limitação, a Douglas optou por substituir esses propulsores, na linha de produção, pelos mais potentes Curtiss-Wright R-1820-45, capazes de desenvolver 930 hp cada.

Essa alteração permitiu melhorias sensíveis no desempenho geral da aeronave. Com os novos motores, o B-18 passou a atingir velocidade máxima de aproximadamente 350 km/h, um alcance da ordem de 3.000 km, teto de serviço de cerca de 3.700 metros e uma capacidade de carga ofensiva de até 2.200 kg de bombas, parâmetros considerados adequados para um bombardeiro médio da segunda metade da década de 1930. As primeiras unidades de produção do Douglas B-18 começaram a ser entregues às unidades operacionais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) em janeiro de 1937. A partir desse momento, a aeronave consolidou-se como o principal bombardeiro de longo alcance do arsenal norte-americano, desempenhando papel central na aviação de bombardeio dos Estados Unidos até a introdução de modelos mais modernos no final da década. Em maio de 1938, teve início a produção de uma versão aperfeiçoada, designada Douglas B-18A. Essa variante incorporava motores Wright R-1820-53, com potência de 1.000 hp, além de modificações estruturais no nariz da aeronave, que passaram a oferecer melhor integração do visor de bombardeio e uma área envidraçada ampliada, favorecendo a precisão nas missões de ataque. Até o final de 1938, 217 unidades do B-18A haviam sido entregues, em estrita conformidade com o cronograma contratual estabelecido com o USAAC. Durante sua vida operacional, o B-18 também serviu como plataforma experimental para diferentes conceitos táticos e tecnológicos. Uma de suas células foi equipada, em caráter de teste, com um canhão de 75 mm, destinado a avaliar a viabilidade de ataques diretos contra alvos terrestres e navais fortificados. Embora essa configuração tenha sido considerada operacionalmente inviável naquele momento, os ensaios forneceram dados valiosos que influenciariam projetos posteriores, em especial variantes especializadas do North American B-25 Mitchell. Outro marco relevante ocorreu em janeiro de 1940, quando o B-18 foi empregado no primeiro teste de operação aerotransportada do Exército dos Estados Unidos (U.S Army). Na ocasião, 38 aeronaves do 7º Grupo de Bombardeio transportaram um batalhão de tropas, estabelecendo um precedente importante para o desenvolvimento da doutrina de emprego de forças aerotransportadas, que ganharia grande relevância durante a Segunda Guerra Mundial. Paralelamente aos contratos firmados com o governo norte-americano, a Douglas Aircraft Company passou a enxergar o mercado de exportação como uma oportunidade estratégica. A empresa lançou uma campanha de promoção do B-18 junto a potenciais clientes europeus, iniciando negociações com a Royal Air Force (RAF). Contudo, essas tratativas não prosperaram, em razão do compromisso britânico com a aquisição do Lockheed A-28 Hudson. Apesar desse revés, a Douglas obteve êxito ao exportar 20 aeronaves adaptadas para a Real Força Aérea Canadense (Royal Canadian Air Force – RCAF), onde passaram a operar sob a designação Douglas Digby Mk.I, ampliando a presença internacional do modelo e reforçando sua relevância histórica.
Em 7 de dezembro de 1941, o ataque surpresa do Império do Japão às bases norte-americanas em Pearl Harbor, Havaí, resultou na destruição da maioria das 33 aeronaves Douglas B-18A estacionadas no Campo Hickam, atingidas no solo. Esse evento acelerou a substituição dos B-18A pelos bombardeiros Boeing B-17A e B-17B, que superaram a aeronave da Douglas Aircraft Company, vencedora da concorrência contra o protótipo do B-17 em 1935. Ainda em dezembro de 1941, outras 12 células do B-18 foram destruídas em solo durante ataques japoneses ao Campo Clark, nas Filipinas. As aeronaves Douglas B-18 remanescentes no continente norte-americano foram redistribuídas para os 7º, 5º, 19º e 2º Grupos de Bombardeio, além dos 38º e 21º Esquadrões de Reconhecimento. Contudo, ficou evidente que o B-18 estava obsoleto e inadequado para enfrentar caças de alta performance alemães, italianos e japoneses. Dadas essas limitações, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) restringiu seu uso a missões locais, proibindo sua transferência para teatros de operações ativos. Devido à sua limitada capacidade de autodefesa, o Douglas B-18 Bolo foi inicialmente empregado em missões de treinamento, formando tripulações para os novos bombardeiros Boeing B-17 e Consolidated B-24 Liberator. Essa transição refletiu a inadequação do B-18 para operações de combate em cenários de alta intensidade. Com o intensificar da Batalha do Atlântico e a ameaça de submarinos alemães ao litoral norte-americano, o USAAC e a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) enfrentaram escassez de aeronaves de patrulha marítima. O Douglas B-18 Bolo, com sua grande autonomia e capacidade de carga, incluindo cargas de profundidade, revelou-se ideal para essa função. A partir de janeiro de 1942, 122 células foram convertidas para missões de patrulhamento marítimo, recebendo a designação Douglas B-18B. Essas aeronaves foram equipadas com um radar de busca Western Electric SCR-517-T4 no nariz e um sistema de detecção de anomalias magnéticas. O Douglas B-18B teve seu batismo de fogo em 2 de outubro de 1942, quando uma aeronave do 99º Grupo de Bombardeio, em patrulha ao largo da costa de Caiena, Guiana Francesa, avistou o submarino alemão U-512 (Tipo IXC). O B-18B atacou, lançando cargas de profundidade que resultaram no afundamento do submarino, demonstrando a eficácia da aeronave nessa nova função. A partir de meados de 1943, os Douglas B-18B começaram a ser gradualmente substituídos pelos quadrimotores Consolidated PBJ-24 Liberator em missões de patrulha marítima. Relegados a tarefas de treinamento multimotor e transporte, os B-18B foram completamente retirados do serviço ativo ao final da Segunda Guerra Mundial, com todas as células remanescentes sendo sucateadas. Embora obsoleto para missões de bombardeio, o Douglas B-18 encontrou uma nova utilidade na patrulha marítima, contribuindo significativamente para a defesa do litoral norte-americano durante a Batalha do Atlântico. Sua trajetória reflete a capacidade da Douglas Aircraft Company de adaptar suas aeronaves a contextos emergentes, mesmo diante de limitações tecnológicas e operacionais.

