HU-2W Westland WS-55 Whirlwind I

História e Desenvolvimento.
A história da Westland Aircraft, uma das mais prestigiadas fabricantes de aeronaves do Reino Unido, teve início em 1915, em um momento em que a Primeira Guerra Mundial (1914–1918) exigia avanços rápidos na tecnologia militar. Fundada como uma divisão da Petters Limited, uma empresa de Yeovil, Somerset, conhecida por seus motores para a indústria metal-mecânica, a Westland Aircraft Works nasceu da visão empreendedora dos irmãos William “Teddy” Petter e Ernest Petter. Teddy. Em 1915, o Almirantado Britânico, pressionado pela ameaça de submarinos alemães e pela necessidade de patrulhas marítimas, contratou a nova divisão para produzir 12 hidroaviões Short Type 184 – um biplano, célebre por lançar o primeiro torpedo aéreo bem-sucedido contra um navio otomano nos Dardanelos em 1915. Esse contrato inicial foi seguido por outro para fabricar 20 aeronaves Short Admiralty Type 166, biplanos robustos destinados a reconhecimento e bombardeio leve, essenciais para operações no Canal da Mancha. O nome “Westland” foi escolhido com um toque de ternura por Agnes Petter, esposa de Teddy, durante a aquisição de um terreno em West Hendford, Yeovil, para expandir a planta industrial. Com a escalada da guerra aérea – marcada por combates aéreos intensos e o uso crescente de aviões para reconhecimento e bombardeio –, a Westland expandiu suas operações, assinando contratos adicionais com o governo britânico. Entre 1916 e 1918, a empresa fabricou sob licença modelos icônicos de outros fabricantes, incluindo o Sopwith 1½ Strutter, um caça biplano usado em missões de bombardeio diurno na Frente Ocidental; os Airco DH.4 e DH.9, bombardeiros leves projetados por Geoffrey de Havilland, essenciais na Frente Italiana; o DH.9A, aprimorado com motores americanos Liberty; e o Vickers Vimy, um bombardeiro pesado que, pós-guerra, faria história com o primeiro voo transatlântico sem escalas em 1919. Essas linhas de produção, que entregaram mais de 1.000 aeronaves, e a  experiência acumulada permitiu à Westland dar seus primeiros passos como designer independente. Em 1917, lançou o Westland N.1B, um hidroavião experimental projetado para patrulhas navais de médio alcance, seguido, em 1918, pelos caças Westland Wagtail e Weasel – biplanos ágeis que incorporavam lições de combates. O Armistício de 1918, que encerrou a Primeira Guerra Mundial trouxe desafios para a indústria aeronáutica britânica bem como para todo o segmento de defesa. A queda na demanda militar levou ao fechamento de fábricas, mas a Westland, se voltou para o mercado civil, onde a aviação prometia reconectar um mundo fragmentado. Seriam lançados modelos famosos como o Westland Limousine (1920) para transporte de até quatro passageiros e o  Westland Woodpigeon (1924), um biplano leve que brilhou em corridas aéreas como a Copa do Rei dos anos seguintes.

Em 1926, a Real Força Aérea (RAF), lançou a concorrência M 26/27 para substituir os obsoletos treinadores Airco DH.9A, Aa Westland, competindo contra gigantes como Hawker e Bristol, apresentou o Westland Wapiti – um biplano robusto com motor Bristol Jupiter. Em maio de 1927, após testes rigorosos em Martlesham Heath, a Westland venceu, levando um contrato para 500 aeronaves. Em 1935, com a ascensão de tensões globais sob a ameaça nazista,  Teddy Petter reestruturou a Petters Limited, separando a produção de motores (mantida como Petter Engines) da aviação, criando a Westland Aircraft Ltd., sediada em Yeovil. Durante a Segunda Guerra Mundial, a companhia desenvolveu e produziu uma ampla gama de aeronaves de grande relevância para o esforço de guerra aliado. Dentre essas, destaca-se o Westland Whirlwind, que, além de possuir velocidade superior a outros modelos utilizados na época, foi o primeiro caça equipado com um canhão de 30 mm a entrar em serviço na Força Aérea Real (RAF). Outro modelo de grande importância foi o Westland Lysander, uma aeronave dedicada a missões de transporte leve e ligação, amplamente reconhecida por seu papel na infiltração de agentes especiais em território inimigo. Contudo, de maneira similar ao ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial, grande parte dos esforços da empresa concentrou-se na produção em larga escala de aeronaves projetadas por outras fabricantes aeronáuticas. Destaca-se, nesse período, a fabricação da família do caça Spitfire, cujas operações se intensificaram após a destruição da planta fabril da Supermarine em Southampton, em setembro de 1940, durante a Batalha da Inglaterra. Entre os anos de 1940 e 1945, a Westland Aircraft Ltd. produziu mais unidades do Spitfire do que qualquer outro fabricante. Ademais, a equipe de projetos da empresa foi responsável pelo desenvolvimento da versão navalizada da aeronave, denominada Supermarine Seafire. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Westland Aircraft Ltd. identificou o potencial de mercado das aeronaves de asas rotativas e, nesse contexto, buscou estabelecer uma parceria estratégica para a produção e transferência de tecnologia. O primeiro acordo nesse sentido foi celebrado com a empresa norte-americana Sikorsky Aircraft Division, visando à fabricação sob licença do helicóptero Sikorsky S-51 Dragonfly, que recebeu a designação local de Westland WS-51 Dragonfly. O primeiro protótipo realizou seu voo inaugural em maio de 1948 e, após um extenso programa de ensaios, recebeu seu primeiro contrato de produção. A partir de meados de 1950, esse modelo tornou-se a principal aeronave de asas rotativas em serviço na Marinha Real (Royal Navy) e na Força Aérea Real (Royal Air Force). Rapidamente, o Westland WS-51 Dragonfly conquistou grande sucesso comercial no segmento civil e, somado aos contratos militares, consolidou a empresa como uma das principais fabricantes do Reino Unido.
No início da década de 1950, a Westland Aircraft Ltd., consolidava-se como uma potência na indústria aeronáutica britânica, impulsionada pelo sucesso do helicóptero Westland WS-51 Dragonfly. Introduzido em 1948 como uma versão licenciada do Sikorsky S-51, o Dragonfly conquistou rapidamente o mercado civil, sendo empregado em tarefas como transporte executivo, evacuação médica e operações de resgate em áreas remotas do Reino Unido, onde sua capacidade de pouso vertical era uma revolução. Para operadores civis – como os da British European Airways, que voavam entre Londres e vilarejos costeiros –, o Dragonfly era mais que uma máquina: era a promessa de conectar comunidades isoladas, humanizando a aviação em um país ainda em reconstrução após a Segunda Guerra Mundial (1939–1945). No setor militar, contratos com a Real Força Aérea (RAF) e a Marinha Real (Royal Navy) para missões de busca e salvamento (SAR) e transporte reforçaram a reputação da Westland. O sucesso da aeronave, representou  um convite para mirar mais alto: desenvolver um helicóptero de maior porte e capacidade de carga, capaz de competir no crescente mercado aeronáutico. Esse movimento exigia planejamento meticuloso: estudos preliminares envolveram projeções de mercado, análises de carga útil (até 1.500 kg) e avaliações de ambientes operacionais, desde os fiordes escoceses até colônias britânicas no Sudeste Asiático. O projeto demandava recursos significativos – desenvolvimento de protótipos, criação de ferramental especializado, gabaritos de montagem e programas de ensaios em voo –, um desafio financeiro em uma economia britânica ainda sob racionamento pós-guerra. Para otimizar custos e acelerar o desenvolvimento, a Westland optou por uma estratégia comprovada: celebrar um novo acordo de licenciamento com a Sikorsky Aircraft Division, dos Estados Unidos, cuja expertise em helicópteros era inigualável, graças a pioneiros como Igor Sikorsky. O modelo escolhido foi o Sikorsky S-55 (designado H-19 Chickasaw no Exército dos EUA), um helicóptero médio com motor radial Wright R-1300 de 600 cavalos, capaz de transportar 8 passageiros ou carga significativa, amplamente usado na Coreia para evacuações médicas. Após negociações intensas, conduzidas em 1950 entre Yeovil e Stratford, Connecticut, onde engenheiros britânicos e norte-americanos trocavam esboços sobre o projetp, resultando em um projeto técnico comercial, com o contrato de licenciamento sendo assinado em março de 1951. O acordo concedia à Westland exclusividade para fabricar e comercializar o S-55 na Europa, com a responsabilidade de customizar projetos técnicos, adaptar ferramental e desenvolver processos de produção em série. A Sikorsky forneceu uma célula original do S-55 como base, que chegou a Yeovil em meados de 1951. Montada nas linhas de produção britânicas, essa aeronave realizou seu primeiro voo em novembro de 1951.