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma ofensiva do Eixo contra o continente americano. Essa preocupação intensificou-se de forma decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, evento que abriu a perspectiva de a Alemanha nazista estabelecer bases aéreas e navais em territórios coloniais franceses, como Dacar, no Senegal, e, potencialmente, nas Ilhas Canárias, ampliando de maneira significativa o raio de ação das forças do Eixo no Atlântico. Nesse contexto estratégico, o Brasil foi rapidamente identificado como um dos pontos mais sensíveis da defesa hemisférica, sobretudo em razão de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que figurava nos planos de expansão e influência alemães. A situação tornava-se ainda mais crítica diante das conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul, que comprometeram o acesso dos Aliados às tradicionais fontes de borracha natural. Como consequência, o Brasil assumiu um papel central como principal fornecedor de látex, matéria-prima essencial para a indústria bélica, indispensável à produção de pneus, vedações e inúmeros componentes militares. A posição geográfica brasileira, em especial o litoral do Nordeste, com destaque para a região de Recife, revelou-se de valor estratégico inestimável. Tratava-se do ponto mais estreito entre os continentes americano e africano, condição que favorecia o estabelecimento de bases aéreas, portos militares e centros logísticos. Essas infraestruturas tornaram-se fundamentais para o translado de tropas, suprimentos e aeronaves destinados aos teatros de operações da Europa e do Norte da África, funcionando como uma verdadeira ponte aérea e marítima no esforço de guerra aliado. Diante desse cenário, verificou-se uma rápida e progressiva aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos, culminando na assinatura de acordos de cooperação estratégica e em vultosos investimentos em infraestrutura e defesa. Um dos marcos mais relevantes desse processo foi a adesão do Brasil ao Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), programa de assistência militar criado pelo governo norte-americano com o objetivo de fortalecer as nações aliadas. Por meio desse acordo, o Brasil passou a dispor de uma linha de crédito inicial da ordem de US$ 100 milhões, destinada à modernização de suas Forças Armadas, então marcadas por severa obsolescência em termos de equipamentos, armamentos e doutrina operacional. Esses recursos possibilitaram a aquisição de aeronaves modernas, veículos blindados, carros de combate e sistemas de apoio, elementos essenciais para enfrentar a crescente ameaça representada pelos submarinos alemães e italianos, responsáveis por intensificar os ataques à navegação civil e militar no Atlântico Sul. Tais ações impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro e o fluxo de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria bélica norte-americana.

Nesse período, a Força Aérea Brasileira (FAB), oficialmente criada em 20 de janeiro de 1941, herdou um parque aéreo heterogêneo e tecnicamente ultrapassado, oriundo da antiga Aviação Militar do Exército Brasileiro e da Aviação Naval da Marinha do Brasil. Grande parte dessas aeronaves mostrava-se inadequada para enfrentar ameaças contemporâneas, especialmente no que se referia às missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. Mesmo os modelos mais modernos então disponíveis na FAB, como os Vultee V-11, North American AT-6B, Vought V-65B Corsair e os bimotores Focke-Wulf Fw 58 Weihe, revelaram-se insuficientes para operações prolongadas sobre o mar, carecendo de autonomia, sensores e armamentos adequados para o combate eficaz contra submarinos do Eixo. Nesse contexto, o Lend-Lease Act assumiu papel decisivo não apenas no fornecimento de aeronaves mais apropriadas, mas também na atualização da doutrina operacional, permitindo que a Força Aérea Brasileira (FAB), se estruturasse para a defesa do litoral brasileiro e para uma contribuição efetiva ao esforço de guerra dos Aliados no Atlântico Sul. Essas atribuições assumiam caráter vital para o esforço de guerra nacional, sobretudo no enfrentamento à crescente ameaça representada pelos submarinos alemães e italianos, responsáveis por sucessivos ataques à navegação civil e militar ao longo do litoral brasileiro. A limitação dos meios disponíveis evidenciou, de forma inequívoca, a necessidade de um programa emergencial de modernização dos recursos aéreos da Força Aérea Brasileira (FAB), com ênfase nas missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. Na fase inicial de sua atuação durante o conflito, a FAB restringiu-se essencialmente a voos de presença e vigilância costeira, cuja finalidade principal era demonstrar soberania e acompanhar o tráfego marítimo nas águas jurisdicionais brasileiras. Essa realidade começou a se transformar de maneira gradual no início de 1942, quando, sob o efeito combinado de incentivos econômicos e pressões diplomáticas internacionais, o governo brasileiro autorizou o emprego de bases aéreas nacionais por unidades de patrulha da Marinha dos Estados Unidos (US Navy). Tal decisão representou um marco decisivo, pois possibilitou os primeiros confrontos efetivos contra submarinos do Eixo, operações acompanhadas de perto por oficiais brasileiros, que passaram a observar e assimilar as táticas, técnicas e procedimentos empregados pelas forças norte-americanas. A busca por uma solução estrutural para as deficiências operacionais brasileiras começou a se concretizar por intermédio da Comissão de Compras de Material Aeronáutico, instalada em Washington, D.C.. Essa comissão tinha como missão identificar, selecionar e viabilizar a aquisição de aeronaves modernas no âmbito do Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), priorizando modelos capazes de atender às necessidades imediatas de patrulha marítima e combate antissubmarino impostas pelo cenário estratégico do Atlântico Sul. 
A partir de abril de 1942, a Força Aérea Brasileira (FAB) passou a receber os primeiros resultados desse esforço, com a incorporação de diversas aeronaves militares, entre as quais se destacavam dois bombardeiros Douglas B-18 Bolo, transladados ao Brasil por tripulações norte-americanas.  Após sua chegada, essas aeronaves foram destinadas ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade criada em 4 de fevereiro de 1942, na cidade de Fortaleza, Ceará. O AAA, operando sob a supervisão direta de militares do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), tinha como objetivo central a transferência de doutrina operacional e a capacitação acelerada de tripulações brasileiras, preparando-as para o emprego real em missões de combate. No âmbito do Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), os Douglas B-18 Bolo foram inicialmente empregados tanto na instrução prática das tripulações nacionais quanto em missões efetivas de patrulhamento marítimo, cobrindo áreas litorâneas dos estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Durante os primeiros meses do envolvimento brasileiro no conflito, essas aeronaves operaram com tripulações mistas, formadas por militares norte-americanos experientes e aviadores brasileiros em fase final de formação operacional. Esse arranjo visava assegurar a rápida e segura assimilação das táticas de patrulha e guerra antissubmarino, com a perspectiva de que o AAA fosse desativado tão logo as tripulações brasileiras alcançassem plena autonomia operacional. Concluído o período de adaptação e treinamento, os dois Douglas B-18 Bolo foram redistribuídos às unidades regulares da FAB. A aeronave Douglas B-18 Bolo “FAB 6300” foi incorporada ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB), sediado na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, enquanto o Douglas B-18 Bolo “FAB 7032” foi destinado ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB) baseado em Recife, Pernambuco. Essa redistribuição representou um passo importante na consolidação da capacidade brasileira de patrulha aérea e defesa do litoral, marcando a transição da Força Aérea Brasileira (FAB) de uma força essencialmente observadora para uma estrutura progressivamente apta ao combate no Atlântico Sul.,Equipadas com visores de bombardeio Stopey D-8 e derivômetros B-3, essas células careciam de meios eletrônicos avançados, como os radares Western Electric SCR-517-T4 ou detectores de anomalias magnéticas (MAD). Diferentemente das versões especialmente configuradas para a guerra antissubmarino em serviço no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), os Douglas B-18 Bolo da Força Aérea Brasileira (FAB) operavam com capacidade de detecção restrita exclusivamente à observação visual, o que limitava significativamente sua eficácia na vasta área marítima sob sua responsabilidade. No tocante ao armamento ofensivo, os B-18 Bolo empregavam cargas de profundidade MK-17 Mod 1, fornecidas diretamente pelos estoques da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) já existentes em território brasileiro. 

Essa dependência logística perdurou até que a Base Aérea de Fortaleza fosse devidamente equipada para o armazenamento e a manutenção desse tipo de munição, bem como de outros artefatos utilizados pela Aeronáutica. Progressivamente, as operações de patrulha marítima passaram a ser reforçadas com a incorporação dos primeiros North American B-25B Mitchell e, pouco depois, de aeronaves especificamente concebidas para esse tipo de missão, como os Lockheed A-28A Hudson, o que ampliou de forma sensível a capacidade operacional no Atlântico Sul. O primeiro registro de um ataque realizado por um Douglas B-18 contra um submarino inimigo ocorreu em 8 de maio de 1943, às 12h10, no litoral de Maceió, Alagoas. A aeronave “FAB 6300”, pertencente ao Grupo de Aviões Bimotores (GAB), sediado na Base Aérea de Natal, era tripulada pelo 1º Tenente-Aviador Zamir de Barros Pinto, pelo Aspirante-Aviador Geraldo Labarthe Lebre e pelos Sargentos Castro e Jayme. Durante a missão, a tripulação avistou o submarino alemão U-154 (Tipo IX), que havia atacado, às 05h45 do mesmo dia, o navio-tanque mercante norte-americano Motorcarline. Ao perceber a aproximação da aeronave brasileira, o submarino efetuou uma manobra de mergulho de emergência. O B-18 lançou duas cargas de profundidade e uma carga de instrução, que explodiram à frente da esteira de espuma deixada pela embarcação submersa, provocando o surgimento de uma extensa mancha de óleo na superfície do mar. A aeronave permaneceu em órbita sobre o local por cerca de uma hora, porém não foi possível confirmar o afundamento do submarino. Nesse mesmo período, ficou estabelecido que a Força Aérea Brasileira (AB) deveria assumir uma parcela cada vez mais significativa das atividades de patrulhamento marítimo e guerra antissubmarino em seu mar territorial. Essa transição foi viabilizada pela chegada de um número crescente de aeronaves especializadas, como os Lockheed PV-1 Ventura, Consolidated PBY-5A Catalina e, posteriormente, os Lockheed PV-2 Harpoon. Ainda assim, duas células do Douglas B-18 Bolo permaneceram em operação, executando missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino até o encerramento do conflito, demonstrando a importância residual do modelo mesmo diante de suas limitações tecnológicas. Com o término do conflito, em maio de 1945, os dois Douglas B-18 Bolo, então concentrados na Base Aérea de Recife, em Pernambuco, passaram a ser empregados predominantemente em missões de treinamento e transporte. Registra-se que, em algum momento daquele ano, uma das células foi temporariamente transferida para o Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAMAAF), no Rio de Janeiro, onde operou como aeronave orgânica da unidade. Em julho de 1945, o Ministério da Aeronáutica (MAer) instituiu um novo sistema de matrículas de quatro dígitos para suas aeronaves. Nesse contexto, os Douglas B-18 Bolo receberam as novas designações FAB 5026 (anteriormente 6300) e FAB 5027 (anteriormente 7032), encerrando simbolicamente o ciclo operacional de um dos primeiros bombardeiros empregados em missões reais de combate no Atlântico Sul.
Em 18 de outubro de 1946, a Diretoria de Material da Aeronáutica (DIRMA) determinou a transferência das aeronaves Douglas B-18 Bolo, matrículas FAB 5026 e FAB 5027, para o Parque de Aeronáutica de São Paulo (PASP), com o objetivo de utilizá-las em missões de transporte. Contudo, ambas as células apresentavam significativo desgaste estrutural decorrente de seu uso intensivo durante a Segunda Guerra Mundial, comprometendo sua operacionalidade. FAB 5026: Considerada inapta para o voo até São Paulo, a aeronave foi desativada em 10 de fevereiro de 1947 pelo Núcleo do Parque de Aeronáutica de Recife (NuPARF). A célula foi desmontada para aproveitamento de peças, e sua estrutura foi sucateada. FAB 5027: Translada com êxito ao PASP, a aeronave passou por uma revisão estrutural que confirmou seu avançado estado de deterioração, levando à decisão de sua desativação. Em vez de ser alienada, foi destinada à Escola Técnica de Aviação (ETAv), no bairro da Mooca, São Paulo. Desmontada e transportada por caminhões, a célula passou a ser utilizada como ferramenta de instrução prática para os alunos da instituição. A Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu uma terceira célula, pertencente à versão Douglas B-18A, que se diferenciava das anteriores por contar com motores Wright R-1820-53 mais potentes e uma estação de bombardeio realocada. Essa aeronave foi transladada em voo de San Antonio, Texas, Estados Unidos, partindo em 8 de agosto de 1944 e chegando ao Rio de Janeiro em 16 de agosto. Apesar de estar em condições de voo, a célula foi classificada pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) como “War Weary” (cansada de guerra), sendo inadequada para operações intensivas de combate. Assim, foi destinada ao 1º Grupo Misto de Instrução (1º GMI) da Escola Técnica de Aviação (ETAv), em São Paulo, onde foi empregada em atividades de instrução no solo para os alunos do Curso de Formação de Sargentos Especialistas. Em fevereiro de 1945, uma quarta aeronave Douglas B-18 foi cedida à FAB, também destinada a atividades de instrução no solo. Contudo, durante o voo de translado para o Brasil, a aeronave sofreu uma pane que obrigou a tripulação a realizar um pouso de emergência em uma praia a poucos quilômetros ao sul de San José, Guatemala. Embora o pouso tenha causado danos mínimos, a chegada da maré cheia ao entardecer danificou irreparavelmente a célula, inviabilizando sua recuperação. Com a chegada da terceira célula, a ETA, localizada no Hipódromo da Mooca, São Paulo, passou a contar com duas aeronaves Douglas B-18 (FAB 5027 e a B-18A) para fins educacionais. Em 1949, uma dessas aeronaves foi desmontada e sucateada, reduzindo o número de células ativas na instituição. Com a fusão de recursos materiais e humanos da ETA com a Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAr), em Guaratinguetá, São Paulo, a última célula remanescente do Douglas B-18 foi transferida para as novas instalações. Alguns anos depois, provavelmente com a chegada de múltiplas células do recém-desativado Douglas A-20K, o último Douglas B-18 foi sucateado, marcando o fim de sua utilização no Brasil.

Em Escala.