No entanto, o processo de customização de desenvolvimento e produção revelou-se mais complexo do que o previsto. A adaptação dos projetos americanos às normas britânicas – incluindo ajustes no motor para combustíveis europeus, reforços na fuselagem para climas úmidos e criação de gabaritos para produção em massa – exigiu meses de trabalho árduo. O primeiro protótipo do Westland WS-55 (matrícula G-AMJT), totalmente fabricado no Reino Unido, alçou voo em 23 de agosto de 1953, marcando um triunfo técnico. A seguir mais duas células seriam completas, passando a ser  submetidos a um complexo programa de ensaios em voo, visando assim sua certificação para operação civil e militar, com este processo sendo finalizado com êxito até novembro do ano seguinte. Logo em seguida a aeronave obteria seu primeiro contrato militar, mediante uma encomenda de dez aeronaves celebrada com Marinha Real (Royal Navy), para o emprego em missões de busca e salvamento – SAR (Searching and Rescue). As primeiras células denominadas Whirlwind HAR.1 seriam entregues em janeiro de 1954 ao 848º Esquadrão Aéreo Naval, onde seriam imediatamente  embarcadas em navios como o HMS Perseus, destinadas a operações na Emergência Malaia, onde a guerrilha comunista exigia resgates rápidos de soldados feridos em selvas densas. No entanto após meses de operação, verificou-se que os motores radiais Pratt & Whitney Wasp R-1340-40 com 600 shp (mesmo modelo empregado Sikorsky H-19) ofereciam pouca potencia, limitando sua operação em ambientes navais em missões de longo alcance e sob condições adversas. Assim a Westland identificou a necessidade de um motor mais potente para atender às demandas da  Marinha Real (Royal Navy), levando ao desenvolvimento do modelo Whirlwind HAR.3  equipado com o motor radial Wright R-1300-3 Cyclone 7, capaz de gerar 800 shp (cavalos de potência de eixo), um aumento significativo em relação aos 600 shp do motor original do HAR.1. Este incremento permitiu maior capacidade de carga (até 1.500 kg), melhor desempenho em altitudes elevadas e maior confiabilidade em climas tropicais, onde o calor e a umidade testavam os limites das aeronaves. O primeiro protótipo do HAR.3 alçou voo em 1955, e seu desempenho superior  agradaria o comando da Marinha Real (Royal Navy), gerando um contrato no ano seguinte para produção de 35 células,  destinadas a esquadrões como o 848º e o 845º Naval Air Squadron.  Essas aeronaves foram rapidamente integradas a operações na Emergência Malaia, onde resgataram soldados britânicos feridos em emboscadas na selva de Perak, e na Crise de Suez, onde apoiaram desembarques anfíbios em Port Said. Em 1957, a Força Aérea Real (Royal Air Force) encomendou 71 unidades, que seriam alocadas junto a esquadrões de transporte como o o 22º e o 110º Squadron, baseados colônias como o Chipre e o Quênia, onde seriam empregadas em missões humanitárias, como evacuações médicas no deserto de Aden
Em 1955, a Marinha Francesa, buscava modernizar sua Aviação Naval (Aéronavale) para enfrentar desafios estratégicos, incluindo operações coloniais na Argélia (Guerra de Independência, 1954–1962) e a crescente tensão no Oriente Médio. A escolha do Westland Whirlwind HAR.3 como primeiro helicóptero militar de exportação da Westland foi impulsionada por sua versatilidade e robustez, comprovadas em missões britânicas na Malásia. Após negociações o governo francês  assinou um contrato para adquirir 37 aeronaves, que foram entregues entre 1955 e 1956, sendo alocadas ao 31F e 32F Esquadrões da Aviação Naval (Aéronavale), baseados em porta-helicópteros como o La Fayette e em bases costeiras. Apesar de seu grande êxito operacional, vislumbrava-se a oportunidade de aumentar o desempenho aeronave criando uma versão especializada em guerra antissubmarino (ASW),  porém o conceito esbarrava na limitada a capacidade de geração de potência dos motores a pistão norte-americanos. Neste contexto a equipe de engenharia da Westland passaria a estudar a adoção de um novo grupo propulsor, optando por  projeto apresentado pela empresa inglesa Alvis Car and Engineering Company Ltd. que passaria a fazer uso do motor radial Alvis Leonides Major 750/1com 14 cilindros com 900 cv de potência. Nascia assim o Whirlwind HAR.5 dedicados as tarefas de transporte e busca e salvamento (SAR) e o Whirlwind  HAS, primeiro helicóptero britânico projetado para as tarefas de guerra antissubmarino (ASW). Esta última versão apresentava uma autonomia em patrulha de 334 milhas a uma velocidade média de 86 mph, podendo ser equipado com um sistema de sonar de mergulho para detecção de submarinos ou torpedos e cargas de profundidade para ataques a submarinos.  Apesar ter obtido relativo sucesso comercial com esta família de aeronaves de asas rotativas, Westland Aircraft Ltd, já começava a ensaiar seus próximos passos, agora fazendo uso de uma nova tecnologia destinada aos motores a reação do tipo turbo eixo, que permitiria o desenvolvimento de grupos motopropulsores de reduzidas dimensões, mas capazes de gerar considerável potência. O próximo passo evolutivo ocorreria com o lançamento do Westland Whirlwind Série 3,  projetado para superar as limitações das variantes anteriores, com foco em operações navais mais exigentes, como ASW e SAR em alto-mar.  A principal inovação foi a introdução do motor turbo eixo General Eletric T-58 (que seria substituído na versão de produção pelo Bristol Siddeley Gnome de 1.000 cv de potência), além disso incorporava melhorias estruturais, como reforços na fuselagem para resistir à corrosão marítima, sistemas de flutuação para pousos emergenciais no mar e aviônicos aprimorados, incluindo rádios VHF/UHF para comunicações em longas distâncias. Além de novas células, seria desenvolvido um kit de modernização para os modelos HAR.5 e HAS, com estas aeronaves submetidas a este processo recebendo a designação de Whirlwind HAR.9. As últimas aeronaves remanescentes desta família seriam operadas até o inicio da década de 1970, quando passaram a ser substituídas pelos novos Westland Wessex. 

Emprego na Marinha do Brasil.
O advento da operação de aeronaves de asas rotativas para fins militares no Brasil marcou um capítulo significativo na modernização das Forças Armadas do país, refletindo o crescente interesse global pelo potencial estratégico dos helicópteros na década de 1950. Esse movimento teve início com a aquisição, pela Força Aérea Brasileira (FAB), de quatro unidades do modelo Bell 47D1 — designado militarmente como H-13D — na primeira metade da década. A incorporação dessas aeronaves, fabricadas pela Bell Helicopter Company, representou um marco inicial no uso de helicópteros para missões militares no Brasil, destacando-se pela versatilidade e confiabilidade que o Bell 47 já havia demonstrado na Guerra da Coreia (1950-1953). O sucesso dessas operações pela FAB chamou a atenção da Marinha do Brasil, que, desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, nutria ambições de reestruturar e fortalecer sua aviação naval, um projeto que ganharia forma nos anos seguintes. A Marinha do Brasil, ciente do potencial transformador das aeronaves de asas rotativas, iniciou um processo estratégico para reativar sua aviação naval, interrompida desde os anos 1940 devido às restrições impostas pela criação do Ministério da Aeronáutica, que centralizou as operações aéreas militares na Força Aérea Brasileira (FAB). Em 1952, um passo decisivo foi dado com a criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), uma organização dedicada a formular a doutrina operacional e estabelecer as bases para o emprego de aeronaves navais. A DAerM teve como missão estruturar o braço aeronaval da Marinha, definindo diretrizes para o uso de helicópteros em missões como reconhecimento, transporte, apoio logístico e operações embarcadas em navios, alinhando-se às tendências globais de modernização naval observadas em potências como os Estados Unidos. Como parte desse ambicioso programa, em 1955 foi fundado o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval (CIAAN), sediado no quilômetro 11 da Avenida Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, onde hoje se localiza o Centro Recreativo da Casa do Marinheiro. O CIAAN foi concebido como o núcleo de formação e treinamento de todo o pessoal aeronaval da Marinha, incluindo pilotos, mecânicos e tripulantes, com o objetivo de desenvolver uma força profissional capacitada para operar aeronaves de asas rotativas em ambientes navais e terrestres. Esse centro representou um marco na consolidação da aviação naval brasileira, sendo o berço da capacitação técnica e operacional que sustentaria as operações futuras. O processo de modernização ganhou impulso com a aquisição de três helicópteros Bell 47J, uma variante avançada do Bell 47, obtida em 1957 por intermédio da Missão Naval Americana, um acordo de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos que facilitou a transferência de tecnologia e equipamentos. 

Ao traçar os planos de equipamento da recém-ressuscitada Aviação Naval, as altas autoridades da Marinha do Brasil prontamente identificaram a necessidade de dispor de um helicóptero de maior porte do que os Bell 47 e os Westland Widgeon adquiridos no final da década de 1950. Em face do cenário em que se deu o ressurgimento da Aviação Naval, agravado ainda pelo reduzidíssimo orçamento destinado à aquisição de material aeronáutico, as alternativas existentes eram bastante restritas.  Estudos seriam conduzidos junto ao adido militar naval em Washington nos Estados Unidos, visando a aquisição de aeronaves de asas rotativas junto aquele governo, com preferência ao modelo Sikorsky S-55, que vinham desempenhando um excelente papel como aeronaves navais junto a Marinha Americana (US Navy). No entanto, em vista da relação existente entre a Marinha do Brasil e a Westland, bem como o considerável prestígio pelo almirantado britânico durante as etapas de fiscalização de construção do Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, foi possível à Comissão Fiscal de Construção de Navios na Europa (CECNFE) acertar a compra de três helicópteros Westland WS-55 Whirlwind Series 1. Celebrada em valor unitário de US$ 141.366, a compra dos Westland Whirlwind apresentou uma importante vantagem: a entrega se deu em um brevíssimo espaço de tempo. Uma vez assinado o contrato, em julho de 1960, o primeiro Whirlwind foi entregue em outubro, seguido dos dois restantes já no mês seguinte. Apesar de serem da versão civil do WS-55 Series 1, os três Whirlwind apresentavam muitas características presentes nas versões Whirlwind HAR Mk 1e HAR Mk2, respectivamente operadas pela Marinha Real (Royal Navy) e Força Aérea Real (Royal Air Force).  Os helicópteros destinados à Marinha do Brasil foram entregues numa configuração que permitia o transporte de 10 soldados ou a instalação de seis macas, dispondo ainda de guincho igual àquele instalado nos seus pares militares do Reino Unido.  Este contrato além do fornecimento das aeronaves e peças de reposiçao, contemplaria ainda um programa de treinamento de operação e manutenção, assim prontamente logo após sua formalização uma comitiva formada por aviadores navais e oficiais brasileiros seria despachada para as instalações da Westland Aircraft Ltd., na cidade de Yeovil. Esta fase de treinamento e adaptação a nova aeronave ocorreria sem intercorrências, com o programa sendo concluído com pleno sucesso.  Neste mesmo momento o navio aeródromo ligeiro NAeL  A-11 Minas Gerais ainda se encontrava na Inglaterra, encerrando suas provas de aceitação com um grupo embarcado da Marinha Real (Royal Navy), gerando uma excelente oportunidade para a Aviação Naval brasileira. 
No dia 19 de outubro de 1956, a Aviação Naval Brasileira alcançou um marco histórico com a realização do primeiro pouso de um helicóptero a bordo do Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais. Essa façanha foi conduzida com destreza pelo Capitão de Fragata Roberto Mário Monnerat e pelo Capitão-Tenente Hercel Ahrends Teixeira, que utilizaram um helicóptero Westland WS-55 Whirlwind Series 1. Este evento não apenas demonstrou a capacidade técnica da Marinha do Brasil, mas também marcou o início de uma nova era na integração de operações aéreas e navais, fortalecendo o potencial estratégico da Força Naval. Posteriormente, em 4 de novembro de 1956, após rigorosos ensaios e aprovação para recebimento, dois outros helicópteros Whirlwind se juntaram ao primeiro exemplar, completando um trio de aeronaves que ampliaria significativamente as capacidades operacionais da Aviação Naval. No início de dezembro do mesmo ano, esses helicópteros foram transportados em voo até Rotterdam, na Holanda, onde foram embarcados no NAeL A-11 Minas Gerais, que se preparava para sua viagem inaugural ao Brasil. Este navio, um porta-aviões da classe Colossus adquirido do Reino Unido em 1956, representava um avanço significativo para a Marinha, sendo o primeiro de sua categoria a operar no país. Nesse período, as autoridades da Marinha do Brasil já negociavam a aquisição de mais dois helicópteros Westland WS-55 Whirlwind Series 1, visando expandir ainda mais a frota. Contudo, as limitações orçamentárias impostas à Aviação Naval naquele momento frustraram temporariamente esses planos, que foram adiados para 1963. Apesar dessas restrições, a chegada dos três primeiros Whirlwind ao Brasil, em 1956, representou um divisor de águas, permitindo à Marinha do Brasil diversificar suas missões e consolidar sua capacidade de projeção de poder. Os três helicópteros, designados oficialmente como HU2W, foram inicialmente subordinados ao Destacamento Aéreo Embarcado do NAeL A-11 Minas Gerais. Com a criação do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), formalizada por aviso ministerial em junho de 1961, as aeronaves foram transferidas para essa nova unidade. Operando a partir de instalações modestas localizadas no quilômetro 11 da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) rapidamente se destacou pela versatilidade dos Whirlwind. Essas aeronaves passaram a desempenhar uma ampla gama de funções, atendendo tanto às necessidades operacionais da Marinha quanto às demandas de entidades civis.