Para representar o Douglas B-18 Bolo, matrícula “FAB 7032”, foi utilizado o kit da Special Hobby na escala 1/72. Este modelo, caracterizado por detalhes em baixo relevo, oferece um elevado nível de detalhamento, incluindo peças em resina e componentes photo-etched. Sua concepção permite uma montagem fácil e rápida, atendendo às expectativas de modelistas que buscam precisão e qualidade. Foram empregados os decais originais fornecidos com o kit. No entanto, foi necessária a correção dos cocares da FAB aplicados na fuselagem, uma vez que os decais do modelo apresentavam incorreções. Na aeronave real, o cocar nacional era sobreposto à estrela do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC), detalhe que exigiu ajustes para garantir a fidelidade histórica da representação.
O esquema de cores (FS) descrito a seguir corresponde ao padrão de pintura original adotado pelo Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para o Douglas B-18 Bolo. Este mesmo padrão foi mantido pela Força Aérea Brasileira (FAB) durante toda a operação da aeronave, até sua retirada de serviço. Destaca-se que, no final de sua carreira operacional, a célula em questão passou a portar a matrícula “FAB 5027”. Essa mudança decorreu da implementação de um novo sistema de marcações adotado pelo Ministério da Aeronáutica (MAer) em julho de 1945, que introduziu matrículas de quatro dígitos para as aeronaves brasileiras.

Bibliografia:
- Bombardeiros Bimotores da FAB, Aparecido Camazano Alamino - C&R Editorial
- História da Força Aérea Brasileira, Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
- B-18 o Primeiro Grande da FAB – Revista Asas Nº 3
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015  - Jackson Flores Junior

B-25B North American Mitchel

História e Desenvolvimento.
A North American Aviation Company foi fundada em 6 de dezembro de 1928 por Clement Melville Keys, inicialmente concebida como uma holding empresarial voltada à aquisição, gestão e negociação de participações em companhias aéreas e empresas ligadas ao emergente setor da aviação. Essa estrutura refletia o ambiente econômico e regulatório dos anos finais da década de 1920, quando a aviação comercial norte-americana ainda se organizava de forma incipiente e fortemente dependente de contratos governamentais, em especial os relacionados ao transporte postal aéreo. Entretanto, esse modelo de negócios mostrou-se insustentável a partir de 1934, com a promulgação da chamada Lei Federal do Correio Aéreo (Air Mail Act), que desarticulou o sistema de holdings e impôs severas restrições à integração vertical entre companhias aéreas e fabricantes. Como consequência, diversas empresas estruturadas sob esse formato entraram em colapso ou foram forçadas a se reorganizar. Já então reconhecida como um ator relevante no meio aeronáutico, a North American Aviation promoveu uma profunda reorientação estratégica, abandonando o papel de holding financeira para concentrar-se diretamente na produção de componentes e aeronaves. Nesse processo de transformação, a liderança da empresa passou para as mãos do engenheiro James H. “Dutch” Kindelberger, profissional de sólida reputação técnica, cuja experiência havia sido forjada na Douglas Aircraft Company. Sob sua direção, a North American iniciou uma nova fase, sustentada financeiramente por investimentos oriundos de fundos ligados à Eastern Air Lines, o que assegurou a estabilidade necessária para a consolidação industrial da companhia. Em 1935, um novo e decisivo capítulo foi aberto com a aquisição do controle da empresa pela General Motors Corporation, que promoveu a fusão da North American Aviation com sua subsidiária aeronáutica, a General Aviation Manufacturing Corporation. No mesmo ano, foi tomada a decisão estratégica de transferir a principal planta industrial de Dundalk, Maryland, para Los Angeles, Califórnia, buscando explorar as condições climáticas mais favoráveis da costa oeste, que permitiam a realização contínua de ensaios de voo e aceleravam os ciclos de desenvolvimento e produção. Inserida nesse novo contexto, a North American Aviation direcionou seus esforços iniciais para o segmento de aeronaves de treinamento, considerado menos competitivo e mais acessível do que os mercados de caças e bombardeiros, então dominados por fabricantes já consolidados. Essa escolha revelou-se acertada. Os primeiros frutos dessa estratégia materializaram-se nos modelos GA-16, projetado para o treinamento básico de pilotos, e GA-15, destinado a missões de observação e reconhecimento. Ambos os projetos haviam sido originalmente desenvolvidos pela General Aviation Manufacturing Corporation e realizaram seus voos inaugurais, obtendo certificação, no início de 1936.O North American GA-16, após sua apresentação oficial, recebeu a designação militar NA-18, tendo seus dois protótipos submetidos a um rigoroso programa de ensaios em voo. Ainda em outubro de 1935, foi firmado o primeiro contrato de produção com o Exército dos Estados Unidos (US Army), contemplando a encomenda de 42 aeronaves, cujas entregas iniciais ocorreram já no início do ano seguinte.

Esses acontecimentos marcaram os passos inaugurais da North American Aviation como fabricante de aeronaves militares, lançando as bases de uma trajetória que, nos anos subsequentes, levaria a empresa a tornar-se um dos mais importantes e influentes fornecedores da aviação militar norte-americana, com papel decisivo no esforço industrial e tecnológico dos Estados Unidos ao longo do século XX. Em 11 de março de 1938, o Comando do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Corps – USAAC) publicou um conjunto de especificações técnicas destinadas ao desenvolvimento de uma aeronave monoplano bimotora concebida para operar como bombardeiro médio de ataque, refletindo o esforço então em curso para modernizar a aviação militar norte-americana diante das rápidas transformações tecnológicas da década de 1930. Atendendo a esse chamamento, diversas empresas de destaque da indústria aeronáutica — entre elas a Bell Aircraft Company, a Boeing Stearman Company, a Douglas Aircraft Company, a Martin Aircraft Company e a North American Aviation Company  apresentaram seus projetos para avaliação. O processo, contudo, revelou-se particularmente conturbado. A fase de ensaios foi marcada por sucessivos acidentes e incidentes envolvendo os protótipos apresentados, evidenciando as dificuldades técnicas inerentes ao desenvolvimento de uma nova geração de bombardeiros médios. Em razão desses reveses, o programa, identificado como CPN 38-385, acabou sendo cancelado, interrompendo temporariamente a iniciativa de dotar o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) de um novo vetor dessa categoria. Entretanto, o rápido agravamento do cenário internacional, com o aumento das tensões geopolíticas tanto na Europa quanto no Pacífico, imprimiu novo senso de urgência à modernização das forças armadas dos Estados Unidos. Assim, já em março de 1939, foi lançado um novo esforço, denominado Projeto ACP 39-640, igualmente voltado ao desenvolvimento de um bombardeiro médio de ataque, mas conduzido sob premissas mais ousadas. Diferentemente da concorrência anterior, a necessidade de acelerar o processo levou o comando militar a adotar uma abordagem excepcionalmente arriscada: a escolha do vencedor seria feita com base nas propostas técnicas apresentadas, dispensando-se a construção prévia de um protótipo funcional, com o objetivo de colocar a aeronave em operação antes do início de 1940. Dentre os projetos submetidos, dois se destacaram e foram selecionados como finalistas: o Martin Model 179 e o North American NA-62, este último concebido pelos engenheiros R. H. Rice e John Leland Atwood. A proposta da North American chamava a atenção por sua configuração de asa alta, dupla deriva e por um robusto armamento defensivo, além da capacidade de transportar até 3.600 libras de bombas a elevadas velocidades  características que, ao menos em teoria, superavam as oferecidas pelo projeto concorrente da Martin. Após criteriosa análise, e considerando a necessidade imediata de reequipar seus esquadrões, o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) optou por uma solução pragmática, decidindo adotar ambos os modelos. Dessa forma, foram formalizados contratos para a produção de 184 unidades do North American B-25 e 200 unidades do Martin B-26, assegurando uma rápida ampliação da capacidade de bombardeio médio da força.
Cabe destacar que o projeto definitivo aprovado para a produção em série do North American B-25, embora tivesse suas origens na proposta NA-40 apresentada na concorrência de 1938, resultou em uma aeronave substancialmente maior e mais pesada, incorporando melhorias estruturais e operacionais que elevaram seu peso total em quase quatro toneladas em relação ao conceito inicialmente concebido. O primeiro protótipo do North American B-25 foi concluído em 2 de agosto de 1940 e realizou seu voo inaugural em 19 de agosto do mesmo ano, sendo então submetido a um abrangente programa de ensaios em voo. Os resultados iniciais mostraram-se suficientemente promissores para que, em curto prazo, fosse concedida a autorização para a produção em série da aeronave, refletindo a urgência com que o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos buscava modernizar seus meios de ataque. As primeiras nove aeronaves produzidas apresentavam asas com diedro constante, ou seja, com inclinação uniforme a partir da fuselagem até as pontas. Contudo, após a entrega dessas unidades ao United States Army Air Corps (USAAC), constatou-se que tal configuração comprometia a estabilidade lateral da aeronave, resultando em um comportamento indesejado dos painéis externos das asas em determinadas condições de voo. Diante dessas limitações, a North American Aviation promoveu modificações imediatas no projeto, adotando a característica asa em “gaivota”, solução que se tornaria uma das marcas visuais mais reconhecíveis do B-25. Paralelamente, foram introduzidos ajustes menos perceptíveis, porém igualmente relevantes, como o aumento da área das barbatanas da cauda e a redução de sua inclinação interna, medidas destinadas a aprimorar a estabilidade direcional. Em setembro de 1940, outros três protótipos foram entregues ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) para participação em um rigoroso programa de ensaios em voo. O desempenho satisfatório dessas aeronaves resultou na homologação definitiva do modelo para produção em série. Nesse contexto, foi celebrado um contrato inicial entre a North American Aviation e as autoridades militares norte-americanas para a aquisição de 24 aeronaves, com as primeiras entregas ocorrendo em fevereiro de 1941. Foi também nesse momento que a aeronave recebeu oficialmente a designação B-25 e o nome “Mitchell”, em homenagem ao brigadeiro-general William Lendrum “Billy” Mitchell, um dos mais destacados defensores do emprego estratégico do poder aéreo nas décadas de 1920 e 1930. Paralelamente à entrada em produção, o projeto continuou a evoluir, dando origem à versão B-25A, que incorporava aprimoramentos estruturais e operacionais. Essa variante garantiu um novo contrato para a fabricação de 40 unidades adicionais. Durante esse período, relatórios de inteligência militar norte-americanos, baseados em experiências colhidas no teatro europeu, enfatizavam a crescente vulnerabilidade dos bombardeiros frente à ameaça representada pelos caças alemães. Como resposta, foram implementadas melhorias significativas no B-25A, incluindo a instalação de blindagem para proteção da tripulação e a adoção de tanques de combustível autovedantes.

Embora essas modificações tenham elevado substancialmente a capacidade de sobrevivência da aeronave em combate, elas impactaram negativamente sua autonomia. A capacidade interna de combustível foi reduzida de 912 para 694 galões, sem, contudo, comprometer o perfil operacional do B-25 como bombardeiro diurno de curto e médio alcance. A principal limitação passou a ser a capacidade de translado em longas distâncias, questão parcialmente mitigada pela possibilidade de instalação de um tanque suplementar removível no compartimento de bombas (bomb bay), solução que preservava a flexibilidade operacional do modelo. O sistema defensivo do North American B-25B representou um avanço significativo em relação às versões iniciais, refletindo as lições extraídas das primeiras experiências de combate aéreo na Europa. Essa variante passou a incorporar uma torreta elétrica Bendix do tipo “L”, instalada na seção dorsal traseira da fuselagem e equipada com duas metralhadoras Browning calibre .50. Complementarmente, foi introduzida uma torreta ventral retrátil, de concepção semelhante e dotada do mesmo armamento, posicionada na região inferior da aeronave, nas proximidades do compartimento de bombas (bomb bay). Esse conjunto elevou de forma sensível a capacidade defensiva do bombardeiro contra ataques de caças inimigos provenientes dos setores superior e inferior. A adoção dessa configuração levou à celebração de um contrato para a produção de 120 exemplares do B-25B, cujas entregas tiveram início imediato às diversas unidades do United States Army Air Corps (USAAC), tanto no território continental norte-americano quanto nos teatros de operações ultramarinos, em especial no Pacífico. A conclusão das entregas ocorreu em janeiro de 1942, em um momento em que os Estados Unidos já se encontravam plenamente envolvidos no conflito mundial. Embora produzido em número relativamente modesto quando comparado às variantes subsequentes, o B-25B Mitchell alcançou lugar de destaque na história da aviação militar ao participar da ousada incursão aérea contra o Japão em 18 de abril de 1942, episódio que ficaria conhecido como o Raid Doolittle. Naquela ocasião, dezesseis B-25B decolaram do porta-aviões USS Hornet (CV-8) para atacar alvos estratégicos nas cidades de Tóquio, Yokohama, Kobe e Nagoya. Do ponto de vista material, os danos causados foram limitados; contudo, o impacto psicológico foi profundo, demonstrando à liderança japonesa que o arquipélago não era invulnerável e proporcionando um expressivo incremento no moral das forças armadas e da opinião pública norte-americana. As versões seguintes do modelo incluíram o B-25C, com 1.625 unidades produzidas na fábrica de Inglewood, na Califórnia, e o B-25D, com 2.290 exemplares fabricados em Kansas City. Do ponto de vista técnico, ambas apresentavam características muito semelhantes, diferindo principalmente em aspectos de produção e equipamentos internos. A Royal Air Force (RAF) figurou entre os primeiros usuários estrangeiros do B-25, recebendo inicialmente a versão B-25B, designada localmente Mitchell I. As primeiras aeronaves chegaram em agosto de 1941 e foram alocadas à Unidade de Treinamento Operacional nº 111, sediada nas Bahamas, sendo empregadas exclusivamente para instrução e familiarização, sem utilização operacional em combate.