A introdução dos helicópteros Westland Whirlwind marcou o início de uma transformação na Aviação Naval Brasileira, consolidando-a como um componente essencial da estratégia marítima do país. Entre as missões atribuídas aos HU2W Whirlwind neste período, destacava-se o apoio às campanhas hidrográficas conduzidas anualmente pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). A espaçosa cabine dos Whirlwind, capaz de acomodar até 10 passageiros, aliada à sua robusta capacidade de transporte de cargas variadas, tornou essas aeronaves indispensáveis para o sucesso dessas operações.  Durante a década de 1960, os HU2W foram amplamente utilizados no transporte de equipamentos e pessoal em expedições destinadas a mapear e estudar as águas territoriais brasileiras, contribuindo para a segurança da navegação e para o avanço do conhecimento hidrográfico nacional. Estas mesmas capacidades  do HU2W Whirlwind, permitiriam ainda a execução de operações aerotransportadas com tropas do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), bem como o lançamento de paraquedistas em missões de infiltração. Estes seriam os primeiros ensaios para a construção de uma capacidade viável de apoio da Aviação Naval a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE). O primeiro grande exercício de monta neste contexto se daria em 1964 com a realização da  Operação Dragão, conduzida no litoral do Espírito Santo, marcou a primogênita de uma série de exercícios anfíbios de grande escala.  A operação envolveu o desembarque de 800 militares, 20 viaturas leves e quatro obuseiros M-2A3 de 105 mm em uma cabeça de praia, em um período de 10 horas, incluindo a movimentação navio-terra por superfície. Pela primeira vez, a operação contou com uma tropa percussora helitransportada por estas aeronaves inglesas, lançada a partir do porta-aviões ligeiro Minas Gerais (A-11). Ademais em diversas ocasiões, os HU2W Whirlwind foram convocados a realizar tarefas de evacuação aero médica, missões de misericórdia e trabalhos em apoio a flagelados de calamidades públicas, como as chuvas torrenciais que atingiram o Rio de Janeiro no início do ano de 1966.  A intensa atividade operacional dos helicópteros Westland Whirlwind Series 1 (HU2W) no início da década de 1960 foi essencial para consolidar as capacidades da Aviação Naval Brasileira, mas também revelou os desafios inerentes a operações de alta demanda. Apesar de sua versatilidade e importância para missões variadas, como o apoio às campanhas hidrográficas da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o uso intensivo dessas aeronaves resultou em perdas significativas.
Em 4 de novembro de 1963, o helicóptero HU2W de matrícula N-7012 foi perdido em um acidente ocorrido no litoral do Rio de Janeiro. Menos de um ano depois, em 17 de agosto de 1964, outro helicóptero, de matrícula N-7008, sofreu um acidente nas proximidades de Nazaré, no estado da Bahia. Esses incidentes, embora trágicos, refletiam os riscos associados às operações pioneiras da Aviação Naval, que frequentemente envolviam voos em condições desafiadoras e em áreas remotas. Para compensar essas perdas e manter a capacidade operacional do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), a Marinha do Brasil adquiriu mais dois helicópteros Westland Whirlwind Series 1 em meados de 1963. Essa aquisição foi crucial para recompor a frota, garantindo que o número de aeronaves disponíveis permanecesse no mesmo nível de quando os HU2W entraram em serviço, em 1956. A chegada dessas novas unidades permitiu à Aviação Naval continuar desempenhando suas missões estratégicas, incluindo o transporte de pessoal e equipamentos, bem como o apoio às atividades hidrográficas e outras operações em benefício da Marinha e de entidades civis. Esses eventos sublinham tanto a importância dos HU2W Whirlwind para a consolidação da Aviação Naval Brasileira quanto os desafios logísticos e operacionais enfrentados na década de 1960. A capacidade de recompor a frota, mesmo diante de adversidades, demonstrou o compromisso da Marinha em fortalecer sua aviação, pavimentando o caminho para o desenvolvimento de capacidades mais avançadas nas décadas seguintes. A carência de recursos materiais para execução de serviços de revisão geral, agravada pela crônica falta de recursos financeiros, no entanto, fez com que os índices de disponibilidade caíssem gradativamente, tendo, em 1966, um dos HU2W Whirlwind já sofrido extensa canibalização para permitir que os outros dois continuassem voando. Mas distintas circunstâncias dariam um sopro de vida aos dois Whirlwind Series 1 em atividade com o HU-1. Quando ficou acertada a aquisição de helicópteros Whirlwind Series 3 – equipados com motores turboeixo –, ficou decidido, em 1968, que os dois HU2W seriam despachados para o Reino Unido. Lá, nas instalações da Westland Helicopters, sofreram intenso trabalho de modernização, que incluía a instalação do motor Rolls-Royce Gnome. Ambos regressaram ao Brasil em 1969. Já o último Westland Whirlwind Series 1, com a matrícula N-7012, canibalizado além de qualquer possibilidade de ser economicamente recuperado para voo, foi alienado em 1970 e, posteriormente, transformado em sucata.

Em Escala.
Para representarmos Westland WS-55 Whirlwind Série 1 HU2W matricula “N-7029”, fizemos uso do antigo kit produzido pela Airfix na escala 1/72. Não há necessidade de se promover nenhuma alteração para compormos a versão empregada pela Aviação Naval da Marinha do Brasil. Fizemos uso de decais produzidos pela FCM Decais presentes no antigo set 72/10.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura empregado pelos Westland Whirlwind HU2W, sendo o mesmo esquema aplicado as demais aeronaves de asas rotativas em uso na Aviação Naval da Marinha do Brasil, mantendo esta sistemática até a implementação de seu programa de modernização realizado em 1968.




Bibliografia :
- Westland Whirlwind – Wikipedia  https://en.wikipedia.org/wiki/Westland_Whirlwind_(helicopter)
- Aeronaves Militares Brasileiras 1916 – 2015  por  Jackson Flores 
- 100 anos da Aviação Naval – Marinha do Brasil
- Asas sob os Mares Aviação Naval , Prof Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br

M-1 Pack Howitzer (75 mm)

História e Desenvolvimento.
Após o término da Primeira Guerra Mundial, o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) deparou-se com uma constatação incontornável: sua artilharia de campanha permanecia fortemente dependente de modelos europeus, especialmente franceses e britânicos, como o canhão M1897 de 75 mm. Embora essas peças tivessem desempenhado papel relevante no conflito, a experiência adquirida nos campos de batalha da Europa evidenciou a necessidade de um programa de modernização que contemplasse maior mobilidade, potência de fogo e flexibilidade operacional. Nesse contexto, foi instituído, em 1919, o chamado Westervelt Board, comissão estratégica presidida pelo General de Brigada William I. Westervelt. O grupo recebeu a missão de analisar as lições aprendidas durante a guerra e propor diretrizes para a reorganização e o reequipamento da artilharia norte-americana. Tratava-se de uma iniciativa ambiciosa, voltada não apenas à substituição de equipamentos, mas à redefinição doutrinária do emprego da artilharia em conflitos futuros. Entre as recomendações mais significativas estava o desenvolvimento de um obuseiro leve de 75 mm que reunisse características até então consideradas difíceis de conciliar: alcance mínimo de aproximadamente 10.000 metros, capacidade de disparar projéteis de cerca de 6,8 kg e, sobretudo, possibilidade de desmontagem em cargas transportáveis por mulas. Tal exigência refletia a preocupação com operações em terrenos montanhosos, regiões selváticas ou áreas onde a motorização ainda era limitada. O conselho chegou inclusive a considerar meios de transporte não convencionais, como aeronaves  uma visão que antecipava as futuras operações aerotransportadas e a crescente importância da mobilidade estratégica. O desenvolvimento do que viria a ser o M1 Pack Howitzer teve início em 1920. A primeira versão submetida a testes naquele ano, contudo, foi rejeitada por não atender plenamente aos requisitos de peso e mobilidade estipulados. Após ajustes e aperfeiçoamentos técnicos, um novo projeto foi apresentado em 1922, culminando na padronização oficial, em agosto de 1927, do “Howitzer, Pack, 75 mm M1 on Carriage M1”. O protótipo inicial foi rapidamente concluído e encaminhado para ensaios de campo no ano seguinte, cujos resultados mostraram-se promissores e confirmaram a viabilidade do conceito.   Tratava-se de uma peça pensada não apenas para acompanhar a infantaria em terrenos difíceis, mas para operar onde a artilharia convencional simplesmente não poderia chegar. Com peso aproximado de 653 kg em ordem de combate, o obuseiro podia ser desmontado em seis a nove cargas, conforme a configuração adotada. Cada conjunto variava entre 73 e 107 kg, abrangendo o tubo, o mecanismo de culatra, o reparo, a base de tiro e as rodas. Essa característica permitia seu transporte por mulas  essencial para operações em regiões montanhosas ou de difícil acesso , por lançamento aéreo em paraquedas ou, em situações emergenciais, por equipes de artilheiros devidamente treinados. A desmontagem modular representava, portanto, uma solução prática para os desafios logísticos que marcariam os conflitos da primeira metade do século XX.

Do ponto de vista técnico, o M1 empregava um sistema de recuo hidropneumático instalado sob o tubo, solução que absorvia parte significativa da energia do disparo e contribuía para a estabilidade da peça. O mecanismo de culatra, do tipo cunha deslizante horizontal e operado manualmente, favorecia a simplicidade construtiva e a rapidez na montagem e desmontagem  atributos essenciais para unidades móveis e aerotransportadas. O reparo original, designado M1 Carriage, possuía rodas de madeira e destinava-se principalmente à tração animal ou ao reboque em baixa velocidade. Contudo, à medida que a doutrina militar evoluía e a mobilidade estratégica ganhava importância especialmente com o desenvolvimento das forças aerotransportadas tornou-se evidente a necessidade de aperfeiçoamentos. Na década de 1930 foi introduzido o reparo M8 Carriage, equipado com rodas metálicas e pneus pneumáticos, o que reduziu o peso total do conjunto e possibilitou o reboque por veículos leves, como o jipe de ¼ de tonelada. Essa configuração também facilitava o transporte aéreo em aeronaves como o Douglas C-47 Skytrain e em planadores do tipo Waco CG-4. O reparo M8 tornou-se padrão nas unidades aerotransportadas. Nessa configuração, o obuseiro podia ser desmontado em nove cargas para lançamento por paraquedas  incluindo munição  ou em sete cargas quando destinado ao transporte por mulas. Uma vez em solo, a peça podia ser rapidamente montada e colocada em posição de tiro, característica que ampliava significativamente a capacidade de apoio de fogo em operações aeromóveis. Em serviço, uma guarnição de seis artilheiros bem treinados era capaz de alcançar uma cadência de três a seis disparos por minuto, mantendo precisão satisfatória para o apoio direto à infantaria. Como limitação inerente ao seu projeto, o tubo relativamente curto restringia o alcance máximo a aproximadamente 8,7 quilômetros, valor inferior ao de peças de campanha de maior porte. Ainda assim, seu desempenho atendia às necessidades para as quais fora concebido.  Entretanto, o avanço do programa foi abruptamente impactado pela crise econômica deflagrada em 1929 com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. A Grande Depressão impôs severas restrições orçamentárias ao setor militar, resultando no contingenciamento de recursos e no adiamento da produção em larga escala do novo obuseiro. O programa só seria retomado no início da década de 1930, ainda sob forte limitação financeira; até o começo de 1933, apenas 32 unidades haviam sido fabricadas. Este cenário perduraria, e  até meados de 1940, apenas 91 unidades haviam sido entregues às formações operativas do Exército dos Estados Unidos (U.S army), reflexo direto das limitações impostas pela crise econômica.  No entanto o panorama estratégico internacional alterou-se de forma profunda ao final da década de 1930. A escalada das tensões na Europa e no Pacífico, seguida pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, impôs aos Estados Unidos a necessidade de rever rapidamente sua postura militar. Mesmo antes de sua entrada formal no conflito, o país já se mobilizava para suprir tanto suas próprias forças quanto as nações aliadas, especialmente as vésperas da  promulgação do Lend-Lease Act (Lei de Emprestimos e Arrendamentos), que autorizava o fornecimento de armamentos e suprimentos a países considerados vitais à defesa norte-americana. 
Nesse contexto de rearmamento acelerado, o M1  passou a ocupar posição de destaque.  A produção em larga escala foi iniciada em setembro de 1940, sob a liderança do Rock Island Arsenal, um dos mais tradicionais e importantes centros industriais do United States Army no campo da artilharia. Para atender à demanda crescente, outros fabricantes civis e militares foram incorporados ao esforço produtivo, assegurando a ampliação da capacidade industrial e a padronização das linhas de montagem. Esse modelo de mobilização industrial refletia a transição dos Estados Unidos para uma economia de guerra, caracterizada pela coordenação entre governo, forças armadas e setor privado.  No inicio de 1942, um versão aprimorada do obuseiro, a M1A1, foi introduzida com pequenas modificações no anel de culatra e no bloco de culatra, oferecendo maior confiabilidade, neste contexto passariam a ser distribuídas as unidades operativas do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), principalmente as unidades de montanha e divisões de paraquedistas.  O batismo de fogo do M-1 75 mm Pack Howitzer ocorreu no contexto da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, após o ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Sua estreia em combate foi registrada no Teatro do Pacífico, particularmente durante a Campanha das Ilhas Salomão em 1942, com destaque para a Batalha de Guadalcanal (agosto de 1942 – fevereiro de 1943). Operado pelos Fuzileiros Navais, o M-1 foi amplamente utilizado em operações em selva, onde sua portabilidade e facilidade de montagem foram cruciais para superar as dificuldades logísticas impostas pelo terreno. Na Batalha de Guadalcanal, o M-1 75 mm Pack Howitzer, apelidado de “Tiny Tim” pelos Fuzileiros Navais, provou sua eficácia contra posições fortificadas japonesas, como bunkers e ninhos de metralhadoras. Transportado por mulas ou desmontado para ser carregado por soldados em trilhas estreitas, o obuseiro ofereceu suporte de fogo preciso e contínuo, permitindo às tropas americanas neutralizar defesas inimigas em um ambiente hostil de selva tropical. Sua capacidade de ser rapidamente montado e operado por uma equipe de seis soldados, com uma cadência de três a seis disparos por minuto, garantiu flexibilidade tática em combates intensos.  Em 22 de janeiro de 1944, o obuseiro foi empregado de maneira significativa durante a Operação Shingle, o desembarque anfíbio aliado em Anzio, Itália, pelas unidades do 39º Regimento de Artilharia de Campo, do 504º Regimento de Infantaria de Paraquedistas e da 82ª Divisão Aerotransportada. Esta operação teve como objetivo abrir uma nova frente na Itália, contornando as fortificações alemãs da Linha Gustav e acelerando o avanço aliado em direção a Roma. O desembarque em Anzio, liderado pelo VI Corpo do V Exército dos Estados Unidos, envolveu forças americanas e britânicas, incluindo unidades de elite como a 82ª Divisão Aerotransportada. O terreno costeiro e pantanoso de Anzio, combinado com a resistência alemã, exigia armas que fossem móveis, fáceis de posicionar e capazes de fornecer suporte de fogo imediato. O 39º Regimento de Artilharia de Campo, parte do VI Corpo, utilizou o M-1 75 mm Pack Howitzer para fornecer apoio de fogo às tropas desembarcadas em Anzio. Transportado em cargas leves, o obuseiro foi rapidamente posicionado nas praias e áreas adjacentes, oferecendo disparos de alto explosivo (HE) contra posições alemãs fortificadas, como ninhos de metralhadoras e bunkers.

A partir de 1943, o obuseiro passou a assumir papel ainda mais relevante nos teatros de operações, com a adoção de uma variante designada M2 75 mm, foi adotada pelas unidades de artilharia divisional do Corpo de Fuzileiros Navais (U.S Marine Corps). Entre os fuzileiros navais, a peça recebeu o apelido de “Tiny Tim”, expressão que refletia, de forma quase afetuosa, seu porte compacto em contraste com sua efetividade em combate. Empregado em sucessivas operações anfíbias no Pacífico, o M1/M2 demonstrou notável utilidade em campanhas como as batalhas de Guadalcanal, Iwo Jima e Okinawa. Nessas frentes, caracterizadas por terrenos abruptos, selvas densas e sistemas defensivos profundamente entrincheirados, sua leveza e relativa facilidade de posicionamento permitiram apoiar de perto as tropas de assalto, neutralizando casamatas, ninhos de metralhadora e posições fortificadas japonesas. Todavia, à medida que as operações avançavam e as defesas inimigas tornavam-se mais robustas, evidenciou-se a necessidade de maior alcance e poder destrutivo. Entre 1944 e 1945, o Corpo de Fuzileiros Navais iniciou gradualmente a substituição do M1 por obuseiros de maior calibre, como os de 105 mm e 155 mm, adequados à destruição de fortificações mais pesadas e à condução de bombardeios preparatórios de maior intensidade. Paralelamente, no âmbito do exército a experiência acumulada nas primeiras operações aerotransportadas levou à revisão das tabelas de organização e equipamento. A partir de fevereiro de 1944, estabeleceu-se que cada divisão aerotransportada deveria dispor de três batalhões de artilharia, totalizando 36 obuseiros M1/M1A1 75 mm. Dois desses batalhões eram transportados em planadores Waco CG-4, enquanto o terceiro  um batalhão de artilharia de campo  lançava suas peças por paraquedas a partir de aeronaves Douglas C-47 Skytrain. Essa organização assegurava apoio de fogo imediato às tropas lançadas atrás das linhas inimigas, como ocorreu na Operation Shingle, em Anzio, e na Operation Overlord, na Normandia. Em determinadas circunstâncias, o M1 podia ser substituído pelo obuseiro M3 de 105 mm, opção que refletia a flexibilidade doutrinária e a constante adaptação às exigências táticas do campo de batalha. Nas divisões de montanha, como a 10th Divisao de Montanha do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), o M1 revelou-se igualmente valioso. Cada divisão contava com três batalhões equipados com 12 peças, totalizando 36 obuseiros por grande unidade. Em terrenos acidentados, como os Apeninos italianos, a possibilidade de desmontagem e transporte por animais de carga permitiu que a artilharia acompanhasse a infantaria em áreas onde veículos motorizados eram impraticáveis. O mesmo princípio foi aplicado no Teatro do Pacífico, especialmente nas operações na Birmânia, onde trilhas estreitas e condições climáticas adversas impunham severas restrições logísticas. Nessas circunstâncias, mulas transportavam as peças desmontadas por percursos íngremes e irregulares, assegurando apoio de fogo contínuo a forças que operavam em ambientes extremos. Um dos usos mais singulares do M-1 75 mm Pack Howitzer ocorreu em abril de 1945, durante a Operação Tombola, na Itália. Uma única peça foi lançada de paraquedas para equipar o 2º Regimento Italiano do SAS (Serviço Aéreo Especial), uma unidade heterogênea composta por partisans italianos, ex-prisioneiros de guerra russos e desertores do Exército Alemão (Wehrmacht). Operando entre Modena e Florença, ao longo da Rota 12, o obuseiro foi utilizado para atacar comboios alemães, demonstrando sua versatilidade em operações de guerrilha.  Esse feito destacou a capacidade do M-1 de ser empregado por forças não convencionais em missões táticas complexas, reforçando sua reputação como uma arma adaptável. 
Entre 1940 e dezembro de 1944, foram produzidas 4.939 unidades nas versões M1 e M1A1 número expressivo, sobretudo se consideradas as limitações orçamentárias do período anterior e o fato de que o parque industrial norte-americano precisava, simultaneamente, fabricar uma ampla gama de outros sistemas de armas, como o obuseiro de 105 mm M2A1. Dessa forma, o M1/M2 75 mm Pack Howitzer consolidou-se como um dos mais versáteis sistemas de artilharia leve da Segunda Guerra Mundial, adaptando-se com notável eficácia às demandas de guerra anfíbia, aerotransportada e de montanha  três modalidades operacionais que redefiniram a condução do combate no século XX. Encerrada a Segunda Guerra Mundial, o M1 75 mm Pack Howitzer não foi relegado de imediato aos depósitos, como ocorreu com tantos outros sistemas de artilharia do conflito. Ao contrário, sua comprovada robustez, simplicidade mecânica e notável mobilidade asseguraram-lhe uma sobrevida operacional em diferentes continentes, no contexto das tensões que marcariam o início da Guerra Fria. Na Ásia, particularmente na China, o obuseiro permaneceu em uso por longo período, sendo empregado pelas forças do Viet Minh durante a Guerra da Indochina contra a França e, posteriormente, em fases iniciais dos confrontos que culminariam na Guerra do Vietnã. Sua capacidade de desmontagem em cargas transportáveis, adequada a terrenos montanhosos e de difícil acesso, revelou-se especialmente valiosa em cenários de guerra irregular, nos quais a mobilidade superava, muitas vezes, a necessidade de maior calibre. Em 1962, a peça foi redesignada como M116, conforme a padronização de nomenclaturas adotada pelo Exército dos Estados Unidos (U.S Army),  Mesmo diante da introdução de sistemas mais modernos, o M116 permaneceu em serviço ativo até a década de 1980, sobretudo em funções secundárias e de instrução. Paralelamente, consolidou-se seu emprego cerimonial, tradição que perdura em determinadas unidades, nas quais o obuseiro é utilizado para a execução de salvas em eventos militares solenes. No âmbito da cooperação internacional do pós-guerra, 153 peças do M116 foram transferidas, em 1960, às Forças de Autodefesa do Japão (Jieitai), no contexto dos acordos de segurança firmados entre Tóquio e Washington. Integradas às estruturas japonesas, essas unidades permaneceram em serviço até o final da década de 1980. Em um país de relevo predominantemente montanhoso, a leveza, a facilidade de transporte por veículos leves e a possibilidade de desmontagem continuaram a representar vantagens operacionais significativas, reforçando a reputação de confiabilidade do sistema. De forma surpreendente, o M116 voltou a desempenhar papel operacional no século XXI. Em 2010, o Exército Turco (Türk Kara Kuvvetleri) empregou dezenas dessas peças em operações no sudeste da Turquia, em ações contra grupos separatistas curdos. Mais uma vez, a combinação entre mobilidade, simplicidade logística e capacidade de operar em terrenos acidentados demonstrou a pertinência de um projeto concebido ainda nos anos 1930 para ambientes de difícil acesso.  O Exército dos Estados Unidos (U.S Army) mantém três peças na Bateria de Artilharia Norwich, vinculada à Norwich University, e duas na University of North Georgia. Nessas unidades, o obuseiro é empregado em cerimônias oficiais, disparando salvas que evocam a tradição e a continuidade histórica da artilharia norte-americana, conectando sucessivas gerações de cadetes à experiência de seus predecessores.