Já os B-25C e B-25D, designados Mitchell II pela Força Aérea Real (RAF,) passaram a equipar os esquadrões do Grupo nº 2, constituindo a espinha dorsal da força tática britânica de bombardeiros médios. O batismo de fogo dessas aeronaves sob comando britânico ocorreu em 22 de janeiro de 1943, quando seis Mitchell II do Esquadrão nº 180 atacaram instalações petrolíferas na região de Ghent, na Bélgica ocupada. No teatro do Pacífico, particularmente no início de 1943, aeronaves B-25C baseadas na Austrália foram adaptadas para missões de ataque rasante contra navios japoneses no Mar de Bismarck. Para esse perfil de emprego, o compartimento de bombas tornou-se dispensável, uma vez que as cargas explosivas eram lançadas diretamente pelo piloto durante o voo em baixa altitude. O nariz da aeronave foi então modificado, passando a abrigar 4 metralhadoras fixas calibre .50, cada uma com 500 cartuchos, complementadas por outras quatro metralhadoras do mesmo calibre instaladas em pares nas laterais da fuselagem, próximas à cabine de pilotagem. Essa configuração conferiu ao B-25 uma capacidade de fogo frontal excepcional, capaz de suprimir defesas antiaéreas leves e dificultar de forma decisiva a reação das tripulações inimigas, consolidando o modelo como uma das mais versáteis e eficazes plataformas de ataquel. As adaptações bem-sucedidas realizadas no B-25C serviram de base para o desenvolvimento do B-25G, do qual foram produzidas 750 unidades. Em sequência, foi introduzido o B-25H, caracterizado por um armamento mais potente em relação ao seu antecessor, destacando-se a inclusão de um canhão leve de 75 mm, modelo T13-E1. A última variante da série, o B-25J, alcançou a maior produção, com 4.318 exemplares fabricados. O B-25J preservou o nariz envidraçado típico dos modelos B-25C e B-25D, manteve as torretas dorsal e de cauda herdadas do B-25H e integrou as metralhadoras laterais frontais presentes nas versões C e D. A partir dessas configurações, uma série de modificações deu origem a variantes especializadas para missões diversas, como reconhecimento fotográfico, treinamento multimotor, reconhecimento meteorológico, patrulha marítima, transporte e capacitação em sistemas de radar embarcados. Até o final do conflito seriam produzidas  9.816 células dispostos em 31 versões, além dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, uma grande parte destas aeronaves seriam cedidas a nações aliadas como Brasil, Uniao Soviética, Canáda, Australia e França Livre.  No pós-guerra o modelo foi empregado pela Argentina, Biafra, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba República Dominicana, Indonésia, México, Peru, Polônia, Espanha, Uruguai e Venezuela, até meados da década de 1970. As primeiras versões destinadas ao transporte de carga emergiram da conversão de células dos North American B-25B iniciais, disponíveis em grande quantidade devido à substituição por modelos mais avançados. O sucesso dessa iniciativa levou a conversão adicional de aeronaves, resultando nas designações CB-25B, CB-25C, CB-25D e CB-25J. Essas variantes de transporte foram amplamente empregadas em todos os teatros de operações durante o conflito. Destaca-se ainda o desenvolvimento de uma variante especial para transporte de personalidades (VIP), designada VB-25J, que teve como usuários notáveis os generais norte-americanos Henry H. Arnold e Dwight D. Eisenhower. Após o término do conflito, diversas aeronaves na configuração original de bombardeiro foram transferidas a nações aliadas. 

Emprego na Força Aérea Brasileira.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos passou a encarar com crescente apreensão a possibilidade de uma expansão das operações militares do Eixo — Alemanha, Itália e Japão em direção ao continente americano. Essa preocupação intensificou-se de maneira decisiva após a capitulação da França, em junho de 1940, uma vez que o colapso francês abriu à Alemanha nazista a perspectiva de utilizar antigas possessões coloniais como bases avançadas no Atlântico, notadamente nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outros pontos estratégicos da África Ocidental. A partir dessas posições, tornava-se teoricamente viável o planejamento de incursões militares ou ações de interdição marítima contra o hemisfério ocidental. Nesse contexto, o Brasil passou a ser identificado pelos estrategistas norte-americanos como um dos pontos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais prováveis para o lançamento de uma ofensiva inimiga. Tal avaliação derivava, sobretudo, de sua proximidade geográfica com o continente africano, região que também figurava nos planos de expansão do Eixo, bem como da extensão e vulnerabilidade de seu litoral. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul comprometeram seriamente o fornecimento de borracha natural aos Aliados, transformando o Brasil no principal fornecedor de látex para o esforço de guerra aliado — insumo estratégico e indispensável à indústria bélica, especialmente para a produção de pneus, mangueiras, vedações e diversos componentes militares. A posição geográfica do litoral brasileiro, em especial da Região Nordeste, assumiu, assim, importância estratégica singular. Cidades como Recife destacavam-se por representar o ponto de menor distância entre as Américas e a África, condição que tornava a região ideal para a instalação de bases aéreas, navais e infraestruturas logísticas. Essas estruturas poderiam servir como elo fundamental na ponte aérea e marítima destinada ao envio de tropas, suprimentos, aeronaves e equipamentos para os teatros de operações europeu e norte-africano, consolidando o Brasil como peça-chave na arquitetura estratégica aliada no Atlântico Sul. Diante desse cenário, verificou-se, em curto espaço de tempo, uma acentuada aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Essa convergência materializou-se por meio de investimentos diretos em infraestrutura, acordos bilaterais de cooperação e, sobretudo, pela adesão brasileira ao programa de ajuda militar Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos). Concebido como instrumento central da política externa norte-americana, o Lend-Lease tinha como objetivo fortalecer militarmente as nações consideradas essenciais para a contenção do Eixo, promovendo a modernização de suas forças armadas. No caso brasileiro, os termos do acordo garantiram uma linha inicial de crédito da ordem de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico moderno, incluindo armamentos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate.  Esses recursos mostraram-se fundamentais para enfrentar as crescentes ameaças representadas pela guerra submarina alemã e italiana no Atlântico Sul, que colocavam em risco a navegação mercante, afetavam o comércio exterior brasileiro e ameaçavam diretamente o fluxo diário de matérias-primas estratégicas destinadas à indústria de guerra dos Estados Unidos. 