Emprego no Exército Brasileiro.
No alvorecer da Segunda Guerra Mundial, a rápida expansão territorial das potências do Eixo — Alemanha Nazista, Itália e Japão  suscitou profunda apreensão em Washington quanto à segurança hemisférica. A capitulação da França, em junho de 1940, agravou esse quadro, pois abriu a possibilidade de que territórios coloniais franceses no Atlântico e na África Ocidental pudessem, direta ou indiretamente, servir aos interesses estratégicos alemães. A perspectiva de utilização de pontos como as Ilhas Canárias, Dacar ou possessões no Norte da África como bases de apoio logístico ou aéreo conferia nova dimensão ao risco de projeção militar em direção ao continente americano. Nesse contexto geopolítico, o Brasil passou a ocupar posição central nos cálculos estratégicos norte-americanos. Sua extensa fachada atlântica e, sobretudo, a proximidade do Nordeste brasileiro com o continente africano faziam do país um elo natural entre os dois lados do Atlântico Sul. A cidade de Recife destacava-se como ponto nodal, por constituir uma das menores distâncias aéreas e marítimas entre a América do Sul e a África, condição que a transformava em área privilegiada para o estabelecimento de bases aéreas e instalações portuárias de valor estratégico. Paralelamente, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul comprometeram severamente o acesso aliado às tradicionais fontes de borracha natural. O Brasil, então, assumiu papel de principal fornecedor de látex para os Aliados, insumo vital para a indústria de guerra indispensável na fabricação de pneus, vedantes, equipamentos médicos e diversos componentes militares. A proteção das rotas marítimas que escoavam essas matérias-primas tornou-se prioridade estratégica. Diante desse cenário, intensificou-se a aproximação política, econômica e militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Um dos marcos desse processo foi a adesão brasileira ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), instrumento por meio do qual Washington fornecia material bélico e apoio financeiro a nações consideradas essenciais à defesa dos interesses aliados. O acordo assegurou ao Brasil uma linha inicial de crédito da ordem de US$ 100 milhões de dólares, destinada à aquisição de armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e outros equipamentos necessários à modernização de suas Forças Armadas. Tais recursos revelaram-se particularmente relevantes diante da intensificação dos ataques de submarinos alemães no Atlântico Sul, que ameaçavam a navegação mercante e impactavam diretamente o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos. A proteção das linhas de comunicação marítima, fundamentais para o abastecimento da indústria bélica norte-americana, tornou-se questão de sobrevivência estratégica. A liderança política brasileira, sob o comando do presidente Getúlio Vargas, compreendeu a dimensão histórica daquele momento. Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de matérias-primas estratégicas e sinalizou a disposição de ampliar sua participação no esforço aliado, inclusive com o eventual envio de tropas a um teatro de operações de relevância. Assim, a conjuntura internacional não apenas redefiniu a posição do Brasil no tabuleiro geopolítico do Atlântico Sul, mas também impulsionou um processo de modernização militar e de engajamento internacional que marcaria de forma duradoura a história das Forças Armadas brasileiras e sua inserção no cenário global.

Na década de 1940, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro encontrava-se em evidente defasagem material e doutrinária. Grande parte de seus meios era composta por canhões alemães Krupp 75 mm Modelo 1908 e peças francesas Schneider et Cie (Schneider-Canet) de 75 mm, ambos concebidos no início do século XX e destinados à tração hipomóvel. Embora robustos e confiáveis em sua época, tais sistemas já não correspondiam às exigências do combate moderno, marcado por maior mobilidade, emprego intensivo de blindados e integração entre armas combinadas. A esse quadro somava-se a influência da chamada Missão Militar Francesa, cuja permanência no Brasil, desde o período entre guerras, moldara a doutrina e a organização do Exército segundo preceitos já superados pelas transformações táticas observadas nos campos de batalha europeus a partir de 1939. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados inaugurou um processo de modernização acelerada. A partir de meados de 1942, navios de transporte passaram a aportar no Rio de Janeiro trazendo armamentos e equipamentos modernos: armas automáticas de infantaria, canhões anticarro de 37 mm e obuseiros de 75 mm, 105 mm e 155 mm. Esses meios eram fornecidos no âmbito do programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), instrumento decisivo para a reestruturação das Forças Armadas brasileiras. Entre os primeiros contratos, foram cedidos ao Brasil 36 obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer, distribuídos em duas configurações de reparo: o modelo M1, com rodas de madeira  correspondente aos primeiros lotes de produção  e o modelo M8, dotado de pneus de borracha convencionais. Não há, contudo, registros conclusivos que permitam determinar com precisão a quantidade exata recebida de cada versão. Ainda assim, sua incorporação representou um significativo salto qualitativo, ampliando a mobilidade, a precisão e o poder de fogo da artilharia brasileira. O compromisso formal do Brasil com o esforço de guerra aliado consolidou-se em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, que criou a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e comandada pelo General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB deveria totalizar cerca de 25.000 homens, incluindo unidades divisionárias e diversos órgãos de apoio indispensáveis à sua atuação no exterior. Não existem, até o momento, registros oficiais ou documentação fotográfica que comprovem o emprego do M1 75 mm Pack Howitzer pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a campanha da Itália. Esta teoria se reflete pelo fato de 10ª Divisão de Montanha norte-americana, que era uma das principais unidades que participaram deste front de batalha , era especializada em operações nos terrenos adversos. Representava assim a primeira e única divisão norte-americana de Alpinos, sendo formada por esquiadores experientes, alpinistas e montanhistas com formação concluída no Texas, e por operar neste nível de especialização estava equipada com peças de artilharia de pequeno porte como os canhões antitanque M-3 37 mm e obuseiros M-1 75 mm Howitzer Pack. Assim a Força Expedicionária Brasileira (FEB) por operar nesta mesma região, possa ter vindo a operar este modelo de peça de artilharia, no entanto reforçamos que trata-se de uma especulação.
No período imediato ao término da Segunda Guerra Mundial, o Exército Brasileiro iniciou um processo gradual, porém consistente, de modernização de suas capacidades operacionais. Parte significativa desse esforço apoiou-se na incorporação de equipamentos recebidos durante o conflito, entre os quais se destacavam os obuseiros leves M1 75 mm Pack Howitzer. Inicialmente distribuídas aos Grupos de Artilharia de Campanha, essas peças passaram a operar em conjunto com outros meios fornecidos por intermédio do Lend-Lease Act, sendo tracionadas por viaturas leves como os jipes Ford Motor Company e Willys-Overland, além dos utilitários Dodge WC-51 e WC-52. A introdução desses obuseiros representou sensível avanço em relação aos antigos canhões de tração hipomóvel, tanto pela maior mobilidade quanto pela versatilidade tática. Sua possibilidade de desmontagem em fardos transportáveis e o reduzido peso operacional permitiam rápido deslocamento e emprego em terrenos variados, alinhando-se às novas concepções de guerra móvel que emergiram do conflito mundial. Uma inflexão decisiva no emprego do M1 75 mm Pack Howitzer ocorreu com a criação, em 26 de dezembro de 1946, do Núcleo de Formação e Treinamento de Paraquedistas, embrião do futuro Núcleo da Divisão Aeroterrestre. A iniciativa refletia a assimilação das lições extraídas das operações aerotransportadas conduzidas durante a guerra, especialmente no teatro europeu. Pretendia-se constituir uma força de elite, estruturada com batalhões de infantaria paraquedista, esquadrões de cavalaria, unidades de comando, comunicações, engenharia, apoio logístico e, de forma inovadora, grupos de artilharia paraquedista. A doutrina então concebida previa a organização de baterias equipadas com obuses de 75 mm e de 105 mm, sendo o M1 a peça que melhor se ajustava às exigências da nova força. Originalmente projetado para operações aerotransportadas norte-americanas, o obuseiro combinava leveza, desmontagem em cargas compatíveis com lançamento aéreo e relativa simplicidade de manutenção — atributos essenciais para uma tropa destinada a atuar isoladamente, em profundidade, e com apoio logístico limitado. O desenvolvimento dessa doutrina culminou na consolidação de uma artilharia aerotransportada nacional, dotada de elevado grau de profissionalização. Um marco simbólico ocorreu em 26 de dezembro de 1950, quando o Capitão Dickson Melges Grael  pioneiro do paraquedismo militar no Brasil e primeiro comandante da unidade  realizou o primeiro tiro de bateria com um obuseiro M1 75 mm Pack Howitzer no âmbito da nova organização. O episódio representou não apenas um feito técnico, mas a afirmação da artilharia paraquedista como elemento orgânico de apoio de fogo da tropa aeroterrestre. As operações aerotransportadas tiveram início logo após esse período inaugural, embora não sem desafios. A Força Aérea Brasileira (FAB) dispunha, à época, de aeronaves como o Douglas C-47 Skytrain, cuja capacidade de carga e configuração  com lançamento realizado exclusivamente por portas laterais  impunham limitações ao transporte de equipamentos mais pesados. Ainda assim, a unidade demonstrou notável capacidade de adaptação, superando restrições materiais por meio de rigoroso treinamento e aperfeiçoamento técnico.