O programa de assistência militar revelou-se igualmente decisivo para a estruturação e consolidação da recém-criada Força Aérea Brasileira (FAB), instituída em 1941. Até então, a Aeronáutica havia herdado da Aviação Militar do Exército e da Aviação Naval da Marinha um conjunto heterogêneo de aeronaves, em grande parte obsoletas e inadequadas às exigências da guerra moderna, especialmente no que se referia às missões de patrulha marítima e guerra antissubmarino. O apoio norte-americano, portanto, não apenas forneceu meios materiais, mas também contribuiu de maneira decisiva para a evolução doutrinária, operacional e organizacional da aviação militar brasileira, permitindo ao país desempenhar um papel cada vez mais relevante na defesa do Atlântico Sul e no esforço de guerra aliado. Na fase inicial de suas atividades operacionais, a Força Aérea Brasileira (FAB) limitou-se, em grande medida, à realização de voos de presença e vigilância ao longo do litoral brasileiro, empregando, sobretudo, aeronaves monomotoras de desempenho modesto, como o North American AT-6B e o Vought V-65B Corsair. Essas missões tinham caráter essencialmente dissuasório e de observação, refletindo tanto a carência de meios adequados quanto a inexistência, à época, de uma doutrina plenamente desenvolvida para a condução da guerra aeronaval. Esse quadro começou a se modificar de forma significativa no início de 1942, quando, em decorrência de incentivos econômicos e crescentes pressões diplomáticas, o governo brasileiro autorizou a utilização de bases aéreas nacionais por unidades de patrulha da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy). Tal decisão representou um marco estratégico, pois viabilizou o início de operações conjuntas de patrulhamento marítimo e combate a submarinos alemães e italianos no Atlântico Sul. Esses primeiros confrontos passaram a ser acompanhados de perto por oficiais brasileiros, cuja participação, ainda que inicialmente observacional, revelou-se fundamental para a assimilação gradual dos conhecimentos técnicos e táticos relacionados à guerra antissubmarino. A partir desse convívio operacional, a Força Aérea Brasileira (FAB) passou a internalizar procedimentos, técnicas e conceitos doutrinários, adquirindo progressivamente a capacitação necessária para desenvolver, adaptar e difundir uma doutrina própria de emprego aeronaval. Esse processo de aprendizado foi reforçado pela cessão de aeronaves mais modernas, destacando-se, em janeiro de 1942, a entrega dos seis primeiros North American B-25B Mitchell ao Brasil. Adaptadas para missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino (ASW), essas aeronaves foram destinadas ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade criada em 4 de fevereiro de 1942 e sediada em Fortaleza, no Ceará, região de elevada relevância estratégica no contexto do Atlântico Sul. As primeiras missões operacionais com os B-25B tiveram início em abril de 1942 e foram conduzidas por tripulações mistas, compostas por oficiais e graduados da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) e da Força Aérea Brasileira (FAB). 
Durante essas operações, os tripulantes dos dois países alternavam as posições a bordo, prática que se revelou extremamente eficaz para elevar o nível de treinamento e acelerar a transferência de conhecimentos técnicos e operacionais. Nesse contexto de aprendizado em meio a uma situação estratégica cada vez mais tensa, um episódio assumiu particular relevância histórica. Em 22 de 1942, um North American B-25B Mitchell destacou-se ao tornar-se a primeira aeronave militar brasileira a entrar em combate durante a Segunda Guerra Mundial. Tal fato é ainda mais significativo quando se considera que, naquele momento, o Brasil ainda não havia declarado guerra ao Eixo, e o Ministério da Aeronáutica (MAer) contava com apenas 15 meses de existência, encontrando-se em pleno processo de organização e consolidação institucional. Quatro dias antes desse evento, o navio mercante Comandante Lyra fora atacado em águas territoriais brasileiras pelo submarino italiano Barbarigo, a pouco mais de 330 quilômetros de Fernando de Noronha. Tratava-se já da oitava embarcação brasileira atingida pelas forças do Eixo, evidenciando a escalada da guerra submarina no Atlântico Sul. O Comandante Lyra, embarcação de aproximadamente 73 metros de comprimento, capaz de atingir velocidades em torno de 30 km/h e equipada com dois canhões de 100 mm, quatro metralhadoras e oito tubos lançadores de torpedos, sofreu danos significativos em decorrência do impacto de um torpedo, do emprego de bombas incendiárias e de disparos de canhões de 100 mm e metralhadoras. Apesar da violência do ataque, o navio não chegou a afundar, embora tenha sido tomado por incêndios que produziram uma imensa coluna de fumaça, visível a grande distância. Em situação de emergência, a embarcação conseguiu seguir rebocada até o porto de Fortaleza (CE), episódio que reforçou, de maneira contundente, a urgência da mobilização militar brasileira e a necessidade de ampliar e consolidar as capacidades brasileiras no patrulhamento marítimo e na defesa do litoral nacional. Naquele dia 22 de maio, os Capitães  Aviadores Parreiras Horta e Pamplona estavam em missão de treinamento de formação operacional como pilotos de patrulha. Mas nenhum voo era realmente tranquilo: o Brasil ainda não estava oficialmente em conflito, porém qualquer tripulação da Força Aérea Brasileira (FAB), mesmo as envolvidas em treinamento, eram orientadas a voarem prontas para o combate. Qualquer submarino ou navio que não pudesse ser identificado seria considerado como possivelmente hostil. O B-25B levava na sua tripulação os oficiais brasileiros e quatro militares da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF): Tenente Schwane (instrutor), Sgt. Yates, Sgt. Tyler e Sgt. Robinson, localizou o submarino italiano Barbarigo (Classe Marcelo) navegando em superfície.  Conforme as diretrizes vigentes à época, que refletiam a neutralidade brasileira, as tripulações só poderiam engajar alvos inimigos em caso de ataque prévio, então basicamente seria uma operação apenas de intimidação, porém ao identificar a aproximação da aeronave, a tripulação do submarino inimigo  respondeu imediatamente com intenso fogo antiaéreo. Diante da agressão, a tripulação do B-25B neste momento a 300 metros de altitude sobrevoou a embarcação da proa à popa e lançou 10 bombas  de 45 kg. Em segundos, começaram as explosões próximas ao casco. 