Dessa forma, o M1 75 mm Pack Howitzer não apenas simbolizou a modernização da artilharia brasileira no pós-guerra, mas tornou-se peça fundamental na consolidação da doutrina aeroterrestre nacional, marcando o início de uma tradição que projetaria o Brasil no seleto grupo de nações com capacidade orgânica de emprego de artilharia aerotransportada. A trajetória da artilharia aerotransportada do Exército Brasileiro conheceu etapa decisiva em 31 de março de 1953, quando o então Núcleo da Divisão Aeroterrestre foi elevado à condição de Grupo de Obuses 75 mm Aeroterrestre. A reestruturação concentrou, sob um único comando, todas as peças M1 75 mm Pack Howitzer disponíveis no país, consolidando a especialização da unidade no apoio de fogo às tropas paraquedistas. Sob a liderança de oficiais que marcaram esse período formativo  entre os quais se destacou o Capitão Dickson Melges Grael, pioneiro do paraquedismo militar brasileiro  o grupo afirmou-se como núcleo de inovação doutrinária e elevado profissionalismo. Nesse ambiente, foram lançadas as bases institucionais da futura Brigada de Infantaria Paraquedista, que se tornaria uma das formações de elite mais reconhecidas do Exército Brasileiro. Um salto qualitativo nas capacidades operacionais ocorreu a partir de janeiro de 1956, com a incorporação dos aviões de transporte Fairchild C-82 Packet à Força Aérea Brasileira (FAB). Concebida especificamente para o lançamento de tropas e cargas, a aeronave apresentava capacidade superior à dos veteranos Douglas C-47 Skytrain até então empregados. Sua introdução foi determinante para o amadurecimento da doutrina aeroterrestre nacional, oferecendo melhores condições para o transporte e lançamento de peças de artilharia leve. Esse processo evolutivo culminou, em meados da década de 1950, na realização do primeiro lançamento em larga escala de obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer, demonstrando a viabilidade de integrar artilharia leve às operações aerotransportadas brasileiras. Tratava-se de um feito técnico e logístico relevante, que reafirmava a capacidade da unidade de operar com elevado grau de autonomia e coordenação interforças. A partir de 1962, a chegada dos aviões Fairchild C-119 Flying Boxcar ampliou ainda mais o espectro operacional. Dotado de maior capacidade de carga e de portas traseiras adequadas ao lançamento de equipamentos volumosos, o C-119 possibilitou o emprego de obuseiros mais pesados, como os modelos M2 e M3 de 105 mm, que passaram a complementar  e progressivamente substituir  os M1 75 mm Pack Howitzer. Essa modernização refletiu-se na própria designação da unidade, que evoluiu para Grupo de Obuses 105 mm Aeroterrestre e, posteriormente, para 8º Grupo de Artilharia Paraquedista, estrutura que, com adaptações, perdura até os dias atuais. O processo de consolidação das forças aerotransportadas brasileiras atingiu novo patamar em 1968, com a criação da Brigada Aeroterrestre, resultante da reorganização do antigo núcleo divisionário. A nova estrutura fortaleceu a capacidade de atuação em cenários de maior complexidade, organizando-se de forma modular, com batalhões de infantaria paraquedista, esquadrões de cavalaria, companhias de comando e apoio, unidades de comunicações, engenharia, logística e artilharia.
Finalmente, em 1971, a redesignação oficial para Brigada de Infantaria Paraquedista consolidou sua identidade institucional como tropa de elite do Exército Brasileiro. Sediada no Rio de Janeiro e subordinada ao Comando Militar do Leste, a Brigada passou a representar a síntese de um processo iniciado ainda no pós-guerra: a construção de uma capacidade aeroterrestre nacional plenamente integrada, capaz de projetar poder com mobilidade, precisão e elevado grau de preparo técnico. Em 1976, foi realizada a primeira Operação SACI, que aconteceu nas regiões de Campos e Macaé (RJ) e Viana (ES), com a infiltração noturna da Eqp Prec, o lançamento tático de 700 paraquedistas e a participação de caças F-5E precedendo dez aeronaves C-115, três C-95 e seis C-130. Desde então, esta tradicional operação ocorre anualmente como coroamento do período de adestramento. Ao final da década de 1970, os obuseiros M1 75 mm Pack Howitzer  que haviam desempenhado papel decisivo na consolidação da artilharia aerotransportada do Exército Brasileiro  começaram a evidenciar sinais inequívocos de obsolescência. Após mais de três décadas de serviço, desde sua incorporação nos anos 1940, essas peças já enfrentavam limitações técnicas decorrentes do desgaste material, da evolução dos sistemas de tiro e, sobretudo, da necessidade crescente de padronização logística. A doutrina de artilharia de campanha do Exército Brasileiro evoluía no sentido de concentrar esforços no calibre 105 mm, adotado como padrão por oferecer melhor equilíbrio entre mobilidade, alcance e poder de fogo. Essa padronização visava racionalizar estoques de munição, simplificar a manutenção e elevar a eficiência operacional. Nesse novo contexto, o M1 75 mm, embora ainda funcional, tornava-se progressivamente inadequado às exigências de um campo de batalha cada vez mais dinâmico e tecnologicamente sofisticado. Gradualmente, muitas dessas peças passaram a desempenhar funções secundárias, notadamente em atividades de instrução e em disparos de salvas cerimoniais. No âmbito do Curso de Formação de Reservistas de 2ª Categoria, conduzido no Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), os obuseiros continuaram a cumprir papel formativo e simbólico. Embora tais atividades preservassem tradições e contribuíssem para a educação cívico-militar de jovens reservistas, evidenciavam o declínio de seu emprego operacional efetivo. Diante desse quadro, o Comando do Exército decidiu promover a substituição definitiva do M1 por um sistema mais moderno e compatível com a padronização adotada. A escolha recaiu sobre o Oto Melara Mod 56, cuja aquisição teve início em 1977. Leve, desmontável e apto a operações aerotransportadas e de montanha, o modelo italiano representava significativa evolução tecnológica, alinhando-se às necessidades táticas da época e consolidando o calibre 105 mm como referência na artilharia leve brasileira. Com o encerramento de sua carreira operacional, algumas peças M1 75 mm foram destinadas ao Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde passaram a ser empregadas em instrução e em salvas de honra, ao lado dos tradicionais obuseiros franceses Schneider de 75 mm. Nessa nova função, os antigos “Pack Howitzer” assumiram caráter eminentemente simbólico, preservando a memória de uma fase crucial da modernização do Exército Brasileiro e servindo como elo histórico entre gerações de militares. Esse emprego, entretanto, não se prolongaria indefinidamente. No início da década de 1990, os M1 75 mm foram definitivamente desativados do serviço ativo. 

Em Escala.
O kit da Vision Models na escala 1/35 é ideal para representar o M1 75 mm Howitzer Pack do Exército Brasileiro. Apesar de limitações na injeção plástica, o modelo oferece bom detalhamento, com peças em metal e photo-etched, que garantem realismo a elementos como o cano, suportes e grades. O kit não requer modificações para representar a versão utilizada em nosso pais. A pintura em verde-oliva, com marcações discretas, reflete o uso pelo Núcleo da Divisão Aeroterrestre e pela Brigada de Infantaria Paraquedista.
O esquema de pintura adotado para o M-1 75 mm Howitzer Pack consistia predominantemente no Verde-Oliva Fosco, correspondente ao padrão FS 34087 (Federal Standard 595), amplamente utilizado em equipamentos militares brasileiros e aliados durante e após a Segunda Guerra Mundial. As marcações eram minimalistas, geralmente restritas a numerações ou insígnias discretas do Exército Brasileiro, aplicadas em preto fosco (FS 37038) ou, em alguns casos, branco fosco (FS 37875), dependendo do contexto operacional ou cerimonial.

Bibliografia: 
- M116 75 mm  Wikipédia - https://en.wikipedia.org/wiki/M116_howitzer
- Technical Manual TM 9-1320, 75mm Howitzers and Carriages. War Department, 1944
- Veículos Militares do Brasil - EB e CFN – Facebook Edição colaborativa do artigo
-  Exército Brasileiro - http://www.bdainfpqdt.eb.mil.br/oms/60-organiza%C3%A7%C3%B5es-militares/110-8-gac-pqdt.html

M-1 Antitanque (57 mm)

História e Desenvolvimento.
No início da década de 1930, as unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) contavam com metralhadoras de calibre .50 (12,7 mm) como suas armas de maior potência. Embora estudos já estivessem em andamento para desenvolver uma arma de maior calibre, capaz de neutralizar veículos automotores e carros blindados contudo, os estudos iniciais eram embrionários e enfrentavam resistência de oficiais de alta patente, que viam o desenvolvimento de novas armas como uma prioridade secundária. A necessidade de conter custos levou os militares a priorizar a análise de peças de artilharia de calibres semelhantes disponíveis no mercado, evitando o desenvolvimento de novos projetos do zero. Entre os modelos avaliados, destacou-se um canhão alemão, que serviu de inspiração para o desenvolvimento, a partir de 1938, do primeiro canhão antitanque americano, o M-3 37 mm. Esta classificada como "leve" apresentava um peso de  de aproximadamente 414 kg, o que facilitava seu transporte por equipes de infantaria ou veículos leves. Ele utilizava munições perfurantes (AP) e explosivas (HE), com uma cadência de tiro de cerca de 20 disparos por minuto. Sua mobilidade e facilidade de operação eram pontos fortes, mas o alcance efetivo, limitado a cerca de 500 metros contra alvos blindados.  Essa arma representou um avanço significativo para o Exército dos Estados Unidos (US Army), sendo projetada para enfrentar as ameaças emergentes de veículos blindados.   O M-3 37 mm recebeu seu batismo de fogo em dezembro de 1941, durante a defesa das Filipinas contra o Exército do Império do Japão. Nesse cenário, o canhão demonstrou sua eficácia contra alvos pouco blindados, como veículos automotores e posições de infantaria japonesas. Seu desempenho foi particularmente notável na Campanha de Guadalcanal (1942), onde foi amplamente utilizado contra a infantaria inimiga e os carros de combate japoneses, cuja blindagem leve era facilmente penetrada pelos projéteis de 37 mm. Essas operações iniciais renderam elogios ao M-3, destacando sua mobilidade e facilidade de operação em terrenos desafiadores.  O verdadeiro teste do M-3 37 mm veio durante a Campanha do Norte da África (1942-1943), onde enfrentou os modernos carros de combate alemães, como os Panzer III e IV. Nesse teatro de operações, o canhão revelou suas limitações críticas: seu calibre de 37 mm era insuficiente para penetrar a blindagem mais robusta dos tanques alemães. Relatórios de inteligência elaborados após a desastrosa Batalha de Kasserine, em fevereiro de 1943, indicaram que os projéteis do M-3 mal causavam danos significativos aos blindados da Wehrmacht, sendo descritos como incapazes de "arranhar" os tanques inimigos. As análises iniciais geraram debates entre os oficiais americanos, com explicações que variavam entre a obsolescência do equipamento, táticas inadequadas ou falta de experiência das equipes. Estudos mais detalhados, no entanto, concluíram que o M-3 era intrinsecamente inadequado para enfrentar as novas ameaças blindadas, destacando a necessidade urgente de substituí-lo por um canhão de maior calibre e potência.

A constatação das limitações do canhão antitanque M-3 37 mm durante a Campanha do Norte da África, especialmente após a Batalha de Kasserine em 1943, levou o comando do Exército dos Estados Unidos (U.S Army) a priorizar a substituição dessa arma por sistemas de maior calibre e potência. A incapacidade do M-3 de enfrentar os modernos tanques alemães, como os Panzer III e IV, revelou a urgência de adaptar a artilharia antitanque às rápidas evoluções tecnológicas do campo de batalha na Segunda Guerra Mundial. A trajetória do M-3, marcada por sucessos iniciais contra blindagens leves no Pacífico, ilustra os desafios enfrentados pelos militares norte-americanos em acompanhar o ritmo das inovações militares, impulsionando o desenvolvimento de canhões como o M-1 57 mm e o M-5 76 mm. Paralelamente, do outro lado do Atlântico, o Exército Real Britânico (Royal Army) enfrentava desafios semelhantes. No início de 1940, o comando britânico reconheceu a obsolescência do canhão antitanque QF 2 Pounder 40 mm, cuja ineficácia foi evidente nos primeiros meses da Campanha da França, quando confrontado com os avançados carros de combate alemães. Diante dessa realidade, foi emitida uma demanda urgente aos arsenais britânicos para o desenvolvimento de uma nova arma antitanque capaz de superar essas limitações. O Woolwich Arsenal, renomado por sua expertise na produção de artilharia, foi selecionado para liderar o projeto. A escolha do calibre 57 mm foi estratégica, baseada na experiência da instituição na fabricação de peças semelhantes no final do século XIX. Esse know-how, combinado com o ferramental existente, permitiu eliminar etapas no processo de desenvolvimento, acelerando a concepção do novo canhão, que seria designado QF 6 Pounder 57 mm. A fase de projeto foi finalizada em meados de 1940, mas o desenvolvimento do reparo de transporte enfrentou atrasos, sendo concluído apenas em fevereiro de 1941, o que impactou o cronograma original. A situação foi agravada pelos eventos da queda da França e da evacuação das praias de Dunquerque, durante a Operação Dynamo (1940). Nesse processo, a Força Expedicionária Britânica (British Expeditionary Force – BEF) perdeu grande parte de seus equipamentos e armamentos, incluindo canhões antitanque. Com a ameaça iminente de uma invasão alemã e a escassez de armas disponíveis, o comando britânico tomou a decisão pragmática de priorizar a produção em massa do QF 2 Pounder 40 mm, uma arma já em uso, que não exigia treinamento adicional ou adaptação das tropas. Essa escolha, motivada por questões de produtividade e urgência, adiou a fabricação do QF 6 Pounder. A produção do QF 6 Pounder 57 mm foi iniciada em novembro de 1941, com sua entrada em serviço operacional a partir de maio de 1942. Apesar dos atrasos, o canhão provou ser um avanço significativo, oferecendo maior poder de penetração e eficácia contra os blindados alemães em comparação com seu antecessor. Sua introdução no campo de batalha marcou um momento crucial na modernização da artilharia antitanque britânica, contribuindo para o esforço aliado em teatros como o Norte da África.
O canhão antitanque QF 6 Pounder 57 mm, desenvolvido pelo Exército Real Britânico (Royal Army), enfrentou seu batismo de fogo durante a Batalha de Gazala, entre 26 de maio e 21 de junho de 1942, no deserto do Norte da África. Nesse confronto, as forças aliadas, equipadas com o QF 6 Pounder, enfrentaram as divisões blindadas alemãs e italianas sob o comando do General Erwin Rommel. Apesar do desempenho notável do canhão, que demonstrou eficácia contra os tanques do Eixo, a batalha culminou em uma vitória das forças adversárias. Contudo, os relatórios detalhados do uso do QF 6 Pounder confirmaram sua superioridade em relação aos canhões antitanque anteriores, como o QF 2 Pounder 40 mm, destacando sua capacidade de penetração e versatilidade no campo de batalha. A performance do QF 6 Pounder chamou a atenção do Exército dos Estados Unidos (U.S Army), que buscava urgentemente substituir o obsoleto M-3 37 mm, cuja ineficácia contra os tanques alemães Panzer III e IV foi evidenciada na Campanha do Norte da África. Reconhecendo o potencial do canhão britânico, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido celebraram um acordo para a produção sob licença do QF 6 Pounder, designado como M-1 Gun 57 mm. A variante escolhida foi baseada no modelo QF 6 Mark II, e dois exemplares foram enviados ao Watervliet Arsenal para a confecção de gabaritos e ferramental, permitindo a adaptação do projeto às capacidades industriais americanas. A alta demanda pelo M-1 57 mm levou à decisão de expandir a produção para o Rock Island Arsenal, com as primeiras unidades entregues a partir de outubro de 1942. Para atender às especificidades operacionais americanas, foram desenvolvidas variantes: o M-1A1, equipado com pneus e rodas do tipo U.S Combat, e o M-1A2, que incorporava a prática britânica de travessia livre, permitindo que a tripulação ajustasse a direção do canhão manualmente, empurrando e puxando a culatra, em vez de depender exclusivamente de engrenagens. Contudo, visando otimizar a produtividade em meio às pressões da guerra, a partir da primavera de 1943, o foco industrial foi direcionado à produção da versão padrão M-1. Cerca de dois terços da produção do M-1 foram destinados às divisões do US Army baseadas na Inglaterra, garantindo alta disponibilidade para a planejada invasão da França em 1944, um marco crucial na campanha aliada na Europa Ocidental. O restante da produção foi alocado ao programa Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), que forneceu apoio militar aos aliados. A maior parte dessas peças foi entregue às forças britânicas, reforçando sua artilharia antitanque, enquanto um pequeno volume foi cedido à União Soviética, para uso pelo Exército Vermelho em sua luta contra as forças do Eixo.

A adoção do QF 6 Pounder e sua produção como M-1 57 mm ilustram a colaboração estreita entre os aliados durante a Segunda Guerra Mundial, unindo esforços para superar as limitações tecnológicas e táticas diante de um inimigo formidável. A transição do M-3 37 mm para o M-1 57 mm, inspirada no sucesso do QF 6 Pounder, reflete a determinação dos militares americanos e britânicos em adaptar suas capacidades ao ritmo acelerado da guerra. O M-1 57 mm, com sua maior potência e versatilidade, tornou-se um pilar da artilharia antitanque aliada, contribuindo significativamente para o esforço de guerra e deixando um legado de inovação e resiliência na história militar. Como registrado anteriormente, os canhões M-1 Gun e QF6 Pounder apresentaria resultados extremamente positivos, sendo capaz de penetrar qualquer blindagem dos veículos alemães e italianos. Em sua ação mais célebre, os canhões de QF 6 Pounder do 2º Batalhão, a Brigada de Fuzileiros (juntamente com parte da Artilharia Real de Bateria Antitanque 239), destruiriam mais de quinze tanques inimigos na ação em 'Snipe' durante a Segundo Batalha de El Alamein. Com estes resultados se repetindo posteriormente durante as fases iniciais da invasão da Itália. No entanto ao longo do ano seguinte, os alemães introduziram projetos muito mais pesados e fortemente blindados de carros de combate, especialmente os tanques Tiger I e o Panther, contra os quais a munição de 57 mm se mostraria ineficaz quando empregada contra sua blindagem frontal. Desta maneira as forças aliadas passariam a empregas táticas de engajamento lateral e traseiro, com os canhões QF6 Pounder sendo responsáveis pelos primeiros carros de combate Tiger destruídos no norte da África. A partir de maio de 1944 este cenário começaria a mudar, com os carros de combate alemães de nova geração passando a ser vítimas com a introdução de munições mais sofisticadas como o Armor-Piercing Composite Rigid - APCR (munição perfurante de blindagem), Armor-Piercing e Discarding Sabot - APDS. Próximo a implementação da operação Overlord os canhões M-1 Gun 57 mm se encontravam disponíveis em grande número na Europa, e de acordo Tabela de Organização e Equipamentos (TO&E) de 26 de maio de 1943, uma Companhia Regimental Antitanque, passava a incluir nove canhões de 57 mm e cada batalhão dispunha de um pelotão antitanque com três canhões, totalizando dezoito armas destas por regimento. Em meados de 1944, o M-1 57 mm já representava o equipamento padrão das forças norte-americanas na Frente Ocidental, superando largamente em números os canhões M- 3 Gun 37 mm. Durante a campanha de invasão na Normandia os canhões antitanque M1 57 mm, apresentaram destacada participação no esforço aliado, e neste cenário seriam tracionados pelos veículos Dodge WC-63 1 1⁄2 Toneladas 6x6 e  White M-3 Half-Track. 
Com a consolidação da cabeça de ponte na Normandia após a Operação Overlord em 1944, os canhões antitanque M-1 57 mm, produzidos sob licença nos Estados Unidos com base no britânico QF 6 Pounder, foram cedidos às Forças Francesas Livres (France Libre), desempenhando um papel crucial no avanço aliado contra as forças do Eixo na Frente Ocidental. Esses canhões, tracionados por veículos como o Dodge WC-63 e o White M-3 Half-Track, ofereceram mobilidade e potência de fogo, contribuindo significativamente para o sucesso das operações na França. A colaboração entre os aliados, exemplificada pela transferência dessas armas, reforçou a determinação coletiva de derrotar a ameaça nazi-fascista. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em maio de 1945, o Exército dos Estados Unidos (US Army) iniciou a desmobilização de suas tropas, e os canhões M-1 57 mm começaram a ser gradualmente desativados. A introdução de novas tecnologias, como canhões sem recuo e bazucas, que ofereciam maior mobilidade e poder de penetração, marcou a transição para uma nova geração de armas antitanque. Apesar disso, o M-1 permaneceu relevante em conflitos subsequentes devido à sua confiabilidade e disponibilidade em grandes quantidades. O eclodir da Guerra da Coreia (1950-1953) trouxe o M-1 57 mm de volta ao cenário de combate. Muitas unidades foram mobilizadas e cedidas ao Exército da Coreia do Sul (Daehanminguk Yuk), onde se mostraram eficazes em operações contra blindados leves e posições fortificadas. A versatilidade do canhão, aliada à sua facilidade de operação, garantiu sua utilidade em um conflito marcado por combates intensos em terrenos variados. Antes mesmo da Guerra da Coreia, as Forças de Defesa de Israel (IDF) tornaram-se um dos maiores operadores pós-guerra do M-1 57 mm e do QF 6 Pounder. Empregados em batalhões antitanque em nível de brigada e pelotões antitanque de batalhão, esses canhões eram essenciais para as operações defensivas e ofensivas de Israel. Até o final de 1955, o IDF contava com 157 peças em serviço ativo, e, em 1956, mais 100 unidades foram adquiridas da Holanda. Infelizmente, essas últimas chegaram tarde demais para serem utilizadas na Crise do Canal de Suez (1956), mas reforçaram o arsenal israelense em conflitos posteriores. O M-1 57 mm também foi adotado pelas Forças Armadas do Paquistão, onde serviu por muitos anos. Atualmente, várias dessas peças são preservadas como gate guardians (guardas do portão) em bases militares paquistanesas, simbolizando sua importância histórica. Durante a Guerra do Biafra (1967-1970), tanto o Exército Federal da Nigéria quanto as Forças Armadas de Biafra fizeram uso do M-1/QF 6 Pounder, adaptando-os até mesmo como canhões embarcados em pequenos navios, demonstrando a versatilidade do sistema em contextos não convencionais. Entre 1942 e 1945, os arsenais norte-americanos, incluindo o Watervliet Arsenal e o Rock Island Arsenal, produziram mais de 15.000 canhões da família M-1 57 mm.

Emprego no Exército Brasileiro.
No início da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano passou a considerar com extrema preocupação a possibilidade de uma invasão do continente americano pelas forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Essa ameaça tornou-se ainda mais evidente após a capitulação da França, em junho de 1940, pois, a partir desse momento, a Alemanha Nazista poderia estabelecer bases operacionais nas Ilhas Canárias, em Dacar e em outras colônias francesas, criando um ponto estratégico para uma eventual incursão militar no continente. Nesse contexto, o Brasil foi identificado como o local mais provável para o lançamento de uma ofensiva, devido à sua proximidade com o continente africano, que à época também figurava nos planos de expansão territorial alemã. Além disso, as conquistas japonesas no Sudeste Asiático e no Pacífico Sul transformaram o Brasil no principal fornecedor de látex para os Aliados, matéria-prima essencial para a produção de borracha, um insumo de extrema importância para a indústria bélica. Além dessas possíveis ameaças, a posição geográfica do litoral brasileiro mostrava-se estrategicamente vantajosa para o estabelecimento de bases aéreas e portos militares na região Nordeste, sobretudo na cidade de Recife, que se destacava como o ponto mais próximo entre os continentes americano e africano. Dessa forma, essa localidade poderia ser utilizada como uma ponte logística para o envio de tropas, suprimentos e aeronaves destinadas aos teatros de operações europeu e norte-africano. Diante desse cenário, observou-se, em um curto espaço de tempo, um movimento de aproximação política e econômica entre o Brasil e os Estados Unidos, resultando em investimentos estratégicos e acordos de cooperação militar. Entre essas iniciativas, destacou-se a adesão do Brasil ao programa de ajuda militar denominado Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), cujo principal objetivo era promover a modernização das Forças Armadas Brasileiras. Os termos desse acordo garantiram ao Brasil uma linha inicial de crédito de US$ 100 milhões, destinada à aquisição de material bélico, possibilitando ao país o acesso a armamentos modernos, aeronaves, veículos blindados e carros de combate. Esses recursos revelaram-se essenciais para que o país pudesse enfrentar as ameaças impostas pelos ataques de submarinos alemães, que intensificavam os riscos à navegação civil, impactando o comércio exterior brasileiro com os Estados Unidos, responsável pelo transporte diário de matérias-primas destinadas à indústria de guerra norte-americana. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. A participação brasileira no esforço de guerra aliado logo se ampliaria. O então presidente Getúlio Vargas declarou que o Brasil não se limitaria ao fornecimento de materiais estratégicos e sinalizou a possibilidade de uma participação mais ativa de suas forças,  envolvendo o possível envio de tropas brasileiras para algum teatro de operações de relevância