Somente depois do lançamento começou o ininterrupto fogo antiáereo enquanto a embarcação iniciava uma curva e expelia fumaça dos motores diesel.  Enquanto o bombardeiro mantinha contato visual com o alvo e informava o comando sobre o ataque, os disparos da antiaérea continuavam, até que a aeronave desapareceu nas nuvens. Antes do pouso em Fortaleza, mais aviões já haviam decolado para caçar a ameaça inimiga na costa brasileira, mas o alvo não foi mais encontrado.  Em referência a este ataque, foi declarado o batismo de fogo da Força Aérea Brasileira (FAB) e instituído naquela data o dia da Aviação de Patrulha. No final deste mesmo ano seria determinado que a Força Aérea Brasileira deveria começar a assumir uma significativa parcela das atividades de patrulhamento e guerra antissubmarino em seu mar territorial. Neste período a força de patrulha  brasileira ainda era incipiente. Os seis B-25B, juntamente com doze caças Curtiss P-36 e dois Douglas B-18 Bolo, formavam o Agrupamento de Aviões de Adaptação, sediado na Base Aérea de Fortaleza. Essas aeronaves realizavam voos na costa em busca dos submarinos inimigos. A fim melhorar esta estrutura em dezembro de 1942, seriam  recebidos dez Lockheed A-28A-LO Hudson, o primeiro modelo especializado em missões deste tipo.   A rotina de missões de patrulhamento marítimo conduzidas pelos North American B-25B Mitchell, iniciada a partir de Fortaleza (CE), foi gradualmente ampliada para outras localidades estratégicas do litoral nordestino, notadamente Recife (PE) e Natal (RN), para onde essas aeronaves foram transferidas ao longo do conflito, em consonância com a evolução do cenário operacional no Atlântico Sul. Essa redistribuição refletia tanto a necessidade de ampliar a cobertura aérea sobre rotas marítimas sensíveis quanto o amadurecimento da estrutura operacional da Força Aérea Brasileira (FAB). O contingente inicial de B-25B foi reduzido a cinco exemplares após a perda de uma aeronave na Base Aérea de Recife. Dos aviões remanescentes, três unidades então baseadas em Recife foram posteriormente transferidas para a Base Aérea de Natal, com o objetivo de reforçar a 1ª, 2ª e 3ª Esquadrilhas do 5º Grupo de Bombardeio Médio, unidade que sucedeu o 1º Grupo Misto e assumiu papel central nas missões de patrulhamento marítimo e combate antissubmarino na região. Paralelamente, iniciou-se um processo de ampliação e modernização de sua frota, incorporando 21 aeronaves adicionais das versões North American B-25J-15 e B-25J-20. Esses novos vetores, mais recentes e tecnologicamente aprimorados, passaram a ser igualmente empregados em missões de vigilância marítima e guerra antissubmarino, complementando e, gradualmente, substituindo os exemplares mais antigos da versão B-25B. Pouco antes do encerramento das hostilidades, ao menos dois B-25B Mitchell permaneceram por breve período destacados na Base Aérea de São Paulo (SP), retornando a Natal em julho de 1945. Novamente concentradas no Nordeste, essas aeronaves continuaram em serviço naquela região até julho de 1947, quando passaram a ceder espaço aos mais modernos B-25J, destinados a equipar o recém-criado 5º Grupo de Aviação (5º GAv). Essa unidade, sediada na Base Aérea de Natal, havia sido oficialmente constituída em março de 1947.
Como consequência desse processo de transição, as cinco aeronaves B-25B remanescentes foram recolhidas ao Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), onde permaneceram estocadas à espera de eventual redistribuição. Contudo, dos 5 exemplares do lote original então localizados no Campo de Marte, três aeronaves foram formalmente excluídas da carga do Ministério da Aeronáutica (MAer) no início de março de 1949, uma vez que os trabalhos de recuperação estrutural e de revisão geral foram considerados antieconômicos. Entre julho de 1946 e outubro de 1947, o Brasil recebeu ainda 64 unidades adicionais do North American B-25J, por meio de programas de assistência militar norte-americanos, entre os quais se destacou o “American Republic Projects”. Esse expressivo incremento permitiu à Força Aérea Brasileira (FAB) consolidar uma frota numerosa e homogênea do modelo, favorecendo a especialização não apenas nos processos operacionais, mas também nas rotinas de manutenção em nível de parque, aspecto fundamental para a autonomia logística da instituição. Com a disponibilidade de uma frota robusta e tecnicamente consolidada, passou-se a estudar alternativas para a extensão da vida útil dessas aeronaves, buscando a maximização do emprego operacional dos B-25, reconhecidos por sua robustez, versatilidade e confiabilidade. Dessa forma, decidiu-se inicialmente realizar um abrangente trabalho de revisão geral e modificação nas duas células remanescentes do B-25B. Este processo consistiu, basicamente, na remoção de todos os sistemas de armamento originalmente instalados, na substituição dos motores Wright Cyclone R-2600-9 pelos  R-2600-13, que possuíam a mesma potência, mas eram mais confiáveis, e nas adaptações necessárias para adequar as aeronaves à missão de transporte. O primeiro avião, agora designado como North American CB-25B, foi distribuído em maio de 1948 à Esquadrilha Mista de Instrução do Curso de Tática Aérea (EMICTA), com sede na Base Aérea de São Paulo (SP). O segundo CB-25B foi entregue ao Núcleo do Parque de Aeronáutica do Recife (NPqAerRF). Contudo, a permanência dessas aeronaves nessas unidades foi curta, uma vez que foram rapidamente substituídas pelos CB-25J. Ambos os aparelhos retornaram ao Parque de Aeronáutica de São Paulo (PqAerSP), onde, por um breve período, continuaram a atuar como aeronaves orgânicas do parque, até que foi decidida sua desativação do serviço ativo. Finalmente, no dia 21 de novembro de 1957, o último B-25B oi retirado da carga do Ministério da Aeronáutica (MAer) e alienado, sendo vendido como sucata no ano seguinte. Uma sétima aeronave do modelo  B-25B foi incorporada em 1944, destinada à Escola Técnica de Aviação (ETAv) situada no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo – SP, para ser utilizada exclusivamente em instrução em solo, visando o treinamento dos mecânicos em formação do 1º Grupo Misto de Instrução. No entanto, por se tratar de uma célula "cansada de guerra" (War Weary), não chegou a realizar voos de instrução, sendo rapidamente transferida para a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer) em Guaratinguetá.  Na EEAer, a aeronave permaneceu até dezembro de 1954, recebendo a designação IS-B-25B, e posteriormente foi recolhida ao PqAerS, sendo submetida a uma avaliação técnica para verificação de seu estado, sendo considerada inapta para instrução em solo. Consequentemente, este último foi oficialmente excluído da carga em outubro de 1956 .

Em Escala.
Para representar o North American B-25B Mitchell, matrícula “FAB 10”, em uso durante os anos de 1942 a 1945, utilizamos o renomado kit da Accurate Model na escala 1/48, o qual se destaca por sua riqueza em detalhes. Para adaptar o modelo à versão utilizada pela Força Aérea Brasileira (FAB), foi necessário remover a torre ventral de metralhadoras. Adicionalmente, empregamos decalques produzidos pela FCM Decais, que estão disponíveis no antigo Set 48/08.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura tático norte-americano adotado no recebimento das aeronaves em 1942, sendo aplicadas as marcações brasileiras (cocares) sobre as originais do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). Este padrão de pintura, com pequenas alterações, foi mantido até a realização das primeiras revisões completas em nível de parque, momento em que as aeronaves passaram a apresentar uma pintura metálica. Esse novo esquema de pintura foi mantido até a desativação das aeronaves, ocorrida entre os anos de 1956 e 1957.
Bibliografia :
- Revista Asas Mº 40 B-25 Mitchell na FAB, por Aparecido Camazano Alamino 
- Historia da Força Aérea Brasileia , Professor Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html 
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 - 2015, por Jakson Flores Jr
- Bombardeiros Bimotores na FAB, por Aparecido Camazano Alamino  - Editora C&R