Na década de 1940, a artilharia de campanha do Exército Brasileiro enfrentava desafios significativos, equipada majoritariamente com armamentos ultrapassados, como os canhões alemães Krupp 75 mm Modelo 1908 e franceses Schneider-Canet 75 mm, projetados para tração hipomóvel e fabricados no início do século XX. Esses equipamentos, embora robustos para sua época, não atendiam às exigências do combate moderno. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, marcou o início de uma transformação profunda, impulsionada pelo programa norte-americano Lend-Lease Act. A partir de meados de 1942, navios de transporte começaram a desembarcar no porto do Rio de Janeiro, trazendo uma gama de equipamentos modernos, incluindo armas de infantaria, canhões antitanque de 37 mm e obuseiros de 105 mm e 155 mm. Essa incorporação representou um salto qualitativo para a artilharia brasileira, dotando-a de maior potência de fogo e precisão. O compromisso do Brasil com o esforço de guerra aliado foi formalizado em  Em 9 de agosto de 1943, por meio da Portaria Ministerial nº 4.744, publicada em boletim reservado no dia 13 do mesmo mês, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Estruturada como a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB incluía, além da divisão principal, diversos órgãos não-divisionários essenciais para sua operação. devendo ao todo ser composta por 25.000 soldados.  A composição da Força Expedicionária Brasileira (FEB) contemplava quatro grupos de artilharia (três equipados com obuses de 105 mm e um com 155 mm), uma esquadrilha de aviação da Força Aérea Brasileira para ligação e observação, um batalhão de engenharia, um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento e uma companhia de comunicações. A força contava ainda com um comando próprio, um comando de quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e, simbolicamente, uma banda de música. Além disso, a infantaria recebeu uma variedade de armas anticarro e antitanque, incluindo 57 canhões M-1 57 mm, uma arma até então inédita no Exército Brasileiro.  Para operar esses canhões, foi criada, em 12 de abril de 1943, pelo Decreto-lei nº 5.388-A, a Companhia de Canhões Antitanque, destinada a reforçar a capacidade da FEB de enfrentar blindados inimigos. Esses canhões M-1 57 mm, baseados no britânico QF 6 Pounder, ofereciam maior poder de penetração em comparação com os obsoletos M-3 37 mm, representando um avanço significativo para as operações brasileiras.
Embora as tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB)  destinadas ao teatro de operações na Itália tenham passado por um intensivo programa de treinamento nos centros de instrução do Campo dos Afonsos e Gericinó, no Rio de Janeiro, a familiarização com equipamentos mais complexos, como os canhões antitanque M-1 57 mm e os obuseiros modernos, ainda apresentava deficiências. Essa lacuna foi suprida em solo italiano, com a implementação de um programa de instrução entre 5 e 18 de agosto de 1944, na localidade de Tarquinia, situada 60 quilômetros a noroeste de Roma. Nesse período, os soldados brasileiros responsáveis pela operação dos canhões antitanque foram treinados por militares do V Exército dos Estados Unidos, que possuíam vasta experiência no manejo do M-1 57 mm. Esse treinamento focou na doutrina operacional e nas técnicas de emprego do canhão, capacitando os pracinhas brasileiros para enfrentar os desafios do combate contra blindados no front italiano. No dia 15 de setembro de 1944,  clima gelado  já prenunciava os rigores do inverno próximo, e seria nestas condições que a  Força Expedicionária Brasileira (FEB) receberia seu batismo de fogo, quando as tropas lideradas pelos General Zenóbio da Costa, atuariam em coordenação com três companhias norte-americanas, com esta operação enfrentando pouca resistência do inimigo. Dois dias depois seriam conquistadas as localidades de Massarosa, Bozzano e Quiesia, não sendo registrado, no entanto, nenhum encontro com unidades blindadas alemães ou italianas.  A exemplo da formatação de emprego doutrinário original do Exército dos Estados Unidos (US Army), os canhões antitanque M-1  Gun de 57 mm podem ter sido empregados em conjunto com os canhões M-3 Gun de 37 mm. Junto ao contingente brasileiro, estas armas equipariam o  1º Regimento de Infantaria – Sampaio, 6º Regimento de Infantaria – Ipiranga e 11º Regimento de Infantaria – Tiradentes e pela Companhia Anti Carros. Existem poucos registros oficiais do emprego destes canhões contra veículos blindados inimigos, com estas peças sendo geralmente utilizadas em ataques contra pontos de defesa ou fortificações inimigas. Após o término do conflito em maio de 1945, todos os canhoes M-1 Gun de 57 mm bem como os demais veículos, armas e equipamentos cedidos pelos norte-americanos seriam entregues ao Comando de Material do Exército dos Estados Unidos (US Army) na cidade de Roma. Nesta unidade todos estes materiais considerados em melhor estado de conservação seriam armazenados e despachados posteriormente ao Brasil por via naval. Após serem recebidos no porto do Rio de Janeiro em julho deste mesmo ano, estas peças de artilharia "italianas", passariam a ser concentradas nas unidades de Infantaria e de Companhias Anti Carro, que já operam o mesmo tipo de armamento recebido anteriormente.   

O canhão antitanque M-1 57 mm, baseado no britânico QF 6 Pounder, desempenhou um papel significativo na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo de sua trajetória, essas armas foram tracionadas por uma variedade de veículos, refletindo a evolução das capacidades logísticas da Força Terrestre. Inicialmente, os M-1 foram tracionados por carros blindados como o M-3A1 Scout Car, blindados meia-lagarta White M-2, M-3 e M-5, e utilitários Dodge WC-63 e WC-62 Beep 6x6 Big Foot. Próximo ao fim de sua carreira operacional, já na década de 1960, veículos utilitários nacionais militarizados, como os Ford Willys-Overland Rural F-85, assumiram essa função, demonstrando a adaptabilidade do Exército Brasileiro às condições locais. Embora o M-1 57 mm fosse consideravelmente superior ao seu antecessor, o M-3 37 mm, em termos de potência e eficácia contra blindagens, sua operação no Exército Brasileiro enfrentou restrições significativas devido à escassez de munição de 57 mm. Ao contrário do calibre 37 mm, amplamente disponível por equipar os carros de combate leve CCL M-3 Stuart e os blindados VBR  M-8 Greyhound, e produzido localmente, a munição de 57 mm nunca foi fabricada no Brasil. Essa limitação restringiu o treinamento prático de tiro, impactando a plena exploração das capacidades do M-1 57 mm. No início da década de 1960, o Exército Brasileiro recebeu um novo lote de canhões M-1 57 mm, provenientes de unidades de infantaria do Exército dos Estados Unidos (US Army), cuidadosamente armazenados desde sua desativação no final dos anos 1950. Essa cessão, parte do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, incluiu também um significativo estoque de munição de 57 mm de diversos tipos, proporcionando um alívio para a escassez anterior. Com isso, foi possível retomar a operacionalidade do M-1 57 mm, permitindo sua redistribuição para além dos Regimentos de Infantaria (RI) e das Companhias de Canhões Anticarros (CCAC), alcançando também alguns Esquadrões de Reconhecimento Motorizado (Esqd Rec Mec). Essa ampliação reforçou a capacidade antitanque da Força Terrestre, atendendo às demandas táticas da época. Um momento notável na história do M-1 57 mm no Brasil foi seu emprego durante a Revolução de 1964 (ou Contra-Revolução, conforme a perspectiva), deflagrada em 31 de março daquele ano. Nesse contexto, o Exército Brasileiro mobilizou suas forças nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro para demonstrações de força, e os canhões M-1 foram utilizados em operações de prontidão. Embora não tenham sido empregados em combates diretos, sua presença reforçou a capacidade de dissuasão da Força Terrestre, destacando a relevância estratégica desses equipamentos em momentos de crise política.
A partir do final de 1965, no âmbito do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, as Forças Armadas Brasileiras começaram a receber novos lotes de equipamentos bélicos modernos de origem norte-americana, marcando um novo capítulo na modernização de seu arsenal. Nesse contexto, o Exército Brasileiro foi contemplado com um número considerável de canhões sem recuo (CSR) M-40, M-40A1 e M-40A2  Recoilless Rifle  de 106 mm, projetados especificamente para missões anticarro e antitanque. Essas armas, caracterizadas por seu menor peso, facilidade de manejo e alta eficiência operacional, representaram um avanço significativo em relação aos canhões antitanque M-1 57 mm, que, apesar de sua relevância durante a Segunda Guerra Mundial e na Revolução de 1964, enfrentavam limitações devido à escassez de munição. Os canhões sem recuo CSR , com sua maior potência e versatilidade, começaram a substituir imediatamente os M-1 57 mm nos Batalhões de Infantaria. Além disso, eles passaram a equipar unidades que ainda utilizavam os obsoletos canhões M-3 37 mm, ampliando a capacidade antitanque da Força Terrestre. A introdução dos canhões se recuo permitiu ao Exército Brasileiro atender às demandas do combate moderno, oferecendo maior mobilidade e poder de fogo em comparação com seus predecessores. Essa transição refletiu o compromisso com a atualização das capacidades operacionais, alinhando o Brasil às tendências globais em armamentos antitanque. Apesar de sua superioridade operacional, o M-1 57 mm enfrentava um desafio persistente: a escassez de munição de 57 mm, agravada pelo seu intenso uso em anos anteriores. Diferentemente do calibre 37 mm, amplamente disponível e produzido localmente para os carros de combate M-3 Stuart e blindados M-8 Greyhound, a munição de 57 mm dependia exclusivamente de importações, limitando o treinamento e o emprego prático do canhão. Esse cenário levou, em 1967, à decisão de iniciar o processo de desativação do M-1 57 mm. A retirada gradual dessas armas culminou em meados de 1972, encerrando sua carreira operacional no Exército Brasileiro. Após sua desativação, muitos canhões M-1 57 mm foram preservados como monumentos nas sedes de unidades operacionais, simbolizando a história de bravura e modernização da artilharia brasileira. Outras peças foram destinadas a museus militares espalhados pelo país, onde passaram a integrar acervos que celebram o legado da Força Terrestre. Algumas unidades foram desmilitarizadas e adquiridas por entusiastas e colecionadores civis, permitindo que a memória do M-1 continuasse viva em coleções particulares.

Em Escala:
Para recriar o canhão antitanque M-1 57 mm, foi utilizado o kit na escala 1/35 produzido pela Riich Models. Este modelo, embora apresente desafios devido à qualidade mediana da injeção plástica, com rebarbas que exigem cuidado adicional durante a montagem, destaca-se positivamente pelo conjunto detalhado de peças em photo-etched. Essas peças conferem maior realismo e precisão aos componentes do canhão, como o reparo e os sistemas de travessia, capturando a essência do M-1 em sua configuração operacional. A representação da versão empregada pelo Exército Brasileiro não requer alterações adicionais, permitindo que o kit seja montado diretamente da caixa.
O canhão antitanque M-1 57 mm, peça fundamental na modernização da artilharia do Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, foi recebido a partir de 1942 com um esquema de pintura tático único, baseado no sistema Federal Standard (FS). Esse padrão, aplicado às primeiras 57 unidades cedidas à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e mantido nos lotes subsequentes recebidos na década de 1960. O esquema de pintura permaneceu inalterado ao longo de toda a carreira operacional do M-1 57 mm no Brasil, refletindo sua adequação às necessidades táticas da Força Terrestre.
Bibliografia: 
- M-3 57 mm Gun Wilipedia - https://en.wikipedia.org/wiki/Ordnance_QF_6-pounder
- US M-1 57 mm Anti-tank gun at Militaria: Weapons - http://efour4ever.com/57mm.htm
- Artilharia de Campanha no Exército Brasileiro – Cezar Carriel Benetti - http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/ACEB.pdf